quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Miroslav Vitous: Parte 2

                  

Infinite Search – Miroslav Vitous





















NOTA: 9,4/10


Alguns meses depois, foi lançado o 2º disco solo do Miroslav Vitous, o Infinite Search. Após o Purple, ele já circulava entre músicos que estavam redefinindo os limites do Jazz: Herbie Hancock, Joe Henderson, Jack DeJohnette e John McLaughlin. Esse álbum nasce antes de o Weather Report existir, mas já carrega muitas das inquietações que levariam à fusão: a dissolução da hierarquia tradicional do grupo, o baixo como centro discursivo, a improvisação coletiva e a convivência entre o acústico e o elétrico. Produzido por Herbie Mann, o disco é direto, quase documental, privilegiando a interação do grupo e o caráter espontâneo das performances. A presença do piano elétrico do Herbie Hancock, da guitarra elétrica do John McLaughlin e da bateria expansiva do Jack DeJohnette cria um campo sonoro típico do período de transição entre o Post-Bop e o Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bastante intimistas. No fim, é um belo disco e muito fluido. 

Melhores Faixas: Freedom Jazz Dance, Infinite Search 
Vale a Pena Ouvir: I Will Tell Him On You

Magical Shepherd – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


Em 1976, ele retorna à sua carreira solo lançando o disco Magical Shepherd, que é mais amplo. Após o Infinite Search, Miroslav Vitouš havia saído do Weather Report alguns anos antes, em um processo marcado por divergências estéticas profundas: de um lado, a busca cada vez maior por estruturas rítmicas fixas, grooves e apelo popular; de outro, a visão do Vitouš de uma música mais orgânica e aberta, ligada à improvisação livre, à música de câmara e à herança europeia, decidindo seguir esse direcionamento em seu novo projeto. Produzido pelo próprio baixista, o álbum é extremamente cuidadoso com o espaço sonoro. Privilegia clareza, ressonância e silêncio, permitindo que cada instrumento respire. Seu contrabaixo aparece ora como fundamento harmônico, ora como voz melódica, ora como textura quase abstrata, além de unir Jazz Fusion com Funk. O repertório é muito bom, com canções variadas. No fim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: New York City, From Far Away 
Vale a Pena Ouvir: Basic Laws

Majesty Music – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Meses depois, foi lançado mais um trabalho de Miroslav Vitouš, o Majesty Music. Após o Magical Shepherd, Vitouš já estava completamente afastado do circuito do Jazz Fusion. A ruptura com o Weather Report não foi apenas profissional, mas conceitual: Vitouš rejeitava a padronização rítmica, a previsibilidade formal e o protagonismo do groove. Com esse disco, ele leva essa rejeição ao limite, criando um trabalho que se aproxima mais da improvisação livre, da música de câmara contemporânea e do Jazz espiritual. Produzido por ele próprio, o álbum é deliberadamente esparso. O foco está na ressonância natural dos instrumentos, com a maioria tocada por ele e com algumas participações, na dinâmica interna das improvisações e na criação de espaços amplos. Nada soa comprimido ou excessivamente tratado. O repertório é muito bom, e as canções são mais cadenciadas e expressivas. No geral, é um ótimo disco e serve como uma boa continuação. 

Melhores Faixas: New Orelans, Folks 
Vale a Pena Ouvir: Streams And Fields, See You, November, Majesty Music

Miroslav – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Miroslav Vitouš, intitulado apenas Miroslav. Após o Majesty Music, Vitouš buscava reconectar sua identidade lírica e europeia a uma estrutura musical mais comunicável, sem cair em fórmulas comerciais. Não se trata de um retorno ao Jazz Fusion nem à agressividade dos primeiros trabalhos, mas de um ponto intermediário, no qual composição, improvisação e atmosfera convivem de modo mais equilibrado. Produzido por Michael Cuscuna, o álbum é mais definido e menos etéreo do que os dois discos anteriores. O som continua espaçoso, mas há maior clareza estrutural. As composições têm início, desenvolvimento e encerramento mais perceptíveis, e os timbres são escolhidos com uma lógica quase cinematográfica. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais atmosférica. No fim, é um disco interessante e mais cristalino. 

Melhores Faixas: Tiger In The Rain, Watching The Sunset Run 
Vale a Pena Ouvir: Sonata For A Dream

Emergence – Miroslav Vitous





















NOTA: 6/10


Pulando para 1986, foi lançado um novo álbum de Miroslav Vitouš, o Emergence. Após o álbum de 1977, ele havia assinado com a gravadora ECM e realizado alguns outros projetos e, com isso, decidiu fazer um disco inteiramente solo, sem concessões, no qual o contrabaixo acústico sustenta forma, discurso, tensão e lirismo sozinho. Não se trata de virtuosismo exibicionista, mas de uma investigação sonora e filosófica, muito alinhada à visão do músico. Produzido por Manfred Eicher, o álbum segue a estética de clareza, espaço e silêncio. O contrabaixo é captado de forma extremamente próxima, mas sem artificialidade. O silêncio não é apenas ausência de som, mas parte ativa da construção musical. O maior problema, porém, é que Vitouš parece não ter conseguido se encaixar plenamente nessa proposta, deixando o disco excessivamente arrastado. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho bastante irregular. 

Melhores Faixas: Atlantis Suite, Transformation 
Piores Faixas: Morning Lake For Ever, Regards To Gershwin's Honeyman

Universal Syncopations – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,7/10


Então, indo agora para 2003, acontece o retorno do Miroslav Vitouš com o álbum Universal Syncopations. Após o Emergence, com a chegada do novo século, o Jazz vivia uma fase de reavaliação histórica: tradição e modernidade deixaram de ser polos opostos. Vitouš aproveita esse momento para apresentar um trabalho que concilia lirismo europeu, improvisação aberta, sofisticação harmônica e groove sutil, sem cair nem no academicismo nem na nostalgia. Produzido por ele próprio, o álbum é exemplar no sentido moderno do termo. O som é cristalino, espaçoso e tridimensional, mas nunca frio. A formação, já mostrada na capa, coloca cada instrumento em um lugar muito bem definido, permitindo que nuances de articulação, dinâmica e timbre sejam plenamente percebidas, enquanto o contrabaixo de Vitouš é o eixo de tudo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem técnicas e suaves. No fim, é um ótimo disco e mais expressivo. 

Melhores Faixas: Sun Flower, Tramp Blues, Beethoven 
Vale a Pena Ouvir: Brazil Waves, Faith Run, Bamboo Forest

Universal Syncopations II – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último lançamento até então de Vitouš, lançado em 2007, o Universal Syncopations II. Após o volume 1, que representou um retorno triunfal de Miroslav Vitouš ao centro do Jazz contemporâneo, este segundo volume surge como uma confirmação de maturidade, não como uma tentativa de repetir fórmula. Aqui, Vitouš já não precisa reafirmar sua relevância. Ele parte do ponto em que o primeiro disco terminou e avança com mais liberdade, mais confiança e menos necessidade de síntese didática. A produção é praticamente a mesma, mas com um clima mais quente e menos “apresentacional”. O som continua extremamente claro, mas há uma sensação maior de proximidade; ainda assim, o contrabaixo do Vitouš permanece como eixo estrutural, agora de forma mais centralizadora, com alguns instrumentos aparecendo de maneira pontual. O repertório é ótimo, e as canções são mais pacíficas. No geral, é um disco bacana e consistente. 

Melhores Faixas: The Prayer, Universal Evolution 
Vale a Pena Ouvir: Gmoong, Opera

 

Analisando Discografias - Jaco Pastorius: Parte 1

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