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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Weather Report: Parte 2

                    

Heavy Weather – Weather Report





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, foi lançado o aclamado 7º álbum da banda, intitulado Heavy Weather. Após o excepcional Black Market, a entrada definitiva do Jaco Pastorius como membro pleno não apenas redefine o papel do baixo na banda, mas altera completamente o equilíbrio interno do grupo. O Weather Report deixa de ser apenas um coletivo liderado por Joe Zawinul e Wayne Shorter para se tornar um triângulo criativo extremamente potente. Além disso, Alex Acuña assume a bateria, enquanto Manolo Badrena fica responsável pela percussão e também passa a fazer os vocais. Com produção assinada pelo trio ZSP, a banda parte para uma sonoridade bem mais ampla, com Zawinul usando seus sintetizadores como extensões harmônicas e texturais da música. A seção rítmica torna-se mais fluida e precisa, unindo o Jazz Fusion a alguns traços de Smooth Jazz. O repertório é incrível, com canções muito melódicas e suaves. No fim, é um belo disco, apesar de não ser um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Birdland, Teen Town, A Remark You Made 
Vale a Pena Ouvir: The Juggler, Harlequin

Mr. Gone – Weather Report





















NOTA: 8,3/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho do Weather Report, o Mr. Gone. Após o Heavy Weather, que levou a banda a um nível de popularidade raríssimo para um grupo instrumental, havia uma expectativa enorme em torno do próximo passo. Em vez de repetir a fórmula que havia funcionado tão bem, o grupo opta por seguir adiante, aprofundando ideias que já estavam latentes. Além disso, com a saída do Alex Acuña e Manolo Badrena, Peter Erskine é incorporado à banda. A produção, assinada por Joe Zawinul e Jaco Pastorius, apresenta um som mais denso. Zawinul explora os sintetizadores de maneira quase arquitetônica, construindo camadas rígidas, pulsos repetitivos e texturas artificiais que dominam o espaço sonoro, tendo a seção rítmica e o saxofone do Wayne Shorter como base estrutural. O repertório é muito bom, com canções mais cadenciadas e intimistas. Enfim, é um álbum interessante e que sustenta bem sua proposta. 

Melhores Faixas: Mr. Gone, River People 
Vale a Pena Ouvir: Pinocchio, The Elders, Young And Fine

Night Passage – Weather Report





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 80, o Weather Report lançava mais um disco, o Night Passage. Após o Mr. Gone, marcado por estruturas fragmentadas, clima urbano e forte presença eletrônica, a banda parece sentir a necessidade de reencontrar um ponto de equilíbrio entre experimentação e fluidez musical. Além disso, o grupo passa a contar com um novo percussionista, Robert Thomas Jr. Esse projeto surge como uma resposta implícita às críticas de que a banda estaria se afastando do Jazz enquanto linguagem viva e interativa. A produção é bem mais aberta e dinâmica, com tudo sendo gravado quase ao vivo. Os sintetizadores de Zawinul continuam dominantes, mas agora são usados de forma mais musical e menos opressiva, com a seção rítmica bem mais articulada e o saxofone de Wayne Shorter puxando o som para um território mais próximo do Post-Bop. O repertório é muito bom, e as canções se tornam mais complexas. No final, é um disco até que interessante. 

Melhores Faixas: Port Of Entry, Three Views Of A Secret, Fast City 
Vale a Pena Ouvir: Dream Clock, Madagascar (gravado numa apresentação no Japão)

Weather Report – Weather Report





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e foi lançado o 10º álbum da banda, que é autointitulado. Após o Night Passage, com o Jazz Fusion já não ocupando o centro da cultura popular como antes e com os sintetizadores cada vez mais dominantes nos anos 80, o Weather Report precisava redefinir sua identidade sem repetir fórmulas. Assim, o grupo decidiu fazer um disco menos expansivo e menos “espetacular” que seus antecessores, mas deliberadamente mais conciso e introspectivo. A produção, feita pela última vez pelo trio ZSP, segue um caminho mais limpo e seco, com menos camadas exuberantes de teclados e menor ênfase no virtuosismo explícito. Joe Zawinul ainda domina o espaço harmônico com seus sintetizadores, mas agora de forma mais funcional e atmosférica, acompanhado de uma seção rítmica que segue por um caminho mais melódico. O repertório é muito bom, e as canções caminham para um tom mais vibrante. No fim, é um ótimo disco, mais técnico e focado. 

Melhores Faixas: Dara Factor One, Speechless 
Vale a Pena Ouvir: N.Y.C., Volcano For Hire

Procession – Weather Report





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo do Weather Report, o Procession. Após o álbum anterior, a banda passa por mudanças significativas, com a saída do baterista Peter Erskine, do percussionista Robert Thomas Jr. e do baixista Jaco Pastorius, que havia se tornado a alma do grupo. Com isso, Zawinul incorpora Omar Hakim (que também passa a contribuir com guitarras), José Rossy e Victor Bailey, e para esse novo projeto o grupo opta por um caminho mais ritualístico. A produção, conduzida por Zawinul e Shorter, é pensada em camadas, pulsação e atmosfera. Os sintetizadores assumem um papel estrutural absoluto, criando colchões harmônicos, sequências rítmicas e texturas que se sobrepõem lentamente. Wayne Shorter aparece de forma econômica e estratégica: seus sopros não conduzem as músicas, mas comentam, surgem e desaparecem. O repertório é muito bom, e as canções se mostram mais envolventes. Enfim, é um trabalho bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Molasses Run, Plaza Real 
Vale a Pena Ouvir: The Well, Procession

Domino Theory – Weather Report





















NOTA: 8/10


Outro ano se passou, e a banda lançava mais um disco, intitulado Domino Theory. Após o Procession, Joe Zawinul assume de vez o papel de arquiteto total da banda, tanto musical quanto estético. Wayne Shorter, embora ainda essencial como voz melódica e conceitual, passa a atuar de forma mais pontual. O Weather Report desse período já não busca tanto a improvisação aberta e coletiva; o foco passa a ser groove, textura, arquitetura sonora e repetição hipnótica. A produção, conduzida junto com Omar Hakim, é extremamente limpa, abraçando sem medo drum machines, sequencers, samplers e camadas eletrônicas, não como substitutos da performance humana, mas como extensões dela. As ambiências são criadas artificialmente, os timbres são altamente programados e o espaço sonoro é bem delimitado. O repertório é ótimo, e as canções se mostram mais variadas. No fim, é um disco legal e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Predator, Can It Be Done 
Vale a Pena Ouvir: Swamp Cabbage, Blue Sound - Note 3

Sportin' Life – Weather Report





















NOTA: 3/10


Em 1985, o Weather Report lançava mais um trabalho, o Sportin’ Life, já no final de sua trajetória. Após o Domino Theory, Joe Zawinul passa a comandar praticamente todo o funcionamento da banda, enquanto Wayne Shorter parece menos interessado em disputar espaço e mais focado em intervenções cirúrgicas, quase narrativas. Também ocorre a saída do José Rossy e a entrada meteórica do Mino Cinélu. A produção, conduzida pela dupla Shorter e Zawinul, resulta em um som polido e denso, com grande uso de sintetizadores, camadas MIDI, programação rítmica e efeitos eletrônicos, além da tentativa de se conectar com uma seção rítmica mais groovada e com o sax econômico de Shorter. No entanto, tudo soa bastante sem graça e com falta de dinâmica, com repetições de arranjos que não agregam em nada. O repertório é muito fraco, com algumas poucas canções boas e outras chatíssimas. No fim, é um disco péssimo e mal orientado. 

Melhores Faixas: Confians, Indiscretions 
Piores Faixas: Ice-Pick Willy, What's Going On, Pearl On The Half Shell

This Is This – Weather Report





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 1986, quando foi lançado o último álbum do Weather Report, o This Is This. Após o Sportin' Life, Joe Zawinul e Wayne Shorter, os pilares da banda, já estavam focados em seus projetos solo e novas direções musicais; com isso, Shorter decidiu sair. No entanto, havia um obstáculo contratual: a banda ainda devia um álbum para a Columbia Records. Eles tiveram que gravar às pressas e a única mudança foi o retorno do baterista Peter Erskine. A produção foi basicamente a mesma, com um som extremamente limpo e altamente texturizado; Zawinul utilizou um arsenal massivo de sintetizadores e sequenciadores, criando camadas densas que simulavam percussões mundiais e orquestras futuristas. Com isso, a seção rítmica torna-se praticamente inútil e a presença do sax de Wayne Shorter é quase inexistente. O repertório é muito ruim, tendo em sua maioria canções medíocres. No fim, é outro disco terrível, que fecha a trajetória da banda. 

Melhores Faixas: Man With The Copper Fingers (tem a presença do Carlos Santana), I'll Never Forget You 
Piores Faixas: Face The Fire, China Blues, This Is This
 

                                                                            É isso, um abraço e flw!!!                     

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Weather Report: Parte 1

                 

Weather Report – Weather Report





















NOTA: 9,4/10


Voltando para o ano de 1971, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do Weather Report. Formado em 1970 pelos já amigos Joe Zawinul (teclados) e Wayne Shorter (saxofone), que haviam sido peças-chave na fase elétrica de Miles Davis, participando diretamente da transição do Jazz para territórios mais abertos, modais e texturais. Com isso, eles chamaram Miroslav Vitouš (baixo acústico) e, para finalizar, recrutaram Alphonse Mouzon (bateria) e Airto Moreira (percussão). A produção, feita por eles mesmos, é econômica, aberta e profundamente espacial. Não há excesso de overdubs nem uma estética de estúdio grandiosa; o foco está na interação em tempo real entre os músicos. O som privilegia dinâmica, silêncio e textura, em vez de impacto rítmico ou virtuosismo ostensivo, fazendo basicamente uma junção do Jazz Fusion com elementos mais vanguardistas. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas. No fim, é um belo disco de estreia e imersivo. 

Melhores Faixas: Milky Way, Tears, Morning Lake, Umbrellas 
Vale a Pena Ouvir: Eurydice, Seventh Arrow

I Sing The Body Electric – Weather Report





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum do Weather Report, o espacial I Sing The Body Electric. Após o álbum de estreia, a banda acabou passando por mudanças, com a saída do Alphonse Mouzon e Airto Moreira, e a entrada do Eric Gravatt e Don Um Romão. Com isso, Joe Zawinul começava a elevar o patamar do grupo para um caminho ainda mais elétrico. Wayne Shorter continuava sendo a voz melódica central, mas cada vez mais integrada ao tecido coletivo. A produção foi mais contrastada do que a do álbum de estreia. O disco alterna faixas gravadas em estúdio com um lado inteiro registrado ao vivo no Japão. Em estúdio, o som é mais denso e elétrico. Os teclados de Zawinul assumem papel central. O baixo vai para uma linguagem mais rítmica, e bateria e percussão tornam-se mais incisivas. As gravações ao vivo, por sua vez, enfatizam a interação coletiva e o risco. O repertório é muito bom, e as canções são mais dissonantes. Enfim, é um trabalho incrível e mais abstrato. 

Melhores Faixas: Medley: T.H. / Dr. Honoris Causa, Unknown Soldier, Crystal 
Vale a Pena Ouvir: Second Sunday In August, The Moors

Sweetnighter – Weather Report





















NOTA: 9,5/10


Mais um ano se passa, e é lançado mais um álbum, intitulado Sweetnighter, no qual ocorrem mudanças significativas. Após o I Sing The Body Electric, acontece uma ruptura consciente com o caráter mais etéreo e abstrato dos dois primeiros discos. Aqui, Joe Zawinul começa a empurrar a banda de forma mais explícita em direção ao ritmo, ao groove e à repetição, elementos que mais tarde definiriam a estética pela qual ficariam marcados, o que não agradava a Miroslav Vitouš. Além disso, há a presença meteórica de Herschel Dwellingham (bateria) e Muruga Booker (percussão). A produção é mais densa, elétrica e frontal do que nos discos anteriores. Zawinul assume controle quase total do espaço sonoro. O baixo acústico do Vitouš permanece presente, mas frequentemente em conflito estético com a lógica mais percussiva e rítmica das composições. O repertório é maravilhoso, e as canções ficam bem mais suaves. No fim, é um trabalho sensacional e bastante essencial. 

Melhores Faixas: 125th Street Congress, Manolete 
Vale a Pena Ouvir: Adios, Boogie Woogie Waltz

Mysterious Traveller – Weather Report





















NOTA: 9,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado outro trabalho sensacional do Weather Report, o Mysterious Traveller. Após o Sweetnighter, Miroslav Vitouš já se encontrava em rota de colisão estética com Joe Zawinul, que passa a assumir de forma mais dominante o espaço sonoro com seus teclados e sintetizadores. A presença do baixista elétrico Alphonso Johnson em parte do disco antecipa a saída definitiva do Vitouš e aponta para o som futuro da banda, além da utilização de dois bateristas, Ishmael Wilburn e Skip Hadden. A produção, feita por Zawinul e Shorter, é muito mais assertiva, com um som mais elétrico e mais controlado, com menos espaços vazios e maior sensação de direção. Zawinul domina o espaço sonoro com Fender Rhodes e outros sintetizadores, criando paisagens densas, quentes e rítmicas, muitas vezes substituindo funções tradicionais do baixo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas e vibrantes. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Jungle Book, Mysterious Traveller, Blackthorn Rose 
Vale a Pena Ouvir: American Tango, Scarlet Woman

Tale Spinnin' – Weather Report





















NOTA: 8,7/10


Em 1975, foi lançado o 5º álbum de estúdio do Weather Report, intitulado Tale Spinnin’. Após o Mysterious Traveller, Miroslav Vitouš já havia deixado a banda, e o baixo elétrico do Alphonso Johnson passa a ser o alicerce rítmico, permitindo que Joe Zawinul se concentre inteiramente em teclados e texturas. Além disso, ele recruta um baterista definitivo, Leon “Ndugu” Chancler. O percussionista Don Um Romão sai, e em seu lugar entra o brasileiro Alyrio Lima. Wayne Shorter, por sua vez, adota uma postura cada vez mais econômica e poética, tocando menos notas, mas com maior peso expressivo. A produção é muito mais detalhada e altamente equilibrada. Cada instrumento ocupa um espaço bem definido, e o som do grupo soa orgânico, apesar do uso intenso de eletrônica. Com a presença do Ndugu, o grupo adiciona um groove sofisticado, com clara influência do Funk. O repertório é bacana, e as canções são bem técnicas. No geral, é um disco bacana e que aponta algo promissor. 

Melhores Faixas: Lusitanos, Freezing Fire 
Vale a Pena Ouvir: Man In The Green Shirt, Between The Thighs

Black Market – Weather Report





















NOTA: 9,8/10


Então chegamos a 1976, quando foi lançado outro álbum fantástico do Weather Report, o Black Market. Após o Tale Spinnin’, o baixista Alphonso Johnson estava perto de sair da banda, mas Joe Zawinul tinha uma carta na manga, já que colocou Jaco Pastorius para participar de duas faixas, algo que seria importante para o futuro do grupo. Além disso, tivemos a presença de outros músicos, como os bateristas Narada Michael Walden e Chester Thompson e os percussionistas Alex Acuña e Don Alias. A produção, feita por Zawinul e Shorter, é mais nítida e rítmica. Os teclados do Zawinul tornam-se mais funcionais, enquanto a seção rítmica passa a ser a base de tudo: Alphonso Johnson oferece linhas de baixo elásticas, e Jaco Pastorius, nas faixas em que aparece, traz uma nova concepção do instrumento como voz melódica dominante. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No final, é um trabalho sensacional e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Black Market, Elegant People, Herandnu 
Vale a Pena Ouvir: Cannon Ball, Gibraltar


                                                                                               Bom é isso e flw!!!        

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