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domingo, 22 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 6

                  

Erasmo Esteves – Erasmo Carlos





















NOTA: 7,4/10


Dois anos após seu falecimento, é lançado o provável único álbum póstumo do nosso querido Tremendão, o Erasmo Esteves (para quem não sabe, este era seu nome verdadeiro). Após O Futuro Pertence à Jovem Guarda, Erasmo vivia uma fase criativa prolífica, colaborando com diversos artistas e preparando novas composições. A produção foi novamente feita por Marcus Preto e Pupillo, com a colaboração de Leo Esteves, filho do cantor. Eles reuniram as demos e rascunhos deixados por Erasmo, convidando os parceiros originais para finalizar as composições. O repertório é até interessante, contendo interlúdios e, claro, participações de outros artistas. Algumas ficaram ótimas, como Emicida, Gaby Amarantos e Jota.pê, enquanto outras ficaram bem abaixo, como Russo Passapusso e Marina Sena. No fim, este último trabalho é interessante, apesar de ser bastante carregado pelas feats. 

Melhores Faixas: Assim te vejo em paz, Erasmo Esteves (Tijuca maluca), A Menina da Felicidade, Jaz, malandro 
Piores Faixas: Dane-se (Dance), Esquisitices, Frágil
    

sábado, 21 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 5

                 

Rock ‘N’ Roll – Erasmo Carlos





















NOTA: 9/10


Indo para 2009, Erasmo lançava seu 19º álbum de estúdio, intitulado Rock ‘N’ Roll. Simples, porém marcante. Após o Santa Música, ele apresentou Erasmo Convida, Volume II em 2007, no qual interpretou parcerias com diversos artistas. Depois desses projetos, Erasmo Carlos decidiu retornar às suas raízes musicais, dedicando um álbum inteiro ao Rock and Roll, gênero que moldou sua trajetória artística desde os tempos da Jovem Guarda. A produção foi realizada por Liminha, renomado produtor musical brasileiro, conhecido por seu trabalho com diversos artistas de destaque. Ele praticamente fez um trabalho sem qualquer tipo de apelo comercial, deixando as guitarras afiadas, a bateria robusta e um som que, de certo modo, remete aos tempos do Rock clássico. O repertório é muito interessante, trazendo ótimas canções, tudo bem cadenciado. No fim, é um ótimo disco que trouxe Erasmo de volta às suas raízes. 

Melhores Faixas: Um Beijo É Um Tiro, Chuva Ácida, Olhar De Mangá, Celebridade 
Vale a Pena Ouvir: Jogo Sujo, A Guitarra É Uma Mulher, Mar Vermelho

Sexo – Erasmo Carlos





















NOTA: 5/10


Três anos se passaram, e Erasmo lança mais um trabalho novo, intitulado Sexo (não tem nada de "proibidão", tá?). Após o Rock ‘N’ Roll, Erasmo Carlos decidiu explorar um tema que permeou sua obra ao longo dos anos, abordando-o de maneira mais direta e contemporânea. O álbum reflete sua maturidade artística e disposição em tratar de assuntos considerados tabus na sociedade, mas, é claro, ele quis deixar as coisas um pouco mais caricatas. Produzido novamente por Liminha, apresentou uma sonoridade mais polida, caracterizada por uma junção de Pop Rock, Folk e música acústica, criando um som contemporâneo que complementa as letras provocativas e reflexivas. O repertório acabou ficando bem mediano, já que a maioria das canções mais fracas apresenta um grande nível de superficialidade. Enfim, esse trabalho acabou sendo bastante irregular, faltando um pouco mais de definição. 

Melhores Faixas: O Rosto Do Rei, Seu Homem Mulher, Amorticídio, Vênus e Marte 
Piores Faixas: Sexo E Humor, Sentimento Exposto, Apaixocólico Anônimo, Roupa Suja

Gigante Gentil – Erasmo Carlos 





















NOTA: 5,5/10


Se passaram mais três anos, e Erasmo Carlos lança o Gigante Gentil, uma grande referência à sua altura, que era 1,93 m, e também à banda de rock progressivo Gentle Giant. Após o Sexo, que foi um trabalho bastante irregular, o nosso querido Tremendão, ainda trabalhando de forma independente junto à gravadora Coqueiro Verde, decidiu criar um trabalho que se conectasse com temas mais contemporâneos. Produzido por Kassin, conhecido por seu trabalho com diversos artistas da música brasileira, o álbum apresenta uma sonoridade que mescla Pop Rock com Folk contemporâneo, tudo de forma mais cadenciada, com muitos elementos acústicos nas canções. O repertório reflete novamente uma certa irregularidade, parecendo faltar ritmo em algumas partes, algo que não acontece nas faixas mais fortes. Em suma, é mais um trabalho mediano, mas que ao menos conseguiu ser comentado na mídia. 

Melhores Faixas: Coisa Por Coisa, Além do Horizonte, Gigante Gentil, Colapso 
Piores Faixas: 50 Tons De Cor, Caçador De Deusas, Moça, Teoria Do Óbvio

...Amor É Isso – Erasmo Carlos





















NOTA: 3,2/10


Em 2018, Erasmo lança ...Amor É Isso, um trabalho um pouco mais introspectivo em comparação com seus antecessores. Após o Gigante Gentil, Erasmo Carlos direciona seu foco para o amor em suas diversas formas neste álbum. A ideia inicial era musicar poesias que o artista havia escrito, resultando em um trabalho introspectivo que remete aos tempos do clássico álbum Carlos, Erasmo.... A produção, feita por Pupillo, da Nação Zumbi, trouxe uma sonoridade que mescla Soft Rock, MPB e Soul music, buscando uma maior sofisticação. No entanto, o maior problema é que tudo pareceu muito arrastado, com arranjos pouco preenchidos. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções interessantes. Entre as participações, a de Emicida ficou boa, mas a de Marcelo Camelo, do Los Hermanos, ficou chatíssima. No final de tudo, é um disco bem fraco, que careceu de uma melhor projeção. 

Melhores Faixas: Convite Para Nascer De Novo, Termos e Condições, Não Existe Saudade No Cosmos 
Piores Faixas: Novo Sentido, Amor é Isso, Sol Da Barra, Novo Love

Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba... – Erasmo Carlos 





















NOTA: 6/10


No ano seguinte, Erasmo Carlos lançava o EP Quem Foi Que Disse Que Eu Não Faço Samba..., que, já de cara, trazia algo diferente. Após ...Amor É Isso, embora Erasmo seja amplamente reconhecido por sua contribuição ao Rock nacional, especialmente durante a Jovem Guarda, sua ligação com o Samba remonta ao final dos anos 1950. Além disso, ao longo de sua carreira, ele incorporou elementos desse gênero em suas composições, contribuindo para a criação do Samba-rock ao lado de artistas como Jorge Ben. A produção conseguiu mesclar percussões típicas do Samba com instrumentos característicos do Rock, como guitarras e baixo, equilibrando a cadência do Samba com a energia do Rock. No entanto, é claro que algumas coisas acabaram não funcionando. O repertório é bem irregular, mas é preciso reconhecer que possui ótimas melodias. Enfim, apesar de ser um trabalho mediano, ele apresenta um conceito interessante. 

Melhores Faixas: Sem Anjo Na Multidão, Samba Rock 
Piores Faixas: Moço, A História Da Morena Nua Que Abalou As Estruturas Do Esplendor Do Carnaval (título exagerado)

O Futuro Pertence á Jovem Guarda – Erasmo Carlos 





















NOTA: 8,8/10


E aí chegamos no ano de 2022, quando Erasmo Carlos lançou seu último álbum de estúdio, O Futuro Pertence à Jovem Guarda. Após o lançamento de seu EP de samba, Erasmo participou de uma série da Netflix, e nesse meio tempo surgiu a oportunidade de homenagear colegas e relembrar sucessos da época, interpretando músicas que marcaram a história da Jovem Guarda. A produção, realizada por Marcus Preto e Pupillo, dupla que já havia colaborado com Erasmo em trabalhos anteriores, buscou equilibrar a nostalgia dos anos 1960 com sonoridades contemporâneas, incorporando arranjos modernos que respeitam a essência das composições originais. O álbum apresenta uma sonoridade envolvente que, apesar de sua vibe nostálgica, é totalmente moderna. O repertório é excelente, com todas as canções bem interpretadas e belíssimas. No fim, embora poucos meses depois o Tremendão tenha falecido, ele nos deixou com um último trabalho digno e emocionante. 

Melhores Faixas: Tijolinho, O Ritmo Da Chuva 
Vale a Pena Ouvir: A Volta, Alguém Na Multidão
  

  Então é isso, um abraço e flw!!!      

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 4

                 

Abra Seus Olhos – Erasmo Carlos





















NOTA: 2/10


Outro ano se passou, e Erasmo Carlos, completamente esgotado, lançou o Abra Seus Olhos, que novamente não trouxe novidades. Após mais um trabalho fraquíssimo, ele continuou explorando novas sonoridades e temáticas, utilizando elementos do Pop Rock e da MPB, embora, na verdade, não soubesse para qual lado deveria focar. Produzido por João Augusto, o álbum destaca-se pelo uso de sintetizadores digitais, conferindo uma atmosfera contemporânea às composições. Além disso, a sonoridade tentou trazer algo mais envolvente, embora, como na maioria das vezes, falte ritmo. Isso reflete em um repertório fraco, com poucas canções interessantes. Nem as participações do Roupa Nova e da Leila Pinheiro se salvam. Enfim, é mais um trabalho sem graça e inexpressivo do Tremendão. 

Melhores Faixas: Abra Seus Olhos, Guerra e Paz
Piores Faixas: Papagaio de Pirata, Na Próxima Atração, O Resto É Blá, Blá, Blá..., Rico Sem Dinheiro

Apesar do Tempo Claro... – Erasmo Carlos





















NOTA: 4,5/10


Então, dois anos se passaram, e Erasmo Carlos lançou o Apesar do Tempo Claro..., que surgiu em um momento de transição. Após o Abra Seus Olhos, Erasmo já estava completamente desgastado e decidiu não continuar com o hábito de lançar discos anualmente, fazendo com que esse álbum demorasse mais tempo para ser gravado e lançado. A produção, feita por Renato Corrêa, integrante do grupo Golden Boys, ficou até bem-feita; ele não exagerou nos sintetizadores e efeitos especiais, que estavam presentes nos trabalhos anteriores. Aqui, equilibraram uma temática de Pop Rock, com traços quase de R&B, embora muita coisa não tenha combinado. O repertório, novamente fraquíssimo, traz a maioria das canções que, sinceramente, parecem não combinar com as melodias. No fim, é um trabalho que, apesar de ser bem ruim, teve um pouco mais de coesão. 

Melhores Faixas: Feijoada De País, Meu Vacilo, Meu Rock, Fulana 
Piores Faixas: Sedução, Fogo Divino, Demais, Amerika Azul (Cenas Do Próximo Capitulo)

Homem de Rua – Erasmo Carlos 





















NOTA: 3/10


Depois de quatro anos sem nenhum lançamento, em 1992, Erasmo Carlos lançou Homem de Rua, que veio com algumas mudanças. Após o Apesar do Tempo Claro..., o Tremendão saiu da Polydor e, nesse meio-tempo, focou em colaborar em composições de longa data com seu melhor amigo, Roberto Carlos. Durante esse período, ele assinou contrato com a Sony e decidiram gravar mais um trabalho. Produzido por Lider Gadelha, o álbum buscou mesclar os elementos característicos do som de Erasmo com influências contemporâneas da época, trazendo uma sonoridade que varia entre rock, pop, reggae e folk contemporâneo. No entanto, essa mistura acabou tornando o álbum um tanto confuso. O repertório, mais uma vez, é bem fraco, com poucas músicas interessantes, como, por exemplo, uma faixa com a participação de Renato Russo. No final, é mais um trabalho fraco que não conseguiu trazer de volta o sucesso ao Tremendão. 

Melhores Faixas: A Carta, Moscovita (Nikita), Até Quando? 
Piores Faixas: O Jornal, Fases Da Lua, Namorada, Fera Ferida

Pra Falar de Amor – Erasmo Carlos





















NOTA: 5,6/10


Entrando nos anos 2000, o Erasmo Carlos lança o Pra Falar de Amor, que trouxe o cantor completamente renovado. Após o Homem de Rua, que não rendeu quase nada, o Erasmo passou por um grande problema após a perda da sua ex-esposa, a Narinha, que acabou tendo uma parada cardíaca, então em 1996 ele lançou um album contendo regravações de suas músicas, até que depois de cinco anos, ele se preparou para lançar um novo material. A produção feita por Marcelo Sussekind, trouxe uma sonoridade completamente modernizada, com grandes influencias de Pop Rock com a MPB, basicamente tentando deixar de forma que conseguisse ficar comercial, mas tudo bem cadenciado. O repertório, dessa vez, é bem mediano, tem váras canções legais e outras que são só arrastadas. Enfim, esse trabalho é um pouco mais irregular, por mais que ele tenha sido aclamado pela mídia da época. 

Melhores Faixas: Mais Um Na Multidão, Quem Vai Ficar No Gol?, O Impossível, A Família
Piores Faixas: Pra Falar De Amor, Vivendo De Sonhos, Seu Bicho De Estimação, Outernet

Santa Música – Erasmo Carlos 





















NOTA: 2/10


Em 2004, o Erasmo Carlos lança o Santa Música, que trazia ele num trabalho um pouco mais temático. Após o Pra Falar de Amor, o cantor passou por um período em que sua parceria com Roberto Carlos foi interrompida devido ao falecimento da Maria Rita, esposa do Rei. Com o fechamento de sua gravadora anterior, a Abril Music, ele encontrou na Indie Records a liberdade artística necessária para desenvolver este projeto. Produzido por Marcelo Sussekind e pelo próprio Erasmo Carlos, que acabaram proporcionando uma sonoridade que mescla Rock, Soul, Funk e MPB, sendo meio que a junção de tudo que o Tremendão já utilizou de influencia em suas músicas, deixando um lado mais introspectivo e motivador, apesar que a falta de ritmo não é nada motivadora. O repertório acabou ficando bem ruim, sendo recheado de canções chatissimas e que são muito superficiais, com pouquíssimas boas. Em suma, é um disco horroroso e que de novo fez o Erasmo voltar a tropeçar. 

Melhores Faixas: Tim (Homenagem ao Tim Maia), Coração do Mundo, Dois Em Um 
Piores Faixas: Gosto Do Tudo Das Mulheres, Sinto Muito, Lua No Cio, Calma Baby
  

Então é isso, um abraço e flw!!!     

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 3

                 

Pelas Esquinas De Ipanema – Erasmo Carlos





















NOTA: 9/10


Dois anos se passam, e Erasmo Carlos lança o Pelas Esquinas de Ipanema, que traz algumas novidades. Após o A Banda dos Contentes, onde ele seguiu um viés mais comercial, esse novo álbum reflete a sua maturidade artística e habilidade em abordar temas contemporâneos e urbanos, além de continuar tentando enfrentar as questões políticas daqueles tempos. A produção, conduzida por Pedro da Luz (Pedrinho), conta com as contribuições de Ronaldo Corrêa e do próprio cantor. A diversidade instrumental e a qualidade dos arranjos contribuíram para a riqueza sonora do disco, que transita entre Soft Rock, Soul e, logicamente, MPB. O repertório é muito interessante, com canções bem cadenciadas e com uma pegada mais descontraída. No fim, é um trabalho muito bom e que acabou se tornando bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Eu e Maria, A Terceira Força, Favelas e Motéis, Triângulo Dos Biquinis 
Vale a Pena Ouvir: Pelas Esquinas De Ipanema, Nasci Numa Manhã De Carnaval

Mulher – Erasmo Carlos





















NOTA: 9,1/10


Entrando na década de 80, Erasmo Carlos lança Mulher, um disco mais conceitual. Após o Pelas Esquinas de Ipanema, o querido Tremendão sentiu a necessidade de dedicar um trabalho inteiramente às mulheres, reconhecendo sua força e importância na sociedade. Na capa, aparece sua então esposa, Narinha, enquanto o próprio Erasmo é "armamentado", o que, como era de se esperar, gerou polêmica. A produção foi conduzida por Jairo Pires, que trouxe uma sonoridade que ficou totalmente comercial, refletindo a transição pela qual o mercado fonográfico passava. O disco continuou a trazer influências de Soft Rock, MPB, Pop e até Country Music. O repertório é muito bom, com canções reflexivas, incluindo uma faixa que aborda a cultura indígena. Enfim, é um trabalho muito interessante, com um conceito que funcionou. 

Melhores Faixas: Mulher (Sexo Frágil), Minha Superstar, Gatinha Manhosa, A Lenda Do Ciúme 
Vale a Pena Ouvir: Feminino Coração De Deus, Pega Na Mentira, A Carta Do Índio

Amar Pra Viver, Ou Morrer De Amor – Erasmo Carlos 





















NOTA: 4,7/10


Em 1982, Erasmo Carlos lança seu 13º álbum de estúdio, o Amar pra Viver ou Morrer de Amor, e, sim, essa capa é completamente pavorosa. Após o Mulher, no qual prestou uma homenagem à força feminina, o cantor buscou aprofundar questões mais universais e filosóficas relacionadas ao amor e às experiências humanas, elementos centrais deste trabalho. Logicamente, ele também queria continuar tendo sucesso na mídia. A produção manteve praticamente a mesma equipe, equilibrando a simplicidade melódica característica do Erasmo com toques de modernidade. Assim, a sonoridade é completamente pasteurizada, com influências perceptíveis da New Wave. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções que podem ser consideradas interessantes. Sendo, um trabalho fraquíssimo, marcando o primeiro tropeço do Tremendão, que, desde a capa, já mostrava algo errado. 

Melhores Faixas: História Dos Meus Sonhos, Mesmo Que Seja Eu, Amar Pra Viver Ou Morrer De Amor 
Piores Faixas: Noite Cheia, Meu Boomerangue Não Quer Mais Voltar, O Fim Do Eco, Pão De Açúcar

Buraco Negro – Erasmo Carlos





















NOTA: 3/10


Logo no ano seguinte, Erasmo Carlos lançou mais um disco, o Buraco Negro, e, desta vez, a capa foi decente. Após o fraquíssimo Amar pra Viver ou Morrer de Amor, o cenário musical brasileiro estava em transformação, com o surgimento de novas bandas de Rock e a influência de estilos como New Wave e Synth-pop. O querido Tremendão havia recebido uma proposta da Polydor para lançar um trabalho inédito todos os anos, assim como Roberto Carlos, e decidiu aderir a essa ideia naquele momento. A produção, conduzida por João Augusto, apresentou uma sonoridade que combinava Soft Rock, Pop, Funk e até Reggae, além de toques da New Wave. Tudo isso foi feito com o uso exagerado de sintetizadores e arranjos eletrônicos. Já o repertório é bem fraco, com poucas canções que remetem à sua fase da última década. Enfim, é um trabalho ruim que contribuiu para a decadência artística do Erasmo. 

Melhores Faixas: Comeu, Sementes do Amanhã 
Piores Faixas: Close, Esse Imenso Fliperama, Homem Lobo Lunar, Índigo Blue

Erasmo Carlos (1985) – Erasmo Carlos 





















NOTA: 2/10


Então, outro ano se passou, e Erasmo lançou seu 15º álbum de estúdio, Erasmo Carlos, que não trouxe quase nenhuma mudança. Após o Buraco Negro, que explorou sonoridades contemporâneas como a New Wave, ele participou da primeira edição do Rock in Rio, onde foi recebido de forma hostil pelo público fã do Iron Maiden. Além disso, passando por uma separação conjugal, o cantor encontrou dificuldades para compor novas músicas. A produção foi praticamente a mesma, com grande utilização de sintetizadores e arranjos eletrônicos. Buscando equilibrar a essência do Rock clássico do Erasmo Carlos com influências modernas, mas, como tudo ficou extremamente comercial, os mesmos erros se repetiram. O repertório, novamente, é fraquíssimo, com poucas canções boas, já que as demais são bem arrastadas. No final de tudo, é mais um disco ruim e sem qualquer tipo de destaque. 

Melhores Faixas: Boca Descarada, Haroldo, O Robot Doméstico 
Piores Faixas: Senhora, Nova Mulher, Orgasmo Calmo, Negue
  

Então é isso, um abraço e flw!!!    

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 2

                 

Erasmo Carlos e Os Tremendões – Erasmo Carlos e Os Tremendões





















NOTA: 9,7/10


No começo da década de 70, Erasmo Carlos lançava mais um disco, Erasmo Carlos e Os Tremendões. Após seu trabalho de 1968, o cantor sentiu a necessidade de se reinventar, buscando inspirações em movimentos como a Tropicália, a Soul music e o Samba. O disco também emerge em um período de repressão da ditadura militar no Brasil, no qual artistas brasileiros desafiavam a censura com produções sofisticadas e carregadas de mensagens subliminares. A produção, feita por Manoel Barenbein, figura de destaque na MPB e responsável por trabalhos inovadores, incluindo álbuns tropicalistas, contava com arranjos conduzidos por Chiquinho de Moraes, que incorporavam uma fusão de elementos como cordas exuberantes, percussões brasileiras e um toque de psicodelia, além de grandes influências dos tempos da Bossa Nova. O repertório é extremamente magnífico, com canções completamente belíssimas. No fim, é um baita disco e um dos clássicos da carreira de Erasmo. 

Melhores Faixas: Sentado À Beira Do Caminho, Jeep, Estou Dez Anos Atrasado, Coqueiro Verde 
Vale a Pena Ouvir: Saudosismo, Teletema, Menina

Carlos, Erasmo... – Erasmo Carlos





















NOTA: 10/10


E aí, no ano seguinte, Erasmo lança o clássico e maravilhoso Carlos, Erasmo..., vindo em uma época de mudanças. Após o sucesso do Erasmo Carlos e Os Tremendões, o cantor buscava aprofundar sua transição da Jovem Guarda para uma sonoridade mais madura e experimental. Influenciado pelo movimento tropicalista e pela contracultura, ele desejava explorar temáticas sociais e pessoais com maior profundidade, ficando meio que longe do conservadorismo do Roberto Carlos. Além disso, ele havia saído de sua então gravadora, a RGE, e assinado com a Philips. Produzido novamente por Manoel Barenbein, o álbum trouxe arranjos sofisticados que mesclam Rock, Soul, Funk e elementos da MPB, destacando-se pela ótima qualidade sonora. Com isso, o repertório é extremamente maravilhoso e parece uma coletânea. No fim, é um disco sensacional e um dos grandes clássicos do Rock nacional e da música brasileira. 

Melhores Faixas: É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, De Noite Na Cama, Gente Aberta, Mundo Deserto 
Vale a Pena Ouvir: Não Te Quero Santa, Dois Animais Na Selva Suja Da Rua, Ciça, Cecília

Sonhos e Memórias 1941 - 1972 – Erasmo Carlos 





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passa, e Erasmo Carlos lançava Sonhos e Memórias 1941–1972 (título de coletânea, mas está longe disso). Após o espetacular Carlos, Erasmo..., Erasmo continuou sua evolução artística, afastando-se das raízes da Jovem Guarda e explorando sonoridades mais maduras e introspectivas. Vale lembrar que ele havia assinado com a gravadora Polydor naquela época. Esse título reflete essa abordagem pessoal, indicando um mergulho em suas próprias experiências de vida, desde seu nascimento em 1941 até o ano de lançamento, 1972. A produção, feita por Guti Carvalho e Jairo Pires, destaca-se pela sofisticação e pela fusão de diversos gêneros musicais presentes no álbum anterior, como Samba, Soul, Folk e música psicodélica. O repertório, mais uma vez, é espetacular, repleto de canções muito bem encadeadas e totalmente diversificadas. Enfim, é um ótimo disco e, de certo modo, bem experimental. 

Melhores Faixas: Mané João, Largo Da 2ª Feira, Mundo Cão, Vida Antiga, Sábado Morto 
Vale a Pena Ouvir: Grilos, É Probido Fumar, Minha Gente

1990 - Projeto Salva Terra! – Erasmo Carlos





















NOTA: 9,2/10


Dois anos se passaram, e Erasmo retorna lançando seu 9º álbum de estúdio, 1990 - Projeto Salva Terra! (e sim, essa capa é muito esquisita). Após o Sonhos e Memórias 1941–1972, Erasmo Carlos buscava expandir suas fronteiras musicais e temáticas. Em meio a um cenário musical brasileiro em constante evolução, ele decidiu explorar conceitos futuristas e questões ambientais, antecipando preocupações que se tornariam mais evidentes nas décadas seguintes. A produção, conduzida por Guti Carvalho, é marcada por uma fusão de estilos, incluindo Rock, MPB, Samba e elementos experimentais. Erasmo colaborou com diversos compositores e músicos, resultando em arranjos diversificados que complementam as temáticas abordadas nas letras. O repertório é sensacional, com canções que são muito interessantes e bem reflexivas. Enfim, é mais um trabalho muito interessante, que seguiu o experimentalismo do seu antecessor. 

Melhores Faixas: Sou uma criança, não entendo nada, Haroldo, O Robot Doméstico, 1990 - Projeto Salva Terra, Cachaça Mecânica, Negro Gato 
Vale a Pena Ouvir: A Experiência, Amiga Forte, A lenda de Bob Nelson

A Banda Dos Contentes – Erasmo Carlos





















NOTA: 9/10


Passou mais um tempo, e ele lançava seu 10º álbum, A Banda dos Contentes, que tinha uma pegada mais comercial. Após o 1990 - Projeto Salva Terra!, Erasmo Carlos consolidou sua transição da Jovem Guarda para uma sonoridade mais madura e consciente. Nesse novo trabalho, ele continua essa trajetória, abordando questões sociais e existenciais, refletindo o contexto político e cultural do Brasil naqueles tempos. A produção foi feita pelo próprio cantor junto com Guti Carvalho, contando com a participação de músicos renomados da época. Trazendo uma sonoridade que fundia Rock com MPB, tudo apresentado de forma polida e refinada, evidenciando a versatilidade de Erasmo como intérprete e compositor. O repertório é muito interessante, com canções divertidas, mas que possuem um lado introspectivo. Em suma, é um belo disco, um pouco mais reflexivo que os anteriores. 

Melhores Faixas: Filho Único, A Banda Dos Contentes, Dia de Paz, Análise Descontraída, Fatos e Fotos 
Vale a Pena Ouvir: Continente Perdido (Terra de Montezuma), Paralelas, Billy Dinamite
  

    Então um abraço e flw!!!        

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Analisando Discografias - Erasmo Carlos: Parte 1

                 

A Pescaria – Erasmo Carlos





















NOTA: 8,2/10


Em 1965, Erasmo Carlos lançou seu álbum de estreia intitulado A Pescaria, ou como também ficou conhecido, A Pescaria com Erasmo Carlos. Antes do lançamento deste álbum, Erasmo, que além de ser o melhor amigo de Roberto Carlos, também havia tocado na banda Renato e Seus Blue Caps, tinha o desejo de incorporar elementos modernos à música brasileira. Como no compacto lançado no ano anterior, ele introduziu o som do órgão elétrico, tocado por Lafayette. A produção trouxe uma sonoridade típica da época, seguindo as tendências da Beatlemania; ou seja, a sonoridade abusava do Surf Rock e do Rockabilly, estilos que tinham tudo a ver com seu gosto musical. O repertório é bem legal, cheio de canções divertidíssimas e interessanes. No fim, é um ótimo disco de estreia, que fez o cantor começar com o pé direito. 

Melhores Faixas: Minha Fama De Mau, Terror Dos Namorados, Sem Teu Carinho, Minha Fama De Mau 
Vale a Pena Ouvir: Alguém Que Procuro, Beatlemania, Gamadinho Por Você

Você Me Acende – Erasmo Carlos





















NOTA: 8,8/10


No ano seguinte, Erasmo lançou seu 2º álbum de estúdio, o Você Me Acende, que não trazia muitas mudanças. Após o sucesso de seu álbum de estreia, Erasmo Carlos rapidamente se tornou uma figura proeminente na cena musical brasileira, e não apenas por conta do sucesso com a Jovem Guarda. No início daquele ano de 1966, ele lançou um compacto simples com apenas duas faixas, gravado com a banda The Fevers, que funcionou como uma prévia deste álbum. A produção manteve a energia característica da Jovem Guarda, mesclando Surf Rock, Blues e Rockabilly, apresentando praticamente a mesma sonoridade do álbum anterior, mas com um toque um pouco mais envolvente. Com isso, o repertório é simplesmente incrível, e as canções são um pouco mais encadeadas em termos de ritmo. Enfim, é um baita disco, que mostrou uma grande evolução de Erasmo. 

Melhores Faixas: É Duro Ser Estátua, S.O.S., Gatinha Manhosa, Você Me Acende (You Turn Me On) 
Vale a Pena Ouvir: A Carta, O Carango, O Homem Da Motocicleta (Motorcycle Man)

Erasmo Carlos (1967) – Erasmo Carlos 





















NOTA: 8,5/10


No ano de 1967, Erasmo teve um ano mais produtivo, lançando mais um disco, sendo este autointitulado (diferente de Roberto, ele fez isso poucas vezes). Após o Você Me Acende, ele começou a enfrentar vários problemas, incluindo preconceito das autoridades e as brigas internas com Roberto Carlos, isso ainda no período da Jovem Guarda. A produção manteve a essência do Rock brasileiro da época, com arranjos que mesclam influências internacionais e nacionais, ou seja, continuaram com aquelas mesmas influências de sempre, mas deixando toda a sonoridade mais eclética, no mesmo estilo que seus parceiros da Jovem Guarda estavam fazendo. O repertório, mais uma vez, ficou muito bom, com canções mais envolventes e bem agradáveis. Em suma, é um ótimo disco e um dos mais consistentes daquela época. 

Melhores Faixas: Cara Feia Pra Mim É Fome, Larguem Meu Pé, Nenem, Corta Essa, Não Me Diga Adeus 
Vale a Pena Ouvir: A Garotinha Da Estação, O Caderninho, Quase Perdi Seu Amor

O Tremendão – Erasmo Carlos





















NOTA: 9/10


Poucos meses depois, Erasmo lançava seu 4º álbum, O Tremendão, título que acabou se tornando um dos apelidos que o acompanhariam por toda sua carreira. Após seu álbum anterior, autointitulado, Erasmo Carlos já era uma figura central no movimento da Jovem Guarda. Esse apelido, Tremendão, que logo se tornou popular, teve origem em uma marca de roupas que ele criou na década de 1960. A produção, feita por Manoel Barenbein, contou com o acompanhamento da banda Os Tremendões (eles vão aparecer aqui novamente). O álbum reflete a energia e o estilo característicos da época. Aqui, eles misturaram um pouco mais de Blues Rock, agora com influências de Soul Music e Funk. O repertório é simplesmente maravilhoso, com canções belíssimas e muito bem arranjadas. Enfim, é um trabalho sensacional, que representa uma evolução em relação aos seus antecessores. 

Melhores Faixas: Vem Quente Que Eu Estou Fervendo, Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda, O Tremendão, O Dono Da Bola 
Vale a Pena Ouvir: Não Vivo Sem Você, Estrelinha (Little Star), Faz Só Um Mês

Erasmo – Erasmo Carlos 





















NOTA: 8,4/10


Indo para o ano seguinte, o cantor lança o Erasmo, também conhecido como Erasmo Carlos (1968). Após O Tremendão, a Jovem Guarda chegou ao fim, e ele acabou entrando em uma crise, mas conseguiu se recuperar graças a Roberto e sua namorada, Narinha. Esse encerramento representou um ponto de inflexão na carreira do Erasmo, que buscava redefinir sua identidade artística em um ambiente musical em transformação. A produção do Julio Nagib manteve elementos característicos que ele havia apresentado, incorporando também influências da MPB. Apresentando arranjos que mesclam guitarras elétricas com instrumentos tradicionais, refletindo a busca dele por uma sonoridade mais madura e diversificada. O repertório é interessante, com uma divisão entre canções introspectivas e outras mais envolventes. No final de tudo, é um trabalho legal, que mostrou que Erasmo estava começando a amadurecer musicalmente. 

Melhores Faixas: Nunca Mais Vou Fazer Você Sofrer, O Maior Amor Da Cidade, Senhor, Aqui Estou, Meu Disquinho 
Vale a Pena Ouvir: A Próxima Dança, Para O Diabo Os Conselhos De Vocês, Não Quero Nem Saber
  

 Então é isso, um abraço e flw!!!       

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...