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sábado, 3 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Wishbone Ash: Parte 5

                 

Clan Destiny – Wishbone Ash





















NOTA: 8,2/10


Em 2005, eles lançam mais um disco intitulado Clan Destiny, que trouxe algumas mudanças. Após o Bona Fide, o guitarrista Ben Granfelt deixou a banda em 2004 para se dedicar a outros projetos solo, e seu mentor, Muddy Manninen, juntou-se ao grupo. Esse projeto chega em um momento em que a banda já está longe de seu auge comercial, mas ainda comprometida com sua tradição sonora e explorando novos matizes dentro desse legado. A produção, feita pelo próprio Andy Powell, busca um equilíbrio entre a estética clássica do Blues Rock e um som limpo e acessível, sem recorrer a experimentações radicais. A sonoridade geral ressalta as harmonias de guitarra entre Powell e Manninen, um forte senso de groove e arranjos que privilegiam melodias claras e solos precisos, em vez de longas jams improvisadas. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e imersivas. No fim, é um ótimo disco, que mostrava o bom momento que a banda atravessava. 

Melhores Faixas: Slime Time, Loose Change 
Vale a Pena Ouvir: Dreams Outta Dust, The Raven, Eyes Wide Open

First Light – Wishbone Ash





















NOTA: 8,5/10


Então, em 2007, eles decidiram resgatar um material engavetado lá do começo da banda, o First Light. Após o lançamento de Clan Destiny, Andy Powell acabou encontrando esse material perdido, no qual essas gravações representam o momento embrionário do Wishbone Ash, quando o grupo formado por Andy Powell (guitarra/vocais), Ted Turner (guitarra/vocais), Martin Turner (baixo/vocais) e Steve Upton (bateria) tentava capturar seu som para conseguir um contrato com uma gravadora grande. A produção mostra um som cru e espontâneo, não refinado como nos LPs oficiais posteriores, mas isso faz parte do charme histórico: os instrumentos são captados de forma direta, com o foco nas duas guitarras em harmonia que se tornariam a assinatura do grupo, fazendo a combinação da energia do Hard Rock e da complexidade do Rock progressivo. O repertório é muito bom, onde se vê uma estrutura diferente dos resultados finais. Enfim, é um trabalho interessante e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Blind Eye, Handy, Alone 
Vale a Pena Ouvir: Errors Of My Way, Joshua

The Power Of Eternity – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Meses depois, foi lançado mais um álbum novo do Wishbone Ash, o The Power of Eternity (com essa capa horrorosa). Após o lançamento do First Light, o baterista Ray Weston acabou vazando, e em seu lugar entrou Joe Crabtree, e para esse próximo trabalho eles seguiram por uma linha criativa renovada, mesclando o Rock clássico de guitarras duplas com arranjos modernos e letras mais elaboradas, muitas vezes com reflexões existenciais e temas humanos. A produção, feita como sempre pelo próprio Andy Powell, foi por uma abordagem cristalina e acessível, que realça cada instrumento. O som é limpo e equilibrado, com a bateria de Joe Crabtree dando mais profundidade rítmica e o baixo de Bob Skeat consolidando a base harmônica. As guitarras de Powell e Manninen se complementam com uma paleta tonal rica, alternando entre solos virtuosos e harmonias elaboradas. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No fim, é um disco legal, mas muito menosprezado. 

Melhores Faixas: In Crisis, Hope Springs Eternal 
Vale a Pena Ouvir: Driving A Wedge, Disappearing, Happiness

Elegant Stealth – Wishbone Ash





















NOTA: 6/10


Indo para 2011, foi lançado mais um álbum do Wishbone Ash, o Elegant Stealth. Após o The Power of Eternity, que marcou a continuação do desejo da banda de se afirmar tanto junto aos fãs clássicos quanto a novas audiências, o grupo seguiu priorizando riffs elaborados, harmonias e arranjos mais densos, além de manter a tradição do som característico de guitarras duplas que marcou a banda desde o início dos anos 70. A produção, feita por Andy Powell em conjunto com Tom Greenwood, privilegiou tanto a clareza das harmonias de guitarra em dueto quanto a profundidade da seção rítmica; o resultado é um som que combina o Hard Rock clássico da banda com texturas modernas e densas. O problema é que muitos dos arranjos ficam confusos, com estruturas que não conseguem se encaixar adequadamente nos riffs de Powell e Muddy Manninen. O repertório é bem fraquinho, com algumas canções legais e outras sem graça. No final, é um trabalho mediano e bem confuso. 

Melhores Faixas: Give It Up, Reason To Believe, Searching For Satellites 
Piores Faixas: Man With No Name, Can't Go It Alone, Invisible Thread

Blue Horizon – Wishbone Ash





















NOTA: 8,4/10


Passam-se três anos e é lançado mais um disco deles, intitulado Blue Horizon, que segue por um caminho certeiro. Após o irregular Elegant Stealth, a banda entra em estúdio novamente não para repetir a fórmula, mas para expandir ainda mais seu vocabulário musical, afastando-se do Rock mais direto daquele disco e apostando em uma obra mais atmosférica, contemplativa e aberta, quase como um álbum de “mood”. A produção foi feita pelos mesmos nomes, e aqui eles optaram por uma abordagem que privilegia respiração e clareza, evitando compressões excessivas e deixando os instrumentos soarem com dinâmica natural. As guitarras são o centro do álbum, com timbres limpos, quentes e muitas vezes quase jazzísticos, e uma cozinha rítmica firme, com presença de grooves precisos, resultando em um álbum bem mais de Rock progressivo do que de Hard Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. No geral, é um trabalho interessante e muito coeso. 

Melhores Faixas: Take It Back, Way Down South 
Vale a Pena Ouvir: Tally Ho!, Blue Horizon, Deep Blues


Coat Of Arms – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao último álbum até então do Wishbone Ash, lançado no início de 2020, o Coat of Arms. Após o Blue Horizon, o guitarrista Muddy Manninen decidiu sair da banda, e em seu lugar entrou Mark Abrahams, que sempre foi um grande fã do grupo. Para esse disco, eles decidiram explorar temas de união, perseverança, consciência ambiental e introspecção pessoal, além de honrarem seu legado, já que haviam recém-completado 50 anos de estrada. A produção, feita pela banda junto com Tom Greenwood, resultou em uma sonoridade clara, orgânica e muito bem definida, combinando energia de estúdio com sensação de performance ao vivo. Técnicas como o uso de amplificadores perfilados ajudaram a capturar o som clássico das guitarras, resultando em uma junção de Hard Rock, Rock progressivo e Folk Rock. O repertório é bem legal, e as canções são mais energéticas e variadas. Em suma, é um trabalho muito bom e consistente. 

Melhores Faixas: Empty Man, Back In The Day 
Vale a Pena Ouvir: Drive, We Stand As One, Personal Halloween

                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!                 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Wishbone Ash: Parte 4

                 

Strange Affair – Wishbone Ash





















NOTA: 3/10


Indo para 1991, foi lançado mais um novo trabalho da banda, o também fraquíssimo Strange Affair. Após o Here To Hear, o baterista Steve Upton decidiu sair da banda e se retirar da indústria musical, e para o seu lugar entrou Ray Weston. Esse novo trabalho surge em um momento em que a banda tentava equilibrar sua herança clássica com uma sonoridade mais contemporânea para a época, apesar de que o AOR naquele período já estava completamente ultrapassado. A produção, feita pelo próprio Martin Turner, colocou um som limpo, com foco especial em destacar as duas guitarras, além de uma cozinha rítmica firme e os vocais decentes de Turner, só que é aquilo: toda a sonoridade era bem manjada e com ideias que já tinham sido apresentadas antes, deixando tudo muito previsível. O repertório é bem ruim, e as canções são bem genéricas, com poucas se salvando. Enfim, é um trabalho péssimo e deixava a banda ainda mais em baixa. 

Melhores Faixas: Rollin, Renegade, Hard Times 
Piores Faixas: Wings Of Desire, Some Conversation, Say You Will, You

Illuminations – Wishbone Ash





















NOTA: 4/10


Cinco anos depois, foi lançado o 17º álbum da banda, intitulado Illuminations, em um momento de transição. Após o Strange Affair, meio que todo mundo saiu, ficando apenas Andy Powell como membro remanescente; com isso, ele recrutou o guitarrista Roger Filgate, o baterista Mike Sturgis e o baixista e também vocalista Tony Kishman. Com isso, eles decidiram fazer um disco que juntasse tudo o que haviam adquirido com o passar dos anos. A produção foi feita pela própria banda, conseguindo transmitir uma sensação de clareza e espaço, algo que favorece tanto a interação entre as guitarras quanto a distinção de cada elemento do arranjo. Além disso, os vocais de Kishman são bem integrados e funcionam muito bem, só que o grande problema é que essa junção de Hard Rock, AOR, Rock progressivo, entre outros estilos que pairam aqui, fica bem maçante. O repertório é fraco: até começa bem, mas depois só vem canção ruim. No geral, apesar de promissor, é outro trabalho fraquíssimo. 

Melhores Faixas: Mountainside, Tales Of The Wise, The Ring, On Your Own 
Piores Faixas: Mystery Man, A Thousand Years, Comfort Zone, Wait Out The Storm, Another Time

Trance Visionary – Wishbone Ash





















NOTA: 1/10


Dois anos depois, foi lançado um dos maiores tropeços do Wishbone Ash, o Trance Visionary. Após o Illuminations, a banda, que não estava em sua melhor fase, decidiu seguir um caminho no mínimo inusitado. Eu não sei qual erva estragada o Andy Powell fumou, mas ele decidiu explorar territórios eletrônicos no final dos anos 1990. Esse álbum é, essencialmente, uma reinterpretação eletrônica de ideias que já existiam no repertório da banda, mas reconfiguradas com batidas eletrônicas, loops e texturas que remetem ao Trance e à música eletrônica de pista da época. A produção, feita por Mike Bennett, privilegiou batidas eletrônicas marcantes, loops e a repetição como estrutura rítmica principal, guitarras tratadas digitalmente e atmosferas sintetizadas que criam uma sensação de ambiente, só que o resultado ficou tão sem graça que chega a ser entediante. O repertório é até bom, mas o resultado final é simplesmente pavoroso. Enfim, é um disco completamente abominável. 

Melhores Faixas: (...............................) 
Piores Faixas: Remnants Of A Paranormal Menagerie, Wonderful Stash, Numerology, Wronged By Righteousness, The Loner, Narcissus Nervosa

Psychic Terrorism – Wishbone Ash





















NOTA: 1/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado mais um disco dessa tenebrosa fase da banda, o Psychic Terrorism. Após o Trance Visionary, eles decidiram continuar nessa temática, aprofundando a ideia de misturar elementos do Rock com música eletrônica, algo que estava longe da tradição das guitarras duplas que definiu a banda nas décadas anteriores. A produção foi praticamente a mesma, privilegiando texturas eletrônicas, batidas sintéticas e manipulação de som, com as guitarras inseridas dentro dessa paisagem sonora de forma processada e, muitas vezes, distante do timbre de Rock clássico esperado pelos fãs. O foco recai, assim, em loops, ritmos repetitivos, camadas eletrônicas em evolução e transições contínuas entre as faixas, com as influências centradas no Techno e no Psytrance, só que, de novo, tudo é muito entediante. O repertório, mais uma vez, foi estragado com versões terríveis. No fim, é um trabalho péssimo e que mostrou a banda no fundo do poço. 

Melhores Faixas: (.................................) 
Piores Faixas: Narcissus Stash, The Son Of Righteousness, Monochrome, Back Page Muse

Bona Fide – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Indo para 2002, foi lançado mais um novo álbum do Wishbone Ash, o Bona Fide. Após aquela péssima experiência com os álbuns de trance, Andy Powell reestruturou a banda, agora contando com ele como vocalista e guitarrista, além do guitarrista Ben Granfelt, do baixista Bob Skeat e do baterista Ray Weston. O foco na época era reequilibrar a identidade clássica das guitarras duplas harmonizadas com um repertório que pudesse soar atual sem perder a essência que conquistou fãs desde os anos 1970. A produção, feita pela própria banda, é bem limpa, com as guitarras duplas soando definidas; o baixo e a bateria são sólidos e presentes; e o vocal do Powell é bem natural e reflete uma performance focada e sincera. Com isso, eles voltam a fazer aquele equilíbrio perfeito de Hard Rock, Rock progressivo e Blues Rock. O repertório é muito bom, as canções são bem envolventes e a banda volta àquele caminho energético. No final de tudo, é um ótimo disco que os ressuscitou. 

Melhores Faixas: Difference In Time, Enigma 
Vale a Pena Ouvir: Bona Fide, Changing Tracks, Peace
  

               Então é isso e flw!!!           

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Wishbone Ash: Parte 3

                 

Number The Brave – Wishbone Ash





















NOTA: 8,4/10


No ano de 1981, foi lançado mais um disco do Wishbone Ash, o Number the Brave. Após o Just Testing, o baixista e vocalista Martin Turner decidiu sair da banda, já que os outros integrantes queriam encontrar um vocalista fixo e que ele permanecesse apenas no baixo. Com isso, a banda recrutou John Wetton para ser o novo baixista. Nesse novo trabalho, eles decidiram tentar equilibrar a identidade clássica com uma sonoridade mais direta e acessível, talvez em resposta ao Rock mais pesado e à popularidade de sons mais radiáveis no início dos anos 80. A produção, feita por Nigel Gray, é mais polida do que muitos trabalhos anteriores da banda, com uma presença mais destacada das guitarras, além de uma bateria firme e graves contidos, dando espaço para as harmonias características. Já os vocais ficam no centro, só que ficam divididos entre Powell, Wisefield e Wetton. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No geral, é um ótimo disco e bastante ousado. 

Melhores Faixas: Where Is The Love, Get Ready (cover da música dos Temptations), Number The Brave 
Vale a Pena Ouvir: Kicks On The Street, That's That, Loaded

Twin Barrels Burning – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Outro ano se passa, e foi lançado mais um trabalho novo do Wishbone Ash, o Twin Barrels Burning. Após o Number the Brave, John Wetton acabou saindo da banda, já que não via muito futuro e decidiu concentrar seus planos no Asia. Com isso, eles recrutaram o ex-Uriah Heep, Trevor Bolder. Para esse trabalho, decidiram seguir as tendências da época, com um Hard Rock mais direto, o surgimento do AOR e uma busca por refrões fortes e produções mais polidas. A produção, feita pela própria banda, é mais robusta e “seca” do que em trabalhos anteriores. Há menos ênfase em extensões instrumentais expansivas e mais foco em clareza, impacto rítmico e presença imediata das guitarras e dos vocais, que novamente apresentam aquela mesma alternância, só que agora com a presença de Bolder. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais energéticas e melódicas. Enfim, é outro disco bom e subestimado. 

Melhores Faixas: No More Lonely Nights, Me And My Guitar 
Vale a Pena Ouvir: Hold On, Wind Up, Can't Fight Love

Raw To The Bone – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Em 1985, foi lançado mais um trabalho novo da banda, o injustiçado Raw to the Bone. Após o Twin Barrels Burning, a banda acabou saindo da MCA e, com isso, assinou com a Neat Records. Além disso, o baixista Trevor Bolder saiu, e em seu lugar entrou Mervyn Spence, que era do Trapeze. Agora, eles queriam continuar indo por um caminho ainda mais direto, só que buscando um equilíbrio com um lado mais acessível. A produção, feita por Nigel Gray, trouxe um som menos atmosférico e mais voltado para arranjos diretos, com menos solos prolongados e menos camadas instrumentais complexas. A mixagem tende a favorecer as linhas vocais e riffs cativantes, colocando menos destaque nos elementos de guitarra dupla, que eram a assinatura mais marcante da banda no passado, sem contar que se percebem influências de Heavy Metal. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco legal, mas criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: It's Only Love, Don't Cry 
Vale a Pena Ouvir: Rocket In My Pocket, Dreams (Searching For An Answer)

Nouveau Calls – Wishbone Ash





















NOTA: 4/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um trabalho do Wishbone Ash, o Nouveau Calls, no qual eles mudaram de abordagem. Após o injustamente menosprezado Raw to the Bone, a banda havia recém-assinado com a I.R.S. Records, que, na época, tinha uma proposta de série de álbuns intitulada No Speak, composta inteiramente por música instrumental. Para lançar a gravadora com sucesso, eles precisavam de uma banda de renome que trouxesse publicidade ao projeto; com isso, Andy Powell, Ted Turner, Steve Upton e o retornante Martin Turner foram escalados para gravar o álbum. A produção, feita por William Orbit, privilegiou dinâmicas mais sutis, ambiências, texturas e espaços entre os instrumentos. O som é muitas vezes etéreo e aberto, trazendo de volta influências do Rock progressivo, só que mescladas com AOR, só que fica sendo muito repetitivo. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. Em suma, é um disco ruim e esquecível. 

Melhores Faixas: Tangible Evidence, Johnny Left Home Without It, In The Skin, A Rose Is A Rose 
Piores Faixas: Clousseau, Something's Happening In Room 602, The Spirit Flies Free, From Soho To Sunset, Real Guitars Have Wings

Here To Hear – Wishbone Ash





















NOTA: 4/10


Já perto do final dos anos 80, o Wishbone Ash lança seu 15º álbum, o Here to Hear, no qual retornam ao formato tradicional. Após o chatíssimo Nouveau Calls, a banda tentava se reconectar com suas raízes melódicas e com a energia rítmica, ao mesmo tempo em que integrava as influências acumuladas ao longo da década. A produção foi feita por Martin Turner, com auxílio de Adam Fuest, e resultou em um som notavelmente mais direto e sólido. Em vez de texturas etéreas ou arranjos expansivos, o álbum apresenta uma sonoridade mais focada, com guitarras definidas, bateria presente e um cânone melódico que prioriza a coesão entre os instrumentos. A sonoridade se enquadra no AOR e no Hard Rock que, naquele período, já estavam perto de seu fim; com isso, os arranjos soam bem manjados e carecem de maior imersão. O repertório é muito ruim, com muitas canções genéricas e poucas que se salvam. No geral, é um disco fraco e que mostrava a banda totalmente perdida. 

Melhores Faixas: Lost Cause In Paradise, Mental Radio, Why Don't We 
Piores Faixas: Keeper Of The Light, Witness To Wonder, Walk On Water, In The Case


                                               Bom é isso e flw!!!        

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Wishbone Ash: Parte 2

                 

Locked In – Wishbone Ash





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos e o Wishbone Ash lançava seu 6º álbum de estúdio, o Locked In. Após o There’s The Rub, a década avançava, o Rock progressivo estava em transição, e as pressões do mercado e das gravadoras por maior acessibilidade influenciaram a direção musical da banda. Com isso, eles estavam em busca de um equilíbrio entre sua assinatura de guitarras duplas e melodias mais diretas. A produção foi feita por Tom Dowd, que deixou o som mais polido e um tanto americanizado, com menos ênfase em expansões instrumentais e jams longas, e mais foco em arranjos compactos, com a bateria e o baixo ganhando maior proeminência. As guitarras harmônicas ainda estão presentes, mas a produção não as empurra tanto para o centro das atenções como era habitual, além de dar mais ênfase aos vocais do Martin Turner. O repertório é bem legal, as canções são mais envolventes e sofisticadas. No fim, é um ótimo disco e bastante menosprezado pelos fãs. 

Melhores Faixas: It Started In Heaven, No Water In The Well 
Vale a Pena Ouvir: Say Goodbye, Rest In Peace, Half Past Lovin'

New England – Wishbone Ash





















NOTA: 9/10


Meses depois, foi lançado mais um trabalho novo do Wishbone Ash, o New England. Após o subestimado Locked In, os fãs esperavam um álbum que equilibrasse a virtuosidade instrumental da banda com as canções acessíveis que eles vinham buscando. Com isso, este álbum atende a essa expectativa ao oferecer tanto momentos introspectivos quanto passagens mais vibrantes e energéticas. A produção, conduzida por Ron Albert e Howard Albert, é robusta e mais refinada em comparação com registros anteriores da banda. Há um cuidado perceptível com a clareza sonora, os espaços nos arranjos e uma mixagem que valoriza tanto as guitarras quanto as texturas rítmicas. A banda explora timbres variados, desde harmônicos cristalinos até guitarras distorcidas em momentos mais intensos, resultando em um trabalho mais puxado para o Soft Rock. O repertório é muito bom, com canções envolventes e um lado mais suave. No final, é um ótimo disco, mas que também é subestimado. 

Melhores Faixas: Mother Of Pearl, Lonely Island, When You Know Love 
Vale a Pena Ouvir: Runaway, Lorelei

Front Page News – Wishbone Ash





















NOTA: 8,2/10


Mais um ano se passou, e foi lançado o 8º álbum da banda, o Front Page News (com capa que lembra a de um filme policial). Após o New England, o cenário musical da segunda metade dos anos 70 não era dos mais favoráveis para grupos associados ao Rock progressivo e ao Hard rock Clássico: o Punk despontava, a Disco music ganhava força e o AOR surgia. Nesse contexto, esse trabalho representa uma tentativa clara de modernização sonora e de diálogo com tendências mais contemporâneas da época. A produção, conduzida pela mesma dupla, ficou ainda mais polida, com um som limpo e bastante equilibrado, com maior foco na estrutura rítmica e nas linhas vocais. As guitarras continuam presentes, mas agora cumprem um papel mais funcional, menos expansivo e menos exploratório, deixando o conjunto mais voltado ao Pop Rock, só que mantendo suas influências. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas. Enfim, é um trabalho interessante e coeso. 

Melhores Faixas: Right Or Wrong, Goodbye Baby Hello Friend 
Vale a Pena Ouvir: The Day I Found Your Love, 714, Diamond Jack

No Smoke Without Fire – Wishbone Ash





















NOTA: 9,3/10


Em 1978, foi lançado mais um trabalho da banda, o No Smoke Without Fire, que voltou para um lado mais raiz. Após o Front Page News, a banda já sentia o desgaste causado pelo afastamento de suas raízes mais reconhecíveis: as guitarras gêmeas em diálogo, o peso controlado do Hard Rock e a sensação de liberdade instrumental. Com isso, eles decidem fazer um disco que não ignora completamente as exigências do período, mas tenta reencontrar o nervo do Wishbone Ash clássico. A produção teve o retorno de Derek Lawrence, que deixou o som mais direto, seco e pesado do que o de seus antecessores imediatos. O som das guitarras ganha mais presença e distorção, com riffs bem definidos e solos mais incisivos, além de um baixo sustentável e uma bateria firme, somados aos vocais centrais de Martin Turner. O repertório é incrível, e as canções são energéticas, com aquele lado imersivo. No final de tudo, é um álbum espetacular e que mostrou a volta daquela versatilidade. 

Melhores Faixas: You See Red, Stand And Deliver, Ships In The Sky 
Vale a Pena Ouvir: Like A Child, Anger In Harmony

Just Testing – Wishbone Ash





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 80, foi lançado o 10º álbum do Wishbone Ash, intitulado Just Testing. Após o No Smoke Without Fire, disco que havia representado uma tentativa relativamente bem-sucedida de recuperar peso e identidade após a fase mais orientada ao AOR, no entanto, em vez de consolidar essa retomada, a banda opta por um caminho completamente diferente. Esse trabalho é deliberadamente fragmentado, já que traz várias influências adquiridas ao longo de seus 10 anos de carreira. A produção foi feita pela própria banda junto com John Sherry, optando por uma sonoridade clara e orgânica, em que as guitarras aparecem ora com timbres limpos e delicados, ora com distorções secas e pouco trabalhadas. A bateria e o baixo muitas vezes soam contidos, quase discretos, compondo essa junção de Hard Rock, Blues Rock e AOR. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Em suma, é um trabalho legal e que marcou o fim de uma fase. 

Melhores Faixas: Living Proof, Lifeline, Master Of Disguise 
Vale a Pena Ouvir: New Rising Star, Haunting Me


                                                         Então é isso, um feliz 2026 para todos e flw!!!   

Review: Celestial do Papangu

                    Celestial – Papangu NOTA: 9,8/10 Recentemente, o Papangu retornou com seu 3º álbum de estúdio, o maravilhoso Celestial. ...