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sábado, 23 de agosto de 2025

Analisando Discografias - B.B. King: Parte 3

                 

Midnight Believer – B.B. King





















NOTA: 8/10


Indo para 1978, foi lançado mais um trabalho do guitarrista, intitulado Midnight Believer. Após o To Know You Is To Love You, B.B. King passou a trabalhar em sintonia com a Stax e com produtores ligados a essa escola de Memphis, como o baixista e compositor Wilton Felder (dos Crusaders), que se tornaria peça-chave nesse álbum. O disco surge justamente nesse contexto de renovação: não se trata de um álbum de Blues cru, mas sim de um mergulho maior na Soul music e no Funk. Produzido por Stewart Levine, uniu o timbre inconfundível de B. B. King, sua guitarra “Lucille” e sua voz calorosa, com uma roupagem moderna e radiofônica. A sonoridade é marcada por grooves consistentes, teclados elétricos e arranjos que misturam o Blues ao Jazz-Funk dos Crusaders. O repertório ficou muito bom, e as canções são mais intimistas e voltadas para um lado mais dançante. Enfim, é outro disco legal e que mantém sua consistência. 

Melhores Faixas: Never Make A Move Too Soon, Midnight Believer 
Vale a Pena Ouvir: A World Full Of Strangers, When It All Comes Down (I'll Still Be Around)

Six Silver Strings – B.B. King





















NOTA: 3/10


Lá na metade dos anos 80, foi lançado mais um álbum de B.B. King, o Six Silver Strings. Após o Midnight Believer, naquele período, o Blues vivia uma fase de redefinição: enquanto nos Estados Unidos o gênero sofria para manter espaço diante da força do Pop, do Rock de arena e do R&B contemporâneo, na Europa e no Japão havia um público fiel que venerava os artistas clássicos. King, consciente disso, buscava gravar álbuns que equilibrassem tradição e contemporaneidade. Produzido por David Crawford, John Landis e Ira Newborn, e lançado pelo selo da MCA, o disco trouxe arranjos mais radiofônicos, com forte influência de teclados, sintetizadores e metais polidos. No entanto, devido a diversos problemas, metade do disco soa mais próxima do R&B/Soul sofisticado dos anos 80, enquanto a outra parte tenta resgatar uma veia mais tradicional, embora sem abandonar a estética modernizada da época. Com isso, o repertório é bem fraco, e as canções são bastante esquecíveis; poucas se salvam. No final, é um disco ruim e bem inconsistente. 

Melhores Faixas: My Lucille, In The Midnight Hour 
Piores Faixas: My Guitar Sings The Blues, Big Boss Man

Deuces Wild – B.B. King





















NOTA: 8/10


No ano de 1997, foi lançado um álbum colaborativo de B.B. King, o Deuces Wild. Após o fraquíssimo Six Silver Strings, o Blues tradicional, naquele período, voltava a ganhar espaço, em parte graças ao revival do gênero promovido por nomes como Eric Clapton e à série de tributos que aproximava roqueiros e jazzistas do universo do Blues. Basicamente, o título já entrega a proposta: um álbum de duetos (“duetos selvagens”), em que ele canta e toca ao lado de grandes nomes de diferentes estilos, numa celebração de sua universalidade. Produzido por John Porter, que garantiu um acabamento polido, mas sem apagar a essência de King. A guitarra Lucille permanece como fio condutor, embora na maioria das faixas mais contida, deixando espaço para os convidados brilharem. Cada faixa tem identidade própria, conforme o convidado traz sua marca sonora. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem reinterpretadas. No final, é um ótimo trabalho e respeitoso. 

Melhores Faixas: Rock Me Baby (Eric Clapton), The Thrill Is Gone (Tracy Chapman), Bring It Home To Me (Paul Carrack) 
Vale a Pena Ouvir: Paying The Cost To Be The Boss (The Rolling Stones), Baby I Love You (D’Angelo), Dangerous Mood (Joe Cocker)

Riding With The King – B.B. King & Eric Clapton





















NOTA: 9/10


Três anos se passaram, e foi lançado um álbum colaborativo de B.B. King com Eric Clapton, intitulado Riding With The King. Após o Deuces Wild, surgiu a chance de realizar o grande sonho de Clapton desde a juventude. Ainda nos anos 60, quando os Bluesmen norte-americanos eram redescobertos pelo público britânico, Clapton já declarava B.B. King como uma de suas maiores influências. King, por sua vez, acompanhava com interesse a trajetória de Clapton, que ajudou a introduzir o Blues elétrico no Rock mainstream. Produzido pelo próprio Eric Clapton junto com Simon Climie, o disco ganhou um acabamento sofisticado, mas ao mesmo tempo respeitoso com as raízes do Blues. O som é limpo e balanceado, valorizando os diálogos entre Clapton e B.B. King. Com isso, o repertório é magnífico, e as canções são envolventes e descontraídas, trazendo até algumas mais antigas. No final, é um baita disco que mostrou uma química absurda entre eles. 

Melhores Faixas: Riding With The King, Ten Long Years, I Wanna Be, Three O'Clock Blues, When My Heart Beats Like A Hammer 
Vale a Pena Ouvir: Hold On I'm Coming, Help The Poor

One Kind Favor – B.B. King





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2008, foi lançado o último álbum de estúdio de B.B. King, o One Kind Favor. Após o Riding With The King, B.B. King já somava quase seis décadas de carreira. Aos 83 anos, o Rei do Blues estava consagrado como um dos maiores músicos do século XX e ainda se mantinha ativo. Porém, o Blues já não era mais um gênero em disputa por espaço no mercado, mas sim um patrimônio cultural, e King, consciente disso, decidiu meio que retornar às suas raízes. Produção feita por T Bone Burnett, que deixou uma sonoridade calorosa e sem concessões ao Pop. Gravado praticamente “ao vivo em estúdio”, o álbum privilegia timbres naturais, com pouca pós-produção. O resultado é um som encorpado, mas intimista: dá-se a impressão de estar ouvindo-o em uma sala pequena, quase em sessão privada. O repertório ficou muito bom, com ótimas canções, todas bem reinterpretadas. No final, mesmo com sua morte em 2015, ele deixou um ótimo disco, uma despedida decente e reverente. 

Melhores Faixas: Get These Blues Off Me, Backwater Blues, How Many More Years 
Vale a Pena Ouvir: My Love Is Down, See That My Grave Is Kept Clean, Tomorrow Night
  

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Analisando Discografias - B.B. King: Parte 2

                  

Easy Listening Blues – B.B. King





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho dele, o Easy Listening Blues. Após o My Kind of Blues, a gravadora Crown procurava capitalizar seu nome através de álbuns que nem sempre tinham uma concepção artística planejada: muitos eram coletâneas ou discos com material rearranjado a partir de sessões antigas. Dentro desse contexto, surge um novo trabalho peculiar, pois é inteiramente instrumental. A produção colocou arranjos enxutos, gravações feitas em sessões rápidas e com poucos recursos, mas que ainda assim conseguem transmitir a expressividade de B. B. King. O som é cru, sem grandes embelezamentos, mas suficientemente claro para destacar tanto a técnica quanto a sensibilidade do artista, basicamente juntando todo o encadeamento do Blues elétrico daquele período. O repertório é muito bom, e as canções têm ótimas variações, bem harmônicas. No final, é outro ótimo disco, que mostra um lado versátil. 

Melhores Faixas: Blues For, Slow Walk, Don't Touch 
Vale a Pena Ouvir: Hully Gully, Night Long

Blues On Top Of Blues – B.B. King





















NOTA: 8,7/10


Aí, pulando lá para 1968, foi lançado outro trabalho de B. B. King, o Blues on Top of Blues. Após o lançamento do Easy Listening Blues, o guitarrista passou a gravar pela ABC-Paramount, onde passou a ter maior investimento em arranjos e qualidade técnica do que nos tempos da Crown. Essa virada de gravadora colocou King mais próximo do mercado da Soul music, já que a ABC buscava inserir seus artistas de Blues no mesmo circuito do Rhythm & Blues moderno e das rádios mais amplas. E, graças ao álbum ao vivo Live at the Regal, ele se aperfeiçoou ainda mais. A produção, feita por Johnny Pate, trouxe um som mais encorpado, com sopros que dialogam com a guitarra de King e uma seção rítmica que puxa mais para a modernidade, com sua guitarra “Lucille” explorando dinâmicas mais variadas. O repertório ficou muito bom, e as canções vão desde um lado melódico até um swing mais acentuado. No geral, é outro ótimo álbum, mostrando uma evolução. 

Melhores Faixas: Heartbreaker, Paying The Cost To Be The, Worried Dream 
Vale a Pena Ouvir: Now That You've Lost Me, Having My Say

Lucille – B.B. King





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho dele, intitulado Lucille (que, como já foi dito, era o nome que ele dava à sua guitarra Gibson). Após o Blues on Top of Blues, B. B. King já vinha há mais de uma década gravando e excursionando sem parar, sendo reconhecido como um dos grandes nomes do blues, mas ainda com pouca projeção para além do circuito afro-americano. E, para este álbum, ele fez algo inédito, contando sua própria história dentro de um disco, algo mais raro em sua discografia até então. A produção foi conduzida por Bob Thiele, que buscava um equilíbrio entre a força crua do Blues e o apelo mais sofisticado dos arranjos do Soul e do R&B. É um trabalho que carrega a marca do Blues elétrico, mas com roupagem refinada, alinhada ao que gravadoras da época (como Stax e Motown) faziam com outros gêneros afro-americanos. O repertório é incrível, e as canções são bem sofisticadas e exuberantes. No fim, é um belo disco, bastante impactante. 

Melhores Faixas: Lucille (no geral é um Spoken Word, mas a instrumentação é meio que divina), No Money No Luck, I Need Your Love, Watch Yourself, You Move Me So 
Vale a Pena Ouvir: Rainin' All The Time, Stop Putting The Hurt On Me

Completely Well – B.B. King





















NOTA: 10/10


Meses depois, foi lançado o maravilhoso álbum Completely Well, que representou praticamente o auge de B. B. King. Após o Lucille, ele já era respeitado como um dos maiores nomes do Blues, mas ainda não havia alcançado o reconhecimento massivo do público branco e do mercado mainstream. Nos anos anteriores, ele vinha experimentando com arranjos mais sofisticados na ABC Records, gravadora que o ajudava a sair da sonoridade crua de antigamente, rumo a um Blues modernizado, com pitadas de Soul e Jazz. A produção foi feita por Bill Szymczyk, que depois se tornaria famoso por trabalhar com Eagles. O objetivo era claro: dar a King um som que mantivesse a essência do Blues, mas que dialogasse com as exigências do mercado dos anos 70. Os arranjos eram cuidadosamente planejados, com seções de cordas e metais em pontos estratégicos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem exuberantes. Em suma, é uma obra-prima e um clássico do Blues. 

Melhores Faixas: The Thrill Is Gone, Confessin' The Blues, So Excited, No Good, You're Mean
Vale a Pena Ouvir: Cryin' Won't Help You Now, Key To My Kingdom

Indianola Mississippi Seeds – B.B. King





















NOTA: 10/10


Indo para 1970, foi lançado mais um álbum de B. B. King, o Indianola Mississippi Seeds. Após o Completely Well, ele já era uma lenda do Blues dentro da comunidade afro-americana e nos circuitos de clubes, mas esse momento o colocou em contato com o público branco jovem, que via no Blues a raiz do Rock que consumiam. Aquele período foi marcado por uma intensa redescoberta do blues por parte de artistas como Eric Clapton, Rolling Stones e Jimi Hendrix, e King foi um dos grandes beneficiados dessa atenção. A produção, feita novamente por Bill Szymczyk, foi limpa, rica em detalhes e, ao mesmo tempo, fiel à emoção crua característica do guitarrista, fazendo um álbum de Blues que tivesse acabamento do Rock mainstream, com arranjos sofisticados, presença de piano, órgão, cordas e, sobretudo, com convidados de peso como Carole King. O repertório, novamente, é magnífico, com canções bem encadeadas. Enfim, é outra obra-prima de sua carreira. 

Melhores Faixas: Chains And Things, King's Special, Nobody Loves Me But My Mother, Hummingbird 
Vale a Pena Ouvir: You're Still My Woman, Ask Me No Questions

Live In Cook County Jail – B.B. King





















NOTA: 10/10


Aí, em janeiro de 1971, foi lançado um álbum ao vivo extremamente essencial, o Live in Cook County Jail. Após o clássico Indianola Mississippi Seeds, B. B. King finalmente atingia o auge da popularidade, e seus shows ao vivo eram sua maior arma. A ideia para este álbum nasceu de uma série de concertos que artistas afro-americanos vinham realizando em prisões nos EUA, muito por conta do Live at Folsom Prison (1968), de Johnny Cash. Em 10 de setembro de 1970, King se apresentou no presídio do Cook County, em Chicago, para cerca de 2.000 detentos. A produção, conduzida por Bill Szymczyk, captou a atmosfera da prisão. A gravação traz não apenas as músicas, mas também discursos introdutórios, comentários do público e a energia crua do momento. O repertório é incrível, com uma instrumentação riquíssima e canções animadas. No final, é um baita álbum, e, sinceramente, se esses presidiários não largaram a vida do crime após isso, é porque não tinham coração. 

Melhores Faixas: The Thrill Is Gone, How Blue Can You Get, Sweet Sixteen 
Vale a Pena Ouvir: Worry, Worry, Worry, Medley: 3 O'Clock Blues / Darlin' You Know I Love You / Sweet Sixteen

In London – B.B. King





















NOTA: 9/10


Se passaram alguns meses, e foi lançado mais um trabalho de estúdio do guitarrista, o In London. Após o Live in Cook County Jail, B. B. King decidiu dar um passo ainda mais ousado: gravar em Londres. A cidade era, naquele momento, um centro fervilhante do Blues Rock britânico. A geração de guitarristas ingleses, como Eric Clapton, Peter Green, Jeff Beck, Jimmy Page e Mick Taylor, sempre declarava sua devoção a B. B. King, e a ida do próprio mestre à capital britânica simbolizava a conexão direta entre a tradição americana e a reinterpretação inglesa do gênero. A produção, feita por Ed Michell e Joe Zagarino, mistura a intensidade crua do Blues com o brilho do Rock britânico, indo para uma pegada mais direta, voltada para a interação instrumental e o groove coletivo, que contava com vários nomes como Richard Wright, Ringo Starr e Peter Green (nada demais). O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No final, é outro disco muito bacana. 

Melhores Faixas: Ghetto Woman, Caldonia, Power Of The Blues, Wet Hayshark 
Vale a Pena Ouvir: Ain't Nobody Home, Blue Shadows

L.A. Midnight – B.B. King





















NOTA: 6/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho dele, intitulado L.A. Midnight. Após o In London, B. B. King retorna novamente ao ambiente norte-americano, mas agora dialogando com guitarristas e músicos da cena californiana. A ideia era repetir a experiência de colaboração de seu álbum anterior, mas com instrumentistas dos EUA, misturando o Blues tradicional com uma pegada mais expansiva e, em alguns momentos, jamística. A produção, conduzida por Ed Michel, seguiu para um lado mais amplo, explorando estruturas mais longas e improvisações mais abertas, refletindo um pouco da influência do Rock psicodélico que predominava nos anos 70. Entre os músicos presentes, destacam-se Jesse Ed Davis e Joe Walsh (que futuramente entraria no Eagles), mas, no geral, há muita repetição e faltou mais complexidade. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções mais fracas. Enfim, é um trabalho mediano, que faltou mais imersão. 

Melhores Faixas: Help The Poor, I Got Some Help I Don't Need 
Vale a Pena Ouvir: Midnight, (I Believe) I've Been Blue Too Long

Guess Who – B.B. King





















NOTA: 8,3/10


Depois de mais alguns meses, foi lançado outro álbum, intitulado Guess Who, que voltou para um lado mais conciso. Após o L.A. Midnight, B. B. King retorna a um formato mais direto, equilibrando Blues tradicional, Soul, Rhythm & Blues e até interpretações de standards. Era como se, depois da liberdade das jams de estúdio, ele buscasse novamente um disco com repertório mais definido e estruturado. A produção, feita por Joe Zagarino, trouxe arranjos de metais marcantes, grooves consistentes e momentos que aproximam King do universo da Soul music e da música americana da época, resultando em canções bem mais construídas e menos puxadas para as jams, mas ainda mantendo toda a ousadia do Blues elétrico. O repertório ficou muito bom, e as canções soam mais melódicas e sofisticadas. Enfim, é outro ótimo disco, mais expansivo e refinado. 

Melhores Faixas: Guess Who, Summer In The City, Shouldn't Have Left Me 
Vale a Pena Ouvir: Neighborhood Affair, Any Other Way

To Know You Is To Love You – B.B. King





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e B. B. King lançava mais um trabalho novo, o To Know You Is To Love You. Após o Guess Who, o Blues tradicional já não era suficiente para definir sua trajetória naquele momento: King queria ser ouvido por públicos novos, e a música negra dos anos 70 abria espaço para isso, com arranjos mais modernos, grooves fortes e produções sofisticadas, aproximando-o bastante do universo da Motown e da Soul music orquestrada. A produção, feita por Dave Crawford, que vinha do Soul/Funk da Filadélfia, aumentou esse desejo do guitarrista. Crawford privilegiou arranjos exuberantes, cheios de cordas, metais e coros femininos, típicos da sonoridade Soul setentista. A guitarra do B. B. King, embora menos crua do que em seus álbuns anteriores, aparece sempre pontual, dialogando com a sofisticação dos arranjos. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem exuberantes e consistentes. No fim, é um ótimo álbum, que mostrou um lado mais versátil. 

Melhores Faixas: To Know You Is To Love You (curiosidade: isso aqui é um cover de uma música do Stevie Wonder junto com sua esposa na época, Syreeta Wright), I Can't Leave
Vale a Pena Ouvir: Love, Thank You for Loving the Blues
 

  Por hoje é só, então flw!!!  

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Analisando Discografias - B.B. King: Parte 1

                 

B.B. King Wails – B.B. King And His Orchestra





















NOTA: 8/10


No ano seguinte foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o B.B. King Wails, que se mostrou mais variado. Após o The Blues, a grande novidade foi a presença de sua orquestra, um conjunto de sopros e metais que reforçava sua aproximação com o Rhythm & Blues e antecipava o que seria seu som característico nos anos 60. Assim, o álbum marca um passo importante na evolução do artista: de cantor e guitarrista de Blues cru para intérprete do gênero com arranjos sofisticados e maior abertura para o mercado popular. A produção, conduzida por Joe Bihari, trouxe uma orquestra de metais, piano, bateria e baixo, todos em arranjos pensados para valorizar a dramaticidade da voz dele e o diálogo de sua guitarra Lucille. A mixagem, ainda rudimentar para os padrões posteriores, concentra a guitarra e o vocal em primeiro plano, mas permite ouvir com clareza o papel dos sopros. O repertório é bem interessante, com canções mais melódicas. No geral, é um disco bacana e descontraído. 

Melhores Faixas: Tomorrow Is Another Day, Treat Me Right 
Vale a Pena Ouvir: The Fool, Time To Say Goodbye, Sweet Thing

B.B. King Wails – B.B. King And His Orchestra





















NOTA: 8/10


No ano seguinte foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o B.B. King Wails, que se mostrou mais variado. Após o The Blues, a grande novidade foi a presença de sua orquestra, um conjunto de sopros e metais que reforçava sua aproximação com o Rhythm & Blues e antecipava o que seria seu som característico nos anos 60. Assim, o álbum marca um passo importante na evolução do artista: de cantor e guitarrista de Blues cru para intérprete do gênero com arranjos sofisticados e maior abertura para o mercado popular. A produção, conduzida por Joe Bihari, trouxe uma orquestra de metais, piano, bateria e baixo, todos em arranjos pensados para valorizar a dramaticidade da voz dele e o diálogo de sua guitarra Lucille. A mixagem, ainda rudimentar para os padrões posteriores, concentra a guitarra e o vocal em primeiro plano, mas permite ouvir com clareza o papel dos sopros. O repertório é bem interessante, com canções mais melódicas. No geral, é um disco bacana e descontraído. 

Melhores Faixas: Tomorrow Is Another Day, Treat Me Right 
Vale a Pena Ouvir: The Fool, Time To Say Goodbye, Sweet Thing

B. B. King Sings Spirituals – B. B. King





















NOTA: 8,9/10


Meses depois, foi lançado mais um álbum de B.B. King, intitulado B.B. King Sings Spirituals. Após o B.B. King Wails, o artista tinha raízes profundamente ligadas ao Gospel e ao canto religioso, pois cresceu em igrejas do sul dos Estados Unidos, onde teve seu primeiro contato com a música. Esse álbum, portanto, não é apenas um desvio de sua carreira, mas também uma espécie de retorno às origens, em que ele revisita canções espirituais tradicionais e dá a elas sua marca pessoal de interpretação vocal e guitarrística. A produção contou com arranjos mais elaborados, incluindo backing vocals em estilo coral, recriando a atmosfera de igreja. Piano, baixo e bateria formam a base, enquanto os metais aparecem pontualmente. O elemento central, porém, continua sendo a voz emotiva do B.B. King, que aqui assume uma expressividade diferente: menos sofrimento terreno e mais devoção. O repertório é muito bom, com canções bem interpretadas e cheias de profundidade. No final, é um belo disco, bastante consistente. 

Melhores Faixas: Precious Lord, Jesus Gave Me Water, Servant's Prayer, I'm Working On The Building, Army Of The Lord 
Vale a Pena Ouvir: Ole Time Religion, I Never Heard A Man

King Of The Blues – B.B. King





















NOTA: 8,2/10


Indo para os anos 60, foi lançado mais um álbum de B.B. King, intitulado King of the Blues. Após o B.B. King Sings Spirituals, o cantor já havia começado a se consolidar como um verdadeiro “Rei” do Blues moderno. Naquele período, porém, sua gravadora Crown só reunia gravações de estúdio feitas entre meados dos anos 50 e início dos 60, algumas já lançadas em single, mas agora apresentadas em formato de LP. A produção foi, como sempre, bem simples, com uma instrumentação típica do Blues elétrico da época: guitarra líder de B.B. King (Lucille), baixo acústico ou elétrico, bateria simples, piano marcante e, em várias faixas, o acréscimo de metais (trompete e saxofone), que conferem um toque de Rhythm & Blues e de big band compacta. O repertório é bem interessante, com canções profundas e mais cadenciadas. Enfim, é outro trabalho muito bom e mais sofisticado. 

Melhores Faixas: I'll Survive, Partin’ Time 
Vale a Pena Ouvir: I've Got A Right To Love My Baby, If I Lost You, I’m King

The Great B. B. King – B.B. King





















NOTA: 7,9/10


Mais alguns meses se passaram e foi lançado mais um trabalho dele, o The Great B.B. King. Após o King of the Blues, a Crown Records decidiu ir ainda mais a fundo no material mais antigo do cantor, optando por fazer um álbum que era quase uma compilação, já que reunia faixas gravadas nos anos 50, apenas com algumas mudanças para deixar o som um pouco mais moderno para os padrões da época. A produção foi praticamente a mesma de sempre: baixo orçamento, reaproveitamento de masters antigos e nenhuma unidade conceitual. Apesar dessas limitações, a guitarra Lucille é constantemente trazida para o primeiro plano, em diálogo com a voz dele. Mesmo sem luxos técnicos, há clareza suficiente para sentir o impacto do timbre cortante da guitarra e o peso emocional do vocal. O repertório é até interessante, com canções suaves e em alguns momentos mais improvisadas. No final, é um álbum legal, mesmo com todas as suas limitações. 

Melhores Faixas: I Had A Woman, Days Of Old 
Vale a Pena Ouvir: Whole Lot Of Lovin', I'm Gonna Quit My Baby, Someday Baby

My Kind Of Blues – B.B. King





















NOTA: 8,7/10


Passa-se um ano, e B.B. King retorna lançando mais um disco, o My Kind of Blues. Após o The Great B.B. King, esse novo trabalho, ao contrário de algumas “compilações” anteriores, apresenta maior coesão e foco. O título é sugestivo: trata-se do Blues “à maneira de B.B. King”, mostrando como ele entendia e interpretava o gênero. A produção foi simples, mas eficaz: dá espaço para a voz dele, que aqui soa mais segura e poderosa do que nunca, e para Lucille, que dialoga constantemente com as letras. O piano é um elemento de destaque, funcionando como base harmônica forte e criando um clima que ora aproxima o álbum do Jazz, ora o mantém no terreno do Blues elétrico. Tudo isso foi registrado em gravações de 1958 e 1960, feitas em poucos takes. O repertório é muito bom, com canções envolventes e dispostas em uma ordem que se encaixa muito bem. Enfim, é um ótimo trabalho, que prepara sua trajetória discográfica para um caminho mais conciso. 

Melhores Faixas: Driving Wheel, Catfish Blues, Mr. Pawn Broker 
Vale a Pena Ouvir: Walking Dr. Bill, Hold That Train

      Por hoje é só, então flw!!!  

Review: Celestial do Papangu

                    Celestial – Papangu NOTA: 9,8/10 Recentemente, o Papangu retornou com seu 3º álbum de estúdio, o maravilhoso Celestial. ...