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terça-feira, 24 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Ultraje a Rigor e Frank Sinatra (RA: XLI)

                          

Por quê Ultraje a Rigor? – Ultraje a Rigor





















NOTA: 7/10


Pouco tempo depois, a banda retornou com mais um álbum novo, que desta vez não continha material inédito. Após a relevância que o disco anterior conseguiu causar, a grande mídia já tinha perdido o interesse no Ultraje, até porque eles estavam numa fase de extrema decadência, além de o desgaste entre os membros já ser evidente. Com tudo isso, eles decidiram lançar um álbum de covers, feito para relembrar as influências mais antigas deles antes de ficarem famosos. Esse trabalho foi produzido por Paulo Junqueira e pelo próprio Roger. Mais uma vez, seguiram uma abordagem mais crua, refletindo a energia e a simplicidade características do Punk Rock, além, é claro, de várias influências da New Wave. O fato é que eles queriam fazer algo mais diversificado e todo o conceito foi muito bem elaborado, o que conseguiram pôr em prática. O repertório é muito bom, e foi difícil de montar, já que tinham 100 faixas covers e, no final, definiram um número de 16 faixas. Os covers mais legais são I Wanna Be Your Man dos Beatles, Walk Right Back dos Everly Brothers e Os Sete Cabeludos do Roberto Carlos, mas houve alguns que não ficaram bons, como El Cumbanchero de Rafael Hernández e Runaway do Del Shannon. Além disso, há apenas uma música inédita, Mauro Bundinha, que foi feita para tirar sarro de um amigo deles e curiosamente ficou uma ótima canção. Enfim, esse disco é muito interessante e bem descontraído.

Ó! – Ultraje a Rigor 





















NOTA: 8/10


Mais um tempo se passou, e o Ultraje a Rigor lançou seu 5º álbum, intitulado Ó, sim, apenas isso, nada muito chamativo. Após o último trabalho de covers, houve uma completa mudança no Ultraje, porque o baterista Leôspa, após se casar, já não estava muito afim de ensaiar e viajar, então ele vazou. O Sergio Serra saiu para montar sua própria banda, e o baixista Mauricio Defendi saiu de forma toda confusa. Pode-se dizer que a banda poderia ter acabado, mas isso não aconteceu, pois o Roger remontou o Ultraje com novos membros que eram Heraldo Paarmann, Flavio Suite e Serginho. Tudo parecia estar em seu devido lugar, só que havia um problema a relação da banda com a gravadora Warner não estava nada boa. Mais uma vez, o Roger produziu esse disco e fez um trabalho muito bom, considerando que teve que ser feito às pressas e com um baixo orçamento. Mesmo assim, ele deixou o som refinado e a sonoridade, apesar de seguir aquele lado meio New Wave, tinha muitas influências do Rock alternativo. O repertório é muito bom e inclui várias canções interessantes, como Ah, se eu fosse homem... que apresenta um questionamento de estereótipos de gênero, Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, que contém muita crítica social, e uma versão puxada para a bossa nova do hit Inútil. Além de outras canções sensacionais, como a sarcástica O Fusquinha do Itamar e a desabafante A Inveja é uma Merda. No final de tudo, apesar de ser um trabalho muito bom, acabou sendo completamente ignorado.

Os Invisíveis – Ultraje a Rigor 





















NOTA: 8,8/10


Após nove anos sem nenhum trabalho novo, o Ultraje a Rigor retorna com seu álbum Os Invisíveis, que mostrava a banda diferente. Após o último disco não ter tido uma boa vendagem e muito menos divulgação, além da treta com a Warner, que lançou uma coletânea muito antes contra a vontade do Roger, o vínculo entre eles acabou se encerrando. A banda só voltou a aparecer em 1999, primeiramente com seu álbum ao vivo, depois com a entrada do lendário baixista Mingau no lugar do Serginho. Eles se apresentaram junto com o Ira! na edição do Rock in Rio de 2001. Teve mais uma mudança de formação com a entrada do baterista Bacalhau e o retorno do Serginho. Agora, com uma nova gravadora independente e com novos ânimos, era hora de fazer mais um trabalho. O álbum foi produzido pelo Rafael Ramos, com muitas colaborações do Roger. A produção foi feita de forma independente, refletindo a maturidade artística do grupo e a liberdade criativa que buscaram após anos de estrada. Além de ter uma sonoridade que mais uma vez era influenciada pelo Punk Rock, Rock alternativo e com muitas puxadas para o lado do Surf Rock (o que é evidente na capa). O repertório é excelente, com muitas músicas legais como Esta Canção e Domingo Eu Vou Pra Praia, além das sensacionais faixas I’msorry, que tem uma vibe swingada, Me Dá um Olá e Agora É Tarde, que são bem chicletudas. Fora que os instrumentais também são muito bons. No fim, é um disco muito interessante e certamente é um dos mais legais da banda.

Por quê Ultraje a Rigor?, Vol. 2 – Ultraje a Rigor





















NOTA: 7/10


Após bastante tempo, em 2015, o Ultraje a Rigor lançou seu último álbum até o momento, que é o volume 2 do Por Quê Ultraje a Rigor?. Depois de 13 anos sem nenhum lançamento novo, eles enfim retornaram. Nesse intervalo, aconteceram várias coisas, como o lançamento do seu Acústico MTV. Em seguida, eles deixaram a gravadora Deckdisc para lançar um projeto novo de músicas gratuitas. Depois, começaram a servir de banda de apoio para talk shows, primeiramente no programa Agora é Tarde da Band, e depois no The Noite com Danilo Gentili no SBT, onde estão até hoje. Além disso, o guitarrista Serginho saiu da banda novamente, sendo substituído por Marcos Kleine. A produção do álbum em si contém uma simplicidade, mas tudo foi feito de forma muito bem elaborada. A sonoridade, além de polida, apresenta algumas sofisticações, alternando entre o Punk Rock e elementos que até remetem ao Rock Clássico. Quanto ao repertório, ele é basicamente composto de covers, mas todas as faixas, sem exceção, são instrumentais, e todas ficaram coesas e muito bem executadas. Exemplos disso são Rawhide, Arnold Layne do Pink Floyd, Walk Don’t Run do The Ventures e The Rise and Fall of Flingel Bunt. No entanto, as que mais se destacam são La Cumparsita e Perfidia. Por sinal, até o tema de abertura do The Noite está presente no álbum. No final das contas, o último álbum deles é muito bom e, em resumo, a discografia da banda é muito agradável, danda para ouvir sem preconceito.

The Voice of Frank Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 8/10


Agora vamos voltar quase 80 anos atrás, quando Frank Sinatra lançava o seu primeiro álbum de estúdio. Lançado em 1946, este foi o primeiro trabalho do jovem Frank Sinatra, que antes disso havia participado de um quarteto, sido preso por sedução, e só no início daquela década começou a ganhar destaque, devido ao seu trabalho com a big band de Tommy Dorsey. Este álbum marcou uma mudança significativa, apresentando-o como um artista sério, com um foco em baladas românticas que destacavam sua voz suave e expressiva. Uma curiosidade é que este é um dos primeiros álbuns de 78 rotações da música popular, dividindo-se em quatro discos de 78 RPM, cada um contendo duas canções. A produção foi extremamente cuidadosa e inovadora para a época. O álbum foi arranjado e conduzido por Axel Stordahl, que já havia trabalhado com Sinatra durante seus anos com a banda de Tommy Dorsey. Stordahl trouxe um estilo orquestral luxuoso e sofisticado, que contrastava com os sons mais enérgicos das big bands da época. As orquestrações são suaves e elegantes, com uso extensivo de cordas, criando um cenário sonoro perfeito para a interpretação vocal de Frank Sinatra. O repertório é bem interessante e já apresenta uma ótima ordenação. As canções que mais se destacam são These Foolish Things, I Don’t Know Why, Try a Little Tenderness e Someone to Watch Over Me, todas elas muito bem interpretadas. Enfim, o disco de estreia de Sinatra é sensacional, sendo esse apenas o primeiro de muitos.

Songs by Sinatra, Volume 1 – Frank Sinatra 





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, Frank Sinatra lançou seu 2º disco, intitulado Songs by Sinatra, Volume 1, que era uma continuação de sua estreia. Naquela época, Sinatra já havia solidificado sua reputação como um dos maiores crooners do mundo, com um estilo vocal inconfundível e uma habilidade incrível para interpretar baladas românticas. Este álbum captura o quanto que ele já era conhecido como "The Voice" e estava no auge de sua popularidade entre as muitas vezes chamadas de bobby-soxers (termo utilizado para descrever as fãs adolescentes loucamente entusiasmadas da música Pop tradicional dos anos 40). O álbum foi produzido e arranjado novamente por Axel Stordahl, e é importante lembrar que foi feito em uma época em que as gravações eram realizadas em mono e a qualidade sonora era limitada pelas tecnologias da época. No entanto, as gravações de Frank Sinatra se destacam pela clareza de sua voz e pela orquestração luxuosa que acompanhava suas performances. A produção, apesar de simples pelos padrões modernos, é refinadíssima. Refletindo sobre mais um ótimo repertório, as canções mais uma vez se conectam e foram bem interpretadas, como How Deep is the Ocean?, She’s Funny That Way, All the Things You Are e a sensacional Embraceable You. Todas as faixas basicamente mantêm a semelhança com o trabalho anterior. Enfim, é mais um disco muito bom que, pelo menos, não se tornou uma consequência que escorou no sucesso de seu antecessor.

Christmas Songs by Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 8/10


No final do ano de 1948, Frank Sinatra lançou seu terceiro álbum de estúdio, desta vez composto por músicas natalinas. Este trabalho já havia começado a ser gravado anteriormente, em diferentes sessões durante os anos 1940, quando Sinatra ainda estava na Columbia Records (todos os álbuns anteriores foram lançados por esse selo). Vale lembrar que, naquela época, era muito comum os discos temáticos de Natal, já que estavam se tornando populares nos Estados Unidos, impulsionados pelo desejo de proporcionar uma trilha sonora para as festividades. E era muito claro que Sinatra, que já era muito popular, precisava lançar um trabalho voltado para esse meio. A produção novamente contou com Axel Stordahl, um colaborador frequente do cantor, que mais uma vez incorporou arranjos orquestrais exuberantes e ricos, complementando a voz suave e expressiva de Sinatra. A sonoridade do Pop tradicional consegue capturar a essência do Natal através de sua produção clássica, com cordas, metais e coros que evocam uma sensação de nostalgia e conforto. Como mencionado, o repertório contém apenas músicas natalinas, sendo que a mais bem interpretada foi a clássica Jingle Bells, que traz um clima muito suave, mas também há outras canções que merecem destaque, como Silent Night, White Christmas e It Came Upon a Midnight Clear. No fim, é um disco muito legal e que vale a pena escutar (eu sei que não estamos no Natal, mas por que não fazer as coisas antes da hora?).

Frankly Sentimental – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passou, e chega mais um álbum de Frank Sinatra, agora retornando ao seu lado tradicional. Esse álbum foi lançado em um momento em que Sinatra estava consolidando sua carreira solo, após o grande sucesso que havia obtido nos anos anteriores. Ele já era uma figura icônica na música popular americana, mas estava em uma fase em que explorava mais profundamente canções de baladas e standards, consolidando sua reputação como um dos maiores intérpretes de sua época. Durante esse período, o cantor estava interessado em gravar músicas que refletissem o lado mais melancólico e introspectivo do amor. A produção foi a mesma de sempre, com Stordahl, que já havia se tornado um colaborador frequente e confiável do cantor. A produção do álbum reflete uma abordagem mais introspectiva, com arranjos orquestrais suaves que acentuam o caráter melancólico das canções, e uma mixagem que destaca a precisão da interpretação de Sinatra, mantendo o foco em sua voz enquanto os arranjos orquestrais servem como um pano de fundo delicado e envolvente. Novamente, o repertório é muito bom, e as canções mais interessantes foram One for My Baby e It Never Entered My Mind, que podemos dizer que são duas baladas que chegam a ser até modernas. Além delas, há também ótimas canções como Body and Soul e Laura (a música tema do filme de 1944 com o mesmo nome). Enfim, apesar de ser um trabalho muito bom, ele acabou sendo completamente injustiçado.

Delicated to You – Frank Sinatra  





















NOTA: 8,2/10


Indo para os anos 50, Frank Sinatra faz desse um ano bem produtivo, lançando Dedicated to You, mais uma continuação daqueles mesmos temas. Como já sabemos, Sinatra estava explorando uma ampla gama de baladas românticas, o que o consolidou como o "crooner" definitivo da época. Esse álbum segue a mesma linha, sendo uma coleção de canções que o cantor meio que dedica ao ouvinte, com um toque de intimidade e pessoalidade. Só que, naquela época, ele já estava vivendo o ponto mais baixo de sua carreira, envolvendo a morte do publicitário George Evans em janeiro de 1950, que foi crucial para sua carreira. Sua reputação estava em um declínio absurdo quando surgiram relatos, em fevereiro, de seu caso com Ava Gardner e da destruição de seu casamento com Nancy, por mais que ele tenha dito que o casamento com ela já havia acabado. Mas, enfim, a produção foi a mesma, só que estava em um clima bastante caótico. Porém, todo o trabalho de Axel Stordahl foi pensado para destacar a clareza e a pureza da voz de Frank Sinatra, com arranjos que são, ao mesmo tempo, simples e sofisticados, proporcionando um fundo perfeito para as baladas românticas contidas. O repertório é bem legal, e as canções, além de interessantes, têm um lado introspectivo, demonstrado em faixas como The Moon Was Yellow, Always e Strange Music. Enfim, é um disco que, apesar de caótico, é um ótimo trabalho.

Sing and Dance with Frank Sinatra – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,8/10


E quase faltando dois meses para o fim de 1950, Sinatra lança mais um disco, Sing and Dance with Frank Sinatra, que trazia muitas novidades. Isso porque sinaliza uma transição no estilo do cantor, afastando-se das baladas mais melancólicas e introspectivas e optando por um lado mais animado e dinâmico, centrado em canções que não apenas celebram o romance, mas também convidam o ouvinte a dançar. Na época, Sinatra enfrentava dificuldades em sua carreira, com o declínio de sua popularidade. Além disso, ele havia sofrido um problema na voz que o impediu de se apresentar na boate Copacabana, em Nova Iorque, e as dificuldades financeiras eram tão perceptíveis que ele teve que pedir dinheiro à Columbia para pagar seus impostos atrasados. Mais uma vez, a produção esteve a cargo de Axel Stordahl, com arranjos orquestrais que diferem significativamente das baladas anteriores de Sinatra. Em vez dos arranjos mais lentos e orquestrais, Stordahl adotou uma abordagem mais animada e voltada para o swing. A orquestração é muito mais rítmica, proporcionando uma base energética que complementa a entrega vocal do cantor. O repertório é incrível, com canções muito legais como Lover e The Continental, além de faixas muito energéticas como It’s Only a Paper Moon, It All Depends on You e When You’re Smiling. No final, é um álbum muito interessante e que foi muito importante para a carreira de Frank Sinatra, apesar daqueles problemas.
 

        Por hoje é isso, então flw!!! 

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Taylor Swift, Bruno Mars e Ultraje a Rigor (RA: XL)

                          

Midnights – Taylor Swift





















NOTA: 10/10


Após um ano inteiro sem nada novo, a Taylor Swift lançou seu 10º álbum, o adorado, mas também controverso, Midnights. Após o último ano ter sido focado nas regravações de seus primeiros trabalhos, finalmente seu novo álbum foi anunciado de surpresa durante a cerimônia do MTV Video Music Awards (VMA). Diferente de seus dois últimos álbuns de estúdio, que exploraram uma abordagem mais Folk e Indie, Midnights retorna com um som Pop mais eletrônico e introspectivo. Além disso, é um trabalho conceitual que gira em torno de histórias contadas ao longo de suas treze noites sem dormir. A produção foi amplamente conduzida por Taylor Swift e seu colaborador de longa data, Jack Antonoff, além de outros. Com uma sonoridade mais voltada para o lado eletrônico, com influências de Synth-pop e Dream Pop, o álbum destaca arranjos minimalistas e com ondas atmosféricas virtuosas. O repertório é completamente sensacional, começando com as canções Lavender Haze, Maroon e Anti-Hero, que trazem temas obscuros. Depois, há Snow on the Beach, com a participação da pavorosa Lana Del Rey, que, pelo menos, não estragou a música. Em seguida, há outras canções mais contagiantes, como You're On Your Own, Kid, Bejeweled e Karma. Além disso, Midnight Rain é uma faixa melancólica muito interessante. No final de tudo, é um trabalho sensacional e incrível, porém bastante maltratado por alguns fãs.

Speak Now (Taylor’s Version) – Taylor Swift 





















NOTA: 9,5/10


Em 2023 (ou seja, ano passado), Taylor focou em suas regravações e lançou a regravação do fantástico Speak Now. Como já mencionado, esse foi o disco que originalmente marcou um ponto de virada em sua carreira, pois foi completamente escrito por ela. A cantora comentou que regravar esse álbum a fez relembrar como é um trabalho que conta uma história de crescimento, agitação, voo e queda, relembrando a sua fase na adolescência. Taylor Swift, junto com os mesmos produtores de sempre, buscou manter a fidelidade ao som original, apenas atualizando a qualidade da gravação e os arranjos para refletir o amadurecimento de Swift como artista. A sonoridade ficou muito mais completa, contendo não só Country Pop, mas também Pop-Punk e Rock alternativo. Mesmo com essas mudanças, eles respeitaram as nuances e o estilo do trabalho original. O repertório é novamente maravilhoso, começando de forma arrasadora com as faixas Mine, Sparks Fly, Back to December, Speak Now, Dear John e Mean, que ficaram ainda melhores. Outras faixas, como Enchanted, Better Than Revenge e Last Kiss, também ficaram muito boas. Entre as faixas inéditas, destacam-se I Can See You e Timeless, além da interessante Electric Touch, que conta com a participação da chatíssima banda Fall Out Boy. Enfim, essa regravação ficou incrível. Qual das duas versões é melhor? Essa aqui, apesar de ser um verdadeiro "photo finish".

1989 (Taylor’s Version) – Taylor Swift 





















NOTA: 10/10


Três meses depois, ela lançou mais uma regravação, sendo este o maravilhoso e amado pelos fãs, o 1989. Este álbum foi aquele em que a cantora abandonou o Country para adotar um som totalmente Pop, inspirado na música dos anos 80. O disco foi anunciado durante o show final da turnê do Eras; ela se apresentou com cinco trajes azuis, e os fãs associaram isso ao disco original. Foi durante o set acústico do meio do show que ela anunciou 1989 como seu próximo álbum regravado, com lançamento previsto para 27 de outubro de 2023, exatamente nove anos após o lançamento original. Novamente, aquela equipe de produtores visou capturar a essência do som Pop e sintetizado do álbum original, com uma nova perspectiva e muito mais maturidade. Em resumo, o que a produção fez foi melhorar ainda mais os sintetizadores vibrantes, as batidas eletrônicas e toda a percussão, refinando e cadenciando tudo de forma totalmente aprimorada. Dessa vez, o repertório não é só muito bom, ele ficou fantástico, eu sabia que as canções Shake It Off, I Wish You Would e I Know Places ficaram muito melhores e além disso sensacionais. Fora que, mais uma vez, aquele comecinho com Welcome to New York, Blank Space, Style e Out of the Woods ficou de forma totalmente atemporal. Também as faixas From the Vault são todas maravilhosas, sendo que o maior destaque fica com Now That We Don’t Talk. No final de tudo, é um trabalho espetacular e um verdadeiro clássico da música Pop.

The Tortured Poets Department – Taylor Swift





















NOTA: 5,8/10


Até que chegamos ao último lançamento de Taylor Swift, que foi lançado há quase 4 meses, o The Tortured Poets Department. Inicialmente, ela desenvolveu esse álbum após o lançamento do Midnights e, de forma secreta durante a turnê do Eras, a cantora descreveu esse álbum como uma tábua de salvação, concebido em meio à sua crescente fama e às observações da mídia, principalmente devido ao fato de que exploravam a sua vida amorosa. Assim, esse projeto serviu como uma catarse criativa. Novamente, a produção contou com Jack Antonoff e Aaron Dessner, além do desconhecido Patrik Berger. O álbum possui um som totalmente voltado para o Synth-pop, com muitas influências de Folk e Pop barroco, e toda essa junção trouxe batidas mid-tempo, sintetizadores e drum machines esparsas. O repertório até consegue ser interessante, mas já no começo, com a canção Fortnight, que tem a participação da porcaria do Post Malone, que ele nem  é o problema, mas sim a música, que é bem tediosa, além de outras como os chororôs de Down Bad, So Long, Down e Who’s Afraid of Little Old Me?, apesar de ter algumas canções boas, como Fresh Out the Slammer e The Smallest Man Who Ever Lived. E eu nem preciso mencionar que logo depois ela lançou o Volume 2, que contém muitas canções chatíssimas, sendo a principal The Black Dog, nem as canções imgonnagetyouback e So High School salvam. Enfim, esse trabalho é muito mediano e tedioso, sendo um tropeço de leve da Taylor.

Doo-Wops & Hooligans – Bruno Mars 





















NOTA: 9/10


Há quase quatorze anos, Bruno Mars lançava seu disco de estreia, o importantíssimo Doo-Wops & Hooligans. Antes de lançar esse álbum, Mars já era conhecido como compositor e colaborador de outros artistas, tendo participado de músicas de sucesso como Nothin' on You do rapper B.o.B e a clássica Billionaire do Travie McCoy. Uma de suas maiores qualidades é o estilo musical, que mescla Pop, R&B, Reggae e Soul, além de demonstrar uma habilidade notável para criar melodias cativantes e letras acessíveis. O título Doo-Wops é uma clara homenagem ao gênero que o cantor cresceu ouvindo com seu pai. O álbum foi produzido principalmente por The Smeezingtons, uma equipe de produção que incluía o próprio Bruno Mars, Philip Lawrence e Ari Levine. Eles foram responsáveis por criar um som polido e comercialmente acessível, com uma variedade de influências que mantiveram o trabalho dinâmico. Isso se reflete em um repertório excelente, com várias canções que se tornaram hits, como as baladas Grenade, Just the Way You Are e Talking to the Moon, além das contagiantes Runaway Baby e The Lazy Song. Há também uma canção de Reggae, Our First Time, que é bem relaxante. O álbum conta com as ótimas participações de Damian Marley, CeeLo Green e B.o.B em canções mais reflexivas. Em resumo, esse álbum de estreia é incrível e consolidou Bruno Mars como uma estrela do Pop.

Unorthodox Jukebox – Bruno Mars 





















NOTA: 8,6/10


Após o sucesso de Doo-Wops & Hooligans, Bruno Mars retornou no final de 2012 com seu 2º trabalho de estúdio. Após o sucesso de sua estreia, Mars estava ansioso para explorar novas sonoridades. Ele queria criar um álbum que não se limitasse a um único gênero, refletindo suas diversas influências. O álbum foi inicialmente planejado para ser mais enérgico do que seu antecessor, mas acabou apresentando uma ampla gama de estilos. A produção contou novamente com várias colaborações de produtores renomados, incluindo The Smeezingtons, Mark Ronson, Jeff Bhasker, Emile Haynie e Supa Dups. Cada produtor trouxe sua própria visão e estilo, resultando em uma coleção de músicas que, embora sejam diversas, ainda mantêm uma coesão sonora. A produção é sofisticada, com arranjos ricos e detalhados, que se combinam bem com a mistura eclética de estilos, que vão do Pop e R&B ao Rock e Disco. Mais uma vez, o repertório é excelente, com muitas músicas boas, como Young Girls, Gorilla, a balada Moonshine e Money Make Her Smile, que trazem um nível de coesão. Fora, é claro, os ótimos hits como Locked Out of Heaven, que realmente lembra The Police, Treasure, uma incrível canção retrô funkeada dos anos 70, e a emocional balada When I Was Your Man. Também há outra canção sensacional, Show Me, que é um Reggae fantástico. No final das contas, esse álbum é muito bom e bastante detalhado.

24K Magic – Bruno Mars 





















NOTA: 8/10


Depois de quatro anos, o Bruno Mars lançou seu terceiro álbum, o 24K Magic, que até agora é o último lançado por ele. Após Unorthodox Jukebox, o cantor começou a trabalhar neste disco, buscando criar algo que fosse uma celebração, um álbum que transmitisse alegria e festa. Inspirado por influências dos anos 90, Mars procurou capturar a essência do R&B daquela época, além de resgatar tendências que o faziam lembrar de sua infância. A produção contou mais uma vez com o trio de produtores do qual o cantor faz parte, além de outros produtores notáveis, como The Stereotypes, Emile Haynie e Jeff Bhasker. Todo o trabalho foi muito bem feito, com uma busca por sonoridades retro-futurísticas, uso abundante de sintetizadores, linhas de baixo Funk e influências do R&B e do New Jack Swing. O repertório é mais uma vez excelente, com muitas faixas bacanas como a animada Chunky e o hit That’s What I Like. Além disso, há outros sucessos como a sensacional faixa-título, Perm e Finesse, que são ótimas homenagens ao Funk clássico e ao New Jack Swing. Apesar de ter canções bem fracas que são Straight Up & Down e Calling All My Lovelies, elas não diminuem a imersão das outras faixas. No geral, é mais um trabalho muito bom do Bruno Mars e esperamos que seu próximo disco seja icônico.

Nós Vamos Invadir Sua Praia – Ultraje a Rigor 





















NOTA: 10/10


Indo agora para 1985, é lançado um dos melhores discos de estreia do Rock nacional, o sensacional Nós Vamos Invadir Sua Praia do Ultraje a Rigor. A banda começou inicialmente como uma banda de covers, fazendo pequenos shows em bares. A banda teve vários nomes até que, em 1982, decidiram que o nome seria Ultraje a Rigor, um trocadilho com a expressão “traje a rigor”. Após mudarem de formação, eles fizeram dois compactos até serem contratados pela gravadora WEA, que na época estava contratando várias bandas para seu catálogo, como Ira! e Titãs. A produção ficou a cargo de Pena Schmidt e Liminha, dois produtores renomados da cena musical brasileira. O álbum foi gravado no Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e apresenta uma sonoridade crua e direta, com uma mistura de Rock, Punk e Ska. As letras simples e acessíveis, combinadas com melodias cativantes, ajudaram a criar um som característico que se tornaria a marca registrada da banda. O repertório é simplesmente espetacular, fazendo com que o álbum pareça uma coletânea, todas as canções são incríveis, como a faixa-título, Rebelde Sem Causa, Ciúme, a crítica atualíssima Inútil e as hilárias Mim Quer Tocar, Marylou e Zoraide, sem contar que tem até uma canção de autoestima a Eu Me Amo. Não é à toa que todas essas canções se tornaram hits de imediato. No final das contas, esse disco é um verdadeiro clássico do nosso querido Rock nacional.

Sexo!! – Ultraje a Rigor  





















NOTA: 8,7/10


Após o sucesso estrondoso de seu álbum de estreia, o Ultraje a Rigor retornou com seu 2º álbum, intitulado Sexo!! (bem direto, não é?). Após o Nós Vamos Invadir Sua Praia, que os colocou nas rádios e na TV, o Ultraje se estabeleceu como uma das bandas mais populares do cenário do Rock brasileiro. Com uma abordagem humorística e crítica, a banda conquistou uma base de fãs sólida e se tornou conhecida por suas letras bem-humoradas, que se conectavam perfeitamente com a geração de jovens da época. Nesse trabalho, a banda continuou a explorar temas do cotidiano, mantendo sua marca de sarcasmo. A produção ficou a cargo de Liminha, que havia trabalhado com eles no disco anterior. Este álbum apresenta uma produção mais madura, com uma sonoridade mais pesada e muitas influências de hard rock e heavy metal, mas mantendo aquele Rock tradicional. Durante as gravações, houve uma mudança de guitarrista: Sérgio Serra entrou para a banda no lugar de Carlo Bartolini, o Carlinhos, que estava incomodado e queria se mudar logo para Los Angeles. O repertório, embora não seja tão sensacional quanto o do álbum anterior, é muito bom e contém muitas canções interessantes, como as descontraídas Eu Gosto de Mulher, Terceiro e Prisioneiro (esta última um pouco mais séria, mas com um toque de humor). Outras ótimas canções incluem A Festa, Pelado e a própria faixa-título. No fim, é um disco que, apesar de não ter tido o mesmo sucesso do antecessor, é muito bom.

Crescendo – Ultraje a Rigor 





















NOTA: 7,7/10


Dois anos depois, o Ultraje retorna com mais um álbum, intitulado Crescendo, que já no título sugeria uma mudança. Depois do disco anterior, a banda ainda estava com uma popularidade muito alta, mas então surgiram polêmicas, sendo a mais controversa durante a turnê do último álbum, em que Roger foi acusado de ter abusado sexualmente de uma garota menor de idade, isso aconteceu durante a apresentação em Chapecó. Esse caso foi parar na justiça, mas no final ele acabou sendo inocentado, o que pesou muito na reputação da banda. Além de que, a exaustão de todos os integrantes gerou uma série de brigas, mas, apesar disso, podemos concordar que eles estavam mais amadurecidos. Este novo trabalho foi produzido pela banda, com uma grande colaboração dos produtores Paulo Junqueira e do Liminha. A sonoridade é mais crua e direta, com grandes influências do Punk Rock e um lado mais eletrônico em determinados momentos. O repertório é interessante, incluindo uma gama de interlúdios que são ou instrumentais ou algo mais bobinho, como A Constituinte, que é basicamente um cover de Atirei o Pau no Gato. Agora as canções são muito boas, como Coragem, Ricota, a segunda versão da faixa-título que tem o título alternativo de A Missão (Santa Inocência), e as polêmicas Filha da Puta, que foi feita para testar o fim da censura federal, e também Volta Comigo e Chiclete, que abordavam abertamente o adultério. No fim, apesar de ser um bom disco, ele demonstrou um declínio iminente da banda.
 

             Então é isso e flw!!!

Analisando Discografias - Imagine Dragons

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