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domingo, 30 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Camel: Parte 3

                 

Dust And Dreams – Camel





















NOTA: 8,3/10


Aí chega nos anos 90, e o Camel retorna com mais um novo disco, o Dust and Dreams. Após o Stationary Traveller, Andrew Latimer decidiu retomar o Camel de forma mais independente, fundando o selo Camel Productions em parceria com Susan Hoover. Agora, com uma formação em que ele assumia a maioria dos instrumentos junto com Colin Bass (baixo), Ton Scherpenzeel (teclados) e Paul Burgess (bateria), decidiu fazer mais um trabalho conceitual sobre a obra As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, um clássico sobre a Grande Depressão e o êxodo de famílias do interior rumo à Califórnia. A produção, feita obviamente por Latimer, privilegia espaço, paisagens sonoras e continuidade temática. Há o uso de synth pads, guitarras limpas com delay, camadas discretas de orquestração sintética e trechos acústicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas, trazendo aquele lado imersivo. Enfim, é um ótimo disco e foi um retorno decente. 

Melhores Faixas: End Of The Line, Mother Road 
Vale a Pena Ouvir: Go West, Hopeless Anger, Milk N' Honey

Harbour Of Tears – Camel





















NOTA: 5/10


Cinco anos depois, foi lançado 12º álbum de estúdio do Camel, o Harbour Of Tears. Após o Dust And Dreams, Andrew Latimer e Susan Hoover começaram a trabalhar num novo conceito, desta vez ligado às origens familiares de Latimer. Seu avô materno era irlandês, natural de County Cork. Em pesquisas sobre a história da região, ele descobriu os relatos profundos e dolorosos do Porto de Cobh, último ponto de partida de muitos irlandeses que emigravam para a América. Agora com a presença do tecladista Mickey Simmonds partiram para mais um disco. Produção foi aquela de sempre, mas agora com um forte revestimento celta e um trabalho de texturas ainda mais refinado. A produção é extremamente atmosférica e construída com uma delicadeza grandiosa, o problema é que muita coisa fica bem arrastado e faltando mais variação. O repertório é irregular, tem canções legais e outras bem chatinhas. No fim, é um disco mediano e que faltou mais imersão. 

Melhores Faixas: Eyes Of Ireland, Send Home The Slates, Coming Of Age, Under The Moon
Piores Faixas: End Of The Day, Cóbh, Generations, Irish Air

Rajaz – Camel





















NOTA: 9,5/10


Três anos se passam, e foi lançado mais um trabalho novo do Camel, o maravilhoso Rajaz. Após o Harbour of Tears, a banda havia colocado Dave Stewart na bateria e o tecladista Ton Scherpenzeel retornou. Latimer desejava fazer um trabalho com um conceito mais abstrato e universal. Durante suas leituras, encontrou o termo ‘rajaz’, ligado à tradição dos povos do deserto. Em árabe, rajaz refere-se a um ritmo de poesia entoado pelos beduínos para acompanhar o balançar dos camelos ao atravessar longas caravanas no deserto. A produção, feita como sempre por Latimer, é cristalina e extremamente sensível. O foco é a guitarra do Andrew Latimer, que aqui assume uma expressividade épica, quase narrativa, com uma base em escalas orientais, ritmos repetitivos e hipnóticos, uso de percussões sutis e uma atmosfera desértica e contemplativa. O repertório é incrível, e as canções são profundas e melódicas. Enfim, é um belo disco e aqui as coisas funcionaram. 

Melhores Faixas: Lost And Found, Shout, Rajaz, Sahara 
Vale a Pena Ouvir: Straight To My Heart, Lawrence

A Nod And A Wink – Camel




















NOTA: 8,7/10


Então chegamos a 2002, quando foi lançado o último álbum de estúdio do Camel, A Nod and a Wink. Após o Rajaz, Andrew Latimer entrou em um período de profunda reflexão pessoal. Nos anos seguintes, porém, Latimer enfrentou uma perda irreparável: a morte de seu amigo de longa data e cofundador da banda, Peter Bardens, em janeiro de 2002. Esse trabalho serviria como uma homenagem ao seu companheiro e, junto do baixista Colin Bass e dos novos integrantes Guy LeBlanc (teclados) e Denis Clement (bateria), partiram para fazer esse projeto. A produção, feita como sempre por Latimer, mantém a estética cristalina dos discos dos anos 90, mas com uma atmosfera mais suave, pastoral e acústica, com influências de Rock progressivo e Folk Rock presentes. O repertório é muito bom, e as canções são bastante intimistas. Enfim, é um ótimo e honroso disco de despedida, mesmo que a banda ainda continua fazendo alguns shows. 

Melhores Faixas: A Boy's Life, For Today 
Vale a Pena Ouvir: Fox Hill, Simple Pleasures

          

sábado, 29 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Camel: Parte 2

                 

Breathless – Camel





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passou, e o Camel retorna com mais um lançamento: Breathless, que trouxe uma mudança importante. Após o Rain Dances, ocorreram várias divergências criativas entre Andrew Latimer e Peter Bardens, que começaram a se intensificar ao longo das gravações. A banda estava exaurida por turnês, mudanças sonoras e transições de identidade, e isso se traduz intensamente no caráter múltiplo e às vezes disperso do disco, até porque a Decca Records pediu que eles seguissem para um caminho mais Pop. A produção, conduzida pela banda junto com Mick Glossop, apresenta um som limpo e voltado ao detalhamento das camadas instrumentais. A ênfase recai menos em atmosferas densas e mais na precisão: guitarras cristalinas do Latimer, teclados elétricos e brilhantes do Bardens, baixo fluido do Sinclair e a bateria sólida do Andy Ward. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e envolventes. Enfim, é um disco bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Wing And A Prayer, The Sleeper 
Vale a Pena Ouvir: Down On The Farm, Summer Lightning (mandaram bem fazendo Euro-Disco), Echoes

I Can See Your House From Here – Camel





















NOTA: 7,2/10


Chegando ao final dos anos 70, o Camel lançava seu 7º álbum de estúdio, o I Can See Your House From Here. Após o Breathless, Peter Bardens, cofundador, tecladista e grande arquiteto das paisagens sonoras da banda, acabou sendo demitido pelos vários conflitos com Andrew Latimer, e com isso entraram dois tecladistas, Kit Watkins e Jan Schelhaas. O baixista Richard Sinclair também saiu e entrou Colin Bass, e a banda continuava pressionada pela gravadora. A produção, feita por Rupert Hine, apresenta uma sonoridade mais moderna, brilhante e eletrônica, já que a combinação entre Watkins e Schelhaas gera camadas densas com seus inúmeros sintetizadores, combinadas com as guitarras limpas e expressivas de Latimer, sendo basicamente uma junção do Rock progressivo com um lado bem mais Pop Rock. O repertório é bom, com canções legais, mas tem duas bem medíocres. Enfim, é um disco interessante apesar de suas falhas. 

Melhores Faixas: Who We Are, Ice, Wait 
Piores Faixas: Remote Romance, Survival

Nude – Camel





















NOTA: 9,2/10


Dois anos se passaram e, já estando nos anos 80, a banda retorna lançando mais um disco, o Nude. Após o I Can See Your House From Here, os dois tecladistas Kit Watkins e Jan Schelhaas acabaram saindo, e quem assumiu os teclados foi Duncan Mackay. Para esse trabalho, Andrew Latimer decidiu voltar a fazer um álbum conceitual inspirado no soldado japonês Hiroo Onoda, que permaneceu escondido por décadas acreditando ainda estar em guerra, uma narrativa carregada de solidão, dever, deslocamento e tragédia, sendo que a única mudança foi a troca de seu nome. A produção, feita pela banda junto com Haydn Bendall, trouxe uma sonoridade mais límpida e com forte presença de sintetizadores característicos do início dos anos 80. Aqui temos uma sonoridade mais orientada para o lado orquestral, remetendo aos velhos tempos da banda. O repertório, em sua maioria instrumental, é muito bom e apresenta canções imersivas. No fim, é um belo disco e bem amarrado. 

Melhores Faixas: City Life, Changing Places, Captured, Lies, Reflections 
Vale a Pena Ouvir: The Last Farewell, Beached, Drafted

The Single Factor – Camel





















NOTA: 2,5/10


Então, no ano seguinte, chega mais um disco do Camel, o fraquíssimo The Single Factor, em um momento bem conturbado. Após o Nude, a crise de saúde mental e física do Andy Ward, que já ameaçava a estabilidade da banda desde o final da década de 70, chegou a um ponto insustentável, e Colin Bass também saiu. Com tudo isso, a gravadora Decca pressionava Andrew Latimer a fazer um álbum mais comercial, e ele decidiu realizar esse projeto que consistia nele mais alguns convidados. A produção foi a mesma, mas o som ficou mais polido, típico do início dos anos 80, com sintetizadores brilhantes, guitarras mais diretas e menos textura progressiva. A combinação de bateria eletrônica e acústica reforça a estética contemporânea, transitando entre o AOR e o Soft Rock, mas tudo é bem pasteurizado e com uma série de clichês previsíveis. O repertório é muito ruim, tendo poucas canções interessantes e outras terríveis. No geral, é um disco péssimo e que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Heroes, Camelogue 
Piores Faixas: Selva, Today's Goodbye, End Peace, You Are The One

Stationary Traveller – Camel





















NOTA: 8,8/10


Então, em 1984, foi lançado o 10º álbum de estúdio do Camel, o Stationary Traveller. Após o péssimo The Single Factor, a banda parecia à beira do fim. Andrew Latimer era, na prática, o único membro fixo remanescente e contava apenas com convidados, embora ainda se mantivessem o tecladista Ton Scherpenzeel e o baterista Paul Burgess. Latimer, agora junto de sua esposa, decidiu fazer um álbum conceitual, desta vez de caráter mais político e humano, inspirado no contexto da Guerra Fria e no drama dos refugiados da Alemanha Oriental que tentavam atravessar o Muro de Berlim. A produção, feita inteiramente por Latimer, incorporou sintetizadores brilhantes, texturas densas e bateria com pegada Pop Rock, mas ainda assim com dinâmica, enquanto as guitarras, expressivas e limpas, contribuíam para a sonoridade progressiva. O repertório é muito bom, com canções profundas e melódicas. Em suma, é um ótimo trabalho e que parecia uma despedida decente. 
Melhores Faixas: Refugee, West Berlin, Stationary Traveller 
Vale a Pena Ouvir: Long Goodbyes, Vopos, Missing

     Por hoje é só, então flw!!!     

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Camel: Parte 1

                 

Camel – Camel





















NOTA: 9,9/10


Em 1973, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do Camel (e não, a banda não era patrocinada pela marca de cigarro). Formado em Guildford, em Surrey, na Inglaterra, a partir do trio The Brew, composto por Andrew Latimer (guitarra, flauta, vocais), Doug Ferguson (baixo, vocais) e Andy Ward (bateria), e com a entrada de Peter Bardens (teclados), a banda ganhou um eixo melódico muito mais sofisticado. Com isso, depois de várias andanças, eles assinaram com a MCA Records. A produção, feita por Dave Williams, colocou uma sonoridade crua e orgânica, com a guitarra de Latimer aparecendo com enorme clareza e os teclados analógicos de Bardens servindo de base. A bateria de Andy já mostra sua destreza técnica, enquanto Ferguson sustenta tudo com linhas de baixo econômicas, tudo dentro desse caldeirão de Rock progressivo com um lado mais sinfônico. O repertório é incrível, e as canções são bem melódicas. No final, é um belo disco de estreia e bastante direto. 

Melhores Faixas: Mystic Queen, Never Let Go, Slow Yourself Down 
Vale a Pena Ouvir: Curiosity, Separation

Mirage – Camel





















NOTA: 10/10


Então chega o ano seguinte, quando foi lançado o atemporal 2º álbum deles, o Mirage. Após o álbum de estreia, o Camel entrou em uma turnê intensa, afiadíssima, e dessa pressão criativa nasceu esse trabalho. Com a entrada deles na Deram Records, o selo percebeu o potencial da banda e deu aos músicos mais liberdade artística. Isso abriu caminho para composições mais longas, complexas e arquitetadas. A produção foi feita por David Hitchcock, que colocou um som mais refinado e manteve o clima orgânico, mas agora com maior amplitude de timbres: Bardens usa sintetizadores e pianos elétricos com mais ousadia, enquanto Latimer explora guitarras mais cheias, flauta com maior presença e alguns efeitos discretos. A bateria do Andy Ward está mais viva, e o baixo do Ferguson aparece com mais clareza, sustentando as harmonias com elegância. O repertório é sensacional, contendo 5 faixas incríveis. Enfim, é um álbum maravilhoso e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Lady Fantasy (minha parte favorita dessa peça: Encounter), Freefall 
Vale a Pena Ouvir: Nimrodel / The Procession / The White Rider (um exemplo de suíte perfeita), Supertwister

The Snow Goose – Camel





















NOTA: 9,6/10


Mais um ano se passou, e foi lançado o 3º álbum do Camel, o The Snow Goose. Após o Mirage, a banda buscava um projeto que os diferenciasse ainda mais dentro de um cenário progressivo já repleto de obras grandiosas. Inspirados pelo livro The Snow Goose, de Paul Gallico, o Camel decidiu criar um álbum inteiramente instrumental, baseado na história lírica e melancólica envolvendo o eremita Rhayader, a jovem Fritha e o ganso-branco que os une. A produção, feita mais uma vez por David Hitchcock, teve o uso de orquestrações arranjadas em colaboração com o maestro David Bedford, o que adiciona profundidade cinematográfica às composições. O som é cristalino e equilibrado: o álbum soa como uma suíte contínua, com peças interligadas que formam uma narrativa musical fluida. O repertório é espetacular, e as composições são todas bem atmosféricas e relaxantes. No final de tudo, é outro disco sensacional e que também é um clássico. 

Melhores Faixas: Rhayader Goes To Town, Rhayader, Flight Of The Snow Goose, Dunkirk, The Snow Goose, La Princesse Perdue 
Vale a Pena Ouvir: Preparation, Sanctuary, Migration (única faixa que apresenta vocal)

Moonmadness – Camel





















NOTA: 10/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum espetacular do Camel, o Moonmadness. Após o The Snow Goose, o Camel finalmente se estabeleceu como uma das bandas mais respeitadas do Rock progressivo britânico. Para esse novo trabalho, eles decidiram unir a temática dos álbuns anteriores a uma nova camada de sutileza atmosférica. Os vocais retornaram e mantêm um clima conceitual mais sutil, com cada faixa representando um dos integrantes da banda de forma mais ou menos alegórica. A produção, feita por Rhett Davies junto com a banda, apresenta uma sonoridade mais aerada, com muito uso de reverberações naturais, sintetizadores e overdubs delicados. Os teclados do Bardens ganham mais espaço. A guitarra do Latimer está mais limpa e melodiosa. A flauta ganha papel central, sendo tratada quase como um segundo vocal. O repertório é simplesmente sensacional e até parece uma coletânea. No geral, é um baita disco e certamente outra obra-prima deles. 

Melhores Faixas: Song Within A Song, Chord Change, Air Born 
Vale a Pena Ouvir: Aristillus, Another Night

Rain Dances – Camel





















NOTA: 9/10


Chega 1977, e foi lançado o 5º álbum do Camel, intitulado Rain Dances, que trouxe mudanças. Após o Moonmadness, tornou-se claro para a banda que eles estavam se aproximando de um limite natural daquele estilo. O baixista Doug Ferguson preferia a vertente mais pastoral e tradicional, enquanto Andrew Latimer e Pete Bardens mostravam crescente interesse por novos horizontes, como o Jazz. Com isso, ele acabou saindo, dando lugar a Richard Sinclair, vindo da cena de Canterbury, que sempre inspirou a banda. Houve também a inclusão do saxofonista Mel Collins. A produção, feita novamente por Rhett Davies junto com a banda, tem um som limpo, cristalino e refinado, priorizando dinamismo e camadas: cada instrumento tem espaço, com os teclados variados do Bardens e a bateria definida do Andy Ward. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas e com uma pegada futurista. Em suma, é um trabalho legal e mais multifacetado. 

Melhores Faixas: Metrognome, Skylines, Unevensong 
Vale a Pena Ouvir: First Light, Rain Dances, Tell Me
  

               Então é isso e flw!!!          

Analisando Discografias - Imagine Dragons

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