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sábado, 18 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Curtis Mayfield: Parte 5

                  

Take It To The Streets – Curtis Mayfield





















NOTA: 6/10


Pulando para 1990, foi lançado mais um novo álbum de Curtis Mayfield, o Take It To The Streets. Após o We Come In Peace With a Message of Love, Curtis enfrentou um período de baixa visibilidade. O Soul havia perdido o espaço que tivera nos anos 70, e sua proposta humanista já não se encaixava tão facilmente na lógica mais hedonista e eletrônica da música negra daquela década. Ele chegou a trabalhar como produtor e colaborador em alguns projetos menores, mas só no final dos anos 80 começou a preparar um novo trabalho próprio. A produção foi a de sempre; a instrumentação é majoritariamente eletrônica, com sintetizadores, drum machines e baixos programados, mas Curtis soube temperar esses elementos com seu fraseado de guitarra e seus arranjos vocais meticulosos, embora muitos elementos acabem não se encaixando. O repertório é fraquinho: tem canções boas e outras genéricas. Enfim, é um trabalho mediano e com erros. 

Melhores Faixas: Do Be Down, Got To Be Real, I Mo Git U Sucka 
Piores Faixas: Don't Push, He's A Fly Guy, Homeless

New World Order – Curtis Mayfield





















NOTA: 8,3/10


Então chegamos a 1996, quando foi lançado o último álbum do Curtis Mayfield, o decente New World Order. Após o Take It To The Streets, um ocorrido trágico marcara sua vida em 13 de agosto de 1990, quando uma torre de iluminação caiu sobre ele durante um show no Brooklyn, deixando-o tetraplégico. Mesmo assim, ele continuou a compor mentalmente e a ditar arranjos, demonstrando uma disciplina e uma fé admiráveis. Nesse período, ele recebeu homenagens e teve coletâneas lançadas, reacendendo um novo trabalho. A produção, feita por ele junto com vários outros nomes, é luxuosa e melancólica. O álbum combina elementos do Soul clássico com uma produção moderna. Os arranjos de cordas e metais evocam sua era dourada dos anos 70, mas os timbres são limpos, com bases discretas de bateria eletrônica e baixo aveludado. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e envolventes. No fim, é um ótimo álbum de despedida, já que ele viria a falecer em 1999. 

Melhores Faixas: I Believe In You, Just A Little Bit Of Love, The Girl I Find Stays On My Mind
Vale a Pena Ouvir: New World Order, Let's Not Forget, Back To Living Again
  

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Curtis Mayfield: Parte 4

                 

Do It All Night – Curtis Mayfield





















NOTA: 8/10


Indo para 1978, Curtis Mayfield lançava mais um álbum novo, o Do It All Night, e aqui tivemos várias mudanças. Após o Never Say You Can't Survive, o cantor chegava a um momento em que buscava reestabelecer a relevância comercial, que havia diminuído após a fase de ouro entre 1970 e 1974. Além disso, Mayfield havia deixado a Curtom Records, sediada em Chicago, e mudado suas gravações para Atlanta, passando a trabalhar com uma nova equipe técnica. A produção, feita como sempre por ele mesmo, teve um investimento em texturas eletrônicas, sintetizadores e linhas de baixo mais marcadas, além de uma engenharia de som que privilegia o brilho e o pulso, traços típicos da Disco music. Com isso, a sonoridade é mais ampla e “espacial” do que em seus álbuns anteriores. O repertório é bem curto, mas as canções são muito boas e sentimentais. No final, é um ótimo trabalho, mas que passou despercebido. 

Melhores Faixas: Party, Party, Do It All Night 
Vale a Pena Ouvir: In Love, In Love, In Love, No Goodbyes

Heartbeat – Curtis Mayfield





















NOTA: 8/10


Chegando ao final dos anos 70, Curtis Mayfield lança mais um álbum intitulado Heartbeat. Após o Do It All Night, Curtis se via novamente em transição. O final daquela década foi particularmente desafiador para artistas da Soul music tradicional, já que a ascensão da Disco music, da música eletrônica e dos arranjos sintéticos dominava as rádios e clubes. Enquanto alguns veteranos se perderam nesse novo território, Curtis soube encontrar um ponto de equilíbrio. A produção foi aquela de sempre, mas houve um uso mais extenso de sintetizadores, baterias eletrônicas e efeitos estéreo, que conferem uma textura aveludada e moderna. O resultado é um som mais limpo, com ênfase em linhas de baixo circulares, camadas vocais detalhadamente trabalhadas e uma abordagem de produção que lembra artistas contemporâneos. O repertório é bem agradável, com canções envolventes. Enfim, é um trabalho bacana antes de um período menos inspirado. 

Melhores Faixas: You're So Good To Me, What Is My Woman For? 
Vale a Pena Ouvir: Tell Me, Tell Me (How Ya Like To Be Loved), Heartbeat

Love Is The Place – Curtis Mayfield





















NOTA: 3/10


Entrando nos anos 80, Curtis Mayfield retorna lançando mais um disco, o Love Is The Place. Após o Heartbeat, o cantor passou por um período diverso e chegou a fazer um álbum colaborativo com a cantora Linda Clifford. O artista já havia deixado de lado as longas suítes sociais e espirituais dos anos 70, concentrando-se em um Soul mais intimista. Além disso, o contexto da indústria musical pressionava veteranos como ele a competir com novas gerações, de Rick James a Prince. A produção, feita por ele junto com Dino Fekaris, trouxe uma sonoridade mais compacta: baixo sintetizado, bateria eletrônica seca, cordas suaves e vocais em múltiplas camadas, gravados pelo próprio Curtis. Há uma fusão entre o Soul humanista e traços de Disco, e, apesar da boa ideia, tudo soa morno, parecendo faltar maior imersão. O repertório é fraco, e as canções são pouco inspiradas, com poucas realmente interessantes. No geral, é um trabalho bastante inexpressivo. 

Melhores Faixas: She Don't Let Nobody (But Me), You Mean Everything To Me 
Piores Faixas: Love Is The Place, Come Free Your People, Just Ease My Mind

Honesty – Curtis Mayfield





















NOTA: 2,5/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum intitulado Honesty, que não trouxe tantas mudanças. Após o Love Is The Place, Curtis Mayfield, agora na casa dos 40 anos, buscava adaptar-se sem renunciar à sua integridade artística. Além das mudanças musicais, Curtis também enfrentava transformações estruturais: a Curtom Records, seu selo histórico de Chicago, estava praticamente inativa, e ele passou a licenciar seus álbuns para gravadoras menores, como a Boardwalk Records e a Buddah Records. A produção, conduzida como sempre por ele próprio, contou com a participação de músicos de estúdio experientes, mas com instrumentação centrada em sintetizadores analógicos, além de guitarras suaves tocadas pelo próprio Curtis. O som é mais atmosférico e bem mais simplista, mas tudo é excessivamente contido. O repertório é fraco, e as canções são medíocres, com poucas que realmente se salvam. No final, é um álbum ruim e esquecível. 

Melhores Faixas: Nobody But You, Dirty Laundry 
Piores Faixas: What You Gawn Do?, Hey Baby (Give It All To Me), If You Need Me

We Come In Peace With A Message Of Love – Curtis Mayfield





















NOTA: 2,9/10


Dois anos depois, foi lançado outro disco dele, o We Come In Peace With A Message Of Love. Após o Honesty, o cantor buscava um novo ponto de equilíbrio entre espiritualidade, romance e tecnologia. Esse trabalho foi o resultado dessa tentativa: uma obra que, ao mesmo tempo, reafirma sua essência lírica e vocal e abraça com mais decisão o som eletrônico dos anos 80 (algo que ele não dominava). A produção, feita junto com Norman Harris e Ron Tyson, foi mais expansiva: há grooves mais encorpados, camadas vocais mais elaboradas e uma atmosfera celestial, reforçada pelos coros femininos e pelos timbres luminosos de teclado. O som do álbum se aproxima do R&B contemporâneo, mas ainda foca no Soul tradicional. No entanto, mais uma vez, há momentos contidos e outros desconexos. O repertório novamente é fraco, com poucas canções interessantes e o restante sem destaque. Enfim, outro disco bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Baby It's You, Everybody Needs A Friend 
Piores Faixas: Body Guard, We Come In Peace, Breakin' In The Streets


    Por hoje é só, então flw!!!   

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Curtis Mayfield: Parte 3

                 

Got To Find A Way – Curtis Mayfield





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um trabalho do R.E.M., intitulado Monster. Após o Automatic For The People, a banda estava consciente de que poderia se tornar repetitiva se não desviasse o rumo. Ao mesmo tempo, havia uma ansiedade pela primeira grande turnê mundial desde 1989. Assim, o R.E.M. planejou deliberadamente um álbum mais agressivo e voltado para a performance, além de aproveitar o hype que a grande mídia estava dando para as bandas do Grunge e do Rock alternativo, que tinham suas influências nos georgianos. A produção foi aquela de sempre: capturar uma sonoridade crua, mais próxima de ensaios e apresentações ao vivo. Peter Buck mergulhou em pedais de distorção e efeitos, criando camadas densas de guitarra, enquanto a cozinha rítmica foi mais criativa, combinando com os vocais mais íntimos do Michael Stipe. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas e envolventes. No fim, é um trabalho bacana que continua sendo subestimado. 

Melhores Faixas: What's The Frequency, Kenneth?, Bang And Blame, Crush With Eyeliner, Let Me In 
Vale a Pena Ouvir:  Strange Currencies, Star 69, King Of Comedy

There's No Place Like America Today – Curtis Mayfield





















NOTA: 9,9/10


Indo para 1975, foi lançado outro álbum fenomenal de Curtis Mayfield, o There's No Place Like America Today. Após o Got To Find A Way, o cenário americano parecia corroído: o escândalo de Watergate, o aumento do desemprego e o colapso do otimismo da era dos direitos civis criaram uma sensação de vazio e descrença. O título foi inspirado em uma ironia cruel presente em um antigo pôster publicitário dos anos 30, no qual uma família branca viajava de carro sob o lema do “sonho americano”, enquanto, ao fundo, se viam filas de pessoas negras desempregadas. A produção soa meticulosamente equilibrada, com o uso de cordas, metais e teclados que confere ao álbum uma textura quase cinematográfica. O ritmo é deliberadamente lento e contido, o que reforça a atmosfera de desolação e introspecção. O repertório é incrível, e as canções são belíssimas e carregadas de profundidade. Em suma, é um disco maravilhoso e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: So In Love, Billy Jack, Hard Times 
Vale a Pena Ouvir: When Seasons Change, Jesus

Give, Get, Take And Have – Curtis Mayfield





















NOTA: 8,4/10


Passa-se mais um ano, e foi lançado seu 8º álbum solo, intitulado Give, Get, Take And Have. Após o There's No Place Like America Today, Curtis Mayfield já era um ícone consolidado do soul de Chicago. Seu nome estava ligado à ideia de música como comentário social, mas também a uma sofisticação artística que transcendera os limites do gênero. No entanto, a América daquele momento havia mudado no pós-Vietnã, e a Soul music começava a se fundir com o Disco, Quiet Storm e o R&B urbano, enquanto Curtis preferiu não abrir mão de sua sonoridade. A produção é primorosa, um exemplo perfeito de seu estilo pós-1973: som encorpado, arranjos orquestrais luxuriantes, ritmo contido e grooves de textura quente. A sonoridade é um Soul sofisticado, de andamento lento e atmosfera flutuante, sendo uma base que formaria o Quiet Storm. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem intimistas e envolventes. Enfim, é um ótimo disco e também bastante subestimado. 

Melhores Faixas: P.S. I Love You, Soul Music 
Vale a Pena Ouvir: Mr. Welfare Man, Party Night, This Love Is Sweet

Short Eyes - The Original Picture Soundtrack – Curtis Mayfield





















NOTA: 8/10


Entrando em 1977, veio mais um trabalho de Curtis Mayfield, que é a trilha sonora do filme Short Eyes. Após o Give, Get, Take And Have, ele passava por alguns problemas, já que sua gravadora, a Curtom, enfrentava dificuldades financeiras. O convite para compor a trilha de Short Eyes veio em um momento ideal. O filme era uma produção independente, filmada em uma prisão real de Nova York, e tinha roteiro de Miguel Piñero, um ex-presidiário porto-riquenho que transformou sua experiência no sistema carcerário em arte, e isso se encaixava perfeitamente com a obra de Curtis. A produção, feita como sempre pelo próprio Curtis, tem uma sonoridade bem polida, marcada por instrumentação refinada, arranjos de cordas exuberantes e uma cadência rítmica suave, típica do Soul sofisticado daquele período. O repertório é bem bacana, e as canções são todas dinâmicas e agradáveis. Enfim, é um trabalho legal, mas que não teve muito sucesso. 

Melhores Faixas: Need Someone To Love, Back Against The Wall 
Vale a Pena Ouvir: Short Eyes / Freak, Freak, Free, Free, Free, Another Fool In Love, A Heavy Dude

Never Say You Can't Survive – Curtis Mayfield





















NOTA: 8,2/10


Pouco tempo depois, foi lançado mais um trabalho de estúdio do Curtis Mayfield, o Never Say You Can't Survive. Após a trilha sonora do filme Short Eyes, Curtis Mayfield passava por problemas, já que sua gravadora, a Curtom, enfrentava dificuldades financeiras, e o cenário musical americano estava mudando. A Motown já se rendia à música de pista; Marvin Gaye e Stevie Wonder se voltavam para o experimentalismo, enquanto o Funk assumia tons mais agressivos e festivos, e ele não seguiu por esse caminho. A produção é aquela de sempre: bem polida, marcada por instrumentação refinada, arranjos de cordas exuberantes e uma cadência rítmica suave, seguindo a estética daquele soul mais sofisticado. Com isso, o álbum traz mais elementos percussivos e é puxado para uma elegância harmônica característica. O repertório é muito bom, e as canções são todas profundas e até variadas. No final, é um ótimo disco, mas que também não teve boas vendas. 

Melhores Faixas: All Night Long, Show Me Love 
Vale a Pena Ouvir: When We're Alone, Never Say You Can't Survive
  

        Então é isso e flw!!!         

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Curtis Mayfield: Parte 2

                 

Super Fly (The Original Motion Picture Soundtrack) – Curtis Mayfield





















NOTA: 10/10


Outro ano se passou, e Curtis Mayfield lança seu 3º álbum de estúdio, a trilha sonora do filme Super Fly. Após o Roots, aquele período do início dos anos 70 marcou a explosão do movimento conhecido como blaxploitation no cinema, com filmes que buscavam retratar a vida urbana negra, frequentemente com uma mistura de glamour, criminalidade e crítica social. Super Fly, filme dirigido por Gordon Parks Jr., contava a história de Priest, um traficante de drogas tentando sair da vida do crime, e Mayfield foi contratado para criar a trilha sonora. A produção foi feita, obviamente, pelo próprio cantor, que colocou arranjos densos e precisos, linhas de baixo marcantes, cordas e metais elegantes, além de sua guitarra suave, porém insistente, e de sua voz doce, que ao mesmo tempo é quase falada, fazendo uma combinação perfeita de Soul com Funk. O repertório é simplesmente maravilhoso, todas as faixas bem amarradas e com muita profundidade. Enfim, é um belo disco e outro clássico. 

Melhores Faixas: Pusherman, Superfly, Little Child Runnin' Wild, Give Me Your Love (Love Song), Eddie You Should Know Better 
Vale a Pena Ouvir: Freddie's Dead, No Thing On Me (Cocaine Song)

Back To The World – Curtis Mayfield





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou, e Curtis retorna lançando mais um disco, intitulado Back to the World. Após o Super Fly, Curtis Mayfield se consolidou como um artista solo que unia consciência social, groove e melodias sofisticadas. Seu último trabalho não apenas foi uma trilha sonora de impacto, mas também um comentário político e social sobre a vida urbana, as drogas e a desigualdade racial. Aqui, ele continua a explorar temas de consciência social, política, amor e esperança, mas com uma abordagem mais pessoal e introspectiva. A produção é aquela de sempre, só que aqui ele segue por um caminho mais cristalino e preciso, com uma instrumentação tradicional, guitarra rítmica, baixo pulsante, cordas e sopros sutis, fazendo aquele equilíbrio entre o Soul progressivo e o Funk urbano, sem perder o apelo popular. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas, com um clima intimista. No final, é um trabalho incrível e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Right On For The Darkness, Future Schock, Future Song (Love A Good Woman, Love A Good Man) 
Vale a Pena Ouvir: Keep On Trippin', Back To The World

Sweet Exorcist – Curtis Mayfield





















NOTA: 8,7/10


Indo para 1974, foi lançado seu 5º álbum de estúdio, intitulado Sweet Exorcist, que foi mais complexo. Após o Back to the World, Curtis Mayfield já se consolidava como um dos maiores inovadores do Soul, destacando-se por combinar groove sofisticado, consciência social e arranjos orquestrais elaborados. Aqui, ele decidiu explorar temas universais de amor, espiritualidade, resistência e consciência, com uma maturidade crescente na composição e nos arranjos. A produção foi conduzida, como sempre, pelo próprio cantor, que equilibrou groove, melodia e mensagem de forma orgânica, sem exageros instrumentais. Curtis gravou quase todas as camadas ele mesmo ou com músicos de confiança, garantindo que cada nota e efeito tivessem propósito narrativo e rítmico. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas e vão para um lado mais delicado. Enfim, é um ótimo álbum, que acabou ficando nas sombras dos anteriores. 

Melhores Faixas: Sweet Exorcist, Ain't Got Time 
Vale a Pena Ouvir: Power To The People, Suffer

  

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Analisando Discografias - Curtis Mayfield: Parte 1

                  

Curtis – Curtis Mayfield





















NOTA: 10/10


Voltando a 1970, Curtis Mayfield lançava seu 1º álbum solo, intitulado apenas Curtis. O cantor, que começou sua carreira em 1956 com o grupo The Impressions, teve grande sucesso na Soul music. Depois de 14 anos, decidiu seguir carreira solo; ele já havia firmado uma assinatura musical e lírica muito própria, marcada pela combinação de harmonias suaves, arranjos elegantes e mensagens sociais fortes. A produção, feita pelo próprio cantor, contou com músicos excepcionais, além de um naipe de metais e cordas que dá ao disco uma sonoridade quase sinfônica dentro do gênero. Ele incorpora elementos do Funk e do Rock psicodélico, especialmente nas linhas de baixo sinuosas e nas longas seções instrumentais, sem abandonar o lirismo e a espiritualidade da Soul music. O repertório é simplesmente maravilhoso, parecendo uma coletânea, pois só tem canções belíssimas. Enfim, é um baita disco de estreia e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Move On Up, (Don't Worry) If There's A Hell Below We're All Going To Go, We The People Who Are Darker Than Blue, Give It Up 
Vale a Pena Ouvir: The Other Side Of Town, Wild And Free

Roots – Curtis Mayfield





















NOTA: 9,8/10


Logo no final do ano seguinte, foi lançado o 2º álbum de Curtis Mayfield, o Roots. Após o atemporal Curtis, que não apenas o consolidou como um dos grandes nomes do Soul, mas também o colocou no centro da transformação estética que redefinia a música negra americana, o soul começava a se tornar mais introspectivo, denso e filosófico, dialogando com o Funk, o Jazz e o psicodelismo. Esse trabalho surge como uma espécie de pregador urbano por parte do cantor. A produção é quase a mesma, mais limpa e mais detalhista, aprofundando sua busca por uma textura musical que soe simultaneamente orgânica e cósmica. As cordas e os metais são usados como extensão emocional de sua voz, nunca como enfeite. Os arranjos criam atmosferas de catedral, e o uso do reverb e da espacialidade sonora reforça o caráter quase místico do disco. O repertório é incrível, e as canções são bem reflexivas e imersivas. No final, é um belo trabalho e muito profundo. 

Melhores Faixas: Keep On Keeping On, Now You're Gone, We Got To Have Peace 
Vale a Pena Ouvir: Get Down, Beautiful Brother Of Mine
  

                                                         Então um abraço e flw!!!            

Review: Cursum Perficio do Anthrax

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