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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Review: Chama do Soulfly

                   

Chama – Soulfly





















NOTA: 8/10


Foi lançado recentemente o 13º álbum de estúdio do Soulfly, intitulado Chama, que representa um retorno às origens. Após o Totem, a banda passou um tempo excursionando e, com o fim da turnê, voltou a gravar um material novo. Aqui, eles decidiram ir para um caminho mais feroz, que relembrasse a energia do começo da carreira, chegando até a utilizar elementos tribais. A produção, feita por Arthur Rizk e Zyon Cavalera (filho do Max), incorpora muitos dos elementos característicos da banda: riffs pesados e grooveados, batidas tribais, choros de percussão, vozes agressivas e aquele espírito agressivo característico, tudo pairando pelo Groove Metal, mas com um pouco das influências do Nu Metal e do Metal Industrial. Juntando isso com influências da música brasileira, cria-se um ambiente claustrofóbico. O repertório é muito bom, e as canções são bem agressivas e, de certo modo, cheias de profundidade. No final, é um ótimo disco que representa um retorno às origens. 

Melhores Faixas: Storm the Gates, Black Hole Scum, Nihilist (ótima participação do Todd Jones do Nails) 
Vale a Pena Ouvir: Always Was, Always Will Be..., Favela / Dystopia, No Pain = No Power (Dino Cazares indo muito bem)
 

  É isso, então flw!!!      

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Soulfly e Cavalera Conspiracy (RA: LIV)

                  

Archangel – Soulfly





















NOTA: 8,7/10


Em 2015, o Soulfly lançou seu 10º álbum, intitulado Archangel, que é bastante temático. Após p Savages, que trouxe um som mais voltado para o Groove Metal, esse novo trabalho leva a banda para um estilo mais agressivo, inspirado por temáticas bíblicas e mitológicas, com uma forte carga espiritual e apocalíptica. Antes do lançamento, Tony Campos, que já estava insatisfeito, saiu da banda para se juntar ao Fear Factory, mas pelo menos ele não teve problemas com Max. Enfim, a produção foi feita por Matt Hyde, que já trabalhou com bandas como Slayer e Children of Bodom, o que ajuda a compreender o tom mais extremo e sombrio do álbum. O trabalho dele foi muito importante, pois deu clareza aos momentos mais técnicos do álbum, sem perder o impacto sonoro e a agressividade. Os tons de bateria são secos e potentes, enquanto os vocais de Max Cavalera se destacam pela crueza e intensidade, criando uma atmosfera sufocante e visceral. Tudo isso se destaca em uma sonoridade que tem bastante Thrash Metal, mas que também é possível perceber aquele som groovado. O repertório é muito bom e traz muitas canções interessantes, como a esmagadora Sodomites e as atmosféricas Shamash e Mother of Dragons. Além disso, há faixas encarregadas de brutalidade, como We Sold Our Souls to Metal, Titans, Deceiver e, claro, a faixa-título, todas sensacionais. Em suma, é um ótimo disco e um dos mais interessantes dessa fase da banda.

Ritual – Soulfly 





















NOTA: 9/10


Mais alguns anos se passam, e é lançado mais um disco da banda, o ambicioso Ritual. Após o Archangel, que trouxe temas bíblicos em sua concepção, esse novo álbum marca um retorno às raízes, trazendo uma linha mais agressiva e direta em relação aos trabalhos recentes da banda, mas com um senso renovado de coesão e equilíbrio entre os elementos tribais e o Metal extremo. Além disso, a banda estava bastante renovada, com todo o apoio que a renomadíssima gravadora Nuclear Blast estava dando para eles. A produção foi conduzida pelo brilhante produtor Josh Wilbur, que trouxe um som potente e orgânico, valorizando a energia crua da banda, mas mantendo uma clareza que permite que os detalhes se destaquem. Toda a sonoridade, que inclui Thrash Metal, Groove Metal e Death Metal, é bastante pesada e densa, com uma mixagem que equilibra o peso das guitarras, a complexidade das percussões tribais e a agressividade dos vocais. Os riffs de Max e Marc Rizzo são ferozes, enquanto a bateria de Zyon Cavalera se destaca com uma pegada firme e tribal. O repertório é excelente e traz várias canções totalmente perfeitas, como a faixa-título e Dead Behind the Eyes, com a participação de Randy Blythe do Lamb of God, além das raivosas Evil Empowered e Under Rapture. A faixa instrumental também é de uma beleza sensacional, e há outras boas canções, como The Summoning e Bite The Bullet. No fim, é um disco maravilhoso e um dos melhores desde a era Nu Metal.

Totem – Soulfly 





















NOTA: 5,4/10


Chegando agora ao último lançamento do Soulfly, que foi em 2022, intitulado Totem (que, por sinal, tem uma capa linda). Após o Ritual, que foi um dos trabalhos mais esplêndidos que a banda fez desde os primeiros álbuns, algumas mudanças aconteceram na banda. Marc Rizzo, guitarrista de longa data, acabou saindo devido a vários problemas de apoio que teve durante a pandemia, e ele não foi substituído, já que começaram a utilizar guitarristas diferentes nas turnês. Esse novo álbum representa uma continuação da agressividade crua, além de explorar novas dimensões musicais e líricas. A produção foi realizada por Arthur Rizk, que também tocou guitarra nesse álbum. Ele trouxe uma sonoridade pesada, mais direta, com menos experimentações do que em trabalhos anteriores, mas com um foco intenso na agressividade e no impacto rítmico. Os vocais de Max Cavalera estão em dia, enquanto as guitarras possuem uma textura áspera, mas os riffs acabam sendo decepcionantes. Já o Zyon Cavalera, na bateria, foi bem potente, porém faltou um som mais tribal, já que o álbum é uma junção de Groove Metal com um som mais Thrasheiro. O repertório é bem mediano, apesar de ter boas músicas como Superstition, Ancestors, Spirit Animal e a maravilhosa Filth Upon Filth. No entanto, há muitas canções genéricas, como Scouring The Vile, Ecstasy Of Gods e a faixa instrumental, que é muito sem alma, sendo pior que a de Enslaved. Enfim, esse disco é bem mediano e, de certo modo, sem graça.

Inflikted – Cavalera Conspiracy





















NOTA: 8,8/10


Voltando novamente para 2008, os irmãos Cavalera retornam lançando o disco de estreia do novo projeto deles, intitulado Inflikted. Depois de anos de divergências, Max Cavalera e Igor Cavalera decidiram se reunir sob o nome Cavalera Conspiracy, um projeto que deixou muitos fãs do Metal extremo de queixo caído. A proposta do Cavalera Conspiracy era clara: trazer de volta a sinergia dos irmãos Cavalera, explorando a agressividade e a intensidade que os tornaram ícones do Metal com o Sepultura, mas agora sob um novo banner. A formação da banda também incluiu Marc Rizzo e Joe Duplantier (vocalista e guitarrista do Gojira), que tocou baixo no álbum, adicionando ainda mais peso e técnica ao som. A produção foi conduzida por Logan Mader, ex-guitarrista da banda Machine Head. A sonoridade é cheia de camadas, capturando a brutalidade do som dos irmãos Cavalera, sem perder a clareza necessária para que cada instrumento tenha seu espaço. Embora Max continuasse a trazer o Groove Metal e as influências tribais que caracterizavam o Soulfly, Igor voltou com uma pegada mais crua, evocando o poder percussivo que marcou a era clássica do Sepultura. O repertório é incrível e traz muitas canções pesadíssimas, como a sensacional faixa-título, junto com Sanctuary e Bloodbrawl, que relembram os tempos de Chaos A.D., além de Ultra-Violent e muito Hardcore Punk presente em Hex e Nevertrust. No final de tudo, é um ótimo disco de estreia que mostrou o retorno triunfal dos irmãos.

Blunt Force Trauma – Cavalera Conspiracy 





















NOTA: 8,5/10


Depois de um intervalo de três anos, chega o segundo álbum do Cavalera Conspiracy, Blunt Force Trauma. Após o sucesso do álbum de estreia, que marcou o reencontro musical dos irmãos após uma década separados, seu sucessor veio com a intenção de aprofundar a brutalidade e simplicidade sonora que o projeto prometia desde o início. Diferente do Soulfly, que mistura elementos groovados com influências tribais, o Cavalera Conspiracy foca em uma abordagem mais direta e agressiva, explorando os terrenos do Thrash Metal e Hardcore. Desta vez, Max e Igor optaram por um álbum mais direto e menos experimental, além de recrutarem o baixista de turnê Johny Chow para tocar baixo no álbum, já que Joe Duplantier estava ocupado com o próximo álbum do Gojira. A produção, novamente feita por Logan Mader, trouxe uma produção clara, mas suja o suficiente para manter a crueza e brutalidade que os Cavalera buscavam. A sonoridade do álbum é brutalmente simples: riffs diretos, rápidos e afiados, com uma bateria sólida e implacável, enquanto os vocais de Max são ainda mais viscerais e agressivos. O repertório é ótimo e tem muitas canções interessantes, como Torture e Lynch Mob, com a participação de Roger Miret do Agnostic Front, que tem aquela pegada de Hardcore Punk, além de Thrasher, que lembra muito o Slayer. Mas as canções que mais se destacam são Warlord, Killing Inside e Rasputin. Sendo assim, é um ótimo trabalho que continua muito bem o que seu antecessor fez.

Pandemonium – Cavalera Conspiracy 





















NOTA: 8/10


Mais um tempo se passa, e os irmãos Cavalera lançam mais um novo trabalho do seu projeto, o Pandemonium. Após o lançamento do Blunt Force Trauma, o Cavalera Conspiracy passou por um período de transição, com a banda explorando novas direções musicais e reestruturando seu som. Com esse novo álbum, eles decidiram trazer muito mais agressividade, refletindo a crescente raiva e frustração com o estado do mundo. As letras abordam guerra, corrupção e caos, temas comuns em seu repertório, mas que aqui parecem ainda mais brutais e diretos. Outra mudança foi o recrutamento de um novo baixista no último dia do ano de 2013, Nate Newton, da banda Converge. A produção foi novamente comandada pelo próprio Max Cavalera, e eles lançaram o álbum pelo selo Napalm Records. A sonoridade continua crua e visceral, com destaque para o som pesado e denso da banda, principalmente os riffs cortantes do Max e a bateria tribal e explosiva do Igor. Isso reflete a vontade da banda de criar um som mais próximo das raízes do Hardcore Punk e Grindcore, além de incorporar a brutalidade do Death Metal. O repertório mais uma vez é muito bom e traz várias músicas interessantes, como as frenéticas Bonzai Kamikazee e Scum, além de músicas técnicas como Insurrection e The Crucible. Entretanto, as faixas que mais se destacam são a sombria Cramunhão e a quase melódica Not Losing the Edge. Em suma, é um trabalho bem legal e bastante energético.

Psychosis – Cavalera Conspiracy 





















NOTA: 8,3/10


Em 2017, o Cavalera Conspiracy lançou seu 4º trabalho de estúdio, o Psychosis, que trouxe poucas novidades. Após o relativamente mais experimental Pandemonium, que apresentou uma abordagem mais dissonante e suja, esse novo álbum traz uma estética sonora mais direta e devastadora. Além de ter sido gravado apenas pelos irmãos Cavalera, junto com o guitarrista Marc Rizzo, o produtor também gravou o baixo desse disco. Eles trabalharam com o produtor Arthur Rizk, conhecido por seu trabalho com bandas de Metal extremo como Power Trip e Inquisition. Rizk foi responsável pela produção, mixagem e por dar um toque cru e visceral, que combinou perfeitamente com a intensidade dos irmãos Cavalera. Diferente de outras produções mais polidas que dominavam o cenário, Rizk trouxe uma sonoridade bruta e agressiva, mas ainda assim organizada. As guitarras são afiadas, os vocais de Max são apresentados de forma imponente, e a bateria de Igor se destaca como um dos elementos mais ferozes do álbum. O repertório é muito bom e traz canções carregadas de puro peso, como as groovadas Terror Tactics e Crom, e a caótica Insane, mas também músicas totalmente experimentais, como Spectral War e Excruciating, que são excelentes. No final, é um ótimo álbum deles, cheio de brutalidade e muito visceral.

Bestial Devastation – Cavalera Conspiracy 





















NOTA: 8/10


Depois de longas turnês e um intervalo de seis anos sem qualquer lançamento novo, os irmãos Cavalera retornaram com uma série de regravações dos primeiros trabalhos do Sepultura. O que aconteceu foi que, em abril de 2023, foi anunciado que Max e Igor regravaram os dois primeiros lançamentos do Sepultura, além de repaginar aquela péssima gravação, trazendo uma versão mais moderna e robusta das faixas. Esta regravação carrega o peso da experiência, sem perder a essência visceral e suja que caracterizava o som do Sepultura em seus primórdios. Enquanto o EP de 1985 tinha um som cru e não refinado, típico das gravações underground da época, esta nova versão eleva as músicas a um novo patamar em termos de clareza e impacto. A produção, novamente liderada por Arthur Rizk, mantém a brutalidade crua, mas com uma profundidade sonora que dá aos instrumentos mais peso. As guitarras de Max são afiadas e letais, com uma distorção que reverbera de forma esmagadora. A bateria de Igor, agora mais precisa e bem capturada, sendo devastadora. O repertório é praticamente o mesmo, trazendo aquelas canções completamente pesadas, só que agora com muito mais clareza, como em Antichrist, que ficou mais audível, e Necromancer, que se destacou como a melhor faixa dessa regravação. A música inédita Sexta-Feira 13 também ficou muito boa. Enfim, essa regravação do EP ficou boa, apesar de não superar o original.

Morbid Visions – Cavalera Conspiracy  





















NOTA: 8/10


Logo depois, obviamente, eles lançam a regravação do 1º álbum do Sepultura, o Morbid Visions. Como já sabemos, o disco original é marcado por uma produção crua e uma atmosfera quase primitiva, que combinava o som sombrio do Death Metal com letras satânicas e apocalípticas. Esse relançamento, sob o nome de Cavalera Conspiracy, reflete o desejo dos irmãos de honrar sua obra inicial, mas também aprimorá-la com a experiência adquirida ao longo de décadas. Os irmãos Cavalera decidiram, mais uma vez, melhorar e oferecer uma visão mais refinada e poderosa, sem perder a essência do caos e da brutalidade que definiram o trabalho original. Em termos de produção, o novo Morbid Visions foi recriado para os padrões modernos, já que a original era muito ruim e totalmente amadora, limitada pelos recursos técnicos da época. No entanto, nesta versão, a produção é mais polida e o som mais pesado e agressivo, com guitarras muito mais nítidas e bateria explosiva. Arthur Rizk conseguiu manter a integridade do álbum original, mas acabou aprimorando tudo de forma precisa. O repertório é o mesmo, e as canções que antes eram bem sem graça ganharam mais ritmo, como Mayhem e Crucifixion. No entanto, uma faixa que se destacou totalmente foi War, que ficou perfeita, e a música nova, Burn The Dead, é explosiva e cheia de riffs intensos, sendo muito boa. No fim, essa regravação ficou excelente, e eles acertaram em tudo.

Schizophrenia – Cavalera Conspiracy 





















NOTA: 8,3/10


Agora, chegando à última regravação, o Schizophrenia, lançada recentemente há quase quatro meses. Após o lançamento das duas regravações dos primeiros trabalhos do Sepultura, que fizeram relativo sucesso, eles decidiram finalizar esse projeto com o 2º álbum da antiga banda dos irmãos Cavalera. Como já sabemos, o álbum original foi lançado em 1987 e é um marco na carreira da banda, sendo o primeiro a chamar atenção mundialmente. Ele representou uma transição do estilo mais primitivo de Morbid Visions para um som mais elaborado, com influências do Thrash Metal. A produção ficou a cargo, mais uma vez, do Arthur Rizk, que trouxe aquela abordagem que mistura fidelidade à essência crua do Metal, mas com clareza e poder de fogo contemporâneos. A escolha dele como produtor foi crucial para o som renovado, já que o álbum original de 1987, embora ótimo, apresentava bastantes limitações técnicas na gravação. A regravação conta com uma sonoridade muito melhor, mas sem perder a agressividade, dando nova vida aos riffs icônicos e à bateria intensa de Igor. O repertório continua excelente, e algumas canções ficaram ainda mais técnicas, como From The Past Comes the Storms e a faixa instrumental Inquisition Symphony. Novamente, Escape to the Void e Septic Schizo ficaram ainda melhores, enquanto a música inédita Nightmares Of Delirium traz uma brutalidade impressionante. No fim, é mais uma regravação muito boa, que fechou esse ciclo do Cavalera Conspiracy.
 

                                                             Então é isso e flw!!! 

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Sepultura e Soulfly (RA: LIII)

                 

Quadra – Sepultura





















NOTA: 9,2/10


E aí chegamos ao último álbum do Sepultura, o maravilhoso Quadra, que é, novamente, um trabalho conceitual. Após o Machine Messiah, que havia mostrado um amadurecimento da banda, houve o lançamento do documentário da banda (limitado pelos irmãos Cavalera), esse novo trabalho tem esse título, que é uma referência ao termo em português. Além de trazer a ideia de divisão em quatro partes, refletindo a estrutura do álbum, com as músicas organizadas de maneira a explorar diferentes estilos que a banda desenvolveu. A produção, mais uma vez, contou com Jens Bogren, que trouxe uma sonoridade ainda mais precisa, equilibrando perfeitamente a agressividade da banda com a complexidade dos arranjos, e destacando as performances dos integrantes, principalmente Eloy Casagrande, que impressionou com sua técnica impecável na bateria, e Derrick Green, que apresenta uma performance vocal intensa e mais articulada. O repertório é excelente, que é dividido: com Thrash Metal em Isolation e Means to an End; Groove Metal em Capital Enslavement e Raging Void; Prog Metal em Guardians of Earth; e instrumental em Fear; Pain; Chaos; Suffering, com a participação da Emmily Barreto, da banda Far From Alaska. Depois disso, nossa querida banda mineira anunciou o seu fim. Logo após, Eloy Casagrande foi para o Slipknot, e o Sepultura continua realizando sua turnê de despedida. Enfim, esse último trabalho da banda é maravilhoso e tem tudo para se tornar um clássico com o passar do tempo.

Soulfly – Soulfly 





















NOTA: 9/10


Logo após sua saída do Sepultura, Max Cavalera lançou o álbum de estreia de seu novo projeto, autointitulado Soulfly. Depois de deixar o Sepultura após desentendimentos com os outros membros, principalmente envolvendo a gestão da banda. A morte de seu enteado, Dana Wells, também teve um impacto profundo na separação. Com isso, ele quis seguir um caminho mais experimental, explorando novos estilos e incluindo influências tribais e espirituais. Para integrar a banda, Max chamou o guitarrista Lúcio Maia, do Nação Zumbi, o baixista Cello Dias e o baterista Roy Mayorga. Com tudo pronto, partiram para a gravação. A produção ficou a cargo de Ross Robinson, que havia recém-produzido Roots, do Sepultura. Ele trouxe uma sonoridade crua e visceral, destacando a intensidade emocional do Max Cavalera, além de criar uma parede sonora sólida. O uso de elementos percussivos tribais, instrumentos exóticos como o berimbau, e influências do Metal industrial e hip hop, sendo muito diversificado tudo isso juntado com o Nu Metal. O repertório é espetacular, com muitas canções pesadíssimas como Eye for an Eye, Tribe, Fire, Bleed (com a participação do Fred Durst), e as temáticas Quilombo e Bumba, além de outras canções boas como No Hope = No Fear, o ótimo cover de Umbabarauma, de Jorge Ben, e a faixa instrumental Karmageddon, que contém a faixa oculta Sultão das Matas. No final, esse disco é maravilhoso, sendo uma ótima estreia desse projeto promissor.

Primitive – Soulfly 





















NOTA: 9,2/10


No começo dos anos 2000, o Soulfly lança seu 2º trabalho, o ainda mais tribal Primitive. Após o álbum de estreia, Max Cavalera havia conquistado uma nova legião de fãs, consolidando sua carreira pós-Sepultura. A expectativa para o segundo álbum era alta, pois ele havia explorado temas de espiritualidade, dor pessoal e fusões tribais que começaram a definir sua estética. Após gravar o primeiro álbum, Jackson Bandeira retornou ao Brasil com o Nação Zumbi e foi substituído por Logan Mader, do Machine Head, para a turnê. Depois disso, chamaram Mikey Doling, que era do Snot. A abordagem de Max de mesclar o Metal pesado com elementos da cultura indígena brasileira e ritmos africanos trouxe muita originalidade. A produção ficou com Toby Wright, que trouxe uma sonoridade polida, mas ainda manteve a crueza visceral daquela era do Nu Metal. Os ritmos tribais, percussões variadas e a mistura de guitarras pesadas com efeitos sonoros mais atmosféricos são cuidadosamente integrados, dando uma identidade única. O repertório é maravilhoso e cheio de canções incríveis como Back to the Primitive, Pain, com a participação de Chino Moreno e Grady Avenell, as temáticas Mulambo e Flyhigh, e a clássica Jumpdafuckup com Corey Taylor, que é totalmente brutal, além de outras músicas boas como Son Song, com a participação do filho de John Lennon, Sean Lennon, e The Prophet. No fim, é um disco sensacional e que traz uma evolução em comparação à estreia.

3 – Soulfly





















NOTA: 8,3/10


Mais dois anos se passam, e a banda lança seu 3º álbum de estúdio, intitulado 3 (simples, mas com um motivo). Após o Primitive, que contou com uma variedade de convidados e explorou diversas texturas musicais, Max Cavalera decidiu voltar a um som mais concentrado em sua própria visão musical. A arte do álbum apresenta um Om, um ícone espiritual nas religiões indianas. O título original seria o da primeira faixa do disco, e Max declarou mais tarde que se arrependeu de ter mudado o nome. O álbum tem menos colaborações e foca mais no desenvolvimento do som do Soulfly em um formato mais direto e linear. O álbum foi gravado em Phoenix, Arizona, onde ele se estabeleceu após deixar o Brasil. O próprio Max Cavalera produziu esse álbum com a ajuda do renomadíssimo Terry Date. Com isso, a sonoridade ficou mais nítida e menos sobrecarregada em comparação com os álbuns anteriores, continuando a ser Nu Metal, mas indo para um lado quase de Groove Metal. Há uma maior ênfase nas guitarras, que soam mais limpas, embora ainda pesadas, e uma abordagem rítmica mais focada. O repertório é muito legal, começando com a ótima Downstroy, e logo depois vêm canções sensacionais como Seek ‘N’ Strike, Enterfaith e L.O.T.M., além de outras muito boas como One, Brasil, Tree of Pain e os belos covers de One Nation, do Sacred Reich, e Sangue de Bairro, do Chico Science & Nação Zumbi. Enfim, é um ótimo trabalho do Soulfly, que mostrava um afastamento das tendências da época.

Prophecy – Soulfly 





















NOTA: 8/10


O tempo passou, e o Soulfly retornou totalmente diferente com seu novo trabalho, o Prophecy. Após o terceiro álbum, que trouxe um lado mais introspectivo e espiritual, a banda passou por uma grande mudança em sua formação: Cello Dias foi demitido, e Roy Mayorga e Mikey Doling deixaram a banda em protesto, deixando Max sozinho. No entanto, ele logo trouxe de volta Joe Nunez na bateria e recrutou o baixista Bobby Burns, do Primer 55, e o guitarrista Marc Rizzo, do Ill Niño. Além de contar, com a colaboração do ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, que contribuiu em algumas faixas. Este álbum é uma continuação da busca de Max Cavalera por novas influências musicais e espirituais, e ele viajou para a Sérvia e outros países do Leste Europeu, cujas culturas o influenciaram bastante. Novamente, Max produziu o disco, com o intuito de mesclar as influências globais que buscava. O álbum tem uma qualidade sonora poderosa e uma produção polida, mas sem perder a crueza característica da banda, e tudo isso inclui um mix de Groove Metal, Thrash Metal, Death Metal, world music e um pouco de Nu Metal, tudo se misturando. Já o repertório é muito bom, contendo muitas músicas interessantes, como Living Sacrifice, Defeat U e Moses, com a participação da banda Eyesburn, mas as que mais se destacam são as groovadas Mars, In the Meantime e a faixa-título, além da explosiva Porrada. No final de tudo, é um ótimo disco, que teve uma boa concepção.

Dark Ages – Soulfly 





















NOTA: 8,5/10


No ano seguinte, a banda lança seu 5º álbum de estúdio, o Dark Ages, que trazia uma pegada bem diferente. Após o Prophecy, Max Cavalera passou por mais uma tragédia pessoal, a morte de seu neto de oito meses e também a morte trágica de seu amigo Dimebag Darrell, além da crescente insatisfação com o cenário político global pós-11 de setembro. O álbum marca uma mudança significativa em relação aos trabalhos anteriores, que apresentavam uma forte fusão de Nu Metal e influências tribais. Esse novo trabalho retorna a uma abordagem mais crua e pesada, conectando-se com o Max dos tempos do Sepultura. A produção foi, mais uma vez, feita por ele mesmo, com ajuda de Terry Date, e traz uma variedade de influências sonoras e contextos políticos, culturais e emocionais, resultando em um som visceral, quase caótico. Com uma sonoridade totalmente bruta e agressiva, trazendo aquele lado de Thrash Metal com Death Metal, guitarras afiadas, vocais intensos e uma bateria poderosa, o álbum oferece um contraste às produções mais polidas dos discos anteriores. O repertório é muito bom, com muitas canções interessantes, como I and I, Molotov, que tem letras com várias línguas diferentes, e Riotstarter, que novamente conta com a presença de Dave Ellefson. No entanto, as canções que mais se destacam são Babylon, Carved Inside, Arise Again, Bleak e Fuel the Hate. No fim, é um trabalho muito legal da banda, apesar de todo o clima sombrio que esteve presente.

Conquer – Soulfly 





















NOTA: 8/10


Três anos se passam, e eles lançam mais um trabalho novo, o Conquer, que desta vez não chega a ser tão obscuro como seu antecessor. Depois do lançamento do Dark Ages, Max Cavalera acabou ficando mais combativo e renovado, ainda mais imerso no universo do Metal moderno. Afinal, eles já tinham se estabelecido no cenário por misturar diferentes estilos musicais, desde influências tribais até world music. Mas esse novo trabalho vem em um momento em que Max havia recuperado o contato com seu irmão Igor Cavalera, culminando na reunião de ambos no projeto Cavalera Conspiracy (que depois eu falo dele). Essa energia e reconexão com suas raízes musicais mais extremas transparecem fortemente em toda a concepção do álbum. A produção foi praticamente a mesma, trazendo uma sonoridade suja e muito agressiva, com um peso extra nos riffs de guitarra profundos e uma bateria poderosa. Marc Rizzo ganha destaque, trazendo solos afiados e complexos, enquanto a bateria de Joe Nunez é rápida e implacável. O repertório é muito bom, com muitas canções explosivas, como as sensacionais Blood Fire War Hate, Enemy Ghost e Doom. Além disso, há outras músicas muito boas, como Unleash, com a participação do Dave Peters do Throwdown, Warmaggeddon, e as atmosféricas For Those About to Rot e Touching the Void. Enfim, esse álbum é muito bom, sendo um dos mais agressivos da banda.

Omen – Soulfly 





















NOTA: 8,6/10


Pouco tempo depois, é lançado o 7º álbum da banda, o Omen, que trazia uma pegada mais orgânica. Após o Conquer, que marcou o retorno do Soulfly às suas influências mais brutais, eles decidiram continuar nessa mesma linha, trazendo um som mais direto, sem muita experimentação. Nesse período, Max estava profundamente envolvido em vários projetos paralelos, como Cavalera Conspiracy, mas o Soulfly continuava sendo o coração de sua expressão musical, demonstrando que ele ainda tinha muito a dizer sobre temas como guerra, política e resistência pessoal. Esse trabalho, além de ser produzido por Max Cavalera, também contou com a presença de Logan Mader. Eles trouxeram, mais uma vez, aquela sonoridade totalmente crua, sem sofisticação, sendo deliberadamente menos polida, com guitarras de afinação baixa, batidas pesadas e uma mistura de Thrash, Groove e Death Metal compondo as influências, com solos afiados de Marc Rizzo e uma bateria enérgica de Joe Nunez. O repertório é muito bom e traz muitas canções curiosas, como as violentas Bloodbath & Beyond, Counter Sabotage e Jeffrey Dahmer, que é totalmente sombria, relembrando o infame serial killer, mas as melhores faixas são Rise of the Fallen, Great Depression, Off with Their Heads e a bela faixa instrumental com o título da banda, que é tradição em todos os álbuns deles, só que, diferente das outras, essa foi a melhor. No fim, é um álbum muito legal, apesar de não ter o merecido reconhecimento.

Enslaved – Soulfly  





















NOTA: 2/10


Dois anos se passam, e o Soulfly retorna com mais um trabalho novo, o Enslaved, que trazia várias mudanças. Após o Omen, que trouxe um tom brutal e sombrio, a banda passa por mais uma mudança em sua formação: Bobby Burns acabou saindo, e em seu lugar entrou Tony Campos (ex-Static-X). Logo depois, Joe Nunez foi demitido, e David Kinkade (ex-Borknagar) assumiu a bateria, ambos trazendo uma nova energia e peso à banda. A temática do álbum abordava vários temas que iam muito além da escravidão física, mas também a escravidão mental, emocional e espiritual. A produção foi feita por Christopher Harris, mais conhecido como Zeuss (que já trabalhou com Hatebreed, Shadows Fall e Rob Zombie), uma escolha no mínimo ambiciosa. O trabalho da produção em si até que é bom, destacando os riffs pesados e as camadas de percussão. A sonoridade é muito alinhada ao Death Metal, mas ficou uma confusão, já que eles misturaram Groove Metal e influências tribais de uma forma totalmente mal executada. Kinkade pareceu descoordenado, enquanto Tony Campos tentou salvar de todas as maneiras possíveis. O repertório é muito ruim, trazendo músicas péssimas como Resistance, Legions e Revengeance (que conta com a família Cavalera inteira, mas não deu certo). O mesmo vale para Redemption of Man by God, com Dez Fafara do Coal Chamber. As únicas canções boas são Gladiator e Plata o Plomo. No final, é um disco bem ruim, que precisava ter sido melhor trabalhado.

Savages – Soulfly 





















NOTA: 8,7/10


Indo agora para Savages, que trouxe poucas mudanças e mostrou o Soulfly correndo atrás do prejuízo. Após o inexpressivo Enslaved, que trouxe uma sonoridade o mais próxima possível do Death Metal, Max Cavalera decidiu adotar uma abordagem mais groovada e acessível. Além disso, David Kinkade decidiu se aposentar, e em seu lugar entrou Zyon Cavalera, filho de Max, tornando-se o baterista oficial da banda, o que fez o Soulfly ganhar uma dimensão ainda mais familiar. O álbum explora a natureza destrutiva da humanidade e a selvageria que existe tanto em conflitos globais quanto nas relações pessoais. A produção ficou a cargo do Terry Date, que trouxe uma pegada mais refinada e polida ao som da banda, sem sacrificar a agressividade. A sonoridade é poderosa, com muito Groove Metal e riffs encorpados. Zyon Cavalera, apesar de jovem, se destaca na bateria, trazendo energia e uma boa química com o restante da banda. Max Cavalera também se mantém como o pilar da banda, com vocais guturais poderosos e letras que combinam crítica social e introspecção emocional. Novamente, o repertório ficou muito legal, trazendo faixas interessantes como as iniciais Bloodshed, Cannibal Holocaust, Fallen e a curiosa El Comegente, que fala sobre Dorángel Vargas, um serial killer venezuelano. Mas as melhores canções são Ayatollah of Rock 'N' Rolla, Master of Savagery e a brutal This Is Violence. No final de tudo, é um baita disco, e desta vez foi bem planejado.
 

                                                          Por hoje é só, então flw!!! 

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