Mostrando postagens com marcador Lô Borges. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lô Borges. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de junho de 2026

Review: A Estrada do Lô Borges

                     

A Estrada – Lô Borges





















NOTA: 8/10


Alguns dias atrás, foi lançado um álbum póstumo do Lô Borges intitulado A Estrada. Após o Tobogã, o cantor estava relativamente tranquilo, conseguindo fazer suas turnês, só que, no fim de 2025, ele acabou sendo internado e, infelizmente, faleceu vítima de intoxicação medicamentosa. Esse álbum já estava pronto, construído a partir de gravações feitas antes de sua morte, sendo uma espécie de colaboração com seu irmão, Márcio Borges, que assina a maioria das letras. Produção, feita por Henrique Matheus e Thiago Corrêa, preserva um clima orgânico, com arranjos que priorizam violões, pianos suaves, camadas discretas de percussão e atmosferas contemplativas, contendo elementos da MPB, do Folk contemporâneo e do Pop psicodélico. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e intimistas. Enfim, é um ótimo disco e bastante digno. 

Melhores Faixas: Um Velho Sentado Na Beira Da Estrada, Encruzilhadas 
Vale a Pena Ouvir: Campo Alegre Km 500 Mil, Pousada, Chegada


quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Lô Borges: Do Clube da Esquina à Eternidade

O cantor e compositor mineiro faleceu neste domingo (dia 2), aos 73 anos, após permanecer internado em Belo Horizonte.



 Foto: (Pedro David)

A perda do Lô Borges pegou a todos de surpresa, já que, até recentemente, ele continuava trabalhando em material novo e fazendo seus shows regularmente. Sua internação, que durou mais de 10 dias, acabou resultando na partida do cantor aos 73 anos, vítima de uma intoxicação por medicamentos. Mas, apesar dessa perda dolorosa — que certamente deixa um buraco gigantesco na música brasileira — isso não apaga os méritos e o legado monumental que ele construiu ao longo de sua carreira.

Lô — ou melhor, Salomão, seu nome de nascimento — era um garoto sonhador que, em determinado dia, viu um jovem de 20 anos com um violão nas mãos, cantando com uma voz angelical e hipnotizante, capaz de fazê-lo permanecer ali, paralisado diante daquela apresentação quase VIP. Quem era esse jovem? Nada menos que o Bituca — ou melhor, Milton Nascimento. Dali nasceu um vínculo profundo de amizade.

Foi nas esquinas das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, que os dois, ao lado de outros jovens, transformaram simples encontros musicais em algo imenso. Ali, o amor pela música transcendeu qualquer limite, e essas reuniões, com o tempo, deram origem a um dos maiores movimentos musicais do Brasil, senão do mundo: o Clube da Esquina.



Foto: (Perfil Oficial do Lô Borges no Instagram)

E foi ali, naquelas ruas empoeiradas de Belo Horizonte — que à época começava a receber um grande fluxo de novos moradores, em meio ao período conturbado da Ditadura — que o mundo foi agraciado com uma das maiores obras-primas da música brasileira: o disco Clube da Esquina (1972). Um álbum icônico que trazia na capa dois garotos da região serrana do Rio de Janeiro (e que muitos acreditavam ser Milton e Lô quando crianças), representando perfeitamente a atmosfera de descoberta e afeto daquela geração.

Logo depois, quando Lô começou a despontar em carreira solo, surgiu com seu álbum autointitulado — o famoso Disco do Tênis — trazendo na capa os tênis gastos e empoeirados que ele realmente usava. Era um símbolo de liberdade. Sua poesia não se encaixava no molde mais acessível da época, pois era despojada e cheia de rusticidade, mas ao mesmo tempo trazia um recado profundo que seria compreendido com o tempo.

Com um estilo que misturava Folk, o encantamento melódico dos Beatles, influências mineiras e Rock psicodélico, Lô criou um verdadeiro caldeirão sonoro, desafiando as regras de tonalidade predominantes. Não havia ganchos fáceis: tudo era rústico, ousado, e deixava claro o gesto artístico de romper fronteiras.

Essa força criativa continuou a se refletir em seus trabalhos seguintes — também clássicos — como A Via-Láctea (1979) e Nuvem Cigana (1982). E mesmo quando chegaram os anos 80, um momento em que a música brasileira passou por forte pasteurização, com muitos artistas da MPB se tornando reféns de um novo direcionamento da indústria, Lô seguiu um caminho próprio. Sem grandes números de vendas, mas com firmeza artística, continuou se aperfeiçoando e fazendo um som que refletia sua verdadeira personalidade.



Foto: (Fernando Quevedo)

E até recentemente ele mostrava que sua ousadia parecia infinita. Nesses últimos seis anos, lançou discos de forma anual, todos eles reforçando suas qualidades — que, apesar da simplicidade aparente, revelavam uma enorme bagagem musical que certamente não caberia em uma mala. E tudo isso se reflete em artistas mais novos que cresceram ouvindo suas músicas e que passaram a enxergá-lo como uma grande influência para suas carreiras, indo desde Samuel Rosa, Nando Reis, Djonga e Tim Bernardes.

Inclusive, o Alex Turner, do Arctic Monkeys, teve influência do Lô Borges ao compor o álbum de 2018 da banda: Tranquility Base Hotel & Casino. Isso aconteceu após ele se encantar e mergulhar em um disco que realmente traduzia aquilo que eu disse antes: a liberdade de criar algo que desafiava os padrões impostos pela mídia.

Portanto, o que ele construiu, mesmo estando longe dos holofotes na maior parte da carreira, fez dele um artista místico, carregado de autenticidade. Seu legado permanece e continuará sendo reverenciado nos próximos anos, jamais sendo esquecido pelos entusiastas da nossa cultura. Tanto que tudo isso já se reflete nas homenagens que aconteceram nas ruas que marcaram o início de toda a sua caminhada.



Foto (via X/Twitter)

Em suma, o que posso dizer é que Salomão Borges Filho — o eterno Lô Borges — deixou uma obra que jamais será esquecida e que mostra o quanto ele foi gigante para a música brasileira.

 

sexta-feira, 7 de março de 2025

Analisando Discografias - Lô Borges: Parte 2

                 

Horizonte Vertical – Lô Borges





















NOTA: 6/10


Passado um tempo, em 2011, Lô Borges lançou outro disco, o Horizonte Vertical, que seguiu uma proposta mais intimista. Após o Harmonia, o cantor continuou vivendo uma fase prolífica, compondo cerca de 60 canções nos últimos oito anos, impulsionado pelo nascimento de seu filho, Luca, e pelo desejo de se conectar com novas gerações. A produção foi conduzida novamente por Lô junto com Barral, resultando em uma sonoridade minimalista, mais acústica e com maior foco nos teclados, além da tradicional leveza da MPB misturada ao Pop Rock. No entanto, o álbum deixou lacunas nas melodias e apresentou um repertório mediano, com canções interessantes, mas também algumas irregulares. Além disso, conta com as participações de Milton Nascimento, Samuel Rosa e Fernanda Takai, que são até boas. Mas enfim, esse disco é bem mediano e que poderia ser melhor planejado. 

Melhores Faixas: Nenhum Segredo, Antes Do Sol, Você E Eu 
Piores Faixas: On Venus, Horizonte Vertical, Mantra Bituca

Rio Da Lua – Lô Borges





















NOTA: 8,7/10


Então, se passaram oito anos, Lô Borges lança seu 11º álbum de estúdio, o Rio da Lua. Após o Horizonte Vertical, o cantor passou a focar mais em seus shows até que surgiu a vontade de lançar um álbum, mas com a ajuda de seu amigo Nelson Angelo, com quem havia recém-reatado a amizade depois de uma treta por causa de uma mulher (espera, já vi isso em algum lugar). O processo de criação foi inovador para Lô, que pela primeira vez musicou letras previamente escritas, enviadas por Nelson através de mensagens digitais. A produção, feita pelo próprio cantor, trouxe aquela sonoridade dos tempos de Clube da Esquina, mesclando influências do Pop e da MPB. Além disso, a banda que acompanha Lô nas gravações é composta por músicos que o têm acompanhado nos últimos dez anos. O repertório é bem legal, com canções melódicas e introspectivas muito bem trabalhadas. No fim, é um belo disco, carregado de profundidade. 

Melhores Faixas: Em Outras Canções, No Caminho 
Vale a Pena Ouvir: Rio Da Lua, Flecha Certeira, Profeta

Dínamo – Lô Borges





















NOTA: 5,8/10


No ano seguinte, Lô Borges lançou mais um disco, intitulado Dínamo, e daqui para frente é assim: toda hora é disco anual. Após o Rio da Lua, em meio à divulgação desse álbum, ele começou a receber letras de Makely Ka via mensagens de texto, iniciando um novo processo colaborativo. Makely, natural do Piauí e residente em Belo Horizonte, trouxe uma perspectiva poética que ressoou com a musicalidade do cantor. A produção foi feita, como sempre, por ele mesmo, resultando em uma sonoridade ainda mais intimista e acústica, com uma abordagem que remete ao seu início de carreira e incorpora influências do Folk Contemporâneo e Pop Rock. No entanto, muita coisa acabou soando vazia e com baixíssima coesão rítmica. O repertório é irregular, com algumas boas canções e outras que ficaram sem emoção, deixando a lírica poética enfraquecida. Enfim, esse trabalho ficou mediano e muito atrás de seu antecessor. 

Melhores Faixas: O Mundo Gira Sobre Si, Dínamo (participação do Samuel Rosa), Refúgio
Piores Faixas: Lava Do Vesúvio, Quantos Janeiros, O Caos Da Cidade

Muito Além Do Fim – Lô Borges





















NOTA: 3/10


Outro ano se passou, e ele retorna lançando mais um álbum, o Muito Além do Fim, que teve muitos erros. Após o lançamento do Dínamo, Lô Borges continuou sua jornada criativa durante a pandemia, compondo novas canções. Dessa vez, decidiu colaborar com seu irmão Márcio Borges, com quem não trabalhava desde 2011, na época do Horizonte Vertical. A expectativa deles até que estava alta, e foram para o estúdio. A produção, como sempre, ficou a cargo do próprio cantor, que apostou em uma sonoridade mais próxima do Pop Rock dos anos 80, influenciada também pelo timbre dos instrumentos de sua banda de apoio. No entanto, a mixagem apresenta problemas evidentes, com o baixo ofuscando a guitarra ou a bateria se sobrepondo à voz do Lô, um erro completamente bobo. O repertório até parece promissor, mas as canções são fracas, com poucos momentos de brilho. No fim, é um trabalho muito ruim e completamente inexpressivo. 

Melhores Faixas: Muito Além Do Fim, Piano Cigano, Caos 
Piores Faixas: Copo Cheio, Rainha, Terra De Gado, Canções Da Primavera

Chama Viva – Lô Borges





















NOTA: 8/10


Em 2022, ele retorna lançando outro disco, o Chama Viva, que trouxe coisas interessantes. Após o fraquíssimo Muito Além do Fim, o cantor seguiu com seu processo criativo e decidiu trabalhar, desta vez, com Patricia Maës, que também havia colaborado com ele em Horizonte Vertical e trouxe temas poéticos mais platônicos. A produção foi aquela de sempre, mas agora com mais influências da MPB e do Folk Contemporâneo, resultando em uma sonoridade mais profunda e envolvente, que tornou a sofisticação dos arranjos totalmente coesa. Desta vez, a mixagem não teve erros; tudo ficou bem controlado, com os andamentos de cada instrumento no tempo certo. O repertório é muito legal, com canções introspectivas, mas que seguem uma boa lírica e criam um clima de leveza, além das ótimas participações. Em suma, é um ótimo disco, com muitos acertos. 

Melhores Faixas: Outro Verão, Ascender 
Vale a Pena Ouvir: Fica No Ar (participação do Paulinho Moska), Veleiro (participação do Milton Nascimento), No Colar

Não Me Espere Na Estação – Lô Borges





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, é lançado Não Me Espere na Estação, seu 15º álbum de estúdio, que segue uma vibe intimista. Após o Chama Viva, Lô Borges continuou seu processo criativo imparável. Ele até afirmou depois que, mesmo aos 70 anos, não consegue parar de compor (meio que tudo o que ele não fez nos anos 80, está fazendo agora). Dessa vez, ele fez uma parceria com César Mauricio, que também já havia colaborado com o cantor nos álbuns dos anos 2000. Produzido, como sempre, por ele mesmo, o disco traz uma sonoridade completamente voltada ao Pop Rock, com toques de Blues, resultando em um trabalho bem encadeado e com grande foco nos temas poéticos. Isso se reflete em um repertório muito bom, com canções cheias de profundidade e questionamentos sociais. No fim, é um ótimo álbum, e que é completamente consistente. 

Melhores Faixas: Brilho Do Entardecer, Retina 
Vale a Pena Ouvir: Constelação, Invente-Me Outra Vez, Por Onde

Tobogã – Lô Borges





















NOTA: 9/10


Até que chegamos no último lançamento até o momento do Lô Borges, intitulado Tobogã. Após o Não Me Espere na Estação, o cantor continuou em seu processo criativo, além de fazer vários shows com seu amigo Beto Guedes. Para esse projeto, ele decidiu chamar a médica e poetisa Manuela Costa, que já havia colaborado anteriormente. A produção, como sempre, foi feita pelo próprio Lô e trouxe uma sonoridade mais minimalista e leve, indo para uma abordagem mais tradicional da MPB, com poucos traços de Pop Rock, o que fez lembrar os tempos de seu disco de estreia, mas sem a pegada psicodélica que ele tinha. Aqui, a sonoridade é mais polida e sem exageros. Isso se reflete em um repertório muito bom, com canções melódicas e com um contexto profundo e reflexivo, o que agregou ainda mais, até mesmo nas duas faixas com a participação de Fernanda Takai. No final de tudo, é um baita disco e um dos mais profundos de sua carreira. 

Melhores Faixas: Esqueça Tudo, Na Curva De Um Rio, Minas e Marte, Amor Real (participação da Fernanda Takai) 
Vale a Pena Ouvir: Poema Secreto, Vou Ventando Pra Você, Teia

    Então um abraço e flw!!!         

quinta-feira, 6 de março de 2025

Analisando Discografias - Lô Borges: Parte 1

                 

Lô Borges – Lô Borges





















NOTA: 9,8/10


Ainda naquele ano de 1972, Lô Borges lançou seu álbum de estreia autointitulado, mais conhecido como Disco do Tênis. Enquanto ainda gravava Clube da Esquina com Milton Nascimento, a gravadora Odeon o chamou para gravar seu disco solo, mas em um curto espaço de tempo. A produção foi feita por Milton Miranda, com o auxílio de Milton Nascimento e Márcio Borges. Tudo foi bem improvisado: Lô compunha as músicas pela manhã, seu irmão Márcio escrevia as letras à tarde e, à noite, as canções eram apresentadas aos músicos para gravação. O resultado foi uma sonoridade com influências que vão do Rock psicodélico e Baião ao Folk e até mesmo um toque de Tropicália, refletindo a urgência e a experimentação do período. O repertório é fantástico, com canções muito melódicas e cheias de profundidade. No fim, é um baita disco de estreia, mas, infelizmente, um fiasco comercial. 

Melhores Faixas: Canção Postal, Eu Sou Como Você É, Calibre, Não Foi Nada, O Caçador
Vale a Pena Ouvir: Não Se Apague Esta Noite, Você Fica Melhor Assim, Toda Essa Água

A Via-Láctea – Lô Borges





















NOTA: 9,8/10


Sete anos se passaram, e Lô Borges lançou seu 2º álbum de estúdio, A Via-Láctea. Após o famosíssimo Disco do Tênis, o cantor acabou decidindo meio que abandonar sua carreira e virou hippie depois de algumas loucas viagens por Porto Alegre e pelo interior da Bahia. Mais tarde, voltou para BH, onde colaborou na concepção do Clube da Esquina 2, até que surgiu a oportunidade de lançar mais um trabalho. Produzido por Mariozinho Rocha, o disco trouxe uma sonoridade mais envolvente e, dessa vez, não bebeu tanto das influências psicodélicas do seu antecessor. Em vez disso, enveredou por um clima mais introspectivo da MPB, mesclado ao Pop progressivo e barroco, resultando em um trabalho coeso. O repertório é sensacional, com canções bem encadeadas e repletas de melodia. No fim, é um belo disco, que chega a ficar bem próximo de sua estreia. 

Melhores Faixas: Vento De Maio, Chuva na Montanha, A Via-Láctea, Olha O Bicho Livre 
Vale a Pena Ouvir: Nau Sem Rumo, Tudo Que Você Podia Ser, Sempre-Viva

Nuvem Cigana – Lô Borges





















NOTA: 8,8/10


Três anos se passaram, e Lô Borges lançou seu 3º álbum, o Nuvem Cigana, que seguiu um caminho diferente. Após A Via-Láctea, o cantor acabou focando em outros projetos, como o álbum Os Borges (que reuniu praticamente toda a família Borges em um só disco). Graças a isso, somado às inspirações dos últimos lançamentos de Milton Nascimento, ele decidiu gravar algo mais experimental. Produzido por Renato Corrêa, o disco mescla arranjos típicos dos anos 80 com a sonoridade que Lô havia explorado anteriormente, resultando em um trabalho típico da MPB da época, com influências progressivas e grande ênfase no Jazz Fusion. Isso se reflete nas linhas vocais mais expressivas de Lô Borges. Com um repertório muito interessante, com canções que trazem uma vibe tropical e atmosférica, tudo bem cadenciado. No fim, é um disco muito bom, que revelou um lado mais temático do artista. 

Melhores Faixas: Vida Nova, Ritatá 
Vale a Pena Ouvir: Nuvem Cigana, Viver, Viver, Todo Prazer

Sonho Real – Lô Borges





















NOTA: 8,7/10


Outros dois anos se passaram, e Lô Borges lançou mais um disco, o Sonho Real, que seguiu um caminho completamente diferente. Após o Nuvem Cigana, Lô estava mais intimista e não estava compondo muito. Além disso, com a chegada da cena do Rock no Brasil, ele decidiu fazer um trabalho totalmente underground, o que não agradou o pessoal da gravadora. A produção, conduzida por Marco Mazzola, buscou mesclar elementos tradicionais da MPB com influências contemporâneas da década, mas incorporando também técnicas do Pop progressivo e do Yacht Rock, resultando em arranjos sofisticados e melodias cativantes, algo totalmente fora do que a grande mídia proporcionava. O repertório é muito interessante, com canções repletas de paisagens sonoras e harmonias sentimentais. Enfim, é um ótimo disco, que vale a pena ser apreciado. 

Melhores Faixas: Um Raio De Sol, Vagas Estrelas 
Vale a Pena Ouvir: Você Fica Melhor Assim, Nenhum Mistério, Tempestade

Meu Filme – Lô Borges





















NOTA: 4/10


Depois disso, passaram-se 12 anos, e Lô Borges, já enfrentando a famosa crise da meia-idade, lançou Meu Filme. Após o Sonho Real, o cantor acabou sumindo da mídia, focando mais em fazer alguns shows e compondo de forma livre, até que decidiu enfim gravar um material novo, recebendo uma nova chance da gravadora EMI. Produzido por Chico Neves, o disco traz uma sonoridade bem íntima e cheia de leveza, até porque, basicamente, o álbum é composto, em sua maioria, por Lô cantando com arranjos totalmente acústicos. No entanto, apesar de ser uma proposta interessante, muitas vezes as músicas se tornam arrastadas e carecem de coesão rítmica. Isso se reflete em um repertório fraco, com canções genéricas e sem emoção, restando poucas faixas realmente boas. Em suma, é um trabalho decepcionante, que teve uma longa espera, mas não resultou em algo à altura de seu talento. 

Melhores Faixas: Te Ver, Blue Girl, Vertigem 
Piores Faixas: Alô, Sem Não, Solto No Mundo, A Cara Do Sol

Feira Moderna – Lô Borges





















NOTA: 5/10


Passou-se mais um tempo, e Lô Borges voltou lançando mais um álbum, o Feira Moderna, que, no entanto, não trouxe quase nenhuma novidade. Após o Meu Filme, o cantor ficou mais uma vez longe dos holofotes, até que, ao ouvir uma versão acústica da faixa-título feita pelos Paralamas do Sucesso no Acústico MTV de 1999, decidiu fazer um trabalho repaginando canções antigas. A produção, feita por Marcelo Sussekind e pelo próprio Lô, trouxe uma sonoridade bem mais moderna, com influências diretas do Pop Rock e da MPB, deixando tudo de forma mais orgânica. No entanto, muitas das escolhas acabaram descaracterizando as músicas, e a mixagem ficou abafada. Isso resultou em um repertório irregular, com algumas reinterpretações interessantes e outras problemáticas. No final de tudo, é um trabalho mediano, que parece ter sido feito às pressas só para ganhar uns trocados. 

Melhores Faixas: Fé Cega Faca Amolada, Trem De Doido, O Trem Azul, Ela 
Piores Faixas: A Página Do Relâmpago Elétrico, Vento De Maio, Nuvem Cigana

Um Dia e Maio – Lô Borges





















NOTA: 7,9/10


Dois anos se passaram, e Lô Borges retornou lançando mais um disco, o Um Dia e Maio, que trouxe alguns acertos. Após o Feira Moderna, Lô ganhou novamente atenção ao participar da música Dois Rios, do Skank, junto com Nando Reis. Isso o motivou a lançar um material inédito, agora mais preparado para seguir caminhos totalmente diferentes. Produzido pelo próprio cantor e por Capitão Antônio, o álbum apresenta arranjos que mesclam o estilo característico do Clube da Esquina com influências contemporâneas, combinando elementos da MPB com o Pop Rock, resultando em uma sonoridade coesa e com um ótimo ritmo, apesar de Lô apresentar algumas imprecisões vocais em certos momentos. O repertório é interessante, com canções muito boas, mesmo que algumas sejam mais fracas, mas ainda assim mantendo consistência. Enfim, é um disco bacana que acertou em vários aspectos. 

Melhores Faixas: Qualquer Lugar, Sonho Novo, Um Dia E Meio, Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor 
Piores Faixas: Por Que Não?, Chega Pra Ficar

Bhanda – Lô Borges





















NOTA: 8/10


Mais um tempo se passou, e, em 2006, Lô Borges lançou outro disco, o Bhanda, que trouxe novidades. Após o Um Dia e Maio, ele decidiu focar em fazer algo mais consistente, com maior ênfase no Rock. Para isso, pegou tudo que deu certo em seus primeiros discos e reformulou de uma maneira mais contemporânea, sem contar a capa, totalmente abstrata. A produção, feita pelo próprio cantor junto com o produtor Barral, resultou em uma sonoridade absurdamente experimental. Em muitas faixas, é possível perceber arranjos com forte clima ambiental, além de influências marcantes do Pink Floyd da fase psicodélica. No entanto, nada aqui é excessivamente longo ou arrastado; tudo mantém um nível de consistência dentro da linha do Pop Rock. O repertório é muito interessante, com canções belíssimas e uma ótima conjunção harmônica. Mas enfim, é mais um disco legal e cheio de acertos. 

Melhores Faixas: Nossa Mágica, Trem das Coisas 
Vale a Pena Ouvir: Carnaval de Cor, Universo Paralelo, Segundas Mornas Intenções, O Som das Estrelas

Harmonia – Lô Borges





















NOTA: 8,3/10


No ano seguinte, Lô Borges lançou outro disco, o Harmonia, que seguiu um caminho mais padronizado e até ambicioso. Após o Bhanda, ele continuou escrevendo novas músicas e se fortalecendo com seus shows, além de manter seu vínculo com Milton Nascimento. Aos poucos, seu reconhecimento estava sendo recuperado. A produção foi praticamente a mesma, mas, desta vez, com um foco maior no Pop Rock, deixando de lado as influências psicodélicas e optando por algo sem grandes experimentações ou passagens sonoras complexas. Aqui, tudo ficou mais padronizado, mas ainda assim consistente, sem exageros na instrumentação, o que resultou em uma ótima concepção sonora. O repertório é bem interessante, com canções melódicas e carregadas de profundidade. No fim, é um ótimo disco, que acerta em cheio na sua proposta musical. 

Melhores Faixas: Onde A Gente Está, Fronteira 
Vale a Pena Ouvir: Chegado, Imaginária, Feita De Luz

              Bom então é isso e flw!!!  

Review: Celestial do Papangu

                    Celestial – Papangu NOTA: 9,8/10 Recentemente, o Papangu retornou com seu 3º álbum de estúdio, o maravilhoso Celestial. ...