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quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Marvin Gaye e Gusttavo Lima (RA: XXX)

                  

In Our Lifetime – Marvin Gaye





















NOTA: 8,9/10


Depois de três anos sem nenhum lançamento novo, chega o In Our Lifetime, que foge um pouco daquele lado experimentalista. Após o último álbum, Marvin Gaye enfrentava dificuldades financeiras e problemas com drogas que pioraram ainda mais, além de mais uma batalha com a Motown sobre controle criativo. Após o divórcio com Anna Gordy, Marvin se casou com sua namorada de longa data, Janis, em outubro de 1977, mas dois anos depois houve uma separação judicial devido ao comportamento do cantor. O disco em si passou por várias mudanças antes de seu lançamento final, como, por exemplo, seu título que inicialmente era Love Man. Dessa vez, Marvin decidiu produzir de uma forma totalmente diferente, desenvolvendo uma sonoridade que misturava Soul, Funk, Jazz e um pouquinho de Pop. Houve conflitos significativos entre o cantor e a Motown sobre o conteúdo e a visão do álbum. Mesmo com esses conflitos, o repertório é muito interessante, com várias canções muito boas como Praise, uma homenagem ao período em que ele frequentava a igreja em sua infância, seguido de Funk Me e Far Cry, que trazem temas mais melódicos e com um som mais sedutor, e depois vem Heavy Love Affair, que é uma das canções mais reflexivas do cantor. Mesmo assim, a Motown acabou lançando uma versão do álbum que Marvin não considerava finalizada, o que levou a mais desentendimentos. Apesar disso, é um ótimo disco e se destaca como um trabalho mais reflexivo.

Midnight Love – Marvin Gaye 





















NOTA: 9,4/10


No ano seguinte (no final de 1982), é lançado o último álbum em vida de Marvin Gaye, em uma época de completa transição. Após vários anos de turbulência pessoal e profissional, incluindo problemas financeiros e vícios contra os quais já estava lutando, Marvin encontrou uma nova oportunidade ao assinar com a Columbia Records. Mudou-se para a Europa, onde procurou recomeçar sua vida e carreira. Durante seu exílio autoimposto em Ostende, na Bélgica, ele começou a trabalhar nesse álbum. Com uma produção muito interessante e inovadora, Marvin utilizou novos instrumentos e tecnologias, incluindo sintetizadores e caixas de ritmos, que estavam se tornando populares na música Pop e no R&B, buscando intensamente criar um som fresco e contemporâneo, diferente dos seus trabalhos anteriores, mas que mantivesse a sua essência. O repertório, além de ser muito bom, tem um grande nível de coesão em seus temas, como um lado sensual no começo em Midnight Lady e Sexual Healing, que acaba se sucedendo com as românticas canções Rockin’ After Midnight e ‘Til Tomorrow, e um lado mais envolvente no caso de My Love Is Waiting e Third World Girl, que é basicamente um Reggae. Depois desse lançamento, tudo parecia que as coisas estavam melhorando, mas infelizmente Marvin Gaye acabou sendo assassinado pelo seu próprio pai. Enfim, apesar de todo esse ocorrido, esse disco acabou sendo maravilhoso e que valeu bastante o esforço do cantor.

Dream Of A Lifetime – Marvin Gaye 





















NOTA: 8,3/10


Um ano após o assassinato de Marvin Gaye, é lançado o primeiro trabalho póstumo do cantor, trazendo várias canções inéditas recentes. Como já foi dito, Marvin foi assassinado por seu pai após uma briga muito feia, que foi interrompida por sua mãe, e isso tudo aconteceu um dia antes do cantor completar 45 anos. Antes disso, este álbum foi montado a partir de material inacabado e demos que Marvin gravou durante os últimos anos de sua vida, algumas das quais já estavam sendo usadas. O trabalho dos produtores Harvey Fuqua e Gordon Banks foi muito difícil e desafiador, pois eles tinham que manter a integridade e a visão do cantor enquanto modernizavam as músicas para atrair o público da época. Com aquela sonoridade padrão de Funk, Soul Music e R&B, mas com sintetizadores e batidas eletrônicas, que era a direção musical que Marvin estava explorando antes de sua morte. O repertório é muito bem ordenado, e esse material inédito traz várias joias como Sanctified Lady, Savage In The Sack e Masochistic Beauty, que trazem aquele lado provocante e sedutor, mas que logo se quebram com canções bastante reflexivas como Ain’t It Funny (How Things Turn Around) e Life’s Opera, que infelizmente ficaram na sombra das outras canções. No final de tudo, é um disco muito bom, mas que acabou sendo criminosamente menosprezado pelos fãs, assim como seu sucessor.

Romantically Yours – Marvin Gaye





















NOTA: 8,2/10


Ainda naquele mesmo ano de 1985, é lançado Romantically Yours, que basicamente traz material inédito dos tempos mais antigos do cantor na Motown. Que reunia em si uma coleção de faixas gravadas por Marvin ao longo de várias fases de sua carreira, algumas das quais são interpretações de clássicos do Jazz e do Pop tradicional, enquanto outras são composições originais. É um disco que relembra aquele lado mais suave e romântico do cantor, destacando suas habilidades vocais e interpretação de baladas. Obviamente, o Harvey Fuqua e Gordon Banks, que trabalharam na produção, e eles selecionaram todo esse material completamente novo, demonstrando uma sonoridade com arranjos orquestrais e vocais refinados. Algumas faixas foram gravadas originalmente nos anos 60 e 70, enquanto outras são dos últimos anos de sua vida. Com um repertório muito interessante, há várias faixas pelas quais se pode questionar por que ficaram de fora dos álbuns em que foram gravadas, como no caso dos covers de More e Maria, que são dois grandes clássicos do Pop tradicional, além de Fly Me to the Moon (In Other Words), muito conhecida pelo cover feito pelo Frank Sinatra, e mais adiante as canções originais como Just Like, I Live for You e Happy Go Lucky. Sendo mais um ótimo álbum, que também acabou sendo menosprezado pelos fãs.

Vulnerable – Marvin Gaye 





















NOTA: 8/10


Em 1997, foi lançado mais um trabalho póstumo de Marvin Gaye que traz material inédito da década de 60. Nessa época, Marvin foi para Nova Iorque para gravar uma série de baladas com o arranjador Bobby Scott, enquanto continuava tentando se tornar um cantor Pop de sucesso. No entanto, Marvin ficou insatisfeito com o resultado. Em 1977, dois anos depois de comprar seu próprio estúdio, Marvin começou a finalizar o trabalho em seu projeto de baladas engavetado e ficou satisfeito com o resultado, mas não conseguiu lançá-lo a tempo. Como mencionado, a produção do álbum foi muito longa e complicada, conduzida não só pelo cantor, mas também com contribuições significativas além do Bobby Scott teve a presença de Amy Herot. Eles capturaram uma sonoridade caracterizada por arranjos orquestrais aveludados, que destacam o lado do Jazz e do Pop tradicional. O repertório é recheado de baladas clássicas que ficaram muito bem interpretadas, como Why Did I Choose You e Funny, Not Much, que têm um ritmo muito agradável. Além dessas, tem This Will Make You Laugh, I Wish I Didn’t Love You So e I Won’t Cry Anymore que apresentam vocais de Marvin muito mais carregados de emoção e melancolia. Após essas faixas, o disco apresenta três das canções citadas com vocais alternativos e improvisados. Em suma, é um disco muito legal e uma verdadeira joia raríssima.

You’re The Man – Marvin Gaye 





















NOTA: 8,7/10


Vinte e dois anos se passaram e chega um dos últimos trabalhos póstumos de Marvin Gaye, o You’re The Man, que tinha sido gravado no início dos anos 70. Originalmente, esse disco foi planejado para ser lançado em 1972 como um sucessor do aclamadíssimo What’s Going On, mas o cantor cancelou seu lançamento devido à recepção morna de um dos seus singles, bem como ao fato de que suas opiniões políticas eram diferentes das do seu chefe, Berry Gordy. A produção teve muitos colaboradores, como Willie Hutch, Hal Davis, The Mizell Brothers (Fonce e Larry Mizell), entre outros, que ajudaram Marvin Gaye a produzir todo esse disco, que seguia a mesma fórmula do que seria seu álbum antecessor. Após ter deixado de ser inédito, ele foi finalmente compilado, a mixagem foi atualizada e apenas preservaram a autenticidade das gravações originais. Com um repertório muito interessante e cheio de músicas maravilhosas, como Piece Of Clay, I’m Gonna Give You Respect e a versão mixada por Salaam Remi de I’d Give My Life For You, que são canções bastante ricas em detalhes, além das outras baladas como You Are That Special One e My Last Chance, que são mais suaves. Logo depois, vem até uma canção de Natal muito boa, a I Want To Come Home For Christmas, cuja letra é bastante dolorosa. No final de tudo, é um disco muito legal e que, sinceramente, não dá para entender como o chefão da Motown acabou subestimando esse trabalho.

Funky Nation: The Detroit Instrumentals – Marvin Gaye 





















NOTA: 7,1/10


Chegando no último álbum póstumo até o momento de Marvin Gaye, lançado há três anos, que contém material inédito de apenas instrumental. O trabalho foi gravado durante o verão de 1971, na época em que o cantor havia entrado em hiato após se recusar a fazer turnê do disco What’s Going On. Nesse período, ele buscou explorar novos sons e técnicas. Essas gravações instrumentais refletem a busca de Marvin por um som mais Funk e Soul, e todo esse material inédito ficou em fitas demo. Marvin Gaye mais uma vez trabalhou ao lado dos talentosos músicos de estúdio, The Funk Brothers. Toda a abordagem é emitida por grooves intensos, linhas de baixo pulsantes e ritmos complexos, que conseguiam criar paisagens sonoras envolventes e dinâmicas sem a necessidade de vocais, embora seja possível notar que alguns arranjos foram reutilizados em discos futuros. O repertório é composto, como já mencionado, apenas de faixas instrumentais, em sua grande maioria com ótimas melodias, como Chained, Doing My Thing, Help The People, que contém um arranjo de sopro, e Checking Out (Double Clutch), que no último álbum póstumo encerrou o disco com sua versão contendo vocais. Apesar disso, há algumas faixas fracas, como Country Stud, Jesus Is Our Love Song, Funky Nation e Struttin’ The Blues. Enfim, esse álbum pode até não ter um alto nível de coesão, mas não deixa de conter raridades belíssimas.

Gusttavo Lima – Gusttavo Lima 





















NOTA: 1/10


E agora chegamos ao álbum de estreia do tratado como a lenda da música sertaneja atual, o nada incrível Gusttavo Lima. Antes desse álbum, Gusttavo Lima, cujo nome real é Nivaldo Batista Lima, nascido em Presidente Olegário, Minas Gerais, já havia começado a construir uma carreira na música, participando de festivais e apresentando-se em pequenos shows. Em 2008, após uma de suas composições fazer um relativo sucesso com uma certa dupla, ele foi apresentado a Marquinho, dono da Audiomix, com quem assinou contrato e produziu seus discos durante seis anos. A produção desse álbum foi conduzida por Bigair Dy Jaime. Ele trazia aquela sonoridade de sertanejo universitário com um pouquinho de arrocha, que não deu certo. Sinceramente, a única coisa boa e que é comum nesses trabalhos são os músicos de apoio. Agora, o repertório contém 24 faixas super irritantes e terríveis, como no caso de Caso Consumado, a faixa-título entre aspas, que havia sido gravada pela pavorosa dupla João Neto & Frederico, Cor de Ouro, Arrasta e Mineirinha, que são muito tediosas, sem contar o hit desse o Rosas, Versos e Vinhos. Além disso, há certos covers como Papo de Jacaré, do terrível grupo P.O. Box, e Faz um Milagre em Mim, do cantor Regis Danese, que ficaram horríveis com a desafinadíssima voz do cantor. Enfim, esse disco, além de ser terrível, já mostra o quão ruim e limitado é o que chamam de ‘‘Embaixador’’.

Inventor dos Amores (Ao Vivo) – Gusttavo Lima  





















NOTA: 1/10


No ano seguinte, chega o primeiro álbum ao vivo do Gusttavo Lima, o Inventor dos Amores, que traz algumas músicas novas. Já vou adiantando que vocês sabem que eu desconsidero álbuns ao vivo, mas no caso do sertanejo não dá, porque tudo que é gravado de forma ao vivo vira álbum como se fosse de estúdio e faz parte da cronologia da discografia de tal dupla ou cantor. Mas focando, após o lançamento de seu álbum de estreia, Gusttavo Lima rapidamente ganhou reconhecimento no cenário sertanejo. O "talento" como cantor e compositor, combinado com uma forte presença de palco, atraiu a atenção de um público (muito burro) e da crítica. Dessa vez, o cantor produziu esse álbum com a ajuda não só de Bigair Dy Jaime, como também do renomado Maestro Pinocchio, continuando com a mesma sonoridade do antecessor. Lembrando que esse disco foi gravado durante a apresentação no Sol Music Hall, em Goiânia. O repertório conta com 22 faixas, algumas sendo regravações de seu álbum de estreia, como Caso Consumado, Rosas, Versos e Vinhos e Arrasta, que ficaram ainda mais terríveis, além das músicas novas como É Sempre Assim, Prazo de Validade e O Mundo É Uma Bola, que são muito chatas. Também há músicas com participações, como Jorge & Mateus na faixa-título, Super Homem com Edson (da dupla Edson & Hudson), e outras que não acrescentam em nada. Enfim, é mais um disco pavoroso que, sinceramente, não gostaria de relembrar que eu escutei.

Gusttavo Lima e Você (Ao Vivo) – Gusttavo Lima 





















NOTA: 1/10


Um ano se passou e foi lançado mais um álbum ao vivo do Gusttavo Lima, que continuava sendo a mesma experiência horrorosa de sempre. Como já sabemos, o cantor havia ganhado sua notoriedade com aquelas músicas irritantes que tocavam bastante nas rádios. Então, naquele início de ano de 2011, ele revelou que desejava gravar um DVD na cidade de Patos de Minas, onde se criou, e que estava realizando um sonho de infância: subir ao palco principal da Fenamilho (que, para quem não sabe, é a principal festa de Patos de Minas, assim como a maior festa agropecuária de Minas Gerais). Mais uma vez, o trabalho da produção ficou por conta do Maestro Pinocchio e do Ivan Miyazato, que juntos acabaram ajeitando o som. Como já dito, a gravação ao vivo foi feita durante o festival e a apresentação ocorreu no palco do Parque de Exposições. Vou te falar uma coisa o público presente nessa gravação chega a ser mais irritante do que nos dois últimos lançamentos, e ainda pior que a voz desafinada do seu Nivaldo. O repertório, mais uma vez, contém as músicas que estavam presentes nos últimos álbuns, como Caso Consumado, Inventor dos Amores e Arrasta, que continuaram as mesmas porcarias de sempre. Também havia músicas novas, cada uma mais terrível que a outra, como Fora Do Comum, 60 Segundos, Eu Te Achei e o insuportável hit Balada (com seu irritante Tchê Tchererê Tchê Tchê). Enfim, é mais um disco pavoroso que não apresenta qualquer tipo de avanço.
 


segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Marvin Gaye (RA: XXIX)

                 

Moods Of Marvin Gaye – Marvin Gaye





















NOTA: 9,2/10


Um ano se passa e chega Moods Of Marvin Gaye, que se tornou o álbum que sacramentou a abordagem pela qual Marvin ficaria conhecido popularmente. Esse álbum marca um ponto crucial na carreira do cantor, consolidando sua transição de um cantor de standards e Jazz para um artista de R&B e Soul mais robusto. A Motown estava no auge de sua popularidade e inovação musical, e Marvin estava no centro dessa revolução, mesmo que inicialmente ele estivesse trabalhando em um álbum junto com o produtor Bobby Scott, que novamente seria naquele estilo que ele queria, mas durante as sessões o projeto acabou não vingando e foi deixado de lado. Então, ele teve que gravar este álbum com a supervisão de alguns dos maiores nomes da Motown, incluindo Smokey Robinson, Brian Holland, Lamont Dozier e Clarence Paul, apresentando uma sonoridade polida e com arranjos orquestrados muito mais divertidos e cativantes. Tudo isso apresentado por um repertório maravilhoso cheio de faixas muito boas como I’ll Be Doggone, Night Life e You’ve Been A Long Time Coming, além de canções espetaculares que basicamente te hipnotizam, como Little Darling (I Need You), Take This Heart Of Mine, One More Heartache, Ain’t That Peculiar e Your Unchanging Love. No final de tudo, é um álbum maravilhoso com ótimas melodias e que mostrou que essa era a sonoridade perfeita na qual Marvin se encaixaria por completo.

United – Marvin Gaye & Tammi Terrell 





















NOTA: 9,5/10


Agora dando uma pequena pulada no tempo, vou falar sobre um dos vários álbuns colaborativos de Marvin Gaye, sendo este o dueto mais conhecido que ele fez, com a talentosa Tammi Terrell, formando uma lendária parceria entre os dois. Mas como já sabemos, antes desse álbum surgir, Marvin já era uma estrela estabelecida na Motown, enquanto Tammi estava apenas começando. A gravadora a contratou para servir de parceira de dueto para Marvin, que já havia feito outros dois álbuns colaborativos. A produção ficou a cargo de Harvey Fuqua e Johnny Bristol, que foram responsáveis por escrever e produzir muitas das faixas do álbum, trazendo uma qualidade sonora que se tornou a marca registrada do trabalho deles com esse dueto. Eles mostraram uma base rítmica suave e energética que foi essencial para demonstrar a química perfeita entre Marvin e Tammi. O álbum apresenta um repertório magnífico que começa com o clássico hit Ain’t No Mountain High Enough, seguido por If I Could Build My Whole World Around You, Your Precious Love e If This World Were Mine (que, diferente das outras, foi composta pelo próprio Marvin). O único cover contido nesse repertório foi You’ve Got What It Takes, uma canção de Marv Johnson que ficou muito boa. Mostrando que aquele dueto tinha muito futuro, apesar de ter terminado de forma precoce após a morte da cantora alguns anos depois. Mas, apesar disso, é um disco maravilhoso e um dos maiores clássicos da Soul Music.

In The Groove – Marvin Gaye 




















NOTA: 8,9/10


Indo para o ano de 1968, após dois anos de seu último lançamento solo, Marvin Gaye retorna com o In The Groove. Depois de ter lançado seus últimos álbuns, que contavam com duetos com duas cantoras de R&B diferentes a Kim Weston e Tammi Terrell (que já abordamos anteriormente), Marvin enfrentava vários problemas pessoais. O casamento do cantor com Anna Gordy (que para quem não sabe, ela era irmã mais velha do chefão da Motown) estava muito turbulento, assim como a vida na estrada, o que gerava uma enorme antipatia por parte do cantor. Além disso, já estavam ocorrendo desentendimentos com Berry Gordy, criando um clima de tensão na gravadora. Dessa vez, a produção ficou por conta de Norman Whitfield, Ivy Jo Hunter e Frank Wilson. Todos esses produtores tinham bastante proximidade com Marvin. Enfim, a sonoridade do álbum é caracterizada por melodias cativantes, arranjos orquestrados e seções rítmicas que culminaram em um disco totalmente de Soul Music. O repertório é muito interessante, sendo dividido entre covers como Some Kind Of Wonderful, Loving You Is Sweeter Than Ever e o clássico hit I Heard It Through The Grapevine e canções originais, como At Last (I Found A Love), It’s Love I Need e You’re What’s Happening (In The World Today). Assim, este é mais um ótimo trabalho do cantor, mesmo enfrentando um período bastante complicado em sua vida.

M.P.G. – Marvin Gaye





















NOTA: 8,7/10


Um ano depois, chega mais um novo álbum do Marvin Gaye seguindo a mesma fórmula de sucesso que seu antecessor alcançou. Esse disco foi lançado em um momento em que Marvin estava começando a buscar maior controle artístico e explorar temáticas mais pessoais e sociais em sua música. Lembrando que, ainda nessa época, o cantor já estava enfrentando vários problemas pessoais com Berry Gordy, e que teria bastante desdobramentos futuramente em relação à gravadora. Novamente, a produção foi relativamente a mesma, apenas inserindo Brian Holland e Lamont Dozier, que trouxeram, além de uma sonoridade polida, uma abordagem nas linhas vocais de Marvin, deixando-as mais harmoniosas. Junto com arranjos mais sofisticados, que resultou em um trabalho psicodélico. Com um repertório que, além de ser muito bom, ficou bastante organizado e já começa com a maravilhosa Too Busy Thinking About My Baby, segue ainda mais contagiante com as faixas que vêm depois, como This Magic Moment, Seek And You Shall Find, More Than A Heart Can Stand e I Got To Get To California. Além disso, temos uma balada bastante melódica que é Only A Lonely Man Would Know. No final de tudo, é um disco muito bom, porém bastante subestimado de uma forma até injusta.

That’s The Way Love Is – Marvin Gaye 





















NOTA: 8/10


Indo agora para o 10º álbum de estúdio do Marvin, que é o That’s The Way Love Is, lançado naquela época de transição. Nesse momento, o cantor estava buscando controle artístico sobre sua música, e sua vida pessoal estava marcada por muito tumulto, principalmente porque ele já estava mal com o triste fim da Tammi Terrell, que estava com um tumor cerebral e que, meses depois, acabou falecendo. Outra coisa que eu esqueci de mencionar é que não fazia muito tempo que Marvin Gaye estava usando drogas e, em um determinado momento, ele teve uma overdose de cocaína, é pesado. Mas, mesmo passando por tudo isso, ele foi gravar esse disco, no qual ele trabalhou novamente com Norman Whitfield que deixou os arranjos mais ricos e continuou a arriscar um lado mais psicodélico naquela sonoridade que se tornou padrão na carreira do cantor, e que pode não parecer muito, mas esteve presente nos trabalhos seguintes. Agora, o repertório não chega a ser tão incrível quanto o dos dois últimos álbuns, mas tem muitas músicas interessantes, que em sua grande maioria são covers, como a própria faixa-título e Gonna Keep On Tryin’ Till I Win Your Love, que eram dos grupos queridinhos da Motown, além de outras canções como I Wish It Would Rain, Cloud Nine e Yesterday, que é o cover da canção dos Beatles e que ficou muito bom. Enfim, por mais que seja um disco sólido, ele foi muito importante para a criação do What’s Going On.

What’s Going On – Marvin Gaye 





















NOTA: 10/10


E aí chegamos ao clássico álbum What’s Going On, que se tornou o primeiro trabalho de Marvin Gaye de forma conceitual. Surgiu naquela virada da década de 60 para 70 e trouxe mudanças profundas na vida pessoal de Marvin, até porque nessa época ele estava completamente depressivo (tanto que isso é mostrado na capa desse disco, que já mostra o cantor com uma barba). Quando ele viu os acontecimentos da guerra do Vietnã, foi aí que ele sentou e falou: "Agora eu vou fazer um trabalho que vai fazer muito sentido". A produção do álbum foi inovadora e desafiou as normas da Motown. Marvin Gaye insistiu em maior controle criativo, sendo assim um disco em que ele foi creditado como produtor. Ele se juntou ao grupo de músicos The Funk Brothers, que forneceu a base instrumental para muitas das faixas. Além disso, ele criou uma sonoridade tão interessante que o resultado foi um som único que mesclava Soul, R&B, Jazz e até Funk (logicamente o americano). Agora, o repertório nem preciso dizer que é mágico, ele já começa com a incrível faixa-título, que era uma resposta aos movimentos de contracultura, além de Flyin’ High (In The Friendly Sky), que abordava o tema das drogas, e também a primeira música que falava de questões ecológicas, Mercy Mercy Me (The Ecology) e vale outros destaques para What’s Happening Brother e Inner City Blues (Make Me Wanna Holler). Enfim, esse álbum é uma verdadeira obra-prima, e um dos melhores discos de todos os tempos e muito essencial.

Trouble Man – Marvin Gaye 





















NOTA: 7/10


Logo após What’s Going On, foi lançado o Trouble Man, mais um disco de Marvin Gaye que serviu como trilha sonora para o filme de mesmo nome. Depois de lançar um dos maiores clássicos da Soul Music, ele fez um desvio para lançar um trabalho totalmente diferente. Marvin não apenas ganhou o controle criativo, como também renovou seu contrato com a Tamla, tornando-se o artista de R&B e Soul mais lucrativo de todos os tempos. Então, Marvin procurou aproveitar as oportunidades e, vendo os sucessos de trilhas sonoras de filmes como Shaft e Superfly, a Motown ofereceu ao músico a chance de compor sua própria trilha sonora de filme após ganhar os direitos de produção desse thriller policial. Como já dito, a produção foi completamente feita pelo cantor, que não apenas compôs e arranjou a maior parte das faixas, mas também tocou vários instrumentos. Isso trouxe uma sonoridade que misturou elementos de Jazz, Soul, Funk e música orquestral. O repertório não está muito bem ordenado, mas isso foi proposital e contém quase exclusivamente faixas instrumentais, incluindo cinco versões da faixa-título, com a exceção de uma que contém letra e não tem o título de "Main Theme". Além disso, há uma outra faixa muito interessante, Poor Abbey Walsh, que serve como um ótimo interlúdio para a faixa seguinte, The Break In (Police Shoot Big), embora outras músicas sejam bastante irregulares. No final de tudo, é um disco legal, mesmo que apresente alguns erros.

Let’s Get It On – Marvin Gaye 





















NOTA: 10/10


Logo depois de fornecer uma trilha sonora, chega o verdadeiro sucessor de What’s Going On, o outro clássico Let’s Get It On. Diferente do último álbum, que tinha um comentário social profundo, este foi para uma exploração mais íntima e sensual. Porém, pessoalmente, Marvin estava lidando com a separação de Anna Gordy, que o pressionou muito emocionalmente. Durante esse tempo, ele também tentou lidar com problemas que vinham desde sua infância, como o relacionamento abusivo que ele teve com seu pai. Então, ele foi gravar esse disco e não produziu tudo sozinho, contando com a colaboração de Ed Townsend. Juntos, criaram uma sonoridade de pura sensualidade, com um lado mais cru, arranjos suaves e sofisticados que destacassem as linhas vocais do cantor, e uma instrumentação totalmente imersiva que demonstra uma vibe totalmente íntima. Desta vez, não teve o apoio do grupo The Funk Brothers (já que eles tinham sido demitidos). Falando do repertório, ele segue a mesma magia do seu antecessor, começando com a maravilhosa faixa-título que, além de hipnotizar, acaba grudando na cabeça. Logo depois, surgem outras canções como Please Don’t Stay (Once You Go Away) e If I Should Die Tonight, que são duas baladas com um toque mais suave. Em seguida, vêm outras faixas mais animadas como Come Get To This e Distant Lover. Sinceramente, um repertório maravilhoso. Enfim, é mais um trabalho sensacional e que se tornou uma bela obra-prima.

I Want You – Marvin Gaye  





















NOTA: 9,7/10


Três anos se passaram e foi lançado mais um novo disco do Marvin, que é uma quase mescla de tudo o que ele já tinha feito em sua carreira. Durante esse período, ele estava profundamente envolvido em um caso com Janis Hunter, que se tornaria sua futura esposa. Além disso, o cantor estava lidando com pressões pessoais e profissionais, incluindo conflitos cada vez mais tensos com a gravadora. Dessa vez, quem trabalhou na produção junto com Marvin Gaye foi Leon Ware, um compositor e produtor muito talentoso que ajudava nas composições de outros colegas da Motown (como Michael Jackson). Originalmente, Ware escreveu a maioria das faixas para seu próprio álbum, mas após a Motown perceber o potencial comercial das músicas, elas foram passadas para Marvin. Que com uma bela estruturação, Marvin trouxe arranjos complexos de cordas e uma mistura suave de ritmos Funk e Soul. O repertório ficou outra vez muito bom e começa com uma faixa-título totalmente hipnotizante e sedutora, seguida por uma balada muito interessante a Come Live With Me Angel. Logo após vem o ótimo cover de I Wanna Be Where You Are do futuro Rei do Pop, além da romântica canção Soon I’ll Be Loving You Again e as duas versões de After The Dance (tanto instrumental quanto com vocal). Em suma, é mais um disco maravilhoso, que seguiu a fórmula de sucesso que seus anteriores conseguiram.

Here, My Dear – Marvin Gaye 




















NOTA: 9/10


Indo para o Here, My Dear, que foi o primeiro disco duplo lançado por Marvin Gaye, que todo o seu contexto veio do que ele passava em sua vida pessoal. Surgindo logo após o divórcio entre o cantor e Anna Gordy, a irmã do chefão da Motown, Berry Gordy, o divórcio foi complicado e muito público. Como parte de um acordo, Marvin concordou em ceder uma parte significativa dos lucros do próximo álbum para sua ex-esposa, criando assim uma obra profundamente pessoal e reflexiva sobre seu casamento e divórcio. Produzir esse disco foi uma tarefa desafiadora para o cantor, que gravou mais uma vez em seu próprio estúdio construído em Los Angeles. Com arranjos muito mais complexos e cheios de detalhes, as influências, escolha de instrumentos e a composição das faixas refletiam o estado emocional do cantor. O repertório, em sua primeira parte, mostra um lado mais intenso com as canções When Did You Stop Loving Me, When Did You Stop Loving You, I Met A Little Girl e Anger, que demonstram o quanto Marvin estava vulnerável. Já a outra parte mostra a tentativa de superação com faixas como Sparrow, A Funky Space Reincarnation e You Can Leave, But It’s Going To Cost You. No final, por mais que seja um trabalho mais pessoal de Marvin Gaye, ele é um ótimo disco.
 

Por hoje é só, então flw!!!

domingo, 8 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Bon Jovi e Marvin Gaye (RA: XXVIII)

                

Burning Bridges – Bon Jovi





















NOTA: 1/10


E logo vem mais um álbum novo do Bon Jovi que, novamente, segue a mesma cartilha ridicula do seu antecessor. Como eu tinha dito, o último trabalho acabou sendo decisivo nas internas da banda, pois o Richie Sambora acabou saindo e decidiu focar na sua carreira solo. Até mesmo o Desmond Child acabou deixando a banda depois de bastante tempo ajudando na composição. Além disso, a gravadora Mercury Records, com a qual a banda tinha uma longa parceria, avisou que não iria renovar o contrato com eles, mas o Bon Jovi estava devendo um disco para eles. Então eles foram para o estúdio novamente trabalhar com o mesmo produtor, mas não foram gravar material novo. Eles acabaram pegando um monte de músicas terríveis que não haviam sido lançadas nos álbuns anteriores e colocaram neste disco. O Jon Bon Jovi deu alguns esboços que ele não iria aproveitar e tentou deixar os arranjos de uma forma coesa. Quando ele foi entregar o álbum para a gravadora, eles acabaram percebendo que nem precisavam gastar dinheiro para fazer a capa, então ficou essa coisa horrorosa (que eu tenho umas 90 definições do que é isso). Falando sobre o repertório, ele é igual ao do disco anterior: péssimo, com muitas canções ridículas como A Teardrop To The Sea, We Don’t Run, Blind Love, Who Would You Die For e Life Is Beautiful que parecem demos de uma banda cover ruim de Coldplay. Sinceramente, não há o que falar, esse álbum é ainda pior que o anterior e não mostra um grau de esperança.

This House Is Not For Sale – Bon Jovi 





















NOTA: 2,3/10


Logo após uma grande mudança, o Bon Jovi retornou em apenas um ano com o This House Is Not For Sale, adotando uma abordagem diferente. Este acabou sendo o primeiro lançamento após a saída do guitarrista Richie Sambora em 2013. Em seu lugar, entrou Phil X. Além disso, este foi o primeiro álbum contando com Hugh McDonald como baixista oficial da banda. Ele já estava no Bon Jovi desde 1994, após a saída de Alec John Such, participando das turnês e até trabalhando nos discos anteriores, mas nunca tinha sido creditado. Foi somente naquela época que Jon Bon Jovi o efetivou oficialmente (sério, que coisa doida). Então, eles foram para o estúdio gravar um novo álbum, que seria exclusivo da gravadora Island Records. Trabalhando mais uma vez com o mesmo produtor de sempre e com uma pegada muito mais de Arena Rock com Pop, mesmo com todas essas mudanças e o clima de tensão, mais uma vez nada funcionou. O resultado foi um repertório maçante, com muitas canções nada a ver. Pelo menos ocorreu um milagre de haver 1 música boa, que é a esquecida The Devil’s In The Temple. O restante parece uma cópia de canções do Imagine Dragons, como Living With The Ghost, Roller Coaster e Walls, e também obviamente do U2, como a terrível faixa-título e Labor Of Love. Em suma, é mais um álbum ruim que acaba trazendo muito tédio e, mesmo se tivesse o Richie Sambora, nada seria diferente.

2020 – Bon Jovi 





















NOTA: 3/10


Quatro anos após muitas turnês, chega mais um álbum do Bon Jovi intitulado 2020, que também faz alusão ao ano de eleições nos Estados Unidos. Inicialmente, esse disco foi planejado para ser lançado em maio do mesmo ano, mas a data foi adiada devido ao estouro da pandemia de COVID-19, sendo lançado assim no mês de outubro. A proposta da banda foi ter uma abordagem abordando muito mais temas sociais e políticos. Nem preciso dizer que a produção foi relativamente a mesma de todos os últimos trabalhos e que também tinha aquela sonoridade de sempre, indo mais para o lado da música Country, mas não sendo tão predominante como foi o Lost Highway. Outra coisa as linhas vocais do Jon Bon Jovi já demonstram um desgaste e acabaram sendo mexidas para deixar de forma alinhada, mas realmente, de todo mundo aí, quem fez um trabalho excelente foi o guitarrista Phil X. Agora, o repertório é a mesma coisa problemática de sempre, muito ruim, tendo apenas duas músicas que ficaram boas: Do What You Can, que tem uma letra muito interessante falando daquele momento de pandemia, e Unbroken, que retrata os desafios enfrentados pelos veteranos de guerra ao retornarem à vida civil. Agora, o resto é muito ruim e sem qualquer tipo de coesão, como Limitless, Let It Rain e Blood In The Water, que mais uma vez parecem imitação ou de U2 ou de Coldplay. O fato é que é mais um álbum terrível e que não traz qualquer tipo de mudança para melhor.

Forever – Bon Jovi





















NOTA: 3,6/10


E aí chegamos no último lançamento do Bon Jovi, o Forever, que saiu faz uma semana e que acaba acompanhado por um documentário lançado sobre a banda este ano. Mas, antes de tudo isso, esse disco chega num momento em que Jon Bon Jovi enfrentou sérios problemas vocais, incluindo uma cirurgia nas cordas vocais que foi realizada dois anos antes, e também se tornou mais um trabalho em que a banda tenta trazer um lado mais de leveza e que não ficasse de um modo introspectivo. A produção do John Shanks ficou muito inconsistente e apresenta uma sonoridade do Rock mais tradicional, com aqueles elementos mais poderosos que a banda sempre teve. Só que vamos concordar que quem mais se salvou em todo esse trabalho foi o Phil X e o baterista Tico Torres, enquanto que os vocais do Jon Bon Jovi dá para ver que foram mexidos para ajustar as entonações e para que ficasse tudo de forma balanceada. O repertório, que eu nem preciso dizer que é muito ruim e estranho, tem muitas canções péssimas como Legendary, We Made It Look Easy e Waves, que têm arranjos muito confusos. Enquanto que as baladas Kiss The Bride e I Wrote You A Song, por mais que a intenção delas tenha sido boa, são muito genéricas. As únicas faixas que se salvam são Living Proof, Walls of Jericho e Living in Paradise, que relembram os velhos tempos da banda. Enfim, esse é mais um disco chato e que, junto com o anterior, parece mais álbuns da carreira solo do Jon.

The Soulful Moods Of Marvin Gaye – Marvin Gaye 





















NOTA: 8,5/10


Em 1961, foi lançado o primeiro álbum de um dos artistas mais importantes da Soul Music, que nessa época não tinha essa abordagem. Após sua dispensa da Força Aérea em 1957, Marvin e seu amigo Reese Palmer formaram o quarteto vocal The Marquees. Eles até conseguiram um contrato com uma gravadora, mas não deu em nada, tanto que o grupo se desfez. Logo depois, Marvin assinou com a Tri-Phi Records para ser músico de estúdio. Então, Marvin se apresentou na casa do presidente da Motown, Berry Gordy, em dezembro de 1960. Impressionado, Gordy procurou Harvey Fuqua, que concordou em vender parte de sua participação no contrato e, pouco depois, Marvin Gaye assinou com a Tamla, subsidiária da Motown. A produção ficou por conta do chefão da gravadora, que combinou o estilo jazzístico com o pop orquestrado. E a proposta era transformar Marvin em uma estrela do Jazz e do Pop tradicional, se assemelhando com Frank Sinatra e Nat King Cole, e já foi aí que começaram as desavenças internas entre o cantor e a gravadora. O repertório em si é composto em sua grande maioria por covers, todos eles muito bem interpretados, como My Funny Valentine, Witchcraft e How High The Moon, enquanto que as faixas originais são muito legais, no caso, Let Your Conscience Be Your Guide e Never Let You Go. Mas, apesar de ser um disco muito bom, ele acabou sendo um fracasso de vendas, sendo um começo com o pé esquerdo.

That Stubborn Kinda’ Fellow – Marvin Gaye 





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram e chega o 2º álbum de Marvin Gaye, após uma estreia que foi completamente ignorada pela grande mídia. Depois de não ter obtido um grande sucesso comercial, Marvin não desejava seguir uma carreira de R&B, imaginando que não teria muita exposição. Mas ele acabou sendo influenciado pelo som da Motown e pelo desejo de se tornar um artista de maior sucesso comercial, optando então por uma abordagem mais voltada para o R&B e a Soul Music, que era mais alinhada com o que estava fazendo sucesso na época. Então ele chamou William “Mickey” Stevenson para produzir esse disco, apresentando uma produção típica da era clássica da Motown, com arranjos vibrantes. Não só isso, eles acabaram colocando backing vocals dos renomados The Andantes e os famosos músicos de estúdio The Funk Brothers, que ajudaram a criar o som dinâmico e envolvente do álbum. Tendo agora um repertório totalmente composto por músicas originais e não apresentando mais nenhum cover, todas as canções têm temas adultos, longe daquele lado adolescente, e são mais contagiantes, como no caso da incrível faixa-título, além de Hitch Hike, Get My Hands On Some Lovin’ e Taking My Time, sem esquecer das ótimas baladas contidas em Wherever I Lay My Hat e Hello There Angel. No final de tudo, é mais um trabalho muito bom e que foi o ponto de virada da carreira do cantor.

When I’m Alone I Cry – Marvin Gaye 





















NOTA: 7,7/10


Pouco tempo depois, saiu mais um álbum do Marvin Gaye, seguindo novamente a mesma fórmula do álbum de estreia do cantor. Representando outra tentativa de Marvin de se estabelecer como um cantor de Jazz e Pop, em contraste com seu último trabalho de R&B e Soul pela Motown. Naquela época, Gaye estava determinado a seguir os passos de seus ídolos Nat King Cole e Frank Sinatra, mostrando um lado bastante teimoso. A produção, mais uma vez, ficou por conta de William "Mickey" Stevenson, apresentando uma rica instrumentação de Jazz, incluindo seções de cordas e metais que complementam a voz suave e emotiva do cantor. Tudo isso foi feito por arranjadores como Jerome Richardson, Melba Liston e Ernie Wilkins. O repertório novamente acabou sendo composto por covers, mas dessa vez por completo, e foi escolhido para seguir o estilo clássico de crooner (um termo usado para descrever cantores masculinos que se apresentavam usando um estilo suave, possibilitado por microfones que captavam sons mais silenciosos e uma gama mais ampla de frequências). As canções que mais se destacaram foram I Was Telling Her About You, Because Of You, When Your Lover Has Gone e I’ll Be Around. Por mais que seja mais um disco bom, ele não teve qualquer tipo de sucesso comercial, mostrando que Marvin estava forçando a barra em ser um cantor de Jazz.

Hello Broadway – Marvin Gaye 





















NOTA: 8,6/10


No final daquele mesmo ano, o último lançamento em 1964 foi mais um álbum de estúdio do Marvin Gaye, sendo quase uma continuação. Como já sabemos, o cantor já estava consolidando seu nome como uma das vozes mais promissoras da gravadora, especialmente com o sucesso de alguns singles anteriores. No entanto, Marvin ainda continuava querendo ser reconhecido como um cantor de standards e Jazz, igualmente ao Nat King Cole e Frank Sinatra. Ele queria fazer um trabalho que apresentasse uma coleção de clássicos da Broadway. A produção ficou a cargo da dupla Hal Davis e Marc Gordon, que era bastante promissora e em quem o chefão da Motown confiava bastante. Eles acabaram captando arranjos orquestrais sofisticados, com uma grande ênfase em cordas e metais, buscando capturar o glamour das canções desse gênero. Tendo mais uma vez um repertório repleto de covers, todas sendo canções muito conhecidas que tocavam nos teatros de Broadway, as que mais se destacaram foram On The Street Where You Live e This Is The Life. Apesar disso, houve outras faixas que ficaram muito boas também, como a faixa-título, Days Of Wine And Roses e My Way. E um detalhe em nenhuma das músicas há vocais de apoio. No fim, é um disco bastante interessante, por mais que ainda mostrasse a teimosia do Marvin, mas que apresentava uma sonoridade de Soul Music distante do que a gravadora buscava.

How Sweet It Is To Be Loved By You – Marvin Gaye  





















NOTA: 9/10


No primeiro mês do ano seguinte (de 1965), chega mais um disco do cantor após um último trabalho semelhante ao que Sinatra e King Cole faziam. Este álbum marcou um retorno ao som mais característico da Motown, depois de sua tentativa anterior de explorar standards da Broadway. Por mais que esse trabalho tenha sido gravado com a intenção de vender discos, ele carregava um dos singles que mais estava fazendo sucesso do cantor (que já, já eu chego nesse ponto). A produção do álbum foi comandada por uma equipe de produtores de alto calibre da Motown, incluindo William "Mickey" Stevenson, Brian Holland e Lamont Dozier (que ficariam conhecidos por fazer parte do trio de compositores e produtores Holland–Dozier–Holland, desta vez sem o envolvimento de Eddie Holland), e com a supervisão de Berry Gordy. Juntos, eles trouxeram mais batidas rítmicas, arranjos orquestrais exuberantes e novamente contaram com alguns grupos que fizeram os vocais de apoio. Outra vez, o repertório ficou composto apenas de canções originais, compostas naquele momento por Holland e Dozier, começando com as maravilhosas faixas You’re A Wonderful One e a faixa-título, que era o maior hit do cantor, apesar de ter tido outras canções muito boas como as baladas Need Your Lovin’ (Want You Back), No Good Without You e Now That You’ve Won Me. Sendo assim, este foi o primeiro grande trabalho de muito sucesso que Marvin Gaye fez e que mostrou bastante consistência.

A Tribute To The Great Nat King Cole – Marvin Gaye 





















NOTA: 7/10


Perto do final daquele ano de 1965, sai mais um álbum do Marvin, sendo um tributo a um de seus maiores ídolos e que o influenciou bastante. No caso, é uma homenagem ao icônico cantor e pianista Nat "King" Cole, que faleceu em fevereiro daquele mesmo ano, logo após o lançamento do disco anterior, How Sweet It Is To Be Loved By You. Este projeto marcou uma oportunidade para Marvin prestar tributo a um de seus ídolos musicais, ao mesmo tempo em que ele ainda queria explorar o lado dos standards e do Jazz. Mais uma vez, a dupla Hal Davis e Marc Gordon trabalhou com Marvin Gaye e trouxe uma abordagem que refletisse o estilo clássico de King Cole, com uso de cordas, piano e arranjos suaves que pudessem destacar as linhas vocais do cantor. Logicamente, por ser um tributo, o repertório tinha que ser só de canções de sucesso de King Cole, então apresentaria apenas covers. As melhores performances de Marvin foram nas canções Unforgettable, Calypso Blues e Mona Lisa, embora, em alguns momentos, alguns covers não tenham funcionado, predominando mais a instrumentação do The Funk Brothers, como no caso de To The Ends Of The Earth, Sweet Lorraine e It’s Only A Paper Moon. Mas mesmo assim, é um álbum bom e uma homenagem belíssima a uma das maiores lendas do Jazz.
 

Então é isso, um abraço e flw!!!

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