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domingo, 6 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Cannibal Corpse e Sepultura *Extra do Public Enemy e Yunk Vino (RA: LI)

                 

A Skeletal Domain – Cannibal Corpse





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passam, e a banda lança seu 12º trabalho, A Skeletal Domain, que traz pequenas mudanças. Após o último álbum ter sido muito fraquinho e com muitos erros, eles decidiram trocar várias coisas, principalmente na concepção de seu futuro álbum, já que continuavam a se expandir no cenário, equilibrando brutalidade com técnica refinada. Este disco quis trazer uma abordagem ligeiramente mais moderna em termos de produção e composição, mas sem sacrificar a essência da banda. Dessa vez, Mark Lewis produziu o álbum, deixando Erik Rutan de lado, ele decidiu criar um trabalho mais balanceado, permitindo que cada instrumento fosse ouvido com clareza e impacto. As guitarras de Pat O’Brien e Rob Barrett estão muito mais técnicas, o baixo de Alex Webster é sólido, e a bateria de Paul Mazurkiewicz está mais articulada. O foco de Lewis foi na definição sonora, sem perder o peso brutal característico da banda. Basicamente, eles criaram uma sonoridade muito mais polida, mas que funcionasse para equilibrar todo aquele ritmo cadencioso da banda. O repertório é bastante interessante, trazendo canções mais precisas como High Velocity Impact Spatter, Kill or Become e Funeral Cremation, além, é claro, de Asphyxiate to Resuscitate, que é bastante dinâmica. Porém, as canções que mais se destacam são Sadistic Embodiment e Icepick Lobotomy, por conta dos seus riffs intensos. No final de tudo, é um ótimo trabalho deles, porém muito subestimado.

Red Before Black – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9/10


Depois de algum tempo, a banda lança seu 14º álbum, o Red Before Black, que trouxe muita consistência. Após A Skeletal Domain, que apresentou um som polido, com uma produção um pouco mais refinada, mas ainda brutal, esse novo trabalho decidiu retornar com aquela energia insaciável e um compromisso inabalável com seu som brutal. Além disso, a banda voltou a trabalhar com Erik Rutan, que foi escolhido novamente devido à sua capacidade de capturar a essência brutal da banda. O trabalho da produção, como um todo, trouxe uma abordagem focada em destacar a performance crua da banda sem comprometer os detalhes da mixagem. Aqui, os vocais de Corpsegrinder são contundentes, com seu estilo gutural característico. Os riffs das guitarras de Rob Barrett e Pat O'Brien soam nítidos e incisivos, enquanto Alex Webster e Paul Mazurkiewicz exibem técnica impressionante no baixo e na bateria, respectivamente, fazendo coisas inacreditáveis. Apesar de todo o balanceamento, é possível sentir a entrega de cada um dos integrantes. O repertório é excelente, e as canções seguem um caminho mais agressivo, como se nota em Only One Will Die, Firestorm Vengeance e Destroyed Without a Trace. Há também outras faixas que levam a brutalidade a um nível ainda maior, como Code of the Slashers, Heads Shoveled Off, In the Midst of Ruin e, claro, a faixa-título, que são sensacionais. No final, é um baita disco e um trabalho muito interessante.

Violence Unimagined – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,6/10


O tempo passou, e, depois de quatro anos, o Cannibal Corpse retorna com Violence Unimagined. Nesse novo trabalho, a formação da banda passou por uma mudança com a inclusão de Erik Rutan como guitarrista. Vale lembrar que ele ainda continuava com sua banda Hate Eternal e também seria a mente por trás desse disco. Ele veio para substituir temporariamente Pat O’Brien após uns incidentes pessoais, mas sua chegada teve um impacto imediato, já que foi uma surpresa e trouxe uma expectativa de algo novo e técnico, considerando sua expertise tanto como guitarrista quanto como produtor. Como mencionado, Rutan produziu este álbum e, mais uma vez, trouxe uma clareza impressionante sem sacrificar a brutalidade característica. As guitarras soam complexas, o baixo de Alex Webster tem um peso e uma presença poderosos, enquanto a bateria de Paul Mazurkiewicz, embora tecnicamente eficiente, é totalmente precisa. Assim, toda a sonoridade é extremamente equilibrada, emulando aquele lado brutal e, ao mesmo tempo, técnico do Death Metal. O repertório é muito interessante, e as canções seguem por um lado mais denso, como é o caso de Necrogenic Resurrection, Surround, Kill, Devour, Slowly Sawn e a curtinha Overtorture. No entanto, as que mais se destacam são Murderous Rampage, Inhumane Harvest e Follow the Blood, que são devastadoras. Enfim, é um ótimo disco da banda, apesar de ser um pouco mais cadenciado.

Chaos Horrific – Cannibal Corpse





















NOTA: 8/10

E então chegamos ao último trabalho da banda, lançado no ano passado, o Chaos Horrific, que trouxe poucas mudanças. Após o Violence Unimagined, que foi para um lado mais balanceado. Após tudo aquilo, Erik Rutan substituiu definitivamente Pat O'Brien, e sua adição trouxe uma nova energia e técnica, sendo a peça que manteve o Cannibal Corpse afiado. A expectativa para esse novo trabalho era grande, não apenas por ser um álbum pós-pandemia, mas também porque havia a premissa de ser um pouco mais diferenciado que seu disco anterior. A produção foi novamente liderada por Erik Rutan, trazendo, mais uma vez, aquela clareza rara no Death Metal, permitindo que cada instrumento seja ouvido em toda sua brutalidade, sem que o caos sonoro se torne confuso, diferentemente do Torture. Porém, há muita coisa diferente, como as guitarras estarem mais afiadas e cortantes e as linhas vocais do Corpsegrinder estarem mais ferozes e imponentes, soando ainda mais intensas graças à clareza de toda a sonoridade. Atingindo um nível técnico altíssimo, o álbum reflete tanto a experiência de Rutan quanto a maturidade da banda. O repertório é ótimo, com toda aquela brutalidade, mas um pouco mais intenso em faixas como Overlords of Violence, Frenzied Feeding e na faixa-título. Ao mesmo tempo, o álbum vai para um lado mais técnico em músicas como as excelentes Blood Blind e Pestilential Rictus. No final das contas, é um álbum bem legal, apesar de ser uma continuação de seu antecessor.

He Got Game – Public Enemy 





















NOTA: 9,3/10


Bem, faltou apenas mencionar o outro trabalho que o Public Enemy lançou em 1998, o seu 6º álbum de estúdio, o He Got Game (acabei pulando sem querer). Além de ser mais um disco do grupo, ele serviu como trilha sonora do filme de mesmo nome, dirigido por Spike Lee e estrelado por Denzel Washington. Este álbum foi lançado em um período em que o Hip Hop/Rap estava passando por transformações. A era de ouro já havia passado, e o gênero estava se diversificando, tanto em termos de som quanto de conteúdo. Naquele intervalo de quatro anos, após terem lançado seus álbuns mais clássicos, eles voltaram a trabalhar com a Bomb Squad e também tiveram o retorno do Professor Griff. Esse álbum veio com uma expectativa e a tarefa de se alinhar com a mensagem do filme. A produção do álbum ficou majoritariamente nas mãos de Chuck D e da Bomb Squad, e a sonoridade é carregada com uma energia mais suave em comparação aos trabalhos anteriores do grupo, refletindo a temática do filme, mas mantendo a assinatura crítica e consciente. Os samples são dinâmicos, puxando para o Rock e o Funk (logicamente o americano). O repertório é excelente, e as canções são muito interessantes, cheias de críticas, como em Unstoppable, What You Need Is Jesus e House Of The Rising Son, mas as que mais se destacam são, logicamente, a clássica faixa-título e a energética Go Cat Go. No fim, esse trabalho é incrível, apesar de não ter tido grande sucesso comercial.

M.A.D 2 – Yunk Vino 





















NOTA: 8,8/10


Falando agora da nova mixtape lançada pelo Yunk Vino, que veio como a continuação da mix anterior, algo que fica claro no título Meu Amigo Diário, Vol. 2. O rapper vinha conquistando cada vez mais notoriedade na cena urbana desde seus primeiros lançamentos. Continuando com aquela estética visual forte e um flow característico, ele se destacou pela sua versatilidade em mesclar referências globais e nacionais. O volume 1 foi uma peça-chave para colocar o Vino em destaque na cena, pois o contexto dessas mixtapes era mostrar seu amadurecimento como artista e em sua vida pessoal. A produção contou, mais uma vez, com um monte de gente, os que mais apreceram foram Stuani, Neckklacke e Bvga Beatz, além de outros como Nagalli e Kenji. Todos seguiram a linha moderna do Trap, mas adicionaram camadas mais densas, com beats que exploram texturas mais atmosféricas e uma mistura de elementos melódicos e graves pesados. Toda a sonoridade é precisa e polida, criando uma experiência imersiva e totalmente conectada. O repertório novamente ficou muito bom, e algumas canções seguem um lado mais Hard, como Eu vs Me, além das excelentes US! e Get It. O uso do Plug é frequente em outras faixas, como Dueto, She Said No Words e a sensacional DVD, que conta com a ótima participação do Ryu, the Runner. Tudo aqui ficou muito coeso. No fim, apesar de o volume 1 ter sido melhor por ser mais reflexivo, a continuação ficou muito bem-feita.

Morbid Visions – Sepultura 





















NOTA: 8/10


Depois de lançarem seu primeiro trabalho no formato de EP, o Sepultura, no ano seguinte, acabou lançando o seu primeiro álbum, o Morbid Visions. Após o lançamento do Bestial Devastation, um trabalho que já dava indícios da inclinação deles para o Metal extremo, com influências de Venom, Slayer, Hellhammer e Celtic Frost, o contexto em que o Sepultura surgia era o de uma cena brasileira efervescente no Metal, apesar de todas as dificuldades de produção, equipamentos precários e a falta de apoio da indústria. A produção feita pela banda junto com Zé Luis, no estúdio Estúdios Vice Versa, em Belo Horizonte, acabou resultando em uma sonoridade abafada, com pouca clareza nos instrumentos, o que acabou sendo uma característica charmosa para fãs de Metal extremo, mas uma limitação técnica comparada aos padrões atuais. A bateria do Igor Cavalera, por exemplo, soa distante e pouco precisa em vários momentos, enquanto as guitarras de Max Cavalera e Jairo Guedz são cortantes, mas carecem de nitidez. Apesar de ter sido mal gravado, os temas abordados acabaram se encaixando com toda aquela pegada de Thrash Metal misturada com Death Metal e Black Metal. O resultado foi um repertório interessante, com algumas canções notáveis, como Troops of Doom, War e Funeral Rites, mas também tem algumas músicas sem graça, como Mayhem e Crucifixion. Em suma, apesar de ter sido mal gravado, é um bom disco (e olha que isso é raro de acontecer).

Schizophrenia – Sepultura 





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, o Sepultura lança seu 2° álbum, o Schizophrenia, que veio com pequenas mudanças. Após o lançamento do álbum de estreia, a banda estava em transição, pois teve que lidar com a saída de Jairo Guedz. Em seu lugar entrou Andreas Kisser, que trouxe uma nova dimensão, algo que seria crucial na evolução do som da banda. O Sepultura, já começando a atrair atenção no cenário do Metal underground, buscava um som mais técnico e variado, em comparação com o estilo mais rudimentar do primeiro álbum. A produção foi feita por Tarso Senra junto com a própria banda. Dessa vez, a sonoridade é mais refinada, mas ainda mantém aquele lado mais cru. Além disso, eles se aproximaram mais do Thrash Metal, afastando-se um pouco do Death Metal. A qualidade ficou bem melhor que a do seu antecessor. A mixagem realça o som cortante das guitarras, o vocal abrasivo de Max Cavalera e a bateria precisa de Igor Cavalera. A adição de Kisser na guitarra trouxe riffs mais técnicos e solos inspirados na cena americana, que ajudaram a moldar a sonoridade característica da banda. O repertório ficou sensacional, e as canções são todas muito pesadas, como To the Wall, Escape to the Void e Septic Schizo, que são incríveis, além de outras músicas muito boas como From the Past Comes the Storms, R.I.P. (Rest in Pain) e a ótima faixa instrumental Inquisition Symphony. No final de tudo, é um baita disco, que se tornou um clássico do Metal nacional.

Beneath the Remains – Sepultura  





















NOTA: 9,6/10


Dois anos se passam, e o Sepultura lança o clássico Beneath the Remains, que vem cheio de grandiosidade. Após o Schizophrenia, que ajudou a estabelecer a reputação da banda na cena underground do Metal extremo, os dois primeiros discos, apesar de trazerem a crueza e agressividade típicas do Thrash e Death Metal, ainda mostravam uma banda em desenvolvimento. No entanto, foi após o lançamento do último álbum que eles despertaram a atenção da Roadrunner Records. Com o apoio da nova gravadora, o Sepultura teve a oportunidade de gravar esse álbum e alcançar maior divulgação fora do Brasil. A produção foi feita por Scott Burns, o renomado produtor da cena Death Metal da Flórida. Mesmo com um orçamento baixíssimo, a presença de Burns garantiu uma qualidade de produção muito superior à dos álbuns anteriores. Ele foi fundamental para capturar o som pesado, denso e técnico da banda, aprimorando a clareza dos instrumentos, especialmente a bateria de Igor Cavalera, sem perder a agressividade que caracterizava o som deles. O repertório é espetacular, começando com dois clássicos, que são a faixa-título e a lendária Inner Self, além de outras canções sensacionais como Sarcastic Existence, Slaves of Pain e Primitive Future. No remaster de 1997, eles incluíram um ótimo cover em inglês da canção A Hora e a Vez do Cabelo Nascer dos Mutantes. Enfim, esse disco é maravilhoso e um clássico do Thrash Metal.

Arise – Sepultura 





















NOTA: 9,9/10


Indo agora para Arise, que foi basicamente ainda mais agressivo que o álbum anterior. Após lançarem o clássico Beneath the Remains, que lhes deu reconhecimento fora do Brasil, o Sepultura se encontrou sob grande expectativa para o próximo lançamento. Eles quiseram expandir seu som, buscando ser mais do que apenas uma banda de Metal extremo tradicional. Este álbum também reflete uma maior maturidade nas letras, que se afastam um pouco dos temas de destruição apocalíptica e abordam questões mais amplas, como religião, política e controle social. Novamente, a produção ficou a cargo de Scott Burns, e eles foram gravar na Flórida, onde tiveram mais recursos técnicos e a oportunidade de trabalhar com equipamentos de ponta. Soando mais polido que seus antecessores, além de trazer uma sonoridade que ainda tinha bastante Thrash Metal, eles incorporaram elementos do Death Metal, influências industriais e até experimentações com percussão tribal, que se tornariam mais evidentes em trabalhos futuros. Mais uma vez, o repertório é magnífico, e já no início começa com a clássica faixa-título, seguida por Dead Embryonic Cells e Desperate Cry, que são sensacionais, além de outras como Altered State e Meaningless Movements. Não posso esquecer da faixa bônus, que é o cover de Orgasmatron do Motörhead, que ficou tão bom quanto a original. No fim, esse trabalho é mais um clássico da banda, mostrando o quanto a banda mineira estava voando.
  

Analisando Discografias - Cannibal Corpse (RA: L)

                 

Tomb Of The Mutilated – Cannibal Corpse





















NOTA: 9,4/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com seu 3º álbum, o Tomb Of The Mutilated, e eles acertaram em tudo. Após o Butchered at Birth, que, apesar de ser um trabalho bem ruinzinho, trouxe notoriedade pela capa violenta e pelo conteúdo lírico extremo, o que chamou a atenção de críticos, fãs de metal e censores. Esse crescimento na popularidade preparou o terreno para um novo álbum que se destacaria por intensificar ainda mais as características do som da banda. A produção contou com o mesmo produtor de sempre, e o álbum segue a tradição de uma sonoridade crua, brutal e técnica, só que desta vez ficou limpa o suficiente para que a precisão técnica dos músicos fosse evidente, mas, ao mesmo tempo, preserva a atmosfera sombria e brutal que o Cannibal Corpse buscava. Além disso, os vocais de Chris Barnes são cheios de grunhidos que, de certo modo, são quase inaudíveis, mas funcionaram muito bem, e os riffs de Jack Owen e Bob Rusay são cheios de energia. O repertório é completamente incrível, começando com as sensacionais Hammer Smashed Face e I Cum Blood, que são carregadas de brutalidade, além de outras canções como Split Wide Open, Entrails Ripped From a Virgin’s Cunt e Post Mortal Ejaculation, que são extremamente pesadas (e sim, os títulos dessas músicas são totalmente ridículos, mas era o que eles inventavam, né). Enfim, esse álbum é um clássico do Death Metal e um dos melhores trabalhos da banda.

The Bleeding – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9,1/10


Dois anos se passam, e o Cannibal Corpse lança mais um novo trabalho, o The Bleeding, que é um pouco diferente. Esse álbum trouxe uma evolução significativa em termos de composição e estrutura musical, diferentemente dos álbuns anteriores, que eram mais focados na brutalidade extrema. Além disso, o baixista Alex Webster e o guitarrista Jack Owen começaram a se destacar mais como os principais compositores, o que influenciou uma direção muito mais técnica e madura para a banda. A produção foi feita, mais uma vez, por Scott Burns, e a gravação foi realizada novamente no famoso Morrisound Recording, na Flórida, conhecido por ser o epicentro da cena do Death Metal no início dos anos 90. O que eles conseguiram foi uma sonoridade mais clara e definida, com um som mais polido e equilibrado, destacando os elementos técnicos da banda sem sacrificar a agressividade. As guitarras têm uma tonalidade mais nítida, e os vocais de Barnes, apesar de ainda brutais, apresentam mais variação de entonação, mostrando até uma certa evolução. O repertório é excelente, com muitas canções interessantes como Pulverized, She Was Asking For It e Forced Fed Broken Glass, que mantêm aquela brutalidade característica. No entanto, as melhores são Fucked With A Knife, Stripped, Raped and Strangled, e a faixa-título, que são verdadeiros socos na cara. No final das contas, é um álbum espetacular que marcou a ótima fase pela qual a banda passava.

Vile – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,8/10


O tempo se passa, e a banda retorna com algumas mudanças, lançando o seu 5º álbum, o Vile. Depois de The Bleeding, o vocalista Chris Barnes saiu para se dedicar ao seu projeto paralelo o Six Feet Under, e no seu lugar entrou George Fisher, que todo mundo conhece pelo clássico apelido "Corpsegrinder". Essa mudança fez com que esse álbum introduzisse um novo estilo vocal com Fisher, que trouxe uma abordagem mais técnica e versátil aos vocais. Embora inicialmente esse trabalho tenha sido planejado para ser o último álbum com Barnes, a entrada do Corpsegrinder revitalizou a banda. A produção foi a mesma de sempre, trazendo uma sonoridade limpa e polida para os padrões do Death Metal da época, mantendo a tradição dos álbuns anteriores, mas elevando o nível de clareza e definição dos instrumentos. Os riffs das guitarras estão mais nítidos, e o baixo de Alex Webster tem uma presença mais destacada, reforçando a complexidade das linhas de baixo, algo que sempre foi uma marca do Cannibal Corpse. Além disso, as baterias de Paul Mazurkiewicz soam precisas e impactantes. O repertório é excelente, e as canções ficaram mais estruturadas, como Perverse Suffering e Eaten from Inside, além de outras que são extremamente agressivas e ficaram excelentes, como Devoured by Vermin e Bloodlands. No fim, é um ótimo trabalho da banda, e mesmo com a troca de vocalista, tudo segue da mesma forma.

Gallery Of Suicide – Cannibal Corpse





















NOTA: 9,2/10

Mais um tempo se passa, e o Cannibal Corpse lança mais um trabalho incrível, o Gallery of Suicide. Após o Vile, que teve uma ótima recepção com o novo vocalista George Fisher, a banda se estabilizou com Corpsegrinder nos vocais e trouxe um novo guitarrista, Pat O'Brien (ex-Nevermore), que se juntou à formação após a saída de Rob Barrett. Esse álbum é muito mais atmosférico e diversificado, explorando uma variedade maior de tempos e estilos. A produção foi feita por Jim Morris, que trabalhou nos últimos álbuns do Death, e ele trouxe uma produção menos polida e um pouco mais crua em comparação com o anterior, o que dá uma diferença sutil na forma como os instrumentos foram gravados e mixados, com uma sensação um pouco mais orgânica e menos comprimida. O som das guitarras é mais cortante, especialmente o de O'Brien, cujos riffs são totalmente complexos, enquanto o baixo de Alex Webster permanece proeminente, oferecendo texturas que complementam a atmosfera sombria do álbum. O repertório é espetacular, e todas as canções exalam muita agressividade, como as três primeiras faixas: I Will Kill You, Disposal of the Body e Sentenced to Burn, que são sensacionais, depois tem uma outra também que é Chambers of Blood, fora as outras canções como a faixa instrumental From Skin to Liquid, além de Centuries of Torment. Enfim, é mais um trabalho excelente da banda e totalmente pesado.

Bloodthirst – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,5/10


Logo depois, eles lançam Bloodthirst, que é quase uma continuação do álbum anterior. Esse disco traz uma continuidade na direção musical mais técnica e coesa que a banda vinha explorando desde a entrada de Corpsegrinder nos vocais e do guitarrista Pat O'Brien. Após os experimentos atmosféricos e melódicos de Gallery of Suicide, esse novo trabalho retorna a um foco mais direto e brutal, além de mostrar um amadurecimento à medida que a banda explora ainda mais as complexidades do Technical Death Metal. A produção ficou a cargo de Colin Richardson, um renomado produtor britânico, que trouxe um som polido, agressivo e preciso, dando uma nova dimensão ao som da banda, destacando a clareza e a nitidez dos instrumentos sem perder a crueza e brutalidade características. As guitarras de Jack Owen e Pat O'Brien são afiadas e articuladas, com os riffs e solos ganhando mais destaque graças à produção clara. A bateria de Paul Mazurkiewicz está pesada e definida, enquanto o baixo de Alex Webster tem uma presença poderosa. O repertório é muito interessante, com muitas canções que seguem por um lado mais versátil, como Dead Human Collection, Ecstasy in Decay e Condemned to Agony, enquanto outras assumem um lado mais técnico e sombrio, como Unleashing the Bloodthirsty e Hacksaw Decapitation, que ficaram excepcionais. No final de tudo, é um disco muito bom, mostrando a banda totalmente afiada.

Gore Obsessed – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,7/10


Depois de um intervalo de três anos, em 2002, o Cannibal Corpse lança mais um trabalho, Gore Obsessed. Após o Bloodthirst, a banda continuou sua trajetória de brutalidade musical e exploração de temas gráficos, com letras centradas em violência, gore e horror corporal. Esse disco mantém a intensidade dos lançamentos anteriores, mas com uma abordagem mais crua e direta, voltada para o lado mais visceral e menos técnico do Death Metal. Dessa vez, a produção ficou a cargo de Neil Kernon, conhecido por seu trabalho com outras bandas de Metal extremo. Ele trouxe uma produção mais crua, especialmente em comparação com o álbum anterior. Além disso, toda essa sonoridade brutal é resultado do peso das guitarras de Pat O’Brien e Jack Owen, com riffs densos e solos afiados, enquanto o baixo de Alex Webster tem uma presença robusta, e a bateria de Paul Mazurkiewicz é totalmente precisa, com uma produção que permite sentir a força de cada batida. E, é claro, o vocal do Corpsegrinder é completamente intenso. O fato é que tudo funcionou bem. O repertório é muito bom, e as canções são completamente agressivas, como Dormant Bodies Bursting, Mutation of the Cadaver e a estranha Drowning in Viscera. Além disso, há outras que são verdadeiras tijoladas, como Hatchet to the Head, Pit of Zombies e Hung and Bled, que têm muitos riffs marcantes. Enfim, é mais um trabalho muito legal da banda e que, de certo modo, é bem moderado.

The Wretched Spawn – Cannibal Corpse 





















NOTA: 9,3/10


Mais dois anos se passam, e o Cannibal Corpse retorna com outro trabalho magnífico, o The Wretched Spawn. Este álbum segue a linha brutal e sanguinária do grupo, mantendo o estilo agressivo e gráfico que consolidou a banda como uma das maiores no gênero. A banda já era famosa por letras grotescas e uma execução técnica complexa, e este álbum não foge à regra, apresentando tanto o amadurecimento da formação quanto uma continuidade de seu som visceral, algo evidente também na capa deste disco. A produção ficou a cargo de Neil Kernon, que já havia trabalhado com nomes como Nile e Deicide. A sonoridade é mais uma vez marcada por uma clareza brutal que destaca os riffs esmagadores de guitarra, a bateria ultrarrápida de Paul Mazurkiewicz e os vocais guturais de George "Corpsegrinder" Fisher. Outra coisa notável é que a mixagem foi muito trabalhada, já que cada instrumento tem o seu destaque, ao mesmo tempo em que a energia crua da banda é mantida. Isso porque eles queriam fazer um trabalho carregado de brutalidade, assim como foi em Gallery of Suicide. O repertório ficou excelente, e desde o início as canções são superpesadas, como é o caso de Severed Head Stoning, Decency Defied, Frantic Disembowelment e Blunt Force Castration, todas elas sensacionais e muito técnicas, além, claro, de outras como The Wretched Spawn e Bent Backwards and Broken. No final de tudo, é um disco excepcional e cheio de precisão.

Kill – Cannibal Corpse 





















NOTA: 8,5/10


Depois de mais um intervalo, a banda lança seu 10º álbum, intitulado Kill, e, sim, dessa vez a capa não é sangrenta e muito menos grotesca. Este novo trabalho marca algumas mudanças, como, por exemplo, a continuidade do vínculo com a gravadora Metal Blade. Além disso, ocorreu a saída do guitarrista Jack Owen, e Pat O'Brien assumiu mais responsabilidades na composição ao lado de Alex Webster, o que resultou em um som mais refinado e técnico. No lugar de Owen, eles trouxeram de volta o Rob Barrett. A produção foi feita pelo renomadíssimo Erik Rutan, ex-membro do Morbid Angel e líder do Hate Eternal, que trouxe uma abordagem mais crua e direta, enquanto ainda preservava a clareza dos instrumentos. O trabalho dele acentuou a brutalidade do som da banda, mas também deu espaço para que a técnica dos músicos se destacasse. As guitarras soam afiadas, o baixo de Alex Webster é poderoso e definido, e a bateria de Paul Mazurkiewicz está mais rápida e precisa do que nunca. O repertório é muito bom, e as faixas iniciais exalam brutalidade, como The Time to Kill Is Now e Make Them Suffer, que são espetaculares, além de outras como Five Nails Through the Neck, Maniacal e Death Walking Terror, que têm riffs inacreditáveis. No entanto, eles erraram em apenas uma música: Brain Removal Device, onde a composição deixou a desejar. Enfim, esse trabalho é excelente e um dos mais interessantes da banda.

Evisceration Plague – Cannibal Corpse  





















NOTA: 8,8/10


No início de 2009, o Cannibal Corpse lança o Evisceration Plague, que é basicamente uma continuação do seu antecessor. Após o Kill, a banda reafirmou sua posição como uma das mais consistentes e influentes do Death Metal. Este álbum trouxe uma continuidade natural da sonoridade técnica e brutal que os caracteriza, com uma produção mais refinada e um enfoque maior na precisão instrumental. Alex Webster e Pat O’Brien decidiram fazer composições que refletissem a maturidade musical da banda. A produção novamente contou com Erik Rutan, e ele conseguiu extrair o melhor dos integrantes, criando um som extremamente poderoso. A qualidade da produção se deve ao equilíbrio entre os instrumentos. Cada elemento, desde o baixo pesado e intrincado de Webster até os riffs cortantes de O’Brien e Rob Barrett, é cristalino, mas sem perder o peso característico deles. A bateria de Paul Mazurkiewicz soa mais precisa e implacável do que nunca, e os vocais do Corpsegrinder são totalmente ferozes. O repertório, mais uma vez, é muito bom e tem muitas canções interessantes, como Priests of Sodom, Beheading and Burning e Shatter Their Bones, que alternam entre agressividade e técnica. No entanto, as músicas que mais se destacam são Evidence in the Furnace e a faixa-título, que, apesar de serem mais atmosféricas, têm muita envolvência em seus riffs pesadíssimos. No fim, apesar de ser uma continuação de seu antecessor, é um trabalho bacana e até melhorado.

Torture – Cannibal Corpse 





















NOTA: 6/10


Aí chega 2012, e após muito tempo, a banda lança o Torture, que tinha tudo para ser um álbum incrível, mas não foi o que aconteceu. Após o sucesso do Evisceration Plague, o Cannibal Corpse continuou sua trajetória com Erik Rutan na produção. Dessa vez, eles queriam equilibrar a agressividade visceral e a técnica refinada que a banda vinha aprimorando ao longo dos anos. Com isso, o Cannibal Corpse buscou manter sua essência enquanto apresentava composições ainda mais sólidas e uma dinâmica afiada. A produção foi praticamente a mesma, porém trazia um lado mais detalhado, com cada instrumento capturado com clareza, sem sacrificar o impacto brutal que caracteriza o som deles. O trabalho de Rutan permitiu que a intensidade das composições fosse ouvida em sua totalidade, desde os riffs complexos de Pat O’Brien e Rob Barrett até o baixo intrincado de Alex Webster. Porém, o maior erro foi fazer canções que não combinavam nem um pouco com os temas propostos, tipo alguns arranjos são legais, mas ficaram totalmente mal explorados. O repertório até que é interessante no início, com Demented Aggression e as fantásticas Sarcophagic Frenzy e Scourge of Iron, mas depois vem um monte de canções genéricas e sem emoção, como Intestinal Crank e Crucifier Avenged. As únicas exceções ficam por conta de Torn Through e Followed Home Then Killed, que são totalmente coesas. Enfim, esse trabalho é mediano e representa um tropeço bobo da banda.
    

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Síntese, Death e Cannibal Corpse (RA: XLIX)

                 

Ambrosia – Síntese





















NOTA: 6,3/10


O tempo passou e, perto do fim daquele complicado ano de 2020, saiu mais um trabalho do Síntese, o Ambrosia. Depois do último lançamento, Neto, além de fazer muitos shows, participou de vários trabalhos de outros rappers, como, por exemplo, a cypher Poetas no Topo 3.2 da Pineapple. Após tudo isso, uma boa notícia surgiu, pois Léo já estava melhor e retornou ao Síntese, formando novamente a dupla como foi no disco de estreia, que juntos traziam uma visão de mundo muito particular, alimentada por suas experiências pessoais e uma constante busca por respostas. Esse álbum contou com vários produtores, além do próprio Neto, e, como sempre, manteve aquela estética minimalista e introspectiva, característica da dupla, misturando ainda mais beats de Jazz e R&B, criando uma atmosfera meditativa que valoriza as letras poéticas de Neto e Léo. O problema, no entanto, é que, por ter muita gente colaborando, a sonoridade em si ficou confusa, pois parece que cada produtor fez uma música diferente, e na seguinte já era outro, o que faz com que as linhas instrumentais de cada canção não combinem entre si. O repertório, no início, é muito interessante por conta das canções Lei dos Céus e as sensacionais Salmo Perdido e Da Sul pra Leste, mas logo depois vêm várias canções chatas como Maçãs, Porta dos Cães, A Rua Sabe e várias outras. Algumas exceções vão para Medalhão e MMXX. Enfim, esse trabalho é muito mediano; parece que faltou clareza em toda sua concepção.

Scream Bloody Gore – Death 





















NOTA: 9,7/10


Agora falando sobre o clássico álbum de estreia da banda Death, o Scream Bloody Gore, que fez um verdadeiro barulho na cena do Metal. Fundada por Chuck Schuldiner em 1983, a banda começou sob o nome de Mantas, mas logo se tornou Death, um nome que resumia a temática lírica e estética da banda. No início, Death era profundamente influenciada pelas bandas Nasty Savage, Slayer e Venom, que já abordavam temas sombrios e violentos. No entanto, Chuck queria ir além e empurrar os limites para algo ainda mais agressivo. Logo após, ele chamou um baterista para integrar a banda, o jovem Chris Reifert. A produção foi feita por Randy Burns com a ajuda de Chuck, tendo uma abordagem crua e visceral, refletindo a natureza brutal e sem polimento do que se chamaria de Death Metal. Chuck Schuldiner tocou tanto guitarra quanto baixo no álbum, pois a falta de uma banda completa fez com que o vocalista assumisse boa parte da responsabilidade pela criação do disco. O som é caracterizado por guitarras distorcidas e pesadas, batidas rápidas e vocais guturais, que na época eram extremamente inovadores. O repertório é fantástico, e todas as canções são um verdadeiro soco na cara, como Infernal Death, Zombie Ritual, Sacrificial, Torn to Pieces, Evil Dead e Regurgitated Guts, além das outras. Sim, parece que o nome dessas músicas saiu de um filme de terror, pois é a inspiração foi essa. Enfim, esse disco é um verdadeiro clássico do gênero e mostrava o talento de Chuck.

Leprosy – Death 





















NOTA: 9,1/10


Um ano se passa, e é lançado o 2º álbum do Death, o Leprosy, que também é completamente sensacional. Após o Scream Bloody Gore, o Death se tornou rapidamente um nome de referência no underground do Metal extremo. O sucesso do álbum fez com que Chuck Schuldiner começasse a trabalhar em um material novo, querendo expandir o som da banda. Durante o período entre o primeiro e o segundo álbum, Chuck recrutou uma formação mais sólida, com Rick Rozz na guitarra, Terry Butler no baixo e Bill Andrews na bateria, o que permitiu uma maior coesão na criação das músicas. A produção foi bem diferente, já que desta vez foi gravada na Flórida, em vez de Los Angeles, com a produção de Dan Johnson e Scott Burns trabalhando como engenheiro de som, que mais tarde se tornaria uma figura icônica na produção dos álbuns de Death Metal. A produção trouxe uma clareza que o anterior não tinha, sem perder a agressividade e intensidade características da banda. As guitarras são mais pesadas, os vocais mais definidos, e a bateria tem uma presença mais marcante, com mais foco nas variações rítmicas e nos blast beats. O repertório, novamente, é fantástico e cheio de canções superpesadas, como a faixa-título, Left to Die e Pull the Plug, além de outras cheias de brutalidade e técnica, como Born Dead e Choke on It. No fim, é um álbum sensacional e, junto com seu antecessor, é uma verdadeira obra-prima do Death Metal.

Spiritual Healing – Death





















NOTA: 8,6/10


Era começo dos anos 90, e já em fevereiro de 1990 a banda lança mais um novo trabalho, o Spiritual Healing. Depois do Leprosy, o Death já era uma das principais bandas do Death Metal. No entanto, Chuck Schuldiner estava evoluindo como músico e compositor, começando a explorar temas mais complexos. Ele se afastou dos temas de violência grotesca e terror dos dois primeiros álbuns, focando em temas de horror cotidiano, incluindo assassinos em série, dependência de drogas e reconstrução genética, que foi influenciado por um programa de TV da emissora americana ABC. A banda continuou com a mesma formação, mas contando com o guitarrista James Murphy (e vão se acostumando, pois eles sempre trocam de guitarrista). A produção foi feita por Chuck Schuldiner, junto com Eric Greif e, mais uma vez, com Scott Burns. A sonoridade é muito mais refinada e polida, permitindo uma maior clareza nas camadas instrumentais, especialmente nas guitarras. A produção é mais técnica, e os arranjos são mais elaborados, refletindo o avanço técnico da banda, o que permitiu solos mais complexos de Chuck e Murphy, sem perder a essência. O repertório é muito bom, com canções melódicas e com temas precisos, como Living Monstrosity, Defensive Personalities e Low Life, além da excelente agressividade contida em Genetic Reconstruction e, claro, na faixa-título. No final de tudo, é um ótimo trabalho da banda, que seguiu por um caminho mais técnico, e que funcionou.

Human – Death 





















NOTA: 8,8/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com mais um álbum intitulado o Human, que vinha ainda mais técnico. Após os três primeiros discos do Death terem ajudado a moldar o Death Metal como um subgênero, Chuck Schuldiner ainda continuava insatisfeito com o direcionamento criativo das obras anteriores e procurava expandir o som da banda. Além disso, ele começou a trabalhar com músicos de estúdio e ao vivo, devido a relacionamentos ruins com a seção rítmica e aos guitarristas anteriores. Então, todo mundo que estava na banda vazou, e entraram no lugar o guitarrista Paul Masvidal e o baterista Sean Reinert, ambos da banda Cynic, e o baixista Steve DiGiorgio, com sua brilhante habilidade no fretless bass. A produção foi totalmente conduzida por Scott Burns, e eles gravaram no lendário Morrisound Recording. O álbum se beneficiou de uma produção clara e nítida, o que permitiu que os arranjos complexos, com uma técnica refinadíssima, se destacassem. Além disso, aquela sonoridade, com guitarras afiadas, bateria precisa e dinâmica, além de um baixo fretless, deixou tudo bem sofisticado. O repertório é ótimo, e as canções são todas técnicas, porém cruas, como as sensacionais Flattening of Emotions, Secret Face e See Through Dreams, além de terem faixas mais progressivas como Lack of Comprehension e a faixa instrumental Cosmic Sea. Toda essa técnica experimental faz sim esse trabalho ser de Metal progressivo. No fim, é mais um disco muito bom que amplificou ainda mais aquela cena.

Individual Thought Patterns – Death 





















NOTA: 10/10


Após um intervalo de dois anos, é lançada uma das maiores obras-primas do Death Metal, o clássico Individual Thought Patterns. Após o último álbum ter trazido uma transição para um estilo mais técnico e progressivo, que se distanciou daquele lado mais tradicional, este álbum dá continuidade a essa evolução. Lançado em uma época em que Chuck Schuldiner buscava explorar ainda mais a sofisticação musical, ele reuniu músicos de altíssimo calibre para esse projeto, ou seja, houve mais uma troca de integrantes, chegando o baterista Gene Hoglan, do Dark Angel, e o baixista Steve DiGiorgio, do Sadus, que contribuíram significativamente para a complexidade do som da banda. A produção foi conduzida novamente por Scott Burns, que desta vez explorou uma abordagem mais refinada e detalhada. A instrumentação é totalmente técnica, especialmente o baixo fretless de Steve DiGiorgio, com linhas de baixo intrincadas e audíveis, algo raro no Death Metal tradicional. A bateria de Hoglan é poderosa e precisa, e o estilo de guitarra de Chuck, caracterizado por riffs complexos e solos melódicos, é perfeitamente capturado. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea, todas as canções são pesadas e cheias de experimentalismo, como Overactive Imagination, Jealousy, Trapped In A Corner, Destiny e The Philosopher. Sério, tudo aqui é perfeito. Enfim, esse disco é sensacional, totalmente pesado e eleva o subgênero Technical Death Metal a outro nível.

Symbolic – Death 





















NOTA: 10/10


Mais dois anos depois, o Death lança mais um álbum magnífico, o Symbolic, que seguia a mesma fórmula do anterior. Após o lançamento do maravilhoso Individual Thought Patterns, a expectativa em torno de um novo álbum era alta. Chuck continuava sua busca por uma sonoridade cada vez mais refinada, explorando temas filosóficos, emocionais e existenciais em suas letras. A formação contou novamente com Gene Hoglan na bateria, e trouxe Bobby Koelble na guitarra e Kelly Conlon no baixo. Além disso, a banda trocou de gravadora, saindo da Relativity e indo para a Roadrunner, e aí eles foram fazer um dos discos mais completos de Death Metal. A produção contou dessa vez com Jim Morris, que potencializou uma sonoridade cristalina e poderosa. Diferentemente daquela forma mais tradicional, onde o baixo muitas vezes é enterrado sob camadas de distorção, aqui cada instrumento é audível. As guitarras são afiadas e precisas, enquanto a bateria de Hoglan soa massiva e intricada, mantendo uma base sólida e com arranjos complexos. Tudo isso aqui, além de cru, é melódico e cheio de refinamento em seus riffs. E mais uma vez o repertório é espetacular, e todas as canções são completamente incríveis, desde as mais pesadas como Zero Tolerance e a faixa-título, às melódicas como Perennial Quest e, claro, Crystal Mountain, que é uma verdadeira aula de Technical Death Metal. No fim, esse disco é mais um clássico da banda, sendo uma obra-prima assim como seu antecessor.

The Sound Of Perseverance – Death 





















NOTA: 9/10


E aí chegamos ao último álbum da banda, lançado em 1998, o interessantíssimo The Sound of Perseverance. Após ter lançado dois álbuns atemporais, Chuck Schuldiner acabou terminando o vínculo do Death com a gravadora Roadrunner e passou a se concentrar em sua nova banda, a Control Denied. Pensando em tudo que ele fez nos últimos trabalhos, ele decidiu experimentar tudo que tinha sido desenvolvido. E, pela última vez, houve troca de integrantes com o guitarrista Shannon Hamm, o baterista Richard Christy e o baixista Scott Clendenin, e por fim eles lançaram esse álbum pelo selo da Nuclear Blast. A produção contou, mais uma vez, com Jim Morris, que trouxe novamente uma clareza e precisão que permitiu detalhes técnicos e complexos. Tudo isso integrando uma sonoridade que se enquadrava no Technical Death Metal com Metal Progressivo. O repertório é ótimo, e as canções são cheias de poder, como as sensacionais Spirit Crusher, Story to Tell, a brilhante faixa instrumental quase acústica Voice of the Soul e o excelente cover de Painkiller, do Judas Priest. Mesmo assim, erraram em duas canções que são muito enfadonhas: Bite the Pain e To Forgive is to Suffer. Após isso, Chuck focou em fazer o primeiro álbum do Control Denied, mas, quando terminou de gravá-lo, foi diagnosticado com câncer cerebral. Em 2001, ao contrair pneumonia, ele acabou falecendo. Enfim, apesar disso, o último álbum do Death é excelente, embora não seja um clássico.

Eaten Black To Life – Cannibal Corpse  





















NOTA: 6,7/10


Na mesma época do sucesso do Death, outra banda surgia em uma linha quase semelhante: o Cannibal Corpse, com seu álbum de estreia o Eaten Back to Life. Formada em Buffalo, Nova York, em 1988, a banda era composta pelo vocalista Chris Barnes, Jack Owen e Bob Rusay nas guitarras, baixista Alex Webster e Paul Mazurkiewicz na bateria, que anteriormente eram membros de bandas que haviam se dissolvido recentemente. Na época, a banda estava dando seus primeiros passos em uma cena ainda em formação, que ganhava força com influências de gêneros como o Thrash Metal e de outras bandas como o próprio Death e Possessed, que ajudaram a formar o Death Metal. A temática brutal, com letras gráficas e macabras, fez com que o Cannibal Corpse se destacasse e gerasse polêmica desde o início de sua carreira. A produção do álbum ficou a cargo de Scott Burns, o lendário produtor daquela cena em ascensão, que capturou uma sonoridade crua e feroz, típica da época e do estilo que o Cannibal Corpse ajudava a moldar. Só que o problema é que o álbum é totalmente mal mixado e os ritmos sonoros são genéricos até demais. O repertório é até interessante, com músicas cheias de brutalidade como Put them to Death, A Skull Full of Maggots e a sensacional Born in a Casket, mas há canções bastante tediosas como Mangled e Bloody Chunks. No fim, esse disco de estreia é bem mediano, faltou muita coesão nele.

Buchered At Birth – Cannibal Corpse 





















NOTA: 4/10


No ano seguinte, o Cannibal Corpse retorna com mais um álbum, porém bem problemático, o Butchered at Birth. Após o relativo impacto de sua estreia, o Cannibal Corpse rapidamente se consolidou como uma das bandas mais extremas do Death Metal, tanto pela sonoridade quanto por suas letras extremamente gráficas. No entanto, a banda sabia que precisaria ir além para se destacar naquela cena e também fazer um bom trabalho. Com esse novo álbum, eles decidiram dobrar a violência sonora e lírica, mas também refinaram seu estilo, tornando-se ainda mais brutais. O álbum foi envolto em controvérsia logo no lançamento, devido à capa altamente perturbadora e às letras violentas, que levaram à proibição do álbum em diversos países, incluindo a Alemanha. A produção contou mais uma vez com Scott Burns, que buscou trazer uma sonoridade mais densa e suja. O som das guitarras ficou mais distorcido, enquanto o vocal de Chris Barnes também mudou significativamente em comparação ao álbum anterior, introduzindo um estilo de vocal mais profundo e gutural. Porém, mais uma vez, eles erram na mixagem, e o som acabou ficando muito parecido com o do Possessed. O repertório, desta vez, é bem fraco, com muitas músicas sem graça, como Meathook Sodomy, Covered With Sores e Innards Decay. As únicas exceções são a faixa-título e Under the Rotted Flesh, que são bem imersivas. Enfim, esse trabalho é bem fraco, mas a banda sabia que as coisas iriam mudar a favor deles.
  

Por hoje é só, um abraço e flw!!!

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