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domingo, 31 de maio de 2026

Review: The Boys Of Dungeon Lane do Paul McCartney

                     

The Boys Of Dungeon Lane – Paul McCartney





















NOTA: 8,8/10


Depois de seis anos, o Paul McCartney retornou com seu novo álbum, o The Boys of Dungeon Lane. Após o McCartney III, ele decidiu lançar um projeto que gira em torno das memórias de sua infância em Liverpool, especialmente da região de Speke. O título faz referência a Dungeon Lane, uma estrada próxima ao rio Mersey que marcou sua juventude. Paul procurou recuperar lembranças anteriores à fama: passeios com amigos, relações familiares e seus primeiros interesses musicais. A produção, realizada em parceria com Andrew Watt, apresenta uma abordagem refinada, além de contar com Paul tocando a maior parte dos instrumentos. Mesmo sendo um trabalho de Pop Rock, é possível perceber elementos das harmonias vocais dos Beatles, das guitarras abertas do Wings e da sofisticação característica de seus trabalhos mais recentes. O repertório é muito bom, e as canções são bastante profundas. No fim, é um ótimo disco, que é bastante caprichado. 

Melhores Faixas: As You Lie There, Down South, Momma Gets By, Lost Horizon, Life Can Be Hard 
Vale a Pena Ouvir: We Two, Come Inside, First Star of the Night


sábado, 10 de maio de 2025

Analisando Discografias - Wings: Parte 2

                  

London Town – Wings





















NOTA: 7,2/10


Passaram-se mais dois anos até que os Wings lançassem mais um trabalho, o London Town. Após o Wings at the Speed of Sound, Paul McCartney passou por vários momentos importantes, como se tornar pai novamente, enquanto os Wings enfrentavam instabilidade interna. O baterista Joe English decidiu voltar para os Estados Unidos e o guitarrista Jimmy McCulloch acabou sendo expulso da banda, tudo isso ocorrendo no meio das sessões, que aconteceram, em parte, a bordo do iate Fair Carol, nas Ilhas Virgens. A produção, novamente feita pelo próprio Paul McCartney, foi turbulenta, dividida entre o barco e os estúdios Abbey Road. Ainda assim, ele optou por uma sonoridade mais suave e envolvente, com um Pop Rock e Folk mais tradicional, embora muitos dos arranjos acabem se tornando repetitivos. O repertório é até legal, com algumas canções interessantes, mas outras soam bastante genéricas. Enfim, é um álbum bom, mas que poderia ter sido mais bem lapidado. 

Melhores Faixas: Deliver Your Children, I'm Carrying, With A Little Luck, Don't Let It Bring You Down, London Town 
Piores Faixas: Famous Groupies, Children Children, Morse Moose And The Grey Goose, Girlfriend

Back To The Egg – Wings





















NOTA: 7,8/10


Em 1979, foi lançado o 7º e último álbum dos Wings, intitulado Back to the Egg. Após o London Town, Paul McCartney percebeu que a sonoridade suave e introspectiva não estava mais ressoando da mesma forma com o público, nem acompanhando as mudanças no cenário musical. Com isso, ele decidiu reformular a banda: com a entrada dos talentosos Laurence Juber e Steve Holley. McCartney também quis marcar uma espécie de "volta às raízes", como o próprio título sugere, só que isso acabou sendo o começo do fim. A produção, feita como sempre por Paul, contou também com Chris Thomas, que levou o som para um lado mais Rockeiro do puro, com algumas camadas sofisticadas, incorporando elementos do Hard Rock e até New Wave. Só que, há momentos que soam limpos e precisos, outros são excessivamente saturados. O repertório é interessante, com canções divertidas, mas também algumas sem graça. No fim, é um disco de despedida até que decente. 

Melhores Faixas: Arrow Through Me, To You, Getting Closer, Baby's Request, Winter Rose / Love Awake 
Piores Faixas: So Glad To See You Here, Again And Again And Again
  

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Analisando Discografias - Paul McCartney And Wings: Parte 1

                 

Wild Life – Wings





















NOTA: 9/10


Voltando lá para 1971, foi lançado o álbum de estreia da banda Wings, intitulado Wild Life. Após o fim dos Beatles e da dissolução do projeto do Paul McCartney com sua esposa Linda, ele procurou seguir uma nova direção musical. Tentava estabelecer uma nova identidade fora dos Beatles, e a formação inicial dos Wings consistia principalmente de McCartney, Linda McCartney, Denny Laine (ex-Moody Blues) e o baterista Denny Seiwell. A produção foi conduzida pelo próprio Paul McCartney, com as gravações realizadas em apenas duas semanas. A abordagem foi minimalista, com uma certa falta de refinamento, mas tudo é muito bem encadeado. Claro que é possível perceber que os vocais são desleixados, e os arranjos, bastante secos, combinam com a temática meio Folk apresentada. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e com um toque envolvente. Em suma, é um disco bacana, apesar da falta de refinamento. 

Melhores Faixas: Wild Life, Love Is Strange, Bip Bop, Dear Friend 
Vale a Pena Ouvir: Some People Never Know, Tomorrow

Red Rose Speedway – Paul McCartney And Wings





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, foi lançado o 2º álbum de estúdio de Paul McCartney com os Wings, o fenomenal Red Rose Speedway. Após o Wild Life, Paul começou a trabalhar de forma mais focada e organizada com a banda, incorporando maior estrutura e recursos técnicos. Durante as gravações, McCartney e seus companheiros de banda estavam em uma fase de maior estabilidade e foram capazes de experimentar novas sonoridades, além da adição de novos músicos, como Henry McCullough na guitarra, e o retorno do Denny Seiwell à bateria. A produção foi novamente conduzida pelo próprio Paul McCartney, que apresentou arranjos mais sofisticados, com camadas instrumentais refinadas e uma abordagem mais elaborada. A sonoridade mistura influências que vão desde o Pop suave e baladas românticas até o Rock mais pesado. O repertório é sensacional, e as canções são belíssimas e sofisticadas. No fim, é um baita disco e, certamente, um clássico. 

Melhores Faixas: My Love, Little Lamb Dragonfly, When The Night, Big Barn Bed 
Vale a Pena Ouvir: One More Kiss, Get On The Right Thing, Single Pigeon

Band On The Run – Paul McCartney And Wings





















NOTA: 10/10


E aí, perto do final do ano, foi lançado o maravilhoso e atemporal Band on the Run, o terceiro álbum da banda. Após o Red Rose Speedway, Paul McCartney e os Wings enfrentaram várias dificuldades, com a saída do guitarrista Henry McCullough e o baterista Denny Seiwell. Isso resultou em McCartney e Linda McCartney assumindo uma parte mais central na gravação do álbum, com o único membro estável sendo o guitarrista Denny Laine. Apesar das dificuldades internas, eles partiram para Lagos, na Nigéria, para gravar o álbum, o que trouxe um toque exótico. A produção foi conduzida da mesma forma de sempre, porém capturou uma sonoridade mais "viva" e orgânica, com uma vibração mais internacional, especialmente através de algumas influências africanas, o que resultou em uma sonoridade experimental. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, já que só há canções excelentes. No fim, é um disco excepcional e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Band On The Run, Jet, Let Me Roll It, Nineteen Hundred And Eighty Five
Vale a Pena Ouvir: Mamunia, Mrs. Vandebilt

Venus And Mars – Wings





















NOTA: 9,1/10


Mais dois anos se passaram, e os Wings retornaram lançando mais um disco: Venus and Mars. Após o maravilhoso Band on the Run, a pressão sobre eles para entregar outro sucesso era considerável. Paul McCartney decidiu criar um álbum que refletisse a mistura de Rock e introspecção, criando uma narrativa sonora baseada em temas universais como amor, relacionamentos e autodescoberta. Ele também estava interessado em explorar o uso de tecnologia no estúdio, testando novos arranjos e sons experimentais para aumentar a profundidade musical. A produção foi, como sempre, conduzida pelo próprio Paul McCartney, que seguiu por um lado mais experimental, com o uso de sintetizadores e outros efeitos modernos para a época. Isso resultou em uma sonoridade mais polida e cheia de camadas, misturando Pop Rock, Blues e música psicodélica. O repertório é incrível, e as canções são mais densas, mas maravilhosas. Enfim, é um disco sensacional e extremamente inovador. 

Melhores Faixas: Listen To What The Man Said, Rock Show, Magneto And Titanium Man, Call Me Back Again, Medicine Jar 
Vale a Pena Ouvir: Treat Her Gently – Lonely Old People, Spirits Of Ancient Egypt, Love In Song

Wings At The Speed Of Sound – Wings





















NOTA: 8,8/10


Logo no ano seguinte, foi lançado o 5º álbum da banda, o Wings at the Speed of Sound. Após o Venus and Mars, Paul McCartney acabou dando mais chances ao guitarrista Jimmy McCulloch. Além disso, houve a inclusão do baterista Joe English e o crescimento das participações dos outros membros nas composições e vocais. O álbum refletiu uma mudança em direção a uma sonoridade mais leve e acessível, com menos experimentação do que seus predecessores e uma abordagem mais comercial. A produção foi aquela de sempre, só que ficou mais polida e Pop em comparação com os antecessores, com McCartney usando mais sintetizadores, teclados e guitarras limpas. O álbum também é mais acessível ao grande público, refletindo a busca dele por uma sonoridade mais simples e direta. Com isso, o repertório é bem legal, tendo canções dinâmicas e com um toque mais descontraído. No final de tudo, é um belo disco, apesar de não ser muito lembrado. 

Melhores Faixas: Silly Love Songs, Let 'Em In, The Note You Never Wrote, She’s My Baby
Vale a Pena Ouvir: Cook Of The House, Wino Junko, Must Do Something About It
  

     É isso, então flw!!!     

Analisando Discografias - Paul McCartney: Parte 4

                  

New – Paul McCartney





















NOTA: 8,8/10


No ano seguinte, Paul lançou mais um disco intitulado New, que retornou à sua fórmula clássica. Após o Kisses On The Bottom, ele passou por um período de reflexão e rejuvenescimento criativo, com a colaboração de novos produtores e músicos. O álbum marca uma nova fase, com influências contemporâneas, mas também explorando a música Pop e o Rock clássico, que são suas grandes características. A produção foi bem diversificada, contando com nomes como Mark Ronson, Paul Epworth, Giles Martin (filho de George Martin), entre outros, que deixaram uma sonoridade limpa, mas ainda assim com um toque de espontaneidade. A introdução de elementos eletrônicos e a construção de camadas sonoras contribuem para dar ao álbum uma sonoridade mais moderna, sem que isso desvie daquele estilo melódico do Paul McCartney. O repertório é bem interessante, e as canções são imersivas e coesas. No fim, é um ótimo álbum, consistente e de grande qualidade. 

Melhores Faixas: New, Queenie Eye, I Can Bet, Early Days 
Vale a Pena Ouvir: Alligator, Appreciate, Looking At Her

Egypt Station – Paul McCartney





















NOTA: 8,9/10


Em 2018, foi lançado mais um trabalho do Paul intitulado Egypt Station, que trouxe algumas mudanças. Após o New, ele decidiu que o conceito desse projeto mostrasse sua experiência musical como artista solo ao longo das décadas, com o próprio McCartney descrevendo o álbum como uma viagem, onde cada faixa representa uma parada (ou "estação") em uma jornada de descoberta. Produção ficou a cargo do Greg Kurstin com Paul McCartney coproduzindo, e aqui a abordagem foi mais limpa e contemporânea, mas há uma clara ênfase no uso de instrumentos orgânicos, como pianos e guitarras, ao lado de batidas eletrônicas mais sutis. Trazendo uma sonoridade que tem Rock, Pop, música eletrônica e até Jazz. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem atmosféricas e com aquele toque melódico e envolvente. Enfim, é um disco muito bom, mas que é bem injustiçado. 

Melhores Faixas: I Don't Know, Come To Me, Back In Brazil, Hand In Hand, Hunt You Down / Naked / C-Link 
Vale a Pena Ouvir: Fuh You, Dominoes, Do It Now, People Want Peace

McCartney III – Paul McCartney





















NOTA: 8,1/10


Até que, dois anos depois, foi lançado o último álbum de Paul McCartney até o momento, o McCartney III. Após o Egypt Station, o ex-Beatle decidiu planejar um novo material, mas no início de 2020 veio a pandemia da COVID-19. Ele começou a gravá-lo enquanto estava isolado em sua casa em Sussex, na Inglaterra, sem a possibilidade de interagir com outros músicos e produtores de forma convencional. A produção foi conduzida por ele mesmo, trazendo uma abordagem bem simples, como nos seus primeiros álbuns solo, repleto de texturas interessantes e com aquela estética Lo-fi, com McCartney tocando todos os instrumentos (guitarras, baixo, teclados e bateria). No entanto, as faixas não são sobre exibição técnica, mas sobre capturar emoções e sensações do momento, indo do Folk ao Pop Rock tradicional. O repertório é muito bom, e as canções trazem aquele lado melódico e intimista. No geral, é um trabalho muito legal e que vale a pena ser apreciado. 

Melhores Faixas: Pretty Boys, Seize The Day 
Vale a Pena Ouvir: Find My Way, The Kiss Of Venus, Deep Deep Feeling

quinta-feira, 8 de maio de 2025

Analisando Discografias - Paul McCartney: Parte 3

                 

Driving Rain – Paul McCartney





















NOTA: 8,6/10


Em 2001, Paul McCartney lançou mais um trabalho, o Driving Rain, e aqui houve mudanças. Após o Run Devil Run, o cantor vivia um momento de transição intensa em sua vida pessoal e artística. No começo daquela década, ele começou a ter um novo relacionamento com Heather Mills, que se tornaria sua segunda esposa. Musicalmente, ele decidiu voltar a fazer um trabalho mais Pop Rock, retornando àquela sua abordagem tradicional. A produção foi conduzida por David Kahne, que, apesar de colocar uma abordagem moderna, apostou em um som cru, com pouca polidez digital, o que resulta em uma sensação de espontaneidade. Além disso, Paul acertou bem na escolha dos músicos, que, apesar de servirem como suporte, contribuem com qualidade, já que ele toca a maioria dos instrumentos. O repertório é bem interessante, com canções melódicas e um vão para um lado mais profundo. Enfim, é um disco interessante e muito mais consistente. 

Melhores Faixas: Magic, I Do, Freedom, Back In The Sunshine Again 
Vale a Pena Ouvir: From A Lover To A Friend, Your Loving Flame, Tiny Bubble

Chaos And Creation In The Backyard – Paul McCartney





















NOTA: 9/10


Quatro anos depois, Paul lança mais um trabalho maravilhoso: Chaos and Creation in the Backyard. Após o Driving Rain, o ex-Beatle procurava maneiras de revitalizar sua carreira fonográfica com relevância artística, especialmente após críticas mistas aos trabalhos anteriores. Então, ele quis fazer algo mais ambicioso e decidiu buscar uma consistência semelhante à de artistas como Beck (para não dizer Radiohead). A produção foi conduzida por Nigel Godrich, que produziu os dois últimos citados, sendo criterioso com arranjos e sonoridade. Ele trouxe uma estética sonora orgânica, contida, com arranjos sofisticados, mas sem exageros. Além disso, Paul McCartney tocou todos os instrumentos e também mostra influências do Folk e Blues, além do tradicional Pop Rock. O repertório é sensacional, com canções bastante diversas, que vão de momentos energéticos a faixas intimistas. No fim, é um baita disco que merecia mais reconhecimento. 

Melhores Faixas: Too Much Rain, English Tea, This Never Happened Before, Jenny Wren, Follow Me 
Vale a Pena Ouvir: Riding To Vanity Fair, Promise To You Girl, Friends To Go, Anyway

Ecce Cor Meum – Paul McCartney





















NOTA: 1,5/10


No ano seguinte, Paul McCartney decidiu lançar mais um daqueles álbuns orquestrados: Ecce Cor Meum (latim para "Eis o meu coração"). Após o Chaos and Creation in the Backyard, ele quis tirar do papel um projeto para o qual foi convidado em 1998, pelo presidente do Magdalen College de Oxford, Anthony Smith, para compor uma obra clássica original que celebrasse a tradição coral da universidade. Porém, o processo de composição foi profundamente afetado por um acontecimento trágico: a morte de sua esposa, Linda McCartney, o que interrompeu o projeto na época. Mais tarde, ele retomou e concluiu a obra. A produção foi conduzida por John Fraser, que imprimiu um rigor sinfônico, com Paul supervisionando todo o processo. A sonoridade é profundamente melódica e ancorada, mas tudo soa muito sem emoção e carece de profundidade. O repertório é composto por quatro movimentos e um interlúdio, e, no geral, tudo é fraco. No fim, é um disco medíocre e enjoativo. 

Melhores Faixas: Musica, Spiritus, Interlude (Lament) 
Vale a Pena Ouvir: Ecce Cor Meum, Gratia

Memory Almost Full – Paul McCartney





















NOTA: 7,3/10


Passou-se mais um tempo até que Paul lançasse mais um trabalho: Memory Almost Full. Após o Ecce Cor Meum, Paul McCartney se encontrava em um momento de transição pessoal e artística. Naquele período, seu divórcio com Heather Mills ganhava as manchetes, e seu vínculo com a gravadora EMI estava se dissolvendo após décadas. Só que nesse tempo, ele acabou resgatando algumas demos feitas durante as sessões do álbum com Nigel Godrich e decidiu lançar esse novo projeto pelo selo da Hear Music. A produção ficou a cargo do David Kahne, marcando o retorno àquele ecletismo estilístico, com faixas que vão desde baladas ao piano até Rock psicodélico, Art Pop e aquela vibe beatlemaníaca. O repertório é interessante, com canções boas e abrangentes, mas também com outras bem sem graça, para não dizer genéricas. Em suma, é um disco bom, mas que tem seus problemas. 

Melhores Faixas: Dance Tonight, Feet In The Clouds, Only Mama Knows, The End Of The End, Vintage Clothes 
Piores Faixas: Mr Bellamy, You Tell Me, House Of Wax

Kisses On The Bottom – Paul McCartney





















NOTA: 5,6/10


Indo para 2012, Paul McCartney lançou mais um álbum: Kisses on the Bottom, que trouxe uma abordagem muito diferente. Após o Memory Almost Full, McCartney se aproximava dos 70 anos com um forte desejo de olhar ainda mais para trás, não para sua fase nos Beatles, mas para os primeiros sons que moldaram sua musicalidade. Paul cresceu ouvindo standards do Great American Songbook com seu pai, Jim McCartney. A produção foi conduzida por Tommy LiPuma, que imprimiu uma estética intimista, acústica, delicada e vintage, recriando com fidelidade a sonoridade das décadas de 1930 e 1940. Além disso, Paul se concentrou exclusivamente nos vocais. O problema é que muitas melodias são muito superficiais, chegando a ser descartáveis. O repertório é bem irregular, com canções muito boas, mas outras que ficaram bem abaixo. No fim, é um trabalho mediano, que tem uma concepção interessante, mas poderia ter sido melhor lapidado. 

Melhores Faixas: My Very Good Friend The Milkman, Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive, My Valentine, Home (When Shadows Fall) 
Piores Faixas: Get Yourself Another Fool, Always, More I Cannot Wish You, The Inch Worm
  

Então é isso, um abraço e flw!!!       

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Analisando Discografias - Paul McCartney: Parte 2

                  

Tug Of War – Paul McCartney





















NOTA: 8,8/10


Depois de dois anos foi lançado mais um trabalho de Paul McCartney, o Tug of War. Após o injustiçado McCartney II, com o fim dos Wings (em 1981) e o assassinato do John Lennon (em dezembro de 1980), que o deixou emocional e criativamente abalado, McCartney passou por um momento de profunda reavaliação artística, abandonando temporariamente o caráter lúdico que havia permeado parte dos anos 1970 e buscando uma abordagem mais séria e reflexiva. A produção foi conduzida por George Martin, que trouxe aquela clássica abordagem com diversas passagens orquestrais e uma estética beatleniana. Além disso, o álbum conta com um elenco de músicos de renome, como Stevie Wonder, Carl Perkins e Ringo Starr. Tudo isso cria uma sonoridade que é de Pop Rock, mas que vai para um lado mais barroco e até acústico. O repertório é bem legal, com canções belíssimas e mais profundas. No fim, é um ótimo disco e muito completo. 

Melhores Faixas: Ebony And Ivory, Here Today, Ballroom Dancing 
Vale a Pena Ouvir: Wanderlust, Dress Me Up As A Robber, Take It Away

Pipes Of Peace – Paul McCartney





















NOTA: 5,6/10


No ano seguinte, Paul McCartney lançou Pipes of Peace, que era praticamente uma versão deluxe do anterior. Após o Tug of War, Paul, junto com George Martin, decidiu aproveitar o vasto material gravado em Montserrat e Londres entre 1980 e 1982. Com isso, eles selecionaram composições e gravações feitas nas mesmas sessões do álbum anterior, que haviam sido preteridas na época por motivos conceituais, de coesão ou estratégia de lançamento. A produção, novamente feita por George Martin, trouxe um som mais Pop e radiofônico, com um foco renovado em sintetizadores, teclados digitais e texturas eletrônicas. Ainda assim, Martin não abandonou os arranjos orquestrais e vocais elaborados, usando cordas, sopros e coral na tentativa de equilibrar os elementos, mas não funcionou e muitos dos arranjos acabaram ficando arrastados. O repertório começa bem, mas depois decai, com algumas exceções. No fim, é um disco mediano e que representou um tropeço. 

Melhores Faixas: Pipes Of Peace, Say Say Say (participação do Michael Jackson), Sweetest Little Show 
Piores Faixas: Average Person, The Man (aqui o Michael ofuscou mais não salvou), So Bad

Press To Play – Paul McCartney





















NOTA: 3/10


Se passaram três anos e Paul lançou mais um trabalho novo, intitulado Press to Play. Após o Pipes of Peace, Paul McCartney enfrentou um dilema artístico. Apesar dos êxitos comerciais e da parceria bem-sucedida com Michael Jackson, sua música começava a parecer antiquada diante do cenário musical dos anos 1980. Além disso, a recepção morna ao projeto Give My Regards to Broad Street (1984), tanto o filme quanto o álbum, fez McCartney repensar seu direcionamento artístico. A produção foi feita por ele junto com Hugh Padgham, que trouxe uma sonoridade dominada por sintetizadores, além do uso intensivo de baterias eletrônicas e programação rítmica, guitarras com efeitos de chorus e delay, além de pads atmosféricos. Só que toda essa ousadia é totalmente pasteurizada, deixando tudo extremamente arrastado. O repertório é fraco, com algumas canções interessantes, mas outras vazias. Em suma, é um disco muito ruim e sem coesão. 

Melhores Faixas: Press, Talk More Talk, Pretty Little Head 
Piores Faixas: Good Times Coming / Feel The Sun, Footprints, Stranglehold, However Absurd

Flowers In The Dirt – Paul McCartney





















NOTA: 6/10


Mais um tempo se passou em 1989, saiu mais um trabalho do Paul, o Flowers In The Dirt. Após o fraquíssimo Press To Play, aquela década caminhava para o fim, e a música Pop vivia outra transição: a produção digital maximalista estava sendo substituída por arranjos mais orgânicos, e havia um movimento crescente de retorno ao classicismo Pop e Rock, representado por nomes como Elvis Costello e Crowded House, e era exatamente isso que ele pensou em buscar. A produção foi bem diversificada com ele trabalhando com nomes como Mitchell Froom, David Foster, Trevor Horn, além do próprio Costello. E aqui tem uma junção de arranjos clássicos de cordas e sopros, até faixas com sequenciadores, samples e bateria eletrônica, apresentando influencias do Jangle Pop e Art Pop, apesar de ter muita inconsistência melódica e rítmica. O repertório é bem mediano, tendo canções boas só que outras sem graça. Enfim, é um disco irregular, mas que teve mais preenchimento. 

Melhores Faixas: This One, Distractions, Put It There, That Day Is Done 
Piores Faixas: Motor Of Love, You Want Her Too, My Brave Face, Rough Ride

Off The Ground – Paul McCartney





















NOTA: 6/10


Em 1993, Paul McCartney retorna lançando Off the Ground, que seguiu por um caminho mais padrão. Após o Flowers in the Dirt, Paul se encontrava em uma posição de estabilidade, mas também de reavaliação. Com a parceria com Elvis Costello encerrada e um novo grupo de músicos bem entrosado, McCartney buscou fazer um álbum mais coeso e centrado na performance da banda. Com isso, a produção foi feita por ele junto com Julian Mendelsohn, que trouxe uma abordagem mais orgânica, com guitarras mais cruas, o baixo menos processado, a bateria com presença natural e a voz do Paul, já na crise da meia-idade, deixada mais exposta, com menos efeitos e retoques. A banda grava junta, e isso confere um senso de unidade sonora ausente desde os tempos dos Wings, só que muita coisa acabou ficando repetitiva e sem graça. O repertório começa bem, mas depois conta com algumas canções bem genéricas. Enfim, é um disco mediano que carece de maior consistência. 

Melhores Faixas: Hope Of Deliverance, Golden Earth Girl, Get Out Of My Way, Mistress And Maid 
Piores Faixas: C'mon People, I Owe It All To You, The Lovers That Never Were, Biker Like An Icon

Flaming Pie – Paul McCartney





















NOTA: 8,7/10


Quatro anos se passaram e Paul McCartney lançou mais um trabalho, o Flaming Pie. Após o Off the Ground, Paul mergulhou intensamente no projeto The Beatles Anthology, iniciado no final de 1994. Declarou, na época, que trabalhar no Anthology o inspirou a buscar uma abordagem mais despojada e honesta em seu novo álbum solo. Ele queria fazer música de forma “despretensiosa”, como nos tempos em que os Beatles se trancavam no estúdio e simplesmente tocavam por prazer. A produção foi feita pelo próprio Paul, mas contou com a presença do George Martin e Jeff Lynne (do Electric Light Orchestra). O clima das sessões foi relaxado e livre, com ênfase na espontaneidade, combinando elementos do Folk, Pop barroco, Rock clássico, Blues e até experimentações acústicas. O repertório é bem legal, e as canções são todas profundas e divertidas, além das ótimas participações presentes. No fim, é um ótimo disco e bastante interessante. 

Melhores Faixas: Great Day, Young Boy, Heaven On A Sunday, Little Willow 
Vale a Pena Ouvir: The World Tonight, Beautiful Night, Used To Be Bad (participação do Steve Miller)

Run Devil Run – Paul McCartney





















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, foi lançado um álbum inteiramente de covers de Paul McCartney, o Run Devil Run. Após o Flaming Pie, sua esposa, Linda McCartney, que já enfrentava uma batalha contra um câncer durante as sessões do álbum anterior, infelizmente não resistiu e veio a falecer. Foi nesse momento que ele decidiu recorrer ao conforto que encontrara nos primórdios de sua vida musical: o Rock 'N' Roll cru e direto dos anos 50. Sendo também um tributo à vitalidade de Linda, Paul chegou a dizer que ela adorava vê-lo tocando Rock dessa época. Com isso, a produção foi feita por ele junto com Chris Thomas, foi gravada de forma retrô: os músicos tocaram juntos ao vivo, com pouca edição e uma mixagem extremamente direta. O elenco de músicos contava com David Gilmour, Ian Paice, Mick Green, entre outros. O repertório, como dito, é composto apenas por covers, todos bem interpretados, com algumas canções novas. No geral, é um ótimo trabalho e vale a pena ouvir. 

Melhores Faixas: No Other Baby (Dickie Bishop and the Sidekicks), Try Not To Cry, Brown Eyed Handsome Man (Chuck Berry), I Got Stung (Elvis Presley), She Said Yeah (Sonny Bono) 
Vale a Pena Ouvir: All Shook Up (Elvis Presley), What It Is, Shake A Hand (Jessie Mae Robinson)

                                                         Então é isso e flw!!!     

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...