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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Pixote, Seu Jorge e Cartola (RA: XXXIV)

                      

Chiclete – Pixote





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, é lançado o primeiro EP do grupo intitulado Chiclete, e, comparado aos últimos álbuns, tem muita coisa legal por aqui. Depois de dois lançamentos que não tiveram uma boa recepção, o Pixote precisava renovar as esperanças para não dar a impressão de que tinham se perdido totalmente e que suas letras românticas estavam ficando forçadas. O objetivo deste EP era renovar o repertório do grupo, trazendo músicas que falam de amor e relacionamentos com a característica mais antiga deles. A produção ficou muito bem-feita, e todos os arranjos foram bem trabalhados. Além disso, toda a sonoridade foi cuidadosamente elaborada para captar a essência do Pagode moderno. As músicas trazem uma total leveza, e quem trabalhou na masterização provavelmente pensou com muito carinho nessa parte, realizando o trabalho com total excelência. O repertório contém seis faixas, todas com temas românticos. As que mais remetem ao estilo antigo do Pixote são Ele e Ela e, claro, a faixa-título. Há também uma música voltada para a época atual que vivemos, com uma instrumentação brilhante, que é Você Tá no Celular. O repertório é simples, mas bem melhor que os últimos álbuns. Enfim, este trabalho é muito bom e finalmente apresenta algo totalmente coeso.

Drive In – Pixote 





















NOTA: 4/10


Depois de alguns lançamentos não muito importantes, chega mais um álbum ao vivo do Pixote, e novamente teve alguns problemas. Após aquele EP, o grupo lançou outro álbum ao vivo, que parece um compilado de músicas demo, então nem passei perto. Por sinal, antes disso, o grupo virou um trio após a saída do pandeirista Dú. Eles iriam fazer mais um álbum ao vivo, que seria direto do Allianz Parque, mas com a pandemia da COVID-19, os shows presenciais ficaram inviáveis. Então, eles decidiram fazer o show em que os fãs podiam assistir de dentro de seus carros, por isso o nome "Drive-In". A produção em si até cumpre o seu papel, deixaram as coisas bem organizadas, por mais que a instrumentação esteja ok e o Dodô desta vez não esteja cantando em playback. Um dos maiores problemas foi que essa proposta de show em formato Drive-In foi extremamente irritante, porque todo fim de canção vem uma buzina, tanto que apelidei isso de "Show do Buzinaço". O repertório também não foi muito bem elaborado. Há poucas faixas que ficaram boas, como Encontro de Erros, Suave pra Você e pra Mim e Plano Sequência e os dois primeiros Pout-Pourris. Agora, o resto é muito ruim. Tem uma canção péssima com a participação da dupla sertaneja Marcos & Belutti chamada Playground, além de outras porcarias como A Culpa é do Coração e Tudo Menos Isso. No final de tudo, é mais um álbum ao vivo chatíssimo que demonstra muitas incertezas sobre o futuro do agora trio.

Samba Esporte Fino (Carolina) – Seu Jorge 





















NOTA: 8,7/10


Há exatos 23 anos, foi lançado o primeiro disco da carreira solo do Seu Jorge, intitulado Samba Esporte Fino. E sim, parece que vocês estão perdidos, mas assim eu acabei percebendo que planejei errado a base do meu cronograma de quem eu ia falar aqui, então o Pixote passou na frente do Seu Jorge e eu nem percebi. Então, só para corrigir esse erro, vou falar sobre a discografia dele de forma ocasional. Enfim, o cantor estava iniciando sua carreira solo após sair do grupo Farofa Carioca e foi trabalhar de forma independente com a gravadora Regata. Ele partiu para gravar seu primeiro álbum, que contou com o renomado produtor Mário Caldato Jr., conhecido por seu trabalho com os Beastie Boys e Marisa Monte. O cantor acabou trabalhando junto com ele e juntos fizeram uma sonoridade sofisticada combinando vários gêneros, não só o próprio Samba em si, mas também Samba-rock e Samba-funk, além, é claro, da MPB. Todos os arranjos foram muito bem trabalhados e precisos em todos os detalhes. Além disso, o repertório já mostra ser incrível e ele começa com o primeiro hit da trajetória do Seu Jorge, que é a sensacional Carolina (essa faixa deu o título para o lançamento desse disco internacionalmente). Além dela, tem Tu Queria, O Samba Taí, Samba Que Nem Rita a Dora e uma composição do Jorge Ben intitulada Em Nagoya Eu Vi Eriko, entre outras canções muito boas. Em suma, o disco de estreia do cantor é sensacional e já de cara fez ele se popularizar de forma rápida.

Cru – Seu Jorge





















NOTA: 7,1/10


Depois de um ótimo disco de estreia, sai o 2º trabalho do Seu Jorge, sendo ainda mais temático como o anterior foi. Após todo o sucesso do Samba Esporte Fino ou Carolina, como foi lançado fora do país, isso rendeu o começo da fama do cantor e já proporcionou a ele fazer alguns filmes como Cidade de Deus e A Vida Marinha com Steve Zissou, que seria lançado no final daquele ano de 2004. Então, com todo esse sucesso estabelecido, Seu Jorge buscou explorar novas sonoridades e temas nesse disco. Todo o trabalho da produção foi intencionalmente despojado, focando em arranjos simples que dão destaque à voz e às letras do cantor. Mais uma vez, ele produziu juntamente com Mario Caldato Jr., e toda essa sonoridade crua é reflexo de instrumentos acústicos que resulta em um som íntimo e, em determinados momentos, até melancólico. Só que chega no momento que tudo isso fica muito confuso e que estraga a imersão de várias canções. E, apesar de ter um repertório mais uma vez muito bem ordenado, ele tem faixas que, em sua maioria, são covers, como Chatterton de Serge Gainsbourg, que ficou bem irregular, além de Fiore de la Cittá, que é uma música típica italiana que tem uma interpretação muito tediosa. O único acerto foi Don’t de Leiber & Stoller, que é bastante conhecida por ter sido interpretada por Elvis Presley. Agora, as outras canções são boas, como Tive Razão, Mania de Peitão e Bola de Meia. Apesar de ser um álbum cheio de irregularidades, é um trabalho bem legalzinho.

The Life Aquatic Studio Sessions – Seu Jorge 





















NOTA: 8,2/10


Após o Cru, Seu Jorge lança The Life Aquatic Studio Sessions, que é totalmente diferente dos dois primeiros discos. Isso se deve ao fato de que todo esse material é composto por covers acústicos em português das músicas de David Bowie, originalmente apresentadas no filme The Life Aquatic with Steve Zissou, dirigido por Wes Anderson. No filme, o cantor interpreta um membro da tripulação que frequentemente aparece tocando suas versões únicas das canções de Bowie. E toda essa estratégia foi tão bem pensada que deu bastante reconhecimento da crítica e dos fãs do cantor. A produção é muito simples, afinal a gravação inteira contém um estilo acústico simples, que demonstra Seu Jorge cantando e tocando violão, capturando a essência das músicas de David Bowie com aquele jeitinho brasileiro. O fato é que a sonoridade inteira é esplêndida e muito bem executada em seus arranjos. Com isso, o repertório contém 14 faixas, com apenas uma sendo original, a ótima canção Team Zissou. Já os covers, todos são bons, e os que mais se destacam são Rebel Rebel, Life On Mars?, Ziggy Stardust, Lady Stardust e Five Years, todas sendo bem descontraídas, até mesmo a penúltima faixa Quicksand. E todo esse trabalho rendeu e muito, tanto que o próprio Bowie apreciou esse disco, dizendo até que, se Seu Jorge não tivesse gravado suas músicas em português, ele nunca teria ouvido o grau de beleza contido nelas. Sendo assim, um ótimo álbum que demonstra a versatilidade do cantor.

América Brasil – Seu Jorge 





















NOTA: 9/10


Em 2007, chega o sensacional disco América Brasil, que acabou sendo o grande salto na carreira do Seu Jorge. Após alcançar reconhecimento internacional com o álbum Cru e suas contribuições para a trilha sonora do filme The Life Aquatic with Steve Zissou, e após ter feito alguns curtas-metragens, o cantor voltou suas atenções para um projeto que celebrasse e explorasse a diversidade musical do Brasil. Decidindo fazer um disco completamente pensado para mostrar a riqueza da música brasileira. Dessa vez, Seu Jorge produziu sozinho seu disco e trouxe uma sonoridade que equilibra elementos tradicionais e contemporâneos, combinando instrumentos acústicos com eletrônicos para criar um som autêntico e inovador. Além disso, o álbum mostra uma mistura de influências como Samba, MPB, Funk (logicamente o americano) e até um pouco do Rock mais tradicional. O repertório é completamente incrível e apresenta um grande nível de coesão, demonstrado em várias canções como as interessantes América do Norte e Trabalhador, que, apesar de terem letras sérias, são bem descontraídas, além de Mariana, Seu Olhar e Samba Rock, que trazem um lado mais melódico. E claro, os grandes hits Burguesinha e Mina do Condomínio, que, por mais que sejam chicletudas, têm letras bastante sérias e que se encaixam perfeitamente com seus arranjos. Esse disco é completamente espetacular e não é à toa que é um dos melhores trabalhos da carreira do cantor.

Seu Jorge e Almaz – Seu Jorge 





















NOTA: 8,6/10


Após o América Brasil, Seu Jorge lança um álbum colaborativo com o trio Almaz, que é basicamente feito para testar novos sons. Esse trio é composto pelo guitarrista Lúcio Maia e o baterista Pupillo, ambos membros da banda Nação Zumbi, e por Antônio Pinto, compositor de trilhas sonoras, que era o baixista desse projeto. Tudo isso surgiu quando eles estavam gravando a trilha sonora do filme Linha de Passe e convidaram o cantor para gravar os vocais em uma das faixas presentes nesse álbum. Com isso, eles acabaram decidindo gravar um disco juntos e se reuniram no estúdio Ambulante, de Antonio Pinto, gravando 18 canções ao vivo. Produzido pelo próprio trio Almaz e por Mario Caldato, esse trabalho foi gravado em um estúdio caseiro em São Paulo. A produção em si foi caracterizada por uma abordagem minimalista, que busca capturar a espontaneidade e a energia das performances ao vivo, combinando influências de grande predominância de Soul, Funk e, em determinados momentos, música psicodélica. Isso é refletido em um repertório onde todas as faixas são covers, e todos eles são muito bons. Os que mais se destacaram foram Saudosa Bahia, Ciranda, Pai João e Rock With You, todas muito bem interpretadas e com uma instrumentação totalmente imersiva. Outros covers muito bons são Juizo Final, que foi aquela canção gravada inicialmente por Seu Jorge e Cristina do Tim Maia. Sendo assim, é um trabalho muito legal e bastante interessante inclusive.

Músicas para Churrasco, Vol. 1 – Seu Jorge 





















NOTA: 10/10


Depois do seu trabalho com o trio Almaz, Seu Jorge lança o disco Músicas para Churrasco, Vol. 1, que até engana com seu título de coletânea. Após o sucesso que foi América Brasil, o cantor decidiu criar um projeto com uma abordagem mais leve e divertida, ideal para festas e especialmente os famosos churrascos brasileiros. Além disso, tudo foi planejado de uma forma conceitual que mostrasse a descontração da vida cotidiana brasileira. Mais uma vez, Seu Jorge trabalhou junto com Mario Caldato e, como sempre, destacaram toda aquela mistura de ritmos brasileiros com elementos de Funk, Samba e MPB, mas deixando a sonoridade muito mais vibrante e dançante, com arranjos que destacam a habilidade musical do cantor. Não só isso, todas as composições surgiram de vivências dele e todas elas se encaixavam de um modo que mostrasse o cotidiano do nosso país. Refletindo num repertório muito bem feito, começando com várias canções espetaculares como A Doida e Meu Parceiro, que são basicamente músicas relacionadas à sociedade atual, além da descontraída e cheia de humor Amiga da Minha Mulher, que foi o grande hit desse álbum, e uma canção relativamente bobinha com o nome de Japonesa. Fora isso, há outras músicas muito interessantes como Véia, que, apesar do seu título, é bem cativante, e Quem Não Quer Sou Eu, que até lembra um pouquinho daquelas canções lo-fi. No fim, é mais um trabalho excelente do Seu Jorge, muito bem escrito e planejado. E olha que vinha mais um por aí.

Músicas para Churrasco, Vol. 2 – Seu Jorge  





















NOTA: 8,6/10


E aí chegamos ao último trabalho até o momento do Seu Jorge, a continuação do Músicas para Churrasco, que foi lançado em 2015. Assim como o volume anterior, o Volume 2 mantém o espírito descontraído e festivo, com canções que celebram a cultura do churrasco brasileiro, a vida cotidiana e o romantismo. Por mais que esse álbum não tenha seguido seu antecessor em ser mais conceitual, aqui as coisas foram mais comuns; porém, os temas continuaram muito bem pensados. A produção foi a mesma de sempre, com a parceria de sucesso entre Seu Jorge e Mario Caldato. Os arranjos continuaram com aqueles ritmos abrasileirados, só que com toques mais modernos, além de elementos do Pop e da Soul Music. Mas a sonoridade continua animada, dançante e com muita descontração. Já o repertório ficou muito bom e inclui várias canções interessantes, como Na Verdade Não Tá, Motoboy e Papo Reto, que trazem um contexto que até sugere ser reflexivo. Além disso, temos as sensacionais canções Felicidade, que é super cativante, Ela É Bipolar, que tem um lado crítico bem rústico, e a curiosa Mina Feia, que apesar do título, tem uma ótima mensagem contida em sua letra. Após este álbum, não tivemos quase nenhuma novidade de algo novo, e aquela história de lançar um filme sobre esses dois últimos álbuns não chegou a sair do papel. Bom, no fim, este álbum é muito legal e tem o seu devido valor.

Cartola – Cartola 





















NOTA: 10/10


Em 1974, é lançado o disco de estreia de um senhor chamado Agenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Já consagrado no mundo do samba, especialmente como um dos fundadores da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, Cartola só lançou seu primeiro álbum aos 66 anos. Esse lançamento foi resultado de uma vida dedicada ao Samba, mas repleta de dificuldades financeiras e reconhecimento tardio. O surgimento dessa obra aconteceu após o cantor ter sido levado por Beth Carvalho, depois da gravação de As Rosas Não Falam, e ter conseguido falado com o pesquisador musical e publicitário Marcus Pereira. Então, João Carlos Botezelli (Pelão) produziu esse disco e o lançou pelo selo, Discos Marcus Pereira. A produção é simples, mas eficaz, destacando a voz suave e emotiva do cantor, acompanhada por arranjos sofisticados. O repertório é completamente maravilhoso e mágico, com muitas canções incríveis como Disfarça e Chora, Acontece e Alegria, além de outros clássicos como O Sol Nascerá, que foi criada após um improviso junto com Elton Medeiros, que também gravou essa música no seu álbum de estreia. Também tem a canção Alvorada, que foi criada após o cantor e Carlos Cachaça estarem descendo o Morro do Pendura a Saia, quando ficaram impressionados com os primeiros raios de sol que surgiram. O fato é que todas as canções tiveram ótimas inspirações. No final de tudo, é um disco maravilhoso e um dos verdadeiros clássicos da música brasileira.
 

     Então é isso e flw!!! 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Pixote (RA: XXXIII)

                      

Tá Bom Demais – Pixote





















NOTA: 5/10


Mais um tempinho se passou, e chega mais um álbum do Pixote, com muitas expectativas altas após os últimos discos. Lançado num momento em que o grupo já estava marcando sua presença no cenário do Pagode romântico, nessa época aconteceu as saídas de Nito e Wallace Martins, fazendo o grupo se tornar o quinteto. Além disso, eles começaram usar apenas o nome Pixote e saíram da gravadora Zimbabwe, assinando com uma gravadora grande, a Warner, o que foi um verdadeiro acerto. Eles trouxeram a mesma equipe de produtores dos dois últimos trabalhos, mantendo a linha característica do grupo. No entanto, a produção acabou ficando bem bagunçada, muito provavelmente devido ao conflito após entrarem numa gravadora que limitava a liberdade que tinham de fazer as coisas de forma independente. O repertório é uma fusão de canções gravadas em estúdio, como Faz Tanto Tempo e Quero Voltar, que são as melhores faixas desse disco (o que não posso dizer o mesmo de Mexe-Mexe), enquanto que as músicas ao vivo são aquelas dos outros discos. Algumas tiveram boas performances, como Beijo Doce e Saudade de Nós, mas outras, como Franqueza, Grande Amigo e a inédita Tudo Por Você, ficaram bem apáticas. Sendo um disco cheio de irregularidades, mostrando que os meninos precisavam se acostumar com esse novo ambiente.

Idem – Pixote 





















NOTA: 8,4/10


Indo agora para o Idem, que foi o 4º álbum de estúdio do Pixote, nesse trabalho as coisas realmente começaram a se encaixar. Após terem começado com o pé esquerdo na nova gravadora, eles tiveram que mudar algumas coisas. Por exemplo, desligaram-se da equipe de produtores anterior e trouxeram outros com ainda mais experiência em trabalhar com gravadoras gigantescas, como no caso da Warner. Então, a produção ficou a cargo de Adilson Victor, que já tinha trabalhado com vários artistas gigantes da música brasileira e que acabou mudando um pouco a sonoridade do grupo, tornando-a mais moderna e prestando atenção em todos os detalhes da instrumentação. Uma das coisas que mais se destaca é o Mineirinho, pelas melodias autênticas do seu violão. Por conta disso, quem mixou esse disco sabia que toda a instrumentação dos outros músicos e a voz do Dodô teriam que girar em torno do violão dele. Enquanto que o repertório é muito bom e com diversas músicas interessantes, como Nuance, Loucuras de Quem Ama e Meu Amor Tá Me Chamando, além das excelentes faixas românticas Meu Erro e 100% Mais Você. Também há uma canção chamada Minha Fã, cujo som lembra muito o Djavan no começo de carreira. Em suma, é um disco incrível que demonstrou a tamanha química entre todos os membros do grupo.

Pira – Pixote 





















NOTA: 8,2/10


Já no ano seguinte, foi lançado o Pira, mais um trabalho do Pixote que estava tão convincente quanto o anterior. Logo após terem lançado um disco muito bom, o grupo já estava estabelecido como um dos principais nomes do Pagode romântico. Além disso, estavam em um momento de profundo auge em que suas músicas tocavam frequentemente nas rádios. Com isso, decidiram fazer um novo álbum com uma pegada mais voltada para um lado mais Pop. A produção foi a mesma, com muitas pessoas colaborando nos arranjos, trazendo uma sonoridade tradicional do Pagode misturada com a espontaneidade do Samba. A equipe que trabalhou nesse disco quis criar um som polido e acessível, comum entre diversos artistas nacionais que estavam fazendo sucesso ao alcançar um público adolescente. Isso se reflete em um repertório mais uma vez muito interessante, com várias canções maravilhosas como Borogodó, Leve Impressão, O Que Está Acontecendo? e a faixa-título, que tem um romantismo totalmente inocente. Até a canção mais bobinha, Vai Valer a Pena, é agradável, e há até uma música para capoeira intitulada Música de Capoeira (criativo em). Mesmo que não seja perfeita para a prática da capoeira, é interessante. Enfim, este disco é muito bom e um dos melhores que o grupo fez.

Vamos Nessa (Ao Vivo) – Pixote





















NOTA: 8,3/10


Em 1990, foi lançado o Saudade, o 14º disco da dupla João Mineiro & Marciano, e que acabou sendo o começo de uma queda para eles. Após o álbum anterior, estava perceptível que a relação entre a dupla e a gravadora já estava completamente por água abaixo. Além disso, naquela época, já estavam começando os grandes problemas que levariam ao desaparecimento completo da gravadora Copacabana. A dupla que é frequentemente lembrada por suas letras emotivas e melodias cativantes, mas, com os interesses da grande mídia naquela época já eram outros, todas as duplas e cantores sertanejos mais antigos tiveram que seguir um caminho mais comercial. A produção de Zé Bettio, apesar de manter o estilo tradicional da dupla, com arranjos simples e uma sonoridade bem-feita, não conseguiu evitar os problemas do álbum. O repertório desta vez ficou bem abaixo dos últimos trabalhos, apesar de haver algumas músicas legais como Milagre da Flecha, Cilada e a regravação da canção Esta Noite Como Lembrança, que teve apenas algumas partes do arranjo alteradas, mas no restante ficou muito boa. No entanto, as outras canções são muito chatas e, em alguns aspectos, bem ruins, como Esse Meu Coração Sem Juízo, A Pretendida e os irregulares covers de Se Eu Pudesse Conversar com Deus e Romaria. Enfim, esse disco é muito ruim e deu bastante errado.

Descontrolado – Pixote 






















NOTA: 8,5/10


Após o seu primeiro álbum ao vivo, é lançado o 6º trabalho de estúdio do Pixote, que acabou indo para um lado, digamos, totalmente meloso. Depois de o grupo começar a se estruturar após a dura saída de sua antiga gravadora, a Warner, eles conseguiram fechar um vínculo com a Atração Fonográfica, que já tinha sido gravadora de artistas renomados de Pagode e de outros gêneros. A produção foi a mesma, com o renomadíssimo Bira Haway por trás, que fez uma sonoridade exatamente igual à dos seus primeiros trabalhos com o grupo, caracterizada por um som limpo e polido, que destacasse a harmonia por trás dos arranjos. Além, claro, de você ver um nível de coesão entre os vocais do Dodô com a instrumentação dos outros músicos, principalmente o Mineirinho e o Thiaguinho (que naquela época já era um adulto, só um adendo). Enquanto que o repertório, mais uma vez, é decente e, no geral, é muito bom e com várias músicas legais, apesar de todas serem puxadas para aquele lado mais chicletudo, como Você Pode, Só Alegria e O Amor Me Pegou, que são sensacionais, mas também vale destacar outras faixas como Já é Madrugada, Teu Sorriso e Se Liga. Enfim, é mais um álbum muito legal do grupo e que foi só aquecimento para o que viria mais para frente.

15 Anos Ao Vivo – Pixote 





















NOTA: 9/10


Aí, em 2007, chega o maravilhoso álbum ao vivo de 15 anos do Pixote, que é um dos trabalhos mais inacreditáveis de tão bom. Após darem longos passos para se reerguerem, o grupo, que estava perto de chegar aos seus 15 anos de existência, decidiu fazer um show para comemorar todos esses anos de trajetória. Além, é claro, que eles iriam fazer toda uma gravação para transformar isso em um disco, e foi uma das melhores decisões que eles fizeram. Então, eles chamaram o Walmir Borges para produzir esse trabalho, já que o Bira Haway provavelmente estava focado em outros projetos, e todo o trabalho de produção foi impecável. Diferente do primeiro álbum ao vivo, que foi gravado em quatro estabelecimentos diferentes, este aqui foi gravado durante apresentação no Nação Tan Tan. Todo o show é destacado tanto pela voz do Dodô quanto pelos outros quatro integrantes, que tocaram muito bem e de forma fenomenal. Já o repertório reúne grandes clássicos do grupo quanto algumas canções inéditas, sendo que a maioria desses hits está no formato de Pout-Pourri (que, para quem não sabe, é um modo de executar várias canções em uma única faixa). Os dois maiores destaques vão para a sequência Brilho de Cristal / É de Arrepiar / Saudade de Nós e Franqueza / Tão Inocente / Tudo Por Você. Já as músicas inéditas são todas incríveis, como Mande Um Sinal, Meu Amor e Insegurança, que não é maravilhosa, mas é muito boa. Em suma, é um dos melhores trabalhos do grupo e que mostrou uma volta por cima.

Obrigado, Brasil – Pixote 





















NOTA: 4,5/10


Depois de um pequeno período de vários shows e novamente aparições em programas de TV, chega mais um disco ao vivo do Pixote. Lançado após o grupo ter se reerguido depois de seu grandiosíssimo disco ao vivo de 15 anos, eles voltaram a estar nos holofotes e, com isso tudo, algumas gravadoras gigantes despertaram um interesse no grupo. Quem conseguiu sair melhor nessa foi a EMI. E o plano foi realizar mais um álbum ao vivo. Então, eles continuaram com o mesmo produtor e foram fazer a gravação novamente no Nação Tan Tan em São Paulo. A instrumentação dos outros membros está decente, só que o maior problema, que foi perceptível e que ninguém notou, foi que esse show foi feito em playback. Todas as interpretações do Dodô estavam em playback. Fora isso, ele manda ocasionalmente uns gritinhos irritantes, mas a única coisa boa foi que as cantoras que cantam no fundo foram bem e não usufruíram desse sistema. Já o repertório em si contém algumas músicas novas, como Te Esquecer de Novo e Recado Das Estrelas, que ficaram boas. Já o resto é bem ruimzinho, um exemplo é a canção intitulada Perigosa. Mas esse disco contém algumas canções de sucesso deles em formato de Pout-Pourri, só que apenas uma funcionou, que foi Minha Fã / A Mais de Cem. Em suma, essa apresentação foi completamente esquecível e é um trabalho que muitos fãs nem lembram muito.

Fã – Pixote 





















NOTA: 7/10


Depois de lançar dois álbuns ao vivo seguidos, chega enfim mais um trabalho de estúdio do grupo intitulado Fã, provavelmente em homenagem aos seus fãs. Depois de fazerem quase um serviço para a gravadora EMI, eles trocaram de gravadora e foram parar na Radar Records. A tarefa da vez foi gravar mais um trabalho inédito, desta vez em estúdio, e evitar os mesmos problemas ocorridos em seu último disco ao vivo. Além disso, este trabalho tenta ser uma espécie de nova versão do álbum Descontrolado. No entanto, novamente insistiram no mesmo produtor, Walmir Borges, que, por mais que seja um produtor que explorou bastante a sonoridade dos instrumentos tradicionais do Pagode e vinculou um lado mais enrustido ao Pixote, podemos dizer que já havia um desgaste, e ele entregou uma produção mediana, apesar de o som não estar abafado ou com uma mixagem péssima. Agora falando do repertório, ele é bem legalzinho. Tem algumas músicas brilhantes como Um Dia Pra Nós Dois e Meu Amor Maior, além de ter algumas canções que até saem um pouco de todo aquele romantismo característico, como é o caso de A Vitória, Dilema e Quem Não Gosta de Mim. Mas também tem umas músicas bem genéricas como Ficando Louco, Sobe Adrenalina e Tá Pensando O Que?. No final, apesar de ser um disco bom, ele tem muitas falhas em todo seu conjunto.

Pixote 20 Anos Sem Moderação – Pixote  





















NOTA: 3/10


Depois de outro lançamento de estúdio, novamente eles voltam para o lado ao vivo lançando seu álbum de comemoração de 20 anos do grupo. Após o último disco ter conseguido um recebimento até que razoável, logicamente eles estavam pensando em fazer mais um trabalho ao vivo que tivesse uma proposta parecida com aquele disco de 15 anos. Então, o Pixote se desfez mais uma vez da equipe com quem estavam e foram fazer a gravação desse novo disco com a ajuda do pessoal da Som Livre. Quem estava por trás de tudo isso foi o empresário Allan Caramaschi, que colocou uma equipe de produção comandada pelo produtor Pezinho para gravar essa apresentação que ocorreu no Credicard Hall (e isso já não é um bom sinal). Por mais que no show os outros músicos do grupo entreguem tudo de si, não é o mesmo que acontece com o vocalista Dodô, que mais uma vez usufrui de cantar em playback, e nem o coral ao fundo salva. Agora, o repertório é completamente mal feito, tanto na hora quanto no seu lançamento. Sério, é muita música sem graça e tediosa como Asas, S.O.S. Paixão, Por Um Triz e Atentado ao Pudor, que tem a participação do Grupo Revelação. Nem as canções mais conhecidas foram bem interpretadas. As únicas coisas boas foram Uma Simples Carta, Proibido é Mais Gostoso e o ótimo Pout-Pourri de Só Alegria / Beijo Doce / Frenesi / Brilho de Cristal. Enfim, esse disco é completamente tedioso e parece um trabalho caça-níquel só para ganharem uns trocados com suas vendas.

Fetiche – Pixote 





















NOTA: 3,6/10


Três anos se passaram após um lançamento comemorativo que não deu muito certo, e então eles retornaram com mais um álbum de estúdio. Após todo o fracasso obtido com o álbum ao vivo de 20 anos, várias mudanças aconteceram. A primeira foi que o grupo se tornou um quarteto, já que o Mineirinho saiu do Pixote após se converter e a outra mudança foi que eles decidiram se afastar das gravadoras e voltar a lançar seus trabalhos de forma independente. A produção deste disco ficou bem mais ou menos. Embora os arranjos tenham sido bem trabalhados, a sonoridade ficou muito confusa e, em determinados momentos, não combina nem com as linhas vocais do vocalista Dodô, e muito menos com as letras. Isso demonstra uma queda de qualidade absurda. Já o repertório é um compilado de músicas muito chatas e forçadas, como Ouve Essa Canção, Lei da Vida e Alto Astral. Há também canções que ficaram ridículas, como O Céu é o Limite e a faixa-título, que parecem ter sido feitas para aquele amigo débiloide que tenta gostar de Pagode por conta do som, mas não presta atenção na letra e comete uma gafe colocando-as no churrasquinho pós-pelada. Mas, as únicas canções que realmente ficaram boas foram Desculpa Perfeita, Outro Alguém, Estação da Curtição e Tintin Por Tintin. Enfim, é outro álbum ruim que acabou se tornando esquecido, não só para os fãs como também para o próprio grupo.
 

Então é isso e flw!!!

segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Analisando Discografias - João Mineiro & Marciano, Ana Castela e Pixote (RA: XXXII)

                     

João Mineiro & Marciano - Volume 11 - João Mineiro & Marciano





















NOTA: 9,4/10


Em 1986, saiu mais um álbum da dupla João Mineiro & Marciano, um dos primeiros daquela leva de três discos intitulados apenas como Volume. Depois de lançarem um trabalho muito semelhante ao seu antecessor, que não trouxe muitas inovações, a dupla precisava se renovar para não ficar presa ao "mais do mesmo". Assim, foram para o estúdio gravar algo que refletisse um pouco da era raiz deles. A produção desse disco, mais uma vez, ficou a cargo do Zé Bettio. E ele conhecia muito bem aquela fase da dupla na época da Chororó Discos, decidindo criar uma sonoridade bem elaborada, com arranjos que incorporassem elementos tradicionais do Sertanejo, mas com uma produção mais contemporânea. A intenção era agradar aquela geração acostumada ao contexto e às características do gênero naquela época. O resultado foi um repertório espetacular e muito bem ordenado, com todas as músicas sendo verdadeiros clássicos da dupla. Destacam-se o grande hit Seu Amor Ainda É Tudo, composição de Moacyr Franco, além de Crises de Amor, No Mesmo Lugar (Coisa Estranha) e Whisky Com Gelo, que apresentam aquele romantismo característico e também incluindo canções sobre a vida no interior, como Caminhão É Assim e Amantes e Amigos. Sério, só tem música boa. Sendo assim, um dos melhores discos já feitos pela dupla, e todo o esforço valeu muito a pena.

João Mineiro & Marciano - Volume 12 - João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 9,1/10


Dois anos depois, chega mais um álbum da trinca intitulada "Volume", sendo este o 12 (também apelidado com o nome da dupla e o ano de lançamento, que é 1988). Depois de lançarem um disco espetacular que se tornou um clássico da dupla, eles estavam completamente no auge. Além de fazerem um enorme sucesso no cenário Sertanejo, chegaram ao ponto de terem seu próprio programa de TV, que passava nas manhãs de domingo no SBT, intitulado "João Mineiro & Marciano Especial" (é isso que eu chamo de auge absoluto). Com todas essas conquistas, estava na hora de ir para o estúdio novamente. Com o mesmo produtor e equipe da Copacabana trabalhando novamente com a dupla, o conceito desse álbum seguiu a mesma linha dos seus anteriores. Além disso, todos os arranjos foram muito bem feitos, seguindo aquela fórmula que relembrava a sonoridade do Sertanejo raiz. Enquanto que o repertório é sensacional, cheio de músicas muito bem elaboradas e com diversos temas, como Não Se Bate Em Quem Se Ama e Beija-Flor, que têm mensagens reflexivas sobre a importância do respeito em um relacionamento, além das vivências no campo em O Cantor e o Peão. E, logicamente, o romantismo contido nas faixas Te Amo, Mas Adeus, Ainda Ontem Chorei de Saudade e O Quanto Eu Te Quero, todas sensacionais. Enfim, é mais um disco muito bom e excelente, que demonstrava o quanto João Mineiro & Marciano mereciam estar no topo.

João Mineiro & Marciano - Volume 13 - João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,7/10


Em 1989, chega o último álbum daquela trinca intitulada apenas de ‘‘Volume’’, sendo esse o 13º disco da dupla. Depois dos 2 últimos trabalhos terem sido excelentes e com um bom recebimento, nesse novo disco houve uma mudança significativa, pois veio em um momento em que a música Sertaneja iria passar por transformações. Por exemplo, futuramente várias duplas novas como Bruno & Marrone e Zezé Di Camargo & Luciano estavam indo para um lado mais comercial. Coisa que, desde antes delas surgirem, as duplas mais antigas, como no caso de João Mineiro & Marciano, acabaram rejeitando ir para esse lado. E por mais que a gravadora Copacabana já forçasse isso, isso fez surgir os primeiros desentendimentos entre a dupla e eles. Enfim, a produção mais uma vez esteve a cargo do Zé Bettio e, junto com o arranjador Evencio Raña Martinez, trouxeram arranjos mais simples. Além disso, toda essa sonoridade simples combinou com a proposta da dupla que fez um trabalho mais reflexivo. O álbum contém um repertório muito bom e cheio de músicas bem legais como, por exemplo, Não Posso Sair e o hit Se Eu Não Puder Te Esquecer, que não chega a ser tão maravilhoso quanto as outras faixas como Distante dos Olhos, A Minha Cabeça Mudou e Eu Preciso De Um Amigo, que são lindíssimas. Esta última, inclusive, é uma canção que mostrou eles indo muito para o lado do Country americano. No final de tudo, apesar de ser o disco mais fraco dessa trinca, ele é muito bom e teve um ótimo conceito.

Saudade – João Mineiro & Marciano





















NOTA: 4,4/10


Em 1990, foi lançado o Saudade, o 14º disco da dupla João Mineiro & Marciano, e que acabou sendo o começo de uma queda para eles. Após o álbum anterior, estava perceptível que a relação entre a dupla e a gravadora já estava completamente por água abaixo. Além disso, naquela época, já estavam começando os grandes problemas que levariam ao desaparecimento completo da gravadora Copacabana. A dupla que é frequentemente lembrada por suas letras emotivas e melodias cativantes, mas, com os interesses da grande mídia naquela época já eram outros, todas as duplas e cantores sertanejos mais antigos tiveram que seguir um caminho mais comercial. A produção de Zé Bettio, apesar de manter o estilo tradicional da dupla, com arranjos simples e uma sonoridade bem-feita, não conseguiu evitar os problemas do álbum. O repertório desta vez ficou bem abaixo dos últimos trabalhos, apesar de haver algumas músicas legais como Milagre da Flecha, Cilada e a regravação da canção Esta Noite Como Lembrança, que teve apenas algumas partes do arranjo alteradas, mas no restante ficou muito boa. No entanto, as outras canções são muito chatas e, em alguns aspectos, bem ruins, como Esse Meu Coração Sem Juízo, A Pretendida e os irregulares covers de Se Eu Pudesse Conversar com Deus e Romaria. Enfim, esse disco é muito ruim e deu bastante errado.

Tarde Demais Para Esquecer – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 5,7/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado o Tarde Demais Para Esquecer, que foi o primeiro disco com uma nova gravadora. Depois que a relação da dupla com a Copacabana Records estava completamente desgastada, eles assinaram com a gravadora Polygram, fazendo exatamente a mesma coisa que Chitãozinho & Xororó fizeram no ano anterior. Mas, apesar de terem mudado de gravadora, eles não mudaram de produtor; trouxeram Zé Bettio junto com eles para poder gravar seus futuros álbuns. Mais uma vez, a sonoridade continuou sendo a mesma, porém ainda dava para notar que harmonicamente eles erraram bastante em seus arranjos e, muitas vezes, as linhas vocais do Marciano se conflitavam demais com as do João Mineiro. Não duvido que isso já mostrava ser um grande problema na relação dos dois. Já o repertório, por mais que seja bem melhor do que o do disco anterior, contém várias músicas muito genéricas e com letras forçadas, como Só Quem Amou Fui Eu e Ninja Guerreira. As canções que mais se destacam são Porque Somos Iguais, Viola Está Chorando e Amor Clandestino. Um adendo: este disco não contou com a colaboração do Darci Rossi nas composições, e há um boato de que o álbum anterior foi lançado na mesma semana que este, mas isso não passa de um grande mito. No final, é um disco mediano que mostrava a dupla completamente sem inspiração.

Pra Não Pensar Em Você – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 4/10


No ano seguinte, chega mais um trabalho da dupla, completamente apático comparado aos dois últimos lançamentos. Depois dos últimos álbuns terem sido completamente mal planejados, a dupla ainda estava naquela fase em que tinham que fazer músicas que não condiziam com o que gostavam de fazer. Além disso, aquele programa de TV que tinham no SBT já havia acabado. No entanto, uma das coisas boas que estava acontecendo era o início da carreira internacional, e a expectativa era que este novo trabalho conseguisse atender às expectativas de ser algo brilhante. Mais uma vez, o trabalho da produção seguiu a linha das produções anteriores da dupla, focando em arranjos simples e eficazes que destacassem as linhas vocais, que, mais uma vez, se conflitaram, e desta vez, ainda pior. O repertório desta vez contém 11 faixas, diferente dos outros discos que tinham 12 no total. Apesar dessa mudança, o repertório é completamente horroroso, com muitas canções ridículas e que cativam tanto quanto uma procissão de uma missa de Corpus Christi, como Pra Não Pensar Em Você, Não Consigo Esquecer Minha Mulher, Cama Dividida e Fui Homem Demais, que é uma canção que eles gravaram antes do Zezé Di Camargo e Luciano e ficou muito ruim. As únicas exceções vão para as músicas Como As Ondas Do Mar e Contando Léguas. Enfim, este disco pode até ter tido um grande potencial, mas o resultado ficou tenebroso.

Dois Apaixonados – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,2/10


Pouco tempo depois, saiu aquele que foi o último álbum de estúdio da dupla João Mineiro & Marciano, o não tão lembrado Dois Apaixonados. Lançado em uma época totalmente difícil, a dupla estava completamente cansada após quase 20 anos de carreira e decidiu fazer um álbum que não seguisse aquela forçação de barra que estavam buscando. Desta vez, eles voltaram ao estilo que os fez conhecidos nacionalmente na metade dos anos 80. Novamente, Zé Bettio marcou sua presença neste último trabalho da dupla, ajudando a trazer aquela abordagem tradicional mais inocente que a dupla tinha, com uma sonoridade mais autêntica e emocional, abordando os mesmos temas de sempre, do jeito em que sempre apresentaram suas músicas. O resultado foi um repertório muito bom, com muitas canções interessantes como a faixa-título, Fica Comigo, Se Depender de Mim, Ave Ensinada e Te Amo Tanto, que, infelizmente, não são lembradas, até porque esse álbum foi um completo fracasso comercial. De forma inesperada, João Mineiro & Marciano acabaram se separando por motivos até hoje não esclarecidos. Alguns dizem que Marciano queria logo seguir uma carreira solo, enquanto outros falam que a dupla brigou e isso foi parar na justiça, mas tudo isso acabou sendo apenas suposições. Em suma, o último trabalho da dupla é muito bom e infelizmente acabou se tornando um disco desconhecido.

Boiadeira Internacional (Ao Vivo) – Ana Castela 





















NOTA: 1/10


Bem, como eu percebi que só iria avaliar os quatro últimos álbuns do João Mineiro & Marciano, então, para não ficar faltando um, eu decidi falar do disco de estreia dessa cidadã chamada Ana Castela. Nascida na cidade de Amambai, no interior do Mato Grosso do Sul, Ana acabou sendo criada na cidade vizinha de Sete Quedas. Ela começou a mostrar seu "talento" inicialmente no coral da igreja que frequentava aos 15 anos de idade. Foi só em 2021 que sua carreira começou, após um vídeo caseiro dela repercutir. Depois disso, ela se juntou à gravadora AgroPlay, lançou uns singles horríveis e então partiu para gravar seu primeiro álbum. Produzido por um tal de Eduardo Godoy, essa gravação ocorreu no Fespop. Toda a sonoridade contida, além do Sertanejo, juntava elementos de Funk, Rap e música eletrônica, e tudo isso foi chamado de Agronejo. Agora o repertório é completamente pavoroso, como esperado. Sério, todas as canções têm letras completamente ridículas e horripilantes, como Bonde das Boiadeiras, As Meninas da Pecuária, Morreu de Ana Castela e Chicletinho. Houve também participações terríveis, como na canção Lua, com Alok e Hungria Hip Hop, que só tentaram fazer o melhor que eles sabem, enquanto as outras canções contam com um certo pessoal péssimo do Sertanejo atual. Enfim, não há muito o que comentar, é só um trabalho tenebroso de uma cantora horrível.

Brilho de Cristal – Grupo Pixote  





















NOTA: 8/10


Em 1995, foi lançado o primeiro álbum de estúdio do até então chamado Grupo Pixote, em uma época em que era composto por um bando de adolescentes. Formado dois anos antes, o grupo começou com um monte de crianças que tocavam por diversão em uma praça na zona leste de São Paulo, na cidade de Tiradentes, onde o vocalista Dodô foi criado durante a infância. Junto com seus amigos Tiola, Thiaguinho, Mineirinho, Dú, Nito e Wallace Martins, eles formaram o grupo com o nome Revelação do Pagode. Logo após uma participação no Festival do Choppapo e assinarem com a gravadora Zimbabwe, eles mudaram o nome para Pixote. Nesse primeiro trabalho, a produção ficou a cargo do experiente Ubirajara de Souza, também conhecido como Bira Haway, que criou uma sonoridade padrão para o Pagode romântico dos anos 90, utilizando instrumentos como cavaquinho, violão, pandeiro e tantã, além dos vocais harmônicos do querido Douglinhas. Realmente, um trabalho muito bem feito. O repertório é muito bom e já de cara demonstra estar muito bem ordenado, começando com as ótimas Swing Maneiro e Exatamente Assim, e seguindo para as excelentes canções Mal de Amor, Amor Difícil, Cada Um Cada Um e, logicamente, a incrível faixa-título. No final de tudo, é um ótimo disco de estreia e mostrava que aquele grupo de crianças/pré-adolescentes tinha muito potencial.

Tão Inocente – Grupo Pixote 





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram e, já com a maioria do grupo na fase adulta, tirando o Thiaguinho que estava perto de entrar na pré-adolescência, é lançado o segundo trabalho do grupo. Após o disco de estreia, o Pixote já tinha ganhado uma base de fãs sólida e já era conhecido principalmente porque suas músicas já estavam tocando nas rádios, mesmo estando em uma gravadora independente. Então, eles novamente foram gravar uma continuação da sua estreia, sendo um pouco mais melhorado. Novamente, eles trabalharam com a mesma equipe de produção, uma estratégia para manter a qualidade enquanto trazia alguns elementos novos para refrescar seu som. Além disso, é de se notar que eles trabalharam ainda mais nos arranjos para conseguir uma sonoridade totalmente eficiente, graças à mixagem do Cláudio Farias. Já o repertório conseguiu ser tão interessante quanto o do disco anterior, porque tem muitas faixas belíssimas, todas com melodias que até lembram o pagode mais antigo, como Beijo Doce, Saudade de Nós, Franqueza, Cedo Pra Lhe Esquecer e Em Tua Direção. Chega a ser até difícil escolher qual dos dois primeiros discos tem um repertório melhor. Enfim, esse é mais um disco muito bom que mostrava que o grupo estava no caminho certo.
 

Por hoje é só, então flw!!!

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