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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Analisando Discografias - Art Blakey: Parte 3

                 

The Witch Doctor – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho intitulado The Witch Doctor. Após o Like Someone In Love, a Blue Note decidiu resgatar mais um dos materiais antigos do Art Blakey & The Jazz Messengers, só que este sendo de 1961. No momento, estavam refinando um Hard Bop que já não era apenas explosivo e dançante, mas também sofisticado, com composições mais ousadas. Wayne Shorter, em particular, estava em ascensão como principal compositor da banda, criando temas com identidade própria. A produção foi aquela de sempre: cristalina, com a bateria de Blakey soando com impacto, os metais com brilho e o piano de Timmons cortando com clareza. A produção segue o padrão da gravadora, feita de maneira a capturar a energia quase “ao vivo” do grupo, sem polimentos excessivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem coordenadas e dinâmicas. Enfim, é um trabalho bacana e bastante essencial. 

Melhores Faixas: Afrique, Joelle 
Vale a Pena Ouvir: The Witch Doctor

Roots & Herbs – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 9/10


Então chega em 1970, quando foi lançado outro disco do Art Blakey & The Jazz Messengers, o Roots & Herbs. Após o The Witch Doctor, a Blue Note decidiu resgatar mais um material lá de 1961, com aquela mesma formação, explorando a todo vapor o Hard Bop. Mas a cena começava a apontar para outras direções, como o Modal Jazz, o Free Jazz (chato demais) e o Post-Bop. Wayne Shorter, inclusive, se tornaria um dos grandes responsáveis por levar a música do grupo a um patamar mais moderno. A produção foi a mesma de sempre: quente, próxima, dando destaque à percussão de Blakey, ao brilho metálico do trompete de Morgan e ao sax tenor encorpado de Shorter. O piano do Timmons, e às vezes do Walter Davis, Jr., tem uma presença rítmica marcante, e o baixo do Merritt sustenta tudo com firmeza. O repertório é muito legal, e as canções são bem mais divertidas e, de certo modo, imersivas. No geral, é um ótimo trabalho, que mostra a grandeza do grupo. 

Melhores Faixas: Ping Pong, United 
Vale a Pena Ouvir: Look At The Birdie

Album Of The Year – Art Blakey And The Jazzmessengers





















NOTA: 8,2/10


Pulando para 1981, Art Blakey enfim retornou com o disco Album Of The Year (muita megalomania, graças a Deus). Após o Roots & Herbs, o baterista acabou meio que dando uma sumida, em um período dominado pela onda Fusion, que, por sinal, Blakey abominava. Nesse meio tempo, ele teve alguns trabalhos antigos lançados e focou em seus shows, só voltando a gravar com uma nova formação: Wynton Marsalis (trompete), Bill Pierce (sax tenor), Bobby Watson (sax alto), James Williams (piano) e Charles Fambrough (baixo). Produzido por Wim Wigt e lançado pelo selo Timeless, gravado em Paris, o som da gravação é limpo e potente, típico das produções da Timeless. Cada instrumento aparece com clareza, com destaque para o trompete cortante de Wynton Marsalis e o impacto da bateria de Blakey. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem dinâmicas. No final, é um trabalho legal e bastante esquecido. 

Melhores Faixas: Ms. B.C., Little Man 
Vale a Pena Ouvir: Soulful Mister Timmons

One For All – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao último trabalho do Art Blakey, intitulado One For All, que surgia em um período derradeiro. Após o Album Of The Year, Blakey continuava suas apresentações, embora já estivesse debilitado pela saúde devido ao câncer, mas não perdeu nem o espírito nem a energia de conduzir a sua “Escola de Jazz”. O grupo de 1990 mantinha a tradição, reunindo jovens talentos que viam em Blakey não apenas um líder, mas também um mentor e figura paterna no gênero. Produzido por John Snyder e lançado pela A&M Records, o disco teve uma sonoridade moderna e nítida, diferente da textura calorosa dos clássicos da Blue Note. A produção valoriza a coletividade do grupo: há bastante espaço para os sopros em uníssono, para o baixo e o piano aparecerem, mas a bateria de Art Blakey continua sendo o coração pulsante. O repertório foi bem mais extenso, mas ficou muito bom, e as canções são todas aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e uma despedida decente. 

Melhores Faixas: Accidently Yours, Green Is Mean 
Vale a Pena Ouvir: Theme For Penny, I'll Wait And Pray, Polkadots And Moonbeams

 

domingo, 28 de setembro de 2025

Analisando Discografias - Art Blakey: Parte 2

                 

The Big Beat – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,6/10


Em 1960, foi lançado mais um trabalho de Art Blakey, intitulado The Big Beat, que foi ainda mais energético. Após o Art Blakey’s Big Band, Blakey e os Jazz Messengers já eram referência absoluta do Hard Bop, estilo que ele ajudou a consolidar na década de 1950. Mantendo praticamente a mesma formação, ele decidiu explorar uma mistura de repertório original e standards reinterpretados, com forte ênfase em grooves rítmicos e espaço para a individualidade de cada solista. A produção, conduzida por Alfred Lion, colocou um som claro e direto, com a bateria de Blakey em destaque, e a banda captando a energia de um grupo de palco. Lion valorizou a interação ao vivo entre os músicos, permitindo que a seção rítmica sustentasse os solos de forma dinâmica e pulsante. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e têm um lado envolvente. Enfim, é um belo disco e muito coeso. 

Melhores Faixas: Dat Dere, Politely, Lester Left Town 
Vale a Pena Ouvir: Sakeena's Vision

A Night In Tunisia – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,7/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho, intitulado A Night In Tunisia, só que agora repaginado pela Blue Note. Após o The Big Beat, esse novo trabalho chega em um momento em que o Jazz buscava conciliar complexidade rítmica e harmônica com apelo mais popular, mantendo a tradição do Bebop, mas incorporando grooves mais próximos do Blues e da Soul music. Com isso, decidiram fazer uma nova versão de A Night In Tunisia, agora voltada para um lado mais moldado às influências da época. A produção, feita por Alfred Lion, valorizou, como sempre, a energia de grupo: o som da bateria de Art Blakey é destacado, mas sem sobrepor os solistas. A mixagem permite ouvir claramente cada instrumento, especialmente nos solos, o que era essencial para capturar o dinamismo do Hard Bop, trazendo muitas passagens interessantes. O repertório é ótimo, e as canções são bem dinâmicas e intensas. No geral, é um disco bacana e bastante profundo. 

Melhores Faixas: A Night In Tunisia, So Tired 
Vale a Pena Ouvir: Yama, Sincerely Diana, Kozo's Waltz

!!!!! Impulse! Art Blakey! Jazz Messengers! !!!!! – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 8,5/10


Meses se passaram, e foi lançado o álbum !!!!! Impulse! Art Blakey! Jazz Messengers! !!!!! (um de seus vários nomes). Após o A Night In Tunisia, Blakey continuava a explorar a combinação de virtuosismo técnico, grooves poderosos e um repertório que mesclava composições originais e standards reinventados. O álbum reflete um momento em que o baterista experimentava intensamente com formas e arranjos dentro do Hard Bop, aproveitando o selo Impulse!, conhecido por dar liberdade criativa aos músicos. A produção, dessa vez conduzida por Bob Thiele, enfatiza clareza e presença de palco, capturando a energia característica da banda. A bateria de Blakey é sempre proeminente, mas não sufoca os demais instrumentos; a mixagem permite ouvir com nitidez cada detalhe dos solos e da seção rítmica. O repertório é bem legal, e as canções são virtuosas e tendem para um lado mais complexo. No final, é um ótimo disco, importante para lançamentos futuros. 

Melhores Faixas: Circus, Alamode 
Vale a Pena Ouvir: I Hear A Rhapsody

Mosaic – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,8/10


No comecinho de 1962, foi lançado mais um trabalho magnífico de Art Blakey, o Mosaic. Após o álbum dos mil nomes, Blakey já havia consolidado os Jazz Messengers como uma verdadeira escola de talentos do Jazz moderno, conhecida por seu groove poderoso e pela mistura de virtuosismo e swing emocional. O disco conta com uma formação excepcional: Freddie Hubbard (trompete), Curtis Fuller (trombone), Wayne Shorter (saxofone tenor), Cedar Walton (piano) e Jymie Merritt (baixo). A produção, conduzida mais uma vez por Alfred Lion, foi excepcionalmente clara e direta, valorizando a interação do grupo. O som da bateria de Blakey é destacado sem dominar o espaço dos outros instrumentos. Cada solista é captado de forma nítida, permitindo que o ouvinte perceba nuances de fraseado e improvisação. O repertório é incrível, e as canções são todas bem profundas e cadenciadas. No geral, é um belo disco, um de seus grandes clássicos. 

Melhores Faixas: Mosaic, Arabia, Children Of The Night 
Vale a Pena Ouvir: Crisis, Down Under

Caravan – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9/10


No final daquele ano, foi lançado mais um trabalho do Art Blakey, intitulado Caravan. Após o Mosaic, o baterista e sua trupe continuavam a explorar um lado ainda mais improvisado e cadenciado; com isso, decidiram fazer um trabalho mais complexo, que mostrasse a precisão do Hard Bop e desse ainda mais chance para cada solista brilhar em seu momento. A produção, feita por Orrin Keepnews, segue a linha clássica do gênero, com som claro, direto e de alta presença acústica. A bateria de Blakey é sempre proeminente, mas equilibrada para não sufocar os demais instrumentos. O piano do Cedar Walton, o trompete do Freddie Hubbard e o saxofone do Wayne Shorter são captados de forma nítida, permitindo ouvir com clareza nuances de improvisação e interação entre os músicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais melódicas e energéticas. Enfim, é um ótimo álbum, mais colaborativo. 

Melhores Faixas: This Is For Albert, Skylark 
Vale a Pena Ouvir: Caravan

Buhaina's Delight – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,5/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho fenomenal de Art Blakey & The Jazz Messengers, o Buhaina's Delight. Após o Caravan, nesse período o Hard Bop estava no auge e Blakey consolidava sua reputação como líder e mentor de jovens talentos do Jazz moderno. O título do álbum faz referência ao apelido africano de Blakey, “Buhaina”, enfatizando sua ligação com ritmos e tradições percussivas. A produção, conduzida por Alfred Lion, foi bem mais cristalina, permitindo que cada instrumento fosse claramente perceptível. A bateria de Blakey recebe destaque natural, mas sem sufocar os demais músicos. A mixagem e a gravação enfatizam a energia de conjunto, equilibrando seções rítmicas, solos e temas melódicos. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e vão para um lado mais cadenciado. Em suma, é um ótimo álbum, um dos mais potentes de sua carreira. 

Melhores Faixas: Bu's Delight, Backstage Sally 
Vale a Pena Ouvir: Reincarnation Blues, Moon River

The Freedom Rider – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,6/10


Indo para 1964, foi lançado outro disco, o The Freedom Rider, que seguiu um caminho mais aconchegante. Após o Buhaina's Delight, o álbum chega em um período em que Art Blakey consolidava a formação clássica dos Jazz Messengers, explorando ao máximo a energia do Hard Bop e servindo como incubadora de novos talentos. Uma das coisas interessantes foi o retorno de Lee Morgan, que trouxe todo aquele virtuosismo energético e fraseado ousado. A produção, feita novamente por Alfred Lion, é cristalina, valorizando a clareza de cada instrumento. A bateria de Blakey é destacada, mas com equilíbrio, permitindo que trompete, saxofone, piano e contrabaixo se destaquem igualmente. A gravação enfatiza interações ao vivo, alternando momentos de alta intensidade com passagens mais líricas. O repertório é incrível, e as canções são bem leves e envolventes. No fim, é um baita disco, um clássico. 

Melhores Faixas: Tell It Like It Is, The Freedom Rider 
Vale a Pena Ouvir: Blue Lace, El Toro, Petty Larceny

Free For All – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 10/10


Então chega o ano seguinte, quando foi lançado o excepcional e atemporal Free For All. Após The Freedom Rider, esse trabalho surge em uma fase em que os Jazz Messengers estavam no auge criativo. O Hard Bop já estava plenamente consolidado, mas vivia um momento de expansão, flertando tanto com o lirismo modal de Miles Davis e John Coltrane quanto com a energia crua do Soul Jazz. Para esse trabalho, eles decidiram seguir um caminho ainda mais intenso. A produção, conduzida como sempre por Alfred Lion, apresenta um lado preciso, permitindo que cada instrumento seja ouvido com clareza. A bateria de Blakey é protagonista, mas há espaço suficiente para os solos de Freddie Hubbard, Wayne Shorter, Curtis Fuller, Reggie Workman e Cedar Walton se destacarem. O repertório é simplesmente sensacional, e as 4 faixas são todas belíssimas. No final de tudo, é um trabalho maravilhoso, um dos grandes clássicos do Jazz, assim como Moanin’. 

Melhores Faixas: Free For All, The Core 
Vale a Pena Ouvir: Hammer Head, Pensativa

Indestructible – Art Blakey & The Jazz Messengers





















NOTA: 9,9/10


Se passa mais um ano e foi lançado mais um trabalho de Art Blakey, o Indestructible. Após o Free For All, esse novo álbum representa uma fase madura dele junto com seu grupo, que já havia passado por diversas formações clássicas, consolidando o Hard Bop como estilo dominante do Jazz moderno. O álbum é marcante por reunir músicos talentosos e já consagrados, cada um contribuindo com identidade própria, mas sempre guiados pela liderança incansável de Blakey. A produção, como sempre, apresenta um lado cristalino e preciso, enfatizando a dinâmica e a interação ao vivo, capturando a energia coletiva do grupo e os detalhes dos solos individuais. A mixagem permite ouvir nuances rítmicas, articulações melódicas e harmonias complexas, criando sensação de presença e espontaneidade. O repertório é incrível, e as canções são bem variadas, indo do lado mais envolvente ao mais cadenciado. No fim, é um disco maravilhoso, outro clássico de sua carreira. 

Melhores Faixas: The Egyptian, Mr. Jin, When Love Is New 
Vale a Pena Ouvir: Sortie, Calling Miss Khadijn

Like Someone In Love – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 9,1/10


Chegando em 1967, foi lançado mais um trabalho de Art Blakey & The Jazz Messengers, o Like Someone In Love. Após o Indestructible, a Blue Note acabou resgatando uma gravação feita sete anos antes, ou seja, num momento em que o grupo estava em sua era de ouro, até porque contava com a formação clássica com Lee Morgan (trompete), Wayne Shorter (saxofone tenor), Bobby Timmons (piano) e Jymie Merritt (contrabaixo). Vale lembrar que, nesse período atual, Art Blakey já estava tentando se moldar aos padrões da época. A produção, realizada por Alfred Lion, deixou um som quente e direto, com o cuidado de Rudy Van Gelder em captar tanto a potência dos metais quanto a riqueza tímbrica do piano e da bateria. O resultado é um álbum com clima ao vivo, onde a interação entre os músicos soa espontânea, cheia de energia e frescor. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas e envolventes. Enfim, é um ótimo trabalho, bem cuidado. 

Melhores Faixas: Sleeping Dancer Sleep On, Johnny's Blue 
Vale a Pena Ouvir: Noise In The Attic, Like Someone In Love, Giantis

      Então é isso, um abraço e flw!!!         

sábado, 27 de setembro de 2025

Analisando Discografias - Art Blakey: Parte 1

                 

The Jazz Messengers – The Jazz Messengers





















NOTA: 9,9/10


Em 1956, foi lançado o 1º trabalho de Art Blakey com os Jazz Messengers, que servia como um conceito de ideias. O baterista começou sua trajetória por volta de 1942, quando passou a integrar várias orquestras, até que, após começar a se moldar, tornou-se independente e, por volta de 1947, nasceu o Jazz Messengers, que servia como um laboratório de ideias, mas também de estilos e talentos que ajudariam a definir o Hard Bop. Este disco de estúdio, gravado nas sessões de abril e maio de 1956 em Nova Iorque, é o último a reunir a formação com Horace Silver ao piano. Com produção do George Avakian, oferece uma acústica aberta que privilegia o som corporal dos instrumentos: o ataque do trompete de Donald Byrd, o sopro mais seco de Hank Mobley e a percussão de Blakey soam vivos, com espaço para decaimentos e respostas rítmicas. O repertório é incrível, e as canções são todas vibrantes e dinâmicas. Enfim, é um belo disco e um grande clássico do Jazz. 

Melhores Faixas: Nica's Dream, Infra-Rae, The End Of A Love Affair 
Vale a Pena Ouvir: Hank's Symphony, It's You Or No One

Orgy In Rhythm (Volume One) – Art Blakey





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado Orgy in Rhythm, Volume 1, que seguia influências africanas. Após o The Jazz Messengers, Blakey começou a se interessar por projetos que colocassem a percussão em primeiro plano, indo além do papel tradicional de acompanhamento. Em 1956, ele viajou para a África Ocidental (Gana, Nigéria e Serra Leoa), onde mergulhou em tradições rítmicas locais e trouxe para si uma inspiração que marcaria os anos seguintes. Dessa experiência nasceu a ideia de um projeto coletivo de percussão que uniria Jazz, ritmos afro-cubanos e africanos. A produção, conduzida por Alfred Lion, contou com uma formação com Herbie Mann (flauta), Ray Bryant (piano), Wendell Marshall (baixo), além de vários percussionistas. O clima era de jam session expandida, mas com direção clara de Blakey. O repertório é curto, com 4 faixas um pouco longas, mas que seguem um caminho mais improvisado. Enfim, é um trabalho bacana, e que ainda renderia mais. 

Melhores Faixas: Ya Ya 
Vale a Pena Ouvir: Split Skins, Toffi, Buhaina Chant

Drum Suite – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 8,6/10


Aí, um mês depois, foi lançado outro álbum diferente, desta vez o 2º com os Jazz Messengers, o Drum Suite. Após o Orgy in Rhythm, Vol. 1, Blakey decidiu seguir um caminho mais híbrido: uma tentativa de conciliar a força rítmica das raízes africanas e afro-cubanas com a estruturação mais convencional do Hard Bop que os Jazz Messengers vinham desenvolvendo. O disco, portanto, é ao mesmo tempo continuidade e síntese: mantém a ideia de suíte percussiva, mas insere essa dimensão no contexto de arranjos mais próximos ao Jazz tradicional. A produção foi feita por George Avakian e lançada pelo selo Columbia, que buscou equilibrar dois universos sonoros: a exuberância de múltiplos tambores e a clareza do quinteto de Jazz. Assim, as percussões são captadas em estéreo amplo, os sopros bem definidos e o piano com presença sólida no centro da mixagem. O repertório é muito legal, e as canções seguem um lado mais tribal. No geral, é um ótimo disco e bem versátil. 

Melhores Faixas: Cubano Chant, D's Dilemma 
Vale a Pena Ouvir: Nica's Tempo, Just For Marty

Orgy In Rhythm - Volume Two – Art Blakey





















NOTA: 8/10


Foi só no ano seguinte que foi lançado o Volume 2 do Orgy in Rhythm, ainda mais percussivo. Após o lançamento do Drum Suite, a Blue Note decidiu lançar a segunda parte desse projeto por conta da extensão das sessões. Em alguns aspectos, essa continuação é mais ousada: nele, Art Blakey permite que os percussionistas convidados assumam ainda mais espaço, ao mesmo tempo em que os sopros e o piano oferecem molduras mais livres. A produção foi praticamente a mesma, mas reflete a visão de Blakey como catalisador: ele não queria brilhar sozinho, mas criar uma “comunidade de tambores”. O disco soa quase como um documento etnográfico, mas sem perder a lógica jazzística: temas, improvisos e variações organizadas em faixas que funcionam como episódios de um mesmo ritual. O repertório é muito bom, e as canções são ainda mais dinâmicas e um pouco mais complexas. Em suma, é um trabalho bacana e mais energético que o anterior. 

Melhores Faixas: Elephant Walk 
Vale a Pena Ouvir: Abdallah's Delight, Amuck, Come Out And Meet Me Tonight

A Night In Tunisia – Art Blakey's Jazz Messengers





















NOTA: 8,9/10


Indo para 1958, foi lançado o enigmático álbum A Night in Tunisia, que seguia naquela pegada tribal. Após a série dupla Orgy in Rhythm, nesse novo trabalho Art Blakey decidiu captar a energia crua de seu grupo no palco, mostrando a força do Hard Bop em seu habitat natural: o clube de Jazz. O conjunto era explosivo: Bill Hardman trazia a energia da juventude, Johnny Griffin era conhecido por sua técnica velocíssima e fraseado intenso, Sam Dockery tinha um estilo mais cadenciado, e Spanky DeBrest sustentava a base com firmeza. A produção, conduzida por Bob Rolontz, seguiu por um lado mais cru, menos polido, mas justamente por isso mais autêntico. O ruído da plateia, a vibração do ambiente e a liberdade dos solos longos dão ao álbum uma intensidade documental, quase como se estivéssemos presentes no clube. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um trabalho bacana e mais rudimentar. 

Melhores Faixas: A Night In Tunisia, Couldn't It Be You? 
Vale a Pena Ouvir: Evans, Theory Of Art, Off The Wall

Art Blakey And The Jazz Messengers – Art Blakey And The Jazz Messengers





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1959, quando foi lançado o sensacional Art Blakey and the Jazz Messengers (também conhecido como Moanin’). Após o A Night in Tunisia, Art Blakey decidiu lançar um trabalho que marcaria de vez a consolidação do grupo como a verdadeira escola do Hard Bop, não só porque trouxe uma formação fenomenal com Lee Morgan (trompete), Benny Golson (sax tenor), Bobby Timmons (piano) e Jymie Merritt (baixo), mas também porque apresentou ao público mundial uma síntese perfeita do estilo. A produção, realizada por Alfred Lion, tinha como ênfase captar a energia crua do grupo em performance, sem polimentos excessivos. Além disso, o disco traz uma divisão equilibrada, com três composições de Timmons e Golson, além de standards e arranjos que davam espaço igual a todos os músicos. O repertório é fantástico e praticamente funciona como uma coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Moanin', The Drum Thunder (Miniature) Suite 
Vale a Pena Ouvir: Are You Real

Art Blakey's Big Band – Art Blakey's Big Band





















NOTA: 8/10


Aí, ironicamente, no mesmo mês daquele ano de 1959, foi lançado outro disco, o Art Blakey's Big Band. Após o Moanin’, um selo chamado Bethlehem decidiu lançar esse trabalho em que Blakey se arrisca em um contexto maior: uma big band. Não foi algo recorrente em sua carreira, mas reflete uma tendência dos anos 1950, quando vários músicos do Bebop e do Hard Bop testavam formações expandidas para dialogar com a tradição das orquestras de swing e explorar novas possibilidades de arranjo. A produção, conduzida por Lee Kraft, trouxe vários nomes como Lee Morgan, John Coltrane, Ray Copeland, Bill Graham, entre outros. Basicamente, os arranjos misturam a potência típica das big bands com a liberdade de improviso característica do Hard Bop, o que deixou tudo na base da espontaneidade. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem leves e melódicas. No geral, é um trabalho legal e que vale a pena conhecer. 

Melhores Faixas: Tippin', The Kiss Of No Return 
Vale a Pena Ouvir: Pristine, Midriff


        Então é isso, um abraço e flw!!!             

Analisando Discografias - Henrique & Juliano

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