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segunda-feira, 16 de setembro de 2024

Analisando Discografias - João Mineiro & Marciano, Ana Castela e Pixote (RA: XXXII)

                     

João Mineiro & Marciano - Volume 11 - João Mineiro & Marciano





















NOTA: 9,4/10


Em 1986, saiu mais um álbum da dupla João Mineiro & Marciano, um dos primeiros daquela leva de três discos intitulados apenas como Volume. Depois de lançarem um trabalho muito semelhante ao seu antecessor, que não trouxe muitas inovações, a dupla precisava se renovar para não ficar presa ao "mais do mesmo". Assim, foram para o estúdio gravar algo que refletisse um pouco da era raiz deles. A produção desse disco, mais uma vez, ficou a cargo do Zé Bettio. E ele conhecia muito bem aquela fase da dupla na época da Chororó Discos, decidindo criar uma sonoridade bem elaborada, com arranjos que incorporassem elementos tradicionais do Sertanejo, mas com uma produção mais contemporânea. A intenção era agradar aquela geração acostumada ao contexto e às características do gênero naquela época. O resultado foi um repertório espetacular e muito bem ordenado, com todas as músicas sendo verdadeiros clássicos da dupla. Destacam-se o grande hit Seu Amor Ainda É Tudo, composição de Moacyr Franco, além de Crises de Amor, No Mesmo Lugar (Coisa Estranha) e Whisky Com Gelo, que apresentam aquele romantismo característico e também incluindo canções sobre a vida no interior, como Caminhão É Assim e Amantes e Amigos. Sério, só tem música boa. Sendo assim, um dos melhores discos já feitos pela dupla, e todo o esforço valeu muito a pena.

João Mineiro & Marciano - Volume 12 - João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 9,1/10


Dois anos depois, chega mais um álbum da trinca intitulada "Volume", sendo este o 12 (também apelidado com o nome da dupla e o ano de lançamento, que é 1988). Depois de lançarem um disco espetacular que se tornou um clássico da dupla, eles estavam completamente no auge. Além de fazerem um enorme sucesso no cenário Sertanejo, chegaram ao ponto de terem seu próprio programa de TV, que passava nas manhãs de domingo no SBT, intitulado "João Mineiro & Marciano Especial" (é isso que eu chamo de auge absoluto). Com todas essas conquistas, estava na hora de ir para o estúdio novamente. Com o mesmo produtor e equipe da Copacabana trabalhando novamente com a dupla, o conceito desse álbum seguiu a mesma linha dos seus anteriores. Além disso, todos os arranjos foram muito bem feitos, seguindo aquela fórmula que relembrava a sonoridade do Sertanejo raiz. Enquanto que o repertório é sensacional, cheio de músicas muito bem elaboradas e com diversos temas, como Não Se Bate Em Quem Se Ama e Beija-Flor, que têm mensagens reflexivas sobre a importância do respeito em um relacionamento, além das vivências no campo em O Cantor e o Peão. E, logicamente, o romantismo contido nas faixas Te Amo, Mas Adeus, Ainda Ontem Chorei de Saudade e O Quanto Eu Te Quero, todas sensacionais. Enfim, é mais um disco muito bom e excelente, que demonstrava o quanto João Mineiro & Marciano mereciam estar no topo.

João Mineiro & Marciano - Volume 13 - João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,7/10


Em 1989, chega o último álbum daquela trinca intitulada apenas de ‘‘Volume’’, sendo esse o 13º disco da dupla. Depois dos 2 últimos trabalhos terem sido excelentes e com um bom recebimento, nesse novo disco houve uma mudança significativa, pois veio em um momento em que a música Sertaneja iria passar por transformações. Por exemplo, futuramente várias duplas novas como Bruno & Marrone e Zezé Di Camargo & Luciano estavam indo para um lado mais comercial. Coisa que, desde antes delas surgirem, as duplas mais antigas, como no caso de João Mineiro & Marciano, acabaram rejeitando ir para esse lado. E por mais que a gravadora Copacabana já forçasse isso, isso fez surgir os primeiros desentendimentos entre a dupla e eles. Enfim, a produção mais uma vez esteve a cargo do Zé Bettio e, junto com o arranjador Evencio Raña Martinez, trouxeram arranjos mais simples. Além disso, toda essa sonoridade simples combinou com a proposta da dupla que fez um trabalho mais reflexivo. O álbum contém um repertório muito bom e cheio de músicas bem legais como, por exemplo, Não Posso Sair e o hit Se Eu Não Puder Te Esquecer, que não chega a ser tão maravilhoso quanto as outras faixas como Distante dos Olhos, A Minha Cabeça Mudou e Eu Preciso De Um Amigo, que são lindíssimas. Esta última, inclusive, é uma canção que mostrou eles indo muito para o lado do Country americano. No final de tudo, apesar de ser o disco mais fraco dessa trinca, ele é muito bom e teve um ótimo conceito.

Saudade – João Mineiro & Marciano





















NOTA: 4,4/10


Em 1990, foi lançado o Saudade, o 14º disco da dupla João Mineiro & Marciano, e que acabou sendo o começo de uma queda para eles. Após o álbum anterior, estava perceptível que a relação entre a dupla e a gravadora já estava completamente por água abaixo. Além disso, naquela época, já estavam começando os grandes problemas que levariam ao desaparecimento completo da gravadora Copacabana. A dupla que é frequentemente lembrada por suas letras emotivas e melodias cativantes, mas, com os interesses da grande mídia naquela época já eram outros, todas as duplas e cantores sertanejos mais antigos tiveram que seguir um caminho mais comercial. A produção de Zé Bettio, apesar de manter o estilo tradicional da dupla, com arranjos simples e uma sonoridade bem-feita, não conseguiu evitar os problemas do álbum. O repertório desta vez ficou bem abaixo dos últimos trabalhos, apesar de haver algumas músicas legais como Milagre da Flecha, Cilada e a regravação da canção Esta Noite Como Lembrança, que teve apenas algumas partes do arranjo alteradas, mas no restante ficou muito boa. No entanto, as outras canções são muito chatas e, em alguns aspectos, bem ruins, como Esse Meu Coração Sem Juízo, A Pretendida e os irregulares covers de Se Eu Pudesse Conversar com Deus e Romaria. Enfim, esse disco é muito ruim e deu bastante errado.

Tarde Demais Para Esquecer – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 5,7/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado o Tarde Demais Para Esquecer, que foi o primeiro disco com uma nova gravadora. Depois que a relação da dupla com a Copacabana Records estava completamente desgastada, eles assinaram com a gravadora Polygram, fazendo exatamente a mesma coisa que Chitãozinho & Xororó fizeram no ano anterior. Mas, apesar de terem mudado de gravadora, eles não mudaram de produtor; trouxeram Zé Bettio junto com eles para poder gravar seus futuros álbuns. Mais uma vez, a sonoridade continuou sendo a mesma, porém ainda dava para notar que harmonicamente eles erraram bastante em seus arranjos e, muitas vezes, as linhas vocais do Marciano se conflitavam demais com as do João Mineiro. Não duvido que isso já mostrava ser um grande problema na relação dos dois. Já o repertório, por mais que seja bem melhor do que o do disco anterior, contém várias músicas muito genéricas e com letras forçadas, como Só Quem Amou Fui Eu e Ninja Guerreira. As canções que mais se destacam são Porque Somos Iguais, Viola Está Chorando e Amor Clandestino. Um adendo: este disco não contou com a colaboração do Darci Rossi nas composições, e há um boato de que o álbum anterior foi lançado na mesma semana que este, mas isso não passa de um grande mito. No final, é um disco mediano que mostrava a dupla completamente sem inspiração.

Pra Não Pensar Em Você – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 4/10


No ano seguinte, chega mais um trabalho da dupla, completamente apático comparado aos dois últimos lançamentos. Depois dos últimos álbuns terem sido completamente mal planejados, a dupla ainda estava naquela fase em que tinham que fazer músicas que não condiziam com o que gostavam de fazer. Além disso, aquele programa de TV que tinham no SBT já havia acabado. No entanto, uma das coisas boas que estava acontecendo era o início da carreira internacional, e a expectativa era que este novo trabalho conseguisse atender às expectativas de ser algo brilhante. Mais uma vez, o trabalho da produção seguiu a linha das produções anteriores da dupla, focando em arranjos simples e eficazes que destacassem as linhas vocais, que, mais uma vez, se conflitaram, e desta vez, ainda pior. O repertório desta vez contém 11 faixas, diferente dos outros discos que tinham 12 no total. Apesar dessa mudança, o repertório é completamente horroroso, com muitas canções ridículas e que cativam tanto quanto uma procissão de uma missa de Corpus Christi, como Pra Não Pensar Em Você, Não Consigo Esquecer Minha Mulher, Cama Dividida e Fui Homem Demais, que é uma canção que eles gravaram antes do Zezé Di Camargo e Luciano e ficou muito ruim. As únicas exceções vão para as músicas Como As Ondas Do Mar e Contando Léguas. Enfim, este disco pode até ter tido um grande potencial, mas o resultado ficou tenebroso.

Dois Apaixonados – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,2/10


Pouco tempo depois, saiu aquele que foi o último álbum de estúdio da dupla João Mineiro & Marciano, o não tão lembrado Dois Apaixonados. Lançado em uma época totalmente difícil, a dupla estava completamente cansada após quase 20 anos de carreira e decidiu fazer um álbum que não seguisse aquela forçação de barra que estavam buscando. Desta vez, eles voltaram ao estilo que os fez conhecidos nacionalmente na metade dos anos 80. Novamente, Zé Bettio marcou sua presença neste último trabalho da dupla, ajudando a trazer aquela abordagem tradicional mais inocente que a dupla tinha, com uma sonoridade mais autêntica e emocional, abordando os mesmos temas de sempre, do jeito em que sempre apresentaram suas músicas. O resultado foi um repertório muito bom, com muitas canções interessantes como a faixa-título, Fica Comigo, Se Depender de Mim, Ave Ensinada e Te Amo Tanto, que, infelizmente, não são lembradas, até porque esse álbum foi um completo fracasso comercial. De forma inesperada, João Mineiro & Marciano acabaram se separando por motivos até hoje não esclarecidos. Alguns dizem que Marciano queria logo seguir uma carreira solo, enquanto outros falam que a dupla brigou e isso foi parar na justiça, mas tudo isso acabou sendo apenas suposições. Em suma, o último trabalho da dupla é muito bom e infelizmente acabou se tornando um disco desconhecido.

Boiadeira Internacional (Ao Vivo) – Ana Castela 





















NOTA: 1/10


Bem, como eu percebi que só iria avaliar os quatro últimos álbuns do João Mineiro & Marciano, então, para não ficar faltando um, eu decidi falar do disco de estreia dessa cidadã chamada Ana Castela. Nascida na cidade de Amambai, no interior do Mato Grosso do Sul, Ana acabou sendo criada na cidade vizinha de Sete Quedas. Ela começou a mostrar seu "talento" inicialmente no coral da igreja que frequentava aos 15 anos de idade. Foi só em 2021 que sua carreira começou, após um vídeo caseiro dela repercutir. Depois disso, ela se juntou à gravadora AgroPlay, lançou uns singles horríveis e então partiu para gravar seu primeiro álbum. Produzido por um tal de Eduardo Godoy, essa gravação ocorreu no Fespop. Toda a sonoridade contida, além do Sertanejo, juntava elementos de Funk, Rap e música eletrônica, e tudo isso foi chamado de Agronejo. Agora o repertório é completamente pavoroso, como esperado. Sério, todas as canções têm letras completamente ridículas e horripilantes, como Bonde das Boiadeiras, As Meninas da Pecuária, Morreu de Ana Castela e Chicletinho. Houve também participações terríveis, como na canção Lua, com Alok e Hungria Hip Hop, que só tentaram fazer o melhor que eles sabem, enquanto as outras canções contam com um certo pessoal péssimo do Sertanejo atual. Enfim, não há muito o que comentar, é só um trabalho tenebroso de uma cantora horrível.

Brilho de Cristal – Grupo Pixote  





















NOTA: 8/10


Em 1995, foi lançado o primeiro álbum de estúdio do até então chamado Grupo Pixote, em uma época em que era composto por um bando de adolescentes. Formado dois anos antes, o grupo começou com um monte de crianças que tocavam por diversão em uma praça na zona leste de São Paulo, na cidade de Tiradentes, onde o vocalista Dodô foi criado durante a infância. Junto com seus amigos Tiola, Thiaguinho, Mineirinho, Dú, Nito e Wallace Martins, eles formaram o grupo com o nome Revelação do Pagode. Logo após uma participação no Festival do Choppapo e assinarem com a gravadora Zimbabwe, eles mudaram o nome para Pixote. Nesse primeiro trabalho, a produção ficou a cargo do experiente Ubirajara de Souza, também conhecido como Bira Haway, que criou uma sonoridade padrão para o Pagode romântico dos anos 90, utilizando instrumentos como cavaquinho, violão, pandeiro e tantã, além dos vocais harmônicos do querido Douglinhas. Realmente, um trabalho muito bem feito. O repertório é muito bom e já de cara demonstra estar muito bem ordenado, começando com as ótimas Swing Maneiro e Exatamente Assim, e seguindo para as excelentes canções Mal de Amor, Amor Difícil, Cada Um Cada Um e, logicamente, a incrível faixa-título. No final de tudo, é um ótimo disco de estreia e mostrava que aquele grupo de crianças/pré-adolescentes tinha muito potencial.

Tão Inocente – Grupo Pixote 





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram e, já com a maioria do grupo na fase adulta, tirando o Thiaguinho que estava perto de entrar na pré-adolescência, é lançado o segundo trabalho do grupo. Após o disco de estreia, o Pixote já tinha ganhado uma base de fãs sólida e já era conhecido principalmente porque suas músicas já estavam tocando nas rádios, mesmo estando em uma gravadora independente. Então, eles novamente foram gravar uma continuação da sua estreia, sendo um pouco mais melhorado. Novamente, eles trabalharam com a mesma equipe de produção, uma estratégia para manter a qualidade enquanto trazia alguns elementos novos para refrescar seu som. Além disso, é de se notar que eles trabalharam ainda mais nos arranjos para conseguir uma sonoridade totalmente eficiente, graças à mixagem do Cláudio Farias. Já o repertório conseguiu ser tão interessante quanto o do disco anterior, porque tem muitas faixas belíssimas, todas com melodias que até lembram o pagode mais antigo, como Beijo Doce, Saudade de Nós, Franqueza, Cedo Pra Lhe Esquecer e Em Tua Direção. Chega a ser até difícil escolher qual dos dois primeiros discos tem um repertório melhor. Enfim, esse é mais um disco muito bom que mostrava que o grupo estava no caminho certo.
 

Por hoje é só, então flw!!!

domingo, 15 de setembro de 2024

Analisando Discografias - João Mineiro & Marciano (RA: XXXI)

                    

Filha de Jesus – João Mineiro & Marciano





















NOTA: 7,8/10


Agora, saindo de algo ruim para algo bom, vamos voltar exatamente 50 anos atrás para falar do disco de estreia da clássica dupla João Mineiro & Marciano. A dupla sertaneja teve início em 1970, após João Mineiro encerrar uma parceria de 8 anos com Zé Goiás, e teve a sorte de encontrar Marciano, que planejava formar uma dupla sertaneja voltada para a música romântica e que também abordasse a vida do campo. Então três anos depois, eles conseguiram ser contratados pela Choro Discos, uma gravadora independente. Falo isso porque a prensagem do disco foi paga pelo próprio bolso do João Mineiro. Que teve uma produção um tanto duvidosa, embora os arranjos mesclassem instrumentos tradicionais como violão e viola caipira, e a linha vocal da dupla estivesse ótima. O problema é que o trabalho estar muito mal mixado e com algumas gravações no mínimo questionáveis. Mas o repertório é muito interessante, com várias canções muito boas como a faixa-título, Último Adeus, Desprezo de Amor e Chuvisco de Madrugada, que teve uma parceria com o poeta Goiá. Porém, há algumas músicas fraquinhas como Magoado Coração, Casinha de Praia e Não Sei Porque, sendo essas 2 últimas músicas que encerram o álbum de forma abaixo do esperado. Mas, apesar disso, é um bom disco de estreia que mostrava o potencial a ser explorado pela dupla.

A Procura da Paz – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,6/10


No ano seguinte, é lançado o segundo álbum da dupla, com algumas pequenas mudanças em comparação à sua estreia. Depois de lançarem um disco que basicamente eles tiveram que bancar todo o projeto, já que a gravadora deles era independente, que por sinal essa fase deles durou até o início dos anos 80, já que desde então eles estavam apenas no underground, por mais que começou a ser tendência letras com romantismo e um pouco de melancolia. A produção foi muito mais bem trabalhada, não cometendo aquele erro que o anterior teve de ser mal mixado. Dessa vez, eles fizeram tudo certinho, contendo arranjos sofisticados, com todo aquele ritmo nos instrumentos tradicionais do sertanejo. Toda a qualidade de gravação é nítida, e cada faixa foi trabalhada para destacar as linhas vocais de João Mineiro & Marciano. O repertório acabou contendo ótimas faixas, todas muito bem trabalhadas, como Sintonia da Dor, Sorriso de Maria, Minha Gratidão e a faixa-título. Mas as que mais se destacam são as excelentíssimas canções Ontem Eu Chorei Demais e Vem Me Dar Suas Mãos que, além de serem cheias de sofrência, passam todo aquele clima de viver no interior. No final de tudo, esse disco foi um passo ainda mais à frente que seu anterior, sendo um ótimo trabalho.

Chorarei ao Amanhecer – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,1/10


Pouco tempo depois, chega mais um disco da dupla o Chorarei ao Amanhecer, que trazia a mesma abordagem com algumas coisas novas. Apesar de ainda estarem naquela fase underground e vinculados a uma gravadora bastante limitada, eles já tinham ganhado uma base de fãs que entendia que a dupla tinha bastante potencial. Sendo assim, um disco que tinha a mesma fórmula do seu antecessor, só que eles queriam fazer algo ainda mais eficaz. Mais uma vez, a produção fez um ótimo trabalho e trouxe uma sonoridade totalmente coesa e cheia de harmonia, mostrando que estava muito bem trabalhada. Além disso, as linhas vocais de João Mineiro & Marciano são muito destacadas, o que foi uma estratégia para que o público conseguisse sentir o sentimento transmitido pela dupla. Novamente, eles capricharam no repertório, recheado de músicas muito interessantes e bem-feitas, como O Meu Opala Preto (que está bem desatualizada essa música), Não Sou Palhaço de Ninguém e Menina Misteriosa. Além disso, tem outras canções maravilhosas que são muito pouco faladas, como O Adeus do Meu Bem, O Amor Não Tem Vergonha e Sozinho na Estrada, cujos arranjos são muito bons. A única coisa em que eles erraram foi na faixa-título, que tem uma letra que não tem muito a ver com a melodia. Mas, de resto, é mais um álbum muito legal e com um alto nível de coesão.

Os Inimitáveis – Vol. 4 – João Mineiro & Marciano





















NOTA: 8/10


Algum tempo depois, é lançado mais um disco de João Mineiro & Marciano, com o título de um dos apelidos que marcaram a carreira deles: "Os Inimitáveis". Esse disco teve um marco importante na carreira deles, pois foi aqui que começou a ser moldado tudo aquilo que fez com que ficassem bastante conhecidos, além, claro, de ter aumentado a reputação da dupla como inovadores dentro do Sertanejo. A primeira coisa que se nota é que a sonoridade trazida pela produção desse disco está muito refinada, mostrando um som equilibrado que destacou a voz da dupla de forma muito mais intensa e cativante, além de demonstrar o quanto o potencial deles já estava sendo bem explorado. Isso se deve ao fato de que eles fizeram um repertório muito bom, com muitas músicas boas, começando pela excelente faixa Menina Dos Meus Momentos. Em seguida, o álbum continua com faixas como Meu Último Amor, Desilusão, Amando Em Segredo e também uma canção que eles fizeram de forma perfeita para serenatas, que é Cantor Das Madrugadas. Falando nisso, há uma canção bastante curiosa chamada Poltrona 36. Bom, se você conhece uma certa lenda de 20 anos atrás, deve ter pensado na mesma coisa, mas não tem nada a ver, até porque a música foi lançada 30 anos antes. Mas, deixando as piadinhas de lado, ela é uma canção muito boa. Em suma, é um bom álbum e que já dava traços do que a dupla seguiria nos anos seguintes.

Os Inimitáveis – Vol. 5 – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e chega mais um disco dos Inimitáveis, sendo esse o 5º trabalho deles lançado pelo selo da Chororó Discos. Esse disco foi mais uma vez intitulado com esse nome, que, para quem não sabe, foi dado por conta da voz deles ser muito diferente de outras duplas sertanejas e mostrava que nenhuma dupla conseguiria imitar o mesmo timbre de voz dos dois. E, como sempre, após verem que o último álbum teve muita coisa interessante, perceberam que tinham que seguir na mesma linha. Assim, tiveram uma produção excelente que mostrou a maturidade conquistada por João Mineiro & Marciano. Contendo arranjos muito bons, ótimas harmonias e uma instrumentação que foi, sinceramente, a melhor que eles conseguiram até aquele momento. Apresentando, assim, um repertório magnífico com muitas músicas boas, como Chuvas de Maio, Lembranças de Um Grande Amor e Amante Amiga, que, por mais que sejam cheias de sofrência, são canções que foram feitas em outro patamar. Isso também se aplica a outras como Sentimento Sertanejo, Esquecido e Pai Tião, que demonstram todo o carinho e gratidão que a dupla tem por terem sido criados e vivido no interior. Sendo assim, um disco espetacular que, infelizmente, não tem seu devido reconhecimento.

Filho de Jesus – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, é lançado mais um disco da dupla o Filho de Jesus, sendo um pouco diferente dos últimos trabalhos. Logo após lançarem um álbum muito legal e com abordagens diferentes, a dupla decidiu explorar temas mais espirituais neste álbum, trazendo uma nova dimensão à sua música. Claro, sem abandonar suas raízes com aqueles temas românticos (vulgo cheios de sofrência) e abordando as vivências do campo. A produção foi um pouco mais experimental e cuidadosa, demonstrando ser um trabalho mais sério e que prestou atenção em todos os detalhes na sonoridade contida, não só utilizando instrumentos tradicionais do Sertanejo, mas também inserindo algumas orquestrações sutis que adicionam profundidade às canções. As linhas vocais da dupla estão muito mais versáteis. Além disso, eles trazem um repertório com canções muito mais intensas e todas muito boas, como a faixa-título, que já demonstra a seriedade contida nas letras, e isso segue nas outras como Vinte Anos de Silêncio, a excelentíssima Desprezo, Navio do Adeus e Amor e Nada Mais. Além disso, há aquelas músicas feitas para serenatas, como Sem Você Não Sou Ninguém e Minha Serenata (título bastante explícito). No final, é mais um disco muito bom e que teve um ótimo recebimento, embora com o tempo tenha se tornado um trabalho subestimado.

Os Inimitáveis – Vol. 7 – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 3,5/10


Naquele mesmo ano de 1979, chega o Os Inimitáveis – Vol. 7, sendo uma continuação dos álbuns antigos e totalmente fora da abordagem do seu antecessor. Após terem lançado um trabalho muito mais introspectivo com temas espirituais, eles decidiram seguir a mesma fórmula dos álbuns anteriores, com toda aquela pegada mais enraizada da dupla. Eles queriam fazer canções que fossem ainda mais brilhantes do que já haviam feito. Só que o maior problema foi que a produção acabou sendo muito confusa e tentou fazer uma sonoridade detalhada, com arranjos que valorizassem as vozes dos dois cantores. Por mais que isso sempre tenha funcionado, parece que, ao invés de deixar as melodias totalmente conectadas, acabou ficando totalmente desorganizado. Isso se refletiu em um repertório completamente irregular e com muitas canções ruins, que parecem não ter nenhuma combinação harmônica, como Quem Ama Também Se Separa e Duas Famílias. Apesar disso, há três músicas muito boas, que conseguiram ser muito coesas, como as dos últimos trabalhos que são Essa Noite Será Só de Nós Dois, Meu Velho Amor e a maravilhosa Herança de um Carreiro. Falando em três canções, há uma sequência tenebrosa com Amanheço no Bar, Coitadinho de Mim e Corrente de Amor, que beiram o constrangedor. Enfim, esse acabou sendo um disco completamente ruim e que ficou muito forçado por tentar buscar as tendências da época.

Esta Noite Como Lembrança – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 8,1/10


Na virada da década de 80, saiu o 8º álbum da dupla João Mineiro & Marciano, que trazia algumas mudanças em comparação aos últimos trabalhos. Logo após terem tido um tropeço com seu último álbum, a dupla decidiu cortar seu vínculo com a Chororó Discos e produzir de forma quase independente o novo disco. Eles estavam em busca de algo para fazer sucesso e nada mais justo do que trazer pessoas experientes para colaborar. Tanto que isso se refletiu na produção, que ficou a cargo de ninguém mais e ninguém menos que José Homero Béttio, mais conhecido como Zé Béttio (provavelmente você que tá lendo não sabe quem é, mas seu pai, sua mãe e seus avós conhecem muito bem, pois ele tinha um dos melhores programas de rádio nos anos 70). Sério, gente, esse cara é muito foda e foi uma das pessoas essenciais para a explosão da música Sertaneja. Então, o que ele fez nesse álbum foi algo brilhante, além de trazer um lado mais espontâneo para os dois. O repertório é muito bom, com canções muito competentes como Canção do Nosso Adeus, Último Café e Mesa Reservada, que basicamente envolvem experiências da vida deles, além de outras faixas incríveis como Você É Mais Forte do Que Eu, Sofredor Apaixonado e a faixa-título, que foi a primeira canção deles a fazer um relativo sucesso. No final de tudo, é um álbum muito bom e que só marcaria o começo de uma grande transição na carreira da dupla.

Viciado em Você – João Mineiro & Marciano  





















NOTA: 8,8/10


Três anos se passaram e, após uma pausa sem qualquer tipo de material novo, além de algumas turnês, chega enfim mais um disco. Logo após a dupla ter lançado um último álbum muito coeso, eles haviam conquistado uma nova base de fãs. Além disso, Zé Béttio viu que aqueles dois tinham muito potencial e, com tudo isso, a renomadíssima gravadora Copacabana demonstrou interesse em João Mineiro & Marciano, e eles acabaram assinando com a gravadora dos Irmãos Vitale. Nesse trabalho, Zé Béttio acabou sendo um pouco mais técnico, trazendo arranjos que destacassem a melodia e as letras emotivas, além de deixar uma sonoridade perfeita para tocar nas rádios. Foi a partir desse álbum que é nítida a mudança nas linhas vocais da dupla, com Marciano impostando a voz sendo muito mais participativo e João Mineiro com a voz mais baixa e cadenciada, totalmente diferente dos últimos trabalhos em que todas as faixas eram cantadas por eles ao mesmo tempo. Falando nas faixas, o repertório é incrível, e isso aconteceu porque eles contaram com a ajuda nas composições de Darci Rossi, que foi bastante importante na carreira de Chitãozinho e Xororó. E as músicas são todas muito interessantes, como as românticas Vestido de Noiva, Última Serenata, O Beijo do Adeus e, logicamente, a faixa-título, e todas elas tocaram bastante nas rádios. Sendo assim, é um disco muito legal e que foi um divisor de águas na carreira da dupla.

Amor e Amizade (Dia Sim, Dia Não) – João Mineiro & Marciano 





















NOTA: 7,9/10


Um ano depois, é lançado outro disco da dupla, mais uma vez com bastante expectativa de que rendesse bastante na mídia. Após terem feito um álbum anterior completamente perfeito, que ajudou a divulgar ainda mais a dupla, eles sabiam que dava para seguir essa tendência. Como tinham pessoas muito importantes por trás do gerenciamento de carreira deles, eles estavam mais que preparados para lançar mais um álbum que alavancasse ainda mais a suas popularidades, já que não estavam mais no underground. A produção desse disco foi exatamente a mesma, sem qualquer mudança, mostrando ser quase uma consequência em todos os aspectos do Viciado em Você. Além disso, a gravação contou com instrumentistas competentes e, o que se nota também, é que, quando foram mixar, demonstraram priorizar o equilíbrio entre os instrumentos e as vozes. Com um repertório um pouco mais sólido, mas com várias canções interessantes, todas elas tiveram novamente Darci Rossi por trás das composições. As músicas que mais se destacam são Cem Anos, Sonho da Minha Vida, Ponto Vinte e As Paredes Azuis, que, entre todas as outras, foi uma das músicas mais tocadas nas rádios daquele ano. Contudo, também houve algumas faixas muito irregulares, com letras muito simples, como no caso de A Gaveta e Faça-Me Um Favor. Em suma, é um trabalho interessante, apesar de ter sido uma "nova versão" do disco anterior.
 

Então é isso, e flw!!!

Analisando Discografias - Imagine Dragons

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