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domingo, 16 de novembro de 2025

Analisando Discografias - David Cross: Parte 2

                   

Ice Blue • Silver Sky – David Cross Band





















NOTA: 8,1/10


Então chegamos ao último lançamento recente do David Cross, intitulado Ice Blue • Silver Sky. Após o Starless Starlight, com Robert Fripp, a ideia por trás do álbum traz uma narrativa construída por meio de recortes sonoros naturais (“soundbites”), textos roteirizados e letras, compondo algo como um relato. O título do disco é uma referência poética: vem de uma frase (“ice blue, silver sky”) retirada da letra de “Starless”, clássico do King Crimson. A produção foi feita pelo violinista junto com Mick Paul e Jinian Wilde, e juntos eles construíram uma ambientação sonora que tende para algo sombrio, melancólico, às vezes até opressivo, mas pontuado por momentos de beleza etérea. Há texturas progressivas, com densidade, mas também passagens luminosas emergindo desse submundo emocional cheio de distorções. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e carregadas de emoção. Enfim, é um trabalho bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Nowhere, Karma Grain 
Vale a Pena Ouvir: Exiles, Calamity 

 

sábado, 15 de novembro de 2025

Analisando Discografias - David Cross: Parte 1

                 

Memos From Purgatory – David Cross





















NOTA: 4/10


Voltando lá para 1989, David Cross lançava seu 1º álbum solo, intitulado Memos From Purgatory. Após sua saída do King Crimson, ele manteve atividades discretas: experimentos em improvisação livre, trilhas teatrais, colaborações ocasionais e um período de docência. Mas havia um impulso latente, um desejo de criar um trabalho autoral que refletisse sua visão mais pessoal de música. A produção, feita por ele mesmo junto com Matt Kemp e Sheila Maloney, privilegia as texturas: camadas de violino acústico e elétrico, violino processado, sintetizadores discretos, guitarras bem posicionadas e bases rítmicas que variam do sutil ao quase tribal. A sonoridade é típica do final dos anos 80, porém nada daquele modo comercial; porém, o problema é que há muita coisa repetitiva. O repertório é bem ruim, com canções chatíssimas e poucas se salvando. Enfim, é um trabalho fraquíssimo e faltou mais precisão em sua proposta. 

Melhores Faixas: The First Policeman, Basking In The Blue 
Piores Faixas: Animal, Bizarre Bazaar, New Dawn

The Big Picture – David Cross





















NOTA: 3,9/10


Três anos se passaram, e foi lançado seu 2º álbum solo, intitulado The Big Picture. Após o fraquíssimo Memos From Purgatory, havia nele um impulso ainda não desenvolvido: a intenção de integrar mais claramente sua linguagem de violino a estruturas mais sólidas, mais rítmicas e a uma interação mais direta com outros músicos. O início da década de 90 representou para Cross um momento de reconsolidação artística. A produção, feita por Tony Arnold, dá mais protagonismo a instrumentos que orbitam o violino: guitarras elétricas limpas ou saturadas, teclados que criam fundos harmônicos largos, bases rítmicas mais marcadas e uma utilização mais ousada de efeitos, algo bem interessante. Só que o problema, novamente, são as repetições excessivas, que fazem faltar aquela imersão e deixam o disco bem cansativo. O repertório é fraco; há canções boas, mas a maioria é bem genérica. Enfim, é um disco ruim e que ainda carece de mais dinâmica. 

Melhores Faixas: Minaret, Brake, Black Ice 
Piores Faixas: Grinfixer, Inc, Holly And Barbed Wire, Nurse Insane

Testing To Destruction – David Cross





















NOTA: 8/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco de David Cross, o Testing to Destruction. Após o também fraquíssimo The Big Picture, ele queria fazer um trabalho que aliasse emoção, densidade e agressividade, um disco que explorasse tanto a beleza quanto a ruptura e que colocasse o violino elétrico não só como narrador melódico, mas também como veículo de tensão, distorção e violência controlada, tentando sair um pouco do tradicionalismo do Rock progressivo e ir para um caminho mais experimental. A produção, feita por ele mesmo, constrói um som denso, mais comprimido emocionalmente, mais urbano e mais visceral. O violino elétrico de Cross, frequentemente processado com distorção, delays longos, efeitos granulares e filtragens, é colocado no centro da mixagem, mas cercado de guitarras afiadas e sintetizadores tensos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem atmosféricas e imersivas. No fim, é um ótimo álbum, e aqui tivemos um acerto. 

Melhores Faixas: The Swing Arm Disconnects, Calamity 
Vale a Pena Ouvir: Abo, Cycle Logical

Exiles – David Cross





















NOTA: 8,3/10


Três anos depois, foi lançado mais um trabalho dele, o Exiles, que foi bem mais amplo. Após o Testing to Destruction, David Cross consolidou sua linguagem fora do King Crimson, explorando texturas mais sombrias e um rock experimental guiado por violino elétrico. Com uma banda de apoio estável, ele vinha aprofundando uma estética que misturava peso, ambientação, improvisação controlada e melodias tensas, algo que não seria diferente neste trabalho. A produção, conduzida pelo violinista junto com Mick Paul, coloca uma abordagem bem direta e orgânica, mantendo o foco nos instrumentos reais, com Cross privilegiando o violino em diferentes timbres: distorcido, limpo, tratado com delays e em camadas. A mixagem dá espaço para atmosferas amplas e linhas sutis que se acumulam sem esconder o peso da banda. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e cadenciadas. No final, é um ótimo trabalho e o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Troppo, Exiles 
Vale a Pena Ouvir: Hero, Tonk

Closer Than Skin – David Cross





















NOTA: 5/10


Pulando para 2005, foi lançado mais um álbum solo de David Cross, o Closer Than Skin (com a capa mais improvisada da história). Cross acabou meio que dando uma descansada de fazer algum material novo, e quando retornou decidiu voltar com uma obra que fosse uma tentativa de reconectar emoção e técnica, com maior foco no formato “canção”, sem necessariamente abrir mão das tensões harmônicas e das atmosferas densas. A produção é aquela mesma de sempre: apresenta um som limpo, definido e mais acessível que seus antecessores, porém sem perder a densidade emocional. A produção utiliza o violino não apenas como instrumento solista, mas como gerador de texturas. A guitarra e o baixo formam uma fundação mais moderna, com timbres levemente saturados, mas o grande problema é que há muitos clichês e falta dinâmica. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. Enfim, é um álbum irregular e cansativo. 

Melhores Faixas: States Of Deception, I Buy Silence, Are We One? 
Piores Faixas: Tell Me Your Name, Awful Love, Only Fooling

Starless Starlight – David Cross & Robert Fripp





















NOTA: 8/10


Dez anos se passaram e David Cross ressurge junto com Robert Fripp com um álbum colaborativo: Starless Starlight. Após o Closer Than Skin, Fripp e Cross decidiram se juntar e fazer um trabalho que relembra uma das faixas do álbum Red, do King Crimson, “Starless”, que foi composta num período em que o violinista ainda estava na banda, mas já não fazia mais parte quando o disco foi finalizado. Com isso, essa reunião seria uma junção da sonoridade que cada um aperfeiçoou ao longo desses 40 anos. A produção, feita por Cross junto com Tony Lowe, constrói um fluxo contínuo, quase cinematográfico, no qual o violino de Cross é o fio narrativo e as paisagens eletrônicas de Fripp funcionam como o tecido cósmico em que ele se move. A instrumentação é minimalista na superfície, mas altamente detalhada em camadas internas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem meditativas e carregadas de imersão. No geral, é um trabalho interessante e bem preciso. 

Melhores Faixas: Starless Theme, In The Shadow 
Vale a Pena Ouvir: Starlight Trio, Starless Starlight Loops


                            Bom é isso e flw!!!       

Analisando Discografias - Imagine Dragons

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