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terça-feira, 1 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Anthrax, Bloodywood e Síntese (RA: XLVIII)

                 

Stomp 442 – Anthrax





















NOTA: 4/10


Mais um tempo se passou, e o Anthrax retornou com o não tão memorável e confuso Stomp 442. Após o Sound of White Noise, o guitarrista Dan Spitz acabou deixando a banda para se tornar relojoeiro. Só que eles decidiram não o substituir formalmente, optando por colaborar com outros guitarristas, como Paul Crook e Dimebag Darrell. Naquele período, o Thrash Metal já não estava mais no auge, com a cena musical sendo dominada por outras vertentes, apesar de o gênero nunca ter chegado a morrer. Mesmo assim, o Anthrax manteve sua identidade, embora com uma sonoridade um pouco diferente da que os fãs estavam acostumados. A produção ficou a cargo da própria banda, com a ajuda dos Butcher Brothers (Joe Nicolo e Phil Nicolo), conhecidos por trabalharem com artistas de Hip-Hop/Rap. Essa escolha de produtores fora do mundo do Metal foi uma tentativa da banda de renovar seu som. Uma coisa que se percebe é a presença de camadas mais densas nas guitarras, mas a verdade é que há muitos riffs confusos e exaustivos. Além disso, a ausência de um segundo guitarrista fixo foi um grande problema, o que deixou a sonoridade totalmente esquisita. O repertório no início até é legal, com as canções Random Acts of Senseless Violence e Fueled, mas depois vem um monte de porcaria, como King Size, Riding Shotgun, In a Zone e a melódica Bare. As únicas faixas que se salvam são Nothing e Drop the Ball. Enfim, esse trabalho é muito ruim e mostra o quanto a banda estava completamente confusa.

Volume 8: The Threath Is Real – Anthrax 





















NOTA: 1/10


E aí chegamos ao esquecível e a uma das maiores porcarias que o Anthrax lançou, o Volume 8: The Threat Is Real. Após eles terem feito o Stomp 442, alguns questionamentos começaram. Após a saída do vocalista Joey Belladonna e a entrada de John Bush, que trouxe uma nova sonoridade mais próxima do Groove Metal e do Metal alternativo que predominava nos anos 90, muitos começaram a desconfiar dessa mudança. O álbum anterior, além de ser muito ruim, parecia que a banda não se contetou em fazer um álbum ruim, mas sim um ainda pior. Então eles lançaram esse álbum pelo selo da Ignition Records, um selo pequeno distribuído por outra gravadora que rapidamente faliu, causando problemas na distribuição, pois é incrível como eles só se ferravam. O álbum foi produzido novamente pela própria banda junto com Paul Crook. A produção resultou em uma sonoridade que não tinha muito polimento; eles tentaram fazer algo bem direto, mas não passou de uma bela tortura. As guitarras, apesar de serem pesadas, têm riffs muito ruins, e os arranjos, no geral, são bastante torturantes. Já o repertório nem preciso dizer que ele é péssimo, sendo uma coleção de canções terríveis como Inside Out, Toast to the Extras, Big Fat e várias outras. Apenas Harms Way tinha um conceito interessante, mas logo ela é estragada. Por sinal, a última canção tem uma faixa oculta, e as duas juntas são um lixo. No final de tudo, é um disco horroroso que mostrou que o Anthrax estava no fundo do poço.

We’ve Come For You All – Anthrax 





















NOTA: 8,8/10


Cinco anos se passaram, e, após uma grande decadência, a banda volta com o We’ve Come For You All. Após lançarem aquele último álbum completamente pavoroso, o Anthrax estava passando por um momento desafiador. Após o lançamento do Volume 8, a banda enfrentou problemas com seu selo, o que afetou a distribuição e a visibilidade do álbum. Então, para não repetir o mesmo problema, eles assinaram com a Sanctuary Records, além de estabelecer um vínculo com a Nuclear Blast. Durante esse tempo, houve mudanças na formação, e finalmente eles tinham um novo guitarrista, Rob Caggiano. Naquele momento, as tendências eram o Metal alternativo e o Nu Metal, que dominavam bastante a grande mídia, então a banda precisava se renovar. O álbum foi produzido pelo próprio Rob Caggiano e pela Scrap 60 Productions. Esse trabalho é muito mais polido e bem balanceado. Ao contrário da produção horrorosa do seu antecessor, este disco soa mais limpo, com guitarras nítidas e uma ênfase nos vocais de Bush. Ele apresenta uma mistura de Thrash Metal clássico com elementos modernos e influências mais groovadas. O repertório é muito bom e inclui várias canções de destaque, como What Doesn’t Die, Safe Home, Black Dahlia e Cadillac Rock Box, que tem uma pegada mais de Hard Rock, além das excelentes Superhero e Strap It On, que lembram muito a sonoridade do Pantera. Enfim, este disco é muito bom e mostra a banda ressurgindo das cinzas.

Worship Music – Anthrax





















NOTA: 9,1/10


Muito tempo se passou, e o Anthrax retorna com mais um trabalho magnífico, Worship Music, que veio acompanhado de muitas mudanças. Antes de sua gravação, a banda enfrentou uma série de desafios. Em 2005, eles fizeram algumas turnês com a formação clássica, ou seja, com Joey Belladonna como vocalista. Logo após isso, John Bush acabou saindo da banda. Em seguida, eles chamaram Dan Nelson, que já havia passado por várias bandas, e ele chegou a gravar algumas faixas. Porém, pouco tempo depois, ele foi demitido. John Bush fez apenas uma turnê com a banda em 2009, até que, finalmente, Belladonna voltou ao Anthrax. Esse contexto confuso na formação gerou grande expectativa sobre o que eles iriam lançar. A produção foi liderada outra vez por Rob Caggiano, com mixagem de Jay Ruston. Eles trouxeram uma sonoridade moderna e muito pesada, resgatando a essência do Thrash Metal clássico. O processo foi longo, pois muitas faixas já estavam em andamento antes do retorno de Belladonna, exigindo adaptações e ajustes para encaixar seu estilo vocal. Com um repertório excelente e muitas canções incríveis como Fight 'Em 'Til You Can’t, The Giant e Crawl, o álbum também contém uma bela homenagem a Dio e Dimebag Darrell em In The End. E claro, a excelente Revolution Screams encerra o álbum, com uma faixa oculta que é um cover de New Noise do Refused. No fim, esse disco é sensacional e remete à época de Spreading the Disease.

For All Kings – Anthrax 





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último lançamento até o momento do Anthrax, o For All Kings, de 2016. Este álbum marca o segundo trabalho com o vocalista Joey Belladonna desde seu retorno em 2010, após uma longa ausência desde os anos 90. Além disso, a banda passou por mais uma troca de integrantes, já que Rob Caggiano deixou o grupo, sendo substituído por Jon Donais, ex-guitarrista da banda Shadows Fall. Assim, eles deram continuidade ao Worship Music, naquele momento de revitalização. A produção ficou a cargo de Jay Ruston, que havia trabalhado no último álbum como arranjador. Neste trabalho, Ruston trouxe um som claro e poderoso, com ênfase nas melodias e na diversidade de texturas, especialmente nos vocais de Belladonna e nas guitarras de Ian e Donais. Além disso, a bateria de Charlie Benante e o baixo de Frank Bello também brilham, mantendo o som groovado e o punch característicos da banda. No geral, a sonoridade vai além do Thrash Metal, tendo uma pegada que se aproxima mais do Heavy Metal tradicional, tudo de forma muito coesa. O repertório é excelente, com muitas canções sensacionais como You Gotta Believe, Breathing Lightning, Suzerain e Defend Avenge, que além de pesadas, chegam até ser chicletudas. Outras faixas marcantes incluem Evil Twin e, claro, a faixa-título. No fim, For All Kings é mais um ótimo trabalho do Anthrax, fazendo jus ao título e colocando a banda próxima da realeza do Metal.

Rakshak – Bloodywood 





















NOTA: 8,3/10


Voltando dois anos atrás, no início de 2022, foi lançado o magnífico álbum de estreia da banda Bloodywood, o Rakshak. Antes de lançar esse disco, a banda indiana, formada por Karan Katiyar e Jayant Bhadula, era conhecida pelos covers de outras bandas e de canções populares de seu país natal. Eles se destacaram por sua abordagem híbrida, misturando instrumentos tradicionais indianos com a agressividade do Metal, criando um som único. Depois disso, lançaram outros singles, sendo que um deles contou com a participação do rapper Raoul Kerr, que logo depois se juntou à banda. Ah, e esse nome Rakshak (que significa "protetor" em hindi) sugere um álbum com uma forte intenção de resistência e proteção, algo que ecoa nas letras. O álbum foi produzido pelo próprio Katiyar, que conseguiu manter uma mixagem equilibrada entre instrumentos ocidentais e orientais. As guitarras pesadas e os ritmos de bateria são misturados com perfeição aos instrumentos tradicionais, como o tabla, o dhol e a flauta bansuri. A sonoridade de Folk Metal, com influências de Nu Metal e Música Folclórica Indiana, lembra muito bandas como System of a Down, Linkin Park e Sepultura. Isso fica evidente em um repertório excelente, que se divide entre canções pesadas como Gaddaar, Dana-Dan e Endurant, e faixas mais melódicas como Zanjeero Se, Jee Veerey e Yaad, além de outras ótimas canções. Enfim, este álbum é espetacular e mostra que a banda indiana tem muito futuro pela frente.

Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã) – Síntese 





















NOTA: 8/10


Em 2012, foi lançado o álbum de estreia do grupo de Rap Síntese, intitulado Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã). O grupo, ou melhor, a dupla formada pelos amigos Neto e Léo, emergiu com uma proposta diferente, misturando Rap consciente com elementos de poesia, filosofia e espiritualidade. O álbum reflete um período de busca interna e crítica social, alinhando-se com o movimento do Rap underground nacional, que sempre deu voz a questões de resistência, opressão e autodescoberta. O título Sem Cortesia (Vagando na Babilônia / Em Busca de Canaã) evoca dois arquétipos bíblicos: Babilônia, como símbolo de opressão, desilusão e corrupção, e Canaã, como a terra prometida, um local de redenção e paz espiritual. A dupla produziu e distribuiu o álbum por conta própria, mostrando uma sonoridade deliberadamente minimalista, com batidas suaves e instrumentação que cria um clima denso. Em vez de apostar em sons comerciais, a produção foca em samples melódicos e vários loops repetitivos, o que traz ótimas rimas. O repertório é muito bom, com muitas canções de destaque como Pro Que Vier, Babilônia, Máscara da Rua, Se Escute e, claro, a faixa-título. No entanto, o álbum tem algumas faixas fraquinhas, como o interlúdio Enredo, Subversão e Ser Humano. Vale mencionar também a faixa Nota Explicativa, que é só eles trocando altas ideias sobre a vida e a sociedade, e isso é foda demais. Enfim, este trabalho é muito bom e traz muita reflexão.

Buracos ao Chão – Síntese 





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, a dupla retorna com um álbum colaborativo com outro rapper underground, o Ingles, intitulado Buracos ao Chão. Esse álbum chega após o Síntese praticamente se tornar apenas o Neto, já que o Léo saiu do projeto por ter que se internar para tratarem de sua esquizofrenia. Afinal, após o lançamento do disco anterior, ele teve seu primeiro surto e, a partir daí, as coisas só pioraram. Mas o Neto decidiu continuar e aprofundar a filosofia que o Síntese já havia apresentado em Sem Cortesia. No entanto, esse disco é um projeto ainda mais pessoal e introspectivo, refletindo sobre questões existenciais, espiritualidade, a relação com a realidade social e o impacto da vida urbana. O trabalho da produção é marcado por uma atmosfera sombria e introspectiva, com batidas suaves, minimalistas e texturas que criam uma sensação de profundidade. O uso de batidas Boom bap tradicionais é complementado por elementos mais experimentais, criando uma sonoridade que remete a um lado consciente, mas com uma pegada muito mais emocional e reflexiva, para que as rimas densas de Neto e Ingles sejam ouvidas e absorvidas. Com isso, eles trouxeram um repertório incrível, com canções muito boas e carregadas de crítica social, como Penumbra, Luta e No Entanto..., além das sensacionais Fuga, Tempos de Desertos e Dias de Chuva, que são carregadas de muita reflexão. No final de tudo, é um disco muito interessante e que continua tudo o que seu antecessor apresentou.

Boomshot Apresenta – Síntese  





















NOTA: 8/10


Três anos se passam, e o Síntese retorna com um novo trabalho, desta vez um EP intitulado Boomshot Apresenta. O EP foi uma colaboração com a rádio Boomshot, o que deu visibilidade ao projeto, expandindo a música do Síntese para um público mais amplo. Apresenta o início de uma jornada musical e filosófica do Síntese, onde já é possível perceber a marca registrada do Neto: letras profundas, introspectivas e carregadas de uma visão crítica sobre a realidade, a vida nas periferias e questões espirituais. A produção do EP foi assinada, além do Neto, por Akillez do Projeto Nave, Kiko Dinucci e Thiago França, e manteve o estilo característico do Síntese: minimalista, melódico e profundamente atmosférico. As batidas seguem uma linha mais tradicional do Boom bap, com samples orgânicos e texturas sonoras que criam um ambiente introspectivo. A produção foi relativamente simples, e as canções são bem curtas, mas eficazes, colocando o foco nas letras, que são o ponto central de todas as faixas, com cada instrumental muito bem pensado. O repertório, mais uma vez, é muito bom, com várias faixas interessantes como Disparada e Pais e Filhos, que são afiadas, além das críticas sociais contidas em Estado Terminal e na nova versão de Eis-Me Aqui (uma das faixas do primeiro álbum), que fazem dessas duas canções espetaculares. Enfim, este trabalho é muito bem feito e, apesar de curto, tem muita consistência.

Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem – Síntese 





















NOTA: 8,8/10


Um ano depois, o Síntese lançou outro álbum fantástico, o Trilha para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amém (o título complexo). Com esse novo trabalho, Neto quis aprofundar ainda mais sua narrativa existencialista, em um contexto de busca por respostas em meio ao caos interno e externo. O álbum reflete um ponto de amadurecimento, tanto pessoal quanto artístico. Neto estava começando a enfrentar a dura vida no meio artístico, além de ainda sentir a ausência de seu companheiro Léo. Além disso, o cenário político e social do Brasil à época, com polarizações e um clima de incerteza, também parece ter influenciado a visão de mundo expressa nesse disco. A produção, mais uma vez feita pelo próprio rapper, é profundamente atmosférica. Afasta-se de batidas convencionais e opta por uma sonoridade mais experimental, usando elementos de Jazz, música eletrônica e até música ambiental. A produção, que contou também com nomes como Daniel Ganjaman e Davi Chaves, colaborou para criar uma trilha sonora introspectiva e melancólica, adequada à temática do disco. A escolha dos instrumentos, como o uso de sintetizadores suaves, batidas sutis e samples etéreos, cria uma paisagem sonora quase cinematográfica. O repertório é excelente, com canções cheias de mensagens reflexivas, como Meu Caminho, Desconstrução e a parte 2 de Babilônia. Além disso, as últimas faixas Novo Dia, Religare, Vive Aqui e Gira Mundo são perfeitas. No fim, é um ótimo disco, com muita visão envolvida.
 


domingo, 29 de setembro de 2024

Analisando Discografias - Frank Sinatra e Anthrax (RA: XLVII)

                

She Shot Me Down – Frank Sinatra





















NOTA: 8,5/10


Outro ano se passa, e Sinatra volta para um lado mais tradicional com She Shot Me Down, que relembra seus tempos com sua antiga gravadora. Após o lançamento do ambicioso Trilogy: Past Present Future, que explorou diferentes fases da vida e do tempo, Sinatra voltou ao estúdio para gravar um álbum que ressoava com a melancolia e a introspecção que haviam caracterizado seus trabalhos mais sombrios nas décadas de 1950 e 1960, na época da Capitol Records. Neste ponto, Sinatra estava perto dos 70 anos, e suas escolhas refletiam tudo o que ele tinha vivido. A produção foi conduzida por Don Costa, com arranjos feitos em sua grande maioria por Gordon Jenkins, sendo que apenas a última canção foi arranjada por Nelson Riddle. A sonoridade é marcada por orquestrações que, apesar de ricas, muitas vezes são sombrias, complementando o tom introspectivo das canções. A produção é fiel ao estilo clássico de Sinatra, focando na qualidade da interpretação vocal e na criação de atmosferas emocionais profundas. O repertório é quase excelente (não desmerecendo, pois é claro que é muito bom) com cada canção belíssima, como as emocionantes Thanks For The Memory e I Loved Her, além de outras músicas como Hey Look, No Cryin’, A Long Night e Monday Morning Quarterback, que têm ótimas interpretações. No final de tudo, apesar de ter sido um fracasso comercial, é um belo disco, mas que escondeu vários acontecimentos nos bastidores.

L.A. Is My Lady – Frank Sinatra 





















NOTA: 8,3/10


Por fim, em 1984, é lançado aquele que é verdadeiramente o último álbum de estúdio de Frank Sinatra, intitulado L.A. Is My Lady. Na época, o cantor tinha 68 anos e já era uma lenda viva, com uma carreira que se estendia por mais de quatro décadas. Este álbum veio como uma tentativa de Sinatra de se conectar com uma nova geração de ouvintes e celebrar sua relação com a cidade de Los Angeles, que ele considerava sua casa adotiva. Além disso, esse trabalho acabou sendo lançado pelo selo da Qwest, já que sua própria gravadora, a Reprise, que há muito tempo havia sido desativada pela Warner, acabou sendo extinta de vez. Contando com a produção de Quincy Jones, um dos maiores produtores musicais da época, Jones trouxe um toque moderno e sofisticado ao álbum, mantendo o estilo clássico de big band que Sinatra dominava. A produção contou com arranjos de músicos talentosos como Sammy Nestico e o próprio Quincy Jones, e o álbum foi gravado com uma banda composta por grandes nomes do Jazz, incluindo Lionel Hampton, George Benson e Ray Brown. Com isso, o repertório é totalmente decente, começando com a excelente faixa-título, seguida das ótimas The Best of Everything e How Do You Keep the Music Playing?, e continuando com outras belas canções como Mack the Knife, If I Should Lose You e A Hundred Years From Today. Enfim, apesar de não ter sido promovido como um disco de despedida, ele cumpre muito bem esse papel.

Duets – Frank Sinatra 





















NOTA: 8/10


Depois de quase dez anos, em 1993, saiu um dos últimos álbuns de Frank Sinatra, que não trazia material inédito, mas incluía vários duetos. O cantor estava perto dos 78 anos e já não gravava novos materiais havia algum tempo, mas sua influência e popularidade permaneciam intactas. A gravadora Capitol e o produtor Phil Ramone foram essenciais na concepção do projeto, com a intenção de criar um álbum que destacasse o legado de Sinatra através de colaborações com artistas de diferentes estilos musicais. A produção foi totalmente controversa, pois Sinatra gravou suas partes muito antes, enquanto a maioria dos duetos foi gravada separadamente pelos outros artistas, que estavam em diferentes locais ao redor do mundo. As gravações foram então mixadas para parecer que Sinatra e seus parceiros estavam cantando juntos. A decisão de gravar dessa forma foi bastante criticada por alguns fãs e críticos, que acreditavam que isso tirava a autenticidade das performances, mas também foi uma solução prática, dado o estado de saúde e a idade avançada de Sinatra. O repertório é composto por músicas já conhecidas, com destaque para as canções New York, New York com Tony Bennett e Witchcraft com Anita Baker, além do ótimo dueto com Bono, vocalista do U2, em I've Got You Under My Skin, o que não posso dizer o mesmo de Julio Iglesias em Summer Wind. Enfim, essa primeira parte até que é consistente, apesar de sua concepção.

Duets II – Frank Sinatra





















NOTA: 7,8/10


E aí, no ano seguinte, chega o que é tratado cronologicamente como o último álbum de Frank Sinatra, que era a parte dois desses duetos. Após o sucesso comercial que sua primeira parte teve, que recebeu críticas mistas, mas cujo desempenho nas paradas e a curiosidade gerada pelas colaborações justificaram a produção de um segundo volume. Sinatra, com 78 anos, já havia gravado a maior parte de seu repertório clássico, e este novo projeto se apresentava como uma forma de revisitar sua obra, contando com a ajuda de novos parceiros. Duets II manteve a mesma equipe e abordagem do primeiro álbum, com Phil Ramone novamente como produtor. Assim como no primeiro volume, Sinatra gravou suas partes em Los Angeles, enquanto seus duetos foram adicionados posteriormente pelos outros artistas, que gravaram em diferentes estúdios ao redor do mundo, ou seja, eles usaram a mesma técnica de antes. A produção, tecnicamente desafiadora, foi feita para criar a ilusão de que Sinatra estava realmente cantando ao lado de seus parceiros. Novamente, o repertório tem o mesmo propósito, e os melhores são Come Fly With Me com Luis Miguel, Fly Me to the Moon com Tom Jobim, e My Kind of Town com seu próprio filho, mas também tem outros duetos fraquíssimos com Jon Secada, Linda Ronstadt e Lorrie Morgan em dose dupla. No fim, apesar de problemático e controverso, é um disco que encerra muito bem a carreira de Sinatra.

Fitsful Of Metal – Anthrax 





















NOTA: 8,7/10


Há exatos 30 anos, o Anthrax lançava seu primeiro álbum de estúdio, o violento e estranho Fistful of Metal. A banda foi formada em 1981 em Nova York pelos colegas de escola Scott Ian (guitarrista) e Dan Lilker (baixista), que eram inspirados pelas bandas famosas da época. Durante os primeiros anos, a banda passou por várias mudanças de formação, mas a principal mudança veio com a adição do vocalista Neil Turbin e do baterista Charlie Benante. Com essa formação, o Anthrax começou a ganhar atenção na cena underground, e em 1983 assinou um contrato com a gravadora independente Megaforce, que também havia lançado o primeiro álbum do Metallica, o Kill 'Em All. Esse álbum foi produzido por Carl Canedy, que já tinha experiência no cenário metal com sua própria banda, The Rods. A produção reflete a energia bruta da banda, com um som pesado, distorcido e direto ao ponto, típico daquele começo do Thrash Metal na época. No entanto, o álbum também apresenta vários problemas, com uma clara influência do Speed Metal e, às vezes, a banda imitar o Judas Priest. O repertório é muito bom e tem muitas canções pesadas, como Metal Thrashing Mad no início, I'm Eighteen, que é um cover de uma canção do Alice Cooper, e Panic, além da excelente Howling Furies, que é precedida pela ótima faixa instrumental Across the River. No final, é um bom disco de estreia, apesar de a banda estar cheia de incertezas e conflitos.

Speading The Disease – Anthrax 





















NOTA: 9,6/10


No ano seguinte, a banda volta a todo vapor com o clássico e sensacional Spreading the Disease. Após o Fistful of Metal, o Anthrax passou por uma mudança significativa em sua formação. Neil Turbin, o vocalista original, foi expulso da banda devido a diferenças criativas e de personalidade. Para substituí-lo, a banda recrutou Joey Belladonna, que trouxe uma nova dimensão melódica ao som da banda, que, até então, estava muito alinhada ao Speed Metal. Belladonna tinha uma abordagem mais versátil, com influências do Hard Rock e do Metal tradicional, o que contrastava com o estilo mais gritante de Turbin. Além disso, Frank Bello substituiu Dan Lilker no baixo, e assim nascia a formação clássica da banda. Esse novo trabalho foi produzido novamente por Carl Canedy. A produção deixou a sonoridade mais polida e coesa em comparação ao seu antecessor, refletindo o amadurecimento musical da banda. O som é mais claro, com uma mistura que permite que cada riff de Scott Ian e Dan Spitz brilhe, e a produção destaca os vocais melódicos de Belladonna, sem sacrificar a agressividade dos instrumentos no geral. O repertório é sensacional, com muitas músicas pesadas e agressivas uma atrás da outra. As que mais se destacam são as do início, como A.I.R., Lone Justice, S.S.C./Stand or Fall e, claro, o clássico Madhouse, além das quase melódicas Armed and Dangerous e Medusa. Enfim, esse álbum é um verdadeiro clássico e certamente um dos melhores da banda.

Among The Living – Anthrax 





















NOTA: 9,5/10


Dois anos se passaram, e o Anthrax retorna com outro disco maravilhoso, Among the Living, que não trazia nenhuma mudança significativa. Após o sucesso de Spreading the Disease, a banda havia ganhado destaque na cena do Thrash Metal, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente. Com tudo definido, e depois de alguns membros lançarem um projeto paralelo que trouxe algumas coisas interessantes (mas isso fica para depois), a banda fez um esforço para capturar a energia bruta e a intensidade de suas apresentações ao vivo, enquanto refinava ainda mais o som que haviam desenvolvido nos álbuns anteriores. Além disso, o álbum marca uma fase em que eles começam a explorar temas variados e complexos em suas letras, como política, violência e abuso de drogas. O álbum foi produzido por Eddie Kramer, famoso por seu trabalho com artistas como Jimi Hendrix, Led Zeppelin e Kiss. As gravações ocorreram no Quadradial Studios, em Miami, com a mixagem sendo feita no Compass Point Studios, nas Bahamas. Sob a direção de Kramer, o Anthrax conseguiu um som mais polido e potente, sem perder aquele lado thrasheiro. Novamente, o repertório é excelente, cheio de canções maravilhosas, como a faixa-título, a caótica Caught in a Mosh, I Am the Law, inspirada no personagem de quadrinhos Judge Dredd, e as poderosíssimas A Skeleton in the Closet e Indians, além de outras canções muito boas. No fim, esse álbum é espetacular e seguiu muito bem a fórmula do seu antecessor.

State Of Euphoria – Anthrax 





















NOTA: 8,2/10


Pouco tempo depois, a banda lançou seu 4º álbum, o State Of Euphoria, que, de certo modo, trouxe algumas mudanças. Após Among the Living, que consolidou ainda mais a imagem do Anthrax como uma das bandas mais importantes do Thrash Metal, a expectativa para o próximo trabalho era alta. A banda estava em uma fase de grande visibilidade e pressão, com constantes turnês e a crescente popularidade do gênero. A produção ficou a cargo de Mark Dodson, que já havia trabalhado com a banda em um EP recém-lançado. Ele foi escolhido para produzir este disco devido ao seu trabalho com Judas Priest e Metal Church, conforme afirmado por Scott Ian. O processo de produção foi completamente apressado, e a banda mais tarde expressou certo descontentamento com o resultado final, sentindo que o álbum poderia ter sido mais trabalhado. No entanto, a produção é boa, pois a sonoridade é pesada e agressiva, mas com uma ênfase mais melódica. O repertório é interessante, com faixas fortes como Be All, End All, Out Of Sight, Out Of Mind e Schism, principalmente pelos seus temas, além de um ótimo cover de Antisocial da banda Trust. As faixas que mais se destacam são a pesadíssima Make Me Laugh e a sombria Now It’s Dark. O único erro foi nas duas últimas faixas, onde o interlúdio 13 não combina com a canção Finale. Mas enfim, apesar de ser um álbum mais leve que os anteriores, ele é muito bom, embora tenha sido subestimado.

Persistence Of Time – Anthrax  





















NOTA: 9/10


Indo para o Persistence of Time, que é o 5º álbum do Anthrax, que trouxe um lado ainda mais sombrio. Naquele período, a banda já estava consolidada como uma das principais do gênero, sendo parte do Big Four do Thrash, ao lado do Metallica, Slayer e Megadeth. O disco anterior, apesar de ser muito bom, acabou sendo subestimado por não atingir a mesma aclamação do clássico Among the Living. Com isso tudo, o Anthrax buscou um som mais sombrio e maduro nesse novo trabalho, refletindo as tensões pessoais e a crescente seriedade que permeavam a banda no final da década de 80. O álbum foi produzido pela própria banda em conjunto com Mark Dodson. A gravação foi muito complicada, pois nas primeiras sessões houve um incêndio, fazendo com que a banda perdesse seus equipamentos e seu estúdio de ensaio. Após esse desastre, a banda teve que se mudar para um estúdio diferente. Mas a produção foi muito boa, pois ela deixou a sonoridade mais crua e direta, deixando de lado aquele clima melódico e explorando temas mais sombrios e complexos. O repertório é, mais uma vez, excelente, com várias canções arrasadoras como Time, Blood e Gridlock, além da ótima faixa instrumental Intro to Reality que antecede as sensacionais Belly of the Beast e o cover de Got the Time do Joe Jackson, além da excelente Keep It in the Family que tem uma letra afiadíssima e reflexiva. No final de tudo, é um ótimo trabalho que iguala o que o seu antecessor não conseguiu fazer.

Sound Of White Nose – Anthrax 





















NOTA: 8,8/10


Três anos se passam, e o Anthrax retorna totalmente diferente com o seu novo álbum, Sound of White Noise. No início de 1992, a banda assinou com a Elektra Records e, logo após refletirem sobre todos os momentos de tensão, Joey Belladonna foi demitido do Anthrax. Depois disso, os membros restantes do Anthrax fizeram testes com vários vocalistas, e o escolhido foi John Bush, que era vocalista da banda Armored Saint. Além disso, a banda procurou renovar seu som para se adaptar ao clima musical em constante mudança do início dos anos 90. A produção ficou a cargo de Dave Jerden, conhecido por seu trabalho com bandas como Alice in Chains e Jane’s Addiction, o que ajudou a moldar o som mais moderno e polido desse álbum. Ele trouxe uma abordagem mais texturizada e experimental, incorporando elementos do Grunge e deixando a sonoridade muito próxima do Groove Metal, ou seja, eles groovaram o som e largaram suas influências mais thrasherias. Além disso, a performance de John Bush como vocalista trouxe um tom mais grave e emocional, contrastando com o estilo mais agudo e energético de Belladonna. O repertório, de certo modo, é muito interessante, com muitas músicas legais como Potters Field, Packaged Rebellion, Invisible e C11 H17 N2 O2 S Na (que, para quem não sabe, é a fórmula química do barbitúrico tiopental). Além delas, há também as excelentes Only e 1000 Points of Hate. Enfim, apesar de ser controverso, esse trabalho é muito bom e tem o seu devido valor.
 

Então é isso, um abraço e flw!!!

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