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terça-feira, 20 de agosto de 2024

Analisando Discografias - Nirvana e Bob Marley & The Wailers (RA: XVI)

      

In Utero – Nirvana





















NOTA: 9,9/10


Após um período cheio de sucesso, mas já tendo se passado 2 anos e nada de um novo trabalho, é enfim lançado mais um álbum, o clássico In Utero. Antes mesmo de ser lançado, esse disco já trazia uma banda que estava num estrelato absurdo, com Kurt Cobain se tornando um porta-voz daquela geração. No entanto, sua vida pessoal já estava bastante delicada, lutando contra problemas de saúde mental e seu vício em drogas. Quando o Nirvana finalmente foi gravar seu terceiro álbum, ele acabou sendo gravado em apenas 2 semanas, incluindo sua mixagem. Desta vez, o disco foi produzido por Steve Albini, uma escolha do próprio Kurt para trazer uma sonoridade mais crua e própria, voltando às raízes mais punk da banda. É claro que o disco inteiro basicamente abrange tudo o que o vocalista estava passando, e isso se reflete em várias canções deste repertório maravilhoso, como o clássico Heart-Shaped Box, Serve The Servants, Dumb, Pennyroyal Tea e All Apologies. Mesmo após um grande sucesso deste disco, shows lotados e um MTV Unplugged memorável, infelizmente, em abril de 1994, Kurt Cobain foi encontrado morto em sua casa, após ter tirado sua própria vida com um tiro de espingarda na cabeça. Isso, entre outros fatores, declarou o fim do movimento Grunge. Mas apesar disso, é um álbum maravilhoso que, infelizmente, encerra muito bem a história da banda.

The Wailing Wailers – Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 4,2/10


Em 1965, foi lançado o primeiro álbum da carreira de Bob Marley & The Wailers, que na época era chamado de The Wailing Wailers e tinha um título autointitulado. A banda começou como um trio composto pela futura lenda Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer, originários da cidade de Kingston, na Jamaica. Depois de lançarem alguns singles, eles foram gravar este álbum em uma das gravadoras jamaicanas mais renomadas, a Studio One, com uma produção que capturou arranjos mais simples. No entanto, a verdade é que o trabalho da produção ficou bastante defasado e a mixagem das músicas é totalmente abafada. A sonoridade inteira deste álbum é muito mais focada no Ska, com um som quase sendo um Rockabilly. O repertório está cheio de canções ainda mal executadas, mas também inclui outras canções que estão muito mais prontas e à frente das outras, como What’s New Pussycat?, Love and Affection e a primeira versão da música One Love, que tinha um som nada parecido com a versão mais popular e conhecida de um disco que veio muito tempo depois. Mesmo que este álbum tenha marcado o começo da trajetória lendária daquele trio e também tenha sido um marco da música jamaicana, ele mostra bastante suas irregularidades. Mostrando assim, um disco de estreia bem ruim, mas essa situação poderia ser recuperada em trabalhos futuros.

Soul Rebels - Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 7/10


Cinco anos depois, chega o segundo álbum do trio que, após a divulgação do disco anterior, conseguiu novamente se tornar uma banda, e dessa vez com o nome apenas de The Wailers. Depois de várias tretas que tiveram com seu antigo produtor, eles acabaram vazando de sua antiga gravadora e demoraram para encontrar uma nova gravadora para produzir seu novo disco. Acabaram encontrando um super produtor que era Lee "Scratch" Perry e que trouxe uma sonoridade mais experimental e própria da banda, fazendo assim com que Bob Marley e sua banda deixassem de lado as influências de Ska e fossem para o Reggae que conhecemos bem. As letras agora tratavam não só de canções sobre amor, mas também falavam mais sobre questões sociais e espirituais. Um dos maiores defeitos desse álbum foram os erros em suas mixagens e as canções que têm letras fora do ritmo, como My Cup e No Water. No entanto, outras canções foram agraciadas com ótimos arranjos e são bastante hipnotizantes, como as maravilhosas It’s Alright e 400 Years, e por que não mencionar a faixa-título, que também é muito boa. Após um começo bastante abaixo, esse disco acertou muito mais e corrigiu alguns defeitos do seu antecessor.

Soul Revolution Part II - Bob Marley & The Wailers





















NOTA: 8,6/10


Em pouco tempo, mais um álbum é lançado, o Soul Revolution Part II, que também é conhecido apenas como Soul Revolution, sendo quase uma continuação do último trabalho da banda. Novamente, eles foram gravar com o produtor Lee "Scratch" Perry, que mais uma vez não fez feio e evoluiu ainda mais a sonoridade da banda, mostrando mais influências em seu som. O repertório está cheio de músicas boas dessa vez, eles não erram em nada em seus arranjos, dando uma identidade um pouco mais melódica. Cada canção é um verdadeiro grito pelas questões que são mostradas em suas letras, como Keep On Moving, Kaya e Sun Is Shining, sem contar que incluíram uma 4ª versão de Duppy Conqueror, só que desta vez ela tem um clima alternando entre instrumental e os vocais de Marley, Tosh e Wailer. Enfim, isso mostrou que esse foi o trabalho mais profissional da banda, trazendo bastante inovação para outras bandas que iriam surgir e mostrando uma leveza em seu som. Pena que este foi o último trabalho com o produtor que fez eles melhorarem muito. Sendo assim, um baita disco e essencial para quem é fã do gênero jamaicano.

The Best Of The Wailers - Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 7,2/10


No mesmo ano do Soul Revolution, foi lançado o The Best Of The Wailers. Antes de você reclamar assim: "Pô, tu tá ouvindo coletânea, pra que você tá fazendo isso?" Primeiro, apesar do título, não é uma coletânea, tanto que as pessoas até hoje confundem. E segundo, é um disco cheio de coisas inéditas. Por que esse álbum foi gravado antes mesmo do 2º e 3º álbum, sendo que ele foi produzido por Leslie Kong e lançado pelo selo da Beverley’s e há de se notar uma sonoridade novamente mais simples e cheia de problemas que só foram corrigidos nos trabalhos seguintes. Tendo um repertório bastante interessante, com canções muito boas que não são muito lembradas, como Stop The Train e Can’t You See, tirando também algumas canções ruins, principalmente as antepenúltimas, que quase encerram o disco de forma ruim, mas é salvo pela brilhante música Do It Twice. Um fato curioso é que uma semana após o seu lançamento, o produtor Leslie Kong acabou morrendo vítima de um ataque cardíaco, e após isso, a gravadora acabou fechando. Enfim, apesar de ter tido canções interessantes e com letras profundas, é um disco até legal, mas é bastante confuso.

Burnin’ - Bob Marley & The Wailers 




















NOTA: 9,5/10


Após o grande sucesso do Catch a Fire, tanto na Jamaica quanto internacionalmente, foi lançado outro álbum sensacional o Burnin’. Este chegou numa época que já vinha de bastante conflitos entre os membros da banda, o que ocasionou numa futura bomba que viria após o lançamento, mas isso fica para depois. Mais uma vez, a produção ficou com Chris Blackwell, que continuou explorando ainda mais a qualidade sonora da banda e trazendo um som ainda mais cru e próprio, realmente um trabalho muito bem feito pelo fundador da Island Records. Tendo um repertório mais uma vez muito bem ordenado e recheado de músicas boas, com letras tendo muito mais críticas sociais e políticas, como Get Up, Stand Up, I Shot the Sheriff, Put It On e Small Axe, que inicialmente era tratada como uma colaboração de Bob Marley com o antigo produtor Scratch, só que com o tempo passou a ser apenas creditada para Bob Marley, e sua letra demonstra a luta constante por liberdade do povo jamaicano por justiça e liberdade. Também há mais uma versão de Duppy Conqueror, tendo uma sonoridade mais técnica, que é praticamente perceptível nas guitarras de Peter Tosh. Em suma, é um disco maravilhoso que seguiu a mesma fórmula do anterior, sendo memorável e mais um clássico de Bob Marley & The Wailers.

Natty Dread – Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 9,2/10


Em pouco tempo, é lançado mais um álbum da banda, só que agora de vez com o nome de Bob Marley & The Wailers. Lembra que eu falei que nas gravações do Burnin’ os membros da banda estavam sempre brigando e que após o lançamento desse disco uma bomba iria estourar? Pois então, ela estourou, pois Peter Tosh e Bunny Wailer acabaram saindo da banda, e ambos, com o tempo, acabaram reclamando que o motivo de suas saídas se devia às atitudes do produtor Chris Blackwell. Mesmo após isso, Bob Marley não se abateu e decidiu continuar com a banda, mantendo os membros remanescentes, como, por exemplo os irmãos Aston e Carlton Barrett. A produção não só continuou com o mesmo produtor, mas também teve muita contribuição da banda inteira, que trouxe mais influência de Roots Reggae, um subgênero que abordava letras mais focadas no cotidiano, mantendo a mesma profundidade. Isso foi um acerto e tanto para várias canções, como No Woman No Cry, Them Belly Full (But We Hungry) e Talkin’ Blues, e outras menos lembradas que abordam a devoção de Marley ao Rastafari, como Lively Up Yourself e a faixa-título. Sendo assim, mais um ótimo disco, marcando uma nova fase na carreira de Bob Marley e, claro, não é um trabalho a ser tratado como obra-prima.

Rastaman Vibration – Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 9,4/10


Esse álbum aqui é ainda mais acima da média que o anterior, pois trouxe muito mais das crenças espirituais que Marley tinha, o que influenciou bastante nas sessões desse disco. Todo o som dele tem mais implementação de guitarras mais skanking (que se fala assim devido a estar associado com o gênero Ska, que traz um som mais animado e dançante), e o baixo e a bateria têm muito mais técnica e poder, o que resultou em arranjos muito bem feitos. Tudo isso foi produzido e mixado por eles mesmos, tendo letras ainda muito mais políticas e sociais. Isso foi um fator essencial para o álbum posterior, mas isso fica para depois. Bom, enfim, o jeito que esse disco começa com as canções Positive Vibration e Roots, Rock, Reggae é algo que não só te deixa ‘‘chapado’’, mas também te faz ficar hipnotizado. Ainda é incorporado no Who The Cap Fit e Rat Race, sendo que há uma canção aqui que é War, inspirada num discurso do ex-imperador da Etiópia, Haile Selassie, perante a ONU em 1963, e que transformou ela numa música perfeita e cheia de detalhes. Tudo isso mostrou um álbum ainda mais memorável, que mostrou a essência do movimento Rastafari e que envelheceu muito bem.

Exodus – Bob Marley & The Wailers  





















NOTA: 10/10


E aí chegamos a outro disco atemporal, o Exodus, que surgiu numa época bastante conturbada para o cantor jamaicano. Bob Marley estava enfrentando pressões políticas em seu país e havia sofrido uma tentativa de assassinato dias antes do Smile Jamaica Concert, quando sete homens armados invadiram sua casa e atiraram em sua esposa, em seu empresário e no funcionário da banda, além dele próprio, que levou dois tiros, um passou de raspão e outro acertou seu braço, mas felizmente ele sobreviveu. Após isso, ele deixou a Jamaica e se exilou com sua banda em Londres, onde gravaram essa maravilha. Este álbum trouxe, como eu já havia mencionado, uma sonoridade inspirada no Rastaman Revolution, trazendo uma vibe muito mais política. O disco é dividido em uma primeira metade abordando política religiosa e uma segunda metade focada em amor, positividade e igualdade. O repertório mais uma vez é maravilhoso, parecendo uma coletânea recheada de canções maravilhosas como os hits Three Little Birds, One Love/People Get Ready e Jamming, e também outras músicas que complementam tudo o que é abordado, como a faixa-título, Guiltiness, Waiting In Vain, que traz uma abordagem muito mais de decepção amorosa misturada com tensões de incertezas políticas. Sério, todas as faixas são cuidadosamente trabalhadas nos mínimos detalhes. Sendo assim, um dos melhores discos de todos os tempos, trazendo um auge na carreira de Bob Marley.

Kaya – Bob Marley & The Wailers 





















NOTA: 8,6/10


Depois do Exodus, chegou o décimo álbum de estúdio da banda, que veio cheio de grandes expectativas comparado ao seu antecessor. No entanto, ele chegou em uma época de bastante incertezas na vida de Marley. Há de se notar as influências introduzidas nesse disco, como a sua paixão pela erva que vocês sabem muito bem de qual estou falando. Novamente, esse disco foi gravado em Londres, no mesmo estúdio da Island Records, trazendo um som mais experimental e arranjos muito mais animados. No entanto, isso acabou fugindo demais da proposta apresentada desde o penúltimo álbum, e tendo algumas canções em seu repertório que não condizem com as outras, como no caso de Crisis e Time Will Tell, que encerram esse disco de forma bem abaixo. Nem mesmo Running Away, que está no meio dessas duas, conseguiu salvar alguma coisa. No entanto, é claro que isso não desmerece o início, que chega a ser até melhor que o do anterior, com Easy Skanking, a própria faixa-título e um dos maiores hits da carreira inteira de Bob Marley, a clássica Is This Love. Esse repertório inclusive também contém algumas novas versões de músicas do Soul Revolution Part II. Apesar de já mostrar um pequeno retrocesso, é um álbum que não deixa de ser muito legal.

Então é isso e flw!!!

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Analisando Discografias - Charlie Brown Jr. e Nirvana (RA: XV)

     

Nadando Com Os Tubarões – Charlie Brown Jr.





















NOTA: 9,6/10


Um ano após o antológico Preço Curto... Prazo Longo, o Charlie Brown retorna com mais um novo álbum em uma época bem complicada para a banda. Pois, antes das gravações, o pai do Chorão acabou falecendo e ele ficou bastante devastado. Só seis meses depois ele voltou para começar a gravar esse disco, mesmo estando um ‘‘pouquinho’’ acima do peso, só tendo ganhado uns 20 quilos a mais. Esse álbum, além de ter tido uma produção ainda mais melhorada que inseriu um pouco de efeito nas músicas, as letras ficaram muito mais profundas e reflexivas. Isso juntou-se com uma sonoridade bem pesada, mostrada em canções espetaculares como Rubão, o Dono Do Mundo, Fichado e Transar no Escuro, e também puxada para o Rap, que contou com participações do Sabotage e do RZO na canção A Banca, da Negra Li em Não é Sério e dos desconhecidos e muito bons grupos de Rap Controlamente e o De Menos Crime em Somos Extremes no Esporte e na Música, todas sendo canções maravilhosas. Claro que teve algumas pessoas que não curtiram essa pegada indo muito mais para o Rap, mas eu posso dizer que foi inserido no momento certo. Em suma, é um disco muito bom e que mostrou um certo amadurecimento da banda.

100% Charlie Brown Jr. Abalando Sua Fábrica – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 9,8/10


Pouco tempo depois, o Charlie Brown lança seu 4º álbum e traz várias mudanças. A primeira foi que a banda tinha se tornado recentemente um quarteto, pois o guitarrista Thiago Castanho tinha saído, alegando divergências musicais. A banda preferiu não substituí-lo já que eles já tinham desde muito tempo outro guitarrista, o Marcão, que assumiu toda a responsabilidade na guitarra. Outra mudança foi que a banda tinha recentemente trocado de gravadora, saindo da Virgin e indo para a EMI. Agora, com uma nova produção, a banda decidiu buscar uma sonoridade mais influenciada pelo Hardcore, deixando de lado o Rap e outros subgêneros presentes nos 3 primeiros discos. Assim, fizeram canções mais melódicas como os grandes hits Lugar ao Sol e Hoje Eu Acordei Feliz, e tendo algumas canções reflexivas como Eu Protesto, Tudo Pro Alto e a maravilhosa Como Tudo Deve Ser. Por sinal, há uma canção aqui que é quase uma base de uma certa música do álbum seguinte, que é chamada Você Vai de Limusine, Eu vou De Trem, acho que já deu pra sacar o motivo. Mais uma vez, a banda de Santos lançou mais um disco maravilhoso, tendo um repertório muito legal, sendo assim um trabalho brilhante.

Bocas Ordinárias – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 9,9/10


Passado mais um ano, é lançado o Bocas Ordinárias quase sem nenhuma mudança significativa, sendo quase a mesma coisa do disco anterior. A produção, mais uma vez, foi feita por Tadeu Patolla, deixando de lado o produtor do disco anterior, Carlo Bartolini. Isso acabou sendo feito trazendo um pouco mais de incorporação em sua sonoridade e tendo novamente uma implementação de Rap e Nu Metal em suas músicas, que para mim é o álbum do Charlie Brown que mais se parece com esse gênero. Apesar disso, o disco mostrou músicas de bastante qualidade. Por sinal, no repertório desse álbum tem a presença do primeiro cover da banda, que é um cover de uma música lá do álbum de estreia do Legião Urbana, a canção Baader-Meinhof Blues, que ficou muito boa, mesmo que não supere a original. Além disso, tem as clássicas Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto é Negócio) e Só Por Uma Noite. Há outras que também são excelentes, como Hoje Eu Só Procuro A Minha Paz, a própria faixa título desse disco e uma canção não muito lembrada, Com A Boca Amargando. Vale dizer que esse disco é um álbum que mostra que todos os membros da banda entregaram o seu melhor. No final, é um disco excepcional, que para mim é criminosamente injustiçado porque o repertório dele é excelente.

Tamo Aí Na Atividade – Charlie Brown Jr.





















NOTA: 8,7/10


Depois de algum tempo, e após o sucesso estrondoso do seu Acústico MTV, o Charlie Brown Jr. retorna com seu 6º álbum. E ele tem uma mudança bem significativa, diferente dos dois últimos lançamentos. Aqui, a sonoridade da banda é muito mais influenciada pelo Rap, mostrando algumas batidas eletrônicas e arranjos que se assemelham mais a amostras, como nas canções Tamo Aí Na Atividade e Eu Vim De Santos Sou Charlie Brown, fazendo até parecer que são músicas de Hip Hop/Rap. Mas é claro que a banda não largou seu estilo de Skate Punk, como na sensacional Champanhe E Água Benta, e uma canção cantada em inglês, So Far Away. Por sinal, nas últimas músicas, tem uma chamada Malokero Sk8 Board que é praticamente uma mistura de Thrash Metal com Rapcore. Sério, a sonoridade dessa canção chega a beirar o inacreditável porque ela é muito boa. E mesmo que este seja o álbum que também tem músicas fracas em seu repertório, mesmo assim ele é muito bem ordenado e produzido. É claro que novamente teve gente que não gostou que esse álbum ter muito mais influência de rap, enfim, aquela mesma chatice que teve no terceiro álbum. Mas, enfim, após o seu lançamento, foi anunciado que o Champignon, Marcão e o Renato Pelado tinham saído da banda devido a vários desentendimentos, ficando apenas o Chorão, parecendo mostrar que a banda ‘‘chegou ao fim’’. Mas, apesar de tudo isso, é um álbum muito bom mesmo mostrando ser o mais fraco da banda.

Imunidade Musical – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 8,8/10


Após um período de um ano de incertezas, de forma inesperada, o Charlie Brown retorna com um novo álbum, o Imunidade Musical. Falo de forma inesperada porque, como os membros originais acabam vazando, rolaram boatos de que a banda tinha acabado e que Chorão seguiria uma carreira solo. Mas como ele sempre disse: ‘‘Que ele era o Charlie Brown Jr.’’, então a banda continuou e teve a volta de Thiago Castanho, acrescentando um novo baixista, o Heitor Gomes, e um novo baterista, o Pinguim, assim a banda estava completamente reformulada. Mantiveram o mesmo produtor do álbum anterior, a lenda Rick Bonadio, que como sempre explorou muito bem a sonoridade da banda, trazendo canções melódicas e reflexivas como as estrondosas Senhor Do Tempo e Dias De Luta, Dias De Glória, que é a música mais tapa na cara da história da banda, além de uma nova versão de Aquela Paz que estava no primeiro álbum, so que com um clima mais sombrio. O álbum também contém músicas carregadas de emoções, como Lutar Pelo Que É Meu, a famosa Ela Vai Voltar (Todos Os Defeitos De Uma Melhor Perfeita), e uma canção com a participação do rapper Rappin’ Hood, a poderosa Cada Cabeça Falante Tem Sua Tromba de Elefante. Apesar disso, esse álbum possui algumas canções fraquíssimas e genéricas em seu repertório, mostrando que não havia necessidade de ter 23 faixas. No final, mesmo tendo sido um disco inicialmente desacreditado, ele cumpre muito bem seu papel e é superior ao anterior.

Ritmo, Ritual e Responsa – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 9,1/10


Depois de dois anos, o Charlie Brown lançou seu 8º álbum com uma pegada muito mais pesada comparado ao anterior. Esse disco inteiro tem umas curiosidades interessantes: ele serviu de trilha sonora para o filme O Magnata, que é o primeiro filme roteirizado pelo Chorão, e foi o primeiro disco produzido pelos próprios membros da banda, no caso o Chorão e o Thiago Castanho. Eles fizeram um bom trabalho, buscando, como eu já tinha dito, uma sonoridade mais pesada contendo Rap, Ska, Hardcore, o Skate Punk tradicional da banda e novamente trazendo Nu Metal, mesmo não tendo uma predominância balanceada e as letras como sempre reflexivas e trazendo muita crítica social. Isso refletiu em um repertório gigantesco mais uma vez com 23 faixas, mais uma vez precisava? Não, mas como sempre acertaram na ordem das músicas e tendo músicas incríveis como Pontes Indestrutíveis, Não Viva Em Vão, Be Myself (que mesmo pelo título não é cantada em inglês) e tem algumas canções bem fracas só que dessa vez são poucas como, por exemplo uma com a participação da terrível banda Forfun, só que teve outras participações que ficaram muito boas como a do MV Bill e do João Gordo. E esse foi o segundo e último álbum com o baterista Pinguim, pois ele acabou saindo da banda. O fato é que é um disco sensacional, sendo muito interessante em trazer novamente uma pegada mais pesada.

Camisa 10 Joga Bola Até na Chuva – Charlie Brown Jr. 



















NOTA: 9/10


Após uma pausa rápida, o Charlie Brown Jr. chega com mais um álbum e é uma verdadeira maravilha. Trazendo algumas mudanças: após a saída do baterista Pinguim, que saiu devido ao fato de seu contrato com a banda não ter sido renovado, acabou entrando em seu lugar o Bruno Graveto, que já tinha sido membro de outras bandas como Pipeline e O Surto (que por sinal, essa última tem uma certa história envolvendo o Charlie Brown, mas daqui um tempo eu conto). A outra novidade foi que eles trocaram de gravadora e novamente tiveram a produção do Rick Bonadio. A sonoridade toda desse disco é muito mais melódica, deixando de lado a maioria das coisas que estavam presentes no trabalho anterior, e tendo um repertório cheio de canções maravilhosas. Mesmo que apresente um erro na ordem de algumas faixas, esse álbum traz uma música que tinha sido escrita por Chorão 8 anos antes, intitulada O Dom, a Inteligência e a Voz, que foi a pedido da cantora Cássia Eller, mas ela acabou falecendo e a canção ficou arquivada até finalmente ser gravada. Fora claro as outras canções muito boas como Me Encontra, Só Existe o Agora e a reflexiva Só Os Loucos Sabem, que foi escrita numa época em que o nosso querido Big Cry tinha passado por uma profunda experiência numa igreja em São Paulo. Em suma, é um disco espetacular, tendo letras memoráveis e com cada arranjo maravilhoso.

La Familia 013 – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 9,4/10


Depois de muito tempo, o Charlie Brown lançou seu décimo e último álbum de estúdio da banda e que aconteceu em uma época que começou cheia de altos e terminou de forma baixa e triste. Primeiro que após o último álbum, o baixista Heitor Gomes acabou saindo da banda, só que logo depois Marcão e Champignon voltaram para a banda, e a banda praticamente estava quase com a formação original de volta. Só que com o tempo rolaram brigas e desentendimentos após alguns shows e até mesmo na frente do palco em um show em Apucarana, no Paraná. Só que depois teve pedido de desculpas e aí, infelizmente, no início de março de 2013, o Chorão foi encontrado morto em seu apartamento devido a uma overdose e aí 6 meses depois o Champignon acabou se matando e tudo isso demonstrou um triste fim pra banda. E aí esse álbum que já era planejado antes da morte do Chorão acabou infelizmente se tornando póstumo e seria lançado em setembro, mas foi adiado para o mês seguinte, tendo a produção de Tadeu Patolla e lançado pelo selo da Som Livre. A sonoridade desse disco, do começo ao fim, é totalmente em tom de despedida mesmo tendo um clima animado e melódico, apresentando ótimas canções como Um Dia a Gente Se Encontra, Rockstar, Hoje Sou Eu Que Não Mais Te Quero e a música que é praticamente uma despedida, a incrível Meu Novo Mundo. No final de tudo, é um disco maravilhoso e que encerra de forma digna a história da banda.

Nevermind – Nirvana  





















NOTA: 10/10


Depois de um longo período, chega o maravilhoso e absurdo Nevermind, o segundo álbum de estúdio do Nirvana, que veio numa época de várias transições da banda. Após eles saírem da gravadora que lançou seu álbum de estreia, graças a todo o sucesso e mostrarem uma sonoridade bastante promissora, eles acabaram se mudando para uma gravadora maior, a Geffen Records. E também, eles finalmente encontraram o baterista definitivo para a banda, pois Chad Channing saiu e entrou em seu lugar um moleque promissor de uma banda desconhecida, e esse moleque se chamava Dave Grohl. Uma coisa que precisa ser destacada é que a sonoridade espetacular desse disco se deve muito a ele e, claro, à produção atenciosa do Butch Vig. Ele não foi apenas o produtor ele meio que agiu como um psicólogo de Kurt Cobain em determinados momentos. No final das contas, isso resultou em uma sonoridade muito mais polida e comercial, e todo o repertório dele faz parecer uma coletânea, é so música espetacular, e não apenas Smells Like Teen Spirit, Come as You Are, In Bloom, Lithium, Breed, mas todas as faixas. Por sinal, quando foi lançado, as 20 mil primeiras cópias não tinham a última faixa, Endless, Nameless, tudo porque houve um erro na masterização, pois esqueceram de avisar a pessoa que estava por trás dela, mas depois foi corrigido. Enfim, esse álbum é uma verdadeira maravilha, um clássico, antológico, não sendo à toa ser um dos melhores de todos os tempos.

Incesticide – Nirvana 





















NOTA: 8,2/10


Depois de um tempo, no final do ano de 1992, foi lançada a coletânea Incesticide, que apresenta canções inéditas sendo elas de 2 EPs, o Blew e Hormoaning, demos, lados B e alguns covers. Assim, esse disco inteiro é uma junção de materiais gravados desde a época da banda estando na Sub Pop até a Geffen. Só para vocês terem uma noção, se juntar todas as músicas, apenas o Kurt Cobain e o Krist Novoselic estão em todas as sessões, pois todas as gravações, ao todo, incluem 4 bateristas diferentes e também tiveram vários produtores diferentes, indo desde Jack Endino até Butch Vig. E sim, a sonoridade ao todo desse álbum chega a ser confusa, mas os riffs são bastante legais. Esse disco tem cada canção maravilhosa, que infelizmente as pessoas não conhecem, como Dive, Aneurysm, Aero Zeppelin, Molly’s Lips, e a melhor música para mim dessa coletânea, em questão de arranjo e letra, que é Sliver, que até acho que dava para ela ter entrado no repertório do Nevermind. Este disco tem uma versão alternativa da canção Polly, só que muito mais rápida e acrescentando no título um (New Wave), mas ficou bastante fraca se juntando a outras 2 canções bem ruinzinhas. Apesar disso, é uma ótima coletânea, sendo um trabalho bem interessante mesmo sendo tratado como desconhecido.

Por hoje é só e flw!!!

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Reviews Antigas II

 

London Calling - The Clash





















NOTA: 10/10


Um disco perfeito, com repertório bem produzido, uma boa junção de Punk-Rock, Ska, Reggae, Rockabilly e outros gêneros presentes nesse álbum. Este disco é simplesmente uma obra-prima e é essencial para qualquer um escutar.

2Paclypse Now - 2Pac 





















NOTA: 7,3/10


Foi um álbum de estreia muito interessante que o 2Pac acabou fazendo naquela época de ouro do Rap americano. O disco tem boas batidas, e algumas músicas têm letras coerentes, enquanto outras nem tanto. O primeiro disco é bom, mas o ''Pac'' ainda precisava amadurecer em seus futuros trabalhos.

Bleach - Nirvana 





















NOTA: 8,9/10


É um álbum de estreia muito bom, bem produzido, cru, e o repertório é coerente. O que faltava para a banda de Kurt Cobain emplacar era elevar ainda mais o som que já estava bom e melhorar a estrutura da banda.

KoЯn – KoЯn





















NOTA: 10/10


Um disco de estreia incrível que deu um pontapé inicial não só para a banda, mas também para esse novo estilo que foi batizado de Nu Metal (por conta da mistura de Rap, música eletrônica e Metal). Esse álbum é quase uma biografia da vida difícil do vocalista Jonathan Davis. É simplesmente um clássico e uma obra-prima, esse primeiro disco.

Off The Wall - Michael Jackson 





















NOTA: 10/10


Um álbum perfeito do início ao fim. O repertório é tão excelente que o álbum parece uma coletânea. Além disso, foi muito bem produzido, considerando que Michael, um garoto prodígio, havia recém-entrado na fase adulta. Não é à toa que é considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos.

Holy Diver - Dio 





















NOTA: 10/10


Um baita disco de estreia. Do início ao fim, a sonoridade é pesada, com arranjos fortes e letras de cada música muito bem escritas. Esse álbum deu um bom pontapé inicial na carreira solo do Ronnie James Dio, ainda tendo influências do Rainbow e do Black Sabbath. Realmente, um disco espetacular.

Killing Is My Business... And Business Is Good! – Megadeth 




















NOTA: 8/10


É um disco bom, e mesmo com uma gravação pobre, mostrou o quanto Dave Mustaine conseguiria se virar após a demissão do Metallica. O veredito é que grande parte das músicas são boas, o som é totalmente pesado e cru, naquele estilo Thrash que começamos a nos acostumar.

Fotos de Ontem - Igão 




















NOTA: 2/10


Um EP sem graça, genérico, medíocre, ruim e muito mais. Apenas a música com a participação do Veigh salva, pois o resto é uma porcaria como a participação do Luccas Carlos que não acrescentou em nada e a última música com Dallass que ele parece que tá cantando com sono, simplesmente um EP terrível.

Facelift - Alice In Chains 




















NOTA: 9,1/10


Um disco de estreia excepcional, com uma potência espetacular. Uma coisa que se nota, comparado a outras bandas de ''Grunge'', é que o Alice in Chains flerta com o Heavy Metal, o que se tornou sua principal característica. Realmente, esse álbum mostrou o quanto de potencial a banda de Layne Staley e companhia tinha.

Appetite For Destruction - Guns N' Roses 





















NOTA: 10/10


É um disco espetacular do início ao fim, de tão bom que é. Faz com que pareça mais uma coletânea, de tão perfeito que é o repertório. O vocal de Axl Rose e os riffs de Slash são daqueles que ficam na cabeça e não saem. Simplesmente um dos álbuns mais importantes da história do rock e também um dos melhores de todos os tempos.

É isso família e flw!!! 

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...