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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Analisando Discografias - Digital Underground: Parte 2

                 

The "Body-Hat" Syndrome – Digital Underground




















NOTA: 8/10


Dois anos depois, foi lançado o 3º álbum de estúdio do Digital Underground, o The "Body-Hat" Syndrome. Após o Sons of the P, o grupo enfrentava uma indústria musical em transição: o Gangsta Rap dominava as rádios, e o som mais politizado ou experimental começava a ser marginalizado. É importante lembrar que, naquele momento, o 2Pac, apesar de ter aparecido neste projeto, já estava 100% concentrado em sua carreira solo. O grupo começou a se aproximar de sons mais duros, distanciando-se do estilo P-Funk. A produção foi feita por eles mesmos, mantendo aquela estética funkeada. A sonoridade aposta em linhas de baixo pesadas, teclados cósmicos, grooves dançantes e scratches, contrastando com a dureza do G-Funk que predominava em Los Angeles e no mainstream. Com isso, os samples são bem densos e as camadas vocais, mais estilizadas. O repertório é bem legal, com canções muito divertidas. Enfim, é um disco bom, mas muito subestimado. 

Melhores Faixas: Doo Woo You, Jerkit Circus 
Vale a Pena Ouvir: Bran Nu Swetta, Carry The Way (Along Time), Wussup With The Luv, Shake & Bake, Do Ya Like It Dirty?

Future Rhythm – Digital Underground





















NOTA: 5,8/10


Três anos depois, foi lançado mais um disco deles, intitulado Future Rhythm, e aqui tivemos uma queda. Após o The "Body-Hat" Syndrome, Shock G e sua trupe optaram por reafirmar sua própria visão artística, decidindo lançar esse trabalho de forma independente e renovar a estética. É importante lembrar que, naquele tempo, a grande mídia começou a dar mais atenção para o pessoal da Costa Leste, muito por conta daquela fase do Boom Bap com rappers como Nas, Jay-Z, Mobb Deep e afins. A produção, como sempre conduzida por eles mesmos, apostou em uma fusão de P-Funk digitalizado com elementos de R&B, Hip Hop alternativo e Jazz. Como o título sugere, há uma tentativa deliberada de apresentar uma "nova batida para o futuro", misturando o antigo e o moderno, só que essa seriedade e pasteurização deixou tudo sem graça. O repertório começa bem, mas depois decai com canções bem nada a ver. No fim, é um disco fraquíssimo que não funcionou. 

Melhores Faixas: Hokis Pokis (A Classic Case), Walk Real Kool, Midnite Snack, Hella Bump
Piores Faixas: Stylin', Want It All, Future Rhythm, Rumpty Rump

Who Got The Gravy? – Digital Underground





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos, e eles lançaram mais um álbum, o Who Got the Gravy?, que trouxe novidades. Após o Future Rhythm, com o comercialismo exagerado das gravadoras da época e com uma queda naquele cenário do Boom Bap, a sonoridade mais teatral e P-Funk do Digital Underground já parecia fora de época, com o mainstream os ignorando. Apesar disso, Shock G e companhia não desistiram. Pelo contrário: retornaram com um álbum ainda mais irreverente, mais caótico e teatral do que seus antecessores. A produção foi aquela de sempre; a abordagem, mais suja, mais crua e livre, como se fosse uma jam session digitalizada, com instrumentos reais e samples esquisitos. A estética é P-Funk em sua forma mais exagerada e delirante, misturada com Hip Hop alternativo e elementos teatrais. O repertório é bem legal, com canções divertidas e energéticas, além de contar com feats de lendas como Big Pun e KRS-One. No geral, é um disco bom, mas que foi um tremendo fiasco. 

Melhores Faixas: The Gravy, Wind Me Up 
Vale a Pena Ouvir: Blind Mice, Cyber Teeth Tigers (participação do KRS-One), The Mission (participação do Big Pun)

"..Cuz A D.U. Party Don't Stop!" – Digital Underground





















NOTA: 2,6/10


Foi só em 2008 que o Digital Underground lançou seu 6º e último álbum de estúdio, ..Cuz a D.U. Party Don't Stop!. Após o Who Got the Gravy?, já era visível que o Rap estava dominado por autoexperimentações e, principalmente, pelo pessoal do Sul. Shock G se concentrou em produções, shows e projetos paralelos. Mas, por volta de 2007, o grupo começou a se apresentar com uma turnê anunciada como "a última". A produção foi conduzida, como sempre, por ele, com uma sonoridade mais enxuta e menos teatral, com beats diretos, menos personagens e menos efeitos caricatos. Há mais uso de elementos eletrônicos e arranjos mais serenos, mas tudo é mal implementado, deixando tudo muito arrastado. Isso se reflete em um repertório péssimo, com canções terríveis, e poucas acabam se salvando. Enfim, esse trabalho final é muito decepcionante e encerrou de forma abaixo do esperado a trajetória do Shock G, que viria a falecer em 2021. 

Melhores Faixas: Meeheadsoon, Blue Skyy 
Piores Faixas: Sex Packets Unplugged, Hoo's Hoo, Everything Ya Done 4 Me, Channel Surfin', Lettuce In The Club, Cali Boogie

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Analisando Discografias - Digital Underground: Parte 1

                 

Sex Packets – Digital Underground





















NOTA: 9,2/10


Em 1990, o Digital Underground lança seu álbum de estreia, o Sex Packets, que traz uma abordagem peculiar. Formado na cidade de Oakland, na Califórnia, o grupo era liderado pelo multifacetado e excêntrico Gregory "Shock G" Jacobs. Inspirado pelo estilo teatral e sonoramente eclético do George Clinton, Shock G visava romper com a crescente seriedade do Hardcore Hip-Hop da época e reintroduzir o humor, a liberdade criativa e a sensualidade do Funk na cultura do Rap. O grupo criou um álbum conceitual de ficção científica, em que o governo teria desenvolvido pílulas sexuais alucinógenas (G.S.R.A.) para soldados solitários. A produção, conduzida pelo próprio grupo, constrói uma sonoridade profundamente enraizada no P-Funk, com samples dos artistas de Funk dos anos 70 misturados a caixas de ritmo e sintetizadores analógicos. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e até mesmo envolventes. Em suma, é um baita disco de estreia e um clássico do Rap. 

Melhores Faixas: The Humpty Dance, Packet Man, Freaks Of The Industry 
Vale a Pena Ouvir: Sex Packets, Doowutchyalike, Rhymin' On The Funk

This Is An E.P. Release – Digital Underground




















NOTA: 8/10


No início do ano seguinte, em 1991, foi lançado This Is an E.P. Release, que trazia algumas faixas extras. Após o sucesso do Sex Packets, que consolidou o Digital Underground como um dos grupos mais criativos do Rap, havia grande expectativa sobre os próximos passos deles. Eles decidiram manter a formação que deu certo, com Shock G, Money B, Chopmaster J, Humpty Hump e DJ Fuze, e agora com a inclusão do jovem Tupac Shakur, que ainda era apenas um iniciante. A produção deste trabalho foi conduzida inteiramente por eles e ficou mais limpa e polida, com beats levemente mais lentos, focados no groove e na atmosfera. Os samples ficaram bem mais refinados, mantendo-se dentro da linhagem deles do P-Funk. O repertório é composto por 6 faixas, com duas do último álbum em versões remixadas e as novas, que são bem divertidas. Enfim, é um EP bem interessante e que vale a pena ouvir. 

Melhores Faixas: Same Song 
Vale a Pena Ouvir: Packet Man (Worth A Packet Remix), Nuttin' Nis Funky

Sons Of The P – Digital Underground




















NOTA: 8,5/10


No mesmo ano foi lançado o 2º álbum do grupo, o Sons of the P (parece capa de banda de Power Metal finlandesa). Após o This Is an E.P. Release, o Digital Underground consolidou-se como uma força criativa no Hip Hop, mesclando humor, teatralidade e uma profunda reverência ao P-Funk. Este trabalho surge como uma evolução natural, aprofundando a mitologia do grupo e expandindo seus horizontes musicais. A produção foi feita majoritariamente por Shock G, que utilizou camadas densas de sintetizadores, linhas de baixo pulsantes e arranjos vocais complexos, além de um uso extensivo de samples do Funkadelic. Um dos grandes diferenciais foi a colaboração com o lendário George Clinton, que contribuiu principalmente em uma das faixas. 2Pac também aparece em alguns momentos, ganhando mais espaço. O repertório é bem legal, com canções diversificadas, que vão de faixas profundas a composições mais extensas. Enfim, é um bom disco e bastante coeso. 

Melhores Faixas: No Nose Job, The Higher Heights Of Spirituality 
Vale a Pena Ouvir: Kiss You Back (essa em que o George Clinton participou em grande parte), The DFLO Shuttle, Flowin' On The D-Line

      Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...