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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Steve Hackett: Parte 4

                 

Wolflight – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Em 2015, foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, intitulado Wolflight, que marcou um retorno a um caminho mais épico. Após o Genesis Revisited II, como seus trabalhos anteriores já apontavam, Hackett alcança aqui uma síntese madura entre o Rock progressivo, influências de world music e uma abordagem narrativa mais clara. Esse projeto aprofunda esse caminho, assumindo desde o início uma atmosfera de jornada, deslocamento e observação histórica. A produção, conduzida como sempre em parceria com Roger King, é refinada e equilibrada, priorizando a organicidade sem abrir mão de um acabamento moderno. As guitarras são o eixo central, mas nunca monopolizam o espaço, dialogando constantemente com teclados atmosféricos, baixo melódico e uma bateria precisa, porém contida, além de termos influências de Hard Rock e Folk. O repertório é muito bom, e as canções são bastante densas. Enfim, é um trabalho muito legal e coeso. 

Melhores Faixas: Black Thunder, Corycian Fire 
Vale a Pena Ouvir: Out Of The Body, Loving Sea, Dust And Dreams

The Night Siren – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Passam-se dois anos e é lançado mais um trabalho do Steve Hackett, o The Night Siren. Após o Wolflight, disco marcado pela ideia de viagem e observação cultural, Hackett amplia o foco: se antes a jornada tinha um caráter mais espiritual, aqui ela passa a dialogar diretamente com o mundo contemporâneo, suas tensões, deslocamentos humanos, conflitos e crises ambientais. A produção foi bem diferente, já que foi feita de forma mais improvisada, sendo gravada em computador. Suas guitarras continuam no centro, mas dividem o protagonismo com teclados envolventes, percussões de inspiração étnica e uma base rítmica flexível, capaz de alternar sutileza e contundência. Além disso, houve a presença de músicos convidados vindos de Israel e até do Peru, com cada um incorporando sua tradição a esse caldeirão progressivo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante imersivas. No geral, é um ótimo disco, bastante preciso. 

Melhores Faixas: Fifty Miles From The North Pole, Anything But Love 
Vale a Pena Ouvir: Martian Sea, In Another Life, West To East

At The Edge Of Light – Steve Hackett





















NOTA: 8,1/10


No ano de 2019, foi lançado mais um trabalho de Steve Hackett, intitulado At The Edge Of Light. Após o The Night Siren, ele decide fazer um projeto cujo foco se desloca para a ideia de limite entre luz e sombra, passado e presente, razão e intuição. O disco reflete um artista em plena maturidade criativa, menos interessado em afirmações técnicas explícitas e mais preocupado com atmosfera, storytelling e coesão emocional. A produção foi feita de forma caseira e, não sendo gravada apenas em computador, desta vez soa mais orgânica, com arranjos que valorizam tanto o detalhe quanto o impacto emocional do conjunto. As guitarras do Hackett continuam sendo o eixo central da narrativa musical, mas surgem integradas a uma paleta rica de teclados, percussões étnicas e uma base rítmica versátil, capaz de sustentar mudanças de clima e dinâmica com fluidez. O repertório é muito bom, e as canções são mais vibrantes. Enfim, é outro disco muito interessante. 

Melhores Faixas: Underground Railroad, Hungry Years 
Vale a Pena Ouvir: Those Golden Wings, Peace, Beasts In Our Time

Under A Mediterranean Sky – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Indo para 2021, Steve Hackett retorna com mais um disco, intitulado Under A Mediterranean Sky. Após o At The Edge Of Light, ele opta por um gesto quase contemplativo: desacelerar, reduzir o volume e concentrar-se na essência melódica de sua escrita. O álbum nasce também de um desejo antigo de homenagear as paisagens, culturas e atmosferas do Mediterrâneo, região que sempre exerceu forte fascínio sobre o guitarrista. A produção foi conduzida em parceria com Roger King e, aqui, ambos seguem um direcionamento fora do Rock progressivo, aproximando-se mais da música erudita; as guitarras acústicas são o centro absoluto do álbum. Os arranjos são econômicos, mas nunca pobres: pequenos detalhes de percussão, cordas ou teclados surgem apenas quando necessários, sempre em função da atmosfera. O repertório é muito bom, e as canções transmitem um lado mais aconchegante. No geral, é um disco interessante, mas muito subestimado. 

Melhores Faixas: Casa Del Fauno, Andalusian Heart 
Vale a Pena Ouvir:  Joie De Vivre, Adriatic Blue, The Dervish And The Djin

Surrender Of Silence – Steve Hackett





















NOTA: 8,3/10


Então, alguns meses se passam e é lançado Surrender Of Silence, que marca um retorno a um lado mais tradicional. Após o Under A Mediterranean Sky, este trabalho nasce como uma resposta direta a um período de isolamento, introspecção e suspensão do tempo. É um álbum profundamente moldado pela experiência do silêncio, não como ausência, mas como espaço criativo. Hackett, impedido de seguir a rotina normal de turnês e grandes produções, volta-se para composições mais intimistas. A produção é bem mais esparsa, contida e elegante. Tudo aqui gira em torno do detalhe e da atmosfera. Guitarras acústicas e elétricas, tratadas com extrema delicadeza, convivem com piano, teclados suaves e discretos elementos orquestrais, retomando aquela estética do rock progressivo sinfônico que remete aos tempos de auge do Genesis nos anos 70. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem tematizadas. No fim, é outro disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Held In The Shadows, Shanghai To Samarkand, Natalia 
Vale a Pena Ouvir: Wingbeats, Scorched Earth

The Circus And The Nightwhale – Steve Hackett





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último álbum de Steve Hackett até o momento, lançado em 2024: The Circus And The Nightwhale (e que capa feia). Após o Surrender Of Silence, ele decide retomar aquela dinâmica clássica do Rock progressivo. Com isso, opta por fazer um álbum conceitual que gira em torno do jovem personagem Travla, cuja estrutura das músicas espelha um rito de passagem autobiográfico e metafórico. A produção, feita por ele em parceria com Roger King, é rica e dinâmica, criando uma sensação de tapeçaria sonora em que cada trecho e cada som dialogam com a narrativa maior. Hackett se envolve não só nas guitarras, mas também em vocais, percussão e baixo em alguns momentos; além disso, o álbum equilibra passagens mais intensas e cheias de energia com momentos atmosféricos, oferecendo profundidade emocional e variedade de texturas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante imersivas. Em suma, é um ótimo disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Enter The Ring, Ghost Moon And Living Love, Wherever You Are, Taking You Down, Circo Inferno 
Vale a Pena Ouvir: White Dove, These Passing Clouds, People Of The Smoke


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Steve Hackett: Parte 3

                 

To Watch The Storms – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Indo para o ano de 2003, foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o To Watch The Storms. Após o Darktown, Hackett entra nos anos 2000 buscando uma reafirmação clara de sua identidade dentro do Rock progressivo. Diferente de outros trabalhos da época, este álbum nasce de um desejo consciente de retomar um formato bem mais cru, algo que remete tanto às origens do Rock quanto a uma abordagem mais direta e menos ornamentada. A produção, feita como sempre por ele próprio, adota uma abordagem enxuta que privilegia a dinâmica, com a guitarra soando robusta, as linhas de baixo ocupando espaços melódicos, enquanto a bateria aposta em levadas firmes e precisas, sustentando a tensão rítmica sem recorrer a virtuosismo exibicionista. Os teclados, por sua vez, conseguem preencher alguns espaços de forma funcional. O repertório é muito bom, e as canções são bastante dinâmicas. No fim, é um trabalho interessante e que cumpre bem a sua proposta. 

Melhores Faixas: Brand New, Come Away 
Vale a Pena Ouvir: Mechanical Bride, Serpentine Song, Circus Of Becoming

Metamorpheus – Steve Hackett & The Underworld Orchestra





















NOTA: 7,9/10


Dois anos se passam, e é lançado mais um trabalho do Steve Hackett, o Metamorpheus. Após o To Watch The Storms, o álbum nasce de um desejo antigo do músico de criar uma obra narrativa baseada na mitologia clássica, especificamente no mito de Orfeu e Eurídice, conforme relatado por Ovídio em As Metamorfoses. Ao contrário de projetos anteriores ligados à música clássica, este não é apenas um exercício de estilo, mas uma tentativa clara de contar uma história musical contínua, estruturada como uma suíte moderna. A produção, feita por ele próprio e com a participação da Underworld Orchestra, segue por um caminho mais acústico, privilegiando cordas, sopros e percussões diversas, mas incorporando guitarras elétricas, teclados e elementos de Rock de maneira orgânica, nunca gratuita. O repertório é bem interessante, com as composições apresentando um lado mais sentimental. Enfim, é um trabalho interessante, apesar de apresentar algumas limitações. 

Melhores Faixas: That Vast Life, Elegy 
Vale a Pena Ouvir: Song To Nature, Charon's Call, Under The World - Orpheus Looks Back

Wild Orchids – Steve Hackett





















NOTA: 5,4/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco intitulado Wild Orchids, e aqui surgem alguns problemas. Após o Metamorpheus, Hackett decide lançar um trabalho que deliberadamente se afasta tanto do formato de banda quanto da grandiosidade sinfônica. O disco nasce de um impulso íntimo e doméstico, concebido como uma coletânea de peças breves, majoritariamente instrumentais, muitas delas compostas e gravadas de maneira quase privada. A produção, como de costume, é minimalista e deliberadamente despojada. Hackett assume praticamente todo o controle do processo, gravando múltiplos instrumentos e optando por uma sonoridade limpa, intimista e pouco processada, com guitarras acústicas em primeiro plano e teclados suaves, mas tudo acaba soando com pouca dinâmica e excessivamente uniforme. O repertório é mediano, com canções bastante cansativas e outras mais interessantes. No geral, é um trabalho irregular, ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: Man In The Long Black Coat, The Fundamentals Of Brainwashing, Set Your Compass 
Piores Faixas: Why, Ego And Id, Down Street

Tribute – Steve Hackett





















NOTA: 6/10


Passando para 2008, foi lançado o álbum intitulado Tribute, que faz uma homenagem a compositores eruditos. Após o mediano Wild Orchids, esse trabalho nasce como um gesto de reconhecimento, mas também como uma forma de diálogo entre linguagens musicais. Ao escolher interpretar essas peças de maneira majoritariamente instrumental, Steve Hackett não busca reproduzir versões definitivas, mas sim traduzi-las para o seu próprio vocabulário expressivo. A produção, conduzida por ele junto com Roger King, é elegante e deliberadamente contida. O foco absoluto está na interpretação, especialmente na guitarra, que assume o papel de “voz” principal ao longo do álbum. Hackett opta por arranjos refinados, muitas vezes acústicos, mas muita coisa não consegue funcionar, e falta variação de timbres. O repertório, apesar de bom, acaba apresentando apenas algumas interpretações realmente bem-sucedidas. Em suma, é um álbum mediano e bastante inconsistente. 

Melhores Faixas: El Noy del la Mare, Sapphires, Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: III. Courante 
Piores Faixas: Prelude in C Minor, BWV 999, The Fountain Suite, Through the Trees

Out Of The Tunnel's Mouth – Steve Hackett





















NOTA: 8,2/10


Mais um ano se passou e foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o Out Of The Tunnel’s Mouth. Após o também fraco Tribute, ele decide voltar àquela identidade do Rock progressivo moderno, mas sem nostalgia excessiva. O contexto é o de um artista plenamente reconciliado com seu passado no Genesis, mas não mais definido por ele. Hackett já havia retomado o repertório clássico em turnês e projetos paralelos, o que lhe permitiu, paradoxalmente, voltar ao estúdio com mais liberdade criativa. A produção, feita mais uma vez em parceria com Roger King, é rica, detalhada e cuidadosamente equilibrada, apostando em arranjos mais elaborados, com presença marcante de teclados, guitarras sobrepostas e participações vocais que ampliam o espectro emocional do álbum. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado mais introspectivo, com poucos momentos vibrantes. Enfim, é um álbum bacana e bastante sincero. 

Melhores Faixas: Fire On The Moon, Still Waters 
Vale a Pena Ouvir: Sleepers, Last Train To Istanbul, Emerald And Ash

Beyond The Shrouded Horizon – Steve Hackett





















NOTA: 8,4/10


Entrando em 2011, foi lançado mais um trabalho dele, intitulado Beyond The Shrouded Horizon. Após o Out of the Tunnel’s Mouth, Steve Hackett já havia reassumido publicamente sua ligação com o Genesis sem que isso o aprisionasse criativamente, o que lhe permite olhar para frente com mais liberdade. O título sugere expansão e transcendência, ir além de limites visíveis ou imaginados, e essa ideia permeia o disco tanto em termos musicais quanto temáticos. A produção é praticamente a mesma do trabalho anterior, só que com camadas bem definidas de guitarras, teclados e vozes. A guitarra de Hackett continua sendo o eixo central, mas divide espaço com arranjos elaborados e uma seção rítmica sólida. O resultado equilibra bem momentos de peso e passagens etéreas, evitando tanto a crueza excessiva quanto o excesso sinfônico. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e profundas. No final de tudo, é um ótimo álbum e bastante dinâmico. 

Melhores Faixas: Til These Eyes, Between The Sunset An The Coconut Palms, Catwalk 
Vale a Pena Ouvir: Two Faces Of Cairo, The Phoenix Flown, Looking For Fantasy

Genesis Revisited II – Steve Hackett





















NOTA: 8,5/10


Então, depois de 15 anos, foi lançado Genesis Revisited II, que se mostra bem mais extenso que seu antecessor. Após o lançamento do Beyond The Shrouded Horizon, para que essa continuação acontecesse, Steve Hackett havia retomado com sucesso o repertório do Genesis em turnês, recebendo uma resposta extremamente positiva do público e da crítica, o que o encorajou a registrar essas releituras em estúdio de forma definitiva. A produção, feita por ele próprio junto como sempre, com Roger King, é grandiosa, detalhada e claramente pensada como um projeto de celebração definitiva. A guitarra de Hackett ocupa um papel central e frequentemente mais destacado do que nas versões originais, enquanto os arranjos preservam a estrutura essencial das composições, mas são reforçados por timbres modernos, teclados mais densos e uma seção rítmica poderosa. O repertório, como era de se esperar, é ótimo e muito bem interpretado. No final, é um trabalho muito bom e respeitoso. 

Melhores Faixas: Dancing With The Moonlit Knight, Entangled, Afterglow, Can-utility And The Coastliners, A Tower Struck Down 
Vale a Pena Ouvir: Supper's Ready, Broadway Melody Of 1974, Shadow Of The Hierophant, ...In That Quiet Earth

        Então é isso, um abraço e flw!!!                

domingo, 11 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Steve Hackett: Parte 2

                  

Defector – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, Steve Hackett lança mais um disco, intitulado Defector, que se mostra mais ambicioso. Após o Spectral Mornings, esse projeto nasce com um impulso mais direto, elétrico e político, refletindo um artista atento ao mundo exterior e menos concentrado apenas em paisagens interiores ou narrativas mitológicas. O contexto do fim dos anos 70 também pesa bastante: o Rock progressivo enfrentava desgaste comercial, enquanto a New Wave e o AOR ganhavam popularidade, só que Hackett não queria seguir tendências. A produção, feita por ele em parceria com John Acock, buscou um som mais seco, denso e agressivo. Com isso, os timbres se tornam mais ásperos, com guitarras mais cortantes e uma seção rítmica que privilegia impacto e clareza, além de sintetizadores bastante funcionais, refletindo uma junção de Art Rock e Rock progressivo. O repertório é bem interessante, e as canções são bem mais épicas. Enfim, é um trabalho relevante, mas que acabou sendo menosprezado. 

Melhores Faixas: The Toast, Time To Get Out 
Vale a Pena Ouvir: The Steppes, Hammer In The Sand

Cured – Steve Hackett





















NOTA: 3/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho de Steve Hackett, o fraquíssimo Cured. Após o Defector, Hackett enfrenta uma fase de questionamentos pessoais e profissionais, além de uma grave condição física: uma infecção no ombro que o afastou temporariamente da guitarra. E, vendo que naquele momento o Rock progressivo havia sido praticamente aniquilado, com o aumento da popularidade da New Wave e de produções mais enxutas dominando o mercado, decidiu fazer um trabalho que pudesse ser mais acessível. A produção, feita em conjunto com John Acock e Nick Magnus, segue uma abordagem direta e radiofônica. O foco recai sobre os sintetizadores, os arranjos vocais e uma base rítmica funcional, o que confere ao álbum um caráter mais Pop, com a guitarra em papel discreto; ainda assim, tudo soa bastante pasteurizado. O repertório é muito fraco, e as canções são ruins, com poucas se salvando. Enfim, é um disco péssimo e esquecível. 

Melhores Faixas: The Air-Conditioned Nightmare, Hope I Don't Wake 
Piores Faixas: Can't Let Go, A Cradle Of Swans, Overnight Sleeper

Highly Strung – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado seu 6º álbum de estúdio, intitulado Highly Strung. Após o Cured, ele retorna nesse projeto com maior mobilidade instrumental e uma postura mais consciente, buscando equilíbrio entre acessibilidade e identidade artística. E, como já estava pensando em sair da gravadora Charisma, decidiu fazer um trabalho que absorvesse todas as influências que havia adquirido. A produção foi aquela de sempre, só que mais confiante e equilibrada do que a do álbum anterior. A guitarra volta a ocupar um papel mais relevante, ainda que não domine completamente os arranjos. O som geral é limpo, típico das produções dos anos 80, com ênfase em clareza e definição. A seção rítmica é eficiente e sólida, tudo isso combinando Art Rock, Pop progressivo, New Wave e AOR. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e variadas. No final de tudo, é um disco bacana e que representou um ótimo acerto. 

Melhores Faixas: Walking Through Walls, Give It Away 
Vale a Pena Ouvir: India Rubber Man, Camino Royale

Bay Of Kings – Steve Hackett





















NOTA: 9,7/10


Entrando nos anos 90, o Pet Shop Boys lançava seu 4º álbum de estúdio, o Behaviour. Após o Introspective, Neil Tennant e Chris Lowe buscaram neste projeto uma abordagem mais introspectiva e madura. O contexto da época era marcado por mudanças na música pop: o Synth-pop dos anos 80 começava a se misturar com elementos do House e do Dance alternativo, e a dupla queria explorar texturas sonoras mais orgânicas, letras mais pessoais e atmosferas melancólicas, sem perder o apelo comercial. A produção, feita pelo duo junto com Harold Faltermeyer, é caracterizada por um som bem mais suave e orgânico, priorizando arranjos minimalistas e atmosferas introspectivas. Os sintetizadores ainda são centrais, mas há mais uso de elementos ambientais. A bateria eletrônica é menos agressiva e mais contida. O repertório é incrível, com canções bem mais profundas, mas que mantêm toda aquela energia característica deles. No fim, é um disco maravilhoso e muito consistente. 

Melhores Faixas: Being Boring, So Hard This Must Be The Place I Waited Years To Leave, The End Of The World, How Can You Expect To Be Taken Seriously? 
Vale a Pena Ouvir: Jealousy, To Face The Truth

Till We Have Faces – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado outro trabalho do Steve Hackett, intitulado Till We Have Faces, que é bem mais temático. Após o Bay of Kings, ele decidiu expandir aquela linguagem acústica para um terreno mais literário, mitológico e filosófico. O título faz referência direta ao romance homônimo de C. S. Lewis, inspirado no mito de Psiquê e Cupido, o que já indica a intenção de Hackett de trabalhar com temas de identidade, revelação e transcendência. A produção, feita inteiramente por ele próprio, mantém uma abordagem refinada, só que agora sem excesso de camadas ou efeitos, apenas o som cru do instrumento e o espaço ao redor dele, seguindo influências do Rock progressivo, mas contando também com elementos da música brasileira, já que o álbum foi gravado no Brasil, o que se reflete em elementos percussivos integrados a uma base sintética. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e técnicas. Enfim, é um trabalho legal e que vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Matilda Smith-Williams Home For The Aged, Let Me Count The Ways 
Vale a Pena Ouvir: What's My Name, Taking The Easy Way Out

Momentum – Steve Hackett



















NOTA: 8/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o Momentum, que retoma aquela pegada erudita. Após o Till We Have Faces, Hackett queria dar continuidade à proposta desenvolvida em seus últimos trabalhos, então decidiu fazer um projeto composto por peças curtas, impressões, esboços e atmosferas, muitas delas nascidas de improvisações ou ideias embrionárias. A produção foi conduzida novamente por ele em parceria com John Acock e realizada de forma simples. O foco recai quase exclusivamente sobre o violão acústico e clássico, com pouquíssimos adornos ou intervenções externas. A captação privilegia proximidade e naturalidade, permitindo que ruídos sutis, variações de ataque e imperfeições façam parte da experiência auditiva. O repertório é muito legal, e as canções trazem um lado bem mais pacífico. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Concert For Munich, Portrait Of A Brazilian Lady 
Vale a Pena Ouvir: Pierrot, The Sleeping Sea, Last Rites Of Innocence

Guitar Noir – Steve Hackett





















NOTA: 8,3/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um trabalho de Steve Hackett, o Guitar Noir, que volta novamente a um caminho mais progressivo. Após o Momentum, Hackett começa a reconstruir, de forma gradual e madura, uma linguagem que reintegra a guitarra elétrica, a narrativa longa e a ambição conceitual. Não se trata de um retorno nostálgico ao Rock progressivo dos anos 70, mas de uma reformulação mais sombria, urbana e psicológica. A produção, feita como de costume pelo próprio Hackett, é mais sofisticada, contida e profundamente cinematográfica. A guitarra elétrica retorna ao centro da sua linguagem, mas não como instrumento de exibição técnica; ela funciona como uma voz dramática, capaz de sugerir tensão, melancolia e introspecção. Os arranjos são construídos com paciência, privilegiando climas e atmosferas. O repertório é muito bom, e as canções têm uma vibe bem mais noturna. No fim, é um disco bacana, mas que acabou sendo esquecido pelos fãs. 

Melhores Faixas: Lost In Your Eyes, Like An Arrow 
Vale a Pena Ouvir: Walking Away From Rainbows, Vampyre With A Healthy Appetite, Dark As The Grave

Blues With A Feeling – Steve Hackett





















NOTA: 8,1/10


Indo para 1994, foi lançado Blues with a Feeling, um trabalho bem diferente dentro da carreira do Steve Hackett. Após o Guitar Noir, ele quis gravar um álbum inteiramente dedicado ao Blues tradicional. Não se trata de um exercício de nostalgia ou de virtuosismo, mas de um retorno às raízes emocionais da guitarra elétrica, à linguagem que moldou grande parte do rock britânico dos anos 60. A produção, feita pelo próprio Steve Hackett, é crua, orgânica e deliberadamente despojada. O objetivo não é modernizar o Blues nem polir excessivamente os arranjos, mas capturar a dinâmica de uma banda tocando junta, com espaço para respiração, imperfeição e espontaneidade. A guitarra ocupa papel central, dialogando com uma seção rítmica sólida, com timbres naturais e pouca interferência de efeitos. O repertório é muito legal, mesclando canções próprias e alguns covers. No fim, é um disco interessante, mas que acabou sendo bastante esquecido pelos fãs. 

Melhores Faixas: Blues With A Feeling, So Many Roads 
Vale a Pena Ouvir: The Stumble (Freddie King), Born In Chicago, Tumbstone Roller

Genesis Revisited – Steve Hackett





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram e foi lançado mais um álbum novo do Steve Hackett, o Genesis Revisited. Após o Blues With A Feeling, já estando consolidado como artista independente e livre de pressões identitárias, ele passa a olhar para esse passado não como um peso, mas como um patrimônio musical legítimo. O álbum não surge como um projeto nostálgico ou comemorativo no sentido convencional. Trata-se, antes, de uma reapropriação autoral. Produção feita inteiramente por ele próprio, é limpo, bem definido, com especial atenção às guitarras, que assumem um papel mais central e contínuo do que nos registros originais do Genesis, onde dividiam espaço com teclados dominantes. Os arranjos mantêm a estrutura essencial das composições, mas ganham pequenas alterações de dinâmica, andamento e ênfase instrumental. O repertório ficou muito bom e as canções são bem interpretadas até pelos convidados. Em suma, é um disco legal e bastante honroso. 

Melhores Faixas: Firth Of Fifth, For Absent Friends, Waiting Room Only 
Vale a Pena Ouvir: Dance On A Volcano, I Know What I Like

Darktown – Steve Hackett





















NOTA: 5/10


Chegando ao fim dos anos 90, foi lançado mais um trabalho do Steve Hackett, desta vez com material inédito, o Darktown. Após o Genesis Revisited, esse novo projeto nasce em um contexto de desencanto com o fim do século XX, marcado por tensões sociais, desigualdade, guerras localizadas e um sentimento generalizado de alienação. Hackett canaliza esse clima para um álbum conceitual que observa a cidade moderna como um espaço de violência latente, solidão e perda de humanidade. A produção, feita em parceria com Roger King, é densa e atmosférica. O som é deliberadamente sombrio, com arranjos que privilegiam texturas e climas em vez de impacto imediato, com as guitarras ocupando um papel mais central e forte presença de teclados; ainda assim, tudo soa confuso, já que a junção de Rock progressivo com música eletrônica não funciona plenamente. O repertório é irregular, com canções boas e outras que são um tédio. No fim, é um trabalho mediano e com muitos erros. 

Melhores Faixas: Man Overboard, Rise Again, Days Of Long Ago 
Piores Faixas: Jane Austen's Door, Darktown, Dreaming With Open Eyes
 

    Por hoje é só, então flw!!!    

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