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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Peter Gabriel: Parte 3

                 

Scratch My Back – Peter Gabriel





















NOTA: 8/10


No ano de 2010, foi lançado mais um álbum de Peter Gabriel, o subestimadíssimo Scratch My Back. Após o Up, ele se envolveu cada vez mais com projetos paralelos, trilhas sonoras, curadorias culturais e experimentações conceituais, o que acabou deslocando sua relação com o formato tradicional. A ideia desse trabalho nasce como parte de um projeto de reciprocidade artística, no qual ele reinterpretaria canções de outros compositores. A produção, feita por ele junto com Bob Ezrin, é construída exclusivamente a partir de orquestra de cordas, piano ocasional e voz. Os arranjos, conduzidos principalmente por John Metcalfe, apostam em texturas contínuas, longos sustains, crescendos lentos e harmonias suspensas, criando um clima de solenidade constante que, junto com os vocais contidos e melancólicos do Gabriel, deixa tudo muito íntimo. O repertório é muito bom, e as canções são bem interpretadas. No fim, é um disco bacana e que vale conhecer. 

Melhores Faixas: The Power Of The Heart (Lou Reed), The Book Of Love (The Magnetic Fields) 
Vale a Pena Ouvir: My Body Is A Cage (Arcade Fire), Heroes (David Bowie), Street Spirit (Fade Out) (Radiohead)

New Blood – Peter Gabriel





















NOTA: 8/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado mais um disco, o New Blood, no qual ele reinterpreta suas próprias canções. Após o Scratch My Back, ele decide revisitar composições escritas ao longo de mais de trinta anos de carreira e submetê-las ao mesmo processo de “desnudamento” sonoro aplicado aos covers. O álbum surge em um período em que Gabriel parece menos interessado em avançar cronologicamente e mais disposto a reorganizar a própria obra à luz da maturidade. A produção é praticamente a mesma, agora feita junto com John Metcalfe, e apresenta uma paleta emocional um pouco mais variada, ainda que mantenha unidade estética. A orquestra não funciona apenas como pano de fundo, mas como força narrativa, conduzindo clímax, silêncios e explosões emocionais, em diálogo com os vocais maduros do Peter Gabriel. O repertório, obviamente, é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas e bem climatizadas. Enfim, é um trabalho bacana e consistente. 

Melhores Faixas: Red Rain, Digging In The Dirt 
Vale a Pena Ouvir: Don't Give Up (única inédita), San Jacinto, Wallflower, In Your Eyes

I/O – Peter Gabriel





















NOTA: 8,6/10


Em 2023, foi lançado o mais recente álbum de Peter Gabriel, intitulado i/o, que trouxe algo expressivo. Após o New Blood, como ele não lançava material novo desde 2002, ele falou repetidamente sobre novas músicas, apresentou versões ao vivo, retrabalhou letras e arranjos, mas evitou a conclusão definitiva do projeto. Assim, esse trabalho não foi escrito em um momento específico, mas se configura como um mosaico de ideias lapidadas ao longo de anos. A produção, conduzida por ele próprio com a colaboração de Brian Eno e Richard Russell, marca o retorno ao uso de uma banda mais tradicional, com percussões complexas, camadas eletrônicas e texturas orgânicas, mas sob uma abordagem menos obcecada por inovação tecnológica e mais focada em clareza emocional e impacto narrativo. O repertório é dividido entre um lado luminoso, mais dinâmico, e outro mais obscuro e atmosférico, com as mesmas canções sob abordagens diferentes. Enfim, é um ótimo disco e bem complexo. 

Melhores Faixas: Road To Joy, Olive Tree, Playing For Time, And Still 
Vale a Pena Ouvir: This Is Home, Panopticom, So Much

  

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Peter Gabriel: Parte 2

                 

Birdy – Peter Gabriel





















NOTA: 8/10


Em 1985, foi lançado mais um álbum de Peter Gabriel, desta vez a trilha sonora do filme Birdy. Após o Security, seu interesse por narrativas visuais, psicologia e atmosfera tornava-se cada vez mais evidente. É nesse contexto que surge esse projeto, trilha sonora do filme homônimo do Alan Parker, baseada no romance do William Wharton, que aqui no Brasil ficou conhecido como Asas da Liberdade. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois, segue por um caminho mais atmosférico e contido. Peter Gabriel trabalha majoritariamente com sintetizadores, processamento eletrônico, loops e camadas sonoras discretas, deixando em segundo plano a estrutura tradicional de canção, com tudo organizado no formato de música ambiente. O repertório é muito bom, e as faixas são bastante aconchegantes, inclusive as reinterpretações de músicas anteriores. No fim, é um disco interessante, coeso e fiel à sua proposta temática. 

Melhores Faixas: Dressing The Wound, Floating Dogs 
Vale a Pena Ouvir: Birdy's Flight, Close Up, Under Lock And Key

So – Peter Gabriel





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado outro disco sensacional do Peter Gabriel, intitulado So. Após a trilha sonora de Birdy, seus últimos trabalhos, apesar de incríveis, colocavam-no em risco de isolamento criativo e comercial. Ao iniciar esse projeto, Gabriel estava consciente desse impasse. O álbum nasce como uma tentativa deliberada de comunicação mais direta, sem abdicar da complexidade. A produção, feita mais uma vez em parceria com Daniel Lanois, é refinada e meticulosa, marcada por clareza sonora e atenção extrema aos detalhes. Gabriel mantém o uso de tecnologias avançadas, como samplers e programação eletrônica, mas agora subordinadas à canção, seguindo a estrutura do Art Pop, além de apresentar influências da New Wave, do Pop sofisticado e até da música ambiente. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea, só com canções incríveis. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sledgehammer, In Your Eyes, Red Rain, Don't Give Up 
Vale a Pena Ouvir: Big Time, Mercy Street

Passion (Music for The Last Temptation Of Christ) – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


No final dos anos 80, Peter Gabriel lançou a trilha sonora do filme Passion (Music for the Last Temptation of Christ). Após o excepcional So, seu envolvimento com músicas não ocidentais tornava-se cada vez mais sério, não mais como exotismo pontual, mas como uma pesquisa profunda sobre ritmo, timbre e estrutura musical. Concebido como trilha para o polêmico filme A Última Tentação de Cristo, o projeto exigia uma abordagem que evitasse qualquer clichê da música religiosa ocidental. A produção, feita inteiramente por ele próprio, é complexa, minuciosa e extremamente orgânica, apesar do uso intenso de tecnologia. Gabriel atua como curador e arquiteto sonoro, integrando instrumentos, vozes e músicos de diversas tradições culturais; há aqui o uso de percussões tribais, instrumentos de corda tradicionais e pouquíssimo sintetizador. O repertório é muito bom, e as faixas são bastante espirituais. Enfim, é um trabalho interessante e coeso. 

Melhores Faixas: The Feeling Begins, Passion, Of These, Hope, With This Love, Troubled, Open 
Vale a Pena Ouvir: Disturbed, 8 Zaar, Sandstorm,  Bread And Wine

Us – Peter Gabriel





















NOTA: 8,7/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um disco do Peter Gabriel, o Us, que segue por um caminho mais introspectivo. Após o Passion, ele passou por transformações profundas em sua vida pessoal, especialmente no campo afetivo. Trata-se de um disco sobre intimidade, ruptura, desejo, culpa e dificuldade de conexão no plano pessoal. Nesse intervalo, Peter Gabriel também se envolveu intensamente com projetos paralelos, tecnologia musical e a consolidação de seu estúdio como um espaço de experimentação. A produção, feita em parceria com Daniel Lanois e lançada sob seu próprio selo Real World, segue por um lado denso, polido e profundamente detalhista, no qual explora ao máximo a integração entre elementos eletrônicos e acústicos, criando arranjos ricos, cheios de camadas e nuances, equilibrando Art Rock e Pop. O repertório é muito bom, e as canções são mais melancólicas e sentimentais. Enfim, é um ótimo disco e bastante enxuto. 

Melhores Faixas: Digging In The Dirt, Come Talk To Me, Secret World, Kiss That Frog 
Vale a Pena Ouvir: Blood Of Eden, Only Us

OVO – Peter Gabriel





















NOTA: 6/10


Entrando nos anos 2000, Peter Gabriel lançava mais um álbum, intitulado OVO (e não tem nada a ver com a futura gravadora que Drake criaria). Após o Us, ele aprofundou seu envolvimento com trilhas sonoras, música para espetáculos multimídia e colaborações internacionais. Esse projeto foi concebido como trilha para a cerimônia de abertura do Millennium Dome, em Londres, um espetáculo grandioso que misturava tecnologia, performance e simbolismo histórico. A produção, conduzida por ele em parceria com Simon Emmerson e Brian Transeau, trouxe uma abordagem variada, criando um fluxo que se aproxima mais de uma suíte do que de um álbum tradicional. Há uma alternância constante entre grandiosidade e intimismo, seguindo influências do Art Pop e incluindo elementos de Ambient e Trip Hop, só que com muitas ideias são deslocadas. O repertório é mediano, com algumas canções interessantes e outras tediosas. Enfim, é um trabalho irregular, apenas isso. 

Melhores Faixas: Downside-Up, The Time Of The Turning, Father, Son 
Piores Faixas: The Nest That Sailed The Sky, The Story Of OVO, The Man Who Loved The Earth / The Hand That Sold Shadows

Up – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um trabalho novo de Peter Gabriel, o Up. Após o OVO, em meio às mudanças que a indústria musical sofreu na virada do milênio, Gabriel trabalhava nesse material, como é conhecido por seu perfeccionismo extremo. Esse trabalho foi construído ao longo de anos, refeito inúmeras vezes, refletindo um artista menos interessado em dialogar com tendências contemporâneas e mais focado em explorar estados emocionais profundos e desconfortáveis. A produção, feita em parceria com Stephen Hague e Steve Osborne, é densa, meticulosa e deliberadamente opressiva. Gabriel explora ao máximo camadas eletrônicas, distorções, texturas graves e ritmos pesados, criando um som fechado e claustrofóbico, além de escolhas vocais intimistas e contidas, articulando Art Rock, Pop progressivo, Trip Hop e até influências da música industrial. O repertório é incrível, e as canções são todas bastante atmosféricas. No geral, é um belo disco e muito emocional. 

Melhores Faixas: I Grieve, Darkness, Growing Up, Signal To Noise 
Vale a Pena Ouvir: My Head Sounds Like That, Sky Blue, More Than This


        Então é isso, um abraço e flw!!!               

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Peter Gabriel: Parte 1

                 

Peter Gabriel (1977) – Peter Gabriel





















NOTA: 9/10


Em 1977, foi lançado o 1º álbum solo de Peter Gabriel, que viria a levar seu nome como título, mas é mais conhecido como o “disco do carro”. Após sua saída do Genesis, ele decidiu se dedicar à família e questionou seriamente se seguiria carreira musical. Esse afastamento criou uma aura de mistério em torno de seus próximos passos e aumentou enormemente a expectativa em relação a um eventual trabalho solo. Seu objetivo era se reinventar, explorar novas narrativas, novos sons e uma abordagem mais fragmentada e intuitiva da composição. A produção, feita por Bob Ezrin, é marcada por contrastes. Há momentos de extrema delicadeza e introspecção, seguidos por explosões rítmicas e arranjos abruptos. A sonoridade ainda guarda elementos do Rock progressivo, só que o maior foco está no Art Rock, muito por conta do experimentalismo. O repertório é incrível, e as canções são bem melódicas e complexas. No fim, é um ótimo disco e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Solsbury Hill, Here Comes The Flood, Humdrum, Down The Dolce Vita 
Vale a Pena Ouvir: Slowburn, Moribund The Burgermeister

Peter Gabriel (1978) – Peter Gabriel





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, foi lançado seu 2º álbum solo, que também vinha com seu nome como título (dando uma de Roberto Carlos), mas é mais conhecido como Scratch ou “disco do arranhão”. Após o disco do carro, Peter Gabriel optou por aprofundar ainda mais sua busca por uma identidade própria, agora menos ligada ao passado progressivo e mais voltada para atmosferas sombrias e narrativas fragmentadas. É aqui que ele começa a se afastar de metáforas autobiográficas diretas e passa a explorar personagens, histórias enigmáticas e imagens inquietantes. A produção, conduzida pelo nosso querido Robert Fripp, segue uma abordagem mais controlada, embora ainda preserve uma sensação de risco e experimentação. O som é mais encorpado, com maior ênfase em texturas, camadas instrumentais e climas densos. O repertório é muito bom, e as canções são mais densas e atmosféricas. No final de tudo, é um disco muito bom, mas que mostrava que ainda faltava algo. 

Melhores Faixas: White Shadow, Mother Of Violence, Flotsam And Jetsam 
Vale a Pena Ouvir: On The Air, Exposure (Frippertronics marcou presença)

Peter Gabriel (1980) – Peter Gabriel





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, Peter Gabriel lançava mais um disco que ficou conhecido como Melt (que, em português, é “derrete”). Após o Scratch, com a grande mídia voltando seus olhos para a New Wave, o que deu uma abertura maior para experimentações rítmicas, eletrônicas e conceituais, Gabriel passa a se interessar de forma mais intensa por grooves, percussão e pelo impacto direto do som, sem abandonar sua vocação narrativa e emocional. A produção, feita por Steve Lillywhite, trouxe um som mais seco e profundamente rítmico, com batidas contundentes, timbres crus e arranjos econômicos, porém extremamente eficazes. Os ritmos são muitas vezes repetitivos e hipnóticos, criando uma base sólida sobre a qual teclados, guitarras e vocais se articulam de maneira precisa, mantendo o foco no Art Rock, mas com influências da New Wave, Post-Punk e Pop progressivo. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. No final, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: No Self Control, Games Without Frontiers, Intruder, I Don't Remember, Biko
Vale a Pena Ouvir: Not One Of Us, Family Snapshot

Peter Gabriel (1982) – Peter Gabriel





















NOTA: 9,3/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Peter Gabriel, que ficou conhecido como Security (segurança, óbvio). Após o Melt, ele havia estabelecido uma linguagem própria baseada em percussão, tensão e narrativas intensas. O início dos anos 80 marcou também um aprofundamento do interesse do Gabriel por culturas não ocidentais, especialmente ritmos africanos, sons tribais e estruturas musicais baseadas em repetição e transe. Ao mesmo tempo, sua curiosidade tecnológica crescia, com maior uso de eletrônica e experimentação sonora. A produção, feita em parceria com David Lord, seguiu uma abordagem menos claustrofóbica e mais expansiva. O foco rítmico permanece central, porém agora acompanhado de uma paleta sonora mais rica, com percussões tribais, sintetizadores atmosféricos e arranjos que evocam espaços abertos. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas. Em suma, é um belo disco, que mostrou sua versatilidade. 

Melhores Faixas: Shock The Monkey, San Jacinto, Lay Your Hands On Me 
Vale a Pena Ouvir: Kiss Of Life, I Have The Touch, Wallflower

           É isso, um abraço e flw!!!                    

Analisando Discografias - Imagine Dragons

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