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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Jerry Goodman

                 

Like Children – Jerry Goodman & Jan Hammer





















NOTA: 8,9/10


Agora, retornando ao ano de 1974, foi lançado o álbum colaborativo de Jerry Goodman e Jan Hammer, o Like Children. Após aquele “fim” do Mahavishnu Orchestra, os dois aproveitaram a liberdade recém-adquirida para explorar ideias que não cabiam mais dentro da estrutura do grupo. O disco surge, portanto, como uma espécie de extensão paralela do universo Mahavishnu, mas sem o peso espiritual, a disciplina quase militar e a liderança centralizadora de John McLaughlin. A produção, feita por ambos, é relativamente simples e direta, mas extremamente eficaz. Jan Hammer assume um papel central nos teclados elétricos e sintetizadores, usando timbres agressivos. Jerry Goodman, por sua vez, explora o violino elétrico com uma abordagem altamente expressiva, além de contar com uma seção rítmica bem sólida nesse caldeirão de Jazz-Rock. O repertório é incrível, e as canções são bem dinâmicas e energéticas. No fim, é um trabalho bacana e expressivo. 

Melhores Faixas: No Fear, Night, Topeka 
Vale a Pena Ouvir: Earth (Still Our Only Home), Country And Eastern Music

On The Future Of Aviation – Jerry Goodman





















NOTA: 8/10


Indo lá para 1986, foi lançado seu primeiro trabalho solo, o enigmático On The Future Of Aviation. Após o Like Children, com Jan Hammer, Goodman surpreendeu muitos críticos e fãs ao se afastar um pouco do foco exclusivo no violino e do Jazz Fusion estrito, explorando uma estética que mescla Art Rock, música eletrônica e Ambient; um som menos centrado em solos virtuosísticos e mais em composição, atmosfera e arranjo. A produção, feita por ele próprio, reflete características da época: sintetizadores e texturas eletrônicas se fundem com instrumentos acústicos e elétricos de forma equilibrada. Goodman amplia sua paleta sonora: além do violino elétrico e acústico, toca guitarra, mandolim e viola, além de utilizar sintetizadores, também tocados por Fred Simon. O repertório contém seis faixas muito boas, que reforçam esse lado atmosférico. Enfim, é um ótimo trabalho, com bastante consistência. 

Melhores Faixas: Waltz Of The Windmills, Endless November 
Vale a Pena Ouvir: Sarah's Lullaby

Ariel – Jerry Goodman





















NOTA: 3/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado o que é praticamente seu último álbum, intitulado Ariel. Após o On The Future Of Aviation, ele chega a um momento em que busca equilibrar sua identidade de Jazz Fusion e Prog Rock com elementos mais líricos e melódicos, além de nuances que remetem à música instrumental que circulava pelos anos 80. A produção é bem mais variada, com o violino voltando a marcar presença, mas apoiado por uma banda que inclui baixo, bateria, guitarra e teclados/sintetizadores em momentos distintos. Isso resulta em uma sonoridade que dialoga entre o Rock progressivo, elementos elétricos e uma estética instrumental suave. Ainda assim, tudo soa bastante repetitivo, com a demonstração de técnica sendo excessiva, resultando em algo sem dinâmica e bem medíocre, além do uso exagerado de sintetizadores em momentos desnecessários. O repertório é muito fraco, com canções medíocres e poucas que se salvam. Em suma, é um disco ruim e tedioso. 

Melhores Faixas: Rockers, Lullaby For Joey 
Piores Faixas: Broque, Once Only, Topanga Waltz


Analisando Discografias - Jan Hammer: Parte 2

                 

Escape From Television – Jan Hammer





















NOTA: 9/10


Indo lá para o ano de 1987, foi lançada a trilha sonora do clássico Miami Vice, o Escape From Television. Após o Black Sheep, Hammer encontrou na televisão (especialmente em Miami Vice) um campo ideal para unir sua formação jazzística, seu interesse por tecnologia e sua habilidade melódica extremamente direta. O álbum funciona como uma compilação-curadoria de temas compostos para a série, mas não soa como um simples apanhado de trilhas. Produção feita, obviamente, por ele mesmo, demonstra bem qual era a sonoridade daquela década: sintetizadores digitais e analógicos, baterias eletrônicas, sequenciadores e camadas densas de pads convivem com linhas melódicas extremamente expressivas, muitas vezes pensadas como “substitutas” da voz humana. É um trabalho de Synth-pop, mas você vê influência, por exemplo, do Jazz. O repertório é incrível, e as canções são todas bem memoráveis. No fim, é um belo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Crockett's Theme, Miami Vice Theme, Tubbs And Valerie, The Trial And The Search 
Vale a Pena Ouvir: Colombia, Before The Storm, Forever Tonight, Theresa

Beyond The Mind's Eye – Jan Hammer





















NOTA: 5/10


Cinco anos se passaram, e foi lançada a trilha sonora do curta-metragem Mind’s Eye, intitulada Beyond The Mind’s Eye. Após o Escape From Television, Jan Hammer entra nos anos 90 em um cenário musical que já não favorecia tanto a estética Synth-pop e a eletrônica cinematográfica que ele ajudou a popularizar. O álbum nasce como uma trilha sonora expandida para o vídeo The Mind’s Eye, uma animação computadorizada experimental que explorava narrativas abstratas e imagens futuristas. A produção foi, como sempre, feita por ele próprio; os sintetizadores soam mais polidos, os pads são mais profundos, e os timbres digitais substituem, em grande parte, a agressividade analógica dos anos 80. Há um uso intenso de camadas longas, drones, sequências lentas e efeitos espaciais, mas o problema é que o disco fica bem arrastado. O repertório é mediano: há canções boas e outras esquecíveis. No geral, é um disco irregular e ao qual faltou algo a mais. 

Melhores Faixas: Windows, Too Far, Transformers, Voyage Home 
Piores Faixas: Virtual Reality, Magic Theater, Brave New World, Beyond

Drive – Jan Hammer





















NOTA: 2/10


Dois anos depois, foi lançado o que viria a ser seu último álbum de estúdio, intitulado Drive. Após o Beyond The Mind’s Eye, Hammer percebe que o mercado musical dos anos 90 exigia outra postura: menos estética oitentista explícita, mais energia direta e maior contato com o Rock e o groove. Esse álbum marca uma tentativa clara de fazer algo mais corpóreo. Hammer volta a pensar em ritmo, impacto, riffs e movimento, sem abandonar completamente a eletrônica, mas deslocando o foco do ambiente para a ação. A produção segue o padrão de sempre: os sintetizadores continuam centrais, mas agora muitas vezes configurados para soar como guitarras, baixos distorcidos ou leads cortantes, em vez de pads etéreos, além de uma bateria eletrônica mais marcada. Ainda assim, no geral, trata-se basicamente de um trabalho de Smooth Jazz genérico. O repertório é bem fraco, com poucas canções interessantes. No fim, é um disco terrível e sem graça. 

Melhores Faixas: Drive, Underground (Jeff Beck salvou demais) 
Piores Faixas: Lucky Jan, Knight Rider 2000, Nightglow, Curiosity Kills

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Jan Hammer: Parte 1

                 

The First Seven Days – Jan Hammer





















NOTA: 8/10


Voltando para 1975, foi lançado o 1º álbum solo do Jan Hammer, o The Seven Days. Após o lançamento do Birds of Fire com o Mahavishnu, Hammer chegou a lançar um álbum colaborativo com Jerry Goodman (que depois eu falo) e, para seu álbum solo, quis fazer algo conceitual. O disco se baseia livremente na ideia dos sete dias da criação, mas não como uma narrativa religiosa literal; trata-se mais de uma metáfora musical para a gênese do mundo, da vida e da consciência, filtrada pela sensibilidade futurista. Produzido por ele próprio, o álbum tem um caráter bastante artesanal, já que o músico assume praticamente todos os instrumentos, fazendo uso extensivo de sintetizadores analógicos, pianos elétricos, Mellotron, sequenciadores primitivos e piano acústico. As bases estão no Jazz Fusion, mas com influências do Rock progressivo e da música eletrônica. O repertório é muito legal, e as canções são bem atmosféricas. Enfim, é um ótimo disco e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Oceans And Continents, Sixth Day-The People 
Vale a Pena Ouvir: The Animals, The Seventh Day

Oh, Yeah? – Jan Hammer Group





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, foi lançado o sensacional Oh, Yeah?, em que Jan Hammer quis ir para um lado mais padrão. Após o The First Seven Days, Hammer retoma a ideia de um grupo elétrico, apostando em grooves mais definidos, estruturas mais claras e uma linguagem que dialoga tanto com o Jazz Fusion quanto com o Funk. O disco não abandona a sofisticação harmônica nem a experimentação tímbrica, mas passa a priorizar impacto, energia e interação coletiva. Produzido pelo próprio Hammer, o álbum vai para um som mais cru, com menos camadas atmosféricas e mais ênfase na execução ao vivo dentro do estúdio. A bateria e o baixo ocupam um papel central, sustentando grooves firmes sobre os quais os teclados de Hammer se movimentam com liberdade, além de contar com vocais precisos de Tony Smith. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes e energéticas. No geral, é um disco incrível e um grande acerto. 

Melhores Faixas: Oh, Yeah?, Let The Children Grow 
Vale a Pena Ouvir: One To One, Twenty One

Melodies – Jan Hammer Group





















NOTA: 8,4/10


Outro ano se passou, e foi lançado seu terceiro disco, intitulado Melodies, que seguiu por um caminho diferente. Após o Oh, Yeah?, Jan Hammer passa a enfatizar temas mais cantáveis, estruturas mais acessíveis e uma comunicação emocional mais imediata, sem abandonar completamente a linguagem do Jazz Fusion. Com isso, ele se posiciona de forma muito particular: em vez de diluir sua identidade, reorganiza sua música em torno da melodia como eixo central, mantendo a sofisticação harmônica e o uso expressivo dos sintetizadores. A produção foi praticamente a mesma, resultando em um som limpo, com melhor definição entre os instrumentos e uma organização clara dos planos sonoros. A seção rítmica continua sólida, mas agora atua de forma mais contida, sustentando as composições em vez de conduzi-las de maneira agressiva. O repertório é ótimo, e as canções ficaram mais envolventes e precisas. No fim, é um disco interessante e mais elegante. 

Melhores Faixas: Don't You Know, Window Of Love, Who Are They? 
Vale a Pena Ouvir: I Sing, Hyperspace

Black Sheep – Hammer





















NOTA: 8/10


Chegando ao fim dos anos 70, foi lançado mais um trabalho novo, o Black Sheep. Após o Melodies, ao perceber que o Jazz Fusion passava por um desgaste criativo, com muitos artistas presos a fórmulas previsíveis, Hammer responde a esse cenário com um disco que abandona quase totalmente a linguagem jazzística tradicional e se aproxima de uma música instrumental híbrida, na qual convivem Rock, música eletrônica e uma estética fortemente cinematográfica. Produzido, como sempre, por ele próprio, o álbum é mais agressivo e contemporâneo do que os discos anteriores. O som é claramente moldado em estúdio, com forte ênfase em sintetizadores analógicos, linhas de baixo elétrico muito presentes e baterias com ataque seco. Além disso, há vocais mais contidos desta vez, a cargo de Bob Christianson, reforçando uma abordagem mais urbana. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um disco muito legal e bastante desprezado. 

Melhores Faixas: Heavy Love, Jet Stream 
Vale a Pena Ouvir: Hey Girl, Black Sheep, Manic Depression

                      É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Henrique & Juliano

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