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sábado, 24 de agosto de 2024

Analisando Discografias - Yunk Vino, Terreno Baldio e Rage Against The Machine *Extra dos Beatles e Metallica (RA: XX)

          

MIDNIGHT CALLS – Yunk Vino





















NOTA: 6/10


Pouco tempo depois, em dezembro, é lançada a quarta mixtape do Yunk Vino, e sim, ele lançou 3 mixtapes no mesmo ano, coisa que jamais irá acontecer novamente e que não é nem um pouco comum. Mas voltando, após o sucesso das mix dupla de 237, a proposta da vez foi que as canções têm um clima um pouquinho mais longe daquele modo psicodélico, mostrando uma vibe mais sombria e trazendo algumas letras que combinam com esse contexto. Isso mostra o quanto que o Vino, em todos os seus trabalhos, tem ótimas ideias e sendo único em tudo que ele faz. Mais uma vez a equipe de produtores foi a mesma, mesmo que tenha sido bastante dividida a criação das beats e dos flows, e foi algo que deixou tudo bagunçado, por mais que o Vino estivesse focado muito na sua parte lírica. Enquanto que o repertório, por mais que ele tenha um começo muito legal nas 4 primeiras músicas, como na sequência muito boa a Bad Shawty 2, que sua primeira versão encerrou de forma brilhante o repertório de 237 Deluxe e aqui se completou ainda mais com a excelente Pretty Bitch e as ótimas D.D, Baby Bitch, Rádio e 30 dias, que têm uma ótima feat do Sidoka, só que as outras canções são bastante irregulares em seus arranjos no caso Lilás, Maníaca e 2AM. A verdade é que após as 4 primeiras músicas, mostrou que a ordem das faixas ficou muito errada. Enfim, essa última mixtape do Vino no ano de 2020 é muito irregular, mas que isso poderia ser recuperado num futuro novo trabalho.

Meu Amigo Diário, Vol. 1 – M.A.D – Yunk Vino 





















NOTA: 9,2/10


Depois de 3 anos de espera, é lançada a 5ª mixtape e, por enquanto, o último trabalho de Yunk Vino, intitulado Meu Amigo Diário, Vol. 1. Esta mix traz uma abordagem que mostra um amadurecimento pessoal do rapper. A história por trás do nome ser um diário é praticamente uma alusão que Vino tem de que, de alguma forma, a música é como um diário, afinal, todo o trabalho que ele faz é como se fosse um desabafo, tanto que sua parte lírica nesta obra é bastante notória. Uma novidade é que tem outros produtores por trás deste trabalho, como Bvga Beatz, Caio Passos e apenas Nagalli, que voltou a trabalhar com Vino mais uma vez. Todos eles fizeram um trabalho bastante eficiente e sem aquela bagunça que ocorreu na última mix. O repertório desta vez ficou novamente bem ordenado e cheio de faixas maravilhosas, tendo um início muito bom com o hit Diálogo, que mostra o total desabafo do rapper, embora a letra não mostre esse contexto de forma explícita. Logo depois, as outras canções completam ainda mais toda a proposta por trás desta mixtape, sendo todas muito boas, como Animais, Made It!, P.J.L, Jogo Sujo, que conta com a participação de Veigh, agora já consolidado após seu álbum de estreia, e a interessante canção Antes de Ter Esse Show, que tem uma abordagem de lifestyle muito boa. Enfim, funcionou muito bem toda a abordagem por trás deste repertório. Sendo assim, mais um ótimo trabalho de Vino, novamente tendo aqueles flows absurdos e superando muito sua mixtape anterior.

Terreno Baldio – Terreno Baldio 





















NOTA: 10/10


Em 1975, foi lançado o não tão conhecido, porém maravilhoso álbum de estreia do Terreno Baldio. Uma banda que foi formada há 2 anos antes, com o vocalista João Kurk, Mozart Mello na guitarra, João Ascenção no baixo, Roberto Lazzarini no teclado e Joaquim Correia na bateria, criaram juntos uma banda que surfou na grande era do rock progressivo no Brasil e mundialmente nos anos 70. Este disco foi produzido pelo italiano Cesare Benvenutti, que viu um dos shows da banda fazendo covers e viu potencial neles, os chamando para gravar seu primeiro disco. Toda sonoridade apresentada mostra uma grande inspiração em outra banda inglesa de rock progressivo, o Gentle Giant, tanto que não é à toa que eles foram bastante apelidados como a versão brasileira deles. Todas as faixas presentes nesse disco são maravilhosas, bem ordenadas e logicamente parecendo uma coletânea, com letras e arranjos totalmente hipnotizantes como Pássaro Azul, Loucuras de Amor, Água que Corre que tem uma sonoridade bem peculiar e a espetacular Grite, que se tornou meio que um hino da banda (até porque no terreno baldio realmente você pode gritar). Sério, maravilhosas todas as faixas. No final de tudo, é um disco espetacular que envelheceu muito bem e, por mais que não seja reconhecido, é um dos melhores álbuns nacionais de todos os tempos.

Além das Lendas Brasileiras – Terreno Baldio




















NOTA: 9,9/10


Dois anos depois, foi lançado o segundo e infelizmente último álbum da banda, com uma temática bem diferente da apresentada em sua estreia. Lançado após a saída do baixista João Ascenção, que foi substituído por Rodolfo Braga, baixista da banda Joelho de Porco, o que foi uma ótima implementação para a banda. Este disco foi novamente produzido pelo mesmo produtor e, desta vez, foi lançado pelo selo da Continental, enquanto o 1º álbum foi lançado pelo selo da Pirata (e não, ele não foi pirateado). A sonoridade continuou sendo bastante inspirada no Gentle Giant, agora com uma implementação de temas folclóricos nacionais e muito mais elementos de jazz em seus arranjos. O repertório, mais uma vez, é excelente e cheio de canções que, apesar de as letras serem cômicas, são maravilhosas, como Caipora, Curupira, Passaredo (que é um cover bem legal da música de Chico Buarque) e Saci-Pererê, que tem uma história curiosa: a Rede Globo cogitou usar essa música no seriado Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas no final foram escolhidas as músicas de Gilberto Gil. Após isso, em 1979, a banda acabou devido à queda do gênero progressivo na grande mídia, embora tenha havido momentos em que a banda voltou a fazer turnês. Até que, em 2017, o vocalista João Kurk veio a falecer. Mas enfim, apesar disso, este álbum é outro clássico e, junto com o primeiro, são duas grandes obras-primas da música brasileira, embora a banda nunca tenha recebido reconhecimento.

Evil Empire – Rage Against The Machine 





















NOTA: 9,7/10


Quatro anos após o seu magnífico álbum de estreia, o Rage Against The Machine retorna com seu 2º álbum trazendo a mesma proposta que tinha dado certo. Lançado após algumas brigas internas que a banda teve, que quase ocasionaram um fim prematuro da banda, eles conseguiram voltar enfim para o estúdio para gravar esse disco, cujo título vem de uma origem de um termo usado no início dos anos 80 pelo presidente Ronald Reagan e por muitos conservadores americanos para descrever a União Soviética. Dessa vez, esse disco foi produzido pelo excelente produtor Brendan O’Brien, que elevou ainda mais a característica da banda de misturar Hip Hop/Rap com Rock. E não só isso, esse álbum em determinados momentos soa mais como um Metal Alternativo. Eu até diria também como Nu Metal, mas por mais que o Rage seja um dos padrinhos do gênero, eles nunca foram de cabeça para aquela onda que já estava bastante popular. O repertório, mais uma vez, é bastante diversificado, com muitas canções maravilhosas, apesar de que Wind Below seja a faixa mais fraca e regular desse disco, as músicas como People of the Sun, o hit Bulls on Parade e Down Rodeo são bastante incríveis pelas letras falando de desigualdade, resistência e a militarização que a sociedade americana estava passando, fora outras canções muito boas como Revolver e Year of tha Boomerang. Sendo assim, mais um disco excelente, cheio de energia e mais uma vez muito pesado.

The Battle Of Los Angeles – Rage Against The Machine 





















NOTA: 9,8/10


Depois de mais um tempo de espera, é lançado o maravilhoso The Battle of Los Angeles, que chega a ser tão explosivo quanto o álbum de estreia. Mais uma vez, veio para quebrar aquela linha política que o governo dos Estados Unidos estava seguindo, principalmente durante o quase período de eleição que se aproximava. O título desse álbum tem a ver com o alarme falso de um ataque aéreo, no qual as forças militares dos Estados Unidos abriram fogo contra o que foi considerado uma invasão japonesa. Por mais que o título possa parecer estar relacionado com os Distúrbios que aconteceram na cidade no ano do lançamento do primeiro álbum do Rage, na verdade tem origem em outro acontecimento. Mais uma vez, a produção continuou sendo a mesma, com Brendan O’Brien, que junto à banda, captou um som ainda mais intenso. Isso se reflete principalmente nos vocais de Zack de La Rocha, que são verdadeiros gritos, e nos maravilhosos riffs de Tom Morello, que são absolutamente memoráveis. O repertório começa de um jeito incrível com as maravilhosas faixas Testify, Guerrilla Radio, Calm Like a Bomb, Mic Check e Sleep Now In The Fire, que são perfeitas em tudo, e também as outras canções como Born As Ghosts e Voice of the Voiceless, que têm um contexto de crítica social muito bem pensada. Mais um repertório perfeito da banda. Em suma, é um disco maravilhoso que seguiu muito bem a fórmula que os discos anteriores apresentaram e que foi o último trabalho com material inédito.

Renegades – Rage Against The Machine 





















NOTA: 9/10


Chegando ao último álbum de estúdio do Rage Against The Machine até o momento (que é o trabalho final da banda), o Renegades, foi lançado numa época que culminou no fim do Rage. Bom, o que aconteceu foi que após o relativo sucesso do disco anterior, várias coisas aconteceram, como quando eles gravaram o clipe de Sleep Now In The Fire, fechando a Bolsa de Valores em Nova Iorque, o constrangedor momento em que o baixista Tim Commerford escalou o set no palco do VMA da MTV após o Rage ter perdido o prêmio de melhor vídeo de rock para o Limp Bizkit, e logo um mês após isso, Zack de La Rocha anunciou que sairia da banda devido a um desgaste que estava tendo com os outros integrantes. No final do ano de 2000, lançaram esse presente de despedida para os fãs. O álbum foi inicialmente produzido por Brendan O’Brien, que colaborou em apenas uma faixa, e logo depois, o restante do trabalho foi produzido por Rick Rubin, que fez uma ótima produção. Dessa vez, o repertório era composto inteiramente de covers, tanto de bandas e artistas dos anos 60 até algumas atuais da época, e, por mais que tenha 2 covers fracos em The Ghost of Tom Joad e In My Eyes, as outras ficaram maravilhosas, como Pistol Grip Pump, Renegades Of Funk e How I Could Just Kill a Man do Cypress Hill. Enfim, após esse lançamento, os outros integrantes da banda criaram o Audioslave junto com Chris Cornell. No fim, o último trabalho do Rage é bastante legal, apesar de ter sido bem diferente dos discos anteriores.

Magical Mystery Tour – The Beatles 





















NOTA: 9,1/10


Falando agora sobre o álbum Magical Mystery Tour, que foi lançado como um EP duplo na Inglaterra e nos Estados Unidos como um LP, pois é mais uma das confusões dos lançamentos da banda nesses dois países. Mas enfim, esse disco chegou após o lançamento do maravilhoso Sgt. Pepper’s e vindo daquele período de experimentação que os Beatles estavam passando. Então o Paul McCartney pensou em criar um filme trazendo aquela vibe psicodélica. Só que isso demorou para acontecer, até porque a banda tinha entrado num retiro de meditação transcendental por Maharishi Mahesh Yogi, e também porque o empresário da banda tinha falecido. Aí foi só um tempo depois que o projeto saiu do papel. E mais uma vez, esse trabalho foi produzido, obviamente, pelo George Martin e não teve nada de inovador, até porque foram usadas as mesmas técnicas utilizadas no seu antecessor e olha que a produção demorou para fazer a mixagem desse disco. Enquanto que o repertório foi dividido em uma primeira metade sendo a trilha sonora do filme, com canções como a faixa-título, Your Mother Should Know e I Am The Walrus (que é outra canção inspirada em uma das experiências de John Lennon com o ácido), enquanto que a segunda metade são os singles que foram lançados naquele ano de 1967, como Hello, Goodbye, Penny Lane e a gloriosa All You Need Is Love, sendo um repertório bem interessante. Sendo assim, mais um disco bem legal e sendo uma trilha sonora boa para um filme tão ruim.

Garage Inc. – Metallica  





















NOTA: 8,9/10


Antes mesmo de surgir aquele lixo do St. Anger e após o lançamento dos irmãos gêmeos Load e Reload, o Metallica decidiu fazer um novo trabalho totalmente diferente. A motivação desse álbum se deve que o Metallica sempre gostou de pegar músicas de outras pessoas e transformá-las no jeito que a banda sempre fez o seu som. Outro motivo foi que eles fizeram esse disco mais para poder reconquistar a confiança dos fãs idiotas que ainda estavam revoltados com a mudança de sonoridade desde o Black Album, enfim, aquela chatice que eu já comentei. A produção desse disco acabou gravando-o em um estúdio caseiro, dando uma pegada mais crua e raiz. Sem contar que a banda pediu para Bob Rock fazer com que o som não ficasse muito polido, sendo bem mais simples e dando uma impressão de que o Metallica era uma banda de garagem. E o repertório foi dividido em duas partes, sendo a primeira parte covers recém-gravados que ficaram tão bons quanto as versões originais, no caso de Die, Die My Darling do Misfits, Whiskey In The Jar e Tuesday’s Gone do Lynyrd Skynyrd, enquanto que a outra parte é uma junção de lados B com o repertório do raro The $5.98 E.P. – Garage Days Re-Revisited. Vale destacar as faixas The Small Hours e So What, e todas as faixas covers foram uma alternância entre Heavy Metal, Hardcore Punk e até música popular. No final, é um trabalho excelente e que foi uma ótima ideia que a banda trouxe, vale muito a pena ouvir este disco.

Então é isso, um abraço e flw!!!

domingo, 18 de agosto de 2024

Analisando Discografias - The Beatles, Led Zepellin e Charlie Brown Jr. (RA: XIV)

     

Let It Be – The Beatles





















NOTA: 9,2/10


Então chegamos ao ‘‘último álbum dos Beatles’’, o Let It Be, que não chega a ser um álbum controverso, mas sim muito massacrado de forma injusta. Esse disco inicialmente era para se chamar Get Back e também seria a trilha sonora de um documentário deles, da banda voltando a tocar ao vivo, só que isso nunca aconteceu e o nome do álbum acabou mudando. A sonoridade desse álbum além de ser um Rock e Blues, tem os seus traços de Folk e inclui arranjos de cordas e corais na sua mixagem, todos feitos por outro produtor, o Phil Spector, já que George Martin, na época das gravações, estava muito cansado das brigas frequentes que os membros tinham. Tudo isso contribuiu para uma crítica que as pessoas fizeram contra esse disco. Sem contar que o próprio Paul McCartney odiou essa implementação e pediu que fosse retirada. Como não foi atendido, ele acabou anunciando sua saída da banda, revelando também que após o lançamento do álbum anterior, John Lennon também já havia anunciado a sua saída da banda, embora isso não tivesse sido revelado publicamente. Isso não tira o mérito de canções maravilhosas como a faixa-título, Across The Universe e a subestimada One After 909. O que eu posso dizer é que este não foi o último álbum dos Beatles, mas sim o último lançado, pois o último foi Abbey Road. Tudo isso demonstra um álbum muito bom e que não merece a reputação baixa que ganhou.

Past Masters – The Beatles 





















NOTA: 8,5/10


Falando sobre essa coletânea, que é bastante importante, pois reúne primeiras versões de músicas que já estavam em outros discos, algumas que viraram apenas singles e até mesmo algumas canções em versão alemã. Basicamente, é um disco duplo dividido em duas partes: o Disco 1 apresenta um repertório com canções da fase da Beatlemania, enquanto o Disco 2 traz um repertório dos anos de estúdio da banda. E assim, juntando tudo isso, quase todas as músicas são boas, apesar de ter canções fraquíssimas como Slow Down, Old Brown Shoe e Across The Universe em sua versão feita para o World Wildlife Fund (WWF). Muitos fãs também reclamam das versões alemãs das canções I Want to Hold Your Hand e She Loves You, embora elas tenham sido muito bem executadas, foram duramente criticadas. E claro, não dá para esquecer de destacar canções maravilhosas como as primeiras versões de Get Back e a já falada I Want to Hold Your Hand, e também a excepcional canção Hey Jude, que foi escrita por Paul McCartney para confortar o filho de John Lennon, Julian, na época da separação de seus pais e no começo do relacionamento entre o John e a Yoko Ono. Mas enfim, essa coletânea, além de ter uma sonoridade muito fiel, é um disco que tem bastante consistência.

Led Zeppelin II – Led Zeppelin 





















NOTA: 10/10


Após uma estreia brilhante, logo chega o 2º álbum e a sequência do anterior, que é ainda mais sensacional. A sonoridade ainda continua sendo a mesma, mas a produção de Jimmy Page é ainda mais inacreditável de tão boa e atemporal que ela é, isso é claro sem deixar de lado os solos de guitarra que ele faz nesse disco, como em Heartbreaker, que quando chega na metade dessa canção, tudo para e fica só um solo dele, que já estava pronta, só que inicialmente não tinha esse solo e isso só foi inserido na hora da mixagem, e isso mostra um pouco da forma energizante que esse disco tem. E o grande hit desse álbum, Whole Lotta Love, que tem uma vibe psicodélica e maluca, que contém riffs pesados e bastante cru, tudo isso foi possível não só pelo Page, mas também pelo engenheiro de som desse disco, o Eddie Kramer, que graças a ele se tornou um dos maiores clássicos da banda. Também a de se destacar que a canção The Lemon Song foi gravada ao vivo em um estúdio em Hollywood na época da segunda turnê da banda na América do Norte. Sem contar que tem uma canção que é um instrumental de bateria, a Moby Dick, sendo ela esplêndida. E tudo isso mostra um repertório perfeito e mais uma vez muito bem ordenado. Em suma, apenas no segundo álbum o Led Zeppelin conseguiu criar um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos.

Led Zeppelin III – Led Zeppelin





















NOTA: 9,8/10


Logo depois veio o Led Zeppelin III, que é totalmente diferente dos dois primeiros discos, tendo uma mudança de sonoridade muito significativa. Insistindo muito mais no Blues e no Folk, e isso tem um motivo: antes de começarem as gravações desse disco, Jimmy Page e Robert Plant passaram umas férias com suas respectivas famílias em um lugar chamado Bron-Yr-Aur, lá no País de Gales, que por sinal nem tinha luz na casa onde eles se abrigaram. Foi daí que já começaram as ideias para a produção desse álbum, e por sinal, o nome desse lugar deu título para uma das canções desse disco. Falando do repertório, ele tem uma primeira metade que continua sendo o som tradicional da banda, Hard Rock, com adição de Blues sendo mostrado na clássica Immigrant Song e em Since I’ve Been Loving You, enquanto que a outra metade é muito mais acústica, como pode ser mostrado em Tangerine, mas não deixa de ser estranho. Assim, não foi uma tentativa ruim, ficou legal, mas causa uma irregularidade na estrutura do álbum. Um detalhe: a última canção, Hats Off To (Roy) Harper, por mais que pareça estranha, é uma homenagem ao cantor Roy Harper, que era muito conhecido no cenário Folk e que Jimmy Page era bastante fã. Mais uma vez, foi um trabalho muito bem produzido, que mostrou que a banda estava amadurecida. Realmente, um baita disco!

Houses of the Holy – Led Zeppelin 





















NOTA: 9,7/10


Depois de dois anos, o Led Zeppelin retorna com Houses of the Holy, seguindo a mesma fórmula do Led Zeppelin IV, sendo predominado pelo Hard Rock. Esse álbum foi criado num momento em que a banda quis fazer um som mais experimental, e a produção continuou tendo o mesmo foco que o álbum anterior, buscando fazer arranjos mais complexos e memoráveis, e logicamente conseguiram. Como por exemplo, eles experimentaram colocar um Reggae na canção D’yer Mak’er, que ficou espetacular e pode-se dizer que ficou uma faixa pop muito boa. The Rain Song tem uma sonoridade perfeita e a letra combina tanto que ela chega a ser memorável, sendo uma balada incrível. The Song Remains the Same, que inicialmente era pra ter sido apenas um instrumental, só que quando foram mixar, o Robert Plant de última hora achou que a música ficaria ainda mais legal se botasse uma letra nela, então de última hora ele colocou a letra nessa canção e isso melhorou ela ainda mais. Tudo isso mostrou mais uma vez um álbum que tem um repertório muito bem pensado, só que é claro não supera o disco anterior. Apesar de ser um álbum que ficou abaixo dos seus antecessores em alguns aspectos, ele não deixa de ser um trabalho muito bom.

Physical Graffiti – Led Zeppelin 





















NOTA: 10/10


Pouco tempo depois, a banda retorna com um disco duplo que é espetacular do início ao fim, o incrível Physical Graffiti. O trabalho na produção de Jimmy Page é bastante encantador e foi gravado em diversos estúdios, incluindo o famoso Headley Grange. O álbum apresenta uma qualidade sonora excepcional e uma mistura não só de Hard Rock, mas também de Folk e até Rock Progressivo. O repertório dos dois discos é impressionante, o que também faz parecer ser uma coletânea. Desde a maravilhosa canção Kashmir, que tem um arranjo totalmente progressivo, até a incrível In My Time of Dying, que tem 11 minutos de duração e não passa de um improviso. Esta canção é de 1927, composta por um artista Blues chamado Blind Willie Johnson, que originalmente tinha outro nome. Eles adaptaram ainda mais a melodia, o que chega a ser inacreditável. Além disso, há a canção Bron-Yr-Aur, que não é exatamente uma continuação de outra faixa do Led Zeppelin III; ela também acabou sendo mais uma homenagem ao lugar onde Plant e Page se abrigaram e começaram a produzir grande parte daquele álbum. Apesar de o Disco 1 ser muito melhor que o Disco 2 em termos de sonoridade, este último também tem bastante qualidade. Tudo isso mostrou mais uma obra-prima da banda, tornando-se um disco memorável.

Presence – Led Zeppelin 





















NOTA: 9,4/10


Um ano após um incrível último lançamento, foi lançado mais um álbum, só que ele chegou em uma época bastante problemática para a banda. Naquela época, Robert Plant teve um acidente de carro na Grécia em agosto de 1975, que o deixou com uma lesão e o fez começar a usar uma cadeira de rodas, precisando se afastar por um tempo. Mesmo assim, ele conseguiu gravar grande parte de seus vocais, mas a parte criativa do disco ficou com Jimmy Page, que produziu desta vez exigindo uma sonoridade novamente pesada e crua. Todo o álbum foi gravado em apenas 18 dias, o que foi o tempo de gravação mais rápido desde seu álbum de estreia. O repertório mostra que é bastante limitado, mas tem várias canções brilhantes, como Candy Store Rock e Achilles Last Stand, que têm influências de Rockabilly e um som mais progressivo. Mostrando uma enorme diferença em comparação com a subestimada Tea for One, que mesmo sendo melancólica e tendo uma história triste por trás, é uma canção muito bem arranjada. Isso demonstrou que o álbum conseguiu ser muito bem ordenado, apesar de ter sido criticado por ter tido uma mixagem apressada. Apesar disso, é um disco muito legal e que não merecia o desprezo que muitos fãs dão a ele, juntamente com o seu sucessor.

In Through the out Door – Led Zeppelin 





















NOTA: 9,1/10


Falando nele, o Led Zeppelin lança seu último álbum de estúdio ainda tendo uma grande influência que o seu álbum anterior apresentou, só que antes das gravações, Robert Plant passou por mais uma tragédia pessoal com a morte do seu filho de 5 anos. A banda também tinha passado por um exílio fiscal. Então, as gravações, que duraram apenas 1 mês, foram muito mais limitadas comparadas ao disco anterior, mostrando ainda uma tentativa de uma nova sonoridade com uma introdução de Art Rock. E, por incrível que pareça, tem um Samba em uma das canções desse álbum, que é uma canção muito boa, Fool in the Rain. Isso tem origem nas batidas tocadas na Copa do Mundo de 1978. Mas mesmo tendo outra música muito boa, que é All My Love, uma homenagem ao filho falecido de Plant, que tem um solo incrível de John Paul Jones, ele contém canções fraquíssimas e sem convicção, como South Bound Suarez e Carouselambra, que têm riffs mal executados. Após esse lançamento, infelizmente, John Bonham, que era um baterista excelente e um dos pilares da banda, acabou falecendo devido ao seu uso abusivo de álcool. Três meses depois, a banda anunciava a sua separação. Apesar de tudo isso, é um álbum muito legal e, mesmo mostrando suas irregularidades, juntamente com o anterior, são dois discos injustamente subestimados.

CODA – Led Zeppelin  





















NOTA: 8,6/10


Dois anos após o fim da banda, por conta da morte do baterista John Bonham, o Led Zeppelin meio que dá um último presente para seus fãs, lançando uma coletânea com músicas inéditas que não foram incluídas nos álbuns anteriores. O disco basicamente tem uma produção que não fez mudanças significativas nas canções que já tinham sido gravadas e uma mixagem que não foi muito bem aprimorada, faltando polimento. Um exemplo disso é a canção "Poor Tom", que além de estar muito mal mixada, o vocal de Robert Plant é ofuscado pelos instrumentos dos outros membros da banda. E das últimas canções, duas são totalmente genéricas que parecem ser demos que nem quiseram fazer uma versão final. No entanto, o restante das músicas são bastante energéticas e divertidas, como em I Can’t Quit You Baby, Ozone Baby e Wearing and Tearing. Este álbum, do início ao fim, não esconde uma sonoridade mais Rock and Roll e Blues, fugindo do característico Hard Rock que consolidou a banda. Apesar de ter tido uma grande queda em qualidade, é um álbum bastante interessante que encerra bem a história de uma das bandas mais lendárias de todos os tempos.

Preço Curto.... Prazo Longo – Charlie Brown Jr. 





















NOTA: 10/10


Agora chegamos no espetacular Preço Curto... Prazo Longo, que é inacreditável do começo ao fim. Ele tem esse nome devido ao fato de que, na época, os shows do Charlie Brown eram muito rápidos e tinham poucas músicas. Então, resolveram gravar mais músicas para tocar por mais tempo nos shows. E aí, o Chorão teve uma sacada genial: esse álbum era como se fosse um disco caro e duplo, mas com um preço simples. Só para reforçar, esse álbum tem 25 faixas em seu repertório e a sonoridade que eles e a produção buscaram é a mesma do álbum anterior, só inserindo um pouco mais de Reggae, Rap e um pouquinho do meu querido e adorado Nu Metal. É só vocês escutarem Não Deixa o Mar Te Engolir e Confisco que vocês vão entender, e as outras músicas mais famosas como O Preço, Te Levar Daqui (que foi a abertura de Malhação por 7 anos) e a maravilhosa Zóio de Lula. Elas têm mais aquela direção que todo mundo conhece da banda, com Rap, Skate Punk, Reggae e Ska. Por sinal, as vinhetas que esse álbum tem são uma mais memorável que a outra, sem esquecer de alguns beatboxs excelentes que o Champignon solta em algumas canções. E tudo isso mostrou o quanto que o repertório desse disco parece ser uma coletânea de tão bem ordenado que ele foi. No final de tudo, esse álbum acabou mostrando ser um dos melhores da banda e um dos melhores do Rock brasileiro.

3 em 1 hoje então é isso e flw!!! 

Analisando Discografias - The Beatles (RA: XIII)

     

With The Beatles – The Beatles





















NOTA: 9,4/10


Alguns meses depois, os Beatles retornaram com mais um álbum e desta vez sendo um trabalho muito mais animado comparado ao seu disco de estreia. A produção do George Martin teve uma melhora absurda que deixou uma sonoridade mais polida e com um clima muito mais definido. O repertório desse disco tem a mesma característica do primeiro, sendo 8 canções próprias da banda (tendo a primeira música composta pelo guitarrista George Harrison) e 6 covers de outros artistas, inclusive tendo um ótimo cover de Roll Over Beethoven de Chuck Berry. Além disso, canções como It Won’t Be Long e All My Loving são maravilhosas. E olha que existe muito falas do Beatlemaníacos que dizem que esse álbum tem um punhado de canções terríveis e inexpressivas, o que é uma tremenda bobagem. Mas uma coisa com a qual se pode concordar é que, mesmo tendo sido gravado em 3 meses, diferente do antecessor que foi gravado em único dia, dá pra se notar que esse álbum tem traços de ter sido feito às pressas. Só que pelo menos não ficou aquele trem malfeito como vários outros discos de outras artistas que são gravados às pressas. Em suma, é um disco muito agradável e bem consistente, mostrando que a banda estava perto de chegar no seu sucesso estrondoso.

A Hard Day’s Night – The Beatles 





















NOTA: 9,4/10


Após um pequeno período entre um lançamento e outro, no meio do ano de 1964, os Beatles lançam seu terceiro álbum, trazendo várias coisas novas, como, por exemplo, sendo o primeiro álbum com todas as canções sendo originais, não tendo mais covers. Tendo um som muito mais divertido e melódico, pois após eles perceberem que já estavam tendo um sucesso internacional, era o momento para eles ficarem mais maduros, e todos os seus arranjos são memoráveis e muito bem encaixados. E uma curiosidade: esse álbum não tem um momento em que o Ringo Starr canta, ficando mais focado na bateria. Lembrando que eles estrelaram um filme com o nome deste disco feito para divulgar a banda que já estava no seu auge da Beatlemania. A primeira metade do repertório foi usado pra esse filme, incluindo as lendárias músicas como a própria A Hard Day’s Night, And I Love Her e Can’t Buy Me Love, enquanto que a outra metade são canções inéditas e que ficaram fora da trilha sonora do filme, algumas das quais são fraquíssimas como You Can’t Do That e I’ll Cry Instead, enquanto que as outras são bem legais. No geral, é um disco sensacional, mostrando o quanto que a banda estava no seu auge.

Beatles For Sale – The Beatles 





















NOTA: 8,7/10


E mais uma vez, no mesmo ano, é lançado o 4º álbum dos Beatles, trazendo uma sonoridade mais focado no Folk e no Country, mas sem sair é claro das suas raízes. Lembrando que o nome desse disco, Beatles For Sale, sugere que a banda estava sendo comercializada e vendida como um produto; praticamente os caras da banda sacaram isso. Este disco ele tem uma produção que, pra mim, é melhor do que a dos 3 primeiros álbuns, mesmo que apresente falhas em seus refrões e na sua intensidade sonora, com letras trazendo um aspecto muito interessante, sendo algumas tristes e alegres. E novamente acontece a mesma coisa que ocorre nos primeiros trabalhos, que o seu repertório é composto por 8 músicas originais e 6 covers de outros artistas e novamente tendo um cover de uma canção do Chuck Berry, Honey Don’t, que ficou mais uma vez muito boa, e apesar de ter mais uma vez 2 músicas fraquíssimas, isso não abala várias canções maravilhosas como Eight Days A Week, I’m A Loser e I’ll Follow The Sun. Apesar de já mostrar ser um dos álbuns mais fracos da banda, isso não tira os méritos de ser um disco maravilhoso e que tem bastante qualidade.

Help! – The Beatles




















NOTA: 10/10


Chegamos agora no álbum monumental que é o Help!, que chega a ser inacreditável de como esse disco é melhor que todos os outros. Logo escutando as primeiras músicas como a faixa-título desse disco e Another Girl, você já vê que a sonoridade está muito à frente do tempo, sem contar outras canções espetaculares como Ticket To Ride, Dizzy Miss Lizzy e a estrondosa Yesterday. Que foi a primeira vez que um integrante dos Beatles gravou uma faixa sem a presença dos outros, no caso o Paul McCartney tocando violão, juntamente com um quarteto de cordas, tendo um arranjo hipnotizante. E as letras de todas essas canções são tão bem feitas que são difíceis de se decifrar de primeira. Por exemplo, a letra melancólica de You’ve Got To Hide Your Love Away é praticamente uma homenagem a Bob Dylan (já que a banda tinha conhecido o próprio após um show em Nova York), só que também é possível perceber que a letra é uma confissão do John Lennon de uma relação amorosa que, com o tempo, mostrou-se ser homossexual. Mas deixando isso de lado, todo o repertório mostra que esse disco parece uma coletânea, de tanto que as músicas são chicletudas, e isso tudo se deve mais uma vez a uma produção brilhante do George Martin. No geral, esse álbum é um verdadeiro clássico e uma obra-prima, que rendeu outro filme com nome desse disco.

Rubber Soul – The Beatles 





















NOTA: 10/10


Depois de um último lançamento brilhante, em 4 meses, é lançado o Rubber Soul e que já traz uma mudança drástica na banda, que a partir desse disco as letras estariam mais maduras e muito mais reflexivas. E, lógico que a sonoridade continuava sendo a mesma do Help!, só que implementaram um som muito mais profundo em todas as canções deste disco, e novamente o repertório inteiro é composto de músicas originais escritas como sempre por Lennon-McCartney e não possuindo no mínimo 2 covers como no caso do último álbum. Foi a partir do Rubber Soul que os Beatles decidiram largar de fazer covers de outros artistas. E assim do mesmo jeito que o álbum anterior parecia ser uma coletânea de tão bom que é, esse aqui segue a mesma coisa, sendo até dificil de comparar qual dos dois álbuns tem um repertório melhor. Mais uma vez isso se deve ao George Martin, que fez uma produção muito boa e os arranjos que são perfeitos, juntando isso temos canções maravilhosas como In My Life, You Won’t See Me, Nowhere Man, Norweigan Wood (This Bird Has Flown) e a subestimadíssima Wait, que tinha até sido gravada para o álbum anterior só que foi rejeitada. No final de tudo, é um disco incrível e que se tornou em mais um clássico da banda.

Revolver – The Beatles 





















NOTA: 10/10


Agora, indo para um dos discos mais revolucionários daquela época, o Revolver, percebe-se que a banda ultrapassou os limites do Pop Rock, criando um som muito mais soberano. Apesar de na época do seu lançamento ter ocorrido um mês antes a polêmica entrevista dos Beatles, que resultou em uma das falas mais infelizes de John Lennon ao dizer: ‘‘Que os Beatles eram mais famosos que Jesus’’, na Inglaterra ninguém reclamou, mas nos Estados Unidos foi um alvoroço gigantesco. Voltando a este disco, as letras têm um significado bem distante das letras românticas dos outros álbuns. Por exemplo, em Doctor Robert, possivelmente uma homenagem a Dr. Robert Freymann, um médico de Nova York conhecido por distribuir injeções de vitamina B-12 misturadas com anfetaminas para uma clientela. O cinismo sobre impostos em Taxman, o clássico Yellow Submarine, que parece ser uma canção infantil, mas a letra não passa de uma alucinação lisérgica, e até mesmo uma das canções mais lindas da banda, She Said She Said, mostra uma bad trip alucinógena. E tudo isso se juntou em uma sonoridade psicodélica que não dá nem para acreditar de tão perfeita que é, isso se deve ao comprometimento e à fidelidade na produção de George Martin. No geral, não é apenas um dos melhores discos da banda, mas sim um dos melhores de todos os tempos.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band – The Beatles





















NOTA: 10/10


Após o Revolver, os Beatles decidiram ir ainda mais além fazendo um novo álbum totalmente conceitual que é o Sgt. Pepper’s e seu nome gigantesco. Esse disco aprimora ainda mais o que o anterior fez, com sua sonoridade incluindo música psicodélica e adicionando um novo gênero promissor que é o Art Rock, que é uma das inspirações que um dia ia ser criado como Rock Progressivo (mas isso é outra história). Mas o fato é que, além de também terem inserido efeitos sonoros que complementavam e muito seus arranjos, as letras por mais que sejam cheias de imaginação e reflexão, todas elas combinam com suas melodias. E canções como Lucy In The Sky With Diamonds, que acabou sendo especulada que falava intencionalmente sobre a droga LSD, só que sempre foi negado por John Lennon, sendo que a inspiração veio de um desenho do filho dele de 3 anos e juntou com a evocação de imagens surrealistas e A Day In The Life que é cheia de inspirações como a morte de Tara Browne e vários artigos de jornais. Que por sinal a impressão parece que quem é o líder por trás desse álbum é o Paul McCartney por conta das composições, arranjos e até mesmo seu repertório, só que é claro todos os outros 3 membros e o produtor George Martin contribuíram muito. Mostrando assim, um álbum cheio de clássicos se tornando uma obra-prima e que bate de frente em todos os aspectos com o Revolver.

The Beatles (White Album) – The Beatles 





















NOTA: 9,9/10


Depois de dois álbuns atemporais, os Beatles lançam o tão aclamado álbum autointitulado que conhecemos carinhosamente como White Album, assim como foi o caso do Metallica com o Black Album. O álbum branco da banda pode até não ter introduzido coisas novas como nos discos anteriores e ainda seguindo a mesma fórmula vindo do Revolver, e se tornando o primeiro e único disco duplo da banda, que traz alguns outros gêneros como ska e music hall, e até alguns elementos que te fazem lembrar Heavy Metal, mesmo não sendo. A produção continuou em alto nível e com vários detalhes incríveis, que você percebe em 2 canções maravilhosas: While My Guitar Gently Weeps e Helter Skelter. Bem, tudo parece ter sido lindo, mas não nessa época os bastidores já estavam mostrando que a banda estava chegando ao seu fim, como o início do relacionamento entre John Lennon e Yoko Ono que fez ele dar uma surtada levando-a para as gravações, quebrando uma regra da banda de não trazer suas mulheres para as gravações, as tretas que fizeram Ringo Starr se afastar da banda por duas semanas, e que levaram Paul McCartney a tocar bateria nas músicas Back In The U.S.S.R. e Dear Prudence, além de vários outros problemas. Mas, apesar de tudo, isso não tira o brilho dessa obra dos Beatles, tendo um repertório impecável e sendo um baita disco.

Yellow Submarine – The Beatles





















NOTA: 7,8/10


Vamos agora para um dos álbuns mais controversos dos Beatles, o Yellow Submarine. Basicamente, não é apenas um álbum de estúdio, mas sim uma trilha sonora de outro filme da banda, desta vez uma animação. Apesar do repertório deste disco ser bastante limitado, com a parte final composta por músicas escritas e arranjadas sinfonicamente por George Martin, elas ainda mostram defeitos, como as canções inéditas da primeira parte estarem mal-acabadas e seu modo psicodélico não funcionar muito bem. A única canção que tem conexão significativa com a lendária Yellow Submarine é a All You Need Is Love, que possui uma letra muito bem escrita por Lennon-McCartney e uma qualidade sonora muito bem produzida. O que mais os Beatlemaníacos reclamam é que não havia necessidade de o resto do álbum ser orquestrado, sendo considerado uma medida desnecessária, e que todas as faixas são completamente chatas. No entanto, realmente existem algumas músicas chatas; porém, algumas têm uma harmonia muito boa e são cheias de animação, como o Sea Of Time. Assim, este disco não é horroroso, você consegue se divertir com o conceito dele que tem sim sua consistência.

Abbey Road – The Beatles 





















NOTA: 10/10


Após uma tentativa que não teve o sucesso esperado, os Beatles chegam com seu penúltimo álbum, o icônico e adorado Abbey Road. Com uma das capas mais memoráveis representando essa famosa rua em Londres, que, no outro lado, era onde estava o estúdio onde foram gravados todos os discos da banda. Voltando pra esse álbum, tudo nele o torna perfeito, desde sua sonoridade, que é muito mais autêntica e mistura vários gêneros, até suas letras, bastante memoráveis, com um repertório impecável e cheio de consistência, que faz parecer ser uma coletânea. Mesmo que a relação entre os membros da banda estivesse totalmente desgastada e cheia de tretas, aqui eles fizeram um trabalho fantástico, com todos estando acima da média: John Lennon e Paul McCartney arrebentando nas composições e no toque de seus instrumentos; George Harrison apresentando performances inacreditáveis, mostrando todo seu talento; e Ringo Starr, que não só comandou bem a bateria, como também ajudou demais na criação das canções. Apesar das pessoas lembrarem muito mais de canções como Here Comes The Sun, Come Together e Something como atemporais, esquecem de outras canções brilhantes como I Want You (She’s So Heavy), The End, Because e várias outras que chegam a ser tão maravilhosas quanto elas. Tudo isso mostrou um álbum sensacional, cheio de clássicos e sendo uma grande obra-prima.


Analisando Discografias - 2Pac e The Beatles (RA: XII)

      

Me Against The World – 2Pac





















NOTA: 10/10


Em mais uma pausa de dois anos entre um álbum e outro, chega o Me Against The World, que logo de cara você percebe uma vibe bem diferente. Afinal, nesse meio tempo, ocorreu a prisão de 2Pac por abuso sexual e, também, em novembro do ano anterior, ele sofreu aquela famosa emboscada no saguão de um estúdio de gravação em Nova Iorque, um dia antes do júri. Mas foi graças ao seu julgamento e prisão que este se tornou um dos álbuns mais consistentes de sua carreira. Primeiro, sua sonoridade é muito mais de um Rap consciente e às vezes lembra R&B, com amostras que continuam tendo uma conexão com a letra introduzida. A parte lírica é muito mais reflexiva, fazendo você perceber alguns pensamentos de desespero e paranoia. As feats são muito poucas, contando apenas com o rapper underground Richie Rich e o grupo recém-criado por Pac, o Dramacydal (que mais tarde virou o Outlawz). E não tem como não destacar a canção Dear Mama, cuja letra é uma homenagem à sua mãe, Afeni Shakur, e tudo que é abordado faz dela uma música espetacular. Esse disco mostra uma produção impecável, demonstrando um amadurecimento do rapper e tornando-se uma das maiores obras da história do Hip Hop/Rap.

All Eyez On Me – 2Pac 





















NOTA: 10/10


Depois de seu tempo de prisão e tendo sua fiança paga por Suge Knight, 2Pac assinou com a gravadora Death Row, o que fez com que ele lançasse um álbum completamente atemporal, o All Eyez On Me, que se tornou o primeiro disco duplo de uma carreira solo da história do Hip Hop/Rap. E assim, só o começo mostra uma parte lírica muito diferente comparado ao álbum anterior, com letras falando muito mais sobre a vida gangster, tornando-se um disco do estilo Gangsta Rap que foi uma mudança não só vindo do Pac, como também foi uma sugestão de Suge Knight. A sonoridade é totalmente memorável, não apenas pela excelente produção, mas também pelas amostras bem conectadas que formaram um arranjo perfeito. As feats foram maravilhosas, indo desde Dr. Dre, Snoop Dogg, Kurupt, Nate Dogg, Big Syke, como também artistas de R&B e até Funk como Jewell, George Clinton e até o Roger Troutman. E o repertório do Disco 1 é tão bom que parece uma coletânea, enquanto o do Disco 2 tem um repertório legal, mas não conseguiu chegar perto do primeiro. O fato é que esse álbum fez 2Pac alcançar seu auge, mas infelizmente, 7 meses depois o rapper foi assassinado em Las Vegas, encerrado sua carreira de forma precoce. E todo esse contexto nos presenteou com um dos melhores álbuns de todos os tempos e mesmo sendo controverso não deixa de ser uma obra-prima.

The Don Killuminati: The Day 7 Theory – Makaveli (2Pac) 





















NOTA: 8/10


Nas semanas antes do seu assassinato, 2Pac conseguiu gravar algumas canções que seriam lançadas em seu futuro álbum. Esse álbum, em vez de estar sob nome do rapper, acabou ganhando um novo nome artístico de Makaveli, pseudônimo do político italiano Niccolo Machiavelli, que fingiu sua própria morte e reapareceu sete dias depois para se vingar de seus inimigos. A sonoridade desse disco é muito mais sombria, fugindo daquele lado animado do All Eyez on Me. Os arranjos chegam a lembrar o gênero Horrorcore, que pode ser chamado de Death Rap. E tudo isso se intensifica ainda mais por conta das letras que, além de terem suas críticas sociais e de injustiça racial, a maioria das canções tem xingamentos aos rappers da Costa Leste e até xingamentos ao Dr. Dre, que tinha recém-saído da Death Row, por conta das ações desonestas que ele via de Suge Knight. Algumas canções, como Hail Mary e Against All Odds mostra um lado muito mais frio de Pac, e um detalhe: todas as feats são compostas de artistas undergrounds e do grupo Outlawz, que tinha deixado o nome de Dramacydal. Apesar de ter sido um álbum bastante sombrio e obscuro, é uma obra póstuma muito interessante de 2Pac.

R U Still Down? (Remember Me) – 2Pac





















NOTA: 8,5/10


Um ano após a morte de 2Pac, sua mãe, Afeni Shakur, tinha conseguido os direitos de todas as gravações inéditas de seu filho nos tempos de Interscope e também da Death Row, e assim ela fundou o selo Amaru Entertainment e lançou mais um disco duplo que é esse aqui em questão. E logo de cara, dá para se perceber que essas são algumas músicas que foram deixadas de lado das sessões do 2º e do 3º álbum respectivamente, e que algumas amostras tiveram que ser refeitas para deixar um arranjo bastante consistente. Mesmo não parecendo, a parte lírica desse disco merece muito ser enquadrada como um álbum de Gangsta Rap, por conta de elasticidade que é mostrada em seus temas. Mas uma das maiores falhas que dá pra se encontrar é que os repertórios do Disco 1 e 2 têm canções que estão na ordem errada como, por exemplo, Hold On Be Strong que, em vez de vir antes de When I Get Free, ela vem depois dessa canção, e isso mostra que nem tudo ficou bem encaixado nesse trabalho póstumo. No geral, é um álbum com canções inéditas que são verdadeiras joias, mas que tem uma produção totalmente irregular.

Still I Rise – 2Pac e Outlawz 





















NOTA: 8,1/10


O Still I Rise é o terceiro álbum póstumo de 2Pac e o primeiro álbum de estúdio do grupo Outlawz, ou seja, é um álbum colaborativo. Foi lançado próximo ao Natal de 1999. Este álbum é bastante diferente em comparação aos álbuns anteriores do rapper, e não é devido às participações do Outlawz, mas sim porque tenta simular uma sonoridade semelhante à de Me Against The World, adicionando um som envolvente nas poucas canções do álbum do Makaveli. Apresenta uma parte lírica totalmente diferente, mostrando mais as visões de Pac sobre a sociedade e também refletindo sobre sua vida. As feats de Big Syke e Nate Dogg não acrescentaram muito, e o trabalho da produção em sua mixagem chega a ser mediano, dando a impressão que faltou vontade de deixa-lo bem feito. No entanto, isso não diminui a qualidade dos refrões de músicas como Still I Rise, Secretz of War e High Speed, que lembram o som clássico e tradicional do Hip Hop. No final, é um álbum muito interessante e que acabou sendo muito subestimado pelos fãs do rapper.

Until The End Of Time – 2Pac 





















NOTA: 7/10


Após o álbum colaborativo com Outlawz, novamente é lançado mais um trabalho póstumo e mais uma vez sendo um disco duplo, que consiste em matérias gravados na época em que 2Pac estava na Death Row. Essas canções nem sequer foram cogitadas a entrar no All Eyez On Me, sendo apenas materiais que provavelmente ficariam para um futuro disco. Tudo que tiveram que fazer foi pegar os vocais do Pac e fazer uma mixagem para essas canções, e toda a sonoridade é do Hip Hop tradicional com uma combinação de R&B. Isso se evidencia pelas feats de artistas como K-Ci & JoJo, Lil' Mo e Left Eye, que era do grupo TLC, e também as letras são muito mais comerciais, falando até um pouco mais de questões pessoais, sem fugir das letras mais gangsters. Mais um fato é que o começo do Disco 1 é muito sólido, tendo um repertório muito irregular, enquanto que o Disco 2 tem um começo muito melhor e mais melódico, mas o seu final é totalmente decepcionante, o que demonstra que a produção errou ainda mais como no R U Still Down? (Remember Me). Embora seja um disco inchado, ele tem algumas qualidades, mas que chega a ser decepcionante após termina-lo de ouvir.

Better Dayz – 2Pac 





















NOTA: 6,6/10


Um ano após o ultimo lançamento, mais um trabalho póstumo de 2Pac é lançado e novamente sendo um disco-duplo. Só que comparado aos últimos 2 trabalhos, esse álbum é um tapa na cara, mas não da melhor forma e sim de uma forma muito mais decepcionante. Esse disco consiste em canções inéditas remixadas que foram gravadas nas sessões do Makaveli e as letras podem até ser mais promissoras do que o seu antecessor, mais a maioria dos arranjos continua buscando um som mais comercial e eles continuam sendo tediosos e muito chatos, mostrando uma produção muito pobre e que fez uma sonoridade que na maioria das vezes não tem nenhuma emoção. E o repertório do Disco 1 e 2 ainda tem o mesmo problema do antecessor, e mesmo tendo algumas canções boas como Ghetto Star, My Block e as duas versões de Thugz Mansion, enquanto as músicas mais chatas e genéricas desse disco parece que foram produzidas de forma bagunçada, mostrando que esse trabalho não precisava ser um álbum duplo. Apesar de ter um som comercial, só que com letras de Hardcore Hip Hop e Gangsta Rap, ele é um trabalho póstumo totalmente sem brilho algum.

Loyal To The Game – 2Pac 





















NOTA: 6,9/10


Após mais um tempo sem nenhum lançamento novo, em 2004, mais um álbum póstumo de 2Pac é lançado e desta vez com uma novidade: neste disco, o produtor executivo já não é a mãe do Pac, Afeni Shakur, e sim o Eminem. Isso aconteceu porque durante uma entrevista na MTV, o rapper afirmou que ficou tão emocionado com a vida e o trabalho de Tupac que escreveu uma carta para a mãe de Pac pedindo que considerasse deixá-lo produzir seu próximo álbum, e ela acabou aceitando esse pedido. Assim, diferente dos 2 últimos discos que tinha um som mais comercial e puxado para o R&B, aqui isso já não ocorre, trazendo uma sonoridade muito mais raiz com um Gangsta Rap e Hip Hop da Costa Oeste. Só que, em determinados momentos, há arranjos que parece ter sido tirados das próprias canções do Eminem, ou seja, ele produz essas faixas do 2Pac como se estivesse produzindo ele mesmo, mas há de se concordar que a produção ficou muito boa. E os vocais do Pac foram retirados lá da época da Interscope, só que eles ficaram rápidos demais, deixando a voz dele muito estranha. E apesar de não ser um disco duplo, ele traz a mesma decepção que os anteriores trouxeram.

Pac’s Life – 2Pac





















NOTA: 4/10


E chegamos ao último álbum de estúdio da carreira de Tupac Shakur, sendo seu 6º álbum póstumo. Novamente, a mãe de 2Pac é a produtora executiva deste disco, trazendo materiais inéditos com origens mais uma vez vindo da metade dos anos 90. No entanto, seu som lembra um pouco do trap que conhecemos hoje, devido à combinação de R&B e Gangsta Rap. Mas, isso novamente foi um grande problema para este álbum. Ao contrário da sonoridade dos discos anteriores, este é muito mais tedioso e totalmente fora de sintonia, não se conectando de forma alguma com as letras poderosas escritas por 2Pac, que tem uma crítica social muito intensa, sendo, pra mim, o ponto mais forte deste disco. Agora, falando das feats. MEU DEUS! Parece que quase nenhuma delas é boa. Tirando o Big Syke, Yaki Kadafi e até mesmo Nipsey Hussle, cujas partes são competentes, o resto parece totalmente sem inspiração e sem o mínimo sentido. Alguns exemplos são Ashanti, Jay Rock, Chamillionaire, Lil Scrappy, Ludacris, entre outros. No final de contas, o último trabalho de 2Pac tem uma produção muito fraca, arranjos horríveis e é totalmente frustrante de ouvir, sendo o pior disco de toda a carreira do rapper e encerrando de forma decepcionante.

Please Please Me – The Beatles 





















NOTA: 9/10


E cá estamos no álbum de estreia dos Beatles, que já tem uma idade de 60 anos de existência e que nunca chegou a envelhecer mal. Pois esse álbum que iniciou a historia de uma banda de 4 moleques de cabelos compridos super promissores, vindo lá da cidade de Liverpool, na Inglaterra, e sendo produzido por um cara desconhecido chamado George Martin, acabou revolucionando não só a história da música, e muito menos apenas marcando a história do Rock, mas sim revolucionou os padrões sociais daquela época. Por sinal, esse disco foi gravado em 12 horas e em uma sessão única. E todas as músicas têm uma qualidade espetacular em tudo e seus arranjos são fascinantes. Há canções que ao todo são 8 escritas por John Lennon e Paul McCartney, e outras 6 que são covers de artistas que hoje são tratados como desconhecidos. Por exemplo, Twist and Shout, que não é uma canção própria dos Beatles, mas sim de Phil Medley e Bert Berns, tornou-se um grande sucesso quando foi regravada pela banda. Assim, os Beatles iniciam sua carreira de forma forte com um álbum muito legal e inovador. Podem ter certeza de uma coisa: se as canções desse disco não fossem vindas por eles, tudo seria diferente.


Analisando Discografias - Henrique & Juliano

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