quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Nails

                 

Obscene Humanity – Nails





















NOTA: 8/10


Em 2009, o Nails lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Obscene Humanity. Formado em 2007 na cidade de Oxnard, na Califórnia, por Todd Jones (vocais e guitarra), John Gianelli (baixo) e Tom Hogan (bateria), o grupo trazia uma proposta extremamente agressiva e direta. O objetivo parecia ser justamente trabalhar com intensidade, velocidade e brutalidade, recuperando aquela sensação de urgência do hardcore mais extremo. A produção feita por Alex Estrada, que colocou um som extremamente cru e pesado, unindo elementos do Grindcore com o Metalcore. Com isso, temos guitarras agressivas, enquanto a bateria transmite uma sensação quase caótica, e o baixo ajuda a engrossar a massa sonora. Os vocais dp Todd são extremamente ásperos e funcionam quase como uma extensão dos instrumentos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e claustrofóbicas. Enfim, é um belo EP e era apenas uma amostra. 

Melhores Faixas: Disorder, Alienate You I, White Walls 
Vale a Pena Ouvir: Lies, Alienate You II

Unsilent Death – Nails





















NOTA: 10/10


Se passaram dois anos, e foi lançado o segundo álbum deles, o Contra, que seguiu uma abordagem mais ampla. Após o álbum de estreia, o Vampire Weekend se tornou um dos nomes mais discutidos do Indie americano, mas também uma banda cercada por polêmicas culturais. Muitos críticos enxergavam o grupo como símbolo de privilégio universitário, exotização estética e elitismo intelectual. Para rebater isso, eles decidiram fazer um álbum em que as letras continuam repletas de referências culturais, imagens de classe alta e observações irônicas sobre a juventude privilegiada. A produção ficou mais rica e detalhada, incorporando mais elementos do Indietronica e World Music. As guitarras servem como textura rítmica, os sintetizadores são discretos, a cozinha rítmica é mais integrada e os vocais do Ezra Koenig soam mais emocionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No geral, é um ótimo disco e bastante ousado. 

Melhores Faixas: Holiday, Diplomat's Son, Cousins, White Sky 
Vale a Pena Ouvir: Giving Up The Gun, Run, Horchata

Abandon All Life – Nails





















NOTA: 9,8/10


Em 2013, o Nails retornava com seu 2º álbum, o Abandon All Life, que trouxe um reforço em seu peso. Após o Unsilent Death, esse novo trabalho representa um avanço porque a banda chega aqui com uma identidade muito mais consolidada e uma ambição maior dentro de uma proposta que continua sendo extremamente curta e agressiva. A diferença mais importante é que eles passam a explorar melhor o contraste entre velocidade e peso. A produção do Kurt Ballou, que colocou um som extremamente pesado e comprimido, mas sem transformar a banda em uma massa completamente indistinguível. As guitarras estão muito mais encorpadas e possuem uma quantidade enorme de distorção. O baixo ajuda a aumentar o peso, a bateria ganha bastante força, com os ataques sendo verdadeiras metralhadoras, e os vocais ásperos e urgentes de Todd Jones reforçam tudo. O repertório é incrível, e as canções são ainda mais caóticas. Enfim, é outro belo disco e bastante equilibrado. 

Melhores Faixas: Wide Open Wound, Suum Cuique, In Exodus, God's Cold Hands 
Vale a Pena Ouvir: Tyrant, Pariah, No Surrender, Absolute Control

You Will Never Be One Of Us – Nails





















NOTA: 9/10


Três anos se passaram, e o Nails lançava um trabalho novo, o You Will Never Be One of Us. Após o Abandon All Life, a banda chega a um ponto de maior maturidade sem abandonar aquilo que sempre foi essencial para ela: músicas curtas, agressivas, riffs esmagadores e uma postura extremamente confrontadora. A banda deixa sua sonoridade ainda mais pesada e trabalha melhor os contrastes entre velocidade, groove e momentos mais arrastados, aproveitando agora o fato de estar em uma das maiores gravadoras de Metal, a Nuclear Blast. A produção ficou extremamente seca e agressiva, mas que tem muita definição. As guitarras possuem uma distorção muito densa, enquanto a bateria e o baixo são extremamente presentes, e os vocais do Todd Jones continuam ásperos. Com isso, a banda consegue juntar todas as suas influências em um único álbum. O repertório é incrível, e as canções são esmagadoras e sufocantes. No geral, é outro álbum espetacular e preciso. 

Melhores Faixas: You Will Never Be One Of Us, Violence Is Forever, Life Is A Death Sentence, They Come Crawling Back 
Vale a Pena Ouvir: Friend To All, Into Quietus, In Pain

Every Bridge Burning – Nails





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2024, foi lançado o 4º e mais recente álbum da banda, o Every Bridge Burning. Após o You Will Never Be One of Us, o Nails enfrentou uma grande baixa: durante a pandemia, o baixista John Gianelli e o baterista Taylor Young acabaram saindo, e, no lugar deles, entraram Andrew Solis e Carlos Cruz. Além disso, houve a entrada de um guitarrista adicional, Shelby Lermo. Com isso, a banda toda repaginada, volta com uma abordagem mais metálica e guitarras mais trabalhadas. A produção seguiu por um caminho pesado e ainda mais denso, juntando Grindcore, Metalcore e Powerviolence. As guitarras possuem bastante corpo e distorção, a bateria apresenta ataques rápidos e grooves impactantes, o baixo consegue ser bem cortante, e os vocais do Todd continuam ásperos e carregados de uma ferocidade infernal. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas e carregam temas de desconforto. No fim, é um ótimo disco, mesmo que seja o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Give Me The Painkiller, No More River To Cross, Every Bridge Burning, Lacking The Ability To Process Empathy 
Vale a Pena Ouvir: Dehumanized, Punishment Map, Imposing Will


                                                                                              Bom é isso e flw!!!          

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Dfideliz

                  

Sou Rock N’ Roll – Dfideliz





















NOTA: 8,7/10


Em 2019, o Dfideliz lançava seu 1º álbum solo, intitulado Sou Rock N’ Roll, que trouxe algo bem interessante. Após o lançamento do Calzone Tapes, Vol. 2, o rapper, que tinha lançado pouco material solo fora da Recayd, decidiu preparar um álbum que sugere uma postura de atitude, rebeldia e liberdade, mas também passa por temas como morte, dinheiro, relacionamentos, identidade negra, drogas, ascensão social e vida na rua. A produção foi diversificada, contando com Nagalli, Pedro Lotto, DJ Felipe Rosa e outros, que colocaram beats pesados, carregados de 808s distorcidos, hi-hats discretos e pads atmosféricos, que conseguem dialogar tanto com o Trap e o Cloud Rap quanto com alguns momentos do R&B alternativo e Boom Bap. Os flows do Dfideliz alternam entre momentos cadenciados e mais melódicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e melódicas. No fim, é um ótimo álbum que envelheceu muito bem. 

Melhores Faixas: Fideliz Cê é Preto Carai, Axé (BK e Djonga amassaram), Essa Noite Eu Bebi, Interlúdio (Jé ficou só no refrão), Transei Com a Morte 
Vale a Pena Ouvir: Sou Rock N' Roll, Oração, Hoje Eu Tô Bem
  

Essa Minha Vida Bandida – Dfideliz





















NOTA: 3/10


No ano de 2023, o Dfideliz retornou lançando seu 2º e último álbum solo até então, o Essa Minha Vida Bandida. Após o Sou Rock N’ Roll, com o hiato da Recayd Mob, o rapper acabou assinando com a Mainstreet Records e já começava a preparar um projeto que gira principalmente em torno da ascensão social de um jovem negro, passando por dinheiro, criminalidade, relacionamentos, saudade, responsabilidade e gratidão. A produção contou com Nagalli, Galdino, RUNX e vários outros, que colocaram uma abordagem um pouco mais limpa, com beats amplos, carregados de 808s fortes, hi-hats constantes e pads atmosféricos, fazendo algo mais puxado para o Trap tradicional, mas com elementos do Jersey e do Trapfunk. Mas é aquilo: tudo soa muito sem graça e sem imersão, e os flows do Dfideliz não conseguem empolgar. O repertório é ruim, tendo canções genéricas e poucas interessantes. Enfim, é um trabalho fraco e esquecível. 

Melhores Faixas: Casaco de Grife (Leviano levou o som para ele), Sinto Mó Saudade, Preto Rico 2 
Piores Faixas: Intriga, Faço Dinheiro, Vudu, Meia Noite

Que A Vida Seja Jazz – Dfideliz





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o mais recente projeto dele, o EP Que A Vida Seja Jazz. Após o Essa Minha Vida Bandida, o Dfideliz acabou preparando um trabalho mais puxado para liberdade, família, perdas, amizade, espiritualidade, ambição e a experiência de ser um homem negro vindo da periferia. Além disso, esse projeto acabou sendo o último com a Mainstreet, já que ele já estava insatisfeito com os rumos da gravadora do Orochi. A produção contou com Lucas Spike, Baby, C4rlinhxs, Celo1st e Miguelisaneko, que colocaram uma abordagem mais refinada e melódica, com beats mais limpos, graves fortes, hi-hats discretos e baterias secas, que seguem uma abordagem do Trap, mas com elementos do Jazz Rap e R&B. O problema é que tudo é recheado de clichês previsíveis e com alguns flows cansativos. O repertório é fraco: tem canções legais e outras genéricas. Em suma, é um EP ruim e que não tem muito impacto. 

Melhores Faixas: Que A Vida Seja Jazz, Pra Que Eu Vou Chorar?, Desde 2016 
Piores Faixas: Jeito Livre de Ser, Deus É Insano, Faça Sua Própria Grana, Jeito Livre de Ser


                                                                                    Então é só e flw!!!     

Analisando Discografias - MC Igu

                 

Flow Deus – MC Igu





















NOTA: 8/10


Em 2017, o MC Igu lançava uma de suas várias mixtapes, sendo essa o Flow Deus. O rapper nasceu em Yamanashi e, ainda pequeno, veio para Itapetininga, município do estado de São Paulo, Brasil. Começando sua trajetória por volta de 2014, quando lançou alguns trampos de forma esporádica, no início ele tentava acompanhar tendências, mas, com o tempo, tornou-se um dos principais nomes a fazer Trap no Brasil. Naquele início de 2017, o Igu recém tinha entrado para a Recayd e já estava preparando esse trabalho aqui. A produção foi feita por ele próprio, que colocou beats bem minimalistas, com 808s fortes, hi-hats constantes, pads atmosféricos e baterias secas que seguem o Trap tradicional, mas também têm elementos do Cloud Rap e do Plugg. Os flows do Igu são bem puxados para o Mumble Rap, e ele consegue encaixá-los de forma precisa. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é uma ótima mixtape e bem ousada. 

Melhores Faixas: Flow Corey Taylor, Flow Anime, Flow Backyardigans 
Vale a Pena Ouvir: Flow INSS, Flow Guitarra Humana

Subliminar – MC Igu





















NOTA: 9/10


Em 2018, o MC Igu lançava seu álbum de estreia, intitulado Subliminar, que trouxe algo mais diferenciado. Após o Flow Deus, o rapper começou a se consolidar não só por estar na Recayd Mob, mas também por ser um dos principais nomes do começo do Trap no Brasil. Para seu álbum, ele decidiu explorar não só temas como sexo, drogas e ostentação, mas também existe uma forte presença de solidão, frustração, ambição, crítica à cena e referências pessoais. A produção foi feita pelo Igu junto com Rare Kidd, que colocaram beats mais pesados, com 808s distorcidos, hi-hats constantes, pads amplos e atmosféricos e synths melódicos que dialogam tanto com o Trap quanto com o Cloud Rap e o Emo Rap. Os flows seguem aquela vibe do Mumble Rap, mas, ao mesmo tempo, conseguem ser claros e energéticos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas, tendo também algumas mais reflexivas. No fim, é um baita álbum de estreia e um clássico do Trap nacional. 

Melhores Faixas: 7 P.M. In Mariana, G-Quan III (Derek amassou), Buenos Aires, Blefe, Michael Myers, Nanana, Facetime, Double Cup 
Vale a Pena Ouvir: Odeia-Me, Sugee (Recayd inteira aqui), NÓISEGARANTE

Aurélio³ - MC Igu





















NOTA: 8,6/10


Dois anos se passaram, e o MC Igu lançava seu 2º álbum de estúdio, o eufórico Aurélio³. Após o Subliminar, o rapper decidiu fazer uma continuação da mixtape Aurélio 2, que tinha lançado em 2016, descrita como uma continuação do Dicionário Aurélio, por conta da linguagem utilizada e da semântica transmitida. Fora a simbologia, já que a capa é uma referência à obra O Mar de Satta na Província de Suruga, criada pelo artista Hiroshige. A produção foi feita pelo rapper junto com Nagalli, Celo1st, Kouth e outros, que colocaram beats mais variados, com 808s pesados, hi-hats discretos, synths melódicos e pads mais atmosféricos, que conseguem transitar tanto pelo Trap quanto pelo Cloud Rap. Aqui, os flows do Igu seguem aquele seu estilo característico, contendo momentos quebrados e outros um pouquinho mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e carregadas de lifestyle. No geral, é um ótimo trabalho e muito consistente. 

Melhores Faixas: Bombay, Dolce & Gabbana, Drip, Subaru (Jé foi bem demais), Venom, Club
Vale a Pena Ouvir: CA$HALTO, Rally, Patek, Assalto (Dfideliz mandou bem)

Hora do Rush – Jé Santiago & MC Igu





















NOTA: 8,8/10


Na metade daquele mesmo ano de 2020, o MC Igu e Jé lançam a mixtape colaborativa Hora do Rush. Após o Aurélio³, eles decidiram fazer um projeto que faz referência direta à franquia cinematográfica A Hora do Rush: Igu assumia a referência a Jackie Chan, enquanto Jé representava Chris Tucker. A ideia era justamente brincar com essa dupla de personagens e transportar a dinâmica dos filmes para a música. O projeto foi dividido em 3 EPs até ser unificado. A produção foi feita inteiramente por Nagalli, que colocou 808s pesados, hi-hats precisos, synths discretos e pads mais atmosféricos, fazendo assim um Trap caprichado e deixando espaço para cada um. Os flows do Igu são mais variados e mantêm aquele seu estilo, enquanto Jé é um contraponto com seus flows mais técnicos. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem divertidas. No final de tudo, é uma ótima mixtape e muito bem-feita. 

Melhores Faixas: BALENCIAGA, MERCEDES, TT, BISKAT (Culpa do Nagalli) 
Vale a Pena Ouvir: SNAKES, HONDA

OG – MC Igu





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram, e o MC Igu lançava mais um trabalho novo, intitulado OG. Após o Hora do Rush com Jé, ele decidiu fazer um projeto que reafirma sua posição dentro da cena, tanto que o título, associado a “Original Gangster”, aqui funciona muito mais como uma afirmação de veterania e autenticidade dentro do Trap. Igu aparece como alguém que já atravessou diferentes fases da cena e agora pode simplesmente fazer música dentro de seu próprio universo. A produção foi diversificada, contando com Celo1st, Ecologyk, Langris e outros, que colocaram beats mais orgânicos, que contam com 808s fortes, hi-hats discretos e pads mais melódicos. Os flows do Igu ficaram ainda mais variados, contando com momentos agressivos, cadenciados e, claro, aquela vibe puxada para o Mumble Rap. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem mais envolventes e carregadas de lifestyle. No geral, é um trabalho bem legal e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Hayabusa, Amiri, Game (Yunk Vino amassando), 1 
Vale a Pena Ouvir: Foshow (Tchelo mandou bem demais), Modelo, STU, Sheik

Zzz, Vol. 1 – MC Igu





















NOTA: 5/10


Em 2023, o MC Igu volta lançando mais uma mixtape nova, sendo essa Zzz, Vol. 1. Após o OG, o rapper, aproveitando o hiato da Recayd, decidiu fazer um trabalho bem mais curto e direto. Ele decidiu explorar temas como lifestyle, drogas, vida noturna e referências de luxo, em uma abordagem que fosse mais refinada. A produção foi diversificada, contando com Celo1st, 22Cartel, JD On Tha Track e afins, que colocaram beats mais melódicos, com 808s fortes, hi-hats discretos e uma maior presença de sintetizadores, que não só dialogam com o Trap tradicional, como também com o Plugg e o New Jazz. Mas o problema é que tudo soa muito confuso, com os flows do Igu ficando bem cansativos. O repertório é mediano: tem canções legais e outras esquecíveis. Enfim, é uma tape fraquinha e irregular. 

Melhores Faixas: GTA (Yunk Vino levou o som para ele), Lombrado 
Piores Faixas: 20 Minutos, A Novinha

Zzz, Vol. 2 – MC Igu





















NOTA: 5/10


No dia seguinte, ele já lançou Zzz, Vol. 2, que praticamente não trouxe algo tão diferente. Esse trabalho foi feito no mesmo período do anterior, seguindo uma abordagem bem mais crua e direta. Fora que também foi decidido seguir uma estética muito mais atmosférica e densa, principalmente nos temas. A produção contou praticamente com os mesmos nomes, que colocaram beats mais amplos, contando mais com 808s fortes, hi-hats constantes e pads texturizados que dialogam desde o Trap, Plugg, Cloud Rap e até o Drill. O problema, de novo, é que tudo soa muito confuso, faltando algo mais bem encaixado, e os flows do Igu novamente são muito cansativos e faltando variação. O repertório é irregular: tem canções legais e outras bem fraquinhas. No fim, são dois trabalhos medianos, aos quais faltou coesão. 

Melhores Faixas: Duke, Plano B (de novo, Yunk Vino amassando) 
Piores Faixas: Zidane, Meca

Barter 7 – Derek





















NOTA: 6/10


No ano seguinte, foi lançado seu 3º álbum, intitulado Barter 7, que tentou ser mais variado. Após o Zzz, Vol. 1 e 2, ele decidiu fazer um trabalho que saísse um pouco da zona de conforto, fazendo referência evidente ao universo de Young Thug e à tradição de Barter 6, algo que também aparece na maneira como Igu trata o Trap como uma plataforma para explorar flows, melodias, drogas, dinheiro e ostentação. A produção contou com Nagalli, Neckklace, 808 Melo e outros, que colocaram beats amplos, contando com 808s carregados, hi-hats constantes, pads precisos e synths discretos, dialogando ainda com o Trap tradicional e com elementos do Plugg e do Jersey Club. Os flows do Igu tiveram um pouco mais de variação, só que isso acaba ficando cansativo, e muitos elementos da produção já soam bem datados. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções que são bem fraquinhas. Enfim, é um trabalho mediano e muito impreciso. 

Melhores Faixas: Real, 911, México, Wakaflocka 
Piores Faixas: Fora do País, 7pm In Hiroshi, Mano Vivendo Igual Boy, Relikias

Noites em Nagoya – MC Igu





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos a 2026, quando o MC Igu voltou com seu mais novo álbum, o Noites Em Nagoya. Após o Barter 7, o rapper decidiu fazer um trabalho que fosse bem mais consistente e que reforçasse uma estética que mistura cultura japonesa, vida noturna, Trap, moda, drogas, rua e referências à cultura Pop. Fazendo assim um projeto que é bem tematizado e que foge um pouco de acompanhar as tendências atuais da cena. A produção foi feita apenas por Chulo e Loudpacc, que colocaram beats variados, contando com 808s fortes, synths melódicos, hi-hats precisos e pads amplos que dialogam bem mais com um Trap melódico, Jersey Club, Plugg e alguns momentos de Drill. Os flows do Igu ainda seguem aquela estética do Mumble Rap, só que ele consegue variar entre momentos cadenciados e energéticos. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e mais noturnas. No fim, é um trabalho muito legal e que finalmente foi um acerto. 

Melhores Faixas: Hennessy, Yabai, Menozin de 13, Dina D, +18 Fujifilm 
Vale a Pena Ouvir: Pyong, Kamasutra, Papaléguas


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Jé

                 

Re: Ciclo, Lado A – Jé Santiago





















NOTA: 8/10


Em 2017, Jé Santiago lançava sua mixtape Re: Ciclo, Lado A, que trazia uma abordagem bem diferente. Após o lançamento do Calzone Tapes, Vol. 1 com a Recayd, o rapper já estava iniciando seus trabalhos solos, só que, nessa época, ele não estava totalmente orientado para o Trap, já que fazia uma parada que era muito orientada para um lado mais puxado para love songs. Com isso, ele fez uma obra que reciclava momentos e sentimentos. A produção contou com Aren, The Boy, Rocca Beat, entre outros, que colocaram beats limpos orientados para o R&B alternativo, Trap e alguns elementos de Afrobeats. Aqui, os flows do Jé são bem mais cadenciados, além de ter momentos mais orientados para vocais melódicos e sentimentais. O repertório é legalzinho, e as canções são bem envolventes e, ao mesmo tempo, suaves. No fim, é um ótimo projeto e que é bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Netflix, Jovem $anti Season 2.0 
Vale a Pena Ouvir: O Que Ela Quer, Vícios, Tão Distantes

O Bagulho É Trap – Jé





















NOTA: 9/10


No ano de 2020, foi lançado o 1º álbum solo do Jé, o sensacional O Bagulho É Trap. Após Re: Ciclo, Lado A, o rapper se consolidou na Recayd Mob, tornando-se também um dos principais nomes da cena do Trap nacional, já que sabia fazer canções ágeis e cheias de vibe. Ao mesmo tempo, ele já não precisava provar que conseguia transitar entre estilos: a questão agora era descobrir até onde poderia levar sua identidade dentro do Trap propriamente dito. A produção foi feita inteiramente pelo Nagalli, que colocou beats orgânicos contando com 808s pesados, hi-hats constantes, pads e ambiências sutis que funcionam como plano de fundo e podem dialogar tanto com Trap quanto com Cloud Rap em alguns momentos. Os flows do Jé são bem precisos e, às vezes, cadenciados. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e, ao mesmo tempo, atmosféricas. No final de tudo, é um belo álbum, muito consistente. 

Melhores Faixas: Diñero, Intro (Traphouse), Studio (Derek mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Champagne, Stripper

O Bagulho É Trap II – Jé





















NOTA: 9,2/10


No ano de 2023, Jé voltou com o maravilhoso O Bagulho É Trap II, que foi bem mais fluido. Após o álbum anterior, o rapper tinha recém-criado seu próprio selo, assim como Derek, a TrapHits (que está viva até hoje), além de também ter aparecido, nesse meio-tempo, em alguns outros projetos. Para esse trabalho, ele decidiu fazer algo que fosse mais estético, explorando um caminho mais ousado. A produção contou com Nagalli, Lucas Spike, Celo1st, Neckklace, entre outros, que colocaram beats mais pesados, com 808s bem marcados, hi-hats rápidos, synths melódicos e pads atmosféricos que funcionam tanto para o Trap quanto para o Cloud Rap. Os flows do Jé ficaram mais técnicos, conseguindo surfar na wave, seja em momentos melódicos ou mais densos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e, ao mesmo tempo, atmosféricas. No geral, é um baita álbum que conseguiu superar o anterior em todos os sentidos. 

Melhores Faixas: Rick Ross, Bola Outro (Brocasito amassou), Camuflado de BAPE, Porsche "Ye Yo", Nos Tempos de Motorola, Racks On Racks 
Vale a Pena Ouvir: Megatron, Guap

Nova Ordem Mixtape – Jé





















NOTA: 8/10


Em 2024, foi lançado o trabalho mais recente do Jé, que foi Nova Ordem Mixtape. Após O Bagulho É Trap II, ele decidiu fazer um projeto que não só reafirmava sua posição na cena, mas também dava uma chance para o pessoal da sua gravadora aparecer nessa mixtape. O rapper afirmou que se inspirou em trabalhos de Jay-Z, Emicida e Kanye West para poder fazer isso aqui. A produção foi diversificada, contando com Rare Kidd, Isaac, Tuti, entre outros, que colocaram beats amplos que transitam entre o Trap tradicional, Plugg, Detroit e o Trap Soul. Contando, assim, com 808s fortes, hi-hats discretos, sintetizadores melódicos e, às vezes, alguns pads atmosféricos. Os flows do Jé continuam bem técnicos e precisos, conseguindo fluir entre os outros participantes. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até mais leves. Em suma, é um ótimo projeto que cumpre seu papel. 

Melhores Faixas: Eu Sou O Mano, Odeio Ficar Sóbrio, Eu Tenho Isso 
Vale a Pena Ouvir: Anjos & Demônios, Abençoado pt. 2, Arrogante


                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Nails

                  Obscene Humanity – Nails NOTA: 8/10 Em 2009, o Nails lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Obscene Human...