Grinding Stone – The Gary Moore Band
NOTA: 8/10
Em 1973, Gary Moore lançou seu 1º álbum junto com uma banda de apoio, o Grinding Stone. Após o 34 Hours, com o Skid Row, o guitarrista tinha recém-saído da banda e firmado um contrato com a CBS Records. Com ele formando um trio com John Curtis (baixo) e Pearse Kelly (bateria), decidiu fazer um álbum que juntava o Blues Rock com o Hard Rock que dominava o começo dos anos 70 e uma crescente curiosidade por estruturas mais experimentais, progressivas e jazzísticas. A produção foi feita pelo novato Martin Birch, que deixou um som orgânico e quente. A guitarra é bastante alternada entre riffs e longas passagens solistas. A bateria e a percussão ajudam a dar movimento às partes mais experimentais, enquanto o baixo mantém uma base suficientemente sólida para que Moore possa improvisar. O repertório contém 6 faixas, e todas elas são bem cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco, mas que acabou se tornando obscuro.
Melhores Faixas: Time To Heal, Grinding Stone
Vale a Pena Ouvir: Boogie My Way Back Home
Grinding Stone – Gary Moore
NOTA: 8,8/10
Cinco anos se passaram, e foi lançado o que é descrito como o 1º álbum solo de Gary Moore, o Back On The Streets. Após o Grinding Stone, o guitarrista participou de alguns projetos nesse meio tempo, com esse trabalho sendo uma reunião de todas essas experiências, além de ser lançado pela MCA Records. Ao mesmo tempo, Moore começa a desenvolver uma identidade mais emocional. Sua guitarra continua sendo agressiva quando necessário, mas há uma preocupação maior com melodia, atmosfera e sentimento. A produção foi feita por Chris Tsangarides junto com o guitarrista, que buscaram um som equilibrado e muito focado. As guitarras possuem presença variada entre momentos melódicos e agressivos, os teclados acrescentam dimensão e a bateria é bastante natural. Há um caldeirão que junta Hard Rock e elementos do Blues Rock e Jazz-Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. Enfim, é um disco bacana e que é bem variado.
Melhores Faixas: Parisienne Walkways (participação do Phil Lynott), Don't Believe A Word, Flight Of The Snow Moose, Back On The Streets
Vale a Pena Ouvir: Fanatical Fascists, What Would You Rather Bee Or A Wasp
Corridors of Power – Gary Moore
NOTA: 8,7/10
No ano de 1982, Gary Moore lançou seu 3º álbum solo, intitlado Corridors of Power. Após o Back on the Streets, ele começa a direcionar tudo isso para uma sonoridade mais pesada e acessível, aproximando-se do Hard Rock e do Heavy Metal que estavam ganhando força naquele período. Pela primeira vez em sua discografia solo, ele assume os vocais principais de maneira integral no álbum, algo que aumenta consideravelmente sua responsabilidade artística. A produção foi feita por Jeff Glixman e, lançado pela Virgin Records, o álbum seguiu um som limpo e pesado na medida certa. As guitarras possuem solos enormes, mas estão muito mais subordinadas à construção das canções. Já seus vocais são bem melódicos e seguros, fora também o resto da instrumentação, que dialoga muito com o AOR daquele período. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energéticas e intimistas. No fim, é um ótimo disco e que é bem divertido.
Melhores Faixas: Always Gonna Love You, Don't Take Me For A Loser, I Can't Wait Until Tomorrow, Falling In Love With You Vale a Pena Ouvir: End Of The World, Cold Hearted, Wishing Well
Dirty Fingers – Gary Moore
NOTA: 8/10
No ano seguinte, o Gary Moore lançava mais um álbum, o Dirty Fingers, que foi mais explosivo. Após o Corridos Of Power, esse novo projeto já tinha sido gravado antes de lançar o álbum anterior. A formação também é bastante forte. Tommy Aldridge na bateria, Jimmy Bain no baixo, Don Airey nos teclados e Charlie Huhn nos vocais formam uma banda extremamente competente. Moore, entretanto, continua sendo o centro absoluto do projeto. Produção conduzida por Chris Tsangarides, deixou um som mais direto e agressivo, com guitarras bastante presentes com riffs encorpados, bateria forte e baixo com peso suficiente para sustentar os riffs. A produção não tenta deixar o disco excessivamente sofisticado; sua prioridade é fazer a banda soar como uma unidade de Hard Rock com umas pitadas do Heavy Metal. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energeticas. Enfim, é um disco bacana e que cumpre bem sua proposta.
Melhores Faixas: Hiroshima, Don't Let Me Be Misunderstood
Vale a Pena Ouvir: Nuclear Attack, Rest In Peace, Run To Your Mama
Victims Of The Future – Gary Moore
NOTA: 9/10
Naquele mesmo ano, foi lançado mais um trabalho novo do Gary Moore, o Victims of the Future. Após o Dirty Fingers, o guitarrista parecia mais confortável com o peso. O Hard Rock fica mais agressivo, os riffs ganham mais importância e a guitarra assume uma posição ainda mais dominante. Ao mesmo tempo, ele não abandona as baladas nem o lado melódico, criando um contraste que passa a ser uma das características de sua carreira. A produção de Jeff Glixman seguiu um som pesado e, ao mesmo tempo, manteve uma certa clareza. A guitarra do Moore ocupa enorme espaço na mixagem. Os riffs têm peso, os solos são claros e existe bastante definição mesmo quando o arranjo fica carregado. A cozinha rítmica é bem decente, conseguindo ser bem sustentável, e os teclados ampliam a sonoridade. Fora os vocais, que são bem articulados e expressivos. O repertório é incrível, e as canções são muito imersivas. Enfim, é um belo disco e muito subestimado.
Melhores Faixas: Murder In The Skies, Teenage Idol, Empty Rooms, Law Of The Jungle
Vale a Pena Ouvir: All I Want, Victims Of The Future
Run For Cover – Gary Moore
NOTA: 9,2/10
Em 1985, Gary Moore lançou seu 6º álbum de estúdio, o maravilhoso Run for Cover. Após o Victims of the Future, vendo que o Hard Rock estava cada vez mais preocupado com refrões fortes, teclados, grandes solos e músicas capazes de funcionar tanto no rádio quanto nos palcos, Moore absorve esse ambiente, mas sem abandonar aquilo que o diferenciava: seu fraseado profundamente ligado ao Blues e sua capacidade de transformar solos em momentos realmente emocionais. A produção feita pelo cantor foi variada, contando com Andy Johns, Peter Collins, Beau Hill e Mike Stone, que colocaram uma sonoridade pesada e, ao mesmo tempo, polida. As guitarras continuam pesadas, mas existe uma preocupação maior com clareza, refrões e camadas de teclados. Enquanto isso, os vocais, que variam entre Moore e Glenn Hughes, funcionam muito bem. O repertório é excepcional, e as canções são todas bem divertidas. No geral, é um baita disco e carregado de energia.
Melhores Faixas: Out In The Fields (participação do Phil Lynott), Empty Rooms, Run For Cover, Reach For The Sky, Listen To Your Heartbeat
Vale a Pena Ouvir: Once In A Lifetime, Military Man
Wild Frontier – Gary Moore
NOTA: 9,1/10
Dois anos se passaram, e Gary Moore lançou mais um álbum novo, o Wild Frontier. Após o Run for Cover, esse projeto tem uma relação com a Irlanda do Norte, passando a ocupar o centro de sua composição. A viagem de volta a Belfast e o contexto político da região alimentaram um disco muito mais ligado às suas raízes irlandesas. Ao mesmo tempo, a morte do Phil Lynott, em janeiro de 1986, atingiu Moore profundamente. A produção, feita junto com Peter Collins, Pete Smith e James "Jimbo" Barton, buscou um som acessível, mas que não larga o peso. A guitarra do Moore tem bastante presença de médios e agudos, e seus solos continuam tendo aquela característica. Enquanto os teclados e o baixo complementam tudo, além, claro, da bateria eletrônica, que é utilizada de forma eficiente, fazendo esse diálogo do Hard Rock com o Rock Celta. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem cadenciadas e imersivas. Enfim, é um baita disco e muito profundo.
Melhores Faixas: Over The Hills And Far Away, Wild Frontier, The Loner, Take A Little Time
Vale a Pena Ouvir: Thunder Rising, Strangers In The Darkness
After The War – Gary Moore
NOTA: 8,4/10
Chegando ao fim dos anos 80, Gary Moore lançou mais um álbum novo, o After the War. Após o Wild Frontier, Moore procura ampliar novamente seu campo de atuação, recuperando o peso do Heavy Metal de seus trabalhos anteriores e, ao mesmo tempo, mantendo a preocupação com temas políticos, sociais e pessoais. Aproveitando também o momento em que o Hard Rock ainda estava no topo da mídia, mesmo que já houvesse uma certa saturação. A produção, feita inteiramente por Phil Collins, deixou um som limpo e relativamente sofisticado, mas existe uma preocupação maior em preservar o peso das guitarras do que transformar Moore em um produto radiofônico. Com isso, as guitarras possuem timbres bastante encorpados, com bastante sustain e médios suficientes para que seus solos permaneçam claros mesmo quando a banda está tocando de maneira pesada. O repertório é muito bom, e as canções são todas muito melódicas. Enfim, é um disco bacana e consistente.
Melhores Faixas: The Messiah Will Come Come Again, Running From The Storm, Led Clones (participação do Ozzy Osbourne), Livin' On Dreams Vale a Pena Ouvir: Blood Of Emeralds, After The War, This Thing Called Love
Still Got The Blues – Gary Moore
NOTA: 10/10
Entrando nos anos 90, Gary Moore lançou seu 9º álbum, o clássico Still Got the Blues. Após o After the War, ele já havia conquistado uma identidade muito forte como guitarrista, mas parecia cada vez mais interessado em retornar às suas raízes, já que o Blues sempre esteve presente na maneira como Moore tocava guitarra. Mesmo quando fazia Hard Rock, seus bends, vibratos e sua maneira de construir solos tinham uma forte ligação com guitarristas de Blues. A produção foi feita junto com Ian Taylor, que buscou um som mais orgânico e quente. O timbre da guitarra é obviamente o elemento central. Moore utiliza uma sonoridade encorpada, saturada e extremamente expressiva, permitindo que cada bend e cada vibrato tenham bastante definição, além de sua voz, que consegue ser muito expressiva. Além disso, a seção rítmica e os teclados deixam tudo mais aberto. O repertório é excepcional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma verdadeira obra-prima.
Melhores Faixas: Still Got The Blues, Oh Pretty Woman, Moving On, King Of The Blues, King Of The Blues, Walking By Myself, All Your Love
Vale a Pena Ouvir: Midnight Blues, Too Tired, That Kind Of Woman
After Hours – Gary Moore
NOTA: 8,7/10
Dois anos se passaram, e Gary Moore lançou seu 10º álbum, intitulado After Hours. Após o Still Got the Blues, onde encontrou uma combinação extremamente bem-sucedida entre sua experiência no Rock e suas raízes no Blues, em vez de tentar reinventar completamente sua abordagem, ele aprofunda a fórmula: Blues elétrico, baladas melancólicas, releituras de clássicos e participações de grandes nomes do gênero. A produção foi relativamente a mesma, mas apresenta uma instrumentação mais sofisticada. As guitarras ficaram com timbres quentes, encorpados e bastante sustentados; aparecem pianos, teclados, metais e backing vocals, que deixam uma atmosfera elegante. Diferentes combinações de baixo e bateria conseguem sustentar os grooves sem disputar espaço com Moore. O repertório é muito bom, e as canções são todas belíssimas e muito cadenciadas. No final, é um ótimo disco e que é bem variado.
Melhores Faixas: Story Of The Blues, Cold Day In Hell, Separate Ways, Since I Met You Baby (participação do B.B. King), Nothing’s The Same
Vale a Pena Ouvir: Only Fool In Town, The Blues Is Alright, Only Fool In Town
Blues For Greeny – Gary Moore
NOTA: 8,2/10
No ano de 1995, Gary Moore decidiu fazer um álbum em tributo a Peter Green com Blues for Greeny. Após o After Hours, o guitarrista dedicou esse projeto ao guitarrista e fundador do Fleetwood Mac. A ligação entre os dois era particularmente forte. Moore admirava profundamente Green e havia adquirido a famosa Gibson Les Paul de 1959 que pertencera a ele. Portanto, o projeto não funciona apenas como um disco de covers: existe uma tentativa de recuperar uma determinada sonoridade e, principalmente, a maneira emocional de tocar de Green. A produção, feita junto com Ian Taylor, seguiu uma sonoridade sofisticada. A guitarra é bastante expressiva, com menos preocupação em criar uma parede sonora e mais atenção à dinâmica das notas. Moore deixa o sustain trabalhar a seu favor, explorando bends, vibratos e pausas. O repertório nem preciso dizer que é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas. Enfim, é um disco bacana e muito honroso.
Melhores Faixas: Merry Go Round, Need Your Love So Bad, Showbiz Blues, I Loved Another Woman
Vale a Pena Ouvir: The Supernatural, Love That Burns, If You Be My Baby
Dark Days In Paradise – Gary Moore
NOTA: 6/10
Se passaram dois anos até Gary Moore lançar seu 12º álbum, o Dark Days in Paradise. Após o Blues for Greeny, o guitarrista decidiu abandonar temporariamente o Blues como centro de sua música e procurar uma sonoridade mais contemporânea. A ideia não era simplesmente voltar ao Hard Rock oitentista. Ele queria incorporar elementos de música eletrônica, Pop, Rock alternativo, música ambiente e outras influências que já faziam parte de sua formação. A produção, feita por ele junto com Chris Tsangarides e Andy Bradfield, buscou uma sonoridade acessível e limpa, que dialoga muito com o Pop Rock e alguns elementos do Dance alternativo, com uso de programação, batidas eletrônicas, teclados e camadas atmosféricas. Claro que a guitarra está presente, mas servindo mais como textura. O problema é que tudo soa arrastado e sem forma. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fracas. No fim, é um álbum mediano e ao qual faltou algo mais.
Melhores Faixas: One Good Reason, Like Angels, Afraid Of Tomorrow
Piores Faixas: Always There For You, One Fine Day, Business As Usual
NOTA: 8,5/10
Em 2001, Gary Moore lançou mais um álbum novo, intitulado Back to the Blues. Após o Dark Days in Paradise, já havia experimentado bastante coisa e agora retorna ao Blues com uma abordagem mais direta, pesada e despojada. A intenção parece ser recuperar a força do Blues Rock sem repetir exatamente a estética mais sofisticada dos discos do início dos anos 90. O álbum também surge como uma espécie de reação ao experimentalismo dos trabalhos anteriores. A produção, feita pelo guitarrista junto com Chris Tsangarides, deixou uma sonoridade enxuta e orgânica. O som da guitarra volta a dominar a mixagem, com aquele timbre grosso, sustentado e bastante agressivo. Os teclados aparecem para preencher os espaços, o baixo mantém a estrutura e a bateria dá bastante sustentação aos riffs. O repertório é muito bom, e as canções são bastante melódicas e imersivas. No fim, é um ótimo disco e que é bastante subestimado.
Melhores Faixas: Enough Of The Blues, Drowning In Tears, How Many Lies, Stormy MondayVale a Pena Ouvir: Picture Of The Moon, Cold Black Night, The Prophet
Em 2001, Gary Moore lançou mais um álbum novo, intitulado Back to the Blues. Após o Dark Days in Paradise, já havia experimentado bastante coisa e agora retorna ao Blues com uma abordagem mais direta, pesada e despojada. A intenção parece ser recuperar a força do Blues Rock sem repetir exatamente a estética mais sofisticada dos discos do início dos anos 90. O álbum também surge como uma espécie de reação ao experimentalismo dos trabalhos anteriores. A produção, feita pelo guitarrista junto com Chris Tsangarides, deixou uma sonoridade enxuta e orgânica. O som da guitarra volta a dominar a mixagem, com aquele timbre grosso, sustentado e bastante agressivo. Os teclados aparecem para preencher os espaços, o baixo mantém a estrutura e a bateria dá bastante sustentação aos riffs. O repertório é muito bom, e as canções são bastante melódicas e imersivas. No fim, é um ótimo disco e que é bastante subestimado.
Melhores Faixas: Enough Of The Blues, Drowning In Tears, How Many Lies, Stormy Monday
Vale a Pena Ouvir: Picture Of The Moon, Cold Black Night, The Prophet
Power Of The Blues – Gary Moore
NOTA: 6/10
Três anos se passaram, e Gary Moore lançou mais um trabalho novo, o Power of the Blues. Após o Back to the Blues, decidiu fazer um trabalho de Blues Rock pesado, aproveitando a experiência adquirida durante toda a carreira. A formação também favorece essa proposta: Gary Moore na guitarra e voz, Bob Daisley no baixo e Darrin Mooney na bateria, com Jim Watson aparecendo nos teclados em algumas músicas. A produção foi relativamente a mesma, só que agora indo para uma sonoridade crua e agressiva. O baixo do Daisley possui presença, distorção e bastante peso, quase como uma segunda guitarra em alguns momentos. A bateria do Mooney também é mais agressiva do que seria habitual no Blues tradicional. A guitarra do Moore domina naturalmente a produção. O timbre é grosso, saturado e cheio de sustain, mas sem abandonar a expressividade do gênero. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem robustas. Em suma, é um ótimo disco e que é bem pesado.
Melhores Faixas: That's Why I Play The Blues, There's A Hole, Torn Inside
Vale a Pena Ouvir: Power Of The Blues, Evil, Memory Pain
Então é isso e flw!!!




















