sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Hermitude: Parte 1

                  

Alleys To Valleys – Hermitude





















NOTA: 8,2/10


Em 2003, o duo Hermitude lançava seu álbum de estreia, intitulado Alleys to Valleys. Formado em 2000 na região montanhosa de Blue Mountains, New South Wales, na Austrália, pela dupla Luke Dubber (Luke Dubs) e Angus Stuart (Elgusto), em um período em que os dois estavam desenvolvendo uma abordagem própria para o Rap instrumental. A produção, feita pela própria dupla, colocou batidas cuidadosas, evitando que elas fossem simplesmente loops repetidos durante vários minutos. Há uma preocupação constante com textura, dinâmica e pequenas mudanças dentro dos arranjos. Os samples, teclados, efeitos, linhas de baixo e elementos percussivos são colocados de maneira a criar uma sensação de movimento, que faz esses elementos dialogarem com características do Jazz, Ambient e do Trip Hop. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas. Enfim, é um ótimo disco e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Alleys To Valleys, Splendid Isolation, Gusto's Theme, Cave Styles 
Vale a Pena Ouvir: Moth Journey, Imaginary Friends (AV), Space Evaders, Fire Up The Converters
  

Tales Of The Drift – Hermitude





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e o Hermitude lançava seu 2º álbum, intitulado Tales of the Drift. Após o Alleys to Valleys, que estabeleceu uma identidade baseada no Rap instrumental, Jazz e um pouco da música eletrônica, o primeiro álbum ainda tinha bastante daquela característica de produtores explorando samples e construindo atmosferas. No seu sucessor, a intenção foi expandir essa fórmula e fazer com que a música tivesse uma presença mais orgânica. A produção foi bem mais orgânica, com eles tendo uma preocupação maior em tocar e manipular os próprios instrumentos. Isso deixa o som mais vivo e também permite que as músicas tenham mais personalidade individual. Os beats continuam quebrados, os samples continuam importantes e existe uma forte preocupação com a manipulação do som, fazendo tudo de forma bem fluida. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e variadas. No fim, é um disco bacana e que merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Tapedeck Sound, Madness in G Minor, Galactic Cadillac, The Drift, You Got Soul 
Vale a Pena Ouvir: Nightfall's Messenger, Dubs' Theme, Mystical Herm's

Threads – Hermitude





















NOTA: 8/10


Mais três anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho do Hermitude, o Threads. Após o Tales of the Drift, a dupla estava cada vez mais interessada em transformar essa base em algo mais amplo e musical. Com isso, eles começaram a se afastar um pouco da lógica de simplesmente construir instrumentais e passaram a trabalhar com estruturas mais elaboradas, participações vocais e uma sonoridade eletrônica mais evidente. A produção foi mais cinematográfica, ainda contendo a utilização de samples e programação eletrônica, mas começou a construir músicas com arranjos mais completos, incorporando uma quantidade maior de instrumentos e texturas. Com isso, ainda há elementos do Rap instrumental, só que agora também há passagens do Downtempo e Glitch Hop. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais densas. No geral, é um trabalho interessante, mesmo que faltasse algo mais. 

Melhores Faixas: Frayed, Slychain 
Vale a Pena Ouvir: New People, Bloodshoot, Stepping Stones

HyperParadise – Hermitude





















NOTA: 8,3/10


No ano de 2012, o Hermitude voltava com um novo disco, o HyperParadise, de forma repaginada. Após o Threads, a dupla já tinha passado anos desenvolvendo sua linguagem, mas aqui encontrou uma maneira de tornar seu experimentalismo muito mais acessível. Em vez de abandonar a complexidade dos trabalhos anteriores, Luke Dubs e El Gusto começaram a organizar suas ideias em torno de grooves mais fortes e melodias mais marcantes. A produção seguiu por um caminho bem orientado para as pistas de dança, com eles juntando Wonky e Glitch Hop a elementos do Future Bass e Funktronica. Os sintetizadores têm uma textura granulada, enquanto as baterias podem alternar entre algo bastante seco e agressivo e momentos mais espaçosos. Os beats possuem um efeito glitcheado e contam com graves fortes, além da presença de percussão. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e futuristas. No geral, é um disco bacana e que foi a virada de chave. 

Melhores Faixas: Get In My Life, HyperParadise, Speak Of The Devil 
Vale a Pena Ouvir: The Hunt, The Villain, Cloud City


                                                                            Então é isso, um abraço e flw!!!                

Analisando Discografias - Teddybears

                 

You Are Teddybears – Teddybears STHLM





















NOTA: 8,2/10


Em 1993, o Teddybears lançava seu álbum de estreia, o You Are Teddybears, em uma vibe totalmente diferente. Formado três anos antes, na capital sueca, Estocolmo, o grupo era composto por Patrik Arve nos vocais, Klas Åhlund na guitarra, Glenn Sundell na bateria e Joakim Åhlund no baixo. No começo, eles eram, na verdade, uma banda de Hardcore Punk, mas já pensavam em trabalhar com a velocidade e a brutalidade do gênero, ao mesmo tempo em que demonstravam interesse por ruídos, efeitos e elementos eletrônicos. A produção feita por Adam Kviman junto com a banda e lançado pelo selo MVG, resultando em um som cru e direto. As guitarras são ásperas, o baixo é sustentado, a bateria é seca e acelerada, e os vocais são utilizados de maneira muito mais próxima de um ataque Hardcore do que de uma interpretação convencional. O repertório é muito bom, e as canções são bastante energéticas e pesadas. Enfim, é um ótimo álbum, carregado de peso. 

Melhores Faixas: Goldfinger, The Art Sucks It Up, Only In America, Backbite 
Vale a Pena Ouvir: Taken By Surprise, Step On It, Gimme No Producer, Powertrip, Fuse

I Can't Believe It's Teddybears Sthlm – Teddybears Sthlm





















NOTA: 8,5/10


Três anos se passaram, e o Teddybears lança seu 2º disco, o I Can't Believe It's Teddybears Sthlm. Após o You Are Teddybears, eles continuavam profundamente ligados à cena Hardcore e ao peso das guitarras, mas começavam a incorporar uma quantidade maior de elementos eletrônicos, scratches, beatbox, percussão e outras texturas que apontavam para uma mudança de direção. Também houve uma mudança na bateria, com Erik Olsson substituindo Glenn Sundell. A produção ficou por conta de Christian Falk junto com a banda, deixando o som mais organizado, mas preservando aquela sujeira, além de juntar elementos do Rock Alternativo e do Trip Hop. As guitarras continuam pesadas e distorcidas, mas não ocupam todo o espaço, deixando o baixo e a bateria terem mais diálogo, enquanto os vocais do Patrik Arve são bem variados. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bem divertidas. Enfim, é um disco bacana de uma época subestimada. 

Melhores Faixas: Magic Finger, Kanzi, Two Time Nation, Stumbles & Falls, Boris 
Vale a Pena Ouvir: Fish Out Of Water, Rude Criminal, Me, Mum & Daddy

Rock 'N' Roll Highschool – Teddybears Sthml





















NOTA: 8/10


Foi só cinco anos depois que eles retornaram, nos anos 2000, com Rock 'N' Roll Highschool. Após o I Can't Believe It's Teddybears Sthlm, a banda decidiu largar aquela abordagem do Hardcore Punk e passou a adotar música eletrônica, Rap, Reggae, Dance, Pop e elementos do Rock, enquanto as guitarras agressivas e os vocais gritados que dominavam o início da carreira deixaram de ser protagonistas. A produção ficou por conta do Phat Fabe junto com a banda e seguiu por um caminho mais sofisticado e acessível, passando a trabalhar com loops, samples, programação eletrônica, scratches, baixos mais destacados e baterias construídas para produzir groove. As guitarras ficaram bem mais econômicas, enquanto os vocais passaram a ter maior uso de processamento e variação, dialogando muito com a Indietronica e o Dance Alternativo. O repertório é muito legal, e as canções são até que bem divertidas. Enfim, é um trabalho bem legal e que foi uma mudança de rota. 

Melhores Faixas: Punkrocker, Yours To Keep, Rock 'N' Roll Highschool 
Vale a Pena Ouvir: Automatic Lover, Ahead Of My Time, Digital Cowboy

Fresh! – Teddybears





















NOTA: 3/10


No ano de 2004, foi lançado um novo álbum do Teddybears, intitulado Fresh!, que foi ainda mais eletrônico. Após o Rock 'N' Roll Highschool, a banda já tinha deixado para trás a estética dos primeiros discos, e aqui mostra-se ainda mais interessada em criar músicas que funcionem pelo impacto imediato, pelos grooves e pelos refrões. A influência do Rap continua evidente, principalmente na maneira como as batidas são construídas e nos vocais dos convidados, além do foco nas pistas de dança. A produção ficou muito mais limpa e controlada. A guitarra aparece de maneira pontual, os graves possuem bastante presença e as batidas são construídas para fazer as músicas se movimentarem. Só que o problema é que o uso de scratches, efeitos e distorções deixa tudo muito desorientado, ficando recheado de quebras. O repertório é ruim, tendo canções genéricas e poucas que sejam interessantes. Enfim, é um álbum fraco, e aqui começou a derrocada. 

Melhores Faixas: Cobrastyle, Magic Kraut, The Lord's 115th Dream 
Piores Faixas: Little Stereo, Hey Boy, Check, Teddybear Music

Soft Machine – Teddybears





















NOTA: 4/10


Dois anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho, o Soft Machine, que foi bastante ambicioso. Após o Fresh!, a banda tinha assinado com a Big Beat Records, subsidiária da Atlantic. O que decidiram fazer nesse projeto foi pegar algumas músicas que tinham aparecido nos dois últimos álbuns e retrabalhá-las para essa nova fase. Por isso, o disco funciona menos como uma ruptura artística e mais como uma espécie de apresentação definitiva da estética deles. A produção ficou bem mais polida e direcionada para a abordagem do Electropop e do Dance Alternativo daquele período. Com isso, temos baterias programadas, baixos muito presentes, sintetizadores, guitarras processadas, efeitos e camadas eletrônicas, além de vocais que são variados dependendo do convidado. Mas, no geral, tudo é bem repetitivo e soa como um produto de sua época. O repertório continua bem fraquinho: tem algumas canções que ficaram legais e outras nem tanto. Enfim, ainda assim, é um projeto ruim. 

Melhores Faixas: Punkrocker (participação do Iggy Pop), Automatic Lover, Black Belt, Cobrastyle 
Piores Faixas: Riot Going On, Are You Feelin' It, Alma, Different Sound, Little Stereo

Devil's Music – Teddybears





















NOTA: 3/10


Entrando no ano de 2010, eles voltaram com seu 6º álbum, o modernoso Devil’s Music. Após o Soft Machine, Joakim e Klas Åhlund continuaram envolvidos em outros trabalhos musicais. O grupo chega a este disco com uma visão muito mais próxima do Pop eletrônico contemporâneo, mas sem abandonar aquela postura meio debochada e exagerada que sempre esteve presente desde a transformação da banda. A produção foi bastante polida, dialogando com as tendências da música eletrônica do começo da década passada: baterias secas e fortes, graves marcantes, sintetizadores chamativos, riffs simples e repetitivos e uma tendência a construir músicas ao redor de hooks muito fáceis de memorizar. O álbum junta elementos do Electropop com elementos do Dancehall e do Synth-pop, mas fica bem monótono. O repertório é péssimo, tendo poucas canções interessantes, com a maioria sendo sem graça. No geral, é outro álbum terrível de uma banda deslocada. 

Melhores Faixas: Cho Cha, Glow In The Dark, Crystal Meth Christian 
Piores Faixas: Cardiac Arrest, Wolfman, Devil's Music, Rocket Scientist, Get Fresh With You

Rock On! – Teddybears





















NOTA: 2/10


Então chegamos a 2016, quando foi lançado o último álbum até então do Teddybears, o Rock On!. Após o Devil’s Music, eles decidiram fazer um trabalho bem mais enxuto e direto, quase como uma coleção de músicas construídas em torno de diferentes convidados e ritmos. Isso, ao mesmo tempo, seria uma tentativa de força, só que acaba sendo muito mais uma fraqueza. A produção, feita pelo próprio Teddybears, seguiu muito mais uma sonoridade do Dancehall, com alguns elementos do Dance Alternativo. O álbum faz grande uso de baterias eletrônicas, baixos fortes, sintetizadores, guitarras processadas e muita presença de vocoder. Mas tudo soa bastante reciclado e chega a beirar a coisa mais tediosa que você está escutando, já que não há variação e todos os ganchos beiram o insuportável. O repertório é tenebroso, e as canções são ridículas, com apenas uma que se salva. Em suma, é um álbum horroroso e que chega a ser vergonhoso. 

Melhor Faixa: Sunshine 
Piores Faixas: Rock On, Best You Ever Had, Shades, Ninja, What's Your Problem?, Marathon Man


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Sleep Token

                  

One – Sleep Token





















NOTA: 8/10


Em 2016, o Sleep Token lançou seu 1º EP, intitulado One, que serviu como uma espécie de prólogo. A banda, formada naquele ano por duas pessoas cuja verdadeira identidade não conhecemos, vindo lá de Londres, tinha uma proposta que misturava Metal moderno com elementos de atmosferas ambientes, piano e toques do R&B. O que acontece é o seguinte: o vocalista Vessel acabou recebendo a presença de uma entidade ancestral chamada Sleep em seus sonhos e, com isso, passou a adorá-lo, enquanto o baterista II é praticamente um receptáculo secundário. A produção, feita por George Lever, colocou um som bem detalhado, deixando espaço entre os instrumentos e permitindo que o piano, os sintetizadores e a voz tenham uma presença muito forte antes que as guitarras e a bateria apareçam para aumentar a dimensão das músicas. O repertório contém 3 faixas muito boas, que servem como o começo dessa história. No geral, é um ótimo EP e era só o comecinho. 

Melhores Faixas: Fields Of Elation, Thread The Needle 
Vale a Pena Ouvir: When The Bough Breaks

Two – Sleep Token





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, eles retornam com seu 2º EP e aqui as coisas começam a ficar mais sérias. Após o One, que ainda soava como um projeto experimentando diferentes possibilidades, aqui existe uma sensação maior de direção. As músicas continuam longas e atmosféricas, mas as transições parecem mais naturais e a composição consegue equilibrar melhor melodia, ambientação e peso. Já na lore, aqui começa uma série de atritos entre essa adoração exagerada do Vessel por Sleep. A produção foi a mesma, só que seguiu por um caminho mais elaborado, juntando elementos do metal alternativo com o metal progressivo e um pouco do R&B alternativo. O piano e as texturas ambientais continuam tendo um papel importante, enquanto as guitarras e a bateria aparecem principalmente para ampliar os momentos de tensão, deixando os vocais do Vessel mais próximos. O repertório novamente contém 3 faixas muito boas. Enfim, é um ótimo EP e ainda mais imersivo. 

Melhores Faixas: Jericho, Calcutta 
Vale a Pena Ouvir: Nazareth

Sundowning – Sleep Token





















NOTA: 9/10


Em 2019, o Sleep Token lançou seu então aguardado álbum de estreia, o Sundowning. Após os EPs One e Two, a banda assinou com a Spinefarm e, aqui, decidiu fazer um trabalho que mostra todo o conceito da lore deles, que parece funcionar como uma jornada emocional, com temas relacionados a desejo, dependência, intimidade, sofrimento, obsessão e todo esse relacionamento complicado do Vessel com a divindade Sleep, que só olha para ele como mais um receptáculo. A produção, feita por George Lever, deixou um som bem dinâmico, transitando entre Metal alternativo, Djent, Art Pop e Pop alternativo. Com isso, temos guitarras bem texturizadas; o baixo sustenta o movimento, enquanto a bateria consegue definir cada proposta das músicas, deixando os vocais do Vessel transmitirem emoção e uma certa intensidade. O repertório é incrível, e as canções são belíssimas e imersivas. Em suma, é um baita disco de estreia e bem estruturado. 

Melhores Faixas: The Offering, Gods, The Night Does Not Belong To God, Sugar, Blood Sport, Say That You Will 
Vale a Pena Ouvir: Higher, Levitat, Dark Signs

This Place Will Become Your Tomb – Sleep Token





















NOTA: 9,2/10


Dois anos se passaram, e o Sleep Token lançou seu 2º álbum, o This Place Will Become Your Tomb. Após o Sundowning, esse novo trabalho apresenta uma abordagem mais sombria, introspectiva e emocionalmente pesada. Em vez de depender tanto do contraste entre delicadeza e explosões do metal, o disco passa boa parte do tempo trabalhando em regiões intermediárias, criando uma atmosfera mais uniforme. Aqui, Vessel passa a ser dominado ainda mais pela dependência emocional que tem por Sleep. A produção, feita mais uma vez por George Lever, apresenta uma sonoridade extremamente atmosférica, com sintetizadores e piano dialogando com as guitarras, que são pesadas, mas servem como camadas. Os baixos, a bateria e as diferentes camadas eletrônicas conseguem sustentar aquele groove mais Pop, fora, claro, os vocais do Vessel, que ficaram mais vulneráveis. O repertório é sensacional, e as canções são bem profundas. No fim, é um belo disco e muito consistente. 

Melhores Faixas: Hypnosis, Alkaline, Mine, Atlantic, High Water, Like That 
Vale a Pena Ouvir: The Love You Want, Descending, Missing Limbs

Take Me Back To Eden – Sleep Token





















NOTA: 8,7/10


Mais dois anos se passam, e o Sleep Token fecha essa trilogia com Take Me Back To Eden. Após o This Place Will Become Your Tomb, esse trabalho mostra um conceito envolvendo Sleep, Vessel e a ideia de Eden, que continua servindo como pano de fundo, mas o disco funciona mesmo para quem não acompanha toda a mitologia da banda. Sendo, no geral, o momento em que Vessel percebe a rejeição da entidade e acaba se libertando desse controle. A produção, feita por Carl Bown junto com a pessoa por trás do Vessel, colocou um som muito mais definido, aumentando consideravelmente a quantidade de camadas, texturas e contrastes. Há sintetizadores, piano, guitarras extremamente graves, bateria pesada, elementos eletrônicos, vocais processados e momentos que praticamente entram no território do Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e densas. No fim, é um ótimo disco, com eles chegando ao topo. 

Melhores Faixas: The Summoning, Vore, Take Me Back To Eden, Chokehold 
Vale a Pena Ouvir: Rain, Are You Really Okay?, Granite

Even In Arcadia – Sleep Token





















NOTA: 8,2/10


Então chegamos a 2025, quando o Sleep Token lançou seu 4º álbum, o odiado Even In Arcadia. Após o Take Me Back To Eden, a banda tinha assinado com a RCA e decidiu pegar algumas características que já apareciam anteriormente, principalmente o pop e o uso de ritmos derivados do hip-hop, enquanto deixa o metal em uma posição menos dominante. Mas isso tem a ver com os temas que exploram, quebrando a quarta parede, já que eles chegaram ao topo, como a entidade Sleep os prometeu, só que agora eles têm que enfrentar as consequências. A produção, feita por Carl Bown, colocou um som polido e extremamente controlado, que junta elementos do Alt-Pop com Trap, R&B alternativo, Djent e Metal alternativo. Com as guitarras dividindo espaço com elementos eletrônicos, além de corais e cordas que deixam os vocais do Vessel bem variados. O repertório é muito bom, e as canções são bem melancólicas. No fim, é um ótimo disco e criminosamente execrado. 

Melhores Faixas: Dangerous, Emergence, Infinite Baths 
Vale a Pena Ouvir: Caramel, Look To Windward, Damocles

                                                                                  Por hoje é só, então flw!!!          

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Nails

                 

Obscene Humanity – Nails





















NOTA: 8/10


Em 2009, o Nails lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Obscene Humanity. Formado em 2007 na cidade de Oxnard, na Califórnia, por Todd Jones (vocais e guitarra), John Gianelli (baixo) e Tom Hogan (bateria), o grupo trazia uma proposta extremamente agressiva e direta. O objetivo parecia ser justamente trabalhar com intensidade, velocidade e brutalidade, recuperando aquela sensação de urgência do hardcore mais extremo. A produção feita por Alex Estrada, que colocou um som extremamente cru e pesado, unindo elementos do Grindcore com o Metalcore. Com isso, temos guitarras agressivas, enquanto a bateria transmite uma sensação quase caótica, e o baixo ajuda a engrossar a massa sonora. Os vocais dp Todd são extremamente ásperos e funcionam quase como uma extensão dos instrumentos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e claustrofóbicas. Enfim, é um belo EP e era apenas uma amostra. 

Melhores Faixas: Disorder, Alienate You I, White Walls 
Vale a Pena Ouvir: Lies, Alienate You II

Unsilent Death – Nails





















NOTA: 10/10


Se passaram dois anos, e foi lançado o segundo álbum deles, o Contra, que seguiu uma abordagem mais ampla. Após o álbum de estreia, o Vampire Weekend se tornou um dos nomes mais discutidos do Indie americano, mas também uma banda cercada por polêmicas culturais. Muitos críticos enxergavam o grupo como símbolo de privilégio universitário, exotização estética e elitismo intelectual. Para rebater isso, eles decidiram fazer um álbum em que as letras continuam repletas de referências culturais, imagens de classe alta e observações irônicas sobre a juventude privilegiada. A produção ficou mais rica e detalhada, incorporando mais elementos do Indietronica e World Music. As guitarras servem como textura rítmica, os sintetizadores são discretos, a cozinha rítmica é mais integrada e os vocais do Ezra Koenig soam mais emocionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No geral, é um ótimo disco e bastante ousado. 

Melhores Faixas: Holiday, Diplomat's Son, Cousins, White Sky 
Vale a Pena Ouvir: Giving Up The Gun, Run, Horchata

Abandon All Life – Nails





















NOTA: 9,8/10


Em 2013, o Nails retornava com seu 2º álbum, o Abandon All Life, que trouxe um reforço em seu peso. Após o Unsilent Death, esse novo trabalho representa um avanço porque a banda chega aqui com uma identidade muito mais consolidada e uma ambição maior dentro de uma proposta que continua sendo extremamente curta e agressiva. A diferença mais importante é que eles passam a explorar melhor o contraste entre velocidade e peso. A produção do Kurt Ballou, que colocou um som extremamente pesado e comprimido, mas sem transformar a banda em uma massa completamente indistinguível. As guitarras estão muito mais encorpadas e possuem uma quantidade enorme de distorção. O baixo ajuda a aumentar o peso, a bateria ganha bastante força, com os ataques sendo verdadeiras metralhadoras, e os vocais ásperos e urgentes de Todd Jones reforçam tudo. O repertório é incrível, e as canções são ainda mais caóticas. Enfim, é outro belo disco e bastante equilibrado. 

Melhores Faixas: Wide Open Wound, Suum Cuique, In Exodus, God's Cold Hands 
Vale a Pena Ouvir: Tyrant, Pariah, No Surrender, Absolute Control

You Will Never Be One Of Us – Nails





















NOTA: 9/10


Três anos se passaram, e o Nails lançava um trabalho novo, o You Will Never Be One of Us. Após o Abandon All Life, a banda chega a um ponto de maior maturidade sem abandonar aquilo que sempre foi essencial para ela: músicas curtas, agressivas, riffs esmagadores e uma postura extremamente confrontadora. A banda deixa sua sonoridade ainda mais pesada e trabalha melhor os contrastes entre velocidade, groove e momentos mais arrastados, aproveitando agora o fato de estar em uma das maiores gravadoras de Metal, a Nuclear Blast. A produção ficou extremamente seca e agressiva, mas que tem muita definição. As guitarras possuem uma distorção muito densa, enquanto a bateria e o baixo são extremamente presentes, e os vocais do Todd Jones continuam ásperos. Com isso, a banda consegue juntar todas as suas influências em um único álbum. O repertório é incrível, e as canções são esmagadoras e sufocantes. No geral, é outro álbum espetacular e preciso. 

Melhores Faixas: You Will Never Be One Of Us, Violence Is Forever, Life Is A Death Sentence, They Come Crawling Back 
Vale a Pena Ouvir: Friend To All, Into Quietus, In Pain

Every Bridge Burning – Nails





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2024, foi lançado o 4º e mais recente álbum da banda, o Every Bridge Burning. Após o You Will Never Be One of Us, o Nails enfrentou uma grande baixa: durante a pandemia, o baixista John Gianelli e o baterista Taylor Young acabaram saindo, e, no lugar deles, entraram Andrew Solis e Carlos Cruz. Além disso, houve a entrada de um guitarrista adicional, Shelby Lermo. Com isso, a banda toda repaginada, volta com uma abordagem mais metálica e guitarras mais trabalhadas. A produção seguiu por um caminho pesado e ainda mais denso, juntando Grindcore, Metalcore e Powerviolence. As guitarras possuem bastante corpo e distorção, a bateria apresenta ataques rápidos e grooves impactantes, o baixo consegue ser bem cortante, e os vocais do Todd continuam ásperos e carregados de uma ferocidade infernal. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas e carregam temas de desconforto. No fim, é um ótimo disco, mesmo que seja o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Give Me The Painkiller, No More River To Cross, Every Bridge Burning, Lacking The Ability To Process Empathy 
Vale a Pena Ouvir: Dehumanized, Punishment Map, Imposing Will


                                                                                              Bom é isso e flw!!!          

Analisando Discografias - Hermitude: Parte 1

                   Alleys To Valleys – Hermitude NOTA: 8,2/10 Em 2003, o duo Hermitude lançava seu álbum de estreia, intitulado Alleys to Va...