sexta-feira, 10 de julho de 2026

Analisando Discografias - Gentle Giant

                   

Gentle Giant – Gentle Giant





















NOTA: 9,5/10


No ano de 1970, o Gentle Giant lançava seu álbum de estreia autointitulado, que trazia uma abordagem ampla. Formado naquele ano em Portsmouth, na Inglaterra, pelos irmãos Phil (vocais e sopros), Derek (vocais) e Ray Shulman (baixo e violino), que anteriormente haviam integrado a banda Simon Dupree and the Big Sound, o grupo entrou no prime do Rock progressivo. A formação foi completada pelo guitarrista Gary Green e pelo baterista Martin Smith, e, com isso, a banda assinou com a Vertigo Records. A produção, feita por Tony Visconti, deixou um som bastante orgânico, com poucos efeitos de estúdio e uma mixagem que privilegia os instrumentos de maneira bastante natural. As guitarras são usadas como textura, enquanto o órgão de Kerry Minnear e os instrumentos de sopro e o violino dos irmãos Shulman estão sempre no centro. O repertório é incrível, e as canções são bem estruturadas e energéticas. No fim, é um baita disco de estreia, além de soar bastante espontâneo. 

Melhores Faixas: Funny Ways, Nothing At All, Giant 
Vale a Pena Ouvir: Alucard, Why Not?

Acquiring The Taste – Gentle Giant





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, o Gentle Giant lançava seu 2º álbum, o Acquiring the Taste (isso é um pêssego na capa). Após o disco de estreia, que havia apresentado uma banda extremamente talentosa e cheia de ideias, esse novo trabalho mostrou um grupo disposto a levar sua proposta artística ao limite. Com isso, começaram a incorporar de maneira mais profunda elementos da música medieval, do contraponto renascentista, do Jazz e da música de câmara em sua sonoridade. A produção do Tony Visconti seguiu por um caminho mais denso e, de certo modo, sofisticado. Aqui, todos os integrantes tocam vários instrumentos, desde saxofone, violino e flauta até diversas percussões, entre outros. Isso confere uma pegada meio vanguardista ao Prog Rock característico deles, algo muito constante na seção rítmica, que é mais livre. O repertório é sensacional, e as canções são bastante melódicas e peculiares. Enfim, é um belíssimo álbum que te consegue prender. 

Melhores Faixas: Pantagruel's Nativity, Wreck, The House, The Street, The Room, Edge Of Twilight 
Vale a Pena Ouvir: Black Cat, Plain Truth

Three Friends – Gentle Giant





















NOTA: 9/10


Passa-se mais um ano, e o Gentle Giant lançava mais um álbum, o Three Friends. Após o Acquiring the Taste, o baterista Martin Smith acabou saindo, sendo substituído provisoriamente por Malcolm Mortimore. Para esse disco, a banda decidiu trazer um conceito que acompanha a trajetória de três amigos de infância que, apesar de crescerem juntos, acabam seguindo caminhos completamente diferentes na vida adulta, e nenhum deles parece satisfeito com o rumo que tomou. A produção, feita pela própria banda, é bastante refinada e apresenta um som mais equilibrado. Os vocais harmônicos dos irmãos Shulman e de Kerry Minnear são extremamente sofisticados. O órgão, o vibrafone, o violoncelo, os instrumentos de sopro e a guitarra aparecem constantemente, criando uma enorme variedade de texturas sonoras. O repertório é incrível, e as canções são bastante imersivas e épicas. No geral, é outro álbum maravilhoso e muito profundo. 

Melhores Faixas: Prologue, Three Friends 
Vale a Pena Ouvir: Peel The Paint, Schooldays

Octopus – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Ainda no mesmo ano, foi lançado o atemporal e sensacional 4º álbum deles, o Octopus. Após o Three Friends, o baterista Malcolm Mortimore acabou saindo, e em seu lugar entrou John Weathers, músico que havia passado por diversas bandas e possuía um estilo mais pesado e versátil. Enquanto muitas bandas apostavam em longas suítes, grandiosidade sinfônica e virtuosismo exibicionista, o sexteto preferia construir músicas relativamente curtas, porém repletas de mudanças de andamento, contrapontos e arranjos extremamente detalhados. A produção apresenta um equilíbrio extraordinário entre sofisticação e clareza. O grande destaque é a técnica do Weathers na bateria, que trouxe um peso adicional e, junto dos teclados de Kerry Minnear e das harmonias vocais inspiradas na música renascentista, resulta em uma obra perfeita do Rock progressivo. O repertório é sensacional, chegando a parecer uma coletânea. Enfim, é um baita álbum e, certamente, uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Think Of Me With Kindness, The Boys In The Band, The Advent Of Panurge, A Cry For Everyone 
Vale a Pena Ouvir: Raconteur, Troubadour, Knots

In A Glass House – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Em 1973, o Gentle Giant lançava outro álbum sensacional e clássico, o In A Glass House. Após o Octopus, a banda sofreu uma baixa com a saída de Phil Shulman devido a questões familiares. Aqui, o grupo decidiu criar um trabalho ainda mais desafiador e conceitualmente denso. O título do disco faz referência ao ditado "Quem mora em casas de vidro não deveria atirar pedras", uma metáfora sobre vulnerabilidade, hipocrisia e julgamento. A produção, realizada junto com Gary Martin, seguiu uma abordagem extremamente rica em detalhes. Uma das grandes qualidades do trabalho é a integração entre os instrumentos, com cada um desempenhando uma função específica. Os instrumentos de sopro e as guitarras entram e saem da mixagem de forma quase coreografada, enquanto a bateria é extremamente precisa e as harmonias vocais são bastante elaboradas. O repertório é praticamente uma coletânea. Enfim, é outro disco perfeito e também uma obra-prima. 

Melhores Faixas: In A Glass House, The Runaway 
Vale a Pena Ouvir: Experience, A Reunion

The Power And The Glory – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Passou-se mais um ano, e a banda lançou outro álbum fantástico, o The Power And The Glory. Após o In a Glass House, o Gentle Giant decidiu fazer um disco conceitual centrado no tema do poder. A obra acompanha a ascensão de um homem comum a uma posição de liderança e a maneira como a autoridade gradualmente o corrompe. A narrativa discute ambição, manipulação, autoritarismo e a sedução exercida pelo poder político, dialogando bastante com o contexto da Guerra Fria. A produção é bastante refinada e extremamente detalhada. As harmonias vocais fazem uso de cânones, sobreposições e contrapontos que remetem à música renascentista; a bateria do Weathers é precisa e dinâmica; as guitarras do Gary Green são bastante pesadas; e os teclados do Minnear alternam constantemente. O repertório é maravilhoso, muito bem amarrado, parecendo também uma coletânea. Enfim, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Proclamation, Playing The Game, The Face, Aspirations 
Vale a Pena Ouvir: No God's A Man, Cogs In Cogs

Free Hand – Gentle Giant





















NOTA: 9,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum do Gentle Giant, o Free Hand. Após o clássico The Power and the Glory, o grupo havia conquistado uma base de fãs extremamente fiel, especialmente nos Estados Unidos, onde suas turnês começavam a atrair públicos cada vez maiores. Esse disco é mais focado em abordar temas diversos, como individualidade, relacionamentos, alienação, liberdade, ambição e comunicação humana. A produção seguiu por um caminho mais limpo e impactante, permitindo que os inúmeros elementos dos arranjos sejam percebidos com maior clareza. As harmonias vocais funcionam como peças de um quebra-cabeça musical extremamente elaborado. Os teclados apresentam uma grande variação de timbres, as guitarras passam por passagens delicadas e a cozinha rítmica é bastante precisa. O repertório é sensacional, e as canções são bem dinâmicas. No geral, é outro álbum fenomenal e que marcou o fim do auge da banda. 

Melhores Faixas: Free Hand, Just The Same, His Last Voyage 
Vale a Pena Ouvir: On Reflection, Mobile

Interview – Gentle Giant





















NOTA: 8,8/10


Em 1976, o Gentle Giant lançava seu 8º álbum, intitulado apenas como Interview. Após o Free Hand, o Rock progressivo começou a ser duramente criticado pela mídia por ser bastante pretensioso, e o Punk Rock já começava a surgir com força. Ainda assim, as bandas não se sentiram abaladas por isso, e o Gentle Giant foi uma delas. Aqui, eles decidiram fazer um disco conceitual que gira em torno da relação entre artistas, celebridade e mídia. A produção é a mesma de sempre, mas aqui há um maior aproveitamento dos instrumentos, que ganham mais espaço na mixagem. As harmonias vocais ainda apresentam um grau de sofisticação impressionante. A cozinha rítmica consegue ser bastante precisa, os teclados ficaram bem expansivos e as guitarras são bastante enérgicas, criando um equilíbrio eficiente entre o Prog Rock e traços de Jazz-Rock. O repertório é muito legal, e as canções conseguem ser bastante variadas. Enfim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Interview, Empty City 
Vale a Pena Ouvir: I Lost My Head, Give It Back

The Missing Piece – Gentle Giant





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, a banda lançou o The Missing Piece, mas agora totalmente repaginada. Após o Interview, o Gentle Giant acabou recebendo uma ordem de sua gravadora desde Free Hand, a Chrysalis Records: eles precisavam tocar nas rádios, e a banda acabou cedendo. O resultado foi um álbum que apresenta muitas características típicas do grupo, mas também introduz uma quantidade significativamente maior de composições curtas, refrões mais imediatos e estruturas mais convencionais. A produção tornou-se mais direta e acessível. As harmonias vocais, embora presentes, estão mais contidas; as guitarras ganharam mais protagonismo; os teclados são mais discretos; e o baixo e a bateria aparecem dentro de estruturas menos complexas, fazendo com que o disco dialogue muito mais com o Pop Rock e com pequenos traços progressivos. O repertório é legal, com canções divertidas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mas, a partir daí, viria a queda. 

Melhores Faixas: Two Weeks In Spain, Memories Of Old Days 
Vale a Pena Ouvir: Winning, Who Do You Think You Are?

Giant For A Day! – Gentle Giant





















NOTA: 2,5/10


Passou-se mais um ano, e foi lançado o 10º álbum do Gentle Giant, o infame Giant for a Day!. Após o The Missing Piece, a banda decidiu abandonar quase completamente a complexidade progressiva que havia definido sua identidade. O objetivo era produzir um disco mais direto, mais comercial e mais alinhado ao Pop Rock do final dos anos 70. A produção, novamente feita pela própria banda, é bem mais direta e radiofônica, apresentando arranjos significativamente menos densos, enquanto os instrumentos tradicionais do grupo, como violino, vibrafone e diversos instrumentos de sopro, aparecem de maneira muito mais discreta. Em alguns momentos, o disco dialoga com o Pop progressivo, AOR e o Yacht Rock, mas parece que a banda reuniu uma série de ideias e os implementou sem nenhuma conexão, resultando em algo bagunçado e sem emoção. O repertório é muito ruim, com canções entediantes e poucas exceções. Enfim, é um álbum péssimo e sem alma. 

Melhores Faixas: Rock Climber, Little Brown Bag 
Piores Faixas: Friends, Spooky Boogie, No Stranger, Thank You

Civilian – Gentle Giant





















NOTA: 3/10


Então chegamos à década de 80, e o Gentle Giant se despedia com seu último álbum, o Civilian. Após o Giant for a Day!, os resultados comerciais ficaram aquém das expectativas, e a banda encontrava-se em uma espécie de encruzilhada. Continuar produzindo um Rock progressivo era inviável, então eles decidiram seguir, em parte, a abordagem adotada por várias bandas do Prog Rock naquela virada de década. A produção, como sempre feita pela própria banda, é mais moderna e, de certo modo, mais pesada. A guitarra do Gary Green assume um maior protagonismo, com riffs e solos constantes; Kerry Minnear faz um uso mais intenso de sintetizadores; e os vocais do Derek Shulman tornam-se mais centrais. O disco dialoga muito mais com o Pop Rock e a New Wave, mas o resultado acaba sendo bastante monótono e tedioso. O repertório começa bem, mas depois decai com canções genéricas. Em suma, é um álbum ruim e, após isso, a banda encerrou suas atividades. 

Melhores Faixas: Convenience (Clean And Easy), All Through The Night, Inside Out 
Piores Faixas: Underground, Number One, It's Not Imagination, I Am A Camera

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Analisando Discografias - Breakbot

                  

Baby I'm Yours – Breakbot





















NOTA: 5/10


Em 2010, o Breakbot lançava um EP intitulado Baby I'm Yours, que trazia algo interessante. O produtor francês Thibaut Berland começou sua carreira em 2006. Anteriormente, trabalhava com computação gráfica e foi o responsável pelo design da nave espacial presente no primeiro álbum do Justice. No entanto, ele já lançava algumas músicas e remixes até assinar com a gravadora Ed Banger. A produção, feita por ele próprio, resgata elementos clássicos da Disco Music e do Funk setentista, com uma produção extremamente limpa e detalhada. As baterias possuem caixas suaves, grooves precisos e uma sensação de músicos tocando juntos. Os sintetizadores têm aquelas camadas que dão um ar de nostalgia, e as guitarras possuem timbres limpos e ritmos sincopados. O repertório é legal e conta com canções divertidas; apenas os remixes acabam prejudicando o conjunto. Mas, enfim, mesmo sendo um trabalho mediano, trouxe algo promissor. 

Melhores Faixas: Baby I'm Yours, Make You Mine 
Piores Faixas: Baby I'm Yours (os dois remixes do Siriusmo e La Funk Mob)
  

By Your Side – Breakbot





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passaram, o Breakbot lançava seu álbum de estreia, o By Your Side. Após o EP Baby I'm Yours, ele já havia se tornado um dos nomes mais promissores da nova geração da música eletrônica francesa, mas ainda existia uma dúvida sobre sua capacidade de sustentar um álbum inteiro. Em vez de seguir as tendências do EDM, decidiu aprofundar sua identidade musical baseada na nostalgia da Disco music e do Funk. A produção segue uma proposta mais orgânica e limpa. Os sintetizadores têm timbres que lembram os instrumentos analógicos dos anos 80. As linhas de baixo são profundas, e as guitarras aparecem constantemente, utilizando ritmos sincopados inspirados no Funk clássico e em bandas como o Chic. A bateria também é bastante variada, resultando em uma fusão de Nu-Disco e Funktronica. O repertório é muito bom, e as canções são envolventes e suaves. Enfim, é um disco de estreia muito legal bastante coeso. 

Melhores Faixas: Baby I'm Yours, You Should Know, One Out Of Two, Why, Intersection 
Vale a Pena Ouvir: Programme, By Your Side Part 2, A Mile Away

Still Waters – Breakbot





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passaram, e o Breakbot lançou seu último álbum até o momento, o Still Waters. Após o By Your Side, o EDM comercial ainda dominava parte do mercado, mas também havia um crescente interesse pelo retorno das sonoridades da Disco Music. Nesse contexto, o DJ, junto de seu parceiro Irfane, decidiu não realizar uma mudança radical em sua identidade. Em vez disso, procurou amadurecer sua proposta artística, tornando-a mais sofisticada e introspectiva. A produção seguiu um caminho em que se juntam Nu-Disco, Synth Funk e traços do R&B, mas seguindo uma abordagem mais elegante e menos imediata. Os sintetizadores possuem timbres analógicos extremamente suaves, as linhas de baixo ficaram mais controladas, as guitarras são bastante funkeadas e as baterias apresentam grooves discretos e extremamente precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas. No geral, é um álbum bem bacana e acessível. 

Melhores Faixas: Get Lost, Arrested 
Vale a Pena Ouvir: Turning Around, All It Takes, The Sweetest Romance, In Return


                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias: Magic Man

                  

Real Life Color – Magic Man





















NOTA: 7/10


No ano de 2010, o Magic Man lançava seu álbum de estreia, intitulado Real Life Color. A banda foi formada um ano antes por um grupo de universitários de Boston, Massachusetts, liderado por Alex Caplow (vocais) e Sam Lee (guitarras e teclados), e com o tempo teve a entrada de Gabe Goodman (baixo), Justine Bowe (teclados) e Joey Sulkowski (bateria). Eles traziam uma abordagem bem romantizada, vinda do Synth-pop dos anos 80 e de melodias do Indie Pop. A produção, feita pela própria banda, é extremamente polida e aposta em uma sonoridade ampla. Os sintetizadores dominam, criando texturas luminosas. As guitarras aparecem de forma mais discreta, servindo principalmente para dar corpo aos arranjos, enquanto o baixo e a bateria mantêm ritmos dançantes e energéticos. Além disso, os vocais suaves do Alex se destacam. O repertório é legal, com canções divertidas e outras mais fraquinhas. Enfim, é um ótimo trabalho, mostrando que estavam no caminho certo. 

Melhores Faixas: Polygons, Darling, Daughter, Layers 
Piores Faixas: Like Sailors, Monster

Before The Waves – Magic Man





















NOTA: 8/10


Quatro anos depois, a banda lançou seu 2º e último álbum, o Before The Waves. Após o Real Life Color, o Magic Man teve uma crescente popularidade dentro da cena Indie. Diferentemente do álbum de estreia, que funcionava como uma declaração de intenções, este acabou sendo uma obra de transição, expandindo algumas ideias que a banda já havia apresentado anteriormente e reforçando sua identidade musical, muito porque eles tinham mais recursos, já que estavam na gravadora Columbia. A produção, feita por Alex Aldi, deixou o som mais limpo, com os sintetizadores preenchendo os arranjos com camadas brilhantes e criando uma atmosfera quase cinematográfica. As guitarras funcionam mais como um complemento melódico, e os vocais do Alex são bem variados, resultando em um Synth-pop com Indie Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bastante envolventes. No fim, é um ótimo disco, e é uma pena que eles também tenham acabado. 

Melhores Faixas: Tonight, Paris, Waves, Chicagoland 
Vale a Pena Ouvir: Apollo, It All Starts Here, Too Much


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Analisando Discografias: Frankie Knuckles

                  

Ultimate Production – Frankie Knuckles




















NOTA: 8/10


No ano de 1987, o lendário Frankie Knuckles lançava o esquecido EP Ultimate Production. O DJ, nascido em Nova Iorque, havia se mudado para Chicago nos anos 70 e, em 1977, tornou-se DJ da boate Warehouse, onde, naquele período, bombava a Disco music. Só que, na transição dos anos 70 para os anos 80, aconteceu a Disco Demolition Night, liderada pelo radialista e rockeiro Steve Dahl. Para sobreviver, Knuckles passou a estender introduções e breaks, além de adicionar novas batidas para revitalizar antigos sucessos, formando assim a House music. A produção, feita por ele próprio, apresenta arranjos que evoluem lentamente, adicionando e retirando elementos para manter uma constante sensação de movimento. A utilização da Roland TR-909 deixa um bumbo firme, caixas secas e hi-hats extremamente definidos. O repertório contém quatro faixas muito legais e envolventes. No geral, é um EP muito bom e que mostrou um pouco daquela cultura periférica. 

Melhores Faixas: Your Love, Baby Wants To Ride 
Vale a Pena Ouvir: Cold World, Bad Boys

Beyond The Mix – Frankie Knuckles





















NOTA: 9/10


Em 1991, o Frankie Knuckles lançava seu álbum de estreia, intitulado Beyond The Mix. Após o EP Ultimate Production, Knuckles buscava um trabalho que mostrasse uma visão mais ampla da música eletrônica, optando por explorar diferentes atmosferas e aproximando a House de influências vindas do Soul, Jazz, Funk e do emergente Chillout. A produção é orgânica, com um som extremamente limpo e sofisticado para a época. As programações eletrônicas permanecem centrais, mas nunca parecem artificiais. As baterias combinam elementos do Chicago House com percussões orgânicas; os baixos sintetizados têm um padrão repetitivo e melódico, além da presença de pianos elétricos, pads atmosféricos e sintetizadores analógicos. Há também os vocais das cantoras, que aparecem em destaque, com o DJ valorizando suas nuances. O repertório é ótimo, e as canções são bem suaves e até atmosféricas. No fim, é um belo álbum, extremamente coeso. 

Melhores Faixas: The Whistle Song, Rain Falls, Soon I Will Be Done, It's Hard Sometime, Right Thing 
Vale a Pena Ouvir: Sold On Love, Party At My House

                                                                                   Então é isso e flw!!!                  

Analisando Discografias - Duquesa

                  

Taurus – Duquesa





















NOTA: 1/10


Em 2023, a Duquesa lançava sua mixtape intitulada Taurus, que trazia algo até que interessante. A rapper, vinda de Feira de Santana, na Bahia, começou sua trajetória por volta de 2015, quando participou de alguns trabalhos locais, mas foi apenas em 2019 que ela começou a lançar singles de forma frequente, tanto que chegou a assinar com a Boogie Naipe, onde lançou o EP Sinto Muito, em 2022. Neste projeto, apresenta uma personagem muito mais segura, agressiva e consciente do próprio valor, inspirada naquele conceito do Days Before Rodeo. A produção, feita por Go Dassisti e THS, traz beats pesados, graves marcantes, sintetizadores modernos e uma mistura equilibrada entre melodias suaves e transições eficientes que transitam entre Trap e R&B, mas o problema é que tudo soa repetitivo e os flows dela são simplistas. O repertório é fraco, principalmente porque as canções têm uma lírica previsível. Enfim, é um projeto sem graça e cansativo. 

Melhores Faixas: (.........................................) 
Piores Faixas: Taurus, Glória, 99 Problemas, Única

Taurus, Vol. 2 – Duquesa





















NOTA: 1,4/10


No ano seguinte, a Duquesa lançou seu álbum de estreia, o Taurus, Vol. 2, que foi um trabalho mais extenso. Após o lançamento da mixtape, a rapper se tornou um dos principais nomes do rap feminino desta geração e, para esse álbum, decidiu apresentar algo mais maduro, ambicioso e disposto a experimentar novos caminhos sonoros. A produção, feita por Go Dassisti, Iuri Rio Branco, THS, 20prettyhusky, AmandesNoBeat e Bymd.wav, aposta em beats mais orgânicos e variados, com graves fortes, sintetizadores limpos e uma mixagem equilibrada. Aqui, há uma junção do Trap, Drill, R&B contemporâneo e até um pouco do Grime, mas os flows soam bastante repetitivos, dando a sensação de que tudo é praticamente igual. O repertório, novamente, é péssimo, e as canções são bastante genéricas e soam como uma colcha de retalhos de palavras de empoderamento. Enfim, é um álbum ruim e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: (...........................................) 
Piores Faixas: Milionário e José Rico (Jovem Dex tava perdido), Só um Flerte, Disk P@#$%&! (Tasha & Tracie fazendo nada de especial), Primeiro de Maio (Gostosas Inteligentes), Banco do Carona (Baco do Fetiche é difícil de tolerar)
  

Six. – Duquesa





















NOTA: 1/10


Então chegamos a 2025, quando a Duquesa lança um EP intitulado SIX., que serviu como um experimento de ideias. Após o Taurus, Vol. 2, a rapper decidiu lançar um EP cujo objetivo era explorar a pluralidade da música preta e experimentar novas batidas e linguagens, sem ficar presa a uma única direção estética. A produção, feita mais uma vez por Go Dassisti e THS, agora com a presença do IORIGUN, aposta em beats mais orgânicos, mas, claro, seguindo uma abordagem limpa, com a presença de graves constantes, hi-hats precisos e sintetizadores discretos, transitando entre o Trap e influências de Hyphy, Ratchet e até Indie Rock. Mesmo assim, tudo soa bastante repetitivo e com uma lírica que parece ter sido gerada pelo ChatGPT. O repertório é curto, mas as canções são bem sem graça e não têm nada de especial. No fim, é um trabalho que, apesar de interessante, soa apressado. 

Melhores Faixas: (..............................) 
Piores Faixas: Quantas coisas cabem na minha bag?, Fuso e Fuso (Remix) (tanto a versão original quanto essa versão com TZ são bem chatinhas)

     

Analisando Discografias - Gentle Giant

                    Gentle Giant – Gentle Giant NOTA: 9,5/10 No ano de 1970, o Gentle Giant lançava seu álbum de estreia autointitulado, que...