sábado, 21 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 3

                 

Cannonball Adderley's Fiddler On The Roof – Cannonball Adderley





















NOTA: 8,5/10


Mais um tempinho se passou, e foi lançado mais um trabalho dele intitulado Cannonball Adderley's Fiddler on the Roof. Após o Cannonball's Bossa Nova, o saxofonista Cannonball Adderley já estava plenamente consolidado como um dos nomes centrais do Hard Bop dos anos 60, agora com ele liderando um grupo extremamente entrosado que vinha conquistando público tanto em clubes quanto em gravações, com isso ele decidiu fazer um álbum baseado no musical da Broadway Fiddler on the Roof. A produção, feita por David Axelrod, deixou o grupo reorganizar as estruturas, abrindo espaço para improvisos longos e para criar climas que variam entre Hard Bop vigoroso, momentos mais modais e passagens atmosféricas, além da presença de novos nomes, como o pianista Joe Zawinul e o saxofonista Charles Lloyd, que colocaram um lado bem mais direto no som. O repertório, obviamente, é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco bacana e bem estruturado. 

Melhores Faixas: Sewing Machine, To Life, Do You Love Me 
Vale a Pena Ouvir: Fiddler On The Roof, Sabbath Prayer

Accent On Africa – The Cannonball Adderley Quintet





















NOTA: 8/10


Em 1968, foi lançado outro trabalho do Cannonball Adderley, o Accent on Africa, que foi mais tematizado. Após o Fiddler on the Roof, muitos músicos estavam explorando novas direções sonoras, influenciados por movimentos culturais globais, pela busca de raízes africanas na música afro-americana e também pela abertura a elementos elétricos. Depois de anos consolidando seu estilo dentro do Hard Bop, o quinteto de Cannonball começou a experimentar com novas texturas rítmicas e arranjos mais amplos. A produção, feita por David Axelrod, colocou uma sonoridade um pouco diferente dos discos mais tradicionais do quinteto, com uso intensivo de percussões adicionais, criando camadas rítmicas que se afastam do swing tradicional do Jazz, muito pelas influências africanas aplicadas, mostrando um sax do Cannonball sendo mais melódico. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem dinâmicas. No fim, é um trabalho interessante e bem coeso. 

Melhores Faixas: Up And At It, Gumba Gumba 
Vale a Pena Ouvir: Ndolima, Marabi

The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra – The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra





















NOTA: 8,2/10


Entrando nos anos 70, o saxofonista Cannonball Adderley retorna lançando o disco The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra. Após o Accent on Africa, o Jazz estava passando por uma transformação profunda: a ascensão do Jazz Fusion, a influência crescente do Funk, do Soul e até de estruturas mais orquestrais começaram a mudar o panorama do gênero. Cannonball, que já havia demonstrado interesse em expandir o alcance de sua música, decidiu dar um passo adiante ao trabalhar com uma orquestra completa. A produção foi mais ampla, e a ideia central foi integrar o som compacto e direto do quinteto com uma orquestra completa, criando arranjos que alternam momentos de densidade sonora com espaços dedicados à improvisação, com arranjos mais expansivos e uma sensação de espetáculo musical, sendo um álbum de Big Band progressiva. O repertório contém 3 faixas longuíssimas que são bem dinâmicas. No geral, é um ótimo disco e bem consistente. 

Melhores Faixas: Tensity, Experience In E 
Vale a Pena Ouvir: Dialogues For Jazz Quintet And Orchestra

Phenix – Cannonball Adderly





















NOTA: 3/10


E aí chegamos a 1975, quando foi lançado o que foi seu último álbum em vida, intitulado Phenix. Após o The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra, vendo que o gênero estava profundamente transformado pela ascensão daquela fase Fusion, pela influência do Funk e pelo uso cada vez maior de instrumentos elétricos, o Cannonball Adderley ainda assim continuava tentando expandir sua música, incorporando elementos modernos sem abandonar completamente sua identidade melódica e bluesy. A produção foi mais orgânica, com uma textura mais contemporânea, marcada por teclados elétricos, linhas de baixo mais marcantes e ritmos que às vezes se aproximam do Jazz Fusion e do Soul Jazz. Mesmo com essas mudanças, o saxofone alto do Cannonball continua sendo o elemento central da música, só que, no geral, ficou bem excessivo e tedioso. O repertório é fraco, tendo pouquíssimas canções que conseguem se salvar. Enfim, é um disco ruim e que foi um completo fracasso. 

Melhores Faixas: Work Song, Country Preacher, The Sidewalks Of New York 
Piores Faixas: Hamba Nami, Stars Fell On Alabama, Domination, Walk Tall / Mercy, Mercy, Mercy

Lovers – Cannonball Adderly





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado de forma póstuma seu último disco, intitulado Lovers. Após o fraquíssimo Phenix, o Cannonball Adderley estava pensando em preparar outros projetos, mas infelizmente ele sofreu um derrame cerebral e, quatro semanas depois, acabou vindo a falecer aos 46 anos. Com isso, a gravadora Fantasy decidiu resgatar um material que foi terminado um mês antes A produção foi feita por Nat Adderley e Orrin Keepnews, que chamaram vários músicos importantes da cena, como Alphonso Johnson, Airto Moreira e George Duke, entre outros, colocando uma forte presença elétrica e uma abordagem mais atmosférica. O uso de sintetizadores e pianos elétricos cria texturas densas, enquanto a percussão e o baixo elétrico ajudam a estabelecer grooves mais próximos do Jazz-Funk e do Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No geral, é um ótimo álbum e que foi uma despedida decente. 

Melhores Faixas: Ayjala, Salty Dogs 
Vale a Pena Ouvir: Nascente


                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 2

                    

Portrait Of Cannonball – Julian Adderley Quintet





















NOTA: 8,5/10


Indo para 1958, foi lançado mais um trabalho novo do Cannonball Adderley, o Portrait Of Cannonball. Após o Sophisticated Swing, ele já era reconhecido por um estilo muito particular no saxofone alto: um som forte, cheio de blues, mas ao mesmo tempo extremamente técnico e sofisticado. Esse disco marca também uma fase em que sua carreira começava a se estabilizar em termos de identidade musical. A produção foi conduzida por Orrin Keepnews, que deixou uma abordagem direta e uma clareza maior na forma como cada instrumento aparece. O saxofone do Cannonball ocupa o centro do palco sonoro, com um timbre caloroso e cheio de presença. Outro fator importante é a presença do pianista Bill Evans, que traz acordes sofisticados, voicings delicados e uma sensibilidade harmônica que adiciona profundidade às composições, além do resto dos músicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um disco bacana que preparou o caminho para algo maior. 

Melhores Faixas: People Will Say We're In Love, Straight Life 
Vale a Pena Ouvir: Blue Funk

Somethin' Else – Cannonball Adderly





















NOTA: 10/10


E aí, naquele mesmo ano, foi lançado o sensacional e atemporal álbum Somethin' Else. Após o Portrait Of Cannonball, Cannonball Adderley já era um dos saxofonistas altos mais respeitados do Hard Bop. E ele montou uma formação que até parece apelação, já que tinha Miles Davis, que cria um contraste interessante com o estilo exuberante e cheio de Blues do Cannonball. De novo, a presença do pianista Hank Jones e do contrabaixista Sam Jones e, por fim, a lenda Art Blakey na bateria, com toda aquela sua energia. A produção foi feita por Alfred Lion e foi lançado pela Blue Note, e com isso a abordagem é relativamente direta, com os músicos tocando juntos no estúdio e com pouca interferência técnica no resultado final. Com o som sendo bem orgânico nesse caldeirão de Hard Bop e Cool Jazz, muito por conta do Miles Davis antes do Kind Of Blue. O repertório contém 5 faixas maravilhosas que parecem coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Autumn Leaves, Somethin’ Else, One For Daddy-O 
Vale a Pena Ouvir: Dancing In The Dark, Love For Sale

Cannonball Takes Charge – Cannonball Adderly Quartet





















NOTA: 8,8/10


Chegando em 1959, foi lançado mais um trabalho do Cannonball Adderley, o Cannonball Takes Charge. Após o clássico Somethin’ Else, ele começou a explorar formações diferentes, incluindo grupos menores que destacassem ainda mais a interação direta entre os músicos. Em vez de depender da presença de grandes estrelas convidadas, como havia acontecido em sessões anteriores de sua carreira, aqui a proposta é concentrar a atenção na identidade do grupo e no desenvolvimento das interpretações. A produção foi conduzida mais uma vez por Orrin Keepnews, que deixou um som natural, sem excesso de intervenções de estúdio. Essa abordagem valoriza principalmente a comunicação entre os músicos, que colocam toda aquela textura para que o saxofone do Cannonball apareça com grande presença no registro. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de emoção. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: I've Told Every Little Star, Barefoot Sunday Blues 
Vale a Pena Ouvir: I Guess I'll Hang Out My Tears To Dry, Poor Butterfly

Them Dirty Blues – The Cannonball Adderly Quintet





















NOTA: 9,5/10


Entrando nos anos 60, foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Them Dirty Blues. Após o Cannonball Takes Charge, Cannonball Adderly começava a consolidar ainda mais a identidade musical de seu quinteto, que incluía seu irmão Nat Adderley no cornet, além de uma seção rítmica extremamente sólida. Esse período marca uma fase em que o grupo já possuía uma química muito clara, fruto de muitas apresentações ao vivo e gravações em sequência. Produção foi aquela de sempre, foco na performance coletiva e captura direta da interação entre os músicos. O som é natural, equilibrado e sem exageros de estúdio, o que ajuda a transmitir a sensação de uma banda tocando com espontaneidade. Além de vermos a interação entre sax do Cannonball que vai para um lado expressivo, enquanto Nat com sua corneta responde com fraseados mais bluesy. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes. Em suma, é um disco maravilhoso e divertido. 

Melhores Faixas: Work Song, Dat Dere, Them Dirty Blues 
Vale a Pena Ouvir: Easy Living, Jeannine

Cannonball Adderley Quintet In Chicago – Cannonball Adderley Quintet





















NOTA: 10/10


E aí, alguns meses depois, foi lançado outro disco espetacular, o Cannonball Adderley Quintet In Chicago. Após o Them Dirty Blues, esse projeto reúne praticamente a mesma formação que estava envolvida em sessões históricas do Jazz daquele ano, especialmente ligadas ao círculo musical do Miles Davis. Já que a formação continha John Coltrane no saxofone tenor, Wynton Kelly no piano, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria, basicamente a base que se tornaria uma das formações mais lendárias da história do Jazz. Outra coisa: isso foi gravado antes do Kind Of Blue do Miles Davis. Produção feita por Jack Tracy, deixou uma sonoridade bem equilibrada. Com o saxofone alto do Cannonball Adderley aparecendo com clareza e calor, mantendo seu estilo característico cheio de Blues e Swing, fora o John Coltrane com toda aquela sua complexidade harmônica. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem exuberantes. No geral, é um baita disco e é um clássico. 

Melhores Faixas: Limehouse Blues, Stars Fell On Alabama 
Vale a Pena Ouvir: Weaver Of Dreams, Grand Central

Cannonball Adderley And The Poll-Winners – Cannonball Adderley





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Cannonball Adderley And The Poll-Winners. Após o In Chicago, surge dentro de um conceito bastante comum no Jazz daquela época: reunir músicos que haviam sido votados em enquetes de revistas especializadas, os chamados “poll-winners”. Isso significava juntar alguns dos instrumentistas mais respeitados de cada área. A produção foi bem simplista e destaca bastante o saxofone alto do Cannonball Adderley, que ocupa naturalmente o centro do som. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de inflexões bluesy. O disco soa como uma sessão de músicos experientes que se encontram para tocar repertório que conhecem profundamente, explorando nuances e improvisações com confiança. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas e com um toque mais cadenciado. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Lolita, Au Privave 
Vale a Pena Ouvir: Yours Is My Heart Alone

Cannonball's Bossa Nova – Cannonball Adderley With The Bossa Rio Sextet Of Brazil





















NOTA: 8/10


Dois anos se passam, e foi lançado outro trabalho dele, o Cannonball's Bossa Nova. Após o Cannonball Adderley And The Poll-Winners, ele queria fazer um trabalho, como o próprio título já diz, de Bossa Nova, já que o estilo estava chamando a atenção de músicos de Jazz nos Estados Unidos, pois dialogava naturalmente com certas tendências do Jazz moderno. Com isso, ele chamou o Sexteto Bossa Rio, que era comandado por Sérgio Mendes, e foram gravar. A produção foi feita por Orrin Keepnews, pensada para enfatizar a leveza e o balanço característicos da Bossa Nova, deixando um clima mais suave, com arranjos que privilegiam espaço e delicadeza. Com o saxofone do Cannonball adaptando seu fraseado para se encaixar no ritmo brasileiro, usando linhas melódicas mais suaves e explorando o lirismo das composições. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem interpretadas e com aquele toque suave. Enfim, é um bom disco e que tem sua coesão. 

Melhores Faixas: Clouds, Corcovado 
Vale a Pena Ouvir: O Amor Em Paz, Minha Saudade

 

                                                                            É isso, um abraço e flw!!!                      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 1

                 

Julian "Cannonball" Adderley – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 8,7/10


Agora, indo lá para o ano de 1955, foi lançado o álbum de estreia do Cannonball Adderley. A sua trajetória começa por volta daquele mesmo ano, após ter deixado de ser líder da banda do exército americano, quando se mudou para Nova York para fazer sua pós-graduação. Em um certo dia, ele foi tocar no Café Bohemia, e a apresentação foi tão sensacional que começaram a chamá-lo de sucessor do Charlie Parker, e com isso ele começou a preparar seus primeiros trabalhos. A produção foi feita por Ken Druker, Bryan Koniarz e Bob Shad, que colocaram uma abordagem ampla, com vários instrumentos de sopro além do saxofone principal, formando um pequeno ensemble que alterna entre passagens arranjadas e momentos de improvisação, além dos arranjos da lenda Quincy Jones, que equilibraram Hard Bop com aquele Swing. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um disco interessante e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Cannonball, Hurricane Connie, Purple Shades, Willows 
Vale a Pena Ouvir: You'd Be So Nice To Come Home To, Cynthia's In Love, Everglade

Presenting "Cannon Ball" – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 8/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado seu 2º álbum, intitulado Presenting "Cannon Ball". Após o seu álbum de estreia, Cannonball Adderley ganhou reputação em jam sessions por sua capacidade de improvisar com energia e fluidez. Esse período era extremamente fértil para o Jazz moderno. O Bebop já havia se consolidado como linguagem principal entre músicos jovens, e vários artistas estavam começando a lançar seus primeiros álbuns como líderes, consolidando novas vozes dentro do gênero. A produção, feita por Ozzie Cadena, foi bastante direta e centrada nos músicos. A formação com seu irmão Nat Adderley na corneta, o pianista Hank Jones, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Kenny Clarke formam uma base muito dinâmica para o saxofone alto do Cannonball, resultando em uma performance orgânica e mais voltada para a improvisação. O repertório contém 5 faixas muito boas e mais imersivas. Enfim, é um trabalho legal e bastante fundamental. 

Melhores Faixas: Still Talkin' To Ya, Caribbean Cutie 
Vale a Pena Ouvir: Spontaneous Combustion, Flamingo, A Little Taste

Sophisticated Swing – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco intitulado Sophisticated Swing, que é mais envolvente. Após o Presenting "Cannon Ball", Cannonball Adderley já havia deixado de ser apenas uma promessa da cena jazzística para se tornar um nome cada vez mais respeitado entre músicos e críticos. Ele ainda estava consolidando sua linguagem dentro do Bebop e começando a apontar ainda mais para o Hard Bop. A produção opta por um som orgânico e bastante natural, o que permite ouvir claramente a interação entre os instrumentos. O grupo que participa das gravações mantém a lógica de pequenos combos do Hard Bop e um Swing mais robusto. Trompete, piano, contrabaixo e bateria formam a base para o saxofone alto do Cannonball, criando um ambiente ideal para improvisações extensas. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas e com um lado energético. No fim, é um ótimo disco e mostra uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Miss Jackie's Delight, Spectacular, Jeanie, Edie McLin, Stella By Starlight
Vale a Pena Ouvir: Another Kind Of Soul, Tribute To Brownie

                                                                               Então é isso e flw!!!         

Analisando Discografias - Adoniran Barbosa

                  

Adoniran Barbosa – Adoniran Barbosa





















NOTA: 10/10


No ano de 1974, foi lançado o atemporal álbum de estreia da lenda Adoniran Barbosa. O cantor, nascido em 1910 na cidade de Valinhos, em São Paulo, já tinha interesse pela música, mas, depois de muita rejeição, foi só em 1935 que ele começou a compor suas canções para marchinhas e rádios. Mas foi só nos anos 50 que suas composições ganharam destaque após serem interpretadas pelos Demônios da Garoa, e aí só nos anos 70 que ele foi gravar seu primeiro disco pela Odeon, já bem velhinho, com seus 74 anos. A produção foi feita por Alfredo Corleto e contou com direção musical dos maestros José Briamonte e Gaya. A proposta sonora não era sofisticada no sentido de grandes arranjos orquestrais; pelo contrário, buscava manter o espírito simples e narrativo dos sambas do Adoniran, tornando-se assim uma obra definitiva do Samba-choro. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, com várias canções belíssimas. No geral, é um baita disco e um dos melhores da música brasileira. 

Melhores Faixas: Trem Das Onze, Saudosa Maloca, Abrigo De Vagabundos, Bom Dia Tristeza, Prova De Carinho, Iracema 
Vale a Pena Ouvir: Acende O Candieiro, Apaga O Fogo Mané, As Mariposas

Adoniran Barbosa – Adoniran Barbosa





















NOTA: 9,8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado seu 2º e último disco, que também vinha com seu nome. Após o seu clássico álbum de estreia, que reuniu alguns dos maiores sucessos do compositor, este novo álbum amplia o retrato do universo paulistano criado por ele, trazendo outras músicas importantes e consolidando a ideia do Adoniran Barbosa como cronista musical da cidade de São Paulo. A produção foi feita por João Carlos Botezelli, o Pelão, e contou com a direção musical do José Briamonte. Eles priorizam o formato clássico do Samba paulista, com violões, cavaquinho e percussão marcando o ritmo, sem excessos de orquestração. A intenção parece clara: preservar a naturalidade das composições e a interpretação característica de Adoniran. O repertório é incrível, e as canções tem muita profundidade. Após isso, ele foi diagnosticado com enfisema, ficando com muitos problemas de saúde e, infelizmente, veio a falecer aos 82 anos, deixando um último trabalho belíssimo. 

Melhores Faixas: No Morro Da Casa Verde, Vide Verso Meu Endereço, O Samba Do Arnesto, Samba Italiano, Não Quero Entrar
Vale a Pena Ouvir: Joga A Chave, Mulher, Patrão E Cachaça, Tocar Na Banda  


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Years & Years

                 

Communion – Years & Years





















NOTA: 8/10


Indo para 2015, foi lançado o álbum de estreia do Years & Years, intitulado Communion. Formado em 2010, em Londres, pelo quinteto Olly Alexander (vocais e teclados), Mikey Goldsworthy, Emre Türkmen, Noel Leeman (teclados) e Oliver Subria (bateria), nesse meio-tempo eles soltaram alguns singles. A partir de 2013, tornaram-se um trio, já que Leeman e Subria acabaram saindo e, depois de fazerem muito barulho na cena inglesa, assinaram com a Polydor Records. A produção foi feita pelo trio com auxílio de Two Inch Punch e Mike Spencer, entre outros, adotando uma abordagem sofisticada, moderna e altamente radiofônica, com sintetizadores limpos, linhas de baixo pulsantes, batidas eletrônicas excessivas, vocais cristalinos e camadas atmosféricas que criam profundidade emocional, seguindo o Electropop e o Synth-pop. O repertório é até legal: há canções divertidas e outras fracas. Enfim, é um álbum interessante, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Shine, King, Gold, Take Shelter, Real 
Piores Faixas: Worship, Without, Eyes Shut

Palo Santo – Years & Years





















NOTA: 3/10


Três anos se passaram e foi lançado mais um disco, o Palo Santo, e aqui as coisas degringolaram. Após o sucesso do Communion, eles queriam ampliar o escopo artístico e assumem uma proposta conceitual mais ousada. O álbum é estruturado em torno de uma narrativa futurista ambientada em uma sociedade distópica chamada “Palo Santo”, onde humanos se tornam obsoletos e androides dominam o mundo, mas buscam na arte humana, especialmente na música, uma forma de reconectar-se com emoções. A produção foi feita por eles com a ajuda dos mesmos nomes, só que seguindo um caminho mais ousado e mais sensual. Embora o Synth-pop continue sendo a espinha dorsal sonora, o álbum incorpora elementos do R&B contemporâneo e do Electropop, só que tudo é bastante repetitivo e o conceito não consegue funcionar. O repertório é muito ruim, e as canções são bem chatinhas, com poucas se salvando. No fim, é um disco péssimo e cheio de erros. 

Melhores Faixas: All For You, Rendezvous, Lucky Escape 
Piores Faixas: Karma, Hallelujah, Preacher, Hypnotised, If You're Over Me

Night Call – Years & Years





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o 3º e último álbum do Years & Years, o Night Call. Após o Palo Santo, o projeto deixou de ser oficialmente um trio e passou a funcionar essencialmente como empreendimento solo do Olly Alexander, muito por conta de Mikey Goldsworthy e Emre Türkmen não concordarem com os rumos altamente comerciais que Olly estava seguindo. Com isso, esse trabalho mergulha na solidão, no desejo e na necessidade de conexão. A produção foi feita por DetoNate, Galantis, Georgia, King Ed, Mark Ralph e George Reid, que apostaram em batidas pulsantes, linhas de baixo marcantes, sintetizadores brilhantes e atmosferas noturnas densas, seguindo uma temática puxada para o Dance-Pop, o Electropop e até influências de House. Os vocais do Olly ficaram mais variados, só que tudo é sem graça e genérico. O repertório é péssimo, tendo poucas canções que se salvam. Em suma, é um trabalho terrível que finalizou esse projeto de forma melancólica. 

Melhores Faixas: Crave, Make It Out Alive 
Piores Faixas: Night Call, Strange And Unusual, Starstruck, Sweet Talker, Intimacy

                                                                            Então um abraço e flw!!!                 

Analisando Discografias - The Mountains

                 

The Mountains · The Valleys · The Lakes – The Mountains





















NOTA: 8/10


Em 2014, foi lançado o álbum de estreia do trio The Mountains, intitulado The Mountains · The Valleys · The Lakes. Formado um ano antes na capital da Dinamarca, Copenhague, por Michael Møller e os irmãos gêmeos Fridolin e Frederik Nordsø, nomes que já vinham de projetos anteriores na cena Pop/Indie do país, o grupo tinha como objetivo explorar uma sonoridade pop eletrônica acessível, com um pé firme no Synth-pop. A produção, feita em sua maioria por Frederik, é limpa, sofisticada e extremamente coesa. Predominam sintetizadores analógicos e digitais com timbres quentes, pads atmosféricos que criam sensação de espaço e batidas eletrônicas discretas, mas firmes. E os vocais do Michael são, de certo modo, melancólicos, mas nunca excessivamente dramáticos. O repertório é bem legal, as canções são bem divertidas e têm um lado mais etéreo. No fim, é um ótimo disco de estreia e mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: The Valleys, Love And Fame And Death 
Vale a Pena Ouvir: The Mountains, Ivalo, Between Two Fires

When We Were Kings – The Mountains





















NOTA: 3/10


Dois anos se passaram e foi lançado o 2º álbum do trio, intitulado When We Were Kings. Após o The Mountains · The Valleys · The Lakes, esse novo trabalho queria mostrar um amadurecimento e maior segurança estética. Há uma sensação constante de revisitar momentos de glória pessoal, juventude ou intensidade emocional, mas sem cair em sentimentalismo excessivo, apesar de que a gravadora deles, a Warner, fez aquela pressão para seguir um caminho mais comercial. A produção foi levemente mais grandiosa que a do debut. O trio aprofunda o uso de sintetizadores com timbres mais encorpados, texturas mais densas e refrões que soam ainda mais expansivos, seguindo um caminho mais orientado ao Electropop, com algumas pitadas de Dance-Pop e até R&B. Só que o problema é que se percebe uma série de clichês sendo seguida, ficando bastante previsível. O repertório é fraco; há canções boas e outras bem genéricas. Enfim, é um álbum ruim e que mostrou uma queda. 

Melhores Faixas: Kings, When We Were Kings, Black Holes 
Piores Faixas: Champagne Sadness, The European Frog, Changes, Painless

Before And After Hollywood – The Mountains





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram e foi lançado o 3º e último álbum desse projeto até então, o Before And After Hollywood. Após o When We Were Kings, o trio retorna com um trabalho que parece refletir sobre identidade, ambição, ilusão e transformação. Não é necessariamente um álbum literal sobre a indústria do entretenimento, mas usa Hollywood como metáfora para expectativas grandiosas. A produção foi bem mais sofisticada, já que tudo foi feito de forma independente. Os sintetizadores continuam centrais, mas agora aparecem combinados com texturas mais orgânicas, ambiências expansivas e maior profundidade espacial na mixagem. Já os vocais do Michael ficaram bem mais vulneráveis, seguindo a vibe do Electropop, com pitadas de Dance-Pop, só que novamente acompanhando uma série de clichês. O repertório novamente é ruim, com poucas canções interessantes. No geral, é outro disco fraco e, após isso, não tivemos mais novidades. 

Melhores Faixas: Dancing In The Afterlife, Both Ways My Love, All The Drugs In The World, Before And After Hollywood 
Piores Faixas: A Bad Dream That Won't Go Away, Train Wrecks, Earthquakes, Stop Signs & Heartbreak, Barcelona, Passionate Losers


Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 3

                  Cannonball Adderley's Fiddler On The Roof – Cannonball Adderley NOTA: 8,5/10 Mais um tempinho se passou, e foi lançado...