sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 2

                    

Portrait Of Cannonball – Julian Adderley Quintet





















NOTA: 8,5/10


Indo para 1958, foi lançado mais um trabalho novo do Cannonball Adderley, o Portrait Of Cannonball. Após o Sophisticated Swing, ele já era reconhecido por um estilo muito particular no saxofone alto: um som forte, cheio de blues, mas ao mesmo tempo extremamente técnico e sofisticado. Esse disco marca também uma fase em que sua carreira começava a se estabilizar em termos de identidade musical. A produção foi conduzida por Orrin Keepnews, que deixou uma abordagem direta e uma clareza maior na forma como cada instrumento aparece. O saxofone do Cannonball ocupa o centro do palco sonoro, com um timbre caloroso e cheio de presença. Outro fator importante é a presença do pianista Bill Evans, que traz acordes sofisticados, voicings delicados e uma sensibilidade harmônica que adiciona profundidade às composições, além do resto dos músicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um disco bacana que preparou o caminho para algo maior. 

Melhores Faixas: People Will Say We're In Love, Straight Life 
Vale a Pena Ouvir: Blue Funk

Somethin' Else – Cannonball Adderly





















NOTA: 10/10


E aí, naquele mesmo ano, foi lançado o sensacional e atemporal álbum Somethin' Else. Após o Portrait Of Cannonball, Cannonball Adderley já era um dos saxofonistas altos mais respeitados do Hard Bop. E ele montou uma formação que até parece apelação, já que tinha Miles Davis, que cria um contraste interessante com o estilo exuberante e cheio de Blues do Cannonball. De novo, a presença do pianista Hank Jones e do contrabaixista Sam Jones e, por fim, a lenda Art Blakey na bateria, com toda aquela sua energia. A produção foi feita por Alfred Lion e foi lançado pela Blue Note, e com isso a abordagem é relativamente direta, com os músicos tocando juntos no estúdio e com pouca interferência técnica no resultado final. Com o som sendo bem orgânico nesse caldeirão de Hard Bop e Cool Jazz, muito por conta do Miles Davis antes do Kind Of Blue. O repertório contém 5 faixas maravilhosas que parecem coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Autumn Leaves, Somethin’ Else, One For Daddy-O 
Vale a Pena Ouvir: Dancing In The Dark, Love For Sale

Cannonball Takes Charge – Cannonball Adderly Quartet





















NOTA: 8,8/10


Chegando em 1959, foi lançado mais um trabalho do Cannonball Adderley, o Cannonball Takes Charge. Após o clássico Somethin’ Else, ele começou a explorar formações diferentes, incluindo grupos menores que destacassem ainda mais a interação direta entre os músicos. Em vez de depender da presença de grandes estrelas convidadas, como havia acontecido em sessões anteriores de sua carreira, aqui a proposta é concentrar a atenção na identidade do grupo e no desenvolvimento das interpretações. A produção foi conduzida mais uma vez por Orrin Keepnews, que deixou um som natural, sem excesso de intervenções de estúdio. Essa abordagem valoriza principalmente a comunicação entre os músicos, que colocam toda aquela textura para que o saxofone do Cannonball apareça com grande presença no registro. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de emoção. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: I've Told Every Little Star, Barefoot Sunday Blues 
Vale a Pena Ouvir: I Guess I'll Hang Out My Tears To Dry, Poor Butterfly

Them Dirty Blues – The Cannonball Adderly Quintet





















NOTA: 9,5/10


Entrando nos anos 60, foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Them Dirty Blues. Após o Cannonball Takes Charge, Cannonball Adderly começava a consolidar ainda mais a identidade musical de seu quinteto, que incluía seu irmão Nat Adderley no cornet, além de uma seção rítmica extremamente sólida. Esse período marca uma fase em que o grupo já possuía uma química muito clara, fruto de muitas apresentações ao vivo e gravações em sequência. Produção foi aquela de sempre, foco na performance coletiva e captura direta da interação entre os músicos. O som é natural, equilibrado e sem exageros de estúdio, o que ajuda a transmitir a sensação de uma banda tocando com espontaneidade. Além de vermos a interação entre sax do Cannonball que vai para um lado expressivo, enquanto Nat com sua corneta responde com fraseados mais bluesy. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes. Em suma, é um disco maravilhoso e divertido. 

Melhores Faixas: Work Song, Dat Dere, Them Dirty Blues 
Vale a Pena Ouvir: Easy Living, Jeannine

Cannonball Adderley Quintet In Chicago – Cannonball Adderley Quintet





















NOTA: 10/10


E aí, alguns meses depois, foi lançado outro disco espetacular, o Cannonball Adderley Quintet In Chicago. Após o Them Dirty Blues, esse projeto reúne praticamente a mesma formação que estava envolvida em sessões históricas do Jazz daquele ano, especialmente ligadas ao círculo musical do Miles Davis. Já que a formação continha John Coltrane no saxofone tenor, Wynton Kelly no piano, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria, basicamente a base que se tornaria uma das formações mais lendárias da história do Jazz. Outra coisa: isso foi gravado antes do Kind Of Blue do Miles Davis. Produção feita por Jack Tracy, deixou uma sonoridade bem equilibrada. Com o saxofone alto do Cannonball Adderley aparecendo com clareza e calor, mantendo seu estilo característico cheio de Blues e Swing, fora o John Coltrane com toda aquela sua complexidade harmônica. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem exuberantes. No geral, é um baita disco e é um clássico. 

Melhores Faixas: Limehouse Blues, Stars Fell On Alabama 
Vale a Pena Ouvir: Weaver Of Dreams, Grand Central

Cannonball Adderley And The Poll-Winners – Cannonball Adderley





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Cannonball Adderley And The Poll-Winners. Após o In Chicago, surge dentro de um conceito bastante comum no Jazz daquela época: reunir músicos que haviam sido votados em enquetes de revistas especializadas, os chamados “poll-winners”. Isso significava juntar alguns dos instrumentistas mais respeitados de cada área. A produção foi bem simplista e destaca bastante o saxofone alto do Cannonball Adderley, que ocupa naturalmente o centro do som. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de inflexões bluesy. O disco soa como uma sessão de músicos experientes que se encontram para tocar repertório que conhecem profundamente, explorando nuances e improvisações com confiança. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas e com um toque mais cadenciado. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Lolita, Au Privave 
Vale a Pena Ouvir: Yours Is My Heart Alone

Cannonball's Bossa Nova – Cannonball Adderley With The Bossa Rio Sextet Of Brazil





















NOTA: 8/10


Dois anos se passam, e foi lançado outro trabalho dele, o Cannonball's Bossa Nova. Após o Cannonball Adderley And The Poll-Winners, ele queria fazer um trabalho, como o próprio título já diz, de Bossa Nova, já que o estilo estava chamando a atenção de músicos de Jazz nos Estados Unidos, pois dialogava naturalmente com certas tendências do Jazz moderno. Com isso, ele chamou o Sexteto Bossa Rio, que era comandado por Sérgio Mendes, e foram gravar. A produção foi feita por Orrin Keepnews, pensada para enfatizar a leveza e o balanço característicos da Bossa Nova, deixando um clima mais suave, com arranjos que privilegiam espaço e delicadeza. Com o saxofone do Cannonball adaptando seu fraseado para se encaixar no ritmo brasileiro, usando linhas melódicas mais suaves e explorando o lirismo das composições. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem interpretadas e com aquele toque suave. Enfim, é um bom disco e que tem sua coesão. 

Melhores Faixas: Clouds, Corcovado 
Vale a Pena Ouvir: O Amor Em Paz, Minha Saudade

 

                                                                            É isso, um abraço e flw!!!                      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 1

                 

Julian "Cannonball" Adderley – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 8,7/10


Agora, indo lá para o ano de 1955, foi lançado o álbum de estreia do Cannonball Adderley. A sua trajetória começa por volta daquele mesmo ano, após ter deixado de ser líder da banda do exército americano, quando se mudou para Nova York para fazer sua pós-graduação. Em um certo dia, ele foi tocar no Café Bohemia, e a apresentação foi tão sensacional que começaram a chamá-lo de sucessor do Charlie Parker, e com isso ele começou a preparar seus primeiros trabalhos. A produção foi feita por Ken Druker, Bryan Koniarz e Bob Shad, que colocaram uma abordagem ampla, com vários instrumentos de sopro além do saxofone principal, formando um pequeno ensemble que alterna entre passagens arranjadas e momentos de improvisação, além dos arranjos da lenda Quincy Jones, que equilibraram Hard Bop com aquele Swing. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um disco interessante e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Cannonball, Hurricane Connie, Purple Shades, Willows 
Vale a Pena Ouvir: You'd Be So Nice To Come Home To, Cynthia's In Love, Everglade

Presenting "Cannon Ball" – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 8/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado seu 2º álbum, intitulado Presenting "Cannon Ball". Após o seu álbum de estreia, Cannonball Adderley ganhou reputação em jam sessions por sua capacidade de improvisar com energia e fluidez. Esse período era extremamente fértil para o Jazz moderno. O Bebop já havia se consolidado como linguagem principal entre músicos jovens, e vários artistas estavam começando a lançar seus primeiros álbuns como líderes, consolidando novas vozes dentro do gênero. A produção, feita por Ozzie Cadena, foi bastante direta e centrada nos músicos. A formação com seu irmão Nat Adderley na corneta, o pianista Hank Jones, o contrabaixista Paul Chambers e o baterista Kenny Clarke formam uma base muito dinâmica para o saxofone alto do Cannonball, resultando em uma performance orgânica e mais voltada para a improvisação. O repertório contém 5 faixas muito boas e mais imersivas. Enfim, é um trabalho legal e bastante fundamental. 

Melhores Faixas: Still Talkin' To Ya, Caribbean Cutie 
Vale a Pena Ouvir: Spontaneous Combustion, Flamingo, A Little Taste

Sophisticated Swing – Julian "Cannonball" Adderley





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco intitulado Sophisticated Swing, que é mais envolvente. Após o Presenting "Cannon Ball", Cannonball Adderley já havia deixado de ser apenas uma promessa da cena jazzística para se tornar um nome cada vez mais respeitado entre músicos e críticos. Ele ainda estava consolidando sua linguagem dentro do Bebop e começando a apontar ainda mais para o Hard Bop. A produção opta por um som orgânico e bastante natural, o que permite ouvir claramente a interação entre os instrumentos. O grupo que participa das gravações mantém a lógica de pequenos combos do Hard Bop e um Swing mais robusto. Trompete, piano, contrabaixo e bateria formam a base para o saxofone alto do Cannonball, criando um ambiente ideal para improvisações extensas. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas e com um lado energético. No fim, é um ótimo disco e mostra uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Miss Jackie's Delight, Spectacular, Jeanie, Edie McLin, Stella By Starlight
Vale a Pena Ouvir: Another Kind Of Soul, Tribute To Brownie

                                                                               Então é isso e flw!!!         

Analisando Discografias - Adoniran Barbosa

                  

Adoniran Barbosa – Adoniran Barbosa





















NOTA: 10/10


No ano de 1974, foi lançado o atemporal álbum de estreia da lenda Adoniran Barbosa. O cantor, nascido em 1910 na cidade de Valinhos, em São Paulo, já tinha interesse pela música, mas, depois de muita rejeição, foi só em 1935 que ele começou a compor suas canções para marchinhas e rádios. Mas foi só nos anos 50 que suas composições ganharam destaque após serem interpretadas pelos Demônios da Garoa, e aí só nos anos 70 que ele foi gravar seu primeiro disco pela Odeon, já bem velhinho, com seus 74 anos. A produção foi feita por Alfredo Corleto e contou com direção musical dos maestros José Briamonte e Gaya. A proposta sonora não era sofisticada no sentido de grandes arranjos orquestrais; pelo contrário, buscava manter o espírito simples e narrativo dos sambas do Adoniran, tornando-se assim uma obra definitiva do Samba-choro. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, com várias canções belíssimas. No geral, é um baita disco e um dos melhores da música brasileira. 

Melhores Faixas: Trem Das Onze, Saudosa Maloca, Abrigo De Vagabundos, Bom Dia Tristeza, Prova De Carinho, Iracema 
Vale a Pena Ouvir: Acende O Candieiro, Apaga O Fogo Mané, As Mariposas

Adoniran Barbosa – Adoniran Barbosa





















NOTA: 9,8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado seu 2º e último disco, que também vinha com seu nome. Após o seu clássico álbum de estreia, que reuniu alguns dos maiores sucessos do compositor, este novo álbum amplia o retrato do universo paulistano criado por ele, trazendo outras músicas importantes e consolidando a ideia do Adoniran Barbosa como cronista musical da cidade de São Paulo. A produção foi feita por João Carlos Botezelli, o Pelão, e contou com a direção musical do José Briamonte. Eles priorizam o formato clássico do Samba paulista, com violões, cavaquinho e percussão marcando o ritmo, sem excessos de orquestração. A intenção parece clara: preservar a naturalidade das composições e a interpretação característica de Adoniran. O repertório é incrível, e as canções tem muita profundidade. Após isso, ele foi diagnosticado com enfisema, ficando com muitos problemas de saúde e, infelizmente, veio a falecer aos 82 anos, deixando um último trabalho belíssimo. 

Melhores Faixas: No Morro Da Casa Verde, Vide Verso Meu Endereço, O Samba Do Arnesto, Samba Italiano, Não Quero Entrar
Vale a Pena Ouvir: Joga A Chave, Mulher, Patrão E Cachaça, Tocar Na Banda  


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Years & Years

                 

Communion – Years & Years





















NOTA: 8/10


Indo para 2015, foi lançado o álbum de estreia do Years & Years, intitulado Communion. Formado em 2010, em Londres, pelo quinteto Olly Alexander (vocais e teclados), Mikey Goldsworthy, Emre Türkmen, Noel Leeman (teclados) e Oliver Subria (bateria), nesse meio-tempo eles soltaram alguns singles. A partir de 2013, tornaram-se um trio, já que Leeman e Subria acabaram saindo e, depois de fazerem muito barulho na cena inglesa, assinaram com a Polydor Records. A produção foi feita pelo trio com auxílio de Two Inch Punch e Mike Spencer, entre outros, adotando uma abordagem sofisticada, moderna e altamente radiofônica, com sintetizadores limpos, linhas de baixo pulsantes, batidas eletrônicas excessivas, vocais cristalinos e camadas atmosféricas que criam profundidade emocional, seguindo o Electropop e o Synth-pop. O repertório é até legal: há canções divertidas e outras fracas. Enfim, é um álbum interessante, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Shine, King, Gold, Take Shelter, Real 
Piores Faixas: Worship, Without, Eyes Shut

Palo Santo – Years & Years





















NOTA: 3/10


Três anos se passaram e foi lançado mais um disco, o Palo Santo, e aqui as coisas degringolaram. Após o sucesso do Communion, eles queriam ampliar o escopo artístico e assumem uma proposta conceitual mais ousada. O álbum é estruturado em torno de uma narrativa futurista ambientada em uma sociedade distópica chamada “Palo Santo”, onde humanos se tornam obsoletos e androides dominam o mundo, mas buscam na arte humana, especialmente na música, uma forma de reconectar-se com emoções. A produção foi feita por eles com a ajuda dos mesmos nomes, só que seguindo um caminho mais ousado e mais sensual. Embora o Synth-pop continue sendo a espinha dorsal sonora, o álbum incorpora elementos do R&B contemporâneo e do Electropop, só que tudo é bastante repetitivo e o conceito não consegue funcionar. O repertório é muito ruim, e as canções são bem chatinhas, com poucas se salvando. No fim, é um disco péssimo e cheio de erros. 

Melhores Faixas: All For You, Rendezvous, Lucky Escape 
Piores Faixas: Karma, Hallelujah, Preacher, Hypnotised, If You're Over Me

Night Call – Years & Years





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o 3º e último álbum do Years & Years, o Night Call. Após o Palo Santo, o projeto deixou de ser oficialmente um trio e passou a funcionar essencialmente como empreendimento solo do Olly Alexander, muito por conta de Mikey Goldsworthy e Emre Türkmen não concordarem com os rumos altamente comerciais que Olly estava seguindo. Com isso, esse trabalho mergulha na solidão, no desejo e na necessidade de conexão. A produção foi feita por DetoNate, Galantis, Georgia, King Ed, Mark Ralph e George Reid, que apostaram em batidas pulsantes, linhas de baixo marcantes, sintetizadores brilhantes e atmosferas noturnas densas, seguindo uma temática puxada para o Dance-Pop, o Electropop e até influências de House. Os vocais do Olly ficaram mais variados, só que tudo é sem graça e genérico. O repertório é péssimo, tendo poucas canções que se salvam. Em suma, é um trabalho terrível que finalizou esse projeto de forma melancólica. 

Melhores Faixas: Crave, Make It Out Alive 
Piores Faixas: Night Call, Strange And Unusual, Starstruck, Sweet Talker, Intimacy

                                                                            Então um abraço e flw!!!                 

Analisando Discografias - The Mountains

                 

The Mountains · The Valleys · The Lakes – The Mountains





















NOTA: 8/10


Em 2014, foi lançado o álbum de estreia do trio The Mountains, intitulado The Mountains · The Valleys · The Lakes. Formado um ano antes na capital da Dinamarca, Copenhague, por Michael Møller e os irmãos gêmeos Fridolin e Frederik Nordsø, nomes que já vinham de projetos anteriores na cena Pop/Indie do país, o grupo tinha como objetivo explorar uma sonoridade pop eletrônica acessível, com um pé firme no Synth-pop. A produção, feita em sua maioria por Frederik, é limpa, sofisticada e extremamente coesa. Predominam sintetizadores analógicos e digitais com timbres quentes, pads atmosféricos que criam sensação de espaço e batidas eletrônicas discretas, mas firmes. E os vocais do Michael são, de certo modo, melancólicos, mas nunca excessivamente dramáticos. O repertório é bem legal, as canções são bem divertidas e têm um lado mais etéreo. No fim, é um ótimo disco de estreia e mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: The Valleys, Love And Fame And Death 
Vale a Pena Ouvir: The Mountains, Ivalo, Between Two Fires

When We Were Kings – The Mountains





















NOTA: 3/10


Dois anos se passaram e foi lançado o 2º álbum do trio, intitulado When We Were Kings. Após o The Mountains · The Valleys · The Lakes, esse novo trabalho queria mostrar um amadurecimento e maior segurança estética. Há uma sensação constante de revisitar momentos de glória pessoal, juventude ou intensidade emocional, mas sem cair em sentimentalismo excessivo, apesar de que a gravadora deles, a Warner, fez aquela pressão para seguir um caminho mais comercial. A produção foi levemente mais grandiosa que a do debut. O trio aprofunda o uso de sintetizadores com timbres mais encorpados, texturas mais densas e refrões que soam ainda mais expansivos, seguindo um caminho mais orientado ao Electropop, com algumas pitadas de Dance-Pop e até R&B. Só que o problema é que se percebe uma série de clichês sendo seguida, ficando bastante previsível. O repertório é fraco; há canções boas e outras bem genéricas. Enfim, é um álbum ruim e que mostrou uma queda. 

Melhores Faixas: Kings, When We Were Kings, Black Holes 
Piores Faixas: Champagne Sadness, The European Frog, Changes, Painless

Before And After Hollywood – The Mountains





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram e foi lançado o 3º e último álbum desse projeto até então, o Before And After Hollywood. Após o When We Were Kings, o trio retorna com um trabalho que parece refletir sobre identidade, ambição, ilusão e transformação. Não é necessariamente um álbum literal sobre a indústria do entretenimento, mas usa Hollywood como metáfora para expectativas grandiosas. A produção foi bem mais sofisticada, já que tudo foi feito de forma independente. Os sintetizadores continuam centrais, mas agora aparecem combinados com texturas mais orgânicas, ambiências expansivas e maior profundidade espacial na mixagem. Já os vocais do Michael ficaram bem mais vulneráveis, seguindo a vibe do Electropop, com pitadas de Dance-Pop, só que novamente acompanhando uma série de clichês. O repertório novamente é ruim, com poucas canções interessantes. No geral, é outro disco fraco e, após isso, não tivemos mais novidades. 

Melhores Faixas: Dancing In The Afterlife, Both Ways My Love, All The Drugs In The World, Before And After Hollywood 
Piores Faixas: A Bad Dream That Won't Go Away, Train Wrecks, Earthquakes, Stop Signs & Heartbreak, Barcelona, Passionate Losers


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Converge: Parte 2

                 

You Fail Me – Converge





















NOTA: 9,9/10


Três anos depois, foi lançado o 5º álbum do Converge, o também incrível You Fail Me. Após o atemporal Jane Doe, que redefiniu os limites do Metalcore e elevou a banda a um novo patamar artístico, a expectativa em torno do sucessor era enorme. Só que o grupo acabou se tornando um quarteto, já que o guitarrista Aaron Dalbec decidiu deixar a banda. Além disso, a banda assinou com a Epitaph Records. A produção foi feita por Alan Douches junto com o guitarrista Kurt Ballou, em um trabalho que demonstrou um cuidado maior com a definição sonora, seguindo a estética do Mathcore. A bateria do Ben Koller é bastante precisa, o baixo do Nate Newton tem presença real na mixagem, as guitarras do Ballou continuam dissonantes e cortantes, mas com camadas mais perceptíveis. Já os vocais do Jacob são mais variados, ficando mais integrados à massa sonora. O repertório é maravilhoso, com canções pesadas e atmosféricas. No fim, é um belo disco e outro clássico. 

Melhores Faixas: You Fail Me, Last Light, Black Cloud, In Her Blood, Heartless, Eagles Become Vultures 
Vale a Pena Ouvir: Drop Out, Death King, In Her Shadow

No Heroes – Converge





















NOTA: 9/10


Mais dois anos se passaram, e o Converge voltou com mais um disco, o No Heroes. Após o You Fail Me, que trouxe uma produção mais polida e atmosferas mais amplas, a banda decidiu reagir a qualquer expectativa de suavização, assim como outras bandas do gênero que estavam indo para um lado mais melódico. O título já indica o posicionamento: não há heróis, não há figuras redentoras, não há romantização, apenas confronto direto. A produção, feita como sempre por Kurt Ballou, aposta em um som mais seco, mais agressivo e mais imediato, mantendo um equilíbrio entre Metalcore, Sludge Metal e Post-Hardcore. A bateria é extremamente técnica, veloz e explosiva, as guitarras são dissonantes, afiadas e compactas, o baixo aparece com densidade, e o vocal do Jacob Bannon volta a soar mais agressivo e presente na mixagem. O repertório é ótimo e as canções são bem agressivas e caóticas. No fim, é um disco bacana que mostrou um caminho interessante. 

Melhores Faixas: No Heroes, Grim Heart / Black Rose, Hellbound, Plagues, Orphaned, Versus 
Vale a Pena Ouvir: Sacrifice, Heartache, Lonewolves

Axe To Fall – Converge





















NOTA: 10/10


No fim dos anos 2000, o Converge lançou outro álbum espetacular, o Axe To Fall, que foi ainda mais pesado. Após o No Heroes, eles decidiram fazer um projeto que fosse uma expansão, não no sentido de suavização, mas de amplitude criativa e colaborativa. Além disso, teria a presença de músicos convidados da cena hardcore, metal e experimental. O disco funciona quase como uma celebração da comunidade musical que a banda ajudou a moldar. A produção foi ainda mais ampla e apresenta uma sonoridade extremamente poderosa, porém mais orgânica, já que há influências de Post-Hardcore e até de Crossover Thrash. As guitarras do Kurt Ballou combinam a dissonância do hardcore com o peso do metal extremo, a cozinha rítmica é bem técnica e muito presente, e o vocal do Jacob Bannon aparece intenso, mas com muito mais variação. O repertório é fantástico e chega a parecer uma coletânea. Enfim, é outro disco magnífico e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Dark Horse, Axe To Fall, Worms Will Feed / Rats Will Feast, Wretched World, Reap What You Sow, Cutter, Wishing Well 
Vale a Pena Ouvir: Effigy, Losing Battle

All We Love We Leave Behind – Converge





















NOTA: 9,9/10


Indo para 2012, foi lançado o maravilhoso 8º álbum do Converge, o All We Love We Leave Behind. Após o Axe to Fall, eles decidiram fazer um projeto mais direto, e o título reflete diretamente o momento de vida dos integrantes, especialmente de Jacob Bannon. Após anos de turnês intensas, o conflito entre vida pessoal e carreira artística se torna tema central. O disco carrega um peso emocional mais maduro, menos explosivo no sentido juvenil e mais reflexivo, mas não menos agressivo. A produção foi mais equilibrada, o som é pesado, mas extremamente claro. As guitarras do Kurt Ballou continuam dissonantes e afiadas, mas aqui há um senso maior de espaço. A cozinha rítmica é bastante firme e orgânica. O vocal do Jacob Bannon está particularmente intenso, e sua performance equilibra fúria, desespero e vulnerabilidade. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas, com uma pegada densa. No geral, é um baita disco que assumiu um caráter mais urgente. 

Melhores Faixas: Aimless Arrow, All We Love We Leave Behind, Trespasses, Glacial Pace, Coral Blue, Sadness Comes Home 
Vale a Pena Ouvir: Empty On The Inside, Veins And Veils, Shame In The Way

The Dusk In Us – Converge





















NOTA: 9,3/10


Cinco anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Converge, o The Dusk in Us. Após o All We Love We Leave Behind, a banda já estava com seu legado dentro do Metal extremo moderno consolidado. Nesse novo trabalho, a abordagem é mais ampla e quase existencial. O disco mistura agressividade clássica com momentos atmosféricos mais desenvolvidos, lembrando, em certos aspectos, a ambição emocional do Jane Doe, mas com maior maturidade. A produção, feita mais uma vez pelo próprio guitarrista Kurt Ballou, apresenta um som pesado, mas expansivo. Suas guitarras são densas e dissonantes, mas também exploram camadas atmosféricas mais evidentes. A cozinha rítmica está bem mais firme, e os vocais do Jacob Bannon alternam gritos rasgados, declamações quase em Spoken Word e momentos de vulnerabilidade contida. O repertório é ótimo, e as canções são todas pesadíssimas. Enfim, é um disco incrível e bastante emocional. 

Melhores Faixas: The Dusk In Us, A Single Tear, I Can Tell You About Pain, Eye Of The Quarrel, Thousands Of Miles Between Us, Trigger 
Vale a Pena Ouvir: Murk & Marrow, Reptilian, Under Duress

Love Is Not Enough – Converge





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 2026, quando o Converge retorna com um álbum simplesmente fantástico, o Love Is Not Enough. Após o The Dusk in Us, eles focaram em outros projetos nesse meio-tempo, tendo, inclusive, lançado um álbum colaborativo com Chelsea Wolfe, e, para esse novo trabalho, a banda reflete sobre as tentativas de manter empatia e compaixão em um mundo desafiador. A produção, feita como sempre por Kurt Ballou, traz um tom realista e visceral, preservando momentos de selvageria e imperfeição que ampliam a sensação emocional e a urgência sonora, equilibrando Metalcore com Post-Hardcore, Sludge Metal e Mathcore. As guitarras ficaram mais dissonantes, a bateria de Ben Koller é bastante brutal, o baixo de Nate Newton tem aquela firmeza, e os vocais do Jacob Bannon têm aquela urgência característica em seus gritos. O repertório é maravilhoso e as canções são bem agressivas. No fim, é um álbum espetacular que tende a se tornar um clássico. 

Melhores Faixas: We Were Never the Same, Love Is Not Enough, Bad Faith, To Feel Something 
Vale a Pena Ouvir: Make Me Forget You, Amon Amok, Force Meets Presence


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!      

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 2

                     Portrait Of Cannonball – Julian Adderley Quintet NOTA: 8,5/10 Indo para 1958, foi lançado mais um trabalho novo do Cann...