Juvenile Hell – Mobb Deep
NOTA: 8/10
Em 1993, o Mobb Deep lançava seu injustiçado álbum de estreia, o Juvenile Hell. Formado em 1990 no bairro do Queens, em Nova Iorque, pela dupla Prodigy e Havoc, que se conheceram enquanto estudavam na prestigiada High School of Art and Design, eles começaram a gravar fitas demo e, após muita correria, conseguiram um contrato com a 4th & B'way Records, subsidiária da gravadora Island. A produção, feita pelo Havoc, contou também com DJ Premier, Large Professor, Paul Shabazz, entre outros, seguindo uma linha de beats mais limpas e menos opressivas. Mas, claro, mantendo aquela estética cheia de scratches, samples mais ensolarados de Soul e Funk e estruturas orientadas para o Boom Bap. Os flows do Prodigy conseguem ser bem ameaçadores, enquanto Havoc traz um contraponto com um lado mais técnico. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bastante divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: Peer Pressure, Hit It From The Back
Vale a Pena Ouvir: Project Hallways, Me & My Crew, Hold Down The Fort
The Infamous – Mobb Deep
NOTA: 10/10
Dois anos se passaram, e o Mobb Deep lançou o seu atemporal 2º álbum, o The Infamous. Após o Juvenile Hell, a dupla foi dispensada pela gravadora e se viram em uma situação complicada. Só que, a Loud Records, impactada pelo sucesso do Wu-Tang Clan, queria um grupo que seguisse uma vibe parecida, assinando assim com eles, o que fez a dupla ter liberdade para desenvolver um trabalho mais pessoal. A produção, feita pelo Havoc junto com the Abstract (vulgo Q-Tip), seguiu uma abordagem sombria e sufocante. Os beats pesados, construídos com pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas, samples distorcidos e efeitos que criam uma sensação permanente de perigo. Os flows evoluíram bastante, principalmente os do Prodigy, que adota um lado mais frio e que dialoga com o Gangsta Rap em beats do Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No final, esse disco é um clássico e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Shook Ones Pt. II, Survival Of The Fittest, Give Up The Goods (Just Step), Eye For A Eye (Your Beef Is Mines) (ótimas feats do Nas e Raekwon), The Start Of Your Ending (41st Side), Right Back At You (Raekwon junto com Ghostface Killah é quase Wu-Tang inteira), Drink Away The Pain (Situations) (Q-Tip amassando)
Vale a Pena Ouvir: Cradle To The Grave, Up North Trip, Q.U. - Hectic
Hell On Earth – Mobb Deep
NOTA: 10/10
No final do ano de 1996, o Mobb Deep lançava o também sensacional 3º álbum deles, o Hell On Earth. Após o clássico The Infamous, o Havoc e Prodigy deixaram de ser apenas uma promessa do Rap de Nova Iorque e passaram a integrar a elite do Rap da Costa Leste. E aqui, eles decidiram fazer um álbum mais frio e agressivo, além de claro ter respostas para os rappers da Costa Oeste muito por conta de eles terem citados por 2Pac na diss track "Hit 'Em Up". Produção conduzida pela dupla, tem presença de beats sombrias com beats mais pesadas, os graves são mais profundos e os samples em sua maioria de Soul possuem uma textura quase fantasmagórica. Fazendo assim um Boom Bap tenso com a temática do Gangsta Rap, colaborado com o flow de cada um que se tornou mais agressivo e direto. O repertório é incrível, e também chega parecer uma coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e que também é uma obra-prima.
Melhores Faixas: Hell On Earth (Front Lines), Drop A Gem On 'Em, Bloodsport, G.O.D. Pt. III, Can't Get Enough Of It, Apostle's Warning, Give It Up Fast (ótima feat do Nas), Animal Instinct
Vale a Pena Ouvir: Nighttime Vultures, Extortion (Method Man mandou bem), Still Shinin'
Murda Muzik – Mobb Deep
NOTA: 8,7/10
Três anos se passaram, e o Mobb Deep lançou seu 4º álbum, o subestimado Murda Muzik. Após o Hell On Earth, o cenário do Rap tinha mudado, já que, com o fim daquela rivalidade entre Costa Leste e Costa Oeste por conta das mortes do Big e do Pac, o gênero passou a ficar cada vez mais comercial, e assim eles queriam seguir um caminho mais acessível. Só que passaram por alguns problemas, como faixas que foram vazadas, e eles tiveram que reorganizar o repertório. A produção, feita pelo Havoc, contou com a ajuda do T-Mix, Epitome e de um jovem The Alchemist, seguindo uma sonoridade bem mais refinada e limpa. Com beats amplos, marcados por baterias pesadas, baixos profundos e teclados mais sofisticados. Os flows do Prodigy continuam bem secos e agressivos, e Havoc consegue apresentar um lado mais seguro. O repertório é ótimo, e as canções são bem consistentes e profundas. No geral, é um ótimo disco e que merecia ser revisitado.
Melhores Faixas: Quiet Storm, Where Ya Heart At, What's Ya Poison, Where Ya From, Thug Muzik, The Realest (Kool G Rap amassou), Allustrious, It's Mine (Nas mandou bem)
Vale a Pena Ouvir: Streets Raised Me, U.S.A. (Aiight Then), Can't Fuck Wit (ótima feat do Raekwon), Let A Ho Be A Ho
Infamy – Mobb Deep
NOTA: 3/10
Indo para 2001, o Mobb Deep lançava um novo álbum intitulado Infamy, e aqui as coisas decaíram. Após o Murda Muzik, o Rap havia se tornado ainda mais comercial. Aquele Gangsta Rap cru dos anos 90 já não dominava a cena, e a dupla já não estava na mesma situação financeira e profissional dos anos anteriores. Havia uma pressão cada vez maior para produzir singles de maior apelo comercial e ampliar o público do grupo. A produção, feita pelo Havoc junto com EZ Elpee, Scott Storch e The Alchemist, seguiu uma sonoridade moderna e polida. Os beats estão mais limpos, com baterias refinadas, graves mais encorpados e uma presença maior de sintetizadores e melodias de R&B. E assim, tudo soa como um Gangsta Rap pasteurizado para tocar nas rádios da época, já que quase tudo aqui é extremamente semelhante as produções do Eminem. O repertório é muito ruim, com poucas canções interessantes. No geral, é um álbum péssimo e sem identidade.
Melhores Faixas: Get Away, The Learning (Burn) (diss pro Jay-Z), Nothing Like Home
Piores Faixas: My Gats Spitting, There I Go Again, Bounce, Hey Luv (Anything), I Won't Fall, Handcuffs
Amerikaz Nightmare – Mobb Deep
NOTA: 3/10
Se passaram três anos, e a dupla lançou seu 6º álbum, intitulado Amerikaz Nightmare. Após o Infamy, que trouxe uma sonoridade mais comercial e experimentações com R&B, muitos fãs sentiram que o Mobb Deep havia se afastado da atmosfera fria e violenta que marcou seus maiores clássicos. Além disso, eles estavam envolvidos naquela diss contra Jay-Z, e foram os que menos convenceram, diferentemente de Nas. Então, precisavam fazer um trabalho sério, visto através da perspectiva de jovens negros das comunidades pobres. A produção do Havoc contou com The Alchemist, Lil Jon e Red Spyda, e aqui seguiram uma abordagem moderna, com beats carregados de baixos fortes, baterias pesadas e melodias obscuras. Porém, existe uma maior presença de sintetizadores, mas tudo soa bastante monótono e como se faltasse algo mais imersivo. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e apenas algumas que se salvam. No fim, é um disco ruim e muito desconexo.
Melhores Faixas: We Up, Got It Twisted, Dump
Piores Faixas: Flood The Block, Got It Twisted Remix, Throw Your Hands (In The Air), Shorty Wop, Neva Change, Real N***az
Blood Money – Mobb Deep
NOTA: 2,5/10
No ano de 2006, o Mobb Deep lançava mais um disco, intitulado Blood Money, e aqui foi o fundo do poço. Após o Amerikaz Nightmare, a dupla tomou uma decisão que causou surpresa: assinar com a G-Unit Records, selo comandado por 50 Cent. A parceria fazia sentido comercialmente, pois 50 Cent era um dos maiores nomes do Rap naquele momento e tinha grande influência sobre uma nova geração de fãs. A produção foi bastante diversificada, contando com Chad Beatz, Sha Money XL, entre outros, que adotaram uma abordagem radiofônica e bastante limpa. Os beats possuem mais sintetizadores, baterias mais fortes e estruturas pensadas para funcionar em clubes e grandes apresentações. Além disso, os flows do Prodigy e Havoc ficaram bem mais agressivos, mas tudo acaba se tornando uma tentativa desesperada de se manterem relevantes. O repertório é horrível, com canções medíocres e poucas exceções. Enfim, é um álbum horrível e que foi um fiasco.
Melhores Faixas: Click Click, Have a Party (boa feat do 50 Cent e Nate Dogg)
Piores Faixas: Put Em In Their Place, Capital P, Capital H, It’s Alright, Smoke It, Stole Something, Daydreamin'
The Infamous Mobb Deep – Mobb Deep
NOTA: 8/10
Foi apenas em 2014 que o Mobb Deep lançava seu 8º álbum, o The Infamous Mobb Deep (eita, título criativo). Após o Blood Money, em vez de tentar seguir tendências, Havoc e Prodigy decidiram fazer o contrário: revisitar suas raízes e reafirmar sua identidade. Além disso, isso também foi bom para a relação entre os dois, que havia passado por momentos turbulentos. Houve desentendimentos públicos e até especulações sobre o fim definitivo da dupla. Produzido por Havoc, com a presença de nomes como Boi-1da, The Maven Boys, Illmind, entre outros, traz aquelas batidas cruas e pesadas, com baterias secas, pianos melancólicos, linhas de baixo pesadas e uma atmosfera de tensão constante, mas, claro, dialogando com a modernidade. Com isso, temos um retorno àquele Boom Bap raiz que eles sabiam fazer bem. O repertório é bem legal, e as canções são bastante reflexivas e melódicas. No fim, é um disco bacana e criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Dirt, Lifetime
Vale a Pena Ouvir: Get Down, Gimme All That, Murdera
Infinite – Mobb Deep
NOTA: 8,9/10
Então chegamos a 2025, quando foi lançado o último álbum da dupla, intitulado Infinite. Após o The Infamous Mobb Deep, eles estavam até que fazendo seus shows de forma tranquila, mas, infelizmente, em 2017, Prodigy morreu de asfixia acidental em Las Vegas, Nevada, enquanto estava hospitalizado devido à anemia falciforme. Assim, Havoc preparou esse trabalho a partir de versos inéditos, gravações arquivadas e materiais que Prodigy havia deixado ao longo dos anos, sendo lançado pela Mass Appeal como parte da série "Legend Has It". A produção, feita pelo rapper junto com The Alchemist, trouxe uma sonoridade limpa, com beats pesados, pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas e uma atmosfera fria e ameaçadora, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são bastante reflexivas e beiram um lado sombrio. Em suma, é um ótimo álbum de despedida para uma dupla tão lendária.
Melhores Faixas: Love The Way (Down For You PT2) (BAITA feat do Nas), Look At Me (baita feat do Clipse), Pour The Henny (Nas amassando de novo), The M. The O. The B. The B., Clear Black Nights (Raekwon e Ghostface Killah mandaram bem), Score Points, Mr. Magik
Vale a Pena Ouvir: Taj Mahal, We The Real Thing, Against The World