DiCaprio – JID
NOTA: 2,5/10
Em 2015, o JID lançava um EP intitulado DiCaprio, que trazia algo que seria desenvolvido posteriormente. O rapper, vindo de Atlanta, começou sua trajetória por volta de 2010, quando lançou algumas mixtapes e montou um coletivo. Para esse trabalho, ele ainda estava constantemente tentando provar que merecia atenção, e essa característica dá bastante energia ao projeto. A produção contou com Christo, DJ Fu, Hollywood JB e vários outros, que colocaram beats pesadas que dialogam com Boom Bap e Jazz Rap, atmosferas mais sombrias, passagens mais melódicas e instrumentais que deixam bastante espaço para a voz. Só que o problema é que os flows do JID são bastante imprecisos, tendo momentos em que ele está completamente fora de ritmo. O repertório é muito ruim; até tem canções boas, mas outras são terríveis. No fim, é um trabalho fraco, de alguém que precisava evoluir.
Melhores Faixas: LeFluGame, LeHooligangs
Piores Faixas: LeStudMuffin, LeTrow, LeTumbapart1
The Never Story – JID
NOTA: 9/10
Dois anos depois, o JID retornava com seu álbum de estreia, intitulado The Never Story. Após o EP DiCaprio, o rapper estava construindo seu espaço e chamando muita atenção, até que conseguiu assinar com a Dreamville, do J. Cole. Para esse trabalho, há uma sensação de ele estar contando uma história de crescimento, ambição, dificuldades e transformação, mas sem transformar o álbum em uma narrativa linear tradicional. A produção contou com Frank Dukes, SMKA, The Imaginary Kids, entre outros, que colocaram beats orgânicas que dialogam com Trap, Boom Bap, R&B e Jazz Rap. Com isso, temos graves enormes, hi-hats precisos, baterias secas e baixos mais ousados. Os flows do JID ficaram mais certeiros, com ele usando a velocidade a seu favor e conseguindo variar. O repertório é incrível, e as canções são todas muito reflexivas. Enfim, é um baita disco e que, de certo modo, é muito subestimado pelos fãs.
Melhores Faixas: Never, Somebody, Lauder, 8701, D/Vision
Vale a Pena Ouvir: General, Hoodbooger, EdEddnEddy
DiCaprio 2 – JID
NOTA: 8,7/10
No ano seguinte, o rapper voltava com seu segundo álbum, o DiCaprio 2, que foi tudo o que o anterior não foi. Após o The Never Story, ele pega aquela persona construída no primeiro DiCaprio e a leva para outro estágio. Existe uma confiança muito maior, tanto na maneira de escrever quanto na maneira de interpretar. Ele parece muito mais confortável em assumir que sua principal arma é justamente sua técnica. A produção foi diversificada, contando com Kenny Beats, Frankie P., WondaGurl e vários outros, que colocaram beats pesadas, contando com baterias secas, loops distorcidos, graves e hi-hats que dão uma sensação de urgência. Os flows do JID continuam bem agressivos e até mais técnicos, com ele utilizando muito bem a velocidade a seu favor, conseguindo se encaixar tanto no Trap quanto, em alguns momentos, no Jazz Rap. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais pessoais e melódicas. Enfim, é um ótimo trabalho e mostrou algo mais estruturado.
Melhores Faixas: 151 Rum, Off Deez (ótima feat do J. Cole), Westbrook (A$AP Ferg foi bem demais), Hot Box (Method Man e Joey Bada$$ formaram uma boa dupla), Strawberries (For Da Ladies), Workin Out
Vale a Pena Ouvir: Hasta Luego, Stick Talk, Mounted Up
The Forever Story – JID
NOTA: 10/10
Então chegamos em 2022, quando o JID lançava o sensacional The Forever Story. Após o DiCaprio 2, ele já havia estabelecido uma reputação como um dos rappers tecnicamente mais impressionantes de sua geração. Mas, para esse álbum, o rapper traz uma preocupação muito grande com legado, família, memória e a maneira como uma pessoa constrói uma história que continua sendo contada mesmo depois dela. JID olha para o passado, para a família, para Atlanta, para sua infância, para seus relacionamentos e para sua ascensão como artista. A produção contou com Christo, DJ Scheme, Pluss, entre outros, que colocaram beats pesadas que dialogam com Trap, Neo-Soul e Jazz Rap. Com isso, temos baterias secas, texturas orgânicas, loops constantes e um uso de corais que se encaixa com seus flows técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No geral, é um baita álbum e já é um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Melhores Faixas: Kody Blu 31, Raydar, Can’t Punk Me, Stars (grande Mos Def), Sistanem, Surround Sound (baita feat do 21 Savage), Dance Now, Lauder Too
Vale a Pena Ouvir: Crack Sandwich, Just In Time (Lil Wayne mandou bem), Can't Make U Change
God Does Like Ugly – JID
NOTA: 9,2/10
Então chegamos em 2025, quando o JID lançou seu mais recente álbum, o God Does Like Ugly. Após o The Forever Story, o rapper se tornou um dos principais nomes comentados da cena, só que, agora, para esse projeto, ele decidiu pegar uma expressão que veio de uma das avós de seus avós e funciona como uma espécie de princípio para o álbum: beleza e feiura podem coexistir, e aquilo que parece imperfeito ou desagradável também pode ter valor, propósito e até uma espécie de graça. A produção contou, como sempre, com vários nomes, como 1da, Buddy Ross, Christo, entre outros, que colocaram beats variados que dialogam tanto com Jazz Rap, Neo-Soul e Trap. Além disso, há texturas psicodélicas e passagens que utilizam instrumentos reais. Com isso, os flows do JID continuam muito precisos e variados. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de profundidade. No final, é um baita disco e um pouco mais imersivo.
Melhores Faixas: Community (baita feat do Clipse), YouUgly (Westside Gunn amassando), Glory, Sk8, VCRs, Of Blue, On McAfee
Vale a Pena Ouvir: For Keeps, WRK, Gz