segunda-feira, 13 de julho de 2026

Analisando Discografias - Prodigy

                 

H.N.I.C. – Prodigy





















NOTA: 9,4/10


No começo dos anos 2000, o Prodigy lançava seu 1º álbum solo, o H.N.I.C. (Head Nigga in Charge). Após o Murda Muzik, com o Mobb Deep, o rapper surgiu com esse projeto em um momento em que muitos integrantes de grupos clássicos do rap estavam se aventurando em carreiras individuais. Para Prodigy, entretanto, o objetivo não era se distanciar do Mobb Deep, mas provar que sua personalidade artística era forte o suficiente para sustentar um disco inteiro sozinho. A produção, feita por ele junto com The Alchemist, Havoc, EZ Elpee, entre outros, seguiu por beats orgânicos, baseados em baterias secas, linhas de baixo pesadas, pianos melancólicos e samples discretos, dialogando tanto com o Boom Bap quanto, às vezes, com o Jazz Rap, enquanto os flows do Prodigy se mostram bem técnicos e agressivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e cheias de vivências e lutas. No fim, é um belo disco, que mostrou um lado mais particular do rapper. 

Melhores Faixas: Keep It Thoro, Genesis, You Can Never Feel My Pain, Veteran's Memorial, Three, Trials Of Love, Diamond, Can't Complain 
Vale a Pena Ouvir: What U Rep, Y.B.E., Gun Play

Return Of The Mac – Prodigy





















NOTA: 8/10


Sete anos se passaram, e o Prodigy lança seu 2º álbum solo, o Return of the Mac. Após o H.N.I.C., o rapper enfrentava problemas pessoais e legais. Sua saúde continuava sendo um desafio devido à anemia falciforme, e os problemas com a justiça se intensificavam, culminando em sua prisão pouco depois do lançamento do álbum. Havia também uma percepção, por parte do público, de que ele e o Mobb Deep precisavam reafirmar sua identidade artística depois de um período de experimentações e tentativas de adaptação ao mercado. A produção, feita inteiramente por The Alchemist, apresenta beats cruas e diretas, com baterias secas, baixos discretos e loops que parecem ter sido retirados de trilhas sonoras antigas e de discos de Soul esquecidos. Os flows do Prodigy conseguem ser bem técnicos e frios. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas e urbanas. Enfim, é um trabalho bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Stuck On You, Take It To The Top, Nickel And A Nail 
Vale a Pena Ouvir: 7th Heaven, The Rotten Apple, Stop Fronting

H.N.I.C. Pt. 2 – Prodigy





















NOTA: 3,3/10


No ano seguinte, o Prodigy lançava mais um álbum, o H.N.I.C. 2, em um momento conturbado. Após o Return of the Mac, o rapper foi condenado à prisão por posse ilegal de arma de fogo, ficando encarcerado entre 2007 e 2011. Embora esse álbum tenha sido lançado alguns meses antes de sua prisão, o disco acabou adquirindo uma importância ainda maior posteriormente, pois passou a representar o encerramento de uma fase de sua carreira e o último registro de liberdade antes de um longo período de afastamento. A produção, feita por The Alchemist, Apex, Havoc e Sid Roams, é carregada de beats variadas, com baterias secas, linhas de baixo discretas e loops minimalistas. Só que o problema é que tudo soa bastante bagunçado, parecendo que o único que fez algo interessante foi Uncle Al, enquanto os flows do Prodigy parecem repetitivos. O repertório é fraquíssimo, tendo canções boas e outras medíocres. Enfim, é um álbum ruim e sem coesão. 

Melhores Faixas: Veterans Memorial Part 2, The Life, Young Veterans, Illuminati 
Piores Faixas: Real Power Is People, It's Nothing, Click Clack, New Yitty, 3 Stacks

Albert Einstein – Prodigy & The Alchemist





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2013, foi lançado o último álbum de estúdio do Prodigy fora do Mobb Deep, o Albert Einstein. Após o H.N.I.C. 2, o rapper já havia saído da prisão e se encontrava em uma fase mais madura de sua carreira. Ele decidiu se unir a The Alchemist para fazer um álbum mais cinematográfico, que, já no título, contrapõe duas figuras aparentemente opostas: Albert Einstein, símbolo da genialidade científica, e o universo sombrio e criminoso retratado por Prodigy. A produção segue por um som denso, com beats pesadas, marcadas pela presença de samples obscuros, baterias secas, pianos melancólicos, linhas de baixo discretas e texturas que remetem ao cinema policial e aos filmes de suspense dos anos 70, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Drumless. Os flows do Prodigy são bem cadenciados e conseguem ser bastante técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e abstratas. No geral, é um ótimo álbum e consegue ser muito imersivo. 

Melhores Faixas: Raw Forever, R.I.P. (baita feat do Raekwon e do Havoc), Give Em Hell, Bible Paper, Curb Ya Dog, Breeze 
Vale a Pena Ouvir: Confessions, Stay Dope, The One


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!          

Analisando Discografias - Havoc

                  

The Kush – Havoc





















NOTA: 8/10


Em 2007, o Havoc lançava seu primeiro trabalho solo, intitulado The Kush, que trazia algo até que interessante. Após o lançamento do Blood Money com o Mobb Deep, o rapper era frequentemente visto como o arquiteto sonoro da dupla, enquanto Prodigy era encarado como a principal voz e letrista do grupo. Então, ele preferiu preservar a essência do som de Queensbridge, apresentando um disco que funciona quase como uma extensão dos álbuns da dupla. A produção, feita inteiramente por ele próprio, seguiu uma linha de beats frios, sombrios e minimalistas, sustentados por baterias secas e linhas de baixo pesadas. Além disso, ele adiciona sintetizadores mais limpos e programações de bateria que se aproximam do Rap daquele período, e os flows do Havoc conseguem ser bem precisos, indo para um lado mais cadenciado. O repertório é bem legal, e as canções são bastante imersivas e densas. Enfim, é um ótimo disco e que vale a pena ouvir. 

Melhores Faixas: Be There, Balling Out 
Vale a Pena Ouvir: Class By Myself, Set Me Free (boa feat do Prodigy), I'm The Boss
  

13 – Havoc





















NOTA: 6/10


Indo para 2013, ele volta com um novo álbum, intitulado apenas 13 (referência ao Galo, certamente kk). Após o The Kush, o Rap da Costa Leste tentava recuperar parte de sua relevância. Enquanto o Trap ganhava cada vez mais espaço, diversos veteranos procuravam atualizar suas sonoridades sem abandonar suas raízes. Havoc seguiu esse caminho, mas de maneira bastante cuidadosa. A produção é bem mais moderna, principalmente nas beats que possuem maior presença de sintetizadores, linhas de baixo mais pesadas e baterias mais limpas. Havoc também dialoga bastante com o Cloud Rap, trazendo um flow mais simplista e direto. Só que, assim, o disco acaba ficando repetitivo e soa como uma tentativa de se adaptar ao novo, mas de maneira imprecisa. O repertório é bastante irregular: começa bem, mas acaba decaindo. No fim, é um trabalho mediano e que envelheceu mal. 

Melhores Faixas: Tell Me To My Face, Gettin' Mines, Gone 
Piores Faixas: Hear Dat, Eyes Open, Life We Chose

The Silent Partner – Havoc & The Alchemist





















NOTA: 8,4/10


Em 2016, o Havoc lançou seu último trabalho relevante em parceria com The Alchemist, o The Silent Partner. Após o 13, os dois tinham construído suas carreiras dentro do Hardcore Hip Hop, compartilhando uma preferência por instrumentais sombrios, atmosferas cinematográficas e narrativas de rua. Além disso, Uncle Al já havia produzido algumas músicas do Mobb Deep, então esse projeto não foi algo simplesmente inédito. A produção, feita pelos dois, apresenta beats cinematográficos baseados em samples obscuros, baterias secas, linhas de baixo discretas e uma enorme atenção aos detalhes, dialogando com o Drumless e o Boom Bap. Os flows diretos e agressivos de Havoc conseguem combinar com toda essa temática, remetendo aos projetos clássicos de sua carreira. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e carregadas de mensagem. No geral, é um ótimo álbum, que extrai a melhor versão do rapper. 

Melhores Faixas: Buck 50's & Bullet Wounds (Method Man amassou), Out The Frame, Just Being Me, Smooth Ride Music 
Vale a Pena Ouvir: The Gun Holds A Drum (Prodigy mandou bem), Hear Me Now, Maintain (Fu** How You Feel)


domingo, 12 de julho de 2026

Review: The Real Me do Future

                     

The Real Me – Future





















NOTA: 2/10


Recentemente, o Future lançou seu mais recente álbum, o The Real Me, e aqui as coisas não deram certo. Após a MIXTAPE PLUTO, o rapper focou em outros projetos nesse meio-tempo, sendo um deles sua participação em uma das músicas da Copa do Mundo; tanto que ele chegou até a se apresentar na cerimônia de abertura. Assim, o anúncio desse projeto veio após uma campanha misteriosa envolvendo as iniciais "T.R.M." em outdoors e plataformas digitais. A produção foi extremamente diversificada, contando com Southside, TM88, ATL Jacob e vários outros, que trouxeram beats amplos, com forte presença de 808s pesados, hi-hats discretos e sintetizadores melancólicos. Só que, no fim, isso parece mais um trabalho genérico do Trap, com Future repetindo o mesmo flow do começo ao fim. O repertório é tenebroso, com canções terríveis e poucas que se salvam. Enfim, é certamente um dos piores álbuns de sua carreira. 

Melhores Faixas: Tank Top Pluto, Radio, Off The Hinge 
Piores Faixas: One Two, Build A Bitch, No Misery, Feeling I Give, Kick, Snow In Skyami, Cast A Spell, Hollywood, 2018

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Mobb Deep

                 

Juvenile Hell – Mobb Deep





















NOTA: 8/10


Em 1993, o Mobb Deep lançava seu injustiçado álbum de estreia, o Juvenile Hell. Formado em 1990 no bairro do Queens, em Nova Iorque, pela dupla Prodigy e Havoc, que se conheceram enquanto estudavam na prestigiada High School of Art and Design, eles começaram a gravar fitas demo e, após muita correria, conseguiram um contrato com a 4th & B'way Records, subsidiária da gravadora Island. A produção, feita pelo Havoc, contou também com DJ Premier, Large Professor, Paul Shabazz, entre outros, seguindo uma linha de beats mais limpas e menos opressivas. Mas, claro, mantendo aquela estética cheia de scratches, samples mais ensolarados de Soul e Funk e estruturas orientadas para o Boom Bap. Os flows do Prodigy conseguem ser bem ameaçadores, enquanto Havoc traz um contraponto com um lado mais técnico. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bastante divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Peer Pressure, Hit It From The Back 
Vale a Pena Ouvir: Project Hallways, Me & My Crew, Hold Down The Fort

The Infamous – Mobb Deep





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e o Mobb Deep lançou o seu atemporal 2º álbum, o The Infamous. Após o Juvenile Hell, a dupla foi dispensada pela gravadora e se viram em uma situação complicada. Só que, a Loud Records, impactada pelo sucesso do Wu-Tang Clan, queria um grupo que seguisse uma vibe parecida, assinando assim com eles, o que fez a dupla ter liberdade para desenvolver um trabalho mais pessoal. A produção, feita pelo Havoc junto com the Abstract (vulgo Q-Tip), seguiu uma abordagem sombria e sufocante. Os beats pesados, construídos com pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas, samples distorcidos e efeitos que criam uma sensação permanente de perigo. Os flows evoluíram bastante, principalmente os do Prodigy, que adota um lado mais frio e que dialoga com o Gangsta Rap em beats do Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No final, esse disco é um clássico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Shook Ones Pt. II, Survival Of The Fittest, Give Up The Goods (Just Step), Eye For A Eye (Your Beef Is Mines) (ótimas feats do Nas e Raekwon), The Start Of Your Ending (41st Side), Right Back At You (Raekwon junto com Ghostface Killah é quase Wu-Tang inteira), Drink Away The Pain (Situations) (Q-Tip amassando) 
Vale a Pena Ouvir: Cradle To The Grave, Up North Trip, Q.U. - Hectic

Hell On Earth – Mobb Deep





















NOTA: 10/10


No final do ano de 1996, o Mobb Deep lançava o também sensacional 3º álbum deles, o Hell On Earth. Após o clássico The Infamous, o Havoc e Prodigy deixaram de ser apenas uma promessa do Rap de Nova Iorque e passaram a integrar a elite do Rap da Costa Leste. E aqui, eles decidiram fazer um álbum mais frio e agressivo, além de claro ter respostas para os rappers da Costa Oeste muito por conta de eles terem citados por 2Pac na diss track "Hit 'Em Up". Produção conduzida pela dupla, tem presença de beats sombrias com beats mais pesadas, os graves são mais profundos e os samples em sua maioria de Soul possuem uma textura quase fantasmagórica. Fazendo assim um Boom Bap tenso com a temática do Gangsta Rap, colaborado com o flow de cada um que se tornou mais agressivo e direto. O repertório é incrível, e também chega parecer uma coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e que também é uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Hell On Earth (Front Lines), Drop A Gem On 'Em, Bloodsport, G.O.D. Pt. III, Can't Get Enough Of It, Apostle's Warning, Give It Up Fast (ótima feat do Nas), Animal Instinct
Vale a Pena Ouvir: Nighttime Vultures, Extortion (Method Man mandou bem), Still Shinin'

Murda Muzik – Mobb Deep





















NOTA: 8,7/10


Três anos se passaram, e o Mobb Deep lançou seu 4º álbum, o subestimado Murda Muzik. Após o Hell On Earth, o cenário do Rap tinha mudado, já que, com o fim daquela rivalidade entre Costa Leste e Costa Oeste por conta das mortes do Big e do Pac, o gênero passou a ficar cada vez mais comercial, e assim eles queriam seguir um caminho mais acessível. Só que passaram por alguns problemas, como faixas que foram vazadas, e eles tiveram que reorganizar o repertório. A produção, feita pelo Havoc, contou com a ajuda do T-Mix, Epitome e de um jovem The Alchemist, seguindo uma sonoridade bem mais refinada e limpa. Com beats amplos, marcados por baterias pesadas, baixos profundos e teclados mais sofisticados. Os flows do Prodigy continuam bem secos e agressivos, e Havoc consegue apresentar um lado mais seguro. O repertório é ótimo, e as canções são bem consistentes e profundas. No geral, é um ótimo disco e que merecia ser revisitado. 

Melhores Faixas: Quiet Storm, Where Ya Heart At, What's Ya Poison, Where Ya From, Thug Muzik, The Realest (Kool G Rap amassou), Allustrious, It's Mine (Nas mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Streets Raised Me, U.S.A. (Aiight Then), Can't Fuck Wit (ótima feat do Raekwon), Let A Ho Be A Ho

Infamy – Mobb Deep





















NOTA: 3/10


Indo para 2001, o Mobb Deep lançava um novo álbum intitulado Infamy, e aqui as coisas decaíram. Após o Murda Muzik, o Rap havia se tornado ainda mais comercial. Aquele Gangsta Rap cru dos anos 90 já não dominava a cena, e a dupla já não estava na mesma situação financeira e profissional dos anos anteriores. Havia uma pressão cada vez maior para produzir singles de maior apelo comercial e ampliar o público do grupo. A produção, feita pelo Havoc junto com EZ Elpee, Scott Storch e The Alchemist, seguiu uma sonoridade moderna e polida. Os beats estão mais limpos, com baterias refinadas, graves mais encorpados e uma presença maior de sintetizadores e melodias de R&B. E assim, tudo soa como um Gangsta Rap pasteurizado para tocar nas rádios da época, já que quase tudo aqui é extremamente semelhante as produções do Eminem. O repertório é muito ruim, com poucas canções interessantes. No geral, é um álbum péssimo e sem identidade. 

Melhores Faixas: Get Away, The Learning (Burn) (diss pro Jay-Z), Nothing Like Home 
Piores Faixas: My Gats Spitting, There I Go Again, Bounce, Hey Luv (Anything), I Won't Fall, Handcuffs

Amerikaz Nightmare – Mobb Deep





















NOTA: 3/10


Se passaram três anos, e a dupla lançou seu 6º álbum, intitulado Amerikaz Nightmare. Após o Infamy, que trouxe uma sonoridade mais comercial e experimentações com R&B, muitos fãs sentiram que o Mobb Deep havia se afastado da atmosfera fria e violenta que marcou seus maiores clássicos. Além disso, eles estavam envolvidos naquela diss contra Jay-Z, e foram os que menos convenceram, diferentemente de Nas. Então, precisavam fazer um trabalho sério, visto através da perspectiva de jovens negros das comunidades pobres. A produção do Havoc contou com The Alchemist, Lil Jon e Red Spyda, e aqui seguiram uma abordagem moderna, com beats carregados de baixos fortes, baterias pesadas e melodias obscuras. Porém, existe uma maior presença de sintetizadores, mas tudo soa bastante monótono e como se faltasse algo mais imersivo. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e apenas algumas que se salvam. No fim, é um disco ruim e muito desconexo. 

Melhores Faixas: We Up, Got It Twisted, Dump 
Piores Faixas: Flood The Block, Got It Twisted Remix, Throw Your Hands (In The Air), Shorty Wop, Neva Change, Real N***az

Blood Money – Mobb Deep





















NOTA: 2,5/10


No ano de 2006, o Mobb Deep lançava mais um disco, intitulado Blood Money, e aqui foi o fundo do poço. Após o Amerikaz Nightmare, a dupla tomou uma decisão que causou surpresa: assinar com a G-Unit Records, selo comandado por 50 Cent. A parceria fazia sentido comercialmente, pois 50 Cent era um dos maiores nomes do Rap naquele momento e tinha grande influência sobre uma nova geração de fãs. A produção foi bastante diversificada, contando com Chad Beatz, Sha Money XL, entre outros, que adotaram uma abordagem radiofônica e bastante limpa. Os beats possuem mais sintetizadores, baterias mais fortes e estruturas pensadas para funcionar em clubes e grandes apresentações. Além disso, os flows do Prodigy e Havoc ficaram bem mais agressivos, mas tudo acaba se tornando uma tentativa desesperada de se manterem relevantes. O repertório é horrível, com canções medíocres e poucas exceções. Enfim, é um álbum horrível e que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Click Click, Have a Party (boa feat do 50 Cent e Nate Dogg) 
Piores Faixas: Put Em In Their Place, Capital P, Capital H, It’s Alright, Smoke It, Stole Something, Daydreamin'

The Infamous Mobb Deep – Mobb Deep





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 2014 que o Mobb Deep lançava seu 8º álbum, o The Infamous Mobb Deep (eita, título criativo). Após o Blood Money, em vez de tentar seguir tendências, Havoc e Prodigy decidiram fazer o contrário: revisitar suas raízes e reafirmar sua identidade. Além disso, isso também foi bom para a relação entre os dois, que havia passado por momentos turbulentos. Houve desentendimentos públicos e até especulações sobre o fim definitivo da dupla. Produzido por Havoc, com a presença de nomes como Boi-1da, The Maven Boys, Illmind, entre outros, traz aquelas batidas cruas e pesadas, com baterias secas, pianos melancólicos, linhas de baixo pesadas e uma atmosfera de tensão constante, mas, claro, dialogando com a modernidade. Com isso, temos um retorno àquele Boom Bap raiz que eles sabiam fazer bem. O repertório é bem legal, e as canções são bastante reflexivas e melódicas. No fim, é um disco bacana e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Dirt, Lifetime 
Vale a Pena Ouvir: Get Down, Gimme All That, Murdera

Infinite – Mobb Deep





















NOTA: 8,9/10


Então chegamos a 2025, quando foi lançado o último álbum da dupla, intitulado Infinite. Após o The Infamous Mobb Deep, eles estavam até que fazendo seus shows de forma tranquila, mas, infelizmente, em 2017, Prodigy morreu de asfixia acidental em Las Vegas, Nevada, enquanto estava hospitalizado devido à anemia falciforme. Assim, Havoc preparou esse trabalho a partir de versos inéditos, gravações arquivadas e materiais que Prodigy havia deixado ao longo dos anos, sendo lançado pela Mass Appeal como parte da série "Legend Has It". A produção, feita pelo rapper junto com The Alchemist, trouxe uma sonoridade limpa, com beats pesados, pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas e uma atmosfera fria e ameaçadora, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são bastante reflexivas e beiram um lado sombrio. Em suma, é um ótimo álbum de despedida para uma dupla tão lendária. 

Melhores Faixas: Love The Way (Down For You PT2) (BAITA feat do Nas), Look At Me (baita feat do Clipse), Pour The Henny (Nas amassando de novo), The M. The O. The B. The B., Clear Black Nights (Raekwon e Ghostface Killah mandaram bem), Score Points, Mr. Magik
Vale a Pena Ouvir: Taj Mahal, We The Real Thing, Against The World


sábado, 11 de julho de 2026

Analisando Discografias - Sci-Fi the Mastermind

                  

Armageddon – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 9/10


Também em 2024, o Sci-Fi the Mastermind lançava seu 1º trabalho no formato de EP, o Armageddon. O rapper, vindo de Boston, Massachusetts, começou sua trajetória por volta de 2023 e já vinha construindo uma pequena reputação no underground por meio de uma estética profundamente inspirada pelo rap dos anos 90, especialmente pelos trabalhos de grupos como o Wu-Tang Clan, além da influência evidente de artistas como MF DOOM. A produção, feita por Dr. Misterio on the Beat, apresenta beats pesadas, baterias secas, linhas de baixo simples e samples de Soul e Jazz, elementos que fazem o projeto seguir a sonoridade clássica do Boom Bap nova-iorquino dos anos 90. Os flows do Sci-Fi são bastante agressivos e carregados de técnica. O repertório contém sete faixas muito boas e repletas de metáforas. No fim, é um EP sensacional e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Revolution of Mass Destruction, Armageddon, Greetings Planet Earth 
Vale a Pena Ouvir: The Mightiest Magician, Aftermath of Agony

Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 8,8/10


Aí, no ano passado, ele lançou seu álbum de estreia, o Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence. Após o EP Armageddon, Sci-Fi já começou a preparar um álbum que pretende funcionar como uma espécie de manifesto artístico, misturando ficção científica, filosofia e Hip Hop/Rap underground. O projeto cria um universo mais amplo, no qual conceitos de inteligência superior, dimensões paralelas, entidades sobrenaturais e reflexões existenciais se entrelaçam em uma narrativa relativamente abstrata. A produção, feita por be franky, Dr. Misterio on the Beat, LethalNeedle, entre outros, segue uma abordagem Lo-fi, com beats pesados e densos, baterias secas, linhas de baixo discretas e sintetizadores atmosféricos, incorporando elementos do Boom Bap e do Jazz Rap. Além disso, os flows do Sci-Fi ficaram mais agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante profundas. Em suma, é um ótimo disco e mostra algo promissor. 

Melhores Faixas: Hive Mind, S. C. I. F. I., Trick Dice, Mortal Korruption, Priedlids, We're Surrounded 
Vale a Pena Ouvir: Eternal Recurrence, What World is This, Divine Mastermind

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!               

Analisando Discografias - Prodigy

                  H.N.I.C. – Prodigy NOTA: 9,4/10 No começo dos anos 2000, o Prodigy lançava seu 1º álbum solo, o H.N.I.C. (Head Nigga in Ch...