quinta-feira, 2 de abril de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 6

                 

Last Man Standing – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, foi lançado outro álbum de Willie Nelson intitulado Last Man Standing. Após o God's Problem Child, que já refletia sobre envelhecimento e mortalidade com humor e sensibilidade, aqui esses temas são aprofundados de forma ainda mais direta. O título do álbum já carrega um peso simbólico forte: Willie se vê como um dos últimos sobreviventes de sua geração, muito porque nomes como Johnny Cash, Waylon Jennings e Merle Haggard já haviam falecido. A produção, conduzida por Buddy Cannon, mantém a abordagem orgânica e minimalista característica dessa fase da carreira do Willie. Os arranjos são enxutos e elegantes, com base em violão, guitarras elétricas, piano, steel guitar e uma seção rítmica discreta. Não há excesso de elementos, apenas a valorização da interpretação do cantor, que, já com seus 85 anos, entrega bastante sentimento. O repertório é muito bom, e as canções são todas reflexivas. No fim, é um ótimo trabalho e muito imersivo. 

Melhores Faixas: Something You Get Through, Me And You, I'll Try To Do Better Next Time
Vale a Pena Ouvir: Ready To Roar, She Made My Day, Bad Breath

My Way – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e foi lançado outro álbum do cantor intitulado My Way, que segue uma abordagem mais tradicional. Após o Last Man Standing, Willie Nelson decidiu retornar ao universo do Great American Songbook, desta vez com um foco específico: o repertório associado a Frank Sinatra. A conexão entre Nelson e Sinatra pode não parecer imediata à primeira vista, mas ambos compartilham uma característica essencial: o domínio da interpretação, além de terem sido amigos. A produção, feita por Buddy Cannon e Matt Rollings, é sofisticada e fortemente influenciada pelo Pop tradicional e pelo universo das Standards. Os arranjos são ricos, com presença de piano, cordas, sopros e uma base rítmica suave. Há uma clara inspiração nas grandes orquestras que acompanhavam Sinatra, mas com uma abordagem mais contida. O repertório, não preciso dizer, é muito bom, e as canções são todas interpretadas de forma certeira. Enfim, é um disco bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Summer Wind, Night And Day, It Was A Very Good Year 
Vale a Pena Ouvir: A Foggy Day, Blue Moon, What Is This Thing Called Love (participação da Norah Jones)

Ride Me Back Home – Willie Nelson





















NOTA: 8,3/10


Indo para 2019, outro álbum do Willie Nelson foi lançado, o Ride Me Back Home. Após o My Way, esse novo trabalho seria a finalização da trilogia que começou com God’s Problem Child, a qual ficou conhecida como “trilogia da mortalidade”. Aqui, há uma dimensão mais espiritual e contemplativa, ampliando o foco para além da própria vida do Willie e incluindo reflexões sobre o mundo, a natureza e a existência. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue aquela abordagem minimalista e mais orgânica, resultando em uma sonoridade limpa, mas calorosa, mantendo uma sensação de proximidade com o ouvinte. Há um cuidado especial com o espaço, permitindo que cada instrumento respire e que os vocais delicados do cantor sejam o centro de tudo. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e mais cadenciadas. No final, é um trabalho bacana e que fechou bem esse ciclo. 

Melhores Faixas: Immigrant Eyes, Nobody's Listening, Stay Away From Lonely Places 
Vale a Pena Ouvir: Maybe I Shouldn't Be Listening, Come On Time, Ride Me Back Home

First Rose Of Spring – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Entrando em 2020, Willie Nelson lançava mais um álbum, o First Rose of Spring. Após o Ride Me Back Home, o cantor decidiu suavizar um pouco esse tom de questionamento sobre o sentido da vida, trazendo uma abordagem mais serena e contemplativa. O álbum é menos centrado em declarações diretas e mais em atmosferas e sentimentos. Tanto que esse trabalho surge em um momento delicado, durante o período de isolamento social por conta da pandemia do COVID-19. A produção segue aquela mesma de sempre, mantendo a estética minimalista já consolidada, mas com uma leve ênfase em suavidade e leveza. Os arranjos são delicados, com predominância de violão, steel guitar e uma base rítmica discreta. Há também uso pontual de cordas e outros elementos que adicionam textura sem sobrecarregar. O repertório é muito interessante, e as canções são bem profundas e com um lado mais intimista. No geral, é um ótimo álbum e bastante sereno. 

Melhores Faixas: We Are The Cowboys, Our Song, Blue Star 
Vale a Pena Ouvir: First Rose Of Spring, Stealing Home

That's Life – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um álbum tradicional do Willie Nelson, o That’s Life. Após o First Rose of Spring, o cantor decidiu reforçar sua conexão com o repertório associado a Frank Sinatra. Se, no álbum de 2018, Willie reinterpretava clássicos eternizados por Sinatra, aqui ele aprofunda essa abordagem, explorando ainda mais o universo do Pop tradicional. A produção segue aquela de sempre, ou seja, bastante sofisticada e elegante, com arranjos riquíssimos em sua abordagem. Há uma clara inspiração nas grandes orquestras que acompanhavam Sinatra, mas com um toque moderno, e os vocais do Willie são bem encaixados, com bastante variação em seu fraseado livre. O repertório é, obviamente, muito bom, e as canções são todas muito bem interpretadas. No fim, é um ótimo trabalho e também muito consistente em relação ao seu antecessor. 

Melhores Faixas: Cottage For Sale, In The Wee Small Hours Of The Morning 
Vale a Pena Ouvir: That's Life, I've Got You Under My Skin

                                                                                           Bom é isso e flw!!!         

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 5

                   

Rainbow Connection – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum do cantor, o The Party's Over. Após o Make Way For Willie Nelson, ele continuava trabalhando dentro da estrutura da indústria musical de Nashville, gravando discos regularmente e tentando ampliar seu reconhecimento como cantor. Esse trabalho foi concebido como uma espécie de vitrine para algumas das composições mais fortes de Willie Nelson até aquele momento. Muitas das músicas presentes no álbum já eram conhecidas dentro do circuito do Country, algumas, inclusive, tendo sido gravadas por outros artistas. Produção feita por Chet Atkins, os arranjos são elegantes e relativamente contidos. A base instrumental inclui guitarras, baixo, bateria e piano, enquanto elementos adicionais, como cordas e vocais de apoio, aparecem ocasionalmente para enriquecer o som, seguindo a abordagem do Country Pop da época. O repertório é legal, trazendo canções bastante divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: To Make A Long Story Short, No Tomorrow In Sight 
Vale a Pena Ouvir: I'll Stay Around, Go Away, The Party's Over

The Great Divide – Willie Nelson





















NOTA: 7,2/10


Mais um ano se passou, e outro álbum do Willie Nelson foi lançado, o The Great Divide. Após o Rainbow Connection, Willie Nelson decide dar um passo ousado em direção ao mainstream contemporâneo. O disco surge em um contexto em que a indústria musical estava fortemente orientada para a música Pop e para o Country Pop daquela época. Nesse cenário, esse álbum representa uma tentativa clara de diálogo com o mercado moderno, reunindo nomes populares de fora do universo tradicional do Country. A produção, feita por Matt Serletic, é bastante polida, contendo arranjos bem densos, com uso de guitarras elétricas modernas, bateria marcante, teclados e produção digital mais evidente. Há uma clara preocupação com acabamento e acessibilidade radiofônica, com a voz do Willie sendo mais adaptada para se encaixar nesse padrão. O repertório é até interessante, com canções legais e outras mais fracas. No fim, é um disco bom, mas que contém alguns problemas. 

Melhores Faixas: Time After Time, Maria (Shut Up And Kiss Me), Be There For You (participação da Sherly Crow), Recollection Phoenix 
Piores Faixas: The Great Divide, Just Dropped In (To See What Condition My Condition Was In), Last Stand In Open Country (Kid Rock cagando com tudo)

It Always Will Be – Willie Nelson





















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, Willie Nelson retorna com outro disco com uma abordagem semelhante, o It Always Will Be. Após o The Great Divide, o cantor decide misturar composições originais, releituras e colaborações, criando um panorama amplo de sua linguagem musical. Ao mesmo tempo, há uma sensação de maturidade e segurança, pois não está mais tentando se adaptar ao mercado, mas sim reafirmar sua própria estética. A produção, feita agora por James Stroud, é bastante elegante, equilibrada e profundamente enraizada no Country tradicional, mas dialogando com o Pop. Os arranjos são ricos, porém contidos. Há presença de violão, guitarras elétricas, além de toques sutis de cordas e outros elementos que ampliam a paleta sonora sem exageros. O repertório é ótimo, e as canções são bem mais cadenciadas, com um lado mais intimista. Enfim, é um trabalho muito bom, e era assim que seu antecessor tinha que ter sido feito. 

Melhores Faixas: Dreams Come True (participação da Norah Jones), Midnight Rider, You Were It 
Vale a Pena Ouvir: Love's The One And Only Thing, Big Booty, Picture In A Frame

Countryman – Willie Nelson





















NOTA: 8,1/10


Ai no ano seguinte, ele lança um trabalho bastante inesperado, o Countryman (mas esse título é enganoso). Após o It Always Will Be, Willie Nelson decidiu lançar um álbum de Reggae. A ideia basicamente surgiu ainda nos anos 90, quando Willie começou a demonstrar interesse mais profundo pela música jamaicana. Produção feita por Don Was, é fortemente baseada nos elementos tradicionais do Reggae: linhas de baixo marcantes, batidas em contratempo, guitarras com skank rítmico e uso de teclados característicos do gênero. O som é relativamente fiel à estética jamaicana, com groove relaxado e ênfase na repetição rítmica. Enquanto os vocais do Willie invés de tentar imitar artistas como Bob Marley ou Peter Tosh, ele canta do seu jeito e se encaixa muito bem sem ficar repetitivo. O repertório é bem legal, e as canções são bem divertidas e descontraídas. No geral, é um trabalho muito bom e que vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: I'm A Worried Man (participação do Toots Hibbert do Toots and the Maytals), I've Just Destroyed The World 
Vale a Pena Ouvir: How Long Is Forever, One In A Row, You Left Me A Long, Long Time Ago

You Don't Know Me: The Songs Of Cindy Walker – Willie Nelson





















NOTA: 8,3/10


Se passou um ano, e ele lança outro álbum, o You Don't Know Me: The Songs Of Cindy Walker. Após o Countryman, Willie Nelson retorna aqui a um terreno mais seguro e profundamente conectado às suas raízes: a música country tradicional. O álbum é dedicado à obra de Cindy Walker, uma das mais importantes compositoras da história da Country music, responsável por uma vasta quantidade de clássicos gravados por artistas como Bob Wills e Gene Autry. A produção, feita agora por Fred Foster, é elegante e extremamente cuidadosa, alinhada com o espírito das composições de Cindy Walker. Os arranjos são baseados no Country clássico e no Western Swing, com presença marcante de violão, steel guitar, fiddle, piano e uma seção rítmica suave. Há também influências de Jazz em alguns momentos, refletindo a sofisticação melódica das composições. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem interpretadas. No fim, é um disco muito bom e bem tematizado. 

Melhores Faixas: You Don't Know Me, I Was Just Walkin' Out The Door, It's All Your Fault 
Vale a Pena Ouvir: Sugar Moon, Not That I Care, Miss Molly

Songbird – Willie Nelson





















NOTA: 8,5/10


Meses se passaram, e o cantor volta lançando outro álbum mais puxado para sua temática, intitulado Songbird. Após o You Don't Know Me, Willie Nelson decidiu fazer esse trabalho em parceria com Ryan Adams, artista associado ao Alt-Country, e conta com sua banda The Cardinals como base instrumental. Essa parceria é central para entender o disco: trata-se de um encontro entre gerações e estilos, onde o universo mais cru de Ryan se cruza com a tradição do Willie. A produção, feita pelo próprio Ryan Adams, adota uma sonoridade crua, orgânica e, muitas vezes, próxima do Lo-fi. Os arranjos são construídos com base em guitarras elétricas e acústicas, baixo, bateria e piano, com uma abordagem que privilegia a espontaneidade. Há uma sensação constante de gravação ao vivo em estúdio, com pouca intervenção técnica. O repertório é muito legal, e as canções são bem energéticas e cadenciadas no momento certo. No fim, é um álbum bacana e bastante ousado. 

Melhores Faixas: $1000 Wedding, Amazing Grace, Stella Blue, Blue Hotel 
Vale a Pena Ouvir: Yours Love, Rainy Day Blues, Hallelujah

Moment Of Forever – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Então, mais dois anos se passaram, e Willie Nelson retorna com Moment Of Forever. Após o Songbird, o cantor faz um trabalho que conta com a colaboração do Kenny Chesney, um dos grandes nomes do Country contemporâneo. Esse encontro é significativo porque aproxima duas gerações distintas do gênero: Willie, símbolo do Outlaw Country, e Chesney, representante do Country moderno de grande alcance comercial. A produção, feita pelo próprio Kenny Chesney, é bastante moderna, com arranjos limpos e bem estruturados. Há também uso ocasional de cordas e outros elementos que enriquecem o som sem torná-lo excessivamente polido. A voz do Willie Nelson, com seu timbre já envelhecido e seu fraseado característico, é valorizada pela mixagem, funcionando como eixo de coesão. O repertório é muito bom, e as canções passam um lado intimista e mais melódico. Enfim, é um álbum bacana, algo que ninguém imaginava. 

Melhores Faixas: Keep Me From Blowing Away, Louisiana 
Vale a Pena Ouvir: Worry B Gone, Always Now, Over You Again

American Classic – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Indo para 2009, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, intitulado American Classic. Após o Moment Of Forever, ele decide retornar conscientemente ao universo do Great American Songbook, território que já havia explorado com enorme sucesso em Stardust e revisitado em outros momentos da carreira. A produção é bastante elegante, polida e fortemente influenciada pelo Vocal Jazz e Pop tradicional. Os arranjos são ricos e detalhados, com presença marcante de piano, seção de sopros, cordas e uma base rítmica suave. Há uma clara inspiração nas big bands e nos conjuntos jazzísticos clássicos, mas sem exageros, e com os vocais do Willie, mesmo envelhecidos, se encaixando muito bem. O repertório é muito bom, e as canções são todas muito bem interpretadas. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Angel Eyes, Ain't Misbehavin' 
Vale a Pena Ouvir: Baby, It's Cold Outside, Come Rain Or Shine, Fly Me To The Moon

Country Music – Willie Nelson





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2010, Willie Nelson decidiu retornar às suas raízes com o álbum intitulado Country Music. Após o American Classic, o cantor mergulha profundamente na tradição do Country, não apenas como estilo, mas como linguagem histórica. Não se trata apenas de um simples álbum de covers, mas sim de uma espécie de homenagem à essência do gênero, reunindo canções que ajudaram a moldar o Country tradicional. A produção, feita por T Bone Burnett, adota uma estética extremamente orgânica e minimalista. Os arranjos são enxutos, baseados na instrumentação tradicional do gênero. Um dos elementos mais marcantes é o uso do espaço: as músicas respiram, permitindo que cada instrumento tenha presença sem competir com os demais, além dos vocais do Willie, que já aos 77 anos na época entregam bastante emoção. O repertório é muito bom, e as canções são todas interpretadas de forma certeira. No final de tudo, é um ótimo trabalho e muito variado. 

Melhores Faixas: Gotta Walk Alone, Nobody's Fault But Mine, Ocean Of Diamonds, Pistol Packin' Mama 
Vale a Pena Ouvir: Man With The Blues, Satisfied Mind

Remember Me Vol. 1 – Willie Nelson





















NOTA: 8,1/10


Mais um ano se passou, e foi lançado um trabalho novo do Willie Nelson, o Remember Me Vol. 1. Após o Country Music, em que o cantor revisitava as raízes do country com um olhar quase curatorial, aqui ele aprofunda ainda mais essa proposta, mergulhando em composições clássicas do repertório Country e Folk. Nesse contexto, decide apresentar uma série de gravações que refletissem essa proposta, algo que acabou ficando só neste disco mesmo. A produção, conduzida por James Stroud, traz uma sonoridade limpa e orgânica, com uma leve modernização na mixagem que mantém o álbum acessível sem comprometer sua autenticidade. Os arranjos são bem enxutos, sem excessos, focando nos vocais sinceros do Willie. O repertório é muito legal, e as canções passam aquele lado aconchegante da música tradicional americana. Enfim, é um álbum muito bom e que acabou sendo esquecido. 

Melhores Faixas: Satisfied Mind, I'm Movin' On 
Vale a Pena Ouvir: Sixteen Tons, Slowly, Release Me

Heroes – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


Em 2012, foi lançado outro disco novo do Willie Nelson, intitulado apenas como Heroes. Após o Remember Me Vol. 1, esse novo álbum funciona como uma celebração de influências, parcerias e da própria trajetória do cantor. Ele combina material autoral, covers e colaborações com artistas de diferentes gerações, criando uma espécie de panorama de sua identidade musical. A produção, feita por Buddy Cannon, é bem equilibrada e bastante versátil. Os arranjos transitam entre o Country tradicional, o Folk, o Blues e até elementos de outros gêneros. Apesar dessa diversidade, o álbum mantém uma unidade sonora graças à abordagem orgânica da produção. A voz do Willie Nelson continua sendo o elemento central, funcionando como ponto de conexão entre as diferentes abordagens. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem aconchegantes. Enfim, é um disco bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Cold War With You, Come On Back Jesus, No Place To Fly 
Vale a Pena Ouvir: Hero, Roll Me Up, Just Breathe, A Horse Called Music

Band Of Brothers – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


Se passaram então dois anos, e Willie Nelson retornava com um novo disco, intitulado Band Of Brothers. Após o Heroes, esse novo projeto traz, de forma praticamente inédita em muitos anos, um conjunto majoritário de composições originais. Esse fator, por si só, já define o caráter do álbum: trata-se de um retorno do Willie ao papel de compositor ativo, algo que havia sido menos frequente em sua produção recente. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue uma abordagem orgânica e equilibrada, com arranjos enxutos, baseados em violão, guitarras elétricas, steel guitar, piano e uma seção rítmica discreta. Há uma sensação constante de naturalidade, como se as músicas fluíssem sem esforço, seguindo o padrão que ele consolidou no Outlaw Country. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e trazem um lado imersivo. Enfim, é um disco bacana e muito bem variado. 

Melhores Faixas: The Wall, Crazy Like Me, The Git Go 
Vale a Pena Ouvir: Bring It On, Send Me A Picture, Hard To Be An Outlaw, I've Got A Lot Of Traveling To Do

Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin – Willie Nelson





















NOTA: 2,5/10


Em 2016, Willie Nelson volta lançando mais um trabalho novo, o Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin. Após o Band Of Brothers, o cantor decide fazer um álbum dedicado à obra do George Gershwin (e também de seu irmão, o letrista Ira Gershwin), dois dos nomes mais importantes da música popular americana. O projeto foi realizado com aprovação da família Gershwin, o que adiciona um peso simbólico significativo ao álbum. A produção, feita por Buddy Cannon junto com Matt Rollings, é muito bem feita, sendo sofisticada e cuidadosamente equilibrada. Os arranjos seguem uma linha jazzística clássica, com presença de piano, seção de sopros, cordas e uma base rítmica suave. Há influência clara do Vocal Jazz dos anos 40, mas com uma abordagem mais contida; no entanto, os vocais do Willie não funcionam, sendo bem repetitivos aqui. O repertório, apesar de bom, conta com interpretações do cantor que deixam a desejar. No fim, é um disco fraquíssimo e que não funcionou. 

Melhores Faixas: I Got Rhythm, They All Laughed 
Piores Faixas: Someone To Watch Over Me, They Can't Take That Away From Me, Somebody Loves Me, Embraceable You

For The Good Times: A Tribute To Ray Price – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses depois, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, o For The Good Times: A Tribute To Ray Price. Após o Summertime, ele decidiu fazer esse disco dedicado a Ray Price, falecido em 2013, uma das figuras mais importantes do Country tradicional e um dos grandes mentores do Willie. O cantor integrou a banda de Price nos anos 60, período fundamental para sua formação como artista. Price foi uma peça-chave no desenvolvimento do chamado “Nashville Sound”, estilo que influenciou profundamente Willie Nelson. A produção, feita por Fred Foster, é bastante sofisticada, com arranjos que evocam diretamente o som característico de Ray Price, especialmente o estilo “shuffle” que marcou sua carreira, conseguindo unir Honky Tonk e Countrypolitan. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem interpretadas e carregadas de emoção. No final, é um ótimo álbum e bastante honroso. 

Melhores Faixas: I'm Still Not Over You, It Always Will Be 
Vale a Pena Ouvir: Heartaches By The Number, For The Good Times, Make The World Go Away

God's Problem Child – Willie Nelson





















NOTA: 8,6/10


Em 2017, foi lançado mais um trabalho novo do Willie Nelson, o God's Problem Child. Após o For The Good Times, ele decidiu retornar novamente ao material original, dando continuidade ao caminho iniciado em Band Of Brothers. O título do álbum já sugere uma postura irreverente e autoconsciente: Willie Nelson se posiciona como alguém que sempre viveu à margem das expectativas, mantendo sua individualidade ao longo das décadas. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue uma linha orgânica e intimista, com os arranjos bem enxutos, tendo alguns toques ocasionais de gaita e outros elementos que enriquecem o som sem sobrecarregá-lo, juntando assim o Country tradicional com influências mais progressivas, além dos vocais do Willie, que são bem expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são todas mais reflexivas e com um toque mais melancólico. Em suma, é um álbum interessante e bem profundo. 

Melhores Faixas: A Woman's Love, It Gets Easier, I Made A Mistake, Butterfly 
Vale a Pena Ouvir: Little House On The Hill, Still Not Dead, Old Timer

                                                                                  Então é só e flw!!! 

terça-feira, 31 de março de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 4

                 

Born For Trouble – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Já estando nos anos 90, foi lançado mais um álbum novo do Willie Nelson, o Born For Trouble. Após A Horse Called Music, o cantor enfrentava sérios problemas com o Internal Revenue Service (IRS), devido a dívidas fiscais que culminariam, pouco depois, na apreensão de bens e em uma das crises mais conhecidas de sua carreira. E esse disco mostra Willie em um momento mais desgastado, fazendo todo o esforço para entregar algo bem sólido. A produção foi feita por Fred Foster, que trouxe uma sonoridade limpa e claramente orientada para o rádio. Os arranjos utilizam uma base sólida de bateria, baixo elétrico, guitarras limpas e teclados discretos, além de elementos tradicionais como a steel guitar. E os vocais do Willie são mais melódicos, seguindo a estética do Country Pop. O repertório é bem interessante, e as canções ficaram muito mais cadenciadas. No fim, é um disco interessante e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: It'll Come To Me, The Piper Came Today 
Vale a Pena Ouvir: Ten With A Two, This Is How Without You Goes, You Decide

Across The Borderline – Willie Nelson





















NOTA: 9,2/10


Se passaram três anos, e foi lançado um novo disco do cantor, o Across The Borderline. Após o Born For Trouble, e depois de enfrentar sérios problemas financeiros no início dos anos 90, incluindo a famosa dívida com o Internal Revenue Service, Willie Nelson passou por um período de instabilidade que impactou diretamente sua produção musical, resultando em um trabalho que surge como uma tentativa clara de recuperar relevância artística. A produção foi conduzida por Don Was, Roy Halee e, por incrível que pareça, Paul Simon, que trouxeram uma abordagem mais orgânica, rica e diversificada. Os arranjos variam significativamente, refletindo a variedade de estilos presentes no álbum. Há momentos mais próximos do Country tradicional, outros com forte influência de Folk, além de incursões em Rock e sonoridades latinas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco bacana e que representa um renascimento de um artista em baixa. 

Melhores Faixas: Heartland (participação do Bob Dylan) Don't Give Up (participação da Sinéad O'Connor), Across The Borderline, Still Is Still Moving To Me, I Love The Life I Live, Getting Over You, What Was It You Wanted 
Vale a Pena Ouvir: American Tune (participação do Paul Simon), If I Were The Man You Wanted, Graceland

Moonlight Becomes You – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, o Moonlight Becomes You. Após o Across The Borderline, o cantor volta a um território que já havia explorado com enorme sucesso em Stardust: o da interpretação de Standards clássicos, fazendo esse projeto em um momento em que essa abordagem já fazia parte consolidada de sua identidade artística. Ou seja, o álbum não busca reinventar sua linguagem, mas sim reafirmá-la com maturidade. A produção foi feita pelo próprio cantor, junto com Paul Buskirk e Randall Hage Jamail, marcada por uma abordagem minimalista e intimista, diferenciando-se de outros trabalhos mais orquestrais dentro desse mesmo universo. Os arranjos são discretos, centrados principalmente em piano, guitarra, baixo e leves intervenções de sopros ou cordas, e com os vocais do Willie sendo mais intimistas e calmos. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem interpretadas. Enfim, é um disco interessante e até coeso. 

Melhores Faixas: Afraid, You Always Hurt The One You Love 
Vale a Pena Ouvir: Everywhere You Go, Sentimental Journey, December Day

Healing Hands Of Time – Willie Nelson





















NOTA: 3/10


Meses depois, foi lançado outro álbum, só que dessa vez o confuso Healing Hands Of Time. Após o Moonlight Becomes You, o Willie Nelson passou a olhar para sua própria história com mais intenção. Nesse sentido, esse álbum funciona como um exercício de retrospectiva autoral, reunindo algumas de suas composições mais importantes reinterpretadas sob uma nova perspectiva que não era tão nova assim. A produção, feita por Jimmy Bowen, aposta em uma abordagem minimalista e orgânica. Os arranjos são predominantemente acústicos, com discretos acompanhamentos de cordas, além de um uso predominante de orquestração, refletindo a estética do Countrypolitan; com isso, os vocais envelhecidos do Willie ficaram bastante calmos. Só que muitos dos arranjos são bem repetitivos e fogem da proposta original. O repertório, apesar de bom, é mal executado, e algumas interpretações deixam a desejar. No fim, é um disco ruim e que foi um tropeço bem feio. 

Melhores Faixas: Crazy, Night Life, I'll Be Seeing You 
Piores Faixas: Healing Hands Of Time, Funny How Time Slips Away, Oh, What It Seemed To Be

Just One Love – Willie Nelson





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e novamente Willie Nelson retorna com um disco novo, o Just One Love. Após o Healing Hands Of Time, o cantor continua explorando diferentes caminhos dentro de sua maturidade artística, fazendo um álbum que não é conceitual rígido, mas apresenta uma unidade temática bastante clara: o amor em suas diversas formas, como o romântico, o melancólico, o idealizado e até o resignado. A produção, conduzida por Grady Martin, segue uma linha tradicional e elegante, bastante alinhada com o Country clássico, com alguns elementos contemporâneos dos anos 90. Os arranjos são suaves e bem estruturados, com presença de violão, piano, steel guitar, baixo e bateria discreta. Há também momentos em que cordas e elementos adicionais aparecem para reforçar a atmosfera romântica. O repertório é bem legal, com canções mais divertidas e outras mais aconchegantes. No final, é um álbum muito bom e mais consistente. 

Melhores Faixas: Smoke, Smoke, Smoke That Cigarette, Bonaparte's Retreat, It’s A Sin 
Vale a Pena Ouvir: Eight More Miles To Louisville, I Just Drove By, Each Night At Nine

Spirit – Willie Nelson





















NOTA: 9,8/10


E aí, em 1996, foi lançado um trabalho magnífico do Willie Nelson intitulado Spirit. Após Just One Love, Willie dá aqui um passo em direção a algo mais pessoal e despojado, fazendo um álbum essencialmente acústico, gravado com instrumentação mínima e forte sensação de proximidade. Em um período em que a produção musical frequentemente privilegiava polimento e camadas sonoras, o cantor opta pelo oposto, indo para a simplicidade, o espaço e a introspecção. A produção, conduzida pelo próprio cantor, segue uma sonoridade crua e direta, com arranjos extremamente minimalistas, centrados principalmente em seu violão, o famoso “Trigger”, com intervenções discretas de outros instrumentos. O uso do silêncio é fundamental: pausas, respiros e espaços entre as notas ganham tanto peso quanto os próprios sons. O repertório é belíssimo, e as canções são bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco brilhante e um clássico. 

Melhores Faixas: She Is Gone, We Don't Run, It's A Dream Come True, Spirit Of E9, Matador
Vale a Pena Ouvir: Mariachi, Your Memory Won't Die In My Grave

Teatro – Willie Nelson





















NOTA: 9,5/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro álbum incrível do Willie Nelson, intitulado Teatro. Após o Spirit, o cantor dá um passo em uma direção completamente diferente, buscando uma sonoridade mais atmosférica, internacional e cinematográfica. Decidindo gravar um álbum com essa proposta, Nelson segue por um caminho distinto dentro de sua discografia. A produção foi feita por Daniel Lanois, que abandona completamente a abordagem tradicional do Country e mergulha em um universo sonoro denso e texturizado. Os arranjos são construídos em camadas, com guitarras carregadas de reverb, percussões sutis, baixo profundo e uso expressivo do espaço acústico, encaixando o Outlaw Country com certas influências do Tex-Mex. O repertório é incrível, e as canções são bem diversificadas e cheias de variação. No fim, é um disco sensacional e um dos mais ousados de sua carreira. 

Melhores Faixas: The Maker, I Never Cared For You, Everywhere I Go, I Just Can't Let You Say Good-Bye, My Own Peculiar Way, Ou Es-Tu, Home Motel, Mon Amour? (Where Are You, My Love?) 
Vale a Pena Ouvir: I've Loved You All Over The World, Somebody Pick Up My Pieces, These Lonely Nights

Night And Day – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, já no fim dos anos 90, o Willie Nelson decidiu fazer um trabalho diferente, o Night And Day. Após o Teatro, o cantor dá um passo ainda mais inesperado: grava um álbum inteiramente instrumental. Esse movimento é particularmente significativo, considerando que sua identidade sempre esteve profundamente ligada à sua voz, agora com ele deslocando completamente o foco para outro elemento central de sua musicalidade: seu violão, especialmente sua icônica guitarra “Trigger”. A produção, feita por ele próprio, é sofisticada e cuidadosamente elaborada, alinhada com o universo do Jazz contemporâneo. Os arranjos são construídos com base em uma instrumentação rica. Há uma clara influência de formações jazzísticas, com espaço para interação entre os instrumentos, dialogando bastante com o Western Swing. O repertório é bem interessante, e as faixas são todas bem trabalhadas. Enfim, é um projeto muito interessante, porém injustamente ignorado. 

Melhores Faixas: Sweet Georgia Brown, Over The Waves 
Vale a Pena Ouvir: September In The Rain, Vous et Moi

Tales Out Of Luck (Me And The Drummer) – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Começa uma nova década, e o Willie Nelson retorna com mais um álbum novo, o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer). Após o Night And Day, ele parecia deliberadamente se afastar das convenções do country tradicional para explorar novas formas de expressão. Com isso, decidiu reviver músicas antigas de sua autoria com a banda The Offenders, grupo com o qual tocava na época original dessas canções. A produção tem uma abordagem essencialmente “ao vivo em estúdio”, com poucos overdubs e foco na interação entre os músicos. O som aqui é cru, direto e profundamente enraizado no Honky Tonk e no Country tradicional, mas com aquela elasticidade rítmica típica do cantor, com seu fraseado fora do tempo, quase jazzístico, que permanece intacto. O repertório é bem legal, e as canções são mais variadas e energéticas. No fim, é um álbum bem consistente. 

Melhores Faixas: No Tomorrow In Sight, A Moment Isn't Very Long 
Vale a Pena Ouvir: Me And The Drummer, Something To Think About, I I Guess I've Come To Live Here In Your Eyes

Milk Cow Blues – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e foi lançado um novo álbum do Willie Nelson, o Milk Cow Blues. Após o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer), o cantor decide aqui revisitar uma de suas influências mais fundamentais: o Blues. Esse retorno não é apenas estético, mas também conceitual. O Blues sempre esteve presente na base do Country, e Willie, desde o início de sua carreira, incorporou elementos do gênero em sua forma de cantar e tocar. A produção, feita por Derek O'Brien e Freddy Fletcher, segue uma sonoridade crua e vigorosa, em que os arranjos são baseados em guitarras elétricas mais presentes, linhas de baixo marcantes, bateria sólida e uma pegada rítmica claramente influenciada pelo Blues Rock, valorizando assim a interação dos músicos. A voz do Willie Nelson se encaixa naturalmente nesse contexto. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas, e os duetos funcionam bem. No fim, é um disco legal e bem amarrado. 

Melhores Faixas: Rainy Day Blues, The Thrill Is Gone (dueto com B.B. King – só lendas), Sittin' On Top Of The World 
Vale a Pena Ouvir: Black Night, Texas Flood, Night Life

                                                                                            Bom é isso e flw!!!     

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 6

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