quarta-feira, 22 de abril de 2026

Analisando Discografias - Pedro Sampaio

                 

CHAMA MEU NOME – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


Em 2022, o Pedro Sampaio lançava seu álbum de estreia intitulado CHAMA MEU NOME. A trajetória do DJ carioca começou por volta de 2017, quando estourou com singles virais como Vai Menina e Sentadão, além de colaborações estratégicas, construindo uma imagem muito associada à exposição midiática, ao TikTok e ao consumo imediato, período em que firmou contrato com a Warner Music. A produção foi feita por ele junto com Maikinho DJ, KVSH, entre outros, resultando em uma abordagem extremamente polida e acessível, com batidas comprimidas, graves evidentes, BPMs pensados para a dança e estruturas curtas, principalmente voltadas à viralização no TikTok. As bases transitam entre o Funk e o Pop, além de trazer influências de Reggaeton, Piseiro e Dance-Pop, mas tudo isso soa completamente insuportável e repetitivo. O repertório é horroroso, com canções ridículas e participações genéricas. No fim, esse álbum é um completo desastre. 

Melhores Faixas: (...................................) 
Piores Faixas: DANÇARINA (ressuscitou MC Pedrinho), SURREAL, CHAMA MEU NOME, NO CHÃO NOVINHA (Anitta né), ATENÇÃO (música que é a cara da Luísa Sonza), GALOPA (oh raiva dessa música e ainda vinha coisa pior)

ASTRO – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


E aí, dois anos depois, ele retorna lançando outro álbum terrível intitulado ASTRO (que capa horrorosa, meu Deus!). Após o péssimo CHAMA MEU NOME, e depois de se consolidar como um dos principais produtores do Pop brasileiro, o Pedro Sampaio acabou assumindo sua bissexualidade no Lollapalooza de 2023, e esse projeto associa “astro” à ideia de brilho individual e conexão com o seu público, que é bem amplo (se é que você me entende). A produção é feita mais uma vez por ele junto com MC PR, Rafinha RSQ, DJ Topo e Delano, que seguem aquela abordagem extremamente polida, com batidas recicladas, graves evidentes e BPMs ainda mais equilibrados, mas tudo é uma bagunça: uma hora ele quer ir para o Funk 150 bpm, Mandelão e até para o Funk de BH, com tudo sendo repetitivo e previsível. O repertório, novamente, é horrível, com canções genéricas. No fim de tudo, é outro álbum simplesmente pavoroso. 

Melhores Faixas: (..........QUE TORTURA..........) 
Piores Faixas: MINHA VIDA, ESCADA DO PRÉDIO (pobre Marina Sena), BOTA UM FUNK (Anitta e MC Gw presentes nessa bomba atómica), PERVERSA (não me surpreendi com J Balvin presente aqui), FAMA (Luísa Sonza de novo), QUINA DA CAMA, POCPOC (OH MÚSICA INSUPORTAVÉL)

SEQUÊNCIAS #1 – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


No ano passado, foi lançado seu trabalho mais recente, um compilado intitulado SEQUÊNCIAS #1. Após o ASTRO, em vez de seguir a lógica tradicional de um álbum Pop, o Pedro Sampaio formaliza um projeto que já existia paralelamente: as “sequências”, formato muito popular dentro do Funk, especialmente em sets de DJs e na cultura de pista. Com isso, ele larga aquele lado cantor, entupido de auto-tune, dos seus dois álbuns e passa a se portar mais como DJ. A produção, feita inteiramente pelo próprio Pedro Sampaio, aposta em beats curtos, entradas e saídas rápidas de vozes de funkeiros, repetição extrema e foco absoluto no groove. Ele segue por um caminho mais ligado ao Funk automotivo, com algumas influências do Eletrofunk e do Miami Bass, mas tudo soa sem forma e beira ao insuportável. O repertório é péssimo, e as faixas são terríveis e repetitivas. Em suma, é um trabalho horrível e que, assim, reforça a ideia de alguém que entra em uma cultura que não é sua. 

Melhores Faixas: (.................................) 
Piores Faixas: SEQUÊNCIA LARISSA AGRESSIVA, SEQUÊNCIA REVOLUCIONÁRIA, SEQUÊNCIA CARAMELO


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!           

Analisando Discografias - Phife Dawg

                  

Ventilation: Da LP – Phife Dawg





















NOTA: 5/10


Entrando nos anos 2000, o Phife Dawg lançava seu 1º trabalho solo, o Ventilation: Da LP. Após o lançamento do The Love Movement com o A Tribe, o rapper assinou com a Groove Attack e queria fazer algo que o reposicionasse na cena, que naquela época havia voltado os olhos para o Rap do sul. Além disso, Phife convivia com sérios problemas de saúde relacionados à diabetes, que o acompanhava desde os anos 90, e isso influenciava seu senso de urgência. A produção, feita por J Dilla, Pete Rock, Rick Rock e Hi-Tek, apresenta uma abordagem orgânica, com beats robustas e rítmicas, frequentemente baseadas em baterias fortes, linhas de grave densas e samples que privilegiam o groove acima da ornamentação, seguindo as bases do boom bap. No entanto, o maior problema é que os flows do Phife parecem não se encaixar nessas beats. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum irregular e impreciso. 

Melhores Faixas: Flawless, Beats, Rhymes & Phife, D.R.U.G.S. 
Piores Faixas: Ventilation, The Club Hoppa, Miscellaneous

Forever – Phife Dawg





















NOTA: 8,6/10


No ano de 2022, foi lançado o tão aguardado 2º e último álbum solo do Phife Dawg, o Forever. Após Ventilation: Da LP, esse disco nasceu de sessões que Phife vinha desenvolvendo antes de falecer e foi finalizado com a participação decisiva de colaboradores próximos, especialmente Dion Liverpool (DJ Rasta Root), além do apoio de sua família e de parceiros criativos que procuraram preservar sua visão original. A produção é bastante diversificada, contando não só com Rasta Root, mas também com 9th Wonder, Nottz, entre outros, que trazem batidas orgânicas, cheias de swing, frequentemente mais suaves do que agressivas. Há graves profundos, baterias com balanço, texturas Soul, samples muito bem integrados e arranjos que respiram, dialogando com os flows precisos do Phife, que se encaixam no Jazz Rap, Boom Bap e Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e profundas. No geral, é um ótimo álbum póstumo e bastante respeitoso. 

Melhores Faixas: Nutshell Pt. 2 (Redman e Busta Rhymes mandaram bem), Dear Dilla (Reprise), Wow Factor, Forever 
Vale a Pena Ouvir: God Send, French Kiss Trois (Redman marcando presença mais uma vez), Fallback

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Analisando Discografias - Q-Tip

                 

Amplified – Q-Tip





















NOTA: 8,2/10


Em 1999, Q-Tip lançava seu 1º álbum solo, intitulado Amplified, que seguia uma abordagem contemporânea. Após o lançamento do The Love Movement com A Tribe, o grupo encerrou suas atividades, e o rapper acabou assinando com a Arista Records, optando por dialogar diretamente com a modernidade de seu tempo. Em vez de entregar um trabalho com a vibe dos álbuns de seu antigo grupo, aqui ele segue um caminho mais sensual, futurista, por vezes debochado, bastante focado em grooves e texturas eletrônicas. A produção, feita pelo rapper junto com J Dilla e DJ Scratch, vai por um caminho mais comercial, em que os beats são bem orgânicos e os graves são espessos. Os sintetizadores frequentemente aparecem como névoas líquidas ou linhas elásticas, nunca como ornamentação gratuita, reunindo assim Boom Bap e R&B. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e variadas. Enfim, é um ótimo disco e que é criminosamente menosprezado. 

Melhores Faixas: Let’s Ride, Vivrant Thing, All In 
Vale a Pena Ouvir: N.T., Breathe And Stop, Things U Do

The Renaissance – Q-Tip





















NOTA: 9,6/10


Então se passaram nove anos para que Q-Tip lançasse seu fenomenal 2º álbum, o The Renaissance. Após o Amplified, o rapper havia gravado, no início dos anos 2000, um outro álbum, que foi rejeitado pela gravadora por soar pouco comercial, sendo então engavetado, um episódio que acabou se tornando quase mitológico na trajetória do artista. Com este novo disco, há a sensação de um artista que retorna após anos de fricção institucional e reafirma sua autonomia estética. A produção, conduzida por Tip e ainda contando com a presença do J Dilla, traz beats orgânicos, com linhas de baixo vivas, baterias com swing orgânico, pianos, guitarras sutis, texturas elétricas e referências de Soul, Jazz e Funk, em bases que vão do Boom Bap ao Neo-Soul e dialogam com os flows elegantes do rapper. O repertório é sensacional, e as canções são todas profundas. Enfim, é um disco incrível e um clássico. 

Melhores Faixas: Won’t Trade, Gettin' Up, Johnny Is Dead, Believe (D’Angelo marcando presença), Life Is Better (bela feat da Norah Jones), We Fight/We Love 
Vale a Pena Ouvir: Shaka, Move, You

Kamaal The Abstract – Q-Tip






















NOTA: 7/10


Se passou um ano, e foi lançado o 3º e último álbum até então, o já conhecido Kamaal the Abstract. Após o The Renaissance, esse disco permaneceu oficialmente engavetado por anos, tornando-se quase uma obra fantasma, conhecida, comentada, circulando em lendas e vazamentos, mas ausente do catálogo formal. Mas, quando o contrato de Q-Tip com a Arista Records se encerrou, ele decidiu enfim lançar esse projeto pelo selo da gravadora Battery. A produção, obviamente feita por ele mesmo, trabalha com arranjos vivos, ou seja, baixos sinuosos, teclados elétricos, baterias orgânicas, camadas harmônicas densas e linhas melódicas em movimento. Mostra muitas influências do Jazz Fusion, mas dialoga ainda mais com o Neo-Soul, com Tip alternando entre rimas e cantos, embora muita coisa pareça soar deslocada. O repertório é legal, com canções interessantes e outras mais fraquinhas. No fim, é um trabalho bom, mas apresenta falhas. 

Melhores Faixas: Feelin’, Do You Dig U?, Abstractionisms, Barely In Love 
Piores Faixas: Heels, Caring, Even If It Is So


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - A Tribe Called Quest: Parte 2

                 

Beats, Rhymes And Life – A Tribe Called Quest





















NOTA: 9,4/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do A Tribe, intitulado Beats, Rhymes and Life. Após o Midnight Marauders, este disco nasce em meio a tensões internas, transformações estéticas no Hip-Hop e mudanças profundas no próprio funcionamento do grupo. Além disso, os conflitos internos estavam presentes: Q-Tip e Phife Dawg já não tinham a mesma naturalidade dos discos anteriores, e isso repercute no álbum de forma perceptível. A produção, feita pelo grupo agora com o auxílio da lenda J Dilla e um pequeno pitaco do Rashad Smith, caminha para um som mais pesado e fragmentado, em que os beats são secos e as baterias começam a adquirir um balanço menos previsível. Os grooves são mais oblíquos. Há uma sensação de instabilidade produtiva, no melhor sentido. O repertório é incrível, e as canções ficaram mais imersivas, com uma pegada atmosférica. Enfim, é um belo disco e, de certo modo, bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Phony Rappers, Stressed Out (feat da Faith Evans), Get A Hold, The Hop, 1nce Again, Word Play, The Pressure, Crew 
Vale a Pena Ouvir: Keeping It Moving, Mind Power, Jam

The Love Movement – A Tribe Called Quest





















NOTA: 8,5/10


E em 1998, foi lançado o 5º álbum do A Tribe Called Quest, o derradeiro The Love Movement. Após o Beats, Rhymes and Life, que já carregava sinais de desgaste interno, este disco nasce praticamente sob a sombra da dissolução. A relação entre Q-Tip e Phife Dawg estava tensionada; os integrantes viviam trajetórias criativas e pessoais cada vez menos convergentes, sendo este trabalho concebido, em grande medida, com a percepção de que poderia ser o encerramento da história do grupo. A produção foi feita pelo grupo junto com J Dilla, seguindo um caminho mais refinado e polido, com forte presença de samples de Soul, texturas quentes e grooves discretamente sofisticados. Os beats minimalistas muitas vezes não buscam impacto imediato, mas sim permanência atmosférica. Apesar disso, muitos elementos não conseguem funcionar. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e algumas mais fracas. No fim, é um disco bom, mas o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Find A Way, Busta's Lament, Common Ground (Get It Goin' On), Like It Like That, The Love, Rock Rock Y'all (ótima feat do Mos Def) 
Piores Faixas: Against The World, 4 Moms, His Name Is Mutty Ranks, Hot 4 U

We Got It From Here... Thank You 4 Your Service – A Tribe Called Quest





















NOTA: 9,9/10


Então chegamos a 2016, quando foi lançado o último álbum sensacional do A Tribe, o We Got It from Here... Thank You 4 Your Service. Após o The Love Movement, o grupo acabou se separando, e cada um seguiu trajetória solo, até que, em 2015, retornaram para preparar um trabalho final. Só que, na metade das gravações, Phife Dawg veio a falecer por conta de sua longa batalha contra a diabetes, em março de 2016, transformando essa obra, em uma despedida póstuma e em afirmação coletiva de continuidade. A produção, feita pelo grupo junto com Blair Wells, é bem mais densa, com elementos de grooves orgânicos, baixos marcantes, construção rítmica sofisticada e beats bastante variados, dialogando com o Jazz Rap moderno, mas também com influências do Boom Bap e da psicodelia. O repertório é espetacular, e as canções são cheias de críticas sociais e políticas. No fim de tudo, é um belo disco de despedida, que evoca um forte sentimento nostálgico. 

Melhores Faixas: The Space Program, We The People..., Solid Wall Of Sound (que feat louca com Busta Rhymes, Jack White e Elton John), Dis Generation (outra feat do Busta Rhymes), Conrad Tokyo (baita feat do Kendrick Lamar), The Killing Season (bela feat do Talib Kweli e do Kanye West), Lost Somebody, Whateva Will Be 
Vale a Pena Ouvir: The Donald, Mobius (de novo Busta aqui), Movin Backwards (Anderson .Paak mandou bem), Kids... (ótima feat do André 3000)


segunda-feira, 20 de abril de 2026

Analisando Discografias - A Tribe Called Quest: Parte 1

                 

People's Instinctive Travels And The Paths Of Rhythm – A Tribe Called Quest





















NOTA: 9,8/10


Em 1990, o grupo A Tribe Called Quest lançava seu álbum de estreia, o People's Instinctive Travels and the Paths of Rhythm. Formado em 1985, no Queens, em Nova York, pelos amigos de infância Q-Tip e Phife Dawg (que ingressou posteriormente), o grupo surgiu a partir das participações de Tip como MC de batalha, em que fazia parceria com seu amigo de escola Ali Shaheed Muhammad, e foi só com a entrada do Jarobi White que Phife começou a fazer parte. E, com o surgimento do coletivo Native Tongues, do qual faziam parte, eles assinaram com a Jive Records. A produção feita pelo grupo é bastante solta, com Tip e Ali construindo beats que recusam o peso excessivo do Boom Bap mais agressivo e privilegiam o groove do Jazz Rap. As baterias são leves, quase flutuantes, enquanto os samples criam paisagens sonoras quase oníricas. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem profundas. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico do Rap. 

Melhores Faixas: Can I Kick It?, Bonita Applebum, Footprints, Push It Along, Luck Of Lucien, Youthful Expression 
Vale a Pena Ouvir: Ham 'N' Eggs, I Left My Wallet In El Segundo, Public Enemy, After Hours

The Low End Theory – A Tribe Called Quest





















NOTA: 10/10


Então, no ano seguinte, eles retornam com o atemporal e espetacular 2º álbum, o The Low End Theory. Após o People's Instinctive Travels and the Paths of Rhythm, A Tribe decidiu mergulhar em algo mais enxuto, mais cerebral e musicalmente mais radical, mesmo com a saída do Jarobi White. Phife Dawg, que no primeiro álbum ainda parecia por vezes secundário, ganha protagonismo decisivo e se estabelece como contraponto perfeito a Q-Tip. A dinâmica entre os dois se torna um dos grandes motores do disco. A produção, feita pelo grupo junto com Skeff Anselm, constrói beats minimalistas que promovem um casamento entre linhas de baixo profundamente presentes, baterias secas, espaços vazios cuidadosamente pensados e samples jazzísticos, reorganizando a gramática do gênero e revolucionando o Jazz Rap e o Boom Bap. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um disco maravilhoso e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Check The Rhime, Jazz (We've Got), Scenario (cypher com a tropa do Busta Rhymes), Excursions, Show Business, Butter, Buggin' Out 
Vale a Pena Ouvir: Verses From The Abstract, Everything Is Fair, Skypager

Midnight Marauders – A Tribe Called Quest





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 3º álbum deles, o também sensacional Midnight Marauders. Após o clássico The Low End Theory, A Tribe passou a aprofundar essa consolidação. O som está mais confiante, mais polido e mais coeso. A química entre Q-Tip e Phife Dawg atinge seu auge criativo, enquanto Ali Shaheed Muhammad ajuda a estruturar uma identidade sonora ainda mais sofisticada. Eles queriam aprofundar sua estética em vez de correr atrás de maior presença comercial, em um momento em que o Gangsta Rap se consolidava. A produção foi bem mais fluida e acessível; o uso de samples são integrados de forma ainda mais orgânica. Os beats são quentes, os grooves são envolventes e há uma sensação constante de movimento. O baixo continua sendo elemento-chave, mas agora há maior variedade de texturas. O repertório novamente é incrível e também parece uma coletânea. No final de tudo, é outro disco excepcional e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Electric Relaxation, Award Tour, We Can Get Down, Midnight, God Lives Through, Steve Biko (Stir It Up), Oh My God (feat indireta do Busta Ryhmes) 
Vale a Pena Ouvir: The Chase, Part II, 8 Million Stories, Clap Your Hands


                                                                                    É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - Renato Russo

                 

The Stonewall Celebration Concert – Renato Russo





















NOTA: 3/10


Em 1994, Renato Russo lançava seu 1º trabalho solo, o The Stonewall Celebration Concert. Após o lançamento do Descobrimento do Brasil, Renato já demonstrava, havia anos, fascínio por cancioneiros internacionais. O projeto nasceu originalmente como um recital beneficente de voz e piano ao lado do Carlos Trilha para arrecadar fundos para a Ação da Cidadania contra a Fome, e só depois foi transformado em álbum. Além disso, o título é uma celebração dos 25 anos dos motins de Stonewall, episódio fundador do movimento LGBTQIA+. Produção feita pelo próprio cantor, foi bastante moderno, já que teve uso de recursos digitais. Ainda assim, houve um uso tradicional de violão, teclados, texturas discretas e arranjos quase fantasmagóricos, dialogando com o Folk e Vocal Jazz, embora muitos dos arranjos se afastem da proposta original. O repertório, apesar de bom, tem canções que não ficaram bem interpretadas. No fim, a causa foi bem melhor do que o álbum em si. 

Melhores Faixas: Clothes Of Sand (Nick Drake), And So It Goes (Billy Joel), If I Loved You (Richard Rodgers), If You See Him, Say Hello (Bob Dylan), Paper Of Pins, Somewhere In My Broken Heart (Billy Dean) 
Piores Faixas: Send In The Clowns (Stephen Soundheim), Love Is (Kate & Anna McGarrigle), When You Wish Upon A Star (Cliff Edwards), If Tomorrow Never Comes (Garth Brooks), Let's Face The Music And Dance (Irving Berlin), Old Friend (Gretchen Cryer), Miss Celie's Blue (Quincy Jones)

Equilíbrio Distante – Renato Russo





















NOTA: 1/10

Então, no ano seguinte, foi lançado seu 2º trabalho solo e último em vida, o péssimo Equilíbrio Distante. Após o The Stonewall Celebration Concert, esse projeto nasceu quando Renato, ainda impactado pela experiência do primeiro álbum solo, passou a se interessar pela música italiana, algo que, curiosamente, não era parte central de sua escuta até então. A partir daí, o projeto cresce não como simples coleção de covers, mas como uma investigação sobre raízes familiares, em um período em que ele enfrentava uma depressão profunda. A produção, feita pelo cantor junto com Carlos Trilha, foi bastante refinada, misturando Italo Pop orquestral, ambientações acústicas, elementos digitais, texturas eletrônicas discretas, música de câmara e até ecos de trilha cinematográfica. Mas tudo soa arrastado, e os vocais do Renato não ajudam nem um pouco. O repertório é péssimo, e as canções são todas muito chatas. No geral, é um disco terrível e profundamente esquecível. 

Melhores Faixas: (..........zzzzzz...........) 
Piores Faixas: Scrivimi, Strani Amori, La Forza Della Vita, La Solitudine, Dolcissima Maria

O Último Solo – Renato Russo





















NOTA: 8/10


Em 1997, foi lançado o último trabalho solo do Renato Russo, intitulado O Último Solo. Após o terrível Equilíbrio Distante e a morte do cantor, decidiu-se reunir o material, com Carlos Trilha assumindo a tarefa de finalizar faixas que existiam em diferentes estados de elaboração: algumas praticamente prontas, outras com arranjos incompletos, outras com vocais-guia, e algumas exigindo intervenções técnicas complexas para se tornarem lançáveis. A produção foi bem mais sofisticada e polida, na qual Carlos finalizou os arranjos a partir de ideias deixadas por Renato e de inferências do que julgava coerente com sua sensibilidade. Com isso, a orquestração consegue acompanhar toda a base proposta de cada canção e, em alguns momentos, houve utilização de Auto-Tune para corrigir certos vocais, sendo está a primeira vez que essa ferramenta teria sido utilizada no Brasil. O repertório ficou bom, e até as canções em italiano ficaram legais. Enfim, é um trabalho bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Hey, That Is No Way To Say Goodbye (Leonard Cohen), The Dance (Tony Arata), Change Partners (Irving Berlin) 
Vale a Pena Ouvir: I Loves You Porgy, Il Mondo Degli Altri

 

domingo, 19 de abril de 2026

Analisando Discografias - Legião Urbana

                 

Dois – Legião Urbana





















NOTA: 10/10


Em 1986, o Legião Urbana lançava seu clássico 2º álbum de estúdio, intitulado Dois. Após o álbum de estreia, Renato Russo cogitou fazer um disco duplo, intitulado Mitologia e Intuição. A gravadora EMI, porém, não se entusiasmou com a ideia, e o álbum acabou sendo simples. Nesse período, a banda vivia uma rotina intensa de shows e sofria crescente pressão da indústria fonográfica após o sucesso do debut. Ao mesmo tempo, Renato atravessava conflitos emocionais profundos. A produção, feita por Mayrton Bahia, mas com alguns pitacos de Renato, foi mais limpa e orgânica, seguindo aquela abordagem do Post-Punk e do Jangle Pop, mas com influências do Folk e do Rock Gótico, com as guitarras de Dado Villa-Lobos sendo bem variadas, uma seção rítmica bastante precisa, e os vocais do Renato cheios de expressividade. O repertório é sensacional e digno de uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores álbuns da música brasileira de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tempo Perdido, "Índios", Eduardo E Mônica, Metrópole, Daniel Na Cova Dos Leões, Andrea Doria, Quase Sem Querer 
Vale a Pena Ouvir: Acrilic On Canvas, Fábrica, Plantas Embaixo Do Aquário

Que País É Este – Legião Urbana





















NOTA: 8,8/10


No ano seguinte, o Legião Urbana lançava seu 3º álbum de estúdio, o Que País É Este. Após o clássico Dois, a pressão sobre a banda aumentava enormemente. Ao mesmo tempo, havia desgaste interno, conflitos, expectativas da gravadora e dificuldades em concluir material novo. Em vez de um álbum inteiramente concebido naquele momento, o grupo recorreu a composições antigas, algumas remontando ao período do Aborto Elétrico, embrião do que se tornaria o Legião. A produção, feita mais uma vez por Mayrton Bahia, foi um pouco mais crua e pesada; as guitarras de Dado ficaram mais agressivas, o baixo de Renato Rocha mais pulsante, a bateria de Marcelo Bonfá mais direta, e os vocais de Renato Russo têm mais urgência, refletindo essa junção do Post-Punk com o Punk Rock tradicional, além de influências alternativas. O repertório é ótimo, e as canções são bastante imersivas e reflexivas. Enfim, é um disco bacana e bastante ousado. 

Melhores Faixas: Faroeste Caboclo, Que País É Este, Angra Dos Reis, Eu Sei 
Vale a Pena Ouvir: Conexão Amazônica, Mais Do Mesmo

As Quatro Estações – Legião Urbana





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, a banda lançava mais um trabalho novo, intitulado As Quatro Estações. Após o Que País É Este, o Legião Urbana vinha de crises internas severas, incluindo a saída do baixista Renato Rocha durante o processo do disco, um acontecimento decisivo que alterou a dinâmica do grupo e cristalizou a formação como um power trio. Além disso, o disco surge num Brasil em transformação, saindo dos anos 80 com seus esgotamentos políticos e entrando num novo horizonte de incertezas. A produção, feita pelo mesmo produtor de sempre, foi bem mais sofisticada e precisa; as guitarras ficaram bem mais discretas, a bateria soa bem mais variada, algo até estranho para um baterista fraquíssimo como Marcelo Bonfá, enquanto Renato Russo entrega vocais variados, e a ausência do baixo em alguns momentos não deixa nada sobrecarregado. O repertório é incrível, e as canções são todas muito melancólicas e profundas. Enfim, é um belo trabalho, mais introspectivo. 

Melhores Faixas: Pais E Filhos, Há Tempos, Quando O Sol Bater Na Janela Do Seu Quarto, 1965 (Duas Tribos), Meninos E Meninas, Maurício 
Vale a Pena Ouvir: Sete Cidades, Monte Castelo, Eu Era Um Lobisomem Juvenil

V – Legião Urbana





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Legião Urbana lançava o sensacional e ambicioso álbum intitulado V (5). Após As Quatro Estações, esse disco nasce em meio à crise econômica do Plano Collor, ao agravamento das tensões internas da banda, ao aprofundamento do alcoolismo de Renato Russo e ao impacto íntimo de seu diagnóstico de HIV, mantido em sigilo à época. Esse trabalho frequentemente parece habitar um universo de ruínas espirituais, desencanto civilizatório e busca metafísica. A produção, conduzida por Mayrton Bahia junto com a banda, foi mais sofisticada e cinematográfica, seguindo uma abordagem do Rock Alternativo, mas com influências do Rock Progressivo e do Art Rock, já que há presença de arranjos de cordas. As guitarras são cheias de texturas, tensão e espaço, a bateria ficou bem mais precisa, e os vocais do Renato são mais dramáticos e expressivos. O repertório é sensacional, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um belo disco e também uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Metal Contra As Nuvens, Vento No Litoral, O Mundo Anda Tão Complicado, A Montanha Mágica, O Teatro Dos Vampiros 
Vale a Pena Ouvir: Sereníssima, A Ordem Dos Templários (Instrumental)

O Descobrimento Do Brasil – Legião Urbana





















NOTA: 9,4/10


Em 1993, eles lançaram mais um álbum novo, O Descobrimento do Brasil, que foi mais variado. Após o V, havia tensões entre a banda e a gravadora, inclusive conflitos em torno de uma coletânea que a EMI pretendia lançar sem o consentimento do grupo, episódio que afetou diretamente o processo do álbum. Ao mesmo tempo, o Legião Urbana atravessava outra fase interna, e decidiu que esse trabalho seria menos monumental e mais fluido. A produção seguiu uma abordagem bem mais ampla, fazendo aquela junção do Rock Alternativo com Folk e Post-Punk, com as guitarras sendo bem mais fluidas e fugindo um pouco daquele lado mais cheio de texturas; a bateria foi bem mais pulsante, e as linhas de baixo do Renato são mais sustentadas, enquanto seus vocais vão de um lado irônico ao vulnerável. O repertório é incrível, e as canções são bem mais reflexivas e até cadenciadas. No fim, é um belo álbum, carregado de profundidade. 

Melhores Faixas: Giz, O Descobrimento Do Brasil, Perfeição, Só Por Hoje, Os Barcos, A Fonte 
Vale a Pena Ouvir: Os Anjos, Vamos Fazer Um Filme, Vinte E Nove

A Tempestade, Ou O Livro Dos Dias – Legião Urbana





















NOTA: 6/10


Três anos se passaram, e chegamos ao decisivo ano de 1996 com o lançamento do A Tempestade ou O Livro dos Dias. Após O Descobrimento do Brasil, esse projeto nasce em condições extraordinariamente difíceis. A saúde de Renato Russo estava profundamente fragilizada. As gravações foram marcadas por limitações físicas severas, uso de takes iniciais e vozes-guia mantidas como definitivas em algumas faixas. A produção, feita inteiramente por Dado Villa-Lobos, deixou uma sonoridade mais crua e orgânica, com suas guitarras ficando mais contidas; além disso, ele tocou baixo na maior parte do disco, e a bateria de Marcelo Bonfá é mais sutil, com uma presença maior de teclados pelo Carlos Trilha. Enquanto os vocais do Renato são bem delicados e revelam uma mudança de voz aparente, o maior problema é que os arranjos são excessivamente arrastados. O repertório é mediano: há canções boas e outras chatinhas. No fim, é um álbum cheio de irregularidades. 

Melhores Faixas: A Via Láctea, Dezesseis, Natália, 1° De Julho 
Piores Faixas: Leila, Mil Pedaços, Quando Você Voltar, Longe Do Meu Lado

Uma Outra Estação – Legião Urbana





















NOTA: 3/10


No ano seguinte, foi lançado o 8º e último álbum do Legião Urbana, Uma Outra Estação. Após A Tempestade, infelizmente a saúde do Renato Russo piorou, e então, quatro semanas após o último lançamento, o cantor veio a falecer em decorrência da AIDS. Com isso, a banda encerrou suas atividades; porém, preparou um material final, com Dado Villa-Lobos decidindo resgatar as faixas que acabaram ficando de fora do último disco. A produção, feita pelo guitarrista junto com Tom Capone, foi basicamente a mesma de antes, só que agora reorganizando essas sobras para que pudessem ficar fiéis ao trabalho anterior; com isso, as guitarras vão de um lado expressivo ao discreto, a bateria do Marcelo Bonfá é bem rudimentar, e há novamente maior presença de teclados. Mas, no geral, os arranjos são arrastados e tudo aqui não se sustenta. O repertório é ruim, com canções medíocres e poucas que se salvam. Em suma, é um álbum péssimo, feito para cumprir contrato. 

Melhores Faixas: Clarisse, Antes Das Seis, Marcianos Invadem A Terra 
Piores Faixas: A Tempestade, Sagrado Coração, Comédia Romântica, High Noon (Do Not Forsake Me), Mariane

                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Pedro Sampaio

                  CHAMA MEU NOME – Pedro Sampaio NOTA: 1/10 Em 2022, o Pedro Sampaio lançava seu álbum de estreia intitulado CHAMA MEU NOME....