segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Daughters

                 

Daughters – Daughters





















NOTA: 2/10


No ano de 2002, foi lançado o 1º trabalho em formato EP autointitulado do Daughters. A banda, formada naquele ano em Providence, em Rhode Island, pelo vocalista Alexis Marshall, os guitarristas Jeremy Wabiszczewicz e Nicholas Sadler, o baixista Pat Masterson e o baterista Jon Syverson, já estava envolvida em projetos de Grindcore e Hardcore/Punk, e a proposta desde o começo era empurrar esses estilos para um território ainda mais abrasivo e desconstruído. A produção foi minimalista e crua, e a gravação parece buscar exatamente o contrário de polimento: uma sensação de impacto imediato, quase como se a banda estivesse tocando em um espaço pequeno e abafado. O resultado é um som comprimido, barulhento e muito agressivo, com influências de Sass e Mathcore, apesar de ainda mostrar muita irregularidade na base sonora. O repertório tem apenas 4 faixas, que, ainda assim, não empolgam muito. Enfim, era só um projeto de apresentação bem fraquinho. 

Melhor Faixa: Flattery Is A Bunch Of Fucking Bullshit 
Piores Faixas: A Room Full Of Hard-Ons And Nowhere To Sit Down, Hello Assholes, My Stereo Has Mono And So Does My Girlfriend

Canada Songs – Daughters!





















NOTA: 7,8/10


No ano seguinte, foi lançado o álbum de estreia do Daughters, o Canada Songs. Após o EP de 2002, eles estavam com interesse crescente da cena underground, e a banda decidiu registrar um álbum completo que ampliasse essa proposta. Apesar da saída de Nicholas Sadler para a entrada de Perri Peete, eles queriam fazer algo que fosse, de certo modo, mais escrachado. A produção, feita por Keith Souza, segue a lógica de intensidade extrema e minimalismo técnico. O som é seco, comprimido e muito direto. As guitarras são extremamente dissonantes e afiadas, frequentemente usando riffs quebrados que parecem desmontar a lógica tradicional do Mathcore e com um pé no Grind, muito por conta dos vocais extremamente rasgados do Alexis Marshall, só que, ainda assim, as falhas aparecem em alguns arranjos que ficam apenas deslocados. O repertório é até legal, tem canções divertidas e algumas fracas. Enfim, é um disco bom, apesar de erros evidentes. 

Melhores Faixas: The Ghost With The Most, Jones From Indiana, I Don't Give A Shit About Wood, I'm Not A Chemist, Jones From Indiana, And Then The C.H.U.D.S. Came 
Piores Faixas: Nurse, Would You Please Prepare The Patient For Sexual Doctor, Damn Those Blood Suckers And Their Good Qualities

Hell Songs – Daughters





















NOTA: 8,5/10


Três anos depois, foi lançado seu 2º disco, intitulado Hell Songs, e aqui eles mudaram sua temática. Após o Canada Songs, que deixou claro que havia interesse em explorar algo que fosse menos preso à velocidade pura, vieram mudanças na formação: saíram os guitarristas Jeremy Wabiszczewicz e Perri Peete e o baixista Pat Masterson, e entraram Brent Frattini, Samuel Walker e o retorno do Nicholas Sadler. A produção, feita por Andrew Schneider junto com a banda, colocou um som que ganha mais espaço, permitindo que as tensões e dissonâncias se destaquem. As guitarras continuam agressivas, mas agora muitas vezes são mais angulares do que simplesmente rápidas; a cozinha rítmica ficou mais quebrada e dinâmica, e os vocais do Alexis Marshall não têm mais aquela gritaria, ficando algo mais teatral e perturbador, lembrando mais Noise Rock com Mathcore. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem agressivas. No fim, é um disco bacana e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Recorded Inside A Pyramid, Cheers, Pricks, Hyperventilationsystem, Providence By Gaslight 
Vale a Pena Ouvir: Fiery, Feisty Snake-Woman

Daughters – Daughters





















NOTA: 9,4/10


Em 2010, foi lançado mais um disco, dessa vez autointitulado, do Daughters antes de entrarem em hiato. Após o Hell Songs, eles decidiram fazer um projeto que representasse uma mudança ainda mais clara em relação ao passado. A música da banda se tornou mais lenta, mais pesada em termos de clima e mais estruturada em torno de grooves estranhos e riffs repetitivos. E assim, quando foram gravar o álbum, o clima já não estava bom: conflitos internos estavam presentes, e o estopim foi a briga entre Alexis Marshall e Nicholas Sadler, que fez eles entrarem em hiato. A produção foi mais espaçosa, mais pesada e muito mais focada em textura e tensão. Com as guitarras seguindo padrões repetitivos, a cozinha rítmica é mais controlada e os vocais do Alexis são mais expressivos, juntando assim Noise Rock, Post-Hardcore, Pigfuck e música industrial. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas. No geral, é um disco sensacional e que é bem sombrio. 

Melhores Faixas: The Hit, The First Supper, The Virgin, The Dead Singer 
Vale a Pena Ouvir: The Unattractive, Portable Head, Our Queens (One Is Many, Many Are One)

You Won't Get What You Want – Daughters





















NOTA: 10/10


Em 2018, foi lançado o 4º e sensacional último álbum do Daughters, o You Won't Get What You Want. Após o disco de 2010, o hiato acabou não durando muito tempo: os integrantes começaram a se reunir novamente para experimentar novas ideias musicais. Essas sessões iniciais não tinham o objetivo imediato de produzir um álbum, mas acabaram reacendendo a dinâmica criativa da banda. A produção, feita por Seth Manchester, colocou uma sonoridade sombria, juntando Noise Rock, Post-Punk, Rock industrial e elementos da No Wave. As guitarras do Nicholas Sadler exploram a dissonância de maneira muito mais controlada e cinematográfica. A bateria do Jon Syverson é precisa e calculada, o baixo do Samuel Walker colocou linhas mais graves e os vocais do Alexis são extremamente intensos e variados. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um baita disco e certamente um clássico; depois disso, a banda acabou. 

Melhores Faixas: Long Road, No Turns, Satan In The Wait, The Reason They Hate Me, Guest House, Ocean Song 
Vale a Pena Ouvir: The Flammable Man, City Song


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!       

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Review: Divino do Venere Vai Venus

                   

Divino – Venere Vai Venus





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2025, foi lançado o álbum de estreia do Venere Vai Venus, intitulado Divino. Formada em 2023, em São Paulo, pela vocalista Lua Dultra, pelo guitarrista Avila, pela baixista Rey Sky e pelo baterista Caio Luigi, a banda ganhou, nesse meio tempo, certa relevância no circuito independente com singles e apresentações ao vivo energéticas e, com isso, conseguiu contrato com o selo da 48k Records. A produção, feita por Mateus Melo e Raul Alaune, deixou uma abordagem polida, mas que consegue ser orgânica, com a sonoridade sendo uma mistura de Rock alternativo com influências que lembram Rock de garagem, MPB e com traços de Indie Rock. Essa combinação cria uma sonoridade híbrida: guitarras presentes, mas muitas vezes acompanhadas por arranjos mais atmosféricos, e os vocais são bem sentimentais. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem intimistas. No fim, é um ótimo disco de estreia e bem amarrado. 

Melhores Faixas: Ciúmes, Medusa, Deusa, Anjos 
Vale a Pena Ouvir: Eutanásia, Narciso
 

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Kamasi Washington

                    

The Epic – Kamasi Washington





















NOTA: 10/10


Em 2015, foi lançado o que é praticamente o verdadeiro 1º álbum do Kamasi Washington, o The Epic. A sua trajetória começou por volta dos anos 2000, quando, após se formar na faculdade de música, entrou no grupo Young Jazz Giants, que não durou muito tempo. Com isso, ele lançou dois projetos solo que não foram muito bem planejados, mas, com o tempo, ganhou certo prestígio por suas apresentações e decidiu preparar um álbum que lembrasse a temática do Jazz espiritual dos anos 60 e 70, mas com toques modernos. A produção foi feita pelo próprio Kamasi, que reuniu uma grande banda, incluindo uma seção rítmica robusta, vários instrumentos de sopro adicionais, cordas orquestrais e um coral. Com isso, a seção rítmica mantém grooves fortes e constantes, enquanto o saxofone tenor dele conduz a narrativa musical com solos longos e intensos. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Change Of The Guard, The Magnificent 7, Askim, The Message, Malcolm's Theme 
Vale a Pena Ouvir: Miss Understanding, Clair De Lune, Final Thought

Harmony Of Difference – Kamasi Washington





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o EP Harmony of Difference, do Kamasi Washington, que mostrava um lado mais conceitual. Após o clássico The Epic, Kamasi Washington decidiu não repetir imediatamente outro projeto monumental, tendo assim uma ideia conceitual mais específica. Com esse projeto nascendo de um experimento musical: demonstrar como melodias diferentes podem coexistir e formar uma harmonia maior quando tocadas juntas. A produção, feita por ele próprio, continua a misturar Jazz espiritual, Soul, Funk e elementos de música orquestral. A presença do coral reforça a ideia de união de vozes diferentes dentro de uma harmonia coletiva. A seção rítmica continua forte, com grooves marcantes que aproximam o Jazz de outras tradições da música negra americana, além do sax marcante do Kamasi. O repertório é muito bom, e as canções, divididas em seis suítes, são bem exuberantes. No fim, é um ótimo trabalho e que foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Truth, Desire 
Vale a Pena Ouvir: Integrity, Knowledge

Heaven And Earth – Kamasi Washington





















NOTA: 8,8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado seu segundo disco intitulado Heaven & Earth, que foi ainda mais conceitual. Após o EP Harmony of Difference, Kamasi Washington havia se tornado uma figura central em um movimento que aproximava o Jazz moderno de novas audiências. O álbum foi concebido como uma obra dupla, dividida em dois discos com identidades complementares: “Earth” e “Heaven”. Com a ideia sendo: “Earth” representa o mundo como o vemos e “Heaven” representa o mundo como poderia ser. A produção seguiu a mesma temática, só que com diferenças, já que há uma sensação maior de contraste entre diferentes atmosferas ao longo do disco. O saxofone tenor do Kamasi continua sendo o principal guia da narrativa musical, mas o álbum valoriza muito os arranjos e o trabalho coletivo da banda. O repertório é bem legal, com a primeira parte sendo mais direta e a da segunda sendo mais contemplativa. Enfim, é um ótimo disco e que mostrou algo imersivo. 

Melhores Faixas: Street Fighter Mas, Connections, Song For The Fallen, Testify, Vi Lua Vi Sol, Show Us The Way 
Vale a Pena Ouvir: Tiffakonkae, Will You Sing, Fists Of Fury, The Space Travelers Lullaby

The Choice – Kamasi Washington





















NOTA: 8/10


Alguns dias depois, foi lançado o EP The Choice, que servia como um complemento. Após o lançamento do Heaven & Earth, Kamasi Washington decidiu pegar um material que acabou não se encaixando no repertório final e colocá-lo meio que como um bônus, só que mantendo sua ambição conceitual, mostrando que, mesmo em um formato menor, ele continua pensando sua música de maneira ampla e narrativa. A produção foi basicamente a mesma, e a música aqui tem uma estrutura mais narrativa e cinematográfica. As composições são construídas para acompanhar emoções e movimentos dramáticos, o que se reflete em mudanças dinâmicas mais evidentes e em arranjos que crescem gradualmente. O repertório contém 5 faixas que são longas, mas que passam um lado bem mais atmosférico. Enfim, é um trabalho que consegue complementar bem a proposta de seu álbum. 

Melhores Faixas: Agents of The Multiverse, The Secret of Jinsinson 
Vale a Pena Ouvir: My Family, Will You Love Me Tomorrow, Ooh Child

Fearless Movement – Kamasi Washington





















NOTA: 9/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o último álbum até o momento de Kamasi Washington, o Fearless Movement. Após o Heaven & Earth, ele começou a refletir mais sobre ritmo, movimento corporal e a relação entre o Jazz e a dança. Enquanto trabalhos anteriores dele estavam fortemente ligados à ideia de espiritualidade cósmica e à expansão quase sinfônica do Jazz, este álbum surge com uma proposta diferente: explorar o movimento como forma de expressão musical. A produção foi bastante diversificada, contando com nomes como D Smoke, André 3000, George Clinton, entre outros, e com isso a abordagem com grandes arranjos, improvisação extensa e uma forte presença de Jazz fusion e espiritual se manteve. No entanto, há uma mudança perceptível no foco rítmico, já que temos influências de Jazz Rap, Soul e P-Funk. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas e também divertidas. No geral, é um disco bacana e mostrou sua versatilidade. 

Melhores Faixas: Lesanu, Get Lit, Prologue, Road To Self (KO), Dream State, The Garden Path 
Vale a Pena Ouvir: Asha The First, Computer Love, Interstellar Peace (The Last Stance)

 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 3

                 

Cannonball Adderley's Fiddler On The Roof – Cannonball Adderley





















NOTA: 8,5/10


Mais um tempinho se passou, e foi lançado mais um trabalho dele intitulado Cannonball Adderley's Fiddler on the Roof. Após o Cannonball's Bossa Nova, o saxofonista Cannonball Adderley já estava plenamente consolidado como um dos nomes centrais do Hard Bop dos anos 60, agora com ele liderando um grupo extremamente entrosado que vinha conquistando público tanto em clubes quanto em gravações, com isso ele decidiu fazer um álbum baseado no musical da Broadway Fiddler on the Roof. A produção, feita por David Axelrod, deixou o grupo reorganizar as estruturas, abrindo espaço para improvisos longos e para criar climas que variam entre Hard Bop vigoroso, momentos mais modais e passagens atmosféricas, além da presença de novos nomes, como o pianista Joe Zawinul e o saxofonista Charles Lloyd, que colocaram um lado bem mais direto no som. O repertório, obviamente, é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco bacana e bem estruturado. 

Melhores Faixas: Sewing Machine, To Life, Do You Love Me 
Vale a Pena Ouvir: Fiddler On The Roof, Sabbath Prayer

Accent On Africa – The Cannonball Adderley Quintet





















NOTA: 8/10


Em 1968, foi lançado outro trabalho do Cannonball Adderley, o Accent on Africa, que foi mais tematizado. Após o Fiddler on the Roof, muitos músicos estavam explorando novas direções sonoras, influenciados por movimentos culturais globais, pela busca de raízes africanas na música afro-americana e também pela abertura a elementos elétricos. Depois de anos consolidando seu estilo dentro do Hard Bop, o quinteto de Cannonball começou a experimentar com novas texturas rítmicas e arranjos mais amplos. A produção, feita por David Axelrod, colocou uma sonoridade um pouco diferente dos discos mais tradicionais do quinteto, com uso intensivo de percussões adicionais, criando camadas rítmicas que se afastam do swing tradicional do Jazz, muito pelas influências africanas aplicadas, mostrando um sax do Cannonball sendo mais melódico. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem dinâmicas. No fim, é um trabalho interessante e bem coeso. 

Melhores Faixas: Up And At It, Gumba Gumba 
Vale a Pena Ouvir: Ndolima, Marabi

The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra – The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra





















NOTA: 8,2/10


Entrando nos anos 70, o saxofonista Cannonball Adderley retorna lançando o disco The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra. Após o Accent on Africa, o Jazz estava passando por uma transformação profunda: a ascensão do Jazz Fusion, a influência crescente do Funk, do Soul e até de estruturas mais orquestrais começaram a mudar o panorama do gênero. Cannonball, que já havia demonstrado interesse em expandir o alcance de sua música, decidiu dar um passo adiante ao trabalhar com uma orquestra completa. A produção foi mais ampla, e a ideia central foi integrar o som compacto e direto do quinteto com uma orquestra completa, criando arranjos que alternam momentos de densidade sonora com espaços dedicados à improvisação, com arranjos mais expansivos e uma sensação de espetáculo musical, sendo um álbum de Big Band progressiva. O repertório contém 3 faixas longuíssimas que são bem dinâmicas. No geral, é um ótimo disco e bem consistente. 

Melhores Faixas: Tensity, Experience In E 
Vale a Pena Ouvir: Dialogues For Jazz Quintet And Orchestra

Phenix – Cannonball Adderly





















NOTA: 3/10


E aí chegamos a 1975, quando foi lançado o que foi seu último álbum em vida, intitulado Phenix. Após o The Cannonball Adderley Quintet & Orchestra, vendo que o gênero estava profundamente transformado pela ascensão daquela fase Fusion, pela influência do Funk e pelo uso cada vez maior de instrumentos elétricos, o Cannonball Adderley ainda assim continuava tentando expandir sua música, incorporando elementos modernos sem abandonar completamente sua identidade melódica e bluesy. A produção foi mais orgânica, com uma textura mais contemporânea, marcada por teclados elétricos, linhas de baixo mais marcantes e ritmos que às vezes se aproximam do Jazz Fusion e do Soul Jazz. Mesmo com essas mudanças, o saxofone alto do Cannonball continua sendo o elemento central da música, só que, no geral, ficou bem excessivo e tedioso. O repertório é fraco, tendo pouquíssimas canções que conseguem se salvar. Enfim, é um disco ruim e que foi um completo fracasso. 

Melhores Faixas: Work Song, Country Preacher, The Sidewalks Of New York 
Piores Faixas: Hamba Nami, Stars Fell On Alabama, Domination, Walk Tall / Mercy, Mercy, Mercy

Lovers – Cannonball Adderly





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado de forma póstuma seu último disco, intitulado Lovers. Após o fraquíssimo Phenix, o Cannonball Adderley estava pensando em preparar outros projetos, mas infelizmente ele sofreu um derrame cerebral e, quatro semanas depois, acabou vindo a falecer aos 46 anos. Com isso, a gravadora Fantasy decidiu resgatar um material que foi terminado um mês antes A produção foi feita por Nat Adderley e Orrin Keepnews, que chamaram vários músicos importantes da cena, como Alphonso Johnson, Airto Moreira e George Duke, entre outros, colocando uma forte presença elétrica e uma abordagem mais atmosférica. O uso de sintetizadores e pianos elétricos cria texturas densas, enquanto a percussão e o baixo elétrico ajudam a estabelecer grooves mais próximos do Jazz-Funk e do Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No geral, é um ótimo álbum e que foi uma despedida decente. 

Melhores Faixas: Ayjala, Salty Dogs 
Vale a Pena Ouvir: Nascente


                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Cannonball Adderly: Parte 2

                    

Portrait Of Cannonball – Julian Adderley Quintet





















NOTA: 8,5/10


Indo para 1958, foi lançado mais um trabalho novo do Cannonball Adderley, o Portrait Of Cannonball. Após o Sophisticated Swing, ele já era reconhecido por um estilo muito particular no saxofone alto: um som forte, cheio de blues, mas ao mesmo tempo extremamente técnico e sofisticado. Esse disco marca também uma fase em que sua carreira começava a se estabilizar em termos de identidade musical. A produção foi conduzida por Orrin Keepnews, que deixou uma abordagem direta e uma clareza maior na forma como cada instrumento aparece. O saxofone do Cannonball ocupa o centro do palco sonoro, com um timbre caloroso e cheio de presença. Outro fator importante é a presença do pianista Bill Evans, que traz acordes sofisticados, voicings delicados e uma sensibilidade harmônica que adiciona profundidade às composições, além do resto dos músicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um disco bacana que preparou o caminho para algo maior. 

Melhores Faixas: People Will Say We're In Love, Straight Life 
Vale a Pena Ouvir: Blue Funk

Somethin' Else – Cannonball Adderly





















NOTA: 10/10


E aí, naquele mesmo ano, foi lançado o sensacional e atemporal álbum Somethin' Else. Após o Portrait Of Cannonball, Cannonball Adderley já era um dos saxofonistas altos mais respeitados do Hard Bop. E ele montou uma formação que até parece apelação, já que tinha Miles Davis, que cria um contraste interessante com o estilo exuberante e cheio de Blues do Cannonball. De novo, a presença do pianista Hank Jones e do contrabaixista Sam Jones e, por fim, a lenda Art Blakey na bateria, com toda aquela sua energia. A produção foi feita por Alfred Lion e foi lançado pela Blue Note, e com isso a abordagem é relativamente direta, com os músicos tocando juntos no estúdio e com pouca interferência técnica no resultado final. Com o som sendo bem orgânico nesse caldeirão de Hard Bop e Cool Jazz, muito por conta do Miles Davis antes do Kind Of Blue. O repertório contém 5 faixas maravilhosas que parecem coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Autumn Leaves, Somethin’ Else, One For Daddy-O 
Vale a Pena Ouvir: Dancing In The Dark, Love For Sale

Cannonball Takes Charge – Cannonball Adderly Quartet





















NOTA: 8,8/10


Chegando em 1959, foi lançado mais um trabalho do Cannonball Adderley, o Cannonball Takes Charge. Após o clássico Somethin’ Else, ele começou a explorar formações diferentes, incluindo grupos menores que destacassem ainda mais a interação direta entre os músicos. Em vez de depender da presença de grandes estrelas convidadas, como havia acontecido em sessões anteriores de sua carreira, aqui a proposta é concentrar a atenção na identidade do grupo e no desenvolvimento das interpretações. A produção foi conduzida mais uma vez por Orrin Keepnews, que deixou um som natural, sem excesso de intervenções de estúdio. Essa abordagem valoriza principalmente a comunicação entre os músicos, que colocam toda aquela textura para que o saxofone do Cannonball apareça com grande presença no registro. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de emoção. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: I've Told Every Little Star, Barefoot Sunday Blues 
Vale a Pena Ouvir: I Guess I'll Hang Out My Tears To Dry, Poor Butterfly

Them Dirty Blues – The Cannonball Adderly Quintet





















NOTA: 9,5/10


Entrando nos anos 60, foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Them Dirty Blues. Após o Cannonball Takes Charge, Cannonball Adderly começava a consolidar ainda mais a identidade musical de seu quinteto, que incluía seu irmão Nat Adderley no cornet, além de uma seção rítmica extremamente sólida. Esse período marca uma fase em que o grupo já possuía uma química muito clara, fruto de muitas apresentações ao vivo e gravações em sequência. Produção foi aquela de sempre, foco na performance coletiva e captura direta da interação entre os músicos. O som é natural, equilibrado e sem exageros de estúdio, o que ajuda a transmitir a sensação de uma banda tocando com espontaneidade. Além de vermos a interação entre sax do Cannonball que vai para um lado expressivo, enquanto Nat com sua corneta responde com fraseados mais bluesy. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes. Em suma, é um disco maravilhoso e divertido. 

Melhores Faixas: Work Song, Dat Dere, Them Dirty Blues 
Vale a Pena Ouvir: Easy Living, Jeannine

Cannonball Adderley Quintet In Chicago – Cannonball Adderley Quintet





















NOTA: 10/10


E aí, alguns meses depois, foi lançado outro disco espetacular, o Cannonball Adderley Quintet In Chicago. Após o Them Dirty Blues, esse projeto reúne praticamente a mesma formação que estava envolvida em sessões históricas do Jazz daquele ano, especialmente ligadas ao círculo musical do Miles Davis. Já que a formação continha John Coltrane no saxofone tenor, Wynton Kelly no piano, Paul Chambers no contrabaixo e Jimmy Cobb na bateria, basicamente a base que se tornaria uma das formações mais lendárias da história do Jazz. Outra coisa: isso foi gravado antes do Kind Of Blue do Miles Davis. Produção feita por Jack Tracy, deixou uma sonoridade bem equilibrada. Com o saxofone alto do Cannonball Adderley aparecendo com clareza e calor, mantendo seu estilo característico cheio de Blues e Swing, fora o John Coltrane com toda aquela sua complexidade harmônica. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem exuberantes. No geral, é um baita disco e é um clássico. 

Melhores Faixas: Limehouse Blues, Stars Fell On Alabama 
Vale a Pena Ouvir: Weaver Of Dreams, Grand Central

Cannonball Adderley And The Poll-Winners – Cannonball Adderley





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um trabalho novo do saxofonista, o Cannonball Adderley And The Poll-Winners. Após o In Chicago, surge dentro de um conceito bastante comum no Jazz daquela época: reunir músicos que haviam sido votados em enquetes de revistas especializadas, os chamados “poll-winners”. Isso significava juntar alguns dos instrumentistas mais respeitados de cada área. A produção foi bem simplista e destaca bastante o saxofone alto do Cannonball Adderley, que ocupa naturalmente o centro do som. Seu timbre é cheio, vibrante e carregado de inflexões bluesy. O disco soa como uma sessão de músicos experientes que se encontram para tocar repertório que conhecem profundamente, explorando nuances e improvisações com confiança. O repertório é muito bom, e as canções são bem intimistas e com um toque mais cadenciado. No final de tudo, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Lolita, Au Privave 
Vale a Pena Ouvir: Yours Is My Heart Alone

Cannonball's Bossa Nova – Cannonball Adderley With The Bossa Rio Sextet Of Brazil





















NOTA: 8/10


Dois anos se passam, e foi lançado outro trabalho dele, o Cannonball's Bossa Nova. Após o Cannonball Adderley And The Poll-Winners, ele queria fazer um trabalho, como o próprio título já diz, de Bossa Nova, já que o estilo estava chamando a atenção de músicos de Jazz nos Estados Unidos, pois dialogava naturalmente com certas tendências do Jazz moderno. Com isso, ele chamou o Sexteto Bossa Rio, que era comandado por Sérgio Mendes, e foram gravar. A produção foi feita por Orrin Keepnews, pensada para enfatizar a leveza e o balanço característicos da Bossa Nova, deixando um clima mais suave, com arranjos que privilegiam espaço e delicadeza. Com o saxofone do Cannonball adaptando seu fraseado para se encaixar no ritmo brasileiro, usando linhas melódicas mais suaves e explorando o lirismo das composições. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem interpretadas e com aquele toque suave. Enfim, é um bom disco e que tem sua coesão. 

Melhores Faixas: Clouds, Corcovado 
Vale a Pena Ouvir: O Amor Em Paz, Minha Saudade

 

                                                                            É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Daughters

                  Daughters – Daughters NOTA: 2/10 No ano de 2002, foi lançado o 1º trabalho em formato EP autointitulado do Daughters. A ba...