Organix – The Roots
NOTA: 8,6/10
No ano de 1993, o The Roots lançava discretamente seu álbum de estreia, o Organix. Formado em 1987 na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, por Ahmir "Questlove" Thompson e Tariq "Black Thought" Trotter, na época de escola. Após esse período, entraram também o rapper Malik B e também Leonard Hubbard e Joshua Abrams (baixo) e Scott Storch (teclados). Como não conseguiram despertar o interesse de alguma gravadora, decidiram lançá-lo de forma independente. A produção foi feita pelo grupo e seguiu uma abordagem crua e peculiar. Em vez de ter beats, aqui tudo é tocado com instrumentos orgânicos. A bateria do Questlove consegue ser cadenciada e trazer variações dinâmicas. O baixo coloca um groove simples, e os teclados servem como textura, tudo complementado pelos flows precisos de Malik e Thought. Com isso, temos uma base do Jazz Rap. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco de estreia bacana de algo promissor.
Melhores Faixas: Good Music, Pass The Popcorn, Grits, Common Dust
Vale a Pena Ouvir: Leonard I-V, I'm Out Deah, The Session (The Longest Posse Cut In History)
Do You Want More?!!!??! – The Roots
NOTA: 9,7/10
Dois anos se passaram, e o The Roots volta com seu 2º álbum, o sensacional Do You Want More?!!!??!. Após o Organix, depois de realizarem shows na Europa, eles conseguiram despertar o interesse de gravadoras, assinando com a Geffen Records. Além disso, entrou o beatboxer Rahzel, e o tecladista Scott Storch foi efetivado de vez. Eles passaram a pensar mais em atmosfera, dinâmica, textura e sequência. O resultado é um álbum que soa muito mais consciente de sua identidade. A produção foi feita por eles junto com A.J. Shine e Richard Nichols, que partiram para uma abordagem refinada e bem detalhada. A bateria do Questlove consegue ser muito bem acentuada. O baixo possui grooves que têm muito peso, e os teclados, guitarras e demais instrumentos aparecem de maneira muito mais integrada, além, claro, dos flows cadenciados do Thought e Malik B. O repertório é incrível, e as canções passam uma vibe noturna e profunda. No geral, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Mellow My Man, Proceed, Do You Want More?!!!??!, Distortion To Static, What Goes On Pt. 7, Essaywhuman?!!!?!, Silent Treatment
Vale a Pena Ouvir: You Ain't Fly, Swept Away, Lazy Afternoon, The Lesson Part 1
Illadelph Halflife – The Roots
NOTA: 10/10
No ano seguinte, o The Roots retorna com seu excepcional 3º álbum, o Illadelph Halflife. Após o Do You Want More?!!!??!, eles procuraram aprofundar a sua temática e, ao mesmo tempo, torná-la mais sombria, urbana, complexa e emocional. O título já indica uma ligação muito forte com a identidade do grupo e com a ideia de representar um determinado ambiente. Existe uma sensação de cidade, de movimento, de conflito e de dualidade. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e quente, que consegue dialogar não só com Jazz Rap, como também com Boom Bap. A bateria ficou muito mais calculada, e o baixo consegue criar aquela sensação de groove. Os samples estão mais integrados, os teclados mais texturizados e, com isso, os flows do Black Thought e Malik B ficam bem mais cadenciados e técnicos. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No final de tudo, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima.
Melhores Faixas: What They Do, Respond / React, Section, The Hypnotic (D’Angelo aparece aqui), No Great Pretender, Ital (The Universal Side) (baita feat do Q-Tip), It Just Don't Stop, Push Up Ya Lighter
Vale a Pena Ouvir: Clones, UNIverse At War, Episodes
Things Fall Apart – The Roots
NOTA: 10/10
Em 1999, o The Roots lança o atemporal Things Fall Apart, seu 4º álbum de estúdio. Após o Illadelph Halflife, o grupo tinha assinado com a MCA Records e, nesse momento, preparava um projeto que traz uma sensação de tensão, instabilidade e reflexão que atravessa o álbum. Existe uma preocupação maior com as contradições da vida urbana, relações humanas, identidade, indústria musical e amadurecimento. A produção do grupo também contou com J Dilla e Chaos, que deixaram uma abordagem mais densa e equilibrada entre Jazz Rap e Boom Bap. A bateria do Questlove ficou muito mais variada, já que tem uso de espaços, acentos e mudanças sutis para fazer os grooves parecerem vivos, conseguindo dialogar com as linhas de baixo, que ficaram muito encorpadas. Enquanto o Black Thought e Malik B apresentam flows muito técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: You Got Me, The Next Movement, Ain't Sayin' Nothin' New, Adrenaline!, Dynamite!, Double Trouble, Act Too (The Love Of My Life)
Vale a Pena Ouvir: Table Of Contents (Parts 1 & 2), Don't See Us, Without A Doubt
Phrenology – The Roots
NOTA: 9,4/10
No ano de 2002, o grupo retorna com outro trabalho incrível, o Phrenology, que foi bem mais experimental. Após o Things Fall Apart, o The Roots passou por uma grande baixa com a saída do Malik B. e, com isso, ficou apenas como principal nome no microfone o Black Thought. Além disso, implementaram o percussionista Frankie Knuckles. Para esse álbum, decidiram desmontar um pouco da própria fórmula e experimentar novas possibilidades. A produção, feita junto com nomes como DJ Scratch e Cody Chesnutt, segue uma abordagem bem mais fragmentada e imprevisível. Com a bateria do Questlove sendo mais seca e agressiva, o baixo ficou mais constante, mas também dando espaço para guitarras, samples e efeitos eletrônicos, deixando os flows do Thought mais técnicos e variados, fazendo quase um Rap progressivo. O repertório é espetacular, e as canções ficaram mais imersivas. Enfim, é um baita álbum, carregado de dinâmica.
Melhores Faixas: The Seed (2.0), Rock You, Thought @ Work, Pussy Galore, Water, Break You Off
Vale a Pena Ouvir: Rolling With Heat, Complexity, Quills
The Tipping Point – The Roots
NOTA: 8,5/10
Dois anos depois, eles voltam com seu 6º álbum de estúdio, o The Tipping Point. Após o Phrenology, esse trabalho surge depois dessa fase de experimentação, funcionando como uma espécie de tentativa de reorganizar algumas das ideias do grupo. O álbum também procura recuperar uma característica que estava muito presente nos trabalhos anteriores: a sensação de música feita por pessoas tocando juntas. A produção seguiu uma abordagem mais limpa e acessível, chegando a seguir muito a vibe do Rap mainstream daquele período. A bateria do Questlove continua sendo um dos principais elementos. O som é preciso, cheio de pequenas variações e extremamente musical, assim como o resto da instrumentação, que complementa bem, e Black Thought consegue variar bem seus flows e até momentos de canto. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco bacana e muito subestimado.
Melhores Faixas: Star/Pointro, Somebody's Gotta Do It, Why (What's Goin On?), Stay Cool
Vale a Pena Ouvir: Boom!, I Don’t Care, Duck Down!
Game Theory – The Roots
NOTA: 10/10
Se passaram mais dois anos para o The Roots voltar com um novo álbum, o sensacional Game Theory. Após o The Tipping Point, a banda tinha recém-saído da Geffen Records e da MCA e acabou fechando com a Def Jam Recordings. Para esse trabalho, eles tiveram uma preocupação evidente com estratégia, competição, poder, sobrevivência e as regras de um ambiente social e musical cada vez mais complexo. A produção seguiu um caminho bastante concentrado, com baterias secas e fortes, baixos profundos, samples sombrios, teclados discretos e diferentes texturas eletrônicas, voltando a dialogar muito mais com Rap experimental e certos elementos do Boom Bap. Os vocais do Black Thought estão muito mais variados, com ele alternando entre canto e flows bastante agressivos e afiados. O repertório é excepcional, com canções muito profundas, praticamente uma coletânea. No final, é um disco atemporal e praticamente um clássico absoluto.
Melhores Faixas: Can't Stop This, Game Theory, Don't Feel Right, Here I Come, In The Music, Long Time
Vale a Pena Ouvir: Clock With No Hands, False Media, Baby
Rising Down – The Roots
NOTA: 9/10
Se passou mais um intervalo de dois anos para eles voltarem com seu 8º álbum, o Rising Down. Após o Game Theory, que contou até com um retorno esporádico do Malik B., o grupo decidiu fazer um trabalho construído ao redor de uma sensação constante de tensão, violência, frustração e deterioração social. O próprio título funciona muito bem nesse sentido: existe uma ideia de queda, de agravamento, como se o disco estivesse observando um ambiente que está progressivamente se tornando mais difícil de suportar. A produção acabou seguindo uma abordagem pesada e bem mais quente. A bateria possui aquela característica orgânica, mas agora é utilizada de maneira muito mais seca e agressiva. O baixo tem uma presença forte, os teclados e guitarras aparecem de forma econômica e os samples são utilizados de maneira quase sombria. O repertório é ótimo, e as canções ficaram muito mais sombrias e críticas. No geral, é um belo disco e que é criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Rising Down, Get Busy, The Show, Rising Up, Criminal
Vale a Pena Ouvir: Lost Desire, I Will Not Apologize, I Can’t Help It
How I Got Over – The Roots
NOTA: 9,8/10
Indo para 2010, o The Roots lançava mais um projeto novo, o também sensacional How I Got Over. Após o Rising Down, esse novo álbum traz essa ideia de “como eu superei”, colocando uma perspectiva mais pessoal. Em vez de simplesmente observar os problemas do mundo, a maioria das faixas frequentemente pergunta como alguém consegue continuar vivendo, resistindo e encontrando algum tipo de significado diante desses problemas. A produção, feita como sempre pelo próprio grupo, deixa uma sonoridade quente e suave, juntando não só Jazz Rap, como também Boom Bap e Neo-Soul. A bateria continua extremamente precisa, mas agora existem muito mais momentos em que o groove parece respirar. O baixo e o resto da instrumentação têm muita presença, deixando os convidados e Black Thought rimarem de forma bem encaixada. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito reflexivas e cheias de mensagem. Em suma, é um baita disco e muito profundo.
Melhores Faixas: Now Or Never, Right On, Dear God 2.0, The Fire, Walk Alone, How I Got Over
Vale a Pena Ouvir: The Day, Doin' It Again
Então um abraço e flw!!!