quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Review: Dragon’s Breath do Inspectah Deck

                  

Dragon’s Breath – Inspectah Deck





















NOTA: 5/10


Recentemente, o Inspectah Deck retornou com um álbum novo, o Dragon’s Breath. Após o Chamber No. 9, esse trabalho seria centrado em beats e rimas, ao mesmo tempo em que o álbum funciona como uma declaração de longevidade para artistas veteranos que constantemente são tratados como se já devessem abandonar a carreira. Produzido inteiramente por P.A. Dre, mas com a presença do King Yohannes, Cashmere Brown, Pat Vandyke e 7L, o álbum apresenta beats pesados, com baterias secas, caixas densas, graves profundos e linhas de baixo constantes que seguem praticamente a abordagem do Boom Bap. Os flows do Deck são bastante técnicos e até mais cadenciados em determinados momentos, mas o problema é que o álbum soa arrastado demais e parece faltar algo mais dinâmico. O repertório é irregular, com canções boas e outras que são bem esquecíveis. No geral, é um álbum mediano e muito inconsistente. 

Melhores Faixas: Day in the Life, Never Fold, Up at Night, Czariana Grande, Cold Case 
Piores Faixas: Divine Protection, One of One, H.E.C.T.O.R., Lighter Fluid, Anointed
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                           

Review: Caçulinha Aponta O Sucesso do Caçulinha e Seu Conjunto

                   

Caçulinha Aponta O Sucesso – Caçulinha e Seu Conjunto





















NOTA: 8/10


Em 1970, o icônico Caçulinha lançava um de seus vários projetos, o Caçulinha Aponta O Sucesso. O multi-instrumentista Rubens Antônio da Silva, vindo de Piracicaba, em São Paulo, era filho de um violeiro que tocava música caipira. Só que ele se encantou com o piano e, a partir daí, tornou-se músico de estúdio das maiores gravadoras nacionais da época, sendo as principais a Chantecler, a Philips, entre outras. Além de, claro, ter tocado com grandes nomes da música brasileira, ganhou a chance de lançar seus álbuns solo. Produzido por Paulo Rocco e com arranjos conduzidos pelo próprio Caçulinha, temos um som agradável e feito para bailes daquele período. Com isso, temos a presença de arranjos compactos, melodias muito evidentes e bastante atenção à função instrumental das músicas, que dialoga mais com o Samba-Jazz. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Enfim, é um ótimo disco de uma lenda que nos deixou há dois anos. 

Melhores Faixas: Maria Izabel, Quero Voltar P'rá Bahia 
Vale a Pena Ouvir: Yellow River, Eu Também Quero Mocotó, Domingo Em Buenos Ayres


Analisando Discografias - Black Pantera

                 

Project Black Pantera – Project Black Pantera





















NOTA: 8/10


No ano de 2015, o Black Pantera lançava seu álbum de estreia, quando ainda era chamado de Project Black Pantera (referência aos Panteras Negras). Formado um ano antes, na cidade de Uberaba, no interior de Minas Gerais, por Charles Gama (vocais e guitarra), que começou tudo sozinho, já que havia chamado seu irmão, Chaene da Gama (baixo), e Rodrigo “Pancho” Augusto (bateria) para fazer parte da banda, mas eles recusaram de início. Após darem uma chance ao material, porém, acabaram entrando. Produzido pela própria banda, trouxe um som cru e pesado, com influências claras de Crossover Thrash e Groove Metal. As guitarras possuem riffs cortantes, distorção e ataques secos. O baixo é bem melódico, e a bateria tem seu devido peso, enquanto os vocais de Charles são agressivos e urgentes. O repertório é legalzinho, e as canções são bem imersivas, mesmo com algumas sendo meio clichês. Enfim, é um disco bom para uma banda promissora. 

Melhores Faixas: Eu Sei, Ratatá, Execução Na Av. 38, Boto Pra Fuder, Escravos 
Piores Faixas: Abre A Roda E Senta O Pé, Rede Social

Agressão – Black Pantera






















NOTA: 8,5/10


Três anos depois, o Black Pantera lançava seu 2º álbum de estúdio, o Agressão. Após o Project Black Pantera, eles decidiram fazer um trabalho que teve muito mais liberdade para explorar groove, rap, mudanças de andamento e diferentes formas de conduzir os vocais. As letras continuam falando de racismo, violência, desigualdade, intolerância, impunidade e opressão, só que agora existe uma confiança maior na maneira de transformar esses temas em música. Produzido por Ricardo Barbosa, que deixou aquele som pesado, só que com uma maior clareza, contendo um foco em estruturas mais abrangentes. As linhas de baixo conduzem passagens e criam um groove profundo, a bateria é cheia de viradas precisas, as guitarras possuem riffs curtos e mudanças de andamento, fora os vocais do Charles, que continuam bem agressivos. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais profundas. No fim, é um ótimo disco e que se mostrou mais consistente. 

Melhores Faixas: Prefácio, O Último Homem Em Pé, Onde Os Fracos Não Tem Vez, Poder Para O Povo 
Vale a Pena Ouvir: O Sexto Dia, Extra!, Granada

Ascensão – Black Pantera





















NOTA: 9,4/10


Quatro anos se passaram, e o Black Pantera lançava mais um álbum, o sensacional Ascensão. Após o Agressão, a banda assinou com a DeckDisc e começou a preparar esse projeto, só que, devido à pandemia, houve alguns atrasos. O trabalho representa não apenas a ascensão do povo preto, mas também a ascensão de qualquer pessoa oprimida, independentemente de cor, sexo, religião ou condição social. Produzido por Rafael Ramos junto com a banda, o álbum apresenta um som pesado e equilibrado, alternando entre Groove Metal e Hardcore Punk, além de alguns elementos do Crossover Thrash. O baixo do Chaene é bastante presente e possui linhas rítmicas precisas, a bateria do Pancho é bastante física, e as guitarras do Charles possuem riffs cortantes e densos, enquanto seus vocais ficam mais variados. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de urgência. No fim, é um baita disco que já é um clássico. 

Melhores Faixas: Fogo Nos Racistas, Padrão É O Caralho, Mosha, Anti Vida, Revolução É O Caos, Eles Que Lutem, Delírio Coletivo 
Vale a Pena Ouvir: Dia do fogo (participação do Rodrigo Lima do Dead Fish), A Besta, Não Fode O Meu Rolê

PERPÉTUO – Black Pantera





















NOTA: 9/10


Em 2024, o Black Pantera lançava seu 4º álbum, o também sensacional PERPÉTUO. Após o Ascensão, a banda já havia deixado de ser apenas uma promessa da cena underground e, com esse novo projeto, tinha conseguido uma projeção muito maior. Decidindo fazer um trabalho que olha mais profundamente para sua própria ancestralidade afro-latina. Essa mudança foi influenciada por uma viagem ao Chile, onde tocaram no Festival Rockódromo. A produção foi relativamente a mesma, só que com uma maior diversidade. As linhas de baixo do Chaene criam momentos melódicos e grooves, a bateria de Pancho é bem precisa, e as guitarras de Charles possuem riffs pesados, com seus vocais sendo mais melódicos e variados. Com isso, temos uma junção de Metal Alternativo, Crossover Thrash, Hardcore Punk e elementos do Funk Metal e Manguebeat. O repertório é incrível, e as canções são carregadas de mensagem. No geral, é outro disco sensacional e bem amplo. 

Melhores Faixas: TRADUÇÃO, PERPÉTUO, PROVÉRBIOS, METE MARCHA, CANDEIA 
Vale a Pena Ouvir: BOOM!, PROMISSÓRIA, SEM ANISTIA

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Analisando Discografias - !!!

                 

!!! – !!!





















NOTA: 8,2/10


Em 2000, a banda !!! (Chk Chk Chk) lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formada em 1996, na cidade de Sacramento, na Califórnia, por Nic Offer (vocais), Mario Andreoni e Tyler Pope (guitarras), Justin Van Der Volgen (baixo), Dan Gorman (trompete), Allan Wilson (saxofone) e John Pugh (bateria), a banda surge em um período em que começavam a aparecer na cena Indie bandas que revisitavam aquela energia do Dance-Punk, mas acrescentando novos elementos. A produção foi feita pela banda, que seguiram uma estética crua, mas com um som bem definido. A bateria é a principal condutora de tudo, enquanto as linhas de baixo colocam aquele groove, as guitarras trazem riffs repetitivos e angulares, além dos instrumentos de sopro, que complementam a sonoridade, e dos vocais de Nick, que são bem espontâneos. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e escrachadas. No fim, é um ótimo disco de estreia, mesmo com suas limitações.

Melhores Faixas: Storm The Legion, Intensify, Hammerhead 
Vale a Pena Ouvir: The Step, There's No Fucking Rules, Dude

Louden Up Now – !!!





















NOTA: 8,5/10


Quatro anos se passaram, e a banda voltou com seu 2º disco, o Louden Up Now. Após o álbum de estreia, o !!! já não parecia simplesmente um grupo de Punk tentando fazer música para dançar. Eles estavam começando a tratar a pista de dança como parte central de sua própria linguagem. Tanto que tinham acabado de assinar com o selo independente Touch and Go Records, além da Warp para o resto do mundo. A produção feita pela própria banda, resultando em um som mais elegante e definido. As linhas de baixo são bem repetitivas, dialogando tanto com o Punk quanto com o Funk, enquanto a bateria é bem sofisticada. As guitarras do Tyler Pope servem mais como textura, com ele colocando mais foco na bateria eletrônica e nos sintetizadores, deixando tudo mais mecânico. Os instrumentos de sopro dão aquela densidade, e os vocais do Nic Offer ficaram mais variados. O repertório é ótimo, e as canções ficaram muito mais envolventes. Enfim, é outro disco bacana e muito divertido. 

Melhores Faixas: Me And Giuliani Down By The School Yard (A True Story), Pardon My Freedom, When The Going Gets Tough, The Tough Get Karazzee, Theme From Space Island
Vale a Pena Ouvir: Dear Can, Shit Scheisse Merde Part 1

Myth Takes – !!!





















NOTA: 8,7/10


Em 2007, o !!! lançava seu 3º álbum de estúdio, o Myth Takes, que seguiu para uma abordagem mais ampla. Após o Louden Up Now, eles decidiram fazer um trabalho que mostrasse um grupo muito mais consciente de como utilizar repetição, baixo, bateria, percussão, guitarras e elementos eletrônicos para criar músicas longas e hipnóticas. Além disso, Dan Gorman acabou saindo da banda, e entrou o baterista Gerhardt Fuchs. A produção foi feita pela banda junto com The Brothers, resultando em uma abordagem mais cinematográfica. As linhas de baixo são extremamente móveis e repetitivas. A bateria ficou bem mais percussiva e orgânica, enquanto as guitarras alternam entre texturas e riffs, e os sintetizadores são bem brilhantes. Além disso, os vocais do Nic Offer estão bem mais agressivos e até energéticos. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e até cadenciadas. Enfim, é um belo disco e certamente o melhor da banda. 

Melhores Faixas: A New Name, Myth Takes, Must Be The Moon, A New Name, Bend Over Beethoven 
Vale a Pena Ouvir: Yadnus, All My Heroes Are Weirdos

Strange Weather, Isn't It? – !!!





















NOTA: 5/10


Entrando nos anos 2010, a banda voltou lançando um novo disco, o Strange Weather, Isn't It?. Após o Myth Takes, houve a implementação de novos integrantes, como Clarice Jensen (cello), Jason Disu e Nick Roseboro (trompetistas), Caito Sanchez (percussão) e Nadia Sirota (viola). Com isso, o !!! começa a trabalhar com uma abordagem mais econômica, deixando de lado parte do excesso instrumental do disco anterior. A produção foi bem mais espacial e com uma abordagem direta. As linhas de baixo ficaram mais eficientes, a bateria é mais orgânica, indo desde momentos eletrônicos até os mais tradicionais, os teclados são mais discretos e os vocais do Nic atingem aquele caminho do canto falado. Mas, no geral, tem muita coisa que soa repetitiva, faltando algo mais variado. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras desanimadas. Enfim, é um disco mediano e ao qual faltou algo a mais. 

Melhores Faixas: Steady As The Sidewalk Cracks, Even Judas Gave Jesus A Kiss, Jamie, My Intentions Are Bass 
Piores Faixas: AM/FM, Hollow, The Hammer

Thr!!!er – !!!





















NOTA: 5/10


No ano de 2013, o !!! lançava seu 5º álbum de estúdio, o Thr!!!er, que tentou ser mais acessível. Após o Strange Weather, Isn't It?, a banda acabou tirando toda aquela barca que tinha entrado anteriormente, e Justin Van Der Volgen e John Pugh acabaram saindo. Entraram no lugar o baterista Paul Quattrone e o baixista Rafael Cohen. Para esse trabalho, eles decidiram ir de cabeça em músicas mais diretas e com estruturas mais fortes. A produção feita pela banda junto com Jim Eno, Jas Shaw e Patrick Ford, resultando em um som muito mais limpo e seguindo uma abordagem mais diversificada. A bateria ficou bem mais precisa, e as linhas de baixo são muito mais melódicas para sustentar aquele groove funkeado. Enquanto, o resto da instrumentação peca muito pela repetição e pela falta de presença, com os vocais do Nic ficando bem dispersos. O repertório é irregular, tendo canções divertidas e outras sem graça. No geral, é um trabalho fraco e bem decepcionante. 

Melhores Faixas: One Girl / One Boy, Californiyeah, Fine Fine Fine 
Piores Faixas: Except Death, Even When The Water's Cold, Careful

As If – !!!





















NOTA: 8,2/10


Em 2015, o !!! voltou lançando um disco novo, o As If, onde decidiu mudar seu som. Após o Thr!!!er, eles decidiram pegar toda a sua temática e fazer algo mais acessível e que funcionasse dentro de um álbum extremamente divertido, colorido e imediato. A banda passa a trabalhar com uma quantidade ainda maior de elementos eletrônicos, vocais adicionais e estruturas que podem ser aproveitadas tanto em uma pista de dança quanto no ao vivo. A produção foi feita por eles junto com Jim Eno e Patrick Ford, resultando em uma abordagem polida e que consegue ser equilibrada. A bateria ficou bem mais eletrônica, contando com batidas precisas, os sintetizadores ficaram mais brilhantes e o baixo tem linhas profundas, enquanto os vocais ficaram mais melódicos, dialogando com o Dance alternativo e com elementos da Disco Music e do Funk. O repertório é ótimo, e as canções são bem envolventes e suaves. No final de tudo, é um disco bem legal e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Freedom! '15, Sick Ass Moon, Ooo 
Piores Faixas: All The Way, Funk (I Got This), All U Writers

Shake The Shudder – !!!





















NOTA: 3/10


Se passam então dois anos, para que eles retornassem com um projeto novo, o Shake The Shudder. Após o As If, o !!! quis fazer um trabalho que fosse puxado ainda mais para a música eletrônica. Com isso, decidiram ampliar o papel dos vocalistas convidados e trabalhar com uma variedade maior de estilos. Fora que decidiram abordar temas mais profundos, sem abandonar sua temática. A produção foi feita inteiramente pelo James Ford, que seguiu uma abordagem polida, com um foco maior na Funktronica e com os elementos do Dance-Punk ainda presentes. Os sintetizadores foram usados até demais, às vezes sendo brilhantes e, em outras, completamente agressivos. As baterias continuaram sendo alternadas, o baixo ficou mais sustentável, enquanto os vocais do Nic e as guitarras se tornaram quase discretos, deixando tudo muito sem identidade. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções interessantes. No fim, é um álbum ruim e que não deu certo. 

Melhores Faixas: Dancing Is The Best Revenge, NRGQ, R Rated Pictures 
Piores Faixas: Imaginary Interviews, Throttle Service, The One 2, Things Get Hard

Wallop – !!!





















NOTA: 3/10


Mais dois anos se passam, e o !!! volta com um novo trabalho, o Wallop, onde tentaram modernizar seu som. Após o Shake The Shudder, o baterista Paul Quattrone acabou saindo, e entrou Chris Egan. A banda decidiu fazer um álbum que fosse uma grande festa, cheia de mudanças de ambiente, voltando a insistir em músicas mais curtas e diretas, além de explorar novas facetas em seu som. A produção foi feita pela banda junto com Patrick Ford, Cole M.G.N. e Graham Walsh, buscando um som mais variado e diversificado, seguindo a linha do Dance alternativo, mas sem abandonar o Dance-Punk. O baixo continua sendo orientado ao groove e a linhas repetitivas, a bateria tem aquela variação de sempre, as guitarras continuam servindo como texturas e os vocais são extremamente melódicos. Com isso, os mesmos erros se repetiram. O repertório é muito ruim, tendo canções genéricas e poucas interessantes. Enfim, é outro disco fraco e muito forçado. 

Melhores Faixas: Domino, This Is The Door, Serbai Drums 
Piores Faixas: This Is The Dub, Off The Grid, Couldn‘t Have Known, Slow Motion, Rhythm Of The Gravity

Let It Be Blue – !!!





















NOTA: 2/10


No ano de 2022, o !!! lançou seu 9º e mais recente álbum, o horroroso Let It Be Blue. Após o Wallop, eles decidiram fazer um trabalho mais eletrônico e, em vários momentos, mais introspectivo. O próprio álbum já aponta para uma mudança de clima: existe uma sensação de melancolia, reflexão e aceitação que não estava tão evidente com em trabalhos anteriores. Produção feita pela banda junto com James Ford, seguindo aquela abordagem acessível e com um foco maior no Dance alternativo, com elementos até do Nu-Disco e do Electropop. O foco ficou maior nos sintetizadores, aparecendo entre sons brilhantes, atmosféricos e até um pouco psicodélicos. A bateria possui batidas mais contidas. Com isso, os vocais, o baixo e a guitarra se tornaram uma completa textura, deixando, assim, um trabalho bagunçado e que já soa ultrapassado. O repertório é terrível, e as canções são ridículas, com algumas exceções. Em suma, é um álbum pavoroso de uma banda que se perdeu. 

Melhores Faixas: Here's What I Need To Know, It's Grey, It's Grey (It's Grey) 
Piores Faixas: Let It Be Blue, This Is Pop 2, Storm Around The World, Un Puente, Panama Canal

                                                                                            Bom é isso e flw!!!        

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Bob Vylan

                  

We Live Here – Bob Vylan





















NOTA: 8/10


No ano de 2019, o duo Bob Vylan lançava seu álbum de estreia, o We Live Here. Formado em 2017, na cidade de Ipswich, na Inglaterra, pelo guitarrista e vocalista Bobby Vylan (Pascal Robinson-Foster) e pelo baterista Bobbie Vylan (Wade Laurence George), a dupla montou um projeto que junta a atitude confrontadora do Punk à cadência, à linguagem e à construção rítmica do Rap britânico. A produção, feita pela dupla, colocou uma sonoridade pesada e desconfortável. As guitarras pesadas contam com riffs secos e carregados de sujeira, enquanto a programação eletrônica e a bateria aproximam muito o som do Grime, sem largar a abordagem principal, que é o Rap Rock e o Punk Rock. Os vocais do Bobby são carregados de urgência, com flows que são precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e cheias de críticas políticas e sociais. Enfim, é um ótimo álbum, que mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Lynch Your Leaders, We Live Here, Northern Line 
Vale a Pena Ouvir: Save Yourself, England Ending
  

The Price Of Life – Bob Vylan





















NOTA: 8,2/10


No ano de 2022, eles voltaram lançando seu 2º álbum de estúdio, o The Price Of Life. Após o We Live Here, eles decidiram pegar a estética que haviam criado e organizá-la em torno de uma ideia central muito mais definida: o dinheiro como elemento que determina praticamente todos os aspectos da vida moderna. Mostrando como a lógica financeira se infiltra em diferentes áreas da existência. Saúde, alimentação, trabalho, entretenimento, polícia, guerra, mídia e relações de poder aparecem ligados pela mesma ideia. A produção foi bem mais pesada e agressiva, as guitarras passaram a ter riffs pesados e distorcidos, enquanto os beats e a bateria carregam uma influência muito evidente do Grime e do Rap britânico. Os vocais do Bobby ficaram ainda mais expressivos, alternando entre momentos gritados, flows agressivos e vocais melódicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e reflexivas. Enfim, é um disco bacana e bastante estruturado. 

Melhores Faixas: Take That, Big Man, GDP, He Sold Guns, Drug War 
Vale a Pena Ouvir: Must Be More, Whatchugonnado, Pretty Songs

Humble As The Sun – Bob Vylan





















NOTA: 8,6/10


Em 2024, a dupla voltou com mais um trabalho novo, o Humble As The Sun, que trouxe um maior equilíbrio. Após o The Price Of Life, construído em torno do custo de viver em uma sociedade organizada pelo dinheiro, o Bob Vylan, para esse álbum, em vez de apenas perguntar por que a sociedade está quebrada, passa a discutir como uma pessoa consegue preservar a própria identidade, autoestima, saúde mental e esperança enquanto vive dentro dessa realidade. A produção, feita por eles com o auxílio do Rex Roulette e Laurie Vincent, continuou naquele som urgente, mas que ficou mais variado. As guitarras possuem aqueles riffs secos, que também complementam a bateria eletrônica e os samples, que, em determinados momentos, possuem um papel mais importante, além dos vocais, que são mais variados. Dialogando, assim, com o Rap Rock e com elementos do Big Beat. O repertório é ótimo, e as canções são bastante profundas. No fim, é um disco bacana e muito coeso. 

Melhores Faixas: Dream Big, Right Here, GYAG (Get Yourself A Gun), Makes Me Violent 
Vale a Pena Ouvir: I'm Still Here, Humble As The Sun, Hunger Games


                                                                                    Então é só e flw!!!    

Analisando Discografias - Slipmami

                  

Malvatrem – Slipmami





















NOTA: 8,5/10


Em 2023, Slipmami lançava seu álbum de estreia, o Malvatrem, que mostrava uma abordagem interessante. Após o Happenings, a rapper carioca começou sua trajetória por volta de 2019, quando lançou singles ao longo desse período e ganhou certo destaque na cena underground do Trap BR. Com isso, ela entrou para o selo Heavy Baile e já começou a preparar esse projeto, que apostava em uma temática extremamente exagerada, sexual, agressiva, debochada e propositalmente absurda. A produção foi diversificada, contando com Leo Justi, LARINHX, Vhulto, entre outros, que colocaram beats pesados, com graves fortes, sintetizadores, baterias programadas, efeitos digitais e estruturas relativamente econômicas, transitando entre Trap, Funk, Cloud Rap e Trap Metal. Os flows dela também são bem variados, indo desde momentos agressivos até os mais melódicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho de estreia e bastante variado. 

Melhores Faixas: Oompa Loompa, 8x5, Membros Humanos, Mete Ficha 
Vale a Pena Ouvir: acha que a vida é um morango, Problemas de Confiança, Sou Eu

Até aqui, Slip nos ajudou – Slipmami





















NOTA: 5/10


Aí, no ano seguinte, Slipmami lançou seu 2º e mais recente álbum, o Até aqui, Slip nos ajudou. Após o Malvatrem, a rapper tinha entrado em um relacionamento com MC Cabelinho, que acabou sendo bem passageiro, e também ganhou certa visibilidade ao participar da péssima edição do Poesia Acústica 15. Esse novo projeto seguiu por um caminho mais fragmentado e mais interessado em explorar diferentes atmosferas. A produção contou com os mesmos nomes, além de outros novos, como meLLo e Palma, que seguiram uma sonoridade mais agressiva e pesada, com os beats ficando mais fortes, contando com 808s distorcidos, hi-hats discretos, sintetizadores sombrios e efeitos vocais que dialogam mais com Rage e Drill. O problema é que muita coisa soa previsível, e o flow dela fica muito contido em momentos mais hard. O repertório é irregular: tem canções legais e outras muito genéricas. No fim, é um álbum mediano e carregado de repetições. 

Melhores Faixas: Vai, Slip, Eles São Fracos, E.P.A.M. 
Piores Faixas: Não Gosto, Velotrol, Sacríficios de Sangue

 

Review: Dragon’s Breath do Inspectah Deck

                   Dragon’s Breath – Inspectah Deck NOTA: 5/10 Recentemente, o Inspectah Deck retornou com um álbum novo, o Dragon’s Breath....