segunda-feira, 27 de julho de 2026

Analisando Discografias - GZA

                 

Words From The Genius – Genius (GZA)





















NOTA: 5/10


Em 1991, o GZA, que na época era conhecido apenas como The Genius, lançava seu álbum de estreia, o Words from the Genius. Antes de entrar para o Wu-Tang Clan, ele se destacou nas batalhas de Rap e estava na correria para, quem sabe, lançar um disco. Assim, conseguiu um contrato com a Cold Chillin' Records, responsável por artistas como Big Daddy Kane, Kool G Rap e Biz Markie. Com isso, o rapper sofreu certa pressão para entregar um trabalho que dialogasse com os nomes já citados. A produção ficou por conta de Easy Mo Bee, Patrick Harvey e Jesse West, que criaram batidas mais limpas. Com isso, temos baterias secas, linhas de baixo bem marcadas, scratches constantes e diversos samples de Soul, Jazz e Funk. O álbum apresenta elementos do chamado Mid-School Hip Hop, com alguns traços de Boom Bap, mas tudo soa bastante genérico. O repertório é irregular: há canções legais e outras chatinhas. Enfim, é um álbum mediano e parecendo uma cópia do Kane. 

Melhores Faixas: Words From A Genius, Come Do Me, Drama, Feel The Pain 
Piores Faixas: Life Of A Drug Dealer, Superfreak, Living Foul, The Genius Is Slammin'

Liquid Swords – Genius / GZA





















NOTA: 10/10


Indo para 1995, foi lançado o sensacional e clássico 2º álbum do GZA, o Liquid Swords. Após o Words from the Genius, o rapper acabou se juntando ao Wu-Tang Clan e, após o lançamento do álbum de estreia do grupo, cada integrante lançou um trabalho solo. Nosso mano GZA estava preparando um projeto que trazia versos elaborados, repletos de metáforas, referências científicas, jogos de palavras, filosofia oriental, violência urbana e observações sociais. A produção foi feita inteiramente pelo RZA, que criou batidas cruas e minimalistas. As baterias são pesadas, as linhas de baixo são profundas e os samples de Soul, Jazz e trilhas sonoras antigas são manipulados de forma extremamente criativa. A sonoridade segue o Boom Bap, criando um ambiente escuro e quase claustrofóbico. Os flows do rapper são bem precisos e técnicos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: 4th Chamber (RZA amassou), Shadowboxin' (baita feat do Method Man), Liquid Swords, Basic Instructions Before Leaving Earth, Duel Of The Iron Mic (que time: Inspektah Deck, Masta Killa, Ol' Dirty Bastard), Cold World 
Vale a Pena Ouvir: Living In The World Today, Swordsman, Gold

Beneath The Surface – GZA / Genius





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passaram, e o GZA lança mais um álbum, o Beneath the Surface. Após o clássico Liquid Swords, o rapper optou por manter sua identidade lírica, mas dentro de uma produção mais diversificada. O álbum também reflete um período de transição para o Wu-Tang Clan. O RZA já não produzia sozinho todos os trabalhos do grupo, abrindo espaço para outros produtores ligados ao coletivo. A produção, feita pelo próprio GZA, contou com Mathematics, Arabian Knight, entre outros. Eles seguiram uma abordagem mais acessível. Com isso, as batidas são bem minimalistas, as baterias são pesadas, mas controladas, e há uma maior presença de linhas de baixo marcantes, teclados discretos e melodias mais desenvolvidas. Os flows do GZA são bastante técnicos e não têm tanta agressividade como antes. O repertório é ótimo, e as canções ficaram mais imersivas e até melancólicas. Enfim, é um álbum bem bacana e consistente. 

Melhores Faixas: Beneath The Surface, Publicity Vale a Pena Ouvir: Feel Like An Enemy, Crash Your Crew (ótima feat do Ol’ Dirty Bastard e RZA), 1112 (Masta Killa mandou bem), Amplified Sample

Legend Of The Liquid Sword – GZA / Genius





















NOTA: 9/10


No final do ano de 2002, o GZA lançou seu 4º álbum solo, o Legend of the Liquid Sword. Após o Beneath the Surface, o rapper tenta recuperar parte do espírito de seu maior clássico, mas sem simplesmente repetir a fórmula. O próprio título faz referência ao universo criado em Liquid Swords, remetendo novamente às imagens de artes marciais, disciplina e precisão. A produção foi feita por ele, junto com RZA, DJ Muggs, Arabian Knight, entre outros, que criaram batidas amplas, com presença de baterias secas, linhas de baixo marcantes e atmosferas densas. Porém, existe uma tentativa maior de modernizar o som para o início dos anos 2000. Os flows do Genius seguem um caminho mais cadenciado, utilizando sua técnica no momento certo sem se tornarem repetitivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e carregadas de crítica social. No fim, é um baita disco e criminosamente subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Did Ya Say That, Highway Robbery, Stay In Line, Sparring Minds (Inspectah Deck mandou bem), Fame, Animal Planet, Luminal 
Vale a Pena Ouvir: Silent (Ghostface mandou bem), Uncut Material, Fam (Members Only)

Pro Tools – GZA / Genius





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2008, quando o GZA lançou seu 5º e último álbum até então, o Pro Tools. Após o Legend of the Liquid Swords, o rapper ainda era muito cobrado para fazer um trabalho que chegasse ao patamar de seu álbum clássico de 1995. O título faz referência tanto ao software utilizado na produção musical quanto às ferramentas necessárias para construir uma grande obra. A produção foi diversificada, contando com RZA, Black Milk, Dreddy Kruger, entre outros, que seguiram uma sonoridade mais moderna, mas ainda carregando os elementos clássicos do Boom Bap. As baterias ficaram bem mais minimalistas, com uma presença constante de loops, samples de Soul e estruturas simples. Porém, o maior problema é que os flows do GZA muitas vezes não se encaixam, havendo poucos momentos em que ele consegue ir bem. O repertório é fraquinho: há canções boas e outras bastante genéricas. Em suma, é um álbum mediano e, depois disso, não tivemos mais nada. 

Melhores Faixas: Groundbreaking, Alphabets, Firehouse, 0% Finance 
Piores Faixas: Paper Plate, Life Is A Movie, Columbian Ties, Pencil
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!           

Analisando Discografias - RZA

                 

RZA As Bobby Digital In Stereo – RZA





















NOTA: 8/10


No ano de 1998, o RZA lançava seu 1º trabalho solo, o RZA as Bobby Digital in Stereo. Após o lançamento do Wu-Tang Forever, ele resolveu assumir completamente o protagonismo como rapper. Em vez de simplesmente lançar um disco sob seu próprio nome, criou o alter ego Bobby Digital, um personagem extravagante, hedonista, sarcástico e moralmente ambíguo. Produção foi feita inteiramente por ele próprio. As batidas ficaram ainda mais variadas, contendo baterias pesadas, mas deixaram de ser secas e minimalistas. Agora aparecem sintetizadores espaciais, linhas de baixo eletrônicas, efeitos digitais, ruídos, vocoders, samples extremamente manipulados e uma enorme quantidade de camadas sonoras. Mesmo seguindo uma abordagem de Boom Bap, percebe-se uma forte orientação para o Afrofuturismo. O repertório é legalzinho, e as canções são bem divertidas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo álbum e meio subestimado. 

Melhores Faixas: Holocaust (Silk Worm) (Ghostface Killah amassou), N.Y.C. Everything (ótima feat do Method Man) 
Vale a Pena Ouvir: Slow Grind African, Unspoken Word, Kiss Of A Black Widow (Ol' Dirty Bastard mandou bem), Domestic Violence

Ghost Dog: The Way Of The Samurai (Music From The Motion Picture) – RZA





















NOTA: 8,7/10


No final do ano de 1999, o RZA lança a trilha sonora do filme Ghost Dog: Matador Implacável. Após o RZA as Bobby Digital in Stereo, o lendário produtor da Wu-Tang foi convidado por Jim Jarmusch para fazer a trilha sonora do filme de mesmo nome, que retrata Ghost Dog, um assassino profissional que vive segundo os ensinamentos do Hagakure, antigo código dos samurais, conciliando uma rotina de violência com uma profunda disciplina espiritual. Isso traz elementos que dialogavam muito com a abordagem que o RZA sempre teve musicalmente. A produção é muito mais minimalista, atmosférica e cinematográfica. As batidas são acompanhadas por sintetizadores suaves, linhas de baixo profundas, baterias espaçadas, pianos melancólicos, cordas eletrônicas, efeitos ambientais e pequenos detalhes que ajudam a construir tensão. O repertório é bem legal, e as canções são até que bem relaxantes. No geral, é uma trilha sonora muito bem-feita. 

Melhores Faixas: Flying Birds, RZA #7, Funky Theme, Opening Theme (Raise Your Sword Instrumental), RZA's Theme, Untitled #12 (Free Jazz) 
Vale a Pena Ouvir: Gangsters Theme, Samurai Showdown (Raise Your Sword), Samurai Theme

Birth Of A Prince – RZA





















NOTA: 3,6/10


Indo para 2003, o RZA lançou mais um álbum, intitulado Birth of a Prince, que representou uma tentativa de se modernizar. Após a trilha sonora do filme Ghost Dog, o RZA abandona grande parte do que havia feito anteriormente e entrega um trabalho mais próximo de sua própria identidade. As letras voltam a enfatizar espiritualidade, filosofia, amadurecimento pessoal, família, política, responsabilidade e os desafios da vida após o enorme sucesso do Wu-Tang Clan. A produção seguiu um caminho mais acessível e amplo. As batidas ficaram mais limpas, as baterias mais equilibradas, os sintetizadores mais constantes, além de contar com arranjos de cordas, pianos, corais e linhas de baixo bastante marcantes, seguindo a abordagem do Boom Bap com toques modernos. Porém, o que estraga o álbum são os flows irregulares do RZA e algumas escolhas deslocadas. O repertório é fraco: há canções boas, mas o restante é bem genérico. No final, é um álbum ruim e que não empolga. 

Melhores Faixas: Grits, You'll Never Know, Wherever I Go, Fast Cars, The Whistle 
Piores Faixas: Chi Kung, The Grunge, The Drop Off, The Birth, Bob N' I, Cherry Range, Koto Chotan

Bobby Digital And The Pit Of Snakes – RZA





















NOTA: 1/10


Em 2022, foi lançado o mais recente álbum do RZA, o Bobby Digital and the Pit of Snakes. Após o Birth of a Prince, ele participou de vários projetos, desde trilhas sonoras de filmes até trabalhos esporádicos com a Wu-Tang. Aqui, ele coloca o personagem em uma história muito mais elaborada, envolvendo batalhas contra forças malignas, dimensões paralelas, tecnologia e espiritualidade. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio RZA. Ele tentou criar um som mais cinematográfico, juntando os mundos do Funk Rock e do Rap. Ou seja, as batidas ficaram mais variadas, com a presença de cordas, pianos, corais, guitarras discretas, baixos profundos e baterias mais controladas. Só que tudo é bastante mal mixado, com arranjos extremamente arrastados. Além disso, o flow do RZA está completamente monótono. O repertório é péssimo, e as canções são totalmente medíocres e sem graça. Enfim, é um álbum terrível e ignorado com razão. 

Melhores Faixas: (.............................) 
Piores Faixas: Trouble Shooting, Celebrate Life, We Push, Cowards


domingo, 26 de julho de 2026

Analisando Discografias - Wu-Tang Clan

                 

Enter The Wu-Tang (36 Chambers) – Wu-Tang Clan





















NOTA: 10/10


No ano de 1993, o Wu-Tang Clan lançava seu atemporal álbum de estreia, o Enter The Wu-Tang (36 Chambers). Formado no ano anterior, em Nova York, por RZA, GZA, Ol' Dirty Bastard, Raekwon, Ghostface Killah, Inspectah Deck, U-God, Masta Killa e Cappadonna (que, devido à sua prisão, foi substituído por Method Man), o coletivo nasceu em Staten Island, e trazia uma abordagem que juntava todas as suas vivências e fazia referências ao cinema de artes marciais, especialmente aos filmes produzidos em Hong Kong durante as décadas de 70 e 80. A produção foi feita inteiramente por RZA, que gravou tudo de forma caseira, com beats crus, baterias pesadas, loops repetitivos e samples vindos do Jazz e do Soul dos anos 60, criando assim uma obra-prima do Boom Bap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, com praticamente todas as faixas sendo inacreditáveis. No geral, é um clássico absoluto e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: C.R.E.A.M., Protect Ya Neck, Wu-Tang Clan Ain't Nuthing Ta F' Wit, Shame On A Nigga, Da Mystery Of Chessboxin', Method Man, Tearz, Bring Da Ruckus 
Vale a Pena Ouvir: Wu-Tang: 7th Chamber, Clan In Da Front

Wu-Tang Forever – Wu-Tang Clan





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1997, eles retornam com seu ambicioso 2º álbum duplo, o Wu-Tang Forever. Após o clássico Enter The Wu-Tang (36 Chambers), cada integrante lançou seu álbum solo, sendo um clássico atrás do outro. Quando o grupo voltou a se reunir para gravar seu próximo álbum, a expectativa era enorme. O clima continua sombrio e urbano, mas há um foco maior em letras filosóficas, espiritualidade, reflexões sociais e demonstrações de habilidade técnica. A produção, feita por RZA, contou com 4th Disciple, True Master e Inspectah Deck, trazendo aquela abordagem Lo-fi, só que com elementos mais sofisticados. Os beats são mais orgânicos, com baterias mais definidas, enquanto os teclados, cordas e pequenos detalhes atmosféricos aparecem com muito mais frequência, seguindo ainda a abordagem do Boom Bap. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e, ao mesmo tempo, pesadas. No geral, é um baita álbum e também um clássico. 

Melhores Faixas: Impossible, Reunited, It’s Yourz, For Heavens Sake, Visionz, Triumph, Deadly Melody, Bells Of War, Hellz Wind Staff 
Vale a Pena Ouvir: Heaterz, Little Ghetto Boys, Severe Punishment, The City

The W – Wu-Tang Clan





















NOTA: 8,7/10


Entrando nos anos 2000, o Wu-Tang lança seu 3º álbum, o The W, que foi mais diferenciado. Após o Wu-Tang Forever, os integrantes continuavam lançando projetos solo de sucesso, mas a dinâmica interna do grupo já não era a mesma. Cada membro possuía uma carreira consolidada, agendas cada vez mais difíceis de conciliar e estilos artísticos que haviam evoluído em direções diferentes. A produção, feita por RZA junto com Mathematics, trouxe beats mais variados, com as baterias permanecendo pesadas, porém apresentando maior definição. O uso de camadas de percussão cria instrumentais mais densos, enquanto os baixos ganham ainda mais presença na mixagem. Além disso, há um uso de cordas, pianos e efeitos ambientes. Os flows de cada integrante conseguem ser bem precisos e complementares. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco, que se destaca por ser mais variado. 

Melhores Faixas: Careful (Click, Click), I Can't Go To Sleep, Gravel Pit, Protect Ya Neck (The Jump Off) 
Vale a Pena Ouvir: Hollow Bones, Redbull, Jah World

Iron Flag – Wu-Tang Clan





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, o Wu-Tang Clan lançava mais um álbum novo, intitulado Iron Flag. Após o The W, cada membro estava profundamente envolvido em suas carreiras solo, alguns enfrentavam conflitos contratuais, e a dificuldade de reunir todos em estúdio tornava o processo de gravação cada vez mais complicado. Além disso, RZA já não exercia o mesmo controle absoluto sobre o grupo, abrindo espaço para que outros integrantes influenciassem mais diretamente o direcionamento artístico do coletivo. A produção, feita por RZA junto com True Master, Mathematics, Nick Fury e Trackmasters, seguiu uma abordagem mais variada, com beats mais amplos, presença de linhas de baixo mais evidentes, guitarras, metais e samples muito mais variados. Além disso, as baterias continuam pesadas, só que possuem uma sonoridade mais limpa e moderna. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e reflexivas. Enfim, é um disco bacana e que vale a pena ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Ya'll Been Warned, Iron Flag, Uzi (Pinky Ring) 
Vale a Pena Ouvir: Back In The Game, In The Hood, Rules, One Of These Days

8 Diagrams – Wu-Tang Clan





















NOTA: 6/10


Seis anos se passaram, e o Wu-Tang volta bem diferente com seu novo álbum, o 8 Diagrams. Após o Iron Flag, aconteceu o falecimento de Ol' Dirty Bastard, em novembro de 2004, vítima de uma overdose acidental. Sua ausência afetou profundamente o Wu-Tang Clan, tanto artisticamente quanto emocionalmente. Além disso, esse trabalho foi totalmente conturbado, já que Raekwon e Ghostface Killah criticaram publicamente parte das escolhas de RZA, alegando que o produtor havia abandonado a essência crua do grupo em favor de uma abordagem mais experimental. A produção, como dito, foi feita por RZA e seguiu um caminho mais ambicioso, com beats variados que transitam entre o Boom Bap e o Jazz Rap. As baterias funcionam mais como sustentação para arranjos bastante complexos, o que deixa tudo muito impreciso e faz com que os integrantes também soem imprecisos. O repertório é mediano, com canções boas e outras medíocres. Enfim, é um álbum irregular e decepcionante. 

Melhores Faixas: Campfire, The Heart Gently Weeps, Sunlight, Wolves, Life Changes 
Piores Faixas: Weak Spot, Starter, Stick Me For My Riches, Rushing Elephants, Unpredictable

Chamber Music – Wu-Tang Clan





















NOTA: 5/10


No ano de 2009, foi lançada a coletânea do Wu-Tang Clan intitulada Chamber Music. Após o 8 Diagrams, esse projeto foi idealizado pela gravadora E1 Music em parceria com a empresa Wu Music Group, tendo RZA como produtor executivo, mas sem a participação integral de todos os membros durante as gravações. A produção, feita por RZA, contou com a colaboração do The Revelations, em que os baixos são gravados com instrumentos reais e possuem bastante profundidade. As baterias continuam inspiradas no Boom Bap clássico, mas apresentam maior definição e impacto. As guitarras aparecem com frequência, assim como órgãos, pianos elétricos, cordas e metais. Porém, mesmo com a proposta interessante, o que estraga o álbum é o fato de tudo soar bem impreciso, com arranjos confusos. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fracas, além dos interlúdios esquisitos de RZA. No geral, é um trabalho feito mais para experimentar ideias novas. 

Melhores Faixas: Sound The Horns, Ill Figures, Harbor Masters 
Piores Faixas: I Wish You Were Here, Kill Too Hard, Wise Men

Legendary Weapons – Wu-Tang Clan





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram, e a Wu-Tang retornou meio que com a 2ª parte desse projeto, o Legendary Weapons. Após o Chamber Music, que apostava em atmosferas contemplativas e instrumentação orgânica, este álbum volta a enfatizar batidas pesadas, agressividade e competição lírica, aproximando-se mais do espírito dos primeiros trabalhos do grupo, embora utilize técnicas de produção mais modernas. A produção do RZA contou com nomes como Noah Rubin, Lil' Fame, Andrew Kelley, entre outros, que pegaram beats variados do Boom Bap e adicionaram baterias impactantes, graves profundos, enquanto os samples aparecem ao lado de sintetizadores, guitarras e efeitos eletrônicos. Além disso, o álbum elimina aqueles interlúdios presentes no trabalho anterior, mas o problema é que acaba soando muito reciclado e cansativo. O repertório é novamente irregular, com canções medíocres e outras interessantes. No fim, são dois trabalhos medianos e bem explicativos porque são esquecidos. 

Melhores Faixas: Diesel Fluid, Start The Show, Meteor Hammer 
Piores Faixas: The Black Diamonds, Never Feel This Pain, Legendary Weapons

A Better Tomorrow – Wu-Tang Clan





















NOTA: 3/10


No ano de 2014, a Wu-Tang Clan lançou seu 6º álbum de estúdio, intitulado A Better Tomorrow. Após o Legendary Weapons, esse novo projeto funciona como uma homenagem à trajetória do grupo. Entretanto, o processo de produção foi extremamente conturbado. As tensões internas entre os integrantes haviam aumentado nos anos anteriores, principalmente entre RZA e Raekwon. Raekwon chegou a declarar publicamente que não participaria do projeto enquanto determinadas questões internas não fossem resolvidas. A produção feita pelo RZA contou com Mathematics, 4th Disciple, Adrian Younge e Rick Rubin, que buscaram um som refinado e extremamente moderno. As batidas soam mais limpas, com uma presença até maior de sintetizadores, instrumentos ao vivo, cordas e pianos, mas tudo soa confuso e falta algo mais coeso. O repertório é muito ruim, tendo canções fraquíssimas e poucas que se salvam. Enfim, é um álbum péssimo e que é muito mal-nascido. 

Melhores Faixas: Mistaken Identity, Pioneer The Frontier, Necklace 
Piores Faixas: Hold The Heater, Never Let Go, 40th Street Black / We Will Fight, Keep Watch, Preacher's Daughter, Crushed Egos

The Saga Continues – Wu-Tang Clan





















NOTA: 4/10


Três anos depois, eles voltam com um novo álbum totalmente diferente, o The Saga Continues. Após A Better Tomorrow, o grupo tinha vendido a única cópia do Once Upon a Time in Shaolin para Martin Shkreli pela bagatela de 2 milhões de dólares. Esse novo projeto não teria RZA produzindo as batidas; ele ficaria apenas como supervisor, e U-God acabou nem participando devido a questões de direitos autorais. A produção ficou então por conta de Mathematics, que trouxe uma estética crua e que lembra aquele Boom Bap noventista, com batidas pesadas, contando com baterias secas, linhas de baixo profundas, samples de Soul, Funk e Jazz e arranjos discretos que deixam amplo espaço para os vocais. Mas acho que o problema são os integrantes, com o flow de cada um não conseguindo se encaixar e ficando muito repetitivo. O repertório é ruim, as canções são bem cansativas, com poucas realmente interessantes. No final de tudo, é outro álbum fraco e que beira o esquecível. 

Melhores Faixas: If Time Is Money (Fly Navigation, People Say, G'd Up, My Only One 
Piores Faixas: Berto And The Fiend, Why Why Why, Lesson Learn'd

Black Samson, The Bastard Swordsman – Wu-Tang X Mathematics





















NOTA: 8/10


Então chegamos em 2025, quando foi lançado o mais recente álbum da Wu-Tang, o Black Samson, The Bastard Swordsman. Após o The Saga Continues, o grupo teve seus lançamentos clássicos redescobertos por uma nova geração. Depois de anos em que os integrantes concentraram seus esforços em carreiras solo e projetos paralelos, Mathematics procurou construir um álbum que remetesse diretamente à estética clássica deles. A produção, que teve RZA apenas como supervisor, seguiu aquela estética crua e clássica do Boom Bap noventista, com baterias pesadas, samples de Soul, Funk e trilhas sonoras obscuras, linhas de baixo profundas, além de efeitos que deixam um caráter cinematográfico. O flow de cada integrante funciona muito bem e não fica deslocado. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, claro, profundas. Em suma, é um ótimo álbum e aqui finalmente houve um acerto após anos. 

Melhores Faixas: Mandingo, Warriors Two, Cooley High 
Vale a Pena Ouvir: Cleopatra Jones, Roar Of The Lion (The Lion’s Pit) (ótima feat do Kool G Rap), Dolemite

                                                                                Por hoje é só, então flw!!!     

sábado, 25 de julho de 2026

Analisando Discografias - Turnover

                 

Turnover – Turnover





















NOTA: 7/10


Em 2011, o Turnover lançava seu 1º trabalho no formato de EP, trazendo algo interessante. Formado em 2009, na cidade de Virginia Beach, pelos irmãos Austin Getz (vocais e guitarras) e Casey Getz (bateria), além de Daniel Dempsey (baixo), Alex Dimaiuat (guitarra) e Kyle Kojan (guitarra), eles surgem em meio à cena underground do Pop Punk e do Emo Revival, que estava em ebulição, revisitando temas como angústia adolescente, relacionamentos fracassados e frustrações pessoais. A produção, feita por Michael Bridgett, trouxe um som cru. As guitarras têm uma distorção marcante e riffs pesados, o baixo acompanha a base de maneira eficiente, a bateria é bastante explosiva e consistente, e os vocais de Austin aparecem levemente comprimidos e carregados de emoção, privilegiando a entrega emocional acima da técnica. O repertório é muito bom, contendo cinco faixas bastante imersivas. Enfim, é um ótimo EP e mostrou um caminho promissor para a banda. 

Melhores Faixas: Time, Sasha 
Vale a Pena Ouvir: Solitude, Waiting, Sleepless Night

Magnolia – Turnover





















NOTA: 9,4/10


Dois anos depois, o Turnover lançou seu álbum de estreia, o belíssimo Magnolia. Após o lançamento do EP, a banda passou por algumas mudanças, como a saída do guitarrista Alex Dimaiuat e a mudança para o selo independente Run for Cover. Aqui, eles apresentam um projeto que incorpora momentos mais melódicos, introspectivos e emocionalmente complexos. A produção, feita por Will Yip, trouxe um som mais orgânico, mas sem abrir mão da crueza. As guitarras mantêm aquela distorção característica, só que agora também possuem linhas melódicas. O baixo é bem consistente, a bateria é bastante variada, sendo explosiva em alguns momentos, utilizando viradas discretas e mudanças de intensidade, e os vocais de Austin são bem melódicos e expressivos, dialogando com o Emo, Pop Punk e o Post-Hardcore. O repertório é sensacional, e as canções são bastante profundas e sentimentais. No geral, é um baita disco de estreia e muito consistente. 

Melhores Faixas: Most Of The Time, Seedwong, Shiver, To The Bottom, Hollow, Bloom 
Vale a Pena Ouvir: Like A Whisper, Wither, Daydreaming

Peripheral Vision – Turnover





















NOTA: 10/10


Em 2015, o Turnover surgiu com seu clássico e sensacional 2º álbum, o Peripheral Vision. Após o Magnolia, o guitarrista Kyle Kojan acabou saindo da banda e, em seu lugar, entrou Eric Soucy, que havia segurado as pontas para o grupo durante as turnês. Para esse trabalho, eles decidiram abandonar o universo do Pop Punk e do Emo, partindo para uma sonoridade mais orientada ao Indie, relembrando muito a sonoridade dos anos 80 e 90. A produção, feita novamente pelo painho (Will Yip), trouxe uma sonoridade profundamente imersiva. As guitarras possuem arpejos cristalinos, acordes abertos e inúmeras camadas de efeitos, como chorus, delay, reverb e modulações sutis. O baixo é bem mais melódico, a bateria ficou mais dinâmica e os vocais do Austin são mais suaves, dialogando com o Dream Pop, Indie Rock, além de trazer traços do Jangle Pop e Post-Punk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cutting My Fingers Off, Dizzy On The Comedown, Humming, New Scream, Like Slow Disappearing, Take My Head, Hello Euphoria 
Vale a Pena Ouvir: I Would Hate You If I Could, Diazepam

Good Nature – Turnover





















NOTA: 8,9/10


Dois anos se passaram, e a banda lançou seu 3º álbum, o Good Nature, que trouxe algumas novidades. Após o clássico Peripheral Vision, o Turnover abandonou parte da tristeza e da introspecção que definiam seu antecessor para apresentar um trabalho muito mais relaxado e otimista. As letras refletem essa mudança de perspectiva. Austin Getz passa a escrever sobre amadurecimento, paz interior, amor, natureza, contemplação e a tentativa de encontrar equilíbrio diante das dificuldades da vida. A produção é bem mais sofisticada, trazendo um som leve. As guitarras têm timbres cristalinos, utilizando chorus, delay e reverb de maneira bastante controlada. A cozinha rítmica é bem mais econômica, sustentando a dinâmica, enquanto os vocais do Austin Getz são mais relaxados. Com isso, temos uma junção do Dream Pop, Indie Pop e traços do Indie Surf. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito aconchegante. 

Melhores Faixas: Sunshine Type, Super Natural, Nightlight Girl, Bonnie (Rhythm & Melody), Breeze 
Vale a Pena Ouvir: Pure Devotion, Curiosity, Living Small

Altogether – Turnover





















NOTA: 8,5/10


Perto do fim da década de 2010, o Turnover lançou o controverso Altogether, que foi mais radical. Após o Good Nature, o guitarrista Eric Soucy acabou sendo demitido da banda, segundo ele, por abuso emocional e, em seu lugar, entrou Nick Rayfield, que, naquele momento, permaneceu apenas como músico de turnê. Para esse projeto, em vez de reforçar as guitarras atmosféricas, eles passaram a privilegiar teclados e grooves mais suaves. A produção ficou bem mais elegante e delicada, com as guitarras servindo muito mais como complemento dos teclados e sintetizadores, que ganharam maior destaque. O baixo tem mais liberdade, com linhas melódicas, a bateria é mais econômica e sofisticada, e os vocais do Austin são suaves, mas agora recebem harmonias ainda mais elaboradas. Com isso, temos elementos mais voltados ao Indie Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais intimistas. Enfim, é um ótimo álbum e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Much After Feeling, Still In Motion, Plant Sugar, Valley Of The Moon 
Vale a Pena Ouvir: No Reply, Number On The Gate, Sending Me Right Back

Myself In The Way – Turnover





















NOTA: 3/10


Indo para 2022, a banda voltou com um novo disco, intitulado Myself In The Way. Após o Altogether, o Turnover assume definitivamente uma postura voltada para a experimentação. O foco deixa de estar apenas nas guitarras atmosféricas e passa a incluir sintetizadores, linhas de baixo mais elaboradas e uma abordagem rítmica muito mais sofisticada. A produção, novamente de Will Yip, ficou bem mais refinada e, de certo modo, mais acessível. Aqui, os sintetizadores são constantes, as guitarras novamente servem como complemento e o baixo ficou mais orientado ao groove. O problema é que eles fizeram um trabalho de Pop sofisticado e psicodelia, com traços do Yacht Rock e Boogie, que não funciona. Isso porque as batidas 4/4 são recicladas e os vocais do Austin são processados de forma esquisita. O repertório é muito ruim, com canções sem graça e poucas que são realmente interessantes. Enfim, é um álbum péssimo e uma mancha podre na trajetória deles. 

Melhores Faixas: Myself In The Way, Mountains Made Of Clouds, Ain't Love Heavy 
Piores Faixas: Fantasy, Wait Too Long, Queen In The River, Pleasures Galore

Down On Earth – Turnover





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2026, quando o Turnover lança seu mais recente álbum, o Down on Earth. Após o Myself In The Way, a banda acabou deixando a Run for Cover e firmou um contrato com a Community, subsidiária da Vagrant Records. Para esse projeto, volta a colocar as guitarras em evidência, sem abandonar completamente as experiências acumuladas ao longo da segunda metade de sua carreira. A produção, feita agora por Zac Montez, decidiu equilibrar clareza com uma sonoridade atmosférica, juntando Indie Rock com influências claras de Post-Punk e Dream Pop. As guitarras possuem timbres extremamente limpos, utilizando chorus, reverb e delay de forma bastante elegante. A cozinha rítmica ficou mais orgânica, só que soa muito imprecisa em determinados momentos. Agora, os vocais do Austin são irregulares, já que parecem ter sido gravados dentro de um aquário. O repertório é irregular: há canções legais, mas outras são bem fracas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Nightjar, I See You And Realize, Little Bees Don't Bite 
Piores Faixas: Wheelie For No One, I’m Up, I’m Up, Pieces

                                                                                    Então é só e flw!!!     

Analisando Discografias - GZA

                  Words From The Genius – Genius (GZA) NOTA: 5/10 Em 1991, o GZA, que na época era conhecido apenas como The Genius, lançava...