Jungle – Jungle
NOTA: 9/10
No ano de 2014, o grupo Jungle lançava seu álbum de estreia autointitulado, trazendo uma abordagem bem diferente. Formado um ano antes em Londres pelos produtores Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, o projeto nasceu de uma parceria de longa data entre os dois, que desde jovens experimentavam com gravações caseiras e tinham um forte interesse em sonoridades vintage, mais precisamente Soul, Funk e Disco music. A produção, feita obviamente por ambos, opta por uma abordagem extremamente controlada, onde seguem bases rítmicas simples, porém altamente eficazes. Linhas de baixo repetitivas, guitarras limpas bem funkeadas e batidas secas criam uma sensação de continuidade quase hipnótica, enquanto os vocais servem mais como textura, resultando em uma fusão de Synth Funk, Smooth Soul e Funktronica. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas, com uma vibe suave. No fim, é um baita disco, sendo muito elegante.
Melhores Faixas: Busy Earnin’, The Heat, Time, Julia, Drops, Lucky I Got What I Want
Vale a Pena Ouvir: Accelerate, Crumbler
For Ever – Jungle
NOTA: 8,2/10
Se passaram quatro anos, e foi lançado o 2º álbum deles, o For Ever, que foi mais sofisticado. Após o álbum de estreia, se antes parecia quase uma experiência de estúdio comandada exclusivamente por Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, durante esse período eles se consolidaram como uma banda completa, com mais músicos envolvidos e uma dimensão maior nos shows. Com isso, esse trabalho é mais ensolarado, emocional e expansivo, o que se reflete nos temas apresentados. A produção é extremamente polida e cuidadosamente construída, mas agora existe uma preocupação maior em preencher os espaços e criar canções mais desenvolvidas melodicamente. Há também mais instrumentos simultaneamente, mais camadas vocais, maior uso de cordas, sintetizadores e harmonias elaboradas, além de influências da Disco music setentista e Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Enfim, é um ótimo álbum, bem coeso.
Melhores Faixas: Casio, Heavy, California, Cosurmyne
Vale a Pena Ouvir: Happy Man, Give Over, Smile
Loving In Stereo – Jungle
NOTA: 8,5/10
Em 2021, o Jungle lançava mais um álbum, o Loving in Stereo, em um momento de mudanças. Após o For Ever, o duo havia recém-saído da gravadora XL Recordings e lançado seu próprio selo, Caiola Records, realizando um trabalho, nesse período de pandemia, que foi praticamente oposto ao clima geral: em vez de introspecção pesada ou melancolia dominante, o grupo opta por criar um disco vibrante, direto e celebratório. A produção é muito mais polida e, até certo modo, acessível, intensificando o uso de elementos do Synth Funk, Disco, Soul e do R&B contemporâneo, deixando um pouco de lado a estética da Funktronica. As linhas de baixo continuam sendo essenciais, mas agora dividem espaço com sintetizadores mais brilhantes, batidas mais marcadas e arranjos mais dinâmicos. O repertório é muito legal, e as canções são bem melódicas, trazendo aquele lado dançante. No fim, é um ótimo álbum, bastante divertido.
Melhores Faixas: Keep Moving, All Of The Time, Goodbye My Love, Talk About It, Bonnie Hill, Truth
Vale a Pena Ouvir: No Rules, Romeo, Just Fly, Don't Worry
Volcano – Jungle
NOTA: 7,2/10
Então, dois anos se passam, e foi lançado o álbum mais recente do Jungle, o Volcano. Após o Loving in Stereo, o duo acabou meio que se tornando um trio com a entrada da também produtora e multi-instrumentista Lydia Kitto. Eles já haviam definido claramente sua identidade sonora: grooves inspirados na Black Music, vocais em camadas e uma estética visual fortíssima. Aqui, seguem por um caminho mais refinado, que acompanha um pouco da identidade Pop adquirida anteriormente. A produção é bastante sofisticada, e há uma sensação maior de fluidez entre as faixas. Muitas músicas parecem se conectar naturalmente, criando um fluxo contínuo, quase como um DJ set cuidadosamente planejado, fazendo uma junção do Nu-Disco com influências de Pop Soul, Funky House e Neo-Soul, apesar de haver momentos repetitivos. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e outras mais fraquinhas. Enfim, é um álbum bom, mas que apresenta algumas falhas.
Melhores Faixas: Back On 74, Problemz, Don't Play, I've Been In Love
Piores Faixas: Good At Breaking Hearts, Coming Back