segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Thin Lizzy: Parte 1

                 

Thin Lizzy – Thin Lizzy





















NOTA: 7,8/10


Voltando ao ano de 1971, o Thin Lizzy lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formado em 1969, na capital irlandesa, Dublin, pelo baixista e vocalista Phil Lynott e pelo baterista Brian Downey, que se conheceram no período de escola. Após participarem de algumas bandas locais, montaram a própria banda, que foi complementada pelo guitarrista Eric Bell. Após vários corres, eles assinaram com a Decca Records e decidiram gravar um álbum quando ainda estavam procurando sua identidade. A produção, feita por Scott English e Nick Tauber, colocou uma sonoridade relativamente simples e orgânica, que juntava elementos de Hard Rock, Folk e Blues Rock. As guitarras têm bastante espaço, enquanto a cozinha rítmica é bastante sustentável, com os vocais do Phil sendo bem mais variados. O repertório é legal, tem canções divertidas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco de estreia legal, mas ainda mostrava que eles precisavam amadurecer. 

Melhores Faixas: Look What The Wind Blew In, Diddy Levine 
Vale a Pena Ouvir: Clifton Grange Hotel, Ray-Gun, Remembering

Shades Of A Blue Orphanage – Thin Lizzy





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, o Thin Lizzy lançava seu 2º álbum, o Shades of a Blue Orphanage. Após o álbum de estreia, a banda continuava a explorar elementos de Hard Rock pesado, Blues, Folk, música acústica e passagens psicodélicas, já que eles não sabiam o caminho que iriam seguir. Isso faz com que o disco seja menos imediatamente acessível do que os grandes trabalhos posteriores, com eles ainda tentando encontrar a sua identidade. A produção, feita pelo Nick Tauber, é bastante orgânica. A guitarra do Eric Bell mistura riffs de Blues e solos psicodélicos, enquanto a cozinha rítmica continuava sendo bem sustentável e os vocais do Phil Lynott mostravam uma certa evolução. Mas o problema é que esse álbum é muito confuso, já que eles parecem pular entre diferentes vertentes e não sabem desenvolvê-las. O repertório é mediano, tem canções legais e outras que só existem mesmo. No fim, é um álbum irregular e que mostrava que eles tinham que se firmar em algo. 

Melhores Faixas: Sarah, Baby Face, Buffalo Gal 
Piores Faixas: Brought Down, Shades Of A Blue Orphanage, I Don't Want To Forget How To Jive

Vagabonds Of The Western World – Thin Lizzy





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passa, e o Thin Lizzy acaba mostrando uma evolução com Vagabonds of the Western World. Após o Shades of a Blue Orphanage, a banda havia enfim encontrado uma identidade própria. Phil Lynott começava a desenvolver aquela combinação particular de narrativa, melancolia, romantismo e personagens que posteriormente se tornaria uma das grandes características de suas letras. Produção, conduzida por Nick Tauber junto com o próprio Lynott, foi para um som mais cru e agressivo, agora juntando elementos de Hard Rock e Blues Rock. A guitarra do Eric Bell recebe bastante espaço para explorar tanto riffs quanto solos, enquanto o baixo serve muitas vezes como parte fundamental da construção melódica. A bateria é bastante variada e os vocais do Phil estão mais seguros. O repertório é incrível, e as canções são pesadas e cadenciadas. No fim, é um baita disco e já mostrava que algo mais viria ser explorado. 

Melhores Faixas: The Rocker, Mama Nature Said, Little Girl In Bloom, The Hero And The Madman 
Vale a Pena Ouvir: Vagabond Of The Western World, A Song For While I'm Away

Night Life – Thin Lizzy





















NOTA: 8,7/10


Outro ano se passou, e eles voltam lançando seu 4º álbum, intitulado Nightlife, que foi para algo mais amplo. Após o Vagabonds of the Western World, o guitarrista Eric Bell acabou saindo e, com isso, houve uma substituição ambiciosa com a entrada de Scott Gorham e Brian Robertson (e olha que eles tinham Gary Moore à disposição). Com isso, eles decidiram fazer um projeto que reorganizasse a casa após essa mudança. A produção, feita agora por Ron Nevison junto com o próprio Phil Lynott, seguiu uma abordagem mais refinada e que podia chegar às rádios, com eles ainda seguindo o Hard Rock, mas com muita presença do Blues Rock. O baixo do Lynott permanece bastante importante, enquanto a bateria do Brian Downey possui uma presença mais encorpada. Já as guitarras conseguem explorar texturas e abordagens distintas. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bem mais intimistas. Enfim, é um ótimo disco que foi mais uma adaptação. 

Melhores Faixas: Still In Love With You, She Knows, Sha-La-La, Showdown 
Vale a Pena Ouvir: Night Life, Philomena, Dear Heart

Fighting – Thin Lizzy





















NOTA: 9,8/10


Em 1975, o Thin Lizzy volta com mais um álbum novo, o Fighting, que foi para um caminho mais explosivo. Após o Nightlife, a banda começava, enfim, a construir a base do seu som clássico e com total confiança da sua então gravadora, a Vertigo. Phil Lynott estava amadurecendo rapidamente como compositor. Suas letras continuavam passando por temas pessoais, romances, conflitos, personagens e histórias, mas agora existia uma confiança maior na maneira de transformar essas ideias em canções de Rock. A produção, feita pelo próprio Phil Lynott, deixou um som cru e direto. As guitarras do Scott Gorham e Brian Robertson criam diferentes camadas e estabelecem uma interação que se tornaria uma das marcas registradas da banda, o baixo é bastante melódico e conduz determinadas passagens, e a bateria é muito precisa. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas e épicas. No fim, é um baita disco que é praticamente um clássico. 

Melhores Faixas: Rosalie, Suicide, Freedom Song, For Those Who Love To Live, Silver Dollar
Vale a Pena Ouvir: Ballad Of The Hard Man, Wild One

Jailbreak – Thin Lizzy





















NOTA: 10/10


Aí chega o movimentado ano de 1976, quando eles lançam seu clássico e atemporal Jailbreak. Após o Fighting, o Thin Lizzy queria transformar todas suas influências em um Hard Rock muito mais melódico, pesado e imediatamente reconhecível. Phil Lynott também estava em um momento particularmente forte como compositor. Ele conseguia escrever tanto músicas de grande impacto quanto histórias cheias de personagens e imagens. A produção, feita por John Alcock, colocou um som encorpado e agressivo. As guitarras possuem bastante presença, alternando riffs, preenchimentos, harmonias e solos; o baixo do Phil é audível, e a bateria do Downey tem peso suficiente para sustentar os momentos mais intensos. Além dos vocais do próprio Phil, que têm uma mistura de autoridade e vulnerabilidade. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: The Boys Are Back In Town, Jailbreak, Romeo And The Lonely Girl, Cowboy Song, Emerald 
Vale a Pena Ouvir: Running Black, Warriors

                                                                                  Por hoje é só, então flw!!!           

Analisando Discografias - Motörhead: Parte 2

                 

Inferno – Motörhead





















NOTA: 9,8/10


No ano de 2004, o Motörhead lançava seu 17º álbum de estúdio, intitulado Inferno. Após o Hammered, a banda já não precisava provar sua importância histórica e também não precisava acompanhar as tendências do Metal dos anos 2000. A proposta era simplesmente fazer um disco pesado, agressivo e concentrado, mas com uma produção capaz de dar ao trio uma força renovada. Lemmy, Campbell e Dee parecem completamente confortáveis dentro de seus papéis. A produção, feita por Cameron Webb, traz uma sonoridade muito mais pesada, encorpada e moderna, mantendo aquele tradicional Heavy Metal e Hard Rock da banda. O baixo do Lemmy continua distorcido e agressivo, mas possui uma definição excelente. As guitarras do Phil possuem timbres grossos e bastante agressivos, enquanto a bateria do Dee é bastante impactante e precisa. O repertório é sensacional, e as canções são todas muito divertidas. Enfim, é um baita disco, bastante variado e cheio de energia. 

Melhores Faixas: Terminal Show, In The Name Of Tragedy, Whorehouse Blues, Killers, Suicide, Smiling Like A Killer 
Vale a Pena Ouvir: Fight, In The Year Of The Wolf, Life's A Bitch

Kiss Of Death – Motörhead





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram para o Motörhead lançar mais um disco, o Kiss of Death. Após o Inferno, a situação da banda era bastante confortável. O trio estava junto havia muitos anos, Campbell já dominava completamente o papel de único guitarrista e Mikkey Dee estava cada vez mais integrado ao processo criativo. Lemmy, por sua vez, continuava sendo o principal elemento de identidade do grupo, mas sua voz já carregava naturalmente mais desgaste. Em vez de esconder isso, o álbum utiliza essa característica a seu favor. A produção do Cameron Webb seguiu um caminho que teve uma combinação certeira de peso, clareza e agressividade. Com isso, temos guitarras com riffs encorpados e agressivos, o baixo possui uma distorção certeira e a bateria apresenta impacto e definição. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem divertidas e variadas. Enfim, é um álbum bacana, mas que acabou ficando na sombra de seu antecessor. 

Melhores Faixas: God Was Never On Your Side, Sucker, Trigger, Kingdom Of The Worm, Living In The Past 
Vale a Pena Ouvir: Devil I Know, Under The Gun, Sword Of Glory

Motörizer – Motörhead





















NOTA: 8/10


Mais dois anos se passaram, e foi lançado o 19º álbum deles, o decente Motörizer. Após o Kiss of Death, a formação já estava completamente estabelecida e funcionava como uma unidade muito bem entrosada. Em 2008, Lemmy já tinha mais de 60 anos e o grupo estava há décadas na estrada. Mesmo assim, não existe no álbum uma tentativa de diminuir a intensidade para acompanhar a idade dos músicos. A produção foi aquela de sempre, um equilíbrio preciso entre agressividade e clareza, juntando os universos do Heavy Metal e do Hard Rock com alguns elementos de Speed Metal e daquilo que Lemmy chamava de Rock ‘n’ Roll. O baixo permanece enorme e distorcido, a guitarra do Phil tem bastante espaço para os riffs e solos, enquanto a bateria do Mikkey Dee apresenta impacto e precisão sem parecer artificialmente comprimida. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e outras mais cadenciadas. No geral, é um ótimo disco que entrega o básico. 

Melhores Faixas: The Thousand Names Of God, Teach You How To Sing The Blues, Rock Out
Vale a Pena Ouvir: One Short Life, Back On The Chain, Buried Alive

The Wörld Is Yours – Motörhead





















NOTA: 8/10


No ano de 2010, foi lançado mais um álbum da banda, o The Wörld Is Yours, que foi mais caótico. Após o Motörizer, eles não precisavam recuperar prestígio nem provar que ainda conseguiam fazer música pesada. O objetivo era manter o nível. O Motörhead já havia encontrado uma fórmula bastante confortável nos anos 2000: produção pesada, riffs diretos, mistura de Heavy Metal e Hard Rock, além da personalidade inconfundível de Lemmy. A produção seguiu um caminho mais definido, mas ainda deixando aquele peso característico. A bateria do Mikkey Dee possui bastante impacto, especialmente no bumbo e na caixa, e a execução permanece extremamente precisa. As guitarras possuem um timbre grosso, agressivo e relativamente seco, e o baixo do Lemmy permanece distorcido e muito presente. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e mais carregadas de urgência. Enfim, é um ótimo disco que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: I Know How To Die, Brotherhood Of Man, Devils In My Head 
Vale a Pena Ouvir: Rock 'N' Roll Music, Born To Loose, Get Back In Line

Aftershock – Motörhead





















NOTA: 8,5/10


Se passaram três anos para que eles lançassem seu penúltimo álbum, o Aftershock. Após o The Wörld Is Yours, Lemmy já estava com sua saúde se deteriorando, e isso dava ao trabalho um peso adicional quando ouvido retrospectivamente. Ainda assim, esse trabalho não é feito com espírito de despedida. Pelo contrário: existe uma postura extremamente desafiadora, como se a banda estivesse determinada a continuar funcionando normalmente apesar das circunstâncias. A produção seguiu um caminho eficiente, pesado e orgânico. O baixo do Lemmy permanece como uma das principais armas da produção, sendo distorcido e acompanhando boa parte do espectro sonoro. As guitarras do Phil Campbell ficam mais definidas e menos escondidas atrás do baixo, enquanto a bateria do Mikkey Dee é extremamente presente. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energéticas e carregadas de sinceridade. Enfim, é um ótimo disco e foi mais imersivo. 

Melhores Faixas: Lost Woman Blues, Dust And Glass, Coup De Grace, Crying Shame, Queen Of The Damned 
Vale a Pena Ouvir: End Of Time, Knife, Silence When You Speak To Me

Bad Magic – Motörhead





















NOTA: 8,6/10


Em 2015, chegamos ao último álbum do Motörhead, o Bad Magic, que não trouxe algo muito diferente. Após o Aftershock, Lemmy já estava bastante debilitado fisicamente, e esse trabalho foi lançado apenas quatro meses antes de sua morte, em dezembro de 2015. É importante não transformar o álbum em uma espécie de “disco de despedida” artificial, porque ele não foi concebido dessa maneira. A banda continuava trabalhando como sempre, com a mesma atitude agressiva e o mesmo desprezo por qualquer tentativa de suavizar sua identidade. A produção foi feita, como sempre, por Cameron Webb, que colocou aquele som agressivo e equilibrado, juntando o melhor do Heavy Metal e do Hard Rock que eles sabiam fazer. O baixo distorcido, a guitarra definida do Phil e a bateria dinâmica do Mikkey, além dos vocais expressivos do Lemmy, estão aqui. O repertório é muito legal, e as canções são bem divertidas e satisfatórias. No fim, é um ótimo disco que foi uma despedida decente. 

Melhores Faixas: Victory Or Die, Thunder & Lightning, Fire Storm Hotel, Sympathy For The Devil, Till The End 
Vale a Pena Ouvir: Electricity, When The Sky Comes Looking For You, Choking On Your Screams


domingo, 6 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Motörhead: Parte 1

                   

Overkill – Motörhead





















NOTA: 10/10


No ano de 1979, o Motörhead lançava seu 2º álbum de estúdio, o clássico Overkill. Após o álbum de estreia, o trio formado por Lemmy Kilmister no baixo e vocais, “Fast” Eddie Clarke na guitarra e Phil “Philthy Animal” Taylor na bateria já mostrava uma identidade muito bem definida. A banda já não parecia apenas uma banda underground barulhenta: havia começado a construir uma reputação própria, especialmente entre o público do Punk e do Heavy Metal. A produção, feita por Jimmy Miller e Neil Richmond, deixou um som cru e direto, mas que mantém uma certa clareza. O baixo de Lemmy continua distorcido e agressivo, além de seu vocal rouco característico. A guitarra de Eddie Clarke permanece áspera e cheia de ataque, enquanto a bateria de Phil Taylor ganha muita presença, fazendo aquele diálogo tanto com o Heavy Metal quanto com o Hard Rock. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No fim, é um baita álbum e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Overkill, No Class, Damage Case, Metropolis, Stay Clean, Tear Ya Down
Vale a Pena Ouvir: (I Won't) Pay Your Price, Capricorn

Bomber – Motörhead





















NOTA: 9,9/10


No ano seguinte, a banda lançava seu 3º álbum, intitulado Bomber, que foi ainda mais pesado. Após o clássico Overkill, estava em constantes turnês, ganhando uma reputação cada vez maior por suas apresentações caóticas e ensurdecedoras. Apesar de esse trabalho ainda seguir a mesma fórmula, Lemmy estava consolidando aquela persona de sujeito permanentemente hostil, debochado e ligado ao excesso, enquanto Clarke e Taylor ajudavam a transformar a banda em uma espécie de força bruta musical. A produção, feita mais uma vez por Jimmy Miller, deixou aquele som sujo e agressivo. Lemmy, com seu baixo extremamente distorcido, funciona simultaneamente como instrumento rítmico e melódico; a guitarra do Eddie Clarke possui riffs secos e aquele timbre áspero, enquanto a bateria do Phil Taylor é extremamente física. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas e pesadas. Enfim, é um baita disco e outro clássico da banda. 

Melhores Faixas: Bomber, Dead Men Tell No Tales, Stone Dead Forever, Poison, Lawman, Sharpshooter 
Vale a Pena Ouvir: Sweet Revenge, Talking Head

Ace Of Spades – Motörhead





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, o Motörhead já chega com os dois pés na porta lançando o clássico Ace of Spades. Após o Bomber, a banda estava cada vez mais associada à ideia de viver em alta velocidade. Turnês, estrada, álcool, apostas, motocicletas, sexo e uma atitude permanentemente desafiadora faziam parte do universo de Lemmy. Tudo isso acabou alimentando a identidade do álbum, que apresenta uma visão de mundo baseada em risco, liberdade e desprezo pelas consequências. A produção, feita por Vic Maile, deixou um som pesado e carregado de uma agressividade avassaladora. O baixo distorcido do Lemmy dá ao instrumento uma textura áspera e pesada, além de seus vocais energéticos. Enquanto a guitarra do Clarke é mais encorpada e a bateria do Taylor é cheia de peso, formando um Heavy Metal completo. O repertório é espetacular, sendo também uma completa coletânea. No fim, é um álbum magnífico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Ace Of Spades, Love Me Like A Reptile, The Hammer, The Chase Is Better Than The Catch, (We Are) The Road Crew, Fast and Loose, Shoot You In The Back 
Vale a Pena Ouvir: Live To Win, Dance, Fire, Fire

Iron Fist – Motörhead





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram e o Motörhead lançou seu 5º álbum de estúdio, o Iron Fist. Após o clássico Ace of Spades, eles precisavam apresentar um novo álbum sem parecer repetitiva. A banda continuava sendo extremamente produtiva, mas o ritmo intenso de turnês, gravações e apresentações começava a cobrar seu preço. As relações dentro da banda estavam ficando cada vez mais tensas, principalmente entre Lemmy e Eddie Clarke, e o processo de produção acabaria acentuando essas diferenças. A produção, conduzida por Will Reid Dick junto com o próprio Eddie Clarke, seguiu aquele som pesado e agressivo. Com as guitarras ganhando mais destaque, com riffs secos, a bateria continua tendo aquele peso característico, enquanto o baixo distorcido do Lemmy ficou mais contido, com o maior destaque sendo seus vocais. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um baita disco, mas que foi um momento de mudança. 

Melhores Faixas: Iron Fist, Go To Hell, America, Heart Of Stone, (Don't Need) Religion, Speedfreak 
Vale a Pena Ouvir: Loser, Shut It Down, Bang To Rights

Another Perfect Day – Motörhead





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou e o Motörhead, já totalmente reformulado, lançou o álbum Another Perfect Day. Após o Iron Fist, Eddie Clarke decidiu sair da banda e, no seu lugar, entrou Brian Robertson, guitarrista conhecido principalmente por seu trabalho no Thin Lizzy, que trouxe uma abordagem mais melódica e colocou no som deles muita vibe do Hard Rock setentista. O resultado foi um disco muito mais melódico e sofisticado do que aquilo que os fãs mais tradicionais esperavam. A produção, feita por Tony Platt, colocou um som limpo e organizado que ainda junta o Heavy Metal com o Hard Rock. As guitarras possuem solos mais longos e as melodias são mais elaboradas, enquanto o baixo de Lemmy continua pesado e a bateria de Phil Taylor ficou mais frenética, mas continua poderosa. O repertório é sensacional, e as canções são bem pesadas e carregadas de muita densidade. No fim, é um baita disco, bastante agressivo e definido. 

Melhores Faixas: Back At The Funny Farm, Another Perfect Day, Shine, I Got Mine, Rock It, Dancing On Your Grave 
Vale a Pena Ouvir: Die You Bastard, Marching Off To War

Orgasmatron – Motörhead





















NOTA: 9,5/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho da banda, o Orgasmatron. Após o Another Perfect Day, a banda precisou ser reconstruída, já que Brian Robertson saiu, assim como Phil Taylor, que também acabou deixando a banda. Com isso, a formação agora contava com dois guitarristas, Phil Campbell e Würzel, enquanto Pete Gill (ex-Saxon) assumiu a bateria. Campbell e Würzel trouxeram uma sonoridade mais diretamente ligada ao Heavy Metal, enquanto Lemmy continuava sendo o elo com o Rock ’n’ Roll. A produção, conduzida por Bill Laswell e Jason Corsaro, decidiu trabalhar com camadas, efeitos, ambientes e uma mixagem mais pesada. O baixo do Lemmy continua bem distorcido, a bateria ficou bem mais processada, enquanto as guitarras criam uma parede sonora mais densa. O repertório é sensacional, e as canções são bastante energéticas e dinâmicas. No fim, é um baita disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Orgasmatron, Deaf Forever, Ain't My Crime, Nothing Up My Sleeve 
Vale a Pena Ouvir: Built For Speed, Ridin' With The Driver, Claw

Rock 'N' Roll – Motörhead





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e eles lançaram um novo disco intitulado Rock 'N' Roll, com mais algumas mudanças. Após o Orgasmatron, o baterista Phil Taylor havia retornado à bateria, só que, além disso, o Motörhead enfrentava problemas com sua nova gravadora, a GWR. E, para esse álbum, eles não queriam muito reinventar sua identidade; queriam voltar ao básico. A produção de Guy Bidmead, junto com a banda, seguiu aquela abordagem pesada e direta. As guitarras possuem uma sensação de parede sonora, especialmente nos riffs, enquanto o baixo de Lemmy permanece integrado à massa sonora, reforçando os riffs e ajudando a criar o peso característico. Já a bateria possui ataque e energia, mostrando um pouco daqueles elementos do Speed Metal que, de vez em quando, aparecem na banda. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser agressivas e sarcásticas. Enfim, é um ótimo álbum, mas que ficou um pouco abaixo. 

Melhores Faixas: Eat The Rich, Rock ’n’ Roll, All For You, Traitor 
Vale a Pena Ouvir: Blackheart, Boogeyman

1916 – Motörhead





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 90, o Motörhead lançava mais um álbum novo, o variado 1916. Após o Rock ‘n’ Roll, a banda acabou enfrentando problemas contratuais que os fizeram sair da GWR. Lemmy Kilmister acabou se mudando para Los Angeles, aproximando-se ainda mais da cena do Rock da cidade. Quando a banda finalmente voltou ao estúdio, em 1990, eles já estavam vivendo uma realidade bastante diferente daquela do início dos anos 80, além de terem assinado com a WTG Records, subsidiária da Sony. A produção, conduzida por Peter Solley e Ed Stasium, deixou um som mais definido e aberto. O baixo do Lemmy continua pesado e distorcido, mas existe uma separação mais clara entre os instrumentos. As duas guitarras possuem bastante presença, criando uma parede sonora mais espessa, enquanto a bateria do Phil mantém a agressividade necessária. O repertório é incrível, e as canções são pesadas e até bastante profundas. No fim, é um baita disco, muito ousado. 

Melhores Faixas: I'm So Bad (Baby I Don't Care), Love Me Forever, 1916, No Voice In The Sky, Going To Brazil, Ramones 
Vale a Pena Ouvir: Nightmare/The Dreamtime, Shut You Down, Make My Day

March Ör Die – Motörhead





















NOTA: 7/10


Mais um ano se passou, e o Motörhead voltou com seu 10º álbum, o March Ör Die. Após o 1916, Phil Taylor acabou sendo demitido e, no seu lugar, entrou o veterano Tommy Aldridge. A banda estava entrando em uma década diferente, e o cenário do Rock pesado havia mudado bastante. O Motörhead, porém, não tinha interesse em competir diretamente com as novas tendências. Em vez disso, o álbum apresenta uma tentativa de tornar o som do grupo mais acessível e mais bem produzido, sem abandonar sua essência. A produção, feita inteiramente por Peter Solley, colocou um som bem mais limpo e trabalhado, mesmo ainda tendo elementos do Heavy Metal e do Hard Rock. O baixo de Lemmy continua distorcido, as guitarras continuam agressivas e a bateria permanece forte. Só que o grande defeito é que há momentos em que tudo soa muito repetitivo. O repertório é bom, tendo canções pesadas e outras sem graça. Enfim, é um álbum bom, mas que tem muitos erros. 

Melhores Faixas: Hellraiser (baita cover da música do Ozzy), Bad Religion, Stand, I Ain't No Nice Guy (participação do Ozzy e do Slash) 
Piores Faixas: Asylum Choir, Name In Vain, You Better Run

Bastards – Motörhead





















NOTA: 8,7/10


No ano de 1993, o Motörhead lançava mais um trabalho novo, intitulado Bastards. Após o March Ör Die, Lemmy Kilmister, Phil Campbell, Würzel e Mikkey Dee (ex-King Diamond) formavam uma configuração muito mais pesada e agressiva. Outro aspecto importante é a própria postura de Lemmy, apresentando críticas sociais, violência, relações destrutivas, guerra, religião e o cotidiano da estrada, tendo um interesse em usar o personagem do Motörhead para falar de assuntos mais sérios. A produção, feita por Howard Benson, colocou um som definido, mas bem mais agressivo, voltando àquela urgência característica. As guitarras do Phil Campbell e Würzel têm bastante presença, o baixo do Lemmy é pesado e a bateria do Mikkey Dee proporciona uma força muito maior ao conjunto, tendo bastante potência e precisão. O repertório é ótimo, e as canções são bastante energéticas e imersivas. No geral, é um disco bacana e que foi mais coeso. 

Melhores Faixas: Born To Raise Hell, Death Or Glory, Bad Woman, Devils, Burner 
Vale a Pena Ouvir: Don't Let Daddy Kiss Me, On Your Feet Or On Your Knees, Liar

Sacrifice – Motörhead





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e o Motörhead lançou seu 14º álbum, o Snake Bite Love. Após o Overnight Sensation, a banda parece menos preocupada em desenvolver uma identidade própria. A banda continua fazendo aquilo que sabe fazer, mas existe uma sensação maior de repetição. Outro problema é o próprio processo de composição. O material foi preparado e gravado de maneira relativamente rápida, o que ajuda a explicar por que algumas músicas parecem menos desenvolvidas. A produção, feita mais uma vez por Howard Benson, foi bastante pesada e definida. O baixo do Lemmy continua bastante audível e distorcido, a guitarra do Phil Campbell possui um timbre bastante encorpado e a bateria de Mikkey Dee continua pesada. O problema é que muita coisa soa repetitiva, mas, ainda assim, consegue trazer algo sólido. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e outras que são simplesmente fraquíssimas. No fim, é um álbum bom, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Dogs Of War, Take The Blame, Better Off Dead, Night Side 
Piores Faixas: Desperate For You, Joy Of Labour, Assasin

Overnight Sensation – Motörhead





















NOTA: 7,2/10


Mais um ano se passou, e mais um álbum do Motörhead foi lançado, o Overnight Sensation. Após o Sacrifice, Würzel havia deixado a banda, e Lemmy, Phil Campbell e Mikkey Dee decidiram continuar como um trio. Fazendo com que Phil passasse a carregar praticamente toda a responsabilidade pelo instrumento, enquanto Lemmy e Mikkey formavam uma seção rítmica exposta. A produção, que contou com Howard Benson, Duane Baron e Ryan Dorn, buscou um som que preservasse a agressividade da banda, mas com algo mais claro. A guitarra do Phil Campbell ganha bastante presença, enquanto o baixo de Lemmy continua funcionando simultaneamente como instrumento rítmico e melódico. Mikkey Dee, por sua vez, recebe espaço suficiente para mostrar sua técnica, embora, em alguns momentos, ele não sustente os trechos mais arrastados. O repertório é bom, tem canções legais e outras fracas. Enfim, é um trabalho sólido, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Civil War, I Don't Believe A Word, Listen To Your Heart, Eat The Gun, Them Not Me 
Piores Faixas: Broken, Murder Show, Shake The World, Love Can't Buy You Money

Snake Bit Love – Motörhead





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e o Motörhead lançou seu 14º álbum, o Snake Bite Love. Após o Overnight Sensation, a banda parece menos preocupada em desenvolver uma identidade própria. A banda continua fazendo aquilo que sabe fazer, mas existe uma sensação maior de repetição. Outro problema é o próprio processo de composição. O material foi preparado e gravado de maneira relativamente rápida, o que ajuda a explicar por que algumas músicas parecem menos desenvolvidas. A produção, feita mais uma vez por Howard Benson, foi bastante pesada e definida. O baixo do Lemmy continua bastante audível e distorcido, a guitarra do Phil Campbell possui um timbre bastante encorpado e a bateria de Mikkey Dee continua pesada. O problema é que muita coisa soa repetitiva, mas, ainda assim, consegue trazer algo sólido. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e outras que são simplesmente fraquíssimas. No fim, é um álbum bom, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Dogs Of War, Take The Blame, Better Off Dead, Night Side 
Piores Faixas: Desperate For You, Joy Of Labour, Assasin

We Are Motörhead – Motörhead





















NOTA: 8,2/10


Entrando nos anos 2000, o Motörhead lançava mais um álbum, o We Are Motörhead. Após o Snake Bite Love, que trouxe muita irregularidade e fez muitos acharem que era o momento de a banda parar, esse novo trabalho aparece justamente como uma reação a isso. O próprio título funciona como uma declaração de identidade, fazendo um trabalho mais direto e focado, recuperando parte da agressividade e da velocidade. A produção, feita pela banda junto com Bob Kulick, Bruce Bouillet e Duane Baron, buscou um som mais enxuto e agressivo. A guitarra do Phil Campbell está bastante presente, com um timbre pesado e relativamente seco. O baixo do Lemmy também possui muita presença, além de seus vocais, que continuam bem eficientes, enquanto a bateria de Mikkey Dee é bastante precisa, quase mecânica, sem eliminar a sujeira. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e até cadenciadas. No geral, é um ótimo álbum e que teve consistência. 

Melhores Faixas: We Are Motorhead, Stay Out Of Jail, One More Fucking Time, Wake The Dead 
Vale a Pena Ouvir: Out To Lunch, (Wearing Your) Heart On Your Sleeve, See Me Burning

Hammered – Motörhead





















NOTA: 7,5/10


No ano de 2002, o Motörhead lançava mais um disco novo, o interessante Hammered. Após o We Are Motörhead, o contexto é particularmente pesado, porque o material acabou sendo associado ao clima de insegurança e tensão provocado pelos acontecimentos de 11 de setembro. Isso ajuda a explicar por que o disco apresenta uma atmosfera mais sombria e preocupada do que alguns trabalhos anteriores. A produção, feita por Thom Panunzio junto com a banda, apresenta uma sonoridade bastante pesada e compacta. As guitarras continuam possuindo bastante peso e ocupam um espaço enorme na mixagem. Enquanto o baixo de Lemmy é sólido e a bateria de Mikkey é bastante precisa, com o tempo o disco apresenta uma falta de dinâmica em determinados momentos. O repertório é bom, tem canções muito imersivas, mas o final possui canções fraquíssimas. Em suma, é um álbum legal, só que acabou se perdendo um pouco. 

Melhores Faixas: No Remorse, Brave New World, Kill The World, Mine All Mine 
Piores Faixas: Serial Killer, Red Raw

                                                                                    É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Thin Lizzy: Parte 1

                  Thin Lizzy – Thin Lizzy NOTA: 7,8/10 Voltando ao ano de 1971, o Thin Lizzy lançava seu álbum de estreia autointitulado. Fo...