Man In Black – Johnny Cash
NOTA: 8,4/10
Em 1971, o Johnny Cash retorna com mais um novo disco intitulado Man in Black. Após o Hello, I'm Johnny Cash, Cash passou a assumir de forma mais explícita um papel de comentarista social. O início da década de 70 nos United States era marcado por tensões políticas e sociais intensas. O cantor, que sempre demonstrou empatia por trabalhadores, presos e minorias, decidiu abordar essas questões diretamente em suas músicas. A produção foi feita pelo próprio Cash, que colocou arranjos mais expansivos, ainda sendo acompanhado por sua banda de longa data, o Tennessee Three. O grupo incluía o guitarrista Bob Wootton, que havia assumido o papel anteriormente ocupado pelo falecido Luther Perkins, o baixista Marshall Grant e o baterista W. S. Holland, e aqui seguiram uma temática muito mais puxada para o Outlaw Country e até com influências progressivas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e bem consistente.
Melhores Faixas: Man In Black, If Not For Love, Look For Me (June Carter aparecendo de novo)
Vale a Pena Ouvir: Orphan Of The Road, Ned Kelly
A Thing Called Love – Johnny Cash
NOTA: 8,3/10
Mais um ano se passa e foi lançado outro disco dele, A Thing Called Love, que foi mais comercial. Após o Man in Black, Johnny Cash estava prestando atenção na nova geração de compositores de Country e Folk que começava a transformar a música americana. Cash tinha uma habilidade especial para identificar grandes compositores e reinterpretar suas obras com personalidade própria, e aqui não foi diferente. Produção feita por Larry Butler, cuja base sonora continua centrada no estilo Country music tradicional, com algumas influências mais Pop, com instrumentação relativamente simples, porém extremamente eficaz, tendo a presença de piano, guitarras adicionais e coros ocasionais que enriquecem a textura sonora sem comprometer a simplicidade que sempre caracterizou seu estilo. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais envolvente. No fim, é um disco legal e que cumpre bem sua proposta.
Melhores Faixas: A Thing Called Love, Mississippi Sand, I Promise You
Vale a Pena Ouvir: Papa Was A Good Man, The Miracle Man, Kate
Any Old Wind That Blows – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Oney, The Good Earth
Vale a Pena Ouvir: Kentucky Straight, If I Had A Hammer, Too Little, Too Late
Ragged Old Flag – Johnny Cash
NOTA: 6/10
Passou-se mais um ano e foi lançado mais um trabalho novo dele, intitulado Ragged Old Flag. Após o Any Old Wind That Blows, Cash prestava atenção no momento que os United States passavam após a longa e controversa Guerra do Vietnã, que ainda estava fresca na memória coletiva, enquanto o escândalo político conhecido como Caso Watergate abalava a confiança do público nas instituições governamentais. Com isso, ele decidiu fazer um álbum que refletisse sobre o significado da identidade americana em um momento de crise nacional. Produção feita pelo cantor junto com Charlie Bragg, onde colocaram arranjos bem simplistas, baseados em guitarras acústicas, baixo e bateria, com eventuais adições de piano e coros. A voz de Cash assume um papel quase teatral em várias faixas, só que, ainda assim, tudo fica muito sem graça e bem repetitivo. O repertório é mediano, tem canções boas e outras bem bobas. No fim, é um álbum irregular e que mostra certa inconsistência.
Melhores Faixas: King Of The Hill, All I Do Is Drive, Good Morning Friend
Piores Faixas: Lonesome To The Bone, Don't Go Near The Water, I'm A Worried Man
The Junkie And The Juicehead Minus Me – Johnny Cash
NOTA: 5/10
Alguns meses se passaram e outro álbum do cantor foi lançado, o The Junkie And The Juicehead Minus Me. Após o Ragged Old Flag, ele quis fazer um trabalho que o titulo já dá uma amostra que pode ser traduzido aproximadamente como “O viciado em drogas e o alcoólatra, menos eu”. A proposta do álbum está justamente ligada a esse conceito. Em vez de cantar diretamente sobre esses personagens, Cash assume o papel de observador ou narrador de histórias que exploram vidas marcadas por excessos, falhas humanas e busca por redenção. Produção foi relativamente a mesma, só que oscilando entre momentos introspectivos, narrativas dramáticas e algumas faixas mais leves. Já que os arranjos são bem mais intimistas e que traz um lado bem mais familiar, só que tudo é muito previsível e parece ter sido feito as pressas. O repertório é bem mediano e so consegue melhorar no final. Enfim, é outro álbum fraco e mostrou uma crescente queda de Cash.
Melhores Faixas: Keep On The Sunny Side, Billy & Rex & Oral & Bob, Lay Back With My Woman
Piores Faixas: The Junkie And The Juicehead (Minus Me), Father And Daughter (Father And Son), Crystal Chandeliers And Burgundy
Johnny Cash Sings Precious Memories – Johnny Cash
NOTA: 3/10
Entrando no comecinho do ano de 1975, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, o Sings Precious Memories. Após o The Junkie and the Juicehead Minus Me, Cash quis fazer um álbum Gospel com um caráter ainda mais íntimo. Diferente de muitos discos comerciais da época, o álbum foi originalmente gravado de maneira bastante informal, em sessões privadas realizadas principalmente para a família de Cash. Produção feita pelo próprio cantor, que apresenta uma abordagem extremamente simples e íntima. A instrumentação é minimalista. Em muitas faixas, Cash canta acompanhado apenas por guitarra acústica ou por arranjos muito discretos. A interpretação vocal de Cash é particularmente suave e reverente ao longo do disco, e por isso tudo soa bem deslocado, já que é bastante arrastado. O repertório, apesar de bom, traz interpretações que são bem chatinhas. Enfim, é um álbum ruim e que foi cagado por pressão de gravadora.
Melhores Faixas: Old Rugged Cross, Amazing Grace, Softly And Tenderly
Piores Faixas: Have Thine Own Way Lord, Just As I Am, When The Roll Is Called Up Yonder, At The Cross
John R. Cash – John R. Cash
NOTA: 2,5/10
Alguns meses se passaram, e foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado com seu nome, John R. Cash. Após o fraquíssimo Sings Precious Memories, o cenário da Country music começou a se transformar rapidamente. Havia uma disputa entre subgêneros como o Outlaw Country, liderado por artistas como Willie Nelson, enquanto a indústria musical se tornava cada vez mais voltada para produções sofisticadas do Country Pop, representadas por artistas como Dolly Parton, algo que nem sempre se alinhava com o estilo direto e tradicional de Cash. A produção foi conduzida por Gary Klein e foi extremamente polida, onde teve mais elementos de guitarras elétricas e vocais de apoio, só que tudo foi gravado à parte, inclusive os vocais do cantor, algo que ele revelou tempos depois que não o agradou, e não é para menos, já que tudo ficou bagunçado. O repertório é péssimo, tendo pouquíssimas canções que conseguem se salvar. No fim, é um álbum terrível e bem esquecível.
Melhores Faixas: Reason To Believe, Lonesome To The Bone
Piores Faixas: The Night They Drove Old Dixie Down, The Lady Came From Baltimore, Smokey Factory Blues, Cocaine Carolina
Look At Them Beans – Johnny Cash
NOTA: 3/10
E aí mais uns meses se passaram, e foi lançado outro disco do Johnny Cash, intitulado Look at Them Beans. Após o John R. Cash, Cash continuava lançando vários discos pela Columbia Records. Contudo, o mercado musical começava a mudar. O surgimento do movimento Outlaw Country e a crescente sofisticação das produções de Nashville criavam um novo contexto para artistas veteranos, mas Cash manteve seu estilo característico. A produção foi conduzida por Don Davis e Charlie Bragg, e apresenta arranjos um pouco mais amplos em algumas faixas, refletindo a evolução da produção Country da época. Instrumentos como piano, guitarras elétricas adicionais e coros ocasionais aparecem ao longo do disco, só que novamente tudo é bem previsível, ficando aquele sentimento de que Cash estava completamente perdido. O repertório novamente é ruim, com poucas canções legais. No fim, é um disco péssimo e bem sem graça.
Melhores Faixas: I Never Met A Man Like You Before, Down At Drippin' Springs, Gone
Piores Faixas: All Around Cowboy, No Charge, Texas - 1947, Look At Them Beans
One Piece At A Time – Johnny Cash And The Tennessee Three
NOTA: 3,2/10
Entrando para o ano seguinte, foi lançado mais um álbum dele, o One Piece at a Time. Após o Look at Them Beans, Cash manteve uma rotina intensa de gravações e turnês. Essa fase é marcada por uma mistura de projetos: alguns profundamente conceituais, outros mais simples e diretos, baseados em narrativas e canções tradicionais. Produção feita mais uma vez por Charlie Bragg e Don Davis, que segue aquela base tradicional do cantor, embora a produção também incorpore elementos mais típicos da Country music dos anos 70. Seu estilo vocal profundo e autoritário continua sendo o elemento central da música, especialmente nas faixas narrativas, mas no geral é aquilo bem sem graça e que não consegue te prender. O repertório novamente é fraquíssimo, e as canções são bem genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum muito ruim e que ficou bastante repetitivo.
Melhores Faixas: Sold Out Of Flagpoles, In A Young Girl's Mind, Mountain Lady
Piores Faixas: Love Has Lost Again, Michigan City Howdy Do, Committed To Parkview, Daughter Of A Railroad Man
The Last Gunfighter Ballad – Johnny Cash
NOTA: 3/10
Melhores Faixas: That Silver Haired Daddy Of Mine, Give It Away, I Will Dance With You
Piores Faixas: Ridin' On The Cotton Belt, Far Side Banks Of Jordan, You're So Close To Me, City Jail
The Rambler – Johnny Cash
NOTA: 3/10
Mais alguns meses se passaram, e foi lançado outro álbum bem ruim do Johnny Cash, o The Rambler. Após o The Last Gunfighter Ballad, Cash, apesar de toda reverência que ainda recebia, enfrentava um período em que sua presença nas paradas de sucesso era menos dominante do que havia sido no final dos anos 60. Esse disco é estruturado como uma narrativa contínua sobre um viajante que percorre diferentes regiões dos United States, encontrando pessoas, ouvindo histórias e refletindo sobre o país. A produção foi aquela mesma de sempre, só que com um caráter mais narrativo, e os arranjos frequentemente assumem um papel de apoio à história. Em vez de buscar complexidade instrumental, a produção privilegia clareza e atmosfera, permitindo que a voz de Cash permaneça no centro da experiência, mas tudo é muito arrastado. O repertório é muito ruim, e as canções são fraquíssimas, com poucas que se salvam. No fim, é um álbum péssimo e bastante exagerado.
Melhores Faixas: My Cowboy's Last Ride, If It Wasn't For The Wabash River, After The Ball
Piores Faixas: Dialogue #7, Caliou, Hit The Road And Go, No Earthly Good
I Would Like To See You Again – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Indo para mais um ano, foi lançado outro disco intitulado I Would Like to See You Again, e aqui deu bom. Após o The Rambler, Johny Cash quis fazer um trabalho que se destacasse dentro desse período por apresentar um repertório bastante introspectivo. Muitas das músicas do disco possuem um tom reflexivo, lidando com temas como memória, envelhecimento e espiritualidade. A produção, conduzida por Larry Butler, trouxe arranjos mais sofisticados e uma abordagem que misturava tradição e refinamento de estúdio. Seguindo uma sonoridade típica do som de Nashville dos anos 70, com guitarras limpas, pedal steel marcante, piano discreto e uma seção rítmica bastante controlada. Trazendo também uma energia típica do Outlaw Country, que se encaixa bem na voz carregada de Cash, que aqui vai para um lado menos narrado. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um ótimo disco e que foi um acerto após anos de estagnação.
Melhores Faixas: There Ain't No Good Chain Gang, Who's Gene Autry?
Vale a Pena Ouvir: I Would Like To See You Again, Hurt So Bad, That's The Way It Is, Abner Brown
É isso, então flw!!!


















