segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Converge: Parte 1

                 

Halo In A Haystack – Converge





















NOTA: 8,5/10


Em 1994, foi lançado o álbum de estreia do Converge, o injustiçado Halo in a Haystack. Formado no início dos anos 90 em Massachusetts pelos então amigos de escola, o vocalista Jacob Bannon, o guitarrista Kurt Ballou, o baixista Jeff Feinburg e o baterista Damon Bellorado, o grupo ainda estava em fase de definição estética, inserido numa cena underground, mas já demonstrando sinais claros de inquietação criativa; com isso, entrou outro guitarrista, Aaron Dalbec. A produção, feita pela própria banda, é extremamente crua. O som é direto, com guitarras sujas, bateria orgânica e vocais agressivos posicionados de forma frontal na mixagem, que é bem mal mixada, mas isso acaba sendo meio que o charme de tudo, já que as influências são do Hardcore Punk e do Post-Hardcore daquele período, embora já acentuando o Metalcore. O repertório é até legal, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um disco bacana, apesar de suas limitações. 

Melhores Faixas: Undo, Fact Leaves Its Ghost, Down 
Vale a Pena Ouvir: Becoming A Stranger, I Abstain

Petitioning The Empty Sky – Converge





















NOTA: 8,7/10


Dois anos depois, foi lançado o 2º álbum de estúdio da banda, o Petitioning the Empty Sky. Após o Halo in a Haystack, a banda passou por um período em que esteve em várias gravadoras independentes e, para esse projeto, tinha absorvido as influências do Hardcore Punk, mas começou a distorcê-las, criando estruturas imprevisíveis, dissonâncias e explosões emocionais que antecipavam o que fariam mais para o futuro, estabelecendo-se de vez no Metalcore. A produção, feita por Brian McTernan e Mike West, ficou consideravelmente mais robusta, embora ainda mantenha a crueza essencial. O som é mais pesado, mais denso e com maior clareza na separação instrumental, já que as guitarras estão mais dissonantes, a cozinha rítmica ficou bem mais complexa e os vocais do Jacob são mais variados e urgentes. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas e imersivas. No fim, é um ótimo disco que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: The Saddest Day, Farewell Note To This City, Color Me Blood Red, Dead
Vale a Pena Ouvir: Forsaken, Homesong, For You

When Forever Comes Crashing – Converge





















NOTA: 8,6/10


Mais dois anos se passam, e foi lançado mais um álbum do Converge, o When Forever Comes Crashing. Após o Petitioning the Empty Sky, que apontava para uma estética mais densa e emocionalmente devastadora, aqui a banda aprofunda essa direção, tornando o som ainda mais sombrio, pesado e opressivo. Além disso, aconteceu a saída do baixista Jeff Feinburg, e entrou em seu lugar, de forma provisória, Stephen Brodsky; também, depois de muitas mudanças, eles assinaram com a gravadora Equal Vision. A produção foi relativamente a mesma, só que deixando o som mais escuro, com guitarras extremamente saturadas e uma mixagem que prioriza o impacto e a atmosfera claustrofóbica. Os vocais do Jacob Bannon estão mais desesperados e extremos do que nunca, com sua performance soando menos controlada e mais visceral. O repertório é muito legal, e as canções ficaram bem mais agressivas. No geral, é um ótimo disco e bem consistente. 

Melhores Faixas: My Unsaid Everything, When Forever Comes Crashing, The High Cost Of Playing God, Year Of The Swine 
Vale a Pena Ouvir: The Lowest Common Denominator, Conduit, Letterbomb

Jane Doe – Converge





















NOTA: 10/10


Então, indo para o ano de 2001, foi lançado o sensacional 4º álbum deles, o Jane Doe. Após o When Forever Comes Crashing, aconteceram algumas mudanças na formação: houve a entrada do baixista Nate Newton e também a saída do baterista Damon Bellorado; após muita procura, confiaram a missão a Ben Koller. Para esse projeto, a banda intensifica o caos, a dissonância e a carga emocional. A produção, feita pelo guitarrista Kurt Ballou junto com Matthew Ellard, apresenta aqui uma clareza intencional dentro do caos. Cada instrumento é audível, mas nada soa polido demais. O som é orgânico, agressivo e sufocante, com guitarras dissonantes e riffs quebrados; o baixo é bem consistente, a bateria é bastante explosiva e os vocais de Jacob atingem um nível quase insuportável de intensidade emocional, fazendo assim uma junção de Metalcore e Mathcore. O repertório é incrível, parecendo até uma coletânea. No fim, é um disco atemporal e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Concubine, Fault And Fracture, Jane Doe, Phoenix In Flight, Hell To Play
Vale a Pena Ouvir: Heaven In Her Arms, Homewrecker, The Broken Vow
                                                                 

                                                                                    É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Big Pun

                  

Capital Punishment – Big Pun





















NOTA: 10/10


Em 1998, foi lançado o álbum de estreia do Big Pun, o sensacional Capital Punishment. O rapper nova-iorquino descendente de porto-riquenhos começou sua trajetória de vez por volta de 1995, quando conheceu Fat Joe, que acabou o apadrinhando. Punisher rapidamente ganhou notoriedade por sua habilidade técnica incomum: uso massivo de rimas multissilábicas, cadência acelerada, respiração quase sobre-humana e uma capacidade rara de manter clareza mesmo em fluxos extremamente densos, conseguindo um contrato com a Loud Records. A produção foi supervisionada por ele mesmo junto com Joe, e também contou com Knobody, Young Lord, RZA, entre outros, seguindo a temática do Boom Bap, mas apresentando influências do R&B e do Gangsta Rap. As batidas são majoritariamente pesadas, com caixas secas, kicks graves e samples dramáticos. O repertório é maravilhoso, chegando a parecer uma coletânea. No fim, é um disco incrível e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Twinz (Deep Cover 98) (não preciso dizer, o que ele fez junto com Fat Joe foi algo fodástico), Beware, Still Not A Player (seu grande hit), The Dream Shatterer, Capital Punishment, Parental Discretion (simplesmente Busta Rhymes), Super Lyrical (ótima feat do Black Thought), Tres Leches (Triboro Trilogy) (Prodigy e Inspectah Deck amassaram), Boomerang 
Vale a Pena Ouvir: Glamour Life (Fat Joe juntou a Terror Squad inteira), I'm Not A Player, Fast Money, Punish Me

Yeeeah Baby – Big Pun





















NOTA: 4/10


E aí, entrando nos anos 2000, foi lançado seu 2º e último álbum, o fraquíssimo Yeeeah Baby. Após o clássico Capital Punishment, Pun estava trabalhando em seu próximo projeto com a intenção clara de expandir seu alcance comercial. No entanto, seus problemas de saúde, agravados pela obesidade severa, culminaram em um ataque cardíaco fatal em fevereiro de 2000. O álbum, portanto, foi finalizado sob circunstâncias delicadas. A produção foi supervisionada por Fat Joe e contou com as presenças do Younglord, Just Blaze, Knobody, entre outros, que partiram para uma abordagem mais polida, com menos predominância de atmosferas sombrias do Boom Bap e mais investimento em grooves dançantes, samples latinos, refrões melódicos e batidas com apelo mainstream. Só que tudo é muito sem graça e soa como sobras deslocadas. O repertório é muito ruim, com poucas canções interessantes. Enfim, é um disco péssimo e que não é digno de sua carreira. 

Melhores Faixas: Off Wit His Head, 100%, It’s So Hard, My Turn, Nigga Shit 
Piores Faixas: We Don't Care, Laughing At You, You Was Wrong, Ms. Martin, My Dick

  

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Review: INFRAÇÃO - 1º Ato do TOKIODK

                  

INFRAÇÃO - 1º Ato – TOKIODK





















NOTA: 8,5/10


Semana passada, foi lançado mais um trabalho novo do TOKIODK, intitulado INFRAÇÃO - 1º Ato. Após o TESTEMUNHAS DE TOKIODK, ele decidiu fazer um projeto que marca um momento de afirmação artística e de revisão de trajetória, em que o rapper enfrenta contradições pessoais e o ambiente social que o moldou. A temática central gira em torno do confronto com o sistema, fé, identidade e superação de limites pessoais. A produção foi diversificada, contando com LB Único, Manel Beats, TerrorDosBeats, entre outros, que misturaram 808s escuros, batidas sincopadas e ritmos que alternam entre tensão e explosão. Com influências centradas no Drill britânico, traz beats densos, linhas de baixo agressivas e atmosfera cinematográfica e sombria, além de alguns elementos do Boom Bap e do Trap tradicional, com TOKIO colocando flows precisos. O repertório é ótimo, e as canções ficaram bem mais reflexivas e energéticas. Em suma, é um ótimo álbum e o seu melhor até então. 

Melhores Faixas: CORAÇÃO NEGRO, VIDA SIMPLES, IMPERADOR, KEN CARSON 
Vale a Pena Ouvir: NEM ERA PRA EU TÁ AQUI, KIM KARDASHIAN
  

                                                                     É isso, um abraço e flw!!!                    

Review: Álbum final autointitulado do Megadeth

                  

Megadeth – Megadeth





















NOTA: 8,5/10


Recentemente, foi lançado o que é anunciado como o último álbum do Megadeth, sendo este autointitulado. Após o The Sick, The Dying... And The Dead!, ocorreu a saída do Kiko Loureiro, e entrou em seu lugar Teemu Mäntysaari; nesse meio-tempo, eles estavam focados na última turnê quando, de repente, Dave Mustaine anunciou que já estava preparando um novo álbum, mas que este seria o último, pois estava sofrendo de contratura de Dupuytren, o que vinha prejudicando sua capacidade de tocar guitarra. A produção, feita por ele junto com Chris Rakestraw, procurou equilibrar a energia acelerada e a complexidade técnica pelas quais a banda ficou conhecida, com uma cozinha rítmica mais potente e guitarras que trazem aquele lado cortante; o problema é que tudo soa muito previsível, e os riffs ficam com aquele gostinho de que poderiam ser muito mais. O repertório até começa bem, mas depois decai, com canções genéricas. No fim, é um disco mediano e uma despedida bem abaixo. 

Melhores Faixas: Tipping Point, The Last Note, I Don’t Care 
Piores Faixas: Hey, God?!, Obey The Call, Made To Kill
  

Review: The New Sound do Geordie Greep

                  

The New Sound – Geordie Greep





















NOTA: 9/10


Em 2024, foi lançado o 1º trabalho solo de Geordie Greep, o maravilhoso The New Sound. Após o lançamento do Hellfire com o black midi, ele começou a fazer algumas apresentações solo e, com o tempo, acabou anunciando que a banda entraria em hiato indeterminado. Ele decidiu, então, fazer um trabalho que mergulha ainda mais fundo na dramaturgia musical, abraçando influências da música latina e até do Samba e do Pop barroco. A produção, feita por Seth Evans, é luxuosa, expansiva e extremamente detalhada. Há presença marcante de piano, metais, percussões latinas, cordas e arranjos complexos que evocam trilhas de cinema clássico e música de cabaré, além de sua guitarra mais integrada ao conjunto harmônico, enquanto seus vocais assumem postura ainda mais caricatural e dramática, tudo isso se juntando a elementos do Rock progressivo e do Jazz-Rock. O repertório é incrível, e as canções são todas bem variadas. Enfim, é um trabalho bacana e bem temático. 

Melhores Faixas: Holy, Holy, Blues, Terra, The Magician, Motorbike 
Vale a Pena Ouvir: Through A War, As If Waltz, The New Sound

 

Analisando Discografias - black midi

                  

Schlagenheim – black midi





















NOTA: 9,8/10


Em 2019, foi lançado o álbum de estreia da banda black midi, o caótico Schlagenheim. Formada em 2017, na nossa querida Londres, por Geordie Greep (guitarra e voz), Matt Kwasniewski-Kelvin (guitarra e voz), Cameron Picton (baixo e voz) e Morgan Simpson (bateria), a banda rapidamente ganhou reputação por shows imprevisíveis, altamente técnicos e caóticos, em que as músicas pareciam sempre à beira do colapso estrutural, ganhando destaque na chamada cena de Windmill, um pub localizado em Brixton. A produção, feita por Dan Carey, preservou a intensidade quase ao vivo que caracterizava os shows da banda, trazendo uma sonoridade de Noise Rock, Math Rock e alguns elementos experimentais que se encaixam nas guitarras cortantes de Greep e Kwasniewski-Kelvin e na cozinha rítmica impressionante do Picton e Simpson. O repertório é incrível, e as canções são bastante abstratas. No fim, é um baita disco e já pode ser considerado um clássico. 

Melhores Faixas: Western, 953, Near DT,MI, Of Schlagenheim 
Vale a Pena Ouvir: Ducter, Speedway

Cavalcede – black midi





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e o black midi retorna com mais um disco, o Cavalcade. Após o Schlagenheim, a banda já havia se consolidado como uma das formações mais imprevisíveis do Rock britânico contemporâneo. Nesse meio-tempo, o guitarrista Matt Kwasniewski-Kelvin se afastou temporariamente da banda por questões de saúde mental, o que impactou diretamente o processo criativo. Assim, eles viraram um trio e assumiram maior centralidade composicional. A produção, feita pela própria banda com auxílio de John “Spud” Murphy e Marta Salogni, mostrou arranjos meticulosos, com camadas adicionais de metais, violinos e texturas que ampliam a paleta sonora, evidenciando que deixaram de lado o Noise Rock e seguiram por um caminho mais voltado ao Jazz-Rock e ao Rock progressivo, mais precisamente ao Avant-Prog. O repertório, novamente, é incrível, e as canções ficaram mais densas e complexas. No fim, é outro disco fantástico e expressivo. 

Melhores Faixas: John L, Slow, Marlene Dietrich, Chondromalacia Patella 
Vale a Pena Ouvir: Ascending Forth, Dethroned

Hellfire – black midi





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o 3º e último disco deles, o sensacional Hellfire. Após o Cavalcade, a black midi consolidou uma identidade marcada por virtuosismo técnico, tornando-se queridinha da Rough Trade Records, e o grupo aqui parece completamente confortável em sua própria excentricidade. Decidindo fazer um álbum conceitual que gira em torno de personagens grotescos, ambientes decadentes, jogos de poder, tragédias e ironias sombrias. A produção, feita por Marta Salogni, é bem cristalina, permitindo que cada instrumento seja distinguido com nitidez. Com a bateria complexa do Morgan Simpson, o baixo expressivo do Cameron Picton e as guitarras quase flamencas do Geordie Greep, além de seus vocais teatrais que dão vida às composições, o disco abriga uma sonoridade que equilibra Avant-Prog e Brutal Prog. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. Enfim, é um álbum magnífico e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Sugar / Tzu, Welcome To Hell, 27 Questions, Still, Eat Men Eat 
Vale a Pena Ouvir: The Race Is About To Begin, Dangerous Liaisons

 

Dedicado à memória de Matt Kwasniewski-Kelvin (1999-2026).

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Review: Rebel do EsDeeKid

                 

Rebel – EsDeeKid





















NOTA: 9,2/10


Em 2025, foi lançado o sensacional álbum de estreia do EsDeeKid, intitulado Rebel. Não se sabe muita coisa sobre o rapper, mas o que se sabe é que ele vem de Liverpool, costuma esconder o rosto com uma balaclava e mantém poucos detalhes pessoais públicos. Depois de lançar alguns singles, ele preparou esse projeto agressivo, que seria lançado pelas gravadoras XV Records e Lizzy Records. A produção, feita inteiramente por Wraith9, construiu uma sonoridade distinta para o álbum: batidas carregadas de reverb, sintetizadores densos e atmosféricos e 808s marcantes. O som do disco é marcado por um clima bruto, intenso e experimental, típico da fusão entre Jerk, Trap e alguns elementos do Cloud Rap, com uma vibe que muitas vezes remete a um ambiente noturno e urbano, combinando com seus flows variados. O repertório é maravilhoso, com canções densas que trazem esse lado agressivo. Em suma, é um baita disco de estreia, muito coeso. 

Melhores Faixas: 4 Raws, Phantom, LV Sandal, Cali Man, Panic 
Vale a Pena Ouvir: Rottweiler, 5am, Mist

                                                                            Por hoje é só, então flw!!!     

Analisando Discografias - Converge: Parte 1

                  Halo In A Haystack – Converge NOTA: 8,5/10 Em 1994, foi lançado o álbum de estreia do Converge, o injustiçado Halo in a Ha...