Emílio Santiago – Emílio Santiago
NOTA: 10/10
Em 1975, Emílio Santiago lançava seu álbum de estreia, que trazia uma abordagem interessante. O cantor carioca começou sua carreira por volta de 1968, quando era crooner da orquestra de Ed Lincoln. Em 1973, lançou seu primeiro compacto pela Polydor, com as canções “Transa de Amor” e “Saravá Nega”, o que o levou a uma maior participação em rádios e programas de televisão. Com isso, ele começou a preparar um álbum que contava com composições de artistas consagrados, mas que acabaram engavetadas. A produção, feita por Durval Ferreira, deixou uma sonoridade bem detalhada, que juntava Samba Soul com elementos de Funk, Jazz e Bossa Nova. O uso do piano elétrico acrescenta certa sofisticação, enquanto os metais trazem brilho, profundidade e movimento. Os vocais de Emílio são bastante expressivos. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. No final, é um baita disco e um clássico da música brasileira.
Melhores Faixas: Brother, Bananeira, Sessão Das 10, Quero Alegria, Nega Dina
Vale a Pena Ouvir: Porque Somos Iguais, Batendo A Porta, Depois
Comigo É Assim – Emílio Santiago
NOTA: 9,8/10
Dois anos depois, Emílio Santiago lançava seu 2º álbum, o Comigo É Assim, que apresentava algo mais sofisticada. Após o álbum de estreia, ele ampliou o espaço dedicado ao samba, às composições de caráter popular e às canções que exploram o relacionamento amoroso. Como a música brasileira nesse período estava em um processo de ebulição, Emílio se encontrava em uma posição privilegiada para explorar esse cenário. A produção, feita por Roberto Santana, seguiu uma abordagem harmônica bastante sofisticada, com o samba aparecendo tanto em suas formas mais tradicionais quanto em abordagens mais modernas, enquanto as canções românticas oferecem espaço para interpretações vocais mais delicadas. Na verdade, os vocais do Emílio são bastante variados e descontraídos. O repertório é incrível, com canções bastante divertidas e algumas mais intimistas. Enfim, é outro disco fenomenal e extremamente consistente.
Melhores Faixas: Minha Esquina, Nega, Descarrego, Preconceito (Pura Tolice), Domingo, Dança, Comigo É Assim
Vale a Pena Ouvir: Descarrego, Quando Chegares, No Balanço Do Trem, Dança Mineira
Feito Para Ouvir – Emilio Santiago
NOTA: 9,2/10
Naquele mesmo ano, Emílio lançava mais um álbum, intitulado Feito Para Ouvir. Após o Comigo É Assim, embora ele já tivesse demonstrado versatilidade em seus discos anteriores, aqui a intenção era direcionar essa capacidade para canções que valorizassem a sutileza, a riqueza melódica e a expressividade vocal. Vale lembrar que o cantor havia conquistado seu espaço dentro da gravadora Philips, que havia assinado contrato com ele no ano anterior. A produção seguiu uma abordagem sofisticada e dinâmica, que junta MPB com samba-soul. A riqueza está nos arranjos, na escolha dos timbres e na maneira como os músicos trabalham as harmonias. O piano acústico e o piano elétrico do Laércio de Freitas são elementos centrais dessa linguagem, oferecendo tanto acompanhamentos delicados quanto passagens de maior complexidade harmônica. O repertório é sensacional, e as canções ficaram muito mais melancólicas. No geral, é um belo disco e bastante relaxante.
Melhores Faixas: Beijo Partido, Tristeza De Nós Dois, Beijo Partido, Se Pelo Menos Você Fosse Minha, Rua Deserta, E Agora
Vale a Pena Ouvir: Última Forma, Olha Maria
Emilio – Emilio
Mais um ano se passou até Emílio lançar seu 4º álbum de estúdio, que levava seu nome. Após o Feito Para Ouvir, decidiram investir em uma seleção mais ampla de ritmos, com espaço para sambas tradicionais, composições dançantes e canções sentimentais. Essa diversidade não significa que o cantor tenha abandonado a sofisticação interpretativa; pelo contrário, ela permite que suas qualidades vocais sejam exploradas em contextos bastante distintos. A produção ficou a cargo de Sérgio de Carvalho e Roberto Santana, que procuraram adaptar os arranjos às características de cada composição. O piano, os violões, as guitarras e os instrumentos de sopro desempenham papéis diferentes ao longo do repertório, enquanto o baixo, a bateria e a percussão estabelecem bases que podem ser mais suaves ou dançantes. O repertório é maravilhoso, e as canções são bastante melódicas e cadenciadas. No final, é outro belo disco, que também é bastante subestimado.
Melhores Faixas: Cabelo Pixaim, Por Uma Vez Só, Total Abandono, Vida Maré, Não Quero Mais Chorar, Amante Amado
Vale a Pena Ouvir: Afina O Meu Violão, Compositor, Menina Danada
O Canto Crescente De Emilio Santiago – Emilio Santiago
NOTA: 9,8/10
No ano de 1979, o cantor lançava mais um álbum, O Canto Crescente de Emilio Santiago. Após o álbum anterior, esse novo trabalho dá continuidade àquela variedade que vinha sendo apresentada, mas traz uma seleção particularmente forte de composições ligadas à tradição do samba e à interpretação sentimental. O título do álbum sugere uma trajetória artística em expansão, algo coerente com a fase que o cantor atravessava. A produção, assinada por Sérgio de Carvalho, conseguiu estabelecer um equilíbrio perfeito entre MPB, Samba, Bossa Nova e até traços de Jazz. Essa alternância favorece a diversidade, mas também torna a voz de Emílio o principal elemento de unidade. O cantor possui um fraseado bastante flexível, consegue articular as palavras com clareza e sabe adaptar a intensidade da interpretação ao conteúdo de cada música. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas belíssimas. Enfim, é um baita disco e outro clássico.
Melhores Faixas: As Rosas Não Falam, Trocando Em Miúdos, Logo Agora, Rola Bola, Amigo É Pra Essas Coisas, Bufete E Cascudo, Homenagem Ao Malandro
Vale a Pena Ouvir: Recado, Caridade, Dores De Amores
Amor De Lua – Emilio Santiago
NOTA: 8,7/10
Em 1981, Emílio Santiago entrava na nova década com Amor de Lua, que apresentava uma abordagem diferente. Após O Canto Crescente*, em vez de se limitar a uma coleção de sambas tradicionais ou de canções românticas convencionais, o álbum reúne compositores de diferentes gerações e arranjos que incorporam elementos da música popular urbana. Isso se deve ao fato de que, naquele período, como já explicado várias vezes, todos os grandes nomes daquela geração precisavam tocar nas rádios. A produção apresenta uma sonoridade refinada e acessível, que combina Samba Soul e MPB com alguns elementos do Boogie. Ao mesmo tempo, o trabalho conserva uma unidade graças à voz de Emílio, que funciona como elo entre materiais bastante diferentes. Mesmo quando a instrumentação ganha maior densidade, a interpretação não se torna exagerada. O repertório é legalzinho, com canções bastante profundas. Enfim, é um disco bastante decente.
Melhores Faixas: Nós Ou Ninguém, Me Dá, Me Dá, Desafogo, Estranho
Vale a Pena Ouvir: Breve, Mais Uma Vez, Leva E Traz
Ensaios De Amor – Emilio Santiago
NOTA: 9,2/10
Melhores Faixas: Dentro De Você, Flor Dos Trópicos, Pelo Amor De Deus, Velas Içadas, Se Quiseres Me Deixar
Vale a Pena Ouvir: Gente Séria, Ensaios De Amor, Lua Nova
Mais Que Um Momento – Emílio Santiago
NOTA: 9,7/10
Mais um ano se passou até Emílio lançar outro álbum fantástico, o Mais Que Um Momento. Após o Ensaios de Amor, o cantor venceu o festival MPB Shell em 1982 com a canção Pelo Amor de Deus. Embalado por todo esse destaque, decidiu preparar um projeto que apresentasse algo mais amplo. Vale lembrar que Lincoln Olivetti e Robson Jorge participaram da construção de uma sonoridade elétrica e sofisticada, enquanto outros arranjadores ajudaram a dar características distintas a cada faixa. A produção, feita por Alexandre Agra e Durval Ferreira, manteve aquela sonoridade polida e radiofônica, mas variou um pouco entre o Boogie, elementos do Samba Soul, Jazz-Funk e Pop sofisticado. Com isso, temos sintetizadores que acrescentam brilho e uma textura moderna, enquanto as guitarras, o baixo e a bateria dão sustentação ao groove. O repertório é excepcional, e as canções são bastante envolventes. No final, é um baita disco, que também se destaca por sua ousadia.
Melhores Faixas: O Amigo De Nova York, Quebra-Mar, Vem Menina, Mais Que Um Momento, Um Homem E Uma Mulher
Vale a Pena Ouvir: Coragem Pra Se Separar, Carícia E Sedução, Ardume, Todos Os Tons
Aquarela Brasileira – Emilio Santiago
NOTA: 8,5/10
Foi só cinco anos depois que o cantor retornou, lançando a série de álbuns intitulada Aquarela Brasileira. Após o Mais Que Um Momento, o cantor havia encerrado seu vínculo com a Philips e assinado contrato com a Som Livre. E, assim, ele ainda não havia alcançado a mesma dimensão de popularidade que conquistaria com esse projeto. A mudança veio a partir de uma proposta do produtor Roberto Menescal, que idealizou uma série dedicada à interpretação de grandes canções do repertório brasileiro. A produção, feita pelo próprio Menescal, deixou uma sonoridade acessível e muito sofisticada, que combina elementos da MPB com o Adult Contemporary. A instrumentação acompanha essa proposta, com arranjos voltados à clareza e à valorização da voz de Emílio, que ocupa o centro das atenções, enquanto o acompanhamento sustenta as melodias. O repertório é muito bom, com canções bem interpretadas. No geral, é um disco bacana que foi um estouro.
Melhores Faixas: Nada Por Mim / Fullgás, Aquarela Do Brasil / Bye Bye Brasil, Anos Dourados / Eu Sei Que Vou Te Amar
Vale a Pena Ouvir: Você É Linda / Coisas Do Coração, Ronda / Sampa
Aquarela Brasileira 2 – Emilio Santiago
NOTA: 9/10
Aí, no final daquela década, foi lançado Aquarela Brasileira 2, e aqui ocorreu foi a consolidação. Após o primeiro volume, que foi um grande sucesso, a ideia central permanece a mesma neste segundo: revisitar composições conhecidas, aproximar diferentes gerações de compositores e apresentar um panorama da música brasileira por meio de uma interpretação vocal sofisticada. A produção seguiu a mesma abordagem, só que agora com um acabamento instrumental bastante polido, que se encaixa na sonoridade da MPB daquele final dos anos 1980. Os acompanhamentos, os teclados e as bases rítmicas dão suporte às melodias, enquanto os arranjos procuram manter a voz em evidência. Sua voz possui extensão, projeção e um timbre encorpado, mas sua maior qualidade está na capacidade de controlar a intensidade e adaptar o fraseado ao caráter de cada composição. O repertório é maravilhoso e muito bem interpretado. No fim, é um baita disco que fez sucesso.
Melhores Faixas: Saigon, Ela Disse-Me Assim / Volta / Esses Moços, Desenho De Giz / Papel Marché, Mania De Você / Lança Perfume, Pérola Negra / Bem Que Se Quis
Vale a Pena Ouvir: Universo Do Teu Corpo / Hoje, Preconceito / Louco (Ela É O Seu Mundo)
Bossa Nova – Emílio Santiago
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Naquela Estação, Corcovado
Vale a Pena Ouvir: Doce Viver, A Felicidade, Chuva, Manhã De Carnaval
De Um Jeito Diferente – Emílio Santiago
NOTA: 5/10
Então chegamos ao último álbum lançado em vida por Emílio Santiago, o De Um Jeito Diferente. Após o Bossa Nova, o cantor havia gravado vários trabalhos ao vivo, mas, dessa vez, decidiu apresentar um repertório que mistura composições recentes, parcerias com músicos experientes e canções que dialogam com diferentes momentos da música brasileira. A produção, conduzida por Ricardo Silveira, resultou em uma sonoridade orgânica, que combina Bossa Nova e MPB. O baixo e a bateria sustentam o balanço, enquanto a percussão dá movimento. E a guitarra do Ricardo ajuda a dar unidade ao álbum sem ocupar espaço excessivo. Os vocais continuam bastante seguros e intimistas. Mas o problema é que tudo soa muito arrastado, com muita repetição de arranjos. O repertório é fraco, com algumas canções legais e outras que são apenas mais do mesmo. Em suma, é um álbum mediano. Infelizmente, em 2013, Emílio nos deixou, vítima de um AVC.
Melhores Faixas: De Um Jeito Diferente, Olhos Negros (participação da Nana Caymmi), Dindi
Piores Faixas: Valeu, Não Me Balança Mais, E Era Copacabana, Contradição
Então é isso, um abraço e flw!!!

















