Rainbow Connection – Willie Nelson
NOTA: 8/10
Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum do cantor, o The Party's Over. Após o Make Way For Willie Nelson, ele continuava trabalhando dentro da estrutura da indústria musical de Nashville, gravando discos regularmente e tentando ampliar seu reconhecimento como cantor. Esse trabalho foi concebido como uma espécie de vitrine para algumas das composições mais fortes de Willie Nelson até aquele momento. Muitas das músicas presentes no álbum já eram conhecidas dentro do circuito do Country, algumas, inclusive, tendo sido gravadas por outros artistas. Produção feita por Chet Atkins, os arranjos são elegantes e relativamente contidos. A base instrumental inclui guitarras, baixo, bateria e piano, enquanto elementos adicionais, como cordas e vocais de apoio, aparecem ocasionalmente para enriquecer o som, seguindo a abordagem do Country Pop da época. O repertório é legal, trazendo canções bastante divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: To Make A Long Story Short, No Tomorrow In Sight
Vale a Pena Ouvir: I'll Stay Around, Go Away, The Party's Over
The Great Divide – Willie Nelson
NOTA: 7,2/10
Mais um ano se passou, e outro álbum do Willie Nelson foi lançado, o The Great Divide. Após o Rainbow Connection, Willie Nelson decide dar um passo ousado em direção ao mainstream contemporâneo. O disco surge em um contexto em que a indústria musical estava fortemente orientada para a música Pop e para o Country Pop daquela época. Nesse cenário, esse álbum representa uma tentativa clara de diálogo com o mercado moderno, reunindo nomes populares de fora do universo tradicional do Country. A produção, feita por Matt Serletic, é bastante polida, contendo arranjos bem densos, com uso de guitarras elétricas modernas, bateria marcante, teclados e produção digital mais evidente. Há uma clara preocupação com acabamento e acessibilidade radiofônica, com a voz do Willie sendo mais adaptada para se encaixar nesse padrão. O repertório é até interessante, com canções legais e outras mais fracas. No fim, é um disco bom, mas que contém alguns problemas.
Melhores Faixas: Time After Time, Maria (Shut Up And Kiss Me), Be There For You (participação da Sherly Crow), Recollection Phoenix
Piores Faixas: The Great Divide, Just Dropped In (To See What Condition My Condition Was In), Last Stand In Open Country (Kid Rock cagando com tudo)
It Always Will Be – Willie Nelson
NOTA: 8,3/10
Dois anos depois, Willie Nelson retorna com outro disco com uma abordagem semelhante, o It Always Will Be. Após o The Great Divide, o cantor decide misturar composições originais, releituras e colaborações, criando um panorama amplo de sua linguagem musical. Ao mesmo tempo, há uma sensação de maturidade e segurança, pois não está mais tentando se adaptar ao mercado, mas sim reafirmar sua própria estética. A produção, feita agora por James Stroud, é bastante elegante, equilibrada e profundamente enraizada no Country tradicional, mas dialogando com o Pop. Os arranjos são ricos, porém contidos. Há presença de violão, guitarras elétricas, além de toques sutis de cordas e outros elementos que ampliam a paleta sonora sem exageros. O repertório é ótimo, e as canções são bem mais cadenciadas, com um lado mais intimista. Enfim, é um trabalho muito bom, e era assim que seu antecessor tinha que ter sido feito.
Melhores Faixas: Dreams Come True (participação da Norah Jones), Midnight Rider, You Were It
Vale a Pena Ouvir: Love's The One And Only Thing, Big Booty, Picture In A Frame
Countryman – Willie Nelson
NOTA: 8,1/10
Ai no ano seguinte, ele lança um trabalho bastante inesperado, o Countryman (mas esse título é enganoso). Após o It Always Will Be, Willie Nelson decidiu lançar um álbum de Reggae. A ideia basicamente surgiu ainda nos anos 90, quando Willie começou a demonstrar interesse mais profundo pela música jamaicana. Produção feita por Don Was, é fortemente baseada nos elementos tradicionais do Reggae: linhas de baixo marcantes, batidas em contratempo, guitarras com skank rítmico e uso de teclados característicos do gênero. O som é relativamente fiel à estética jamaicana, com groove relaxado e ênfase na repetição rítmica. Enquanto os vocais do Willie invés de tentar imitar artistas como Bob Marley ou Peter Tosh, ele canta do seu jeito e se encaixa muito bem sem ficar repetitivo. O repertório é bem legal, e as canções são bem divertidas e descontraídas. No geral, é um trabalho muito bom e que vale a pena ir atrás.
Melhores Faixas: I'm A Worried Man (participação do Toots Hibbert do Toots and the Maytals), I've Just Destroyed The World
Vale a Pena Ouvir: How Long Is Forever, One In A Row, You Left Me A Long, Long Time Ago
You Don't Know Me: The Songs Of Cindy Walker – Willie Nelson
NOTA: 8,3/10
Se passou um ano, e ele lança outro álbum, o You Don't Know Me: The Songs Of Cindy Walker. Após o Countryman, Willie Nelson retorna aqui a um terreno mais seguro e profundamente conectado às suas raízes: a música country tradicional. O álbum é dedicado à obra de Cindy Walker, uma das mais importantes compositoras da história da Country music, responsável por uma vasta quantidade de clássicos gravados por artistas como Bob Wills e Gene Autry. A produção, feita agora por Fred Foster, é elegante e extremamente cuidadosa, alinhada com o espírito das composições de Cindy Walker. Os arranjos são baseados no Country clássico e no Western Swing, com presença marcante de violão, steel guitar, fiddle, piano e uma seção rítmica suave. Há também influências de Jazz em alguns momentos, refletindo a sofisticação melódica das composições. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem interpretadas. No fim, é um disco muito bom e bem tematizado.
Melhores Faixas: You Don't Know Me, I Was Just Walkin' Out The Door, It's All Your Fault
Vale a Pena Ouvir: Sugar Moon, Not That I Care, Miss Molly
Songbird – Willie Nelson
NOTA: 8,5/10
Meses se passaram, e o cantor volta lançando outro álbum mais puxado para sua temática, intitulado Songbird. Após o You Don't Know Me, Willie Nelson decidiu fazer esse trabalho em parceria com Ryan Adams, artista associado ao Alt-Country, e conta com sua banda The Cardinals como base instrumental. Essa parceria é central para entender o disco: trata-se de um encontro entre gerações e estilos, onde o universo mais cru de Ryan se cruza com a tradição do Willie. A produção, feita pelo próprio Ryan Adams, adota uma sonoridade crua, orgânica e, muitas vezes, próxima do Lo-fi. Os arranjos são construídos com base em guitarras elétricas e acústicas, baixo, bateria e piano, com uma abordagem que privilegia a espontaneidade. Há uma sensação constante de gravação ao vivo em estúdio, com pouca intervenção técnica. O repertório é muito legal, e as canções são bem energéticas e cadenciadas no momento certo. No fim, é um álbum bacana e bastante ousado.
Melhores Faixas: $1000 Wedding, Amazing Grace, Stella Blue, Blue Hotel
Vale a Pena Ouvir: Yours Love, Rainy Day Blues, Hallelujah
Moment Of Forever – Willie Nelson
NOTA: 8,2/10
Então, mais dois anos se passaram, e Willie Nelson retorna com Moment Of Forever. Após o Songbird, o cantor faz um trabalho que conta com a colaboração do Kenny Chesney, um dos grandes nomes do Country contemporâneo. Esse encontro é significativo porque aproxima duas gerações distintas do gênero: Willie, símbolo do Outlaw Country, e Chesney, representante do Country moderno de grande alcance comercial. A produção, feita pelo próprio Kenny Chesney, é bastante moderna, com arranjos limpos e bem estruturados. Há também uso ocasional de cordas e outros elementos que enriquecem o som sem torná-lo excessivamente polido. A voz do Willie Nelson, com seu timbre já envelhecido e seu fraseado característico, é valorizada pela mixagem, funcionando como eixo de coesão. O repertório é muito bom, e as canções passam um lado intimista e mais melódico. Enfim, é um álbum bacana, algo que ninguém imaginava.
Melhores Faixas: Keep Me From Blowing Away, Louisiana
Vale a Pena Ouvir: Worry B Gone, Always Now, Over You Again
American Classic – Willie Nelson
NOTA: 8,2/10
Indo para 2009, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, intitulado American Classic. Após o Moment Of Forever, ele decide retornar conscientemente ao universo do Great American Songbook, território que já havia explorado com enorme sucesso em Stardust e revisitado em outros momentos da carreira. A produção é bastante elegante, polida e fortemente influenciada pelo Vocal Jazz e Pop tradicional. Os arranjos são ricos e detalhados, com presença marcante de piano, seção de sopros, cordas e uma base rítmica suave. Há uma clara inspiração nas big bands e nos conjuntos jazzísticos clássicos, mas sem exageros, e com os vocais do Willie, mesmo envelhecidos, se encaixando muito bem. O repertório é muito bom, e as canções são todas muito bem interpretadas. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado.
Melhores Faixas: Angel Eyes, Ain't Misbehavin'
Vale a Pena Ouvir: Baby, It's Cold Outside, Come Rain Or Shine, Fly Me To The Moon
Country Music – Willie Nelson
NOTA: 8,5/10
No ano de 2010, Willie Nelson decidiu retornar às suas raízes com o álbum intitulado Country Music. Após o American Classic, o cantor mergulha profundamente na tradição do Country, não apenas como estilo, mas como linguagem histórica. Não se trata apenas de um simples álbum de covers, mas sim de uma espécie de homenagem à essência do gênero, reunindo canções que ajudaram a moldar o Country tradicional. A produção, feita por T Bone Burnett, adota uma estética extremamente orgânica e minimalista. Os arranjos são enxutos, baseados na instrumentação tradicional do gênero. Um dos elementos mais marcantes é o uso do espaço: as músicas respiram, permitindo que cada instrumento tenha presença sem competir com os demais, além dos vocais do Willie, que já aos 77 anos na época entregam bastante emoção. O repertório é muito bom, e as canções são todas interpretadas de forma certeira. No final de tudo, é um ótimo trabalho e muito variado.
Melhores Faixas: Gotta Walk Alone, Nobody's Fault But Mine, Ocean Of Diamonds, Pistol Packin' Mama
Vale a Pena Ouvir: Man With The Blues, Satisfied Mind
Remember Me Vol. 1 – Willie Nelson
NOTA: 8,1/10
Mais um ano se passou, e foi lançado um trabalho novo do Willie Nelson, o Remember Me Vol. 1. Após o Country Music, em que o cantor revisitava as raízes do country com um olhar quase curatorial, aqui ele aprofunda ainda mais essa proposta, mergulhando em composições clássicas do repertório Country e Folk. Nesse contexto, decide apresentar uma série de gravações que refletissem essa proposta, algo que acabou ficando só neste disco mesmo. A produção, conduzida por James Stroud, traz uma sonoridade limpa e orgânica, com uma leve modernização na mixagem que mantém o álbum acessível sem comprometer sua autenticidade. Os arranjos são bem enxutos, sem excessos, focando nos vocais sinceros do Willie. O repertório é muito legal, e as canções passam aquele lado aconchegante da música tradicional americana. Enfim, é um álbum muito bom e que acabou sendo esquecido.
Melhores Faixas: Satisfied Mind, I'm Movin' On
Vale a Pena Ouvir: Sixteen Tons, Slowly, Release Me
Heroes – Willie Nelson
NOTA: 8,4/10
Em 2012, foi lançado outro disco novo do Willie Nelson, intitulado apenas como Heroes. Após o Remember Me Vol. 1, esse novo álbum funciona como uma celebração de influências, parcerias e da própria trajetória do cantor. Ele combina material autoral, covers e colaborações com artistas de diferentes gerações, criando uma espécie de panorama de sua identidade musical. A produção, feita por Buddy Cannon, é bem equilibrada e bastante versátil. Os arranjos transitam entre o Country tradicional, o Folk, o Blues e até elementos de outros gêneros. Apesar dessa diversidade, o álbum mantém uma unidade sonora graças à abordagem orgânica da produção. A voz do Willie Nelson continua sendo o elemento central, funcionando como ponto de conexão entre as diferentes abordagens. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem aconchegantes. Enfim, é um disco bacana e bem consistente.
Melhores Faixas: Cold War With You, Come On Back Jesus, No Place To Fly
Vale a Pena Ouvir: Hero, Roll Me Up, Just Breathe, A Horse Called Music
Band Of Brothers – Willie Nelson
NOTA: 8,4/10
Se passaram então dois anos, e Willie Nelson retornava com um novo disco, intitulado Band Of Brothers. Após o Heroes, esse novo projeto traz, de forma praticamente inédita em muitos anos, um conjunto majoritário de composições originais. Esse fator, por si só, já define o caráter do álbum: trata-se de um retorno do Willie ao papel de compositor ativo, algo que havia sido menos frequente em sua produção recente. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue uma abordagem orgânica e equilibrada, com arranjos enxutos, baseados em violão, guitarras elétricas, steel guitar, piano e uma seção rítmica discreta. Há uma sensação constante de naturalidade, como se as músicas fluíssem sem esforço, seguindo o padrão que ele consolidou no Outlaw Country. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e trazem um lado imersivo. Enfim, é um disco bacana e muito bem variado.
Melhores Faixas: The Wall, Crazy Like Me, The Git Go
Vale a Pena Ouvir: Bring It On, Send Me A Picture, Hard To Be An Outlaw, I've Got A Lot Of Traveling To Do
Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin – Willie Nelson
NOTA: 2,5/10
Em 2016, Willie Nelson volta lançando mais um trabalho novo, o Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin. Após o Band Of Brothers, o cantor decide fazer um álbum dedicado à obra do George Gershwin (e também de seu irmão, o letrista Ira Gershwin), dois dos nomes mais importantes da música popular americana. O projeto foi realizado com aprovação da família Gershwin, o que adiciona um peso simbólico significativo ao álbum. A produção, feita por Buddy Cannon junto com Matt Rollings, é muito bem feita, sendo sofisticada e cuidadosamente equilibrada. Os arranjos seguem uma linha jazzística clássica, com presença de piano, seção de sopros, cordas e uma base rítmica suave. Há influência clara do Vocal Jazz dos anos 40, mas com uma abordagem mais contida; no entanto, os vocais do Willie não funcionam, sendo bem repetitivos aqui. O repertório, apesar de bom, conta com interpretações do cantor que deixam a desejar. No fim, é um disco fraquíssimo e que não funcionou.
Melhores Faixas: I Got Rhythm, They All Laughed
Piores Faixas: Someone To Watch Over Me, They Can't Take That Away From Me, Somebody Loves Me, Embraceable You
For The Good Times: A Tribute To Ray Price – Willie Nelson
NOTA: 8,2/10
Meses depois, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, o For The Good Times: A Tribute To Ray Price. Após o Summertime, ele decidiu fazer esse disco dedicado a Ray Price, falecido em 2013, uma das figuras mais importantes do Country tradicional e um dos grandes mentores do Willie. O cantor integrou a banda de Price nos anos 60, período fundamental para sua formação como artista. Price foi uma peça-chave no desenvolvimento do chamado “Nashville Sound”, estilo que influenciou profundamente Willie Nelson. A produção, feita por Fred Foster, é bastante sofisticada, com arranjos que evocam diretamente o som característico de Ray Price, especialmente o estilo “shuffle” que marcou sua carreira, conseguindo unir Honky Tonk e Countrypolitan. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem interpretadas e carregadas de emoção. No final, é um ótimo álbum e bastante honroso.
Melhores Faixas: I'm Still Not Over You, It Always Will Be
Vale a Pena Ouvir: Heartaches By The Number, For The Good Times, Make The World Go Away
God's Problem Child – Willie Nelson
NOTA: 8,6/10
Em 2017, foi lançado mais um trabalho novo do Willie Nelson, o God's Problem Child. Após o For The Good Times, ele decidiu retornar novamente ao material original, dando continuidade ao caminho iniciado em Band Of Brothers. O título do álbum já sugere uma postura irreverente e autoconsciente: Willie Nelson se posiciona como alguém que sempre viveu à margem das expectativas, mantendo sua individualidade ao longo das décadas. A produção, feita mais uma vez por Buddy Cannon, segue uma linha orgânica e intimista, com os arranjos bem enxutos, tendo alguns toques ocasionais de gaita e outros elementos que enriquecem o som sem sobrecarregá-lo, juntando assim o Country tradicional com influências mais progressivas, além dos vocais do Willie, que são bem expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são todas mais reflexivas e com um toque mais melancólico. Em suma, é um álbum interessante e bem profundo.
Melhores Faixas: A Woman's Love, It Gets Easier, I Made A Mistake, Butterfly
Vale a Pena Ouvir: Little House On The Hill, Still Not Dead, Old Timer
Então é só e flw!!!