quinta-feira, 4 de junho de 2026

Analisando Discografias - Juicy J: Parte 1

                 

Chronicles Of The Juice Man (Underground Album) – Juicy J





















NOTA: 8,2/10


Em 2002, o Juicy J lançava seu primeiro trabalho solo, intitulado Chronicles Of The Juice Man (Underground Album). Após o lançamento do When the Smoke Clears: Sixty 6, Sixty 1, Juicy aproveitou a oportunidade para mostrar sua identidade individual sem abandonar a estética coletiva de Memphis. Em vez de buscar uma reinvenção artística, ele utiliza o disco para reforçar os elementos que haviam tornado o Three 6 Mafia famoso. A produção, feita por ele em parceria com DJ Paul, é marcada por baterias secas, graves pesados, sintetizadores sombrios, samples manipulados e uma sensação constante de paranoia urbana. Outro aspecto interessante é a presença de diversos elementos que conectam o álbum à tradição das mixtapes underground do rapper, com Juicy demonstrando muita entrega em cada faixa. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Who Da Buckest, Mafia Niggaz, Buck Gangsta Beat 
Vale a Pena Ouvir: Smoke Dat Weed, Soldiers From The Northside, Like A Pimp, Killa Klan

Hustle Till I Die – Juicy J





















NOTA: 8/10


Foi só em 2009 que ele retornou com seu 2º álbum solo, intitulado Hustle Till I Die. Após o Chronicles Of The Juice Man (Underground Album), o Three 6 Mafia começava a mostrar sinais de desgaste interno, com a saída de membros importantes e mudanças na dinâmica que havia definido sua era clássica. Nesse cenário, Juicy J decidiu lançar um álbum que servisse como reafirmação de sua identidade. A produção, feita pelo próprio rapper, apresenta uma sonoridade pesada: os graves são enormes, os sintetizadores são ameaçadores, as baterias são secas e agressivas, e os refrões são construídos para funcionar em carros equipados com sistemas de som potentes seguindo a temática do Trap. Seus flows continuam bastante precisos e conseguem sustentar a imersão proposta pelo álbum. O repertório é muito bom, e as canções são bem tematizadas e até profundas. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: 30 Inches (Gucci Mane roubando a cena), You Can Get Murked, Let's Get High 
Vale a Pena Ouvir: Violent, North Memphis Like Me, Real D Boyz, Ugh Ugh Ugh

Blue Dream & Lean – Juicy J





















NOTA: 9/10


No ano de 2011, o Juicy J lançava a mixtape Blue Dream & Lean, que foi extremamente importante. Após o Hustle Till I Die, o rapper estava cada vez mais próximo da Taylor Gang do Wiz Khalifa e começava a se transformar numa figura central da cultura Stoner Rap que dominaria boa parte do início da década de 2010. O próprio título resume a proposta do trabalho: maconha ("Blue Dream", uma variedade popular da droga) e lean (mistura de xarope com refrigerante). Produção feita por ele junto com DJ Scream, Lex Luger, Sonny Digital e entre outros, seguiram por beats orgânicas com 808s gigantescos, caixas explosivas, sintetizadores ameaçadores e uma sensação constante de grandiosidade. Com eles basicamente misturando Trap, Dirty South e Gangsta Rap e sendo tudo bem amarrado e com os flows do Juicy J sendo bem variados. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas. No geral, é uma ótima mixtape e que é um clássico. 

Melhores Faixas: Riley, Juicy J Can’t, Real Hustler's Don't Sleep (A$AP Rocky mandou bem demais), Get Higher, Got A New One, Aint Allowed Where I'm From, Stoners Night Pt 2 (ótima feat do Wiz Khalifa), I Don't Play With Guns, Zip & A Double Cup Rmx 
Vale a Pena Ouvir: U Trippy Mane, Been Gettin' Money, Lucky Charm, You Want Deez Rackz, Countin Faces

Stay Trippy – Juicy J





















NOTA: 8/10


Dois anos depois, o Juicy J retorna com um novo álbum intitulado Stay Trippy, que foi mais acessível. Após o Blue Dream & Lean, esse trabalho foi lançado em parceria da Kemosabe Records, Columbia Records e em parceria com a Taylor Gang do Wiz Khalifa, consolidando a aliança que vinha sendo construída desde o início da década. Nesse período, o Trap havia se tornado a principal força do Rap sulista, e Juicy J conseguiu algo raro: permanecer relevante mais de vinte anos após iniciar sua carreira. Produção feita por ele junto com nomes como Supa Dups, Timbaland, Young Chop e entre outros, que foram para um lado mais polido e acessível, com os graves sendo gigantescos, os hi-hats acelerados continuam presentes e os refrões seguem extremamente repetitivos, dialogando tanto com Trap e Memphis Rap. O repertório é muito bom, e as canções vão desde um lado melódico ao profundo. No geral, é um ótimo disco e que é injustamente subestimado. 

Melhores Faixas: Bandz A Make Her Dance (ótima feat do Lil Wayne), Smokin' Rollin' (Pimp C mandando bem), Smoke A N***a (Wiz Khalifa amassando), Bounce It 
Vale a Pena Ouvir: So Much Money, Scholarship (A$AP Rocky foi bem), Stop It, Money A Do It

Rubba Band Business – Juicy J





















NOTA: 6/10


Quatro anos depois, Juicy J lançou mais um álbum novo, o Rubba Band Business. Após o Stay Trippy, ele procurou criar um trabalho mais próximo das ruas e da estética do Trap. A expectativa dos fãs era justamente ouvir uma mistura entre o Juicy J clássico da era Three 6 Mafia e o Juicy J moderno que havia conquistado uma nova geração ao lado de Wiz Khalifa. A produção foi diversificada, contando com Metro Boomin, Lex Luger, Mike Will Made It, entre outros, que entregam bases pesadas, carregadas de 808s, hi-hats acelerados e sintetizadores sombrios. Ao mesmo tempo, Juicy mantém sua identidade por meio de refrões simples, flows variados, ad-libs característicos e da atmosfera hedonista que o acompanha desde os anos 90. O problema é que tudo soa bastante repetitivo e carece de mais dinâmica. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquinhas. No geral, é um álbum irregular e que é bem tedioso. 

Melhores Faixas: Too Many (Wiz Khalifa e Denzel Curry mandaram bem), A Couple, No English (ótima feat do Travis Scott) 
Vale a Pena Ouvir: Flood Watch, Hot As Hell, Buckets

The Hustle Continues – Juicy J





















NOTA: 8/10


Indo para 2020, Juicy J lançou seu 5º álbum solo, intitulado The Hustle Continues. Após o Rubba Band Business, o rapper acabou saindo da Columbia Records e passou a lançar seus trabalhos de forma independente. O disco funciona como uma celebração de sua longevidade. Com quase três décadas de carreira, Juicy não tenta provar que é o artista mais inovador da cena; ele simplesmente demonstra por que continua relevante. A produção, feita em sua maioria por ele mesmo, retoma uma estética sombria e pesada. Os graves são profundos, as baterias são pesadas, os hi-hats acelerados, os sintetizadores obscuros e as linhas de baixo extremamente presentes. Existe uma preocupação evidente em equilibrar nostalgia e modernidade, algo que funciona muito bem graças aos flows de Juicy, que se adaptam perfeitamente a essa proposta mais voltada para o Trap. O repertório é muito bom, e as canções são bastante densas. Enfim, é um ótimo álbum e bastante ousado. 

Melhores Faixas: Po Up (A$AP Rocky amassando), In A Min 
Vale a Pena Ouvir: Gad Damn High (Wiz Khalifa marcando presença), 1995 (Logic mandando bem), Memphis To LA

Mental Trillness – Juicy J





















NOTA: 6/10


Então chegamos em 2023, quando foi lançado o que é praticamente o último álbum do You Me At Six, o Truth Decay. Após o Suckapunch, o disco surge como um movimento de reconexão com a essência emocional e energética que originalmente definiu o grupo, com eles revisitando elementos do passado junto da experiência acumulados ao longo de mais de uma década de carreira. Produzido novamente por Dan Austin, o álbum foi bem mais pesado e direto, com a banda voltando a fazer aquele equilíbrio entre Rock alternativo, Pop Punk e até um pouco de Emo-Pop. As guitarras possuem riffs rápidos, e agressivos, e os vocais de Josh Franceschi conseguem ser bem intensos e ter uma entrega emocional direta. Porém, tudo fica muito repetitivo e com falta de uma dinâmica maior, já que existe um vazio na instrumentação. O repertório é mediano, tendo canções boas e outras genéricas. No final de tudo, é um álbum de despedida bem decepcionante e irregular. 

Melhores Faixas: God Bless The 90s Kids, Deep Cuts, Smile To Make You Weak(er) At The Knees 
Piores Faixas: Mydopamine, Who Needs Revenge When I've Got Ellen Era, Breakdown


                                                                             Por hoje é só, então flw!!!    

Analisando Discografias - DJ Paul: Parte 2

                 

Person Of Interest – DJ Paul





















NOTA: 6/10


No ano de 2012, o DJ Paul lançou seu 3º álbum solo, intitulado Person Of Interest. Após o Scale-A-Ton (Skeleton), Paul buscava reafirmar sua relevância como artista solo em um cenário que agora era amplamente dominado pelo Trap, gênero que, ironicamente, carregava forte influência de seu próprio trabalho realizado em Memphis nas décadas anteriores. Com isso, ele decidiu seguir as tendências, criando um trabalho mais contemporâneo. A produção, feita por ele próprio, também contou com Shawty Trap, Dream Drumz, entre outros, que utilizaram graves extremamente pesados, hi-hats acelerados, sintetizadores sombrios e uma abordagem minimalista que favorece a criação de atmosferas ameaçadoras. O problema é que tudo soa bastante repetitivo ao longo do álbum, e o flow do DJ Paul também acaba se tornando cansativo. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. No geral, é um álbum mediano e bastante cansativo. 

Melhores Faixas: I’m Dat Raw, Chin Up, I Can't Take It, Leggo, Unstoppable 
Piores Faixas: If I Want 2, My Best (My Pimpin), Had Ta Eat, I'm Sprung, Get 'Em Done

Underground Vol.17 - For Da Summa – DJ Paul





















NOTA: 3/10


Cinco anos depois, o DJ Paul retornou com mais um álbum, o Underground Vol. 17: For Da Summa. Após o Person Of Interest, DJ Paul decidiu revisitar suas origens em Memphis, recuperando a estética que ajudou a construir durante os anos 90. O álbum funciona quase como uma cápsula do tempo. Grande parte de sua identidade está ligada às antigas gravações underground que circularam em fitas cassete durante os primeiros anos da carreira do Three 6 Mafia. A produção é bastante crua e orgânica; os beats apresentam texturas ásperas, graves pesados, loops simples e teclados sinistros que remetem diretamente às antigas produções caseiras de Memphis. A proposta era unir elementos atuais do Trap ao Memphis Rap, mas, novamente, tudo soa bastante repetitivo e acaba se tornando arrastado. O repertório é péssimo, e as canções são bastante genéricas, com poucas faixas interessantes. Enfim, é um álbum fraquíssimo que não funcionou. 

Melhores Faixas: Ain't Gonna Love It, Bitch Move (Lil Jon e Lord Infamous mandaram bem), Go Back 
Piores Faixas: Litty Up, No Sex, No Cryin', Spend Sum, Headshot Hair Do, My Shadow, Poe Up Wetty

Goat of All Goats – DJ Paul





















NOTA: 3,5/10


Então chegamos em 2026, onde o DJ Paul retornou com mais um álbum, o Goat of All Goats. Após o Underground Vol.17 - For Da Summa, depois de lançar alguns singles e participar de projetos paralelos ele retorna com esse trabalho em que o título é uma brincadeira com a expressão "Greatest of All Time", deixa clara a intenção do projeto: reafirmar a importância do DJ Paul na história do Hip-Hop/Rap. Produção foi aquela de sempre, com graves esmagadores, sintetizadores obscuros, linhas melódicas minimalistas e baterias pesadas. Porém, a mixagem é moderna, limpa e adaptada aos padrões atuais. O álbum alterna entre momentos de Memphis Rap e faixas mais contemporâneas orientadas para o Trap, porem tudo soa bem repetitivo e com ele sendo carregado pelas feats. O repertório é ruim, tendo poucas canções interessantes e com a maioria sendo bem chatinha. No fim, é um álbum péssimo e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Find Out (Freddie Gibbs salvou), Fading, 12 At Night, Uhaulin (Remix)
Piores Faixas: From The Bottom Of The Bottom, Throw Some Money, Popped Out A Slingshot, I Beat The Odds, We Made It (Akon e Krayzie Bone mal demais), Munyun, She Gone Up, Stupid A B

    

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Analisando Discografias - DJ Paul: Parte 1

                  

Underground Vol. 16 (For Da Summa) – DJ Paul





















NOTA: 8,2/10


No ano de 2002, DJ Paul lançava seu verdadeiro 1º álbum solo, o Underground Vol. 16 (For Da Summa). Após When the Smoke Clears: Sixty 6, Sixty 1, embora a série Underground já existisse desde os anos 90 na forma de fitas independentes distribuídas localmente em Memphis, este projeto representou algo diferente: uma oportunidade para Paul assumir completamente o protagonismo, sem deixar de carregar a identidade sonora que ajudou a criar. A produção foi aquela tradicional que o marcou: linhas de baixo extremamente pesadas, caixas secas, hi-hats rápidos, teclados sombrios e samples manipulados para criar atmosferas ameaçadoras. Há também uma forte presença de melodias minimalistas, além de seus flows bem cadenciados, que combinam com a temática do Memphis Rap. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e profundas. No fim, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Where Is Da Bud Part II, King Of Kings 
Vale a Pena Ouvir: Flaugin Azz Niggas/Bitches, Beatin These Hoes Down, Break Da Law, Back Da Fuck Back

Scale-A-Ton (Skeleton) – DJ Paul





















NOTA: 8,5/10


Em 2009, DJ Paul retornou com seu 2º álbum solo, intitulado Scale-A-Ton (Skeleton). Após o Underground Vol. 16 (For Da Summa) e com o fim do Three 6 Mafia, Paul preferiu permanecer fiel à estética sombria e agressiva que o tornou conhecido. Em um período em que o Rap sulista já estava absolutamente consolidado e o Trap começava sua ascensão comercial, diversos artistas mais jovens utilizavam fórmulas que tinham suas raízes na própria sonoridade desenvolvida em Memphis por Paul e seus parceiros. A produção é bem pesada e orgânica, com graves massivos, sintetizadores texturizados, além do uso de hi-hats rápidos, linhas de baixo profundas e atmosferas minimalistas que criam uma sensação constante de tensão, além da grande presença do Lord Infamous. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bastante energéticas e tensas. Em suma, é um ótimo disco e um dos trabalhos mais crus de sua carreira. 

Melhores Faixas: Stay Wit Me, Pop A Pill, Internet Wh@%e, She Wanna Get High 
Vale a Pena Ouvir: Jus Like Dat???, Fuckboy, Doin All Da Doin, Jook, Wanta Be Like You, I'm Drunk
  

                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                     

Review: CrazyNDaLazDayz do Tear Da Club Up Thugs Of Three 6 Mafia

                     

CrazyNDaLazDayz – Tear Da Club Up Thugs Of Three 6 Mafia





















NOTA: 9/10


No ano de 1999, foi lançado o projeto paralelo Tear Da Club Up Thugs com o álbum CrazyNDaLazDayz. Após o lançamento do Chapter 2: World Domination, o grupo surgiu como um projeto paralelo formado por membros do universo Three 6 Mafia, principalmente DJ Paul, Juicy J e Lord Infamous. O próprio nome do grupo já demonstrava sua proposta: levar ao extremo o lado mais agressivo, violento e destrutivo da estética do Three 6 Mafia. A produção foi feita, como sempre, por DJ Paul e Juicy J, que adotaram uma abordagem extremamente pesada. Os beats são construídos em torno de caixas secas, kicks profundos e linhas de baixo que dominam completamente o espaço sonoro. Além disso, há sintetizadores com timbres fantasmagóricos, ad-libs e ecos que ampliam a sensação de loucura coletiva presente naquela estética do Crunk. O repertório é incrível, e as canções são bastante divertidas e energéticas. No fim, é um baita disco e bastante essencial. 

Melhores Faixas: Slob On My Nob, Who The Crunkest, Undercover Freaks (Too $hort mandou bem), Throw Your Sets, Hypnotize Cash Money (chamaram a tropa da Cash Money Records), Get Buck, Get Wild, Push 'Em Off 
Vale a Pena Ouvir: Paper Chase, All Dirty Hoes, Triple 6 Clubhouse, Big Business, Smoked Out

  

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 2

                 

Da Unbreakables – Three 6 Mafia





















NOTA: 8,4/10


Três anos depois, o Three 6 Mafia lançava seu 5º álbum, o Da Unbreakables, em meio a mudanças. Após o When the Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1), Koopsta Knicca e Gangsta Boo já não faziam mais parte do grupo, e as relações entre alguns membros passavam por momentos turbulentos. Vale lembrar que o Rap sulista estava em seu ápice comercial, e o grupo encontrava-se em uma posição privilegiada para aproveitar essa transformação. A produção foi mais limpa e acessível, com eles seguindo uma abordagem voltada ao Crunk, apostando em batidas massivas e direcionadas ao público dos clubes. Claro que eles continuaram utilizando sintetizadores ameaçadores, atmosferas noturnas e elementos herdados diretamente da tradição de Memphis. O repertório é muito bom, e as canções são bastante envolventes, embora sigam uma abordagem mais urbana. No fim, é um ótimo disco, que levou o grupo por um caminho mais amplo. 

Melhores Faixas: Bin Laden, Testin' My Gangsta, Ridin' Spinners, Dangerous Posse, Rainbow Colors, Let's Start A Riot 
Vale a Pena Ouvir: Try Somethin', Like A Pimp (Remix), Ghetto Chick

Most Known Unknown – Three 6 Mafia





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e eles lançaram mais um álbum, o Most Known Unknown. Após o Da Unbreakables, a influência que DJ Paul e Juicy J haviam exercido sobre o rap sulista durante os anos 90 começava a ser reconhecida em uma escala muito maior, tanto que eles tinham contrato com a Columbia Records, enquanto o crunk se tornava uma das forças dominantes da música popular americana. A única mudança foi a ausência de Lord Infamous, deixando o grupo funcionando como um trio. A produção foi polida e extremamente poderosa. Os graves continuaram sendo um elemento central, mas agora conviviam com mixagens muito mais limpas e instrumentais projetados para funcionar tanto nas rádios quanto nos clubes. Eles seguiram apostando no Crunk, mas com fortes traços do Dirty South. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e tematizadas. No fim, é um ótimo disco e representa o auge comercial do grupo. 

Melhores Faixas: Stay Fly, Poppin' My Collar, Half On A Sack, Side 2 Side, Roll With It 
Vale a Pena Ouvir: When I Pull Up At The Club, Swervin', Don't Cha Get Mad

Last 2 Walk – Three 6 Mafia



















NOTA: 2/10


No ano de 2008, o Three 6 Mafia lançava seu último álbum, o fraquíssimo Last 2 Walk. Após o Most Known Unknown, Crunchy Black acabou saindo do grupo por desentendimentos financeiros, deixando apenas DJ Paul e Juicy J como remanescentes. A dupla vivenciou o momento mais improvável de suas carreiras ao vencer o Oscar de Melhor Canção Original por "It's Hard Out Here for a Pimp", da trilha sonora de Hustle & Flow. Aproveitando esse momento, eles decidiram fazer um trabalho ainda mais comercial. A produção foi bastante polida e radiofônica; os graves permanecem gigantescos, as baterias possuem enorme impacto e a qualidade sonora ficou bastante refinada. O problema é que eles estavam fazendo exatamente a mesma coisa em um momento em que o Crunk já perdia força. O repertório é muito ruim, e as canções são bastante genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum péssimo, que encerrou a trajetória do grupo de forma abaixo do esperado. 

Melhores Faixas: I Got, On Some Chrome (UGK salvou) 
Piores Faixas: That's Right (Akon totalmente perdido), Click Bang (não sei para que colocar Good Charlotte aqui), Dirty Bitch, Rollin', I'd Rather, Playstation

   

terça-feira, 2 de junho de 2026

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 1

                  

Mystic Stylez – Three-6 Mafia





















NOTA: 10/10


No ano de 1995, o Three 6 Mafia lançava seu lendário álbum de estreia, o Mystic Stylez. Formado em 1991 na caótica cidade de Memphis, no Tennessee, por DJ Paul, Juicy J e Lord Infamous, o grupo distribuiu diversas mixtapes caseiras através do circuito underground local. Sendo influenciados pelos filmes de terror dos anos 70, combinando elementos do Rap de Memphis com o Horrorcore. Posteriormente, a formação foi completada por Crunchy Black, Koopsta Knicca e Gangsta Boo. A produção, realizada pelo próprio DJ Paul e por Juicy J, utiliza baterias secas, graves distorcidos, teclados simples, sintetizadores fantasmagóricos, sinos, órgãos sombrios e samples manipulados de forma extremamente Lo-fi. O uso de hi-hats rápidos e kicks pesados, que mais tarde se tornariam uma das marcas registradas do Trap, já aparece aqui de maneira bastante evidente. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Break Da Law "95", Da Summa, Mystic Styles, Now I'm Hi Pt. 3, In Da Game, Fuckin Wit Dis Click, Live By Yo Rep (Bone Dis), Gotta Touch 'em (Pt. 2) 
Vale a Pena Ouvir: Tear Da Club Up, Sweet Robbery (Pt. 2), Back Against Da Wall

The End – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, o Three 6 Mafia lançava seu 2º álbum, intitulado Chapter 1: The End. Após o clássico Mystic Stylez, a intensa circulação de fitas independentes e o crescimento da reputação do grupo como uma das forças no cenário underground, este trabalho surgiu com uma proposta mais cinematográfica. Mesmo com recursos limitados, o grupo conseguiu investir em equipamentos melhores. A produção continuou bastante suja, com linhas de baixo ainda mais pesadas, graves agressivos e estruturas que frequentemente lembram trilhas sonoras de filmes de terror. DJ Paul e Juicy J entregam performances mais orgânicas; Gangsta Boo ganha mais destaque; Crunchy Black adiciona seu caos imprevisível; Koopsta Knicca mantém sua presença espectral; e Lord Infamous continua apresentando flows imprevisíveis e assustadores. O repertório é muito bom, com canções extremamente pesadas. Enfim, é um baita disco que representa uma clara evolução. 

Melhores Faixas: Body Parts, Late Night Tip, Walk Up 2 Yo House, In-2-Deep Stomp, Destruction Terror, Gette'm Crunk, Where Da Killaz Hang 
Vale a Pena Ouvir: Where's Da Bud, Money Flow, Last Man Standing

Chpt. 2: "World Domination" – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e o grupo lançou Chpt. 2: "World Domination", e aqui teve mudanças. Após o The End, e depois de conquistar Memphis e consolidar sua reputação no underground, a ideia agora era expandir a influência do grupo para além da cena local. Ainda não se tratava de um álbum comercial no sentido tradicional, mas há uma percepção clara de que o Three 6 Mafia estava começando a enxergar possibilidades maiores. A produção ficou mais limpa e organizada; os instrumentais ainda são sombrios, mas existe uma preocupação maior com dinâmica, textura e impacto. Os graves são gigantescos, os hi-hats aparecem constantemente, enquanto os kicks pesados criam uma sensação física de impacto. Além disso, o flow de cada integrante ficou mais cadenciado e preciso. Com isso, eles continuam dialogando com o Memphis Rap e também demonstram as bases do Crunk. O repertório é incrível, com canções pesadas e até atmosféricas. No fim, é outro baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Tear Da Club Up '97, Late Nite Tip, Are U Ready 4 Us, Anyone Out There, N 2 Deep, Hit A Muthafucka, I Ain't Cha Friend, Motivated, Who Got Dem 9's, Bodyparts 2 
Vale a Pena Ouvir: Land Of The Lost, 3-6 In The Morning, Weed Is Got Me High, Flashes

When The Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1) – Three 6 Mafia





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 2000, o Three 6 Mafia lançava mais um disco, o When the Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1). Após o World Domination, o grupo havia se transformado em uma das forças mais influentes do Rap sulista. A cena do sul começava a ganhar espaço nacional, com artistas como Outkast, UGK e Cash Money Records expandindo o alcance da região, e DJ Paul e companhia estavam prontos para dar um salto ainda maior. A produção ficou mais limpa e impactante. Os graves permanecem massivos, mas a sonoridade ganha uma dimensão quase cinematográfica. As baterias são enormes, os sintetizadores possuem mais espaço e tudo isso dialoga muito mais com o Crunk, sem abandonar elementos do Memphis Rap e do Horrorcore. Além disso, todos os integrantes entregam performances refinadas. O repertório é muito bom, com canções bastante envolventes, só que algumas sendo pesadas. No geral, é um ótimo disco e, certamente, o ápice deles 

Melhores Faixas: Sippin' On Some Syrup (baita feat do UGK), Weak Azz Bitch, Tongue Ring, Act Like You Know Me (Pump 'Em Out), Barrin' You Bitches, M.E.M.P.H.I.S., Where Da Cheese At 
Vale a Pena Ouvir: Who Run It, From Da Back, Fuck Y'all Hoes, Put Ya Signs
  

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Juicy J: Parte 1

                  Chronicles Of The Juice Man (Underground Album) – Juicy J NOTA: 8,2/10 Em 2002, o Juicy J lançava seu primeiro trabalho so...