segunda-feira, 9 de março de 2026

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 2

                 

Trans – Neil Young





















NOTA: 8,1/10


Em 1983, foi lançado mais um novo trabalho de Neil Young, intitulado Trans, que trouxe uma pegada futurista. Após o Re·ac·tor, a experiência com seu filho Ben, diagnosticado com paralisia cerebral severa e que tinha dificuldades de comunicação, levou o cantor a refletir intensamente sobre tecnologia, linguagem e a relação entre humanos e máquinas. E como os anos 80 se tornaram o advento da música eletrônica, com o uso crescente de sintetizadores, sequenciadores e vocoders, Young decidiu seguir por esse caminho, agora estando na gravadora Geffen. A produção foi dominada por sintetizadores e efeitos digitais, além do uso intensivo do vocoder, equipamento que modifica a voz humana, transformando-a em algo semelhante à fala de um robô, mas ainda mantendo aquela instrumentação tradicional, juntando assim Synth-pop com pitadas de Soft Rock. O repertório é bem legal, as canções são bem divertidas e atmosféricas. No geral, é um disco bacana e bem curioso. 

Melhores Faixas: Transformer Man, Mr. Soul 
Vale a Pena Ouvir: Hold On To Your Love, We R In Control, Sample And Hold

Old Ways – Neil Young





















NOTA: 6/10


Dois anos se passam e foi lançado um novo trabalho do cantor, o Old Ways, que voltou para aquele lado Country. Após o futurista Trans, que gerou conflitos entre Neil Young e a própria gravadora, que esperava um som mais próximo do estilo clássico do artista. No entanto, Young sempre demonstrou uma enorme afinidade com a Country music, só que agora quis ir para um caminho mais tradicional do estilo. A Geffen Records não ficou satisfeita com o material, pois considerava que o artista estava mudando de estilo de forma excessiva entre os discos. A produção é bem característica, apostando em uma abordagem completamente orgânica. A instrumentação é majoritariamente acústica, com arranjos que remetem diretamente à tradição da música Country de Nashville, além de certas influências do country progressivo, só que assim é muito previsível. O repertório é mediano: tem canções legais e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e bem cansativo. 

Melhores Faixas: Are There Any More Real Cowboys? (dueto com Willie Nelson), My Boy, Get Back To The Country 
Piores Faixas: The Wayward Wind, The Wayward Wind, Bound For Glory

Landing On Water – Neil Young





















NOTA: 1/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo do Neil Young, o horroroso Landing on Water. Após o irregular Old Ways, esse novo disco foi concebido em um momento em que Young estava interessado em experimentar as tendência da década de 80, especialmente a estética de produção marcada por baterias eletrônicas e guitarras processadas, o que acabou sendo praticamente o estopim para a Geffen Records. A produção foi feita junto com Danny Kortchmar e apresenta uma sonoridade polida e tecnológica. As baterias frequentemente utilizam sons eletrônicos ou altamente processados, criando ritmos mais rígidos e precisos. As guitarras aparecem cheias de efeitos, incluindo reverberações e delays característicos da época, seguindo muito o Synth-pop com AOR, só que é muito repetitivo e entupido de sintetizadores. O repertório é péssimo, e as canções são ridículas. Enfim, é um álbum completamente pavoroso e um dos piores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: (.............................................) 
Piores Faixas: Hippie Dream, Pressure, People On The Street, I Got A Problem, Touch The Night

Life – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 2,5/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho do Neil Young intitulado Life. Após o Landing on Water, o cantor decidiu retornar à parceria com o Crazy Horse, banda que havia sido responsável por alguns dos momentos mais intensos de sua carreira. O álbum foi gravado em grande parte durante a turnê do artista com a banda naquele período, e muitos dos registros capturam performances praticamente ao vivo no estúdio. A produção, feita por ele junto com David Briggs, aposta em uma abordagem muito mais direta. Grande parte das músicas foi gravada com a banda tocando junta, o que preserva a energia crua das performances. O grande destaque são as guitarras, que aparecem frequentemente distorcidas e volumosas, só que o restante é muito simplista e parece faltar algo mais imersivo. O repertório é bem ruim, com canções chatíssimas e poucas se salvando. No fim, é mais um disco péssimo e que era hora de se renovar. 

Melhores Faixas: Around The World, Cryin' Eyes 
Piores Faixas: Long Walk Home, When Your Lonely Heart Breaks, Inca Queen, We Never Danced

This Note's For You – Neil Young & The Bluenotes





















NOTA: 6/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um disco novo do Neil Young intitulado This Note's for You. Após o Life, Neil Young acabou saindo da Geffen Records e decidiu retornar à sua antiga gravadora, a Reprise. E para seu próximo projeto, em vez de continuar explorando o Rock que havia marcado grande parte de sua trajetória, ele voltou seu interesse para uma vertente muito diferente: o Rhythm and Blues e o Blues elétrico, com forte presença de instrumentos de sopro. A produção, feita pelo cantor junto com Niko Bolas, buscou capturar um som que remetesse diretamente ao Blues das décadas de 50 e 60. Para isso, Young montou uma banda com uma seção de metais bastante destacada, com presença de trompetes, saxofones e trombones, que aparecem com frequência, só que fica aquele sentimento de que faltou algo mais. O repertório é mediano, tem canções legais e outras bobinhas. No fim, é um disco irregular e que podia ser melhor. 

Melhores Faixas: One Thing, This Note's For You, Coupe De Ville 
Piores Faixas: Twilight, Can't Believe Your Lyin', Hey Hey

Freedom – Neil Young





















NOTA: 9/10


E aí, chegando ao fim dos anos 80, foi lançado o disco Freedom, e aqui houve um sinal de glória. Após o This Note's for You, esse novo trabalho representa um momento de renovação artística e frequentemente é visto como o início de um “renascimento” na carreira do Neil Young. Em vez de se limitar a um único estilo, o disco reúne diferentes facetas de sua música, e o principal são composições carregadas de comentário social. A produção, feita novamente junto com Niko Bolas, foi bastante orgânica e conta com uma alternância entre gravações acústicas e elétricas. Algumas músicas são construídas de forma minimalista, com voz e violão em destaque, enquanto outras apresentam arranjos mais robustos, com guitarras distorcidas e banda completa, criando assim um equilíbrio entre Heartland Rock, Hard Rock, Folk Rock e Country. O repertório é incrível, e as canções são ao mesmo tempo divertidas e profundas. No fim, é um belo disco e que envelheceu muito bem. 

Melhores Faixas: Rockin' In The Free World, Eldorado, Crime In The City (Sixty To Zero Part I), Wrecking Ball 
Vale a Pena Ouvir: No More, Someday, Don't Cry

Ragged Glory – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9,8/10


Entrando nos anos 90, Neil Young lança simplesmente um álbum fantástico, o Ragged Glory. Após o Freedom, essa nova década coincidiu com a ascensão de uma nova geração de bandas alternativas que viam Neil Young como uma grande influência. Artistas ligados ao cenário do Grunge frequentemente citavam seus discos elétricos com o Crazy Horse como inspiração, e nesse período Young preparava um novo trabalho com a banda que seria mais longo. A produção, feita pelo cantor junto com David Briggs, foi bastante crua e direta. As guitarras distorcidas dominam o som do álbum, frequentemente construídas sobre riffs simples que se expandem em longos solos improvisados, enquanto a cozinha rítmica mantém um groove sólido e repetitivo. Com isso, temos uma junção de Hard Rock com Rock alternativo, Grunge e Rock de garagem. O repertório é incrível, e as canções são todas bem pesadas e energéticas. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Love And Only Love, Mansion On The Hill, Country Home, Love To Burn, Over And Over 
Vale a Pena Ouvir: F*!#in' Up, Days That Used To Be

Harvest Moon – Neil Young





















NOTA: 10/10


Dois anos se passam, e foi lançado outro disco atemporal do Neil Young, o Harvest Moon. Após o Ragged Glory, o cantor decidiu seguir uma direção completamente diferente. Depois de um período intenso de guitarras distorcidas e longas improvisações com o Crazy Horse, ele voltou sua atenção novamente para um estilo mais calmo e introspectivo. Young enfrentava problemas físicos que dificultavam tocar guitarra elétrica por longos períodos, o que contribuiu para que ele se aproximasse novamente do violão e de arranjos mais suaves. A produção, conduzida por ele junto com Ben Keith, privilegiou arranjos suaves e orgânicos. Violões acústicos, piano, harmônicas e steel guitar formam a base instrumental da maioria das faixas. Além disso, há uma presença significativa de violinos e outros instrumentos de cordas que adicionam textura e profundidade ao som. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Harvest Moon, Unknown Legend, From Hank To Hendrix, One Of These Days 
Vale a Pena Ouvir: Old King, You And Me

Sleeps With Angels – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9/10


Se passam mais dois anos, e Neil Young retorna com um disco mais experimental, o Sleeps with Angels. Após o clássico Harvest Moon, o cantor voltaria a colaborar com o Crazy Horse em um projeto muito mais sombrio e emocionalmente carregado. O contexto emocional do disco foi influenciado pela morte do Kurt Cobain, que havia citado Neil Young como uma de suas grandes inspirações, chegando inclusive a mencionar uma frase da música Hey Hey, My My (Into the Black) em sua carta de despedida. A produção, feita pela última vez junto com David Briggs, teve uma abordagem bem mais ampla, apresentando uma variedade incomum de texturas sonoras. Além das guitarras distorcidas, há momentos em que Young utiliza instrumentos diferentes, como piano e flauta, fazendo uma junção de Art Rock com Folk, Country e Blues Rock. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem atmosféricas e melancólicas. No geral, é um disco bacana e mais reflexivo. 

Melhores Faixas: Sleeps With Angels, Change Your Mind, Trans Am, Western Hero, Train Of Love 
Vale a Pena Ouvir: Prime Of Life, Blue Eden

Mirror Ball – Neil Young





















NOTA: 8,7/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado seu peculiar 23º álbum de estúdio, o Mirror Ball. Após o Sleeps with Angels, Neil Young vinha sendo redescoberto pelo público alternativo. Bandas do Grunge frequentemente citavam sua influência, e esse diálogo entre gerações ganhou força no início dos anos 90. Young havia trabalhado com Pearl Jam em apresentações ao vivo, especialmente em eventos beneficentes organizados contra a empresa Ticketmaster, com quem a banda travava uma disputa na época. Então eles decidiram unir forças para lançar um disco que unisse esses mundos. A produção, feita por Brendan O'Brien, colocou um som pesado e direto, com guitarras distorcidas e arranjos relativamente simples, mas muito intensos. Isso passa um clima de jam session que remete tanto ao Grunge quanto ao Rock garageiro, além de elementos do Hard Rock. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem energéticas. Em suma, é um disco bacana e bem ousado. 

Melhores Faixas: Act Of Love, Throw Your Hatred Down, Truth Be Known, Downtown, I'm The Ocean 
Vale a Pena Ouvir: Scenery, Peace And Love, Song X

                                                                    Então é isso, um abraço e flw!!!         

domingo, 8 de março de 2026

Review: GODAMN SELECT do FAB GODAMN

                     

GODAMN SELECT – FAB GODAMN





















NOTA: 8,4/10


Alguns dias atrás, o FAB GODAMN lançou sua 2ª mixtape deste ano, o GODAMN SELECT. Após o FATALFATALFATAL, o rapper continuou focando em seus projetos e decidiu preparar uma tape que remontasse os tempos do início de sua carreira, quando ainda fazia PluggnB, revisitada após ele ter ganhado maior visibilidade. Com isso, decidiu fazer esse trabalho para aqueles que não conheciam essa sua fase. A produção contou com aqueles mesmos nomes e segue uma linha bastante alinhada às vertentes contemporâneas do PluggnB, com traços de Trap tradicional e até um pouco do R&B contemporâneo. Os beats são diretos e atmosféricos, apostando no minimalismo: baterias rápidas, hi-hats agudos, linhas de synth etéreas e melodias simples que encaixam com os flows agora mais cadenciados do FAB. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem aconchegantes. No fim, é um ótimo trabalho e bastante coeso. 

Melhores Faixas: É PRA ELA, Oi (Jé amassou), TANTO FAZ, CASHCASHCASH 
Vale a Pena Ouvir: CÉU, POV

                                                                           Então é isso e flw!!!          

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 1

                 

Neil Young – Neil Young





















NOTA: 8/10


Em 1969, Neil Young entrava em sua carreira solo lançando seu disco de estreia autointitulado. A trajetória do cantor canadense começou por volta de 1963, quando começou a tocar em algumas bandas e, nesse meio tempo, conheceu artistas como Joni Mitchell e Rick James. Mas sua grande exposição veio na metade dos 60, quando foi integrante do Buffalo Springfield, banda que acabou durando apenas dois anos devido a imensos conflitos, e com isso ele decidiu fazer trabalhos solo e assinou com a Reprise Records. A produção foi feita por ele junto com David Briggs, Jack Nitzsche e Ry Cooder e apresentou um equilíbrio entre uma abordagem direta de cantor-compositor típica do Folk Rock. Por outro lado, há arranjos orquestrais relativamente elaborados que aparecem em várias faixas, algo que não agradou a Young nem um pouco. O repertório em si é bom, trazendo canções bem melódicas. No fim, é um ótimo disco que mostrou um caminho interessante. 

Melhores Faixas: The Old Laughing Lady, Here We Are In The Years 
Vale a Pena Ouvir: The Last Trip To Tulsa, The Loner, If I Could Have Her Tonight

Everybody Knows This Is Nowhere – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9,9/10


Em 1970, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o clássico Everybody Knows This Is Nowhere. Após seu disco de estreia, Young sentia que precisava de uma abordagem mais espontânea, baseada na energia do Rock tocado por uma banda. Nesse período, ele passou a trabalhar com um novo grupo de músicos que viria a se tornar fundamental em sua carreira: Crazy Horse. A formação original incluía Danny Whitten na guitarra e vocais, Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria. A produção foi feita junto com David Briggs, e as gravações trouxeram uma abordagem relativamente simples e direta. Em vez de arranjos orquestrais elaborados, a prioridade foi registrar o som cru da banda. Guitarras elétricas distorcidas, baixo pulsante e bateria direta formam a base da maioria das faixas, fazendo assim uma junção de Country Rock, Folk e Hard Rock. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cowgirl In The Sand, Down By The River, Everybody Knows This Is Nowhere 
Vale a Pena Ouvir: Cinnamon Girl, The Losing End (When You're On)

After The Gold Rush – Neil Young





















NOTA: 10/10


Então entramos nos anos 70, e foi lançado seu atemporal 3º álbum, o After the Gold Rush. Após o Everybody Knows This Is Nowhere, Neil Young continuava escrevendo canções mais delicadas e introspectivas. Durante esse período, ele também passou a integrar o supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, ao lado do David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, o que ampliou ainda mais seu alcance criativo. Outra coisa é que esse projeto seria originalmente cinematográfico, mas nunca chegou a ser concluído. A produção foi conduzida por ele com a ajuda de David Briggs e Kendall Pacios e foi construída a partir de piano ou violão, com arranjos relativamente simples. A voz de Young ocupa posição central nas gravações, frequentemente acompanhada apenas por poucos instrumentos, formando essa junção de Folk Rock e country. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Southern Man, Tell Me Why, After The Goldrush, Don't Let It Bring You Down, Only Love Can Break Your Heart 
Vale a Pena Ouvir: Birds, Till The Morning Comes, Oh Lonesome Me

Harvest – Neil Young





















NOTA: 9,9/10


Dois anos depois, Neil Young retorna com outro disco sensacional intitulado Harvest. Após o clássico After the Gold Rush e também o sucesso do Crosby, Stills, Nash & Young, o cantor passou a enfrentar problemas físicos significativos. Uma lesão nas costas dificultava apresentações mais intensas com guitarra elétrica, o que o levou a compor várias músicas ao piano ou ao violão, instrumentos que exigiam menos esforço físico. Esse fator acabou influenciando diretamente o tom mais calmo e acústico que dominaria o próximo disco. A produção foi feita junto com Elliot Mazer, Henry Lewy e Jack Nitzsche, e contou com músicos experientes da cena Country de Nashville, conhecidos como The Stray Gators. Esses músicos ajudaram a criar o som característico do disco, marcado por arranjos suaves, pedal steel expressivo e uma atmosfera relaxada. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e suaves. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Heart Of Gold, Old Man, The Needle And The Damage Done, Harvest, Out On The Weekend 
Vale a Pena Ouvir: A Man Needs A Maid, Alabama, Words (Between The Lines Of Age)

On The Beach – Neil Young





















NOTA: 10/10


Mais dois anos se passaram, e foi lançado mais um disco do Neil Young, o espetacular On the Beach. Após o enorme sucesso do Harvest, essa popularidade trouxe um tipo de exposição que Young nunca pareceu confortável em assumir. Fora que ele sofreu com perdas importantes, como a morte do guitarrista Danny Whitten, membro fundamental do Crazy Horse, após uma overdose de drogas. Pouco tempo depois, o roadie e amigo próximo Bruce Berry também faleceu devido a problemas relacionados a drogas, e tudo isso influenciou essa era chamada do Ditch Trilogy. A produção, conduzida em sua maioria por ele próprio, apresenta uma abordagem deliberadamente crua e atmosférica, com um som mais denso e introspectivo. Os arranjos são frequentemente minimalistas, permitindo que sua voz fique no centro. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. Enfim, é outro disco sensacional e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Revolution Blues, On The Beach, Walk On, See The Sky About To Rain 
Vale a Pena Ouvir: Ambulance Blues, Motion Pictures

Tonight's The Night – Neil Young





















NOTA: 9,5/10


Depois de mais um intervalo de dois anos, essa fase se encerra com o álbum Tonight’s the Night. Após o On the Beach, Neil Young tinha se afastado deliberadamente da sonoridade acessível que havia conquistado o grande público. Em vez disso, mergulhou em uma fase muito mais sombria e introspectiva de sua carreira. Esse trabalho seria ainda mais cru e emocionalmente devastador de toda a sua trajetória. A produção foi feita junto com David Briggs e Tim Mulligan e teve uma abordagem extremamente espontânea e crua. As sessões ocorreram principalmente em 1973 em um ambiente que muitos participantes descreveram como emocionalmente carregado. Onde gravavam durante longas sessões noturnas marcadas por improvisação, consumo de álcool e um clima de luto coletivo pela morte do Danny Whitten e Bruce Berry. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um disco incrível e bem maduro. 

Melhores Faixas: Tired Eyes, Albuquerque, Mellow My Mind, Tonight's The Night, Borrowed Tune, Roll Another Number (For The Road) 
Vale a Pena Ouvir: Lookout Joe, Come On Baby Let's Go Downtown, Speakin' Out

Zuma – Neil Young





















NOTA: 9,7/10


Já mais para o final de 1975, foi lançado outro álbum do cantor canadense intitulado Zuma. Após o Tonight’s the Night, depois de mais uma turnê cansativa com CSNY e da tentativa de um 2º álbum que não foi adiante, Neil Young voltou a trabalhar intensamente com o Crazy Horse. Com a entrada do guitarrista Frank Sampedro, ao lado do Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria, a banda criou uma energia diferente. A produção foi aquela de sempre, apostando em arranjos simples e na interação entre os músicos. Um elemento essencial da sonoridade do álbum é o diálogo entre as guitarras de Young e Sampedro. Os dois criam camadas de riffs e solos que frequentemente se estendem por vários minutos, especialmente nas faixas mais longas, fazendo com que elementos de Folk Rock, Hard Rock e Country funcionem bem. O repertório é ótimo, e as canções são bem imersivas e melódicas. Enfim, é um trabalho incrível e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Cortez The Killer, Danger Bird, Don't Cry No Tears, Stupid Girl 
Vale a Pena Ouvir: Drive Back, Lookin' For A Love

American Stars 'N Bars – Neil Young





















NOTA: 8,5/10


Pulando para 1977, Neil Young retorna com mais trabalho novo, o American Stars ’N Bars. Após o Zuma, Young começou a entrar em uma fase mais dispersa em termos de produção artística. Em vez de trabalhar em projetos com uma direção conceitual muito definida, ele passou a reunir músicas gravadas em diferentes momentos e contextos. Esse método de montagem passou a refletir a forma de trabalhar do cantor naquele período. A produção foi bastante variada, com a participação de músicos associados ao Crazy Horse, enquanto outras faixas foram registradas com músicos da cena Country de Nashville. Essa diversidade de sessões resulta em um disco sonoramente variado. Algumas músicas apresentam arranjos suaves e acústicos, enquanto outras são dominadas por guitarras elétricas mais pesadas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Like A Hurricane, The Old Country Waltz, Star Of Bethlehem, Hold Back The Tears 
Vale a Pena Ouvir: Will To Love, Bite The Bullet

Comes A Time – Neil Young





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um álbum do Neil Young, intitulado Comes a Time. Após o American Stars ’N Bars, o cantor começou a demonstrar interesse em retornar a uma sonoridade mais acústica e tradicional. Ele já havia experimentado esse caminho anteriormente, mas desta vez a abordagem seria um pouco diferente: em vez de um álbum dominado por produção relativamente polida e arranjos orquestrais ocasionais, Young buscava um som ainda mais simples e intimista. A produção foi feita junto com David Briggs, Ben Keith e Tim Mulligan, apresentando arranjos relativamente simples, dominados por violão, piano, pedal steel e harmonias vocais suaves. A atmosfera do disco é extremamente calorosa e contemplativa. A instrumentação raramente busca intensidade, e com isso a sonoridade fica puxada para o Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem caloroso. 

Melhores Faixas: Comes A Time, Four Strong Winds, Already One, Human Highway 
Vale a Pena Ouvir: Piece Of Mind, Goin' Back

Rust Never Sleeps – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 10/10


Chegando ao fim dos anos 70, Neil Young lança outro álbum fenomenal, o Rust Never Sleeps. Após o Comes a Time, ele voltou a trabalhar intensamente com o Crazy Horse. Ao mesmo tempo, o cenário do Rock estava mudando rapidamente. O final da década viu o surgimento do Punk e da New Wave, movimentos que criticavam o Rock estabelecido dos anos anteriores por considerá-lo excessivamente grandioso ou complacente. Neil Young observava essas mudanças com interesse. A produção foi bem peculiar, já que as gravações foram ao vivo, mas ajustadas em estúdio, com um lado acústico apresentando arranjos minimalistas, e um lado elétrico trazendo guitarras distorcidas, ritmos pesados e longos solos improvisados, fazendo uma junção de Folk Rock, Country e Hard Rock, algo que influenciou muito a cena do Grunge. O repertório é maravilhoso, com canções melódicas e outras mais pesadas. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: My My, Hey Hey (Out Of The Blue), Hey Hey, My My (Into The Black), Powderfinger, Pocahontas
Vale a Pena Ouvir: Thrasher, Sedan Delivery, Sail Away

Hawks & Doves – Neil Young





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, Neil Young lançava mais um disco, intitulado Hawks & Doves. Após o Rust Never Sleeps, Young começava a lidar com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu filho Ben, que tinha paralisia cerebral, exigia atenção constante da família, e isso influenciou a maneira como o músico organizava sua rotina e seus projetos. Esse álbum acabou sendo relativamente curto, já que parte do material havia sido gravado anos antes, enquanto outras faixas foram registradas pouco antes do lançamento. A produção foi mais orgânica, apresentando duas abordagens distintas. A primeira metade contém arranjos acústicos simples, com violão e instrumentação minimalista. Já a segunda metade mergulha mais profundamente na estética do Country tradicional, com presença de pedal steel, violino e ritmos típicos do gênero. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e envolventes. No geral, é um disco bacana e meio subestimado. 

Melhores Faixas: Stayin' Power, Hawks & Doves 
Vale a Pena Ouvir: Little Wing, Union Man, Lost In Space

Re·ac·tor – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o 12º álbum do Neil Young, intitulado Re·ac·tor, que foi mais ousado. Após o Hawks & Doves, o cantor parecia cada vez menos interessado em repetir fórmulas que haviam funcionado anteriormente. Com isso, decidiu retornar à parceria com o Crazy Horse, mas sem a grandiosidade conceitual de Rust Never Sleeps. Em vez disso, o álbum apresenta um Hard Rock mais direto, por vezes até rudimentar, que muitos interpretam como uma tentativa de capturar a energia espontânea das sessões de estúdio. A produção, conduzida por David Briggs, Tim Mulligan e Jerry Napier, resultou em uma sonoridade crua, valorizando a imperfeição, a espontaneidade e o volume alto das guitarras, privilegiando gravações com pouca ornamentação e arranjos simples, com foco absoluto na interação entre guitarra, baixo e bateria. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem pesadas e dinâmicas. Em suma, é um ótimo álbum, também bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Southern Pacific, Shots 
Vale a Pena Ouvir: T-Bone, Opera Star


Analisando Discografias - Neil Young: Parte 2

                  Trans – Neil Young NOTA: 8,1/10 Em 1983, foi lançado mais um novo trabalho de Neil Young, intitulado Trans, que trouxe uma...