terça-feira, 20 de outubro de 2026

Analisando Discografias - IZA

                  

Dona De Mim – IZA





















NOTA: 5/10


Indo agora para 2018, IZA lançava seu álbum de estreia, o Dona de Mim, que trazia algo promissor. A cantora carioca começou sua carreira por volta de 2016, quando acabou sendo descoberta por meio de seu canal no YouTube, onde fazia covers. Isso despertou o interesse da Warner Music, que assinou contrato com IZA. Com isso, esse projeto seria originalmente lançado no fim de 2017, mas teve que ser adiado devido a algumas das participações. A produção do Pablo Bispo, Ruxell e Sérgio Santos deixou um som limpo e extremamente acessível, que junta música Pop com R&B contemporâneo e alguns elementos do Rap. O uso de sintetizadores, sons programados, batidas digitais e baixos ajuda a construir uma sonoridade contemporânea. O problema é que o álbum fica bastante inchado, com muita bagunça nos arranjos. O que salva são os vocais potentes da cantora. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções fraquinhas. No geral, é um álbum irregular e sem brilho. 

Melhores Faixas: Dona De Mim, Ginga (ótima feat do Rincon), Pesadão (Marcelo Falcão foi até bem), Saudade Daquilo 
Piores Faixas: Você Não Vive Sem, No Ponto, É Noix (Thiaguinho esquecível demais), Rebola (Gloria Groove estragando a música)

AFRODHIT – IZA





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2023, quando IZA lançou seu 2º e mais recente álbum, o AFRODHIT. Após o Dona de Mim, ela consolidou sua posição no Pop nacional, acumulou sucessos e desenvolveu uma imagem pública associada à potência vocal e à valorização da identidade negra. Nesse trabalho, a referência a Afrodite, figura da mitologia grega associada ao amor, à beleza e ao desejo, é combinada à palavra “afro”, que remete à identidade negra e às matrizes africanas presentes em parte da linguagem musical do álbum. A produção foi diversificada, contando com André Nine, Nave, Papatinho e outros nomes, que seguiram uma abordagem limpa, com elementos do R&B, Afrobeats e Pop. O álbum apresenta synths discretos, baterias programadas com ritmos flutuantes e o uso de hi-hats em determinados momentos, mas muitas ideias parecem não se encaixar. O repertório é irregular, com canções fraquinhas e poucas interessantes. Em suma, é um álbum mediano ao qual faltou algo a mais. 

Melhores Faixas: Uma Vida É Pouco Pra Te Amar, Nunca Mais, Que Se Vá, Sintoniza (ótima feat do Djonga) 
Piores Faixas: Tédio, Batucada, Fé Nas Maluca (MC Carol não teve culpa), Boombasstic


                                                                                        É isso, então flw!!!             

Analisando Discografias - Hungria

                 

Hip Hop Tuning – Hungria Hip Hop





















NOTA: 3/10


No ano de 2009, o Hungria Hip Hop lançava seu álbum de estreia, o Hip Hop Tunning. O rapper brasiliense começou sua carreira em 2005, aos 14 anos, quando ainda era bastante aspirante. Foi somente durante a adolescência que ele começou a lançar alguns singles e ganhou certa notoriedade dentro da cena, já que suas composições tinham um certo apelo popular e aproximavam o Rap de elementos associados à cultura automotiva, às roupas de marca, às festas e à ostentação. A produção, conduzida por DJ Mix, apresenta um som direto e, ao mesmo tempo, acessível, já que isso aqui é praticamente Crunk, muito inspirado no Rap sulista americano. Com isso, temos 808s marcados e ritmos fortes. O problema é que tudo soa extremamente datado, e os flows do Hungria são simplistas. O repertório é ruim, com canções medíocres e poucas faixas interessantes. No fim, é um álbum terrível que envelheceu muito mal. 

Melhores Faixas: Bens Materiais, Trinca Os Graves, Quantas Vezes Vi 
Piores Faixas: Paga Pau, Fumaça, La No Posto É Nós Que Manda (Remix), Quer Parar?!

Meu Carona – Hungria Hip Hop





















NOTA: 5/10


Seis anos se passaram até Hungria estourar de vez com seu 2º álbum, o Meu Carona. Após o Hip Hop Tunning, o rapper passou a fazer parte do grupo Son d’Play, com o qual chegou a lançar alguns trabalhos, mas, em 2013, acabou voltando para sua carreira solo. Decidiu, então, fazer um álbum em que a figura dos veículos funciona como cenário para histórias de relacionamentos, festas, amizades, conflitos e conquistas. As produções de Neguim e DuckJay seguiram aquela abordagem do Crunk, mas já apresentavam alguns elementos que viriam a fazer parte do Trap no Brasil. Temos beats amplos, com a presença de 808s graves, pads que deixam o som mais atmosférico e uma percussão digital muito marcada. Mesmo assim, tudo soa impreciso, com momentos excessivos. Já os flows do Hungria até apresentam alguma variação, mas não se sustentam. O repertório é mediano: tem canções legais e outras esquecíveis. No final, é um álbum irregular, mas que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Zorro Do Asfalto, Sai Do Meu Pé, O Playboy Rodou 
Piores Faixas: Baú Dos Piratas, Meu Carona, Cama De Casal

Atmosfera – Hungria





















NOTA: 2,5/10


Foi apenas em 2023 que Hungria voltou com seu 3º álbum, intitulado Atmosfera. Após o Meu Carona, o rapper continuou ampliando seu território dentro do Rap nacional, já que lançou vários singles de sucesso nesse meio-tempo, como Lembranças, Dubai, Provavelmente, Beijo Com Trap e Amor e Fé. Foi só depois de um tempo que ele lançou um projeto que procurava ampliar a dimensão emocional de suas composições por meio de arranjos sinfônicos, cordas e uma interpretação musical pensada para criar uma experiência mais cinematográfica. A produção contou com WC no Beat, Duckjay, entre outros, que apresentaram um som acessível, unindo Rap, Pop Soul e elementos de música orquestral. Só que tudo soa extremamente arrastado e não consegue se sustentar. Até os vocais de Hungria soam muito confusos. O repertório é ruim: tem canções até decentes e outras que são simplesmente ridículas. No final, é um álbum chato que não funcionou. 

Melhores Faixas: Céu Aberto, Atmosfera 
Piores Faixas: Seu Pai Falou, Preta, Rolê

Virou Verão – Hungria





















NOTA: 2/10


Então chegamos a 2025, quando Hungria lançou seu álbum mais recente, o Virou Verão. Após o Atmosfera, Hungria explicou que sempre teve facilidade para circular entre diferentes estilos, citando influências que vão do Sertanejo ao Forró e ao Rap. Ele também ressaltou que o objetivo era reunir amigos da música e apresentar uma nova versão de sua identidade artística, com mais espaço para a mistura de ritmos. A produção contou com DJ Mall No Beat, Deko e vários outros, que criaram beats amplos que, como dito, transitam entre Pagode, Trap, Piseiro, entre outros estilos, lembrando que isso foi gravado no complexo Thermas da Mata, em Cotia, na Grande São Paulo, então teve edição em estúdio. Mas tudo aqui soa extremamente sem alma e bagunçado, feito apenas para continuar no topo das paradas e também viralizar no TikTok. O repertório é horrível, e as canções são ridículas, com apenas uma exceção. Enfim, é um álbum tenebroso e uma mancha podre. 

Melhores Faixas: Vagabundo de Luxo (WIU mandou bem) 
Piores Faixas: Minha Quebrada (Grelo indo mal), Só Deus (Turma Do Pagode esquecíveis), Lua de Mel (vou falar, o que do Léo Santana?)


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Analisando Discografias - TZ da Coronel

                 

É o Trem! – TZ da Coronel





















NOTA: 5/10


Em 2022, o TZ da Coronel lançava seu álbum de estreia, intitulado É o Trem!, que ainda era um teste de ideias. O rapper começou sua carreira por volta de 2017, quando participava de batalhas de rimas, mas foi só em 2019 que começou a lançar seus singles dentro da cena underground do trap carioca, tornando-se um dos nomes promissores do gênero ao se afiliar ao selo independente Calli Cartel. Com isso, ele preparou um projeto que relatasse vivências, ambições e a realidade das favelas cariocas. A produção ficou a cargo de Maolee, Vinta e Victor WAO, que criaram uma sonoridade orgânica que mistura o Trapfunk com pequenos elementos do No Melody. O trabalho conta com beats pesados, hi-hats constantes, 808s marcados e uso de synths bem discretos. O problema é que tudo acaba ficando muito repetitivo, e os flows do TZ apresentam pouca variação. O repertório é irregular, com canções boas e outras esquecíveis. No final, é um trabalho fraquinho, que funciona mais como uma apresentação. 

Melhores Faixas: Não Faz Isso Comigo Não, Mirante (boa feat do BG), Lente Transparente
Piores Faixas: Grife, Império, MDL City, Show Do Milhão

Dacoromode – TZ da Coronel





















NOTA: 6/10


No ano seguinte, o TZ da Coronel lançou seu 2º álbum, o ambicioso Dacoromode. Após o É o Trem!, o rapper começou a ganhar muito destaque, inclusive chegando a participar do Poesia Acústica 13 e assinando com a gravadora Nadamal, do Filipe Ret. No entanto, ele ficou pouco tempo na gravadora, já que fundou sua própria label, a Cúpula. O conceito desse trabalho parte da experiência de crescer em uma comunidade periférica, enfrentar obstáculos e tentar conquistar uma posição de destaque sem esquecer de onde veio. A produção feita pelo próprio TZ, junto com nomes como 6ee, Galdino, Ariel Donato, entre outros, que criaram beats limpos, com 808s pesados, pads atmosféricos e hi-hats firmes, misturando o Trapfunk com alguns elementos do R&B, Detroit e Afrobeats. Mas o problema é que tudo soa muito inchado, e os flows voltam a se repetir. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum cansativo e excessivo. 

Melhores Faixas: Ela Joga no 7 (KayBlack mandou bem e Ryan SP só existe aí), Cheiro de Sexo, Barras (ótima feat do Leviano), Sonho, Posso Dizer 
Piores Faixas: Ouro e Fuzil, Boa Sorte Mesmo, 01 do R, Eu Vi, Skyfall

Direto da Selva – TZ da Coronel





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2024, o TZ lançou seu terceiro álbum, o Direto da Selva, que seguiu por um caminho interessante. Após o Dacoromode, ele decidiu fazer um trabalho que utiliza a imagem da selva como metáfora para um sistema em que os indivíduos precisam competir para conquistar espaço. O conceito dá continuidade a temas que já apareciam nos trabalhos anteriores, mas a diferença é que, aqui, esses assuntos são organizados em torno de uma ideia mais específica. A produção contou com Nagalli, meLLo, Murilo e LT no Beat e vários outros nomes, que criaram beats bem mais pesados, com 808s constantes, hi-hats discretos, pads atmosféricos e uso preciso de synths, seguindo uma abordagem muito mais voltada para o Trap tradicional, com elementos do Drill. Além disso, os flows do TZ estão bem variados e precisos. O repertório é muito legal, com canções divertidas e algumas faixas reflexivas. No final, é um ótimo álbum e um grande acerto. 

Melhores Faixas: Qual é seu desejo?, Não Temos Medo, Acordado Eu Sonho, Mente Além, Ando Só, Direto da Selva 
Vale a Pena Ouvir: 17 de Janeiro, Amanheceu, Nossa Postura

Direto da Selva (Deluxe) – TZ da Coronel





















NOTA: 2,5/10


No final daquele mesmo ano, o rapper decidiu lançar a versão deluxe do Direto da Selva. Após o álbum original, que consolidou ainda mais o TZ como um dos principais nomes do Trap RJ, o rapper decidiu lançar uma continuação que amplia esse universo sem abandonar o conceito central. Ele continua explorando sua relação com a comunidade, a importância de sua trajetória, a conquista financeira e as dificuldades de confiar nas pessoas. A produção permaneceu relativamente a mesma, mas, agora, a abordagem alterna entre momentos mais limpos e outros mais crus. As batidas ficaram um pouco mais amplas, com maior uso de hi-hats e pads firmes, enquanto os 808s estão mais contidos. O flow do TZ consegue ser bem variado, mas o problema é que tudo soa muito sem inspiração e parece ter sido feito às pressas. O repertório é ruim, com canções sem brilho e poucas faixas interessantes. Em suma, é um álbum fraco que não acrescenta praticamente nada. 

Melhores Faixas: Ambições (Ryu amassando), Prefiro o Tz Antigo 
Piores Faixas: Nem Quero Que Essa Bomba, Não Temos Medo (Remix) (Ret e Orochi esquecíveis), A Verdade Machuca

MIXTAPE DE VERÃO: GOSTOSAS OUVEM TZ – TZ da Coronel





















NOTA: 2/10


No final do ano seguinte, foi lançada MIXTAPE DE VERÃO: GOSTOSAS OUVEM TZ. Após o Direto da Selva (Deluxe), o TZ começou a se aventurar no boxe, lutando no Fight Music Show, um evento de lutas amadoras entre famosos. Mas, tirando isso, ele não só mudou sua aparência, como também decidiu fazer um projeto que funcionasse em diferentes situações: ouvindo individualmente, em festas, durante passeios ou em momentos de descontração. A produção ficou a cargo de DJ Alle da Coro, meLLo e TKD, que criaram beats limpos, com graves destacados, linhas de baixo profundas, programações eletrônicas e hi-hats para sustentar o balanço vocal, dialogando com o Trap, Dancehall e o Funk. Mas o problema é que tudo soa sem qualquer coesão, com repetição excessiva de arranjos e, além disso, o flow do TZ da Coronel não ajuda. O repertório é horrível, e as canções são muito medíocres, com apenas uma exceção. Enfim, é um trabalho terrível e um fiasco. 

Melhores Faixas: VAI DESCE BABY (Veigh mandou bem) 
Piores Faixas: ELA É 01, FUZUÊ NA CORONEL, DAILY, MUSA DO VERÃO

PALÁCIO DE LONA – MC Cabelinho & TZ da Coronel





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 2026, quando MC Cabelinho e TZ da Coronel lançaram um álbum colaborativo, o PALÁCIO DE LONA. Após o MIXTAPE DE VERÃO: GOSTOSAS OUVEM TZ, os dois, que já haviam colaborado em vários de seus respectivos projetos, decidiram fazer um trabalho que tenta construir uma imagem de sucesso que não depende de abandonar as próprias origens, mas de levá-las para os novos espaços ocupados pelos artistas. A produção ficou a cargo de Dallass, Nagalli, Palma, entre outros, que criaram beats pesados, com uso de 808s profundos, synths melódicos, pads atmosféricos e hi-hats rápidos. Só que o grande problema é que tudo soa muito repetitivo, com poucos momentos de variedade, além de as performances de ambos parecerem excessivamente contidas e insistirem nos mesmos clichês de sempre. O repertório é muito ruim, com canções genéricas e esquecíveis. Enfim, é um álbum fraco e muito decepcionante. 

Melhores Faixas: GLOCKS & BERÇA, BOM E NOVO, FATOR SURPRESA 
Piores Faixas: MENOR SUICIDA, TÁ COM ESSA DAÍ, BAILE DE MORRO, LOBO MAU (Poze e Oruam piorando o que já era ruim), PUSSY

                                                                                  Por hoje é só, então flw!!!            

domingo, 18 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Emílio Santiago

                 

Emílio Santiago – Emílio Santiago





















NOTA: 10/10


Em 1975, Emílio Santiago lançava seu álbum de estreia, que trazia uma abordagem interessante. O cantor carioca começou sua carreira por volta de 1968, quando era crooner da orquestra de Ed Lincoln. Em 1973, lançou seu primeiro compacto pela Polydor, com as canções “Transa de Amor” e “Saravá Nega”, o que o levou a uma maior participação em rádios e programas de televisão. Com isso, ele começou a preparar um álbum que contava com composições de artistas consagrados, mas que acabaram engavetadas. A produção, feita por Durval Ferreira, deixou uma sonoridade bem detalhada, que juntava Samba Soul com elementos de Funk, Jazz e Bossa Nova. O uso do piano elétrico acrescenta certa sofisticação, enquanto os metais trazem brilho, profundidade e movimento. Os vocais de Emílio são bastante expressivos. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. No final, é um baita disco e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Brother, Bananeira, Sessão Das 10, Quero Alegria, Nega Dina 
Vale a Pena Ouvir: Porque Somos Iguais, Batendo A Porta, Depois

Comigo É Assim – Emílio Santiago





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, Emílio Santiago lançava seu 2º álbum, o Comigo É Assim, que apresentava algo mais sofisticada. Após o álbum de estreia, ele ampliou o espaço dedicado ao samba, às composições de caráter popular e às canções que exploram o relacionamento amoroso. Como a música brasileira nesse período estava em um processo de ebulição, Emílio se encontrava em uma posição privilegiada para explorar esse cenário. A produção, feita por Roberto Santana, seguiu uma abordagem harmônica bastante sofisticada, com o samba aparecendo tanto em suas formas mais tradicionais quanto em abordagens mais modernas, enquanto as canções românticas oferecem espaço para interpretações vocais mais delicadas. Na verdade, os vocais do Emílio são bastante variados e descontraídos. O repertório é incrível, com canções bastante divertidas e algumas mais intimistas. Enfim, é outro disco fenomenal e extremamente consistente. 

Melhores Faixas: Minha Esquina, Nega, Descarrego, Preconceito (Pura Tolice), Domingo, Dança, Comigo É Assim 
Vale a Pena Ouvir: Descarrego, Quando Chegares, No Balanço Do Trem, Dança Mineira

Feito Para Ouvir – Emilio Santiago





















NOTA: 9,2/10


Naquele mesmo ano, Emílio lançava mais um álbum, intitulado Feito Para Ouvir. Após o Comigo É Assim, embora ele já tivesse demonstrado versatilidade em seus discos anteriores, aqui a intenção era direcionar essa capacidade para canções que valorizassem a sutileza, a riqueza melódica e a expressividade vocal. Vale lembrar que o cantor havia conquistado seu espaço dentro da gravadora Philips, que havia assinado contrato com ele no ano anterior. A produção seguiu uma abordagem sofisticada e dinâmica, que junta MPB com samba-soul. A riqueza está nos arranjos, na escolha dos timbres e na maneira como os músicos trabalham as harmonias. O piano acústico e o piano elétrico do Laércio de Freitas são elementos centrais dessa linguagem, oferecendo tanto acompanhamentos delicados quanto passagens de maior complexidade harmônica. O repertório é sensacional, e as canções ficaram muito mais melancólicas. No geral, é um belo disco e bastante relaxante. 

Melhores Faixas: Beijo Partido, Tristeza De Nós Dois, Beijo Partido, Se Pelo Menos Você Fosse Minha, Rua Deserta, E Agora 
Vale a Pena Ouvir: Última Forma, Olha Maria

Emilio – Emilio





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou até Emílio lançar seu 4º álbum de estúdio, que levava seu nome. Após o Feito Para Ouvir, decidiram investir em uma seleção mais ampla de ritmos, com espaço para sambas tradicionais, composições dançantes e canções sentimentais. Essa diversidade não significa que o cantor tenha abandonado a sofisticação interpretativa; pelo contrário, ela permite que suas qualidades vocais sejam exploradas em contextos bastante distintos. A produção ficou a cargo de Sérgio de Carvalho e Roberto Santana, que procuraram adaptar os arranjos às características de cada composição. O piano, os violões, as guitarras e os instrumentos de sopro desempenham papéis diferentes ao longo do repertório, enquanto o baixo, a bateria e a percussão estabelecem bases que podem ser mais suaves ou dançantes. O repertório é maravilhoso, e as canções são bastante melódicas e cadenciadas. No final, é outro belo disco, que também é bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Cabelo Pixaim, Por Uma Vez Só, Total Abandono, Vida Maré, Não Quero Mais Chorar, Amante Amado 
Vale a Pena Ouvir: Afina O Meu Violão, Compositor, Menina Danada

O Canto Crescente De Emilio Santiago – Emilio Santiago





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1979, o cantor lançava mais um álbum, O Canto Crescente de Emilio Santiago. Após o álbum anterior, esse novo trabalho dá continuidade àquela variedade que vinha sendo apresentada, mas traz uma seleção particularmente forte de composições ligadas à tradição do samba e à interpretação sentimental. O título do álbum sugere uma trajetória artística em expansão, algo coerente com a fase que o cantor atravessava. A produção, assinada por Sérgio de Carvalho, conseguiu estabelecer um equilíbrio perfeito entre MPB, Samba, Bossa Nova e até traços de Jazz. Essa alternância favorece a diversidade, mas também torna a voz de Emílio o principal elemento de unidade. O cantor possui um fraseado bastante flexível, consegue articular as palavras com clareza e sabe adaptar a intensidade da interpretação ao conteúdo de cada música. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas belíssimas. Enfim, é um baita disco e outro clássico. 

Melhores Faixas: As Rosas Não Falam, Trocando Em Miúdos, Logo Agora, Rola Bola, Amigo É Pra Essas Coisas, Bufete E Cascudo, Homenagem Ao Malandro 
Vale a Pena Ouvir: Recado, Caridade, Dores De Amores

Amor De Lua – Emilio Santiago





















NOTA: 8,7/10


Em 1981, Emílio Santiago entrava na nova década com Amor de Lua, que apresentava uma abordagem diferente. Após O Canto Crescente*, em vez de se limitar a uma coleção de sambas tradicionais ou de canções românticas convencionais, o álbum reúne compositores de diferentes gerações e arranjos que incorporam elementos da música popular urbana. Isso se deve ao fato de que, naquele período, como já explicado várias vezes, todos os grandes nomes daquela geração precisavam tocar nas rádios. A produção apresenta uma sonoridade refinada e acessível, que combina Samba Soul e MPB com alguns elementos do Boogie. Ao mesmo tempo, o trabalho conserva uma unidade graças à voz de Emílio, que funciona como elo entre materiais bastante diferentes. Mesmo quando a instrumentação ganha maior densidade, a interpretação não se torna exagerada. O repertório é legalzinho, com canções bastante profundas. Enfim, é um disco bastante decente. 

Melhores Faixas: Nós Ou Ninguém, Me Dá, Me Dá, Desafogo, Estranho 
Vale a Pena Ouvir: Breve, Mais Uma Vez, Leva E Traz

Ensaios De Amor – Emilio Santiago





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, Emílio entrava de cabeça na modernidade com o álbum Ensaios de Amor. Após o Amor de Lua, o momento era especialmente interessante para a música brasileira. A presença de sintetizadores, guitarras, baixos marcados, percussão e metais permitia explorar uma sonoridade mais urbana e dançante, que dialogava com tendências internacionais sem abandonar as raízes nacionais. Emílio tinha o perfil ideal para esse tipo de repertório. Produção, feita por João Augusto e com arranjos do Lincoln Olivetti, apresenta uma sonoridade extremamente acessível e polida. Há momentos dominados por teclados e sintetizadores, outros que destacam guitarras, percussão e metais, além de passagens mais discretas nas quais o piano, os violões e a voz ganham maior protagonismo. O álbum consegue transitar bem entre o Samba Soul e o Boogie. O repertório é incrível, e as canções são envolventes e cadenciadas. No fim, é um baita disco que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Dentro De Você, Flor Dos Trópicos, Pelo Amor De Deus, Velas Içadas, Se Quiseres Me Deixar 
Vale a Pena Ouvir: Gente Séria, Ensaios De Amor, Lua Nova

Mais Que Um Momento – Emílio Santiago





















NOTA: 9,7/10


Mais um ano se passou até Emílio lançar outro álbum fantástico, o Mais Que Um Momento. Após o Ensaios de Amor, o cantor venceu o festival MPB Shell em 1982 com a canção Pelo Amor de Deus. Embalado por todo esse destaque, decidiu preparar um projeto que apresentasse algo mais amplo. Vale lembrar que Lincoln Olivetti e Robson Jorge participaram da construção de uma sonoridade elétrica e sofisticada, enquanto outros arranjadores ajudaram a dar características distintas a cada faixa. A produção, feita por Alexandre Agra e Durval Ferreira, manteve aquela sonoridade polida e radiofônica, mas variou um pouco entre o Boogie, elementos do Samba Soul, Jazz-Funk e Pop sofisticado. Com isso, temos sintetizadores que acrescentam brilho e uma textura moderna, enquanto as guitarras, o baixo e a bateria dão sustentação ao groove. O repertório é excepcional, e as canções são bastante envolventes. No final, é um baita disco, que também se destaca por sua ousadia. 

Melhores Faixas: O Amigo De Nova York, Quebra-Mar, Vem Menina, Mais Que Um Momento, Um Homem E Uma Mulher 
Vale a Pena Ouvir: Coragem Pra Se Separar, Carícia E Sedução, Ardume, Todos Os Tons

Aquarela Brasileira – Emilio Santiago





















NOTA: 8,5/10


Foi só cinco anos depois que o cantor retornou, lançando a série de álbuns intitulada Aquarela Brasileira. Após o Mais Que Um Momento, o cantor havia encerrado seu vínculo com a Philips e assinado contrato com a Som Livre. E, assim, ele ainda não havia alcançado a mesma dimensão de popularidade que conquistaria com esse projeto. A mudança veio a partir de uma proposta do produtor Roberto Menescal, que idealizou uma série dedicada à interpretação de grandes canções do repertório brasileiro. A produção, feita pelo próprio Menescal, deixou uma sonoridade acessível e muito sofisticada, que combina elementos da MPB com o Adult Contemporary. A instrumentação acompanha essa proposta, com arranjos voltados à clareza e à valorização da voz de Emílio, que ocupa o centro das atenções, enquanto o acompanhamento sustenta as melodias. O repertório é muito bom, com canções bem interpretadas. No geral, é um disco bacana que foi um estouro. 

Melhores Faixas: Nada Por Mim / Fullgás, Aquarela Do Brasil / Bye Bye Brasil, Anos Dourados / Eu Sei Que Vou Te Amar 
Vale a Pena Ouvir: Você É Linda / Coisas Do Coração, Ronda / Sampa

Aquarela Brasileira 2 – Emilio Santiago





















NOTA: 9/10


Aí, no final daquela década, foi lançado Aquarela Brasileira 2, e aqui ocorreu foi a consolidação. Após o primeiro volume, que foi um grande sucesso, a ideia central permanece a mesma neste segundo: revisitar composições conhecidas, aproximar diferentes gerações de compositores e apresentar um panorama da música brasileira por meio de uma interpretação vocal sofisticada. A produção seguiu a mesma abordagem, só que agora com um acabamento instrumental bastante polido, que se encaixa na sonoridade da MPB daquele final dos anos 1980. Os acompanhamentos, os teclados e as bases rítmicas dão suporte às melodias, enquanto os arranjos procuram manter a voz em evidência. Sua voz possui extensão, projeção e um timbre encorpado, mas sua maior qualidade está na capacidade de controlar a intensidade e adaptar o fraseado ao caráter de cada composição. O repertório é maravilhoso e muito bem interpretado. No fim, é um baita disco que fez sucesso. 

Melhores Faixas: Saigon, Ela Disse-Me Assim / Volta / Esses Moços, Desenho De Giz / Papel Marché, Mania De Você / Lança Perfume, Pérola Negra / Bem Que Se Quis 
Vale a Pena Ouvir: Universo Do Teu Corpo / Hoje, Preconceito / Louco (Ela É O Seu Mundo)

Bossa Nova – Emílio Santiago





















NOTA: 8/10


Já no começo dos anos 2000, Emílio Santiago lançava um novo projeto, o Bossa Nova. Após gravar sete volumes da série Aquarela Brasileira, o cantor já havia explorado boa parte do repertório clássico da música popular brasileira em diferentes formatos. A proposta de um disco de bossa nova permitiria apresentar um lado mais intimista de sua interpretação, além de contar com o apoio integral de sua nova gravadora, a Sony Music. A produção, conduzida por José Milton, apostou em uma sonoridade extremamente elegante e limpa. A presença de arranjos de cordas é um dos elementos centrais dessa abordagem. Em vez de funcionarem apenas como ornamento romântico, eles ajudam a criar uma atmosfera envolvente, especialmente nas músicas mais contemplativas. A voz do Emílio, por sua vez, é bastante segura, transmitindo aquela sensação de proximidade. O repertório é, obviamente, muito bom, e as canções são bem interpretadas. Enfim, é um ótimo disco e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Naquela Estação, Corcovado 
Vale a Pena Ouvir: Doce Viver, A Felicidade, Chuva, Manhã De Carnaval

De Um Jeito Diferente – Emílio Santiago





















NOTA: 5/10


Então chegamos ao último álbum lançado em vida por Emílio Santiago, o De Um Jeito Diferente. Após o Bossa Nova, o cantor havia gravado vários trabalhos ao vivo, mas, dessa vez, decidiu apresentar um repertório que mistura composições recentes, parcerias com músicos experientes e canções que dialogam com diferentes momentos da música brasileira. A produção, conduzida por Ricardo Silveira, resultou em uma sonoridade orgânica, que combina Bossa Nova e MPB. O baixo e a bateria sustentam o balanço, enquanto a percussão dá movimento. E a guitarra do Ricardo ajuda a dar unidade ao álbum sem ocupar espaço excessivo. Os vocais continuam bastante seguros e intimistas. Mas o problema é que tudo soa muito arrastado, com muita repetição de arranjos. O repertório é fraco, com algumas canções legais e outras que são apenas mais do mesmo. Em suma, é um álbum mediano. Infelizmente, em 2013, Emílio nos deixou, vítima de um AVC. 

Melhores Faixas: De Um Jeito Diferente, Olhos Negros (participação da Nana Caymmi), Dindi
Piores Faixas: Valeu, Não Me Balança Mais, E Era Copacabana, Contradição


                                                                            Então é isso, um abraço e flw!!!                 

Analisando Discografias - IZA

                   Dona De Mim – IZA NOTA: 5/10 Indo agora para 2018, IZA lançava seu álbum de estreia, o Dona de Mim, que trazia algo promi...