Bastard – Tyler, The Creator
NOTA: 4/10
No ano de 2009, o Tyler, The Creator lançava seu álbum de estreia, o pesado Bastard. O rapper, vindo de Hawthorne, na Califórnia, que teve uma infância difícil, já imaginava seu caminho na música e, ainda adolescente, após montar o Odd Future, já preparava seu 1º álbum com poucos recursos, produzindo suas próprias músicas e desenvolvendo uma estética extremamente particular. Aqui ele cria o personagem Dr. TC, um terapeuta fictício que funciona como seu interlocutor ao longo do projeto. A produção é feita por ele mesmo, com beats sombrios e minimalistas. As baterias são secas, os pianos melancólicos e os sintetizadores fantasmagóricos, dialogando com o Cloud Rap e elementos do Horrorcore e Rap experimental. Mas o maior problema é que a mixagem parece mal-feita, mesmo com os flows interessantes do Tyler. O repertório é fraco, com canções interessantes e outras esquisitas. Enfim, é um álbum de estreia ruim e que não envelheceu tão bem.
Melhores Faixas: Bastard, Seven, Inglorious, AssMilk (Earl Sweatshirt mandou bem), VCR/Wheels
Piores Faixas: Parade, French!, Sarah, Jack And The Beanstalk, Slow It Down, Tina
Goblin – Tyler, The Creator
NOTA: 2,7/10
Dois anos depois, Tyler, The Creator lança seu 2º álbum, o Goblin, que é mais aprofundado. Após o Bastard, o rapper, com 19 anos, vivia o auge inicial da fama online e lidava simultaneamente com atenção massiva, choque cultural e rejeição da crítica tradicional. Para esse álbum, ele decidiu aprofundar a narrativa do personagem Dr. TC, o terapeuta fictício que está em uma espécie de sessão contínua com Tyler, em que ele tenta enfrentar seus demônios internos, representados por Ace the Creator (agressivo) e Tron Cat (um ser maligno e uma voz assassina). A produção foi mais variada, com beats secos, sintetizadores distorcidos, graves pesados e uma sensação constante de desconforto, com elementos do Horrorcore, Cloud Rap e Rap industrial. Porém, mesmo que a proposta seja crua, tudo soa novamente mal mixado e com ideias inacabadas. O repertório é muito ruim e as canções são bem medíocres, com poucas exceções. No fim, é um disco completamente mal executado.
Melhores Faixas: Yonkers, She (baita feat do Frank Ocean)
Piores Faixas: Analog, Radicals, Bitch Suck Dick, Her, Sandwitches, Fish
Wolf – Tyler, The Creator
NOTA: 9/10
Em 2013, o rapper voltou lançando seu 3º álbum, intitulado Wolf, e aqui as coisas deram certo. Após o Goblin, Tyler conseguiu amadurecer com o passar desses dois anos e aqui ele desenvolve uma obra que gira em torno do personagem Wolf Haley, chegando ao acampamento fictício Camp Flog Gnaw, onde conhece personagens como Sam, Salem e outros indivíduos que fazem parte da narrativa. Pelo que é explicado ao decorrer da narrativa do disco, esse trabalho se passa antes do Goblin, já que no final reaparece Dr. TC. A produção foi mais variada, com beats pesados e atmosferas sombrias. Os sintetizadores estão presentes, só que dividindo espaço com pianos elaborados, guitarras suaves, bateria com grooves riquíssimos e linhas de baixo sustentadas. Tyler alterna entre flows cadenciados e cantos melódicos. O repertório é incrível e as canções são imersivas e delicadas. No fim, é um belo disco que mostra o amadurecimento do rapper.
Melhores Faixas: Answer, IFHY, Rusty (Domo Genesis e Earl Sweatshirt mandaram bem demais), 48, Awkward, Lone, Treehome95, Pigs, Parking Lot
Vale a Pena Ouvir: Cowboy, Tamale, Slater (ótima feat do Frank Ocean)
Cherry Bomb – Tyler, The Creator
NOTA: 8,7/10
Mais dois anos se passaram e Tyler, The Creator lançou mais um disco, o Cherry Bomb. Após o Wolf, mesmo sendo bastante reconhecido pela mídia e pelo público do Rap, Tyler estava insatisfeito com a imagem que havia construído até então. Com isso, o projeto não foca em personagens; assim, todos aqueles que foram apresentados em Wolf acabam sendo “mortos”, exceto o próprio Wolf (mas o dele fica guardado). Então esse projeto foca muito mais em Tyler ampliando suas referências musicais. Com uma produção profundamente experimental, há misturas de Jazz Rap, Rap industrial, Neo-Soul, Punk e R&B, entre outros estilos. E tudo é extremamente bem-feito, com arranjos sofisticados e, quando necessário, guitarras distorcidas, baterias explosivas e sintetizadores saturados que parecem competir entre si. O repertório é muito bom e as canções são bem divertidas e densas. Enfim, é um ótimo disco e criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Smuckers (baita feat do Kanye West e Lil Wayne), Pilot, F*****g Young / Perfect, 2Seater
Vale a Pena Ouvir: Blow My Load, Buffalo, Okaga, CA
Flower Boy – Tyler, The Creator
NOTA: 10/10
Indo para o maravilhoso ano de 2017, foi lançado o sensacional 5º álbum do Tyler, The Creator, o Flower Boy. Após o Cherry Bomb, que acabou sendo criticado por ser caótico demais, mas o rapper não recuou, ele decidiu aproveitar tudo o que havia aprendido durante a criação daquele álbum e aplicar essas ideias de forma mais refinada. O trabalho aborda temas como isolamento, ansiedade, autoconhecimento, amizade e identidade pessoal. Muitas das letras também trazem reflexões sobre a bissexualidade do Tyler. A produção foi bem mais refinada, com uma riqueza impressionante nos arranjos. Cordas, pianos, sintetizadores suaves, baixos melódicos e harmonias vocais aparecem constantemente, trazendo uma junção do Neo-Soul, Rap, Synth Funk e R&B alternativo. O repertório é simplesmente fantástico, parecendo uma coletânea, só tendo canção belíssima que transmite uma sensação de nostalgia e leveza. No geral, é um baita disco e certamente um clássico.
Melhores Faixas: See You Again, 911 / Mr. Lonely, Where This Flower Blooms (baita feat do Frank Ocean), Boredom, Foreword, Who Dat Boy (A$AP Rocky mandou bem)
Vale a Pena Ouvir: Garden Shed, I Ain't Got Time!, Glitter
Igor – Tyler, The Creator
NOTA: 10/10
Então mais um intervalo de dois anos passou, e foi lançado o espetacular IGOR. Após o clássico Flower Boy, Tyler praticamente abandona o formato tradicional de “rapper fazendo álbum de rap” e cria uma obra híbrida. Dessa vez, a narrativa gira em torno de um triângulo amoroso: o personagem Igor se apaixona por alguém que não consegue abandonar uma relação anterior. Ao longo do álbum, vemos um ciclo emocional completo por amor, obsessão, ciúme, raiva e aceitação. A produção foi bem sofisticada e ousada, com presença de sintetizadores analógicos, baixos saturados, pianos distorcidos e texturas puxadas para o Neo-Soul, com elementos do R&B alternativo e Rap experimental. Os vocais do Tyler são processados, alternando entre falsete artificial, voz grave distorcida e camadas vocais que criam a sensação de um coro interno. O repertório é sensacional, muito bem ordenado, uma coletânea total. Enfim, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: GONE, GONE / THANK YOU, NEW MAGIC WAND, EARFQUAKE, A BOY IS A GUN, ARE WE STILL FRIENDS?, I THINK
Vale a Pena Ouvir: WHAT’S GOOD, PUPPET, RUNNING OUT OF TIME
Call Me If You Get Lost – Tyler, The Creator
NOTA: 9,9/10
Indo para 2021, Tyler, The Creator lançava seu 7º álbum, o CALL ME IF YOU GET LOST. Após o IGOR, o rapper estava praticamente no seu auge e decidiu retornar a uma espécie de rapper confiante. A narrativa gira em torno do personagem “Tyler Baudelaire”, um homem rico, viajante, sedutor e introspectivo ao mesmo tempo, em que ele se apaixona pela namorada de seu melhor amigo, simbolizando uma traição, mesmo que no final ele acabe se ferrando. A produção foi bem expansiva e orgânica, com beats variados que vão desde Jazz Rap, Neo-Soul, Boom Bap e certos elementos da música francesa e do Synth Funk. Os arranjos são extremamente ricos, com cordas, pianos, baixos vivos, metais e samples usados com naturalidade. Além disso, os flows do Tyler são bem variados, indo de um lado mais cadenciado ao mais técnico. O repertório é sensacional e as canções são energéticas e introspectivas. Em suma, é um baita álbum e outro clássico.
Melhores Faixas: WUSYANAME (Ty Dolla $ign mandando bem como sempre em feat), SWEET / I THOUGHT YOU WANTED TO DANCE, CORSO, HOT WIND BLOWS (Lil Wayne amassando), WILSHIRE, LEMONHEAD, JUGGERNAUT (Lil Uzi Vert e Pharrell Williams mandaram bem)
Vale a Pena Ouvir: LUMBERJACK, SAFARI, RUNITUP
Então um abraço e flw!!!