It Was Written – Nas
NOTA: 10/10
Em 1996, o Nas lançava seu 2º álbum de estúdio, o It Was Written, que trouxe algumas mudanças. Após o atemporal Illmatic, o Rap tornava-se cada vez mais comercial. Artistas estavam alcançando números de vendas enormes, e as gravadoras buscavam transformar rappers em estrelas de alcance nacional. Nas percebeu essa mudança e decidiu ampliar sua abordagem. Em vez de repetir a estética minimalista e extremamente crua de seu debut, ele procurou criar um álbum mais ambicioso, cinematográfico e acessível. A produção contou com DJ Premier, Trackmasters, Live Squad, entre outros, que fizeram beats mais orgânicos, com samples de Soul, linhas de baixo marcantes e baterias mais limpas. Isso ajudou a tornar o álbum mais acessível sem abandonar completamente suas raízes de rua, juntando Boom Bap, Gangsta Rap e Rap Mafioso. O repertório é novamente sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um álbum espetacular e outra obra-prima.
Melhores Faixas: If I Ruled The World (Imagine That) (Lauryn Hill sensacional como sempre), The Message, Street Dreams, Take It In Blood, Nas Is Coming (produção do Dr. Dre), I Gave You Power
Vale a Pena Ouvir: Shootouts, Watch Dem Niggas, Affirmative Action
I Am... – Nas
NOTA: 6,4/10
Melhores Faixas: Nas Is Like, Hate Me Now (Puff Daddy até que mandou bem), Life Is What You Make It (DMX bem demais), Favor For A Favor
Piores Faixas: Ghetto Prisoners, You Won't See Me Tonight, I Want To Talk To You, Dr. Knockboot
Nastradamus – Nas
NOTA: 1/10
Meses depois, ele voltou com seu 4º álbum, o infame e horroroso Nastradamus. Após o I Am..., que havia sido profundamente afetado por vazamentos de músicas antes de seu lançamento, uma grande quantidade de material precisou ser reorganizada. Parte dessas gravações acabou sendo utilizada nesse projeto, enquanto outras foram retrabalhadas ou substituídas. Ao mesmo tempo, o disco também tenta manter sua relevância comercial através de músicas mais acessíveis voltadas para o rádio. A produção foi basicamente a mesma, com tudo sendo bem polido e acessível, apresentando maior presença de teclados, cordas sintetizadas, refrães melódicos e, claro, beats limpos que dialogam com o Gangsta Rap e até com o R&B. Só que tudo aqui soa como feito às pressas e com escolhas esquisitas. O repertório é terrível, e as canções chegam a ser ridículas e bastante medíocres. No final, é um álbum horroroso e uma das maiores porcarias já lançadas.
Melhores Faixas: (..................................)
Piores Faixas: You Owe Me, Last Words (nem Mobb Deep salvou), Some Of Us Have Angels, Nastradamus, New World, Shoot 'Em Up
Stillmatic – Nas
NOTA: 9,5/10
Melhores Faixas: One Mic, Ether (devolveu o troco em cima do Jay-Z), 2nd Childhood, Got Ur Self A..., You're Da Man, What Goes Around
Vale a Pena Ouvir: Every Ghetto, Smokin', Rule (Amerie só no refrão)
The Lost Tapes – Nas
NOTA: 9,7/10
No ano seguinte, Nas lançou uma coletânea chamada de The Lost Tapes, carregada de material inédito. Após o Stillmatic, a existência desse trabalho está diretamente ligada ao famoso vazamento que afetou o projeto original de I Am... no final dos anos 1990. Diversas músicas planejadas para aquele trabalho circularam ilegalmente antes do lançamento, forçando Nas e sua gravadora a alterarem completamente o material que seria lançado. A produção contou com The Alchemist, Precision, L.E.S. e afins, que adotaram uma estética mais crua, com beats variados que contêm pianos suaves, baixos profundos e um estilo voltado para o Boom Bap e o Jazz Rap. Além disso, o rapper segue por um caminho mais profundo, assumindo a postura de um observador das ruas. O repertório é sensacional, e as canções são reflexivas e introspectivas. Enfim, é um ótimo trabalho e vale a pena ir atrás.
Melhores Faixas: Purple, Doo Rags, No Idea's Original, My Way, Drunk By Myself, Nothing Lasts Forever
Vale a Pena Ouvir: Black Zombie, Blaze A 50, Poppa Was A Playa
God's Son – Nasir Jones
NOTA: 9/10
Ainda naquele mesmo ano, foi lançado seu 6º álbum intitulado God's Son, que seria mais profundo. Após o The Lost Tapes, o Nas enfrentou uma perda profundamente pessoal: a morte de sua mãe, Ann Jones, vítima de câncer. Essa tragédia influenciou profundamente a concepção do álbum. Enquanto Stillmatic era marcado por confrontos, afirmação artística e competitividade, esse novo álbum apresenta um artista mais introspectivo e emocionalmente vulnerável. Produção feita pelo rapper junto com The Alchemist, Salaam Remi, Eminem e entre outros, foi mais variada com utilização de pianos suaves, cordas emocionais, vocais sampleados e linhas melódicas que reforçam o caráter introspectivo. Conseguindo até que juntar elementos contemporâneos sem abandonar seu estilo característico. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas, mesmo com algumas fracas. Enfim, é um belo disco e que consegue te prender.
Melhores Faixas: Get Down, Made You Look, Thugz Mansion (N.Y.) (utilizaram bem uma gravação do 2Pac), Heaven, I Can, Warrior Song (Alicia Keys mandando bem)
Piores Faixas: Dance, Zone Out
Street's Disciple – Nas
NOTA: 4/10
Dois anos depois, foi lançado um álbum duplo do Nas, o Street's Disciple, que tentou ser mais conceitual. Após o God’s Son, o rapper vinha acumulando e sua vontade de explorar diferentes aspectos de sua personalidade artística. O período também coincidiu com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu relacionamento com Kelis estava em evidência, sua posição na indústria era mais estável e ele parecia menos preocupado em provar algo aos críticos. Produção contou com Chucky Thompson, Salaam Remi e entre outros, que colocaram beats mais amplos seguindo um pouquinho do Boom Bap com a presença de samples de Soul, Jazz, Funk, R&B e Gospel. Só que o grande problema é que muita coisa soa bem excessiva e faltando um maior detalhe ficando meio que uma encheção de linguiça. Refletindo, num repertório bem ruim, com canções que são bem genéricas e com algumas exceções. No geral, é um álbum fraquíssimo e que é bem arrastado.
Melhores Faixas: Just A Moment, Message To The Feds, Sincerely, We The People, Reason, Bridging The Gap
Piores Faixas: Suicide Bounce (Busta Rhymes perdido), You Know My Style, These Are Our Heroes, Rest Of My Life, Me & You (Dedicated To Destiny), Virgo (Ludacris mal aproveitado aqui), U.B.R. (Unauthorized Biography Of Rakim), The Makings Of A Perfect Bitch
Hip Hop Is Dead – Nas
NOTA: 6/10
Dois anos depois, ele voltou com mais um álbum novo intitulado Hip Hop Is Dead. Após o Street's Disciple, esse título desse novo projeto gerou enorme controvérsia antes mesmo do lançamento. Ao declarar que "o hip hop está morto", Nas não estava afirmando literalmente o fim da cultura. Sua intenção era provocar debate sobre os rumos do gênero. Na sua visão, o Rap comercial havia se tornado excessivamente dependente de fórmulas repetitivas, ostentação superficial e interesses corporativos. Produção feita por ele junto com Salaam Remi, L.E.S., Kanye West e entre outros, combina elementos clássicos do Boom Bap com influências contemporâneas dos anos 2000, criando uma sonoridade que dialoga simultaneamente com passado e presente. Só que é aquilo com o tempo isso fica bem monótono e faltando algo mais dinâmico. O repertório é irregular, tem canções boas e outras bem sem graça. Enfim, é um álbum mediano e bem impreciso.
Melhores Faixas: Still Dreaming (Kanye West no auge não preciso dizer nada), Carry On Tradition, Black Republican (Jay-Z mandando bem), Hip Hop Is Dead (produzido pelo will.i.am do Black Eyed Peas)
Piores Faixas: Can't Forget About You, Hope, Where Are They Now, Who Killed It?
Untitled – Nas
NOTA: 5/10
Em 2008, Nas volta com seu 9º álbum, que não possuía título, sendo então chamado de Untitled. Após o Hip Hop Is Dead, o álbum tornou-se alvo de intenso debate porque o rapper pretendia inicialmente chamá-lo de Nigger. A escolha tinha como objetivo provocar discussões sobre racismo, identidade negra e a forma como determinadas palavras carregam significados históricos complexos dentro da sociedade americana. Porém, devido à reação pública, esse trabalho ficou sem título, também para evitar problemas para a Def Jam Recordings. A produção foi feita por Jay Electronica, Mark Ronson, entre outros, que seguiram uma temática mais polida e acessível, com beats contemporâneos dos anos 2000 combinados com a tradição que sempre acompanhou os trabalhos do Nas. Mas tudo soa bastante repetitivo, repetindo os mesmos erros. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras genéricas. No fim, é mais um álbum mediano que não funcionou.
Melhores Faixas: You Can't Stop Us Now, N.I.*.*.E.R. (The Slave And The Master), America
Piores Faixas: Hero, We're Not Alone, Make The World Go Round (Chris Brown mal demais e The Game totalmente apagado)
Life Is Good – Nas
NOTA: 8,7/10
Foi só em 2012 que Nas lançou seu 10º álbum de estúdio, o Life Is Good, que foi bem mais profundo. Após o Untitled, o rapper enfrentava o fim de seu casamento com Kelis, um divórcio amplamente divulgado pela imprensa e que influenciaria diretamente o conteúdo do álbum. Ao chegar aos quarenta anos, Nas encontrava-se numa posição rara dentro do Hip-Hop/Rap. Muitos rappers de sua geração haviam desaparecido ou repetiam fórmulas antigas. Ele, por outro lado, buscava criar uma obra que refletisse amadurecimento, experiência e autoconhecimento. A produção, feita por Salaam Remi, No I.D. e afins, é sofisticada, elegante e extremamente orgânica, contendo beats variados, arranjos ricos, baixos suaves, pianos melancólicos, cordas discretas e samples cuidadosamente selecionados. Existe uma sensação constante de refinamento musical. O repertório é ótimo, e as canções são reflexivas e sentimentais. No geral, é um álbum bacana e bastante coeso.
Melhores Faixas: Loco-Motive, Cherry Wine (participação da Amy Whinehouse), Stay, Daughters
Vale a Pena Ouvir: You Wouldn't Understand, Accident Murderers (Rick Ross mandando bem), The Don
Nasir – Nas
NOTA: 8,5/10
Foi só seis anos depois que Nas retornou lançando um novo disco, intitulado Nasir. Após o Life Is Good, o rapper, nesse meio-tempo, fez uma parceria com a Mass Appeal, criando a gravadora independente de mesmo nome. Esse trabalho fez parte daquela série de álbuns que Kanye West produziu integralmente para diversos artistas, incluindo seus próprios lançamentos, conhecida como Wyoming Sessions, cujos discos eram bem curtinhos e refletiam sua visão criativa. A produção foi bastante fragmentada, com Kanye utilizando samples de Soul e Gospel, baterias minimalistas e mudanças abruptas de estrutura. Samples surgem e desaparecem, elementos sonoros entram de maneira inesperada e várias músicas possuem uma construção quase experimental. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e carregadas de crítica política e social. No fim, é um ótimo disco e criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Everything, Adam And Eve
Vale a Pena Ouvir: White Label, Cops Shot The Kid (Kanye e suas maluquices)
King's Disease – Nas
NOTA: 8,5/10
Entrando em 2020, ele lançou mais um álbum novo, o King's Disease, que trazia uma abordagem diferente. Após o Nasir, ele decidiu se unir ao produtor Hit-Boy, uma parceria que acabaria se tornando uma das mais importantes de sua carreira. O título faz referência a uma expressão associada aos problemas que acompanham riqueza, sucesso e poder. A ideia central do álbum gira em torno das consequências da ascensão social. Nas examina o que acontece quando alguém alcança objetivos que antes pareciam impossíveis. A produção foi bem variada e eficaz, com beats sofisticados, mas raramente excessivamente complexos. Os beats transitam entre Boom Bap, R&B, Drumless e até Trap, enquanto Nas consegue apresentar um flow preciso e cadenciado nos momentos certos. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser profundas e tematicamente interessantes. Em suma, é um ótimo disco e ainda era só o começo.
Melhores Faixas: The Cure, All Bad (ótima feat do Anderson. Paak), 10 Points
Vale a Pena Ouvir: Blue Benz, Full Circle, Replace Me (Don Toliver e Big Sean mandaram bem)
É isso, um abraço e flw!!!























