sexta-feira, 31 de julho de 2026

Analisando Discografias - Redman

                 

Whut? Thee Album – Redman





















NOTA: 9,9/10


Em 1992, Redman lançava seu clássico álbum de estreia, o Whut? Thee Album. O rapper, vindo de Newark, Nova Jersey, começou sua trajetória dois anos antes, já que fazia rimas desde a adolescência, até ser descoberto por Erick Sermon, que o chamou para fazer parte do coletivo Hit Squad. Em seu 1º álbum, ele apresenta aquilo que se tornaria uma de suas principais características: transformar qualquer assunto em entretenimento por meio de um carisma absurdo, misturando violência cartunesca e muita técnica. A produção foi feita pelo rapper junto com Erick Sermon, que construíram uma sonoridade crua sobre batidas pesadas, contando com linhas de baixo marcantes, baterias secas e samples de Parliament-Funkadelic, James Brown e outros artistas do Funk dos anos 70, reunindo tudo isso dentro da estética do Boom Bap. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas e carregadas de imersão. No fim, é um baita disco e era apenas o começo. 

Melhores Faixas: Tonight's Da Night, Time 4 Sum Aksion, Blow Your Mind, How To Roll A Blunt, Da Funk, Rated "R" 
Vale a Pena Ouvir: So Ruff, I'm A Bad, Jam 4 You

Dare Iz A Darkside – Redman





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, Redman lançou seu sensacional 2º álbum, o Dare Iz a Darkside. Após o Whut? Thee Album, o rapper decidiu explorar um lado muito mais sombrio, psicodélico e desorientador. O próprio Redman já comentou diversas vezes que esse foi um período turbulento de sua vida, marcado pelo abuso de drogas e por um estado mental instável, algo que acabou influenciando diretamente a criação do disco. A produção foi feita mais uma vez em parceria com Erick Sermon e Rockwilder, que trouxeram batidas mais orgânicas, com forte presença de baterias pesadas. Os elementos do Funk aparecem de forma muito mais distorcida, pesada e psicodélica. Os graves são enormes, e os loops parecem soterrados na mixagem. Os flows do Redman são bem variados, criando personagens com uma naturalidade impressionante. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Can't Wait, Basically, Bobyahed2dis, Da Journee, Winicumuhround, Rockafella, A Million And 1 Buddah Spots, Sooperman Luva II 
Vale a Pena Ouvir: Green Island, We Run N.Y., Cosmic Slop

Muddy Waters – Redman





















NOTA: 10/10


Em 1996, Redman lançava seu 3º álbum, o clássico e atemporal Muddy Waters. Após o Dare Iz a Darkside, o rapper já era um dos nomes mais respeitados da Costa Leste. Aqui, ele decidiu fazer um trabalho que equilibrasse os elementos de cada um de seus dois primeiros álbuns, preservando sua identidade caótica, mas apresentando uma estrutura mais consistente e uma seleção de músicas mais forte. A produção agora contou com nomes como Pras, Te-Bass e outros, que, no geral, seguiram por um caminho mais cru e orgânico, com batidas mais amplas, contando com baixos encorpados, guitarras com wah-wah, teclados vintage e baterias secas, criando uma identidade sonora extremamente consistente. Além dos já característicos samples de Funk, que entram dentro da estética do Boom Bap, os flows do rapper ficaram bem mais técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Em suma, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Do What Ya Feel (Method Man amassando), Rock Da Spot, Iz He 4 Real, Da Bump, On Fire, Creepin', Whateva Man, Rollin' 
Vale a Pena Ouvir: Smoke Buddah, What U Lookin' 4, Yesh Yesh Ya'll

Doc's Da Name 2000 – Redman





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos, e Redman lançou mais um álbum, o Doc's da Name 2000. Após o Muddy Waters, ele já era visto como um dos rappers mais carismáticos e tecnicamente consistentes da Costa Leste. Além disso, sua parceria com Method Man começava a ganhar enorme repercussão, aumentando ainda mais sua exposição dentro da Def Jam. Com isso, decidiu preparar um projeto mais comercial, mas sem abandonar sua forma de fazer Rap. A produção foi feita em parceria com Erick Sermon, Rockwilder, Roni Size e Gov Mattic, que seguiram por uma abordagem mais acessível, com batidas mais limpas, baterias fortes, graves definidos, sintetizadores discretos, linhas de baixo mais encorpadas e loops simples, mas ainda dentro da estética do Boom Bap. Os flows do Redman continuam muito variados e técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são até mais cadenciadas. Enfim, é um projeto bacana e muito injustiçado. 

Melhores Faixas: I'll Bee Dat!, Well All Rite Cha (Method Man indo bem), Let Da Monkey Out, Da Da Dahhh 
Vale a Pena Ouvir: Brick City Mashin'!, D.O.G.S., Cloze Ya Doors, Get It Live, Soopaman Lova IV

Malpractice – Redman





















NOTA: 4/10


Em 2001, Redman voltou lançando seu 5º álbum, o Malpractice, e aqui as coisas começaram a dar errado. Após o Doc's da Name 2000 e Blackout!, ao lado de Method Man, esse projeto foi concebido para ser mais acessível. O humor continua sendo uma das principais características de Redman, mas agora acompanhado por produções mais limpas e uma abordagem voltada para ampliar seu alcance comercial. A produção contou com DJ Twinz, Erick Sermon e vários outros, que adotaram uma abordagem mais polida para dialogar com o Rap mainstream, ou seja, batidas limpas, com baterias fortes, graves definidos e uma presença maior de sintetizadores, mesmo permanecendo dentro da estética do Boom Bap. Só que tudo soa extremamente reciclado e inchado, e os flows do Redman chegam a parecer bastante repetitivos. O repertório é ruim, embora tenha algumas canções legais, mas o resto é genérico. No final, é um álbum terrível e tedioso. 

Melhores Faixas: Enjoy Da Ride, Let's Get Dirty (I Can't Get In Da Club), J.U.M.P. (boa feat do George Clinton), Whut I'ma Do Now, Bricks Two 
Piores Faixas: Lick A Shot, Doggz II (DMX decepcionando), Da Bulls**t (Scarface não fez nada), Muh-F***a, Soopaman Luva 5 (Part 1), Real N****z, Uh-Huh

Red Gone Wild: Thee Album – Redman





















NOTA: 3/10


Seis anos depois, Redman voltou com mais um disco, o Red Gone Wild: Thee Album. Após o fraquíssimo Malpractice, ele ganhou ainda mais notoriedade pela comédia How High e por diversas turnês e participações especiais. Embora continuasse ativo, muitos fãs aguardavam um novo trabalho solo que mostrasse se Redman ainda conseguiria manter o mesmo nível criativo de seus discos dos anos 90. A produção contou com Timbaland, Pete Rock, E3, Da Mascot e vários outros, que trouxeram uma sonoridade polida, com batidas variadas, baterias marcantes, sintetizadores modernos, graves fortes e muitos samples de Funk, tudo isso dentro da sonoridade moderna do Rap mainstream da segunda metade dos anos 2000. Só que tudo é extremamente previsível, e os flows do rapper acabam sendo bastante repetitivos. O repertório é muito ruim, com canções chatas e poucas realmente interessantes. No geral, é um trabalho péssimo que apenas demonstrava a queda do Redman. 

Melhores Faixas: Gimmie One, Walk In Gutta (tem até feat do Biz Markie), Suicide 
Piores Faixas: Sumtn 4 Urrbody, Rite Now, Merry Jane (Snoop e Nate Dogg entregaram nada), Bak Inda Buildin, Get 'Em, Blow Teez, Pimp Nutz (Method Man decepcionou), Hold Dis Blaow!

Reggie – Redman





















NOTA: 2/10


Em 2010, Redman lançava outro álbum, dessa vez o terrível Reggie, que foi feito mais para vazar da gravadora. Após o Red Gone Wild: Thee Album, muitos achavam que finalmente ele faria um projeto que lembrasse suas origens, mas não. Em seu lugar, surgem reflexões sobre sua carreira, momentos mais pessoais e uma sonoridade claramente influenciada pelo Rap do final dos anos 2000. Além disso, o disco também foi feito para que ele pudesse sair de vez da Def Jam, já que faltava apenas um álbum para rescindir seu contrato. A produção foi diversificada, contando com DJ Khalil, Rich Kidd, Ty Fyffe e outros, que trouxeram uma estética moderna, com batidas limpas, sintetizadores constantes e uma maior presença de elementos melódicos. Só que o resultado não consegue se encaixar, tornando este mais um trabalho feito para agradar às tendências. O repertório é péssimo, contando com apenas uma faixa boa. Enfim, é um álbum horroroso, e a Lili cantou. 

Melhor Faixa: Lemme Get 2 
Piores Faixas: Lift It Up, Def Jammable, Whn The Lights Go Off, Full Nelson, Cheerz

Muddy Waters Too – Redman





















NOTA: 8,5/10


Em 2024, Redman lançou seu nono álbum e último até então, o Muddy Waters Too. Após o Reggie, essa continuação foi prometida durante mais de uma década, sendo anunciada diversas vezes e constantemente adiada. Essa longa espera fez com que o álbum adquirisse um status quase lendário entre os fãs. Nele, Redman preserva praticamente toda a sua identidade artística: humor absurdo, referências à maconha, storytelling, personagens e trocadilhos. A produção foi feita pelo próprio rapper em parceria com Erick Sermon, Theory Hazit, Rockwilder, Rick Rock e vários outros, que seguiram uma abordagem clássica do Boom Bap noventista, com batidas cruas e diretas. Há uma forte presença de baterias secas, baixos muito fortes, teclados vintage, guitarras de funk e scratches discretos. Além disso, o flow do Redman está muito técnico e preciso. O repertório, apesar de contar com 32 faixas, é muito bom e divertido. Em suma, é um disco bacana e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Don't U Miss, Lalala (Method Man amassou), Don't Wanna C Me Rich, Soopaman Luva 7 
Vale a Pena Ouvir: Aye, Jersey, Looka Here (ótima feat do KRS-One), I'm On Dat Bullshit, Whut's Hot, Lite it Up, Goofy


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Method Man & Redman

                  

Blackout! – Method Man & Redman





















NOTA: 10/10


Em 1999, foi lançado o 1º álbum colaborativo do Method Man & Redman, o Blackout!. Após o lançamento do Tical 2000: Judgement Day, o rapper decidiu fazer um trabalho em parceria com Redman, que havia recém-entrado para a Def Jam e era um dos nomes que mais haviam se destacado na cena nos últimos anos. Originalmente, esse álbum se chamaria Amerikaz Most Blunted, mas o título precisou ser alterado para o nome que conhecemos hoje, a fim de torná-lo mais comercial. A produção contou com Erick Sermon, DJ Scratch, RZA e vários outros, que criaram uma sonoridade bem orgânica, seguindo o padrão que Sermon costumava adotar: batidas cruas, baixos pesados, baterias secas e samples discretos, dentro da estética do Boom Bap. Os flows do Meth mantêm aquela vibe relaxada, enquanto Redman parte para um estilo mais energético. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco maravilhoso e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Da Rockwilder, Blackout, Run 4 Cover (simplesmente Ghostface Killah), Cheka, 4 Seasons (LL Cool J e JA Rule mandaram bem), Cereal Killer, Fire Ina Hole, Tear It Off 
Vale a Pena Ouvir: The ?, Y.O.U., 1, 2, 1, 2

Blackout! 2 – Method Man & Redman





















NOTA: 5/10


Aí, dez anos se passaram, e foi lançado Blackout! 2, que foi o último álbum do duo até então. Após o Blackout!, cada um seguiu seu próprio caminho e, quando voltaram, decidiram não seguir completamente as tendências da época. Embora algumas músicas apresentem uma produção mais moderna, o disco permanece fortemente ligado ao Boom Bap e ao Rap tradicional da Costa Leste. A produção contou novamente com Erick Sermon, Rockwilder e alguns nomes novos, como Ty Fyffe, que trouxeram uma sonoridade mais moderna, com beats variadas, contando com sintetizadores, graves reforçados e baterias digitalizadas. Method Man adota um flow mais técnico, enquanto Redman vai para algo mais descontraído, mas o problema é que essa abordagem não se encaixa tão bem, já que as beats têm uma vibe mais voltada para festas. O repertório começa muito bem, mas depois decai com canções muito genéricas. No geral, é um álbum irregular que fugiu da proposta original. 

Melhores Faixas: Mrs. International, I'm Dope Ni**a, Dis Iz 4 All My Smokers, Dangerus Mcees 
Piores Faixas: City Lights (Bun B decepcionou), Hey Zulu, I Know Sumptn, Neva Herd Dis B 4

 

Analisando Discografias - Method Man: Parte 2

                  

Tical 0: The Prequel – Method Man





















NOTA: 4/10


Em 2004, o Method Man retornou com mais um álbum, intitulado Tical 0: The Prequel. Após o Tical 2000: Judgement Day, o rapper estava fazendo inúmeras participações especiais e construindo uma carreira crescente como ator em filmes e séries. Nesse período, sua popularidade ultrapassou o universo do Hip-Hop/Rap, tornando-se um dos rostos mais conhecidos da cena americana. Esse novo projeto até seria conceitual, só que a Def Jam estava pressionando o rapper a fazer algo mais comercial. A produção contou com RZA, DJ Scratch, E3, Puff Daddy e vários outros, que trouxeram uma sonoridade polida e extremamente radiofônica. As batidas ficaram limpas, com maior presença de baterias suaves, linhas de baixo marcantes, sintetizadores modernos, pianos digitais e influências do Gangsta Rap e do R&B daquele período, só que totalmente genérico. O repertório é ruim, com canções bem medíocres e poucas realmente interessantes. Enfim, é um trabalho fraco e muito esquecível. 

Melhores Faixas: Afterparty (Ghostface Killah amassou), What's Happenin' (baita feat do Busta Rhymes), Say What (ótima feat da Missy Elliot), Baby Come On, The Turn (Raekwon mandou bem), The Prequel 
Piores Faixas: The Motto, We Some Dogs (Redman e Snoop Dogg decepcionaram), Act Right, Never Hold Back, Tease, Crooked Letter I, Who Ya Rollin Wit

4:21... The Day After – Method Man





















NOTA: 6/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o que é, até então, realmente o último álbum do Method Man, o 4:21... The Day After. Após o Tical 0: The Prequel, o rapper decidiu apostar novamente em rimas técnicas e uma atmosfera muito mais próxima do chamado Hardcore Rap. Embora não seja um retorno completo ao minimalismo do Tical, o álbum procura equilibrar a sonoridade clássica do Wu-Tang com a evolução da produção do Rap dos anos 2000. A produção contou com RZA, Eric Sermon, Mathematics, Scott Storch e outros, que adotaram uma abordagem mais orgânica, com batidas mais pesadas, baterias fortes, pianos melancólicos e linhas de baixo marcantes, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Chipmunk Soul. Mas, fica tudo muito bagunçado, com o flow do Method Man não se encaixando bem nos instrumentais. O repertório começa bem, mas depois decai com canções fracas. Enfim, é um álbum mediano ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: Got To Have It, Dirty Mef (ODB amassando), Is It Me, Problem, Presidential MC (Raekwon e RZA mandaram bem) 
Piores Faixas: Somebody Done F**ked Up, Ya'Meen (Fat Joe não entregou nada), 4:20, 4 Ever

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Analisando Discografias - Method Man: Parte 1

                  

Tical – Method Man





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1994, o Method Man lançava seu 1º álbum solo, o Tical, que inaugurou os álbuns solos dos membros da Wu-Tang. Após o Enter the Wu-Tang (36 Chambers), Meth era provavelmente o integrante mais popular do grupo. Seu carisma, sua voz rouca, o flow extremamente relaxado e a presença marcante lhe renderam grande destaque, levando-o a assinar contrato com a Def Jam, algo que demonstrava a confiança da gravadora em seu potencial comercial. A produção, feita inteiramente por RZA, foi marcada por problemas, já que as gravações originais foram roubadas, obrigando a equipe a regravar boa parte do material. A sonoridade é marcada pelo Boom Bap daquele período, com beats cruas, baterias pesadas, linhas de baixo discretas, pianos distorcidos e samples de Soul e trilhas de filmes orientais. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e profundas. No fim, é um baita disco de estreia e carregado de imersão. 

Melhores Faixas: Bring The Pain, Tical, Release Yo' Delf, Meth Vs. Chef (Raekwon amassando), P.L.O. Style, I Get My Thang In Action, Mr. Sandman (Inspectah Deck e RZA amassaram) 
Vale a Pena Ouvir: All I Need, What The Blood Clot, Stimulation

Tical 2000: Judgement Day – Method Man





















NOTA: 8/10


Indo para 1998, o Method Man lançava seu 2º álbum solo, o Tical 2000: Judgement Day. Após o Tical, esse novo trabalho nasceu em um momento em que o Wu-Tang Clan já era um fenômeno comercial. Os integrantes estavam expandindo seus horizontes, e Method Man decidiu fazer um disco maior e mais ambicioso. O conceito gira em torno do fim do mundo, da decadência da sociedade, do caos urbano e da sobrevivência, utilizando o "Dia do Julgamento" como metáfora para diversos problemas sociais e pessoais. A produção contou com RZA, True Master, Erick Sermon, entre outros, que construíram uma sonoridade mais variada, transitando entre o Boom Bap, o Jazz Rap e até momentos puxados para o R&B. As beats ficaram mais limpas, com baterias suaves, linhas de baixo profundas e graves constantes. O flow do Method Man é bem técnico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante variadas. Enfim, é um ótimo disco e muito injustiçado. 

Melhores Faixas: Judgement Day, Torture, Break Ups 2 Make Ups (ótima feat do D’Angelo), Dangerous Grounds, Big Dogs (Redman amassou), Party Crasher 
Vale a Pena Ouvir: Grid Iron Rap, Cradle Rock, Suspect Chin Music

                                                                                   Então é isso e flw!!!                   

Analisando Discografias - Raekwon

                 

Only Built 4 Cuban Linx... – Raekwon





















NOTA: 10/10


Em 1995, o Raekwon lançava seu clássico 1º álbum solo, o Only Built 4 Cuban Linx.... Após o Enter the Wu-Tang (36 Chambers) com o Wu-Tang, o rapper, junto com RZA, decidiu criar um álbum com uma narrativa contínua, inspirado em filmes de máfia como Scarface e The Godfather. Outro aspecto importante foi o enorme protagonismo de Ghostface Killah. Embora o disco seja oficialmente do Raekwon, Ghost aparece em praticamente todas as músicas, funcionando como um coprotagonista da história. A produção, feita pelo próprio RZA, segue uma sonoridade bastante refinada e cinematográfica, com beats elegantes, baterias pesadas e secas, linhas de baixo profundas, samples de Soul e trechos de filmes antigos. Os flows do Raekwon são extremamente precisos nessa junção de Boom Bap com a temática do Rap mafioso e do Coke Rap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Ice Cream (que time: Method Man, Ghostface Killah e Cappadonna), Guillotine (Swordz) (baita feat do Inspectah Deck e GZA), Criminology, Incarcerated Scarfaces, Knowledge God, Wu-Gambinos (Method Man, Ghost amassando de novo junto com RZA e Masta Killa), Verbal Intercourse (Nas amassou) 
Vale a Pena Ouvir: Heaven & Hell, Can It Be All So Simple (Remix), Ice Water

Immobilarity – Raekwon





















NOTA: 4/10


Quatro anos se passaram, e o Raekwon lançou seu 2º álbum solo, o Immobilarity. Após o clássico Only Built 4 Cuban Linx..., os fãs esperavam uma continuação direta daquela narrativa cinematográfica, mas Raekwon optou por um caminho diferente. O rapper acabou decidindo fazer um disco bem mais acessível, só que o maior problema foi a ausência do Ghostface Killah, que não participou do projeto por questões contratuais envolvendo a Epic Records e a Razor Sharp. A produção contou com The Infinite Arkatechz, Pete Rock, Naheen "Pop" Bowens, entre outros, que construíram um som mais amplo, com beats pesadas e limpas, baterias secas, graves constantes e loops frequentemente minimalistas. Os flows do Raekwon ficaram mais agressivos, mas o problema é que eles não combinam com a proposta das beats. O repertório é fraquinho, com canções boas e outras bastante genéricas. Enfim, é um álbum ruim e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Live From New York, Casablanca, The Table (Masta Killa mandou bem), Jury, 100 Rounds 
Piores Faixas: Forecast, Sneakers, My Favorite Dred, Yae Yo, Power, Pop Shit, Raw

The Lex Diamond Story – Raekwon





















NOTA: 3,5/10


Quatro anos se passaram, e o Raekwon lançou mais um álbum, o The Lex Diamond Story. Após o Immobilarity, esse novo trabalho enfrentou uma série de problemas devido a diversos adiamentos. Com esse álbum, o rapper tentou equilibrar o moderno com a estética clássica que já havia estabelecido, funcionando como uma coleção de histórias independentes sobre tráfico, sobrevivência, riqueza, traição, violência e a vida nas ruas. A produção, feita por DJ Khalil, Mizza, Crummie Beats, entre outros, aposta em uma sonoridade polida e acessível, com beats mais amplas, linhas de baixo mais limpas e baterias mais encorpadas, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Chipmunk Soul. Só que o problema é que isso aqui é apenas mais um trabalho de Gangsta Rap genérico, com o flow do Raekwon bastante repetitivo. O repertório é muito ruim, tendo canções chatinhas e apenas algumas exceções. No geral, é um álbum péssimo e bastante esquecível. 


Melhores Faixas: Missing Watch (Ghostface Killah amassando), Pit Bull Fights, Clientele Kidd (Ghost e Fat Joe mandaram bem), Missing Watch, All Over Again 
Piores Faixas: Once Upon A Time, Robbery, Smith Bros., The Hood, Ice Cream Pt. 2 (Method Man e Cappaddonna decepcionaram), Planet Of The Apes, Musketeers Of Pig Alley (Masta Killa e Inspectah Deck nem estavam afim)

Only Built 4 Cuban Linx... Pt. II – Raekwon





















NOTA: 9,8/10


Em 2009, o Raekwon retornou com a 2ª parte do Only Built 4 Cuban Linx..., que veio com uma sonoridade mais modernizada. Após o péssimo The Lex Diamond Story, o rapper voltou a trabalhar de forma mais próxima de RZA e Ghostface Killah. O sucesso artístico do Fishscale (2006), do Ghostface, e o fortalecimento da relação entre os integrantes do Wu-Tang ajudaram a reacender a ideia de produzir uma continuação digna do clássico de 1995. A produção, feita por RZA junto com Mathematics, The Alchemist, Dr. Dre, J Dilla, entre outros, trouxe uma abordagem ampla e crua, com beats diretas, baterias pesadas, baixos profundos, loops constantes e samples de música oriental e trilhas cinematográficas, dialogando com o Boom Bap e o Chipmunk Soul. Os flows do Raekwon são bem precisos e até mais técnicos. O repertório é maravilhoso, com canções profundas e tensas. No geral, é um baita disco e foi um grande acerto. 

Melhores Faixas: New Wu (Ghost e Method Man amassando), House Of Flying Daggers (mesma coisa, só que agora com Inspectah Deck), Ason Jones, Surgical Gloves, Penitentiary, 10 Bricks (Ghost carregou Cappadonna), Black Mozart (Deck e RZA mandaram bem), Kiss The Ring (Deck e Masta Killa foram bem), Sonny’s Missing 
Vale a Pena Ouvir: Baggin’ Crack, We Will Rob You (Slick Rick, Masta Killa e GZA mandaram bem), Cold Outside, Canal Street

Shaolin Vs. Wu-Tang – Raekwon





















NOTA: 8,6/10


Indo para 2011, o Raekwon lançou mais um álbum, o Shaolin vs. Wu-Tang, que foi ainda mais urbano. Após o Only Built 4 Cuban Linx... Pt. II, o rapper decidiu fazer um trabalho que celebrasse a cultura do Wu-Tang Clan. O título faz referência à antiga rivalidade fictícia entre os estilos de kung fu Shaolin e Wu-Tang, tema recorrente nos filmes de artes marciais que inspiraram a identidade do grupo desde o início da carreira. A produção, feita por Scram Jones, Eric Sermon, DJ Khalil, entre outros, aposta em uma sonoridade bem variada, alternando entre beats cruas e outras mais suaves. O álbum conta com baterias dinâmicas, baixos profundos, sintetizadores discretos e atmosferas sombrias, seguindo, é claro, a abordagem do Boom Bap e até do Cloud Rap. O rapper consegue apresentar flows bem variados e até mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. Enfim, é um álbum legal e que merecia ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Masters Of Our Fates (Black Thought levando som para ele), Chop Chop Ninja (Deck mandou bem demais), Butter Knives, Snkae Pond, Last Trip To Scotland, Molasses (Rick Ross mandou bem até), Silver Rings (Ghostface Killah amassou) 
Vale a Pena Ouvir: Crane Style, Every Soldier In The Hood (ótima feat do Method Man), Rich And Black (Nas foi até bem)

The Wild – Raekwon





















NOTA: 7,1/10


Seis anos se passaram, e o rapper retornou com um disco novo, o The Wild, que tentou ser mais variado. Após o Shaolin vs. Wu-Tang, esse projeto funciona como uma coleção de histórias e reflexões sobre a experiência de um veterano do Rap. Raekwon continua explorando temas como criminalidade, riqueza, respeito, sobrevivência e os códigos das ruas, mas agora sob a perspectiva de alguém que já conquistou reconhecimento e observa sua trajetória com mais maturidade. A produção foi diversificada, contando com Dame Grease, Dan the Band e Frank G., que trouxeram beats amplas, baterias mais limpas, graves encorpados e uma sonoridade que transita entre o Boom Bap, Jazz Rap, Trap e até o Drumless. Os flows do Raekwon são variados na medida certa, mesmo que, em alguns momentos, ele erre. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais melódicas, mesmo que haja outras mais fracas. No fim, é um álbum bacana, mesmo que tenha pequenos erros. 

Melhores Faixas: Marvin, This Is What It Comes Too, Nothing, Can't You See, M & N 
Piores Faixas: Visiting Hour, Crown of Thorns, My Corner (Lil Wayne foi mal), Purple Brick Road

The Emperor's New Clothes – Raekwon





















NOTA: 8,2/10


Então chegamos a 2025, quando o Raekwon lançou seu mais recente álbum, o The Emperor's New Clothes. Após o The Wild, esse trabalho foi mais um projeto da série Legend Has It..., da Mass Appeal, e aqui o rapper demonstra maturidade ao refletir sobre envelhecimento, legado e permanência em uma cultura que mudou profundamente desde os anos 90. A produção contou com Snipe Beatz, Nottz, Frank G., entre outros, que trouxeram beats cruas e diretas, com baterias suaves, linhas de baixo profundas e loops constantes, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com Jazz Rap e o Chipmunk Soul. Os flows do Raekwon variam de momentos mais cadenciados a outros mais agressivos, conseguindo se encaixar perfeitamente nesse universo do Gangsta Rap mafioso. O repertório é muito bom, e as canções são bastante reflexivas e carregadas de mensagem. Em suma, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Wild Corsicans (chamou o Griselda inteiro aqui), The Omerta (Nas mandou bem), Mac & Lobster (Ghostface amassando), 600 School (ótima feat do Ghostface Killah e Method Man) 
Vale a Pena Ouvir: Get Outta Here (Ghost aqui de novo), Bear Hill, Pomogranite (Inspectah Deck foram bem)


Analisando Discografias - Redman

                  Whut? Thee Album – Redman NOTA: 9,9/10 Em 1992, Redman lançava seu clássico álbum de estreia, o Whut? Thee Album. O rapper...