segunda-feira, 6 de julho de 2026

Analisando Discografias - Zé Ramalho: Parte 2

                 

Eu Sou Todos Nós – Zé Ramalho





















NOTA: 3,5/10


Passaram-se dois anos, e o Zé Ramalho retornou com seu 12º álbum, o Eu Sou Todos Nós. Após o Cidades & Lendas, ele aproveitou o sucesso da Antologia Acústica, coletânea que revitalizou sua carreira e apresentou seus clássicos a uma nova geração. A gravadora BMG preferia dar sequência ao êxito comercial com um segundo volume da antologia, mas Zé insistiu em gravar um disco totalmente inédito. A produção, feita por Robertinho de Recife, apresenta uma sonoridade mais pesada que a dos dois discos anteriores. As guitarras elétricas ganham bastante destaque, aproximando o álbum um pouquinho do Rock, enquanto os elementos nordestinos continuam presentes por meio da viola, da zabumba, do acordeão e da percussão tradicional. Mas tudo soa bastante repetitivo e com elementos que fogem muito das características do Zé. O repertório é fraquíssimo, e as canções são sem graça, com poucas realmente interessantes. No fim, é um disco ruim e sem coesão. 

Melhores Faixas: Companheira De Alta Luz, Metrópolis Dourada, Sem-Terra, A Peleja De Zé Limeira No Final Do Segundo Milênio 
Piores Faixas: Das Maravilhas, Martelo Rap Ecológico, Vermelhos, Errare Humanun Est, Agônico - O Canto

Zé Ramalho Canta Raul Seixas – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e o cantor lançou mais um disco no qual revisita o repertório do Raul Seixas. Após o Eu Sou Todos Nós, Zé Ramalho retomou um desejo que carregava desde os anos 1980: gravar um álbum ao lado de Raul. A morte precoce do Raul, em 1989, tornou esse encontro impossível, e o projeto acabou sendo transformado em um álbum de homenagem mais de uma década depois. A produção foi feita mais uma vez por Robertinho de Recife, que estabeleceu um equilíbrio entre o Rock e a música nordestina. As guitarras elétricas permanecem presentes durante praticamente todo o disco, mas convivem com violões de doze cordas, viola nordestina, gaita e teclados discretos. Os vocais do Zé são bastante seguros e, com sua interpretação quase narrativa, transformam completamente diversas músicas. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bastante fiéis. Enfim, é um disco interessante e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Metamorfose Ambulante, S.O.S., Planos De Papel 
Vale a Pena Ouvir: Ouro De Tolo, As Aventuras De Raul Seixas Na Cidade De Thor, Para Raul

O Gosto Da Criação – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, Zé Ramalho lançou outro álbum, O Gosto da Criação (capa horrorosa). Após o Canta Raul Seixas, ele decidiu fazer um trabalho com um tom mais otimista. Em vez de enfatizar conflitos políticos ou crises existenciais, o álbum concentra-se na capacidade humana de aprender, transformar-se e encontrar sentido por meio da experiência. A produção foi mais orgânica e refinada. Em vez de privilegiar guitarras pesadas, busca um equilíbrio entre violões, viola de doze cordas, guitarras elétricas discretas, teclados e instrumentos nordestinos, seguindo muito mais uma abordagem do Folk contemporâneo e da MPB, com Zé entregando uma performance segura e com menos dramaticidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e imersivas. No fim, é um disco bacana e injustamente subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: O Silêncio Dos Inocentes, Fissura, Modificando O Olhar 
Vale a Pena Ouvir: Aprendendo A Vencer, É Praticando Na Vida Que Muito Vai Aprender, Tudo Que Fiz Foi Viver

Parceria Dos Viajantes – Zé Ramalho





















NOTA: 8,2/10


Cinco anos se passaram, e Zé Ramalho lançou mais um trabalho inédito, o Parceria dos Viajantes. Após O Gosto da Criação, o cantor decidiu fazer um disco retrospectivo. Em vez de repetir fórmulas anteriores, preferiu reafirmar sua capacidade de dialogar com artistas de diferentes vertentes, demonstrando que sua música permanecia aberta à renovação. O resultado é um trabalho mais leve e comunicativo do que seus discos filosóficos do início dos anos 2000, mas que preserva sua identidade poética. A produção é muito mais variada, já que mistura Pop Rock, MPB, Folk, Baião e música nordestina, mantendo como base o violão de Zé Ramalho, mas incorporando guitarras elétricas, acordeão, teclados, metais e diversas texturas instrumentais. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem envolventes e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Procurando A Estrela (participação da Daniela Mercury), Porta De Luz 
Vale a Pena Ouvir: A Nave Interior (participação da Pitty), Do Muito E Do Pouco, Chamando O Silêncio

Sinais Dos Tempos – Zé Ramalho





















NOTA: 3/10


No ano de 2012, o cantor lançou seu 15º álbum de estúdio, o fraquíssimo Sinais dos Tempos. Após o Parceria dos Viajantes, Zé Ramalho declarou interesse em lançar um disco em 2012 por causa do fim do calendário maia, associado por muitos à ideia de "fim do mundo". Isso reforça uma atmosfera temática que atravessa o álbum inteiro: tempo, destino, crise, consciência e transformação. A produção, feita em conjunto com Robertinho de Recife, apresenta um som mais terreno. As guitarras têm peso, mas não dominam o disco; ao mesmo tempo, a sanfona e a percussão tradicional mantêm a identidade regional, estabelecendo um equilíbrio entre a MPB, o Folk e algumas influências do Forró e do Rock psicodélico. Mas tudo soa bastante repetitivo, com arranjos que não conseguem empolgar. O repertório é muito ruim, e as canções são bem genéricas, com poucas realmente interessantes. No fim, é um álbum fraco e sem inspiração. 

Melhores Faixas: Olhar Alquimista, Portal Dos Destinos, Justiça Cega 
Piores Faixas: O Que Ainda Vai Nascer, A Noite Branca, Lembranças Do Primeiro, Anúncio Final

Ateu Psicodélico – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos a 2022, quando Zé Ramalho lançou seu mais recente álbum, o Ateu Psicodélico. Após o Sinais dos Tempos, Zé voltou a reunir material novo durante o período da pandemia de COVID-19, quando revisitou ideias antigas e composições recentes feitas ao longo do isolamento. O título vem de um texto de Arnaldo Baptista, dos Mutantes, sobre a obra do cantor, reforçando o diálogo do álbum com a psicodelia brasileira dos anos 1970. A produção, feita por Robertinho de Recife, adota uma abordagem orgânica e direta, com presença de guitarras, elementos nordestinos (viola, sanfona e ritmos regionais), atmosferas psicodélicas e místicas e intervenções instrumentais elaboradas, fazendo o disco dialogar tanto com o Folk psicodélico quanto com o Rock psicodélico. O repertório é ótimo, e as canções são carregadas de profundidade e muito bem tematizadas. No fim, é um disco bacana que demonstra a versatilidade do Zé Ramalho. 

Melhores Faixas: As Onze Palavras, Repentista Marvel (participação do Andreas Kisser), Martelo Armagedon, Olhar Entorpecido, Beira Mar, a Ressurreição 
Vale a Pena Ouvir: O Diagrama Da Alma Dourada, O Que O Mundo Não Sabe Explicar, Sextilhas Filosóficas

 

domingo, 5 de julho de 2026

Analisando Discografias - Zé Ramalho: Parte 1

                   

Paêbirú – Lula Côrtes e Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


No ano de 1975, Lula Côrtes e Zé Ramalho lançavam um álbum colaborativo, o clássico Paêbirú. Os dois jovens músicos nordestinos ainda estavam no começo da carreira. Esse disco surgiu a partir do fascínio de ambos pelas lendas indígenas relacionadas ao Caminho do Peabiru, antiga rota pré-colombiana que cruzava parte da América do Sul, pelas inscrições rupestres da Pedra do Ingá e pelo misticismo envolvendo a figura de Sumé, estruturando o álbum de acordo com os quatro elementos fundamentais da natureza. A produção foi feita por Hélio Rozenblit e lançada pelo selo de sua família. O resultado é um som extremamente experimental, misturando Folk psicodélico, Baião, Jazz, Jongo e, principalmente, Udigrudi. A instrumentação é baseada em violões, guitarras elétricas, percussões nordestinas, berimbau e instrumentos pouco convencionais. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem tematizadas. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Nas Paredes Da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados Por Sumé, Não Existe Molhado Igual Ao Pranto, Trilha De Sumé, Sumé, Regato Da Montanha, Bailado Das Muscarias 
Vale a Pena Ouvir: Pedra Templo Animal, Raga Dos Raios, Culto À Terra

Zé Ramalho – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram, e Zé Ramalho retornou lançando seu álbum de estreia autointitulado. Após o Paêbirú, com Lula Côrtes, que acabou tendo pouca vendagem, já que grande parte dos exemplares foi perdida numa enchente, o paraibano voltou a cursar Medicina, mas largou o curso em 1976, mudando-se para o RJ para conseguir, enfim, lançar seus trabalhos. Após muita luta, assinou com a CBS. A produção contou com Carlos Alberto Sion, que trouxe uma sonoridade extremamente sofisticada e cinematográfica. Aqui há uma junção do Udigrudi, Folk, Cantoria e MPB, com os violões de doze cordas convivendo com guitarras elétricas, sintetizadores, sanfona, flautas e baixos elaborados. Os vocais graves e roucos do Zé Ramalho funcionam muito bem dentro dessa proposta. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, já que praticamente todas as canções são belíssimas. Enfim, é um disco fantástico e um dos melhores álbuns da música brasileira. 

Melhores Faixas: Avôhai, Chão De Giz, A Dança Das Borboletas, Voa, Voa 
Vale a Pena Ouvir: Vila do Sossego, A Noite Preta

A Peleja Do Diabo Com O Dono Do Céu – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o Zé Ramalho lançou seu 2º álbum, o clássico A Peleja do Diabo com o Dono do Céu. Após o seu álbum de estreia, que na época acabou sendo injustamente criticado pela crítica, o cantor não se abalou e decidiu fazer um disco que remete à tradição dos folhetos de cordel nordestinos, transformando o embate entre o Diabo e o Dono do Céu em uma metáfora para os conflitos entre o bem e o mal, a opressão e a liberdade, a fé e o poder. A produção foi relativamente a mesma, só que agora estava mais refinada e com estruturas mais definidas, facilitando sua assimilação sem sacrificar a riqueza musical. Ela junta ainda mais Folk e Cantoria com elementos da MPB, Baião, Forró e influências barrocas, com os vocais graves do Zé, que passaram a ter um controle maior das nuances. O repertório é maravilhoso, também parecendo uma coletânea, com canções bem tematizadas. No fim, é outro disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Admirável Gado Novo, A Peleja Do Diabo Com O Dono Do, Beira-Mar, Falas Do Povo 
Vale a Pena Ouvir: Jardim Das Acácias, Mote Das Amplidões

A Terceira Lâmina – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


Indo para 1981, o Zé Ramalho lançava seu sensacional 3º álbum, A Terceira Lâmina. Após o A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, este novo disco amplia esse universo ao abordar questões existenciais, políticas e sociais de maneira ainda mais simbólica. O título, nas palavras do cantor, faz referência à sua terceira fase artística, ao seu terceiro filho e também à ideia de uma "terceira guerra", funcionando como metáfora para um momento decisivo da humanidade. A produção, feita pelo próprio cantor junto com Mauro Motta, foi bastante sofisticada, com um som pensado para tocar nas rádios, mas, claro, contendo os elementos do Folk e da Cantoria característicos da obra do Zé. A instrumentação continua extremamente rica. Violões de doze cordas convivem com guitarras elétricas, piano, percussões nordestinas e corais. O repertório é incrível, novamente contendo canções profundas. No geral, é outro álbum fenomenal e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Canção Agalopada, A Terceira Lâmina, Cavalos Do Cão, Kamikaze, Galope Rasante 
Vale a Pena Ouvir: Filhos De Ícaro, Um Pequeno Xote, Atrás Do Balcão

Força Verde – Zé Ramalho





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e o Zé Ramalho lançou outro álbum, intitulado Força Verde. Após A Terceira Lâmina, esse novo disco marca uma mudança de foco em sua escrita. O tom apocalíptico e político continua presente, mas agora dividido com uma preocupação maior com a natureza, a preservação ambiental, a espiritualidade e a relação entre o homem e o planeta. Fora que o Zé tentou seguir um caminho mais moderno, dialogando com o rumo que a MPB tomou para conseguir tocar nas rádios. A produção foi ainda mais refinada, juntando muito mais elementos da MPB com o Folk contemporâneo, enquanto os arranjos se tornam mais atmosféricos, valorizando sintetizadores, cordas e texturas eletrônicas que ampliam o caráter contemplativo do álbum. Os vocais do Zé complementam esse trabalho com sua voz grave e carregada de sotaque nordestino. O repertório é ótimo, e as canções são belíssimas e carregadas de referências. Enfim, é outro disco incrível e bem coeso. 

Melhores Faixas: Visões De Zé Limeira Sobre O Final Do Século XX, Força Verde, Banquete De Signos, Pepitas de Fogo, Os Segredos De Sumé 
Vale a Pena Ouvir: O Monte Olímpia, Cristais Do Tempo

Orquídea Negra – Zé Ramalho





















NOTA: 8,7/10


Outro ano se passa, e o Zé Ramalho lança mais trabalho novo, a Orquídea Negra. Após o Força Verde, o cantor passou por algumas dificuldades, como uma acusação de plágio envolvendo o gibi do Incrível Hulk, além de seu casamento com Amelinha ter chegado ao fim. Assim, decidiu fazer um projeto que alterna entre composições introspectivas e outras bastante expansivas. A produção foi bem mais diversificada, contando com MPB, Folk, Baião, Xote e algumas influências do Rock. Os violões continuam presentes, mas agora dividem espaço com sintetizadores, guitarras elétricas, metais e arranjos orquestrais. A interpretação vocal do Zé continua transmitindo autoridade, mistério e emoção, adaptando-se muito bem a cada canção. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as faixas são divertidas, enquanto outras são mais imersivas. Enfim, é um disco bacana e, assim como o antecessor, acabou não vendendo muito. 

Melhores Faixas: Taxi Lunar, Kryptônia, Xote Dos Poetas (participação do Fagner), Napalm
Vale a Pena Ouvir: Dominó, Orquídea Negra, Para Chegar Mais Perto De Deus

Por Aquelas Que Foram Bem Amadas Ou Pra Não Dizer Que Não Falei De Rock – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


Novamente se passou mais um ano, e o cantor lançou Por Aquelas Que Foram Bem Amadas ou pra Não Dizer Que Não Falei de Rock. Após a Orquídea Negra, o Zé Ramalho decidiu revisitar um repertório composto ainda no início da década de 70, quando atuava como guitarrista em bandas de baile. O próprio Zé Ramalho afirmou posteriormente que desejava registrar esse material porque fazia parte de sua formação musical. A produção foi mais direta, privilegiando guitarras elétricas, teclados, sintetizadores, bateria mais pesada e linhas de baixo bastante marcantes, aproximando diversas faixas do Rock clássico, além de apresentar pequenos traços da MPB. Aqui, os vocais do Zé conseguem ser bem variados, e há momentos em que ele adota uma abordagem mais urgente. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e envolventes. Enfim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Made In PB, Dupla Fantasia 
Vale a Pena Ouvir: Dança Das Luzes, O Tolo Na Colina (The Fool On The Hill) (participação do Erasmo Carlos), Paisagem Da Flor Desesperada

De Gosto, De Água E De Amigos – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Em 1985, o Zé Ramalho lançava mais um trabalho, intitulado De Gosto, de Água e de Amigos. Após o Por Aquelas Que Foram Bem Amadas ou pra Não Dizer Que Não Falei de Rock, o cantor decidiu fazer um disco que trata da amizade, da passagem do tempo, das origens, da identidade cultural e das relações humanas. O próprio título resume esse espírito: a água representa renovação, enquanto os amigos simbolizam acolhimento, memória e permanência. A produção, feita por Renato Corrêa e Mariozinho Rocha, seguiu uma abordagem mais limpa e moderna. Os arranjos continuam baseados no violão, instrumento inseparável do compositor, mas ganham forte presença de sintetizadores, guitarras elétricas, cordas, acordeão e uma seção rítmica bastante refinada, resultando em um álbum mais puxado para o Pop Rock e a MPB. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves e reflexivas. No geral, é um ótimo disco e merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Mestiça, Chuva Pesada, Martelo Dos 30 Anos, Paralelas 
Vale a Pena Ouvir: Forrobodó, De Gosto, De Água E De Amigos

Opus Visionário – Zé Ramalho





















NOTA: 9/10


Se passou mais um ano, e o Zé Ramalho lançou um trabalho bem mais tradicional, o Opus Visionário. Após o De Gosto, de Água e de Amigos, o cantor optou por não repetir a fórmula mais acessível de seu álbum anterior. Em vez disso, voltou a privilegiar um repertório marcado pelo simbolismo, pela espiritualidade, pela ficção científica, pela filosofia e pelo surrealismo, retomando características que aproximavam sua produção de seus discos clássicos. A produção do Mauro Motta equilibrou instrumentos acústicos e arranjos tradicionais nordestinos. Aqui há um investimento muito maior em sintetizadores, programação eletrônica, efeitos digitais e texturas sonoras da música Pop daquele período. Os arranjos, feitos por Lincoln Olivetti e Robson Jorge, colocam essa sonoridade moderna em diálogo com os violões e as percussões nordestinas. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um ótimo álbum e bem consistente. 

Melhores Faixas: Quasar Do Sertão, Olhares Sem Destino, Pedras E Moças, Zyliana, Visionária 
Vale a Pena Ouvir: Um Índio, Tamarineira Village

Décimas De Um Cantador – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


E aí mais um ano se passou, e, de novo, o Zé Ramalho lançou mais um álbum, o Décimas de um Cantador. Após o Opus Visionário, o cantor volta a concentrar sua atenção nas raízes nordestinas, especialmente na tradição dos cantadores, repentistas e poetas populares, sem abandonar completamente as influências que havia adquirido nos trabalhos anteriores. A produção, feita mais uma vez por Mauro Motta, tem a presença de violões de doze cordas, guitarras elétricas, sintetizadores, programação eletrônica, baixos bastante elaborados e percussões discretas. Lincoln Olivetti permanece responsável por parte da programação eletrônica, enquanto Robson Jorge exerce papel fundamental nos teclados, guitarras e arranjos. Juntos, eles constroem uma sonoridade que dialoga muito mais com a MPB daquela época, com pequenas influências da música nordestina. O repertório é legalzinho, e as canções são bem interessantes. No geral, é um ótimo disco e foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Medley: Pelos Telefones / Lay, Lady, Lay , Mulher Nova, Bonita E Carinhosa Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor 
Vale a Pena Ouvir: Mary Mar, Décimas De Um Cantador, Aldeias Da Borborema

Frevoador – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Pulando para 1992, o Zé Ramalho lançou seu 10º álbum de estúdio, o Frevoador. Após o Décimas de um Cantador, o cantor lançou alguns trabalhos esporádicos e retornou nos anos 90 em um momento de profundas mudanças na indústria musical brasileira, já dominada pelo sertanejo romântico e pela música pop. Quando retornou, atualizou sua sonoridade sem abandonar completamente a identidade construída ao longo dos anos. A produção, feita pelo cantor junto com Luís Fernando Borges, privilegiou violões, guitarras limpas e teclados discretos, deixando o som mais orgânico. Ao mesmo tempo, permanecem presentes elementos nordestinos como a viola, o acordeão, o bandolim e ritmos derivados do Baião, do Frevo e do Xote. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e carregadas de reflexão. No final de tudo, é um ótimo disco e, dessa vez, o sucesso veio. 

Melhores Faixas: Entre A Serpente E A Estrela, Cidadão, A História Do Jeca Que Virou Elvis Presley 
Vale a Pena Ouvir: Porta Secreta, Do Terceiro Milênio Para Frente, Serpentária

Cidades & Lendas – Zé Ramalho





















NOTA: 6/10


Cinco anos depois, o Zé Ramalho lançou mais um trabalho, o Cidades & Lendas. Após o Frevoador, Zé foi chutado da gravadora CBS. Esse novo disco ficou temporariamente interrompido, e o próprio artista assumiu praticamente toda a coordenação do trabalho, cuidando da produção, da escolha dos músicos e da finalização das gravações até conseguir um novo contrato com a BMG. Vale lembrar que ele aproveitou o hype de sua canção Admirável Gado Novo, que estava fazendo parte da trilha sonora da novela Rei do Gado. A produção é bastante refinada, equilibrando instrumentos acústicos e elementos contemporâneos. O violão volta a ocupar posição central, acompanhado pela viola de doze cordas de Manassés, instrumento que confere forte identidade nordestina ao disco. Mas o problema é que tudo soa arrastado e parece faltar algo mais imersivo. O repertório é fraquinho: há canções boas e outras mais do mesmo. Em suma, é um trabalho mediano e muito monótono. 

Melhores Faixas: Cidades & Lendas, Os Últimos Dias, Não Existe Molhado Igual Ao Pranto
Piores Faixas: Leva Eu Sodade, Rap-Xote Esotérico, Profetas

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

sábado, 4 de julho de 2026

Review: Um Corpo Preto do Rincon Sapiência

                     

Um Corpo Preto – Rincon Sapiência





















NOTA: 9,2/10


Recentemente, o Rincon Sapiência lançou seu tão aguardado 3º álbum, o Um Corpo Preto. Após o Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps, o rapper seguiu fazendo turnês e amadurecendo o conceito de um trabalho que fosse além da celebração da identidade negra, abordando também as diferentes dimensões da experiência de viver em um corpo negro no Brasil. A produção foi feita por ele próprio, que trouxe uma abordagem variada e direta, com beats bastante orgânicos, presença de percussões orgânicas, linhas de baixo marcantes, sintetizadores discretos e arranjos bastante rítmicos. Aqui, os flows do Rincon conseguem ser precisos, além de haver momentos de canto melódico, dialogando com Dancehall, Afrobeats, Funk, Jazz Rap e até um pouquinho de Samba. O repertório é incrível, e as canções são bem tematizadas e carregadas de mensagem. No geral, é uma obra incrível, bem estruturado e carregado de identidade. 

Melhores Faixas: Eu Vim de Baixo, Cuidar de Mim, Homem Gol (ótima feat do Péricles), Todo Nego, De Onde Cê Vem, Pt. 2, Cassino, Dum Dum, Alarme, Faz a Vibe 
Vale a Pena Ouvir: Diáspora, Porque Eu te Amo, Ke$h

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Review: Nomads do No Wyld

                     

Nomads – No Wyld





















NOTA: 6/10


No ano de 2016, o trio No Wyld lançava seu único álbum de estúdio, intitulado Nomads. Formado em 2010, em Auckland, na Nova Zelândia, pelo rapper Mohamed "Mo" Kheir, Brandon Black e o guitarrista Joseph Pascoe, o grupo já havia chamado atenção com alguns singles e EPs que demonstravam uma identidade bastante particular, baseada na combinação de instrumentação orgânica e uma abordagem cinematográfica, o que despertou o interesse da Columbia Records, que assinou com eles. A produção foi feita pelo próprio trio, que adotou uma abordagem acessível, com beats limpos e presença de sintetizadores que criam paisagens sonoras bastante amplas. As baterias misturam programação eletrônica com percussões orgânicas, e as guitarras são discretas, só que o resultado fica bem monótono, fazendo deste um álbum de Rap com Indie Pop arrastado. O repertório é mediano, com canções legais e outras genéricas. Enfim, é um disco irregular e, após isso, o grupo acabou. 

Melhores Faixas: Let Me Know, Tomorrow, Different 
Piores Faixas: Paranoid, Analogue, Air


Review: Snacks do Jax Jones

                     

Snacks – Jax Jones





















NOTA: 3/10


Em 2019, o Jax Jones lançou seu único álbum até então, o ambicioso Snacks (Supersize). O DJ britânico começou sua trajetória em 2010, produzindo beats e publicando-os no finado MySpace, até que, em 2014, passou a fazer House music. Naquele mesmo ano, participou da música I Got U, do Duke Dumont, além de várias outras faixas. Foi ali que começou a ficar conhecido, embora seu 1º sucesso solo tenha sido Yeah Yeah Yeah. Nesse meio-tempo, passou a preparar esse trabalho, que foi lançado pela Polydor. A produção segue uma abordagem polida e extremamente comercial, com sintetizadores brilhantes, grooves, linhas de baixo marcantes e pequenas melodias eletrônicas que mantêm a pista em movimento. Só que tudo é bem bagunçado, porque, uma hora, é Future House, depois, passa para Electropop ou Dancehall, ficando bastante desconexo. O repertório é ruinzinho: há canções boas, mas a maioria soa esquecível. No fim, é um trabalho péssimo e sem coesão. 

Melhores Faixas: You Don't Know Me, Instruction (Demi Lovato levou o som para ela), Breathe 
Piores Faixas: Jacques, All 4 U, Harder, 100 Times, Cruel


Analisando Discografias - Zé Ramalho: Parte 2

                  Eu Sou Todos Nós – Zé Ramalho NOTA: 3,5/10 Passaram-se dois anos, e o Zé Ramalho retornou com seu 12º álbum, o Eu Sou Todo...