terça-feira, 7 de julho de 2026

Review: Splat! do Deep Purple

                     

Splat! – Deep Purple





















NOTA: 1,3/10


Recentemente, o Deep Purple retornou lançando um novo disco, intitulado Splat!. Após o =1, que serviu para apresentar Simon McBride como substituto definitivo de Steve Morse, a banda demonstrou confiança renovada. Ian Gillan afirmou que queria um álbum cuja energia remetesse diretamente ao período clássico entre 1969 e 1973, especialmente a discos como In Rock e Machine Head. A produção, feita mais uma vez por Bob Ezrin, aposta em uma sonoridade mais orgânica e pesada. As guitarras apresentam até riffs interessantes, a cozinha rítmica é sólida, o Hammond, os sintetizadores e o piano do Don Airey aparecem de forma constante, e os vocais do Gillan continuam expressivos. Mas, no geral, é apenas um trabalho de Hard Rock com traços do Rock Progressivo, cheio de clichês e que soa bastante monótono. O repertório é chatinho, com canções bastante genéricas. No fim, é só mais um disco fraco e ruim da banda. 

Melhores Faixas: (............................) 
Piores Faixas: The Beating Of Winds, The Rider, Third Call, Diablo, My New Movie

                                                                                        É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Acid Bath

                  

When The Kite String Pops – Acid Bath





















NOTA: 10/10


No ano de 1994, o Acid Bath lançava seu álbum de estreia, o fenomenal When The Kite String Pops. A banda foi formada em 1991, na cidade de Houma, Louisiana, por Dax Riggs nos vocais, Sammy Duet e Mike Sanchez nas guitarras, Audie Pitre no baixo e Jimmy Kyle na bateria. Eles já tinham um material conhecido por apresentações na cena de NOLA e por gravações demo. Além disso, a capa do álbum, que é um autorretrato do serial killer John Wayne Gacy, tornou-se um de seus elementos mais marcantes. A produção, feita por Spike Cassidy, Greg Troyner e pela própria banda, é bastante crua. As guitarras têm uma afinação extremamente baixa e apresentam enorme peso, a cozinha rítmica é bastante expressiva e os vocais do Dax são bem variados, resultando em um trabalho de Sludge Metal que dialoga com Death Metal, Grunge e Stoner Metal. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um disco fantástico e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: The Blue, Scream Of The Butterfly, Dr. Seuss Is Dead, Tranquilized, Cheap Vodka, Cassie Eats Cockroaches, Jezebel, Fingerpaintings Of The Insane 
Vale a Pena Ouvir: Dope Fiend, Toubabo Koomi

Paegan Terrorism Tactics – Acid Bath





















NOTA: 9,8/10


Dois anos se passaram, e o Acid Bath lançava seu 2º e último álbum, o Paegan Terrorism Tactics. Após When The Kite String Pops, este novo trabalho mostrava um grupo ainda mais confiante para expandir seus horizontes. Em vez de repetir a mesma fórmula, a banda procurou explorar uma dinâmica mais ampla, equilibrando momentos de extrema violência com passagens mais melódicas. A produção, feita por Keith Falgout, manteve o som pesado e orgânico, mas apresenta uma mixagem mais limpa. As guitarras continuam formando uma parede sonora extremamente densa, mas com maior variação de timbres. O baixo é bastante presente, a bateria é bastante dinâmica e os vocais de Dax são mais teatrais e emocionais. Com isso, o Sludge Metal passa a dialogar ainda mais com o Grunge e o Metal Gótico. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem pesadas. No fim, é um baita disco e, depois disso, a banda acabou muito por conta da morte do baixista Audie Pitre. 

Melhores Faixas: Bleed Me An Ocean, Venus Blue, Graveflower, Paegan Love Song, 13 Fingers, Diab Soule 
Vale a Pena Ouvir: New Corpse, Dead Girl


Analisando Discografias - Big L

                  

Lifestylez Ov Da Poor & Dangerous – Big L





















NOTA: 10/10


Em 1995, o Big L lançava seu álbum de estreia, o sensacional Lifestylez Ov Da Poor & Dangerous. O rapper novaiorquino começou sua trajetória por volta de 1992 e já havia conquistado enorme respeito no circuito underground graças às suas batalhas de freestyle. Desde muito jovem, chamava atenção pela facilidade em construir rimas internas extremamente complexas, jogos de palavras inteligentes e punchlines devastadoras, o que despertou o interesse da gravadora Columbia, que o contratou. A produção, feita por Buckwild, Lord Finesse, Showbiz e Craig Boogie, traz beats pesadas, baterias secas, caixas marcantes, linhas de baixo profundas e samples de Soul, Jazz e Funk precisos, que se encaixam perfeitamente com os flows improvisados e técnicos do L, resultando em um trabalho que transita pelo Boom Bap e, em alguns momentos, pelo Horrorcore. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Put It On, MVP, Street Struck, All Black, No Endz, No Skinz
Vale a Pena Ouvir: Fed Up Wit The Bullshit, Da Graveyard (olhos no jovem Jay-Z), Danger Zone

The Big Picture – Big L





















NOTA: 9/10


Cinco anos depois, o Big L lançava seu 2º álbum que se tornou um lançamento póstumo, o The Big Picture. Após o Lifestylez Ov Da Poor & Dangerous, L estava trabalhando intensamente em um novo disco que representaria uma evolução artística significativa, tanto em termos de produção quanto de projeção comercial. Só que infelizmente no dia 15 de fevereiro de 1999, o rapper foi assassinado onde na época foi falado que seu amigo de infância Gerard Woodley tinha o baleado, mas ele foi liberado por falta de provas. E até hoje ninguém sabe autor do crime. Produção contou com DJ Premier, Lord Finesse, Pete Rock e entre outros, que ainda seguiram a temática do Boom Bap, só que as beats são mais variadas e cinematográficos. As baterias continuam secas e pesadas e se percebe uma evolução nos flows do Big L. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e energéticas. No geral, é um ótimo disco e que é muito variado. 

Melhores Faixas: The Enemy (Fat Joe amassou), '98 Freestyle, Flamboyant, Deadly Combination, Platinum Plus (ótima feat do Big Daddy Kane), Ebonics, The Heist Revisited
Vale a Pena Ouvir: Holdin' It Down, Size 'Em Up, The Triboro
  

Harlem's Finest: Return Of The King – Big L





















NOTA: 8/10


Em 2025, foi lançado, certamente, o último lançamento póstumo do Big L, o Harlem's Finest: Return Of The King. Após o The Big Picture, esse projeto faz parte da série "Legend Has It...", idealizada pela Mass Appeal para celebrar artistas fundamentais da história do Rap por meio de novos lançamentos baseados em arquivos inéditos, gravações raras e material restaurado. Não existe um projeto original concebido pelo rapper com esse nome. Em vez disso, o disco reúne gravações realizadas entre 1992 e 1999, incluindo freestyles, demos e músicas inacabadas. A produção contou com G Koop, Malay, Lord Finesse, Beat Butcha e outros, que seguiram a estética do Boom Bap, com baterias secas, linhas de baixo marcantes, samples de Soul e Jazz e scratches precisos, criando um equilíbrio entre o moderno e o clássico. O repertório é muito bom, com canções interessantes, embora algumas pareçam muito soltas. Enfim, é um álbum legal que respeita o legado do rapper. 

Melhores Faixas: 7 Minute Freestyle (Jay-Z lá de 95), Forever (Mac Miller de 2010), RHN (Real Harlem Niggas), Fred Samuel Playground (ótima feat do Method Man), How Will I Make It (Park West High School Mix), u aint gotta chance (Nas mandou bem) 
Piores Faixas: Doo Wop Freestyle ('99), Put The Mic Down

    

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Analisando Discografias - Zé Ramalho: Parte 2

                 

Eu Sou Todos Nós – Zé Ramalho





















NOTA: 3,5/10


Passaram-se dois anos, e o Zé Ramalho retornou com seu 12º álbum, o Eu Sou Todos Nós. Após o Cidades & Lendas, ele aproveitou o sucesso da Antologia Acústica, coletânea que revitalizou sua carreira e apresentou seus clássicos a uma nova geração. A gravadora BMG preferia dar sequência ao êxito comercial com um segundo volume da antologia, mas Zé insistiu em gravar um disco totalmente inédito. A produção, feita por Robertinho de Recife, apresenta uma sonoridade mais pesada que a dos dois discos anteriores. As guitarras elétricas ganham bastante destaque, aproximando o álbum um pouquinho do Rock, enquanto os elementos nordestinos continuam presentes por meio da viola, da zabumba, do acordeão e da percussão tradicional. Mas tudo soa bastante repetitivo e com elementos que fogem muito das características do Zé. O repertório é fraquíssimo, e as canções são sem graça, com poucas realmente interessantes. No fim, é um disco ruim e sem coesão. 

Melhores Faixas: Companheira De Alta Luz, Metrópolis Dourada, Sem-Terra, A Peleja De Zé Limeira No Final Do Segundo Milênio 
Piores Faixas: Das Maravilhas, Martelo Rap Ecológico, Vermelhos, Errare Humanun Est, Agônico - O Canto

Zé Ramalho Canta Raul Seixas – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e o cantor lançou mais um disco no qual revisita o repertório do Raul Seixas. Após o Eu Sou Todos Nós, Zé Ramalho retomou um desejo que carregava desde os anos 1980: gravar um álbum ao lado de Raul. A morte precoce do Raul, em 1989, tornou esse encontro impossível, e o projeto acabou sendo transformado em um álbum de homenagem mais de uma década depois. A produção foi feita mais uma vez por Robertinho de Recife, que estabeleceu um equilíbrio entre o Rock e a música nordestina. As guitarras elétricas permanecem presentes durante praticamente todo o disco, mas convivem com violões de doze cordas, viola nordestina, gaita e teclados discretos. Os vocais do Zé são bastante seguros e, com sua interpretação quase narrativa, transformam completamente diversas músicas. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bastante fiéis. Enfim, é um disco interessante e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Metamorfose Ambulante, S.O.S., Planos De Papel 
Vale a Pena Ouvir: Ouro De Tolo, As Aventuras De Raul Seixas Na Cidade De Thor, Para Raul

O Gosto Da Criação – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, Zé Ramalho lançou outro álbum, O Gosto da Criação (capa horrorosa). Após o Canta Raul Seixas, ele decidiu fazer um trabalho com um tom mais otimista. Em vez de enfatizar conflitos políticos ou crises existenciais, o álbum concentra-se na capacidade humana de aprender, transformar-se e encontrar sentido por meio da experiência. A produção foi mais orgânica e refinada. Em vez de privilegiar guitarras pesadas, busca um equilíbrio entre violões, viola de doze cordas, guitarras elétricas discretas, teclados e instrumentos nordestinos, seguindo muito mais uma abordagem do Folk contemporâneo e da MPB, com Zé entregando uma performance segura e com menos dramaticidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e imersivas. No fim, é um disco bacana e injustamente subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: O Silêncio Dos Inocentes, Fissura, Modificando O Olhar 
Vale a Pena Ouvir: Aprendendo A Vencer, É Praticando Na Vida Que Muito Vai Aprender, Tudo Que Fiz Foi Viver

Parceria Dos Viajantes – Zé Ramalho





















NOTA: 8,2/10


Cinco anos se passaram, e Zé Ramalho lançou mais um trabalho inédito, o Parceria dos Viajantes. Após O Gosto da Criação, o cantor decidiu fazer um disco retrospectivo. Em vez de repetir fórmulas anteriores, preferiu reafirmar sua capacidade de dialogar com artistas de diferentes vertentes, demonstrando que sua música permanecia aberta à renovação. O resultado é um trabalho mais leve e comunicativo do que seus discos filosóficos do início dos anos 2000, mas que preserva sua identidade poética. A produção é muito mais variada, já que mistura Pop Rock, MPB, Folk, Baião e música nordestina, mantendo como base o violão de Zé Ramalho, mas incorporando guitarras elétricas, acordeão, teclados, metais e diversas texturas instrumentais. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem envolventes e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Procurando A Estrela (participação da Daniela Mercury), Porta De Luz 
Vale a Pena Ouvir: A Nave Interior (participação da Pitty), Do Muito E Do Pouco, Chamando O Silêncio

Sinais Dos Tempos – Zé Ramalho





















NOTA: 3/10


No ano de 2012, o cantor lançou seu 15º álbum de estúdio, o fraquíssimo Sinais dos Tempos. Após o Parceria dos Viajantes, Zé Ramalho declarou interesse em lançar um disco em 2012 por causa do fim do calendário maia, associado por muitos à ideia de "fim do mundo". Isso reforça uma atmosfera temática que atravessa o álbum inteiro: tempo, destino, crise, consciência e transformação. A produção, feita em conjunto com Robertinho de Recife, apresenta um som mais terreno. As guitarras têm peso, mas não dominam o disco; ao mesmo tempo, a sanfona e a percussão tradicional mantêm a identidade regional, estabelecendo um equilíbrio entre a MPB, o Folk e algumas influências do Forró e do Rock psicodélico. Mas tudo soa bastante repetitivo, com arranjos que não conseguem empolgar. O repertório é muito ruim, e as canções são bem genéricas, com poucas realmente interessantes. No fim, é um álbum fraco e sem inspiração. 

Melhores Faixas: Olhar Alquimista, Portal Dos Destinos, Justiça Cega 
Piores Faixas: O Que Ainda Vai Nascer, A Noite Branca, Lembranças Do Primeiro, Anúncio Final

Ateu Psicodélico – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos a 2022, quando Zé Ramalho lançou seu mais recente álbum, o Ateu Psicodélico. Após o Sinais dos Tempos, Zé voltou a reunir material novo durante o período da pandemia de COVID-19, quando revisitou ideias antigas e composições recentes feitas ao longo do isolamento. O título vem de um texto de Arnaldo Baptista, dos Mutantes, sobre a obra do cantor, reforçando o diálogo do álbum com a psicodelia brasileira dos anos 1970. A produção, feita por Robertinho de Recife, adota uma abordagem orgânica e direta, com presença de guitarras, elementos nordestinos (viola, sanfona e ritmos regionais), atmosferas psicodélicas e místicas e intervenções instrumentais elaboradas, fazendo o disco dialogar tanto com o Folk psicodélico quanto com o Rock psicodélico. O repertório é ótimo, e as canções são carregadas de profundidade e muito bem tematizadas. No fim, é um disco bacana que demonstra a versatilidade do Zé Ramalho. 

Melhores Faixas: As Onze Palavras, Repentista Marvel (participação do Andreas Kisser), Martelo Armagedon, Olhar Entorpecido, Beira Mar, a Ressurreição 
Vale a Pena Ouvir: O Diagrama Da Alma Dourada, O Que O Mundo Não Sabe Explicar, Sextilhas Filosóficas

 

                                                                                Então é isso, um abraço e flw!!!

domingo, 5 de julho de 2026

Analisando Discografias - Zé Ramalho: Parte 1

                   

Paêbirú – Lula Côrtes e Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


No ano de 1975, Lula Côrtes e Zé Ramalho lançavam um álbum colaborativo, o clássico Paêbirú. Os dois jovens músicos nordestinos ainda estavam no começo da carreira. Esse disco surgiu a partir do fascínio de ambos pelas lendas indígenas relacionadas ao Caminho do Peabiru, antiga rota pré-colombiana que cruzava parte da América do Sul, pelas inscrições rupestres da Pedra do Ingá e pelo misticismo envolvendo a figura de Sumé, estruturando o álbum de acordo com os quatro elementos fundamentais da natureza. A produção foi feita por Hélio Rozenblit e lançada pelo selo de sua família. O resultado é um som extremamente experimental, misturando Folk psicodélico, Baião, Jazz, Jongo e, principalmente, Udigrudi. A instrumentação é baseada em violões, guitarras elétricas, percussões nordestinas, berimbau e instrumentos pouco convencionais. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem tematizadas. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Nas Paredes Da Pedra Encantada, Os Segredos Talhados Por Sumé, Não Existe Molhado Igual Ao Pranto, Trilha De Sumé, Sumé, Regato Da Montanha, Bailado Das Muscarias 
Vale a Pena Ouvir: Pedra Templo Animal, Raga Dos Raios, Culto À Terra

Zé Ramalho – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram, e Zé Ramalho retornou lançando seu álbum de estreia autointitulado. Após o Paêbirú, com Lula Côrtes, que acabou tendo pouca vendagem, já que grande parte dos exemplares foi perdida numa enchente, o paraibano voltou a cursar Medicina, mas largou o curso em 1976, mudando-se para o RJ para conseguir, enfim, lançar seus trabalhos. Após muita luta, assinou com a CBS. A produção contou com Carlos Alberto Sion, que trouxe uma sonoridade extremamente sofisticada e cinematográfica. Aqui há uma junção do Udigrudi, Folk, Cantoria e MPB, com os violões de doze cordas convivendo com guitarras elétricas, sintetizadores, sanfona, flautas e baixos elaborados. Os vocais graves e roucos do Zé Ramalho funcionam muito bem dentro dessa proposta. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea, já que praticamente todas as canções são belíssimas. Enfim, é um disco fantástico e um dos melhores álbuns da música brasileira. 

Melhores Faixas: Avôhai, Chão De Giz, A Dança Das Borboletas, Voa, Voa 
Vale a Pena Ouvir: Vila do Sossego, A Noite Preta

A Peleja Do Diabo Com O Dono Do Céu – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o Zé Ramalho lançou seu 2º álbum, o clássico A Peleja do Diabo com o Dono do Céu. Após o seu álbum de estreia, que na época acabou sendo injustamente criticado pela crítica, o cantor não se abalou e decidiu fazer um disco que remete à tradição dos folhetos de cordel nordestinos, transformando o embate entre o Diabo e o Dono do Céu em uma metáfora para os conflitos entre o bem e o mal, a opressão e a liberdade, a fé e o poder. A produção foi relativamente a mesma, só que agora estava mais refinada e com estruturas mais definidas, facilitando sua assimilação sem sacrificar a riqueza musical. Ela junta ainda mais Folk e Cantoria com elementos da MPB, Baião, Forró e influências barrocas, com os vocais graves do Zé, que passaram a ter um controle maior das nuances. O repertório é maravilhoso, também parecendo uma coletânea, com canções bem tematizadas. No fim, é outro disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Admirável Gado Novo, A Peleja Do Diabo Com O Dono Do, Beira-Mar, Falas Do Povo 
Vale a Pena Ouvir: Jardim Das Acácias, Mote Das Amplidões

A Terceira Lâmina – Zé Ramalho





















NOTA: 10/10


Indo para 1981, o Zé Ramalho lançava seu sensacional 3º álbum, A Terceira Lâmina. Após o A Peleja do Diabo com o Dono do Céu, este novo disco amplia esse universo ao abordar questões existenciais, políticas e sociais de maneira ainda mais simbólica. O título, nas palavras do cantor, faz referência à sua terceira fase artística, ao seu terceiro filho e também à ideia de uma "terceira guerra", funcionando como metáfora para um momento decisivo da humanidade. A produção, feita pelo próprio cantor junto com Mauro Motta, foi bastante sofisticada, com um som pensado para tocar nas rádios, mas, claro, contendo os elementos do Folk e da Cantoria característicos da obra do Zé. A instrumentação continua extremamente rica. Violões de doze cordas convivem com guitarras elétricas, piano, percussões nordestinas e corais. O repertório é incrível, novamente contendo canções profundas. No geral, é outro álbum fenomenal e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Canção Agalopada, A Terceira Lâmina, Cavalos Do Cão, Kamikaze, Galope Rasante 
Vale a Pena Ouvir: Filhos De Ícaro, Um Pequeno Xote, Atrás Do Balcão

Força Verde – Zé Ramalho





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e o Zé Ramalho lançou outro álbum, intitulado Força Verde. Após A Terceira Lâmina, esse novo disco marca uma mudança de foco em sua escrita. O tom apocalíptico e político continua presente, mas agora dividido com uma preocupação maior com a natureza, a preservação ambiental, a espiritualidade e a relação entre o homem e o planeta. Fora que o Zé tentou seguir um caminho mais moderno, dialogando com o rumo que a MPB tomou para conseguir tocar nas rádios. A produção foi ainda mais refinada, juntando muito mais elementos da MPB com o Folk contemporâneo, enquanto os arranjos se tornam mais atmosféricos, valorizando sintetizadores, cordas e texturas eletrônicas que ampliam o caráter contemplativo do álbum. Os vocais do Zé complementam esse trabalho com sua voz grave e carregada de sotaque nordestino. O repertório é ótimo, e as canções são belíssimas e carregadas de referências. Enfim, é outro disco incrível e bem coeso. 

Melhores Faixas: Visões De Zé Limeira Sobre O Final Do Século XX, Força Verde, Banquete De Signos, Pepitas de Fogo, Os Segredos De Sumé 
Vale a Pena Ouvir: O Monte Olímpia, Cristais Do Tempo

Orquídea Negra – Zé Ramalho





















NOTA: 8,7/10


Outro ano se passa, e o Zé Ramalho lança mais trabalho novo, a Orquídea Negra. Após o Força Verde, o cantor passou por algumas dificuldades, como uma acusação de plágio envolvendo o gibi do Incrível Hulk, além de seu casamento com Amelinha ter chegado ao fim. Assim, decidiu fazer um projeto que alterna entre composições introspectivas e outras bastante expansivas. A produção foi bem mais diversificada, contando com MPB, Folk, Baião, Xote e algumas influências do Rock. Os violões continuam presentes, mas agora dividem espaço com sintetizadores, guitarras elétricas, metais e arranjos orquestrais. A interpretação vocal do Zé continua transmitindo autoridade, mistério e emoção, adaptando-se muito bem a cada canção. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as faixas são divertidas, enquanto outras são mais imersivas. Enfim, é um disco bacana e, assim como o antecessor, acabou não vendendo muito. 

Melhores Faixas: Taxi Lunar, Kryptônia, Xote Dos Poetas (participação do Fagner), Napalm
Vale a Pena Ouvir: Dominó, Orquídea Negra, Para Chegar Mais Perto De Deus

Por Aquelas Que Foram Bem Amadas Ou Pra Não Dizer Que Não Falei De Rock – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


Novamente se passou mais um ano, e o cantor lançou Por Aquelas Que Foram Bem Amadas ou pra Não Dizer Que Não Falei de Rock. Após a Orquídea Negra, o Zé Ramalho decidiu revisitar um repertório composto ainda no início da década de 70, quando atuava como guitarrista em bandas de baile. O próprio Zé Ramalho afirmou posteriormente que desejava registrar esse material porque fazia parte de sua formação musical. A produção foi mais direta, privilegiando guitarras elétricas, teclados, sintetizadores, bateria mais pesada e linhas de baixo bastante marcantes, aproximando diversas faixas do Rock clássico, além de apresentar pequenos traços da MPB. Aqui, os vocais do Zé conseguem ser bem variados, e há momentos em que ele adota uma abordagem mais urgente. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e envolventes. Enfim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Made In PB, Dupla Fantasia 
Vale a Pena Ouvir: Dança Das Luzes, O Tolo Na Colina (The Fool On The Hill) (participação do Erasmo Carlos), Paisagem Da Flor Desesperada

De Gosto, De Água E De Amigos – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Em 1985, o Zé Ramalho lançava mais um trabalho, intitulado De Gosto, de Água e de Amigos. Após o Por Aquelas Que Foram Bem Amadas ou pra Não Dizer Que Não Falei de Rock, o cantor decidiu fazer um disco que trata da amizade, da passagem do tempo, das origens, da identidade cultural e das relações humanas. O próprio título resume esse espírito: a água representa renovação, enquanto os amigos simbolizam acolhimento, memória e permanência. A produção, feita por Renato Corrêa e Mariozinho Rocha, seguiu uma abordagem mais limpa e moderna. Os arranjos continuam baseados no violão, instrumento inseparável do compositor, mas ganham forte presença de sintetizadores, guitarras elétricas, cordas, acordeão e uma seção rítmica bastante refinada, resultando em um álbum mais puxado para o Pop Rock e a MPB. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves e reflexivas. No geral, é um ótimo disco e merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Mestiça, Chuva Pesada, Martelo Dos 30 Anos, Paralelas 
Vale a Pena Ouvir: Forrobodó, De Gosto, De Água E De Amigos

Opus Visionário – Zé Ramalho





















NOTA: 9/10


Se passou mais um ano, e o Zé Ramalho lançou um trabalho bem mais tradicional, o Opus Visionário. Após o De Gosto, de Água e de Amigos, o cantor optou por não repetir a fórmula mais acessível de seu álbum anterior. Em vez disso, voltou a privilegiar um repertório marcado pelo simbolismo, pela espiritualidade, pela ficção científica, pela filosofia e pelo surrealismo, retomando características que aproximavam sua produção de seus discos clássicos. A produção do Mauro Motta equilibrou instrumentos acústicos e arranjos tradicionais nordestinos. Aqui há um investimento muito maior em sintetizadores, programação eletrônica, efeitos digitais e texturas sonoras da música Pop daquele período. Os arranjos, feitos por Lincoln Olivetti e Robson Jorge, colocam essa sonoridade moderna em diálogo com os violões e as percussões nordestinas. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um ótimo álbum e bem consistente. 

Melhores Faixas: Quasar Do Sertão, Olhares Sem Destino, Pedras E Moças, Zyliana, Visionária 
Vale a Pena Ouvir: Um Índio, Tamarineira Village

Décimas De Um Cantador – Zé Ramalho





















NOTA: 8/10


E aí mais um ano se passou, e, de novo, o Zé Ramalho lançou mais um álbum, o Décimas de um Cantador. Após o Opus Visionário, o cantor volta a concentrar sua atenção nas raízes nordestinas, especialmente na tradição dos cantadores, repentistas e poetas populares, sem abandonar completamente as influências que havia adquirido nos trabalhos anteriores. A produção, feita mais uma vez por Mauro Motta, tem a presença de violões de doze cordas, guitarras elétricas, sintetizadores, programação eletrônica, baixos bastante elaborados e percussões discretas. Lincoln Olivetti permanece responsável por parte da programação eletrônica, enquanto Robson Jorge exerce papel fundamental nos teclados, guitarras e arranjos. Juntos, eles constroem uma sonoridade que dialoga muito mais com a MPB daquela época, com pequenas influências da música nordestina. O repertório é legalzinho, e as canções são bem interessantes. No geral, é um ótimo disco e foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Medley: Pelos Telefones / Lay, Lady, Lay , Mulher Nova, Bonita E Carinhosa Faz O Homem Gemer Sem Sentir Dor 
Vale a Pena Ouvir: Mary Mar, Décimas De Um Cantador, Aldeias Da Borborema

Frevoador – Zé Ramalho





















NOTA: 8,5/10


Pulando para 1992, o Zé Ramalho lançou seu 10º álbum de estúdio, o Frevoador. Após o Décimas de um Cantador, o cantor lançou alguns trabalhos esporádicos e retornou nos anos 90 em um momento de profundas mudanças na indústria musical brasileira, já dominada pelo sertanejo romântico e pela música pop. Quando retornou, atualizou sua sonoridade sem abandonar completamente a identidade construída ao longo dos anos. A produção, feita pelo cantor junto com Luís Fernando Borges, privilegiou violões, guitarras limpas e teclados discretos, deixando o som mais orgânico. Ao mesmo tempo, permanecem presentes elementos nordestinos como a viola, o acordeão, o bandolim e ritmos derivados do Baião, do Frevo e do Xote. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e carregadas de reflexão. No final de tudo, é um ótimo disco e, dessa vez, o sucesso veio. 

Melhores Faixas: Entre A Serpente E A Estrela, Cidadão, A História Do Jeca Que Virou Elvis Presley 
Vale a Pena Ouvir: Porta Secreta, Do Terceiro Milênio Para Frente, Serpentária

Cidades & Lendas – Zé Ramalho





















NOTA: 6/10


Cinco anos depois, o Zé Ramalho lançou mais um trabalho, o Cidades & Lendas. Após o Frevoador, Zé foi chutado da gravadora CBS. Esse novo disco ficou temporariamente interrompido, e o próprio artista assumiu praticamente toda a coordenação do trabalho, cuidando da produção, da escolha dos músicos e da finalização das gravações até conseguir um novo contrato com a BMG. Vale lembrar que ele aproveitou o hype de sua canção Admirável Gado Novo, que estava fazendo parte da trilha sonora da novela Rei do Gado. A produção é bastante refinada, equilibrando instrumentos acústicos e elementos contemporâneos. O violão volta a ocupar posição central, acompanhado pela viola de doze cordas de Manassés, instrumento que confere forte identidade nordestina ao disco. Mas o problema é que tudo soa arrastado e parece faltar algo mais imersivo. O repertório é fraquinho: há canções boas e outras mais do mesmo. Em suma, é um trabalho mediano e muito monótono. 

Melhores Faixas: Cidades & Lendas, Os Últimos Dias, Não Existe Molhado Igual Ao Pranto
Piores Faixas: Leva Eu Sodade, Rap-Xote Esotérico, Profetas

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

Review: Splat! do Deep Purple

                      Splat! – Deep Purple NOTA: 1,3/10 Recentemente, o Deep Purple retornou lançando um novo disco, intitulado Splat!. Após...