terça-feira, 17 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 5

                 

Water From The Wells Of Home – Johnny Cash





















NOTA: 7,1/10


Indo para 1988, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado Water From The Wells Of Home. Após o Is Coming to Town, Cash decidiu fazer um álbum que inclui diversas colaborações com artistas importantes da Country music. Apresenta uma seleção de faixas que reforça muitos dos temas tradicionais de sua obra: espiritualidade, identidade rural, histórias de pessoas comuns e reflexões sobre o tempo e a vida. Produção feita por Jack Clement, o disco segue a estética predominante do Country Pop do final dos anos 80, apresentando arranjos mais elaborados e uma instrumentação mais ampla, com maior presença de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, que se encaixam bem tanto com as linhas vocais de Cash quanto com as dos convidados. O repertório é bem interessante, trazendo canções bem interpretadas e outras em que as participações deixam a desejar. Enfim, é um álbum interessante, apesar de soar como mais do mesmo. 

Melhores Faixas: New Moon Over Jamaica (Paul McCartney mandou bem), That Old Wheel (Hank Williams Jr. bem demais), Ballad Of A Teenage Queen (Rosanne Cash arrebentando)
Piores Faixas: Call Me The Breeze (filho do Johnny Cash bem apagado), A Croft In Clachan (The Ballad Of Rob MacDunn) (Glen Campbell não agregou em nada)

Boom Chicka Boom – Johnny Cash





















NOTA: 8,1/10


Entrando nos anos 90, Johnny Cash decide revisitar suas raízes com o álbum Boom Chicka Boom. Após o Water From The Wells Of Home, ele continuava extremamente ativo musicalmente. Durante esse período, também participava do supergrupo The Highwaymen. O sucesso desse projeto demonstrava que o prestígio de Cash dentro da Country music permanecia enorme, mesmo que sua carreira solo estivesse passando por um momento comercial mais modesto. A produção foi feita por Bob Moore, que opta por uma abordagem deliberadamente enxuta e orgânica, apostando em arranjos mais crus, com foco no ritmo, na voz grave e narrativa de Cash e na instrumentação tradicional, dialogando tanto com o Country quanto com um pouco de Rockabilly. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um disco legal e bem consistente. 

Melhores Faixas: Monteagle Mountain, Harley, Hidden Shame 
Vale a Pena Ouvir: Don't Go Near The Water, Cat's In The Cradle

The Mystery Of Life – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano e foi lançado outro disco de Johnny Cash, o The Mystery Of Life. Após o Boom Chicka Boom, Cash já era amplamente reconhecido como uma das figuras mais importantes da história da música americana, só que o cenário da Country music havia mudado drasticamente, com novos artistas dominando o mercado e com uma estética sonora mais moderna, voltada para o público jovem, e o cantor também estava perto de não renovar com a Mercury Records. A produção, conduzida por Jack Clement, seguia aquela abordagem temática do cantor, com presença de teclados, guitarras adicionais e vocais de apoio. Além, claro, de trazer o estilo clássico do Tennessee Two, juntando assim o Country com um pouco de Rock. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado mais melódico e até mais envolvente. No geral, é um disco legal antes de um momento decisivo. 

Melhores Faixas: The Mystery Of Life, The Hobo Song 
Vale a Pena Ouvir: Hey Porter, Angel And The Badman, The Greatest Cowboy Of Them All

American Recordings – Johnny Cash





















NOTA: 9,5/10


Em 1994, foi lançado o 1º álbum da série American Recordings do Johnny Cash. Após o The Mystery Of Life, Cash se encontrava sem um contrato significativo e enfrentava uma fase em que muitos na indústria o consideravam um artista do passado. Até que surge Rick Rubin, que havia fundado a gravadora de mesmo nome e demonstrava grande admiração pela obra de Cash. A ideia do Rubin era radicalmente simples: remover praticamente todos os elementos de produção moderna e apresentar Cash apenas com sua voz e um violão. Com isso, a produção é extremamente minimalista. Essa abordagem cria uma atmosfera intensa, colocando toda a atenção na interpretação vocal e nas letras das músicas, dialogando não só com o Country tradicional, mas também com o Folk e a Americana. O repertório é belíssimo, e as canções têm interpretações bem intimistas. No final de tudo, é um baita disco, marcando o retorno de um gigante. 

Melhores Faixas: Thirteen, Bird On A Wire (Leonard Cohen), Tennessee Stud, The Beast In Me, Down There By The Train (Tom Waits), Why Me Lord 
Vale a Pena Ouvir: Redemption, The Man Who Couldn't Cry, Delia's Gone, Like A Soldier

Unchained – Johnny Cash





















NOTA: 9,6/10


Dois anos se passaram e foi lançado American Recordings II: Unchained, que se mostrou mais amplo. Após o 1º álbum dessa fase, que apresentava Johnny Cash quase sozinho com seu violão, o projeto seguinte buscava expandir essa ideia, trazendo novamente uma banda completa para acompanhá-lo. Para isso, Rick Rubin convidou os integrantes da banda Tom Petty and the Heartbreakers para tocar com Cash no álbum. Essa decisão foi bem significativa, pois aproximava ainda mais o cantor de um público ligado ao Rock contemporâneo. A produção segue uma abordagem mais dinâmica, e a escolha dessa banda foi extremamente eficaz, pois os Heartbreakers possuíam grande sensibilidade musical e sabiam como apoiar a voz de Cash sem dominá-la; com isso, vemos muito mais influências da Americana e do Country Rock. O repertório é incrível, e a forma como as canções são interpretadas transmite um lado mais envolvente. No fim, é um baita disco e representa uma evolução. 

Melhores Faixas: Rusty Cage (Soundgarden), I've Been Everywhere, Rowboat (Beck), Country Boy, Southern Accents (Tom Petty), Sea Of Heartbreak, Unchained, Memories Are Made Of This 
Vale a Pena Ouvir: Spiritual, Mean Eyed Cat, Meet Me In Heaven

American III: Solitary Man – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


Quatro anos se passaram e, já nos anos 2000, foi lançado American III: Solitary Man. Após o Unchained, Johnny Cash e Rick Rubin decidiram retornar a uma abordagem mais minimalista, centrada novamente na voz do cantor e em arranjos bastante contidos. No final dos anos 90, Cash enfrentava problemas de saúde cada vez mais sérios. Ele havia sido diagnosticado com uma doença neurológica rara chamada síndrome de Shy-Drager (posteriormente revisada para neuropatia autonômica associada ao diabetes), o que reduziu o número de suas turnês. A produção é bem mais intimista: Cash canta acompanhado apenas de violão ou de arranjos muito discretos de guitarra, piano ou órgão; com isso, as texturas dialogam com a voz envelhecida do cantor, aproximando-se do Country Folk. O repertório é maravilhoso e chega a parecer uma coletânea, de tão brilhantemente interpretado. No fim, é um disco sensacional, uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Solitary Man (Tom Petty), The Mercy Seat (Nick Cave And The Bad Seeds), Wayfaring Stranger, I See A Darkness (Will Oldham), I'm Leavin' Now (participação do Merle Haggard), One (U2), Field Of Diamonds, I Won't Back Down 
Vale a Pena Ouvir: Would You Lay With Me (In A Field Of Stone), Nobody, Before My Time


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!       

segunda-feira, 16 de março de 2026

Analisando Discografias - Chococorn And The Sugarcanes

                  

Siamês – Chococorn And The Sugarcanes





















NOTA: 9/10


Em 2024, foi lançado o álbum de estreia do Chococorn And The Sugarcanes intitulado Siamês. Formado em 2021, na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, por Alexandre Luz (bateria), Pipe Bacchin (vocais e guitarra), Pedro Guerreiro (guitarra) e Pietro Sartori (baixo), todos amigos de infância que começaram a tocar juntos no início da década de 2020. Eles traziam uma abordagem aliada a letras confessionais e bastante ligadas à vivência juvenil, o que ajudou a banda ganhar uma identidade de “Emo caipira”. A produção, feita por Renato Cortez e Tiago Camargo, é bastante crua e direta, seguindo as influências do Midwest Emo, Indie Rock e Slacker Rock, indo desde momentos mais rápidos até passagens mais expansivas e atmosféricas; é como se eles fossem um filho do Hateen com Mineral. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e trazem um lado reflexivo. No fim, é um baita disco de estreia e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Dom Bosco S.A, Caminhão de Mudança, Fiat Marea 2004, Carro de Lata, Kaworu 
Vale a Pena Ouvir: Ato II: a espetacular fuga de onde você sempre esteve, Derby Solto, Boa Noite, Tunico

Todos os Cães Merecem o Céu – Chococorn And The Sugarcanes





















NOTA: 9/10


Então chegamos a 2026, quando eles retornaram lançando seu 2º álbum, o Todos os Cães Merecem o Céu. Após o Siamês, a banda passou a circular mais intensamente pelo país, ampliando sua base de fãs. Esse crescimento ajudou a criar expectativa em torno do próximo trabalho, no qual eles iriam ampliar o escopo temático, meio que relatando um universo coletivo mais amplo: retratos urbanos e reflexões sobre amizade, ambição e sobrevivência emocional. A produção foi feita pelo guitarrista Pedro Guerreiro, Gabriel Zander e Alexandre Capilé (aquele mesmo do Sugar Kane), e aqui eles foram para uma abordagem mais ampla, em que alternam trechos mais suaves e introspectivos com explosões de intensidade instrumental, com as guitarras tendo maior destaque, indo mais na linha do Indie Rock com um pouquinho de Midwest Emo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. Em suma, é um belo álbum e mostrou uma temática revigorada. 

Melhores Faixas: A Vida de Messi, Seja Gentil, Palavra de Amigo, Entre Algumas Vias e Outras Vias Ainda Maiores, Fogo na Chácara Klabin, Água até o teto 
Vale a Pena Ouvir: Esperança, Ambição, 30 Dias de Carnaval, Língua dos Cachorros
  

                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                    

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 4

                    

Gone Girl – Johnny Cash





















NOTA: 6/10


Indo para 1978, foi lançado mais um álbum de Johnny Cash intitulado Gone Girl. Após o I Would Like to See You Again, ele decidiu fazer um disco que equilibrasse tradição e acessibilidade comercial, com canções de storytelling. Outro elemento importante foi a forte presença do compositor Larry Gatlin. Cash decidiu gravar várias composições de Gatlin, que na época era um nome bastante relevante na cena Country. A produção, feita por Larry Butler, trouxe aquele seu estilo mais refinado e radiofônico, incorporando arranjos sofisticados, coros e uma instrumentação mais polida. Os arranjos são cuidadosamente estruturados, com uso de cordas, piano e backing vocals que ampliam o alcance emocional das músicas, além daqueles vocais mais graves de Cash. Só que, novamente, acontece muita repetição. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquinhas. No fim, é um álbum mediano, ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: I Will Rock And Roll With You, Gone Girl, Cajun Born 
Piores Faixas: The Gambler, It Comes And Goes, You And Me

Silver – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Chegando nessa movimentada década de 70 para Johnny Cash, foi lançado Silver. Após o mediano Gone Girl, o cenário da Country music havia mudado bastante. Novos artistas dominavam as paradas, e o estilo musical de Nashville estava cada vez mais sofisticado e voltado para o mercado mainstream. Nesse contexto, Cash já não ocupava o mesmo espaço comercial de antes e decidiu fazer um álbum comemorativo de seus 25 anos de carreira. A produção, conduzida por Brian Ahern, trouxe uma variedade maior de arranjos e participações especiais, criando uma sonoridade mais diversificada. Apesar dessas mudanças, a base instrumental tradicional ainda está presente. Ainda assim, a voz profunda e característica de Cash continua sendo o elemento central da experiência musical. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e têm aquela temática que o caracterizou. Enfim, é um disco bacana que mostrava o tamanho de sua grandeza musical. 

Melhores Faixas: Bull Rider, Muddy Waters 
Vale a Pena Ouvir: Lonesome To The Bone, Cocaine Blues, (Ghost) Riders In The Sky

Rockabilly Blues – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, Johnny Cash decide relembrar suas raízes com Rockabilly Blues. Após o Silver, o mercado da Country music estava mudando rapidamente, com a ascensão de novas estrelas e uma sonoridade cada vez mais voltada para produções sofisticadas e radiofônicas, algo que refletia muito aquele período em que a indústria, no geral, exigia que todo mundo tocasse na rádio. Ao mesmo tempo, Cash continuava fiel a um estilo mais tradicional e narrativo. A produção foi feita por Earl Poole Ball, Jack Clement e Nick Lowe e reflete claramente a intenção de recriar o espírito energético e cru do Rockabilly clássico, só que juntando as influências do Country tradicional. Cash continua sendo acompanhado por músicos associados ao seu grupo tradicional, o Tennessee Three. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um ótimo disco e que é bastante ignorado injustamente. 

Melhores Faixas: Rockabilly Blues (Texas 1955), It Ain't Nothing New Babe 
Vale a Pena Ouvir: The Twentieth Century Is Almost Over, One Way Rider, Cold Lonesome Morning

The Baron – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco do Johnny Cash, o The Baron. Após o Rockabilly Blues, o chamado Urban Cowboy e a estética mais polida de Nashville dominavam o rádio, enquanto artistas mais jovens ganhavam destaque nas paradas. Ao mesmo tempo, a indústria fonográfica começava a priorizar novos nomes, o que reduziu o espaço de artistas veteranos como Cash dentro do mercado mainstream, só que o cantor continuava tentando permanecer no topo. A produção, conduzida por Billy Sherrill, apresenta alguns elementos mais modernos em comparação com os trabalhos clássicos de Cash. Há maior presença de arranjos de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, refletindo a estética do Country Pop daquele período. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e coesas. Enfim, é outro disco bacana e que também foi ignorado. 

Melhores Faixas: Hey, Hey Train, Mobile Bay 
Vale a Pena Ouvir: The Baron, The Blues Keep Getting Bluer

The Adventures Of Johnny Cash – Johnny Cash





















NOTA: 8,1/10


Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco intitulado The Adventures of Johnny Cash. Após o The Baron, o cantor continuava encontrando mais dificuldade em competir dentro do contexto comercial de seu meio. Apesar disso, ele continuava extremamente produtivo e, com esse novo trabalho, quis reafirmar muitos dos elementos tradicionais de sua música. A produção foi feita por Jack Clement, que incorporou elementos típicos da Country music da época. Há maior presença de instrumentos adicionais, como piano, guitarras elétricas mais elaboradas e vocais de apoio. Esses arranjos criam uma sonoridade mais cheia, embora o álbum ainda preserve bastante espaço para sua voz grave e expressiva; com isso, há uma junção de Outlaw Country, Western e Gospel, entre outros estilos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas e contagiantes. Enfim, é um projeto bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: I'll Cross Over Jordan Someday, We Must Believe In Magic 
Vale a Pena Ouvir: Paradise, Sing A Song, Only Love

Johnny 99 – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Outro ano se passa, e foi lançado o álbum intitulado Johnny 99, que foi bem mais crítico. Após o The Adventures of Johnny Cash, ele queria fazer um disco que se destacasse por trazer interpretações de composições contemporâneas, incluindo músicas de artistas associados à nova geração de compositores americanos, e também que carregasse um contexto social e político mais crítico. A produção, feita por Brian Ahern, manteve a essência narrativa típica de Cash, mas complementou isso com uma banda altamente profissional de músicos de estúdio, que ajudaram a criar um som que mistura Country tradicional, Folk e elementos de Rockabilly, resultando em arranjos limpos, atmosféricos e muitas vezes melancólicos. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem diversificadas, indo de profundas a envolventes. No geral, é um disco bacana e que é bem mais direto. 

Melhores Faixas: Joshua Gone Barbados, Ballad Of The Ark 
Vale a Pena Ouvir: New Cut Road, Highway Patrolman, Brand New Dance

Rainbow – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Então se passam dois anos e foi lançado um novo trabalho do Johnny Cash, o Rainbow. Após o Johnny 99, Cash enfrentava dificuldades dentro da gravadora Columbia, que já não priorizava seus lançamentos da mesma forma que antes, e o artista precisava encontrar maneiras de continuar relevante em um mercado dominado por novos nomes. O que ajudou a levantar sua moral foi o projeto Highwaymen, com Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson. A produção, feita por Chips Moman, seguiu uma linha bastante limpa e tradicional, evitando exageros sonoros que estavam presentes em parte do Country comercial da época, apesar de seguir influências mais Pop. A instrumentação utiliza guitarras elétricas e acústicas, piano, mandolim e uma seção rítmica discreta, além de uma seção de metais precisa. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um trabalho interessante e que manteve sua abordagem característica. 

Melhores Faixas: Love Me Like You Used To, Here Comes That Rainbow Again 
Vale a Pena Ouvir: Casey's Last Ride, They're All The Sam, Have You Ever Seen The Rain?

Johnny Cash Is Coming To Town – Johnny Cash





















NOTA: 8,4/10


Então se passa mais um ano, e o cantor retorna lançando o disco Johnny Cash Is Coming to Town. Após o Rainbow, ele já não era tratado como prioridade pelas grandes gravadoras e vinha enfrentando dificuldades para alcançar sucesso comercial com seus lançamentos. Essa situação culminou com o fim de sua longa relação com a Columbia Records, e ele logo assinou contrato com a Mercury Records, um movimento que representava uma tentativa de revitalizar sua carreira. A produção, feita por Jack Clement, trouxe um som mais polido e estruturado para o mercado radiofônico da época, incorporando diversos elementos típicos do Country Pop da década de 80, como sintetizadores discretos, guitarras mais polidas, arranjos de teclado e vocais de apoio mais elaborados, mas claro, com o vocal de Cash sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco interessante e tem sua consistência. 

Melhores Faixas: Sixteen Tons, The Night Hank Williams Came To Town, W. Lee O'Daniel (And The Light Crust Dough Boys) 
Vale a Pena Ouvir: The Ballad Of Barbara, The Big Light


domingo, 15 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 3

                 

Man In Black – Johnny Cash





















NOTA: 8,4/10


Em 1971, o Johnny Cash retorna com mais um novo disco intitulado Man in Black. Após o Hello, I'm Johnny Cash, Cash passou a assumir de forma mais explícita um papel de comentarista social. O início da década de 70 nos United States era marcado por tensões políticas e sociais intensas. O cantor, que sempre demonstrou empatia por trabalhadores, presos e minorias, decidiu abordar essas questões diretamente em suas músicas. A produção foi feita pelo próprio Cash, que colocou arranjos mais expansivos, ainda sendo acompanhado por sua banda de longa data, o Tennessee Three. O grupo incluía o guitarrista Bob Wootton, que havia assumido o papel anteriormente ocupado pelo falecido Luther Perkins, o baixista Marshall Grant e o baterista W. S. Holland, e aqui seguiram uma temática muito mais puxada para o Outlaw Country e até com influências progressivas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Man In Black, If Not For Love, Look For Me (June Carter aparecendo de novo) 
Vale a Pena Ouvir: Orphan Of The Road, Ned Kelly

A Thing Called Love – Johnny Cash





















NOTA: 8,3/10


Mais um ano se passa e foi lançado outro disco dele, A Thing Called Love, que foi mais comercial. Após o Man in Black, Johnny Cash estava prestando atenção na nova geração de compositores de Country e Folk que começava a transformar a música americana. Cash tinha uma habilidade especial para identificar grandes compositores e reinterpretar suas obras com personalidade própria, e aqui não foi diferente. Produção feita por Larry Butler, cuja base sonora continua centrada no estilo Country music tradicional, com algumas influências mais Pop, com instrumentação relativamente simples, porém extremamente eficaz, tendo a presença de piano, guitarras adicionais e coros ocasionais que enriquecem a textura sonora sem comprometer a simplicidade que sempre caracterizou seu estilo. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais envolvente. No fim, é um disco legal e que cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: A Thing Called Love, Mississippi Sand, I Promise You 
Vale a Pena Ouvir: Papa Was A Good Man, The Miracle Man, Kate

Any Old Wind That Blows – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Novamente se passa mais um ano, e foi lançado outro álbum do Johnny Cash, o Any Old Wind That Blows. Após A Thing Called Love, ele continuava compondo e interpretando músicas profundamente ligadas às tradições narrativas da Country music. Decidiu fazer um álbum que reflete bem a diversidade temática que caracterizava sua obra: histórias de personagens marginais, reflexões espirituais, narrativas dramáticas e momentos de humor. Produção feita novamente por Larry Butler, que ficou centrada no som do Country Pop daquele período, sustentado por arranjos relativamente simples, mas extremamente eficazes. Além disso, apresenta arranjos mais amplos em algumas faixas, com presença ocasional de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são todas bem mais melódicas. Enfim, é um disco legal e bem consistente. 

Melhores Faixas: Oney, The Good Earth 
Vale a Pena Ouvir: Kentucky Straight, If I Had A Hammer, Too Little, Too Late

Ragged Old Flag – Johnny Cash





















NOTA: 6/10


Passou-se mais um ano e foi lançado mais um trabalho novo dele, intitulado Ragged Old Flag. Após o Any Old Wind That Blows, Cash prestava atenção no momento que os United States passavam após a longa e controversa Guerra do Vietnã, que ainda estava fresca na memória coletiva, enquanto o escândalo político conhecido como Caso Watergate abalava a confiança do público nas instituições governamentais. Com isso, ele decidiu fazer um álbum que refletisse sobre o significado da identidade americana em um momento de crise nacional. Produção feita pelo cantor junto com Charlie Bragg, onde colocaram arranjos bem simplistas, baseados em guitarras acústicas, baixo e bateria, com eventuais adições de piano e coros. A voz de Cash assume um papel quase teatral em várias faixas, só que, ainda assim, tudo fica muito sem graça e bem repetitivo. O repertório é mediano, tem canções boas e outras bem bobas. No fim, é um álbum irregular e que mostra certa inconsistência. 

Melhores Faixas: King Of The Hill, All I Do Is Drive, Good Morning Friend 
Piores Faixas: Lonesome To The Bone, Don't Go Near The Water, I'm A Worried Man

The Junkie And The Juicehead Minus Me – Johnny Cash





















NOTA: 5/10


Alguns meses se passaram e outro álbum do cantor foi lançado, o The Junkie And The Juicehead Minus Me. Após o Ragged Old Flag, ele quis fazer um trabalho que o titulo já dá uma amostra que pode ser traduzido aproximadamente como “O viciado em drogas e o alcoólatra, menos eu”. A proposta do álbum está justamente ligada a esse conceito. Em vez de cantar diretamente sobre esses personagens, Cash assume o papel de observador ou narrador de histórias que exploram vidas marcadas por excessos, falhas humanas e busca por redenção. Produção foi relativamente a mesma, só que oscilando entre momentos introspectivos, narrativas dramáticas e algumas faixas mais leves. Já que os arranjos são bem mais intimistas e que traz um lado bem mais familiar, só que tudo é muito previsível e parece ter sido feito as pressas. O repertório é bem mediano e so consegue melhorar no final. Enfim, é outro álbum fraco e mostrou uma crescente queda de Cash. 

Melhores Faixas: Keep On The Sunny Side, Billy & Rex & Oral & Bob, Lay Back With My Woman 
Piores Faixas: The Junkie And The Juicehead (Minus Me), Father And Daughter (Father And Son), Crystal Chandeliers And Burgundy

Johnny Cash Sings Precious Memories – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Entrando no comecinho do ano de 1975, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, o Sings Precious Memories. Após o The Junkie and the Juicehead Minus Me, Cash quis fazer um álbum Gospel com um caráter ainda mais íntimo. Diferente de muitos discos comerciais da época, o álbum foi originalmente gravado de maneira bastante informal, em sessões privadas realizadas principalmente para a família de Cash. Produção feita pelo próprio cantor, que apresenta uma abordagem extremamente simples e íntima. A instrumentação é minimalista. Em muitas faixas, Cash canta acompanhado apenas por guitarra acústica ou por arranjos muito discretos. A interpretação vocal de Cash é particularmente suave e reverente ao longo do disco, e por isso tudo soa bem deslocado, já que é bastante arrastado. O repertório, apesar de bom, traz interpretações que são bem chatinhas. Enfim, é um álbum ruim e que foi cagado por pressão de gravadora. 

Melhores Faixas: Old Rugged Cross, Amazing Grace, Softly And Tenderly 
Piores Faixas: Have Thine Own Way Lord, Just As I Am, When The Roll Is Called Up Yonder, At The Cross

John R. Cash – John R. Cash





















NOTA: 2,5/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado com seu nome, John R. Cash. Após o fraquíssimo Sings Precious Memories, o cenário da Country music começou a se transformar rapidamente. Havia uma disputa entre subgêneros como o Outlaw Country, liderado por artistas como Willie Nelson, enquanto a indústria musical se tornava cada vez mais voltada para produções sofisticadas do Country Pop, representadas por artistas como Dolly Parton, algo que nem sempre se alinhava com o estilo direto e tradicional de Cash. A produção foi conduzida por Gary Klein e foi extremamente polida, onde teve mais elementos de guitarras elétricas e vocais de apoio, só que tudo foi gravado à parte, inclusive os vocais do cantor, algo que ele revelou tempos depois que não o agradou, e não é para menos, já que tudo ficou bagunçado. O repertório é péssimo, tendo pouquíssimas canções que conseguem se salvar. No fim, é um álbum terrível e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Reason To Believe, Lonesome To The Bone 
Piores Faixas: The Night They Drove Old Dixie Down, The Lady Came From Baltimore, Smokey Factory Blues, Cocaine Carolina

Look At Them Beans – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


E aí mais uns meses se passaram, e foi lançado outro disco do Johnny Cash, intitulado Look at Them Beans. Após o John R. Cash, Cash continuava lançando vários discos pela Columbia Records. Contudo, o mercado musical começava a mudar. O surgimento do movimento Outlaw Country e a crescente sofisticação das produções de Nashville criavam um novo contexto para artistas veteranos, mas Cash manteve seu estilo característico. A produção foi conduzida por Don Davis e Charlie Bragg, e apresenta arranjos um pouco mais amplos em algumas faixas, refletindo a evolução da produção Country da época. Instrumentos como piano, guitarras elétricas adicionais e coros ocasionais aparecem ao longo do disco, só que novamente tudo é bem previsível, ficando aquele sentimento de que Cash estava completamente perdido. O repertório novamente é ruim, com poucas canções legais. No fim, é um disco péssimo e bem sem graça. 

Melhores Faixas: I Never Met A Man Like You Before, Down At Drippin' Springs, Gone 
Piores Faixas: All Around Cowboy, No Charge, Texas - 1947, Look At Them Beans

One Piece At A Time – Johnny Cash And The Tennessee Three





















NOTA: 3,2/10


Entrando para o ano seguinte, foi lançado mais um álbum dele, o One Piece at a Time. Após o Look at Them Beans, Cash manteve uma rotina intensa de gravações e turnês. Essa fase é marcada por uma mistura de projetos: alguns profundamente conceituais, outros mais simples e diretos, baseados em narrativas e canções tradicionais. Produção feita mais uma vez por Charlie Bragg e Don Davis, que segue aquela base tradicional do cantor, embora a produção também incorpore elementos mais típicos da Country music dos anos 70. Seu estilo vocal profundo e autoritário continua sendo o elemento central da música, especialmente nas faixas narrativas, mas no geral é aquilo bem sem graça e que não consegue te prender. O repertório novamente é fraquíssimo, e as canções são bem genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum muito ruim e que ficou bastante repetitivo. 

Melhores Faixas: Sold Out Of Flagpoles, In A Young Girl's Mind, Mountain Lady 
Piores Faixas: Love Has Lost Again, Michigan City Howdy Do, Committed To Parkview, Daughter Of A Railroad Man

The Last Gunfighter Ballad – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho que tentou ser mais tradicional, o The Last Gunfighter Ballad. Após o One Piece at a Time, Johnny Cash retoma uma das facetas mais importantes de sua obra: a narrativa dramática inspirada no imaginário do Velho Oeste e nas histórias da fronteira americana. O álbum reúne canções que falam sobre pistoleiros, personagens solitários, memórias do passado e reflexões sobre envelhecimento. A produção foi basicamente a mesma e apresenta arranjos mais amplos, contendo guitarras extras e, ocasionalmente, cordas ou coros que aparecem em algumas faixas, refletindo o estilo de produção de Nashville na época, só que dessa vez dialogando muito mais com o Outlaw Country e o Western music. Ainda assim, novamente é tudo bem previsível e os vocais de Cash ficaram melódicos até demais. O repertório é muito ruim, e as canções são bem fracas, com algumas exceções. No final, é um álbum péssimo e que não deu certo. 

Melhores Faixas: That Silver Haired Daddy Of Mine, Give It Away, I Will Dance With You
Piores Faixas: Ridin' On The Cotton Belt, Far Side Banks Of Jordan, You're So Close To Me, City Jail

The Rambler – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Mais alguns meses se passaram, e foi lançado outro álbum bem ruim do Johnny Cash, o The Rambler. Após o The Last Gunfighter Ballad, Cash, apesar de toda reverência que ainda recebia, enfrentava um período em que sua presença nas paradas de sucesso era menos dominante do que havia sido no final dos anos 60. Esse disco é estruturado como uma narrativa contínua sobre um viajante que percorre diferentes regiões dos United States, encontrando pessoas, ouvindo histórias e refletindo sobre o país. A produção foi aquela mesma de sempre, só que com um caráter mais narrativo, e os arranjos frequentemente assumem um papel de apoio à história. Em vez de buscar complexidade instrumental, a produção privilegia clareza e atmosfera, permitindo que a voz de Cash permaneça no centro da experiência, mas tudo é muito arrastado. O repertório é muito ruim, e as canções são fraquíssimas, com poucas que se salvam. No fim, é um álbum péssimo e bastante exagerado. 

Melhores Faixas: My Cowboy's Last Ride, If It Wasn't For The Wabash River, After The Ball
Piores Faixas: Dialogue #7, Caliou, Hit The Road And Go, No Earthly Good

I Would Like To See You Again – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Indo para mais um ano, foi lançado outro disco intitulado I Would Like to See You Again, e aqui deu bom. Após o The Rambler, Johny Cash quis fazer um trabalho que se destacasse dentro desse período por apresentar um repertório bastante introspectivo. Muitas das músicas do disco possuem um tom reflexivo, lidando com temas como memória, envelhecimento e espiritualidade. A produção, conduzida por Larry Butler, trouxe arranjos mais sofisticados e uma abordagem que misturava tradição e refinamento de estúdio. Seguindo uma sonoridade típica do som de Nashville dos anos 70, com guitarras limpas, pedal steel marcante, piano discreto e uma seção rítmica bastante controlada. Trazendo também uma energia típica do Outlaw Country, que se encaixa bem na voz carregada de Cash, que aqui vai para um lado menos narrado. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um ótimo disco e que foi um acerto após anos de estagnação. 

Melhores Faixas: There Ain't No Good Chain Gang, Who's Gene Autry? 
Vale a Pena Ouvir: I Would Like To See You Again, Hurt So Bad, That's The Way It Is, Abner Brown


                                                                                    É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 5

                  Water From The Wells Of Home – Johnny Cash NOTA: 7,1/10 Indo para 1988, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitula...