domingo, 17 de maio de 2026

Analisando Discografias - Portugal. The Man

                 

Waiter: "You Vultures!" – Portugal. The Man





















NOTA: 8/10


Em 2006, o Portugal. The Man lançava seu álbum de estreia, Waiter: 'You Vultures!'. Formado em 2004 na cidade de Wasilla pelo vocalista e guitarrista John Gourley e pelo baixista Zach Carothers, após o fim do Anatomy Of A Ghost, eles decidiram montar uma banda que seguisse uma abordagem artisticamente mais livre. Após a passagem de muitos integrantes, a formação se consolidou com Jason Sechrist (bateria) e Wesley Hubbard (teclados), além da assinatura com a gravadora Fearless Records. A produção, feita pelo próprio Gourley junto com Casey Bates, é bastante crua. As guitarras são secas e cortantes, explorando riffs quebrados em alguns momentos, enquanto a cozinha rítmica se mostra bastante consistente. Os vocais do Gourley são bem articulados, misturando Indie Rock com Post-Hardcore, Math Rock e até Rock Progressivo. O repertório é bem legalzinho, com canções cadenciadas. No fim, é um ótimo disco de estreia e já mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Marching With 6, Bad, Bad Levi Brown 
Vale a Pena Ouvir: Kill Me. The King, AKA M80 The Wolf, Chicago, Waiter

Church Mouth – Portugal. The Man





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, eles retornam com seu 2º álbum, o Church Mouth, trazendo algumas mudanças. Após o Waiter: 'You Vultures!', o tecladista Wesley Hubbard acabou saindo, e Jason Sechrist assumiu temporariamente essa função. Enquanto boa parte da cena Indie dos anos 2000 caminhava para sonoridades mais melancólicas e acessíveis, o Portugal. The Man decidiu mergulhar ainda mais fundo em um Rock Psicodélico sujo, agressivo e quase alucinógeno. A produção, feita por Casey Bates, ficou bem mais pesada e encorpada, juntando agora elementos do Blues Rock e psicodelia. As guitarras estão mais distorcidas, com riffs repetitivos e passagens hipnóticas. O baixo está mais cheio de groove, a bateria mais agressiva, e os vocais do John Gourley são mais intensos e emocionalmente desgastados. O repertório é muito bom, e as canções são bastante energéticas e envolventes. No fim, é um disco bacana, consolidando ainda mais sua abordagem sonora. 

Melhores Faixas: My Mind, Bellies Are Full 
Vale a Pena Ouvir: Dawn, Church Mouth, Children

Censored Colors – Portugal. The Man





















NOTA: 8,7/10


Outro ano se passou, e o Portugal. The Man lançava mais um disco, o Censored Colors. Após o Church Mouth, esse novo trabalho representa justamente uma transição fundamental, já que eles começam a equilibrar melhor experimentalismo e acessibilidade sem perder a personalidade artística. Além disso, houve mudanças na formação com a entrada do tecladista Ryan Neighbors, e a banda também firmou uma parceria com a Equal Vision Records para o lançamento do trabalho. Produção, feita por Kirk Huffman, Phillip Peterson e Paul Q. Kolderie, é bastante atmosférica e detalhada, com guitarras carregadas de efeitos psicodélicos, delays e reverberações que ajudam a criar a sensação etérea do álbum. Além disso, a presença de arranjos de cordas adiciona uma atmosfera cinematográfica, incorporando elementos do Folk e Chamber Pop. O repertório é ótimo, e as canções são bastante melódicas. Enfim, é um álbum interessante e muito refinado. 

Melhores Faixas: Salt, Colors, 1989, Created 
Vale a Pena Ouvir: And I, Hard Times, Lay Me Back Down

The Satanic Satanist – Portugal. The Man





















NOTA: 9/10


No ano de 2009, o Portugal. The Man lançava outro álbum, o The Satanic Satanist. Após o Censored Colors, a banda passou a integrar Zoe Manville como backing vocal fixa e, diferente dos outros projetos, que frequentemente priorizavam atmosferas caóticas, estruturas progressivas e experimentações psicodélicas densas, nesse disco esses elementos ainda estão presentes, mas passam a coexistir com refrões enormes, grooves mais diretos e um foco melódico muito mais evidente. A produção, feita por Paul Q. Kolderie junto com Anthony Saffery e Adam Taylor, segue uma abordagem limpa e detalhada, juntando elementos do Indie Rock com Pop psicodélico. As guitarras trabalham através de grooves e texturas psicodélicas mais suaves, a cozinha rítmica é bem controlada, e os vocais do John Gourley são bastante expressivos. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas. No fim, é um belo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: People Say, The Sun, Guns & Dogs, The Home, Mornings, The Woods 
Vale a Pena Ouvir: Work All Day, Do You

American Ghetto – Portugal. The Man





















NOTA: 7,9/10


Três anos se passaram, e James Brown retornava com um material realmente novo, o Raw Soul. Após o Sings Out Of Sight, o cantor via seu impacto crescer desde o enorme sucesso do histórico álbum ao vivo Live at the Apollo, que consolidou sua reputação como um performer extraordinário e redefiniu a importância do disco ao vivo no mercado de R&B. Nesse meio-tempo, ele só lançou álbuns instrumentais, mas já vinha preparando, em seus singles recentes, uma sonoridade que enfatizava cada vez mais o ritmo, a repetição e a força coletiva da banda, tornando-se a base do Funk. A produção, feita por ele próprio, é bastante dinâmica e solidifica a abordagem rítmica que se tornaria central para o gênero, com sua banda criando grooves marcados por repetição e precisão rítmica, que substituem as progressões harmônicas mais tradicionais do R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e que marcou uma mudança. 

Melhores Faixas: Yours And Mine, The Nearness Of You, Let Yourself Go 
Vale a Pena Ouvir: Nobody Knows, Only You, Don't Be A Drop Out

In The Mountain In The Cloud – Portugal. The Man





















NOTA: 9,4/10


Então se passou mais um ano, e Portugal. The Man lançou o sensacional In The Mountain In The Cloud. Após o American Ghetto, a banda havia acabado de assinar com a Atlantic Records, aumentando seu alcance, e começou a planejar um álbum que possuísse uma sensação de expansão constante, tanto sonora quanto emocionalmente. Existe uma estética muito mais luminosa e épica atravessando praticamente toda a obra. A banda parece interessada em criar músicas maiores, mais emocionais e melodicamente mais abertas. Produção, feita em sua maioria por John Hill, trouxe uma sonoridade ampla, detalhada e extremamente atmosférica, criando uma sensação constante de espaço e movimento. O maior destaque são as guitarras, que ficaram mais etéreas, além dos vocais emocionais do John Gourley, equilibrando Rock psicodélico e Indie Rock. O repertório é incrível, e as canções são bastante cadenciadas. No fim, é um baita disco e certamente o melhor da banda. 

Melhores Faixas: So American, Sleep Forever, Senseless, Floating (Time Isn't Working My Side), Got It All (This Can't Be Living Now) 
Vale a Pena Ouvir: You Carried Us (Share With Me The Sun), Once Was One

Evil Friends – Portugal. The Man





















NOTA: 9,2/10


Em 2013, o Portugal. The Man retornou com seu 7º álbum de estúdio, o Evil Friends. Após o In The Mountain In The Cloud, a banda já havia conquistado enorme respeito da crítica, mas ainda não tinha alcançado o grande reconhecimento mainstream que viria anos depois. Esse trabalho acabou funcionando justamente como a ponte entre esses dois mundos. Além disso, houve mudanças na formação, com as saídas do tecladista Ryan Neighbors e do baterista Jason Sechrist, e as entradas do Kyle O'Quin e Kane Ritchotte. A produção, feita por Danger Mouse, trouxe uma abordagem sofisticada e detalhada, com guitarras mais controladas e texturizadas. Com uma cozinha rítmica é bastante marcante, enquanto os sintetizadores adicionam efeitos psicodélicos, e os vocais de John Gourley são muito articulados, equilibrando Indie Rock e Indie Pop. O repertório é belíssimo, e as canções possuem um clima bastante sombrio. No geral, é um baita disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: Purple Yellow Red And Blue, Modern Jesus, Creep In A T-Shirt, Plastic Soldiers, Hip Hop Kids, Waves 
Vale a Pena Ouvir: Evil Friends, Atomic Man, Smile

Woodstock – Portugal. The Man





















NOTA: 6/10


Indo agora para 2017, o Portugal. The Man lançava mais um álbum, o Woodstock. Após o Evil Friends, aconteceu as saídas do baterista Kane Ritchotte e do guitarrista Noah Gersh, que nem aparecia. No lugar deles entraram Eric Howk e, em mais um retorno, Jason Sechrist. Inicialmente, esse projeto seria um álbum conceitual chamado Gloomin + Doomin, mas acabou sendo completamente reformulado para se tornar comercial. A produção foi diversificada, contando com Casey Bates, Danger Mouse, Mike D, entre outros, que foram para uma sonoridade extremamente polida e radiofônica, mais orientada ao Pop Rock e ao Pop Alternativo. Os sintetizadores ficaram mais espalhados, enquanto o restante da instrumentação sustenta o groove. Porém, muita coisa soa como uma tentativa de se enquadrar em clichês Pop. O repertório é mediano, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um álbum irregular e que chega a soar forçado. 

Melhores Faixas: So Young, Feel It Still, Tidal Wave 
Piores Faixas: Rich Friends, Mr. Lonely (Fat Lip do The Pharcyde deve se perguntar até hoje, como ele veio parar ai), Easy Tiger

Chris Black Changed My Life – Portugal. The Man





















NOTA: 5/10


Foi só em 2023 que o Portugal. The Man retornou com seu 9º álbum, o Chris Black Changed My Life. Após o Woodstock, a banda se tornou conhecida mundialmente pelo hit Feel It Still, e eles pensavam em continuar se mantendo no topo. Porém, aconteceu uma perda pessoal profunda: a morte do Chris Black, amigo muito próximo da banda e figura extremamente importante no círculo criativo do grupo, fazendo com que esse trabalho assumisse um tom muito mais melancólico. A produção, feita por Jeff Bhasker, Tommy Danvers e Asa Taccone, é bem mais refinada. As guitarras estão no centro, agora com riffs suaves e texturas psicodélicas delicadas, enquanto os sintetizadores aparecem bem mais discretos, mantendo elementos do Indie Pop, Alt-Pop e Soul Psicodélico. Porém, muita coisa soa arrastada e cheio de chororô. O repertório começa mal, depois melhora, mas acaba voltando a decair (Tenso!). Enfim, é outro trabalho mediano e que acabou sendo um fiasco comercial. 

Melhores Faixas: Plastic Island, Doubt, Summer Of Luv 
Piores Faixas: Champ (Edgar Winter decepcionou), Time's A Fantasy, Grim Generation

Shish – Portugal. The Man





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos a 2025, ano em que foi lançado o 10º e mais recente álbum do Portugal. The Man, o Shish. Após o Chris Black Changed My Life, a banda acabou encerrando seu vínculo com a Atlantic Records e voltando a ser independente. Além disso, a maioria dos integrantes saiu, restando apenas John Gourley, Zoe Manville e Kyle O'Quin. Com isso, esse trabalho funciona como uma reconexão da banda com o experimentalismo dos primeiros discos. A produção, feita pelo ex-integrante Kane Ritchotte, que também tocou bateria no álbum, junto com Gourley, adota uma abordagem muito mais densa, misturando instrumentação orgânica, texturas eletrônicas, guitarras distorcidas e passagens extremamente delicadas com enorme fluidez. Dessa forma, o disco reúne Indie Pop, Post-Hardcore, Noise Pop e elementos psicodélicos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e até divertidas. No fim, é um ótimo disco e consegue ser bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Knik, Father Gun, Tyonek 
Vale a Pena Ouvir: Angoon, Mush, Tanana

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!          

sábado, 16 de maio de 2026

Analisando Discografias - Olympic Ayres

                 

Episode I – Olympic Ayres





















NOTA: 7/10


Em 2011, o Olympic Ayres iniciava sua trajetória lançando seu 1º EP, intitulado Episode I. Formado em 2010, em Sydney, na Austrália, pela dupla Kamaliza e Mmiiddii, o projeto trazia uma temática que era uma tentativa clara de unir música eletrônica, Indie Pop, ambientação noturna e uma sensibilidade introspectiva. A produção, feita por eles mesmos, foi bem sofisticada, baseando-se em sintetizadores suaves, baterias eletrônicas discretas, linhas de baixo profundas e camadas ambientais que criam sensação de espaço. Existe uma clara preocupação em criar profundidade espacial, algo percebido no uso constante de reverbs largos e delays suaves. A bateria eletrônica segue uma linha minimalista. Os kicks normalmente aparecem abafados, enquanto as caixas possuem textura leve e distante, que se interliga com os vocais suaves e etéreos deles. O repertório contém 3 faixas que são bem melancólicas e sólidas. Enfim, é um EP de estreia bem interessante. 

Melhores Faixas: Casa Del, Daylight 
Vale a Pena Ouvir: Black & Blue

Episode II – Olympic Ayres





















NOTA: 7,2/10


No ano seguinte, foi lançado outro EP, dessa vez o Episode II, no qual passaram a seguir uma linha mais eletrônica. Após o Episode I, o Olympic Ayres já entendia melhor como equilibrar música eletrônica atmosférica, melodias Pop suaves e ambientação melancólica sem soar excessivamente derivativo. Existe também uma mudança importante na forma como o duo trabalha a narrativa emocional. O trabalho continua profundamente noturno e introspectivo, mas há uma confiança maior na construção de tensão atmosférica. A produção foi mais detalhada, mantendo aquela linha de sintetizadores atmosféricos, batidas suaves, vocais etéreos e linhas de baixo acolhedoras, mas trabalhando tudo isso com muito mais precisão. Com isso, você vê uma junção de elementos do Indie Pop com Dance alternativo. O repertório novamente contém 3 faixas, sendo elas bem mais envolventes e dinâmicas. No final de tudo, é um ótimo EP e mostrou uma evolução notável. 

Melhores Faixas: River Song, Lose You 
Vale a Pena Ouvir: The View

Episode III – Olympic Ayres





















NOTA: 7/10


Outro ano se passou, e essa trilogia se encerra com Episode III, que foi um pouco mais atmosférico. Após o Episode II, esse capítulo final da trilogia de EPs funciona como o refinamento definitivo daquela linguagem emocional noturna, melancólica e contemplativa que o Olympic Ayres vinha desenvolvendo desde os primeiros lançamentos. A produção foi bastante sofisticada e trouxe uma abordagem que junta Synth-pop, Indietronica e Dream Pop, com sintetizadores construindo profundidade emocional constantemente. Há uma atenção enorme às texturas: pads extensos, linhas melódicas discretas, camadas ambientais e detalhes eletrônicos microscópicos aparecem integrados de forma extremamente orgânica. Além disso, ecos, reverbs e harmonias criam uma sensação de distância e vulnerabilidade constante. O repertório é muito bom, e as 3 faixas são bem etéreas e possuem uma temática imersiva. No fim, é um ótimo EP que fechou essa trilogia inicial. 

Melhores Faixas: Magic, Orchid 
Vale a Pena Ouvir: Girl

Leisureplex – Olympic Ayres





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2014, quando foi lançado aquele que é o último trabalho deles, o Leisureplex. Após o Episode III, diferentemente dos trabalhos anteriores, que eram profundamente centrados em atmosferas noturnas, melancolia urbana e ambientação contemplativa, Olympic Ayres surge como um trabalho mais colorido, ritmicamente mais aberto e menos preso ao minimalismo introspectivo. A produção foi muito mais luminosa e tematizada, com os sintetizadores ainda tendo aquela pegada emocional, só que agora com a presença de grooves mais fortes, baterias mais presentes e estruturas mais claramente orientadas ao Dance alternativo, com elementos do Nu-Disco. Só que o maior problema é que muitos dos arranjos soam repetitivos e até, de certo modo, pasteurizados. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. No fim, é um EP bastante irregular e, após isso, a dupla praticamente sumiu, com seu álbum nunca tendo saído. 

Melhores Faixas: We Can Learn, We Can't Get Away 
Piores Faixas: Control, Say My Name


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!           

Analisando Discografias - Oliver

                  

Mechanical – Oliver





















NOTA: 7,3/10


Em 2013, o duo Oliver lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Mechanical. Formado em 2010, na cidade de Los Angeles, pelos DJs Vaughn Oliver, conhecido pelo seu trabalho com artistas pop, e Oliver Goldstein, o projeto decidiu juntar influências francesas, Synth-pop oitentista, Disco music e House em algo mais maximalista, agressivo e, ao mesmo tempo, melódico, além de terem muita exposição por estarem na Interscope Records. A produção, feita por eles mesmos, foi bastante sofisticada e traz uma temática futurista, com os sintetizadores sendo o centro absoluto da experiência. Há enormes camadas de pads, leads extremamente limpos, arpeggios cintilantes, baterias secas e pesadas, vocais que servem como texturas e baixos sintéticos que parecem ocupar cada espaço da mixagem sem embolar nada. O repertório contém 4 faixas que são bem envolventes e melódicas. No fim, é um ótimo EP e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Mechanical, Night Is On My Mind 
Vale a Pena Ouvir: Control, MYB

Full Circle – Oliver





















NOTA: 8,4/10


Em 2017, foi lançado o único álbum de estúdio da dupla Oliver, intitulado Full Circle. Após o EP Mechanical, eles lançaram singles nesse meio-tempo e começaram a preparar esse projeto, que buscava olhar simultaneamente para o passado e o futuro. Há uma obsessão pelo som analógico dos anos 70 e 80, mas reinterpretado com precisão digital moderna. A produção foi absurdamente detalhista, com os sintetizadores continuando como o núcleo da identidade do Oliver, mas aqui aparecendo de forma ainda mais variada. Existem leads brilhantes inspirados na Synthwave, pads gigantescos com textura cinematográfica, baixos Funk extremamente elásticos e arpeggios que criam uma sensação constante de movimento. Além disso, a bateria traz kicks fortes e hi-hats fluidos, que dialogam com Nu-Disco, Electro House e Electro tradicional. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. No final de tudo, é um ótimo álbum e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Go With It (participação do Chromeo), Last Forever, Falling Back, Heterotopia 
Vale a Pena Ouvir: Heart Attack (participação do De La Soul), At Night, Chemicals


Analisando Discografias - OK KID

                 

OK KID – OK KID





















NOTA: 8/10


No ano de 2013, o OK KID lançava seu álbum de estreia autointitulado, com uma proposta interessante. Formado em 2006, em Giessen, na Alemanha, por Jonas Schubert (vocal), Moritz Rech (teclados) e Raffael Kühle (bateria e guitarra), o grupo, após a saída de dois integrantes em 2011, mudou para esse nome, que é uma junção de dois aclamados álbuns do Radiohead: OK Computer e Kid A. Depois de muito destaque na cena independente, assinaram com a Four Music, subsidiária da Sony. A produção, feita por Sven Ludwig e Robot Koch, traz beats minimalistas, mas muito precisos. Em vez de exagerar nos elementos eletrônicos, a produção deixa espaço para o silêncio e para a repetição hipnótica dos grooves, além de sintetizadores que criam ambientes amplos, formando uma combinação entre Rap e Indie Pop. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bastante profundas. Enfim, é um ótimo disco e bem equilibrado. 

Melhores Faixas: Stadt Ohne Meer, Kaffee Warm 
Vale a Pena Ouvir: Am Ende, Einsatz, Allein, Zu Zweit, Zu Dritt..., Schlaf

Grundlos – OK KID





















NOTA: 7/10


E aí, no ano seguinte, o OK KID lançava um EP intitulado Grundlos, que trouxe poucas novidades. Após o álbum de estreia, a banda já havia consolidado certo reconhecimento dentro da cena alternativa alemã. Isso permitiu ao grupo experimentar mais livremente, sem depender exclusivamente de estruturas pop imediatas. Então, eles decidiram lançar esse trabalho, que servisse como uma ideia das faixas que ficaram de fora de seu debut. A produção, conduzida inteiramente por Sven Ludwig, foi mais ampla, com as batidas sendo ainda bastante minimalistas, só que agora os sintetizadores têm mais destaque, com texturas sutis, pads atmosféricos e linhas melódicas minimalistas que criam profundidade emocional, lembrando um pouco da temática colocada pelo Kraftwerk. O repertório contém 5 faixas, que são carregadas de emoção e intensidade. No geral, é um ótimo EP e complementa até que bem o trabalho anterior. 

Melhores Faixas: Grundlos, Zuerst War Da Ein Beat 
Vale a Pena Ouvir: Februar (Kaffee Warm 2), Borderline, Unterwasserliebe

Sensation – OK KID





















NOTA: 7/10


Quatro anos depois, o OK KID lança mais um álbum, intitulado Sensation, que trouxe mudanças. Após o EP Grundlos, o grupo ainda queria equilibrar claramente acessibilidade pop e experimentação alternativa, mas, com esse trabalho, parece muito menos preocupado em seguir fórmulas, permitindo que as músicas respirem, se desenvolvam lentamente e criem atmosferas psicológicas complexas. A produção, conduzida pela banda junto do Tim Tautorat, foi bastante sofisticada e contou com uma maior presença de sintetizadores, que são usados para criar texturas emocionais. Além disso, as guitarras são bem mais atmosféricas, e as batidas seguem uma lógica minimalista, mas extremamente precisa, colocando muito mais elementos do Synth-pop nesse Rap alternativo deles, apesar de muitas vezes isso soar deslocado. O repertório é bom, tendo canções divertidas e outras mais fraquinhas. Enfim, é um álbum interessante e que tentou ser inovador. 

Melhores Faixas: Warten auf den starken Mann, Heimatschänke, Lügenhits, Reparieren
Piores Faixas: Wut lass nach, 1996, Wolke

Drei – OK KID





















NOTA: 3/10


No ano de 2022, foi lançado mais um trabalho novo do OK KID, o Drei, que tentou soar mais moderno. Após o Sensation, esse novo álbum mantém as características fundamentais da banda, como ansiedade urbana, vulnerabilidade afetiva, tensão existencial e estética noturna, mas apresenta tudo isso de maneira mais expansiva e até mais filosófica. A produção, feita pela banda junto de Moritz Rech, Raffi Balboa e Tim Tautorat, tentou ser a mais detalhada possível, com eles juntando influências do Rap e Synth-pop com temáticas modernas do Alt-Pop e Trap. Só que, novamente, utilizaram beats minimalistas e sintetizadores que tentam emular um lado mais emocional. Os graves possuem enorme importância na mixagem, e o baixo frequentemente ocupa posição central, mas o problema é que tudo soa bastante arrastado e repetitivo. O repertório é ruim, tendo canções chatinhas e poucas interessantes. Enfim, é um disco fraco e bastante inconsistente. 

Melhores Faixas: Mr. Mary Poppins, Cold Brew (Kaffee Warm 4), Kein Mensch
Piores Faixas: Dinner For One, Hausboot Am See, Das Letzte, Leben Light, Bubblegum

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 2

                 

Ghosts I-IV – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Em 2008, o Nine Inch Nails lançava um disco bem diferente com Ghosts I-IV, seguindo uma abordagem peculiar. Após o Year Zero, Trent Reznor parecia interessado em fazer algo mais atmosférico, decidindo lançar esse trabalho de forma independente após problemas com a Interscope Records. Reznor claramente absorve elementos de compositores como Brian Eno, John Carpenter e da música minimalista experimental. A produção, feita por ele junto com Atticus Ross e Alan Moulder, foi repleta de improvisação, com uso de piano, sintetizadores analógicos, guitarras processadas, drones eletrônicos, percussões minimalistas, ruídos ambientes e manipulações digitais aparecendo constantemente. O álbum faz assim uma junção entre música ambiente, elementos da música eletrônica dos anos 70 e aquele toque industrial característico. O repertório possui 36 faixas, e todas elas são muito legais e imersivas. No fim, é um álbum muito bom e consistente. 

Melhores Faixas: 34 Ghosts IV, 4 Ghosts I, 18 Ghosts II, 24 Ghosts III, 28 Ghosts IV, 13 Ghosts II, 25 Ghosts III 
Vale a Pena Ouvir: 9 Ghosts I, 27 Ghosts III, 11 Ghosts II, 3 Ghosts I, 22 Ghosts III

The Slip – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses depois, foi lançado o 7º álbum de estúdio do Nine Inch Nails, The Slip. Após o Ghosts I-IV, Trent Reznor já havia rompido sua dependência tradicional das gravadoras, explorava novos modelos de distribuição digital e operava com uma autonomia criativa muito maior. Diferente dos discos gigantescos e obsessivamente trabalhados do passado, este álbum possui uma energia muito mais imediata e impulsiva. A produção foi mais orgânica e detalhista, possuindo uma forte presença de bateria ao vivo e dinâmica de banda. Muitas músicas parecem construídas em torno de uma energia física imediata, algo que aproxima o disco de certa crueza do Rock alternativo e até do Punk em alguns momentos. As guitarras são bem mais secas, e os sintetizadores dão aquele aspecto industrial característico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e, ao mesmo tempo, delicadas. Enfim, é outro disco bacana e com uma crueza maior. 

Melhores Faixas: Discipline, Letting You, Head Down, Demon Seed 
Vale a Pena Ouvir: 1,000,000, The Four Of Us Are Dying

Hesitation Marks – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,5/10


Indo para 2013, o Nine Inch Nails retornava com um novo disco, Hesitation Marks. Após o The Slip, a banda entrou em uma espécie de hiato informal enquanto Trent Reznor mergulhava profundamente em trabalhos de trilha sonora ao lado do Atticus Ross, mostrando que era apenas questão de tempo até ele entrar de forma efetiva no NIN. Esse novo trabalho seria mais introspectivo, consciente e até analítico em relação aos próprios estados emocionais. A produção foi bastante sofisticada, com a dupla utilizando construção cinematográfica gradual, drones sutis, pequenos ruídos eletrônicos e ambientações extremamente cuidadosas. Trabalhando com ritmos hipnóticos, baixos pulsantes, sintetizadores densos e baterias minimalistas, indo na onda do Electro-Industrial, com certos elementos de EBM e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e hipnóticas. No final de tudo, é um ótimo disco e um dos mais sérios deles. 

Melhores Faixas: Copy Of A, Various Methods Of Escape, I Would For You, Came Back Haunted, While I'm Still Here 
Vale a Pena Ouvir: Disappointed, Running, In Two

Bad Witch – Nine Inch Nails





















NOTA: 9/10


Se passaram então cinco anos, e o Nine Inch Nails retornou com um belíssimo disco, o Bad Witch. Após o Hesitation Marks, os trabalhos cinematográficos do Trent Reznor e Atticus Ross influenciaram profundamente a forma como a dupla passou a construir atmosfera, tensão e narrativa sonora. Esse trabalho seria mais abstrato, fragmentado e psicológico, dialogando muito com o momento social e político global, cercado de extremismo político, ansiedade tecnológica e uma sensação de colapso social. A produção foi uma das mais experimentais e agressivas da banda, juntando Rock Experimental, Rock industrial e elementos do Noise Rock, Ambient e Jazz. Os sons frequentemente parecem deteriorados ou deslocados. A mixagem trabalha muito com desconforto espacial, ruídos repentinos e fragmentação estrutural, com o maior destaque sendo o saxofone totalmente caótico. O repertório é ótimo, e as canções são bem variadas. No fim, é um baita álbum e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: God Break Down The Door, Shit Mirror 
Vale a Pena Ouvir: Over And Out, Ahead Of Ourselves

Ghosts V: Together – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Nine Inch Nails, Ghosts V: Together. Após o Bad Witch, Trent Reznor e Atticus Ross decidiram lançar não apenas um, mas dois novos trabalhos instrumentais simultaneamente. Os dois discos funcionam quase como opostos emocionais complementares. Porém, o foco aqui é o “Together”, que procura oferecer calor humano e fragilidade emocional, lembrando que ele foi lançado no começo da pandemia da COVID-19. A produção seguiu uma abordagem delicada e emocional, com o piano possuindo papel central em grande parte do álbum. Muitas composições são construídas ao redor de melodias simples, repetitivas e profundamente emotivas. A abordagem minimalista amplifica o impacto emocional de cada nota, com os drones criando uma sensação contínua de espaço emocional compartilhado. O repertório é muito bom, e as canções são bem melancólicas. No fim, é um ótimo disco e muito bem estruturado. 

Melhores Faixas: Together, Letting Go While Holding On, Still Right Here 
Vale a Pena Ouvir: Hope We Can Again, Out In The Open

Ghosts VI: Locusts – Nine Inch Nails





















NOTA: 7/10


E também no mesmo dia foi lançado Ghosts VI: Locusts, que segue uma atmosfera sombria. Como esse álbum se interliga com Ghosts V: Together, a proposta aqui é criar um ambiente hostil, vazio e profundamente inquietante, absorvendo perfeitamente a atmosfera psicológica daqueles primeiros meses de 2020: medo coletivo, isolamento, sensação de suspensão temporal, potencial colapso social e ansiedade constante diante de um futuro imprevisível. A produção foi baseada em minimalismo sombrio, drones ambientais, texturas industriais discretas e construção constante de tensão psicológica. O silêncio possui papel central, e muitas músicas parecem existir em ambientes vazios gigantescos, criando uma sensação de isolamento profundo e seguindo aquela vibe do Dark Ambient. O repertório é legalzinho, com canções bem tematizadas, embora algumas exceções. Enfim, é um disco interessante, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Run Like Hell, Turn This Off Please, Trust Fades, Almost Dawn
Piores Faixas: Temp Fix, Another Crashed Car, Right Behind You

Quake – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano de 2020, foi lançada a trilha sonora do 1º jogo da série Quake. Bom, vamos lá: o que aconteceu foi o seguinte: lá por volta de 1996, o Nine Inch Nails já havia alcançado enorme reconhecimento, e Trent Reznor estava artisticamente em um momento extremamente intenso e experimental. Trent já era entusiasta de jogos de computador, especialmente alguns feitos pela id Software. Inclusive, Doom pegou muitas influências do NIN, então acabou sendo fechada uma parceria para ele produzir a trilha do “jogo irmão” do Doom, Quake. A produção é extremamente minimalista, atmosférica e focada na construção de tensão psicológica. Os drones causam desconforto através de massas sonoras lentas, os sintetizadores são deteriorados e a temática industrial acontece a todo momento. O repertório é bacana, e as canções passam uma atmosfera pesada, assim como o jogo propõe. Enfim, é um ótimo trabalho e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: The Hall Of Souls, Damnation, Parallel Dimensions, Focus 
Vale a Pena Ouvir: Quake Theme, The Reaction, Falling

Tron: Ares (Original Motion Picture Soundtrack) – Nine Inch Nails





















NOTA: 7,2/10


Cinco anos se passaram então, para o Nine Inch Nails retornar, só que agora com a trilha sonora do filme Tron: Ares. Após o Ghosts V: Together e Ghosts VI: Locusts, este trabalho marca a primeira vez em que Trent Reznor e Atticus Ross assinam oficialmente uma trilha sonora sob o nome Nine Inch Nails, e não apenas utilizando seus nomes individuais. Agora assinando o terceiro filme da franquia Tron, a abordagem da trilha até condiz com alguns elementos clássicos da banda, embora o filme deixe bastante a desejar. A produção, feita por Trent e Atticus com ajuda de Boys Noize, adota uma abordagem detalhada e cinematográfica que mistura Electro-Industrial, Synthwave, EBM e música ambiente. Os sintetizadores trazem toda aquela tensão, e as baterias são bem funcionais. O grande erro está nos riffs de guitarra, que soam bastante comprimidos. O repertório é bom, com algumas canções interessantes e outras sem graça. Enfim, é uma trilha boa de um filme bem chatinho. 

Melhores Faixas: Who Wants To Live Forever?, As Alive As You Need Me To Be, Echoes, Shadow Over Me, Target Identified, What Have You Done? 
Piores Faixas: A Question Of Trust, I Know You Can Feel It, Permanence

Nine Inch Noize – Nine Inch Noize





















NOTA: 8,9/10


Então chegamos a 2026, ano em que o Nine Inch Nails retornou com o álbum colaborativo Nine Inch Noize. Após o lançamento da trilha sonora do filme Tron: Ares, a turnê Peel It Back fez com que Trent Reznor e Atticus Ross passassem a confiar bastante em Boys Noize, fazendo dele uma peça importante dentro do universo sonoro recente da banda. O que eles decidiram fazer foi pegar músicas antigas e remixá-las em uma estética mais puxada para a vibe de rave. A produção é extremamente dinâmica, pesada e orientada para impacto físico. Boys Noize traz enorme influência do Techno industrial e da música de pista, enquanto Reznor e Atticus preservam o peso emocional e a textura agressiva do Nine Inch Nails. As batidas são secas e violentas, os sintetizadores são densos e os vocais de Trent seguem uma abordagem agressiva. O repertório ficou muito legal, e as canções foram muito bem reimaginadas. Enfim, é um ótimo disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Closer, Heresy, Copy Of A, As Alive As You Need Me To Be, Parasite 
Vale a Pena Ouvir: Vessel, Came Back Haunted, Memorabilia

                                                                                            Bom é isso e flw!!!      

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