sábado, 30 de maio de 2026

Analisando Discografias - Aphex Twin: Parte 2

                 

Come To Daddy – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


Indo para 1997, o Aphex Twin lança mais um EP intitulado Come to Daddy, que foi bem interessante. Após o Richard D. James Album, esse EP ajudou a transformar sua imagem em algo próximo de uma figura mítica e perturbadora dentro da cultura alternativa dos anos 90. Grande parte desse impacto veio do videoclipe dirigido por Chris Cunningham para a faixa-título. O vídeo, com crianças usando o rosto distorcido de Richard e cenas urbanas grotescas, virou imediatamente um marco da MTV alternativa. A produção foi bem pesada, densa e profundamente claustrofóbica. Richard trabalha com distorções violentas, baterias hiperfragmentadas, ruídos industriais e sintetizadores deformados para criar um ambiente sonoro sufocante. Além disso, sua voz frequentemente aparece deformada, monstruosa ou caricata, reforçando o caráter grotesco do EP. O repertório é muito bom, e as canções são bastante caóticas. No fim, é um ótimo EP, que o consolidou ainda mais. 

Melhores Faixas: Film, Come To Daddy (Pappy Mix), IZ-US, To Cure a Weakling Child, Contour Regard 
Vale a Pena Ouvir: Come to Daddy, Mummy Mix, Bucephalus Bouncing Ball

Windowlicker – Aphex Twin





















NOTA: 9,2/10


Chegando ao fim da década de 90, o Aphex Twin lançou outro EP, intitulado Windowlicker. Após o Come to Daddy, o impacto cultural desse trabalho foi amplificado pelo videoclipe dirigido por Chris Cunningham. O vídeo da faixa-título tornou-se instantaneamente icônico graças à mistura de humor grotesco, estética surrealista e desconforto psicológico. Richard aparecia novamente explorando sua imagem pública caricatural, usando seu próprio rosto de maneira exagerada e perturbadora. A produção foi mais sofisticada. Os timbres possuem uma profundidade impressionante, os ritmos são extremamente complexos e a espacialidade sonora é quase cinematográfica, dialogando muito mais com a IDM. Richard continua explorando breakbeats fragmentados e baterias impossivelmente rápidas, mas agora com um acabamento muito mais limpo e elegante. O repertório contém 3 faixas muito legais, que conseguem te envolver. No geral, é um ótimo EP e muito divertido. 

Melhor Faixa: Windowlicker 
Vale a Pena Ouvir: Nannou, Equation (Formula)

Drukqs – Aphex Twin





















NOTA: 9,9/10


Em 2001, o Aphex Twin retornava com seu 5º álbum de estúdio, o estranho Drukqs. Após o EP Windowlicker, o que aconteceu foi que parte do material teria sido lançada às pressas depois que um tocador de MP3 contendo faixas inéditas foi perdido durante uma viagem de avião. Isso ajuda a explicar a natureza extremamente fragmentada do disco. Enquanto trabalhos anteriores frequentemente mantinham certa coerência estilística, aqui Richard alterna brutalidade rítmica extrema com composições minimalistas para piano preparado. A produção foi bem complexa, com breakbeats impossivelmente complexos, texturas digitais microscópicas, manipulação espacial detalhista e gravações acústicas íntimas. Com isso, temos uma junção do Drill'n'Bass e IDM com influências do impressionismo, da música ambiente e da música eletroacústica. O repertório é incrível, e as canções são bastante cinematográficas. No fim, é um belo disco, que foi injustamente criticado. 

Melhores Faixas: Avril 14th, Vordhosbn, Cock/Ver10, Mt Saint Michel + Saint Michaels Mount, 54 Cymru Beats, Meltphace 6, Nanou 2, QKThr, Ziggomatic 17, Taking Control, Omgyjya-Switch7, Jynweythek 
Vale a Pena Ouvir: Gwely Mernans, Orban Eq Trx4, Kesson Dalef, Father

Analord – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


Lá para 2005, foi lançada a 10ª edição da série de EPs intitulada Analord, feita por Aphex Twin. Após o Drukqs, a música eletrônica estava cada vez mais dominada por produções digitais limpas e softwares sofisticados. Richard parecia interessado em seguir na direção oposta. Esse trabalho funciona quase como um manifesto analógico: grooves crus, sintetizadores ácidos, drum machines secas e improvisação espontânea. Esses EPs foram distribuídos separadamente, frequentemente em edições limitadas de vinil, o que lhes conferiu um status quase mítico entre os fãs. A produção foi completamente centrada em equipamentos analógicos. As linhas de baixo possuem enorme presença física. Os sintetizadores ácidos frequentemente parecem pulsar organicamente, e as baterias são secas e minimalistas. Com isso, temos um cruzamento entre IDM, Acid Techno e Acid Breaks. O repertório contém 2 faixas muito imersivas. Enfim, é um ótimo EP e vale a pena conhecer. 

Melhor Faixa: Fenix Funk 5 
Vale a Pena Ouvir: Xmd 5a

Rushup Edge – The Tuss



















NOTA: 9,1/10


Dois anos depois, Aphex agora sob o nome de The Tuss, lançava o álbum Rushup Edge. Após o Analord 10, surgiu meio que do nada um suposto duo sob esse nome, composto por Brian Tregaskin e Karen Tregaskin, nomes que mais tarde seriam oficializados como fictícios. Na realidade, era Richard, que voltava a mergulhar em estruturas extremamente complexas, ritmos absurdamente rápidos e manipulações digitais frenéticas, mas agora combinadas com um senso de groove surpreendentemente acessível e até eufórico. A produção foi uma combinação de manipulação digital extrema com grooves acid extremamente fluidos e dançantes. O álbum soa como uma colisão entre IDM, Drill'n'Bass, Acid Techno e electro futurista. Richard utiliza timbres de sintetizadores brilhantes, elásticos e emocionalmente carregados, além do uso de acid lines. O repertório é incrível, e as canções conseguem soar bastante futuristas. No final, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Rushup I Bank 12, Synthacon 9 
Vale a Pena Ouvir: Goodbye Rute, Death Fuck

Syro – Aphex Twin





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2014, quando foi lançado o último álbum de Aphex Twin até então, o Syro. Após o Rushup Edge como The Tuss, Richard já era tratado como uma figura quase mítica da música eletrônica. O anúncio foi um tanto estranho: começou com um dirigível estampando o logo clássico do artista e sobrevoando Londres, seguido por símbolos misteriosos surgindo em cidades como Nova York e Tóquio. A campanha rapidamente gerou histeria na internet e consolidou a sensação de "retorno de uma entidade desaparecida". A produção foi bem detalhada. Os sintetizadores possuem um calor extraordinário, cheios de pequenas imperfeições, oscilações e movimentos internos. As baterias continuam extremamente complexas, mas agora de forma mais fluida, e as linhas de baixo possuem enorme presença física. O repertório é muito bom, com canções divertidas, embora algumas sejam mais fracas. Enfim, é um ótimo disco, apesar de ser o mais fraco. 

Melhores Faixas: Aisatsana, Minipops 67 (Source Field Mix), Xmas_Evet10 (Thanaton3 Mix), 180db_, Papat4 (Pineal Mix) 
Piores Faixas: Fz Pseudotimestretch+e+3, Circlont14 (Shrymoming Mix), S950tx16wasr10 (Earth Portal Mix)

                                                                                 Então um abraço e flw!!!                   

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Analisando Discografias - Aphex Twin: Parte 1

                 

Selected Ambient Works 85-92 – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


No ano de 1992, foi lançado o álbum de estreia do Aphex Twin, o Selected Ambient Works 85-92. Richard D. James, nascido em Limerick, na Irlanda, começou a produzir esse material em 1985, durante a adolescência, indo até o início de sua fase adulta, daí o título do projeto. O disco funciona meio como uma coleção de ideias, sonhos, memórias e atmosferas acumuladas ao longo de anos e, após lançar alguns EPs, ele assinou com a R&S Records. A produção foi feita por ele mesmo e lançada pelo selo Apollo, onde fez uso de sintetizadores analógicos, linhas de baixo profundas, batidas simples e loops repetitivos para construir ambientes hipnóticos, mostrando assim traços do IDM e Ambient Techno. Há muito reverb, ecos sutis e timbres levemente desafinados que criam uma estética “viva”, imperfeita e emocional. O repertório é simplesmente sensacional e praticamente funciona como uma coletânea. É um disco fantástico e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Xtal, Tha, Heliosphan, Ageispolis, I, Ptolemy, Pulsewidth, Delphium, Actium
Vale a Pena Ouvir: We Are The Music Makers, Schottkey 7th Path

Surfing On Sine Waves – Polygon Window





















NOTA: 8,8/10


Em 1993, o Aphex Twin, agora sob o pseudônimo Polygon Window, lançou o álbum Surfing on Sine Waves. Após o atemporal Selected Ambient Works 85-92, esse projeto saiu pela Warp Records dentro da série Artificial Intelligence, iniciativa fundamental para transformar a música eletrônica em algo mais contemplativo e voltado à audição doméstica, e não apenas às pistas. Aqui, Polygon Window representava um lado mais Techno, ainda que extremamente experimental. A produção é mais seca, metálica e mecanizada. Richard trabalha com drum machines rígidas, sintetizadores ácidos, linhas de baixo profundas e pads frios que criam uma sensação constante de deslocamento urbano. O disco possui uma estética quase cyberpunk em vários momentos. Existe forte influência do Techno de Detroit aqui, especialmente na maneira como groove e atmosfera coexistem. O repertório é legal, e as canções ficaram mais atmosféricas. No fim, é um álbum bem interessante. 

Melhores Faixas: Audax Powder, Polygon Window, Untitled, UT1 - Dot 
Vale a Pena Ouvir: Quixote, Quoth

Quoth – Polygon Window





















NOTA: 8/10


Pouco depois, foi lançado o EP intitulado Quoth, funcionando meio como um complemento do álbum anterior. Após lançar Surfing on Sine Waves, Richard D. James aprofunda sua abordagem minimalista. O EP possui menos preocupação com melodias calorosas e mais interesse em ritmo, textura e repetição. Existe uma estética extremamente urbana aqui, quase industrial em alguns momentos. A produção é bem mais seca e pesada, com Richard trabalhando com poucos elementos, mas manipulando cada timbre com enorme precisão espacial. As baterias possuem impacto rígido e mecânico, enquanto os sintetizadores surgem em camadas discretas, criando profundidade sem ocupar espaço excessivo, inspirados no Techno industrial. O repertório contém 4 faixas bem mais densas. No geral, é um ótimo EP e já mostrava um caminho para o futuro. 

Melhores Faixas: Quoth, Iketa 
Vale a Pena Ouvir: Bike Pump Meets Bucket, Quoth (Wooden Thump Mix)

Selected Ambient Works Volume II – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


Indo para 1994, o Aphex Twin lançava seu sensacional 2º disco, intitulado Selected Ambient Works Volume II. Após os projetos sob o nome de Polygon Window, Richard D. James praticamente abandona a estrutura tradicional da música eletrônica para mergulhar em uma Ambient abstrata, fantasmagórica e profundamente psicológica. Seu nome já estava associado à explosão criativa da Warp Records e ao crescimento do IDM, embora sua música frequentemente escapasse de qualquer classificação simples. A produção é bem mais minimalista e atmosférica, trabalhando com drones, pads distantes, texturas granuladas, reverbs profundos e harmonias lentas que parecem suspensas no tempo. O aspecto mais impressionante da produção é justamente a espacialidade, dialogando totalmente com a música ambiente. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de uma beleza enorme em sua imersão. No fim, é um baita disco e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: Rhubarb (#3), Cliffs (#1), Lichen (#20), Blue Calx (#13), Z Twig (#17), Hexagon (#19), Curtains (#7), Match Sticks (#24), Weathered Stone (#9) 
Vale a Pena Ouvir: Radiator (#2), White Blur 2 (#23), Grass (#5)

Analogue Bubblebath – AFX





















NOTA: 7/10


Em 1994, foi relançado um dos primeiros EPs do Aphex Twin, o Analogue Bubblebath. Após o espetacular Selected Ambient Works Volume II, a gravadora TVT Records conseguiu o material original desse EP e fez uma pequena remasterização nele. Esse trabalho foi basicamente o que levou Richard D. James a assinar com a R&S Records, isso em um período em que ele estava mais ligado às pistas de dança, mas no qual já existia algo estranho e emocional em suas composições. A produção é bem crua e profundamente hipnótica. Richard trabalha principalmente com linhas ácidas inspiradas na Roland TB-303, baterias eletrônicas secas e sintetizadores atmosféricos simples, mas extremamente eficazes. As influências principais são o Acid Techno, mas já mostrando certos elementos de Ambient. O repertório contém quatro faixas que conseguem ser divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo trabalho, e foi graças a ele que Richard acabou sendo descoberto. 

Melhores Faixas: Analogue Bubblebath, Isopropophlex 
Vale a Pena Ouvir: Entrance To Exit, A F X 2

...I Care Because You Do – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


No ano de 1995, o Aphex Twin lançou seu 3º álbum, o ...I Care Because You Do (com uma capa quase icônica). Após o Analogue Bubblebath, ele começava a se afastar gradualmente da música ambiente para explorar estruturas rítmicas mais agressivas e composições cada vez mais imprevisíveis. Naquele período, o IDM começava a ganhar forma como um movimento reconhecível através de artistas ligados à Warp Records, enquanto o Jungle e outras vertentes experimentais surgiam no underground britânico. A produção é extremamente variada, já que aqui temos elementos do IDM, Acid Techno, Downtempo e Breakbeat, com Richard manipulando baterias de maneira muito mais agressiva e fragmentada. Os beats frequentemente parecem instáveis, quebrando expectativas de forma imprevisível. Os sintetizadores soam deformados. O repertório é incrível, e as canções são bastante enigmáticas. No geral, é um disco muito bacana e que foi mais complexo. 

Melhores Faixas: Alberto Balsalm, Acrid Avid Jam Shred, Come On You Slags!, Start As You Mean To Go On, Icct Hedral, Mookid 
Vale a Pena Ouvir: Wax The Nip, Wet Tip Hen Ax, Next Heap With

Richard D. James Album – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado outro álbum sensacional do Aphex Twin, o Richard D. James Album (capa icônica). Após o ...I Care Because You Do, ele mergulhava agora em uma abordagem ainda mais extrema, acelerando baterias e desconstruindo ritmos. A metade dos anos 90 foi marcada pelo crescimento do Jungle e do Drum and Bass no Reino Unido. Muitos produtores experimentavam breaks rápidos e estruturas frenéticas, mas Richard abordava essa linguagem de uma forma completamente diferente. A produção é simplesmente inacreditável, com as baterias sendo frenéticas, quebradas e imprevisíveis, mas ainda mantendo um groove extremamente preciso. O uso de breakbeats é central. Richard fragmenta loops de bateria em microssegundos, reorganizando os sons de maneira quase alienígena, levando o Drill’n’Bass para um lado ainda mais complexo. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é outro disco fenomenal e mais um clássico. 

Melhores Faixas: Fingerbib, 4, Girl/Boy Song, To Cure A Weakling Child, Carn Marth 
Vale a Pena Ouvir: Cornish Acid, Yellow Calx, Peek 824545201


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!            

Analisando Discografias - Remi Wolf: Parte 2

                  

Juno – Remi Wolf





















NOTA: 9/10


Indo para 2021, ela lançou seu álbum de estreia intitulado Juno, com uma proposta diferente. Após o EP I'm Allergic To Dogs!, esse trabalho nasce em um período no qual Remi Wolf já vinha acumulando atenção nas redes sociais, principalmente por causa da viralização de Photo ID e do carisma quase impossível de ignorar. Só que, em vez de suavizar sua estética para alcançar um público maior, ela faz justamente o contrário: o disco amplia ainda mais os exageros da sua música. A produção, feita por ela junto de nomes como Solomonophonic, Y2K, Rostam Batmanglij, entre outros, é bem maximalista, já que há dezenas de elementos acontecendo simultaneamente: linhas de baixo gigantes, baterias secas, sintetizadores psicodélicos, guitarras funkeadas e os vocais da Remi, que soam mais teatrais e suaves, dialogando com Indie Pop e R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e variadas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Liquor Store, Grumpy Old Man, Anthony Kiedis, Volkiano, Buzz Me In 
Vale a Pena Ouvir: Street You Live On, Front Tooth, wyd

Big Ideas – Remi Wolf





















NOTA: 9/10


Então chegamos em 2024, onde foi lançado seu 2º e mais recente álbum, o Big Ideas. Após o Juno, a Remi Wolf passou por um período bastante turbulento da vida dela. Falando abertamente que passou por momentos como ansiedade, sobriedade, desgaste emocional causado pelas turnês e crises pessoais que acabaram influenciando diretamente a composição do álbum. Produção contou agora com Ethan Gruska, Knox Fortune e entre outros, que foi para uma abordagem que é riquíssima em detalhes. Tendo baixos funkeados, baterias orgânicas, metais, guitarras psicodélicas e teclados vintage aparecem constantemente. Os vocais da Remi também evoluem bastante aqui, com ela demonstra muito mais controle emocional. Com eles juntando os elementos do Dance-Pop, Boogie, Soul setentista e Pop Rock e sendo muito bem organizado. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas e envolventes. Enfim, é um belo disco e que é bem detalhado. 

Melhores Faixas: Cinderella, Toro, Soup, Wave, Slay Bitch, When I Thought Of You 
Vale a Pena Ouvir: Motorcycle, Alone In Miami, Kangaroo

   

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Review: Hoje Bem Melhor Que Antes do Clara Lima

                     

Hoje Bem Melhor Que Antes – Clara Lima





















NOTA: 7,2/10


Algumas semanas atrás, a Clara Lima voltou lançando outro EP, o Hoje Bem Melhor Que Antes. Após As Ruas Sabem, o que aconteceu nesse meio-tempo foi a treta envolvendo sua saída e a de vários outros rappers do selo da Ceia. No caso dela, chegou até a mandar uma diss para Don Cesão, que acabou respondendo e dando um troco à altura. Mas, deixando isso de lado, esse EP funciona como a sensação de alguém que olha para os conflitos internos, para as dificuldades da caminhada e para as dores acumuladas da carreira. A produção, feita por Denielz Beats, DJ Zuppa, Vietnã e Vinni OG Beats, mistura beats secos, graves fortes, melodias discretas e instrumentais mais atmosféricos, criando um equilíbrio entre agressividade e introspecção com os flows agressivos e cadenciados da Clara, dialogando com Boom Bap e Jazz Rap. O repertório contém 5 faixas que são bem reflexivas e carregadas de crítica social. No fim, é um ótimo EP e bastante sólido. 

Melhores Faixas: Rap Sujo, Hoje Bem Melhor Que Antes 
Vale a Pena Ouvir: Papo Reto, Flow e Métrica, Tomando de Assalto, Tem Que Ter Pra Trocar

                                                                                   Então é isso e flw!!!             

Analisando Discografias - Remi Wolf: Parte 1

                  

You're A Dog! – Remi Wolf





















NOTA: 7/10


No ano de 2019, a Remi Wolf lançava seu 1º trabalho no formato de EP, intitulado You're A Dog!. A cantora, vinda de Palo Alto, na Califórnia, começou sua trajetória por volta de 2019, após ter se formado na USC Thornton School of Music. Ela decidiu fazer um projeto que acabou funcionando como o primeiro retrato realmente completo de sua personalidade: caótica, hiperativa, emocional e completamente imprevisível. A produção, feita por ela junto com Solomonophonic, soa extremamente viva, bagunçada e elástica. Os instrumentais parecem se mover o tempo inteiro: baixos pulando na mixagem, baterias quebradas, sintetizadores distorcidos e camadas vocais entrando de forma aparentemente aleatória, fazendo assim um cruzamento entre R&B contemporâneo e Bedroom Pop, além de momentos que dialogam com Synth-pop, Hypnagogic Pop e Neo-Soul. O repertório contém 6 faixas que são bem divertidas. No geral, é um ótimo EP e mostrou algo bastante promissor. 

Melhores Faixas: Shawty, Doctor 
Vale a Pena Ouvir: Rufufus, Thicc

I'm Allergic To Dogs! – Remi Wolf





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, ela voltou lançando seu 2º EP, o I'm Allergic To Dogs!, que foi ainda mais variado. Após o You're A Dog!, ela havia acabado de assinar com a Island Records e decidiu expandir aquela estética, mas agora com mais confiança, mais ambição e uma produção ainda mais detalhada. Esse EP também chegou em um período em que a Remi começava a ganhar maior atenção na internet por causa de sua personalidade extremamente carismática e do som difícil de categorizar. A produção foi feita pela mesma equipe, só que de forma extremamente maximalista. Quase todas as músicas parecem cheias até o limite: sintetizadores saltando pela mixagem, linhas de baixo absurdamente presentes, percussões quebradas e camadas vocais entrando o tempo inteiro, resultando em um trabalho mais orientado ao Synth Funk e ao R&B contemporâneo. O repertório contém 5 faixas que são todas bem envolventes. No geral, é um ótimo EP e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Photo ID, Down The Line 
Vale a Pena Ouvir: Hello Hello Hello, Disco Man, Woo!

  

Analisando Discografias - Ebony: Parte 2

                  

Terapia – Ebony





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e a Ebony lançou seu sensacional 2º disco, intitulado Terapia. Após o Visão Periférica, ela começava a viralizar constantemente nas redes sociais por versos polêmicos, entrevistas e posicionamentos fortes dentro do debate sobre misoginia no Rap nacional. Só que esse trabalho funciona como o oposto de uma terapia tradicional: em vez de buscar cura emocional, Ebony mergulha ainda mais fundo em obsessões, paranoia, desejo, ego e impulsividade. A produção, feita por AG Beatz, LARINHX e Leo Justi, ficou limpa, mas ainda consegue encaixar aquele peso característico. Os beats misturam Trapfunk com certas influências do Hyperpop, além de graves distorcidos, sintetizadores cortantes e efeitos digitais exagerados, que se encaixam perfeitamente com os vocais agressivos e os flows rápidos dela. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas. Enfim, é um baita disco, além de ser extremamente ousado. 

Melhores Faixas: Pensamentos Intrusivos, Hentai, 100 Mili, Paranoia 
Vale a Pena Ouvir: Lei da Atração, Terapia

KM2 – Ebony





















NOTA: 8,7/10


E aí, no ano passado, foi lançado seu 3º e mais recente álbum até então, intitulado KM2. Após Terapia, a Ebony decidiu mudar drasticamente o foco da própria música. Em vez de ampliar ainda mais a estética maximalista e sexual do disco anterior, ela voltou o olhar para a infância, adolescência e formação emocional dentro da Baixada Fluminense, especialmente em Queimados, cidade onde cresceu. A produção, feita por ela junto com AG Beatz, LARINHX e Pep, aposta em uma sonoridade mais orgânica, melancólica e cinematográfica. Os beats frequentemente misturam 808s com texturas ambientais, samples suaves, ruídos urbanos e uma instrumentação mais quente. Fora que os vocais da Ebony conseguem ser bem variados e até suaves, dialogando com Trap, Cloud Rap e R&B. O repertório é muito bom, e as canções transitam entre um lado envolvente e um lado mais profundo. No fim, é um trabalho muito coeso. 

Melhores Faixas: Não Lembro Da Minha Infância, Vale Do Silício (Black Alien mandou bem), KIA, Gin Com Suco De Laranja, Gin Com Suco De Laranja 
Vale a Pena Ouvir: Extraordinária, Parte do Mundo

 

Analisando Discografias - Aphex Twin: Parte 2

                  Come To Daddy – Aphex Twin NOTA: 9/10 Indo para 1997, o Aphex Twin lança mais um EP intitulado Come to Daddy, que foi bem ...