segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Jé

                 

Re: Ciclo, Lado A – Jé Santiago





















NOTA: 8/10


Em 2017, Jé Santiago lançava sua mixtape Re: Ciclo, Lado A, que trazia uma abordagem bem diferente. Após o lançamento do Calzone Tapes, Vol. 1 com a Recayd, o rapper já estava iniciando seus trabalhos solos, só que, nessa época, ele não estava totalmente orientado para o Trap, já que fazia uma parada que era muito orientada para um lado mais puxado para love songs. Com isso, ele fez uma obra que reciclava momentos e sentimentos. A produção contou com Aren, The Boy, Rocca Beat, entre outros, que colocaram beats limpos orientados para o R&B alternativo, Trap e alguns elementos de Afrobeats. Aqui, os flows do Jé são bem mais cadenciados, além de ter momentos mais orientados para vocais melódicos e sentimentais. O repertório é legalzinho, e as canções são bem envolventes e, ao mesmo tempo, suaves. No fim, é um ótimo projeto e que é bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Netflix, Jovem $anti Season 2.0 
Vale a Pena Ouvir: O Que Ela Quer, Vícios, Tão Distantes

O Bagulho É Trap – Jé





















NOTA: 9/10


No ano de 2020, foi lançado o 1º álbum solo do Jé, o sensacional O Bagulho É Trap. Após Re: Ciclo, Lado A, o rapper se consolidou na Recayd Mob, tornando-se também um dos principais nomes da cena do Trap nacional, já que sabia fazer canções ágeis e cheias de vibe. Ao mesmo tempo, ele já não precisava provar que conseguia transitar entre estilos: a questão agora era descobrir até onde poderia levar sua identidade dentro do Trap propriamente dito. A produção foi feita inteiramente pelo Nagalli, que colocou beats orgânicos contando com 808s pesados, hi-hats constantes, pads e ambiências sutis que funcionam como plano de fundo e podem dialogar tanto com Trap quanto com Cloud Rap em alguns momentos. Os flows do Jé são bem precisos e, às vezes, cadenciados. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e, ao mesmo tempo, atmosféricas. No final de tudo, é um belo álbum, muito consistente. 

Melhores Faixas: Diñero, Intro (Traphouse), Studio (Derek mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Champagne, Stripper

O Bagulho É Trap II – Jé





















NOTA: 9,2/10


No ano de 2023, Jé voltou com o maravilhoso O Bagulho É Trap II, que foi bem mais fluido. Após o álbum anterior, o rapper tinha recém-criado seu próprio selo, assim como Derek, a TrapHits (que está viva até hoje), além de também ter aparecido, nesse meio-tempo, em alguns outros projetos. Para esse trabalho, ele decidiu fazer algo que fosse mais estético, explorando um caminho mais ousado. A produção contou com Nagalli, Lucas Spike, Celo1st, Neckklace, entre outros, que colocaram beats mais pesados, com 808s bem marcados, hi-hats rápidos, synths melódicos e pads atmosféricos que funcionam tanto para o Trap quanto para o Cloud Rap. Os flows do Jé ficaram mais técnicos, conseguindo surfar na wave, seja em momentos melódicos ou mais densos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e, ao mesmo tempo, atmosféricas. No geral, é um baita álbum que conseguiu superar o anterior em todos os sentidos. 

Melhores Faixas: Rick Ross, Bola Outro (Brocasito amassou), Camuflado de BAPE, Porsche "Ye Yo", Nos Tempos de Motorola, Racks On Racks 
Vale a Pena Ouvir: Megatron, Guap

Nova Ordem Mixtape – Jé





















NOTA: 8/10


Em 2024, foi lançado o trabalho mais recente do Jé, que foi Nova Ordem Mixtape. Após O Bagulho É Trap II, ele decidiu fazer um projeto que não só reafirmava sua posição na cena, mas também dava uma chance para o pessoal da sua gravadora aparecer nessa mixtape. O rapper afirmou que se inspirou em trabalhos de Jay-Z, Emicida e Kanye West para poder fazer isso aqui. A produção foi diversificada, contando com Rare Kidd, Isaac, Tuti, entre outros, que colocaram beats amplos que transitam entre o Trap tradicional, Plugg, Detroit e o Trap Soul. Contando, assim, com 808s fortes, hi-hats discretos, sintetizadores melódicos e, às vezes, alguns pads atmosféricos. Os flows do Jé continuam bem técnicos e precisos, conseguindo fluir entre os outros participantes. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até mais leves. Em suma, é um ótimo projeto que cumpre seu papel. 

Melhores Faixas: Eu Sou O Mano, Odeio Ficar Sóbrio, Eu Tenho Isso 
Vale a Pena Ouvir: Anjos & Demônios, Abençoado pt. 2, Arrogante


                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Derek: Parte 2

                 

Trap The Fato (Deluxe) – Derek





















NOTA: 9,2/10


Em 2023, Derek retorna com Trap The Fato (Deluxe), que foi uma continuação mais variada. Após o TTF original, o rapper tinha conseguido consolidar sua gravadora de mesmo nome, só que, nesse meio-tempo, ocorreu a inesperada e conturbada treta com Tchelo, que acabou saindo da gravadora. Nesse período, Derek já tinha preparado muito material, fazendo algo que não fosse tão rígido e forçado. A produção foi diversificada, contando com Neckklace, Ecologyk, H4lfmeasures, Samuka, entre outros, que colocaram beats mais orgânicas, ainda contando com 808s fortes, sintetizadores graves, hi-hats discretos e baterias secas, mas com espaço para momentos melódicos. Isso consolidou toda essa fase do Derek, que relembra a estética do Playboi Carti. Com isso, temos Hard Trap, Plugg, Detroit, Goofy e Cloud Rap. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e pesadas. No fim, esse projeto conseguiu complementar bem o anterior, chegando a ser difícil dizer qual é o melhor. 

Melhores Faixas: PORNSTAR (The Boy do céu), VIVÊNCIAS DO TRAP (baita feat do Jé e do Yunk Vino), 7 NOVINHA PRA 2 MLK (Emite e Senndy amassaram), METADE DA BALA (Brocasito mandando bem), EJA FREESTYLE (Ryu amassando), XUXA (ótima feat do Borges), RAVE, MDMA 2 (Olha o corredor de novo), TAPINHA NO GRELO (Dfideliz foi até ofuscado pela A$HP), PUFFER 
Vale a Pena Ouvir: TRAVADONA, BALACLAVA, TRAP THE FATO NÓIS FEZ EM 5, PT. 2, EU SEI QUE ELA NOTOU (Igu foi bom até), BRAZIL BOYS

TRAP BRASILEIRO – Derek





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o altamente odiado TRAP BRASILEIRO, em um momento conturbado. Após o Trap The Fato (Deluxe), aconteceram vários problemas, já que o selo TTF acabou tendo uma péssima gestão, fazendo com que a gravadora encerrasse suas atividades. Além disso, teve o exposed que Derek sofreu de sua ex por não ser um pai presente para seu filho. Mas, no geral, o rapper não se abalou e quis fazer um trabalho que fosse bem mais escrachado. A produção contou com Cassin, Marreta, Isaac, entre outros, que colocaram beats mais sujos, com os 808s sendo ainda mais distorcidos, hi-hats constantes, baterias fortes e sintetizadores discretos, que dialogam tanto com Hard Trap, Plugg e Detroit. Os flows do Derek transitam entre momentos quebrados e outros mais agressivos. O repertório é até legal, tendo canções que são bem energéticas. No fim, é um trabalho que envelheceu bem, sendo uma espécie de Born Again do Derek. 

Melhores Faixas: TATTOOS ON MY FACE (Jovem Dex foi bem), TO BOLADÃO (FAB GODAMN amassando), MEU MANO MORREU DE LEAN, LEVITOU, TOMA CUIDADO COM O COPO 
Vale a Pena Ouvir: PARÇA, NUNCA FOI FACÍL, NEGO EU TO OUVINDO VOZES, FUMAÇA EVERYDAY, ÁGUA NA BALA, BALA NA ÁGUA

FUMANDO E VENDO SÉRIE – Derek





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2025, Derek lançou mais uma nova mixtape, o FUMANDO E VENDO SÉRIE. Após o polêmico TRAP BRASILEIRO, depois de anunciar a volta da Recayd após um hiato de três anos, o rapper preferiu resolver alguns de seus problemas anteriores e decidiu preparar um projeto bem mais diferenciado. Fazendo algo mais atmosférico, lento, nebuloso e introspectivo, com interesse em construir uma experiência contínua. A produção foi feita apenas por Las Edit’s e Marreta, que colocaram beats mais espaçosos, contando com 808s discretos, baterias pesadas, linhas de baixo profundas e reverbs, já que aqui dialogam muito mais com Cloud Rap e com pequenos elementos do Boom Bap e Trap tradicional. Aqui, os flows do Derek ficaram mais claros, e há uma vibe que lembra muito A$AP Rocky. O repertório é ótimo, e as canções são bem mais profundas e densas. No fim, é um trabalho muito bom e que se mostra mais imersivo. 

Melhores Faixas: FIZ ESSE RAP PRA PROVAR QUE EU SOU RAPPER (Shawlin levou o som para ele), INSÔNIA E DEPRESSÃO, ACENDE PUXA i PASSA, SPRITE CODEIN 
Vale a Pena Ouvir: KEEP IT G, FÉRIAS EM NEW YORK (Rincon mandou bem)

EL DEREK 2 – Derek





















NOTA: 3/10


No mesmo ano, foi lançado EL DEREK 2, que foi uma proposta diferente do primeiro. Após o FUMANDO E VENDO SÉRIE, Derek decidiu fazer um trabalho muito influenciado pelo Trap do início da década passada e pegando muito aquela vibe de Wiz Khalifa. Fora que ele já estava insatisfeito com a Universal e meio que preparou esse projeto para ser uma finalização de ciclo. A produção foi mais diversificada, contando com DAN 01, Jojo Baby, Neconbeat e afins, que colocaram beats mais melódicos, com 808s profundos, hi-hats discretos, sintetizadores mais texturizados e loops mais minimalistas. Além disso, percebe-se que Derek fez um maior uso de autotune e passou a colocar flows mais cadenciados. Só que, assim, muita coisa soa repetitiva e carece completamente de imersão. O repertório é muito ruim, tendo canções bastante genéricas e poucas que são interessantes. Enfim, é uma mixtape fraquíssima e que não tem nada demais. 

Melhores Faixas: BABY DRACO 2, DIZ PRA MIM, NEGO PERIGOSO 
Piores Faixas: ATENÇÃO, TIC TAC, 1 DECADA, ELA NÃO ESCUTA TRAP, FÉ, EBAY

ARꓘANO – Derek





















NOTA: 8,7/10


Em 2026, Derek lançou seu 3º álbum de estúdio, o ARꓘANO, em um momento de mudanças. Após o EL DEREK 2, o rapper encerrou seu vínculo com a Universal Music e acabou assinando com a recém-criada Nine Four Records. Para esse projeto, ele decidiu fazer um trabalho bem mais profundo e que fugiu um pouco das tendências do Trap, também saindo daquele ciclo de quem sabe tentar viralizar em redes sociais. A produção, feita por ele, também contou com Celo1st, Lucas Spike, Los Brasileiros, entre outros, que seguiram uma abordagem variada, já que temos elementos do Cloud Rap, Trap, Boom Bap e Funk. Os beats são mais amplos, com presença de baterias fortes, baixos profundos, elementos eletrônicos precisos e uso de reverbs. Além disso, os flows do Derek ficaram mais técnicos e até mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas, enquanto outras são mais energéticas. No fim, é um ótimo álbum e foi um grande acerto. 

Melhores Faixas: Acordei Bolado, Até Quando, Senhorita Morello (ótima feat do Febem), Pensando na Vida, Superstar, I Just Wanna Go 
Vale a Pena Ouvir: Seu, Mangue Freestyle, Sky


domingo, 23 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Derek: Parte 1

                 

Paris – Derek





















NOTA: 8,7/10


Em 2016, Derek já lançava seu 1º álbum solo, intitulado Paris, onde trazia uma abordagem interessante. O rapper recém havia fundado a Recayd, só que, nesse meio tempo, já estava preparando seu 1º projeto, muito antes do lançamento do Calzones Tapes, Vol. 1. No álbum, ele quis mostrar a experiência de um jovem que sonha com uma vida de riqueza, carros, dinheiro, poder e ascensão. A produção, feita por Lucas Spike e Pifo Beats, colocou beats pesados, com uma forte presença de graves, 808s agressivos, sintetizadores e texturas que criam uma sensação de vazio e espaço. Os flows de Derek são bem mais variados e carregados de agressividade, dialogando tanto com Trap quanto com Cloud Rap. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e até profundas em alguns momentos. No fim, é um ótimo álbum de estreia e bem variado. 

Melhores Faixas: Paris, Intro (Baco mandou bem demais), Resiliência, 5 Minutos, Calzone (Igu amassando) Vale a Pena Ouvir: Super Saiyan, Ferrari, Chefe
Vale a Pena Ouvir: What U Rep, Y.B.E., Gun Play

Ícone – Derek





















NOTA: 9/10


No ano de 2020, Derek retornou com seu 2º álbum, o Ícone, que foi um pouco mais profundo. Após o Paris, o rapper conseguiu se consolidar tanto na Recayd Mob quanto em sua carreira solo, tornando-se um dos principais nomes da primeira safra do Trap nacional. Esse projeto seria uma afirmação de que alguns daqueles sonhos apresentados antes já haviam sido realizados. A produção foi diversificada, contando com Lucas Spike, Nagalli, Pedro Lotto, entre outros, que colocaram uma abordagem mais refinada, com beats mais orgânicos, ainda contando com graves fortes, sintetizadores profundos, hi-hats discretos e mudanças de textura, dialogando com Trap e Cloud Rap, além de alguns elementos do R&B alternativo e do Emo Rap. Os flows do Derek conseguem transitar entre momentos agressivos e outros mais cadenciados. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e, claro, divertidas. No geral, é um ótimo álbum e muito imersivo. 

Melhores Faixas: For Real, Fé Fé Fé (Jé amassando), Ferrari, Pt. 2, Me Sinto Sozinho (Lucas Silveira da Fresno até que ficou legal aqui), Bandido Artista 
Vale a Pena Ouvir: Lounge (Dfideliz mandou bem), Baby Me Desculpa

EL DEREK – Derek





















NOTA: 8,2/10


No início do ano seguinte, Derek lançava sua 1ª mixtape, intitulada El Derek, que trazia uma estética diferente. Após o Ícone, o rapper estava começando a explorar um caminho bem mais sujo em sua abordagem, decidindo registrar seu momento na cena por meio de um grande compilado de músicas, funcionando quase como uma fotografia de sua estética naquele período. A produção foi diversificada, contando com Darez, Nagalli, Celo1st, entre outros, que colocaram 808s distorcidos, loops melódicos, baterias relativamente espaçadas e sintetizadores que criam uma atmosfera sombria, que dialoga tanto com Trap tradicional quanto com No Melody e Drill. Derek coloca flows bem mais agressivos e também segue uma temática que lembra muito a estética do Playboi Carti. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e outras que são bem pesadas. Enfim, é uma ótima mixtape e foi uma preparação para o futuro. 

Melhores Faixas: BABY DRACO, TOKYO, XANAX CRAZY (The Boy sendo uma das melhores duplas pro Derek), ISSO É RAP?, DING DONG, MEDLEY 
Vale a Pena Ouvir: HOLD ON, LIL JON (MC Igu mandou bem), FOGO NA BOATE, BITCH NOVA

Trap The Fato – Derek





















NOTA: 9,2/10


Em 2022, Derek lançava a sensacional mixtape Trap The Fato, em um momento de transição. Após o El Derek, o rapper decidiu aperfeiçoar ainda mais a sua estética, além de ter criado recentemente o selo TTF, que abriu as portas para novos nomes da cena underground. Com isso, esse projeto seria uma junção de tudo o que ele havia aperfeiçoado, além de dar uma chance também para novos nomes. A produção contou com Neccklace, Celo1st, éoTGL, retroboy, entre outros, que colocaram beats extremamente pesados, com 808s fortes, sintetizadores graves, hi-hats discretos, baterias secas e loops minimalistas, dialogando bastante tanto com o emergente Hard Trap quanto com Cloud Rap, Detroit e Plugg. Além disso, os flows do Derek são bastante agressivos e muito variados, conseguindo deixar tudo muito fluido. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito divertidas e, ao mesmo tempo, pesadas. No fim, é uma baita mixtape e se tornou um clássico. 

Melhores Faixas: BARRAS & BARRAS, TRAP THE FATO NÓIS FEZ EM 5 (Tchelo AMASSANDO), Trap The Fato (Leviano e Brandão mandando bem), PRESENÇA VIP 2 (reunião dos goats: Raffa Moreira e MC Igu), R.I.P. VON (ótima feat do Big Rush), DE JET NO PORSHE (Tchelo de novo), SCOOBY DOO, ATRÁS DE TU (The Boy foi bem), CLASSE EXECUTIVA, ESSA É A VIDA DE UM GANGSTA 2 
Vale a Pena Ouvir: SOLA DO FORCE, ACOSTUME-SE (Igu mandando bem), ALEXANDER MCQUEEN, PRADA, PET (Alee mandou bem), FUMANDO EM LUGAR PÚBLICO


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!           

Analisando Discografias - Recayd Mob

                  

Callzones Tapes, Vol. 1 – Recayd Mob





















NOTA: 8,4/10


Em 2017, a Recayd Mob lançava sua primeira mixtape, intitulada Calzones Tapes, Vol. 1. Formado no ano anterior, em 2016, na cidade de São Paulo, o que era inicialmente para ser um grupo de festas, mas, com o tempo, eles passaram a fazer Trap, quando o gênero ainda era completamente mato aqui no Brasil, contando com Derek, Jé Santiago, Dfideliz, MC Igu, Lucas Spike, The Boy, Klyn, entre outros. O nome do coletivo era inicialmente Recaídos, depois que encontraram um homem deitado no chão, e posteriormente se tornou o que conhecemos hoje, fazendo muita referência à A$AP Mob. A produção ficou sob responsabilidade do The Boy, Lucas Spike, Minizu, entre outros, que colocaram beats crus, com graves bastante presentes, baterias secas, sintetizadores simples, vozes carregadas de efeitos e uma estética próxima do Trap, Cloud Rap e Plugg. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é uma ótima tape, e aqui começava uma revolução. 

Melhores Faixas: CASANAPRAIA, Agora, Cola Com Nois 
Vale a Pena Ouvir: Cypher, Quando Eu Tinha Uma Glock
  

Callzones Tapes, Vol. 2 – Recayd Mob





















NOTA: 8,8/10


No ano seguinte, a Recayd Mob lançava sua 2ª mixtape, o Calzones Tapes, Vol. 2. Após o Volume 1, que tinha funcionado como uma espécie de cartão de visitas do coletivo, apresentando a mistura de Trap, referências do Rap americano, estética de rua e a personalidade dos integrantes, eles ganharam muita visibilidade no underground, chegando a aparecer na Rap Box. Isso foi um preparativo para o que viria a ser o ano de 2018, que seria revolucionário para o Rap nacional. A produção foi basicamente a mesma, só que agora havia um maior controle sobre os beats e, principalmente, sobre a dinâmica entre cada um. Contando, assim, com graves fortes, 808s marcados, hi-hats precisos, sintetizadores espaciais e efeitos vocais, fora que há uma evolução nos flows dos integrantes, que estão mais claros. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até mais cadenciadas. No geral, é uma ótima tape e representa uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Lifestyle Fake, Flack Jack, Endolar, Recayd Mob, Uzi 2 
Vale a Pena Ouvir: George Bush, Confortável, Jordan I

Calzone Tapes 3 – Recayd Mob





















NOTA: 9,4/10


No ano de 2021, a Recayd Mob lançava sua 3ª e mais recente mixtape, o Calzones Tapes 3. Após o Volume 2, o coletivo ganhou grande relevância, principalmente por conta dos hits Plaqtudum e Mlks de SP, só que, nesse meio tempo, houve conflitos internos, como a saída do Klyn e a conturbada treta entre Dfideliz e Spinardi, da Haikaiss, pelos versos em uma música já citada. Para esse trabalho, eles decidiram estudar o que estava sendo ouvido na cena e fazer algo mais ambicioso. A produção, feita por Lucas Spike, DJ Durel e Murda Beatz, colocou um som pesado e, ao mesmo tempo, com uma maior clareza. Com beats orgânicos, presença de 808s distorcidos, hi-hats constantes e sintetizadores atmosféricos que dialogam tanto com o Trap tradicional quanto com Drill, Plugg e No Melody, com todos esses elementos se encaixando bem. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e até mais imersivas. No fim, é um baita trabalho e, certamente, o melhor deles. 

Melhores Faixas: Lean na Fanta, Trap, Gangshit, ICE ON MY WIRST, Um Minuto, Vícios, Rich Nigg* Sh*t (Sidoka mandou bem), Babe, Haters, BANDO 
Vale a Pena Ouvir: Fashion e Usa Droga, Toolio, OkOk - Zona Sul, 3 Preto Quebrada e um Japonês

   

sábado, 22 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Westside Cowboy

                  

So Much Country ‘Till We Get There – Westside Cowboy





















NOTA: 8,4/10


No começo desse ano, o Westside Cowboy lançou um de seus dois EPs, o So Much Country ‘Till We Get There. A banda foi formada três anos antes, em Manchester, na Inglaterra, por Jimmy Bradbury (vocais e guitarra), Reuben Haycocks (vocais e guitarra), Aoife Anson O'Connell (vocais e baixo) e Paddy Murphy (bateria). Eles surgiram dentro de uma cena de jovens bandas britânicas interessadas em recuperar guitarras, Folk, Country e Rock alternativo, mas sem simplesmente reproduzir o Indie britânico tradicional. A produção foi feita por Loren Humphrey, que deixou um som pesado e que mantém certa clareza. Com isso, temos guitarras ásperas, linhas de baixo bem melódicas e uma bateria extremamente eficiente, além da presença de sintetizadores e violoncelo, que deixam uma sensação dinâmica e são complementados pelos vocais melódicos de cada um. O repertório contém cinco faixas que são muito boas. No fim, é um ótimo EP e muito enxuto. 

Melhores Faixas: Don’t Throw Rocks, Can’t See 
Vale a Pena Ouvir: Strange Taxidermy, The Wahs, In The Morning

It Goes On – Westside Cowboy





















NOTA: 9,7/10


Recentemente, o Westside Cowboy lançou seu álbum de estreia, intitulado It Goes On. Após o EP So Much Country ‘Till We Get There, a banda ganhou bastante popularidade na cena underground britânica, além de ter assinado com a Island Records. Com esse álbum, eles decidiram trazer a sensação de quatro músicos descobrindo até onde conseguem levar uma música. A produção foi feita mais uma vez por Loren Humphrey, que deixou uma sonoridade melódica e que junta elementos do Indie Rock com influências do Power Pop e do Alt-Country. Com isso, temos guitarras ásperas e quase dissonantes, linhas de baixo bem presentes e a bateria do Paddy Murphy frequentemente funcionando como o motor sonoro. Enquanto os vocais divididos entre os integrantes funcionam muito bem, os destaques certamente são Reuben e Aoife. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. No fim, é um belo disco de estreia que traz uma sensação nostálgica. 

Melhores Faixas: Pin Up Boys, Kick Stones (The Boys), Coyote, Dobro, Paperchains, Worried Age 
Vale a Pena Ouvir: Patchwork, Well Done Kid, You Did It

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - César Camargo Mariano

                  

São Paulo • Brasil – Cesar Mariano & Cia





















NOTA: 10/10


Em 1977, César Camargo Mariano lançava seu sensacional álbum São Paulo • Brasil. O pianista começou sua carreira por volta de 1958, ainda adolescente, quando foi reconhecido como um verdadeiro talento. Com isso, participou de alguns grupos até começar a trabalhar como arranjador para vários nomes da MPB, tendo como principal parceria a cantora Elis Regina, com quem foi casado naquele período. Esse disco nasceu com uma proposta bastante específica: transformar a cidade de São Paulo em matéria musical. A produção foi feita pelo próprio César Camargo Mariano, que colocou um som bastante sofisticado, com um cruzamento perfeito entre Jazz Fusion e Samba-jazz. O baixo elétrico está bastante presente, a bateria é dinâmica, as guitarras são limpas e os sintetizadores são usados como elementos melódicos e atmosféricos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um baita disco e um dos melhores álbuns da música brasileira. 

Melhores Faixas: Metrópole, Fábrica, Estação Do Norte, Poluição 
Vale a Pena Ouvir: Litoral, Futebol De Bar
  

Cesar Camargo Mariano & Cia. – Cesar Camargo Mariano & Cia.





















NOTA: 8,6/10


Entrando nos anos 80, César lançou outro álbum, dessa vez levando o nome César Camargo Mariano & Cia. Após o clássico São Paulo • Brasil e depois de ter feito apresentações com seu grupo, ele basicamente aproveitou essa experiência como ponto de partida. Mariano entrou em estúdio para fazer um disco que ampliaria consideravelmente a paleta instrumental utilizada anteriormente. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio Mariano, que colocou um som mais cheio e moderno, que reúne ainda as influências do Jazz Fusion, mas também apresenta elementos do Jazz-Funk, Disco e um pouco da temática da MPB. Com isso, temos um foco bem maior nos grooves, que são extremamente movimentados pela bateria e pelo baixo, enquanto as guitarras e os acordeões funcionam como complemento. Além, claro, dos sintetizadores e teclados, que estão sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes. No fim, é um ótimo disco e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Pedra Verde, Nabanera, Nove Luas, Reflexo 
Vale a Pena Ouvir: Pesqueiro De São José, Água De Cheiro

A Todas As Amizades – César Camargo Mariano





















NOTA: 4/10


Em 1983, César Camargo Mariano lançava o álbum A Todas As Amizades, e aqui tivemos problemas. Após o César Camargo Mariano & Cia., apesar de seus trabalhos estarem sendo aclamados pela crítica, eles não vendiam muito. Então, a gravadora CBS exigiu que César fizesse um trabalho que tocasse nas rádios. Com isso, temos um trabalho que juntou nomes conhecidos da música brasileira para fazer algo no mínimo ambicioso. A produção foi feita por Max Pierre e Raymundo Bittencourt, que colocaram um som bem mais limpo e refinado, mas que dialoga com elementos do Smooth Jazz, Boogie e Pop sofisticado. Os sintetizadores e teclados ainda estão no centro, só que agora com a presença de vocais tanto em inglês quanto em português, o que deixa tudo muito pasteurizado e semelhante aos projetos dos gigantes da MPB daquele período. O repertório é ruim; apesar de ter canções legais, há outras que são deslocadas. Enfim, é um álbum fraco e que passou despercebido. 

Melhores Faixas: Nos Bailes Da Vida, Aquarela Do Brasil, Blue Moon, Novo Tempo 
Piores Faixas: Aventureiro, Flávia, Avenida Paulista, A Todas As Amizades, História De Amor

  

Analisando Discografias - Jé

                  Re: Ciclo, Lado A – Jé Santiago NOTA: 8/10 Em 2017, Jé Santiago lançava sua mixtape Re: Ciclo, Lado A, que trazia uma abor...