sábado, 5 de setembro de 2026

Review: Flerte do Xamã

                  

Flerte – Xamã





















NOTA: 2,2/10


Alguns dias atrás, foi lançado um novo álbum do Xamã, o Flerte, no qual ele tentou fazer algo diferente. Após o FRAGMENTADO, o rapper conseguiu ganhar ainda mais destaque interpretando o personagem Bagdá na novela Três Graças. Enquanto isso, ele preparava um projeto que vai para uma atmosfera mais leve, romântica e dançante, pegando muitas sonoridades latinas e africanas. A produção, feita por Mario Arantes, Ramon Calixto e $amuka, colocou um som polido que mostra uma junção de Afrobeats, Dancehall e alguns elementos do Jazz Rap, Reggaetón e Tropical House. Com isso, os arranjos ficaram bastante sofisticados e com beats mais amplos, mas tudo soa bastante repetitivo, com os flows do Xamã não conseguindo combinar com cada arranjo. O repertório é horrível, e as canções são muito irritantes, com algumas exceções. Enfim, é um álbum terrível e que não é interessante. 

Melhores Faixas: Bagunçou Minha Sexta, Você Tirou Meu Ar 
Piores Faixas: Moça (Ludmilla mal como sempre), Nova Satagariana, Meu Sonho É Tu, Like A Michael
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Review: Timeless do Prince

                  

Timeless – Prince





















NOTA: 8,5/10


Recentemente, foi lançado um novo trabalho póstumo do Prince, intitulado Timeless. Após o Welcome 2 America, o espólio do cantor decidiu meio que fazer um retrospecto, pegando um material que ele reuniu desde 1977 até o ano de seu falecimento. Mostrando, assim, o cantor se transformando de um jovem músico promissor em um veterano que ainda continuava experimentando várias vertentes. A produção foi obviamente feita pelo próprio cantor e tem uma junção do R&B contemporâneo, Pop Rock, Synth Funk, Soul e música Pop. Com isso, temos arranjos que oscilam entre momentos mais sofisticados até momentos mais energéticos. A variedade é enorme, mas o fio condutor é a obsessão de Prince por ritmo, arranjo e textura, algo que mostra ainda mais um pouco da sua genialidade. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem envolventes e muito fluidas. No fim, é um trabalho muito legal, e fica a pergunta: por que esse material não foi lançado em vida? 

Melhores Faixas: I Wonder, With This Tear, I Am You, The Guilty Ones 
Vale a Pena Ouvir: Tick Tick Bang, Bestest Friend, Stone,


Analisando Discografias - Ave Sangria

                  

Ave Sangria – Ave Sangria





















NOTA: 10/10


Em 1974, o Ave Sangria lançava seu clássico e conturbado álbum de estreia autointitulado. Formado em 1969, na capital pernambucana, Recife, por Marco Polo (vocais), Almir de Oliveira (baixo e violão), Ivinho (guitarra), Israel Semente (bateria), Agrício Noya (percussão) e Paulo Rafael (guitarra), inicialmente eles tinham o nome de Tamarineira Village e, após participarem da Feira Experimental de Música do Nordeste, onde ganharam muita popularidade, assinaram com a gravadora Continental, que os fez trocar para o nome que conhecemos. A produção foi feita por Márcio Antonucci, que, apesar dos recursos limitados, deixou um som expressivo que dialogava tanto com o Rock e o Folk psicodélico quanto com elementos do Rock Rural, Xote e até um pouco do Rock Progressivo. Contendo guitarras expressivas, uma cozinha rítmica sustentável e vocais melódicos, o repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: O Pirata, Seu Waldir, Por Que?, Dois Navegantes, Hei! Man, Momento Na Praça 
Vale a Pena Ouvir: Cidade Grande, Sob O Sol De Satã, Três Margaridas

Vendavais – Ave Sangria





















NOTA: 9,6/10


Foi apenas em 2019 que o Ave Sangria lançou seu 2º álbum de estúdio, o Vendavais. Após o álbum de estreia, a banda havia sido prejudicada pela censura da ditadura militar, especialmente por causa de Seu Waldir. A faixa foi censurada e o álbum acabou retirado das lojas, contribuindo para o encerramento das atividades da banda. Só que, com o tempo, eles ganharam um status cult e voltaram em 2014, agora com a entrada de Juliano Holanda no baixo e Gilú Amaral na percussão. A produção, feita por Paulo Rafael e pelo próprio Juliano Holanda, deixou um som mais encorpado e equilibrado, com elementos do Rock psicodélico e Heavy Psych, além de elementos do Rock Progressivo e Udigrundi. As guitarras são bem precisas, enquanto a cozinha rítmica consegue ser muito bem variada, principalmente na percussão, além dos vocais expressivos do Marco Polo. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas. Enfim, é um belo disco e que teve muita ousadia. 

Melhores Faixas: Silêncio Segredo, O Poeta, Vendavais, Sete Minutos, Marginal, Carícias
Vale a Pena Ouvir: Olho Da Noite, Ser

  

Analisando Discografias - Little Dragon: Parte 2

                  

Season High – Little Dragon





















NOTA: 3/10


Em 2017, o Little Dragon retornava com um novo álbum, o fraquíssimo Season High. Após o Nabuma Rubberband, o grupo tenta recuperar um pouco mais de movimento, brilho e energia Pop. O álbum parece consciente disso até certo ponto. Há uma tentativa de ampliar o lado dançante, incorporando elementos de Funk e Synth-pop, enquanto a atmosfera continua bastante ligada ao universo dos trabalhos anteriores. A produção seguiu por um caminho bastante polido e sofisticado. A bateria do Erik Bodin, mesmo com a presença de programação eletrônica, preserva uma preocupação em manter o balanço de uma banda tocando junta. O baixo do Fredrik Wallin também permanece bastante presente, e os sintetizadores contêm linhas brilhantes, enquanto os vocais da Yukimi são praticamente os mesmos. Porém, tudo soa muito plastificado e sem imersão. O repertório é ruinzinho: tem canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum fraco e que não tem dinâmica. 

Melhores Faixas: High, Butterflies, The Pop Life 
Piores Faixas: Celebrate, Should I, Sweet, Push

New Me, Same Us – Little Dragon





















NOTA: 4/10


Três anos se passam, e o Little Dragon lança mais um álbum novo, o New Me, Save Us. Após o Season High, o grupo largou a gravadora de seus últimos dois álbuns, a Because, e assinou com a Ninja Tune. Nesse período, eles estavam pensando em fazer um trabalho que voltasse às suas raízes e se concentrasse mais na interação entre os próprios integrantes, com eles menos preocupados em reproduzir uma estética retrofuturista específica. A produção seguiu por um caminho mais orgânico e que não abandona aquele som acessível. Com isso, há uma junção do Neo-Soul, Alt-Pop, Art Pop e um pouco do R&B tradicional. As linhas de baixo são bem orientadas ao groove, a bateria ficou um pouco mais dinâmica e os teclados colocam cor nos arranjos, mas parece que falta algo mais variado, com momentos excessivamente arrastados e com os vocais da Yukimi deixando tudo muito sonolento. O repertório é fraco, tem canções boas e outras sem graça. Enfim, é um álbum ruim e que não flui. 

Melhores Faixas: Another Lover, Are You Feeling Sad?, Hold On, New Fiction 
Piores Faixas: Water, Stay Right Here, Where You Belong, Kids, Rush

Slugs Of Love – Little Dragon





















NOTA: 3/10


No ano de 2023, foi lançado o mais recente álbum do grupo, intitulado Slugs Of Love. Após o New Me, Save Us, eles queriam fazer um trabalho que tivesse uma abordagem mais leve, divertida e assumidamente otimista, estando muito mais interessados em abordar temas como conexão, amizade, prazer e a ideia de aproveitar o presente. A produção seguiu por algo ainda mais acessível e carregado de leveza, com os sintetizadores variando entre timbres quentes, psicodélicos, retrô ou completamente espaciais. O baixo tenta colocar uma maior sustentação, e a bateria possui bastante swing nos ritmos, enquanto a percussão frequentemente conduz as faixas. Mesmo com eles entrando de cabeça na Indietronica, parece que tudo aqui soa arrastado e com fórmulas repetitivas. O repertório é terrível, com canções genéricas e poucas interessantes. Enfim, é outro álbum péssimo de um grupo em extrema decadência. 

Melhores Faixas: Amöban, Glow (participação do Damon Albarn), Gold 
Piores Faixas: Kenneth, Frisco, Lily's Call, Disco Dangerous


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Review: Continental do Black Pantera

                   

Continental – Black Pantera





















NOTA: 8,7/10


Algumas semanas atrás, o Black Pantera lançou seu 5º álbum de estúdio, o Continental. Após o Perpétuo, a banda ficou mais interessada em descobrir quantas possibilidades cabem dentro de sua própria identidade. O conceito parte da ideia de um Brasil continental, formado por diferentes culturas, realidades e identidades, ao mesmo tempo em que amplia essa perspectiva para a América Latina. A produção contou com Fernando Delgado, Jorge Guerreiro, Rafael Ramos e ReoLamos, que colocaram uma abordagem limpa e muito bem detalhada. As guitarras possuem riffs secos e camadas muito bem colocadas, o baixo de Chaene consegue ser bem consistente, e a bateria de Pancho é carregada de peso, mostrando muita técnica. Enquanto isso, os vocais de Charles são bem articulados, encaixando tanto no Metal alternativo quanto no Crossover Thrash. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem profundas. Em suma, é um ótimo projeto e cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: Velho Jeans Rasgado, Quando Canto (participação da Sandra de Sá), Hórus, Obseleto (participação do Derrick Green), Yasuke 
Vale a Pena Ouvir: Start The Game, Banzo, Punhos Cerrados
 

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Little Dragon: Parte 1

                 

Little Dragon – Little Dragon





















NOTA: 9/10


No ano de 2007, o Little Dragon lançava seu álbum de estreia autointitulado, que trazia uma temática interessante. Formado em 1996 na cidade de Gotemburgo, na Suécia, por Yukimi Nagano nos vocais, Erik Bodin na bateria, Fredrik Källgren Wallin no baixo e Håkan Wirenstrand nos teclados, o grupo vinha de uma trajetória bastante ligada à exploração da Soul music e da música eletrônica, com eles assinando com a gravadora Peacefrog. A produção foi feita pelo próprio grupo, que buscou uma sonoridade limpa e minimalista, com a bateria e o baixo criando uma pulsação constante, enquanto os teclados adicionam camadas que podem ser atmosféricas ou diretamente dançantes. Os sintetizadores são bem utilizados, e os vocais do Yukimi conseguem deixar um aspecto noturno e misterioso, juntando assim elementos do Art Pop, Neo-Soul e Downtempo. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas. No fim, é um belo disco de estreia e muito coeso. 

Melhores Faixas: Twice, No Love, After The Rain, Recommendation, Stormy Weather, Scribbled Paper 
Vale a Pena Ouvir: Constant Surprises, Test

Machine Dreams – Little Dragon





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e o Little Dragon lançou seu 2º álbum, o Machine Dreams. Após o Little Dragon, aqui o grupo demonstra uma direção muito mais definida. A ideia não é simplesmente repetir a fórmula da estreia com músicas novas, mas transformar aquela mistura em algo mais eletrônico, dançante e futurista. Passa a explorar uma relação mais intensa entre o humano e o tecnológico, criando uma música que soa simultaneamente orgânica e artificial. A produção, feita mais uma vez pelo grupo, seguiu uma abordagem sofisticada e até um pouco mais psicodélica, deixando os sintetizadores ocuparem um espaço muito maior. Os teclados são responsáveis por criar ambientes, a bateria mantém um caráter físico e o baixo acrescenta um peso, além, claro, dos vocais melódicos da Yukimi, tendo assim uma junção do Electropop, Indietronica e um pouco do Synth-pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Enfim, é um disco bacana e que trouxe uma evolução. 

Melhores Faixas: Feather, Never Never, Fortune, Looking Glass, Blinking Pigs, A New 
Vale a Pena Ouvir: Runabout, My Step, Come Home

Ritual Union – Little Dragon





















NOTA: 8,7/10


Indo para 2011, foi lançado o 3º álbum do Little Dragon, o Ritual Union, que foi um pouco mais modernizado. Após o Machine Dreams, eles passaram a circular por um ambiente musical mais amplo e tiveram contato com artistas de diferentes áreas da música eletrônica, do Rap, Soul e do nascente Alt-Pop. Com esse trabalho novo sendo uma junção das fases anteriores, só que em uma proposta mais atmosférica. A produção foi para um caminho mais estruturado e limpo, juntando os elementos do Electropop com Art Pop e traços da Indietronica. A bateria passou a ter uma maior presença física, o baixo cria linhas melódicas e os sintetizadores criam determinadas cores e atmosferas, que são complementadas pelos vocais suaves e sensuais de Yukimi. Isso faz com que o disco tenha uma sonoridade eletrônica sem parecer excessivamente polido. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e divertidas. Enfim, é um ótimo disco e muito variado. 

Melhores Faixas: Brush The Heat, Ritual Union, Shuffle A Dream, Seconds, Precious 
Vale a Pena Ouvir: Nightlight, Crystalfilm, Little Man

Nabuma Rubberband – Little Dragon





















NOTA: 8,3/10


Três anos se passaram, e o grupo retorna com um novo álbum, o Nabuma Rubberband. Após o Ritual Union, o Little Dragon decide olhar mais diretamente para o R&B dos anos 80 e para o universo das chamadas slow jams, especialmente a vertente mais sensual e atmosférica desse estilo. Com eles decidindo pegar a melancolia, os sintetizadores e os grooves dos trabalhos anteriores e colocá-los em um ambiente mais íntimo. A produção foi para um som extremamente polido, que junta elementos do Synth-pop e do R&B alternativo. Os sintetizadores agora são utilizados para criar uma sensação mais quente e sedutora. A bateria geralmente possui ritmos lentos e econômicos, com bastante espaço entre os golpes. O baixo traz linhas bem mais sustentáveis, e os vocais da Yukimi ficaram mais intimistas e aconchegantes. O repertório é muito bom, e as canções são bem etéreas e suaves. No geral, é um ótimo disco e que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Klapp Klapp, Cat Rider, Killing Me, Pretty Girls 
Vale a Pena Ouvir: Paris, Nabuma Rubberband, Mirror


Analisando Discografias - Gustavo Cerati: Parte 2

                  

Ahí Vamos – Gustavo Cerati





















NOTA: 9/10


Em 2006, Gustavo Cerati lançava mais um trabalho solo, o Ahí Vamos, que voltou para aquele aspecto rockeiro. Após o Siempre Es Hoy, depois de tantos anos explorando possibilidades diferentes, Cerati decidiu voltar a colocar a guitarra no centro de sua música. Mas isso não significa que ele tenha abandonado tudo o que havia aprendido durante sua fase experimental, já que ele aproveita as experiências anteriores para fazer um álbum de rock muito mais seguro e sofisticado. A produção foi feita pelo cantor junto com Tweety González, que buscaram uma sonoridade limpa e poderosa, seguindo aquela abordagem do Rock alternativo com elementos do Hard Rock e do Big Music. As guitarras possuem riffs fortes, distorções, solos e camadas, enquanto a cozinha rítmica consegue ser bem orgânica e consistente, e os vocais de Cerati continuam bem seguros e variados. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e densas. No fim, é um baita disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Crimen, Lago En El Cielo, Adiós, La Excepción, Medium, Dios Nos Libre
Vale a Pena Ouvir: Otra Piel, Al Fin Sucede, Jugo De Luna

Fuerza Natural – Gustavo Cerati





















NOTA: 9,5/10


Então chegamos a 2009, quando Gustavo Cerati lançava seu 5º e último álbum solo, o Fuerza Natural. Após o Ahí Vamos, o cantor decidiu explorar um lado mais acústico, psicodélico e contemplativo. O próprio conceito do álbum está ligado a essa ideia de força natural em oposição ao artificial. Cerati constrói uma obra muito mais aberta, que parece interessada em natureza, viagem, memória, e passagem do tempo. A produção, feita junto com Héctor Castillo, seguiu uma abordagem limpa e espaçosa, não só colocando elementos do Rock alternativo, como também influências do Country alternativo, Folk Rock, Dream Pop e Post-Punk. As guitarras são distorcidas na medida certa e convivem com instrumentos acústicos, o que deixa aquela pegada texturizada. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem pastorais. No fim, é um belo disco que, precocemente, acabou sendo o último, devido ao AVC que Cerati sofreu no ano seguinte, levando à sua morte em 2014. 

Melhores Faixas: Cactus, Deja Vu, Rapto, Fuerza Natural, He Visto A Lucy, Naturaleza Muerta, # 
Vale a Pena Ouvir: Convoy, Domino, Magia

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Gustavo Cerati: Parte 1

                  

Amor Amarillo – Gustavo Cerati





















NOTA: 9,8/10


Voltando para o ano de 1993, Gustavo Cerati embarca em sua carreira solo com Amor Amarillo. Após o Dynamo com o Soda, ele havia trabalhado com Daniel Melero em Colores Santos, que havia aberto ainda mais espaço para texturas, sintetizadores, programação e uma abordagem menos dependente do formato convencional do Rock. Só que, em vez de ser simplesmente uma continuação dessas experiências, seria um disco muito mais pessoal e doméstico. A produção, feita pelo cantor junto com Zeta Bosio, colocou um som extremamente sofisticado e detalhado, já que aqui temos Dream Pop, Rock alternativo, Shoegaze, Baggy, psicodelia e afins. As guitarras, ao lado de teclados, efeitos, programações e diferentes camadas eletrônicas, criam uma sonoridade bastante texturizada, enquanto os vocais de Cerati conseguem ser bem articulados e expressivos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem dinâmicas e atmosféricas. Enfim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Amor Amarillo, Te Llevo Para Que Me Lleves, Lisa, Bajan (Pescado Rabioso), Pulsar 
Vale a Pena Ouvir: A Merced, Cabeza De Medusa, Ahora Es Nunca

Bocanada – Gustavo Cerati





















NOTA: 10/10


Foi só em 1999 que Gustavo Cerati retornou, lançando seu 2º álbum solo, o atemporal Bocanada. Após o Amor Amarillo, com o fim do Soda Stereo, Cerati passou a construir uma linguagem própria, muito mais ambiciosa e pessoal, juntando elementos da música eletrônica, Rock e orquestração em um mesmo universo. O álbum também mostra um artista interessado em trabalhar a própria voz de maneira diferente, explorando camadas, efeitos e interpretações mais atmosféricas. A produção, feita pelo próprio cantor, foi extremamente sofisticada e carregada de detalhes. As programações determinam a própria estrutura das composições. Ao mesmo tempo, guitarras, baixos, baterias e instrumentos acústicos conseguem fazer um verdadeiro equilíbrio com isso, temos uma junção do Art Pop, Downtempo e da Neo-psicodelia. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No geral, é um álbum excepcional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tabú, Puente, Bocanada, Beautiful, Perdonar Es Divino, Engaña, Alma, Río Babel 
Vale a Pena Ouvir: Raíz, Balsa, Y Si El Humo Está En Foco...

Siempre Es Hoy – Gustavo Cerati





















NOTA: 10/10


Indo para 2002, Gustavo Cerati lançava seu 3º álbum, o excepcional Siempre Es Hoy. Após o clássico Bocanada, o cantor queria fazer um trabalho que fosse mais rítmico e potente, com esse material passando por diferentes etapas e tendo cerca de quarenta ideias, entre músicas completas e simples esboços, fazendo um projeto ousado, mas também extremamente extenso. Com o título trazendo a ideia de que passado e futuro acabam convergindo no momento atual. A produção foi para um caminho ainda mais potente e recheado de detalhes, seguindo muito o som do Dance alternativo, com elementos do Indietronica, Trip Hop e do Dream Pop. As guitarras voltam a ter bem mais espaço, só que servindo como texturas, já que o uso de programação, samples e sintetizadores se complementa bem, fora os vocais bem variados do Cerati, que se encaixam com cada arranjo. O repertório é espetacular, carregado de canções variadas. Enfim, é outro álbum que é simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cosas Imposibles, Vivo, Tu Cicatriz En Mi, Artefacto, Karaoke, Fantasma, Amo Dejarte Asi, No Te Creo, Sudestada, Especie 
Vale a Pena Ouvir: Casa, Altar, Naci Para Esto

                                                                                        É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - Soda Stereo

                 

Soda Stereo – Soda Stereo





















NOTA: 8,5/10


No ano de 1984, o Soda Stereo lançava seu álbum de estreia autointitulado, numa temática bem padronizada. Formado em 1982, na capital argentina, Buenos Aires, por Gustavo Cerati (vocais e guitarras), Zeta Bosio (baixo) e Charly Alberti (bateria), o trio vinha construindo uma identidade fortemente ligada à New Wave. Com eles surgindo em um período pós-ditadura militar e com uma nova geração ocupando a indústria musical local, a banda, que havia ganhado muito destaque, assinou com a CBS. A produção, feita por Federico Moura, colocou um som polido e detalhado. As guitarras de Cerati possuem muito mais riffs, efeitos, acordes secos e texturas. As linhas de baixo de Bosio são bastante sustentadas, e a bateria é bem orgânica, fora, claro, os vocais expressivos de Cerati, que estão sempre no centro. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e outras que envelheceram mal. No fim, é um disco bacana, mas que serviu mais como apresentação. 

Melhores Faixas: Tratame Suavemente, Sobredosis De T.V., El Tiempo Es Dinero, Dietetico
Piores Faixas: Tele-Ka, Mi Novia Tiene Biceps

Nada Personal – Soda Stereo





















NOTA: 9,1/10


No ano seguinte, o Soda Stereo retornou com seu 2º álbum de estúdio, o Nada Personal. Após o álbum de estreia, eles começaram a deixar um pouco de lado a imagem puramente divertida e provocativa do primeiro trabalho. A banda continuava interessada em música Pop, dança e estética moderna, mas Gustavo Cerati passou a explorar letras mais ambíguas, sensuais e introspectivas. A produção, feita pela própria banda, continuou sendo bem limpa e sofisticada, ainda tendo aquele diálogo com a New Wave e com elementos do Synth-pop, Post-Punk, 2-Tone e Funk Rock. As guitarras passam a criar texturas, ambientes e pequenas camadas dentro das músicas. O baixo conduz muito bem, e a bateria é bastante precisa, fora um uso ocasional de sintetizadores. Enquanto isso, os vocais de Cerati ficaram um pouco mais melódicos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e energéticas. No fim, é um belo disco e mostrou uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Cuando Pase El Temblor, Nada Personal, Juego De Seducción, Estoy Azulado, Danza Rota 
Vale a Pena Ouvir: Si No Fuera Por..., Imágenes Retro, El Cuerpo Del Delito

Signos – Soda Stereo





















NOTA: 9,9/10


Mais um ano se passou, e o Soda Stereo lançava mais um álbum novo, o Signos. Após o Nada Personal, que foi um sucesso gigantesco e saiu até fora da Argentina, Gustavo Cerati, Zeta Bosio e Charly Alberti passaram a trabalhar sob uma pressão muito maior. Só que Cerati estava amadurecendo como compositor. As letras ficaram menos dependentes do humor e da ironia dos primeiros trabalhos e passaram a explorar desejo, obsessão, distância, relações complicadas, insegurança e estados emocionais mais difíceis de definir. A produção foi bem mais sofisticada, com eles fazendo um equilíbrio da New Wave com a Big Music. As guitarras ficaram bem mais variadas, podendo conduzir um riff, criar uma textura atmosférica ou sustentar uma passagem melancólica. A cozinha rítmica consegue ser bem precisa e tem uso moderado de cordas e sintetizadores. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem energéticas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Persiana Americana, Prófugos, El Rito, Signos 
Vale a Pena Ouvir: Sin Sobresaltos, Final Caja Negra

Doble Vida – Soda Stereo





















NOTA: 9/10


De novo se passou outro ano, e o Soda Stereo lançava seu 4º álbum, o Doble Vida. Após o Signos, a banda começou a circular com mais força pela América Latina e percebeu que sua música podia ultrapassar o circuito argentino. Isso também trouxe uma mudança de perspectiva. A banda queria ampliar sua sonoridade e incorporar elementos do Rock, Pop e Funk de maneira mais evidente. A produção, feita por Carlos Alomar, deixou uma sonoridade limpa e encorpada, colocando uma maior preocupação no groove. Com isso, os baixos ganham bastante importância, enquanto Charly Alberti trabalha com uma bateria mais dinâmica e menos presa à estética puramente New Wave. As guitarras de Cerati continuam utilizando efeitos e texturas, mas agora existem momentos mais agressivos, fora seus vocais, que ficaram bem mais seguros e energéticos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem divertidas e suaves. Enfim, é um baita disco e que é muito subestimado. 

Melhores Faixas: En La Ciudad De La Furia, Lo Que Sangra (La Cupula), Corazon Delator, Dia Comun - Doble Vida 
Vale a Pena Ouvir: En El Borde, Terapia De Amor Intensiva

Cancion Animal – Soda Stereo





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Soda Stereo lança o maravilhoso e atemporal Cancion Animal. Após o Doble Vida, o Soda decide recuperar uma parte mais visceral do Rock argentino que havia marcado sua adolescência, aproximando-se de uma sonoridade muito mais guitarrística, pesada e orgânica. Já que aquela estética da New Wave já tinha se tornado obsleto e ultrapassado, com isso eles decidiram ir de cabeça no Rock alternativo que eles já tinha explorado em determinados momentos. Produção feita novamente pela propria banda, foi para uma sonoridade mais mais encorpada, direta e orgânica. As guitarras do Cerati possuem riffs distorcidos e grandes momentos instrumentais, além claro de seu vocal que ficou ainda mais expressivo. Os baixo é bastante presente e a bateria ganhou bastante peso, tendo assim elementos do Hard Rock e Jangle Pop. O repertório é maravilhoso, parecendo quase que uma coletanea. No fim, é um disco excepcional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: De Musica Ligera, Un Millon De Años Luz, Cancion Animal, Sueles Dejarme Solo, (En) El Septimo Dia, Entre Canibales 
Vale a Pena Ouvir: Te Para 3, Hombre Al Agua

Dynamo – Soda Stereo





















NOTA: 10/10


Ai em 1992, o Soda Stereo lança outro álbum fantastico, o Dynamo, que foi para uma tematica diferente. Após o Cancion Animal, Cerati e sua trupe decidiu ir de cabeça ainda mais na música alternativa e principalmente adotando o Shoegaze. Já que a banda estava cansada da dimensão gigantesca que havia alcançado e queria recuperar uma sensação de descoberta. Produção feita como sempre pela propria banda, seguiu um som pesado e nebuloso que é completamente orientado ao Shoegaze e Rock alternativo, além de elementos do Baggy, Dance alternativo e Dream Pop. Com isso, as guitarras ficaram mais distorcidas e reverberadas, o baixo do Bosio é bastante marcante e a bateria consegue ser bem organica. Fora o uso de samplers, programação e sintetizadores que deixa algo mais texturizado. O repertório é simplesmente sensacional, também parecendo uma coletanea. No geral, é um disco maravilhoso e que é praticamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Primavera 0, Luna Roja, Toma La Ruta, Fué, En Remolinos, Ameba, Secuencia Inicial 
Vale a Pena Ouvir: Camaléon, Texturas, Claroscuro

Sueño Stereo – Soda Stereo





















NOTA: 9,7/10


Em 1995, o Soda Stereo lançava seu 7º e último álbum, o maravilhoso Sueño Stereo. Após o excepcional Dynamo, o Soda passou por uma espécie de pausa, e seus integrantes começaram a desenvolver outros projetos. Gustavo Cerati, em particular, aprofundou ainda mais seu interesse por eletrônica e experimentação. Com esse álbum, a banda soa menos como uma tentativa de descobrir uma nova identidade e mais como uma síntese de tudo aquilo que o trio havia construído. A produção foi para um caminho mais elegante e cinematográfico, conversando com o Rock alternativo e o Art Rock, já que temos elementos de Dream Pop, Chamber Pop e música eletrônica. Com isso, as guitarras ficaram bem texturizadas, o baixo ficou mais discreto, a bateria está mais orgânica, e os sintetizadores, a programação e os efeitos deixam tudo mais atmosférico. O repertório é incrível, e as canções são todas muito imersivas. Enfim, é um baita disco de encerramento de uma banda lendária. 

Melhores Faixas: Ella Usó Mi Cabeza Como Un Revólver, Disco Eterno, Zoom, Angel Eléctrico, Pasos, Efecto Doppler 
Vale a Pena Ouvir: Planta, Ojo De La Tormenta, Paseando Por Roma

  

Review: Flerte do Xamã

                   Flerte – Xamã NOTA: 2,2/10 Alguns dias atrás, foi lançado um novo álbum do Xamã, o Flerte, no qual ele tentou fazer algo ...