segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Black Label Society: Parte 1

                 

Sonic Brew – Black Label Society





















NOTA: 8,7/10


Voltando para o ano de 1999, o Black Label Society lançava seu álbum de estreia, o Sonic Brew. Formado um ano antes, na cidade de Los Angeles, na Califórnia, pelo guitarrista da banda de Ozzy Osbourne, Zakk Wylde, junto com o baterista Phil Ondich, o grupo decidiu fazer um projeto que trazia uma proposta que mantinha sua ligação com o Heavy Metal, mas acrescentava uma atmosfera muito mais sombria, arrastada e carregada de influências do Southern Rock e do Blues, fazendo com que ele assinasse com a Spitfire Records. Produzido junto com The Albert Brothers, o álbum trouxe um som encorpado, áspero e bastante orgânico. Com as guitarras, consegue explorar diferentes texturas sem abandonar o peso: há riffs grossos, solos cheios de bends e vibratos e aquela característica utilização de efeitos que ajuda a criar uma atmosfera quase sufocante, com a bateria complementando tudo. O repertório é muito bom, e as canções são bastante densas. No fim, é um ótimo disco de estreia e mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Spoke In The Wheel, Hey You (Batch Of Lies), Bored To Tears, Black Pearl, Low Down 
Vale a Pena Ouvir: Mother Mary, Born To Lose, The Rose Petalled Garden

Stronger Than Death – Black Label Society





















NOTA: 8,5/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado o 2º álbum de estúdio do Black Label Society, o Stronger Than Death. Após o Sonic Brew, esse novo trabalho vem justamente para consolidar essa identidade, deixando de lado um pouco da sensação de estreia e apostando em uma abordagem mais agressiva, pesada e sombria. Zakk continua sendo o grande comandante do projeto, cuidando das guitarras, vocais e baixo, enquanto Phil Ondich permanece na bateria. Produzido pelo próprio Zakk Wylde, o álbum seguiu uma abordagem crua e bastante densa, juntando Southern Metal com Heavy Metal e Groove Metal. As guitarras possuem distorções grossas, riffs com bastante ganho e solos que frequentemente parecem estar prestes a explodir. A bateria do Phil é bastante seca e pesada, e as linhas de baixo são bastante grossas. Além, é claro, dos vocais agressivos do Zakk. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas. No geral, é um disco bacana e que foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Stronger Than World, 13 Years Of Grief, Counterfeit God, Love Reign Dow
Vale a Pena Ouvir: Rust, All For You, Just Killing Time

1919 Eternal – Black Label Society





















NOTA: 8,7/10


Se passaram dois anos para a banda retornar com seu 3º álbum, intitulado 1919 Eternal. Após o Stronger Than Death, Zakk estava mais interessado em transformar suas experiências pessoais em música. O título faz referência à memória de seu pai, e essa presença emocional ajuda a dar ao disco um caráter mais introspectivo. Mesmo quando as guitarras continuam enormes, existe uma sensação de perda, reflexão e sofrimento que diferencia o trabalho dos anteriores. A produção foi para um caminho bem mais escuro e, ao mesmo tempo, mais refinado, seguindo aquela junção tradicional do Heavy Metal com Southern Metal. As guitarras continuam enormes e cheias de distorção, porém existe maior atenção às diferentes texturas que elas podem assumir. Zakk consegue alternar riffs densos, bases mais abertas e solos extremamente expressivos, e a cozinha rítmica é bastante enxuta. O repertório é muito bom, e as canções são mais profundas. Enfim, é um ótimo disco e muito imersivo. 

Melhores Faixas: Bridge To Cross, Graveyard Disciples, Lost Heaven, Berserkers, Genocide Junkies 
Vale a Pena Ouvir: Life, Birth, Blood, Doom, Bleed For Me

The Blessed Hellride – Black Label Society





















NOTA: 9,4/10


No ano de 2003, o Black Label Society lançava seu 4º álbum de estúdio, o The Blessed Hellride. Após o 1919 Eternal, Zakk Wylde tinha deixado para trás a ideia de simplesmente montar um projeto paralelo e transformado a banda em seu principal veículo criativo. O caminho percorrido pelos três primeiros trabalhos também mostrou uma evolução clara e, para esse projeto, agora contando com um novo baterista, Craig Nunenmacher, foram para um caminho que explora diferentes climas. A produção foi bastante pesada e mais densa, seguindo aquela junção do Heavy Metal com Southern Metal. As guitarras possuem riffs grossos e bastante impacto, enquanto os solos exploram bends, vibratos e notas sustentadas, e a cozinha rítmica é bastante robusta e orgânica, além dos vocais rasgados do Zakk que são cheios de urgência. O repertório é maravilhoso, e as canções são energéticas e imersivas. No final de tudo, é um baita disco e que mostrou uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Stillborn (participação do Ozzy Osbourne), Stoned And Drunk, We Live No More, Funeral Bell, Blackened Waters, The Blessed Hellride 
Vale a Pena Ouvir: Doomsday Jesus, Destruction Overdrive, Final Solution

Hangover Music Vol. VI – Black Label Society





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, a banda lançava um trabalho mais diferenciado com o Hangover Music Vol. VI. Após o The Blessed Hellride, em vez de tentar fazer outro álbum de Heavy Metal esmagador, Zakk decide explorar principalmente seu lado mais melódico e bluesy. O próprio título já transmite essa ideia de ressaca, de um momento posterior à euforia, quando sobra apenas a reflexão. É um álbum muito mais contemplativo e emocional, funcionando quase como uma pausa dentro da discografia do Black Label Society. A produção feita pelo próprio Zakk Wylde, seguiu uma abordagem mais mais limpa e aberta. As guitarras continuam presentes, mas a distorção deixa de ocupar todo o espaço. Existe mais utilização de violões, pianos, teclados e arranjos que permitem que as músicas respirem deixando uma junção do Hard Rock com Rock acustico. O repertório é legalzinho, e as canções são bem introspectivas. Enfim, é um disco bacana e que é injustamente desprezado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Won't Find It Here, Whiter Shade Of Pale, House Of Doom 
Vale a Pena Ouvir: Layne, Queen Of Sorrow, Steppin’ Stone, Woman Don’t Cry, Fear

Mafia – Black Label Society





















NOTA: 8,5/10


Em 2005, o Black Label Society volta para sua abordagem tradicional com Mafia. Após o Hangover Music Vol. VI, a banda teve a implementação efetiva do baixista James LoMenzo, além de ter assinado com a Artemis Records. Zakk Wylde, já tinha uma identidade completamente estabelecida. E, para esse álbum, decidiram voltar a fazer um trabalho mais pesado, porém que não abandona os momentos mais introspectivos. A produção foi para uma sonoridade muito mais pesada e agressiva, voltando a juntar os elementos do Southern Metal com Heavy Metal e Groove Metal. As guitarras do Zakk possuem riffs pesados, e os solos são cheios daquela assinatura que já havia se tornado inconfundível, além de seus vocais que, como sempre, estão bem carregados e agressivos. O baixo do James é bastante variado, e a bateria do Craig Nunenmacher é bastante impactante. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. No geral, é um ótimo disco e muito coeso. 

Melhores Faixas: Suicide Messiah, In This River, Spread Your Wings, Fire It Up 
Vale a Pena Ouvir: Say What You Will, What's In You, Been A Long Time

Shot To Hell – Black Label Society





















NOTA: 5/10


Se passou mais um ano para o Black Label Society lançar outro disco, o Shot to Hell. Após o Mafia, a banda passou por uma mudança com a saída de James LoMenzo, que se juntou ao Megadeth, e, no seu lugar, entrou John DeServio. Para esse trabalho, eles decidiram juntar toda a agressividade característica com um material acústico, melancólico e bastante emocional. Produzido por Zakk Wylde junto com Michael Beinhorn, inclusive lançado pela Roadrunner, o álbum deixou um som pesado e mais encorpado. As guitarras ocupam muito espaço e possuem uma distorção espessa, fazendo com que os riffs tenham bastante impacto. Enquanto a cozinha rítmica ficou muito mais sustentável, já que há muita presença de teclados e sintetizadores, o que deixa tudo muito harmônico de forma excessiva e torna o álbum bastante arrastado. O repertório começa bem, mas depois decai com canções fraquíssimas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Concrete Jungle, Black Mass Reverends, Hell Is High, Blood Is Thicker Than Water 
Piores Faixas: Devil's Dime, Sick Of It All, Nothing's The Same, The Last Goodbye

Order Of The Black – Black Label Society





















NOTA: 8,6/10


Quatro anos se passaram para o Black Label Society lançar mais um trabalho novo, o Order of the Black. Após o Shot to Hell, o baterista Craig Nunenmacher acabou saindo e foi substituído por Will Hunt. Além disso, esse projeto aparece depois de uma fase em que Zakk Wylde havia enfrentado problemas de saúde e precisou reduzir o ritmo. Isso dá ao álbum uma sensação de retorno. A produção foi extremamente pesada e moderna, com as guitarras possuindo muito corpo, bastante ganho e uma presença enorme na mixagem. Zakk continua utilizando aquele timbre grave e encorpado que se tornou uma de suas marcas, mas o som aqui parece um pouco mais controlado e definido. A bateria possui bastante groove, tendo caixas fortes, e o baixo é completo, grosso e cheio de variação. Enquanto os vocais do Zakk ficaram bem mais agressivos e articulados. O repertório é muito bom, e as canções são bastante vibrantes. No fim, é um ótimo disco e muito ousado. 

Melhores Faixas: Crazy Horse, Southern Dissolution, War Of Heaven, Parade Of The Dead 
Vale a Pena Ouvir: Darkest Days, Riders Of The Damned, Godspeed Hellbound

Catacombs Of The Black Vatican – Black Label Society





















NOTA: 1/10


Quatro anos se passaram para a banda voltar com seu 9º álbum, o Catacombs of the Black Vatican. Após o Order of the Black, o baterista Will Hunt acabou não permanecendo e sendo substituído por Chad Szeliga. Para esse disco, em vez de tentar uma mudança radical, Zakk Wylde trabalha em cima dos elementos que já haviam se tornado característicos do grupo: riffs pesados, grooves fortes, solos expressivos e uma alternância entre agressividade e melancolia. A produção foi para um som limpo, mas que consegue ser bastante pesado e encorpado, juntando tanto Heavy Metal quanto Southern Metal. Zakk continua explorando seu timbre grave e cheio de ganho, tanto nos riffs quanto nos solos. As guitarras possuem bastante corpo e conseguem transmitir peso, além de seus vocais agressivos. E a cozinha rítmica ficou mais sustentável e sólida. O repertório é ótimo, e as canções são mais densas e profundas. Enfim, é um disco bacana, mesmo com poucas inovações. 

Melhores Faixas: Angel Of Mercy, I've Gone Away 
Vale a Pena Ouvir: Beyond The Down, Empty Promises, Believe

Grimmest Hits – Black Label Society





















NOTA: 9/10


Mais quatro anos se passaram, e o Black Label Society lançava seu 10º álbum, o Grimmest Hits. Após o Catacombs of the Black Vatican, a banda novamente trocou de baterista. Agora, de forma definitiva, contrataram Jeff Fabb, que já tinha se tornado membro por pouco tempo nas turnês de 2012. Nesse novo projeto, eles pegam elementos que já haviam aparecido em diferentes momentos de sua carreira e os reorganizam em músicas novas. Produzido pelo próprio Zakk Wylde, o álbum segue uma abordagem limpa e, ao mesmo tempo, muito encorpada, agora não só colocando Heavy Metal, como também elementos do Stoner Metal e Blues. As guitarras possuem aquele timbre grave e cheio de distorção, mas existe bastante definição nos riffs, e os solos são bem expressivos. A bateria é bastante firme e agressiva, e os baixos são muito distorcidos e dialogam com o vocal rasgado do Zakk. O repertório é incrível, e as canções são esmagadoras. No final, é um disco excelente e muito coeso. 

Melhores Faixas: Room of Nightmares, A Love Unreal, Trampled Down Below, Disbelief, Bury Your Sorrow, The Day That Heaven Had Gone Away 
Vale a Pena Ouvir: The Betrayal, Nothing Left To Say, The Only Words

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Heart: Parte 2

                 

Brigade – Heart





















NOTA: 8,3/10


Entrando nos anos 90, o Heart lançava seu 10º álbum de estúdio, o sentimental Brigade. Após o Bad Animals, a banda decidiu manter a fórmula que havia funcionado tão bem nos trabalhos anteriores, mas procurou ampliar ainda mais o lado comercial do grupo. A banda continua trabalhando com Hard Rock e Pop Rock, só que agora com uma preocupação ainda maior com melodias acessíveis e refrões imediatamente memoráveis. A produção, feita por Richie Zito, deixou aquele som extremamente polido e grandioso. As guitarras são fortes e bem definidas, a bateria possui bastante impacto e os teclados ocupam espaços importantes nos arranjos. Além disso, as linhas de baixo são bem sustentáveis, enquanto os vocais de Ann Wilson continuam bastante variados e energéticos. O repertório é muito bom, e as canções variam entre momentos pesados e outros mais intimistas. No geral, é um ótimo disco e que marcaria o fim do ápice comercial da banda. 

Melhores Faixas: All I Wanna Do Is Make Love To You, Call Of The Wind, The Night 
Vale a Pena Ouvir: Stranded, Secret, Wild Child, I Want Your World To Turn

Desire Walks On – Heart





















NOTA: 5/10


Se passaram três anos e foi lançado mais um disco da banda, o Desire Walks On. Após o Brigade, o Heart sabia bem que toda a sonoridade que voltou a consolidá-lo nos anos 80 tinha sido completamente deixada de lado pela grande mídia por sons pesados e alternativos. Com isso, Ann e Nancy Wilson procuraram equilibrar a identidade clássica da banda com uma abordagem um pouco mais madura e contemporânea. A produção, feita por John Purdell e Duane Baron, deixou uma sonoridade limpa e com aquela pegada grandiosa, misturando ainda Hard Rock e AOR. As guitarras continuam importantes, mas aparecem de maneira mais equilibrada. Existe uma preocupação maior em deixar os instrumentos respirarem, enquanto os teclados são utilizados mais como complemento do que como elemento dominante, mas aqui tudo soa bastante previsível e faltando variação. O repertório é mediano, tem canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum irregular e muito tedioso. 

Melhores Faixas: Black On Black II, My Crazy Head, Ring Them Bells (participação do Layne Stayley) 
Piores Faixas: Voodoo Doll, Rage, The Woman In Me

Jupiters Darling – Heart





















NOTA: 8/10


Foi só em 2004 que a banda retornou com um novo disco intitulado Jupiters Darling. Após o Desire Walks On, as irmãs acabaram se dedicando a outros projetos nesse meio tempo. Quando retornaram com um novo projeto, decidiram resgatar as raízes do Heart. Fora que elas tinham novos integrantes, com a entrada de Craig Bartock (guitarra), Darian Sahanaja (teclados), Mike Inez (baixo) e Ben Smith (bateria). E agora trabalhando de forma independente e não precisando se preocupar com impacto radiofônico. Produzido pela própria banda, o álbum seguiu uma abordagem orgânica e sofisticada. As guitarras possuem textura, a bateria soa mais natural e existe uma preocupação muito maior em deixar os instrumentos respirarem, voltando a dialogar tanto com Hard Rock clássico quanto com Folk Rock. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem cadenciadas. No fim, é um ótimo álbum e que é bastante subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Move On, Fallen Ones, Make Me 
Vale a Pena Ouvir: Enough, Down The Nile, Oldest Story In The World

Red Velvet Car – Heart





















NOTA: 8,1/10


Se passaram seis anos para o Heart lançar mais um trabalho novo, o Red Velvet Car. Após o Jupiters Darling, a banda acabou tendo várias mudanças, com a maioria dos integrantes que entraram saindo e, no lugar deles, entrando Ben Mink na guitarra e Rick Markmann no baixo, com Ben Smith continuando como baterista. Esse álbum mostra Ann e Nancy tentando manter a identidade do Heart atualizada, mas sem abandonar aquilo que sempre funcionou melhor para elas. Produzido pelo próprio Ben Mink, o álbum deixou aquela abordagem orgânica e pesada, juntando tanto o Hard Rock com elementos do Folk e Blues Rock. As guitarras ficaram bem mais encorpadas e com presença de riffs precisos. A cozinha rítmica é bastante sustentável e natural, e os vocais da Ann continuam bem variados, mesmo já estando envelhecidos. O repertório é muito legal, e as canções são belíssimas e às vezes carregadas de peso. Enfim, é um disco bacana e que foi mais ousado. 

Melhores Faixas: Hey You, Sunflower, Death Valley 
Vale a Pena Ouvir: Wheels, There You Go, Sand

Fanatic – Heart





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2012, quando o Heart lançou seu 14º e possivelmente último álbum, o Fanatic. Após o Red Velvet Car, Ann e Nancy já carregavam décadas de experiência. Não existe mais aquela preocupação de mostrar que ainda são capazes de competir comercialmente com bandas mais jovens. Com esse trabalho funcionando muito mais como uma declaração de que o Heart continua tendo vontade de tocar música pesada. A produção seguiu praticamente a mesma abordagem, só que agora deixando um som muito mais cheio de camadas. As guitarras têm muita presença e peso, com riffs que ocupam um papel fundamental nos arranjos. O som continua relativamente limpo, mas existe uma quantidade maior de distorção e agressividade. Mas, assim, muitos dos arranjos soam sem imersão e faltando um maior complemento. O repertório é irregular, tem canções legais e outras fracas. No fim, é um álbum mediano e, após isso, focaram só nas turnês. 

Melhores Faixas: Walkin' Good, Skim And Bones, Rock Deep (Vancouver) 
Piores Faixas: Fanatic, Dear Old America, 59 Crunch

 

domingo, 13 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Heart: Parte 1

                 

Dreamboat Annie – Heart





















NOTA: 10/10


No ano de 1976, o Heart lançava seu clássico álbum de estreia, o Dreamboat Annie. Formado dois anos antes no Pacific Northwest, lá em Seattle, com a maioria dos integrantes vindo de Vancouver, no Canadá, o grupo contava com as irmãs Ann e Nancy Wilson, Roger Fisher (guitarra), Howard Leese (guitarra e teclados), Steve Fossen (baixo) e Mike Derosier (bateria). Surgindo em um momento em que o Hard Rock clássico estava no topo da mídia e com eles assinando com uma gravadora independente, a Mushroom. A produção, feita por Mike Flicker, deixou um som equilibrado que junta elementos do Hard Rock com Folk e até Rock progressivo. As guitarras são bastante variadas, desde momentos melódicos até agressivos, a cozinha rítmica é bastante eficiente e os vocais delicados de Ann Wilson são o coração das canções. Falando nisso, o repertório é sensacional, parecendo uma completa coletânea. No final, é um baita disco de estreia e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Crazy On You, Magic Man, Love Me Like Music (I'll Be Your Song), Soul Of The Sea 
Vale a Pena Ouvir: Dreamboat Annie (Fantasy Child), How Deep It Goes

Little Queen – Heart





















NOTA: 9,5/10


No ano seguinte, o Heart lançava seu sensacional 2º álbum, o Little Queen, em meio a uma confusão gigantesca. Após o Dreamboat Annie, a banda tinha conseguido ganhar bastante atenção da mídia e, com isso, assinou com a Portrait Records. Algo que enfureceu os executivos da Mushroom Records, que tinham um contrato firmado com a banda, e isso desencadeou algo que falarei daqui a pouco. Esse projeto seguiu um caminho em que decidiram explorar momentos intimistas com arranjos mais encorpados. A produção, feita mais uma vez por Mike Flicker, seguiu um som pesado e com maior nível de detalhamento, seguindo muito a abordagem do Folk Rock, mas com pitadas de Hard Rock e Pop Rock. As guitarras ficaram ainda mais variadas, transitando entre solos e bases mais abertas. A cozinha rítmica ficou mais cadenciada e os vocais de Ann ficaram mais variados. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. No geral, é um belo disco e que é muito profundo. 

Melhores Faixas: Barracuda, Little Queen, Love Alive, Dream Of The Archer, Cry To Me 
Vale a Pena Ouvir: Kick It Out, Treat Me Well

Magazine – Heart





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado de forma oficial o 3º álbum do Heart, o Magazine, que foi uma completa dor de cabeça. Antes de lançarem o Little Queen, o que aconteceu foi que a antiga gravadora da banda, a Mushroom Records, tinha um contrato para eles lançarem mais um álbum sob o selo deles. Mas, como eles assinaram com a Arista, esse material foi gravado em poucos dias e, como eles não conseguiram terminá-lo, foi só com a ajuda da nova gravadora que conseguiriam remixar todo esse disco. A produção de Mike Flicker seguiu uma sonoridade mais variada, com momentos que dialogam entre Pop Rock, Hard Rock, Folk e Pop barroco. As guitarras colocam um devido peso, o baixo é bastante sustentável, a bateria é bastante orgânica e ajuda em momentos de peso, e os vocais de Ann continuam bem delicados. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mesmo com todo o processo intenso. 

Melhores Faixas: Heartless, Magazine 
Vale a Pena Ouvir: Without You, I've Got The Music In Me, Just The Wine

Dog & Butterfly – Heart





















NOTA: 9/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado outro álbum do Heart, o sensacional Dog & Butterfly. Após o Magazine, a banda também estava cada vez mais confortável explorando diferentes lados de sua sonoridade. O Hard Rock continuava presente, mas não precisava mais dominar o álbum inteiro. E é justamente essa característica que define esse álbum. O disco parece dividido entre dois estados de espírito: de um lado, músicas mais pesadas; do outro, composições acústicas, atmosféricas e introspectivas. A produção, feita por Mike Flicker, Michael Fisher junto com a banda, seguiu para uma sonoridade limpa e organizada, sem tirar o caráter orgânico que os consolidou. As guitarras continuam tendo presença, mas existe uma preocupação maior com texturas, dinâmica e espaço. Além disso, há uma presença de violões e arranjos acústicos que deixa tudo mais sofisticado. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas. No geral, é um baita disco e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Dog And Butterfly, Cook With Fire, Lighter Touch, Straight On 
Vale a Pena Ouvir: Mistral Wind, Nada One

Bebe Le Strange – Heart





















NOTA: 8,3/10


Entrando nos anos 80, o Heart lançava mais um álbum novo, o Bebe Le Strange. Após o Dog & Butterfly, o guitarrista Roger Fisher acabou sendo demitido da banda, assim como seu irmão Michael, e acabou não tendo substituição. Com isso, a banda entra na nova década tentando se reafirmar em um cenário em que o Hard Rock melódico começaria a dominar o mercado musical daquela época. A produção, feita por Mike Flicker junto com a banda, deixou uma abordagem mais acessível e moderna. Com isso, as guitarras, agora assumidas inteiramente por Nancy Wilson, possuem momentos mais pesados e passagens sonoras. A bateria ficou bem mais firme e o baixo ainda mais controlado, enquanto os vocais de Ann ficaram muito mais energéticos, mostrando que estavam querendo dialogar com o Hard Rock daquele período. O repertório é legalzinho, tendo canções pesadas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mas que não fez sucesso. 

Melhores Faixas: Bebe Le Strange, Sweet Darlin, Strange Night 
Vale a Pena Ouvir: Rockin Heaven Down, Silver Wheels

Private Audition – Heart





















NOTA: 4/10


Dois anos se passaram, e o Heart lançava seu 6º álbum de estúdio, o fraquíssimo Private Audition. Após o Bebe Le Strange, Ann e Nancy Wilson precisavam assumir ainda mais responsabilidade para manter a banda funcionando como uma unidade. O álbum surge, portanto, em um momento de busca por uma nova identidade, com elas ainda buscando encontrar completamente aquela sonoridade mais comercial que marcaria parte importante de sua trajetória posterior. A produção foi basicamente a mesma, só que agora extremamente comercial. As guitarras continuam sendo importantes, aparecendo em momentos pesados e outros mais cadenciados, em que os teclados ocupam mais espaço. Fora isso, a bateria ficou bastante comprimida, muito para deixar uma abordagem Pop Rock oitentista, só que isso ferra muito a imersão do álbum. O repertório é péssimo, e as canções são genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum ruim e que deu muito errado. 

Melhores Faixas: Bright Light Girl, City’s Burning, The Situation, Hey Darlin Darlin 
Piores Faixas: Angels, The Man Is Mine, America, Fast Times, Perfect Stranger

Passionworks – Heart





















NOTA: 5/10


Aí, no ano seguinte, elas voltam com mais um álbum, dessa vez com o Passionworks. Após o Private Audition, vendo que o início dos anos 80 estava trazendo uma mudança enorme na estética do Rock, sintetizadores, produções mais limpas, baterias mais destacadas e uma preocupação maior com músicas acessíveis começavam a dominar o gênero. O Heart percebeu essa transformação e tentou acompanhar. A produção, feita inteiramente por Keith Olsen, deixou um som mais limpo e extremamente radiofônico. As guitarras continuam presentes, mas agora divide espaço com os sintetizadores e outros elementos que aproximam o grupo do AOR e do Hard Rock farofa que estava dominando o mainstream. Mas muita coisa ainda soa sem imersão e faltando algo que não soasse como mais uma tentativa de continuar no topo. O repertório começa bem, mas depois decai com canções fraquíssimas. No geral, é um álbum mediano e que precisava de alguns ajustes. 

Melhores Faixas: How Can I Refuse, Blue Guitar, Language Of Love 
Piores Faixas: Ambush, Together Now, Johnny Moon

Heart – Heart





















NOTA: 9/10


Então chegamos ao decisivo ano de 1985, quando o Heart lançava seu 8º álbum autointitulado. Após o Passionworks, a banda passou por mudanças, com a entrada de Mark Andes no baixo e Denny Carmassi na bateria. Além disso, a banda decidiu reconstruir sua identidade e apresentar uma versão mais moderna, acessível e comercial de seu som, algo que também teve pitaco da gravadora Capitol por trás. A produção, feita por Ron Nevison, seguiu um som limpo e extremamente polido, que dialoga tanto com o Hard Rock farofento daquele período quanto com o AOR. As guitarras possuem riffs e bases variadas, enquanto os solos ganham aquele caráter grandioso típico do Rock de arena. A bateria também ganha bastante impacto, as linhas de baixo são bem melódicas e os vocais de Ann ficaram bem mais energéticos e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem vibrantes e imersivas. No fim, é um disco incrível e que finalmente foi um sucesso. 

Melhores Faixas: These Dreams, If Looks Could Kill, What About Love, Nothin' At All, Never
Vale a Pena Ouvir: Shell Shock, The Wolf

Bad Animals – Heart





















NOTA: 8,5/10


Dois anos se passaram, e o Heart lança seu 9º álbum de estúdio, o Bad Animals. Após o álbum de 1985, que colocou de novo eles como uma das bandas principais do Hard Rock, eles decidiram se manter no topo, já que foi difícil voltar a ocupar uma posição que, há muito tempo, eles estavam completamente longe, abraçando a sua identidade oitentista e procurando fazer um disco ainda mais direto. A produção, feita mais uma vez por Ron Nevison, seguiu aquela abordagem polida e extremamente comercial do AOR e Hard Rock farofa daquele período. As guitarras ficaram bem mais limpas e com riffs e solos poderosos, a bateria tem impacto e o baixo dá sustentação, enquanto os sintetizadores preenchem os espaços. E os vocais de Ann Wilson continuam bastante variados e carregados de energia. O repertório é muito bom, e as canções ficaram ainda mais melódicas e intimistas. No final de tudo, é outro álbum bacana e que teve mais variação. 

Melhores Faixas: Alone, Who Will You Run To, Strangers Of The Heart, You Ain't So Tough
Vale a Pena Ouvir: There's The Girl, Bad Animals, I Want You So Bad


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Black Label Society: Parte 1

                  Sonic Brew – Black Label Society NOTA: 8,7/10 Voltando para o ano de 1999, o Black Label Society lançava seu álbum de estr...