domingo, 16 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Prince: Parte 1

                   

For You – Prince





















NOTA: 8/10


Em 1978, Prince lançava seu álbum de estreia, o For You, que trazia algo promissor. O cantor, natural de Minneapolis, Minnesota, começou sua carreira em 1975 e, desde pequeno, vinha de uma família de músicos. Ele havia tocado guitarra na banda do pai e, após isso, passou a gravar demos dois anos depois com o produtor Chris Moon. Até que, após muita correria, essa fita chegou às mãos do Owen Husney, que decidiu regravá-la, despertando o interesse da Warner Bros., que assinou com essa jovem promessa de 19 anos. A produção foi feita pelo próprio cantor, que já impressionava por tocar todos os instrumentos, como guitarras, sintetizadores, baixo, bateria e afins. Colocando, claro, um som acessível e polido, mais orientado ao Smooth Soul, com pitadas da Disco Music e também de um subgênero que viria a ser chamado do Synth Funk. O repertório é muito bom, trazendo canções divertidas e suaves. No fim, é um disco bacana, mas que foi um fiasco comercial. 


Melhores Faixas: Soft And Wet, Just As Long As We're Together 
Vale a Pena Ouvir: My Love Is Forever, So Blue, In Love

Prince – Prince





















NOTA: 9/10


Pulando para o ano seguinte, Prince lançava seu 2º álbum autointitulado, e aqui as bases começavam a se desenvolver. Após o For You, o cantor precisava se provar que não era mais apenas um cantor de R&B e, com isso, começava a desenvolver uma banda para tocar suas músicas ao vivo. André Cymone e Bobby Z. passaram a ter uma participação mais próxima em sua atividade musical, e isso ajudou a trazer para o álbum uma sensação mais orgânica e rítmica. A produção foi mais sofisticada e teve uma sensação mais imediata, com uma junção do Pop Soul e R&B contemporâneo, com traços do Boogie, Funk e Pop Rock. Com as linhas de baixo e a bateria conduzindo aquele groove elegante, as guitarras têm um tratamento agressivo, os sintetizadores e teclados estabelecem atmosferas e seus vocais têm uso de falsete mais controlado. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e cadenciadas. No fim, é um belo disco e ainda era só o começo. 

Melhores Faixas: I Wanna Be Your Lover, Why You Wanna Treat Me So Bad?, I Feel For You, It's Gonna Be Lonely, Still Waiting 
Vale a Pena Ouvir: Sexy Dancer, When We're Dancing Close And Slow

Dirty Mind – Prince





















NOTA: 9,9/10


Entrando nos anos 80, o Prince lançava seu 3º álbum, o sensacional Dirty Mind. Após o álbum anterior, ele decidiu juntar os elementos que tinham começado a se tornar tendência de uma maneira muito mais agressiva, econômica e estranha. O resultado é um álbum curto, direto e extremamente concentrado, no qual a personalidade do artista passa a ser mais importante do que a demonstração de virtuosismo. Além disso, ele passou a abordar temas como sexo, infidelidade e relacionamentos nem um pouco convencionais. A produção seguiu para um som mais econômico, com linhas de baixo simples, bateria repetitiva, guitarras rudimentares, sintetizadores baratos que conseguem ser brilhantes e uma voz mais provocadora, todos colocados de maneira muito mais seca, deixando bastante espaço entre os elementos e fazendo, assim, as bases do Minneapolis Sound. O repertório é incrível, com canções divertidas. No geral, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: When You Were Mine, Dirty Mind, Uptown, Do It All Night 
Vale a Pena Ouvir: Head, Partyup

Controversy – Prince





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1981, Prince lançava mais um álbum, o Controversy, título meio que já mostra o que seria. Após o Dirty Mind, o cantor, percebendo as controvérsias que algumas faixas causaram, começou a perceber que poderia transformar sua música em um espaço para discutir não apenas sexo e relacionamentos, mas também religião, política, identidade, liberdade e os próprios questionamentos que o público fazia sobre ele. A produção foi para algo mais variado, já que os sintetizadores criam linhas melódicas, efeitos, texturas e, principalmente, uma sensação futurista. As linhas de baixo são bem eficazes, a bateria eletrônica e os ritmos programados criam uma sensação mecânica, e as guitarras são bem mais seletivas, enquanto seus vocais são bem seguros, tendo variações entre falsetes e até momentos secos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e têm, claro, aquela envolvência. No fim, é um baita disco em um momento em que ele estava indo para o seu auge. 

Melhores Faixas: Controversy, Do Me Baby, Jack U Off, Let's Work 
Vale a Pena Ouvir: Swexuality, Annie Christian

1999 – Prince





















NOTA: 10/10


Aí, no maravilhoso ano de 1982, Prince lançava o atemporal e espetacular 1999. Após o Controversy, que havia afirmado uma identidade própria, aqui essa identidade finalmente ganha uma escala muito maior. Prince pega o ano de 1999, que ainda estava distante, e transforma a aproximação do fim do milênio em uma metáfora para um mundo tomado por medo, guerra, crise e incerteza. Mas a sua resposta é dançar, transar, festejar, se divertir e aproveitar o presente. A produção foi para um som acessível, mas muito bem variado, com os sintetizadores criando linhas de baixo, melodias, texturas, efeitos e até personagens sonoros. O baixo e as guitarras mantêm a dimensão física do Funk, enquanto as baterias eletrônicas colocam aquela sensação mecânica e uma camada futurista; já seus vocais são bem expressivos, tendo até gritos. O repertório é sensacional, sendo uma verdadeira coletânea. No fim, é um disco excepcional e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: 1999, Little Red Corvette, Lady Cab Driver, D.M.S.R., Delirious 
Vale a Pena Ouvir: Let's Pretend We're Married, Free, All The Critics Love U In New York

Purple Rain – Prince And The Revolution





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e Prince lança o clássico Purple Rain, mesmo que o contexto não seja dos mais favoráveis. Após o 1999, Prince decide juntar todas suas características em uma obra que funciona simultaneamente como álbum, trilha sonora, espetáculo, manifesto artístico e apresentação definitiva de sua banda, The Revolution. Com esse trabalho sendo uma trilha sonora do filme de mesmo nome, em que o cantor interpreta The Kid, um músico de Minneapolis lidando com rivalidades, conflitos familiares, relacionamentos e a necessidade de provar seu valor artístico. A produção foi extremamente detalhada e com um som orgânico orientado ao Pop Rock. Com as guitarras possuindo solos definidos, os sintetizadores dialogam muito com a seção rítmica, que coloca uma sensação de movimento constante, além dos vocais de Prince, que são bem variados. O repertório é praticamente uma coletânea, do começo ao fim. No fim, é um disco espetacular e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Purple Rain, When Doves Cry, Let's Go Crazy, Take Me With U 
Vale a Pena Ouvir: I Would Die 4 U, Baby I'm A Star

Around The World In A Day – Prince And The Revolution





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, Prince lança seu 7º álbum, o também sensacional Around the World in a Day. Após o Purple Rain, em um ato de sua genialidade, ele entra em um universo psicodélico, colorido, espiritual, estranho e muito mais introspectivo. A ideia do Paisley Park aparece aqui de forma constante, funcionando como um espaço mental e espiritual, um lugar que representa uma espécie de perfeição interior, liberdade e imaginação. A produção foi para um som bem mais colorido e que chega a ser nebuloso, com a junção de elementos do Pop Rock com Soul psicodélico, além de elementos do Funk Rock e Rock psicodélico lá dos anos 60. Com isso, temos guitarras processadas, baixos encorpados, sintetizadores cintilantes, baterias pesadas, além do uso de cordas e pianos. Além disso, os vocais são mais atmosféricos, com muita textura. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Raspberry Beret, Pop Life, Condition Of The Heart, Around The World In A Day, America 
Vale a Pena Ouvir: Temptation, The Ladder

Parade – Prince And The Revolution





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e Prince lançou outro álbum como trilha sonora, o Parade. Após o Around the World in a Day, o cantor estava trabalhando em várias frentes ao mesmo tempo. Ele também atuou no filme para o qual fez essa trilha, Under the Cherry Moon, no qual interpreta Christopher Tracy, e que se passa em uma França estilizada, possuindo uma estética em preto e branco, com as músicas entrando em uma atmosfera de romantismo europeu que consegue ser moderna e retrô. A produção é bem detalhada e sofisticada, possuindo orquestrações, metais, percussão, teclados, guitarras, vocais em camadas e diferentes texturas. As cordas acrescentam uma sofisticação que vai além do Funk e do Pop. A bateria eletrônica é mecânica e seca, as linhas de baixo são mínimas e os vocais do Prince são extremamente variados, definindo, assim, um Art Pop e Soul psicodélico. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas. No geral, é um baita disco e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: Kiss, Girls & Boys, Sometimes It Snows In April, Anotherloverholenyohead, New Position, Mountains 
Vale a Pena Ouvir: Do U Lie?, Life Can Be So Nice, Under The Cherry Moon

Sign "O" The Times – Prince





















NOTA: 10/10


Em 1987, Prince lançava um álbum duplo espetacular, intitulado Sign o' the Times. Após o Parade, seu grupo, The Revolution, havia acabado, e o cantor começou a produzir uma quantidade enorme de material que não caberia em um único álbum convencional. Muitas dessas ideias não chegaram a ser disponibilizadas, mas aqui ele passa a trabalhar muito mais como um artista individual, explorando diferentes alter egos e identidades musicais. A produção, feita como sempre pelo próprio Prince, é bastante variada e cinematográfica, com uso de baterias eletrônicas, sintetizadores, samplers e instrumentos processados. Além do uso de vocais processados, principalmente na parte em que o cantor encarna o alter ego Camille, há uma manipulação vocal que deixa a voz bem aguda, transitando entre R&B e Funk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No fim, é outro disco magnífico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sign "O" The Times, I Could Never Take The Place Of Your Man, If I Was Your Girlfriend, The Cross, Adore, The Ballad Of Dorothy Parker, Slow Love, It 
Vale a Pena Ouvir: Housequake, Play In The Sunshine, It's Gonna Be A Beautiful Night

The Black Album – Prince





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano, seria lançado o controverso The Black Album, que foi extremamente conturbado. Após o Sign o' the Times, esse projeto teria uma função quase casual: Prince estava desenvolvendo música para uma ocasião festiva e, a partir disso, as gravações começaram a ganhar uma personalidade própria. Só que, com o tempo, percebeu que esse material era muito sombrio e que seus temas chegavam a incomodar, o que o fez pedir para cancelar o lançamento desse álbum. Foi por meio da pirataria que as poucas cópias existentes acabaram sendo lançadas. A produção segue um som bem mais teatral e agressivo, e os arranjos são mais rítmicos. A bateria eletrônica tem aquele groove que parece mecânico, os sintetizadores constroem camadas secas e os vocais de Prince são bem variados, com tudo isso transitando entre New Jack Swing e Funk tradicional. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco bacana para algo que era demonizado. 

Melhores Faixas: Le Grind, Rockhard In A Funky Place, Superfunkycalifragisexy 
Vale a Pena Ouvir: Nigs United 4 West Compton, Cindy C.

Lovesexy – Prince





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, Prince lançava mais um trabalho novo intitulado Lovesexy; dessa vez, não foi boicotado. Após o não lançamento do The Black Album, ele decidiu fazer um álbum muito mais luminoso, afirmativo e espiritual, mas que não abandona o erotismo ou a experimentação. O cantor então procura uma linguagem de amor, fé, transcendência e positividade, criando, assim, um trabalho que soa como uma resposta ao álbum que o precedeu. A produção foi para uma abordagem mais colorida e limpa, utilizando sintetizadores brilhantes, guitarras mais abertas, metais, vocais em camadas e arranjos que frequentemente parecem crescer para cima, seguindo a temática do Funk, mas equilibrando com R&B contemporâneo e Pop Rock. Além disso, as baterias e a percussão deixam uma energia orgânica, e os vocais do Prince alternam bem entre falsetes e interpretações teatrais. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. Mas enfim, é um disco legal e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Alphabet St., Anna Stesia, When 2 R In Love, Lovesexy 
Vale a Pena Ouvir: Eye No, Positivity, Dance On

Diamond And Pearls – Prince & The New Power Generation





















NOTA: 8,8/10


No ano de 1991, Prince retorna com um álbum novo, o Diamonds and Pearls, só que totalmente reformulado. Após o Lovesexy, o cantor passa a ter uma nova unidade musical ao seu redor. A NPG traz uma dinâmica diferente: Michael B. na bateria, Tommy Barbarella nos teclados, Sonny T. no baixo, Levi Seacer Jr. na guitarra e baixo, além de Rosie Gaines nos vocais e teclados. Tony M. e outros integrantes também acrescentam uma presença muito mais explícita do Rap. A produção foi feita pelo próprio Prince, que seguiu um som moderno e grandioso. Os sintetizadores e as baterias programadas são bem utilizados e se complementam com a cozinha rítmica, que é bem sólida, e com as guitarras, que ficaram mais econômicas, enquanto os vocais de Prince ficaram bem mais melódicos e seguros, encaixando-se nessa temática do R&B contemporâneo, Funk e Soul. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e muito divertido. 

Melhores Faixas: Diamonds And Pearls, Cream, Insatiable, Money Don't Matter 2 Night, Get Off, Push 
Vale a Pena Ouvir: Thunder, Daddy Pop, Walk Don't Walk

Love Symbol – Prince And The New Power Generation





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou, e Prince lançou mais um álbum, intitulado Love Symbol. Após o Diamonds and Pearls, que mostrou o cantor se aproximando do R&B noventista e do Rap de maneira relativamente acessível, com esse projeto ele leva essa parceria para uma direção muito mais teatral, conceitual e experimental. A obra gira em torno de uma narrativa que mistura música, personagens, diálogos e uma espécie de melodrama envolvendo Prince, Mayte e uma personagem feminina interpretada nos interlúdios. A produção foi mais variada, mas consegue ser limpa, com o baixo e a bateria sustentando o ritmo, os teclados e sintetizadores colocando ainda mais harmonia nos arranjos, assim como as guitarras, que ficaram mais econômicas, e os vocais do Prince, que são bem mais intimistas e têm aquele toque de teatralidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem sentimentais e provocativas. No geral, é um ótimo álbum e consegue ser imersivo. 

Melhores Faixas: Sexy M.F., My Name Is Prince, Sweet Baby, 7, Blue Light, 3 Chains O' Gold
Vale a Pena Ouvir: And God Created Woman, The Max

Come – Prince





















NOTA: 8,4/10


Dois anos depois, Prince lançava um álbum bem mais sombrio, que foi o Come. Após o Love Symbol, esse novo projeto nasceu em um período bastante complicado, já que os conflitos entre o cantor e a Warner Bros. estavam perto de explodir. Fazendo um trabalho que é meio que um encerramento de uma fase e quase uma espécie de arquivo organizado de material que Prince não queria deixar completamente perdido. A produção foi para um som bem cuidadoso e minimalista, no qual o cantor trabalha com espaços vazios, grooves repetitivos, sintetizadores, baterias programadas, baixo forte, vocais processados e arranjos que muitas vezes parecem deliberadamente incompletos. Apesar disso, os trompetes e metais deixam aquela sensação humana, criando um equilíbrio entre o R&B e o New Jack Swing, com traços de Trip-Hop e Soul. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Come, Dark, Space 
Vale a Pena Ouvir: Pheromone, Letitgo, Race

The Gold Experience – Prince





















NOTA: 9,7/10


No ano de 1995, Prince lançava mais um álbum fantástico, o The Gold Experience. Após o Come, o cantor estava completamente esgotado da Warner Bros. e, aí, em um de seus atos de genialidade, passou a utilizar o símbolo O(+> como uma forma de romper com a imagem que havia construído, sendo referido como “o Artista Anteriormente Conhecido como Prince”. Esse projeto seria uma verdadeira junção de todas as suas facetas, fazendo o álbum soar como um renascimento. A produção foi extremamente bem detalhada e elegante, com uma combinação perfeita entre Pop Rock, Funk, R&B contemporâneo e New Jack Swing. Com as linhas de baixo tendo grooves fortes, a bateria sendo precisa, os teclados preenchendo o espaço harmônico, as guitarras tendo riffs fortes, e o uso de metais e a programação eletrônica sendo extremamente eficientes. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e envolventes. No fim, é um baita disco, praticamente um clássico. 

Melhores Faixas: Gold, Endorphinmachine, The Most Beautiful Girl In The World, Dolphin, P Control, Shhh 
Vale a Pena Ouvir: Eye Hate U, Shy We March, Billy Jack Bitch

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

sábado, 15 de agosto de 2026

Analisando Discografias - VANDAL

                  

TIPOLAZVEGAZH MIXTAPE – VANDAL





















NOTA: 8,7/10


Em 2015, o VANDAL lançava seu 1º projeto, o TIPOLAZVEGAZH MIXTAPEH, que trouxe uma temática ambiciosa. O rapper baiano começou sua trajetória lá pela metade dos anos 2000, quando, nesse meio-tempo, lançou alguns singles. Ele lançou um trabalho quando o Trap estava ganhando força, mas não trata essas linguagens como um pacote pronto importado dos Estados Unidos. Ele as junta com as influências da música baiana. A produção, feita pelo rapper junto com A.MA.SSA, Diego 157, RDD e SekoBass, trouxe beats variados e um som bem áspero, já que os 808s são distorcidos, os hi-hats são discretos e os loops são constantes, fazendo uma junção do Drill, Grime e Rap experimental com elementos do Pagodão, Brostep e Rap industrial. Os flows do VANDAL são bem agressivos e precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e carregadas de mensagem. No fim, é uma ótima mixtape e mostrou um artista cheio de versatilidade. 

Melhores Faixas: EMOCIONADUH, TIPOLAZVEGAZH, NOVAH SALVADORH, ESSEKARATEMH 
Vale a Pena Ouvir: BALAH IH FOGOH, BOOKROSAH

VANGUARDAH – VANDAL





















NOTA: 9/10


Recentemente, o VANDAL enfim lançou seu álbum de estreia, o VANGUARDAH. Após o TIPOLAZVEGAZH MIXTAPEH, o rapper lançou, nesse meio-tempo, alguns singles e EPs, decidindo voltar com um projeto que fosse marcado por identidade, ancestralidade e consciência. Ele deixa aquela estética da pichação para construir uma assinatura imediatamente reconhecível, relacionando o uso do “H” em suas palavras à construção de uma identidade visual e sonora particular. A produção, feita por Tiago Simões, Icaro Sá, Calibre MC e SekoBass, trouxe uma certa sofisticação, mas que não tira aquela temática áspera, já que temos percussão afro-baiana, instrumentos acústicos, arranjos orquestrais, guitarras e elementos eletrônicos convivendo no mesmo espaço, enquanto os flows do VANDAL ficam mais cadenciados. O repertório é incrível, e as canções são bastante reflexivas e espirituais. Em suma, é um belo álbum e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: PONTOH DEH REVOLTAH, AH VERDADEH DAH CIDADEH, VANGUARDAH, SONÂMBULOH, SUPEREH 
Vale a Pena Ouvir: MULHEREZH DAH MINHAH VIDAH, AVEMARIAH

                                                                                      Então é isso e flw!!!                   

Analisando Discografias - Manitu

                  

Passagem De Ida – Manitu





















NOTA: 8/10


Em 2003, o Manitu lançava seu álbum de estreia, intitulado Passagem de Ida, em um momento interessante. Formado em 2001, na capital mineira, Belo Horizonte, por Alexandre Maia (vocais), Fabão (baixo), Daniel Couto (guitarra) e Emerson Neiva (bateria), eles surgem num período em que o reggae nacional estava no seu ápice comercial, tornando-se uma banda realmente orientada para o gênero, já que a coisa mais parecida que havia na época era o Skank. A produção, feita por BRFerretti e pela própria banda, seguiu um som limpo e dinâmico. As guitarras skankeadas são bastante definidas, o baixo possui linhas melódicas e a bateria é bem sustentável. Os vocais do Xande são bem melódicos e descontraídos, dialogando, assim, com o Pop Reggae e um pouco do Pop Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas, trazendo uma atmosfera bastante leve. No fim, é um ótimo disco de estreia e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Fico a te esperar, Menina do mar, Ócio Criativo 
Vale a Pena Ouvir: Tô na estrada, Estória, Fuchiqueira, Dez Segundos
  

Manitu – Manitu





















NOTA: 8,4/10


No ano de 2006, o Manitu lançava seu 2º disco autointitulado, que trouxe algumas pequenas mudanças. Após o Passagem de Ida, eles tinham conseguido consolidar um público na cena underground e lançaram alguns EPs nesse meio-tempo. Com isso, decidiram fazer um trabalho que fosse bem mais amplo e que mostrasse um amadurecimento em seus temas, abordando acontecimentos cotidianos, relacionamentos e frustrações. A produção, feita pela banda junto com Eduardo Toledo, caminhou para um som mais acessível, mas que manteve aquela essência deles, puxada para o Pop Reggae, com Rock e alguns elementos do Ska. As guitarras ficaram mais expressivas e com riffs influenciados pelo Skank, o baixo possui linhas melódicas e a bateria consegue ser bem variada, enquanto os vocais do Xande ficaram mais seguros. O repertório é ótimo, com algumas canções mais melódicas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco bacana que mostrou uma evolução. 

Melhores Faixas: E Agora, Fico a te esperar, Tanta Ideia 
Vale a Pena Ouvir: Ócio Criativo, Bizarre Love Triangle, Estrela Perfeita

De tempos em tempos – Manitu





















NOTA: 3/10


Três anos se passaram, e o Manitu lança seu último álbum até então, o De tempos em tempos. Após o álbum de 2006, a banda tinha começado a aparecer em grandes festivais, inclusive chegando a abrir o show do New Order. Para esse novo álbum, eles queriam demonstrar que sua identidade não dependia de ficar presa a um único gênero. Os temas giram em torno dessa ideia de amadurecimento sem abandonar as raízes: a banda queria evoluir musicalmente, mas continuar reconhecível. Produção, conduzida por Clemente Magalhães, colocou um som bem mais polido e radiofônico, com as guitarras ficando bem mais definidas, o baixo tendo um maior protagonismo com linhas expressivas e a bateria trazendo um pouco mais daquela influência jamaicana. Só que isso acaba virando uma bagunça, já que, uma hora, é Pop Reggae; depois, Ska ou Surf music. O repertório é muito fraco, com várias canções ruins e poucas que se salvam. No fim, é um disco ruim e muito confuso. 

Melhores Faixas: Lembrar de Amar, Foi Você, A cada Olhar 
Piores Faixas: Amigos, Linda, Sonho, Surreal, De Tempos em Tempos

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Review: American Me do C.L. Smooth

                   

American Me – C.L. Smooth





















NOTA: 3/10


Em 2006, C.L. Smooth lançava seu único álbum solo, o American Me, que foi bastante confuso. Após o lançamento do The Main Ingredient com Pete Rock, o rapper acabou participando de alguns projetos de seu antigo parceiro e meio que negava estar como feat. de outros rappers, até que, em 2004, começou a aparecer com mais frequência e já começava a preparar seu projeto solo. A produção contou com Mike Loe, KayGee, Squarte e até Pete Rock, que tentaram fazer um equilíbrio entre uma abordagem limpa e moderna do Rap daquele período com sua temática característica. Com os beats sendo suaves, contando com baterias fortes, baixos discretos e loops em determinados momentos, seguindo muito a temática do Chipmunk Soul, com C.L. colocando seus flows cadenciados e precisos, mas tudo soa extremamente inconsistente. O repertório é muito ruim, tendo canções genéricas e poucas interessantes. No geral, é um álbum péssimo e que parece deslocado. 

Melhores Faixas: It's A Love Thing, Call On Me, Smoke In The Air 
Piores Faixas: Warm Outside, Gorilla Pimpin, CL Smooth Unplugged, The Stroll, The Impossible
 

                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Prince: Parte 1

                    For You – Prince NOTA: 8/10 Em 1978, Prince lançava seu álbum de estreia, o For You, que trazia algo promissor. O cantor...