quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Jaco Pastorius: Parte 1

                    

Jaco Pastorius – Jaco Pastorius





















NOTA: 10/10



Voltando para 1976, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do baixista Jaco Pastorius. O músico, vindo de Norristown, na Pensilvânia, começou sua trajetória por volta da metade dos anos 60, quando se tornou um aficionado por Jazz, até que, nos anos 70, chegou a lecionar na Universidade de Miami, onde conheceu o guitarrista Pat Metheny, que fazia parte do corpo docente da instituição, e com isso foi apresentado a toda aquela cena do Jazz Fusion e, por ser extremamente talentoso, assinou com a Epic Records. Produzido por Bobby Colomby, o disco foca no baixo fretless, mantendo um equilíbrio entre clareza técnica e impacto emocional. Jaco grava múltiplas camadas de baixo, usa harmônicos como se fossem vozes humanas e trata o instrumento tanto de forma percussiva quanto melódica, além de contar com várias participações de outros músicos. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas magníficas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Come On, Come Over, Kuru / Speak Like A Child, Portrait Of Tracy, Okonkolé Y Trompa 
Vale a Pena Ouvir: Donna Lee, (Used To Be A) Cha-Cha
 

                                                                        Por hoje é isso, então flw!!!       

Analisando Discografias - Miroslav Vitous: Parte 2

                  

Infinite Search – Miroslav Vitous





















NOTA: 9,4/10


Alguns meses depois, foi lançado o 2º disco solo do Miroslav Vitous, o Infinite Search. Após o Purple, ele já circulava entre músicos que estavam redefinindo os limites do Jazz: Herbie Hancock, Joe Henderson, Jack DeJohnette e John McLaughlin. Esse álbum nasce antes de o Weather Report existir, mas já carrega muitas das inquietações que levariam à fusão: a dissolução da hierarquia tradicional do grupo, o baixo como centro discursivo, a improvisação coletiva e a convivência entre o acústico e o elétrico. Produzido por Herbie Mann, o disco é direto, quase documental, privilegiando a interação do grupo e o caráter espontâneo das performances. A presença do piano elétrico do Herbie Hancock, da guitarra elétrica do John McLaughlin e da bateria expansiva do Jack DeJohnette cria um campo sonoro típico do período de transição entre o Post-Bop e o Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bastante intimistas. No fim, é um belo disco e muito fluido. 

Melhores Faixas: Freedom Jazz Dance, Infinite Search 
Vale a Pena Ouvir: I Will Tell Him On You

Magical Shepherd – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


Em 1976, ele retorna à sua carreira solo lançando o disco Magical Shepherd, que é mais amplo. Após o Infinite Search, Miroslav Vitouš havia saído do Weather Report alguns anos antes, em um processo marcado por divergências estéticas profundas: de um lado, a busca cada vez maior por estruturas rítmicas fixas, grooves e apelo popular; de outro, a visão do Vitouš de uma música mais orgânica e aberta, ligada à improvisação livre, à música de câmara e à herança europeia, decidindo seguir esse direcionamento em seu novo projeto. Produzido pelo próprio baixista, o álbum é extremamente cuidadoso com o espaço sonoro. Privilegia clareza, ressonância e silêncio, permitindo que cada instrumento respire. Seu contrabaixo aparece ora como fundamento harmônico, ora como voz melódica, ora como textura quase abstrata, além de unir Jazz Fusion com Funk. O repertório é muito bom, com canções variadas. No fim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: New York City, From Far Away 
Vale a Pena Ouvir: Basic Laws

Majesty Music – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Meses depois, foi lançado mais um trabalho de Miroslav Vitouš, o Majesty Music. Após o Magical Shepherd, Vitouš já estava completamente afastado do circuito do Jazz Fusion. A ruptura com o Weather Report não foi apenas profissional, mas conceitual: Vitouš rejeitava a padronização rítmica, a previsibilidade formal e o protagonismo do groove. Com esse disco, ele leva essa rejeição ao limite, criando um trabalho que se aproxima mais da improvisação livre, da música de câmara contemporânea e do Jazz espiritual. Produzido por ele próprio, o álbum é deliberadamente esparso. O foco está na ressonância natural dos instrumentos, com a maioria tocada por ele e com algumas participações, na dinâmica interna das improvisações e na criação de espaços amplos. Nada soa comprimido ou excessivamente tratado. O repertório é muito bom, e as canções são mais cadenciadas e expressivas. No geral, é um ótimo disco e serve como uma boa continuação. 

Melhores Faixas: New Orelans, Folks 
Vale a Pena Ouvir: Streams And Fields, See You, November, Majesty Music

Miroslav – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Miroslav Vitouš, intitulado apenas Miroslav. Após o Majesty Music, Vitouš buscava reconectar sua identidade lírica e europeia a uma estrutura musical mais comunicável, sem cair em fórmulas comerciais. Não se trata de um retorno ao Jazz Fusion nem à agressividade dos primeiros trabalhos, mas de um ponto intermediário, no qual composição, improvisação e atmosfera convivem de modo mais equilibrado. Produzido por Michael Cuscuna, o álbum é mais definido e menos etéreo do que os dois discos anteriores. O som continua espaçoso, mas há maior clareza estrutural. As composições têm início, desenvolvimento e encerramento mais perceptíveis, e os timbres são escolhidos com uma lógica quase cinematográfica. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais atmosférica. No fim, é um disco interessante e mais cristalino. 

Melhores Faixas: Tiger In The Rain, Watching The Sunset Run 
Vale a Pena Ouvir: Sonata For A Dream

Emergence – Miroslav Vitous





















NOTA: 6/10


Pulando para 1986, foi lançado um novo álbum de Miroslav Vitouš, o Emergence. Após o álbum de 1977, ele havia assinado com a gravadora ECM e realizado alguns outros projetos e, com isso, decidiu fazer um disco inteiramente solo, sem concessões, no qual o contrabaixo acústico sustenta forma, discurso, tensão e lirismo sozinho. Não se trata de virtuosismo exibicionista, mas de uma investigação sonora e filosófica, muito alinhada à visão do músico. Produzido por Manfred Eicher, o álbum segue a estética de clareza, espaço e silêncio. O contrabaixo é captado de forma extremamente próxima, mas sem artificialidade. O silêncio não é apenas ausência de som, mas parte ativa da construção musical. O maior problema, porém, é que Vitouš parece não ter conseguido se encaixar plenamente nessa proposta, deixando o disco excessivamente arrastado. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho bastante irregular. 

Melhores Faixas: Atlantis Suite, Transformation 
Piores Faixas: Morning Lake For Ever, Regards To Gershwin's Honeyman

Universal Syncopations – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,7/10


Então, indo agora para 2003, acontece o retorno do Miroslav Vitouš com o álbum Universal Syncopations. Após o Emergence, com a chegada do novo século, o Jazz vivia uma fase de reavaliação histórica: tradição e modernidade deixaram de ser polos opostos. Vitouš aproveita esse momento para apresentar um trabalho que concilia lirismo europeu, improvisação aberta, sofisticação harmônica e groove sutil, sem cair nem no academicismo nem na nostalgia. Produzido por ele próprio, o álbum é exemplar no sentido moderno do termo. O som é cristalino, espaçoso e tridimensional, mas nunca frio. A formação, já mostrada na capa, coloca cada instrumento em um lugar muito bem definido, permitindo que nuances de articulação, dinâmica e timbre sejam plenamente percebidas, enquanto o contrabaixo de Vitouš é o eixo de tudo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem técnicas e suaves. No fim, é um ótimo disco e mais expressivo. 

Melhores Faixas: Sun Flower, Tramp Blues, Beethoven 
Vale a Pena Ouvir: Brazil Waves, Faith Run, Bamboo Forest

Universal Syncopations II – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último lançamento até então de Vitouš, lançado em 2007, o Universal Syncopations II. Após o volume 1, que representou um retorno triunfal de Miroslav Vitouš ao centro do Jazz contemporâneo, este segundo volume surge como uma confirmação de maturidade, não como uma tentativa de repetir fórmula. Aqui, Vitouš já não precisa reafirmar sua relevância. Ele parte do ponto em que o primeiro disco terminou e avança com mais liberdade, mais confiança e menos necessidade de síntese didática. A produção é praticamente a mesma, mas com um clima mais quente e menos “apresentacional”. O som continua extremamente claro, mas há uma sensação maior de proximidade; ainda assim, o contrabaixo do Vitouš permanece como eixo estrutural, agora de forma mais centralizadora, com alguns instrumentos aparecendo de maneira pontual. O repertório é ótimo, e as canções são mais pacíficas. No geral, é um disco bacana e consistente. 

Melhores Faixas: The Prayer, Universal Evolution 
Vale a Pena Ouvir: Gmoong, Opera

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Miroslav Vitous: Parte 1

                   

Purple – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,4/10


Retornando ao ano de 1970, Miroslav Vitouš lançava seu 1º álbum solo, intitulado Purple. O baixista, nascido na capital da antiga Tchecoslováquia, Praga, começou sua trajetória por volta de 1962, quando estudou música por um período. Após isso, conseguiu uma bolsa de estudos para a Faculdade Berklee de Música, em Boston, onde ficou apenas um ano, pois começou a tocar com o pianista Bob Brookmeyer em Chicago, e a virada de chave ocorreu quando conheceu Miles Davis, que o chamou para tocar com ele, entrando assim na bolha que viria a ser o Jazz Fusion. A produção, feita por ele mesmo e lançada pela CBS, é contida, clara e profundamente orgânica. A formação é sensacional, com John McLaughlin (guitarra), Joe Zawinul (piano) e Billy Cobham (bateria), e cada um tem seu espaço, integrado à dinâmica do baixo articulado de Vitouš. O repertório contém cinco faixas muito boas e bastante aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e mostra algo bem estruturado. 

Melhores Faixas: Mood, Purple 
Vale a Pena Ouvir: It Came From Knowhere, Water Lilie, Dolores
 

                                                                               É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Alphonze Mouzon

                 

The Essence Of Mystery – Alphonze Mouzon





















NOTA: 8,6/10


Voltando para o ano de 1973, foi lançado o 1º trabalho solo do Alphonse Mouzon, o The Essence Of Mystery. Após sua saída do Weather Report, vivia-se a era de ouro do jazz fusion, quando o Jazz absorvia definitivamente a eletricidade, o groove do Funk e as estruturas abertas herdadas do Free Jazz e da música modal. Diferente de muitos bateristas-líderes da época, Mouzon não constrói o disco como um exercício de poder rítmico ou virtuosismo percussivo, mas sim como um trabalho conceitual que dialoga com um lado espiritual. A produção, feita por George Butler, é extremamente cuidadosa e equilibrada. Embora a bateria de Mouzon seja central, ela nunca domina o espaço de forma gratuita. O som é orgânico, amplo e respirado, com excelente definição de cada instrumento. Os teclados elétricos, guitarras e sopros criam uma paleta sonora rica e com muita alternância. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um ótimo disco e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Sunflower, The Essence Of Mystery, Funky Finger 
Vale a Pena Ouvir: Spring Water, Antonia, Crying Angels

Mind Transplant – Alphonse Mouzon





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon, o Mind Transplant. Após o The Essence Of Mystery, ele decidiu mergulhar de cabeça no lado mais agressivo, elétrico e visceral do Jazz Fusion. Esse período marca o auge do Fusion como linguagem dominante para muitos músicos de Jazz. O Rock já havia sido completamente assimilado, o Funk estava cada vez mais presente, e a virtuosidade instrumental se tornara um elemento central. A produção, feita por Skip Drinkwater, é crua e extremamente focada no impacto físico da música. O som é alto, denso e agressivo para os padrões do Jazz da época, aproximando-se claramente do Hard Rock e do Funk Rock. A bateria de Mouzon ocupa um lugar central, mas não de forma desbalanceada. Ela funciona como motor permanente, empurrando a música para frente com precisão absurda, força e clareza. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas. No fim, é um belo álbum e muito ousado. 

Melhores Faixas: Golden Rainbows, Carbon Dioxide, Some Of The Things People Do 
Vale a Pena Ouvir: Mind Transplant, Nitroglycerin

The Man Incognito – Alphonse Mouzon





















NOTA: 8,2/10


Avaliação: 8,2/10 Mais um ano se passa, e outro trabalho do baterista é lançado, intitulado The Man Incognito. Após o Mind Transplant, Alphonse Mouzon havia apostado tudo na fisicalidade, no ataque elétrico e na energia quase violenta do Fusion; aqui, ele faz um movimento de recuo estratégico, não para enfraquecer, mas para complexificar sua linguagem. O que ele quis fazer foi um álbum que mantém a eletricidade, mas reintroduz elegância, ironia, Swing tradicional e referências explícitas ao Jazz clássico. A produção é praticamente a mesma, só que agora mais polida e equilibrada, com mais espaço entre os instrumentos, mais ar e mais dinâmica. A bateria segue muito presente, porém menos esmagadora: ela dialoga, comenta, ironiza. Surgem agora influências que caminham em direção ao Smooth Jazz e à nascente Disco music. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais envolventes e melódicas. No final de tudo, é um disco interessante e um contraste coeso. 

Melhores Faixas: You Are My Dream, Before You Leave 
Vale a Pena Ouvir: Take Your Troubles Away, Without A Reason

Virtue – Alphonse Mouzon





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon intitulado Virtue. Após o The Man Incognito, ele acabou saindo da Blue Note, passando a lançar seus trabalhos por selos menores. Além disso, ele percebia que o Jazz Fusion já começava a perder o status de “vanguarda absoluta”, enquanto o Funk e o Soul ganhavam ainda mais espaço. Mouzon percebe isso e responde com um álbum que dialoga diretamente com o groove, mas sem abandonar a complexidade rítmica e o refinamento harmônico. A produção, conduzida por Joachim-Ernst Berendt, é a mais limpa e acessível em relação aos trabalhos anteriores. O som é claramente pensado para a fluidez: os instrumentos respiram, os grooves se assentam com naturalidade e a bateria, embora central, nunca domina de forma autoritária, além da inclusão de sintetizadores e guitarras menos distorcidas. O repertório ficou muito bom, e as canções são mais atmosféricas. No geral, é um trabalho legal e injustamente menosprezado. 

Melhores Faixas: Master Funk, Baker's Daughter 
Vale a Pena Ouvir: Poobli, Come Into My Life

By All Means – Alphonse Mouzon





















NOTA: 6/10


Indo para 1981, foi lançado mais um trabalho de Alphonse Mouzon, o fraquíssimo By All Means. Após o Virtue, ao perceber que, nessa nova década, os grooves se tornavam mais lineares, os timbres mais limpos, os sintetizadores ganhavam protagonismo e a música instrumental passava a dialogar mais com o Funk moderno e o Jazz radiofônico, ele decidiu seguir essas tendências, ainda que sem abandonar totalmente suas características marcantes. A produção, conduzida por ele próprio, foi para um som bem mais limpo e controlado, com sintetizadores digitais e elétricos assumindo papel central, guitarras mais contidas e a bateria, embora ainda muito presente e mais econômica. Porém, ao deixar os arranjos enxutos, ele passa a recorrer a clichês previsíveis do Smooth Jazz, o que torna tudo bastante tedioso. O repertório é curtíssimo e, ao mesmo tempo, mediano, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um trabalho irregular e esquecível. 

Melhores Faixas: The Jogger, Do I Have To? 
Piores Faixas: By All Means, Space Invadors, The Next Time We Love

The Survivor – Alphonse Mouzon





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 1992, quando foi lançado seu último álbum, intitulado The Survivor. Após o By All Means, o cenário musical era ainda mais desafiador para músicos ligados ao Jazz Fusion: o gênero já não ocupava espaço central, o mercado havia se fragmentado e a música instrumental lutava por visibilidade. Aqui, Mouzon não tenta reinventar o Fusion nem competir com tendências contemporâneas, fazendo uma espécie de balanço de sua vida artística. A produção, feita por ele próprio, é limpa e extremamente cuidadosa. O som reflete os padrões do início dos anos 90, com timbres digitais mais suaves, menos agressividade, maior controle dinâmico e uma estética que privilegia clareza e definição, porém o maior problema é que tudo soa muito arrastado e bastante repetitivo. O repertório é muito ruim, e as canções, em sua maioria, são bem chatas. Enfim, é um disco de despedida fraquíssimo, e após isso ele focou em outros projetos até seu falecimento em 2016. 

Melhores Faixas: Feeling Good, Soft And Gentle, The Survivor 
Piores Faixas: After The Rain, Bedtime Stories, All That Jazz, It's Not Over Yet


Analisando Discografias - Joe Zawinul

                 

To You With Love – Joe Zawinul Trio





















NOTA: 8/10


No ano de 1961, foi lançado o álbum de estreia de Joe Zawinul, intitulado To You With Love. O tecladista, nascido na capital da Áustria, Viena, começou sua trajetória por volta de 1949, quando tocou com alguns músicos da região. Dez anos depois, mudou-se para os Estados Unidos, onde iria estudar música na Faculdade Berklee de Música. No entanto, após apenas uma semana, largou os estudos, pois recebeu uma proposta para sair em turnê com Maynard Ferguson, e com isso começou a gravar álbuns pelo selo Strand. A produção é bem simplista e direta, e o trio, composto por Zawinul (teclados), George Tucker (baixo) e Frankie Dunlop (bateria), favorece a interação orgânica entre os músicos e coloca o piano do Zawinul no centro da experiência sonora, pensado para soar natural, íntimo e elegante, como uma sessão de clube registrada em fita. O repertório é muito bom, e as canções passam um clima de leveza. Enfim, é um disco até que interessante. 

Melhores Faixas: Please Send Me Someone To Love, Greensleeves 
Vale a Pena Ouvir: My One And Only Love, Easy Living, Love For Sale

Money In The Pocket – Joe Zawinul





















NOTA: 8/10


Cinco anos se passam, e é lançado seu segundo disco, intitulado Money In The Pocket. Após o To You With Love, Zawinul já estava plenamente integrado ao Jazz americano, com identidade autoral clara e em plena atividade criativa. Além disso, naquele período ele estava trabalhando ao lado de Cannonball Adderley, experiência que o colocou em contato direto com o Soul Jazz, o Hard Bop mais grooveado e uma relação cada vez mais orgânica com o público negro americano. A produção, conduzida por Joel Dorn, tem um som mais encorpado e direto, com foco na seção rítmica e na clareza das linhas melódicas. O piano do Zawinul ocupa um lugar central, mas nunca sufoca o conjunto: tudo gira em torno do balanço coletivo. O baixo é firme, a bateria tem swing e peso, e os sopros, quando presentes, funcionam como extensão melódica do pensamento do pianista. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes. No fim, é um disco bacana e com maior adesão. 

Melhores Faixas: Sharon's Waltz, Money In The Pocket 
Vale a Pena Ouvir: If, Midnight Mood, Some More Of Dat

The Rise & Fall Of The Third Stream – Joe Zawinul





















NOTA: 8,2/10


Dois anos depois, foi lançado mais um trabalho de Joe Zawinul, o The Rise & Fall Of The Third Stream. Após o Money In The Pocket, o Jazz vivia um período de crise de identidade: o Free Jazz questionava estruturas, o Rock capturava o grande público jovem e a música erudita contemporânea influenciava cada vez mais os compositores. O “Third Stream”, conceito formulado anos antes por Gunther Schuller, propunha uma fusão entre Jazz e música clássica moderna. Zawinul, com toda a experiência que adquiriu, era um candidato natural a dialogar com essa ideia. A produção, conduzida por Joel Dorn, reflete seu caráter experimental e conceitual. O uso de arranjos escritos é central: linhas de sopros angulares, passagens quase camerísticas, contrastes abruptos de dinâmica e uma integração deliberadamente tensa entre partes compostas e espaços de improvisação. O repertório é legal, e as canções são mais densas. No fim, é um disco bacana e bem tematizado. 

Melhores Faixas: The Fifth Canto, From Vienna, With Love 
Vale a Pena Ouvir: Lord, Lord, Lord, Baptismal

Zawinul – Zawinul





















NOTA: 9/10


Entrando em 1971, foi lançado um trabalho simplesmente magnífico do Joe Zawinul, seu álbum meio que autointitulado. Após o The Rise & Fall Of The Third Stream, ele parou de colaborar com Cannonball Adderley e teve uma experiência transformadora ao lado do Miles Davis em In a Silent Way e Bitches Brew. Essas participações foram decisivas para mudar sua percepção sobre forma, tempo, textura e eletricidade. Assim, ele buscava uma linguagem própria que unisse improvisação, groove, atmosfera e composição, sem depender de estruturas tradicionais do Jazz. A produção, conduzida por Joel Dorn, mostrou um uso de teclados elétricos por parte de Zawinul que cria paisagens sonoras contínuas, mais atmosféricas do que virtuosísticas, explorando texturas, drones e grooves repetitivos, além de uma seção rítmica angular. O repertório contém cinco faixas muito legais e com muita variação. No final de tudo, é um baita disco e um divisor de águas. 

Melhores Faixas: Double Image, Doctor Honoris Causa 
Vale a Pena Ouvir: His Last Journey, In A Silent Way, Arrival In New York

Dialects – Zawinul





















NOTA: 8,4/10


Quinze anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho solo do Joe Zawinul, o Dialects. Após o Zawinul, o pianista acabou focando mais seu tempo no Weather Report, mas, com o fim da banda, decidiu fazer um trabalho muito mais amplo: uma música baseada em ritmos do mundo, identidade cultural, timbre, textura e groove contínuo. Não se trata apenas de um disco de Jazz, mas de um manifesto pessoal, algo que não era muito explorado com sua antiga banda. A produção foi conduzida por ele próprio e é extremamente sofisticada, totalmente centrada nos teclados eletrônicos. Zawinul já dominava como poucos o uso de sintetizadores, samplers e controladores MIDI, mas aqui os utiliza não para o virtuosismo, e sim para criar paisagens sonoras orgânicas, quase físicas. O repertório é bem legal, e as canções são dinâmicas e envolventes. No fim, é um disco muito bom e com uma proposta que funcionou. 

Melhores Faixas: Waiting For The Rain, Carnavalito 
Vale a Pena Ouvir: The Great Empire, Peace

My People – Joe Zawinul





















NOTA: 3/10


Indo agora para 1996, foi lançado mais um trabalho de Joe Zawinul, o My People. Após o Dialects, como o Weather Report já havia terminado havia mais de uma década, e o Zawinul Syndicate era, naquele momento, seu principal veículo criativo, um grupo pensado não como banda de Jazz, mas como um coletivo multicultural. Ele pensou em fazer um trabalho ainda mais amplo, voltado à comunidade humana, construído a partir de ritmos africanos, melodias do Oriente Médio, ecos da América Latina e linguagem harmônica moderna. A produção, conduzida junto com seu filho Ivan Zawinul, é mais orgânica; os teclados eletrônicos ainda são centrais, mas não soam tecnológicos ou futuristas: Zawinul os usa para simular texturas acústicas, ambientes naturais e vozes coletivas, além de incluir percussões, porém o resultado é mal executado e carece de dinâmica. O repertório é muito ruim, com poucas canções interessantes. Enfim, é um álbum terrível e sem graça. 

Melhores Faixas: Orient Express, Bimoya, Slivovitz Trail, Erdäpfee Blues 
Piores Faixas: In An Island Way, Waraya, Introduction To A Mighty Theme, Ochy - Bala / Pazyryk, Many Churches

Faces & Places – Joe Zawinul





















NOTA: 4/10


Então chegamos a 2002, quando foi lançado o último álbum do Joe Zawinul, o fraquíssimo Faces & Places. Após o My People, Zawinul já não sentia necessidade alguma de dialogar com expectativas externas. Nesse ponto da carreira, ele pensava sua música como memória geográfica e humana. Cada lugar visitado, cada músico encontrado, cada cultura absorvida deixava marcas profundas em sua escrita. A produção foi bem mais orgânica e extremamente equilibrada. Zawinul continua usando tecnologia avançada, mas de forma quase invisível. A percussão tem papel central, não apenas como base rítmica, mas como elemento narrativo. O problema é que tudo soa muito vazio, e os momentos mais imersivos parecem carecer de algo que estruture os arranjos. O repertório é muito ruim, e as canções são bem chatas, com poucas se salvando. No fim, é um disco péssimo, e após isso o pianista acabou falecendo em 2007, vítima de um câncer de pele. 

Melhores Faixas: Rooftops Of Vienna, All About Simon, Cafe Andalusia, Familiar To Me 
Piores Faixas: The Search, The Spirit Of Julian "C" Adderley, East 12th Street Band, Tower Of Silence, Siseya


Analisando Discografias - Jaco Pastorius: Parte 1

                     Jaco Pastorius – Jaco Pastorius NOTA: 10/10 Voltando para 1976, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do baixis...