domingo, 7 de junho de 2026

Analisando Discografias - Nas: Parte 1

                   

It Was Written – Nas





















NOTA: 10/10


Em 1996, o Nas lançava seu 2º álbum de estúdio, o It Was Written, que trouxe algumas mudanças. Após o atemporal Illmatic, o Rap tornava-se cada vez mais comercial. Artistas estavam alcançando números de vendas enormes, e as gravadoras buscavam transformar rappers em estrelas de alcance nacional. Nas percebeu essa mudança e decidiu ampliar sua abordagem. Em vez de repetir a estética minimalista e extremamente crua de seu debut, ele procurou criar um álbum mais ambicioso, cinematográfico e acessível. A produção contou com DJ Premier, Trackmasters, Live Squad, entre outros, que fizeram beats mais orgânicos, com samples de Soul, linhas de baixo marcantes e baterias mais limpas. Isso ajudou a tornar o álbum mais acessível sem abandonar completamente suas raízes de rua, juntando Boom Bap, Gangsta Rap e Rap Mafioso. O repertório é novamente sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um álbum espetacular e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: If I Ruled The World (Imagine That) (Lauryn Hill sensacional como sempre), The Message, Street Dreams, Take It In Blood, Nas Is Coming (produção do Dr. Dre), I Gave You Power 
Vale a Pena Ouvir: Shootouts, Watch Dem Niggas, Affirmative Action

I Am... – Nas





















NOTA: 6,4/10


Três anos se passaram, e Nas lançava mais um álbum, o I Am..., que foi bem diferente. Após o It Was Written, esse projeto havia sido concebido como um álbum duplo ambicioso. Ele vinha acumulando uma enorme quantidade de material e pretendia lançar uma obra extensa, explorando temas como espiritualidade, criminalidade, riqueza, fama, política e reflexões existenciais. Porém, uma grande quantidade de músicas vazou antes do lançamento oficial, obrigando mudanças significativas na seleção final das faixas. A produção contou com alguns novos nomes, como Timbaland e Dame Grease, que seguiram por beats mais polidos, com forte presença de pianos melancólicos, cordas dramáticas e linhas de baixo marcantes. Até que o flow do Nas é competente, mas o problema é que tudo fica bem arrastado e com ideias que não funcionam. O repertório começa bem, mas depois decai rapidamente. Enfim, é um disco mediano que mostrou uma queda de qualidade. 

Melhores Faixas: Nas Is Like, Hate Me Now (Puff Daddy até que mandou bem), Life Is What You Make It (DMX bem demais), Favor For A Favor 
Piores Faixas: Ghetto Prisoners, You Won't See Me Tonight, I Want To Talk To You, Dr. Knockboot

Nastradamus – Nas





















NOTA: 1/10


Meses depois, ele voltou com seu 4º álbum, o infame e horroroso Nastradamus. Após o I Am..., que havia sido profundamente afetado por vazamentos de músicas antes de seu lançamento, uma grande quantidade de material precisou ser reorganizada. Parte dessas gravações acabou sendo utilizada nesse projeto, enquanto outras foram retrabalhadas ou substituídas. Ao mesmo tempo, o disco também tenta manter sua relevância comercial através de músicas mais acessíveis voltadas para o rádio. A produção foi basicamente a mesma, com tudo sendo bem polido e acessível, apresentando maior presença de teclados, cordas sintetizadas, refrães melódicos e, claro, beats limpos que dialogam com o Gangsta Rap e até com o R&B. Só que tudo aqui soa como feito às pressas e com escolhas esquisitas. O repertório é terrível, e as canções chegam a ser ridículas e bastante medíocres. No final, é um álbum horroroso e uma das maiores porcarias já lançadas. 

Melhores Faixas: (..................................) 
Piores Faixas: You Owe Me, Last Words (nem Mobb Deep salvou), Some Of Us Have Angels, Nastradamus, New World, Shoot 'Em Up

Stillmatic – Nas





















NOTA: 9,5/10


No final de 2001, Nas retorna com um novo disco, o Stillmatic, e aqui as coisas deram certo. Após o tenebroso Nastradamus, ele havia se afastado da excelência que o transformou em uma lenda. Ao mesmo tempo, surgia um novo desafio. Durante esse período, Jay-Z consolidava sua posição como principal nome do Rap nova-iorquino. Comentários, indiretas e provocações entre os dois artistas acabaram evoluindo para uma das rivalidades mais famosas da história do gênero, com Jay-Z tendo lançado a diss Takeover. A produção contou com DJ Premier, Large Professor, Chucky Thompson, entre outros, que apostaram em beats mais orgânicos que dialogam com o Boom Bap, além da presença de pianos, cordas, samples de soul e atmosferas melancólicas. Fora que os flows do Nas estão bem precisos e afiadíssimos. O repertório é incrível, e as canções são profundas e carregadas de mensagem. No fim, é um baita disco e uma volta por cima. 

Melhores Faixas: One Mic, Ether (devolveu o troco em cima do Jay-Z), 2nd Childhood, Got Ur Self A..., You're Da Man, What Goes Around 
Vale a Pena Ouvir: Every Ghetto, Smokin', Rule (Amerie só no refrão)

The Lost Tapes – Nas





















NOTA: 9,7/10


No ano seguinte, Nas lançou uma coletânea chamada de The Lost Tapes, carregada de material inédito. Após o Stillmatic, a existência desse trabalho está diretamente ligada ao famoso vazamento que afetou o projeto original de I Am... no final dos anos 1990. Diversas músicas planejadas para aquele trabalho circularam ilegalmente antes do lançamento, forçando Nas e sua gravadora a alterarem completamente o material que seria lançado. A produção contou com The Alchemist, Precision, L.E.S. e afins, que adotaram uma estética mais crua, com beats variados que contêm pianos suaves, baixos profundos e um estilo voltado para o Boom Bap e o Jazz Rap. Além disso, o rapper segue por um caminho mais profundo, assumindo a postura de um observador das ruas. O repertório é sensacional, e as canções são reflexivas e introspectivas. Enfim, é um ótimo trabalho e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Purple, Doo Rags, No Idea's Original, My Way, Drunk By Myself, Nothing Lasts Forever 
Vale a Pena Ouvir: Black Zombie, Blaze A 50, Poppa Was A Playa

God's Son – Nasir Jones





















NOTA: 9/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado seu 6º álbum intitulado God's Son, que seria mais profundo. Após o The Lost Tapes, o Nas enfrentou uma perda profundamente pessoal: a morte de sua mãe, Ann Jones, vítima de câncer. Essa tragédia influenciou profundamente a concepção do álbum. Enquanto Stillmatic era marcado por confrontos, afirmação artística e competitividade, esse novo álbum apresenta um artista mais introspectivo e emocionalmente vulnerável. Produção feita pelo rapper junto com The Alchemist, Salaam Remi, Eminem e entre outros, foi mais variada com utilização de pianos suaves, cordas emocionais, vocais sampleados e linhas melódicas que reforçam o caráter introspectivo. Conseguindo até que juntar elementos contemporâneos sem abandonar seu estilo característico. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas, mesmo com algumas fracas. Enfim, é um belo disco e que consegue te prender. 

Melhores Faixas: Get Down, Made You Look, Thugz Mansion (N.Y.) (utilizaram bem uma gravação do 2Pac), Heaven, I Can, Warrior Song (Alicia Keys mandando bem) 
Piores Faixas: Dance, Zone Out

Street's Disciple – Nas





















NOTA: 4/10


Dois anos depois, foi lançado um álbum duplo do Nas, o Street's Disciple, que tentou ser mais conceitual. Após o God’s Son, o rapper vinha acumulando e sua vontade de explorar diferentes aspectos de sua personalidade artística. O período também coincidiu com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu relacionamento com Kelis estava em evidência, sua posição na indústria era mais estável e ele parecia menos preocupado em provar algo aos críticos. Produção contou com Chucky Thompson, Salaam Remi e entre outros, que colocaram beats mais amplos seguindo um pouquinho do Boom Bap com a presença de samples de Soul, Jazz, Funk, R&B e Gospel. Só que o grande problema é que muita coisa soa bem excessiva e faltando um maior detalhe ficando meio que uma encheção de linguiça. Refletindo, num repertório bem ruim, com canções que são bem genéricas e com algumas exceções. No geral, é um álbum fraquíssimo e que é bem arrastado. 

Melhores Faixas: Just A Moment, Message To The Feds, Sincerely, We The People, Reason, Bridging The Gap 
Piores Faixas: Suicide Bounce (Busta Rhymes perdido), You Know My Style, These Are Our Heroes, Rest Of My Life, Me & You (Dedicated To Destiny), Virgo (Ludacris mal aproveitado aqui), U.B.R. (Unauthorized Biography Of Rakim), The Makings Of A Perfect Bitch

Hip Hop Is Dead – Nas





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, ele voltou com mais um álbum novo intitulado Hip Hop Is Dead. Após o Street's Disciple, esse título desse novo projeto gerou enorme controvérsia antes mesmo do lançamento. Ao declarar que "o hip hop está morto", Nas não estava afirmando literalmente o fim da cultura. Sua intenção era provocar debate sobre os rumos do gênero. Na sua visão, o Rap comercial havia se tornado excessivamente dependente de fórmulas repetitivas, ostentação superficial e interesses corporativos. Produção feita por ele junto com Salaam Remi, L.E.S., Kanye West e entre outros, combina elementos clássicos do Boom Bap com influências contemporâneas dos anos 2000, criando uma sonoridade que dialoga simultaneamente com passado e presente. Só que é aquilo com o tempo isso fica bem monótono e faltando algo mais dinâmico. O repertório é irregular, tem canções boas e outras bem sem graça. Enfim, é um álbum mediano e bem impreciso. 

Melhores Faixas: Still Dreaming (Kanye West no auge não preciso dizer nada), Carry On Tradition, Black Republican (Jay-Z mandando bem), Hip Hop Is Dead (produzido pelo will.i.am do Black Eyed Peas) 
Piores Faixas: Can't Forget About You, Hope, Where Are They Now, Who Killed It?

Untitled – Nas





















NOTA: 5/10


Em 2008, Nas volta com seu 9º álbum, que não possuía título, sendo então chamado de Untitled. Após o Hip Hop Is Dead, o álbum tornou-se alvo de intenso debate porque o rapper pretendia inicialmente chamá-lo de Nigger. A escolha tinha como objetivo provocar discussões sobre racismo, identidade negra e a forma como determinadas palavras carregam significados históricos complexos dentro da sociedade americana. Porém, devido à reação pública, esse trabalho ficou sem título, também para evitar problemas para a Def Jam Recordings. A produção foi feita por Jay Electronica, Mark Ronson, entre outros, que seguiram uma temática mais polida e acessível, com beats contemporâneos dos anos 2000 combinados com a tradição que sempre acompanhou os trabalhos do Nas. Mas tudo soa bastante repetitivo, repetindo os mesmos erros. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras genéricas. No fim, é mais um álbum mediano que não funcionou. 

Melhores Faixas: You Can't Stop Us Now, N.I.*.*.E.R. (The Slave And The Master), America
Piores Faixas: Hero, We're Not Alone, Make The World Go Round (Chris Brown mal demais e The Game totalmente apagado)

Life Is Good – Nas





















NOTA: 8,7/10


Foi só em 2012 que Nas lançou seu 10º álbum de estúdio, o Life Is Good, que foi bem mais profundo. Após o Untitled, o rapper enfrentava o fim de seu casamento com Kelis, um divórcio amplamente divulgado pela imprensa e que influenciaria diretamente o conteúdo do álbum. Ao chegar aos quarenta anos, Nas encontrava-se numa posição rara dentro do Hip-Hop/Rap. Muitos rappers de sua geração haviam desaparecido ou repetiam fórmulas antigas. Ele, por outro lado, buscava criar uma obra que refletisse amadurecimento, experiência e autoconhecimento. A produção, feita por Salaam Remi, No I.D. e afins, é sofisticada, elegante e extremamente orgânica, contendo beats variados, arranjos ricos, baixos suaves, pianos melancólicos, cordas discretas e samples cuidadosamente selecionados. Existe uma sensação constante de refinamento musical. O repertório é ótimo, e as canções são reflexivas e sentimentais. No geral, é um álbum bacana e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Loco-Motive, Cherry Wine (participação da Amy Whinehouse), Stay, Daughters 
Vale a Pena Ouvir: You Wouldn't Understand, Accident Murderers (Rick Ross mandando bem), The Don

Nasir – Nas





















NOTA: 8,5/10


Foi só seis anos depois que Nas retornou lançando um novo disco, intitulado Nasir. Após o Life Is Good, o rapper, nesse meio-tempo, fez uma parceria com a Mass Appeal, criando a gravadora independente de mesmo nome. Esse trabalho fez parte daquela série de álbuns que Kanye West produziu integralmente para diversos artistas, incluindo seus próprios lançamentos, conhecida como Wyoming Sessions, cujos discos eram bem curtinhos e refletiam sua visão criativa. A produção foi bastante fragmentada, com Kanye utilizando samples de Soul e Gospel, baterias minimalistas e mudanças abruptas de estrutura. Samples surgem e desaparecem, elementos sonoros entram de maneira inesperada e várias músicas possuem uma construção quase experimental. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e carregadas de crítica política e social. No fim, é um ótimo disco e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Everything, Adam And Eve 
Vale a Pena Ouvir: White Label, Cops Shot The Kid (Kanye e suas maluquices)

King's Disease – Nas





















NOTA: 8,5/10


Entrando em 2020, ele lançou mais um álbum novo, o King's Disease, que trazia uma abordagem diferente. Após o Nasir, ele decidiu se unir ao produtor Hit-Boy, uma parceria que acabaria se tornando uma das mais importantes de sua carreira. O título faz referência a uma expressão associada aos problemas que acompanham riqueza, sucesso e poder. A ideia central do álbum gira em torno das consequências da ascensão social. Nas examina o que acontece quando alguém alcança objetivos que antes pareciam impossíveis. A produção foi bem variada e eficaz, com beats sofisticados, mas raramente excessivamente complexos. Os beats transitam entre Boom Bap, R&B, Drumless e até Trap, enquanto Nas consegue apresentar um flow preciso e cadenciado nos momentos certos. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser profundas e tematicamente interessantes. Em suma, é um ótimo disco e ainda era só o começo. 

Melhores Faixas: The Cure, All Bad (ótima feat do Anderson. Paak), 10 Points 
Vale a Pena Ouvir: Blue Benz, Full Circle, Replace Me (Don Toliver e Big Sean mandaram bem)

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

sábado, 6 de junho de 2026

Analisando Discografias - Lord Infamous

                 

The Man The Myth The Legacy – Lord Infamous





















NOTA: 8/10


No ano de 2007, Lord Infamous lançou seu 1º álbum solo, o The Man, The Myth, The Legacy. Após o Da Unbreakables, o rapper deixou o Three 6 Mafia e passou a desenvolver sua própria trajetória por meio da Black Rain Entertainment, selo criado ao lado de II Tone. O álbum surgiu como seu primeiro grande trabalho solo distribuído nacionalmente, algo que os fãs aguardavam havia muitos anos desde o período das mixtapes dos anos 90. A produção ficou a cargo de D.J. Sounds, Enigma, Jae Bino, Quota e St. Kittz, que utilizaram graves pesados, baterias agressivas, sintetizadores sombrios e uma atmosfera urbana carregada. Os beats alternam entre o Memphis Rap e o Crunk, mantendo a crueza característica e colocando o flow preciso e acelerado de Infamous no centro. O repertório é ótimo, e as canções são agressivas e, ao mesmo tempo, descontraídas. No geral, é um ótimo álbum de estreia que acabou passando despercebido. 

Melhores Faixas: Pussy Stank, Jump, Ism 
Vale a Pena Ouvir: These Hoes, Money, Parking Lot, Club House Click

Scarecrow Tha Terrible – Lord Infamous





















NOTA: 8/10


Quatro anos depois, Lord Infamous lançou seu 2º álbum solo, o Scarecrow Tha Terrible. Após o The Man The Myth The Legacy, esse novo disco demonstra um esforço maior para recuperar elementos que haviam tornado o rapper uma figura cultuada no underground. O resultado é um trabalho mais obscuro, mais agressivo e mais alinhado à imagem que os fãs antigos associavam ao artista. A produção ficou a cargo de Mr. Maceo em parceria com o próprio rapper, seguindo um caminho mais moderno, com baterias mais limpas e graves pesados. Por outro lado, boa parte da atmosfera remete ao Memphis Rap dos anos 1990 e ao Horrorcore. Os sintetizadores sombrios, os efeitos assustadores, os timbres ameaçadores e os climas quase cinematográficos aparecem constantemente ao longo do disco. O repertório é ótimo, e as canções são bastante sombrias e energéticas. No fim, é um ótimo disco e que é bem pesado. 

Melhores Faixas: Come Back To Hell, Not All There 
Vale a Pena Ouvir: Wow, Vengeance, Psycho, Getcha Touched

King Of Horrorcore – Lord Infamous





















NOTA: 8,5/10


No ano seguinte, Lord Infamous lançava mais um álbum solo, o King of Horrorcore. Após o Scarecrow Tha Terrible, ele já estava estabelecido em sua carreira solo, e esse álbum reflete algo que havia construído ao longo dos anos: uma reputação baseada em letras macabras, narrativas violentas, imagens sobrenaturais e um flow que parecia saído diretamente de um pesadelo. Ao adotar esse título, ele praticamente reivindicava sua posição dentro do gênero. A produção ficou a cargo de Mr. Maceo, Psycho Child, Shy One e Vybe Beatz, que utilizam baterias secas, linhas de baixo pesadas, sintetizadores ameaçadores e melodias minimalistas. Em vários momentos, os beats lembram uma atualização moderna da estética que ele ajudou a moldar naquele período. O repertório é ótimo, e as canções alternam entre momentos mais divertidos e outros mais enérgicos. No geral, é um ótimo disco e, certamente, o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Bind Torture Kill, Darkness Of Da Kut, Skitzofrantic, I Just Want To Fuck 
Vale a Pena Ouvir: Make It Bubble, Black Days, 100 Shots

Scarecrow Tha Terrible (Part Two) – Lord Infamous





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2013, ano em que foi lançado o último álbum dO Lord Infamous, o Scarecrow Tha Terrible (Part Two). Após o King of Horrorcore, o rapper decidiu continuar a proposta apresentada naquele álbum de 2011. O personagem Scarecrow continua sendo o centro da narrativa, refletindo um pouco da persona que Infamous construiu ao longo da carreira: um narrador sombrio e quase sobrenatural, que observa o mundo por uma perspectiva marcada pelo crime, pelo horror psicológico e pela sobrevivência nas ruas. A produção ficou mais uma vez a cargo de Mr. Maceo e seguiu essa temática sombria e pesada, com beats inspirados no Horrorcore, graves constantes, baterias impactantes e sintetizadores sombrios. O problema, porém, é a falta de uma maior dinâmica. O repertório é irregular, apresentando algumas canções boas e outras mais fracas. No fim, é um disco mediano e, após isso, Lord Infamous veio a falecer em decorrência de uma parada cardíaca. 

Melhores Faixas: Formaldehyde, 6 Feet Deep, Blocking 
Piores Faixas: Drug Abuse, Bodybag, Blades


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!            

Analisando Discografias - Gangsta Boo

                 

Enquiring Minds – Gangsta Boo





















NOTA: 6/10


Em 1998, a Gangsta Boo lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Enquiring Minds. Após o Chapter 2: World Domination, ela já era uma das figuras mais reconhecidas e respeitadas da cena de Memphis. Mesmo sendo ainda uma adolescente naquela época, já havia conquistado respeito por sua agressividade no microfone e por conseguir competir em igualdade com o restante dos integrantes do Three 6 Mafia. A produção foi conduzida por DJ Paul e Juicy J, que utilizaram caixas secas, linhas de baixo profundas, teclados fantasmagóricos, samples minimalistas e beats que alternam entre o Horrorcore, Dirty South e o Crunk. Gangsta Boo demonstra enorme versatilidade. Em alguns momentos, assume uma postura ameaçadora típica do rap de rua de Memphis; em outros, apresenta letras mais íntimas ou provocativas. O repertório é ótimo, e as canções são profundas e, ao mesmo tempo, envolventes. No fim, é um ótimo disco, bastante consistente. 

Melhores Faixas: Where Dem Dollas At, Wanna Go To War, Don't Stand So Close, High Off That Weed, F**k You, This Is Personal, Money And The Powder 
Vale a Pena Ouvir: Da Ones Close, Know Most, Life In The Metro, Be Real

Both Worlds, *69 – Gangsta Boo





















NOTA: 9/10


Entrando em 2001, ela retorna com seu 2º disco solo, o *Both Worlds, 69, que se mostrou um trabalho mais profundo. Após o Enquiring Minds, ela continuou trabalhando ao lado do Three 6 Mafia enquanto o coletivo alcançava níveis cada vez maiores de popularidade dentro do Rap sulista. Nesse cenário, Gangsta Boo buscou equilibrar duas identidades: a rapper agressiva criada no circuito underground de Memphis e uma artista capaz de dialogar com um público mais amplo. A produção ficou a cargo da mesma equipe do álbum anterior, mas agora soa bem mais limpa, utilizando linhas de baixo extremamente profundas, baterias secas, sintetizadores sombrios e atmosferas características do Memphis Rap. A voz dela continua firme, onde alterna entre flows agressivos, momentos mais melódicos e interpretações carregadas de sarcasmo. O repertório é incrível, e as canções são bastante pesadas e imersivas. No fim, é um baita disco e o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Mask 2 My Face, Love Don't Live (U Abandoned Me), Victim Of Yo' Own Shit, Same Block, Hard Not 2 Kill, I Faked It Last Night 
Vale a Pena Ouvir: Good & Ho, Chop Shop, I Thought U Knew

Enquiring Minds II - The Soap Opera – Gangsta Boo





















NOTA: 4/10


Então chegamos a 2003, ano em que foi lançado seu último álbum solo, o Enquiring Minds II: The Soap Opera. Após o Both Worlds, 69, Gangsta Boo estava passando por uma fase de afastamento do Three 6 Mafia, grupo com o qual havia construído sua reputação. O disco acabou funcionando como uma espécie de redefinição artística, mostrando uma rapper tentando estabelecer uma identidade própria fora da sombra do coletivo de Memphis. A produção foi bem mais diversificada, contando com nomes como Drumma Boy e Kool Ace, entre outros. Os sintetizadores fantasmagóricos e os beats claustrofóbicos típicos de Memphis ainda aparecem ocasionalmente, mas agora dividem espaço com instrumentais mais limpos que dialogam com o Crunk. Com isso, o álbum soa repetitivo. O repertório é fraquíssimo, tendo poucas canções realmente interessantes. No fim, é um disco ruim e, após seu lançamento passou a lançar trabalhos esporádicos até seu falecimento, no início de 2023. 

Melhores Faixas: Let Me Get That Off You, 3-Way (Infatuation, Lust & Love), City Streets, Down Chick 
Piores Faixas: Jail Talk, Where They Hang, Weed & Cocaine, Posted @ Tha Bar, Cutty Girl

     

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Analisando Discografias - Koopsta Knicca

                 

Da Devil's Playground: Underground Solo – Koopsta Knicca





















NOTA: 9,7/10


Em 1999, Koopsta Knicca lançava seu sensacional 1º álbum solo, o Da Devil's Playground: Underground Solo. Após o Chapter 2: World Domination, ele ganhou a oportunidade de demonstrar sua própria identidade artística. Koopsta sempre se destacou por seu tom de voz hipnótico, sua entrega quase fantasmagórica e suas letras que misturavam ocultismo, espiritualidade sombria e narrativas de rua. Mesmo assim, este trabalho soa como um álbum do Three 6 Mafia disfarçado de álbum solo de um de seus integrantes. A produção ficou a cargo do DJ Paul e Juicy J, que criaram beats que não dependem de complexidade técnica. Pelo contrário, a força da produção está justamente na simplicidade, utilizando teclados sinistros, linhas de baixo profundas e amostras vocais que criam uma sensação constante de ameaça, incorporando a estética do Memphis Rap. O repertório é incrível, e as canções são bastante pesadas. No fim, é um baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Stash Pot (Original), Judgement Nite, Crucifix, Robbers, Smoking On A J., Front A Busta, Now I'm Hi (Pt. 2) 
Vale a Pena Ouvir: Purple Thang, Ready 2 Ride, Anna Got Me Clickin'

Da K Project – Koopsta Knicca





















NOTA: 3/10


Em 2002, Koopsta Knicca retorna com seu 2º álbum solo, o fraquíssimo Da K Project. Após o clássico Da Devil's Playground: Underground Solo, Koopsta encontrava-se afastado do núcleo principal do Three Six Mafia. Aqui, ele decidiu fazer um trabalho que seguia as tendências comerciais que começavam a favorecer o som mais acessível do sul dos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Blac Elvis, Niko Lyras e Ski Mask, que criaram beats mais orgânicos, utilizando linhas de baixo pesadas, baterias secas, teclados sombrios e melodias minimalistas. Os produtores exploram ambientes ameaçadores e obscuros, mas algumas faixas se aproximam mais do Gangsta Rap tradicional, incorporando elementos do Dirty South e Memphis Rap. Ainda assim, tudo soa bastante repetitivo e marcado por uma falta de variação nos flows. O repertório é muito ruim, e as canções são bastante genéricas, com poucas interessantes. No geral, é um álbum péssimo e chatíssimo. 

Melhores Faixas: No Respect, When The Shit Hitz The Fan, End Of The Line 
Piores Faixas: Benjamins, Mr. Merchant, Smoke It Up, See A Ho, Judy Lynn, Beat A Ho, It’s Not Right

Undaground Muzic Volume One – Koopsta Knicca





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, ele retorna lançando mais um álbum, o Undaground Muzic Volume One. Após o Da K Project, Koopsta Knicca, diferentemente de seus antigos companheiros de grupo, que alcançavam níveis cada vez maiores de exposição comercial, permanecia ligado ao circuito underground, produzindo música para uma base de fãs que valorizava justamente suas características mais obscuras e autênticas. A produção foi feita por ele junto com Boogaloo, DJ Jus Borne, entre outros, que apostaram em beats mais variados, utilizando baterias eletrônicas pesadas, linhas de baixo profundas e sintetizadores melancólicos, mantendo vínculos claros com a tradição de Memphis. Mas o grande problema é que muitos momentos parecem reciclados, tornando o álbum bastante maçante. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções chatíssimas. Enfim, é um álbum bastante mediano e que apresenta muitas falhas. 

Melhores Faixas: Hoe Don't Violate (Ghetto), Thinkin' Deadly, Cracked House, Ghetto 
Piores Faixas: Month 1/2 Left, Porno Movie 2, Lookin' 4 A Stallion, Bald Heads

De Inevitable – Koopsta Knicca





















NOTA: 3/10


Mais um ano se passou, e outro álbum foi lançado: De Inevitable, que trouxe pouquíssimas novidades. Após o Undaground Muzic Volume One, Koopsta queria continuar reforçando tudo aquilo que já havia definido sua carreira: letras sombrias, referências às ruas, paranoia, violência, consumo de drogas e a atmosfera obscura típica do Memphis Rap. Com isso, ele decidiu apostar em uma sonoridade mais ampla, com um foco maior no cotidiano urbano. Produzido por ele junto com Blac Elvis, Lil Pat e Scan Man, o álbum segue aquela abordagem em que os beats têm grande uso de graves pesados, baterias eletrônicas secas e sintetizadores sombrios, incorporando também influências do Crunk e do Rap sulista que dominavam o período. Só que tudo soa bastante repetitivo, com a maioria dos flows sendo previsível. O repertório é muito ruim, e as canções são bem fracas, com poucas exceções. No final de tudo, é outro disco fraco e bastante tedioso. 

Melhores Faixas: Bout' To Lose My Mind, Whoop Dat Bitch, North, South, East Memphis
Piores Faixas: Smokin On Dat Dro, Halloween, Black Rain, Kick Shit, Fiya, Sadity Bitches, Bustin Heads

The Mind Of Robert Cooper – Koopsta Knicca





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2005, quando foi lançado seu 5º e último álbum, o The Mind Of Robert Cooper. Após o De Inevitable, Koopsta escolheu utilizar seu nome de batismo, Robert Cooper, sugerindo uma exploração mais direta de seus pensamentos, experiências e visão de mundo. O álbum foi lançado pela 40 West Records e serviria como uma demonstração de que ele poderia seguir sua carreira sem o apoio do Three 6. A produção feita junto com Lil Pat, Scan Man, entre outros, e segue a fórmula de sempre: os beats continuam fortemente ligados ao Rap de Memphis, mas apresentam influências do Crunk. Os graves permanecem pesados e as baterias são secas. Porém, o maior problema é que tudo soa bastante previsível e arrastado. O repertório é fraquíssimo, e as canções são, em sua maioria, bastante esquecíveis. No geral, esse álbum foi uma demonstração de que Koopsta teve uma gestão de carreira ruim e permaneceu assim até seu falecimento, em 2015. 

Melhores Faixas: Life In Bondage, No Action, Memphis To Hollywood, Top Secret 
Piores Faixas: Because Of You, Shit Starter, I Spot You, Soar High, Wanksta, Everlast
  

                                                                               Então é isso e flw!!!             

Analisando Discografias - Nas: Parte 1

                    It Was Written – Nas NOTA: 10/10 Em 1996, o Nas lançava seu 2º álbum de estúdio, o It Was Written, que trouxe algumas mu...