quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Gustavo Cerati: Parte 1

                  

Amor Amarillo – Gustavo Cerati





















NOTA: 9,8/10


Voltando para o ano de 1993, Gustavo Cerati embarca em sua carreira solo com Amor Amarillo. Após o Dynamo com o Soda, ele havia trabalhado com Daniel Melero em Colores Santos, que havia aberto ainda mais espaço para texturas, sintetizadores, programação e uma abordagem menos dependente do formato convencional do Rock. Só que, em vez de ser simplesmente uma continuação dessas experiências, seria um disco muito mais pessoal e doméstico. A produção, feita pelo cantor junto com Zeta Bosio, colocou um som extremamente sofisticado e detalhado, já que aqui temos Dream Pop, Rock alternativo, Shoegaze, Baggy, psicodelia e afins. As guitarras, ao lado de teclados, efeitos, programações e diferentes camadas eletrônicas, criam uma sonoridade bastante texturizada, enquanto os vocais de Cerati conseguem ser bem articulados e expressivos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem dinâmicas e atmosféricas. Enfim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Amor Amarillo, Te Llevo Para Que Me Lleves, Lisa, Bajan (Pescado Rabioso), Pulsar 
Vale a Pena Ouvir: A Merced, Cabeza De Medusa, Ahora Es Nunca

Bocanada – Gustavo Cerati





















NOTA: 10/10


Foi só em 1999 que Gustavo Cerati retornou, lançando seu 2º álbum solo, o atemporal Bocanada. Após o Amor Amarillo, com o fim do Soda Stereo, Cerati passou a construir uma linguagem própria, muito mais ambiciosa e pessoal, juntando elementos da música eletrônica, Rock e orquestração em um mesmo universo. O álbum também mostra um artista interessado em trabalhar a própria voz de maneira diferente, explorando camadas, efeitos e interpretações mais atmosféricas. A produção, feita pelo próprio cantor, foi extremamente sofisticada e carregada de detalhes. As programações determinam a própria estrutura das composições. Ao mesmo tempo, guitarras, baixos, baterias e instrumentos acústicos conseguem fazer um verdadeiro equilíbrio com isso, temos uma junção do Art Pop, Downtempo e da Neo-psicodelia. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No geral, é um álbum excepcional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tabú, Puente, Bocanada, Beautiful, Perdonar Es Divino, Engaña, Alma, Río Babel 
Vale a Pena Ouvir: Raíz, Balsa, Y Si El Humo Está En Foco...

Siempre Es Hoy – Gustavo Cerati





















NOTA: 10/10


Indo para 2002, Gustavo Cerati lançava seu 3º álbum, o excepcional Siempre Es Hoy. Após o clássico Bocanada, o cantor queria fazer um trabalho que fosse mais rítmico e potente, com esse material passando por diferentes etapas e tendo cerca de quarenta ideias, entre músicas completas e simples esboços, fazendo um projeto ousado, mas também extremamente extenso. Com o título trazendo a ideia de que passado e futuro acabam convergindo no momento atual. A produção foi para um caminho ainda mais potente e recheado de detalhes, seguindo muito o som do Dance alternativo, com elementos do Indietronica, Trip Hop e do Dream Pop. As guitarras voltam a ter bem mais espaço, só que servindo como texturas, já que o uso de programação, samples e sintetizadores se complementa bem, fora os vocais bem variados do Cerati, que se encaixam com cada arranjo. O repertório é espetacular, carregado de canções variadas. Enfim, é outro álbum que é simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cosas Imposibles, Vivo, Tu Cicatriz En Mi, Artefacto, Karaoke, Fantasma, Amo Dejarte Asi, No Te Creo, Sudestada, Especie 
Vale a Pena Ouvir: Casa, Altar, Naci Para Esto

                                                                                        É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - Soda Stereo

                 

Soda Stereo – Soda Stereo





















NOTA: 8,5/10


No ano de 1984, o Soda Stereo lançava seu álbum de estreia autointitulado, numa temática bem padronizada. Formado em 1982, na capital argentina, Buenos Aires, por Gustavo Cerati (vocais e guitarras), Zeta Bosio (baixo) e Charly Alberti (bateria), o trio vinha construindo uma identidade fortemente ligada à New Wave. Com eles surgindo em um período pós-ditadura militar e com uma nova geração ocupando a indústria musical local, a banda, que havia ganhado muito destaque, assinou com a CBS. A produção, feita por Federico Moura, colocou um som polido e detalhado. As guitarras de Cerati possuem muito mais riffs, efeitos, acordes secos e texturas. As linhas de baixo de Bosio são bastante sustentadas, e a bateria é bem orgânica, fora, claro, os vocais expressivos de Cerati, que estão sempre no centro. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas e outras que envelheceram mal. No fim, é um disco bacana, mas que serviu mais como apresentação. 

Melhores Faixas: Tratame Suavemente, Sobredosis De T.V., El Tiempo Es Dinero, Dietetico
Piores Faixas: Tele-Ka, Mi Novia Tiene Biceps

Nada Personal – Soda Stereo





















NOTA: 9,1/10


No ano seguinte, o Soda Stereo retornou com seu 2º álbum de estúdio, o Nada Personal. Após o álbum de estreia, eles começaram a deixar um pouco de lado a imagem puramente divertida e provocativa do primeiro trabalho. A banda continuava interessada em música Pop, dança e estética moderna, mas Gustavo Cerati passou a explorar letras mais ambíguas, sensuais e introspectivas. A produção, feita pela própria banda, continuou sendo bem limpa e sofisticada, ainda tendo aquele diálogo com a New Wave e com elementos do Synth-pop, Post-Punk, 2-Tone e Funk Rock. As guitarras passam a criar texturas, ambientes e pequenas camadas dentro das músicas. O baixo conduz muito bem, e a bateria é bastante precisa, fora um uso ocasional de sintetizadores. Enquanto isso, os vocais de Cerati ficaram um pouco mais melódicos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e energéticas. No fim, é um belo disco e mostrou uma grande evolução. 

Melhores Faixas: Cuando Pase El Temblor, Nada Personal, Juego De Seducción, Estoy Azulado, Danza Rota 
Vale a Pena Ouvir: Si No Fuera Por..., Imágenes Retro, El Cuerpo Del Delito

Signos – Soda Stereo





















NOTA: 9,9/10


Mais um ano se passou, e o Soda Stereo lançava mais um álbum novo, o Signos. Após o Nada Personal, que foi um sucesso gigantesco e saiu até fora da Argentina, Gustavo Cerati, Zeta Bosio e Charly Alberti passaram a trabalhar sob uma pressão muito maior. Só que Cerati estava amadurecendo como compositor. As letras ficaram menos dependentes do humor e da ironia dos primeiros trabalhos e passaram a explorar desejo, obsessão, distância, relações complicadas, insegurança e estados emocionais mais difíceis de definir. A produção foi bem mais sofisticada, com eles fazendo um equilíbrio da New Wave com a Big Music. As guitarras ficaram bem mais variadas, podendo conduzir um riff, criar uma textura atmosférica ou sustentar uma passagem melancólica. A cozinha rítmica consegue ser bem precisa e tem uso moderado de cordas e sintetizadores. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem energéticas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Persiana Americana, Prófugos, El Rito, Signos 
Vale a Pena Ouvir: Sin Sobresaltos, Final Caja Negra

Doble Vida – Soda Stereo





















NOTA: 9/10


De novo se passou outro ano, e o Soda Stereo lançava seu 4º álbum, o Doble Vida. Após o Signos, a banda começou a circular com mais força pela América Latina e percebeu que sua música podia ultrapassar o circuito argentino. Isso também trouxe uma mudança de perspectiva. A banda queria ampliar sua sonoridade e incorporar elementos do Rock, Pop e Funk de maneira mais evidente. A produção, feita por Carlos Alomar, deixou uma sonoridade limpa e encorpada, colocando uma maior preocupação no groove. Com isso, os baixos ganham bastante importância, enquanto Charly Alberti trabalha com uma bateria mais dinâmica e menos presa à estética puramente New Wave. As guitarras de Cerati continuam utilizando efeitos e texturas, mas agora existem momentos mais agressivos, fora seus vocais, que ficaram bem mais seguros e energéticos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem divertidas e suaves. Enfim, é um baita disco e que é muito subestimado. 

Melhores Faixas: En La Ciudad De La Furia, Lo Que Sangra (La Cupula), Corazon Delator, Dia Comun - Doble Vida 
Vale a Pena Ouvir: En El Borde, Terapia De Amor Intensiva

Cancion Animal – Soda Stereo





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Soda Stereo lança o maravilhoso e atemporal Cancion Animal. Após o Doble Vida, o Soda decide recuperar uma parte mais visceral do Rock argentino que havia marcado sua adolescência, aproximando-se de uma sonoridade muito mais guitarrística, pesada e orgânica. Já que aquela estética da New Wave já tinha se tornado obsleto e ultrapassado, com isso eles decidiram ir de cabeça no Rock alternativo que eles já tinha explorado em determinados momentos. Produção feita novamente pela propria banda, foi para uma sonoridade mais mais encorpada, direta e orgânica. As guitarras do Cerati possuem riffs distorcidos e grandes momentos instrumentais, além claro de seu vocal que ficou ainda mais expressivo. Os baixo é bastante presente e a bateria ganhou bastante peso, tendo assim elementos do Hard Rock e Jangle Pop. O repertório é maravilhoso, parecendo quase que uma coletanea. No fim, é um disco excepcional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: De Musica Ligera, Un Millon De Años Luz, Cancion Animal, Sueles Dejarme Solo, (En) El Septimo Dia, Entre Canibales 
Vale a Pena Ouvir: Te Para 3, Hombre Al Agua

Dynamo – Soda Stereo





















NOTA: 10/10


Ai em 1992, o Soda Stereo lança outro álbum fantastico, o Dynamo, que foi para uma tematica diferente. Após o Cancion Animal, Cerati e sua trupe decidiu ir de cabeça ainda mais na música alternativa e principalmente adotando o Shoegaze. Já que a banda estava cansada da dimensão gigantesca que havia alcançado e queria recuperar uma sensação de descoberta. Produção feita como sempre pela propria banda, seguiu um som pesado e nebuloso que é completamente orientado ao Shoegaze e Rock alternativo, além de elementos do Baggy, Dance alternativo e Dream Pop. Com isso, as guitarras ficaram mais distorcidas e reverberadas, o baixo do Bosio é bastante marcante e a bateria consegue ser bem organica. Fora o uso de samplers, programação e sintetizadores que deixa algo mais texturizado. O repertório é simplesmente sensacional, também parecendo uma coletanea. No geral, é um disco maravilhoso e que é praticamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Primavera 0, Luna Roja, Toma La Ruta, Fué, En Remolinos, Ameba, Secuencia Inicial 
Vale a Pena Ouvir: Camaléon, Texturas, Claroscuro

Sueño Stereo – Soda Stereo





















NOTA: 9,7/10


Em 1995, o Soda Stereo lançava seu 7º e último álbum, o maravilhoso Sueño Stereo. Após o excepcional Dynamo, o Soda passou por uma espécie de pausa, e seus integrantes começaram a desenvolver outros projetos. Gustavo Cerati, em particular, aprofundou ainda mais seu interesse por eletrônica e experimentação. Com esse álbum, a banda soa menos como uma tentativa de descobrir uma nova identidade e mais como uma síntese de tudo aquilo que o trio havia construído. A produção foi para um caminho mais elegante e cinematográfico, conversando com o Rock alternativo e o Art Rock, já que temos elementos de Dream Pop, Chamber Pop e música eletrônica. Com isso, as guitarras ficaram bem texturizadas, o baixo ficou mais discreto, a bateria está mais orgânica, e os sintetizadores, a programação e os efeitos deixam tudo mais atmosférico. O repertório é incrível, e as canções são todas muito imersivas. Enfim, é um baita disco de encerramento de uma banda lendária. 

Melhores Faixas: Ella Usó Mi Cabeza Como Un Revólver, Disco Eterno, Zoom, Angel Eléctrico, Pasos, Efecto Doppler 
Vale a Pena Ouvir: Planta, Ojo De La Tormenta, Paseando Por Roma

  

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Review: This Mirror Weighs a Ton do Interpol

                     

This Mirror Weighs a Ton – Interpol





















NOTA: 9,6/10


Recentemente, o Interpol retornou com seu mais novo álbum, o This Mirror Weighs A Ton. Após o The Other Side of Make-Believe, a banda acabou saindo da Matador Records e assinou com a Partisan, e, para esse projeto, Brad Truax enfim assume o instrumento que Paul Banks vinha tocando desde a saída de Carlos Dengler. Fora isso, esse álbum parece muito mais interessado em questões relacionadas à idade, responsabilidade, tecnologia, violência e ao estado do mundo. A produção, feita por Andrew Wyatt, colocou um som detalhado, que dialoga com o Post-Punk, com elementos do Trip Hop, Dream Pop e o Post-Rock. As guitarras funcionam como texturas atmosféricas, os sintetizadores são nebulosos, o baixo ganha destaque, a bateria possui loops precisos e os vocais do Paul são muito expressivos, com aquele seu estilo grave e distante. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas e densas. No fim, é um baita disco e, dessa vez, acertaram em cheio. 

Melhores Faixas: See Out Loud, This Mirror Weighs A Ton, Iron City, Wings On Fire, Wake Up, Wounded Soldier, Bird And The Serpent 
Vale a Pena Ouvir: So Rides The Reindeer, Ever The Actor, Sudden

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 2

                 

Como Conseguir Chicas – Charly Garcia





















NOTA: 9/10


No final dos anos 80, Charly García lançava mais um álbum novo, o Como Conseguir Chicas. Após o Parte De La Religión, a relação do cantor com o sucesso, a exposição pública e os próprios excessos pessoais começava a pesar cada vez mais sobre sua produção. Esse título passa a brincar mais abertamente com temas de relacionamentos, sexualidade, comportamento e vida cotidiana. Essa leveza, porém, não significa que ele tenha abandonado suas características mais sérias. A produção, feita pelo próprio cantor, segue por um caminho bem mais direto, mas que tem uma certa clareza. Os teclados e os recursos eletrônicos continuam sendo utilizados, mas deixam de ser os principais elementos responsáveis pela identidade sonora. Agora, há uma presença maior de guitarras, com bem mais distorção, enquanto o piano dá mais cor aos arranjos. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e, ao mesmo tempo, divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Fanky, No Toquen, Fantasy, No Me Veras En El Subte, Suicida 
Vale a Pena Ouvir: Ella Es Bailarina, Zocacola (participação do Herbert Vianna)

Filosofía Barata Y Zapatos De Goma – Charly Garcia





















NOTA: 9,5/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um trabalho novo dele, o Filosofía Barata Y Zapatos De Goma. Após o Como Conseguir Chicas, o relacionamento de Charly Garcia com Zoca, que havia marcado uma parte enorme de sua vida desde o final dos anos 1970, havia terminado pouco antes da criação do álbum. Essa ruptura teve um impacto muito forte sobre ele e acabou se refletindo diretamente no disco. Com isso, esse trabalho faz um equilibrio entre ironia e uma sensação de perda e solidão. A produção foi para um caminho bem variado, juntando elementos do Pop Rock e Art Pop. Os instrumentos não estão ali apenas para acompanhar as melodias; muitas vezes, eles criam ambientes. O piano pode desaparecer em favor de sintetizadores, uma guitarra pode surgir abruptamente, e uma percussão pode transformar completamente uma passagem. O repertório é incrível, e as canções são todas bem melódicas e intimistas. Enfim, é um baita disco e muito coeso. 

Melhores Faixas: Filosofia Barata Y Zapatos De Goma, De Mí, Solo Un Poquito No Mas, No Te Mueras En Mi Casa 
Vale a Pena Ouvir: Siempre Puedes Olvidar, Curitas, La Cancion Del Indeciso

La Hija De La Lágrima – Charly Garcia





















NOTA: 7,1/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado mais um álbum novo, o La Hija De La Lágrima. Após o Filosofía Barata Y Zapatos De Goma, Charly García decide fazer algo muito mais ambicioso: construir uma espécie de Ópera-rock fragmentada, cheia de personagens, situações, interlúdios e mudanças de clima. A ideia do álbum nasceu de uma situação quase absurda que Charly teria presenciado na Espanha, quando ouviu uma discussão entre duas mulheres, e uma delas teria dito a frase que daria nome ao projeto. A produção foi bem diferenciada, já que, em vez de procurar uma sonoridade limpa e uniforme, Charly sobrepõe instrumentos, vozes, efeitos, ruídos, fragmentos e diferentes texturas. Os instrumentos tradicionais convivem com sintetizadores, programações e gravações manipuladas. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas, mas também algumas que parecem estar ali para encher linguiça. Enfim, é um álbum bom, mas que é exageradamente excessivo. 

Melhores Faixas: Chipi Chipi, Víctima, Atlantis, Jaco Y Chofi, Kurosawa, Andan, Waitin 
Piores Faixas: Love Is Love, James Brown, Chiquilín, Lament

Say No More – Charly Garcia





















NOTA: 9,2/10


Se passaram dois anos, e Charly García lançava seu 8º álbum solo, o Say No More. Após o La Hija De La Lágrima, ele abandona praticamente qualquer necessidade de seguir uma estrutura convencional. Como naquele período ele estava vivendo um caos em sua vida pessoal, em vez de se esconder, transforma o próprio caos em método artístico. Esse projeto nasce justamente da ideia de fazer música sem obedecer a uma fórmula preestabelecida, permitindo que diferentes sons, ideias, gravações e fragmentos fossem incorporados ao processo. A produção foi ainda mais experimental, com Charly sobrepondo instrumentos, vozes, efeitos, ruídos, fragmentos e diferentes texturas. A principal característica é justamente a ausência de uma estética de perfeição, fazendo do álbum um trabalho muito interessante de Rock experimental, com traços do Art Pop. O repertório é sensacional, e as canções são bem imersivas. No fim, é um baita disco e representa uma evolução.

Melhores Faixas: Alguien En El Mundo Piensa En Mi, Say No More, Canciones De Jirafas, Necesito Un Gol, Casa Vacía, Plan 9 
Vale a Pena Ouvir: Estaba En Llamas Cuando Me Acosté, Podrías Entender, La Vanguardia Es Así

El Aguante – Charly Garcia






















NOTA: 2,5/10


Em 1998, Charly García volta lançando um álbum bem controverso, o El Aguante. Após o Say No More, que o levou ao experimentalismo, aqui ele decide fazer algo diferente: manter parte daquela liberdade de produção, mas voltar a colocar as canções no centro. Além disso, apresenta uma postura mais desafiadora, quase de sobrevivência, dentro desse trabalho. A produção ficou um pouco mais acessível, com Charly explorando tanto o Pop Rock quanto o Pop barroco. Com isso, houve um uso variado de instrumentos, como guitarras, piano, teclados, cordas, elementos eletrônicos e afins. O que muda é a finalidade: agora, os efeitos, sobreposições e intervenções servem mais frequentemente para reforçar as músicas, mas, assim, tudo soa muito confuso, e os vocais do cantor ficam muito sobrepostos. O repertório é ruim, tendo canções boas e outras que são simplesmente esquecíveis. Enfim, é um disco fraco e que foi um ponto baixíssimo. 

Melhores Faixas: Tu Arma En El Sur, No Estaría Mal (It Won't Be Wrong) 
Piores Faixas: Correte Beethoven (Roll Over Beethoven), El Aguante, Kill My Mother, Uno A Uno (One To One), Lo Que Ves Es Lo Que Hay (Todo El Mundo Quiere Olvidar)

Influencia – Charly Garcia





















NOTA: 8,4/10


Indo para 2002, o Charly García lançava seu 10º álbum de estúdio, o Influencia. Após o El Aguante, surge como uma espécie de reação a esse processo: sem abandonar completamente as experiências anteriores, ele volta a priorizar as canções, as melodias e a interpretação. O próprio título é bastante apropriado, porque o disco trabalha com várias influências musicais. A produção foi para um caminho bem mais limpo e moderno, com o cantor continuando a utilizar teclados, sintetizadores e recursos de estúdio, mas eles estão muito mais subordinados às canções. O piano volta a ocupar uma posição importante, enquanto as guitarras colocam um certo peso, o baixo é bem sustentável e a bateria fica mais orgânica, formando uma base que dialoga com o Pop Rock, com algumas influências do Dance alternativo e do Synth-pop. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem cadenciadas. No fim, é um disco bacana e que foi um verdadeiro alívio. 

Melhores Faixas: Influencia, I'm Not In Love, Mi Nena 
Vale a Pena Ouvir: Influenza, Tu Vicio

Rock And Roll Yo – Charly Garcia





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho novo do Charly García, o Rock and Roll Yo. Após o Influencia, o cantor decidiu fazer um disco que olha para o passado, mas através de um Charly já muito diferente daquele que havia gravado seus clássicos. Existe também uma sensação de urgência. Muitas músicas parecem nascer mais da necessidade de Charly continuar produzindo do que de um projeto conceitual muito definido. A produção foi para um caminho bem mais pesado, mas que mantém uma certa clareza. As guitarras são bem expressivas, a cozinha rítmica consegue ser bem decente e o piano coloca melodias mais limpas, que dão cor aos arranjos, fora os vocais do Charly, que, mesmo já estando envelhecidos, conseguem ser bem funcionais, fazendo um diálogo com o Hard Rock, Soft Rock e até um pouco do Rock alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energéticas. Enfim, é um ótimo álbum e que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Rehén, V.S.D. 
Vale a Pena Ouvir: Asesíname, Rock And Roll Yo, Linda Bailarina

Kill Gill – Chaly Garcia




















NOTA: 2,2/10


Foi apenas em 2010 que Charly García lançou seu 12º álbum, o horroroso Kill Gill. Após o Rock And Roll Yo, Charly concebeu um trabalho construído em torno de um personagem que vive em Nova York e decide cometer um atentado. A história seria contada através das músicas, que funcionariam como mensagens destinadas às pessoas próximas desse personagem. Só que, apesar do conceito, esse trabalho passou por uma série de mudanças e implementações até chegar ao material final. A produção, feita pelo cantor junto com Andrew Loog Oldham, colocou um som que tenta ser acessível e experimental. Só que o problema é que mexeram tanto nas gravações que algumas músicas perderam espontaneidade. Em determinados momentos, a quantidade de camadas parece esconder a composição em vez de valorizá-la. O repertório é terrível, tem umas canções legais e outras tenebrosas. No fim, é um álbum horrível e que foi uma mancha podre na sua carreira. 

Melhores Faixas: Corazón De Hormigón, Mirando Las Ruedas 
Piores Faixas: King Kong, Break It Up, Happy And Real, Transformación, In The City That Never Sleeps

Random – Charly Garcia





















NOTA: 3/10


Então, se passaram sete anos para ele voltar com um novo álbum intitulado Random. Após o terrível Kill Gill, que havia sido praticamente concluído anos antes de sua publicação, enquanto esse novo álbum foi composto e desenvolvido depois da grave crise pessoal que levou Charly a um período de internação e reabilitação. Por isso, o álbum representa um verdadeiro retorno à atividade criativa. A produção foi, como sempre, bastante limpa e um pouco mais equilibrada, com um grande uso de teclados, pianos, guitarras, baixos, bateria eletrônica, samplers, loops, programações e até iPads. Tudo isso para fazer um som que tivesse um nível de detalhe que lembrasse seus primeiros projetos, mas o problema é que tudo soa muito previsível: os sintetizadores são excessivos e as guitarras, muito comprimidas. O repertório é fraquíssimo, tendo canções bem sem graça, com algumas exceções. No final, é um álbum ruim e que mostrava a queda do cantor. 

Melhores Faixas: Primavera, Rivalidad, Amigos De Dios 
Piores Faixas: Believe, Spector, Ella Es Tan Kubrick, Mundo B

La Lógica Del Escorpión – Charly Garcia





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos ao ano de 2024, quando foi lançado o que pode ser o último álbum do Charly García, o La Lógica Del Escorpión. Após o Random, o cantor já estava preparando esse projeto muito antes mesmo da pandemia, trazendo um conceito que vem da conhecida fábula do escorpião e da rã. Na história, o escorpião pede ajuda para atravessar um rio, promete não atacar a rã, mas acaba picando-a no meio do caminho e condenando os dois à morte. A produção foi mais variada e direta, com Charly criando as bases, experimentando com samples e loops, além de ter aquele equilíbrio de usar sintetizadores e baterias eletrônicas para depois acrescentar instrumentação orgânica, mas tudo soa muito mal-nascido, e os vocais do cantor estão bastante fora do tom. O repertório é terrível, tendo canções medíocres e poucas realmente interessantes. Mas, enfim, é um álbum horrível, que só mostra que já passou da hora de parar. 

Melhores Faixas: La Pelicana Y El Androide (vocal envelhecido do Spinetta conseguindo ser melhor do que a do Charly), El Club De Los 27 
Piores Faixas: Autofemicidio, Rock And Roll Star, Yo Ya Sé, Estrellas Al Caer, Rompela


Analisando Discografias - Gustavo Cerati: Parte 1

                   Amor Amarillo – Gustavo Cerati NOTA: 9,8/10 Voltando para o ano de 1993, Gustavo Cerati embarca em sua carreira solo com ...