quarta-feira, 22 de julho de 2026

Review: July, December do Racecourse

                   

July, December – Racecourse





















NOTA: 9,3/10


No final de 2025 (ou melhor, no último dia daquele ano), foi lançado o álbum de estreia do Racecourse, July, December. Formado naquele mesmo ano, na cidade de Santa Cruz, Califórnia, por Jackson (guitarras e baixo), Graeme (guitarras), Joaquin J. (teclados), Reya (vocais) e Frankie (bateria), o grupo apresentou, em seu primeiro projeto, um trabalho que reúne pequenos recortes de memória, nos quais personagens, lugares e acontecimentos cotidianos carregam um significado emocional maior. A produção, feita por Ben Cheung, é bastante orgânica, com foco em guitarras limpas ou levemente saturadas, baixo presente, bateria precisa e os vocais de Reya, que são bastante intimistas e melódicos, sempre à frente da mixagem. Com isso, temos uma junção de Indie Rock, Slacker Rock, Slowcore e traços de Midwest Emo, Shoegaze e Post-Rock. O repertório é incrível, e as canções são bem introspectivas. No fim, é um baita disco e um dos melhores do ano passado. 

Melhores Faixas: Pennybox, Caledonia, My Chair, Adele-May 
Vale a Pena Ouvir: July, December, A Sport and a Passtime
 

                                                                                   Então é isso e flw!!!                   

Analisando Discografias - Jetta

                  

Start A Riot – Jetta





















NOTA: 7/10


No ano de 2013, a Jetta lançava seu 1º trabalho no formato de EP, intitulado Start A Riot. A cantora britânica começou sua trajetória naquele mesmo ano, quando decidiu fazer um som bem diferenciado e promissor, reunindo elementos da Soul Music e da música eletrônica. O trabalho mostra uma artista preocupada em criar uma identidade própria, distante da música Pop comercial mais convencional da época. A produção, conduzida por Jim Eliot, privilegia ambientes sonoros amplos e cinematográficos. Os sintetizadores aparecem sempre de maneira discreta, servindo mais para criar textura do que para dominar as músicas. A instrumentação mistura batidas eletrônicas, pianos, cordas digitais, guitarras limpas e uma forte utilização de reverberação, reunindo elementos do Neo-Soul com o Indie Pop. O repertório contém quatro faixas muito boas e carregadas de densidade. Enfim, é um ótimo EP e mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Operators, Take It Easy 
Vale a Pena Ouvir: Start A Riot, Can You Hear Me Now

relax, the house is on fire – Jetta





















NOTA: 2,5/10


Foi apenas em 2024, que a Jetta lançou seu álbum de estreia, o relax, the house is on fire. Após o EP Start A Riot, a cantora explorou diferentes direções sonoras, passando por trabalhos de forte apelo cinematográfico e baladas dramáticas até chegar a um momento em que decidiu apresentar um projeto muito mais pessoal e experimental. Produção feita pela cantora junto com John Hartley, onde colocara batidas secas, sintetizadores distorcidos, graves profundos, vocais extremamente processados e texturas eletrônicas que criam um ambiente constantemente instável. Onde a sonoridade transita entre R&B alternativo, Hyperpop e Indietronica, mas o problema é que tudo muito contido e os arranjos parecem totalmente fragmentados e sem sustentação. O repertório é bem ruim, tem até canções boas, mas as outras são bastante medíocres. No fim, é um álbum terrível e sem coesão. 

Melhores Faixas: quicksand, teardrops on the radio 
Piores Faixas: what happens now?, sticky icky, skeleton key, fri/end, call me when it's over


Analisando Discografias - L7NNON

                  

Podium – L7NNON





















NOTA: 8,5/10


Em 2019, o L7NNON lançava seu álbum de estreia, intitulado Podium, que marcou uma transição. Após o EP Escolhas, o rapper lançou alguns singles, atraindo o interesse do Papatinho, que o levou para a Papatunes. A parceria entre os dois foi fundamental para consolidar a identidade do artista em um projeto consistente de álbum. Esse trabalho tem um caráter quase autobiográfico, mostrando um artista que ainda estava em ascensão e escrevia a partir de experiências reais. A produção foi feita inteiramente pelo próprio Papatinho, que criou beats orgânicos utilizando bastante piano, sintetizadores suaves, guitarras discretas, linhas de baixo profundas e baterias pesadas, sem exagerar na compressão, transitando entre Trap, Boom Bap e Cloud Rap. Os flows do L7 conseguem ser bastante variados e agressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e, por vezes, até divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Despertadores, Celebrando a Vida, Ninguém (MV Bill amassou), Já Venci
Vale a Pena Ouvir: 1994, Podium, Sorrisos
  

Hip Hop Rare – L7NNON





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, o L7 lançou seu 2º álbum, o aclamado Hip Hop Rare, que representou realmente sua explosão. Após o Podium, o rapper acabou ganhando bastante destaque dentro da nova geração do Rap nacional, tanto que chegou a participar de dois dos principais projetos da Pineapple: Poetas no Topo 3.2, Pt. 2 e Poesia Acústica 9. Para esse projeto, ele buscava reafirmar que sua identidade estava profundamente ligada ao rap tradicional. A produção, feita novamente por inteiro pelo Papatinho, trouxe beats mais sofisticados, graves mais encorpados, guitarras discretas, linhas de baixo profundas e baterias mais impactantes, seguindo muito mais o Trap, com alguns momentos de Boom Bap, R&B e Cloud Rap. O flow do L7 é mais seguro, alternando momentos acelerados com passagens melódicas e técnicas. O repertório é incrível, e as canções são bem reflexivas, além de algumas serem mais envolventes. No final, é um belo álbum, que foi certamente o ápice de sua carreira. 

Melhores Faixas: Gratidão, Perdição, Motivos (baita feat do Black Alien), Love Song, Nada é pra sempre, Algumas frases, Hip Hop Rare 
Vale a Pena Ouvir: Faça Valer, PPTN, Inabalável (ótima feat do MC Hariel)

IRRASTREÁVEL – L7NNON





















NOTA: 3/10


Quatro anos se passaram, e o L7 lançou seu 3º e último álbum até o momento, o IRRASTREÁVEL. Após o Hip Hop Rare, o rapper tinha se tornado um dos principais nomes da cena do Trap no mainstream e, nesse meio-tempo, saiu da Papatune Records e fundou sua própria gravadora, a HHR. Além disso, participou de mais dois Poesias Acústicas (11 e 13) e, para esse álbum, quis fazer algo mais extenso, que atingisse um público ainda mais amplo. A produção contou com a presença do Papatinho, mas agora também teve Nagalli, Ajaxx, Leodokick, Toledo e outros, que criaram beats mais minimalistas, utilizando sintetizadores atmosféricos, hi-hats constantes, 808s discretos e linhas de baixo presentes, dialogando muito mais com o Trapfunk e tendo momentos puxados para o Drill. Só que tudo é extremamente arrastado e com um uso terrível de Auto-Tune. O repertório é péssimo, trazendo canções genéricas e poucas exceções. No geral, é um álbum horrível e megalomaníaco. 

Melhores Faixas: Sem Jeito (Don L mandou bem demais), Fases da Vida, Irrastreável, Né Segredo (BK’ salvou) 
Piores Faixas: Desacreditado (Central Cee numa preguiça), Vamo Marolar (Cabelinho fraco demais), Abençoado, Posturado e Calmo (Anitta só complementou a cagada que L7 fez antes), Richard Mille (Ret horrível aqui), Foto da Unha (Veigh esquecível), Não Tá Sabendo Pedir, Pras Amiga

  

terça-feira, 21 de julho de 2026

Review: A Stranger To You do Loathe

                   

A Stranger To You – Loathe





















NOTA: 9,8/10


Alguns dias atrás, o Loathe lançou seu 4º álbum de estúdio, A Stranger To You. Após o The Things They Believe, eles se tornaram uma das bandas mais inovadoras do Metal moderno, justamente por combinar influências do Metalcore, Shoegaze e Dream Pop. Para esse projeto, decidiram fazer algo ainda mais ambicioso, explorando temáticas que soam inimagináveis para o estilo. A produção, feita como sempre por Erik Bickerstaffe, aposta em um som comprimido, pesado e saturado. As guitarras aparecem fundidas aos baixos, criando uma verdadeira parede sonora. A bateria recebe um tratamento bastante digital, alternando momentos secos com explosões processadas, e os vocais de Kadeem France são bem variados. Com isso, há muitos elementos de Metal industrial e Djent dentro de uma proposta mais voltada ao Metal Alternativo. O repertório é sensacional, e as canções são pesadíssimas e atmosféricas. No fim, é um baita disco e muito impactante. 

Melhores Faixas: Gifted Every Strength, No Stranger To You..., The Way It Breaks, Fortress Down, Fangs, Revenant, Meet My Maker 
Vale a Pena Ouvir: Gemini, Block Of Flats, أثينا
 

                                                                                               Bom é isso e flw!!!        

Analisando Discografias - TheFatRat

                  

Jackpot – TheFatRat





















NOTA: 7/10


Em fevereiro desse ano, Brother Tom Sos lançou um de seus primeiros EPs, o DOORS NO MAN CAN SHUT. O rapper, vindo de Buffalo, em Nova York, começou sua trajetória em 2024, quando lançou alguns singles esporádicos que trouxeram reconhecimento dentro da cena underground, especialmente por participações em projetos ligados ao universo da Griselda, já que Westside Gunn o chamou para entrar no coletivo. A produção, feita pelo rapper junto com Elijah Hooks, apresenta uma abordagem crua e extremamente Lo-fi, com samples de piano, texturas Soul, poucos elementos percussivos e batidas secas que dialogam bastante com o Drumless e pequenos traços do Boom Bap e Jazz Rap. Os flows do rapper são bem cadenciados e mostram um lado técnico. O repertório contém 4 faixas muito boas, e as canções são bem profundas. Enfim, é um ótimo EP, carregado de imersão. 

Melhores Faixas: MILLIONAIRE SPEEDY (JANNAH), DIOR DUAS 
Vale a Pena Ouvir: GANG’S EULOGY, MURAKAMI MAYHEM

PARALLAX – TheFatRat





















NOTA: 3/10


Em 2021, o TheFatRat lançou seu único álbum até então, o ambicioso PARALLAX. Após o EP Jackpot, o DJ já estava completamente consolidado e decidiu preparar um projeto acompanhado por uma identidade visual em pixel art, personagens recorrentes e uma narrativa de fantasia e ficção científica. A ideia era fazer com que cada música representasse um capítulo dessa jornada, aproximando o álbum da estrutura de uma trilha sonora para videogame ou animação. A produção é extremamente sofisticada e limpa. Os sintetizadores são variados. Há leads brilhantes típicos do Electro House, pads atmosféricos amplos, arpejos delicados e camadas profundas. Os graves são sólidos, sem exageros, enquanto as baterias apresentam bastante impacto, dialogando muito mais com o Electropop. No entanto, tudo soa bem arrastado e completamente genérico. O repertório é ruim, com canções medianas e poucas que realmente são legais. No fim, é um álbum péssimo e esquecível. 

Melhores Faixas: Let Love Win, Hiding In The Blue, Upwind 
Piores Faixas: Warbringer, Our Song, Pride & Fear, Love It When You Hurt Me

 

Analisando Discografias - Tiê

                 

Sweet Jardim – Tiê





















NOTA: 9/10


No ano de 2009, a cantora Tiê lançava seu álbum de estreia, intitulado Sweet Jardim. Sua carreira começou por volta de 2007, quando gravou um EP com quatro canções em parceria com Dudu Tsuda, que ganhou certa visibilidade. Então, ela preparou um projeto extremamente intimista, construído a partir de experiências pessoais, letras confessionais e interpretações delicadas. Produzido por Plínio Profeta e lançado pela Warner Music, o álbum apresenta um som orgânico e extremamente caseiro. O violão conduz boa parte do disco, sempre gravado de maneira bastante natural, sem excesso de compressão ou efeitos. O piano aparece em momentos específicos para ampliar o peso emocional de determinadas composições, deixando os vocais intimistas da cantora sempre no centro, dialogando com o Indie Folk e a MPB. O repertório é incrível, e as canções são bem melódicas e sentimentais. Enfim, é um belo disco de estreia, bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Assinado Eu, Dois, A Bailarina E O Astronauta 
Vale a Pena Ouvir: Passarinho, 5 Andar

A Coruja E O Coração – Tiê





















NOTA: 8,2/10


Dois anos depois, ela voltou lançando seu 2º álbum de estúdio, A Coruja e o Coração. Após o Sweet Jardim, a cantora decidiu ampliar sua paleta sonora sem abandonar a delicadeza que havia definido sua identidade artística. Ou seja, nesse trabalho, preserva a sensibilidade lírica de Tiê, mas apresenta arranjos mais ricos, com maior presença de bateria, baixo, banjo, teclados, cordas e percussões. Produzido mais uma vez por Plínio Profeta, o álbum apresenta um som elegante, mas, desta vez, constrói arranjos significativamente mais elaborados. O violão continua sendo um elemento importante, porém divide espaço com banjo, guitarras limpas, piano, bateria suave, contrabaixo acústico e diversas camadas de teclados. Os vocais da cantora continuam intimistas e demonstram um enorme controle. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e, às vezes, envolventes. No fim, é um disco bacana, que mostrou uma certa evolução. 

Melhores Faixas: Pra Alegrar Meu Dia, Piscar O Olho, Mapa-Múndi 
Vale a Pena Ouvir: Você Não Vale Nada, Na Varanda Da Liz, Só Sei Dançar Com Você (cover da música da Tulipa Ruiz)

Esmeraldas – Tiê





















NOTA: 8,4/10


Três anos depois, Tiê lançou mais um álbum de estúdio, o Esmeraldas, que se mostrou mais variado. Após A Coruja e o Coração, a cantora decidiu dar um passo mais ousado ao incorporar uma produção mais pop, cinematográfica e ampla. Assim, construiu um disco mais confessional e mais "épico" instrumentalmente, refletindo uma fase diferente de sua vida pessoal e artística. A produção, desta vez, ficou por conta de Adriano Cintra e Jesse Harris, que deram ao álbum um som mais moderno. As guitarras aparecem com muito mais frequência, dividindo espaço com sintetizadores discretos, seções de cordas, sopros, pianos, teclados vintage, bateria mais presente e uma variedade maior de percussões. O disco dialoga muito mais com Indie Pop, Folk Pop e MPB e, com isso, os vocais da Tiê soam ainda mais delicados. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e intimistas. No final de tudo, é um trabalho muito legal e que demonstra uma fase mais confiante. 

Melhores Faixas: A Noite, Isqueiro Azul, Esmeraldas, Máquina De Lavar (Guilherme Arantes só no piano) 
Vale a Pena Ouvir: Depois De Um Dia De Sonho, All Around You (participação do David Byrne do Talking Heads), Par De Ases

Gaya – Tiê





















NOTA: 8/10


Em 2017, Tiê voltou a lançar mais um álbum, desta vez Gaya, que seguiu por um caminho mais sofisticado. Após o Esmeraldas, a cantora decidiu fazer um trabalho ainda mais pop, incorporando baterias eletrônicas, sintetizadores e arranjos de cordas, mas mantendo letras autobiográficas que abordam temas como culpa, amadurecimento, responsabilidade e julgamentos. Produção foi conduzida por Adriano Cintra e André Whoong, que adotaram uma abordagem moderna e acessível. Os violões ainda têm certa presença, mas agora convivem com sintetizadores, baterias processadas, baixos eletrônicos e uma presença muito maior de guitarras atmosféricas. Os vocais suaves da Tiê permanecem sempre no centro, dialogando com a estética do Indie Pop e da MPB contemporânea. O repertório é legalzinho, com canções bem imersivas e algumas que deixam a desejar. No geral, é um álbum bom, mas é o mais fraco devido algumas ideias deslocadas. 

Melhores Faixas: Amuleto, Mexeu Comigo, Me Faz, Oi 
Piores Faixas: O Mar Me Diz, Tudo Ou Nada

Esgotada – Tiê





















NOTA: 8,2/10


Recentemente, Tiê lançou seu álbum mais recente, o Esgotada, que, na verdade, faz parte de um projeto duplo. Após o Gaya, a cantora voltou a lançar seus trabalhos de forma independente e, para esse projeto, decidiu fazer com que essa primeira parte retratasse a sensação de sobrecarga que permeou sua vida nos últimos anos: maternidade, excesso de informação, pressão cotidiana, perdas pessoais e a tentativa constante de equilibrar a vida familiar e a carreira. A produção ficou por conta de André Whoong e Tó Brandileone. Os arranjos são relativamente enxutos, privilegiando pianos elétricos, violões, baixos orgânicos, baterias suaves e pequenas intervenções de cordas e teclados. A voz da Tiê continua delicada, mas agora transmite uma maturidade emocional muito maior. Com isso, temos uma sonoridade que dialoga com o Indie Folk e o Chamber Folk. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas. No geral, é um trabalho bacana e muito pessoal. 

Melhores Faixas: Atitude, A Verdade Dói, Ainda 
Vale a Pena Ouvir: Minha História, Altar, Tempo Pra Mim


segunda-feira, 20 de julho de 2026

Analisando Discografias - Natiruts

                 

Nativus – Nativus (Natiruts)





















NOTA: 10/10


No ano de 1997, o então chamado Nativus lançou seu álbum de estreia autointitulado. Formado no ano anterior, na capital Brasília, por Alexandre Carlo (vocais e guitarra), Kiko Peres (guitarra), Luís Maurício (baixo), Juninho (bateria), Izabella Rocha (vocal de apoio) e Bruno Dourado (percussão), surgiu em um período em que o Reggae nacional ganhava destaque por conta de nomes como O Rappa e Edson Gomes, mas o Natiruts tinha uma identidade bem própria. A produção, feita pela banda junto com Rodrigo Vidal e lançada pelo selo Zen Records, apresenta uma sonoridade bem orgânica. A bateria utiliza uma afinação seca e natural, enquanto o baixo ocupa uma posição central na mixagem. As guitarras exploram constantemente o tradicional skank do Roots Reggae, e os vocais de Alexandre são bem expressivos, dialogando bastante com o Pop Reggae. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Presente De Um Beija Flor, Liberdade Pra Dentro Da Cabeça, Deixa O Menino Jogar, Som De Bob, Casulo 
Vale a Pena Ouvir: Surfista Do Lago Paranoá, Cantar, Semente Nativa

Povo Brasileiro – Natiruts





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, o agora Natiruts lançou seu 2º álbum, o Povo Brasileiro, que foi um trabalho mais ambicioso. Após o Nativus, a banda mudou de nome para o que conhecemos hoje para não ter problemas com outra banda gaúcha de mesmo nome. Além disso, seu disco de estreia foi relançado, já que o grupo assinou com a gravadora EMI. Para esse projeto, decidiram incorporar críticas sociais, referências históricas, identidade nacional e discussões políticas ao universo da banda. A produção, feita por Liminha, trouxe um som bem mais refinado. Há bastante presença de metais e teclados, preenchendo os espaços com timbres discretos. A cozinha rítmica é bem sólida e consegue criar um groove constante, enquanto as guitarras permanecem fiéis ao skank, porém exploram mais camadas. Além disso, os vocais de Alexandre continuam bem expressivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No geral, é um belíssimo álbum e muito coeso. 

Melhores Faixas: O Carcará E A Rosa, Meu Reggae É "Roots", Eu e Ela, Povo Brasileiro, Proteja-se e Lute, Em Paz, Forasteiro 
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiros Azuis, Palmares 1999, Una Vez Más

Verbalize – Natiruts





















NOTA: 8,7/10


Em 2001, o Natiruts lançou seu 3º álbum, o Verbalize, que foi um trabalho mais acessível. Após o Povo Brasileiro, Alexandre Carlo decidiu direcionar as composições para uma reflexão mais pessoal e filosófica. O álbum fala sobre crescimento interior, espiritualidade, amor, responsabilidade e liberdade individual, mantendo as raízes do reggae, mas incorporando elementos mais amplos. Produzido por Tom Capone, o disco apresenta um som extremamente limpo e dinâmico. Os arranjos ganham profundidade por meio de instrumentos vintage, especialmente órgãos Hammond, pianos Fender Rhodes e teclados analógicos. Claro, a presença das guitarras com o tradicional skank, do baixo melódico, da bateria bem definida, com bumbo encorpado e caixa seca, e dos vocais precisos do Alexandre se equilibra com essa proposta ainda mais voltada para o Pop Reggae. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e divertidas. Enfim, é um trabalho bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Andei Só, Verbalize, Tenha Os Olhos Sempre Abertos, Homem Do Povo (participação do Rodolfo Abrantes), Flashes E Ambições 
Vale a Pena Ouvir: Eu Luto, Discípulo De Mestre Bimba, Gotas De Vidro

Qu4tro – Natiruts





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, a banda voltou lançando mais um trabalho novo, intitulado simplesmente Qu4tro. Após Verbalize, o Natiruts se consolidou como um dos grupos mais populares do Brasil, levando seu Reggae para um público muito além dos fãs tradicionais do gênero. Para esse projeto, decidiram fazer algo mais sério, tanto que as composições não foram todas feitas por Alexandre Carlo. A produção de Tom Capone é extremamente limpa, porém um pouco menos sofisticada. Isso porque aqui eles voltaram a fazer um Reggae mais tradicional, com Luís Maurício trazendo linhas de baixo melódicas, a bateria de Lucas Pimentel seca e precisa, as guitarras explorando constantemente o tradicional skank e os vocais do Alexandre conseguindo transmitir serenidade sem perder a intensidade emocional. O repertório é ótimo, e as canções são mais reflexivas e muito bem tematizadas. Enfim, é um ótimo álbum e carregado de espiritualidade. 

Melhores Faixas: Bob Falou, Espero Que Um Dia, Aldeia, Jamaica Roots II, Naticongo, Nessa Babilônia 
Vale a Pena Ouvir: Leve Com Você, Andar Pela Ilha, Soul De Bsb

Nossa Missão – Natiruts





















NOTA: 8,7/10


Três anos depois, o Natiruts lançou mais um trabalho novo, o variado Nossa Missão. Após o Qu4tro, o guitarrista Kiko Peres acabou saindo da banda. Além disso, eles encerraram seu vínculo com a EMI e passaram a lançar seus trabalhos de forma independente. Com isso, aproximaram sua música do dub, vertente jamaicana conhecida pelo uso intenso de delays, reverbs, ecos e manipulações de estúdio. A produção, feita pela própria banda, resultou em uma sonoridade mais variada, mas sem abrir mão daquele lado acessível característico do grupo. O som ainda é puxado para o Pop Reggae, mas há muita presença do Dub e do Dancehall. As guitarras skankeadas agora recebem diversos efeitos de delay e phaser. A cozinha rítmica é bem mais orientada ao groove, e os vocais de Alexandre são bastante expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são suaves e muito cadenciadas. No geral, é um trabalho muito bom e carregado de ousadia. 

Melhores Faixas: Quem Planta Preconceito, Quero Ser Feliz Também, Au De Cabeça, Iluminar, Caraíva 
Vale a Pena Ouvir: Bossa Nova em Kingston, Eu Eternamente Cantarei a Paz, Toca Fogo

Raçaman – Natiruts





















NOTA: 8/10


Em 2009, o Natiruts lançou seu 6º álbum de estúdio, o Raçaman, que foi um trabalho bem mais modernizado. Após o Nossa Missão, o percussionista Bruno Dourado e Izabella Rocha, que fazia os vocais de apoio, acabaram saindo da banda. Para esse projeto, Alexandre Carlo procurou expandir ainda mais os limites do Reggae praticado pelo grupo, aproximando-o da música brasileira e de elementos da música latina. A produção foi bastante limpa e muito variada, já que reúne elementos do Reggae, Dub, Dancehall, Soul e World music. As guitarras possuem timbres bastante limpos e modernos, as linhas de baixo são extremamente melódicas e profundas, a bateria é extremamente definida, assim como a percussão, e os vocais do Alexandre ficaram mais intimistas e trazem uma sensação de aconchego. O repertório é legalzinho, e as canções são mais envolventes e melódicas. No final de tudo, é um ótimo disco que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Raçaman, Um Céu, Um Sol E Um Mar 
Vale a Pena Ouvir: Vento, Sol, Coração, 1996, Sorri, Sou Rei, Reggae Music (Farol De Santa Marta)

Índigo Cristal – Natiruts





















NOTA: 5/10


Foi apenas em 2017 que o Natiruts voltou, lançando mais um álbum, o Índigo Cristal. Após o Raçaman, a banda lançou alguns projetos ao vivo nesse meio-tempo e também voltou a assinar com uma grande gravadora, a Sony Music. Nesse trabalho, eles procuraram equilibrar a identidade construída ao longo de duas décadas com uma sonoridade mais contemporânea. A produção, feita inteiramente por Alexandre Carlo, foi bastante refinada e dialoga com a modernidade. Eles continuam apostando no Pop Reggae, mas há uma forte presença de metais com linguagem jazzística, pianos elétricos, sintetizadores discretos, violões de MPB e guitarras extremamente limpas. Só que o problema é que tudo soa bastante reciclado, com arranjos que chegam a ser excessivamente arrastados. O repertório é mediano: há canções boas e outras bastante sem graça. Enfim, é um álbum irregular que mostrava que eles estavam perdidos. 

Melhores Faixas: Desculpe, Doutor, Sol Do Meu Amanhecer, Eu Quero Demais 
Piores Faixas: Caminhando Eu Vou, Canção Pro Vento, Que Bom Você De Volta

I Love – Natiruts





















NOTA: 3/10


No final de 2018, o Natiruts lançou outro álbum, intitulado I Love, que foi um trabalho ainda mais sofisticado. Após o Índigo Cristal, Alexandre Carlo decidiu criar um disco inteiramente voltado ao amor em suas diversas formas: amor romântico, amizade, ancestralidade e respeito às diferenças. Além disso, procurou aproveitar o hype que o Natiruts havia adquirido com seu lançamento anterior, em um período marcado pelo domínio do Sertanejo universitário. A produção foi mais variada, com as guitarras skank sempre em destaque, porém cercadas por sintetizadores suaves, efeitos de ambiência e camadas vocais bastante trabalhadas. O baixo possui um groove mais profundo, e a bateria apresenta timbres modernos e secos, dialogando com o Pop Reggae, além de influências da música latina e até do R&B. Mesmo assim, tudo parece um conjunto de ideias sem forma. O repertório é muito ruim, com canções chatinhas e poucas exceções. No final, é um álbum fraquíssimo e sem coesão. 

Melhores Faixas: Bem Pra Longe, Deriram, Verde do Mar de Angola (ótima participação do Gilberto Gil) 
Piores Faixas: Hoje Eu Quero Ouvir, I Love, Xaxado do Amor, O Silêncio Virou Som

Good Vibration – Natiruts





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2021, quando o Natiruts lançou seu último álbum, o Good Vibrations. Após o I Love, a banda planejou um projeto audiovisual chamado América Vibra, gravado na Argentina, mas a pandemia de COVID-19 interrompeu completamente esses planos. Então, Alexandre Carlo decidiu fazer um álbum de forma remota e reunir uma série de convidados. A produção foi bem complicada, já que tudo foi gravado de forma individual, e eles decidiram seguir uma sonoridade polida e acessível, juntando Pop Reggae, Dancehall, R&B e Afrobeats. As guitarras são extremamente limpas, os baixos são sólidos, a bateria é seca e os vocais do Alexandre são bem seguros. O problema é que tudo continua muito repetitivo e carece de algo mais dinâmico. Além disso, os teclados acabam se sobrepondo aos arranjos. O repertório é irregular: há canções boas e outras genéricas. No fim, é um álbum mediano e, após isso, a banda encerrou suas atividades em 2025. 

Melhores Faixas: Dia Perfeito (Planta E Raiz levou som para eles), Reggae Amor (participação do Carlinhos Brown), Good Vibration (IZA mandou bem) 
Piores Faixas: Que Bom Você De Volta II, Ela, Todo Bien, Rosas

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

Review: July, December do Racecourse

                    July, December – Racecourse NOTA: 9,3/10 No final de 2025 (ou melhor, no último dia daquele ano), foi lançado o álbum de...