domingo, 30 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Invisible

                  

Invisble – Invisible





















NOTA: 9,7/10


Era 1974, e surgiu mais um álbum de estreia de outra banda argentina chamada Invisible. Após o fim do Pescado Rabioso, Spinetta estava cada vez mais interessado em abandonar as estruturas convencionais do Rock e explorar uma linguagem mais pessoal, poética e aberta. Com isso, ele formou um trio com o baixista Carlos Alberto “Machi” Rufino e o baterista Héctor “Pomo” Lorenzo. A proposta era fazer um álbum que soasse simultaneamente pesado, delicado, psicodélico e progressivo. A produção seguiu um caminho ambicioso, contendo uma junção do Rock Progressivo com elementos do Jazz-Rock, Folk e Hard Rock. As guitarras são mais limpas e bem executadas, o baixo é bastante presente e a bateria possui seu peso, enquanto os vocais de Spinetta são carregados de energia e expressão. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem cadenciadas e cheias de complexidade. No fim, é um baita disco de estreia e era só o começo. 

Melhores Faixas: Azafata Del Tren Fastasma, El Diluvio Y La Pasajera, Lo Que Nos Ocupa Es Esa Abuela. La Conciencia Que Regula El Mundo, Jugo De Lúcuma 
Vale a Pena Ouvir: Irregular, Suspensión
  

Durazno Sangrando – Invisible





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum do Invisible, o maravilhoso Durazno Sangrando. Após o álbum de estreia, eles foram para uma direção mais conceitual, introspectiva e espiritual, sem abandonar a complexidade instrumental. Spinetta estava cada vez mais interessado em transformar suas composições em experiências que ultrapassassem o formato tradicional. Sua escrita passava a trabalhar com imagens de natureza, consciência, corpo, sonho e espiritualidade, enquanto a música acompanhava esse universo com estruturas mais fluidas. A produção foi bem mais refinada e atmosférica, contendo uma preocupação maior em criar espaços, contrastes e texturas. As guitarras variam entre momentos delicados e timbres limpos, o baixo de Machi fornece linhas sustentáveis e a bateria de Pomo é bastante tensa. O repertório é curtinho, contendo 5 faixas que são todas sensacionais. Enfim, é um disco incrível e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Durazno Sangrando, Encadenado Al Ánima, En Una Lejana Playa Del Ánimus 
Vale a Pena Ouvir: Pleamar De Águilas, Dios De Adolescencia

El Jardín De Los Presentes – Invisible





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1976, quando o Invisible lançava seu 3º e último álbum, o atemporal El Jardín de los Presentes. Após o Durazno Sangrando, esse trabalho representa uma mudança importante porque, embora o trio continue sendo o núcleo da banda, o som se torna mais amplo. Spinetta passa a trabalhar com outros músicos e acrescenta novas cores aos arranjos. A entrada de músicos como Tomás Gubitsch na guitarra permite que as composições ganhem uma dimensão instrumental muito maior. A produção foi muito bem detalhada, trazendo um som orgânico e juntando Rock Progressivo e Art Rock com elementos do Jazz-Rock, psicodelia e Tango. As guitarras ficaram bem texturizadas e harmônicas, o baixo possui linhas bem melódicas e a bateria é cheia de variações e acentos, enquanto os vocais do Spinetta são muito seguros. O repertório é incrível e parece uma coletânea. No fim, é um disco excepcional e também um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Los Libros De La Buena Memoria, El Anillo Del Capitán Beto, Ruido de Magia 
Vale a Pena Ouvir: Las Golondrinas De Plaza De Mayo, Doscientos Años


                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Pescado Rabioso

                  

Desatormentándonos – Pescado Rabioso





















NOTA: 9,7/10


Em 1972, foi lançado o álbum de estreia do Pescado Rabioso, o Desatormentándonos. Após o fim do Almendra, Luis Alberto Spinetta tinha viajado para a Europa, quando retornou, formou a banda com Black Amaya (bateria) e Osvaldo "Bocón" Frascino (baixo). Trazendo uma proposta mais agressiva, o álbum não abandona completamente o lado delicado e melódico que vinha do Almendra, criando justamente o contraste que o torna tão interessante. A produção foi feita pelo próprio Spinetta e foi relativamente simples, deixando um som cru e pesado. As guitarras possuem riffs pesados, acordes distorcidos, passagens psicodélicas e momentos mais contemplativos. O baixo possui bastante destaque, a bateria do Amaya carrega bastante peso e os vocais do Spinetta são expressivos, dialogando assim com Hard Rock, Blues Rock e Rock Psicodélico. O repertório é maravilhoso, e as 5 canções são todas bem energéticas. No fim, é um baita álbum de estreia e bem variado. 

Melhores Faixas: Blues De Cris, Serpiente (Viaja Por La Sal) 
Vale a Pena Ouvir: El Monstruo De La Laguna, El Jardinero (Temprano Amanecio), Dulce 3 Nocturno
  

Pescado 2 – Pescado Rabioso





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o Pescado Rabioso lançava seu 2º álbum, o sensacional Pescado 2. Após o Desatormentándonos, Spinetta decidiu expandiu consideravelmente suas ambições composicionais, misturando Rock, Blues, psicodelia, Folk e momentos experimentais. Além disso, David Lebón passou a ocupar o baixo e também contribuiu com guitarra e voz, enquanto Carlos Cutaia trouxe teclados, especialmente órgão e piano. Black Amaya continuava na bateria. Produção deixou aquela estética crua só que colocou mais definição, já que as principais influencias são Rock psicodélico e Heavy Psych. As guitarras possuem riffs longos e texturas abrangentes, o baixo é bem melódico, a bateria é muito bem variado e uso de Orgão deixa uma atmosfera ameaçadora, além claro dos vocais do Spinetta que são carregados de sinceridade. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem introspectivas e imersivas. Enfim, é um disco incrível e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Como El Viento Voy A Ver, Madre - Selva, Cristálida, Mañana O Pasado, Credulidad, Iniciado Del Alba, Peteribí, Poseído Del Alba, Mi Espíritu Se Fue 
Vale a Pena Ouvir: Sombra De La Noche Negra, Viajero Naciendo, Nena Boba

Artaud – Pescado Rabioso





















NOTA: 10/10


Ainda naquele mesmo ano de 1973, quando foi lançado o atemporal Artaud (com essa capa icônica). Após o Pescado 2, devido às tensões internas, Spinetta decidiu se afastar do formato de banda tradicional e decidiu fazer algo ambicioso, convidando Rodolfo García e Emilio del Guercio para participar das gravações. Esse título é uma referência ao poeta e dramaturgo francês Antonin Artaud, figura ligada ao surrealismo, ao teatro da crueldade e à exploração de estados extremos da consciência. A produção do Spinetta foi para um som mais espaçoso, que juntou os mundos do Folk Rock com elementos da psicodelia e um pouco do Blues Rock. O violão acústico possui acordes pouco convencionais e mudanças harmônicas inesperadas, com seus vocais sempre no centro, com os arranjos sendo complementados por pianos e guitarras limpas. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Bajan, Cantata De Puentes Amarillos, Cementerio Club, Las Habladurías Del Mundo, Todas Las Hojas Son Del Viento 
Vale a Pena Ouvir: Superchería, Por


Analisando Discografias - Almendra

                  

Almendra – Almendra





















NOTA: 10/10


Era o início dos anos 70, e surgiu o álbum de estreia autointitulado de uma banda chamada Almendra. Formada dois anos antes, na capital argentina, Buenos Aires, por quatro jovens promissores, Luis Alberto Spinetta (guitarras e vocais), Edelmiro Molinari (guitarras), Emilio del Guercio (baixo) e Rodolfo García (bateria), a banda trouxe um álbum lançado pela Sony Music, carregado de experimentação, mas que não abria mão da acessibilidade e também tinha um grande diferencial: as letras poéticas de Spinetta. A produção foi feita pela própria banda, que colocou um som orgânico que misturava Rock Psicodélico, Folk, Blues Rock e Pop Barroco. As guitarras são bastante variadas em seus timbres, o baixo é bastante consistente, a bateria acompanha o movimento, inclusive nas mudanças de dinâmica, e os vocais do Spinetta são bem poderosos. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. No fim, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Muchacha (Ojos De Papel), A Estos Hombres Tristes, Plegaria Para Un Niño Dormido, Ana No Duerme, Color Humano 
Vale a Pena Ouvir: Que El Viento Borró Tus Manos, Laura Va
  

Almendra II – Almendra





















NOTA: 9,2/10


No mesmo ano, o Almendra lançava seu 2º álbum, que é conhecido como Almendra II. Após seu clássico álbum de estreia, a banda havia apresentado uma combinação muito particular, além de ter colocado Luis Alberto Spinetta como um dos principais compositores da música argentina. A banda já não parecia satisfeita em trabalhar apenas com o formato de canções relativamente curtas e acessíveis. Spinetta, Edelmiro Molinari, Emilio del Guercio e Rodolfo García estavam interessados em desenvolver composições mais extensas e com estruturas menos convencionais. A produção foi bem mais expansiva, com eles entrando de cabeça na psicodelia, além de traços do Blues Rock e Rock Progressivo. As guitarras ficaram muito mais intensas, a cozinha rítmica é bastante orgânica e os arranjos conseguem ser bem funcionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem ecléticas e contêm um caráter imersivo. No fim, é um ótimo disco que consegue ser bem coeso. 

Melhores Faixas: Camino Dificil, Toma El Tren Hacia El Sur, Rutas Argentinas, Vete De Mí, Cuervo Negro, Agnus Dei, Para Ir, Carmen, Los Elefantes, Mestizo 
Vale a Pena Ouvir: No Tengo Idea, Florecen Los Nardos, En Las Cúpulas

El Valle Interior – Almendra





















NOTA: 8,7/10


Em 1980, o Almendra lançava seu 3º e último álbum, o El Valle Interior, que teve uma proposta diferente. Após o Almendra II, a banda acabou se separando porque alguns planos não deram certo, como uma tentativa de fazer uma Ópera-Rock, e também os conflitos internos fizeram com que cada um seguisse seu próprio caminho. Até que, no fim dos anos 70, eles se reuniram, e o que começou com apresentações ao vivo posteriormente resultou na ideia de registrar material novo. A produção foi feita por Alberto Ohanian, que colocou um som limpo e definido, só que eles não se desfizeram de seu lado orgânico. As guitarras aparecem de maneira menos agressiva e mais textural, as linhas de baixo são bem melódicas e a bateria é bem sustentável, com eles dialogando com Rock Progressivo e Jazz-Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco que encerrou bem a trajetória da banda. 

Melhores Faixas: Miguelito, Mi Espíritu Ha Partido A Tiempo, Las Cosas Para Hacer, Amidama 
Vale a Pena Ouvir: El Fantasma De La Buena Suerte, Buen Dia, Dia De Sol


sábado, 29 de agosto de 2026

Analisando Discografias - ULOx

                 

Aeterna Reditus – ULOx





















NOTA: 8/10


No ano de 2023, o ULOx lançava seu álbum de estreia, intitulado Aeterna Reditus. O rapper paulista começou sua trajetória por volta de 2018, em um momento em que o Trap começava a se tornar tendência na grande mídia, mas o ULOx trazia uma abordagem diferente, já que decidiu juntar elementos do Trap com Metal extremo. Com esse projeto, ele transforma sofrimento, caos e autodestruição em uma espécie de universo conceitual. A produção foi feita possivelmente pelo próprio rapper, que colocou um som sombrio e claustrofóbico, com beats carregados de peso, 808s fortes, hi-hats discretos, synths melódicos e, claro, uma presença de guitarras com riffs diretos, fazendo um diálogo entre Trap Metal, Screamo, Rap Industrial e até elementos do Jersey. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e densas. No fim, é um ótimo álbum de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: hic finit deo, ante tempus, ex vulnere 
Vale a Pena Ouvir: insolitus, nulla spes est, absentis

A ARTE DO AMOR E ÓDIO – ULOx





















NOTA: 8,5/10

No ano seguinte, o ULOx lançou seu 2º álbum, o conceitual A ARTE DO AMOR E ÓDIO. Após o Aeterna Reditus, o rapper decidiu fazer um álbum conceitual que estabelece a principal oposição do trabalho: amor e violência, afeto e ressentimento, vulnerabilidade e agressividade. Fazendo assim um álbum que, apesar de carregar o peso de sua estética, consegue se aprofundar em temas mais espirituais. A produção, feita por ele junto com Young P Beats, colocou um som mais variado; os beats ficaram mais amplos, contando com graves fortes e 808s precisos, além, é claro, do uso de guitarras e synths melódicos. Mas, aqui, além dos elementos do Trap Metal e do Screamo, há elementos do Horrorcore, Emo Rap e Indie Folk, que conseguem ser bem utilizados, já que a performance do ULOx é carregada de sinceridade e conta com guturais intensos. O repertório é muito bom, e as canções são bem sombrias, mas muito profundas. No final, é um ótimo trabalho e bem estruturado. 

Melhores Faixas: AVASSALADOR, ÚNICO (ISSO É TRAPMETAL BR SEU FDP), LIVRO II: ESPELHO / INIMIGO, LIVRO I: HERDEIRO DE CAIM, O CEIFEIRO, BABILÔNIA 
Vale a Pena Ouvir: NO MEU INFERNO, MALCOM X 666, BEM VINDO AO BRASIL 686

NADA SERÁ COMO ANTES, NUNCA – ULOx





















NOTA: 8/10


Então chegamos neste ano, quando o ULOx lançou seu mais recente álbum, o NADA SERÁ COMO ANTES, NUNCA. Após o A ARTE DO AMOR E ÓDIO, o rapper decidiu fugir um pouco da temática do Trap Metal para fazer um trabalho que fosse mais tradicional, só que abordando temas como mudança, trauma, dor, destino, decadência e transformação pessoal. A produção, feita inteiramente por Young P Beats, colocou beats crus, contando com 808s pesados, hi-hats constantes, synths discretos, linhas de baixo profundas e pads atmosféricos e precisos, que fazem o trabalho dialogar muito mais com o Trap tradicional, com elementos do Horrorcore ainda estando presentes. Aqui, o ULOx adota flows bem mais cadenciados e que conseguem ser bem técnicos, apesar de seus recursos limitados. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e com um toque atmosférico. No final de tudo, é um ótimo trabalho e que conseguiu se arriscar bem. 

Melhores Faixas: o chamado..., BENDITO O FRUTO DO VOSSO VENTRE 
Vale a Pena Ouvir: VILÃO, NADA SÉRA COMO ANTES, NUNCA, DOR


                                                                                    Então é isso e flw!!!               

Analisando Discografias - Hermitude: Parte 2

                  

Dark Night Sweet Light – Hermitude





















NOTA: 4/10


Em 2015, o Hermitude lança um novo álbum intitulado Dark Night Sweet Light, que mostrava eles de cabeça no EDM. Após o HyperParadise, a dupla procurou simplificar a abordagem e trabalhar com uma sonoridade mais direta e menos carregada. O próprio conceito do álbum gira em torno desse contraste entre noite e luz. A ideia era criar um disco com clima noturno, urbano e iluminado pelas luzes da cidade, mas que também carregasse momentos de melancolia. A produção foi para um caminho bem polido, só que colocando uma abordagem cinematográfica, onde mantém sua obsessão por graves, samples, sintetizadores, baterias eletrônicas e manipulação vocal. Com eles juntando os mundos do Wonky com Future Bass e alguns elementos do Trap (EDM), mas é aquilo: tudo soa muito sem imersão, fazendo um trabalho extremamente confuso. O repertório é muito ruim, tem canções legais e outras que são fraquíssimas. Enfim, é um álbum ruim e muito sem graça. 

Melhores Faixas: Bermuda Bay, Ukiyo, Metropolis, The Buzz 
Piores Faixas: Midnight Terrain, Shift, Through The Roof, Hijinx, Searchlight Reprise
  

Pollyanarchy – Hermitude





















NOTA: 2/10


Quatro anos depois, o Hermitude retornaria com um novo álbum, o Pollyanarchy. Após o Dark Night Sweet Light, eles conseguiram conquistar um espaço importante dentro da música eletrônica internacional. Com a dupla decidindo ampliar ainda mais a presença dos vocais e das estruturas de música Pop, aproximando-os de uma sonoridade mais moderna e voltada para diferentes tipos de público. A produção foi bastante moderna e limpa, com eles entrando de cabeça no Future Bass daquele período. Os graves continuam sendo muito importantes, porém agora dividem espaço com sintetizadores mais brilhantes, baterias eletrônicas mais precisas, samples vocais e arranjos que deixam tudo muito plastificado e feito para entrar em alguma playlist, sendo assim um completo produto de sua época. O repertório é terrível, e as canções são bastante genéricas, com apenas uma que se salva. Enfim, é um trabalho péssimo e que mostrou uma queda irreversível. 

Melhor Faixa: Northern Lights 
Piores Faixas: Every Day, Swerve, Phew, OneFourThree, Balafono

Mirror Mountain – Hermitude





















NOTA: 3/10


No ano de 2022, o Hermitude lançava mais um trabalho novo, o Mirror Mountain. Após o Pollyanarchy, eles voltaram para Blue Mountains, região onde cresceram e onde a história deles começou, e transformaram essa volta para casa no ponto central do novo trabalho. Esse álbum acabou funcionando como uma espécie de reencontro com as origens, mas sem ignorar tudo que os dois haviam aprendido durante os anos de carreira. A produção teve grandes mudanças, já que reduz a quantidade de elementos utilizados e trabalha com um conjunto muito menor de ferramentas. A abordagem gira principalmente em torno de sintetizadores, laptop e Moog Matriarch, além de instrumentos, gravações de campo e sons capturados no próprio ambiente. Com influências claras de Breaks progressivo, 2-Step, Breakbeat e House, só que tudo soa totalmente sem cor. O repertório é muito fraco, tendo canções confusas, com poucas interessantes. No geral, é um álbum ruim e cheio de erros. 

Melhores Faixas: Flush With Love, Promises, Golden Hour 
Piores Faixas: Sixth Sense, Tides Of Time, Life Me Up, When You Feel Like This

EIGHT – Hermitude





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2026, quando o Hermitude voltou lançando seu mais recente álbum, o EIGHT. Após o Mirror Mountain, eles criaram o selo Heavy Weather para assumir esse novo capítulo de forma independente. Ao mesmo tempo, a experiência de tocar nos Estados Unidos depois da pandemia ajudou a perceber que havia uma demanda muito forte por músicas mais físicas e dançantes. A produção foi para um caminho bem mais moderno, colocando o foco muito mais claramente no UK Garage, Stutter House e em estruturas quatro-por-quatro, seguindo muito a vibe recente do Fred again.... Mas o problema é que tudo fica bem reciclado, com algumas ideias que conseguem funcionar, como o uso certeiro de graves e sintetizadores que criam um ambiente variado, só que fica apenas nisso. O repertório é irregular, tem canções boas e outras que são apenas genéricas. No geral, é um álbum mediano, ao qual faltou pouco para ser bom. 

Melhores Faixas: Light Up, OKAY, For The Night 
Piores Faixas: I Want Ya, Movement, All That


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Hermitude: Parte 1

                  

Alleys To Valleys – Hermitude





















NOTA: 8,2/10


Em 2003, o duo Hermitude lançava seu álbum de estreia, intitulado Alleys to Valleys. Formado em 2000 na região montanhosa de Blue Mountains, New South Wales, na Austrália, pela dupla Luke Dubber (Luke Dubs) e Angus Stuart (Elgusto), em um período em que os dois estavam desenvolvendo uma abordagem própria para o Rap instrumental. A produção, feita pela própria dupla, colocou batidas cuidadosas, evitando que elas fossem simplesmente loops repetidos durante vários minutos. Há uma preocupação constante com textura, dinâmica e pequenas mudanças dentro dos arranjos. Os samples, teclados, efeitos, linhas de baixo e elementos percussivos são colocados de maneira a criar uma sensação de movimento, que faz esses elementos dialogarem com características do Jazz, Ambient e do Trip Hop. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas. Enfim, é um ótimo disco e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Alleys To Valleys, Splendid Isolation, Gusto's Theme, Cave Styles 
Vale a Pena Ouvir: Moth Journey, Imaginary Friends (AV), Space Evaders, Fire Up The Converters
  

Tales Of The Drift – Hermitude





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e o Hermitude lançava seu 2º álbum, intitulado Tales of the Drift. Após o Alleys to Valleys, que estabeleceu uma identidade baseada no Rap instrumental, Jazz e um pouco da música eletrônica, o primeiro álbum ainda tinha bastante daquela característica de produtores explorando samples e construindo atmosferas. No seu sucessor, a intenção foi expandir essa fórmula e fazer com que a música tivesse uma presença mais orgânica. A produção foi bem mais orgânica, com eles tendo uma preocupação maior em tocar e manipular os próprios instrumentos. Isso deixa o som mais vivo e também permite que as músicas tenham mais personalidade individual. Os beats continuam quebrados, os samples continuam importantes e existe uma forte preocupação com a manipulação do som, fazendo tudo de forma bem fluida. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas e variadas. No fim, é um disco bacana e que merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Tapedeck Sound, Madness in G Minor, Galactic Cadillac, The Drift, You Got Soul 
Vale a Pena Ouvir: Nightfall's Messenger, Dubs' Theme, Mystical Herm's

Threads – Hermitude





















NOTA: 8/10


Mais três anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho do Hermitude, o Threads. Após o Tales of the Drift, a dupla estava cada vez mais interessada em transformar essa base em algo mais amplo e musical. Com isso, eles começaram a se afastar um pouco da lógica de simplesmente construir instrumentais e passaram a trabalhar com estruturas mais elaboradas, participações vocais e uma sonoridade eletrônica mais evidente. A produção foi mais cinematográfica, ainda contendo a utilização de samples e programação eletrônica, mas começou a construir músicas com arranjos mais completos, incorporando uma quantidade maior de instrumentos e texturas. Com isso, ainda há elementos do Rap instrumental, só que agora também há passagens do Downtempo e Glitch Hop. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais densas. No geral, é um trabalho interessante, mesmo que faltasse algo mais. 

Melhores Faixas: Frayed, Slychain 
Vale a Pena Ouvir: New People, Bloodshoot, Stepping Stones

HyperParadise – Hermitude





















NOTA: 8,3/10


No ano de 2012, o Hermitude voltava com um novo disco, o HyperParadise, de forma repaginada. Após o Threads, a dupla já tinha passado anos desenvolvendo sua linguagem, mas aqui encontrou uma maneira de tornar seu experimentalismo muito mais acessível. Em vez de abandonar a complexidade dos trabalhos anteriores, Luke Dubs e El Gusto começaram a organizar suas ideias em torno de grooves mais fortes e melodias mais marcantes. A produção seguiu por um caminho bem orientado para as pistas de dança, com eles juntando Wonky e Glitch Hop a elementos do Future Bass e Funktronica. Os sintetizadores têm uma textura granulada, enquanto as baterias podem alternar entre algo bastante seco e agressivo e momentos mais espaçosos. Os beats possuem um efeito glitcheado e contam com graves fortes, além da presença de percussão. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e futuristas. No geral, é um disco bacana e que foi a virada de chave. 

Melhores Faixas: Get In My Life, HyperParadise, Speak Of The Devil 
Vale a Pena Ouvir: The Hunt, The Villain, Cloud City


                                                                            Então é isso, um abraço e flw!!!                

Analisando Discografias - Invisible

                   Invisble – Invisible NOTA: 9,7/10 Era 1974, e surgiu mais um álbum de estreia de outra banda argentina chamada Invisible....