sábado, 1 de agosto de 2026

Review: ALFA do Major RD

                  

ALFA – Major RD





















NOTA: 5/10


Recentemente foi lançado o mais novo álbum do Major RD, o ALFA, que quis ser conceitual. Após o Ascensão do Cisne Negro, o rapper passou os últimos anos liderando a Rock Danger, até que, recentemente, assinou com a Warner. Esse projeto traz um conceito que é um retrato de um homem que passou a enxergar o sucesso por outro ângulo: o da responsabilidade. Tanto que a capa é uma referência a Nossa Senhora Aparecida, deixando tudo com um aspecto mais espiritual. A produção contou com meLLo, Honaiser, Papatinho e outros, que colocaram beats orgânicos, trazendo uma mistura de Drill, Trap e, às vezes, Boom Bap e Jazz Rap. O rapper apresenta um flow mais variado, mas sem abandonar aquele lado agressivo. No entanto, tudo soa como uma espécie de DLRE, sem coesão e com quebras imprecisas. O repertório é irregular: há canções boas e outras que são bem genéricas e deslocadas. Enfim, é um álbum mediano, com um conceito que não funciona. 

Melhores Faixas: Alfa (MV Bill amassou), Carta pra Majur, Karatê (BK’ mandou bem), Desconforto 
Piores Faixas: Foden (Slipmami decepcionou), Retrica (Cabelinho e Chefin estragaram a música), Apetite Por Ratos, Eloy Casagrande
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                         

Analisando Discografias - Ghostface Killah

                   

Ironman – Ghostface Killah





















NOTA: 10/10


Em 1996, o Ghostface Killah lançava seu clássico 1º álbum solo, intitulado Ironman. Após o Enter The Wu-Tang (36 Chambers), ele ainda enfrentava problemas judiciais, o que dificultou parte da produção do álbum. Mesmo assim, conseguiu gravar material suficiente para montar seu disco solo. O trabalho mostra um cara que utilizava imagens abstratas, referências ao cotidiano, memórias fragmentadas, violência, luxo, dramas pessoais e metáforas difíceis de interpretar, criando uma identidade única. A produção foi feita inteiramente por RZA, que colocou beats secos e minimalistas, contando com baterias pesadas, caixas secas e loops repetitivos, além de linhas de baixo profundas e samples de Soul, seguindo a temática do Boom Bap. O flow do Ghost é bastante técnico, encaixando-se perfeitamente com as linhas de Raekwon e Cappadonna. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea de grandes momentos. No fim, é um baita disco e uma obra-prima absoluta. 

Melhores Faixas: Iron Maiden, Assassination Day (Inspectah Deck marcando presença), Daytona 500, Winter Warz (ótima feat do U-God e Masta Killa), Fish, After The Smoke Is Clear, Wildflower 
Vale a Pena Ouvir: Box In Hand (Method Man mandou bem), All That I Got Is You (boa feat da Mary J. Blinge), Poisonous Darts

Supreme Clientele – Ghostface Killah





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 2000, o Ghostface lança seu atemporal 2º álbum, o Supreme Clientele. Após o Ironman, o rapper enfrentou problemas legais, passou um período encarcerado e precisou reorganizar sua vida pessoal antes de voltar ao estúdio. Ghost também realizou viagens para a África, experiência que influenciou parte de sua visão artística e pessoal. Embora o álbum não seja conceitual, há uma sensação de renovação espiritual misturada ao tradicional universo urbano que sempre caracterizou suas letras. A produção contou com RZA, Mathematics, JuJu e vários outros nomes, que seguiram um caminho mais diversificado, com beats sendo bem mais cruas, contando com baterias secas, maior variação de texturas, loops imperfeitos e samples de Soul precisos, encaixando perfeitamente com os flows caóticos do rapper. O repertório é sensacional, sendo uma verdadeira coletânea e muito bem amarrado. Enfim, é um disco incrível e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: One, Nutmeg (RZA mandando da boa), Mighty Healthy, Malcom, Wu Banga 101 (Que time: Raekwon, Cappadonna, Masta Killa e GZA), Apollo Kids (Raekwon amassando), Ghost Deini 
Vale a Pena Ouvir: Child's Play, Buck 50 (Cappadonna, Method Man, Masta Killa e Redman mandaram bem), Cherchez LaGhost (ótima feat do U-God)

Bulletproof Wallets – Ghostface Killah





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, o Ghostface Killah lança seu 3º álbum, o Bulletproof Wallets, que foi mais comercial. Após o clássico Supreme Clientele, esse novo álbum possuía uma configuração diferente da versão lançada oficialmente. Diversas faixas precisaram ser retiradas ou substituídas por problemas envolvendo a liberação de samples, algo relativamente comum nos discos do Wu-Tang devido ao uso pesado de gravações antigas de Soul e Funk. A produção foi feita por RZA, PLX, The Alchemist e outros, que colocaram beats muito mais suaves, com presença de baterias marcantes, porém com maior preocupação em melodias suaves e grooves acessíveis. Além disso, há linhas de baixo mais variadas e até sintetizadores discretos, mas ainda mantendo a influência do Boom Bap. Com isso, os flows do Ghost se tornam muito mais variados e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são muito divertidas e, ao mesmo tempo, imersivas. Enfim, é um ótimo álbum e muito consistente. 

Melhores Faixas: Never Be The Same Again, The Hilton (Raekwon amassou), The Forest, Theodore 
Vale a Pena Ouvir: Ghost Showers, The Juks, Love Session

Fishscale – Ghostface Killah





















NOTA: 9,9/10


Em 2006, o Ghostface lançava outro álbum sensacional, o Fishscale, que foi bem mais ambicioso. Após o Bulletproof Wallets, em vez de adaptar completamente seu estilo às tendências da época, como fez anteriormente, ele decidiu aprofundar ainda mais sua identidade baseada em narrativas de rua, referências à Soul Music e uma escrita extremamente visual. A produção contou com MF DOOM, J Dilla, Pete Rock e vários outros, que colocaram uma abordagem extremamente rica em detalhes. Os beats são muito variados, com presença de samples precisos de Soul dos anos 60 e 70, baterias minimalistas, vocais femininos, linhas de baixo profundas, cordas, pianos e guitarras suaves. O álbum dialoga, em alguns momentos, com o Boom Bap e o Chipmunk Soul, deixando o flow técnico do Ghostface Killah conseguir surfar nos beats. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de mensagens e muito atmosféricas. No fim, é um belo disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: The Champ, Shakey Dog, Jellyfish, Whip You With A Strap, Kilo (Raekwon mandou bem), Be Easy, 9 Milli Bros (juntou a Wu-Tang inteira) 
Vale a Pena Ouvir: Dogs Of War, Big Girl, Momma, Beauty Jackson

The Big Doe Rehab – Ghostface Killah





















NOTA: 6/10


Mais um ano se passou, e o Ghostface Killah voltou com um álbum bem mais acessível, The Big Doe Rehab. Após Fishscale, o rapper decidiu adotar uma abordagem mais descontraída. Ghost continua explorando histórias sobre o cotidiano urbano, relacionamentos, luxo, humor e criminalidade, mas o álbum possui um clima menos intenso e mais leve em diversos momentos. A produção foi feita por Anthony Acid, Sean C & LV, entre outros, que seguiram para uma sonoridade bem mais polida e limpa, com beats amplos contando com vocais antigos, linhas de baixo profundas, cordas e pianos que criam uma atmosfera calorosa. Só que, claro, o álbum segue a estética do Rap mafioso que ele ajudou a consolidar, mas o problema é que há muita coisa extremamente repetitiva, e os flows do Ghost acabam, às vezes, não se encaixando bem. O repertório é mediano, começando bem, mas depois apresenta canções bem fraquinhas. Enfim, é um álbum irregular e sem graça. 

Melhores Faixas: Yapp City, Walk Around, Yolanda's House (ótima feat do Method Man e Raekwon), Paisley Darts 
Piores Faixas: Toney Sigel A.K.A. The Barrel Brothers, We Celebrate, Rec-Room Therapy (U-God não entregando nada), The Prayer

Wu-Massacre – Meth • Ghost • Era





















NOTA: 6/10


No ano de 2010, foi lançado o álbum colaborativo de Method Man, Ghostface Killah e Raekwon, o Wu-Massacre. Após o lançamento de seus projetos recentes, os três lendários rappers do Wu-Tang Clan decidiram se reunir para fazer um trabalho que relembrasse a estética dos projetos clássicos do grupo, em um momento em que o álbum de estreia estava perto de completar 20 anos de lançamento. A produção contou com Scram Jones, RZA, Mathematics e outros, que pegaram aquela estética clássica com elementos modernos; ou seja, os beats são pesados, mas convivem com graves mais fortes, timbres digitais mais evidentes e uma maior preocupação com impacto imediato. Cada rapper colocou seu jeito de rimar em cima dos beats, deixando algo muito vazio e com falta de maior coesão. O repertório é irregular, tendo canções legais e outras que são fracas mesmo. Enfim, é um álbum mediano e bem decepcionante. 

Melhores Faixas: Smooth Sailing (Remix), Dangerous, Miranda 
Piores Faixas: Criminology 2.5, Gunshowers, It's That Wu Sh*t

Apollo Kids – Ghostface Killah





















NOTA: 8,7/10


Naquele mesmo ano, o Ghost lança mais um trabalho novo, o Apollo Kids, onde trouxe uma abordagem interessante. Após o Wu-Massacre com Method Man e Raekwon, o rapper já preparava um projeto que tem referencia a uma das faixas do Supreme Clientele. Com o Ghostface Killah confortável com sua identidade artística, cercado por inúmeros colaboradores e disposto a explorar diferentes abordagens dentro do rap tradicional de Nova York. Produção foi diversificada contando com Sean C & LV, Frank Dukes e vários outros, que colocaram beats cruas e diretas contando com baterias pesadas, linhas de baixo profundas e melodias bastante calorosas. Fora a presença de graves que possuem bastante presença e os detalhes instrumentais aparecem com maior clareza. Deixando o Ghost surfar nos beats com seu flow extremamente preciso. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e imersivas. No geral, é um ótimo álbum e muito coeso. 

Melhores Faixas: In Tha Park (Black Thought amassando), Troublemakers (Raekwon, Method Man e Redman amassaram), Black Tequila (Cappadonna foi bem), Ghetto (Cappadonna, Raekwon e U-God se encaixaram bem), 2Getha Baby 
Vale a Pena Ouvir: Purified Thoughts (ótima feat do GZA), Drama (The Game mandou bem)

Twelve Reasons To Die – Ghostface Killah & Adrian Younge





















NOTA: 9,4/10


Três anos se passaram, e o Ghostface Killah lançou um álbum junto com Adrian Younge, o Twelve Reasons To Die. Após o Apollo Kids, os dois decidiram fazer um álbum conceitual inspirado pelo cinema italiano dos anos 60 e 70, pelos filmes de terror, pelas histórias de máfia e pelas trilhas sonoras de Ennio Morricone, combinadas à tradição do Soul e do Funk que sempre influenciaram o Wu-Tang. A história gira em torno de Tony Starks, um assassino ligado à máfia que é traído, morto e transformado em um espírito vingativo que retorna para eliminar seus inimigos. A produção foi feita, obviamente, por Adrian Younge, que colocou beats pesados que dialogam tanto com o Boom Bap quanto com o Horrorcore. Com baterias secas, cordas dramáticas, guitarras com muito reverb e baixos encorpados. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas e variadas. Enfim, é um baita álbum e extremamente bem-feito. 

Melhores Faixas: An Unexpected Call (The Set Up) (Inspectah Deck amassou), Enemies All Around Me, I Declare War (Masta Killa mandou bem), The Sure Shot (Parts 1 And 2), Beware Of The Stare, Blood On The Cobblestones (ótima feat do U-God e Deck), Twelve Reasons To Die 
Vale a Pena Ouvir: Revenge Is Sweet (Killa marcando presença de novo), Revenge Is Sweet, Rise Of The Black Suits

Sour Soul – BadBadNotGood & Ghostface Killah





















NOTA: 9,2/10


Em 2015, o Ghostface Killah lançou, junto com a banda BADBADNOTGOOD, o Sour Soul. Após o Twelve Reasons To Die, feito em parceria com Adrian Younge, esse projeto aconteceu porque o trio canadense sempre teve grande admiração pela obra do Wu-Tang Clan, enquanto Ghost enxergou na banda uma oportunidade de explorar novas possibilidades sonoras sem abandonar sua identidade como MC. A produção foi feita por Frank Dukes, que, em vez de fazer beats, decidiu preservar a banda gravando todos os instrumentos ao vivo, recriando a estética da Soul Music, do Jazz e do Funk com enorme fidelidade. Isso deixa o Ghostface Killah brilhar com seu flow, que alterna entre momentos agressivos e cadenciados, realizando um trabalho que dialoga completamente com o Jazz Rap e reforça esse caráter cinematográfico. O repertório é incrível, e as canções são bastante profundas e carregadas de mensagens. No final de tudo, é um disco maravilhoso e bastante diferenciado. 

Melhores Faixas: Ray Gun (MF DOOM amassou), Sour Soul, Six Degrees (Danny Brown foi bem demais), Gunshowers, Food 
Vale a Pena Ouvir: Street Knowledge, Tone's Rap

Twelve Reasons To Die II – Ghostface Killah & Adrian Younge





















NOTA: 8,4/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançada a 2ª parte de Twelve Reasons To Die, que seguiu por um caminho ainda mais imersivo. Após o Sour Soul, com o BADBADNOTGOOD, Ghostface Killah e Adrian Younge decidiram continuar de onde pararam. No final do primeiro álbum, o personagem Tony Starks havia completado sua vingança contra aqueles que o traíram. Aqui, acompanhamos as consequências desses acontecimentos. Agora, Starks precisa enfrentar novas conspirações, rivais e o peso das decisões tomadas anteriormente. A produção foi bastante orgânica, com os instrumentos sendo gravados ao vivo. Os beats são amplos, contando com cordas dramáticas, guitarras com bastante reverberação, órgãos, flautas, metais e baixos profundos, criando uma atmosfera permanente de suspense que dialoga muito mais com o Jazz Rap e o Horrorcore. O repertório é sensacional, e as canções são bem mais sombrias. Enfim, é uma ótima continuação que entrega muito. 

Melhores Faixas: King Of New York, Return Of The Savage, Let The Record Spin (Raekwon foi bem demais nas três), Death's Invitation 
Vale a Pena Ouvir: Rise Up, Blackout, Life's A Rebirth

Ghostface Killahs – Ghostface Killah





















NOTA: 8/10


Em 2019, o Ghostface lançava mais um álbum, o injustiçadíssimo Ghostface Killahs. Após o Twelve Reasons To Die II, esse trabalho surge em um momento em que o Rap era dominado por novas sonoridades, como o Trap e produções fortemente digitais. Em vez de seguir essas tendências de maneira direta, Ghost preferiu continuar explorando sua temática característica, ainda que incorporasse elementos modernos em alguns momentos. A produção foi feita inteiramente por Danny Caiazzo, que colocou beats modernas, contando com loops retirados ou inspirados em gravações antigas, acompanhados por baterias fortes, baixos encorpados, graves intensos e teclados discretos. Com isso, temos Ghostface Killah explorando flows mais enérgicos e até agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, ao mesmo tempo, pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que é criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Conditioning, Pistol Smoke 
Vale a Pena Ouvir: Me Denny & Darryl (Method Man e Cappadonna mandaram bem), The Chase, Flex

Set The Tone (Guns & Roses) – Ghostface Killah





















NOTA: 2,5/10


Em 2024, o Ghostface Killah lançava mais um álbum, Set The Tone (Guns & Roses). Após Ghostface Killahs, esse novo projeto foi lançado pela Mass Appeal e marca uma nova fase de sua carreira, mostrando um rapper veterano que procura equilibrar a identidade construída ao longo de mais de trinta anos com elementos do Rap contemporâneo. Com isso, esse seria um trabalho muito mais acessível quando comparado aos seus outros projetos da década passada. A produção foi diversificada, contando com Bam Beatzz, EZ Elpee, Bundy e vários outros, que tentaram fazer um som dividido entre uma primeira metade mais orientada por beats pesados, lembrando a estética do Boom Bap, e uma segunda metade que lembra muito mais o R&B e um pouco do Trap, contando com beats mais orgânicos. Mas tudo é muito bagunçado e extremamente malfeito. O repertório é terrível, tendo poucas canções boas. No final, é um álbum horrível e um grande tropeço do Ghost. 

Melhores Faixas: Pair Of Hammers (Method Man mandou bem), No Face (ótima feat do Kanye West), Touch You 
Piores Faixas: Scar Tissue (Nas nem tinha muito que fazer), Skate Odyssey (Raekwon foi bem esquecível), Shots, Locked In (AZ péssimo aqui), Yupp!, Trap Phone, Plan B

Supreme Clientele 2 – Ghostface Killah





















NOTA: 8,5/10


Em 2025, chegamos ao mais recente álbum do Ghostface Killah, o Supreme Clientele 2. Após o terrível Set The Tone (Guns & Roses), durante mais de uma década, Ghost mencionou diversas vezes a possibilidade de produzir uma continuação, mas o projeto sofreu inúmeros atrasos até ser oficialmente lançado pela Mass Appeal dentro da série "Legend Has It", idealizada por Nas para reunir novos trabalhos de artistas clássicos do Rap. A produção foi feita pelo próprio rapper, junto com 4th Disciple, Scram Jones, Scavo e outros, que colocaram beats crus vindos do Boom Bap, utilizando baterias secas, baixos profundos, loops simples, pianos, guitarras discretas, órgãos, cordas e grooves inspirados na Soul Music. Com isso, em vez de inventar e usar Auto-Tune, como antes, Ghostface volta ao espírito natural, entregando novamente aquele flow técnico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas e profundas. No geral, é um ótimo álbum que consegue entreter. 

Melhores Faixas: Curtis May, The Trial (Method Man, Raekwon e GZA mandaram bem), Rap Kingpin, Metaphysics 
Vale a Pena Ouvir: Iron Man, Love Me Anymore (Nas mandou bem), Georgy Porgy, Candyland


sexta-feira, 31 de julho de 2026

Analisando Discografias - Redman

                 

Whut? Thee Album – Redman





















NOTA: 9,9/10


Em 1992, Redman lançava seu clássico álbum de estreia, o Whut? Thee Album. O rapper, vindo de Newark, Nova Jersey, começou sua trajetória dois anos antes, já que fazia rimas desde a adolescência, até ser descoberto por Erick Sermon, que o chamou para fazer parte do coletivo Hit Squad. Em seu 1º álbum, ele apresenta aquilo que se tornaria uma de suas principais características: transformar qualquer assunto em entretenimento por meio de um carisma absurdo, misturando violência cartunesca e muita técnica. A produção foi feita pelo rapper junto com Erick Sermon, que construíram uma sonoridade crua sobre batidas pesadas, contando com linhas de baixo marcantes, baterias secas e samples de Parliament-Funkadelic, James Brown e outros artistas do Funk dos anos 70, reunindo tudo isso dentro da estética do Boom Bap. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas e carregadas de imersão. No fim, é um baita disco e era apenas o começo. 

Melhores Faixas: Tonight's Da Night, Time 4 Sum Aksion, Blow Your Mind, How To Roll A Blunt, Da Funk, Rated "R" 
Vale a Pena Ouvir: So Ruff, I'm A Bad, Jam 4 You

Dare Iz A Darkside – Redman





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, Redman lançou seu sensacional 2º álbum, o Dare Iz a Darkside. Após o Whut? Thee Album, o rapper decidiu explorar um lado muito mais sombrio, psicodélico e desorientador. O próprio Redman já comentou diversas vezes que esse foi um período turbulento de sua vida, marcado pelo abuso de drogas e por um estado mental instável, algo que acabou influenciando diretamente a criação do disco. A produção foi feita mais uma vez em parceria com Erick Sermon e Rockwilder, que trouxeram batidas mais orgânicas, com forte presença de baterias pesadas. Os elementos do Funk aparecem de forma muito mais distorcida, pesada e psicodélica. Os graves são enormes, e os loops parecem soterrados na mixagem. Os flows do Redman são bem variados, criando personagens com uma naturalidade impressionante. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Can't Wait, Basically, Bobyahed2dis, Da Journee, Winicumuhround, Rockafella, A Million And 1 Buddah Spots, Sooperman Luva II 
Vale a Pena Ouvir: Green Island, We Run N.Y., Cosmic Slop

Muddy Waters – Redman





















NOTA: 10/10


Em 1996, Redman lançava seu 3º álbum, o clássico e atemporal Muddy Waters. Após o Dare Iz a Darkside, o rapper já era um dos nomes mais respeitados da Costa Leste. Aqui, ele decidiu fazer um trabalho que equilibrasse os elementos de cada um de seus dois primeiros álbuns, preservando sua identidade caótica, mas apresentando uma estrutura mais consistente e uma seleção de músicas mais forte. A produção agora contou com nomes como Pras, Te-Bass e outros, que, no geral, seguiram por um caminho mais cru e orgânico, com batidas mais amplas, contando com baixos encorpados, guitarras com wah-wah, teclados vintage e baterias secas, criando uma identidade sonora extremamente consistente. Além dos já característicos samples de Funk, que entram dentro da estética do Boom Bap, os flows do rapper ficaram bem mais técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Em suma, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Do What Ya Feel (Method Man amassando), Rock Da Spot, Iz He 4 Real, Da Bump, On Fire, Creepin', Whateva Man, Rollin' 
Vale a Pena Ouvir: Smoke Buddah, What U Lookin' 4, Yesh Yesh Ya'll

Doc's Da Name 2000 – Redman





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos, e Redman lançou mais um álbum, o Doc's da Name 2000. Após o Muddy Waters, ele já era visto como um dos rappers mais carismáticos e tecnicamente consistentes da Costa Leste. Além disso, sua parceria com Method Man começava a ganhar enorme repercussão, aumentando ainda mais sua exposição dentro da Def Jam. Com isso, decidiu preparar um projeto mais comercial, mas sem abandonar sua forma de fazer Rap. A produção foi feita em parceria com Erick Sermon, Rockwilder, Roni Size e Gov Mattic, que seguiram por uma abordagem mais acessível, com batidas mais limpas, baterias fortes, graves definidos, sintetizadores discretos, linhas de baixo mais encorpadas e loops simples, mas ainda dentro da estética do Boom Bap. Os flows do Redman continuam muito variados e técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são até mais cadenciadas. Enfim, é um projeto bacana e muito injustiçado. 

Melhores Faixas: I'll Bee Dat!, Well All Rite Cha (Method Man indo bem), Let Da Monkey Out, Da Da Dahhh 
Vale a Pena Ouvir: Brick City Mashin'!, D.O.G.S., Cloze Ya Doors, Get It Live, Soopaman Lova IV

Malpractice – Redman





















NOTA: 4/10


Em 2001, Redman voltou lançando seu 5º álbum, o Malpractice, e aqui as coisas começaram a dar errado. Após o Doc's da Name 2000 e Blackout!, ao lado de Method Man, esse projeto foi concebido para ser mais acessível. O humor continua sendo uma das principais características de Redman, mas agora acompanhado por produções mais limpas e uma abordagem voltada para ampliar seu alcance comercial. A produção contou com DJ Twinz, Erick Sermon e vários outros, que adotaram uma abordagem mais polida para dialogar com o Rap mainstream, ou seja, batidas limpas, com baterias fortes, graves definidos e uma presença maior de sintetizadores, mesmo permanecendo dentro da estética do Boom Bap. Só que tudo soa extremamente reciclado e inchado, e os flows do Redman chegam a parecer bastante repetitivos. O repertório é ruim, embora tenha algumas canções legais, mas o resto é genérico. No final, é um álbum terrível e tedioso. 

Melhores Faixas: Enjoy Da Ride, Let's Get Dirty (I Can't Get In Da Club), J.U.M.P. (boa feat do George Clinton), Whut I'ma Do Now, Bricks Two 
Piores Faixas: Lick A Shot, Doggz II (DMX decepcionando), Da Bulls**t (Scarface não fez nada), Muh-F***a, Soopaman Luva 5 (Part 1), Real N****z, Uh-Huh

Red Gone Wild: Thee Album – Redman





















NOTA: 3/10


Seis anos depois, Redman voltou com mais um disco, o Red Gone Wild: Thee Album. Após o fraquíssimo Malpractice, ele ganhou ainda mais notoriedade pela comédia How High e por diversas turnês e participações especiais. Embora continuasse ativo, muitos fãs aguardavam um novo trabalho solo que mostrasse se Redman ainda conseguiria manter o mesmo nível criativo de seus discos dos anos 90. A produção contou com Timbaland, Pete Rock, E3, Da Mascot e vários outros, que trouxeram uma sonoridade polida, com batidas variadas, baterias marcantes, sintetizadores modernos, graves fortes e muitos samples de Funk, tudo isso dentro da sonoridade moderna do Rap mainstream da segunda metade dos anos 2000. Só que tudo é extremamente previsível, e os flows do rapper acabam sendo bastante repetitivos. O repertório é muito ruim, com canções chatas e poucas realmente interessantes. No geral, é um trabalho péssimo que apenas demonstrava a queda do Redman. 

Melhores Faixas: Gimmie One, Walk In Gutta (tem até feat do Biz Markie), Suicide 
Piores Faixas: Sumtn 4 Urrbody, Rite Now, Merry Jane (Snoop e Nate Dogg entregaram nada), Bak Inda Buildin, Get 'Em, Blow Teez, Pimp Nutz (Method Man decepcionou), Hold Dis Blaow!

Reggie – Redman





















NOTA: 2/10


Em 2010, Redman lançava outro álbum, dessa vez o terrível Reggie, que foi feito mais para vazar da gravadora. Após o Red Gone Wild: Thee Album, muitos achavam que finalmente ele faria um projeto que lembrasse suas origens, mas não. Em seu lugar, surgem reflexões sobre sua carreira, momentos mais pessoais e uma sonoridade claramente influenciada pelo Rap do final dos anos 2000. Além disso, o disco também foi feito para que ele pudesse sair de vez da Def Jam, já que faltava apenas um álbum para rescindir seu contrato. A produção foi diversificada, contando com DJ Khalil, Rich Kidd, Ty Fyffe e outros, que trouxeram uma estética moderna, com batidas limpas, sintetizadores constantes e uma maior presença de elementos melódicos. Só que o resultado não consegue se encaixar, tornando este mais um trabalho feito para agradar às tendências. O repertório é péssimo, contando com apenas uma faixa boa. Enfim, é um álbum horroroso, e a Lili cantou. 

Melhor Faixa: Lemme Get 2 
Piores Faixas: Lift It Up, Def Jammable, Whn The Lights Go Off, Full Nelson, Cheerz

Muddy Waters Too – Redman





















NOTA: 8,5/10


Em 2024, Redman lançou seu nono álbum e último até então, o Muddy Waters Too. Após o Reggie, essa continuação foi prometida durante mais de uma década, sendo anunciada diversas vezes e constantemente adiada. Essa longa espera fez com que o álbum adquirisse um status quase lendário entre os fãs. Nele, Redman preserva praticamente toda a sua identidade artística: humor absurdo, referências à maconha, storytelling, personagens e trocadilhos. A produção foi feita pelo próprio rapper em parceria com Erick Sermon, Theory Hazit, Rockwilder, Rick Rock e vários outros, que seguiram uma abordagem clássica do Boom Bap noventista, com batidas cruas e diretas. Há uma forte presença de baterias secas, baixos muito fortes, teclados vintage, guitarras de funk e scratches discretos. Além disso, o flow do Redman está muito técnico e preciso. O repertório, apesar de contar com 32 faixas, é muito bom e divertido. Em suma, é um disco bacana e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Don't U Miss, Lalala (Method Man amassou), Don't Wanna C Me Rich, Soopaman Luva 7 
Vale a Pena Ouvir: Aye, Jersey, Looka Here (ótima feat do KRS-One), I'm On Dat Bullshit, Whut's Hot, Lite it Up, Goofy


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                     

Review: ALFA do Major RD

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