quarta-feira, 15 de julho de 2026

Analisando Discografias - Sade

                 

Diamond Life – Sade





















NOTA: 10/10


No ano de 1984, a Sade lançava seu clássico álbum de estreia, o Diamond Life. A banda da cantora nigeriana, que anteriormente estudava moda e chegou a trabalhar como modelo, começou a ganhar destaque quando ela foi backing vocal da banda Pride. Foi dali que ela se juntou a Stuart Matthewman (guitarras e saxofone), Andrew Hale (teclados) e Paul Spencer Denman (baixo). O som deles era um resgate ao Soul clássico com elementos do Jazz de forma sofisticada, o que despertou o interesse da Epic Records. A produção de Robin Millar segue um caminho bastante sofisticado e com foco no espaço. O baixo do Paul, com linhas melódicas, funciona como uma segunda voz; Matthewman alterna entre guitarras limpas e saxofones extremamente elegantes; Hale utiliza pianos e sintetizadores de maneira muito discreta; e os vocais da Sade são bastante limpos. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No geral, é um belíssimo disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Smooth Operator, Your Love Is King, Cherry Pie, Hang On To Your Love
Vale a Pena Ouvir: Frankie's First Affair, When Am I Going To Make A Living

Promise – Sade





















NOTA: 10/10


No final de 1985, eles voltaram lançando o também maravilhoso 2º álbum, o Promise. Após o clássico Diamond Life, Sade e sua trupe escolheram um caminho bastante consciente. Em vez de modificar completamente sua identidade para surpreender o público, preferiram aperfeiçoar aquilo que já faziam com excelência. Tanto que as letras deixaram de lado as histórias de personagens urbanos com romances sofisticados para seguir um caminho mais voltado aos sentimentos humanos. A produção contou com Robin Millar, Mike Pela e Ben Rogan e foi extremamente refinada, entregando uma obra perfeita do Pop sofisticado e Smooth Soul. As linhas de baixo são profundas e extremamente elegantes; o trabalho do Matthewman com guitarras limpas e saxofones é preciso; a bateria ficou mais econômica; e os vocais da Sade são bem aconchegantes. O repertório novamente é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é outro trabalho belíssimo e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: The Sweetest Taboo, Is It A Crime, War Of The Hearts, Tar Baby, Never As Good As The First Time 
Vale a Pena Ouvir: Jezebel, Maureen

Stronger Than Pride – Sade





















NOTA: 9,5/10


Três anos se passaram, e a Sade lançou mais um álbum novo, o Stronger Than Pride. Após o Promise, a banda passou um período maior compondo e experimentando novas ideias, trabalhando em diferentes locais e permitindo que as músicas amadurecessem antes da gravação. Esse processo mais relaxado reflete diretamente no resultado final, que demonstra maior interesse em criar uma atmosfera contínua. A produção, feita pela banda, segue uma abordagem mais orgânica e espaçosa, com arranjos extremamente econômicos. O baixo do Paul Spencer permanece extremamente melódico, mas agora adota linhas ainda mais suaves e circulares; as guitarras limpas têm mais destaque; os teclados são bem atmosféricos; e os vocais da Sade continuam bastante naturais. Além disso, a sonoridade incorpora elementos do Reggae, música latina e ritmos africanos. O repertório é ótimo, e as canções são bem suaves e sentimentais. Enfim, é um álbum incrível e um muito ousado. 

Melhores Faixas: Paradise, Love Is Stronger Than Pride, Keep Looking, Clean Heart, I Never Thought I'd See The Day 
Vale a Pena Ouvir: Turn My Back On You, Siempre Hay Esperanza

Love Deluxe – Sade





















NOTA: 10/10


Entrando em 1992, a Sade lançou o atemporal e fantástico 4º álbum, o Love Deluxe. Após o Stronger Than Pride, eles decidiram permanecer fiéis à própria identidade no começo dos anos 90, período que estava recheado de novas tendências, mas incorporando discretamente algumas texturas modernas que não descaracterizassem sua essência. Com isso, decidiram fazer um projeto bem mais íntimo. A produção foi bem mais profunda e cinematográfica. Os arranjos são mais minimalistas; as linhas de baixo do Paul Denman são mais suaves; Andrew Hale utiliza pads, pianos elétricos e sintetizadores ambientes que ampliam a profundidade sonora; Stuart Matthewman deixa as guitarras limpas mais presentes; e os vocais da Sade são bem próximos. Já a bateria une elementos do Downtempo, Smooth Soul e Pop sofisticado. O repertório é simplesmente espetacular, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Kiss Of Life, No Ordinary Love, Like A Tattoo, Cherish The Day, Feel No Pain 
Vale a Pena Ouvir: Pearls, Bullet Proof Soul

Lovers Rock – Sade





















NOTA: 9,8/10


Oito anos se passaram e, na virada do século, a Sade lança seu 5º álbum, o Lovers Rock. Após o Love Deluxe, Sade Adu viveu mudanças importantes em sua vida, incluindo a maternidade, e isso influenciou profundamente o conteúdo das letras. O resultado foi um trabalho que apresenta uma visão muito mais ampla do amor. O álbum fala sobre relacionamentos afetivos, maternidade, amizade, imigração, sofrimento humano, escravidão, perdão e superação. A produção, feita em conjunto com Mike Pela, adota uma abordagem bem mais minimalista, entrando de cabeça no Neo Soul com elementos de Smooth Soul e Trip Hop. O baixo do Paul Spencer é quase protagonista em determinados momentos; Andrew Hale faz uso de pads suaves e pianos discretos; as guitarras são mais presentes; e a bateria traz uma vibe jamaicana e os vocais da Sade são mais íntimos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e calmas. Enfim, é um álbum maravilhoso e um clássico. 

Melhores Faixas: By Your Side, Fly, Every Word, King Of Sorrow, Immigrant, Slave Song, All About Our Love 
Vale a Pena Ouvir: Lovers Rock, Somebody Already Broke My Heart

Soldier Of Love – Sade





















NOTA: 8,7/10


Então chegamos a 2010, quando foi lançado o último álbum da banda até então, o Soldier Of Love. Após o Lovers Rock, os integrantes continuaram suas vidas pessoais. A banda nunca trabalhou sob cronogramas rígidos, preferindo esperar até que houvesse inspiração suficiente para produzir um novo álbum. Aqui, os temas envolvendo o amor surgem como resistência, sobrevivência, reconstrução emocional e força diante das dificuldades da vida. A produção segue aquela abordagem minimalista, com os arranjos permanecendo econômicos, mas agora apresentando uma sonoridade mais pesada. As linhas de baixo são bem elegantes, a bateria possui mais impacto, os sintetizadores são bem atmosféricos, as guitarras têm riffs marcantes e os vocais de Sade soam mais contidos. O repertório é legalzinho, com belas canções, embora algumas pareçam meio deslocadas. No final de tudo, é um álbum bacana, mesmo que tenha certas falhas. 

Melhores Faixas: Soldier Of Love, In Another Time, Skin, Bring Me Home 
Piores Faixas: Babyfather, The Safest Place

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                       

terça-feira, 14 de julho de 2026

Analisando Discografias - Beth Gibbons

                  

Out Of Season – Beth Gibbons & Rustin Man





















NOTA: 9/10


No ano de 2002, Beth Gibbons lançou um álbum colaborativo com Paul Webb, do Talk Talk, intitulado Out of Season. Após o Portishead II, a cantora sempre demonstrou certo desconforto com a fama e com as expectativas depositadas sobre sua figura. Em vez de seguir produzindo um novo projeto para o Portishead, ela decidiu trilhar um caminho diferente, unindo-se ao ex-baixista do Talk Talk, com quem compartilhava gostos semelhantes por canções lentas, arranjos minimalistas, Folk e música barroca. Produzido pelos dois, o álbum aposta em uma instrumentação acústica e orgânica. Há cordas, piano, acordeão, flautas, metais, percussões discretas e guitarras suaves, tudo gravado de maneira extremamente calorosa. O trabalho dialoga com a estética do Folk e do Jazz dos anos 60 e 70, enquanto os vocais da Beth revelam seu lado mais emocional. O repertório é incrível, e as canções são imersivas e introspectivas. No fim, é um belíssimo disco, bastante ousado. 

Melhores Faixas: Tom The Model, Spider Monkey, Funny Time Of Year, Sand River, Mysteries
Vale a Pena Ouvir: Drake, Romance

Lives Outgrown – Beth Gibbons





















NOTA: 9,2/10


Indo para 2024, Beth Gibbons lançou seu 1º álbum solo, o sensacional Lives Outgrown. Após o Out of Season com Rustin Man (vulgo Paul Webb), e depois de participar de alguns projetos esporádicos, Beth passou por uma profunda fase de reflexão sobre envelhecimento, mortalidade, despedidas e mudanças inevitáveis da vida. A cantora afirmou que esse disco nasceu de "muitos adeus": adeus a amigos, familiares e até mesmo a versões anteriores de si mesma. Produzido por ela em parceria com James Ford, o álbum construiu um trabalho extremamente orgânico, utilizando instrumentos acústicos, percussões incomuns, cordas, sopros e arranjos de caráter quase folclórico. Os arranjos são densos. Há uma sensação constante de movimento orgânico, como se os instrumentos respirassem junto com a voz da Beth, dialogando com o Chamber Folk e Art Rock. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de profundidade. Em suma, é um baita álbum, muito reflexivo. 

Melhores Faixas: Floating On A Moment, Reaching Out, Tell Me Who You Are Today, Whispering Love, Burden Of Life 
Vale a Pena Ouvir: Beyond The Sun, Lost Changes, Oceans

                                                                               Então é isso e flw!!!               

Analisando Discografias - Portishead

                  

Dummy – Portishead





















NOTA: 10/10


No ano de 1994, o Portishead lançava seu lendário álbum de estreia, intitulado Dummy. Formado em 1991 na cidade de Bristol, na Inglaterra, pela cantora Beth Gibbons, pelo produtor e multi-instrumentista Geoff Barrow e pelo guitarrista Adrian Utley, o grupo surgiu em um período em uma cena underground se desenvolvia. Nesse contexto, a cena de Bristol começava a ganhar destaque por misturar elementos do Soul, Dub, Jazz e Rap. Produzido pela banda e lançada pelo selo Go! Beat Records, o álbum faz uso de samples e batidas programadas, mas combina esses elementos como arranjos de cordas, guitarras, órgãos e efeitos cinematográficos. A bateria geralmente é lenta e pesada, criando uma sensação de tensão constante, e os vocais da Beth transmitem uma sensação de melancolia e sofrimento, mostrando as bases do Trip Hop. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um disco maravilhoso e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Glory Box, Roads, Sour Times, Biscuit, Mysterons, Wandering Star 
Vale a Pena Ouvir: Strangers, It Could Be Sweet
  

Portishead – Portishead





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram, e o Portishead lançou seu clássico 2º álbum, que pode ser chamado de Portishead II. Após o atemporal Dummy, que havia sido aclamado pela crítica e ajudou a transformar o Trip Hop em um dos gêneros mais importantes da música alternativa dos anos 90, a banda enfrentou um processo de criação bastante desgastante. Nesse período, Beth Gibbons passava por problemas emocionais, enquanto Geoff Barrow estava cada vez mais interessado em técnicas de produção experimentais. Produzido por eles junto com Dave McDonald, tem um som mais agressivo e obscuro. Barrow e Adrian Utley passaram muito tempo criando texturas sonoras únicas, utilizando, por exemplo, uma enorme quantidade de ruídos, distorções, efeitos de fita e entre outros recursos. Os vocais da Beth Gibbons soam ainda mais angustiados. O repertório novamente é sensacional, parecendo uma coletânea. No geral, é um belíssimo trabalho e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: All Mine, Cowboys, Only You, Humming, Mourning Air
Vale a Pena Ouvir: Western Eyes, Over, Half Day Closing

Third – Portishead





















NOTA: 9,1/10


Então se passaram onze anos, e a banda lançou seu 3º e possivelmente último álbum, o Third. Após o Portishead II, o trio praticamente desapareceu dos holofotes, alimentando rumores de separação e fazendo com que muitos acreditassem que a banda jamais voltaria. Em vez de um retorno nostálgico, apresentou o trabalho mais estranho, sombrio e experimental de sua carreira. A produção foi bastante experimental, na qual implementaram sintetizadores analógicos, baterias eletrônicas, drones, ruídos industriais e influências vindas do Krautrock, Post-Rock, Rock Experimental e até da música eletrônica dos anos 70. A sonoridade é mais seca, fria e agressiva. Com isso, a bateria adota o estilo motorik com aquele ritmo mecânico, enquanto os vocais da Beth Gibbons soam bem mais frágeis. O repertório é muito bom, e as canções são bastante sombrias, embora algumas pareçam deslocadas. No final, é um belo álbum e muito atmosférico. 

Melhores Faixas: The Rip, Machine Gun, Threads, Hunter, Silence 
Piores Faixas: Small, We Carry On, Deep Water

 

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Analisando Discografias - Prodigy

                 

H.N.I.C. – Prodigy





















NOTA: 9,4/10


No começo dos anos 2000, o Prodigy lançava seu 1º álbum solo, o H.N.I.C. (Head Nigga in Charge). Após o Murda Muzik, com o Mobb Deep, o rapper surgiu com esse projeto em um momento em que muitos integrantes de grupos clássicos do rap estavam se aventurando em carreiras individuais. Para Prodigy, entretanto, o objetivo não era se distanciar do Mobb Deep, mas provar que sua personalidade artística era forte o suficiente para sustentar um disco inteiro sozinho. A produção, feita por ele junto com The Alchemist, Havoc, EZ Elpee, entre outros, seguiu por beats orgânicos, baseados em baterias secas, linhas de baixo pesadas, pianos melancólicos e samples discretos, dialogando tanto com o Boom Bap quanto, às vezes, com o Jazz Rap, enquanto os flows do Prodigy se mostram bem técnicos e agressivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e cheias de vivências e lutas. No fim, é um belo disco, que mostrou um lado mais particular do rapper. 

Melhores Faixas: Keep It Thoro, Genesis, You Can Never Feel My Pain, Veteran's Memorial, Three, Trials Of Love, Diamond, Can't Complain 
Vale a Pena Ouvir: What U Rep, Y.B.E., Gun Play

Return Of The Mac – Prodigy





















NOTA: 8/10


Sete anos se passaram, e o Prodigy lança seu 2º álbum solo, o Return of the Mac. Após o H.N.I.C., o rapper enfrentava problemas pessoais e legais. Sua saúde continuava sendo um desafio devido à anemia falciforme, e os problemas com a justiça se intensificavam, culminando em sua prisão pouco depois do lançamento do álbum. Havia também uma percepção, por parte do público, de que ele e o Mobb Deep precisavam reafirmar sua identidade artística depois de um período de experimentações e tentativas de adaptação ao mercado. A produção, feita inteiramente por The Alchemist, apresenta beats cruas e diretas, com baterias secas, baixos discretos e loops que parecem ter sido retirados de trilhas sonoras antigas e de discos de Soul esquecidos. Os flows do Prodigy conseguem ser bem técnicos e frios. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas e urbanas. Enfim, é um trabalho bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Stuck On You, Take It To The Top, Nickel And A Nail 
Vale a Pena Ouvir: 7th Heaven, The Rotten Apple, Stop Fronting

H.N.I.C. Pt. 2 – Prodigy





















NOTA: 3,3/10


No ano seguinte, o Prodigy lançava mais um álbum, o H.N.I.C. 2, em um momento conturbado. Após o Return of the Mac, o rapper foi condenado à prisão por posse ilegal de arma de fogo, ficando encarcerado entre 2007 e 2011. Embora esse álbum tenha sido lançado alguns meses antes de sua prisão, o disco acabou adquirindo uma importância ainda maior posteriormente, pois passou a representar o encerramento de uma fase de sua carreira e o último registro de liberdade antes de um longo período de afastamento. A produção, feita por The Alchemist, Apex, Havoc e Sid Roams, é carregada de beats variadas, com baterias secas, linhas de baixo discretas e loops minimalistas. Só que o problema é que tudo soa bastante bagunçado, parecendo que o único que fez algo interessante foi Uncle Al, enquanto os flows do Prodigy parecem repetitivos. O repertório é fraquíssimo, tendo canções boas e outras medíocres. Enfim, é um álbum ruim e sem coesão. 

Melhores Faixas: Veterans Memorial Part 2, The Life, Young Veterans, Illuminati 
Piores Faixas: Real Power Is People, It's Nothing, Click Clack, New Yitty, 3 Stacks

Albert Einstein – Prodigy & The Alchemist





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2013, foi lançado o último álbum de estúdio do Prodigy fora do Mobb Deep, o Albert Einstein. Após o H.N.I.C. 2, o rapper já havia saído da prisão e se encontrava em uma fase mais madura de sua carreira. Ele decidiu se unir a The Alchemist para fazer um álbum mais cinematográfico, que, já no título, contrapõe duas figuras aparentemente opostas: Albert Einstein, símbolo da genialidade científica, e o universo sombrio e criminoso retratado por Prodigy. A produção segue por um som denso, com beats pesadas, marcadas pela presença de samples obscuros, baterias secas, pianos melancólicos, linhas de baixo discretas e texturas que remetem ao cinema policial e aos filmes de suspense dos anos 70, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Drumless. Os flows do Prodigy são bem cadenciados e conseguem ser bastante técnicos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e abstratas. No geral, é um ótimo álbum e consegue ser muito imersivo. 

Melhores Faixas: Raw Forever, R.I.P. (baita feat do Raekwon e do Havoc), Give Em Hell, Bible Paper, Curb Ya Dog, Breeze 
Vale a Pena Ouvir: Confessions, Stay Dope, The One


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!          

Analisando Discografias - Havoc

                  

The Kush – Havoc





















NOTA: 8/10


Em 2007, o Havoc lançava seu primeiro trabalho solo, intitulado The Kush, que trazia algo até que interessante. Após o lançamento do Blood Money com o Mobb Deep, o rapper era frequentemente visto como o arquiteto sonoro da dupla, enquanto Prodigy era encarado como a principal voz e letrista do grupo. Então, ele preferiu preservar a essência do som de Queensbridge, apresentando um disco que funciona quase como uma extensão dos álbuns da dupla. A produção, feita inteiramente por ele próprio, seguiu uma linha de beats frios, sombrios e minimalistas, sustentados por baterias secas e linhas de baixo pesadas. Além disso, ele adiciona sintetizadores mais limpos e programações de bateria que se aproximam do Rap daquele período, e os flows do Havoc conseguem ser bem precisos, indo para um lado mais cadenciado. O repertório é bem legal, e as canções são bastante imersivas e densas. Enfim, é um ótimo disco e que vale a pena ouvir. 

Melhores Faixas: Be There, Balling Out 
Vale a Pena Ouvir: Class By Myself, Set Me Free (boa feat do Prodigy), I'm The Boss
  

13 – Havoc





















NOTA: 6/10


Indo para 2013, ele volta com um novo álbum, intitulado apenas 13 (referência ao Galo, certamente kk). Após o The Kush, o Rap da Costa Leste tentava recuperar parte de sua relevância. Enquanto o Trap ganhava cada vez mais espaço, diversos veteranos procuravam atualizar suas sonoridades sem abandonar suas raízes. Havoc seguiu esse caminho, mas de maneira bastante cuidadosa. A produção é bem mais moderna, principalmente nas beats que possuem maior presença de sintetizadores, linhas de baixo mais pesadas e baterias mais limpas. Havoc também dialoga bastante com o Cloud Rap, trazendo um flow mais simplista e direto. Só que, assim, o disco acaba ficando repetitivo e soa como uma tentativa de se adaptar ao novo, mas de maneira imprecisa. O repertório é bastante irregular: começa bem, mas acaba decaindo. No fim, é um trabalho mediano e que envelheceu mal. 

Melhores Faixas: Tell Me To My Face, Gettin' Mines, Gone 
Piores Faixas: Hear Dat, Eyes Open, Life We Chose

The Silent Partner – Havoc & The Alchemist





















NOTA: 8,4/10


Em 2016, o Havoc lançou seu último trabalho relevante em parceria com The Alchemist, o The Silent Partner. Após o 13, os dois tinham construído suas carreiras dentro do Hardcore Hip Hop, compartilhando uma preferência por instrumentais sombrios, atmosferas cinematográficas e narrativas de rua. Além disso, Uncle Al já havia produzido algumas músicas do Mobb Deep, então esse projeto não foi algo simplesmente inédito. A produção, feita pelos dois, apresenta beats cinematográficos baseados em samples obscuros, baterias secas, linhas de baixo discretas e uma enorme atenção aos detalhes, dialogando com o Drumless e o Boom Bap. Os flows diretos e agressivos de Havoc conseguem combinar com toda essa temática, remetendo aos projetos clássicos de sua carreira. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e carregadas de mensagem. No geral, é um ótimo álbum, que extrai a melhor versão do rapper. 

Melhores Faixas: Buck 50's & Bullet Wounds (Method Man amassou), Out The Frame, Just Being Me, Smooth Ride Music 
Vale a Pena Ouvir: The Gun Holds A Drum (Prodigy mandou bem), Hear Me Now, Maintain (Fu** How You Feel)


domingo, 12 de julho de 2026

Review: The Real Me do Future

                     

The Real Me – Future





















NOTA: 2/10


Recentemente, o Future lançou seu mais recente álbum, o The Real Me, e aqui as coisas não deram certo. Após a MIXTAPE PLUTO, o rapper focou em outros projetos nesse meio-tempo, sendo um deles sua participação em uma das músicas da Copa do Mundo; tanto que ele chegou até a se apresentar na cerimônia de abertura. Assim, o anúncio desse projeto veio após uma campanha misteriosa envolvendo as iniciais "T.R.M." em outdoors e plataformas digitais. A produção foi extremamente diversificada, contando com Southside, TM88, ATL Jacob e vários outros, que trouxeram beats amplos, com forte presença de 808s pesados, hi-hats discretos e sintetizadores melancólicos. Só que, no fim, isso parece mais um trabalho genérico do Trap, com Future repetindo o mesmo flow do começo ao fim. O repertório é tenebroso, com canções terríveis e poucas que se salvam. Enfim, é certamente um dos piores álbuns de sua carreira. 

Melhores Faixas: Tank Top Pluto, Radio, Off The Hinge 
Piores Faixas: One Two, Build A Bitch, No Misery, Feeling I Give, Kick, Snow In Skyami, Cast A Spell, Hollywood, 2018

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Sade

                  Diamond Life – Sade NOTA: 10/10 No ano de 1984, a Sade lançava seu clássico álbum de estreia, o Diamond Life. A banda da c...