Tour The U.S.A. – James Brown And The Famous Flames
NOTA: 7/10
Indo para 1962, foi lançado mais um álbum deles, o Tour The U.S.A., que seguiu por um caminho mais variado. Após o The Amazing James Brown, o cantor e sua trupe já haviam conquistado reconhecimento no circuito do Rhythm & Blues com uma sequência consistente de singles de sucesso. No entanto, muitos fãs e críticos acreditavam que suas gravações de estúdio não conseguiam capturar completamente a energia de suas performances ao vivo, que eram famosas por sua intensidade física, teatralidade e forte interação com o público. A produção seguiu por um caminho mais cru e espontâneo, priorizando a liberdade interpretativa que Brown demonstra no palco. Muitas músicas são estendidas em comparação às versões de estúdio, permitindo que o cantor explore improvisações vocais e variações rítmicas, apesar de haver muitas inconsistências. O repertório é bom, com canções interessantes e outras mais genéricas. No fim, é um disco bom, mas com alguns erros.
Melhores Faixas: I’ve Got Money, Mashed Potatoes U.S.A., In The Wee Wee Hours (Of The Nite), Sticky
Piores Faixas: Joggin' Along, Every Beat Of My Heart, I Don’t Care
Prisoner Of Love – James Brown
NOTA: 8,2/10
Mais um ano se passou, e foi lançado um novo trabalho do James Brown, o Prisoner Of Love. Após o Tour The U.S.A., este álbum foi apresentado principalmente como um trabalho solo do Brown. Essa mudança refletia a crescente percepção dentro da indústria musical de que ele era a verdadeira força criativa e comercial por trás do grupo. Para esse trabalho, em vez de focar tanto no R&B, ele passou a interpretar canções românticas americanas já conhecidas. A produção, conduzida pelo próprio cantor, apresenta uma abordagem um pouco mais sofisticada do que alguns de seus discos anteriores. Embora a base rítmica tradicional do R&B continue presente, várias faixas utilizam arranjos mais suaves e orquestrais, refletindo a natureza romântica do repertório escolhido, dialogando com o gênero que ele ajudou a fundar, a Soul music. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e consistente.
Melhores Faixas: Try Me, Lost Someone, So Long
Vale a Pena Ouvir: Waiting In Vain, (Can You) Feel It (Part 1), Prisoner Of Love, The Thing In "G"
Grits & Soul – James Brown
NOTA: 7/10
Então se passou mais um ano, e foi lançado outro disco intitulado Grits & Soul, que foi inteiramente instrumental. Após o Prisoner Of Love, ele acabou fazendo um projeto pela Smash Records, mas aqui decidiu explorar longos trechos instrumentais que mostram o desenvolvimento do groove rítmico que se tornaria fundamental para a música de Brown na década seguinte, mesmo que isso tenha sido feito mais para se esquivar das obrigações de seu contrato com a gravadora King. A produção, feita pelo próprio James Brown, apresenta um som que enfatiza fortemente a banda instrumental. A formação típica inclui piano, guitarra elétrica, baixo e bateria, além de uma seção de sopros que adiciona potência e textura aos arranjos, e aqui eles dialogam bastante com o Soul Jazz nos momentos em que os arranjos são mais energéticos. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um projeto interessante, e assim viriam vários outros desse tipo.
Melhores Faixas: Who's Afraid Of Virginia Woolf, Grits Vale a Pena Ouvir: Mister Hip, There, Devil's Hideaway
Sings Out Of Sight – James Brown
NOTA: 8/10
Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum tradicional do James Brown, o Out Of Sight. Após o Grits & Soul, isso ocorreu em um momento de tensão contratual entre Brown e sua gravadora tradicional, a King Records, que havia lançado praticamente todo o seu material até então. Por questões contratuais complexas, Brown acabou registrando algumas músicas para o selo Smash, subsidiária da Mercury Records, resultando neste álbum singular. A produção segue uma sonoridade ligeiramente distinta, embora ainda profundamente ligada ao Rhythm & Blues. A instrumentação continua baseada na formação típica da música de Brown, mas coloca maior ênfase na pulsação rítmica da banda, com grooves mais marcados e arranjos que começam a explorar repetições mais insistentes. O repertório é bem interessante, e as canções têm esse lado mais intimista. Enfim, é um ótimo álbum e bem coeso.
Melhores Faixas: I Got You, Out Of Sight
Vale a Pena Ouvir: I Love You, Porgy, Good Rockin' Tonight, Till Then
Raw Soul – James Brown
NOTA: 8,3/10
Três anos se passaram, e James Brown retornava com um material realmente novo, o Raw Soul. Após o Sings Out Of Sight, o cantor via seu impacto crescer desde o enorme sucesso do histórico álbum ao vivo Live at the Apollo, que consolidou sua reputação como um performer extraordinário e redefiniu a importância do disco ao vivo no mercado de R&B. Nesse meio-tempo, ele só lançou álbuns instrumentais, mas já vinha preparando, em seus singles recentes, uma sonoridade que enfatizava cada vez mais o ritmo, a repetição e a força coletiva da banda, tornando-se a base do Funk. A produção, feita por ele próprio, é bastante dinâmica e solidifica a abordagem rítmica que se tornaria central para o gênero, com sua banda criando grooves marcados por repetição e precisão rítmica, que substituem as progressões harmônicas mais tradicionais do R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e que marcou uma mudança.
Melhores Faixas: Yours And Mine, The Nearness Of You, Let Yourself Go
Vale a Pena Ouvir: Nobody Knows, Only You, Don't Be A Drop Out
Cold Sweat – James Brown & The Famous Flames
NOTA: 8,4/10
Alguns meses depois, foi lançado mais um álbum do James Brown, o Cold Sweat. Após o Raw Soul, Brown passou a enfatizar o ritmo, a repetição e a interação entre os instrumentos da banda. Essa transformação atingiu um novo nível em 1967, com o lançamento do single Cold Sweat, considerado por muitos historiadores como uma das primeiras gravações plenamente identificáveis como Funk. A produção, feita pelo cantor, é muito mais ousada, dando ênfase absoluta ao groove. Em vez de arranjos baseados em mudanças harmônicas complexas, as músicas frequentemente se desenvolvem a partir de um único riff, e agora as seções de sopros são mais incisivas, enquanto os vocais do Brown são mais interativos, com ele utilizando gritos, interjeições e frases curtas. Com isso, ele já não dialoga mais tanto com o soul. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem envolventes e suaves. Mas, enfim, é um ótimo projeto e que representou uma virada de chave.
Melhores Faixas: Cold Sweat (Part 1), Mona Lisa
Vale a Pena Ouvir: Come Rain Or Come Shine, Cold Sweat (Part 2), Stagger Lee
I Can't Stand Myself When You Touch Me – James Brown & The Famous Flames
NOTA: 9/10
Em 1968, foi lançado o sensacional I Can't Stand Myself When You Touch Me, que foi o ponto de virada do James Brown. Após o Cold Sweat, o cantor já havia estabelecido definitivamente as bases do Funk e estava expandindo sua influência sobre a música popular americana. Brown passou a estruturar suas músicas em torno de padrões rítmicos insistentes, construídos sobre riffs de guitarra, linhas de baixo marcantes e arranjos de metais extremamente precisos. A produção segue basicamente a mesma linha, com sua banda criando grooves densos e repetitivos. O baixo frequentemente executa linhas simples, porém extremamente eficazes, as guitarras têm riffs curtos e secos, e a bateria assume um papel central, já que é graças à ênfase na primeira batida do compasso que se estabelece uma marca registrada do Funk. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas. No fim, é um disco maravilhoso e essencial.
Melhores Faixas: I Can't Stand Myself (When You Touch Me) (Part 1), Baby, Baby, Baby, Baby, You've Got To Change Your Mind, Get It Together (Part 2), Need Your Love So Bad, I Can't Stand Myself (When You Touch Me) (Part 2)
Vale a Pena Ouvir: Time After Time, Why Did You Take Your Love Away From Me
I Got The Feelin' – James Brown & The Famous Flames
NOTA: 8,4/10
Poucos meses depois, foi lançado outro álbum do cantor, intitulado I Got The Feelin'. Após o I Can't Stand Myself When You Touch Me, James Brown mantinha um ritmo de trabalho extraordinário. Ele gravava constantemente novos singles, lançava vários álbuns por ano e realizava turnês intensas pelos Estados Unidos. A estratégia da King Records também contribuía para essa produtividade: a gravadora frequentemente compilava singles recentes e gravações inéditas em álbuns que mantinham o artista continuamente presente no mercado. A produção segue a mesma de sempre, acompanhando plenamente a estética Funk que Brown vinha desenvolvendo, onde cada instrumento da banda funciona como parte de uma engrenagem rítmica maior, contribuindo para a construção de grooves intensos e repetitivos. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e variadas. No geral, é um disco interessante, sendo mais uma continuação do anterior.
Melhores Faixas: I Got The Feelin', If I Ruled The World, Stone Fox Vale a Pena Ouvir: You've Got The Power, Here I Go, Just Plain Funk, It Won't Be Me
A Soulful Christmas – James Brown
NOTA: 8,3/10
E aí, perto do fim daquele mesmo ano, foi lançado o ousado A Soulful Christmas. Após o I Got The Feelin', James Brown decidiu lançar um álbum natalino, algo bastante comum entre artistas de R&B da época. No entanto, como em praticamente tudo em sua carreira, Brown não se limita a seguir fórmulas tradicionais: ele transforma o conceito de um álbum de Natal em algo profundamente enraizado na estética da Soul music e, sobretudo, no Funk emergente. A produção, como sempre, foi conduzida por ele mesmo e é bastante orgânica, já que junta a estética natalina com aquele lado funkeado. Mesmo em músicas tradicionalmente associadas a arranjos orquestrais mais suaves, Brown e sua banda introduzem grooves marcantes, linhas de baixo repetitivas e guitarras percussivas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e variadas. No fim, é um disco bacana, com uma proposta que funcionou.
Melhores Faixas: Santa Claus Go Straight To The Ghetto, Let's Unite The Whole World At Christmas, Say It Loud (I'm Black And I'm Proud) Part 1 & 2
Vale a Pena Ouvir: Tit For Tat (Ain't No Taking Back), In The Middle
Thinking About Little Willie John And A Few Nice Things – James Brown
NOTA: 8/10
E aí, para finalizar esse movimentado ano de 1968, foi lançado o álbum Thinking About Little Willie John And A Few Nice Things. Após A Soulful Christmas, esse trabalho funciona como um tributo ao cantor Little Willie John, uma figura extremamente importante na formação musical do Brown. Little Willie John havia sido um dos principais nomes do Rhythm & Blues nos anos 50, sendo responsável por gravações marcantes como “Fever”, que mais tarde se tornaria um standard amplamente reinterpretado. A produção segue aquela de sempre, mas o direcionamento artístico aqui é bastante específico: em vez de enfatizar o groove repetitivo e minimalista do Funk, o foco recai sobre interpretações vocais e arranjos mais tradicionais. A banda que acompanha Brown ainda mantém sua precisão característica, mas os arranjos são mais contidos. O repertório é ótimo, e as canções são todas muito bem interpretadas. Enfim, é um disco legal e bastante respeitoso.
Melhores Faixas: I'll Lose My Mind, Talk To Me, Talk To Me
Vale a Pena Ouvir: Heart Break (It's Hurtin' Me), Cottage For Sale, A Note Or Two (Part 1)
Então é isso, um abraço e flw!!!




















