Surfer Rosa – Pixies
NOTA: 10/10
No ano de 1988, o Pixies lançava seu clássico álbum de estreia, intitulado Surfer Rosa. Formado dois anos antes, na cidade de Boston, Massachusetts, por Black Francis nos vocais e guitarra, Joey Santiago na guitarra, Kim Deal no baixo e vocais e David Lovering na bateria, a banda trazia uma proposta que era meio estranha, já que juntava Noise Rock, Surf Music, Indie Rock e elementos quase surreais que já faziam parte de sua identidade. Foi isso que fez a banda assinar com a gravadora independente 4AD Records, onde lançou um EP e começou a preparar esse álbum. A produção da lenda Steve Albini é extremamente crua e direta. As guitarras do Joey conseguem soar ásperas, cortantes e agressivas sem perder definição, enquanto o baixo da Kim Deal e a bateria do David Lovering dão ao álbum uma base pesada e bastante física, e os vocais são bem alternados. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma verdadeira obra-prima.
Melhores Faixas: Where Is My Mind?, Gigantic, Bone Machine, Break My Body, River Euphrates, Brick Is Red
Vale a Pena Ouvir: Cactus, Vamos, Oh My Golly!
Doolittle – Pixies
NOTA: 10/10
No ano seguinte, o Pixies lançava seu atemporal e sensacional 2º álbum, o Doolittle. Após o Surfer Rosa, eles queriam fazer um trabalho que fosse ainda mais estranho, agressivo e imprevisível, porém existe uma sensação maior de controle e refinamento nas composições. Black Francis continua sendo o principal responsável pela direção criativa, com seu universo lírico completamente peculiar, misturando imagens religiosas, sexo, violência, morte, natureza, surrealismo e situações aparentemente absurdas. A produção, feita agora por Gil Norton, deixou o som mais definido, sem tirar aquele peso característico, juntando tanto Indie Rock quanto Rock Alternativo tradicional. As guitarras ficaram mais ásperas e agressivas, o baixo é bastante constante e a bateria, econômica, enquanto os vocais da Kim e do Black Francis são bem alternados. O repertório é espetacular, também parecendo uma coletânea. No final, é um disco incrível e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Here Comes Your Man, Monkey Gone To Heaven, Debaser, Gouge Away, Hey, Wave Of Mutilation, I Bleed
Vale a Pena Ouvir: Dead, There Goes My Gun, Mr. Grieves
Bossanova – Pixies
NOTA: 9,8/10
Entrando nos anos 90, o Pixies lançava seu 3º álbum, o também sensacional Bossanova. Após o Doolittle, a banda mergulhou muito mais em atmosferas de ficção científica, Surf Rock e texturas mais expansivas, com os Pixies mais preocupados em criar uma atmosfera contínua. Existe menos daquela sensação de que cada música está tentando surpreender o ouvinte imediatamente. Muitas composições trabalham com riffs repetitivos, grooves mais constantes e uma sonoridade mais espaçosa. Produzido mais uma vez por Gil Norton, o álbum apresenta um som mais limpo e espaçoso. As guitarras possuem peso, mas alternam riffs distorcidos, texturas e momentos meio surfistas. O baixo ficou mais sustentável e a bateria, muito dinâmica, enquanto os vocais do Black Francis ficaram mais variados. O repertório é incrível, e as canções são bem pesadas e, ao mesmo tempo, divertidas. Enfim, é outro disco maravilhoso e que também é um clássico.
Melhores Faixas: Velouria, Dig For Fire, Down To The Well, Alison, The Happening, Ana
Vale a Pena Ouvir: Havalina, Rock Music, Stormy Wheather, All Over The World
Trompe Le Monde – Pixies
NOTA: 9,2/10
Melhores Faixas: Alec Eiffel, Motorway To Roswell, Planet Of Sound, Head On, Sad Punk, Bird Dream Of The Olympus Mons, U-Mass, Letter To Memphis, The Navajo Know
Vale a Pena Ouvir: Subbacultcha, Trompe Le Monde, Space (I Believe In)
Indie Cindy – Pixies
NOTA: 6/10
Foi apenas em 2014 que o Pixies retornou com seu 5º álbum, intitulado Indie Cindy. Após o Trompe Le Monde, a banda praticamente acabou devido a várias tensões criativas, e cada um seguiu seu caminho, até que, em 2003, eles retornaram, focando apenas em suas turnês, até que, em 2012, Kim Deal decidiu sair de vez e, no seu lugar, entrou temporariamente Simon Deal. Para seu primeiro projeto depois de anos, decidiram fazer algo bem mais despretensioso. A produção contou com Gil Norton, que deixou um som deliberadamente limpo e controlado. As guitarras possuem riffs distorcidos e algumas texturas bastante interessantes, o baixo ficou bem mais sustentável e servindo mais como complemento, e a bateria tem sua eficiência, assim como os vocais do Black Francis. Mas tudo soa muito sem imersão e faltando algo bem mais preciso. O repertório é irregular, tem canções boas e outras muito nada a ver. Enfim, é um álbum mediano e muito desanimado.
Melhores Faixas: Indie Cindy, Greens And Blues, Silver Snail
Piores Faixas: Jaime Bravo, Ring The Bell, Blue Eyed Haxe
Head Carrier – Pixies
NOTA: 8,2/10
Dois anos se passaram, e o Pixies lançava mais um trabalho novo, o Head Carrier. Após o Indie Cindy, a banda teve a entrada de Paz Lenchantin, que assume o baixo e também contribui vocalmente. Eles decidiram fazer um equilíbrio entre sua fase clássica e uma abordagem mais moderna. Existem guitarras distorcidas, riffs fortes, mudanças de dinâmica e vocais agressivos, mas também aparecem músicas mais melódicas e atmosferas menos abrasivas. A produção, feita por Tom Dalgety, deixou uma sonoridade limpa e com uma certa clareza. As guitarras variam entre riffs pesados, linhas mais melódicas e texturas distorcidas. A cozinha rítmica consegue ser bem movimentada, e os vocais do Black Francis conseguem alternar entre momentos agressivos e momentos suaves. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e, algumas vezes, mais agressivas. Enfim, é um disco bacana e que envelheceu muito bem.
Melhores Faixas: All I Think About Now, Classic Masher, Talent
Vale a Pena Ouvir: Might As Well Be Gone, Head Carrier, Plaster Of Paris
Beneath The Eyrie – Pixies
NOTA: 8,5/10
Melhores Faixas: Catfish Kate, Graveyard Hill, Daniel Boone, Ready For Love, Long Rider
Vale a Pena Ouvir: Silver Bullet, This Is My Fate, St. Nazaire
Doggerel – Pixies
NOTA: 5/10
Três anos depois, os Pixies voltavam com seu 8º álbum de estúdio, o fraquíssimo Doggerel. Após o Beneath the Eyrie, a banda estava muito mais interessada em deixar as músicas se desenvolverem de maneira mais convencional. O objetivo aqui é trabalhar com uma versão mais ampla e acessível da identidade deles, misturando Rock Alternativo, Indie Rock, Folk e momentos mais pesados. A produção foi bem mais organizada e explorou várias temáticas. As guitarras possuem bastante definição, o baixo aparece com clareza e a bateria tem um peso controlado. Já os vocais do Black Francis alternam momentos agressivos e melódicos, além da voz da Paz, que complementa alguns espaços que ficam vazios. Mas o problema é que tudo aqui soa muito arrastado e com momentos que são muito simplistas. O repertório é irregular, tem canções legais e outras que são bem chatinhas. Enfim, é um álbum mediano e que só existe mesmo.
Melhores Faixas: Vault Of Heaven, Who's More Sorry Now?, There's A Moon On
Piores Faixas: Doggerel, Haunted House, Pagan Man
The Night The Zombies Came – Pixies
NOTA: 6/10
Então chegamos em 2024, quando eles lançaram seu mais recente álbum, o The Night the Zombies Came. Após o Doggerel, Paz Lenchantin deixou a banda, depois de cerca de uma década, e Emma Richardson assumiu seu lugar no baixo. O contexto do álbum também é curioso, porque o título sugere um disco conceitual de horror, mas ele não é exatamente um álbum sobre zumbis. Black Francis explicou que “zombies” acabou funcionando como uma espécie de palavra-chave durante a criação. A produção, feita mais uma vez por Tom Dalgety, colocou um som limpo e controlado. As guitarras do Joey são distorcidas e com riffs bastante tradicionais. O baixo ficou mais integrado e a bateria continua muito controlada. Já os vocais do Frank Black estão mais melódicos, e, com isso, temos uma banda que está, do começo ao fim, completamente limitada. O repertório é fraco, tem canções boas e outras genéricas. Enfim, é outro álbum mediano e sem ousadia.
Melhores Faixas: Primrose, Hypnotised, The Vegas Suite, Motoroller
Piores Faixas: Oyster Beds, You're So Impatient, Ernest Evans, Mercy Me
Então um abraço e flw!!!


















