sexta-feira, 27 de março de 2026

Review: MR. do Yunk Vino

                   

MR. – Yunk Vino





















NOTA: 7,2/10


Depois de quase 10 anos de carreira, enfim Yunk Vino lança seu álbum de estreia, intitulado MR.. Após o M.A.D. 2, esse projeto começou a ser preparado por dois anos, sendo marcado por planejamento, direção criativa e construção coletiva, mostrando um Vino indo para um lado mais reflexivo, com uma narrativa contínua que atravessa temas como identidade, amadurecimento, tempo e trajetória pessoal. A produção é, obviamente, bem diversificada, contando com Neckklace, Toledo, Galdino, Bvga Beatz, entre outros, que seguem uma abordagem sofisticada e variada, com beats densos e atmosféricos, forte uso de ambiência e textura, além de uma junção do Trap tradicional com um pouco de Rage e New Jazz. Só que o maior problema é que há muita repetição de flows e algumas bases que são bem arrastadas. O repertório é bem legal, com canções divertidas e outras bem nada a ver. No fim, é um trabalho de estreia bem interessante, com pequenos erros. 

Melhores Faixas: Desde Mais Novo, CAM, Passado, Vida Nova, O que seria?, Valer / Juízo, Safety 
Piores Faixas: De Cá, Faça, Viciar, eX (Duquesa aqui só pro Vino devolver um favor), Kiboo
 

                                                                                        É isso, então flw!!!            

Review: Goliath do Exodus

                   

Goliath – Exodus





















NOTA: 8/10


Depois de cinco anos de espera, foi lançado o 13º álbum do Exodus, intitulado Goliath. Após o Persona Non Grata, aconteceram algumas mudanças, como a saída da banda da Nuclear Blast e a entrada na Napalm Records. No início do ano passado, ocorreu o retorno do vocalista Rob Dukes, que não aparecia em um álbum da banda desde Exhibit B: The Human Condition (2010), substituindo novamente Steve Souza. A produção, feita pela própria banda, segue uma abordagem extremamente direta e agressiva: guitarras com riffs ferozes, bateria seca e precisa, e os vocais do Dukes com menos polimento do que em fases anteriores, mas sendo bem articulados. Isso reforça a proposta de um Thrash Metal mais cru, com um acabamento técnico moderno, além de apresentar certas influências do Groove Metal. O repertório é muito bom, e as canções são pesadas e dinâmicas. Enfim, é um ótimo disco que está sendo muito injustiçado à toa. 

Melhores Faixas: Promise You This, Beyond The Event Horizon 
Vale a Pena Ouvir: The Dirtiest Of The Dozen, 3111, 2 Minutes Hate 

 

Analisando Discografias - James Brown: Parte 6

                 

People – James Brown





















NOTA: 2,8/10


Entrando nos anos 80, James Brown lançou mais um trabalho intitulado People. Após o horrível The Original Disco Man, Brown agora se encontrava diante de um cenário ainda mais fragmentado, com o início do declínio da Disco Music e o surgimento de novas sonoridades, como o Synth Funk, o Boogie e os primeiros sinais do que viria a ser o R&B contemporâneo dos anos 80. Só que o cantor ainda tentava juntar todas as suas influências clássicas com o moderno. A produção foi feita inteiramente por Brad Shapiro, que seguiu uma abordagem polida e radiofônica, com a bateria mais reta e constante, além de grooves menos fragmentados e mais lineares. Além disso, os teclados desempenham um papel central, com timbres mais modernos, só que, novamente, tudo soa muito mal resolvido e cheio de equívocos. O repertório é terrível, e as canções são bem genéricas, com poucas se salvando. Enfim, é um disco péssimo, no qual ele se mostra totalmente perdido. 

Melhores Faixas: Let The Funk Flow, That's Sweet Music 
Piores Faixas: Regrets, Stone Cold Drag, Are We Really Dancing

Soul Syndrome – James Brown





















NOTA: 8/10


Entrando no fim de 1980, James Brown lançou outro trabalho, o Soul Syndrome. Após o terrível People, o cantor queria voltar a algo que se aproximasse mais de sua sonoridade característica, em um período em que novas vertentes, como o Synth Funk e o R&B contemporâneo, começavam a dominar. Brown agora se encontrava em uma posição ainda mais delicada. A produção, feita pelo próprio cantor, é bem limpa, mas também variada, com grooves mais marcados, bateria sincopada e forte presença da seção rítmica. Em outros momentos, a sonoridade já aponta para os anos 80, com maior uso de sintetizadores e arranjos mais polidos. Além disso, os vocais do Brown são bem variados, apostando tanto em um lado mais contido quanto naquele mais energético, fazendo o som dialogar com o Funk e o Soul, com algumas pitadas do Boogie. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo trabalho, e aqui as coisas deram muito certo. 

Melhores Faixas: Funky Men, Rapp Payback (Where Iz Moses?) 
Vale a Pena Ouvir: Stay With Me

Bring It On! – James Brown





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançado um álbum bem peculiar do James Brown, o Bring It On!. Após o Soul Syndrome, o cantor, já não estando mais nos holofotes, decidiu lançar esse trabalho de forma independente, ainda tentando um reposicionamento dentro da indústria. É um trabalho que busca atualizar sua sonoridade, ao mesmo tempo em que tenta manter elementos reconhecíveis de seu estilo. A produção é praticamente a mesma, com uma bateria mais mecânica, refletindo o uso crescente de drum machines ou estilos de execução mais rígidos. O baixo ainda está presente, mas frequentemente segue linhas mais simples e repetitivas, servindo mais como sustentação do groove do que como elemento criativo central, além de uma grande presença de sintetizadores, dialogando assim com o Funk e o R&B moderno. O repertório é bem legal, e as canções são envolventes e animadas. No fim, é um álbum legal, mas que foi um completo fiasco. 

Melhores Faixas: For Your Precious Love, Today 
Vale a Pena Ouvir: Bring It On

Gravity – James Brown





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais três anos, e James Brown lançava mais um novo álbum, o Gravity. Após o Bring It On!, e depois de atravessar a primeira metade dos anos 80 com dificuldades para se adaptar plenamente ao novo cenário musical, Brown encontra aqui uma oportunidade de reconexão com o mainstream. Esse reposicionamento está diretamente ligado à sua entrada na gravadora Scotti Brothers Records, que estava em ascensão naquele período. A produção foi feita pelo renomado Dan Hartman, que entregou um som polido e orientado para o mainstream. A bateria é predominantemente eletrônica, com batidas precisas e regulares, muitas vezes programadas. Os sintetizadores dão aquela cobertura às paisagens sonoras, assim como o baixo e a guitarra, fazendo, assim, uma junção do Synth Funk com a Soul Music e o R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes, com uma abordagem suave. No fim, é um ótimo disco que revitalizou o nome do cantor. 

Melhores Faixas: Repeat The Beat (Faith), How Do You Stop 
Vale a Pena Ouvir: Living In America, Gravity

I'm Real – James Brown





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 1988, quando foi lançado o que é praticamente o último trabalho do James Brown, o fraquíssimo I’m Real. Após o Gravity, que conseguiu fazer o cantor voltar ao mainstream graças à repercussão de “Living in America”, que estava na trilha de Rocky IV, o cenário musical passou a ser dominado pelo Hip-Hop/Rap e pelo R&B, que ganharam ainda mais atenção do grande público. Como Brown era uma influência nesse meio, ele tentou a sorte nesse contexto. A produção, feita pelo grupo Full Force, incorporou batidas eletrônicas, drum machines e programação rítmica típicas do R&B da época. Em vez de tentarem suavizar o som, foi mais uma tentativa de recriar a crueza do Funk dentro desse novo formato do New Jack Swing, só que tudo soa muito forçado e não consegue funcionar. O repertório é bem ruim, com poucas canções interessantes. Após isso, Brown ainda lançou outros trabalhos até seu falecimento em 2006, mas deixou aqui um último registro bem esquecível. 

Melhores Faixas: It's Your Money$, She Looks All Types A' Good, Godfather Runnin' The Joint
Piores Faixas: Can't Git Enuf, You And Me, Keep Keepin', Time To Get Busy


quinta-feira, 26 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 5

                 

Sex Machine Today – James Brown





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho novo do James Brown, o Sex Machine Today. Após o Reality, a metade dos anos 70 já não era mais dominada exclusivamente pelo Funk cru que Brown ajudou a criar, já que o smooth soul, a nascente Disco music e outras tendências começavam a ganhar força. Além disso, a formação clássica dos J.B.'s já não era mais a mesma, já que aconteceram muitas mudanças, e o álbum carrega, portanto, uma sensação de reconstrução. A produção foi bem mais polida, não tendo aquela crueza de antes, com uma abordagem que se aproxima, em alguns momentos, do soul. A seção rítmica continua sendo central, mas já não possui o mesmo impacto minimalista e agressivo dos tempos áureos dos J.B.'s. O groove ainda está presente, mas é menos dominante e mais integrado a arranjos mais cheios. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais variadas. No fim, é um disco bacana que tenta ser mais moderno. 

Melhores Faixas: Deep In It, I Feel God 
Vale a Pena Ouvir: Sex Machine Part I And Part II

Everybody's Doin' The Hustle & Dead On The Double Bump – James Brown





















NOTA: 8/10


Meses depois, foi lançado mais um álbum do cantor, o Everybody's Doin' The Hustle & Dead On The Double Bump. Após o Sex Machine Today, James Brown se via diante de um cenário em que o público e a indústria começavam a se voltar para novas tendências, especialmente o som mais polido e orientado para as pistas de dança que caracterizaria a fase Disco. E, para esse projeto, Brown queria fazer um trabalho mais variado, que juntasse todas as suas influências ao decorrer dos anos. A produção foi basicamente a mesma, juntando a base funkeada com influências do Blues e do Soul. A bateria mantém o “on the one”, mas com uma abordagem mais suave em comparação com trabalhos anteriores. O baixo ainda desempenha um papel importante, mas suas linhas são mais integradas ao arranjo geral, em vez de dominar a estrutura. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais melódicas e intimistas. Enfim, é um trabalho interessante e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Kansas City, Your Love 
Vale a Pena Ouvir: Superbad, Superslick, Papa's Got A Brand New Bag

Get Up Offa That Thing – James Brown





















NOTA: 10/10


Em 1976, foi lançado outro álbum magnífico do James Brown, o Get Up Offa That Thing. Após o Everybody's Doin' The Hustle & Dead On The Double Bump, Brown já não dominava o panorama musical como no início da década. O Funk, que ele havia praticamente criado e definido, agora era amplamente explorado por outros artistas, enquanto a Disco music ganhava enorme popularidade nas pistas e nas rádios; com isso, esse trabalho, por um lado, tenta se alinhar às tendências contemporâneas; por outro, busca recuperar a força do Funk mais cru. A produção foi bem mais polida, com a seção rítmica voltando a ter maior destaque. A bateria reafirma o “on the one” com mais presença, enquanto o baixo retoma linhas mais marcantes e pulsantes. O groove, embora ainda mais controlado do que em seus melhores momentos, volta a ser o elemento central. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Medley: Get Up Offa That Thing / Release The Pressure, Home Again 
Vale a Pena Ouvir: I Refuse To Lose, This Feeling

Bodyheat – James Brown





















NOTA: 8,3/10


E aí, pro fim daquele ano, foi lançado outro álbum novo dele, intitulado Bodyheat. Após o Get Up Offa That Thing, o cantor continuava a dialogar com tendências contemporâneas, ao mesmo tempo em que buscava preservar sua identidade musical, com Brown experimentando arranjos mais sofisticados, grooves mais suaves e uma abordagem mais alinhada ao Soul e à estética Disco, sem abandonar completamente os fundamentos do Funk. A produção continuou bastante polida, mais densa e, em vários momentos, mais sofisticada em termos de arranjos. A seção rítmica continua sendo a base da música, mas o groove é menos agressivo e mais controlado. A bateria mantém o pulso característico, mas com menos ênfase naquele impacto seco, e os vocais de Brown passaram a apresentar nuances diferentes e mais controladas. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco legal que cumpre seu papel. 

Melhores Faixas: Don't Tell It, Woman 
Vale a Pena Ouvir: I'm Satisfied, Bodyheat

Mutha's Nature – James Brown





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano, e foi lançado mais um disco do cantor, o Mutha's Nature. Após o Bodyheat, Brown continuava tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre sua identidade como pioneiro do Funk e as exigências comerciais de um mercado cada vez mais orientado para as pistas de dança. Com o título tentando emular uma espécie de volta ao essencial, o conteúdo do álbum mostra que essa “natureza” já está profundamente filtrada pelas tendências da época. A produção foi bem mais polida e radiofônica; com isso, o groove é mais suave e menos agressivo. A bateria adota uma batida mais constante e menos fragmentada, aproximando-se do padrão da Disco music, enquanto o baixo segue linhas mais contínuas e menos minimalistas. Os teclados assumem um papel central, preenchendo o espaço sonoro com camadas harmônicas mais ricas. O repertório é bem interessante, e as canções são bem divertidas. No geral, é um disco bastante coeso. 

Melhores Faixas: Have A Happy Day, Summertime 
Vale a Pena Ouvir: People Who Criticize, People Wake Up And Live

Jam/1980's – James Brown





















NOTA: 5/10


Mais um intervalo de um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho dele, o Jam/1980's. Após o Mutha's Nature, James Brown ainda buscava equilibrar o Funk tradicional com influências contemporâneas; aqui, a proposta é mais direta: dialogar com o futuro imediato da música popular. Brown enfrentava uma realidade em que sua posição como inovador havia diminuído. Artistas mais jovens estavam redefinindo a música negra americana, enquanto ele buscava maneiras de se manter relevante. A produção foi para uma abordagem mais eletrônica. Embora a base rítmica ainda exista, há uma mudança clara na forma como ela é apresentada. A bateria, em muitos momentos, adota uma batida mais reta, alinhada à estética Disco e ao que viria a influenciar o Funk dos anos 80, mas os vocais do cantor não funcionam, mostrando-o sendo muito ofuscado. O repertório é bem mediano, com canções legais e outras esquisitas. Enfim, é um trabalho irregular e bastante confuso. 

Melhores Faixas: Nature, The Spank 
Piores Faixas: Eyesight, Jam

The Original Disco Man – James Brown





















NOTA: 2,8/10


E aí, chegando ao fim da década de 70, foi lançado o péssimo The Original Disco Man (ego tava inflado, hein). Após o Jam/1980's, James Brown já não era visto como o principal nome do momento. A cena havia sido tomada por artistas e produtores que exploravam uma estética mais sofisticada, com arranjos orquestrais e forte apelo comercial; com isso, ele decidiu, basicamente por pressão de terceiros, fazer um trabalho que fosse completamente voltado à Disco music. A produção, feita pelo cantor junto com Brad Shapiro, seguiu por um caminho polido e radiofônico, com uma ênfase clara em grooves contínuos e dançantes. A bateria adota uma batida mais reta e constante, típica da Disco music, com uma presença ainda maior de sintetizadores, só que tudo é excessivamente repetitivo. O repertório é péssimo, e as canções são bem chatas, com poucas se salvando. No fim, é um álbum terrível, e nem preciso dizer que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Women Are Something Else 
Piores Faixas: The Original Disco Man, Still

                                                                                    Por hoje é só, então flw!!!     

quarta-feira, 25 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 4

                 

Hot Pants – James Brown





















NOTA: 10/10


E aí, meses se passaram, e foi lançado o sensacional Hot Pants, que veio em um momento de virada para o cantor. Após o Sho Is Funky Down Here, James Brown acabou saindo da King Records depois de 13 anos e decidiu assinar com a Polydor. Além de marcar o início da consolidação dos The J.B.’s, com Bootsy Collins (ainda que sua permanência tenha sido breve) e outros instrumentistas altamente disciplinados. A produção foi bem mais robusta, mas mantendo o peso, intensificando o groove e trazendo uma maior coesão na execução da banda. O papel dos J.B.’s é fundamental. A seção rítmica é extremamente precisa, com o baixo assumindo linhas mais elásticas, enquanto a guitarra mantém o estilo percussivo característico, e a bateria continua com sua definição marcante, seguindo a estética do Deep Funk. O repertório contém 4 faixas que são simplesmente sensacionais. Enfim, é um álbum maravilhoso e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Blues & Pants, Hot Pants (She Got To Use What She Got To Get What She Wants) 
Vale a Pena Ouvir: Escape-Ism, Can't Stand It

There It Is – James Brown





















NOTA: 9,9/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum sensacional do James Brown, o There It Is. Após o Hot Pants, Brown operava em um nível de controle artístico muito elevado. Com os J.B.'s funcionando como uma máquina perfeitamente ajustada, ele conseguia extrair performances extremamente precisas e, ao mesmo tempo, cheias de energia. Essa formação, que incluía músicos como Fred Wesley e Maceo Parker em diferentes momentos, ajudava a dar forma ao som característico dessa fase. A produção seguiu por um caminho bem mais limpo e direto, com os J.B.'s sendo o coração do disco. A seção rítmica opera com uma precisão quase mecânica, criando grooves densos e repetitivos que servem como base para todas as faixas, e os vocais de Brown são bem variados, com uma articulação de tirar o fôlego. O repertório é belíssimo, com canções variadas e sempre com aquele toque energético. Em suma, é um baita disco, muito preciso. 

Melhores Faixas: There Is It, Public Enemy #1, I'm A Greedy Man, King Heroin 
Vale a Pena Ouvir: I Need Help (I Can't Do It Alone), Talking Loud And Saying Nothing

Get On The Good Foot – James Brown





















NOTA: 9,3/10


Perto do fim do ano de 1972, foi lançado um álbum duplo do James Brown, o ambicioso Get On The Good Foot. Após o There It Is, este disco mostra Brown operando em pleno domínio de sua linguagem musical, refinando e expandindo o estilo que ele próprio ajudou a criar. Nesse período, Brown já havia consolidado o Funk como uma estética dominante, e sua banda, os J.B.'s, funcionava com precisão impressionante. A produção é bem mais limpa, direta e extremamente focada na seção rítmica. Os J.B.'s desempenham um papel central. A bateria mantém o conceito do “on the one” com precisão absoluta, criando uma base sólida e inabalável. O baixo constrói linhas elásticas e pulsantes, enquanto a guitarra atua de forma percussiva, com riffs curtos e repetitivos, dialogando não só com o Funk, mas também com o Soul em momentos melódicos. O repertório é incrível, com canções bem divertidas e variadas. No fim, é um álbum sensacional e muito completo. 

Melhores Faixas: Get On The Good Foot (Parts 1 & 2), Funky Side Of Town, I Got A Bag Of My Own, Lost Someone, Ain't It A Groove 
Vale a Pena Ouvir: My Part / Make It Funky (Parts 3 & 4), The Whole World Needs Liberation, Dirty Harri

Black Caesar (Original Soundtrack) – James Brown





















NOTA: 9/10


Passado mais um ano, foi lançada a trilha sonora do filme Black Caesar, composta por James Brown. Após o Get On The Good Foot, esse trabalho, feito para o filme estrelado por Fred Williamson, se insere diretamente no contexto do movimento blaxploitation, que estava em plena ascensão no início dos anos 70. Esse período é particularmente interessante porque mostra artistas negros assumindo maior controle narrativo e estético dentro da indústria cultural. A produção, feita como sempre pelo cantor, segue por um caminho mais dinâmico e variado. Os J.B.'s continuam sendo a base instrumental, garantindo a qualidade e a precisão do groove. No entanto, há uma maior variedade de arranjos em comparação com seus álbuns tradicionais, além de os vocais aparecerem de forma mais seletiva. O repertório é incrível, com canções que vão de um lado mais imersivo ao energético. Em suma, é um ótimo álbum, bem estruturado. 

Melhores Faixas: The Boss, Down And Out In New York City, Mama Feelgood (cantado pela Lyn Collins), Like It Is, Like It Was, Blind Man Can See It 
Vale a Pena Ouvir: Make It Good To Yourself, Mama's Dead

The Payback – James Brown





















NOTA: 10/10


Então, no fim daquele ano de 1973, foi lançado o atemporal álbum do James Brown, o The Payback. Após a trilha do Black Caesar, esse novo álbum também seria uma trilha para o filme Hell Up in Harlem, sequência do Black Caesar, mas o projeto acabou sendo rejeitado pelos produtores por ser considerado excessivamente centrado no funk e pouco “cinematográfico”. Então, o cantor decidiu lançá-lo de forma convencional e, aqui, ele apresenta um lado mais introspectivo e até vingativo. A produção, feita pelo próprio Brown, apresenta uma sonoridade mais espaçada, minimalista e extremamente controlada. A principal característica da produção é o andamento mais lento das músicas, como se ele desacelerasse o ritmo, permitindo que cada elemento tenha mais espaço, equilibrando o Funk com o Soul, além de sua voz aparecer mais cheia de atitude. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: The Payback, Mind Power, Take Some – Leave Some 
Vale a Pena Ouvir: Stone To The Bone, Forever Suffering

Hell – James Brown





















NOTA: 9,7/10


Passado mais um ano, foi lançado outro trabalho incrível do James Brown, intitulado Hell. Após o clássico The Payback, Brown já havia demonstrado que o Funk poderia assumir formas mais densas, lentas e atmosféricas. Esse projeto aparece como um desdobramento dessa estética, mas com maior variedade de abordagens. Além disso, há aquela prática comum de reunir material de diferentes sessões, o que resulta em uma obra com certa diversidade interna. A produção continua espaçada e orgânica, com os J.B.’s garantindo precisão e consistência. A seção rítmica permanece central, com a bateria marcando o “on the one” de forma firme, enquanto o baixo constrói grooves profundos e repetitivos. A guitarra segue desempenhando um papel percussivo, com riffs curtos e sincopados, e os vocais do Brown vão de um lado mais contido ao agressivo. O repertório é incrível, com canções bem divertidas. No fim, é um baita disco, que também é um clássico. 

Melhores Faixas: My Thang, Hell, Coldblooded, Papa Don't Take No Mess, Please, Please, Please, I Can't Stand It "76", A Man Has To Go Back To The Cross Road Before He Finds Himself 
Vale a Pena Ouvir: Don't Tell A Lie About Me And I Won't Tell The Truth On You, When The Saints Go Marching In, Soemtime These Foolish Things Remind Me Of You

Reality – James Brown





















NOTA: 9,2/10


E aí, no fim do ano de 1974, foi lançado mais um álbum do James Brown, o Reality. Após o Hell, Brown já havia consolidado plenamente sua linguagem. No entanto, o cenário musical começava a mudar. O Funk, que ele ajudou a definir, já estava sendo amplamente absorvido, nesse momento, já começava um certo burburinho da nascente Disco music. Ainda assim, Brown ignorou isso por um momento e, a partir daqui se iniciava a fase que ficou conhecida como ‘era do bigode’. A produção, feita pelo próprio cantor, trouxe uma sonoridade bem definida e cheia de textura, com os J.B.'s continuando como base instrumental, garantindo grooves sólidos e execução precisa. A bateria permanece centrada no “on the one”, enquanto o baixo constrói linhas repetitivas e profundas, a guitarra mantém aquele lado percussivo, e os sopros aparecem de forma econômica. O repertório é incrível, com canções bem divertidas. Enfim, é um baita disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Funky President (People It's Bad), All For One, Further On Up The Road, The Twist, I'm Broken Hearted 
Vale a Pena Ouvir: Reality, Check Your Body

                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                      

Review: MR. do Yunk Vino

                    MR. – Yunk Vino NOTA: 7,2/10 Depois de quase 10 anos de carreira, enfim Yunk Vino lança seu álbum de estreia, intitulado...