domingo, 6 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Motörhead: Parte 1

                   

Overkill – Motörhead





















NOTA: 10/10


No ano de 1979, o Motörhead lançava seu 2º álbum de estúdio, o clássico Overkill. Após o álbum de estreia, o trio formado por Lemmy Kilmister no baixo e vocais, “Fast” Eddie Clarke na guitarra e Phil “Philthy Animal” Taylor na bateria já mostrava uma identidade muito bem definida. A banda já não parecia apenas uma banda underground barulhenta: havia começado a construir uma reputação própria, especialmente entre o público do Punk e do Heavy Metal. A produção, feita por Jimmy Miller e Neil Richmond, deixou um som cru e direto, mas que mantém uma certa clareza. O baixo de Lemmy continua distorcido e agressivo, além de seu vocal rouco característico. A guitarra de Eddie Clarke permanece áspera e cheia de ataque, enquanto a bateria de Phil Taylor ganha muita presença, fazendo aquele diálogo tanto com o Heavy Metal quanto com o Hard Rock. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No fim, é um baita álbum e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Overkill, No Class, Damage Case, Metropolis, Stay Clean, Tear Ya Down
Vale a Pena Ouvir: (I Won't) Pay Your Price, Capricorn

Bomber – Motörhead





















NOTA: 9,9/10


No ano seguinte, a banda lançava seu 3º álbum, intitulado Bomber, que foi ainda mais pesado. Após o clássico Overkill, estava em constantes turnês, ganhando uma reputação cada vez maior por suas apresentações caóticas e ensurdecedoras. Apesar de esse trabalho ainda seguir a mesma fórmula, Lemmy estava consolidando aquela persona de sujeito permanentemente hostil, debochado e ligado ao excesso, enquanto Clarke e Taylor ajudavam a transformar a banda em uma espécie de força bruta musical. A produção, feita mais uma vez por Jimmy Miller, deixou aquele som sujo e agressivo. Lemmy, com seu baixo extremamente distorcido, funciona simultaneamente como instrumento rítmico e melódico; a guitarra do Eddie Clarke possui riffs secos e aquele timbre áspero, enquanto a bateria do Phil Taylor é extremamente física. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas e pesadas. Enfim, é um baita disco e outro clássico da banda. 

Melhores Faixas: Bomber, Dead Men Tell No Tales, Stone Dead Forever, Poison, Lawman, Sharpshooter 
Vale a Pena Ouvir: Sweet Revenge, Talking Head

Ace Of Spades – Motörhead





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, o Motörhead já chega com os dois pés na porta lançando o clássico Ace of Spades. Após o Bomber, a banda estava cada vez mais associada à ideia de viver em alta velocidade. Turnês, estrada, álcool, apostas, motocicletas, sexo e uma atitude permanentemente desafiadora faziam parte do universo de Lemmy. Tudo isso acabou alimentando a identidade do álbum, que apresenta uma visão de mundo baseada em risco, liberdade e desprezo pelas consequências. A produção, feita por Vic Maile, deixou um som pesado e carregado de uma agressividade avassaladora. O baixo distorcido do Lemmy dá ao instrumento uma textura áspera e pesada, além de seus vocais energéticos. Enquanto a guitarra do Clarke é mais encorpada e a bateria do Taylor é cheia de peso, formando um Heavy Metal completo. O repertório é espetacular, sendo também uma completa coletânea. No fim, é um álbum magnífico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Ace Of Spades, Love Me Like A Reptile, The Hammer, The Chase Is Better Than The Catch, (We Are) The Road Crew, Fast and Loose, Shoot You In The Back 
Vale a Pena Ouvir: Live To Win, Dance, Fire, Fire

Iron Fist – Motörhead





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram e o Motörhead lançou seu 5º álbum de estúdio, o Iron Fist. Após o clássico Ace of Spades, eles precisavam apresentar um novo álbum sem parecer repetitiva. A banda continuava sendo extremamente produtiva, mas o ritmo intenso de turnês, gravações e apresentações começava a cobrar seu preço. As relações dentro da banda estavam ficando cada vez mais tensas, principalmente entre Lemmy e Eddie Clarke, e o processo de produção acabaria acentuando essas diferenças. A produção, conduzida por Will Reid Dick junto com o próprio Eddie Clarke, seguiu aquele som pesado e agressivo. Com as guitarras ganhando mais destaque, com riffs secos, a bateria continua tendo aquele peso característico, enquanto o baixo distorcido do Lemmy ficou mais contido, com o maior destaque sendo seus vocais. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um baita disco, mas que foi um momento de mudança. 

Melhores Faixas: Iron Fist, Go To Hell, America, Heart Of Stone, (Don't Need) Religion, Speedfreak 
Vale a Pena Ouvir: Loser, Shut It Down, Bang To Rights

Another Perfect Day – Motörhead





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou e o Motörhead, já totalmente reformulado, lançou o álbum Another Perfect Day. Após o Iron Fist, Eddie Clarke decidiu sair da banda e, no seu lugar, entrou Brian Robertson, guitarrista conhecido principalmente por seu trabalho no Thin Lizzy, que trouxe uma abordagem mais melódica e colocou no som deles muita vibe do Hard Rock setentista. O resultado foi um disco muito mais melódico e sofisticado do que aquilo que os fãs mais tradicionais esperavam. A produção, feita por Tony Platt, colocou um som limpo e organizado que ainda junta o Heavy Metal com o Hard Rock. As guitarras possuem solos mais longos e as melodias são mais elaboradas, enquanto o baixo de Lemmy continua pesado e a bateria de Phil Taylor ficou mais frenética, mas continua poderosa. O repertório é sensacional, e as canções são bem pesadas e carregadas de muita densidade. No fim, é um baita disco, bastante agressivo e definido. 

Melhores Faixas: Back At The Funny Farm, Another Perfect Day, Shine, I Got Mine, Rock It, Dancing On Your Grave 
Vale a Pena Ouvir: Die You Bastard, Marching Off To War

Orgasmatron – Motörhead





















NOTA: 9,5/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho da banda, o Orgasmatron. Após o Another Perfect Day, a banda precisou ser reconstruída, já que Brian Robertson saiu, assim como Phil Taylor, que também acabou deixando a banda. Com isso, a formação agora contava com dois guitarristas, Phil Campbell e Würzel, enquanto Pete Gill (ex-Saxon) assumiu a bateria. Campbell e Würzel trouxeram uma sonoridade mais diretamente ligada ao Heavy Metal, enquanto Lemmy continuava sendo o elo com o Rock ’n’ Roll. A produção, conduzida por Bill Laswell e Jason Corsaro, decidiu trabalhar com camadas, efeitos, ambientes e uma mixagem mais pesada. O baixo do Lemmy continua bem distorcido, a bateria ficou bem mais processada, enquanto as guitarras criam uma parede sonora mais densa. O repertório é sensacional, e as canções são bastante energéticas e dinâmicas. No fim, é um baita disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Orgasmatron, Deaf Forever, Ain't My Crime, Nothing Up My Sleeve 
Vale a Pena Ouvir: Built For Speed, Ridin' With The Driver, Claw

Rock 'N' Roll – Motörhead





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e eles lançaram um novo disco intitulado Rock 'N' Roll, com mais algumas mudanças. Após o Orgasmatron, o baterista Phil Taylor havia retornado à bateria, só que, além disso, o Motörhead enfrentava problemas com sua nova gravadora, a GWR. E, para esse álbum, eles não queriam muito reinventar sua identidade; queriam voltar ao básico. A produção de Guy Bidmead, junto com a banda, seguiu aquela abordagem pesada e direta. As guitarras possuem uma sensação de parede sonora, especialmente nos riffs, enquanto o baixo de Lemmy permanece integrado à massa sonora, reforçando os riffs e ajudando a criar o peso característico. Já a bateria possui ataque e energia, mostrando um pouco daqueles elementos do Speed Metal que, de vez em quando, aparecem na banda. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser agressivas e sarcásticas. Enfim, é um ótimo álbum, mas que ficou um pouco abaixo. 

Melhores Faixas: Eat The Rich, Rock ’n’ Roll, All For You, Traitor 
Vale a Pena Ouvir: Blackheart, Boogeyman

1916 – Motörhead





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 90, o Motörhead lançava mais um álbum novo, o variado 1916. Após o Rock ‘n’ Roll, a banda acabou enfrentando problemas contratuais que os fizeram sair da GWR. Lemmy Kilmister acabou se mudando para Los Angeles, aproximando-se ainda mais da cena do Rock da cidade. Quando a banda finalmente voltou ao estúdio, em 1990, eles já estavam vivendo uma realidade bastante diferente daquela do início dos anos 80, além de terem assinado com a WTG Records, subsidiária da Sony. A produção, conduzida por Peter Solley e Ed Stasium, deixou um som mais definido e aberto. O baixo do Lemmy continua pesado e distorcido, mas existe uma separação mais clara entre os instrumentos. As duas guitarras possuem bastante presença, criando uma parede sonora mais espessa, enquanto a bateria do Phil mantém a agressividade necessária. O repertório é incrível, e as canções são pesadas e até bastante profundas. No fim, é um baita disco, muito ousado. 

Melhores Faixas: I'm So Bad (Baby I Don't Care), Love Me Forever, 1916, No Voice In The Sky, Going To Brazil, Ramones 
Vale a Pena Ouvir: Nightmare/The Dreamtime, Shut You Down, Make My Day

March Ör Die – Motörhead





















NOTA: 7/10


Mais um ano se passou, e o Motörhead voltou com seu 10º álbum, o March Ör Die. Após o 1916, Phil Taylor acabou sendo demitido e, no seu lugar, entrou o veterano Tommy Aldridge. A banda estava entrando em uma década diferente, e o cenário do Rock pesado havia mudado bastante. O Motörhead, porém, não tinha interesse em competir diretamente com as novas tendências. Em vez disso, o álbum apresenta uma tentativa de tornar o som do grupo mais acessível e mais bem produzido, sem abandonar sua essência. A produção, feita inteiramente por Peter Solley, colocou um som bem mais limpo e trabalhado, mesmo ainda tendo elementos do Heavy Metal e do Hard Rock. O baixo de Lemmy continua distorcido, as guitarras continuam agressivas e a bateria permanece forte. Só que o grande defeito é que há momentos em que tudo soa muito repetitivo. O repertório é bom, tendo canções pesadas e outras sem graça. Enfim, é um álbum bom, mas que tem muitos erros. 

Melhores Faixas: Hellraiser (baita cover da música do Ozzy), Bad Religion, Stand, I Ain't No Nice Guy (participação do Ozzy e do Slash) 
Piores Faixas: Asylum Choir, Name In Vain, You Better Run

Bastards – Motörhead





















NOTA: 8,7/10


No ano de 1993, o Motörhead lançava mais um trabalho novo, intitulado Bastards. Após o March Ör Die, Lemmy Kilmister, Phil Campbell, Würzel e Mikkey Dee (ex-King Diamond) formavam uma configuração muito mais pesada e agressiva. Outro aspecto importante é a própria postura de Lemmy, apresentando críticas sociais, violência, relações destrutivas, guerra, religião e o cotidiano da estrada, tendo um interesse em usar o personagem do Motörhead para falar de assuntos mais sérios. A produção, feita por Howard Benson, colocou um som definido, mas bem mais agressivo, voltando àquela urgência característica. As guitarras do Phil Campbell e Würzel têm bastante presença, o baixo do Lemmy é pesado e a bateria do Mikkey Dee proporciona uma força muito maior ao conjunto, tendo bastante potência e precisão. O repertório é ótimo, e as canções são bastante energéticas e imersivas. No geral, é um disco bacana e que foi mais coeso. 

Melhores Faixas: Born To Raise Hell, Death Or Glory, Bad Woman, Devils, Burner 
Vale a Pena Ouvir: Don't Let Daddy Kiss Me, On Your Feet Or On Your Knees, Liar

Sacrifice – Motörhead





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e o Motörhead lançou seu 14º álbum, o Snake Bite Love. Após o Overnight Sensation, a banda parece menos preocupada em desenvolver uma identidade própria. A banda continua fazendo aquilo que sabe fazer, mas existe uma sensação maior de repetição. Outro problema é o próprio processo de composição. O material foi preparado e gravado de maneira relativamente rápida, o que ajuda a explicar por que algumas músicas parecem menos desenvolvidas. A produção, feita mais uma vez por Howard Benson, foi bastante pesada e definida. O baixo do Lemmy continua bastante audível e distorcido, a guitarra do Phil Campbell possui um timbre bastante encorpado e a bateria de Mikkey Dee continua pesada. O problema é que muita coisa soa repetitiva, mas, ainda assim, consegue trazer algo sólido. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e outras que são simplesmente fraquíssimas. No fim, é um álbum bom, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Dogs Of War, Take The Blame, Better Off Dead, Night Side 
Piores Faixas: Desperate For You, Joy Of Labour, Assasin

Overnight Sensation – Motörhead





















NOTA: 7,2/10


Mais um ano se passou, e mais um álbum do Motörhead foi lançado, o Overnight Sensation. Após o Sacrifice, Würzel havia deixado a banda, e Lemmy, Phil Campbell e Mikkey Dee decidiram continuar como um trio. Fazendo com que Phil passasse a carregar praticamente toda a responsabilidade pelo instrumento, enquanto Lemmy e Mikkey formavam uma seção rítmica exposta. A produção, que contou com Howard Benson, Duane Baron e Ryan Dorn, buscou um som que preservasse a agressividade da banda, mas com algo mais claro. A guitarra do Phil Campbell ganha bastante presença, enquanto o baixo de Lemmy continua funcionando simultaneamente como instrumento rítmico e melódico. Mikkey Dee, por sua vez, recebe espaço suficiente para mostrar sua técnica, embora, em alguns momentos, ele não sustente os trechos mais arrastados. O repertório é bom, tem canções legais e outras fracas. Enfim, é um trabalho sólido, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Civil War, I Don't Believe A Word, Listen To Your Heart, Eat The Gun, Them Not Me 
Piores Faixas: Broken, Murder Show, Shake The World, Love Can't Buy You Money

Snake Bit Love – Motörhead





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e o Motörhead lançou seu 14º álbum, o Snake Bite Love. Após o Overnight Sensation, a banda parece menos preocupada em desenvolver uma identidade própria. A banda continua fazendo aquilo que sabe fazer, mas existe uma sensação maior de repetição. Outro problema é o próprio processo de composição. O material foi preparado e gravado de maneira relativamente rápida, o que ajuda a explicar por que algumas músicas parecem menos desenvolvidas. A produção, feita mais uma vez por Howard Benson, foi bastante pesada e definida. O baixo do Lemmy continua bastante audível e distorcido, a guitarra do Phil Campbell possui um timbre bastante encorpado e a bateria de Mikkey Dee continua pesada. O problema é que muita coisa soa repetitiva, mas, ainda assim, consegue trazer algo sólido. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e outras que são simplesmente fraquíssimas. No fim, é um álbum bom, mas é o mais fraco da banda. 

Melhores Faixas: Dogs Of War, Take The Blame, Better Off Dead, Night Side 
Piores Faixas: Desperate For You, Joy Of Labour, Assasin

We Are Motörhead – Motörhead





















NOTA: 8,2/10


Entrando nos anos 2000, o Motörhead lançava mais um álbum, o We Are Motörhead. Após o Snake Bite Love, que trouxe muita irregularidade e fez muitos acharem que era o momento de a banda parar, esse novo trabalho aparece justamente como uma reação a isso. O próprio título funciona como uma declaração de identidade, fazendo um trabalho mais direto e focado, recuperando parte da agressividade e da velocidade. A produção, feita pela banda junto com Bob Kulick, Bruce Bouillet e Duane Baron, buscou um som mais enxuto e agressivo. A guitarra do Phil Campbell está bastante presente, com um timbre pesado e relativamente seco. O baixo do Lemmy também possui muita presença, além de seus vocais, que continuam bem eficientes, enquanto a bateria de Mikkey Dee é bastante precisa, quase mecânica, sem eliminar a sujeira. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e até cadenciadas. No geral, é um ótimo álbum e que teve consistência. 

Melhores Faixas: We Are Motorhead, Stay Out Of Jail, One More Fucking Time, Wake The Dead 
Vale a Pena Ouvir: Out To Lunch, (Wearing Your) Heart On Your Sleeve, See Me Burning

Hammered – Motörhead





















NOTA: 7,5/10


No ano de 2002, o Motörhead lançava mais um disco novo, o interessante Hammered. Após o We Are Motörhead, o contexto é particularmente pesado, porque o material acabou sendo associado ao clima de insegurança e tensão provocado pelos acontecimentos de 11 de setembro. Isso ajuda a explicar por que o disco apresenta uma atmosfera mais sombria e preocupada do que alguns trabalhos anteriores. A produção, feita por Thom Panunzio junto com a banda, apresenta uma sonoridade bastante pesada e compacta. As guitarras continuam possuindo bastante peso e ocupam um espaço enorme na mixagem. Enquanto o baixo de Lemmy é sólido e a bateria de Mikkey é bastante precisa, com o tempo o disco apresenta uma falta de dinâmica em determinados momentos. O repertório é bom, tem canções muito imersivas, mas o final possui canções fraquíssimas. Em suma, é um álbum legal, só que acabou se perdendo um pouco. 

Melhores Faixas: No Remorse, Brave New World, Kill The World, Mine All Mine 
Piores Faixas: Serial Killer, Red Raw

                                                                                    É isso, então flw!!!           

sábado, 5 de setembro de 2026

Review: Flerte do Xamã

                  

Flerte – Xamã





















NOTA: 2,2/10


Alguns dias atrás, foi lançado um novo álbum do Xamã, o Flerte, no qual ele tentou fazer algo diferente. Após o FRAGMENTADO, o rapper conseguiu ganhar ainda mais destaque interpretando o personagem Bagdá na novela Três Graças. Enquanto isso, ele preparava um projeto que vai para uma atmosfera mais leve, romântica e dançante, pegando muitas sonoridades latinas e africanas. A produção, feita por Mario Arantes, Ramon Calixto e $amuka, colocou um som polido que mostra uma junção de Afrobeats, Dancehall e alguns elementos do Jazz Rap, Reggaetón e Tropical House. Com isso, os arranjos ficaram bastante sofisticados e com beats mais amplos, mas tudo soa bastante repetitivo, com os flows do Xamã não conseguindo combinar com cada arranjo. O repertório é horrível, e as canções são muito irritantes, com algumas exceções. Enfim, é um álbum terrível e que não é interessante. 

Melhores Faixas: Bagunçou Minha Sexta, Você Tirou Meu Ar 
Piores Faixas: Moça (Ludmilla mal como sempre), Nova Satagariana, Meu Sonho É Tu, Like A Michael
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Review: Timeless do Prince

                  

Timeless – Prince





















NOTA: 8,5/10


Recentemente, foi lançado um novo trabalho póstumo do Prince, intitulado Timeless. Após o Welcome 2 America, o espólio do cantor decidiu meio que fazer um retrospecto, pegando um material que ele reuniu desde 1977 até o ano de seu falecimento. Mostrando, assim, o cantor se transformando de um jovem músico promissor em um veterano que ainda continuava experimentando várias vertentes. A produção foi obviamente feita pelo próprio cantor e tem uma junção do R&B contemporâneo, Pop Rock, Synth Funk, Soul e música Pop. Com isso, temos arranjos que oscilam entre momentos mais sofisticados até momentos mais energéticos. A variedade é enorme, mas o fio condutor é a obsessão de Prince por ritmo, arranjo e textura, algo que mostra ainda mais um pouco da sua genialidade. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem envolventes e muito fluidas. No fim, é um trabalho muito legal, e fica a pergunta: por que esse material não foi lançado em vida? 

Melhores Faixas: I Wonder, With This Tear, I Am You, The Guilty Ones 
Vale a Pena Ouvir: Tick Tick Bang, Bestest Friend, Stone,


Analisando Discografias - Ave Sangria

                  

Ave Sangria – Ave Sangria





















NOTA: 10/10


Em 1974, o Ave Sangria lançava seu clássico e conturbado álbum de estreia autointitulado. Formado em 1969, na capital pernambucana, Recife, por Marco Polo (vocais), Almir de Oliveira (baixo e violão), Ivinho (guitarra), Israel Semente (bateria), Agrício Noya (percussão) e Paulo Rafael (guitarra), inicialmente eles tinham o nome de Tamarineira Village e, após participarem da Feira Experimental de Música do Nordeste, onde ganharam muita popularidade, assinaram com a gravadora Continental, que os fez trocar para o nome que conhecemos. A produção foi feita por Márcio Antonucci, que, apesar dos recursos limitados, deixou um som expressivo que dialogava tanto com o Rock e o Folk psicodélico quanto com elementos do Rock Rural, Xote e até um pouco do Rock Progressivo. Contendo guitarras expressivas, uma cozinha rítmica sustentável e vocais melódicos, o repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: O Pirata, Seu Waldir, Por Que?, Dois Navegantes, Hei! Man, Momento Na Praça 
Vale a Pena Ouvir: Cidade Grande, Sob O Sol De Satã, Três Margaridas

Vendavais – Ave Sangria





















NOTA: 9,6/10


Foi apenas em 2019 que o Ave Sangria lançou seu 2º álbum de estúdio, o Vendavais. Após o álbum de estreia, a banda havia sido prejudicada pela censura da ditadura militar, especialmente por causa de Seu Waldir. A faixa foi censurada e o álbum acabou retirado das lojas, contribuindo para o encerramento das atividades da banda. Só que, com o tempo, eles ganharam um status cult e voltaram em 2014, agora com a entrada de Juliano Holanda no baixo e Gilú Amaral na percussão. A produção, feita por Paulo Rafael e pelo próprio Juliano Holanda, deixou um som mais encorpado e equilibrado, com elementos do Rock psicodélico e Heavy Psych, além de elementos do Rock Progressivo e Udigrundi. As guitarras são bem precisas, enquanto a cozinha rítmica consegue ser muito bem variada, principalmente na percussão, além dos vocais expressivos do Marco Polo. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas. Enfim, é um belo disco e que teve muita ousadia. 

Melhores Faixas: Silêncio Segredo, O Poeta, Vendavais, Sete Minutos, Marginal, Carícias
Vale a Pena Ouvir: Olho Da Noite, Ser

  

Analisando Discografias - Little Dragon: Parte 2

                  

Season High – Little Dragon





















NOTA: 3/10


Em 2017, o Little Dragon retornava com um novo álbum, o fraquíssimo Season High. Após o Nabuma Rubberband, o grupo tenta recuperar um pouco mais de movimento, brilho e energia Pop. O álbum parece consciente disso até certo ponto. Há uma tentativa de ampliar o lado dançante, incorporando elementos de Funk e Synth-pop, enquanto a atmosfera continua bastante ligada ao universo dos trabalhos anteriores. A produção seguiu por um caminho bastante polido e sofisticado. A bateria do Erik Bodin, mesmo com a presença de programação eletrônica, preserva uma preocupação em manter o balanço de uma banda tocando junta. O baixo do Fredrik Wallin também permanece bastante presente, e os sintetizadores contêm linhas brilhantes, enquanto os vocais da Yukimi são praticamente os mesmos. Porém, tudo soa muito plastificado e sem imersão. O repertório é ruinzinho: tem canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum fraco e que não tem dinâmica. 

Melhores Faixas: High, Butterflies, The Pop Life 
Piores Faixas: Celebrate, Should I, Sweet, Push

New Me, Same Us – Little Dragon





















NOTA: 4/10


Três anos se passam, e o Little Dragon lança mais um álbum novo, o New Me, Save Us. Após o Season High, o grupo largou a gravadora de seus últimos dois álbuns, a Because, e assinou com a Ninja Tune. Nesse período, eles estavam pensando em fazer um trabalho que voltasse às suas raízes e se concentrasse mais na interação entre os próprios integrantes, com eles menos preocupados em reproduzir uma estética retrofuturista específica. A produção seguiu por um caminho mais orgânico e que não abandona aquele som acessível. Com isso, há uma junção do Neo-Soul, Alt-Pop, Art Pop e um pouco do R&B tradicional. As linhas de baixo são bem orientadas ao groove, a bateria ficou um pouco mais dinâmica e os teclados colocam cor nos arranjos, mas parece que falta algo mais variado, com momentos excessivamente arrastados e com os vocais da Yukimi deixando tudo muito sonolento. O repertório é fraco, tem canções boas e outras sem graça. Enfim, é um álbum ruim e que não flui. 

Melhores Faixas: Another Lover, Are You Feeling Sad?, Hold On, New Fiction 
Piores Faixas: Water, Stay Right Here, Where You Belong, Kids, Rush

Slugs Of Love – Little Dragon





















NOTA: 3/10


No ano de 2023, foi lançado o mais recente álbum do grupo, intitulado Slugs Of Love. Após o New Me, Save Us, eles queriam fazer um trabalho que tivesse uma abordagem mais leve, divertida e assumidamente otimista, estando muito mais interessados em abordar temas como conexão, amizade, prazer e a ideia de aproveitar o presente. A produção seguiu por algo ainda mais acessível e carregado de leveza, com os sintetizadores variando entre timbres quentes, psicodélicos, retrô ou completamente espaciais. O baixo tenta colocar uma maior sustentação, e a bateria possui bastante swing nos ritmos, enquanto a percussão frequentemente conduz as faixas. Mesmo com eles entrando de cabeça na Indietronica, parece que tudo aqui soa arrastado e com fórmulas repetitivas. O repertório é terrível, com canções genéricas e poucas interessantes. Enfim, é outro álbum péssimo de um grupo em extrema decadência. 

Melhores Faixas: Amöban, Glow (participação do Damon Albarn), Gold 
Piores Faixas: Kenneth, Frisco, Lily's Call, Disco Dangerous


Analisando Discografias - Motörhead: Parte 1

                    Overkill – Motörhead NOTA: 10/10 No ano de 1979, o Motörhead lançava seu 2º álbum de estúdio, o clássico Overkill. Após ...