sexta-feira, 10 de abril de 2026

Review: VERAS I do Vera Fischer Era Clubber

                  

VERAS I – Vera Fischer Era Clubber





















NOTA: 8/10


No ano passado, a banda Vera Fischer Era Clubber lançava seu álbum de estreia, o VERAS I. Formada em 2023, em Niterói, no Rio de Janeiro, pela vocalista Crystal, pela baixista Malu, pelo tecladista Vickluz e pela Gloria Pek0 nos beats, a banda ganhou reputação em ambientes alternativos e em apresentações ao vivo, inserindo-se em uma cena que resgata elementos da cultura clubber dos anos 2000, mas reinterpretados com ironia, teatralidade e uma estética deliberadamente exagerada. A produção, feita por Augusto Feres, aposta em uma sonoridade deliberadamente crua e estilizada, misturando Electroclash, Darkwave, EBM e New Rave. Aqui, percebe-se uma abordagem noturna constante: batidas eletrônicas minimalistas, sintetizadores sombrios e texturas que remetem à música industrial, além dos vocais da Crystal, que vão do canto ao Spoken Word. O repertório é legalzinho, e as canções são todas muito divertidas. No fim, é um álbum bacana e, de certo modo, maluco. 

Melhores Faixas: A Gata Agora, Eu Sem Depressão 
Vale a Pena Ouvir: Vera Fischer Era Clubber, Fantasmas
  

                                                                                     É isso, então flw!!!      

Analisando Discografias - Jungle

                 

Jungle – Jungle





















NOTA: 9/10


No ano de 2014, o grupo Jungle lançava seu álbum de estreia autointitulado, trazendo uma abordagem bem diferente. Formado um ano antes em Londres pelos produtores Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, o projeto nasceu de uma parceria de longa data entre os dois, que desde jovens experimentavam com gravações caseiras e tinham um forte interesse em sonoridades vintage, mais precisamente Soul, Funk e Disco music. A produção, feita obviamente por ambos, opta por uma abordagem extremamente controlada, onde seguem bases rítmicas simples, porém altamente eficazes. Linhas de baixo repetitivas, guitarras limpas bem funkeadas e batidas secas criam uma sensação de continuidade quase hipnótica, enquanto os vocais servem mais como textura, resultando em uma fusão de Synth Funk, Smooth Soul e Funktronica. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas, com uma vibe suave. No fim, é um baita disco, sendo muito elegante. 

Melhores Faixas: Busy Earnin’, The Heat, Time, Julia, Drops, Lucky I Got What I Want 
Vale a Pena Ouvir: Accelerate, Crumbler

For Ever – Jungle





















NOTA: 8,2/10


Se passaram quatro anos, e foi lançado o 2º álbum deles, o For Ever, que foi mais sofisticado. Após o álbum de estreia, se antes parecia quase uma experiência de estúdio comandada exclusivamente por Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland, durante esse período eles se consolidaram como uma banda completa, com mais músicos envolvidos e uma dimensão maior nos shows. Com isso, esse trabalho é mais ensolarado, emocional e expansivo, o que se reflete nos temas apresentados. A produção é extremamente polida e cuidadosamente construída, mas agora existe uma preocupação maior em preencher os espaços e criar canções mais desenvolvidas melodicamente. Há também mais instrumentos simultaneamente, mais camadas vocais, maior uso de cordas, sintetizadores e harmonias elaboradas, além de influências da Disco music setentista e Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Enfim, é um ótimo álbum, bem coeso. 

Melhores Faixas: Casio, Heavy, California, Cosurmyne 
Vale a Pena Ouvir: Happy Man, Give Over, Smile

Loving In Stereo – Jungle





















NOTA: 8,5/10


Em 2021, o Jungle lançava mais um álbum, o Loving in Stereo, em um momento de mudanças. Após o For Ever, o duo havia recém-saído da gravadora XL Recordings e lançado seu próprio selo, Caiola Records, realizando um trabalho, nesse período de pandemia, que foi praticamente oposto ao clima geral: em vez de introspecção pesada ou melancolia dominante, o grupo opta por criar um disco vibrante, direto e celebratório. A produção é muito mais polida e, até certo modo, acessível, intensificando o uso de elementos do Synth Funk, Disco, Soul e do R&B contemporâneo, deixando um pouco de lado a estética da Funktronica. As linhas de baixo continuam sendo essenciais, mas agora dividem espaço com sintetizadores mais brilhantes, batidas mais marcadas e arranjos mais dinâmicos. O repertório é muito legal, e as canções são bem melódicas, trazendo aquele lado dançante. No fim, é um ótimo álbum, bastante divertido. 

Melhores Faixas: Keep Moving, All Of The Time, Goodbye My Love, Talk About It, Bonnie Hill, Truth 
Vale a Pena Ouvir: No Rules, Romeo, Just Fly, Don't Worry

Volcano – Jungle





















NOTA: 7,2/10


Então, dois anos se passam, e foi lançado o álbum mais recente do Jungle, o Volcano. Após o Loving in Stereo, o duo acabou meio que se tornando um trio com a entrada da também produtora e multi-instrumentista Lydia Kitto. Eles já haviam definido claramente sua identidade sonora: grooves inspirados na Black Music, vocais em camadas e uma estética visual fortíssima. Aqui, seguem por um caminho mais refinado, que acompanha um pouco da identidade Pop adquirida anteriormente. A produção é bastante sofisticada, e há uma sensação maior de fluidez entre as faixas. Muitas músicas parecem se conectar naturalmente, criando um fluxo contínuo, quase como um DJ set cuidadosamente planejado, fazendo uma junção do Nu-Disco com influências de Pop Soul, Funky House e Neo-Soul, apesar de haver momentos repetitivos. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e outras mais fraquinhas. Enfim, é um álbum bom, mas que apresenta algumas falhas. 

Melhores Faixas: Back On 74, Problemz, Don't Play, I've Been In Love 
Piores Faixas: Good At Breaking Hearts, Coming Back


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Analisando Discografias - Boston

                 

Don't Look Back – Boston





















NOTA: 8,7/10


Em 1978, o Boston retornava lançando seu 2º álbum de estúdio, o Don't Look Back. Após o clássico álbum de estreia, a banda voltou dois anos depois, consolidando o que viria a ser chamado de AOR, com sua sonoridade limpa, grandiosa e extremamente bem produzida. A pressão da gravadora Epic Records por um novo lançamento foi enorme. O sucesso comercial do primeiro disco exigia uma resposta rápida, mas o guitarrista Tom Scholz e sua trupe não trabalhavam sob prazos convencionais. A produção, feita pelo próprio Scholz, foi bem polida, com camadas densas de guitarras processadas por ele e por Barry Goudreau, além da bateria do Sib Hashian e do baixo do Fran Sheehan sustentando as bases, além dos vocais cristalinos do Brad Delp e de um uso altamente refinado de tecnologia analógica. O repertório é interessante, com canções bem melódicas e envolventes. Enfim, é um ótimo álbum, mas que, infelizmente, ficou à sombra do anterior. 

Melhores Faixas: Don't Look Back, Feelin' Satisfied, A Man I'll Never Be 
Vale a Pena Ouvir: It's Easy, Don't Be Afraid

Third Stage – Boston





















NOTA: 3/10


Então em 1986, o Boston retornava com seu 3º álbum, o fraquíssimo Third Stage. Após Don't Look Back, a banda passou por alguns problemas, já que Tom Scholz se envolveu em disputas legais com a Epic Records, o que atrasou significativamente qualquer novo lançamento, e, após vencer essa batalha judicial, assinaram com a MCA Records. Mas, claro, a banda sofreu um desgaste nesse meio-tempo, já que houve as saídas do Barry Goudreau (guitarra), Fran Sheehan (baixo) e Sib Hashian (bateria), e as entradas do Gary Pihl, David Sikes e o retorno temporário do Jim Masdea. A produção foi ainda mais polida e radiofônica, explorando ao máximo camadas de guitarras, sintetizadores e efeitos. Tudo isso para ficar o mais alinhado possível ao AOR da época, e conseguiram, já que o resultado ficou bastante previsível e genérico. O repertório é muito ruim, e as canções são terríveis, só melhorando no final. Em suma, é um álbum péssimo e muito sem graça. 

Melhores Faixas: To Be A Man, Hollyann, I Think I Like It 
Piores Faixas: My Destination, We're Ready, A New World, Amanda (oh balada insuportável)

Walk On – Boston





















NOTA: 3,2/10


Pulando lá para 1994, o Boston voltou mais uma vez, lançando outro disco, o Walk On. Após o Third Stage, aconteceram mudanças profundas na estrutura da banda. O vocalista clássico Brad Delp se afastou durante parte do processo, e o guitarrista Tom Scholz passou a trabalhar com um novo cantor, Fran Cosmo. Esse álbum vem em um momento em que o AOR tinha sido completamente engolido pelo tempo, e o que predominava agora era o Rock alternativo e o Grunge, já não cabendo mais uma sonoridade altamente grandiosa. A produção, feita pelo próprio Scholz, traz múltiplas camadas e cheio de detalhes. As guitarras ficaram bem mais agressivas, com riffs densos, e os sintetizadores são bem mais discretos. Só que, no geral, tudo é bastante reciclado de ideias anteriores, sendo basicamente a mesma abordagem, só que com um vocalista novo. O repertório é bem ruim, com canções genéricas e poucas interessantes. No fim, é um álbum péssimo e tedioso. 

Melhores Faixas: Livin' For You, Walk On, We Can Make It 
Piores Faixas: Get Organ-ized, Surrender To Me, I Need Your Love, Magdalene

Corporate America – Boston





















NOTA: 3/10


Passaram-se oito anos para que um novo álbum do Boston fosse lançado, o Corporate America. Após o Walk On, a banda assinou com a gravadora Artemis. Esse novo trabalho seria meio que um experimento de várias dinâmicas, além de vir com uma nova formação, agora com quatro guitarristas, com a presença do Anthony Cosmo, da baixista Kimberley Dahme e do baterista Jeff Neal, além do retorno do vocalista Brad Delp. A produção foi altamente polida, com múltiplas camadas de guitarra e uma mixagem extremamente limpa. No entanto, há uma tentativa mais evidente de modernização, com elementos eletrônicos, loops e até influências sutis do Pop Rock, além das guitarras sendo comprimidas. Só que é tudo muito bagunçado, com um conceito de ideias mal organizado. O repertório é péssimo, e as canções são bem medíocres, com algumas exceções. Enfim, é um álbum terrível e que foi um completo fiasco. 

Melhores Faixas: Someone, Didn't Mean To Fall In Love, With You (música cantada pela Kimberley) 
Piores Faixas: Turn It Off, Stare Out Your Window, You Gave Up On Love, Cryin', Corporate America

Life, Love & Hope – Boston





















NOTA: 2/10


Então chegamos a 2013, quando foi lançado o 6º e último álbum do Boston, o horrível Life, o Love & Hope. Após o Corporate America, Tom Scholz acabou processando, tempos depois, a Artemis Records pela falta de distribuição do álbum anterior. Só que o duro golpe foi o falecimento do Brad Delp, em 2007, que tirou a própria vida, e isso foi devastador para a banda. Com isso, eles se reformularam, agora com Tommy DeCarlo (vocais), David Victor (guitarra), Tracy Ferrie (baixo) e Curly Smith (bateria), além de assinar com a bendita gravadora Frontiers Records. A produção, como sempre, foi feita por Scholz, que combinou gravações realizadas ao longo de diferentes períodos com a voz do Delp e novas sessões com DeCarlo, que se encaixa na sonoridade característica da banda, só que com um toque moderno, mas tudo é bem mal organizado. O repertório é péssimo, com poucos momentos interessantes. No final de tudo, é um disco terrível, e, após isso, a banda focou em suas turnês. 

Melhores Faixas: Didn't Mean To Fall In Love, Someday 
Piores Faixas: If You Were In Love, You Gave Up On Love (2.0), Sail Away, Life, Love & Hope

                                                                                           Bom é isso e flw!!!          

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Analisando Discografias - Ronnie Von: Parte 2

                 

Ronnie Von (1973) – Ronnie Von





















NOTA: 8,2/10


Aí, mais um ano se passou, e Ronnie Von lança mais um álbum seguindo aquela mesma abordagem. Após o álbum de 1972, o cantor estava, naquele momento, tentando se reposicionar dentro de um cenário musical profundamente transformado. O Brasil vivia a consolidação da MPB como linguagem dominante, o fortalecimento de compositores mais engajados e o início de uma estética mais reflexiva. Ronnie decidiu se adaptar a esse momento, só que com sua própria abordagem. A produção, feita novamente por Arnaldo Saccomani, adota uma direção mais direta e contemporânea em relação à MPB daquele período, mas ainda mistura elementos do Pop barroco, Afoxé e do Rock psicodélico, já que é evidente que as harmonias são mais abertas e as atmosferas mais discretas, o que se encaixa com os vocais expressivos do cantor. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e bem cadenciadas. No fim, é um ótimo álbum e que é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Linda Morena, Essas Coisas Acontecem Sempre, Gira-Girou 
Vale a Pena Ouvir: (As Coisas Vão E Voltam) ''Mas Acabam Em Rock And Roll'', Deus Sul-Americano, Amores Perdidos No Ar

Ronnie Von (1977) – Ronnie Von





















NOTA: 4/10


E aí se passaram quatro anos, e Ronnie Von acabou retornando com um novo disco, agora de um jeito diferente. Após o álbum de 1973, o cantor acabou dando uma pausa em lançamentos inéditos, muito porque focou em seu programa de TV e também porque passou por um período delicado, já que teve uma doença rara, inicialmente diagnosticada como polineurite plurirradicular, que depois foi confirmada como Síndrome de Guillain-Barré, e que o teria deixado imóvel durante 60 dias. Depois de se recuperar, ele saiu da Polydor e assinou com a RCA Victor. Produção, conduzida por Marco Antonio Galvão, é bastante polida, com arranjos orquestrais típicos da música romântica dos anos 70 e instrumentação limpa (piano, cordas, guitarras suaves); com isso, ele passou a dialogar bastante com um lado bem mais Brega, o que torna tudo muito repetitivo. O repertório é fraquinho, com canções boas e outras chatinhas. No geral, é um álbum ruim, mas que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Tranquei A Vida, Dia De Folga, Velhos Amigos, Personagem De Um Sonho De Verão 
Piores Faixas: Uno, Assim Numa Avenida, Close To You (They Long To Be), Concreto, Cert E Definido, Risque

Sinal Dos Tempos – Ronnie Von





















NOTA: 3/10


Indo para 1981, Ronnie Von lançava mais um trabalho novo, o Sinal Dos Tempos. Após o álbum de 1977, o cantor entrou nessa nova década em que a música brasileira passou por uma enorme pasteurização, seguindo basicamente a temática romântica que estava dando certo, além de sua forte presença na televisão (especialmente em trilhas, até porque ele era artista da Som Livre). A produção, conduzida por Max Pierre, segue uma abordagem bastante polida e orientada ao Pop brasileiro, mais precisamente a um Adult Contemporary, com certos elementos do Boogie e até Yacht Rock. Com isso, temos arranjos orquestrais suaves, uso de teclados e sintetizadores, guitarras discretas e uma estrutura radiofônica; só que, como dito, tudo é muito pasteurizado e bem repetitivo. O repertório é bem ruim, com canções genéricas e poucas que se salvam. Enfim, é mais um trabalho fraco e cheio de irregularidades. 

Melhores Faixas: Cicatrizes, Como Vai Sua Vida, Sinal Dos Tempos 
Piores Faixas: Bobo Rei, Recaminho, Último Lance, Mulher Ideal

Ronnie Von (1984) – Ronnie Von





















NOTA: 2/10


Se passaram três anos, e Ronnie Von lançava mais um álbum, que trouxe poucas mudanças. Após o Sinal dos Tempos, o cantor continuava tendo bastante visibilidade e decidiu seguir as tendências, já que, naquele período, o Rock brasileiro estava dominando o mainstream; com isso, ele queria fazer algo que pudesse equilibrar toda a sua temática com o contemporâneo. A produção, feita por Arnaldo Saccomani e Luiz Carlos Maluly, é bastante polida e radiofônica, seguindo uma instrumentação bem suave e com uso crescente de sintetizadores na maioria dos arranjos; além disso, a banda de apoio presente é o Roupa Nova, o que evidencia uma orientação forte ao Soft Rock, mas tudo soa bem arrastado e bastante genérico. O repertório é terrível, com canções bem medíocres e poucas que se salvam. No final, é um álbum péssimo e que mostrava sua queda artística. 

Melhores Faixas: Cachoeira, Só Pra Te Guardar 
Piores Faixas: Foi Bom Te Encontrar, Pássaro Raro, Você Faz Bem Pra Mim, Sabor de Rosa, Cacho de Uva

Vida e Volta – Ronnie Von





















NOTA: 2/10


Indo para 1987, foi lançado mais um álbum do Ronnie Von, intitulado Vida e Volta. Após o álbum de 1984, o cantor já não estava mais no centro das atenções, em um momento em que o mainstream dava destaque ao Rock nacional (BRock), à consolidação do Pop nacional moderno e com a música brega sendo deixada de lado. Ronnie não tenta competir com essas tendências; ele decide trazer um trabalho seguindo a temática que já tinha dado certo. A produção é basicamente a mesma, só que mais enxuta e menos grandiosa. Em vez de grandes arranjos orquestrais ou excesso de sintetizadores, o disco aposta em uma instrumentação equilibrada e arranjos discretos que dialogam com o Adult Contemporary da época, mas, ainda assim, tudo é muito sem graça e genérico. O repertório é péssimo, com canções bem melosas e poucas interessantes. No fim, é outro álbum péssimo que repete os mesmos erros. 

Melhores Faixas: Vida E Volta, Rua Ramalhete 
Piores Faixas: Canção Sobre Viver, Minha Dona, Próxima Atração, Mel E Mal

One Night Only – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Foi só em 2019 que Ronnie Von retornou, lançando o álbum One Night Only, que trouxe algo bem diferente. Após o Vida e Volta, o cantor até lançou outros trabalhos, mas mais para cumprir contrato, e acabou se dedicando principalmente à televisão e à vida pessoal. Quando decide retornar, não o faz tentando dialogar com tendências contemporâneas, nem revisitando diretamente suas fases anteriores; opta por lançar um álbum de Standards, influenciado por artistas como Frank Sinatra e Ray Charles. A produção, feita por Rubens Azevedo, Demetre Georguleas e Donny Silva, consegue capturar organicidade e espontaneidade, com tudo sendo gravado em take único e com uma banda de apoio fornecendo a base para os vocais intimistas do cantor. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas e cheias de emoção. Em suma, é um bom projeto e bem coeso. 

Melhores Faixas: For Sentimental Reasons, Because Of You 
Vale a Pena Ouvir: In My Life, When I Fall In Love, The Way You Look Tonight, You Don't Know Me, I Remember You


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!        

terça-feira, 7 de abril de 2026

Review: Distracted do Thundercat

                  

Distracted – Thundercat





















NOTA: 8,7/10


Após seis anos, Thundercat retorna lançando seu 5º álbum de estúdio, o Distracted. Após o It Is What It Is, que foi marcado pelo luto pela morte de Mac Miller, esse trauma não apenas permanece, como se transforma em matéria-prima central aqui. Neste novo trabalho, Stephen Bruner amplia o escopo: não é mais apenas o luto, mas a própria condição contemporânea, marcada por ansiedade, excesso de estímulos, saturação digital e crises existenciais cotidianas. Produção conta com o próprio cantor, junto com Greg Kurstin, Flying Lotus, Kenny Beats e outros, que adotam uma abordagem mais polida, na qual o baixo do Thundercat continua virtuoso, mas menos exibicionista. Ele serve mais às canções do que à demonstração técnica, encaixando-se em arranjos que misturam Soul, Jazz Fusion, Funk e psicodelia com uma fluidez quase invisível. O repertório é muito bom, com canções bem suaves e reflexivas. No fim, é um ótimo álbum, bem enxuto. 

Melhores Faixas: She Knows Too Much (Mac Miller aparecendo aqui bateu uma bad), She Knows Too Much (participação do Tame Impala), Walking on the Moon, A.D.D. Through the Roof, Pozole 
Vale a Pena Ouvir: I Did This To Myself (ótima feat do Lil Yachty), Funny Friends (A$AP Rocky mandou bem), Anakin Learns His Fate
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Ronnie Von: Parte 1

                 

Ronnie Von (1966) – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Em 1966, Ronnie Von lançava seu álbum de estreia, que levava seu nome (algo que se tornaria frequente). O cantor carioca começou sua trajetória no ano anterior, em meio ao boom da Jovem Guarda. Ronnie rapidamente se destacou como uma figura alternativa dentro do mainstream jovem. Diferente de outros ídolos da época, sua imagem foi cuidadosamente moldada: ganhou o apelido de “Pequeno Príncipe”, já que apresentava o programa televisivo O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na Record. Com produção do Fred Jorge, o álbum foi gravado de forma simples e limitada, sendo fortemente baseado em arranjos de Pop orquestrado leve, com guitarras limpas, seções de cordas discretas e uma base rítmica que lembra o que os Beatles faziam na época do Rubber Soul. Os vocais do Ronnie são bem variados, indo do sussurrado ao emocional. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante melódicas. Enfim, é um bom trabalho de estreia, apesar das limitações. 

Melhores Faixas: Meu Pranto A Deslizar (As Tears Go By), Amor, Nada Mais (Here, There And Everywhere) 
Vale a Pena Ouvir: Pequeno Príncipe, Meu Bem (Girl), Minha Crença (For No One)

Ronnie Von (1967) – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Então se passou um ano, e foi lançado seu 2º álbum, que ainda seguia a mesma temática. Após o disco de estreia, Ronnie Von começou a ganhar muita visibilidade, com seu programa de TV funcionando como uma plataforma cultural relevante, inclusive abrindo espaço para nomes que mais tarde seriam centrais na Tropicália. Isso cria um contexto interessante: enquanto o disco ainda pertence à lógica da música jovem comercial, o artista já está em contato com ideias mais avançadas. A produção é mais tematizada, contendo arranjos limpos, gravações diretas, forte presença de guitarras elétricas suaves, baixo marcado e bateria simples. A voz do Ronnie Von continua sendo o centro: controlada, elegante e emocionalmente contida. O repertório é bem legalzinho, com canções divertidas e outras mais introspectivas. Enfim, é um álbum bacana e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Escuta, Meu Amor, O Carpinteiro (If I Were A Carpinter) 
Vale a Pena Ouvir: Vamos Protestar, Menina Flor, A Praça

Ronnie Von Nº 3 – Ronnie Von





















NOTA: 8,2/10


E aí, lá perto do fim daquele ano, foi lançado mais um trabalho, que ficou conhecido como Ronnie Von Nº 3. Após o álbum anterior, Ronnie Von estava sendo bem estratégico, já que seu programa colocava lado a lado artistas da Jovem Guarda e nomes emergentes como Caetano Veloso e Os Mutantes, ajudando a pavimentar o terreno da Tropicália. De um lado, a indústria ainda exigia o formato da Jovem Guarda; do outro, Ronnie já estava cercado por ideias mais ousadas. A produção foi conduzida por Manoel Barenbein, que adicionou uma textura sonora mais extensa ao álbum, trazendo elementos do Pop barroco, Folk e psicodelia embrionária. Apesar de ainda seguir a instrumentação típica da Jovem Guarda, o disco faz ótimo uso dos arranjos de cordas. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até mais imersivas. No fim, é um ótimo álbum, bastante consistente. 

Melhores Faixas: O Último Homem Da Terra, Pra Chatear (participação do Caetano Veloso), O Homem Da Bicicleta 
Vale a Pena Ouvir: Belinha, Jardim De Infância, A Chave

Ronnie Von (1969) – Ronnie Von





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o sensacional 4º álbum de estúdio do Ronnie Von. Após o Nº 3, o cantor passou por mudanças drásticas em sua carreira, já que seu programa de TV na Record acabou se encerrando e, nesse período, ele passou a ficar muito próximo do pessoal do movimento Tropicália. Com isso, ele absorve influências, mas constrói uma linguagem própria, mais próxima do psicodelismo britânico. A produção, feita por Manoel Barenbein e Arnaldo Saccomani, é bem refinada, com os arranjos de Damiano Cozzella sendo centrais, trazendo cordas dramáticas, mudanças bruscas de dinâmica, efeitos sonoros (como vidro quebrando), colagens e estruturas não lineares. Com isso, você tem uma junção do Pop barroco, Rock psicodélico e Tropicália de forma brilhante. O repertório é sensacional, funcionando quase como uma coletânea. No fim, é um álbum maravilhoso e um clássico da música brasileira, apesar de ter sido menosprezado na época. 

Melhores Faixas: Chega de Tudo, Silvia 20 Horas, Domingo, Meu Novo Cantar, Tristeza Num Dia Alegre, Menina De Tranças 
Vale a Pena Ouvir: Anarquia, Canto De Despedida, Espelhos Quebrados

A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De Nunca Mais – Ronnie Von





















NOTA: 9/10


Meses se passaram, e foi lançado outro álbum dele, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais. Após seu clássico e, ao mesmo tempo, detestado pela mídia álbum anterior, Ronnie Von queria continuar seguindo essa temática, mas buscando organizar melhor suas ideias: menos ruptura caótica, mais coesão estética e maior integração entre experimentação e forma. A produção, feita por Afonso Soares, manteve a base psicodélica, mas com maior clareza estrutural, trazendo arranjos de cordas elaborados, guitarras trabalhadas e menos caóticas, uso de atmosferas melancólicas e uma integração entre MPB, Rock psicodélico e Pop barroco. Os vocais do Ronnie estão bem mais expressivos e cheios de energia. O repertório é incrível, com canções bem imersivas e profundas. No final de tudo, é um belo álbum, e que foi mais híbrido. 

Melhores Faixas: Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes, Atlântida (Atlantis), De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar, Por Quem Sonha Ana Maria, Foi Bom 
Vale a Pena Ouvir: Mares De Areia, Regina E O Mar, Dindi

Minha Máquina Voadora – Ronnie Von





















NOTA: 9,2/10


E aí, entrando nos anos 70, Ronnie Von lançava mais um álbum, intitulado A Máquina Voadora. Após o álbum anterior, ele se encontrava em uma posição artística única: completamente livre criativamente, mas também deslocado comercialmente, com esse trabalho funciona como a finalização dessa trilogia. O conceito central gira em torno da aviação, não apenas como tema literal, mas como metáfora de fuga, transcendência e deslocamento existencial. A produção, feita por Arnaldo Saccomani, é bem mais refinada e orgânica. A psicodelia ainda está presente, mas agora de forma menos explosiva e mais atmosférica, contendo arranjos sofisticados e detalhistas, uso de efeitos como distorções vocais e uma integração mais natural entre instrumentos elétricos e elementos orquestrais. O repertório é maravilhoso, com canções belíssimas e carregadas de profundidade. No geral, é um álbum sensacional, embora, no conjunto, essa trilogia tenha sido um fiasco comercial. 

Melhores Faixas: Continentes E Civilizações, Viva O Chopp Escuro, Imagens, Baby De Tal, Seu Olhar No Meu, Cidade 
Vale a Pena Ouvir: Você De Azul, Seu Olhar No Meu, Àguas De Sempre

Ronnie Von (1972) – Ronnie Von





















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, Ronnie Von lançava mais um trabalho, que voltaria a levar seu nome. Após A Máquina Voadora e com o fim da trilogia psicodélica, neste novo trabalho há uma tentativa de reconciliação entre experimentação e comunicação. Ele não abandona completamente as ideias da fase anterior, mas reduz o grau de radicalismo, aproxima-se de estruturas mais tradicionais e incorpora elementos de espiritualidade e introspecção. A produção, feita mais uma vez por Arnaldo Saccomani, é bem mais contida, deixando de lado a colagem sonora caótica e trazendo arranjos mais orgânicos e uma instrumentação mais limpa, apesar de continuar seguindo influências do Rock psicodélico. Percebe-se também um diálogo com a MPB e alguns elementos do Afoxé, o que se encaixa bem na temática do cantor. O repertório é muito bom, com canções bastante introspectivas. Enfim, é um disco bacana, mas que também não emplacou. 

Melhores Faixas: Eu Era Humano E Não Sabia, Céu Vermelho, Tereza Christina, Camping
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiro De Aruanda, E Essa Gente Passa Cantando


Review: VERAS I do Vera Fischer Era Clubber

                   VERAS I – Vera Fischer Era Clubber NOTA: 8/10 No ano passado, a banda Vera Fischer Era Clubber lançava seu álbum de estre...