Empire – Queensrÿche
NOTA: 9,4/10
Entrando nos anos 90, a banda chega ao seu ápice comercial com seu 4º álbum, o Empire. Após o Operation: Mindcrime, o Queensrÿche havia se transformado em uma das propostas mais ambiciosas do Metal americano. Mas, para esse disco, eles decidiram continuar trabalhando com Metal progressivo e Heavy Metal, mas existe uma preocupação muito maior com estrutura, refrões, melodias e espaço. A produção, feita por Peter Collins, foi para uma sonoridade mais equilibrada e limpa, chegando até a dialogar um pouco com o Hard Rock da época. As guitarras do Chris DeGarmo e Michael Wilton são bem variadas, com riffs pesados, bases mais limpas e solos extremamente melódicos. O baixo do Eddie Jackson é bastante presente, a bateria do Scott Rockenfield é muito dinâmica e os vocais do Geoff Tate ficaram bem mais articulados. O repertório é sensacional, e as canções são bastante profundas. No fim, é um baita disco e que também é um clássico.
Melhores Faixas: Silent Lucidity, Another Rainy Night (Without You), Jet City Woman, Della Brown, Best I Can, Empire
Vale a Pena Ouvir: Anybody Listening?, The Thin Line, Resistance
Promised Land – Queensrÿche
NOTA: 8,8/10
Quatro anos se passaram, e o Queensrÿche voltava com um novo disco, o Promised Land. Após o Empire, a banda decidiu fazer um trabalho mais introspectivo, melancólico e pessoal. É um álbum que parece menos interessado em conquistar o ouvinte imediatamente e muito mais interessado em criar um estado emocional. Passando a trabalhar com temas como frustração, solidão, perda, desilusão, relações familiares, pressão social e o questionamento de se alguma ação vale a pena. A produção, feita pela própria banda junto com James Barton, foi para uma sonoridade mais orgânica e detalhada, conseguindo dialogar até com o Rock alternativo. As guitarras continuam bem pesadas, só que agora usadas como camadas e elementos atmosféricos, enquanto a cozinha rítmica é sólida, e o uso de teclados e efeitos deixa tudo mais imersivo. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas. Enfim, é um ótimo disco, antes de uma enorme queda.
Melhores Faixas: Bridge, Damaged, Lady Jane, I Am I, Someone Else?
Vale a Pena Ouvir: Promised Land, One More Time, Out Of Mind
Hear In The Now Frontier – Queensrÿche
NOTA: 4/10
Se passaram então três anos para o Queensrÿche voltar com seu 6º álbum, o Hear In The Now Frontier. Após o Promised Land, o Heavy Metal tradicional havia perdido muito espaço para o Grunge, Rock Alternativo e outras vertentes mais diretas. Com isso, a banda tentou seguir as tendências, abandonando parte da complexidade que a tornou famosa, e passou a trabalhar com estruturas mais enxutas, riffs mais diretos e músicas que dependem mais de clima e melodia. A produção, feita por Peter Collins, deixou uma sonoridade orgânica e sofisticada, entrando de cabeça no Hard Rock e Post-Grunge. As guitarras passam a ter bases simples, pequenos detalhes, texturas e solos relativamente curtos. O baixo ficou bem mais discreto e a bateria tem uma abordagem bem mais contida. Com isso, tudo soa muito repetitivo e faltando variação. O repertório é ruim, tem canções legais e outras esquecíveis. Enfim, é um disco péssimo e que foi o começo de uma decadência.
Melhores Faixas: The Voice Inside, Sign Of The Times, Hero, You
Piores Faixas: Anytime / Anywhere, Reach, Cuckoo's Nest, Get A Life, All I Want, Saved
Q2k – Queensrÿche
No final dos anos 90, a banda lançava mais um álbum novo, o também péssimo Q2K. Após o Hear In The Now Frontier, o guitarrista Chris DeGarmo acabou saindo e se tornou piloto de jatos. Em seu lugar, entrou Kelly Gray. Além disso, eles tinham trocado de gravadora, já que a EMI faliu, e, com isso, assinaram com a Atlantic. Para esse novo disco, o Queensrÿche queria encontrar uma identidade mais moderna e agressiva, ainda tentando dialogar com as tendências. A produção, feita pela própria banda, seguiu uma abordagem pesada e, ao mesmo tempo, acessível. As guitarras são mais sujas e preocupadas com texturas e riffs menos constantes. A cozinha rítmica ficou muito contida, e os vocais do Geoff continuam mais introspectivos, mas tudo soa extremamente monótono e previsível. O repertório é terrível, tendo canções extremamente genéricas e poucas interessantes. No final de tudo, é um álbum horrível e em que insistiram no erro.
Melhores Faixas: How Could I?, Burning Man
Piores Faixas: One Life, Wot Kinda Man, Liquid Sky, When The Rain Comes...
Tribe – Queensrÿche
NOTA: 3/10
Em 2003, o Queensrÿche lançava seu 8º álbum de estúdio, intitulado Tribe, que tentou ser mais fluido. Após o Q2K, Geoff Tate estava cada vez mais envolvido em questões criativas e pessoais, enquanto a banda tentava encontrar uma direção que não dependesse apenas da nostalgia. Além disso, o guitarrista Kelly Gray decidiu sair, e quem assumiu foi Mike Stone, além, é claro, de Chris DeGarmo, que participou de algumas músicas desse projeto. A produção seguiu um caminho relativamente moderno e pesado, as guitarras ganharam mais presença e mais densidade. Além disso, a cozinha rítmica ganhou um pouco mais de destaque, mas é aquilo: tudo soa bastante previsível e não consegue ter variação nos ritmos, deixando tudo muito cansativo, e nem os vocais do Geoff Tate conseguem salvar. O repertório é muito ruim, tendo canções medíocres e poucas interessantes. Mas, enfim, é um álbum terrível e que não deu certo.
Melhores Faixas: Desert Dance, The Great Divide, The Art Of Life
Piores Faixas: Blood, Falling Behind, Open, Tribe
Operation: Mindcrime II – Queensrÿche
NOTA: 4/10
Três anos depois, o Queensrÿche lançava o completamente desnecessário Operation: Mindcrime II. Após o Tribe, a banda decidiu fazer uma continuação de seu clássico álbum de 1988. A história acompanha um Nikki mais velho, consumido pelo desejo de vingança contra o Dr. X. O conceito é mais pessoal e menos político do que o original, trazendo uma busca por se livrar de anos de ressentimento. A produção, feita por Jason Slater e lançada pelo selo da Rhino, trouxe um som mais pesado e encorpado, voltando a dialogar com Heavy Metal e Metal progressivo. As guitarras voltaram a ter riffs mais agressivos e distorcidos, mas possuem solos muito magrinhos. A cozinha rítmica até que faz sua parte, e os vocais de Geoff Tate voltaram a ser mais expressivos, mas tudo aqui parece não ter coesão, ficando tudo muito sem imersão. O repertório é ruim, tem canções boas e outras totalmente medíocres. No final, é um álbum fraquíssimo que se escorou no sucesso do original.
Melhores Faixas: Re-Arrange You, The Chase, If I Could Change It All, Hostage, The Hands
Piores Faixas: Circles, Signs Say Go, All The Promises, An Intentional Confrontation, Murder?, I'm American
American Soldier – Queensrÿche
NOTA: 3/10
Em 2009, o Queensrÿche lançava outro álbum novo, o American Soldier, que tentou ser mais crítico. Após o Operation: Mindcrime II, eles decidiram ir para um tema específico: a experiência dos soldados americanos em guerras e conflitos militares. Com esse trabalho procurando mostrar o lado humano de quem participa desses conflitos, incluindo medo, trauma, saudade, culpa, distância da família e dificuldade de retornar à vida normal. A produção foi conduzida por Jason Slater e Kelly Gray, que deixaram aquela sonoridade pesada, com toques modernos. As guitarras utilizam riffs mais simples e diretos, com bastante distorção e uma preocupação maior com peso do que com virtuosismo. Enquanto o baixo e a bateria servem mais como sustento, mas, no geral, tudo soa muito sem expressão e beirando o tedioso. O repertório é terrível, tendo canções chatíssimas e poucas interessantes. Enfim, é um álbum péssimo e que beira o esquecível.
Melhores Faixas: Home Again, Hundred Mile Stare, At 30,000 Ft
Piores Faixas: A Dead Man's Words, Remember Me, Silver, The Killer, The Voice
Dedicated To Chaos – Queensrÿche
NOTA: 1/10
Aí, dois anos depois, o Queensrÿche lançava seu tenebroso 10º álbum, o Dedicated To Chaos. Após o American Soldier, a banda, agora contando com um novo guitarrista, Parker Lundgren, decidiu fazer um projeto que seguisse algumas tendências mais modernas que vinham aparecendo nos trabalhos anteriores. Com eles dispostos a experimentar com Rock Alternativo, elementos eletrônicos, grooves contemporâneos e estruturas mais simples. A produção foi conduzida pelos mesmos nomes, que deixaram essa abordagem moderna e direta. As guitarras funcionam mais como elementos de sustentação para os arranjos do que como responsáveis por conduzir as músicas. As linhas de baixo são bem mais marcadas, e a bateria assume uma função mais rítmica e direta, fora o uso de elementos eletrônicos, mas tudo aqui é extremamente sem direção e mal conduzido. O repertório é horroroso, contando com canções terríveis. Enfim, é um álbum péssimo e foi o fundo do poço para a banda.
Melhores Faixas: (.................................)
Piores Faixas: Higher, Got It Bad, Retail Therapy, Hot Spot Junkie, The Lie
Queensrÿche – Queensrÿche
NOTA: 8,5/10
Se passaram dois anos, e o Queensrÿche lançava um álbum autointitulado, em um momento de recomeço. Após o Dedicated To Chaos, o convívio com Geoff Tate ficou insustentável e, após um show controverso aqui no Brasil em 2012, ele foi demitido e, com isso, começou a rolar um processo na Justiça para decidir quem poderia usar o nome da banda. Com isso, eles seguiram e contrataram Todd La Torre, decidindo fazer um projeto que fosse um verdadeiro retorno às suas raízes. A produção, feita por James "Jimbo" Barton, deixou um som pesado e orgânico, que voltou a dialogar com Metal progressivo e Heavy Metal. As guitarras voltaram a estar no centro, com riffs bem definidos e muito presentes. O baixo ficou muito mais sustentável e a bateria é bastante firme, enquanto os vocais de Todd são bem energéticos. O repertório é muito bom, e as canções são bem pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que foi um grande retorno.
Melhores Faixas: Spore, Vindication, Open Road, Fallout
Vale a Pena Ouvir: Don't Look Back, Redemption
Condition Hüman – Queensrÿche
NOTA: 8,5/10
Dois anos depois, o Queensrÿche retorna com um novo álbum, o Condition Hüman. Após o álbum de 2013, a banda finalmente parecia ter encontrado uma formação e uma direção musical capazes de devolver estabilidade ao grupo. Com eles querendo aprofundar a combinação entre peso, melodias, atmosferas e elementos progressivos. A ideia é recuperar aquela sensação de que as músicas possuem várias camadas sem necessariamente transformar cada composição em uma demonstração de virtuosismo. A produção, feita por Chris "Zeuss" Harris, conseguiu fazer um equilíbrio entre um som pesado e limpo. As guitarras possuem bastante presença, mas não são exageradamente comprimidas, permitindo perceber os diferentes riffs, bases e texturas. O baixo de Eddie Jackson serve como um ótimo complemento, e a bateria de Scott Rockenfield é extremamente eficiente. O repertório é muito legal, e as canções são bastante vibrantes. No geral, é um disco bacana e muito variado.
Melhores Faixas: Hourglass, Condition Human, Guardian, Bulletproof
Vale a Pena Ouvir: Toxic Remedy, Eye 9, Just Us
The Verdict – Queensrÿche
NOTA: 8,1/10
No ano de 2019, o Queensrÿche lançava mais um projeto novo, o voraz The Veredict. Após o Condition Hüman, Scott Rockenfield, baterista histórico do Queensrÿche, estava afastado das atividades da banda. Isso fez com que Todd La Torre assumisse também a bateria durante as gravações, enquanto Casey Grillo ficou responsável pela bateria nas apresentações ao vivo. Para esse projeto, decidiram fazer algo que explorasse temas como conflito, corrupção, violência e as relações humanas. A produção seguiu aquela abordagem orgânica e moderna, tendo guitarras com bastante presença, que conseguem alternar entre riffs cortantes, bases densas e momentos mais melódicos. O baixo consegue dar profundidade aos riffs, a bateria do Todd ficou bastante precisa e com muito impacto, fora seu vocal, que continua muito bem variado e poderoso. O repertório é muito legal, e as canções são bem cadenciadas e imersivas. No fim, é um disco bacana e muito consistente.
Melhores Faixas: Man The Machine, Dark Reverie, Portrait
Vale a Pena Ouvir: Bent, Blood Of The Levant, Inner Unrest
Digital Noise Alliance – Queensrÿche
NOTA: 9/10
Então chegamos em 2022, onde o Queensrÿche lançou seu mais recente álbum, o Digital Noise Alliance. Após o The Veredict, Casey Grillo, que vinha ocupando a bateria ao vivo desde o afastamento de Scott Rockenfield, passa a integrar efetivamente essa nova fase do grupo. Eles decidiram fazer um álbum que não fosse um conceitual fechado. Ele trabalha diferentes assuntos, passando por questões humanas, conflitos sociais e reflexões sobre o mundo contemporâneo. Produção feita como sempre pelo Zeuss, apresenta um som bastante equilibrado entre peso e clareza. As guitarras possuem presença trabalhando tanto com riffs pesados e passagens melodicas, o baixo tem corpo e a bateria de Casey Grillo traz bastante impacto. Além dos vocais poderosos do Todd La Torre deixando aquela abordagem clássica do Heavy Metal e Metal progressivo. O repertório é incrivel, e as canções são bem profundas e tendo muito peso. No final de tudo, é um baita álbum e o melhor dessa nova fase.
Melhores Faixas: Lost In Sorrow, Out Of The Black, In Extremis, Forest, Tormentum, Behind The Walls
Vale a Pena Ouvir: Realms, Sicdeth