Gone Girl – Johnny Cash
NOTA: 6/10
Indo para 1978, foi lançado mais um álbum de Johnny Cash intitulado Gone Girl. Após o I Would Like to See You Again, ele decidiu fazer um disco que equilibrasse tradição e acessibilidade comercial, com canções de storytelling. Outro elemento importante foi a forte presença do compositor Larry Gatlin. Cash decidiu gravar várias composições de Gatlin, que na época era um nome bastante relevante na cena Country. A produção, feita por Larry Butler, trouxe aquele seu estilo mais refinado e radiofônico, incorporando arranjos sofisticados, coros e uma instrumentação mais polida. Os arranjos são cuidadosamente estruturados, com uso de cordas, piano e backing vocals que ampliam o alcance emocional das músicas, além daqueles vocais mais graves de Cash. Só que, novamente, acontece muita repetição. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquinhas. No fim, é um álbum mediano, ao qual faltou algo mais.
Melhores Faixas: I Will Rock And Roll With You, Gone Girl, Cajun Born
Piores Faixas: The Gambler, It Comes And Goes, You And Me
Silver – Johnny Cash
NOTA: 8,2/10
Chegando nessa movimentada década de 70 para Johnny Cash, foi lançado Silver. Após o mediano Gone Girl, o cenário da Country music havia mudado bastante. Novos artistas dominavam as paradas, e o estilo musical de Nashville estava cada vez mais sofisticado e voltado para o mercado mainstream. Nesse contexto, Cash já não ocupava o mesmo espaço comercial de antes e decidiu fazer um álbum comemorativo de seus 25 anos de carreira. A produção, conduzida por Brian Ahern, trouxe uma variedade maior de arranjos e participações especiais, criando uma sonoridade mais diversificada. Apesar dessas mudanças, a base instrumental tradicional ainda está presente. Ainda assim, a voz profunda e característica de Cash continua sendo o elemento central da experiência musical. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e têm aquela temática que o caracterizou. Enfim, é um disco bacana que mostrava o tamanho de sua grandeza musical.
Melhores Faixas: Bull Rider, Muddy Waters
Vale a Pena Ouvir: Lonesome To The Bone, Cocaine Blues, (Ghost) Riders In The Sky
Rockabilly Blues – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Entrando nos anos 80, Johnny Cash decide relembrar suas raízes com Rockabilly Blues. Após o Silver, o mercado da Country music estava mudando rapidamente, com a ascensão de novas estrelas e uma sonoridade cada vez mais voltada para produções sofisticadas e radiofônicas, algo que refletia muito aquele período em que a indústria, no geral, exigia que todo mundo tocasse na rádio. Ao mesmo tempo, Cash continuava fiel a um estilo mais tradicional e narrativo. A produção foi feita por Earl Poole Ball, Jack Clement e Nick Lowe e reflete claramente a intenção de recriar o espírito energético e cru do Rockabilly clássico, só que juntando as influências do Country tradicional. Cash continua sendo acompanhado por músicos associados ao seu grupo tradicional, o Tennessee Three. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um ótimo disco e que é bastante ignorado injustamente.
Melhores Faixas: Rockabilly Blues (Texas 1955), It Ain't Nothing New Babe
Vale a Pena Ouvir: The Twentieth Century Is Almost Over, One Way Rider, Cold Lonesome Morning
The Baron – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco do Johnny Cash, o The Baron. Após o Rockabilly Blues, o chamado Urban Cowboy e a estética mais polida de Nashville dominavam o rádio, enquanto artistas mais jovens ganhavam destaque nas paradas. Ao mesmo tempo, a indústria fonográfica começava a priorizar novos nomes, o que reduziu o espaço de artistas veteranos como Cash dentro do mercado mainstream, só que o cantor continuava tentando permanecer no topo. A produção, conduzida por Billy Sherrill, apresenta alguns elementos mais modernos em comparação com os trabalhos clássicos de Cash. Há maior presença de arranjos de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, refletindo a estética do Country Pop daquele período. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e coesas. Enfim, é outro disco bacana e que também foi ignorado.
Melhores Faixas: Hey, Hey Train, Mobile Bay
Vale a Pena Ouvir: The Baron, The Blues Keep Getting Bluer
The Adventures Of Johnny Cash – Johnny Cash
NOTA: 8,1/10
Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco intitulado The Adventures of Johnny Cash. Após o The Baron, o cantor continuava encontrando mais dificuldade em competir dentro do contexto comercial de seu meio. Apesar disso, ele continuava extremamente produtivo e, com esse novo trabalho, quis reafirmar muitos dos elementos tradicionais de sua música. A produção foi feita por Jack Clement, que incorporou elementos típicos da Country music da época. Há maior presença de instrumentos adicionais, como piano, guitarras elétricas mais elaboradas e vocais de apoio. Esses arranjos criam uma sonoridade mais cheia, embora o álbum ainda preserve bastante espaço para sua voz grave e expressiva; com isso, há uma junção de Outlaw Country, Western e Gospel, entre outros estilos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas e contagiantes. Enfim, é um projeto bacana e bem consistente.
Melhores Faixas: I'll Cross Over Jordan Someday, We Must Believe In Magic
Vale a Pena Ouvir: Paradise, Sing A Song, Only Love
Johnny 99 – Johnny Cash
NOTA: 8,2/10
Outro ano se passa, e foi lançado o álbum intitulado Johnny 99, que foi bem mais crítico. Após o The Adventures of Johnny Cash, ele queria fazer um disco que se destacasse por trazer interpretações de composições contemporâneas, incluindo músicas de artistas associados à nova geração de compositores americanos, e também que carregasse um contexto social e político mais crítico. A produção, feita por Brian Ahern, manteve a essência narrativa típica de Cash, mas complementou isso com uma banda altamente profissional de músicos de estúdio, que ajudaram a criar um som que mistura Country tradicional, Folk e elementos de Rockabilly, resultando em arranjos limpos, atmosféricos e muitas vezes melancólicos. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem diversificadas, indo de profundas a envolventes. No geral, é um disco bacana e que é bem mais direto.
Melhores Faixas: Joshua Gone Barbados, Ballad Of The Ark
Vale a Pena Ouvir: New Cut Road, Highway Patrolman, Brand New Dance
Rainbow – Johnny Cash
NOTA: 8/10
Então se passam dois anos e foi lançado um novo trabalho do Johnny Cash, o Rainbow. Após o Johnny 99, Cash enfrentava dificuldades dentro da gravadora Columbia, que já não priorizava seus lançamentos da mesma forma que antes, e o artista precisava encontrar maneiras de continuar relevante em um mercado dominado por novos nomes. O que ajudou a levantar sua moral foi o projeto Highwaymen, com Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson. A produção, feita por Chips Moman, seguiu uma linha bastante limpa e tradicional, evitando exageros sonoros que estavam presentes em parte do Country comercial da época, apesar de seguir influências mais Pop. A instrumentação utiliza guitarras elétricas e acústicas, piano, mandolim e uma seção rítmica discreta, além de uma seção de metais precisa. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um trabalho interessante e que manteve sua abordagem característica.
Melhores Faixas: Love Me Like You Used To, Here Comes That Rainbow Again
Vale a Pena Ouvir: Casey's Last Ride, They're All The Sam, Have You Ever Seen The Rain?
Johnny Cash Is Coming To Town – Johnny Cash
NOTA: 8,4/10
Então se passa mais um ano, e o cantor retorna lançando o disco Johnny Cash Is Coming to Town. Após o Rainbow, ele já não era tratado como prioridade pelas grandes gravadoras e vinha enfrentando dificuldades para alcançar sucesso comercial com seus lançamentos. Essa situação culminou com o fim de sua longa relação com a Columbia Records, e ele logo assinou contrato com a Mercury Records, um movimento que representava uma tentativa de revitalizar sua carreira. A produção, feita por Jack Clement, trouxe um som mais polido e estruturado para o mercado radiofônico da época, incorporando diversos elementos típicos do Country Pop da década de 80, como sintetizadores discretos, guitarras mais polidas, arranjos de teclado e vocais de apoio mais elaborados, mas claro, com o vocal de Cash sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco interessante e tem sua consistência.
Melhores Faixas: Sixteen Tons, The Night Hank Williams Came To Town, W. Lee O'Daniel (And The Light Crust Dough Boys)
Vale a Pena Ouvir: The Ballad Of Barbara, The Big Light