quinta-feira, 25 de junho de 2026

Review: Mi’raj do Edu Falaschi

                     

Mi’raj – Edu Falaschi





















NOTA: 8/10


Recentemente, o Edu Falaschi fechou sua trilogia de álbuns com Mi'raj, e aqui as coisas ficaram interessantes. Após o Eldorado, esse novo trabalho encerra a trilogia conceitual criada em parceria com Fábio Caldeira, acompanhando a jornada do personagem Jorge por temas como identidade, perdas e transcendência espiritual. Com a narrativa ambientada no Oriente Médio do século XVI. A produção, realizada pelo próprio cantor ao lado do Dennis Ward e Thiago Bianchi, segue uma abordagem limpa e cinematográfica. Os elementos orientais deixam de ser apenas detalhes decorativos e passam a influenciar diretamente melodias e harmonias. As guitarras são bastante técnicas, as orquestrações trazem uma sensação épica coesa e os vocais do Edu são expressivos, resultando em um Power Metal com influências progressivas. O repertório é muito bom, e as canções são bastante enérgicas. Enfim, é um ótimo disco e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Watchers of the Light, Unchained 
Vale a Pena Ouvir: On Your Own, Mi'raj (participação da Veronica Bordacchini do Fleshgod Apocalypse), Intuição (participação do Rafael Bittencourt)

                                                                               Então é isso e flw!!!               

Review: Our Time With You... do Relative Ash

                     

Our Time With You... – Relative Ash





















NOTA: 9/10


No ano de 2000, o Relative Ash lançava seu único álbum de estreia, o Our Time With You.... Formada em 1996, em Chicago, por Marcus Harrington (vocais), Carlos Salazar, Francisco Antunez (guitarras), Charles Ford (baixo) e John Salazar (bateria), a banda conseguiu certa visibilidade abrindo shows e participando de turnês antes de assinar contrato com uma grande gravadora, a Island Records, no mesmo período do Primer 55. Produção, feita por Steve Thompson, apresenta um som pesado e bem definido, seguindo a sonoridade do Nu Metal, mais precisamente dos primeiros trabalhos do Deftones. As guitarras privilegiam afinações graves, riffs sincopados e texturas atmosféricas, enquanto a cozinha rítmica é dinâmica e os vocais de Marcus alternam entre gritos desesperados, melodias frágeis e sussurros. O repertório é incrível, com canções agressivas e letras profundas. Enfim, é um baita disco e uma pena que a banda não tenha durado muito tempo. 

Melhores Faixas: Pout, Breathe (Tiny Hands), Be Mighty (If He Falls Go Pick Him Up), Bounce, Flavor, Good Form 
Vale a Pena Ouvir: Sperm, Hymen


Analisando Discografias - Metro Boomin

                  

Not All Heroes Wear Capes – Metro Boomin





















NOTA: 8,5/10


Em 2018, o Metro Boomin lançou seu primeiro trabalho solo, intitulado Not All Heroes Wear Capes. A carreira do produtor começou por volta de 2009, quando, após abandonar a faculdade de Administração, passou a produzir beats para artistas locais. Com o tempo, ele ganhou bastante reconhecimento e praticamente se tornou um selo de qualidade dentro do Trap. Dessa forma, de maneira relativamente discreta, ele preparava esse álbum, que reuniria alguns dos principais nomes do Trap naquele período. A produção, que também contou com o auxílio de Dre Moon, Southside, Wheezy e afins, segue uma linha baseada em 808s pesados, linhas de baixo profundas, sintetizadores sombrios e atmosferas cinematográficas que frequentemente evocam tensão e grandiosidade, transitando entre o Trap e o R&B alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são pesadas e atmosféricas. Enfim, trata-se de um ótimo álbum, e que podia ser aprimorado futuramente. 

Melhores Faixas: Don't Come Out The House, 10 Freaky Girls (21 Savage amassou nas duas), Overdue (Travis Scott no Prime não tem o que falar), Space Cadet (Gunna mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir:  Up To Something (Thug e Travis se encaixaram bem), No More (mesma coisa pro Savage, Travis com Kodak Black)

Heroes & Villains – Metro Boomin





















NOTA: 9,2/10


Quatro anos depois, o Metro Boomin retornou com seu 2º álbum, o sensacional Heroes & Villains. Após o Not All Heroes Wear Capes, Metro acabou focando em outros projetos, como alguns álbuns colaborativos com outros rappers. Para este álbum, ele decidiu criar uma experiência mais cinematográfica. O próprio marketing reforçou essa ideia, com trailers inspirados em filmes de super-heróis e narrativas envolvendo o conflito entre heroísmo e vilania. A produção, que contou com TM88, OZ, DaHeala e outros colaboradores, é mais cinematográfica, incorporando orquestrações e transições elaboradas. Os beats são variados, os sintetizadores criam uma atmosfera de tensão, as baterias apresentam dinâmica e os hi-hats são precisos, resultando em um álbum de Trap muito bem estruturado. O repertório é sensacional, e as canções são bastante divertidas, com cada rapper desempenhando bem o seu papel. Enfim, é um baita disco e um clássico do gênero. 

Melhores Faixas: Too Many Nights (Future e Don Toliver amassaram), Feel The Fiyaaaah (A$AP Rocky e Takeoff encaixaram demais), Creepin' (The Weeknd e 21 Savage combinaram demais), Trance (Travis Scott e Young Thug mandaram bem de novo), Superhero (Heroes & Villains) (Future bem demais, agora o Chris Brown..................), Metro Spider (Thug mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Around Me (Toliver mandando bem de novo), Umbrella (Savage e Young Nudy mandou bem), Niagara Falls (Foot Or 2) (Savage e Travis combinaram)
  

A Futuristic Summa – Metro Boomin





















NOTA: 5/10


Então chegamos ao ano passado, quando o Metro Boomin lançou a mixtape A Futuristic Summa. Após o Heroes & Villains e alguns álbuns colaborativos com outros rappers, Metro decidiu seguir um caminho completamente diferente. Em vez de apostar em um Trap moderno, a mixtape presta homenagem ao Rap de Atlanta do fim dos anos 2000 e início dos anos 2010, período que influenciou diretamente sua formação musical. Tanto que ela conta até mesmo com um host, resgatando o formato clássico das mixtapes daquela época. A produção, que contou com Bobby Kritical, DJ Spinz e entre outros, é marcada por sintetizadores brilhantes e baterias inspiradas no Snap, Futuristic Swag e no Trap inicial de Atlanta. Mesmo mantendo seus tradicionais 808s fortes, Metro opta por timbres muito mais alegres, mas essa abordagem acaba se tornando repetitiva. O repertório começa bem, mas depois decai com canções fraquinhas. Enfim, é uma mixtape irregular e excessivamente longa. 

Melhores Faixas: Butterflies (Right Now) (Quavo foi bem demais), U Deserve (T.I. mandou bem), I Want It All, Stealin All The Swag, They Wanna Have Fun (Gucci Mane marcou presença), Clap 
Piores Faixas: I Need (Where U From), Issa Party, Take Me Thru Dere, Birthday (Young Thug decepcionou), WTF Going, Don't Stop Dancin (que música chata)

   

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Analisando Discografias - Ladyhawke

                 

Ladyhawke – Ladyhawke





















NOTA: 9,8/10


Em 2008, a Ladyhawke lançava seu álbum de estreia autointitulado, trazendo uma proposta interessante. A cantora nascida em Masterton, na Nova Zelândia, começou sua trajetória por volta de 2001, quando tocou com bandas locais por sete anos. Depois disso, partiu para uma carreira solo, definindo um som próprio que era vinculado à música pop dos anos 80, com uma tensão interessante entre vulnerabilidade pessoal e estética dançante. A produção contou com Michael Di Francesco, Pascal Gabriel, Greg Kurstin, entre outros, e é marcada por uma estética limpa. Há um uso muito evidente de sintetizadores analógicos e digitais combinados, criando uma sensação de brilho constante, quase como um neon sonoro, com os vocais delicados e expressivos dela complementando. Fazendo uma junção dos elementos do Synth-pop com Wew Wave, Electropop e Post-Punk. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e melódicas. No fim, é um baita disco de estreia e muito ousado. 

Melhores Faixas: Magic, My Delirium, Back Of The Van, Paris Is Burning, Dusk Till Dawn, Another Runaway 
Vale a Pena Ouvir: Manipulating Woman, Crazy World, Better Than Sunday

Anxiety – Ladyhawke





















NOTA: 8,1/10


Quatro anos depois, a Ladyhawke lançava seu 2º álbum de estúdio, intitulado Anxiety. Após seu disco de estreia, esse novo trabalho apresenta um cenário mais fragmentado e pessoal, marcado por um período de instabilidade emocional e pressão psicológica intensa, já que as turnês desgastaram muito a cantora. Com isso, ela faz uma obra bem mais direta, barulhenta e menos filtrada. A produção, feita por ela junto com Pascal Gabriel, tem uma abordagem mais densa e menos luminosa. Os sintetizadores carregam um peso atmosférico, as batidas ficam mais contidas e as guitarras ganham mais presença, agora com uso de reverb e texturas, que se complementam com os vocais crus da Ladyhawke, fazendo um trabalho que dialoga com a New Rave e com elementos do Electropop e Noise Pop. O repertório é bem legal, e as canções são energéticas e com um lado mais explosivo. Enfim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Anxiety, Vaccine 
Vale a Pena Ouvir: The Quick & The Dead, Cellophane, Sunday Drive

Wild Things – Ladyhawke





















NOTA: 8/10


Então se passaram mais quatro anos, e ela voltou lançando mais um disco, o Wild Things. Após o Anxiety, a Ladyhawke acabou saindo da Modular Recordings e passou a lançar seus trabalhos de forma independente. Esse álbum nasce de uma vontade clara de recuperação estética e emocional, em que tenta reconstruir leveza, identidade e prazer musical sem perder totalmente a bagagem emocional acumulada. A produção, conduzida por Tommy English e Scott Hoffman, traz uma estética mais colorida e vibrante, só que bem mais encaixada. As batidas são mais dançantes e com forte presença de groove e estruturas pensadas para fluidez. Os sintetizadores têm uma textura mais polida e combinam com os vocais limpos da cantora, fazendo assim um cruzamento do Synth-pop e Electropop. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e ficam mais imersivas. Enfim, é um ótimo disco e bem coeso. 

Melhores Faixas: The River, Sweet Fascination, A Love Song 
Vale a Pena Ouvir: Wild Things, Money to Burn

Time Flies – Ladyhawke





















NOTA: 3,7/10


Então chegamos em 2021, quando foi lançado o 4º e último álbum até então da Ladyhawke, o Time Flies. Após o Wild Things, a cantora casou com a atriz Madeleine Sami e deu à luz a única filha do casal, mas depois disso sofreu de depressão pós-parto e, posteriormente, foi diagnosticada com melanoma. Mesmo assim, conseguiu se recuperar e gravar esse projeto, que seria bem mais pessoal, além de, claro, tentar fazer algo moderno. A produção do Tommy English, agora ao lado do Josh Fountain, segue por um lado bastante polido. Os sintetizadores são mais discretos, muitas vezes funcionando como camadas atmosféricas em vez de protagonistas. As batidas às vezes alternam entre fluidez emocional e momentos voltados para as pistas de dança, dialogando mais com Dance-Pop e Alt-Pop, mas é aquilo: muita coisa soa simples demais e previsível. O repertório é ruinzinho, com canções genéricas e algumas interessantes. No fim, é um trabalho fraco e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Walk Away, Time Flies, Guilty Love, Take It Easy Mama 
Piores Faixas: Loner, Reactor, Mixed Emotions, My Love, Adam


                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Banners

                  

Banners – Banners





















NOTA: 7/10


No ano de 2016, o Banners lançou seu 1º trabalho no formato de EP, que foi autointitulado. Michael Joseph Nelson, vindo de Liverpool, na Inglaterra, começou sua trajetória na música no ano anterior. Depois de deixar de cantar nos corais da cidade, acabou conhecendo um produtor que viu potencial em seu talento e se tornou seu principal parceiro musical, conseguindo um contrato com a Island Records. A produção, conduzida por Stephen Kozmeniuk, aposta em uma combinação entre instrumentos orgânicos e elementos eletrônicos discretos. Violões, guitarras limpas, pianos, sintetizadores ambientes e baterias bastante expansivas formam a base sonora, resultando em um Pop Rock bem eficiente. Além disso, a voz do Banners é grave, precisa, rouca em alguns momentos e extremamente expressiva. O repertório contém cinco faixas que são bem melódicas e relaxantes. Enfim, é um ótimo EP que mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Shine A Light, Gold Dust 
Vale a Pena Ouvir: Ghosts, Start A Riot, Back When We Had Nothing

Where The Shadow Ends – Banners





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e o Banners lançava seu álbum de estreia, o Where The Shadow Ends. Após o lançamento do EP, o cantor já havia estabelecido uma assinatura bastante reconhecível. Sua combinação de Pop Rock com pitadas de Folk, acompanhada por uma interpretação vocal intensa, fazia com que suas músicas fossem imediatamente identificáveis. Em vez de reinventar completamente essa fórmula para a estreia em álbum, ele opta por refiná-la. A produção contou com Sean Fischer, Drew Jurecka, entre outros, e traz uma abordagem mais variada, só que, claro, bem polida. Violões, guitarras limpas, pianos e baterias continuam ocupando posição central, mas agora aparecem acompanhados por uma quantidade maior de sintetizadores e camadas vocais, fazendo o Pop Rock dialogar com elementos do Sunshine Pop e Stomp and Holler. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Enfim, é um ótimo disco, muito consistente. 

Melhores Faixas: Got It In You, Light Up 
Vale a Pena Ouvir: No One Knows Us, Someone To You, Too Soon
  

All Back To Mine – Banners





















NOTA: 3/10


Então chegamos em 2024, em que foi lançado o mais recente álbum do Banners, o All Back To Mine. Após o Where The Shadow Ends, o cantor foi pego de surpresa no período da pandemia com Someone To You tendo viralizado no TikTok e, nesse meio tempo, encerrou seu vínculo com a Island Records e assinou com a Nettwerk. E esse disco novo traz uma sensação constante de pertencimento, gratidão e estabilidade, principalmente por ele ter voltado à sua cidade natal após anos morando em Toronto. A produção, feita por Cam Blackwood, Lorna Blackwood, Luke Niccoli e Olly Gorman, segue uma sonoridade extremamente limpa, orgânica e acolhedora, que dialoga tanto com Pop Rock, mas com traços puxados para o Adult Contemporary, com os vocais do Michael sendo mais emocionais, só que tudo soa bem previsível e acaba ficando bem chato. O repertório é ruim, tem canções legais e outras que são bastante genéricas. Enfim, é um álbum péssimo e cansativo. 

Melhores Faixas: Name in Rights, The Best View in Liverpool, Tell You I Love You 
Vale a Pena Ouvir: Anywhere for You, Life's Just No Fun, C'est La Vie, There Goes My Girl

   

terça-feira, 23 de junho de 2026

Analisando Discografias - Earl Sweatshirt: Parte 2

                 

I Don't Like Shit, I Don't Go Outside – Earl Sweatshirt





















NOTA: 9,8/10


Se passaram dois anos, e foi lançado mais um álbum do Earl Sweatshirt: o sensacional I Don't Like Shit, I Don't Go Outside. Após o Doris, Earl passou por diversas mudanças pessoais. A relação com a fama continuava desconfortável, sua ligação com a Odd Future já não era tão intensa quanto nos primeiros anos, e sua visão artística caminhava para algo cada vez mais distante do Rap tradicional. A produção foi feita pelo próprio rapper junto com Left Brain. Os dois apostaram em beats minimalistas, com a presença de acordes repetitivos, baixos abafados, baterias secas e pequenos samples que entram e desaparecem rapidamente. O resultado faz parecer que Earl está rimando em um quarto escuro, de forma isolada, colocando todo o seu flow técnico em evidência e seguindo elementos do Rap experimental e do Cloud Rap. O repertório é incrível, e as canções são muito profundas e carregadas de questionamentos. Enfim, é um baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Grief, Faucet, Huey, Wool, AM // Radio 
Vale a Pena Ouvir: DNA, Mantra

Some Rap Songs – Earl Sweatshirt





















NOTA: 10/10


Em 2018, Earl Sweatshirt lança seu 3º álbum de estúdio, o espetacular Some Rap Songs. Após o I Don't Like Shit, I Don't Go Outside, que retratava um artista mergulhado na depressão e no isolamento, este novo álbum mostra Earl transformando esse sofrimento em uma forma completamente nova de fazer rap. Esse projeto foi lançado pouco depois de ele perder seu pai, Keorapetse Kgositsile, uma figura cuja ausência já havia sido abordada anteriormente, mas cuja morte deu um novo significado à relação entre os dois. A produção foi feita por ele junto com Sage Elsesser, Black Noi$e e outros colaboradores, que seguiram uma estética ainda mais crua, já que os beats soam fragmentados, com samples entrando e desaparecendo sem aviso. As baterias fora do tempo remetem imediatamente a J Dilla, e tudo isso segue uma abordagem voltada ao Drumless e ao Rap experimental. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Riot!, Azucar, Ontheway!, The Mint, Shattered Dreams, Nowhere2go, Shattered Dreams 
Vale a Pena Ouvir: Red Water, Loosie

Feet Of Clay – Earl Sweatshirt





















NOTA: 7/10


No ano seguinte, Earl Sweatshirt surge do nada com um novo EP, o Feet Of Clay. Após o clássico Some Rap Songs, em que Earl reformulou completamente sua linguagem musical, esse EP mostra um artista ainda mais confortável dentro dessa estética, levando suas ideias para um território ainda mais abstrato e menos preocupado com qualquer tipo de acessibilidade. Isso porque ele havia saído da Columbia Records e assinado com a Warner, além de ter ganhado mais liberdade artística. A produção foi feita por ele junto com The Alchemist, Black Noi$e, Mach-Hommy e ovrkast, seguindo aquela abordagem de beats fragmentados e samples envelhecidos, com essa estética se tornando ainda mais extrema. As baterias são extremamente discretas, e a presença de chiados, pequenas distorções e imperfeições faz parte da identidade sonora do EP. O repertório é muito bom, e as canções são mais atmosféricas. Enfim, é um trabalho bacana, mesmo com poucas inovações. 

Melhores Faixas: MTMOB, EAST 
Vale a Pena Ouvir: EL TORO COMBO MEAL, 4N

SICK! – Earl Sweatshirt





















NOTA: 8,8/10


Três anos se passaram, e o rapper lança mais um disco intitulado SICK!, que trouxe mudanças. Após o EP Feet Of Clay, este álbum nasceu durante um período em que o mundo inteiro vivia as consequências do isolamento provocado pela pandemia. Embora Earl nunca transforme o álbum em um relato explícito sobre esse contexto, a sensação de confinamento, ansiedade e incerteza atravessa praticamente todo o projeto. A produção contou com aqueles mesmos nomes, como The Alchemist, Alexander Spit, Black Noi$e e outros colaboradores, que seguiram uma abordagem bem mais limpa. Os beats são orgânicos, com samples precisos, loops curtos e atmosferas discretas. Há muito mais definição na mixagem, além de os flows do Earl terem ficado mais cadenciados, sem, é claro, perder sua técnica. Dialogando com o Jazz Rap, Drumless e o Trap. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de mensagem. No geral, é um ótimo disco e é bem subestimado. 

Melhores Faixas: 2010, Tabula Rasa, Fire In The Hole, Vision 
Vale a Pena Ouvir: God Laughs, Sick!

Voir Dire – Earl Sweatshirt & The Alchemist





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, Earl Sweatshirt lança um álbum colaborativo com The Alchemist, o Voir Dire. Após o SICK!, esse projeto acabou acontecendo depois de muita conexão entre ambos nos trabalhos anteriores e passou por diferentes formas de lançamento até chegar às plataformas de streaming. Isso ajuda a explicar a sensação de “fragmento organizado” que o álbum transmite: ele não soa como um conceito rígido, mas como um conjunto de ideias que se conectam pela atmosfera. A produção foi feita completamente por Uncle Al, que adotou uma abordagem limpa e cinematográfica. Os beats são suaves, com presença de samples de Soul e Jazz altamente refinados, texturas ambientais e loops que evoluem lentamente, sem perder a repetição hipnótica. Isso faz com que Earl adote um flow mais cadenciado nessa abordagem puxada para o Drumless e o Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são bastante imersivas e relaxantes. No fim, é um trabalho muito legal e coeso. 

Melhores Faixas: Mac Deuce, The Caliphate, Vin Skully, Mancala, 27 Braids 
Vale a Pena Ouvir: Dead Zone, Free The Ruler, 100 High Street

Live Laugh Love – Earl Sweatshirt





















NOTA: 9,3/10


Então chegamos a 2025, quando Earl Sweatshirt lança seu 5º e mais recente álbum, o Live Laugh Love. Após o Voir Dire, com The Alchemist, este novo disco surge como uma tentativa de reorganizar sua identidade artística em torno de algo mais direto, mas ainda profundamente pessoal. Earl parece interessado em explorar a contradição entre uma estética de positividade superficial e a complexidade emocional real da vida adulta. A produção foi feita por ele junto com Theravada, Navy Blue e outros colaboradores, e segue uma temática mais variada, com beats crus e baseada em três princípios: calor analógico, colagem sonora e pequenas rupturas rítmicas. Isso também está presente nos flows do Earl, que são cheios de variação e funcionam nessa junção do Rap experimental, Drumless e Jazz Rap. O repertório é incrível, e as canções são bastante reflexivas e carregadas de questionamentos sobre família. No fim, é um belo disco e um dos melhores do ano passado. 

Melhores Faixas: Tourmaline, Exhaust, Crisco, Infatuation, Live, Gamma (Need The <3) 
Vale a Pena Ouvir: Heavy Metal (Ejecto Seato), Static

 

                                                                            Por hoje é só, então flw!!!          

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Analisando Discografias - Earl Sweatshirt: Parte 1

                  

Earl – Earl Sweatshirt





















NOTA: 7/10


Em 2010, Earl Sweatshirt lançava seu 1º trabalho solo no formato de mixtape,o Earl. O rapper, vindo de Chicago, é filho de Cheryl Harris e do poeta e ativista político sul-africano Keorapetse Kgositsile. Como o casal acabou se separando, Earl se mudou com sua mãe para Los Angeles. Com o passar do tempo, começou a fazer Rap em 2008, divulgando seu som no MySpace, e foi ali que Tyler, The Creator o descobriu e o chamou para fazer parte da Odd Future. A produção, feita por Tyler, com alguns pitacos de BeatBoy e Left Brain, segue uma abordagem lo-fi, com beats minimalistas e lentos, nos quais há a presença de pianos desafinados, cordas discretas, baixos graves e samples que criam uma constante sensação de desconforto. Isso dá um maior destaque aos flows técnicos e variados do rapper, seguindo uma temática puxada para o Horrorcore. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e algumas faixas fracas. Enfim, é uma ótima mixtape, mesmo com alguns erros. 

Melhores Faixas: Earl, Luper, Pigions, Couch (ótima feat do ‘‘Ace The Creator’’) 
Piores Faixas: Luper, Wakeupfaggot, Thisniggaugly

Doris – Earl Sweatshirt




















NOTA: 9/10


Três anos se passaram, e Earl Sweatshirt lançava seu álbum de estreia, o Doris. Após a mixtape Earl, o rapper foi enviado de forma forçada por sua mãe para uma escola terapêutica em Samoa, ficando afastado da música e da exposição pública por cerca de um ano e meio. Só que ele conseguiu retornar e, agora bem mais maduro, decidiu preparar um projeto com reflexões sobre identidade, depressão, família, solidão e o peso das expectativas colocadas sobre ele. A produção, feita pelo próprio rapper junto com Tyler, The Creator, The Neptunes, RZA e afins, segue uma abordagem sombria, com beats lentos, samples de Soul, Jazz, música psicodélica e loops discretos, dialogando tanto com o Horrorcore quanto com o Boom Bap e o Rap experimental. Aqui, os flows do Earl atingem um lado mais técnico e cadenciado. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas e carregadas de metáforas. No geral, é um baita disco de estreia, e nem era o seu ápice. 

Melhores Faixas: Chum, Hive, 20 Wave Caps, Sunday (ótima feat do Frank Ocean), Whoa (baita feat do Tyler), Molasses (RZA amassando), Knight 
Vale a Pena Ouvir: Burgundy, Guild (Mac Miller mandou bem), Uncle AI

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!             

Review: Mi’raj do Edu Falaschi

                      Mi’raj – Edu Falaschi NOTA: 8/10 Recentemente, o Edu Falaschi fechou sua trilogia de álbuns com Mi'raj, e aqui as ...