domingo, 4 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Fugazi: Parte 1

                 

13 Songs – Fugazi





















NOTA: 9/10


No ano de 1989, foi lançada uma coletânea de uma banda chamada Fugazi, intitulada 13 Songs. Ian MacKaye, que já tinha sido um nome fundamental para a cultura Straight Edge e para o nascimento do Emo, decidiu formar uma nova banda ao lado de Joe Lally (baixo) e Brendan Canty (bateria), inicialmente com uma formação que ainda passaria por mudanças até a entrada definitiva do Guy Picciotto. Com isso, podemos dizer que o Embrace e o Rites Of Spring se unificaram e se tornaram essa nova banda. A produção do Ted Niceley e John Loder preservou essa abordagem crua e pesada. As guitarras do Ian e Guy dialogam com riffs secos, acordes e pequenas respostas, além de seus vocais, que são muito bem divididos. O baixo coloca muito peso, e a bateria é bastante dinâmica, formando assim as bases do Post-Hardcore. O repertório é sensacional, e as canções são bem energéticas e carregadas de crítica social. No fim, essa unificação dos dois primeiros EPs funcionou bem. 

Melhores Faixas: Waiting Room, Bad Mouth, Suggestion, Give Me The Cure, And The Same, Promises, Bulldog Front 
Vale a Pena Ouvir: Burning Too, Glue Man, Provisional

Repeater – Fugazi





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Fugazi lançava seu clássico álbum de estreia, o Repeater. Após o 13 Songs, a banda já sabia exatamente como utilizar seus instrumentos e, principalmente, já entendia que não precisava acelerar para transmitir peso. A agressividade já estava estabelecida. Agora eles podiam experimentar com ela, podendo deixar um riff se repetir, reduzir a velocidade, criar espaços ou mudar completamente a dinâmica de uma música. A produção, feita junto com Ted Niceley (lembrando que todos esses lançamentos comentados foram lançados pelo selo da Dischord), apresenta uma abordagem bastante pesada e visceral dentro do Post-Hardcore. O baixo é o condutor de tudo, as guitarras são muito bem desenvolvidas, a bateria continua extremamente dinâmica, e os vocais do Ian e do Guy alternam entre confronto e urgência. O repertório é maravilhoso, sendo praticamente uma coletânea. No final, é um disco sensacional e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Turnover, Repeater, Blueprint, Shut The Door, Merchandise, Sieve-Fisted Find 
Vale a Pena Ouvir: Reprovisional, Styrofoam, Greed

Steady Diet Of Nothing – Fugazi





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, o Fugazi lançava seu 2º álbum de estúdio, o Steady Diet Of Nothing. Após o Repeater, eles decidiram fazer um disco mais paciente, mais contido em vários momentos e mais interessado em trabalhar com tensão. A banda parece menos preocupada em apresentar riffs memoráveis e mais interessada em construir atmosferas, padrões rítmicos e estruturas que vão se revelando aos poucos. A produção seguiu um caminho orgânico, mas que não abre mão do peso. O baixo cria linhas independentes que ajudam a determinar o movimento da composição. A bateria tem bastante precisão, principalmente nas mudanças de ritmo. Enquanto as guitarras do Ian e do Guy conseguem criar tensão e contrastes, fora, é claro, seus vocais, que estão mais melódicos, mas não deixam de lado aquela urgência. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais profundas e carregadas de comentários políticos. Enfim, é um ótimo disco, mas que é, de certo modo, o mais fraco. 

Melhores Faixas: Exit Only, Long Division, Reclamation, Nice New Outfit, KYEO 
Vale a Pena Ouvir: Polish, Stacks, Runaway Return

In On The Kill Taker – Fugazi





















NOTA: 9,9/10


Passaram-se então dois anos para o Fugazi lançar seu 3º disco, o In On The Kill Taker. Após o Steady Diet Of Nothing, a banda decidiu buscar um som bem mais áspero, dissonante e, em vários momentos, menos imediatamente acessível. A banda continua utilizando grooves e estruturas relativamente simples, mas passa a explorar muito mais o desconforto produzido pela combinação entre ruído, mudanças bruscas e riffs que parecem deliberadamente tortos. A produção foi feita inicialmente por Steve Albini, mas as gravações não agradaram à banda. Com isso, decidiram regravar junto com Ted Niceley, buscando um som mais agressivo dentro dos padrões do Post-Hardcore, além de incorporar elementos do Noise Rock. As guitarras ficaram mais angulares, a cozinha rítmica é muito precisa, e os vocais do Ian e do Guy continuam muito bem alternados. O repertório é incrível, e as canções são todas bem pesadas. No final de tudo, é um disco sensacional e outro clássico. 

Melhores Faixas: Public Witness Program, Facet Squared, Rend It, Instrument, Smallpox Champion, Returning The Screw 
Vale a Pena Ouvir: Great Cop, Cassavetes, 23 Beats Off, Sweet And Low


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!             

Review: Álbum Autointitulado do Embrace

                  

Embrace – Embrace





















NOTA: 10/10


No ano de 1987, o Embrace lançava também seu único álbum de estúdio autointitulado. Formado dois anos antes, Ian MacKaye vinha de uma experiência fundamental com o Minor Threat, enquanto Mike Hampton (guitarra), Chris Bald (baixo) e Ivor Hanson (bateria) também estavam envolvidos e ligados àquele circuito. Só que a banda não parecia interessada em simplesmente repetir a mesma coisa. A proposta aqui é muito mais introspectiva, tensa e emocional. A produção preservou aquela abordagem completamente crua e com aquela vibe do DIY, seguindo a proposta do Emocore. As guitarras possuem bastante trabalho com acordes, pequenas mudanças de textura e repetições que criam tensão. A cozinha rítmica é bem movimentada, e os vocais do Ian ficaram mais rasgados e bem performáticos. O repertório é sensacional, parecendo também uma verdadeira coletânea. No final de tudo, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Building, Give Me Back, Dance Of Days, Money, No More Pain, Spoke, Past
Vale a Pena Ouvir: I Wish I, Last Song, Do Not Consider Yourself Free

  

Review: Álbum Autointitulado do Rites Of Spring

                  

Rites Of Spring – Rites Of Spring





















NOTA: 10/10


No ano de 1985, foi lançado o único álbum do Rites Of Spring, que trazia uma proposta diferente. A banda foi formada no ano do fim do Minor Threat e também vinha daquela mesma cena Hardcore de Washington. Era composta por Guy Picciotto nas guitarras e vocais, Edward Janney na guitarra, Mike Fellows no baixo e Brendan Canty na bateria. Eles traziam aquela abordagem rápida e veloz, mas havia uma preocupação muito maior com dinâmica e melodia. A produção, feita curiosamente pelo Ian MacKaye, trouxe uma abordagem crua e cheia de contrastes. As guitarras do Guy e do Edward conseguem ser ásperas e agressivas, mas também carregam melodias e progressões que dão identidade própria às músicas. O baixo do Mike é muito direto, e a bateria do Brendan é bem variada, além dos vocais emocionais, que também mostram as bases do Emocore. O repertório é sensacional, é praticamente uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: For Want Of, Spring, Drink Deep, Theme, Remainder, End On End, Deeper Than Inside 
Vale a Pena Ouvir: Al There Is, Nudes, Persistent Vision

  

Analisando Discografias - Minor Threat

                  

Minor Threat – Minor Threat





















NOTA: 9,8/10


Em 1981, o Minor Threat lançava seu 1º EP autointitulado, que trazia uma abordagem diferenciada. Formado um ano antes em Washington, D.C., por Ian MacKaye nos vocais, Lyle Preslar na guitarra, Brian Baker no baixo e Jeff Nelson na bateria, o grupo tinha uma proposta que não era simplesmente tocar Punk mais rápido: havia uma vontade de eliminar tudo aquilo que parecia desnecessário dentro de uma música de Rock e transformar a intensidade em algo quase físico. A produção, feita por eles mesmos, trazia uma sonoridade crua e direta, que seguia a temática do Hardcore Punk. As guitarras do Preslar possuem uma sonoridade áspera, com riffs simples na construção, mas muito eficientes na maneira como são executados. O baixo do Baker possui peso, assim como a bateria do Jeff, e os vocais do Ian são extremamente urgentes. O repertório é maravilhoso, e as canções são reflexivas e muito aceleradas. No final de tudo, é um baita trabalho e um clássico extremamente eficiente. 

Melhores Faixas: Filler, Minor Threat, Straight Edge, I Don't Wanna Hear It 
Vale a Pena Ouvir: Bottled Violence, Seeing Red

In My Eyes – Minor Threat





















NOTA: 8,7/10


Naquele mesmo ano, eles lançaram seu 2º EP, intitulado In My Eyes, que ampliou ainda mais os caminhos. Após o EP de estreia, a banda quis, nessa continuação, mostrar estar mais segura. A identidade já estava estabelecida. O desafio passou a ser fazer músicas igualmente agressivas, mas com riffs e estruturas que tivessem personalidade suficiente para não parecerem apenas uma repetição do primeiro trabalho. A produção seguiu aquela abordagem crua, orientada para o Hardcore Punk. Só que agora as guitarras possuem riffs com distorção suficiente para criar peso, mas continuam muito definidos. O baixo ficou muito mais encorpado, e a bateria possui viradas rápidas, enquanto as batidas principais mantêm as músicas avançando constantemente. Os vocais do Ian MacKaye ficaram mais ásperos e ganharam ainda mais urgência. O repertório contém 4 faixas explosivas e carregadas de peso. No final, é um ótimo trabalho que complementou bem. 

Melhores Faixas: In My Eyes, Steppin' Stone 
Vale a Pena Ouvir: Guilty Of Being White, Out Of Step

Out Of Step – Minor Threat





















NOTA: 9,1/10


Então chega o ano de 1983, quando a banda lança seu último EP, intitulado Out Of Step. Após o In My Eyes, o Minor Threat incluiu Steve Hansgen como baixista, e Brian Baker passou a ser o segundo guitarrista. Para esse trabalho, eles passam a saber como utilizar aquela intensidade para construir músicas que tenham mais personalidade e diferentes atmosferas. Isso faz com que o EP seja menos dependente da velocidade constante do que os primeiros trabalhos. A produção, feita junto com Don Zientara, é mais pesada e relativamente mais encorpada. A guitarra possui uma presença muito forte, e a existência de duas guitarras ajuda a preencher melhor o espaço sonoro. A cozinha rítmica é muito bem movimentada, e os vocais do Ian MacKaye são bem versáteis. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e, ao mesmo tempo, energéticas. No fim, é um baita EP e, infelizmente, por divergências musicais, a banda acabou. 

Melhores Faixas: Betray, Look Back & Laugh, Cashing In, Think Again, Little Friend 
Vale a Pena Ouvir: Sob Story, It Follows

   

sábado, 3 de outubro de 2026

Review: Álbum Autointitulado do Agridoce

                   

Agridoce – Agridoce





















NOTA: 8/10


Voltando para 2011, a Pitty e Martin Mendonça formaram um projeto chamado Agridoce, lançando o álbum de mesmo nome. Esse projeto surgiu um ano antes, quando os dois passaram a tocar juntos de maneira despretensiosa, sem a intenção inicial de transformar aquelas músicas em um projeto oficial. A própria dupla tratava o projeto inicialmente como uma espécie de brincadeira. Só que, com o tempo, isso passou a ser tratado como algo sério, e decidiram então lançar um disco. A produção foi feita por Rafael Ramos, que deixou um som limpo e que preserva todo esse estilo intimista, que dialoga com Indie Folk e Chamber Folk. Os violões estão sempre no centro e são complementados pelo uso de bandolim, ukulele, arranjos de cordas e claro, os vocais da Pitty conseguindo contribuir para um caráter mais suave. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. No fim, é um ótimo disco, e é uma pena que tenha durado pouco tempo. 

Melhores Faixas: Dançando, Upside Down 
Vale a Pena Ouvir: 20 Passos, Epílogos, 130 Anos
 

                                                                                        É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - Pitty

                 

Admirável Chip Novo – Pitty





















NOTA: 10/10


No ano de 2003, a Pitty lançava seu álbum de estreia, o clássico Admirável Chip Novo. A cantora iniciou sua carreira em 1998, quando se tornou vocalista da banda Ikoma, que acabou não durando muito tempo. Mas, mesmo assim, ela continuou gravando algumas composições e, assim, um produtor chamado Rafael Ramos perguntou se ela ainda tinha gravado algum material. Ela mandou, achando que não ia dar em nada, só que ele gostou e deu aval para que ela pudesse assinar com a Deckdisc. A produção, feita pelo próprio Ramos, deixou um som pesado, mas, ao mesmo tempo, acessível, que dialogava com Post-Grunge, Rock Alternativo e Hard Rock. As guitarras do Peu Sousa são bem marcantes, o baixo do Dunga é bem preciso e a bateria do Duda Machado é muito impactante, enquanto os vocais da Pitty são muito bem alternados. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Equalize, Admirável Chip Novo, Teto De Vidro, Do Mesmo Lado, Máscara
Vale a Pena Ouvir: Semana Que Vem, Temporal, O Lobo

Anacrônico – Pitty





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, a Pitty lançava seu 2º álbum de estúdio, o também sensacional Anacrônico. Após o Admirável Chip Novo, o guitarrista Peu Sousa acabou saindo e entrou Martin Mendonça. Esse novo trabalho meio que ampliou as características do seu anterior, só que agora a abordagem é menos concentrada na ideia de controle e padronização e passa a incorporar conflitos internos, relacionamentos, violência, guerra e busca por identidade. A produção, feita mais uma vez por Rafael Ramos, deixou uma abordagem ainda mais agressiva e direta, juntando Rock Alternativo e Metal Alternativo com elementos do Post-Hardcore, Post-Grunge, Nu Metal e Stoner Rock. As guitarras ficaram mais agressivas, com riffs secos, o baixo é bastante grosso e a bateria é bastante pesada, fora que os vocais da Pitty estão bem mais agressivos. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito profundas e urgentes. Enfim, é um baita disco e também é um clássico. 

Melhores Faixas: Na Sua Estante, Déjà Vu, Brinquedo Torto, Anacrônico, Memórias, No Escuro, De Você 
Vale a Pena Ouvir: A Saideira, Quem Vai Queimar?, Ignorin'U, Guerreiros São Guerreiros

Chiaroscuro – Pitty





















NOTA: 8,6/10


No ano de 2009, a Pitty lançava mais um álbum de estúdio, intitulado Chiaroscuro. Após o Anacrônico, a banda continuava trabalhando e fazendo shows, mas isso também serviu para que Pitty e os músicos chegassem a um momento diferente artisticamente. Ela explicou que o novo disco seria mais experimental e que havia uma vontade explícita de caminhar por outros terrenos musicais. A produção seguiu um som mais dinâmico e que não tira aquela acessibilidade. A guitarra continua sendo extremamente importante, variando entre momentos pesados e outros em que serve como textura. O baixo ficou muito mais sustentável, e a bateria ficou mais encorpada e contando com muita variação. Já os vocais da Pitty alternam entre momentos contidos e outros mais expressivos. O repertório é bom, tendo canções divertidas, mas com algumas esquisitas. Enfim, é um álbum legal, mas que é o mais fraco de sua carreira. 

Melhores Faixas: Me Adora, Medo, Só Agora, Fracasso, Todos Estão Mudos 
Piores Faixas: Rato Na Roda, A Sombra

Setevidas – Pitty





















NOTA: 9/10


Cinco anos depois, a Pitty retornava com outro álbum, o subestimadíssimo Setevidas. Após o Chiaroscuro, a cantora fez alguns trabalhos esporádicos, como o projeto Agridoce, ao lado de Martin Mendonça, explorando uma sonoridade muito mais acústica e psicodélica. Esse novo trabalho foi marcado por perdas e problemas que acabaram influenciando o processo de composição, além da entrada do baixista Guilherme Almeida no lugar de Joe Gomes, que, dois anos antes, tinha processado a cantora. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e visceral, que junta Rock Alternativo com elementos do Stoner Rock e Hard Rock. A guitarra passou a ter mais distorção e a fazer uso de reverbs, o baixo ficou mais conciso e a bateria, mais firme. Fora isso, a Pitty faz uso de teclados que preenchem os espaços, além, é claro, de seu vocal bem expressivo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: Olho Calmo, Deixa Ela Entrar, Boca Aberta, Serpente, Pequena Morte 
Vale a Pena Ouvir: Setevidas, Um Leão, Pouco

Matriz – Pitty





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2019, quando ela lançou seu mais recente álbum, intitulado Matriz. Após o Setevidas, a Pitty, depois de passar por toda aquela confusão com sua dublagem em Mortal Kombat X, decidiu fazer um trabalho um pouco mais diferenciado, já que começou a apresentar músicas e ideias durante a estrada e foi percebendo, através dessa experiência, que havia um conceito maior surgindo. Assim, fez um disco que juntava o som característico dela com a temática da cultura baiana. A produção seguiu uma abordagem moderna e, ao mesmo tempo, ampla, juntando Rock Alternativo com elementos do Dub, Reggae e um pouco de Hard Rock. Com isso, as guitarras ficaram mais econômicas, a cozinha rítmica ficou mais orientada ao groove, muito por conta do uso de percussão, e os vocais da Pitty ficaram mais variados. O repertório é muito bom, e as canções são envolventes e, em alguns momentos, cadenciadas. Enfim, é um disco bacana e que foi muito subestimado. 

Melhores Faixas: Noite Inteira, Roda (participação do BaianaSystem), Sol Quadrado, Redimir
Vale a Pena Ouvir: Bahia Blues, Te Conecta, Motor, Ninguém É De Ninguém

   

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Kate Bush

                 

The Kick Inside – Kate Bush





















NOTA: 10/10


No ano de 1978, foi lançado o álbum de estreia da Kate Bush, o The Kick Inside. A cantora inglesa, desde a infância, sempre foi apaixonada por música e, quando tinha 11 anos, já tinha aprendido a tocar piano. Nesse intervalo de tempo, seus pais já tinham gravado várias fitas demo dela, e uma delas chegou às mãos de Ricky Hopper que, impressionado, tocou essa fita para David Gilmour (sim, do Pink Floyd), que a apresentou para várias gravadoras. Quem acabou fechando com a Kate foi a EMI. A produção, feita por Andrew Powell junto com o próprio David Gilmour, colocou um som que equilibrado, já que aqui temos muitos elementos do Pop Rock e do Pop progressivo, além do que foi chamado de Art Pop. Como o piano é o coração de tudo, ele se destaca junto à instrumentação tradicional, enquanto os vocais da Kate são bastante versáteis. O repertório é maravilhoso, parecendo praticamente uma coletânea. No final, é um baita disco de estreia e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Wuthering Heights, Moving, The Saxophone Song, Kite, Oh To Be In Love, The Man With The Child In His Eyes, L'Amour Looks Something Like You 
Vale a Pena Ouvir: The Kick Inside, Strange Phenomena, Feel It

Lionheart – Kate Bush





















NOTA: 9/10


Naquele mesmo ano, lá para o finalzinho, foi logo lançado seu 2º álbum, intitulado Lionheart. Após o clássico The Kick Inside, esse novo trabalho serve como uma continuação direta daquele momento inicial, mas também como um álbum feito sob uma pressão muito maior para manter o ritmo de sua carreira. Kate Bush começava a ampliar um pouco mais o universo temático, passando por referências literárias, cinema, personagens fictícios, relações amorosas e diferentes atmosferas. A produção, feita inteiramente por Andrew Powell, seguiu uma abordagem mais sofisticada e limpa, ainda equilibrando os mundos do Art Pop e do Pop progressivo. Com isso, os pianos continuam centrais, mas agora dividem espaço com teclados e arranjos orquestrais. Existe também uma preocupação maior em criar ambientes específicos para cada composição. O repertório é legal, tendo canções divertidas e outras mais variadas. Enfim, é um ótimo disco e que foi muito injustiçado. 

Melhores Faixas: Wow, Symphony In Blue, In Search Of Peter Pan, Hammer Horror, Coffee Homeground 
Vale a Pena Ouvir: Kashka From Baghdad, Don't Push Your Foot On The Heartbrake

Never For Ever – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 80, Kate Bush lançava seu maravilhoso 3º álbum, o Never For Ever. Após o Lionheart, Kate passou a assumir uma participação muito maior nas decisões de produção e começou a tratar o estúdio não apenas como um lugar para registrar suas músicas, mas como uma ferramenta criativa. Nos primeiros discos, ela já demonstrava interesse por personagens, literatura, fantasia e situações incomuns, mas aqui essas ideias começam a ganhar uma dimensão mais sombria e psicológica. A produção, feita pela própria cantora junto com Jon Kelly, seguiu uma abordagem orgânica e detalhada, que equilibra Art Pop, Pop progressivo e Pop barroco. Além de continuar utilizando instrumentos tradicionais, eles passam a conviver com sintetizadores, programação, efeitos e diferentes tratamentos eletrônicos. Fora que os vocais da Kate ficaram mais delicados. O repertório é incrível, também chegando a parecer uma coletânea. No final, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Babooshka, Army Dreamers, The Wedding List, Breathing, Blow Away 
Vale a Pena Ouvir: Delius, Egypt, Violin

The Dreaming – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram para Kate Bush lançar outro álbum espetacular, o The Dreaming. Após o Never For Ever, Kate não está mais preocupada em fazer com que cada composição seja imediatamente acessível. Ela passa a privilegiar atmosfera, dinâmica, personagens, mudanças bruscas e estruturas que podem parecer estranhas na primeira audição. Já que aqui não temos um trabalho de apelo comercial, e sim algo que conversa com temas bem mais pesados e complexos. A produção seguiu uma abordagem experimental, com essa temática de Art Pop e Pop progressivo sendo explorada no seu ápice. Já que o uso da mistura de instrumentos tradicionais com sintetizadores, bateria, percussão, efeitos, sons processados, diferentes camadas vocais e técnicas de estúdio torna as músicas muito mais densas. O repertório é maravilhoso, com as canções magníficas, que são bem variadas. No final, é um álbum sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sat In Your Lap, Suspended In Gaffa, Get Out Of My House, Night Of The Shallow, There Goes A Tenner 
Vale a Pena Ouvir: Pull Out The Pin, Leave It Open, All The Love

Hounds Of Love – Kate Bush





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram para Kate Bush lançar o excepcional e atemporal Hounds Of Love. Após o The Dreaming, a cantora arranjou uma maneira de conciliar a experimentação que havia descoberto com melodias mais imediatas e estruturas mais acessíveis. O álbum também representa uma fase em que Kate passa a ter uma compreensão ainda maior de sua própria linguagem. Ela já havia trabalhado com personagens, literatura, fantasia e narrativas cinematográficas, mas agora essas características aparecem com uma organização muito mais refinada. A produção, feita como sempre pela própria cantora, seguiu aquela abordagem cinematográfica, só que equilibrando-a com muita clareza. Combinando instrumentos tradicionais, sintetizadores, baterias eletrônicas, percussão, vocais sobrepostos, efeitos e arranjos acústicos. O repertório é sensacional, fazendo também parecer uma coletânea. No final, é um álbum espetacular e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Running Up That Hill (A Deal With God), Hounds Of Love, Cloudbusting, The Big Sky, Jig Of Life, Mother Stands For Comfort, Hello Earth 
Vale a Pena Ouvir: Under Ice, And Dream Of Sheep, Watching You Without Me

The Sensual World – Kate Bush





















NOTA: 9,8/10


No fim dos anos 80, Kate Bush lançava seu 6º álbum de estúdio, o maravilhoso The Sensual World. Após o Hounds Of Love, a cantora decidiu seguir uma abordagem mais elegante, orgânica e contemplativa, embora continue existindo uma quantidade enorme de detalhes escondidos nos arranjos. Uma das grandes características do álbum é essa sensação de maturidade, com ela interessada em observar relações humanas, desejo, intimidade, memória, envelhecimento, distância e a própria passagem do tempo. A produção seguiu uma abordagem refinada e menos agressiva, com os sintetizadores passando a ser mais controlados e dividindo espaço com as baterias e a percussão, que ficaram mais movimentadas, além dos instrumentos de sopro. Os vocais da Kate também são mais intimistas. O repertório é incrível, e as canções são muito melódicas e sentimentais. Enfim, é outro disco fenomenal e cheio de atmosfera. 

Melhores Faixas: The Sensual World, This Woman's Work, Love And Anger, The Fog, Deeper Understanding 
Vale a Pena Ouvir: Rocket's Tail (For Rocket), Reaching Out, Never Be Mine

The Red Shoes – Kate Bush





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 1993 que Kate Bush lançava mais um álbum, intitulado The Red Shoes. Após o The Sensual World, esse novo trabalho ficou mais voltado para performance, dança, palco e energia. Existe uma sensação de que Kate queria que as músicas fossem não apenas ouvidas, mas também visualizadas e sentidas corporalmente. Isso fica especialmente evidente no próprio conceito do álbum, que dialoga com a ideia de dança e com o famoso conto dos sapatos vermelhos. A produção seguiu uma abordagem orgânica, fazendo um equilíbrio entre Art Pop e Pop Rock, além de ter um pouco mais de elementos do Adult Contemporary. Os sintetizadores têm camadas mais brilhantes, o uso de guitarras é bem equilibrado, e o baixo e a bateria têm muita presença. O problema é que tem muita coisa que soa datada e com imprecisões. O repertório é legal, tem canções intimistas, mas também algumas esquisitas. Enfim, é um disco bom, mas é o mais fraco de sua carreira. 

Melhores Faixas: Lily, The Red Shoes, Rubberband Girl, Top Of The City, Why Should I Love You? 
Piores Faixas: Eat The Music, Big Stripey Lie

Aerial – Kate Bush





















NOTA: 9,7/10


Se passaram então doze anos para Kate Bush voltar com seu 8º álbum, o Aerial. Após o The Red Shoes, a cantora acabou desaparecendo da grande mídia para poder focar em sua família e na criação de seu filho, Bertie. Com esse trabalho sendo muito mais interessado em observar a vida cotidiana, a natureza, a família, a passagem do tempo, a maternidade, a memória, a rotina e pequenas experiências pessoais passam a ocupar um espaço enorme. A produção seguiu uma sonoridade muito mais orgânica e espaçosa. Com o uso do piano sendo bem expressivo, a bateria ficou agora mais discreta, e o uso de guitarras serve mais como textura, já que sons de pássaros, ambientes naturais e diferentes texturas são incorporados à música de maneira tão natural. Fora que os vocais da Kate Bush estão mais intimistas. O repertório é incrível, e as canções são bem pessoais e cheias de profundidade. Enfim, é um belo disco e que merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Nocturn, Sunset, King Of The Mountain, Joanni, How To Be Invisible 
Vale a Pena Ouvir: An Architect's Dream, Bertie, Aerial

50 Words For Snow – Kate Bush





















NOTA: 8/10


Chegamos em 2011, quando a Kate Bush lançou o que é praticamente seu último álbum, o 50 Words for Snow. Após o Aerial, a cantora continuava a fazer aparições esporádicas e, nesse meio-tempo, começou a preparar um álbum ainda mais frio, lento e minimalista. Ela estava interessada em explorar o espaço entre os sons, deixando as músicas se desenvolverem de maneira extremamente gradual, já que o conceito gira em torno do inverno, da neve, do silêncio, da noite e das relações humanas que acontecem nesse cenário. A produção, feita pela própria Kate Bush, seguiu um som atmosférico, juntando tanto Art Pop quanto Ambient Pop. O piano é o grande centro do álbum. As notas possuem bastante reverberação e ficam cercadas por silêncio. O resto da instrumentação é econômico, e os vocais são mais tranquilos. O repertório é muito bom, contendo faixas longuíssimas, mas que são muito imersivas. Enfim, se caso for um disco de despedida, ele é muito decente. 

Melhores Faixas: Misty, Snowflake 
Vale a Pena Ouvir: Snowed In At Wheeler Street (participação do Elton John), Lake Tahoe


                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Fugazi: Parte 1

                  13 Songs – Fugazi NOTA: 9/10 No ano de 1989, foi lançada uma coletânea de uma banda chamada Fugazi, intitulada 13 Songs. I...