quarta-feira, 18 de março de 2026

Analisando Discografias - Elton John: Parte 1

                 

Empty Sky – Elton John





















NOTA: 8/10


Em 1969, foi lançado o álbum de estreia do Elton John, intitulado Empty Sky, que trazia uma abordagem incomum. O cantor, vindo de Pinner, Middlesex, na Inglaterra, começou sua trajetória em 1962, trabalhou como músico de estúdio e integrante de bandas menores, mas sem repercussão. Um momento decisivo ocorreu quando ele respondeu a um anúncio da gravadora Liberty Records, que procurava novos compositores. Foi nesse processo que ele conheceu o letrista Bernie Taupin, formando uma parceria duradoura; com isso, eles foram para a DJM Records. A produção, feita por Steve Brown, apresenta uma mistura interessante de estilos. Há forte presença do piano, instrumento central na identidade artística do Elton John, mas também aparecem arranjos que incorporam guitarras elétricas, elementos do Rock progressivo, Folk e até influências barrocas. O repertório é bem legal, e as canções são mais introspectivas. No fim, é um disco de estreia que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Skyline Pigeon, Western Ford Gateway 
Vale a Pena Ouvir: Sails, The Scaffold, Empty Sky

Elton John – Elton John





















NOTA: 8,4/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado o 2º álbum do Elton John, que levava seu nome. Após o Empty Sky, o cantor já vinha trabalhando intensamente como compositor para outros artistas e também como músico de estúdio. Seu talento para criar melodias sofisticadas ao piano era evidente, mas ainda faltava um projeto que apresentasse esse potencial de forma mais acessível ao público. Com isso, esse projeto foi pensado de forma muito mais cuidadosa, com foco na construção de um som que valorizasse o piano, as melodias e a expressividade vocal de Elton. A produção, feita por Gus Dudgeon, trouxe uma abordagem mais refinada e cinematográfica, apostando em arranjos orquestrais amplos e em uma sonoridade mais elegante, além de contar com uma seção rítmica sólida, tornando-se a base do que ficou conhecido como Piano Rock. O repertório é bem legal, e as canções são bem envolventes e melódicas. No fim, é um disco bacana e que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Your Song, Sixty Years On, Take Me To The Pilot, Border Song 
Vale a Pena Ouvir: The Cage, No Shoe Strings On Louise

Tumbleweed Connection – Elton John





















NOTA: 10/10


Se passaram, então, seis meses, e foi lançado um dos maiores clássicos de Elton John, Tumbleweed Connection. Após o álbum anterior, que havia finalmente apresentado o cantor ao grande público, especialmente graças ao impacto de Your Song, naquele momento Elton começava a se transformar em uma figura de destaque, mas ainda buscava consolidar uma identidade artística clara. Com isso, ele e Bernie Taupin decidiram fazer um álbum conceitual sobre a América histórica e rural, explorando temas como guerra, deslocamento, vida no interior e mudanças sociais. A produção, feita novamente por Gus Dudgeon, apresenta aqui uma abordagem sonora mais orgânica e voltada para influências de Folk, Country e música americana tradicional. Os arranjos privilegiam instrumentos acústicos, como violões, piano e elementos mais Roots. O repertório é sensacional e é praticamente uma coletânea. No fim, é um álbum incrível e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Ballad Of A Well-Known Gun, Son Of Your Father, Amoreena, Country Comfort, Love Song, Burn Down The Mission 
Vale a Pena Ouvir: Ballad Of A Well-Known Gun, Come Down In Time

Friends – Elton John





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançada a trilha sonora do filme francês Friends, composta por Elton John. Após o clássico Tumbleweed Connection, e com o enorme sucesso do cantor, surgiu a oportunidade de compor músicas para o filme, algo que ampliava o alcance de sua música para além do formato tradicional de álbum. O processo criativo manteve a dinâmica habitual da dupla: Bernie Taupin escrevia as letras, e Elton criava as melodias a partir delas. A produção foi mais climática, contando mais uma vez com o maestro Paul Buckmaster, responsável por criar paisagens orquestrais elegantes e cinematográficas. Essa abordagem se encaixava perfeitamente com o caráter de trilha sonora do projeto, pois permitia que as músicas transmitissem emoções e atmosferas adequadas às cenas do filme. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bem atmosféricas e imersivas. Em suma, é um disco legal e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Can I Put You On, Seasons 
Vale a Pena Ouvir: Friends, Honey Roll
                                                                 

                                                                                    É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 6

                 

American IV: The Man Comes Around – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


Então chegamos ao ano de 2002, quando Johnny Cash lança seu último álbum em vida, o American IV: The Man Comes Around. Após o Solitary Man, Cash já enfrentava sérios problemas de saúde. O cantor sofria com complicações relacionadas ao diabetes e a outras condições médicas que limitavam sua mobilidade e energia. Além disso, sua esposa, June Carter Cash, também não estava bem de saúde, mas continuava sendo uma fonte de estabilidade emocional e inspiração artística para o cantor. A produção seguiu uma abordagem minimalista, centrada principalmente em voz e violão; outras faixas incorporam piano, guitarras elétricas e discretas camadas de instrumentação adicional, que se encaixam perfeitamente com a voz envelhecida, mas cheia de vulnerabilidade e sensibilidade acumuladas ao longo dos anos. O repertório é praticamente uma coletânea e se encaixa com toda a temática proposta. No fim, é um álbum sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Hurt (Nine Inch Nails), The Man Comes Around, Personal Jesus (Depeche Mode), In My Life (Beatles), We'll Meet Again, I'm So Lonesome I Could Cry (dueto com Nick Cave, na música do Hank Williams), Desperado (Eagles contando com dueto do Don Henley), Give My Love To Rose, I Hung My Head (Sting) 
Vale a Pena Ouvir: Sam Hall, Danny Boy, Bridge Over Troubled Water (Paul Simon)

My Mother's Hymn Book – Johnny Cash





















NOTA: 9,2/10


Se passaram dois anos, e foi lançado o 1º álbum póstumo de Johnny Cash, o My Mother's Hymn Book. Após o The Man Comes Around, infelizmente, no fatídico ano de 2003, morre, em fevereiro, June Carter Cash, vítima de complicações cirúrgicas devido a uma válvula cardíaca com vazamento; e, em setembro, perdemos o lendário Homem de Preto por conta do diabetes. Com isso, Rick Rubin decidiu resgatar um material de dez anos antes, no qual Cash homenageia sua mãe, Carrie Cash, que era profundamente religiosa e costumava cantar hinos cristãos em casa enquanto cuidava da família. A produção teve aquela abordagem minimalista, em que o foco absoluto está na interpretação vocal do cantor, além da presença do violão, que deixa tudo mais emocionante e carregado de leveza. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem interpretadas e carregadas de emoção. No fim, é um ótimo disco, bastante consistente. 

Melhores Faixas: I Shall Not Be Moved, If We Never Meet Again This Side Of Heaven, When He Reached Down, Where The Soul Of Man Never Dies, Softly And Tenderly, When The Roll Is Called Up Yonder, I Am A Pilgrim 
Vale a Pena Ouvir: Let The Lower Lights Be Burning, Where We'll Never Grow Old, In The Sweet By And By, Just As I Am

American V: A Hundred Highways – Johnny Cash





















NOTA: 9,7/10


Indo para 2006, foi lançado American V: A Hundred Highways, de forma inesperada. Após o My Mother's Hymn Book, esse material foi gravado em um momento em que Johnny Cash também havia sido profundamente abalado, em 2003, com a morte de sua esposa. A perda da June Carter Cash teve um impacto devastador em sua vida, mas também intensificou seu desejo de continuar trabalhando artisticamente. Durante esse período, Rick Rubin organizou diversas sessões de gravação com Cash, registrando o maior número possível de performances enquanto sua saúde ainda permitia. A produção colocou arranjos simples e honestos que colocam a voz dele no centro da experiência musical. A voz de Cash nesse período era extremamente frágil, mas também profundamente expressiva. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem interpretadas e carregadas de introspecção. No geral, é um baita disco e mostrou ainda mais a grandeza de Cash. 

Melhores Faixas: God's Gonna Cut You Down, Further On Up The Road (Bruce Springsteen), On The Evening Train (Hank Williams), I Came To Believe, Rose Of My Heart, Help Me 
Vale a Pena Ouvir: Like The 309, Love's Been Good To Me, Four Strong Winds, If You Could Read My Mind

American VI: Ain't No Grave – Johnny Cash





















NOTA: 8,9/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado American VI: Ain't No Grave, que encerrou essa saga. Após A Hundred Highways, essa continuação foi gravada durante os últimos meses de vida do Johnny Cash. Esse período foi marcado por grandes dificuldades pessoais e físicas. Cash ainda lidava com o impacto emocional da morte de sua esposa, June Carter Cash, que havia falecido em maio daquele ano. Esse álbum é bem mais voltado para um lado que explora temas como mortalidade, fé, redenção e legado. A produção, feita como sempre por Rick Rubin, seguiu a abordagem minimalista que vinha sendo aplicada, ajudando a criar uma atmosfera quase cinematográfica em algumas músicas, reforçando o caráter reflexivo e espiritual do disco. A voz de Cash nesse período é particularmente frágil. Sua interpretação é lenta, marcada por pausas e respirações. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e profundas. No fim, é um ótimo álbum e bastante honroso. 

Melhores Faixas: Can't Help But Wonder Where I'm Bound, Redemption Day, Last Night I Had The Strangest Dream, Ain't No Grave, Redemption Day 
Vale a Pena Ouvir: For The Good Times, Cool Water

Out Among The Stars – Johnny Cash





















NOTA: 8,4/10


Em 2014, foi lançado outro material inédito do Johnny Cash, intitulado Out Among the Stars. Após o Ain't No Grave, esse material foi originalmente gravado no início da década de 1980, durante um período de transição e certa instabilidade na carreira do cantor. Entre 1981 e 1984, Cash gravou diversas sessões em Nashville com o produtor Billy Sherrill, conhecido por seu estilo de produção sofisticado dentro do Country; porém, o material foi barrado pela Columbia Records e ficou engavetado até ser descoberto pelo filho do Johnny Cash. A produção trouxe aquela abordagem tradicional do gênero daquele período, com arranjos mais elaborados, incluindo cordas, coros e uma instrumentação mais rica, com a voz do Johnny Cash apresentando grande potência e clareza, antes das transformações mais dramáticas que ocorreriam em sua fase final. O repertório é muito bom, e as canções têm um lado bem mais envolvente. Enfim, é um disco interessante e que foi bem reaproveitado. 

Melhores Faixas: I Drove Her Out Of My Mind, Rock And Roll Shoes, She Used To Love Me A Lot 
Vale a Pena Ouvir: I'm Movin' On, I Came To Believe, Out Among The Stars

Songwriter – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Em 2024, foi lançado o mais recente álbum póstumo do Johnny Cash, intitulado Songwriter. Após o Out Among the Stars, resgataram um material peculiar: ele é baseado em gravações feitas em 1993, um período extremamente importante e turbulento na carreira do cantor. Naquele momento, Cash se encontrava em uma fase de transição. Após décadas trabalhando com grandes gravadoras, ele estava temporariamente sem contrato e atravessava um período de incerteza profissional. Foi nesse contexto que ele decidiu gravar uma série de demos no estúdio LSI Studios, em Nashville. A produção foi bem orgânica, seguindo uma base na voz e violão de Cash, e, com isso, novos arranjos foram cuidadosamente adicionados décadas depois. Para isso, foram convidados músicos que tinham relação direta com a carreira de Cash, resultando em uma sonoridade mais próxima do Country da época. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco legal e coeso. 

Melhores Faixas: I Love You Tonite, Like A Soldier 
Vale a Pena Ouvir: Soldier Boy, Spotlight, Well Alright


terça-feira, 17 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 5

                 

Water From The Wells Of Home – Johnny Cash





















NOTA: 7,1/10


Indo para 1988, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado Water From The Wells Of Home. Após o Is Coming to Town, Cash decidiu fazer um álbum que inclui diversas colaborações com artistas importantes da Country music. Apresenta uma seleção de faixas que reforça muitos dos temas tradicionais de sua obra: espiritualidade, identidade rural, histórias de pessoas comuns e reflexões sobre o tempo e a vida. Produção feita por Jack Clement, o disco segue a estética predominante do Country Pop do final dos anos 80, apresentando arranjos mais elaborados e uma instrumentação mais ampla, com maior presença de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, que se encaixam bem tanto com as linhas vocais de Cash quanto com as dos convidados. O repertório é bem interessante, trazendo canções bem interpretadas e outras em que as participações deixam a desejar. Enfim, é um álbum interessante, apesar de soar como mais do mesmo. 

Melhores Faixas: New Moon Over Jamaica (Paul McCartney mandou bem), That Old Wheel (Hank Williams Jr. bem demais), Ballad Of A Teenage Queen (Rosanne Cash arrebentando)
Piores Faixas: Call Me The Breeze (filho do Johnny Cash bem apagado), A Croft In Clachan (The Ballad Of Rob MacDunn) (Glen Campbell não agregou em nada)

Boom Chicka Boom – Johnny Cash





















NOTA: 8,1/10


Entrando nos anos 90, Johnny Cash decide revisitar suas raízes com o álbum Boom Chicka Boom. Após o Water From The Wells Of Home, ele continuava extremamente ativo musicalmente. Durante esse período, também participava do supergrupo The Highwaymen. O sucesso desse projeto demonstrava que o prestígio de Cash dentro da Country music permanecia enorme, mesmo que sua carreira solo estivesse passando por um momento comercial mais modesto. A produção foi feita por Bob Moore, que opta por uma abordagem deliberadamente enxuta e orgânica, apostando em arranjos mais crus, com foco no ritmo, na voz grave e narrativa de Cash e na instrumentação tradicional, dialogando tanto com o Country quanto com um pouco de Rockabilly. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um disco legal e bem consistente. 

Melhores Faixas: Monteagle Mountain, Harley, Hidden Shame 
Vale a Pena Ouvir: Don't Go Near The Water, Cat's In The Cradle

The Mystery Of Life – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano e foi lançado outro disco de Johnny Cash, o The Mystery Of Life. Após o Boom Chicka Boom, Cash já era amplamente reconhecido como uma das figuras mais importantes da história da música americana, só que o cenário da Country music havia mudado drasticamente, com novos artistas dominando o mercado e com uma estética sonora mais moderna, voltada para o público jovem, e o cantor também estava perto de não renovar com a Mercury Records. A produção, conduzida por Jack Clement, seguia aquela abordagem temática do cantor, com presença de teclados, guitarras adicionais e vocais de apoio. Além, claro, de trazer o estilo clássico do Tennessee Two, juntando assim o Country com um pouco de Rock. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado mais melódico e até mais envolvente. No geral, é um disco legal antes de um momento decisivo. 

Melhores Faixas: The Mystery Of Life, The Hobo Song 
Vale a Pena Ouvir: Hey Porter, Angel And The Badman, The Greatest Cowboy Of Them All

American Recordings – Johnny Cash





















NOTA: 9,5/10


Em 1994, foi lançado o 1º álbum da série American Recordings do Johnny Cash. Após o The Mystery Of Life, Cash se encontrava sem um contrato significativo e enfrentava uma fase em que muitos na indústria o consideravam um artista do passado. Até que surge Rick Rubin, que havia fundado a gravadora de mesmo nome e demonstrava grande admiração pela obra de Cash. A ideia do Rubin era radicalmente simples: remover praticamente todos os elementos de produção moderna e apresentar Cash apenas com sua voz e um violão. Com isso, a produção é extremamente minimalista. Essa abordagem cria uma atmosfera intensa, colocando toda a atenção na interpretação vocal e nas letras das músicas, dialogando não só com o Country tradicional, mas também com o Folk e a Americana. O repertório é belíssimo, e as canções têm interpretações bem intimistas. No final de tudo, é um baita disco, marcando o retorno de um gigante. 

Melhores Faixas: Thirteen, Bird On A Wire (Leonard Cohen), Tennessee Stud, The Beast In Me, Down There By The Train (Tom Waits), Why Me Lord 
Vale a Pena Ouvir: Redemption, The Man Who Couldn't Cry, Delia's Gone, Like A Soldier

Unchained – Johnny Cash





















NOTA: 9,6/10


Dois anos se passaram e foi lançado American Recordings II: Unchained, que se mostrou mais amplo. Após o 1º álbum dessa fase, que apresentava Johnny Cash quase sozinho com seu violão, o projeto seguinte buscava expandir essa ideia, trazendo novamente uma banda completa para acompanhá-lo. Para isso, Rick Rubin convidou os integrantes da banda Tom Petty and the Heartbreakers para tocar com Cash no álbum. Essa decisão foi bem significativa, pois aproximava ainda mais o cantor de um público ligado ao Rock contemporâneo. A produção segue uma abordagem mais dinâmica, e a escolha dessa banda foi extremamente eficaz, pois os Heartbreakers possuíam grande sensibilidade musical e sabiam como apoiar a voz de Cash sem dominá-la; com isso, vemos muito mais influências da Americana e do Country Rock. O repertório é incrível, e a forma como as canções são interpretadas transmite um lado mais envolvente. No fim, é um baita disco e representa uma evolução. 

Melhores Faixas: Rusty Cage (Soundgarden), I've Been Everywhere, Rowboat (Beck), Country Boy, Southern Accents (Tom Petty), Sea Of Heartbreak, Unchained, Memories Are Made Of This 
Vale a Pena Ouvir: Spiritual, Mean Eyed Cat, Meet Me In Heaven

American III: Solitary Man – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


Quatro anos se passaram e, já nos anos 2000, foi lançado American III: Solitary Man. Após o Unchained, Johnny Cash e Rick Rubin decidiram retornar a uma abordagem mais minimalista, centrada novamente na voz do cantor e em arranjos bastante contidos. No final dos anos 90, Cash enfrentava problemas de saúde cada vez mais sérios. Ele havia sido diagnosticado com uma doença neurológica rara chamada síndrome de Shy-Drager (posteriormente revisada para neuropatia autonômica associada ao diabetes), o que reduziu o número de suas turnês. A produção é bem mais intimista: Cash canta acompanhado apenas de violão ou de arranjos muito discretos de guitarra, piano ou órgão; com isso, as texturas dialogam com a voz envelhecida do cantor, aproximando-se do Country Folk. O repertório é maravilhoso e chega a parecer uma coletânea, de tão brilhantemente interpretado. No fim, é um disco sensacional, uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Solitary Man (Tom Petty), The Mercy Seat (Nick Cave And The Bad Seeds), Wayfaring Stranger, I See A Darkness (Will Oldham), I'm Leavin' Now (participação do Merle Haggard), One (U2), Field Of Diamonds, I Won't Back Down 
Vale a Pena Ouvir: Would You Lay With Me (In A Field Of Stone), Nobody, Before My Time


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!       

segunda-feira, 16 de março de 2026

Analisando Discografias - Chococorn And The Sugarcanes

                  

Siamês – Chococorn And The Sugarcanes





















NOTA: 9/10


Em 2024, foi lançado o álbum de estreia do Chococorn And The Sugarcanes intitulado Siamês. Formado em 2021, na cidade de Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, por Alexandre Luz (bateria), Pipe Bacchin (vocais e guitarra), Pedro Guerreiro (guitarra) e Pietro Sartori (baixo), todos amigos de infância que começaram a tocar juntos no início da década de 2020. Eles traziam uma abordagem aliada a letras confessionais e bastante ligadas à vivência juvenil, o que ajudou a banda ganhar uma identidade de “Emo caipira”. A produção, feita por Renato Cortez e Tiago Camargo, é bastante crua e direta, seguindo as influências do Midwest Emo, Indie Rock e Slacker Rock, indo desde momentos mais rápidos até passagens mais expansivas e atmosféricas; é como se eles fossem um filho do Hateen com Mineral. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e trazem um lado reflexivo. No fim, é um baita disco de estreia e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Dom Bosco S.A, Caminhão de Mudança, Fiat Marea 2004, Carro de Lata, Kaworu 
Vale a Pena Ouvir: Ato II: a espetacular fuga de onde você sempre esteve, Derby Solto, Boa Noite, Tunico

Todos os Cães Merecem o Céu – Chococorn And The Sugarcanes





















NOTA: 9/10


Então chegamos a 2026, quando eles retornaram lançando seu 2º álbum, o Todos os Cães Merecem o Céu. Após o Siamês, a banda passou a circular mais intensamente pelo país, ampliando sua base de fãs. Esse crescimento ajudou a criar expectativa em torno do próximo trabalho, no qual eles iriam ampliar o escopo temático, meio que relatando um universo coletivo mais amplo: retratos urbanos e reflexões sobre amizade, ambição e sobrevivência emocional. A produção foi feita pelo guitarrista Pedro Guerreiro, Gabriel Zander e Alexandre Capilé (aquele mesmo do Sugar Kane), e aqui eles foram para uma abordagem mais ampla, em que alternam trechos mais suaves e introspectivos com explosões de intensidade instrumental, com as guitarras tendo maior destaque, indo mais na linha do Indie Rock com um pouquinho de Midwest Emo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. Em suma, é um belo álbum e mostrou uma temática revigorada. 

Melhores Faixas: A Vida de Messi, Seja Gentil, Palavra de Amigo, Entre Algumas Vias e Outras Vias Ainda Maiores, Fogo na Chácara Klabin, Água até o teto 
Vale a Pena Ouvir: Esperança, Ambição, 30 Dias de Carnaval, Língua dos Cachorros
  

                                                                             É isso, um abraço e flw!!!                    

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 4

                    

Gone Girl – Johnny Cash





















NOTA: 6/10


Indo para 1978, foi lançado mais um álbum de Johnny Cash intitulado Gone Girl. Após o I Would Like to See You Again, ele decidiu fazer um disco que equilibrasse tradição e acessibilidade comercial, com canções de storytelling. Outro elemento importante foi a forte presença do compositor Larry Gatlin. Cash decidiu gravar várias composições de Gatlin, que na época era um nome bastante relevante na cena Country. A produção, feita por Larry Butler, trouxe aquele seu estilo mais refinado e radiofônico, incorporando arranjos sofisticados, coros e uma instrumentação mais polida. Os arranjos são cuidadosamente estruturados, com uso de cordas, piano e backing vocals que ampliam o alcance emocional das músicas, além daqueles vocais mais graves de Cash. Só que, novamente, acontece muita repetição. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquinhas. No fim, é um álbum mediano, ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: I Will Rock And Roll With You, Gone Girl, Cajun Born 
Piores Faixas: The Gambler, It Comes And Goes, You And Me

Silver – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Chegando nessa movimentada década de 70 para Johnny Cash, foi lançado Silver. Após o mediano Gone Girl, o cenário da Country music havia mudado bastante. Novos artistas dominavam as paradas, e o estilo musical de Nashville estava cada vez mais sofisticado e voltado para o mercado mainstream. Nesse contexto, Cash já não ocupava o mesmo espaço comercial de antes e decidiu fazer um álbum comemorativo de seus 25 anos de carreira. A produção, conduzida por Brian Ahern, trouxe uma variedade maior de arranjos e participações especiais, criando uma sonoridade mais diversificada. Apesar dessas mudanças, a base instrumental tradicional ainda está presente. Ainda assim, a voz profunda e característica de Cash continua sendo o elemento central da experiência musical. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e têm aquela temática que o caracterizou. Enfim, é um disco bacana que mostrava o tamanho de sua grandeza musical. 

Melhores Faixas: Bull Rider, Muddy Waters 
Vale a Pena Ouvir: Lonesome To The Bone, Cocaine Blues, (Ghost) Riders In The Sky

Rockabilly Blues – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, Johnny Cash decide relembrar suas raízes com Rockabilly Blues. Após o Silver, o mercado da Country music estava mudando rapidamente, com a ascensão de novas estrelas e uma sonoridade cada vez mais voltada para produções sofisticadas e radiofônicas, algo que refletia muito aquele período em que a indústria, no geral, exigia que todo mundo tocasse na rádio. Ao mesmo tempo, Cash continuava fiel a um estilo mais tradicional e narrativo. A produção foi feita por Earl Poole Ball, Jack Clement e Nick Lowe e reflete claramente a intenção de recriar o espírito energético e cru do Rockabilly clássico, só que juntando as influências do Country tradicional. Cash continua sendo acompanhado por músicos associados ao seu grupo tradicional, o Tennessee Three. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um ótimo disco e que é bastante ignorado injustamente. 

Melhores Faixas: Rockabilly Blues (Texas 1955), It Ain't Nothing New Babe 
Vale a Pena Ouvir: The Twentieth Century Is Almost Over, One Way Rider, Cold Lonesome Morning

The Baron – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco do Johnny Cash, o The Baron. Após o Rockabilly Blues, o chamado Urban Cowboy e a estética mais polida de Nashville dominavam o rádio, enquanto artistas mais jovens ganhavam destaque nas paradas. Ao mesmo tempo, a indústria fonográfica começava a priorizar novos nomes, o que reduziu o espaço de artistas veteranos como Cash dentro do mercado mainstream, só que o cantor continuava tentando permanecer no topo. A produção, conduzida por Billy Sherrill, apresenta alguns elementos mais modernos em comparação com os trabalhos clássicos de Cash. Há maior presença de arranjos de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, refletindo a estética do Country Pop daquele período. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e coesas. Enfim, é outro disco bacana e que também foi ignorado. 

Melhores Faixas: Hey, Hey Train, Mobile Bay 
Vale a Pena Ouvir: The Baron, The Blues Keep Getting Bluer

The Adventures Of Johnny Cash – Johnny Cash





















NOTA: 8,1/10


Se passou mais um ano e foi lançado mais um disco intitulado The Adventures of Johnny Cash. Após o The Baron, o cantor continuava encontrando mais dificuldade em competir dentro do contexto comercial de seu meio. Apesar disso, ele continuava extremamente produtivo e, com esse novo trabalho, quis reafirmar muitos dos elementos tradicionais de sua música. A produção foi feita por Jack Clement, que incorporou elementos típicos da Country music da época. Há maior presença de instrumentos adicionais, como piano, guitarras elétricas mais elaboradas e vocais de apoio. Esses arranjos criam uma sonoridade mais cheia, embora o álbum ainda preserve bastante espaço para sua voz grave e expressiva; com isso, há uma junção de Outlaw Country, Western e Gospel, entre outros estilos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas e contagiantes. Enfim, é um projeto bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: I'll Cross Over Jordan Someday, We Must Believe In Magic 
Vale a Pena Ouvir: Paradise, Sing A Song, Only Love

Johnny 99 – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Outro ano se passa, e foi lançado o álbum intitulado Johnny 99, que foi bem mais crítico. Após o The Adventures of Johnny Cash, ele queria fazer um disco que se destacasse por trazer interpretações de composições contemporâneas, incluindo músicas de artistas associados à nova geração de compositores americanos, e também que carregasse um contexto social e político mais crítico. A produção, feita por Brian Ahern, manteve a essência narrativa típica de Cash, mas complementou isso com uma banda altamente profissional de músicos de estúdio, que ajudaram a criar um som que mistura Country tradicional, Folk e elementos de Rockabilly, resultando em arranjos limpos, atmosféricos e muitas vezes melancólicos. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem diversificadas, indo de profundas a envolventes. No geral, é um disco bacana e que é bem mais direto. 

Melhores Faixas: Joshua Gone Barbados, Ballad Of The Ark 
Vale a Pena Ouvir: New Cut Road, Highway Patrolman, Brand New Dance

Rainbow – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Então se passam dois anos e foi lançado um novo trabalho do Johnny Cash, o Rainbow. Após o Johnny 99, Cash enfrentava dificuldades dentro da gravadora Columbia, que já não priorizava seus lançamentos da mesma forma que antes, e o artista precisava encontrar maneiras de continuar relevante em um mercado dominado por novos nomes. O que ajudou a levantar sua moral foi o projeto Highwaymen, com Waylon Jennings, Willie Nelson e Kris Kristofferson. A produção, feita por Chips Moman, seguiu uma linha bastante limpa e tradicional, evitando exageros sonoros que estavam presentes em parte do Country comercial da época, apesar de seguir influências mais Pop. A instrumentação utiliza guitarras elétricas e acústicas, piano, mandolim e uma seção rítmica discreta, além de uma seção de metais precisa. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um trabalho interessante e que manteve sua abordagem característica. 

Melhores Faixas: Love Me Like You Used To, Here Comes That Rainbow Again 
Vale a Pena Ouvir: Casey's Last Ride, They're All The Sam, Have You Ever Seen The Rain?

Johnny Cash Is Coming To Town – Johnny Cash





















NOTA: 8,4/10


Então se passa mais um ano, e o cantor retorna lançando o disco Johnny Cash Is Coming to Town. Após o Rainbow, ele já não era tratado como prioridade pelas grandes gravadoras e vinha enfrentando dificuldades para alcançar sucesso comercial com seus lançamentos. Essa situação culminou com o fim de sua longa relação com a Columbia Records, e ele logo assinou contrato com a Mercury Records, um movimento que representava uma tentativa de revitalizar sua carreira. A produção, feita por Jack Clement, trouxe um som mais polido e estruturado para o mercado radiofônico da época, incorporando diversos elementos típicos do Country Pop da década de 80, como sintetizadores discretos, guitarras mais polidas, arranjos de teclado e vocais de apoio mais elaborados, mas claro, com o vocal de Cash sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco interessante e tem sua consistência. 

Melhores Faixas: Sixteen Tons, The Night Hank Williams Came To Town, W. Lee O'Daniel (And The Light Crust Dough Boys) 
Vale a Pena Ouvir: The Ballad Of Barbara, The Big Light


Analisando Discografias - Elton John: Parte 1

                  Empty Sky – Elton John NOTA: 8/10 Em 1969, foi lançado o álbum de estreia do Elton John, intitulado Empty Sky, que trazia ...