sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Wayne Shorter: Parte 1

                 

Introducing Wayne Shorter – Wayne Shorter





















NOTA: 8/10


Agora, indo lá para o ano de 1960, foi lançado o álbum de estreia do Wayne Shorter, o Introducing Wayne Shorter. Sua trajetória começou dois anos antes, após estudar música na Universidade de Nova York e servir no exército. Ele rapidamente ganhou notoriedade como saxofonista pela combinação entre domínio técnico, imaginação melódica e forte personalidade composicional. Entrando no grupo Jazz Messengers, banda de Art Blakey que funcionava como uma verdadeira escola para jovens talentos do Jazz, ganhando assim a chance de gravar seu álbum pela pequena gravadora Vee-Jay. Produção feita por Sid McCoy, o disco apresenta uma sonoridade típica da época, com gravação relativamente direta, priorizando a interação entre os músicos e a espontaneidade das performances, resultando em um Hard Bop bem tematizado. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem melódicas e suaves. No fim, é um ótimo disco de estreia e muito coeso. 

Melhores Faixas: Down In The Depths, Pug Nose 
Vale a Pena Ouvir: Black Diamond

Wayning Moments – Wayne Shorter





















NOTA: 8/10


Dois anos depois, foi lançado o 2º disco do Wayne Shorter, intitulado Wayning Moments. Após o Introducing, Shorter já era uma figura central nos Jazz Messengers de Art Blakey, grupo que funcionava como um laboratório musical para jovens compositores e improvisadores. A convivência com Blakey foi fundamental para o desenvolvimento da escrita musical de Shorter, incentivando-o a criar composições com estruturas mais narrativas e maior liberdade harmônica. Com produção feita novamente por Sid McCoy e com uma formação diferente, contando com a presença do energético trompetista Freddie Hubbard, a sonoridade foi direta, orgânica e focada na interação coletiva. Entretanto, já se percebe uma preocupação maior com a construção de climas e com a distribuição dos arranjos entre os instrumentos, mostrando a maturidade do saxofonista. O repertório é muito legal, e as canções ficaram todas bem intimistas. Enfim, é um disco bacana que mostrou uma evolução. 

Melhores Faixas: Devil's Island, Callaway Went That-A-Way 
Vale a Pena Ouvir: Wayning Moments, Black Orpheus

Night Dreamer – Wayne Shorter





















NOTA: 9,8/10


Mais dois anos se passam, e foi lançado mais um disco de Wayne Shorter, o sensacional Night Dreamer. Após o Wayning Moments, o saxofonista acabou assinando com a Blue Note, selo que lhe daria liberdade criativa para desenvolver algumas das obras mais influentes do Jazz da década de 60. Além disso, Shorter estava bem próximo de ingressar no segundo grande quinteto de Miles Davis, formação que redefiniria os rumos do gênero nos anos seguintes. Produção conduzida pela lenda Alfred Lion, que priorizou clareza sonora e valorização da interação entre os músicos, o trabalho de gravação destaca o equilíbrio entre arranjos estruturados e improvisação espontânea, permitindo que as composições de Shorter sejam exploradas com profundidade, mostrando-o abandonando o Hard Bop e seguindo um caminho do Post-Bop, indo assim para estruturas mais abstratas. O repertório é incrível, e as canções são bem técnicas. No fim, é um belíssimo disco que é um clássico. 

Melhores Faixas: Virgo, Black Nile 
Vale a Pena Ouvir: Night Dreamer, Oriental Folk Song

Juju – Wayne Shorter





















NOTA: 10/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado o atemporal Juju, o 4º álbum do Wayne Shorter. Após o Night Dreamer, Shorter ingressou no segundo quinteto de Miles Davis, um dos grupos mais revolucionários da história do Jazz, o que coloca esse projeto dentro de um período de intensa transformação artística na carreira do saxofonista. Se ele estava expandindo sua estética além do Hard Bop, aqui ele aprofunda esse caminho e apresenta uma linguagem ainda mais modal, atmosférica e estruturalmente aberta. Produção feita por Alfred Lion, mantém excelente equilíbrio sonoro, permitindo que cada instrumento tenha presença clara sem comprometer a coesão do grupo, composto por McCoy Tyner no piano, Reggie Workman no contrabaixo e Elvin Jones na bateria, que formam uma base rítmica extremamente poderosa e marcada por um forte senso do Modal Jazz. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um trabalho maravilhoso e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Juju, Mahjong 
Vale a Pena Ouvir: Deluge

Speak No Evil – Wayne Shorter





















NOTA: 10/10


Mais um ano se passou, e foi lançado outro álbum clássico, o estrondoso Speak No Evil. Após o excepcional Juju, ele já era membro do lendário segundo quinteto do Miles Davis e vinha desenvolvendo uma linguagem composicional cada vez mais sofisticada e ambígua, decidindo fazer um álbum que apresenta composições que funcionam quase como contos musicais, com temas evocativos, desenvolvimento dramático e forte ênfase na interação coletiva. Com produção feita novamente por Alfred Lion, a gravação é clara e equilibrada, valorizando a profundidade dos arranjos e a interação dinâmica entre os músicos, sendo eles Freddie Hubbard no trompete, Herbie Hancock no piano, Ron Carter no contrabaixo e Elvin Jones na bateria. O álbum apresenta arranjos relativamente enxutos, mas extremamente sofisticados, seguindo a estética do post-bop. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Speak No Evil, Witch Hunt 
Vale a Pena Ouvir: Infant Eyes

The All Seeing Eye – Wayne Shorter





















NOTA: 9,2/10


Meses depois, foi lançado outro disco de Wayne Shorter, intitulado The All Seeing Eye. Após o Speak No Evil, o saxofonista decidiu mergulhar em uma proposta quase filosófica e espiritual. O álbum foi concebido como uma espécie de suíte conceitual que reflete ideias sobre criação, existência e consciência. Shorter passa a tratar a música como narrativa abstrata e simbólica, utilizando composições interligadas que funcionam como capítulos de uma mesma obra. A produção foi praticamente a mesma, mas, neste caso, com maior ênfase na espacialidade sonora e na interação entre timbres, já que a formação apresenta mais músicos de sopro, permitindo arranjos densos e altamente texturizados, reforçando o caráter quase orquestral do álbum, fazendo assim um trabalho mais orientado para o Jazz vanguardista, que tinha ganhado visibilidade com John Coltrane. O repertório é ótimo, contendo 5 faixas bem variadas. No fim, é um disco bacana e mais complexo. 

Melhores Faixas: The All Seeing Eye, Face Of The Deep 
Vale a Pena Ouvir: Mephistopheles, Chaos, Genesis

Adam's Apple – Wayne Shorter





















NOTA: 9,9/10


Pulando para o ano de 1967, foi lançado mais um álbum do saxofonista, o Adam's Apple. Após o The All Seeing Eye, Wayne Shorter estava profundamente envolvido com o segundo quinteto de Miles Davis, grupo que, naquele momento, já caminhava para a dissolução das estruturas tradicionais do Jazz. Com isso, esse trabalho é bem mais um equilíbrio entre sofisticação composicional e clareza estrutural. A produção foi aquela de sempre, priorizando clareza instrumental e equilíbrio entre os músicos dessa formação, que é praticamente a base da formação com Miles, só que com nomes já conhecidos. Diferente da densidade orquestral do álbum anterior, aqui os arranjos são mais enxutos, permitindo que as composições se desenvolvam com maior fluidez e espontaneidade, retomando a temática do Post-Bop. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas e relaxantes. No geral, é um disco sensacional e que foi bem retrospectivo. 

Melhores Faixas: Footprints, Adam's Apple 
Vale a Pena Ouvir: 502 Blues (Drinkin' And Drivin')

Schizophrenia – Wayne Shorter





















NOTA: 8,7/10


Então, chegando ao fim dos anos 60, foi lançado mais um trabalho do Wayne Shorter, o Schizophrenia. Após o Adam’s Apple, esse novo projeto funciona como uma espécie de síntese e transição dentro de sua trajetória artística. O disco surge em um momento crucial: Shorter ainda era integrante do segundo quinteto de Miles Davis, que já caminhava para a fusão elétrica que redefiniria o jazz no final da década. Assim, esse álbum é meio que um reencontro dos elementos do Post-Bop com o Hard Bop, mas reinterpretados através de uma linguagem composicional madura. Com produção feita desta vez por Francis Wolff, o disco apresenta arranjos cuidadosamente estruturados, mas que ainda deixam amplo espaço para improvisação e desenvolvimento espontâneo. Há forte ênfase na interação entre os músicos, refletindo a filosofia musical que Shorter vinha desenvolvendo ao longo da década. O repertório é muito bom, e as canções são mais suaves. Enfim, é um disco legal e consistente. 

Melhores Faixas: Tom Thumb, Miyako 
Vale a Pena Ouvir: Schizophrenia

Super Nova – Wayne Shorter





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 70, foi lançado um novo disco, o Super Nova, que trazia novidades. Após o Schizophrenia, Wayne Shorter presenciava o surgimento do Jazz Fusion, marcado pela expansão das estruturas modais e pela crescente liberdade rítmica e harmônica. Paralelamente, Miles Davis começava a mergulhar na eletrificação que culminaria em In a Silent Way e Bitches Brew, e Shorter absorvia essa nova mentalidade estética. Produção conduzida por Duke Pearson, valoriza a experimentação tímbrica e a interação coletiva, permitindo que a música respire e se desenvolva de forma orgânica, muitas vezes priorizando atmosferas sobre estruturas rígidas. Com uma formação que contava com nomes como John McLaughlin, Chick Corea, Miroslav Vitouš, entre outros que elevaram o gênero e mostraram uma sonoridade multifacetada. O repertório é muito bom, e as canções passam um lado mais técnico. Mas, enfim, é um disco bacana e que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Didi, Capricorn 
Vale a Pena Ouvir: Swee-Pea

Odyssey Of Iska – Wayne Shorter





















NOTA: 9,6/10


No ano seguinte, foi lançado outro trabalho fenomenal de Wayne Shorter, o Odyssey of Iska. Após o Super Nova, esse novo álbum surge em um momento de intensa transformação no Jazz, quando a fusão com elementos elétricos, texturais e estruturas mais livres começava a dominar o cenário musical. Shorter estava profundamente envolvido nesse processo, já consolidado como um dos principais arquitetos dessa revolução estética. Produção feita mais uma vez por Duke Pearson, o disco é extremamente voltado para ambiência, textura e liberdade estrutural. A presença de múltiplos baixistas e bateristas reforça a ideia de uma música baseada em camadas rítmicas e timbres sobrepostos. Shorter utiliza o saxofone soprano e tenor de maneira extremamente expressiva, integrando-se ao tecido sonoro. O repertório é incrível, contendo 5 faixas que são bem atmosféricas e imersivas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Storm, De Pois Do Amor, O Vazio (After Love, Emptiness) 
Vale a Pena Ouvir: Calm, Wind, Joy

                                                                       Então é isso, um abraço e flw!!!         

Analisando Discografias - Jaco Pastorius: Parte 2

                  

Word Of Mouth – Jaco Pastorius





















NOTA: 8,6/10


Cinco anos se passaram, e foi lançado seu 2º e último trabalho solo em vida, o Word of Mouth. Após o álbum de 1976, ele tinha focado seu tempo no Weather Report e, naquele período, já estava próximo de sair da banda, já que queria ser um artista solo, muito porque havia assinado um contrato no final dos anos 70 com a Warner Bros. Com isso, buscou fazer um projeto que extrapolasse o formato de banda tradicional e refletisse suas ambições como compositor e arranjador orquestral. Com produção feita por ele próprio, o trabalho foi focado na textura e na orquestração. Ele utiliza uma mistura de Big Band jazzística, seções de sopros densas, percussão afro-caribenha elaborada e momentos de música de câmara. O baixo fretless continua sendo a voz principal, mas muitas vezes atua como elo condutor entre as camadas instrumentais. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas e técnicas. No fim, é um ótimo disco que mostra sua versatilidade. 

Melhores Faixas: Liberty City, Word Of Mouth 
Vale a Pena Ouvir: Crisis, John And Mary

The Word Is Out! – Jaco Pastorius Big Band





















NOTA: 7,7/10


Foi apenas em 2006 que foi lançado um material novo do Jaco Pastorius, o The Word Is Out!. Após o Word of Mouth, em 1987 ele chegou a invadir um show do Santana, onde foi retirado do local e, depois disso, se dirigiu ao Midnight Bottle Club, só que estava alcoolizado, tendo seu acesso negado e, após quebrar uma porta de vidro, entrou em uma briga com o segurança Luc Havan, onde levou a pior e acabou falecendo devido a um traumatismo craniano. Com isso, anos depois, esse trabalho foi idealizado por Peter Graves, que reuniu músicos conhecidos para formar esse projeto. Com produção feita pelo próprio Graves, o disco prioriza a fidelidade aos arranjos originais de Jaco, mas também abre espaço para interpretações contemporâneas. A gravação apresenta uma Big Band expandida, com seções robustas de metais, base rítmica completa e forte presença percussiva. O repertório é legal, com canções boas e outras fracas. No fim, é um disco, de certo modo, respeitoso. 

Melhores Faixas: Beaver Patrol, Cannonball, Dania, River People 
Piores Faixas: Kuru / Speak Like A Child, Blackbird / Word Of Mouth, Good Morning Anya
  

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Jaco Pastorius: Parte 1

                    

Jaco Pastorius – Jaco Pastorius





















NOTA: 10/10



Voltando para 1976, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do baixista Jaco Pastorius. O músico, vindo de Norristown, na Pensilvânia, começou sua trajetória por volta da metade dos anos 60, quando se tornou um aficionado por Jazz, até que, nos anos 70, chegou a lecionar na Universidade de Miami, onde conheceu o guitarrista Pat Metheny, que fazia parte do corpo docente da instituição, e com isso foi apresentado a toda aquela cena do Jazz Fusion e, por ser extremamente talentoso, assinou com a Epic Records. Produzido por Bobby Colomby, o disco foca no baixo fretless, mantendo um equilíbrio entre clareza técnica e impacto emocional. Jaco grava múltiplas camadas de baixo, usa harmônicos como se fossem vozes humanas e trata o instrumento tanto de forma percussiva quanto melódica, além de contar com várias participações de outros músicos. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas magníficas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Come On, Come Over, Kuru / Speak Like A Child, Portrait Of Tracy, Okonkolé Y Trompa 
Vale a Pena Ouvir: Donna Lee, (Used To Be A) Cha-Cha
 

                                                                        Por hoje é isso, então flw!!!       

Analisando Discografias - Miroslav Vitous: Parte 2

                  

Infinite Search – Miroslav Vitous





















NOTA: 9,4/10


Alguns meses depois, foi lançado o 2º disco solo do Miroslav Vitous, o Infinite Search. Após o Purple, ele já circulava entre músicos que estavam redefinindo os limites do Jazz: Herbie Hancock, Joe Henderson, Jack DeJohnette e John McLaughlin. Esse álbum nasce antes de o Weather Report existir, mas já carrega muitas das inquietações que levariam à fusão: a dissolução da hierarquia tradicional do grupo, o baixo como centro discursivo, a improvisação coletiva e a convivência entre o acústico e o elétrico. Produzido por Herbie Mann, o disco é direto, quase documental, privilegiando a interação do grupo e o caráter espontâneo das performances. A presença do piano elétrico do Herbie Hancock, da guitarra elétrica do John McLaughlin e da bateria expansiva do Jack DeJohnette cria um campo sonoro típico do período de transição entre o Post-Bop e o Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bastante intimistas. No fim, é um belo disco e muito fluido. 

Melhores Faixas: Freedom Jazz Dance, Infinite Search 
Vale a Pena Ouvir: I Will Tell Him On You

Magical Shepherd – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


Em 1976, ele retorna à sua carreira solo lançando o disco Magical Shepherd, que é mais amplo. Após o Infinite Search, Miroslav Vitouš havia saído do Weather Report alguns anos antes, em um processo marcado por divergências estéticas profundas: de um lado, a busca cada vez maior por estruturas rítmicas fixas, grooves e apelo popular; de outro, a visão do Vitouš de uma música mais orgânica e aberta, ligada à improvisação livre, à música de câmara e à herança europeia, decidindo seguir esse direcionamento em seu novo projeto. Produzido pelo próprio baixista, o álbum é extremamente cuidadoso com o espaço sonoro. Privilegia clareza, ressonância e silêncio, permitindo que cada instrumento respire. Seu contrabaixo aparece ora como fundamento harmônico, ora como voz melódica, ora como textura quase abstrata, além de unir Jazz Fusion com Funk. O repertório é muito bom, com canções variadas. No fim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: New York City, From Far Away 
Vale a Pena Ouvir: Basic Laws

Majesty Music – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Meses depois, foi lançado mais um trabalho de Miroslav Vitouš, o Majesty Music. Após o Magical Shepherd, Vitouš já estava completamente afastado do circuito do Jazz Fusion. A ruptura com o Weather Report não foi apenas profissional, mas conceitual: Vitouš rejeitava a padronização rítmica, a previsibilidade formal e o protagonismo do groove. Com esse disco, ele leva essa rejeição ao limite, criando um trabalho que se aproxima mais da improvisação livre, da música de câmara contemporânea e do Jazz espiritual. Produzido por ele próprio, o álbum é deliberadamente esparso. O foco está na ressonância natural dos instrumentos, com a maioria tocada por ele e com algumas participações, na dinâmica interna das improvisações e na criação de espaços amplos. Nada soa comprimido ou excessivamente tratado. O repertório é muito bom, e as canções são mais cadenciadas e expressivas. No geral, é um ótimo disco e serve como uma boa continuação. 

Melhores Faixas: New Orelans, Folks 
Vale a Pena Ouvir: Streams And Fields, See You, November, Majesty Music

Miroslav – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,2/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Miroslav Vitouš, intitulado apenas Miroslav. Após o Majesty Music, Vitouš buscava reconectar sua identidade lírica e europeia a uma estrutura musical mais comunicável, sem cair em fórmulas comerciais. Não se trata de um retorno ao Jazz Fusion nem à agressividade dos primeiros trabalhos, mas de um ponto intermediário, no qual composição, improvisação e atmosfera convivem de modo mais equilibrado. Produzido por Michael Cuscuna, o álbum é mais definido e menos etéreo do que os dois discos anteriores. O som continua espaçoso, mas há maior clareza estrutural. As composições têm início, desenvolvimento e encerramento mais perceptíveis, e os timbres são escolhidos com uma lógica quase cinematográfica. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais atmosférica. No fim, é um disco interessante e mais cristalino. 

Melhores Faixas: Tiger In The Rain, Watching The Sunset Run 
Vale a Pena Ouvir: Sonata For A Dream

Emergence – Miroslav Vitous





















NOTA: 6/10


Pulando para 1986, foi lançado um novo álbum de Miroslav Vitouš, o Emergence. Após o álbum de 1977, ele havia assinado com a gravadora ECM e realizado alguns outros projetos e, com isso, decidiu fazer um disco inteiramente solo, sem concessões, no qual o contrabaixo acústico sustenta forma, discurso, tensão e lirismo sozinho. Não se trata de virtuosismo exibicionista, mas de uma investigação sonora e filosófica, muito alinhada à visão do músico. Produzido por Manfred Eicher, o álbum segue a estética de clareza, espaço e silêncio. O contrabaixo é captado de forma extremamente próxima, mas sem artificialidade. O silêncio não é apenas ausência de som, mas parte ativa da construção musical. O maior problema, porém, é que Vitouš parece não ter conseguido se encaixar plenamente nessa proposta, deixando o disco excessivamente arrastado. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho bastante irregular. 

Melhores Faixas: Atlantis Suite, Transformation 
Piores Faixas: Morning Lake For Ever, Regards To Gershwin's Honeyman

Universal Syncopations – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,7/10


Então, indo agora para 2003, acontece o retorno do Miroslav Vitouš com o álbum Universal Syncopations. Após o Emergence, com a chegada do novo século, o Jazz vivia uma fase de reavaliação histórica: tradição e modernidade deixaram de ser polos opostos. Vitouš aproveita esse momento para apresentar um trabalho que concilia lirismo europeu, improvisação aberta, sofisticação harmônica e groove sutil, sem cair nem no academicismo nem na nostalgia. Produzido por ele próprio, o álbum é exemplar no sentido moderno do termo. O som é cristalino, espaçoso e tridimensional, mas nunca frio. A formação, já mostrada na capa, coloca cada instrumento em um lugar muito bem definido, permitindo que nuances de articulação, dinâmica e timbre sejam plenamente percebidas, enquanto o contrabaixo de Vitouš é o eixo de tudo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem técnicas e suaves. No fim, é um ótimo disco e mais expressivo. 

Melhores Faixas: Sun Flower, Tramp Blues, Beethoven 
Vale a Pena Ouvir: Brazil Waves, Faith Run, Bamboo Forest

Universal Syncopations II – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último lançamento até então de Vitouš, lançado em 2007, o Universal Syncopations II. Após o volume 1, que representou um retorno triunfal de Miroslav Vitouš ao centro do Jazz contemporâneo, este segundo volume surge como uma confirmação de maturidade, não como uma tentativa de repetir fórmula. Aqui, Vitouš já não precisa reafirmar sua relevância. Ele parte do ponto em que o primeiro disco terminou e avança com mais liberdade, mais confiança e menos necessidade de síntese didática. A produção é praticamente a mesma, mas com um clima mais quente e menos “apresentacional”. O som continua extremamente claro, mas há uma sensação maior de proximidade; ainda assim, o contrabaixo do Vitouš permanece como eixo estrutural, agora de forma mais centralizadora, com alguns instrumentos aparecendo de maneira pontual. O repertório é ótimo, e as canções são mais pacíficas. No geral, é um disco bacana e consistente. 

Melhores Faixas: The Prayer, Universal Evolution 
Vale a Pena Ouvir: Gmoong, Opera

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Miroslav Vitous: Parte 1

                   

Purple – Miroslav Vitous





















NOTA: 8,4/10


Retornando ao ano de 1970, Miroslav Vitouš lançava seu 1º álbum solo, intitulado Purple. O baixista, nascido na capital da antiga Tchecoslováquia, Praga, começou sua trajetória por volta de 1962, quando estudou música por um período. Após isso, conseguiu uma bolsa de estudos para a Faculdade Berklee de Música, em Boston, onde ficou apenas um ano, pois começou a tocar com o pianista Bob Brookmeyer em Chicago, e a virada de chave ocorreu quando conheceu Miles Davis, que o chamou para tocar com ele, entrando assim na bolha que viria a ser o Jazz Fusion. A produção, feita por ele mesmo e lançada pela CBS, é contida, clara e profundamente orgânica. A formação é sensacional, com John McLaughlin (guitarra), Joe Zawinul (piano) e Billy Cobham (bateria), e cada um tem seu espaço, integrado à dinâmica do baixo articulado de Vitouš. O repertório contém cinco faixas muito boas e bastante aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e mostra algo bem estruturado. 

Melhores Faixas: Mood, Purple 
Vale a Pena Ouvir: It Came From Knowhere, Water Lilie, Dolores
 

                                                                               É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Wayne Shorter: Parte 1

                  Introducing Wayne Shorter – Wayne Shorter NOTA: 8/10 Agora, indo lá para o ano de 1960, foi lançado o álbum de estreia do ...