quarta-feira, 4 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 4

                 

Good As I Been To You – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o Good As I Been to You. Após o Under the Red Sky, o cantor tomou uma decisão surpreendente: em vez de lançar um disco com composições inéditas próprias, ele optou por gravar um álbum inteiramente dedicado a canções tradicionais da música Folk americana e britânica. Essa escolha representava, de certa forma, um retorno às origens de sua carreira. A produção, feita por Debbie Gold, adotou uma abordagem crua e direta, já que tudo foi gravado basicamente com voz e violão acústico, criando um ambiente íntimo e quase doméstico. Essa decisão estética aproxima o álbum da tradição Folk mais pura, onde a força da música reside na narrativa, na melodia e na interpretação do cantor. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas nesse caráter acústico. No fim, é um ótimo álbum e que mostrou Bob Dylan voltando às suas raízes. 

Melhores Faixas: Hard Times, Sittin' On Top Of The World 
Vale a Pena Ouvir: Jim Jones, Froggie Went A Courtin', Tomorrow Night, Little Maggie

World Gone Wrong – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado outro disco do Bob Dylan, intitulado World Gone Wrong. Após o Good As I Been to You, esse novo álbum funciona quase como uma continuação direta do projeto anterior, mas com um clima mais sombrio e introspectivo. Dylan mergulha ainda mais profundamente no repertório do Blues rural, muitas delas associadas a figuras como Blind Willie McTell, Mississippi Sheiks e outros nomes do Blues pré-guerra. A produção, conduzida pelo próprio cantor, segue a mesma filosofia minimalista adotada anteriormente. As gravações ocorreram de maneira simples e direta, com ele praticamente sozinho em estúdio, utilizando apenas violão e harmônica em algumas faixas. O foco está na interpretação vocal e na forma como Dylan manipula o tempo e a dinâmica das canções tradicionais. O repertório é muito bom, é extremamente bem interpretado e traz aquele clima do Blues antigo. Enfim, é um ótimo álbum e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Delia, Stack A Lee 
Vale a Pena Ouvir: Love Henry, Jack-A-Roe, Blood In My Eyes

Time Out Of Mind – Bob Dylan





















NOTA: 9,8/10


Aí em 1997, foi lançado o 30º álbum de estúdio do Bob Dylan, o Time Out of Mind. Após o World Gone Wrong, o cantor passou por um período de reflexão profunda sobre sua carreira. Outro fator importante foi o estado de saúde do artista na metade dos anos 90. Em 1997, pouco antes do lançamento do novo álbum, Dylan enfrentou uma infecção cardíaca grave (histoplasmose), o que gerou grande preocupação pública e colocou sua mortalidade em evidência. Isso foi muito importante, pois fez o público ter mais atenção com as composições desse trabalho. A produção, feita por Daniel Lanois, trouxe uma abordagem que misturava tradição e experimentação, colocando um som carregado de atmosfera: ecos, reverberações e camadas de instrumentos que criam uma sensação quase fantasmagórica, seguindo um pouco de Blues Rock e Country. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem reflexivas e até sombrias. No geral, é um belo disco e é um clássico. 

Melhores Faixas: Love Sick, Not Dark Yet, Make You Feel My Love, Standing In The Doorway, Tryin' To Get To Heaven 
Vale a Pena Ouvir: Highlands, Dirt Road Blues, Can't Wait

"Love And Theft" – Bob Dylan





















NOTA: 8,8/10


Em 2001, mais precisamente no dia 11 de setembro (isso mesmo!), foi lançado o álbum Love and Theft. Após o Time Out of Mind, Bob Dylan entrou em uma fase particularmente criativa de sua carreira tardia. O sucesso do disco de 1997 não apenas restaurou sua reputação como compositor essencial da música americana, mas também abriu caminho para uma nova abordagem em seus trabalhos seguintes. Decidindo fazer um trabalho que explora ainda mais profundamente as raízes da música tradicional dos Estados Unidos. A produção, feita por ele mesmo (sob o nome de Jack Frost), foi para um som mais direto, orgânico e baseado na dinâmica da banda tocando junta. O som do álbum enfatiza instrumentos tradicionais e arranjos que remetem a estilos clássicos da música americana. Há elementos do Blues Rock, Folk, Country antigo e até influências de Jazz tradicional. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um ótimo disco e é bem coeso. 

Melhores Faixas: Mississippi, Moonlight, Lonesome Day Blues 
Vale a Pena Ouvir: Tweedle Dee & Tweedle Dum, Sugar Baby, Honest With Me

Modern Times – Bob Dylan





















NOTA: 8,1/10


Cinco anos depois, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan intitulado Modern Times. Após o "Love And Theft", ficou entendido que o Bob Dylan havia encontrado uma nova linguagem musical: uma mistura profunda de Blues tradicional, Country e elementos do Rock clássico, combinada com letras densas, irônicas e cheias de referências históricas e literárias. Apesar desse título o conceito em si era profundamente enraizado em estilos antigos, criando um contraste interessante entre passado e presente. Produção teve um som natural e orgânico, baseado na interação direta da banda e na sensação de ser ao vivo. O resultado é um som que parece antigo e moderno ao mesmo tempo. A instrumentação inclui guitarras limpas, piano marcante, pedal steel e seções rítmicas que evocam Blues e Country clássico. O repertório é muito bom, e as canções passam aquele clima de leveza e aconchego. No geral, é um disco bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Workingman's Blues #2, Thunder On The Mountain 
Vale a Pena Ouvir: Beyond The Horizon, Ain't Talkin', Rollin' And Tumblin'

Together Through Life – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Em 2009, foi lançado um novo trabalho do Bob Dylan intitulado Together Through Life. Após o Modern Times, esse trabalho surgiu a partir de um pedido para compor uma música para um filme. A partir desse processo inicial, Dylan decidiu expandir a ideia e desenvolver um álbum inteiro com uma abordagem específica: criar um disco que tivesse um clima mais espontâneo, influenciado por ritmos que evocavam música de fronteira, Tex-Mex, Blues e sonoridades do sul dos Estados Unidos. A produção foi bastante distinta dentro dessa fase tardia, principalmente pela presença marcante do acordeão, que dá a muitas músicas um caráter próximo dos estilos já citados. Em vez de uma atmosfera densa ou épica, o álbum aposta em grooves simples, diretos e muitas vezes dançantes. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem envolventes. Enfim, é um trabalho legal, apesar da falta de coesão. 

Melhores Faixas: This Dream Of You, It's All Good 
Vale a Pena Ouvir: Life Is Hard, Jolene, If You Ever Go To Houston

Christmas In The Heart – Bob Dylan





















NOTA: 5/10


E aí, meses depois, foi lançado um álbum de Natal do Bob Dylan, o Christmas in the Heart. Após o Together Through Life, o artista estava em um período de grande produtividade criativa e poderia ter seguido lançando material autoral. Em vez disso, optou por revisitar músicas clássicas associadas ao Natal, muitas delas profundamente enraizadas na cultura popular do século XX. Além disso, ele decidiu destinar os royalties do álbum para instituições de caridade relacionadas à alimentação de pessoas necessitadas dos Estados Unidos ao resto do mundo. A produção foi bastante orgânica, com arranjos riquíssimos que evocam estilos tradicionais da música popular americana: há influências de Big Band, corais natalinos, pop orquestrado e até elementos de Swing, só que muita coisa fica bem arrastada, e a voz do Bob Dylan não se encaixa. Em suma, é um disco mediano, mas a causa foi bem melhor. 

Melhores Faixas: O' Come All Ye Faithful (Adeste Fideles), The Christmas Song, Winter Wonderland 
Piores Faixas: Little Drummer Boy, The First Noel, Must Be Santa

                                                                                    Então é isso e flw!!!

terça-feira, 3 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 3

                 

Shot Of Love – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan intitulado Shot of Love. Após o Saved, Dylan já estava começando a flexibilizar sua abordagem mais Gospel. Ele ainda mantinha a espiritualidade como eixo central, mas gradualmente voltava a misturar temas pessoais, reflexões existenciais, humor e elementos do Rock e do Blues que sempre fizeram parte de sua trajetória. A produção, feita por Chuck Plotkin e Bumps Blackwell, apresenta uma abordagem mais solta e, em alguns momentos, quase crua. Isso se deve em parte ao processo de gravação fragmentado, no qual Dylan experimentou várias formações de banda. Os arranjos trazem guitarras mais destacadas e teclados característicos do início dos anos 80. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco bacana e que encerrou essa trilogia tão odiada. 

Melhores Faixas: Property Of Jesus, Lenny Bruce 
Vale a Pena Ouvir: In The Summertime, Heart of Mine, Dead Man, Dead Man

Infidels – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um projeto do Bob Dylan intitulado Infidels. Após o Shot of Love, ele percebeu que tinha sido largado pela mídia, então queria se reintroduzir ao diálogo com o mundo contemporâneo: geopolítica, moralidade, desigualdade e identidade voltam a aparecer com força em suas letras, além de perceber novas tendências na produção sonora, incluindo o uso mais sofisticado de estúdio, texturas mais limpas e uma fusão de estilos como Rock, Reggae e Pop. A produção, feita por ele junto com Mark Knopfler, do Dire Straits, traz guitarras mais claras, elegantes e atmosféricas, criando um contraste interessante com o vocal áspero e expressivo do Bob Dylan, além de fazer uma junção de Pop Rock com aquela dinâmica atmosférica. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e que é bem consistente. 

Melhores Faixas: License to Kill, I And I 
Vale a Pena Ouvir: Man Of Peace, Jokerman

Empire Burlesque – Bob Dylan





















NOTA: 3/10


Mais dois anos se passaram e foi lançado mais um disco do Bob Dylan, o fraquíssimo Empire Burlesque. Após o Infidels, o cantor, que sempre teve uma relação ambígua com tendências comerciais, acabou se aproximando parcialmente desse som. Já que seu status cultural continuava enorme, mas havia uma percepção de que sua obra estava entrando em uma fase irregular. Dylan parecia experimentar direções diferentes, tentando encontrar um novo equilíbrio entre tradição e modernidade. A produção, conduzida por ele próprio, contou com vários colaboradores, e aqui houve uso intensivo de técnicas de produção típicas da época: camadas de sintetizadores, bateria com som processado, efeitos digitais e uma mixagem bastante limpa, além de deixar as guitarras mais processadas, ou seja, ele foi completamente pasteurizado e com um som arrastado. O repertório é ruim, tendo canções chatíssimas e com poucas se salvando. No fim, é um disco terrível e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Emotionally Yours, Never Gonna Be the Same Again, When the Night Comes Falling From the Sky 
Piores Faixas: Trust Yourself, Something's Burning, Baby, Seeing the Real You at Last, Clean Cut Kid

Knocked Out Loaded – Bob Dylan





















NOTA: 2,5/10


No ano seguinte, Bob Dylan ressurge com seu 24º álbum de estúdio, o Knocked Out Loaded. Após o Empire Burlesque, Dylan parecia buscar novas abordagens, mas sem necessariamente consolidar uma direção única. Diferente de muitos de seus trabalhos clássicos, este disco não surgiu de um conjunto totalmente coeso de composições escritas para um único projeto; ele reúne músicas desenvolvidas em diferentes contextos e com vários colaboradores. A produção, feita pelo próprio cantor, mantém elementos da estética dos anos 80, com arranjos relativamente polidos e uso de instrumentos elétricos e teclados, mas também apresenta momentos que se aproximam de uma abordagem narrativa e teatral, além de ter influências do Pop Rock daquele período, só que tudo continua bem pasteurizado e completamente sem alma. O repertório é péssimo, tendo poucas canções interessantes. Enfim, é um álbum terrível e que foi um verdadeiro fiasco. 

Melhores Faixas: Brownsville Girl, Got My Mind Made Up
Piores Faixas: Maybe Someday, Driftin' Too Far From Shore, Precious Memories

Down In The Groove - Bob Dylan





















NOTA: 3/10


Em 1987, foi lançado mais um álbum do Bob Dylan, o Down in the Groove, que prometia ser mais raiz. Após o Knocked Out Loaded, Dylan passou um período gravando músicas em diferentes sessões, com vários músicos e ideias que nem sempre faziam parte de um conceito claro de álbum. Esse processo acabou influenciando diretamente o resultado desse trabalho, que foi montado a partir de gravações feitas ao longo de diferentes momentos e contextos. A produção, feita por ele novamente junto com Mark Knopfler, apresentou uma abordagem bastante tradicional, com instrumentos que remetem ao Rock clássico e ao Folk Rock, enquanto outras faixas apresentam um clima mais descontraído, quase como gravações feitas para capturar a espontaneidade da performance, mas, de novo, é algo bem arrastado e sem coesão. O repertório é ruim, tem até canções divertidas, mas o resto é fraco. No fim, é um disco péssimo e que já era hora de mudar. 

Melhores Faixas: Silvio, Let's Stick Together, Had A Dream About You, Baby 
Piores Faixas: Sally Sue Brown, Ugliest Girl In The World, Shenandoah, Ninety Miles An Hour (Down A Dead End Street)

Oh Mercy - Bob Dylan





















NOTA: 8,5/10


Chegando no final dos anos 80, foi lançado mais um disco do Bob Dylan, o Oh Mercy. Após o Down In The Groove, ele decidiu mudar o ambiente de gravação e buscar uma abordagem mais focada e atmosférica. O processo de composição também passou por um momento de redescoberta pessoal: Bob Dylan estava refletindo sobre sua trajetória, sua relação com o tempo, a espiritualidade e as transformações do mundo ao seu redor. Produção feita por Daniel Lanois, que ao invés de apostar em produções excessivamente polidas ou fragmentadas, ele ajudou a construir arranjos que valorizavam espaço, ambiência e emoção. O resultado é um som mais orgânico, mas também envolto em camadas de atmosfera que dão às músicas uma sensação de profundidade e mistério, e a voz do cantor acaba se encaixando colocando um ar de melancolia. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e suaves. No geral, é um disco bacana e que foi um verdadeiro respiro. 

Melhores Faixas: Most Of The Time, Man In The Long Black Coat, Everything Is Broken, Shooting Star 
Vale a Pena Ouvir: What Good Am I?, Political World, What Was It You Wanted

Under The Red Sky - Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 90, foi lançado o 27º álbum do Bob Dylan, o injustiçado Under the Red Sky. Após o Oh Mercy, ele decidiu seguir um caminho bastante diferente daquele lado atmosférico. Em vez de aprofundar aquela abordagem mais reflexiva, Dylan optou por um álbum que, em muitos momentos, apresenta uma estética mais simples e até lúdica. Algumas das letras possuem uma qualidade quase infantil ou inspirada em contos e cantigas tradicionais, o que surpreendeu parte do público. A produção, conduzida pelo cantor junto com os irmãos Was, misturou elementos do Rock, Blues e música tradicional americana, com arranjos relativamente simples. Em muitos momentos, a sensação é de uma banda tocando de forma direta, sem a preocupação de criar grandes camadas sonoras ou atmosferas complexas. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e têm seu charme. Em suma, é um álbum muito bom, mas que é bastante desprezado. 

Melhores Faixas: Under The Red Sky, God Knows 
Vale a Pena Ouvir: 10,000 Men, Born In Time, Cat's In The Well

                                                                        Então é isso, um abraço e flw!!!                    

segunda-feira, 2 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 2

                    

New Morning – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses se passaram, e o Bob Dylan volta com mais um disco intitulado New Morning. Após o questionável Self Portrait, Dylan começou a experimentar uma fase curiosa de transição. Nesse momento, ele também estava envolvido em outros projetos, incluindo gravações informais e tentativas de compor material para cinema e teatro. Dylan vinha de um período em que queria simplificar sua música e, ao mesmo tempo, recuperar certa espontaneidade que sentia ter se perdido em projetos mais ambiciosos ou conceituais. A produção, conduzida por Bob Johnston, capturou uma energia mais natural e menos calculada. Musicalmente, o álbum mistura Folk Rock, Country e um pouquinho de Gospel, mantendo a linha sonora que Dylan vinha explorando desde o final dos anos 60, mas com arranjos um pouco mais variados e cheios, além de muito uso de piano. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem relaxantes. Enfim, é um ótimo trabalho e mais intimista. 

Melhores Faixas: If Not For You, Day Of The Locusts, The Man In Me, If Dogs Run Free 
Vale a Pena Ouvir: New Morning, Went To See The Gypsy

Pat Garrett & Billy The Kid (Original Soundtrack Recording) – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançada a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid. Após o New Morning, Bob Dylan começou a explorar novas possibilidades artísticas fora do formato tradicional de álbum de estúdio. Uma dessas oportunidades surgiu quando ele se envolveu nesse filme com temática de faroeste, dirigido por Sam Peckinpah, onde ele não só compôs a trilha como também participou do filme como ator, interpretando o personagem Alias. A produção, feita por Gordon Carroll, criou uma sonoridade minimalista e evocativa, muito baseada em violões, guitarras elétricas discretas, baixo, bateria suave e alguns elementos de harmônica. A instrumentação é propositalmente econômica, refletindo a paisagem desolada do Velho Oeste retratada no filme, sendo basicamente um álbum de Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e atmosféricas. No geral, é um trabalho bacana e que cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: Knockin' On Heaven's Door, Billy 1 
Vale a Pena Ouvir: Billy 4, Turkey Chase, Final Theme

Dylan – Dylan





















NOTA: 5,5/10


Aí no fim daquele mesmo ano foi lançado outro disco do Bob Dylan intitulado apenas Dylan. Após a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid, o cantor havia deixado a gravadora Columbia Records para assinar com a Asylum Records e iniciar uma nova fase artística. Durante essa transição contratual, a Columbia decidiu lançar material que já estava em seus arquivos, composto principalmente por gravações feitas alguns anos antes, durante sessões que originalmente não tinham sido planejadas para formar um álbum oficial. A produção, feita por Bob Johnston, apresenta uma sonoridade bastante simples e direta. Os arranjos são predominantemente acústicos ou levemente elétricos, com a voz do Bob Dylan bem precisa, só que, no geral, percebe-se que não houve todo aquele capricho. O repertório é bom, mas algumas canções são bem interpretadas e outras ficam bem abaixo, fora que a ordem das faixas está errada. Enfim, é um trabalho mediano e que foi desnecessário. 

Melhores Faixas: Can't Help Falling In Love, Big Yellow Taxi (ótimo cover da música da Joni Mitchell), Lily Of The West 
Piores Faixas: Sarah Jane, The Ballad Of Ira Hayes, Mary Ann

Planet Waves – Bob Dylan





















NOTA: 8,7/10


Aí no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o subestimado Planet Waves. Após o Dylan, o cantor decidiu iniciar uma nova etapa criativa. Esse período marcou também uma mudança importante na dinâmica de sua carreira: ele voltou a trabalhar de forma mais próxima com músicos com quem já tinha uma longa história artística. Esses músicos eram os integrantes do The Band, grupo que havia acompanhado Bob Dylan em momentos decisivos da década de 60, especialmente nas sessões lendárias que aconteceram após o acidente de moto do artista em 1966. A produção, conduzida por Rob Fraboni, foi gravada em apenas dois dias e privilegiou um som orgânico e vivo, apoiando-se mais na interação direta entre os músicos, com arranjos que parecem surgir naturalmente durante as sessões, sendo um Folk Rock bem suave. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem melódicas e sentimentais. Enfim, é um trabalho bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Forever Young, Something There Is About You, Wedding Song, Hazel 
Vale a Pena Ouvir: Dirge, Going, Going, Gone

Blood On The Tracks – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


E aí chegamos ao começo de 1975, quando foi lançada uma das maiores obras-primas do Bob Dylan, o Blood on the Tracks. Após o Planet Waves, insatisfeito com a Asylum Records, ele decidiu retornar para a Columbia Records, só que nesse período sua vida pessoal também estava atravessando tensões significativas, particularmente em relação ao casamento com Sara Dylan. Embora Dylan nunca tenha confirmado oficialmente que o álbum seja autobiográfico, é basicamente um trabalho em que ele expressa a dor do fim de seu casamento. A produção foi a seguinte: as gravações foram feitas em Nova York com Phil Ramone, que colocou um caráter simples e intimista, só que Bob Dylan decidiu regravar em Minneapolis, o que deixou um caráter mais robusto, equilibrando uma sonoridade delicada com seus vocais carregados de nuances. O repertório é fantástico, é praticamente uma coletânea de grandes canções. No fim, é um álbum clássico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tangled Up In Blue, Simple Twist Of Fate, Shelter From The Storm, Idiot Wind 
Vale a Pena Ouvir: Buckets Of Rain, You're Gonna Make Me Lonesome When You Go

The Basement Tapes – Bob Dylan & The Band





















NOTA: 9/10


Já no fim do 1º semestre daquele mesmo ano, foi lançado o álbum The Basement Tapes. Após o clássico Blood on the Tracks, decidiram reunir um material gravado entre 1967 e 1968. O contexto era o seguinte: Bob Dylan sofreu um acidente de moto em 1966 que o levou a se afastar da vida pública e reduzir drasticamente suas atividades profissionais, e com o tempo ele passou a morar em Woodstock, convivendo e tocando informalmente com os músicos que ficaram conhecidos como The Band, e aí as gravações aconteciam no porão de uma casa apelidada de Big Pink. A produção, feita por eles mesmos, ocorreu de forma caseira e improvisada, com uma qualidade crua e orgânica, com instrumentos acústicos e elétricos tocados de forma relaxada. Violões, pianos, órgãos, baixo e bateria aparecem de maneira natural, formando um Folk Rock e Country Rock. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem suaves. No fim, é um belo trabalho e extremamente essencial. 

Melhores Faixas: You Ain't Goin' Nowhere, Tears Of Rage, Million Dollar Bash, This Wheel's On Fire, Goin’ To Acapulco, Katie's Been Gone, Don't Ya Tell Henry, Too Much Of Nothing 
Vale a Pena Ouvir: Yazoo Street Scandal, Please, Mrs. Henry, Ain't No More Cane

Desire – Bob Dylan





















NOTA: 9,9/10


Mais um ano se passou e foi lançado o 17º álbum do Bob Dylan, intitulado Desire. Após o The Basement Tapes, Dylan entrou em uma nova fase que combinava composição prolífica, colaboração com outros artistas e um retorno vigoroso aos palcos. Esse período coincidiu com a famosa Rolling Thunder Revue, uma turnê que reuniu vários músicos, artistas e colaboradores em um projeto que misturava espetáculo itinerante, teatro e música, influenciando esse disco, que se caracteriza por histórias amplas, personagens marcantes e temas sociais e políticos mais evidentes. A produção, feita por Don DeVito, apresenta arranjos ricos e dinâmicos, com uma instrumentação que combina Folk Rock, Country e música latina. Um dos aspectos mais marcantes é o papel do violino, que aparece como um elemento central e coloca aquele clima de dramaticidade. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Hurricane, One More Cup Of Coffee, Isis, Sara, Oh, Sister 
Vale a Pena Ouvir: Joey, Romance In Durango

Street-Legal – Bob Dylan





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passaram, e o Bob Dylan lança seu 18º álbum intitulado Street-Legal. Após o Desire, ele estava querendo ampliar seu escopo sonoro, em meio às mudanças pessoais e espirituais que Dylan começava a atravessar. Embora sua conversão religiosa pública acontecesse pouco depois, o período já mostrava sinais de inquietação, questionamento e busca interior nas letras. A produção, feita mais uma vez por Don DeVito, mistura Folk Rock com elementos de Blues, Gospel e Roots Rock. Os arranjos frequentemente apresentam múltiplas camadas instrumentais, o que contribui para um clima dramático e, em alguns momentos, quase épico, além da presença de backing vocals femininos e uma seção de metais precisa. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes e profundas. Enfim, é um disco bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think
Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Slow Train Coming – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


E aí mais um ano se passou e foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o Slow Train Coming. Após o Street-Legal, depois de anos explorando temas pessoais, sociais e narrativas complexas, ele passou por uma experiência religiosa que o levou a abraçar o cristianismo de maneira bastante intensa. Com isso, suas letras passaram a tratar explicitamente de fé, redenção, julgamento moral e espiritualidade. A produção, feita por Barry Beckett, colocou uma forte influência do Soul e do Gospel, dentro de padrões próximos do Rock cristão, com arranjos bem estruturados e uma base rítmica sólida, com guitarras marcantes, baixo consistente, bateria firme e teclados que adicionam textura espiritual, criando uma ambiência imersiva. O repertório é bacana e tem canções bem legais. No geral, é um ótimo disco, mas que foi mal recebido, algo que passaria a ser comum. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Saved – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, o Bob Dylan continuava nessa fase, lançando mais um álbum intitulado Saved. Após o Slow Train Coming, Dylan vinha realizando shows intensamente focados em música gospel, muitas vezes recusando tocar clássicos antigos de sua carreira. O material que seria reunido nesse disco nasce diretamente desse momento de transição profunda, em que sua fé se tornou o eixo central de sua arte. A produção, feita por Jerry Wexler, seguiu um som bastante enraizado em Soul, Blues Rock e Rock cristão. O disco possui uma instrumentação rica em piano, órgão, metais e corais femininos, criando um clima de celebração espiritual constante, e os vocais do Dylan estão mais discursivos. Seu timbre áspero contrasta com os corais mais suaves, criando uma dinâmica interessante entre fervor individual e celebração coletiva. O repertório é legal, e as canções são bem divertidas e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e que também foi injustiçado. 

Melhores Faixas: What Can I Do for You?, In The Garden 
Vale a Pena Ouvir: Solid Rock, Saved, A Satisfied Man
 

                                                                               É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 4

                  Good As I Been To You – Bob Dylan NOTA: 8/10 Dois anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o Good As...