segunda-feira, 18 de maio de 2026

Analisando Discografias - The 1975

                 

The 1975 – The 1975





















NOTA: 8,3/10


Em 2013, The 1975 lançava seu álbum de estreia autointitulado, trazendo algo interessante. Formado lá em 2002, em Wilmslow, pelos adolescentes Matty Healy (vocais e guitarras), Adam Hann (guitarra), Ross MacDonald (baixo) e o então “gurizinho” George Daniel (bateria), o grupo, naquele período dos anos 2000, era apenas uma banda que tocava covers. A coisa só começou a ficar séria por volta de 2010, quando mudaram para o nome que conhecemos hoje e assinaram com a gravadora independente Dirty Hit. A produção foi feita pela própria banda junto com Mike Crossey, seguindo um som extremamente limpo, detalhista e atmosférico. Existe um cuidado enorme com as texturas: guitarras brilhantes, sintetizadores etéreos, vocais tratados de forma quase sonhadora e baterias orgânicas e as vezes eletrônica, juntando assim Pop Rock, New Wave, Synth-pop e Alt-Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e sentimentais. No fim, é um ótimo disco de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Sex, Robbers, The City, Chocolate 
Vale a Pena Ouvir: Girls, Heart Out, Pressure

I Like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It – The 1975





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e The 1975 retornou com seu 2º álbum, o I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful yet So Unaware of It. Após o álbum de estreia, eles haviam deixado de ser apenas um fenômeno Indie britânico para se tornarem um nome global do Pop alternativo. A banda decidiu fazer um álbum que fosse um retrato completo da cultura jovem moderna: internet, fama, ansiedade, sexo, drogas, ironia, narcisismo e vazio emocional. A produção foi bem sofisticada, com os sintetizadores possuindo uma profundidade quase cinematográfica. As guitarras aparecem cheias de textura, o baixo do Ross MacDonald conduz grooves dançantes e a bateria do George Daniel é extremamente inventiva, enquanto os vocais do Matty são bem confiantes e teatrais. Com isso, temos elementos do Synth-pop, New Wave e até traços de Shoegaze e música ambiente. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas. No fim, é um ótimo disco e foi uma obra muito ousada. 

Melhores Faixas: Somebody Else, She’s American, A Change Of Heart 
Vale a Pena Ouvir: The Sound, Lostmyhead, Love Me, This Must Be My Dream

A Brief Inquiry Into Online Relationships – The 1975





















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, foi lançado o terceiro disco do The 1975, A Brief Inquiry Into Online Relationships. Após o I Like It When You Sleep, a banda decidiu fazer um álbum conceitual conectado por diversos temas abrangentes. Esse trabalho serve como uma declaração política de alerta, questionando as implicações da relação da sociedade com a tecnologia e seu impacto sobre a geração millennial. O final da década de 2010 foi dominado por ansiedade digital, polarização política e uma sensação constante de esgotamento psicológico. A produção, feita junto com Jonathan Gilmore, foi mais fragmentada, imprevisível e, às vezes, extremamente luxuosa e expansiva, com sintetizadores atmosféricos, baixos elegantes, guitarras texturizadas e os vocais emocionalmente cansados do Matty. Fazendo assim um trabalho de Art Pop com elementos do Synth-pop e Jazz. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas. No fim, é um ótimo disco e bem consistente. 

Melhores Faixas: Sincerity Is Scary, I Always Wanna Die (Sometimes), It's Not Living (If It's Not With You), I Couldn't Be More In Love 
Vale a Pena Ouvir: Love It If We Made It, Give Yourself A Try, Surrounded By Heads And Bodies

Notes On A Conditional Form – The 1975





















NOTA: 4/10


Entrando nessa década, The 1975 retornou com um disco fraquíssimo, o Notes on a Conditional Form. Após A Brief Inquiry Into Online Relationships, inicialmente esse trabalho seria lançado pouco depois do anterior, mas, conforme o projeto cresceu, acabou se transformando em um álbum gigantesco. Fora isso, Matty Healy, após anos de exposição extrema, dependência química e crises existenciais, parecia menos interessado em construir uma persona glamourosa e mais disposto a revelar vulnerabilidade. A produção foi bem mais experimental, abraçando uma fragmentação completa, com mudanças de ritmo sem qualquer transição óbvia. Há uma presença maior da música eletrônica, com ecos claros de Future Garage e IDM espalhados pelo disco, dentro desse caldeirão de Art Pop que soa bem impreciso e como uma colcha de retalhos. O repertório é ruim, tendo muitas canções fracas e poucas interessantes. Enfim, é um álbum horrível e sem coesão. 

Melhores Faixas: Me & You Together Song, Then Because She Goes, If You're Too Shy (Let Me Know), Jesus Christ 2005 God Bless America, Streaming, I Think There's Something You Should Know 
Piores Faixas: The Birthday Party, Playing On My Mind, Nothing Revealed / Everything Denied, Roadkill, What Should I Say, Don't Worry, Frail State Of Mind, Shiny Collarbone

Being Funny In A Foreign Language – The 1975





















NOTA: 8,7/10


Então chegamos a 2022, ano em que The 1975 lançou seu álbum mais recente, o Being Funny in a Foreign Language. Após o Notes on a Conditional Form, parecia existir um certo desgaste em torno da banda. O maximalismo caótico do álbum anterior acabou sendo criticado pela duração excessiva, falta de foco e sensação de dispersão artística. Para esse trabalho, eles decidiram voltar a fazer algo contagiante e que gerasse impacto. A produção, feita pela banda junto com Jack Antonoff, foi bem polida e elegante. Os arranjos são extremamente sofisticados, com maior foco no Pop Rock e Pop sofisticado. As guitarras atmosféricas do Adam Hann continuam fundamentais, assim como o baixo elegante do Ross MacDonald. A bateria do George Daniel possui grooves sofisticados, enquanto os vocais do Matty Healy são bem emocionais. O repertório é ótimo, e as canções são bem envolventes e imersivas. No fim, é um disco belíssimo e bastante sentimental. 

Melhores Faixas: About You, I'm In Love With You, All I Need To Hear, When We Are Together
Vale a Pena Ouvir: Happiness, Wintering, Oh Caroline


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!          

Analisando Discografias - Smallpools

                  

Lovetap! – Smallpools





















NOTA: 8/10


Em 2015, o Smallpools lançava seu álbum de estreia, o Lovetap! (essa capa é muito engraçada). Formado em 2013, na querida Los Angeles, pelo vocalista e tecladista Sean Scanlon, o guitarrista Mike Kamerman, o baixista Joe Intile e o baterista Beau Kuther, o grupo chamou a atenção da RCA Records por uma sonoridade carregada de sintetizadores, refrões explosivos e clima otimista que se encaixava no Indie Pop daquele período, assinando com a gravadora. A produção, feita por Captain Cuts, é extremamente limpa, colorida e voltada para impacto imediato. O álbum trabalha com uma mistura muito característica de Indie Pop, Synth-pop e Dance alternativo, usando sintetizadores brilhantes, guitarras discretas, baterias comprimidas e refrões expansivos, interpretados pelos vocais energéticos de Scanlon, que dão vida às músicas. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são bem contagiantes. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bem divertido. 

Melhores Faixas: Dreaming, Over & Over 
Vale a Pena Ouvir: Karaoke, American Love, Lovetap!, No Story Time

Life In A Simulation – Smallpools





















NOTA: 3,7/10


Foi só em 2021 que Smallpools retornou, lançando seu 2º álbum, o Life In A Simulation. Após o Lovetap!, a banda se reduziu a um power trio com a saída do baixista Joe Intile e, logo após isso, encerrou seu vínculo com a RCA Records, passando a trabalhar de forma independente. Eles voltaram em um momento no qual o bedroom pop e sonoridades eletrônicas mais atmosféricas vinham dominando o mainstream, então decidiram lançar um projeto que seguisse um lado mais moderno sem abandonar suas características. A produção contou com Dan Book, Ian Walsh, Jon Santana e Michael Kamerman, que seguiram uma abordagem atmosférica, fortemente baseada em Indie Pop, Synth-pop e Alt-Pop. Porém, existe um foco maior em ambientação emocional, só que tudo soa comprimido e faltando algo bem mais imersivo. O repertório é bem ruim, e as canções são bem chatinhas, com poucas interessantes. Enfim, é um disco fraco e bastante impreciso. 

Melhores Faixas: Ancient History, Time, Before The Sun Rises 
Piores Faixas: Cycle, Life Of The Party, Changing
  

Ghost Town Road – Smallpools





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2024, ano em que Smallpools lançou seu álbum mais recente, o Ghost Town Road. Após o Life In A Simulation, esse novo disco surge como um trabalho mais cansado, introspectivo e emocionalmente reflexivo. O álbum parece feito por uma banda que já passou pela explosão inicial de popularidade, pelas transformações do mercado musical e pelas próprias mudanças pessoais inevitáveis ao longo dos anos. A produção, feita inteiramente por Michael Kamerman, segue uma abordagem um pouco mais retrô, com os sintetizadores possuindo texturas mais amplas e melancólicas. Em vez de servirem apenas como ferramentas para criar refrões gigantescos, eles ajudam a construir paisagens emocionais, além das guitarras, que estão mais sustentadas. Só que a “síndrome dos Strokes” ataca novamente, já que tudo soa bem repetitivo. O repertório é mediano, com canções legais e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e com muitas falhas. 

Melhores Faixas: Fake A Happy Face!, Socio-Empath, Be Kind, Rewind 
Piores Faixas: Make Like A Dream & Die, Amelia, Swayze


Analisando Discografias - Robert DeLong

                 

Just Movement – Robert DeLong





















NOTA: 1/10


No ano de 2013, o Robert DeLong lançava seu álbum de estreia, o Just Movement. O cantor, vindo de Bothell, em Washington, começou sua trajetória por volta de 2010, tendo anteriormente passado por algumas bandas Indie como baterista, até que começou a trabalhar de forma solo e a juntar elementos do Indietronica, além de fazer apresentações ao vivo extremamente performáticas, nas quais utilizava controles improvisados, Wii Remotes, joysticks e pads eletrônicos como instrumentos. A produção foi feita por ele próprio, é cheio de sintetizadores agressivos, batidas quebradas, glitches, loops repetitivos e camadas eletrônicas muito densas, mas tudo parece construído de maneira quase nervosa. Além disso, os vocais até são variados, só que tudo soa bem deslocado, além de adotar vários clichês do Electropop daquela época. O repertório é péssimo, e as canções são bem chatas e tediosas. Enfim, é um álbum horrível e sem precisão. 

Melhores Faixas: (........................) 
Piores Faixas: Complex By Degree, Happy, Here, Survival Of The Fittest

In The Cards – Robert DeLong





















NOTA: 1/10


Dois anos depois, foi lançado seu 2º álbum, o In The Cards, que tentou trazer coisas novas. Após o Just Movement, o EDM comercial dominava o mainstream, enquanto muitos artistas de indietronica procuravam formas de tornar seus trabalhos mais emotivos e atmosféricos. Robert DeLong escolheu um caminho curioso: em vez de aumentar a agressividade sonora do primeiro álbum, decidiu explorar melodias mais acessíveis, refrões mais abertos e estruturas menos caóticas. A produção foi bem mais limpa e expansiva, com ele colocando explosões sonoras maiores, mais cinematográficas e emocionalmente abertas. Os sintetizadores continuam sendo o centro da sonoridade, mas agora aparecem de maneira mais melódica e atmosférica. Com ele colocando elementos do Complextro, tudo soa repetitivo e os glitches não funcionam. O repertório é terrível, e as canções são bastante insuportáveis. No geral, é outro trabalho que beira o medíocre. 

Melhores Faixas: (...........................) 
Piores Faixas: Born To Break, Possessed, Long Way Down, Future's Right Here, Sellin' U Somethin'

See You In The Future – Robert DeLong





















NOTA: 1/10


Em 2018, o Robert DeLong retornou, dessa vez lançando o EP See You In The Future. Após o In The Cards, ele decidiu sair um pouco daquela linha improvisada e focar em atmosferas melancólicas, texturas futuristas e composições emocionalmente contemplativas. Ainda existe energia e ritmo, mas o projeto transmite uma sensação mais madura e até mais solitária. A produção foi certamente a mais atmosférica dele, com sintetizadores mais amplos, texturas ambientais e batidas menos frenéticas. Muitas músicas utilizam reverberações longas, vocais mais etéreos e camadas eletrônicas suaves que criam uma atmosfera quase futurista, juntando assim elementos do Electropop e Indietronica, mas, novamente, tudo é bem comprimido e sem momentos cativantes. O repertório contém 4 faixas fraquíssimas e sem dinâmica. Enfim, é outro trabalho bastante sem graça. 

Melhores Faixas: (..............) 
Piores Faixas: Beginning Of The End, Favorite Color Is Blue, Revolutionary, First Person On Earth

Walk Like Me – Robert DeLong





















NOTA: 1/10


E aí, no ano de 2021, foi lançado seu álbum mais recente intitulado Walk Like Me. Após o EP See You In The Future, esse trabalho nasceu em um período no qual o mundo atravessava isolamento social, desgaste coletivo, excesso de informação e um senso generalizado de desconexão humana. Isso influencia profundamente a atmosfera do projeto. A produção foi bem mais refinada, com DeLong colocando texturas eletrônicas com muito mais profundidade emocional e equilíbrio estrutural do que em seus trabalhos iniciais. Os sintetizadores agora aparecem menos agressivos e mais atmosféricos, enquanto as batidas eletrônicas ficaram mais controladas para dialogar um pouco mais com o Pop alternativo e até com o Synth-pop. Só que as linhas rítmicas são excessivamente soterradas, principalmente nos vocais, nos quais sempre acontece uma semitonação. O repertório é péssimo, e as canções são todas bem genéricas. No fim, é um disco horrível e nem um pouco divertido. 

Melhores Faixas: (............................) 
Piores Faixas: Don't Be Afraid (We're All Gonna Die), Rest Of My Life, This Life, Better In College, Walk Like Me


domingo, 17 de maio de 2026

Analisando Discografias - Portugal. The Man

                 

Waiter: "You Vultures!" – Portugal. The Man





















NOTA: 8/10


Em 2006, o Portugal. The Man lançava seu álbum de estreia, Waiter: 'You Vultures!'. Formado em 2004 na cidade de Wasilla pelo vocalista e guitarrista John Gourley e pelo baixista Zach Carothers, após o fim do Anatomy Of A Ghost, eles decidiram montar uma banda que seguisse uma abordagem artisticamente mais livre. Após a passagem de muitos integrantes, a formação se consolidou com Jason Sechrist (bateria) e Wesley Hubbard (teclados), além da assinatura com a gravadora Fearless Records. A produção, feita pelo próprio Gourley junto com Casey Bates, é bastante crua. As guitarras são secas e cortantes, explorando riffs quebrados em alguns momentos, enquanto a cozinha rítmica se mostra bastante consistente. Os vocais do Gourley são bem articulados, misturando Indie Rock com Post-Hardcore, Math Rock e até Rock Progressivo. O repertório é bem legalzinho, com canções cadenciadas. No fim, é um ótimo disco de estreia e já mostrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Marching With 6, Bad, Bad Levi Brown 
Vale a Pena Ouvir: Kill Me. The King, AKA M80 The Wolf, Chicago, Waiter

Church Mouth – Portugal. The Man





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, eles retornam com seu 2º álbum, o Church Mouth, trazendo algumas mudanças. Após o Waiter: 'You Vultures!', o tecladista Wesley Hubbard acabou saindo, e Jason Sechrist assumiu temporariamente essa função. Enquanto boa parte da cena Indie dos anos 2000 caminhava para sonoridades mais melancólicas e acessíveis, o Portugal. The Man decidiu mergulhar ainda mais fundo em um Rock Psicodélico sujo, agressivo e quase alucinógeno. A produção, feita por Casey Bates, ficou bem mais pesada e encorpada, juntando agora elementos do Blues Rock e psicodelia. As guitarras estão mais distorcidas, com riffs repetitivos e passagens hipnóticas. O baixo está mais cheio de groove, a bateria mais agressiva, e os vocais do John Gourley são mais intensos e emocionalmente desgastados. O repertório é muito bom, e as canções são bastante energéticas e envolventes. No fim, é um disco bacana, consolidando ainda mais sua abordagem sonora. 

Melhores Faixas: My Mind, Bellies Are Full 
Vale a Pena Ouvir: Dawn, Church Mouth, Children

Censored Colors – Portugal. The Man





















NOTA: 8,7/10


Outro ano se passou, e o Portugal. The Man lançava mais um disco, o Censored Colors. Após o Church Mouth, esse novo trabalho representa justamente uma transição fundamental, já que eles começam a equilibrar melhor experimentalismo e acessibilidade sem perder a personalidade artística. Além disso, houve mudanças na formação com a entrada do tecladista Ryan Neighbors, e a banda também firmou uma parceria com a Equal Vision Records para o lançamento do trabalho. Produção, feita por Kirk Huffman, Phillip Peterson e Paul Q. Kolderie, é bastante atmosférica e detalhada, com guitarras carregadas de efeitos psicodélicos, delays e reverberações que ajudam a criar a sensação etérea do álbum. Além disso, a presença de arranjos de cordas adiciona uma atmosfera cinematográfica, incorporando elementos do Folk e Chamber Pop. O repertório é ótimo, e as canções são bastante melódicas. Enfim, é um álbum interessante e muito refinado. 

Melhores Faixas: Salt, Colors, 1989, Created 
Vale a Pena Ouvir: And I, Hard Times, Lay Me Back Down

The Satanic Satanist – Portugal. The Man





















NOTA: 9/10


No ano de 2009, o Portugal. The Man lançava outro álbum, o The Satanic Satanist. Após o Censored Colors, a banda passou a integrar Zoe Manville como backing vocal fixa e, diferente dos outros projetos, que frequentemente priorizavam atmosferas caóticas, estruturas progressivas e experimentações psicodélicas densas, nesse disco esses elementos ainda estão presentes, mas passam a coexistir com refrões enormes, grooves mais diretos e um foco melódico muito mais evidente. A produção, feita por Paul Q. Kolderie junto com Anthony Saffery e Adam Taylor, segue uma abordagem limpa e detalhada, juntando elementos do Indie Rock com Pop psicodélico. As guitarras trabalham através de grooves e texturas psicodélicas mais suaves, a cozinha rítmica é bem controlada, e os vocais do John Gourley são bastante expressivos. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas. No fim, é um belo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: People Say, The Sun, Guns & Dogs, The Home, Mornings, The Woods 
Vale a Pena Ouvir: Work All Day, Do You

American Ghetto – Portugal. The Man





















NOTA: 7,9/10


Três anos se passaram, e James Brown retornava com um material realmente novo, o Raw Soul. Após o Sings Out Of Sight, o cantor via seu impacto crescer desde o enorme sucesso do histórico álbum ao vivo Live at the Apollo, que consolidou sua reputação como um performer extraordinário e redefiniu a importância do disco ao vivo no mercado de R&B. Nesse meio-tempo, ele só lançou álbuns instrumentais, mas já vinha preparando, em seus singles recentes, uma sonoridade que enfatizava cada vez mais o ritmo, a repetição e a força coletiva da banda, tornando-se a base do Funk. A produção, feita por ele próprio, é bastante dinâmica e solidifica a abordagem rítmica que se tornaria central para o gênero, com sua banda criando grooves marcados por repetição e precisão rítmica, que substituem as progressões harmônicas mais tradicionais do R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e que marcou uma mudança. 

Melhores Faixas: Yours And Mine, The Nearness Of You, Let Yourself Go 
Vale a Pena Ouvir: Nobody Knows, Only You, Don't Be A Drop Out

In The Mountain In The Cloud – Portugal. The Man





















NOTA: 9,4/10


Então se passou mais um ano, e Portugal. The Man lançou o sensacional In The Mountain In The Cloud. Após o American Ghetto, a banda havia acabado de assinar com a Atlantic Records, aumentando seu alcance, e começou a planejar um álbum que possuísse uma sensação de expansão constante, tanto sonora quanto emocionalmente. Existe uma estética muito mais luminosa e épica atravessando praticamente toda a obra. A banda parece interessada em criar músicas maiores, mais emocionais e melodicamente mais abertas. Produção, feita em sua maioria por John Hill, trouxe uma sonoridade ampla, detalhada e extremamente atmosférica, criando uma sensação constante de espaço e movimento. O maior destaque são as guitarras, que ficaram mais etéreas, além dos vocais emocionais do John Gourley, equilibrando Rock psicodélico e Indie Rock. O repertório é incrível, e as canções são bastante cadenciadas. No fim, é um baita disco e certamente o melhor da banda. 

Melhores Faixas: So American, Sleep Forever, Senseless, Floating (Time Isn't Working My Side), Got It All (This Can't Be Living Now) 
Vale a Pena Ouvir: You Carried Us (Share With Me The Sun), Once Was One

Evil Friends – Portugal. The Man





















NOTA: 9,2/10


Em 2013, o Portugal. The Man retornou com seu 7º álbum de estúdio, o Evil Friends. Após o In The Mountain In The Cloud, a banda já havia conquistado enorme respeito da crítica, mas ainda não tinha alcançado o grande reconhecimento mainstream que viria anos depois. Esse trabalho acabou funcionando justamente como a ponte entre esses dois mundos. Além disso, houve mudanças na formação, com as saídas do tecladista Ryan Neighbors e do baterista Jason Sechrist, e as entradas do Kyle O'Quin e Kane Ritchotte. A produção, feita por Danger Mouse, trouxe uma abordagem sofisticada e detalhada, com guitarras mais controladas e texturizadas. Com uma cozinha rítmica é bastante marcante, enquanto os sintetizadores adicionam efeitos psicodélicos, e os vocais de John Gourley são muito articulados, equilibrando Indie Rock e Indie Pop. O repertório é belíssimo, e as canções possuem um clima bastante sombrio. No geral, é um baita disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: Purple Yellow Red And Blue, Modern Jesus, Creep In A T-Shirt, Plastic Soldiers, Hip Hop Kids, Waves 
Vale a Pena Ouvir: Evil Friends, Atomic Man, Smile

Woodstock – Portugal. The Man





















NOTA: 6/10


Indo agora para 2017, o Portugal. The Man lançava mais um álbum, o Woodstock. Após o Evil Friends, aconteceu as saídas do baterista Kane Ritchotte e do guitarrista Noah Gersh, que nem aparecia. No lugar deles entraram Eric Howk e, em mais um retorno, Jason Sechrist. Inicialmente, esse projeto seria um álbum conceitual chamado Gloomin + Doomin, mas acabou sendo completamente reformulado para se tornar comercial. A produção foi diversificada, contando com Casey Bates, Danger Mouse, Mike D, entre outros, que foram para uma sonoridade extremamente polida e radiofônica, mais orientada ao Pop Rock e ao Pop Alternativo. Os sintetizadores ficaram mais espalhados, enquanto o restante da instrumentação sustenta o groove. Porém, muita coisa soa como uma tentativa de se enquadrar em clichês Pop. O repertório é mediano, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um álbum irregular e que chega a soar forçado. 

Melhores Faixas: So Young, Feel It Still, Tidal Wave 
Piores Faixas: Rich Friends, Mr. Lonely (Fat Lip do The Pharcyde deve se perguntar até hoje, como ele veio parar ai), Easy Tiger

Chris Black Changed My Life – Portugal. The Man





















NOTA: 5/10


Foi só em 2023 que o Portugal. The Man retornou com seu 9º álbum, o Chris Black Changed My Life. Após o Woodstock, a banda se tornou conhecida mundialmente pelo hit Feel It Still, e eles pensavam em continuar se mantendo no topo. Porém, aconteceu uma perda pessoal profunda: a morte do Chris Black, amigo muito próximo da banda e figura extremamente importante no círculo criativo do grupo, fazendo com que esse trabalho assumisse um tom muito mais melancólico. A produção, feita por Jeff Bhasker, Tommy Danvers e Asa Taccone, é bem mais refinada. As guitarras estão no centro, agora com riffs suaves e texturas psicodélicas delicadas, enquanto os sintetizadores aparecem bem mais discretos, mantendo elementos do Indie Pop, Alt-Pop e Soul Psicodélico. Porém, muita coisa soa arrastada e cheio de chororô. O repertório começa mal, depois melhora, mas acaba voltando a decair (Tenso!). Enfim, é outro trabalho mediano e que acabou sendo um fiasco comercial. 

Melhores Faixas: Plastic Island, Doubt, Summer Of Luv 
Piores Faixas: Champ (Edgar Winter decepcionou), Time's A Fantasy, Grim Generation

Shish – Portugal. The Man





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos a 2025, ano em que foi lançado o 10º e mais recente álbum do Portugal. The Man, o Shish. Após o Chris Black Changed My Life, a banda acabou encerrando seu vínculo com a Atlantic Records e voltando a ser independente. Além disso, a maioria dos integrantes saiu, restando apenas John Gourley, Zoe Manville e Kyle O'Quin. Com isso, esse trabalho funciona como uma reconexão da banda com o experimentalismo dos primeiros discos. A produção, feita pelo ex-integrante Kane Ritchotte, que também tocou bateria no álbum, junto com Gourley, adota uma abordagem muito mais densa, misturando instrumentação orgânica, texturas eletrônicas, guitarras distorcidas e passagens extremamente delicadas com enorme fluidez. Dessa forma, o disco reúne Indie Pop, Post-Hardcore, Noise Pop e elementos psicodélicos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e até divertidas. No fim, é um ótimo disco e consegue ser bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Knik, Father Gun, Tyonek 
Vale a Pena Ouvir: Angoon, Mush, Tanana

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - The 1975

                  The 1975 – The 1975 NOTA: 8,3/10 Em 2013, The 1975 lançava seu álbum de estreia autointitulado, trazendo algo interessante...