domingo, 27 de setembro de 2026

Analisando Discografias - The Roots: Parte 1

                 

Organix – The Roots





















NOTA: 8,6/10


No ano de 1993, o The Roots lançava discretamente seu álbum de estreia, o Organix. Formado em 1987 na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, por Ahmir "Questlove" Thompson e Tariq "Black Thought" Trotter, na época de escola. Após esse período, entraram também o rapper Malik B e também Leonard Hubbard e Joshua Abrams (baixo) e Scott Storch (teclados). Como não conseguiram despertar o interesse de alguma gravadora, decidiram lançá-lo de forma independente. A produção foi feita pelo grupo e seguiu uma abordagem crua e peculiar. Em vez de ter beats, aqui tudo é tocado com instrumentos orgânicos. A bateria do Questlove consegue ser cadenciada e trazer variações dinâmicas. O baixo coloca um groove simples, e os teclados servem como textura, tudo complementado pelos flows precisos de Malik e Thought. Com isso, temos uma base do Jazz Rap. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco de estreia bacana de algo promissor. 

Melhores Faixas: Good Music, Pass The Popcorn, Grits, Common Dust 
Vale a Pena Ouvir: Leonard I-V, I'm Out Deah, The Session (The Longest Posse Cut In History)

Do You Want More?!!!??! – The Roots





















NOTA: 9,7/10


Dois anos se passaram, e o The Roots volta com seu 2º álbum, o sensacional Do You Want More?!!!??!. Após o Organix, depois de realizarem shows na Europa, eles conseguiram despertar o interesse de gravadoras, assinando com a Geffen Records. Além disso, entrou o beatboxer Rahzel, e o tecladista Scott Storch foi efetivado de vez. Eles passaram a pensar mais em atmosfera, dinâmica, textura e sequência. O resultado é um álbum que soa muito mais consciente de sua identidade. A produção foi feita por eles junto com A.J. Shine e Richard Nichols, que partiram para uma abordagem refinada e bem detalhada. A bateria do Questlove consegue ser muito bem acentuada. O baixo possui grooves que têm muito peso, e os teclados, guitarras e demais instrumentos aparecem de maneira muito mais integrada, além, claro, dos flows cadenciados do Thought e Malik B. O repertório é incrível, e as canções passam uma vibe noturna e profunda. No geral, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Mellow My Man, Proceed, Do You Want More?!!!??!, Distortion To Static, What Goes On Pt. 7, Essaywhuman?!!!?!, Silent Treatment 
Vale a Pena Ouvir: You Ain't Fly, Swept Away, Lazy Afternoon, The Lesson Part 1

Illadelph Halflife – The Roots





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o The Roots retorna com seu excepcional 3º álbum, o Illadelph Halflife. Após o Do You Want More?!!!??!, eles procuraram aprofundar a sua temática e, ao mesmo tempo, torná-la mais sombria, urbana, complexa e emocional. O título já indica uma ligação muito forte com a identidade do grupo e com a ideia de representar um determinado ambiente. Existe uma sensação de cidade, de movimento, de conflito e de dualidade. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e quente, que consegue dialogar não só com Jazz Rap, como também com Boom Bap. A bateria ficou muito mais calculada, e o baixo consegue criar aquela sensação de groove. Os samples estão mais integrados, os teclados mais texturizados e, com isso, os flows do Black Thought e Malik B ficam bem mais cadenciados e técnicos. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No final de tudo, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: What They Do, Respond / React, Section, The Hypnotic (D’Angelo aparece aqui), No Great Pretender, Ital (The Universal Side) (baita feat do Q-Tip), It Just Don't Stop, Push Up Ya Lighter 
Vale a Pena Ouvir: Clones, UNIverse At War, Episodes

Things Fall Apart – The Roots





















NOTA: 10/10


Em 1999, o The Roots lança o atemporal Things Fall Apart, seu 4º álbum de estúdio. Após o Illadelph Halflife, o grupo tinha assinado com a MCA Records e, nesse momento, preparava um projeto que traz uma sensação de tensão, instabilidade e reflexão que atravessa o álbum. Existe uma preocupação maior com as contradições da vida urbana, relações humanas, identidade, indústria musical e amadurecimento. A produção do grupo também contou com J Dilla e Chaos, que deixaram uma abordagem mais densa e equilibrada entre Jazz Rap e Boom Bap. A bateria do Questlove ficou muito mais variada, já que tem uso de espaços, acentos e mudanças sutis para fazer os grooves parecerem vivos, conseguindo dialogar com as linhas de baixo, que ficaram muito encorpadas. Enquanto o Black Thought e Malik B apresentam flows muito técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: You Got Me, The Next Movement, Ain't Sayin' Nothin' New, Adrenaline!, Dynamite!, Double Trouble, Act Too (The Love Of My Life) 
Vale a Pena Ouvir: Table Of Contents (Parts 1 & 2), Don't See Us, Without A Doubt

Phrenology – The Roots





















NOTA: 9,4/10


No ano de 2002, o grupo retorna com outro trabalho incrível, o Phrenology, que foi bem mais experimental. Após o Things Fall Apart, o The Roots passou por uma grande baixa com a saída do Malik B. e, com isso, ficou apenas como principal nome no microfone o Black Thought. Além disso, implementaram o percussionista Frankie Knuckles. Para esse álbum, decidiram desmontar um pouco da própria fórmula e experimentar novas possibilidades. A produção, feita junto com nomes como DJ Scratch e Cody Chesnutt, segue uma abordagem bem mais fragmentada e imprevisível. Com a bateria do Questlove sendo mais seca e agressiva, o baixo ficou mais constante, mas também dando espaço para guitarras, samples e efeitos eletrônicos, deixando os flows do Thought mais técnicos e variados, fazendo quase um Rap progressivo. O repertório é espetacular, e as canções ficaram mais imersivas. Enfim, é um baita álbum, carregado de dinâmica. 

Melhores Faixas: The Seed (2.0), Rock You, Thought @ Work, Pussy Galore, Water, Break You Off 
Vale a Pena Ouvir: Rolling With Heat, Complexity, Quills

The Tipping Point – The Roots





















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, eles voltam com seu 6º álbum de estúdio, o The Tipping Point. Após o Phrenology, esse trabalho surge depois dessa fase de experimentação, funcionando como uma espécie de tentativa de reorganizar algumas das ideias do grupo. O álbum também procura recuperar uma característica que estava muito presente nos trabalhos anteriores: a sensação de música feita por pessoas tocando juntas. A produção seguiu uma abordagem mais limpa e acessível, chegando a seguir muito a vibe do Rap mainstream daquele período. A bateria do Questlove continua sendo um dos principais elementos. O som é preciso, cheio de pequenas variações e extremamente musical, assim como o resto da instrumentação, que complementa bem, e Black Thought consegue variar bem seus flows e até momentos de canto. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Star/Pointro, Somebody's Gotta Do It, Why (What's Goin On?), Stay Cool
Vale a Pena Ouvir: Boom!, I Don’t Care, Duck Down!

Game Theory – The Roots





















NOTA: 10/10


Se passaram mais dois anos para o The Roots voltar com um novo álbum, o sensacional Game Theory. Após o The Tipping Point, a banda tinha recém-saído da Geffen Records e da MCA e acabou fechando com a Def Jam Recordings. Para esse trabalho, eles tiveram uma preocupação evidente com estratégia, competição, poder, sobrevivência e as regras de um ambiente social e musical cada vez mais complexo. A produção seguiu um caminho bastante concentrado, com baterias secas e fortes, baixos profundos, samples sombrios, teclados discretos e diferentes texturas eletrônicas, voltando a dialogar muito mais com Rap experimental e certos elementos do Boom Bap. Os vocais do Black Thought estão muito mais variados, com ele alternando entre canto e flows bastante agressivos e afiados. O repertório é excepcional, com canções muito profundas, praticamente uma coletânea. No final, é um disco atemporal e praticamente um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Can't Stop This, Game Theory, Don't Feel Right, Here I Come, In The Music, Long Time 
Vale a Pena Ouvir: Clock With No Hands, False Media, Baby

Rising Down – The Roots





















NOTA: 9/10


Se passou mais um intervalo de dois anos para eles voltarem com seu 8º álbum, o Rising Down. Após o Game Theory, que contou até com um retorno esporádico do Malik B., o grupo decidiu fazer um trabalho construído ao redor de uma sensação constante de tensão, violência, frustração e deterioração social. O próprio título funciona muito bem nesse sentido: existe uma ideia de queda, de agravamento, como se o disco estivesse observando um ambiente que está progressivamente se tornando mais difícil de suportar. A produção acabou seguindo uma abordagem pesada e bem mais quente. A bateria possui aquela característica orgânica, mas agora é utilizada de maneira muito mais seca e agressiva. O baixo tem uma presença forte, os teclados e guitarras aparecem de forma econômica e os samples são utilizados de maneira quase sombria. O repertório é ótimo, e as canções ficaram muito mais sombrias e críticas. No geral, é um belo disco e que é criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Rising Down, Get Busy, The Show, Rising Up, Criminal 
Vale a Pena Ouvir: Lost Desire, I Will Not Apologize, I Can’t Help It

How I Got Over – The Roots





















NOTA: 9,8/10


Indo para 2010, o The Roots lançava mais um projeto novo, o também sensacional How I Got Over. Após o Rising Down, esse novo álbum traz essa ideia de “como eu superei”, colocando uma perspectiva mais pessoal. Em vez de simplesmente observar os problemas do mundo, a maioria das faixas frequentemente pergunta como alguém consegue continuar vivendo, resistindo e encontrando algum tipo de significado diante desses problemas. A produção, feita como sempre pelo próprio grupo, deixa uma sonoridade quente e suave, juntando não só Jazz Rap, como também Boom Bap e Neo-Soul. A bateria continua extremamente precisa, mas agora existem muito mais momentos em que o groove parece respirar. O baixo e o resto da instrumentação têm muita presença, deixando os convidados e Black Thought rimarem de forma bem encaixada. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito reflexivas e cheias de mensagem. Em suma, é um baita disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: Now Or Never, Right On, Dear God 2.0, The Fire, Walk Alone, How I Got Over 
Vale a Pena Ouvir: The Day, Doin' It Again


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                         

sábado, 26 de setembro de 2026

Review: Álbum Autointitulado do De Staat

                   

DE STAAT – De Staat





















NOTA: 8/10


Na semana passada, o De Staat lançou seu 8º álbum de estúdio autointitulado, que trazia uma proposta diferente. Após o Red / Yellow / Blue, a banda decidiu transformar questões que já apareciam anteriormente em um conceito muito mais abrangente. A temática de poder, manipulação e autoridade não é novidade na obra do grupo, mas aqui ela se torna praticamente o eixo central do álbum. O próprio conceito foi ampliado para uma instalação artística e para um espetáculo ao vivo chamado De Staat Becomes De Staat. A produção, feita pela própria banda, traz uma sonoridade pesada e sufocante que junta tanto Rock alternativo quanto elementos da música industrial e Post-Punk. Os graves são fortes, a bateria é seca, os grooves são repetitivos de propósito e as guitarras aparecem tanto como riffs propriamente ditos quanto como elementos de textura. O repertório ficou muito bom, e as canções passam uma energia de desilusão. No geral, é um ótimo disco e muito dinâmico. 

Melhores Faixas: THE FIRE, THE MATTER 
Vale a Pena Ouvir: THE NOISE, THE UNDERDOG, GLORY, THE BOY
 

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Review: Act III do Kasabian

                   

Act III – Kasabian





















NOTA: 3,6/10


Recentemente, o Kasabian retornou com mais um trabalho novo, intitulado ACT III. Após o terrível Happenings, o Sergio Pizzorno decidiu tentar juntar várias características que a banda desenvolveu ao longo da carreira: psicodelia, música eletrônica, Hip-Hop, grooves dançantes e momentos mais atmosféricos. Com esse título tentando colocar uma espécie de fase de renascimento e, ao mesmo tempo, juntando todas as experiências desenvolvidas. A produção feita junto com Mark Ralph segue uma abordagem bem mais acessível, só que sem tirar o peso dessa experimentação, que junta tanto Dance alternativo quanto as estruturas do Indie Rock. Mas o problema é que o uso de sintetizadores parece ser massivo demais, a bateria parece não ter variação e os vocais do Sergio ficaram excessivamente processados. O repertório começa bem, mas depois só vêm canções medíocres. Enfim, é mais um trabalho em que repetem os mesmos erros. 

Melhores Faixas: SOULMATE, NOTHING BETTER THAN THIS, Hippie Sunshine, HYPER//RISING 
Piores Faixas: SILVER APPLE EYES, GLIDE, SUPERPOWERS, THE GURU AND THE CRYPTO TIME MACHINE, SAY YOU (CLOSER) 


Review: Cordas e Ventos do Guilherme Fanti

                   

Cordas e Ventos – Guilherme Fanti





















NOTA: 8/10


Voltando a dois anos atrás, foi lançado o álbum do Guilherme Fanti, intitulado Cordas e Ventos. Não se têm muitas informações sobre ele; o que se sabe é que ele é guitarrista, violinista e professor. Ele já tinha trabalhado em alguns projetos e lançado trabalhos anteriores que serviram como um laboratório de ideias. Para esse trabalho, decidiram fazer um encontro entre o universo das cordas e o dos sopros. A formação desse quinteto é composta por Ariane Rodrigues na flauta, Cris Fayão no clarinete, Felipe Brisola no baixo acústico e Tiago Mecatti na bateria. A produção possui uma sonoridade que privilegia clareza, interação e dinâmica, contendo elementos que lembram Post-Bop, Baião e um quase Samba-Jazz. A flauta e o clarinete são bem delicados, enquanto a guitarra e o resto da instrumentação possuem ritmos harmônicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem relaxantes. Enfim, é um ótimo disco que foi injustamente ignorado. 

Melhores Faixas: Influência do Jongo, Momento Instante 
Vale a Pena Ouvir: Flor Dália (Dueto), Rever, Cordas e Ventos
 

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Review: It's Album Time do Todd Terje

                   

It's Album Time – Todd Terje





















NOTA: 8,7/10


Em 2014, o Todd Terje lançava seu único trabalho de estúdio até então, o It's Album Time. A carreira do DJ norueguês começou por volta de 1999. Ele já havia desenvolvido uma identidade muito própria dentro da música eletrônica, mas sempre com uma abordagem que evitava ficar presa às convenções mais rígidas da pista de dança. Em vez de simplesmente produzir faixas funcionais para clubes, ele trabalhava muito com melodias, arranjos, instrumentos acústicos e referências claras ao Funk e à Disco Music. A produção, feita por ele próprio, é extremamente detalhista, juntando os mundos do Nu-Disco com elementos do Electro-Disco e até um pouco de Synthwave, com os sintetizadores criando elementos atmosféricos e aquele caráter futurista e retrô ao mesmo tempo. A bateria é muito controlada, e os baixos são marcantes. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem energéticas. No fim, é um belo álbum; uma pena que ele quase não lance nada. 

Melhores Faixas: Inspector Norse, Delorean Dynamite, Strandbar, Johnny And Mary (participação do Brian Ferry), Preben Goes To Acapulco 
Vale a Pena Ouvir: Leisure Suit Preben, Swing Star (Pt. 2), Swing Star (Pt. 1) 


Review: Álbum Autointitulado do Noel

                  

Noel – Noel





















NOTA: 8/10


No ano de 1988, o Noel Pagan lançava seu álbum de estreia, que trazia seu nome (100% original). O cantor, vindo do Bronx, em Nova York, começou sua carreira naquele ano, ganhando uma chance de gravar um disco pela 4th & B'way Records, uma subsidiária da gravadora Island. Em um período em que a música Pop estava dando bastante atenção para a nascente Dance Music, que tinha surgido pós-era Disco, a produção contou com vários produtores, e eles colocaram uma abordagem limpa e muito envolvente. Os sintetizadores ocupam um espaço importante nos arranjos, criando tanto as bases harmônicas quanto os elementos responsáveis por dar às músicas aquela sensação mais brilhante e eletrônica. As baterias têm uma presença muito controlada, seguindo muito a abordagem do Synth-pop e Freestyle. O repertório é muito legal, e as canções são muito divertidas. Enfim, é um ótimo disco, e é uma pena que, após isso, ele não tenha lançado nada de relevante. 

Melhores Faixas: Silent Morning, Like A Child 
Vale a Pena Ouvir: Change, Fallen Angel, Fire To Ice 

 

Review: Álbum Autointitulado da Aneka

                   

Aneka – Aneka





















NOTA: 4/10


No ano de 1981, uma indivíduo intitulada Aneka lançava seu álbum de estreia autointiulado. A pessoa por trás desse nome, chamada Mary Sandeman, era uma cantora tradicional de música escocesa, até que chegou aquele momento em que todo mundo tinha que tocar nas rádios nos anos 80. Ela adotou esse nome artístico, construiu uma persona Pop bastante marcada, com referências visuais e sonoras orientais utilizadas principalmente como parte da estética do projeto, que acabou interessando à gravadora Hansa. A produção, conduzida por Bobby Heatlie, Foss Paterson e Neil Ross, traz uma sonoridade limpa e extremamente radiofônica. Eles conseguem colocar uma vibe exótica sem tirar os padrões do Pop ocidental, muito pelo uso de sintetizadores cristalinos e de baterias eletrônicas, mas, com o tempo, tudo soa muito repetitivo. O repertório é sem graça, tem canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum fraquinho, mas, depois do sucesso, ela largou isso aqui. 

Melhores Faixas: Japanese Boy, Little Lady, Come Back To Me
Piores Faixas: Ooh Shooby Doo Doo Lang, Be My Only Karma, Tuwhit Tuwhoo, I Was Free (But You Shot Me Down)
 


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Wyclef Jean

                  

The Carnival – Wyclef Jean Featuring Refugee Allstars





















NOTA: 8,6/10


No ano de 1997, o Wyclef Jean lançava seu 1º álbum solo, intitulado The Carnival. Após o The Score com os Fugees, o rapper não parece interessado em fazer um disco preso a uma única definição do Hip-Hop/Rap. O álbum mistura Rap, Reggae, música Pop e diferentes tradições caribenhas. Essa mistura não funciona apenas como uma coleção de influências colocadas lado a lado. Existe uma tentativa clara de construir uma identidade própria em torno da ideia de carnaval, tanto como celebração quanto como representação de uma cultura extremamente diversa. A produção, feita junto com Salaam Remi, Jerry “Wonda” Duplessis e Pras, trouxe uma abordagem sofisticada, trazendo beats mais amplas. Contando com loops constantes, guitarras variadas, baixos profundos e uso de percussão, deixando algo mais orgânico e conseguindo fazer os flows do Wyclef funcionarem. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas. No fim, é um ótimo disco e merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: We Trying To Stay Alive, Gone Till November, Sang Fezi (ótima feat da Lauryn Hill), Anything Can Happen, Carnival 
Vale a Pena Ouvir: Gunpowder, Year Of The Dragon (Lauryn Hill de novo), Jaspora, Guantanamera

The Ecleftic: 2 Sides II a Book – Wyclef Jean





















NOTA: 5/10


Indo para os anos 2000, Wyclef Jean lançava seu 2º álbum, o fraquíssimo The Ecleftic (2 Sides II A Book). Após o The Carnival, o rapper decidiu trabalhar com duas faces diferentes de sua personalidade artística, colocando lado a lado o lado mais ligado ao Rap e às ruas e outro mais interessado em melodias, experimentação, música Pop, Reggae, melodias caribenhas e diferentes tradições culturais. A produção de Jerry Wonda e Farel Jean foi bem mais constante, deixando uma abordagem bem mais limpa e acessível, com eles variando entre instrumentos reais, programação eletrônica, samples e diferentes texturas. Só que o problema é que tudo soa muito sem imersão e parece uma bagunça, já que uma hora é Rap, depois vai para o Reggae, tudo sem deixar bem amarrado. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras sem nenhuma consistência. No fim, é um álbum mediano e, a partir daí, a irregularidade seria bem frequente. 

Melhores Faixas: 911 (Mary J. Blige levou o som para ela), Pullin' Me In, Kenny Rogers - Pharoahe Monch Dub Plate (nem preciso dizer quem tá de feat), Perfect Gentleman, Something About Mary 
Piores Faixas: Da Cypha, However You Want It, Where Fugees At?, Diallo, It Doesn't Matter


                                                                                        É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - The Roots: Parte 1

                  Organix – The Roots NOTA: 8,6/10 No ano de 1993, o The Roots lançava discretamente seu álbum de estreia, o Organix. Formad...