Whut? Thee Album – Redman
NOTA: 9,9/10
Em 1992, Redman lançava seu clássico álbum de estreia, o Whut? Thee Album. O rapper, vindo de Newark, Nova Jersey, começou sua trajetória dois anos antes, já que fazia rimas desde a adolescência, até ser descoberto por Erick Sermon, que o chamou para fazer parte do coletivo Hit Squad. Em seu 1º álbum, ele apresenta aquilo que se tornaria uma de suas principais características: transformar qualquer assunto em entretenimento por meio de um carisma absurdo, misturando violência cartunesca e muita técnica. A produção foi feita pelo rapper junto com Erick Sermon, que construíram uma sonoridade crua sobre batidas pesadas, contando com linhas de baixo marcantes, baterias secas e samples de Parliament-Funkadelic, James Brown e outros artistas do Funk dos anos 70, reunindo tudo isso dentro da estética do Boom Bap. O repertório é incrível, e as canções são muito divertidas e carregadas de imersão. No fim, é um baita disco e era apenas o começo.
Melhores Faixas: Tonight's Da Night, Time 4 Sum Aksion, Blow Your Mind, How To Roll A Blunt, Da Funk, Rated "R"
Vale a Pena Ouvir: So Ruff, I'm A Bad, Jam 4 You
Dare Iz A Darkside – Redman
NOTA: 10/10
Dois anos depois, Redman lançou seu sensacional 2º álbum, o Dare Iz a Darkside. Após o Whut? Thee Album, o rapper decidiu explorar um lado muito mais sombrio, psicodélico e desorientador. O próprio Redman já comentou diversas vezes que esse foi um período turbulento de sua vida, marcado pelo abuso de drogas e por um estado mental instável, algo que acabou influenciando diretamente a criação do disco. A produção foi feita mais uma vez em parceria com Erick Sermon e Rockwilder, que trouxeram batidas mais orgânicas, com forte presença de baterias pesadas. Os elementos do Funk aparecem de forma muito mais distorcida, pesada e psicodélica. Os graves são enormes, e os loops parecem soterrados na mixagem. Os flows do Redman são bem variados, criando personagens com uma naturalidade impressionante. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um baita disco e uma obra-prima.
Melhores Faixas: Can't Wait, Basically, Bobyahed2dis, Da Journee, Winicumuhround, Rockafella, A Million And 1 Buddah Spots, Sooperman Luva II
Vale a Pena Ouvir: Green Island, We Run N.Y., Cosmic Slop
Muddy Waters – Redman
NOTA: 10/10
Em 1996, Redman lançava seu 3º álbum, o clássico e atemporal Muddy Waters. Após o Dare Iz a Darkside, o rapper já era um dos nomes mais respeitados da Costa Leste. Aqui, ele decidiu fazer um trabalho que equilibrasse os elementos de cada um de seus dois primeiros álbuns, preservando sua identidade caótica, mas apresentando uma estrutura mais consistente e uma seleção de músicas mais forte. A produção agora contou com nomes como Pras, Te-Bass e outros, que, no geral, seguiram por um caminho mais cru e orgânico, com batidas mais amplas, contando com baixos encorpados, guitarras com wah-wah, teclados vintage e baterias secas, criando uma identidade sonora extremamente consistente. Além dos já característicos samples de Funk, que entram dentro da estética do Boom Bap, os flows do rapper ficaram bem mais técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Em suma, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Do What Ya Feel (Method Man amassando), Rock Da Spot, Iz He 4 Real, Da Bump, On Fire, Creepin', Whateva Man, Rollin'
Vale a Pena Ouvir: Smoke Buddah, What U Lookin' 4, Yesh Yesh Ya'll
Doc's Da Name 2000 – Redman
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: I'll Bee Dat!, Well All Rite Cha (Method Man indo bem), Let Da Monkey Out, Da Da Dahhh
Vale a Pena Ouvir: Brick City Mashin'!, D.O.G.S., Cloze Ya Doors, Get It Live, Soopaman Lova IV
Malpractice – Redman
NOTA: 4/10
Em 2001, Redman voltou lançando seu 5º álbum, o Malpractice, e aqui as coisas começaram a dar errado. Após o Doc's da Name 2000 e Blackout!, ao lado de Method Man, esse projeto foi concebido para ser mais acessível. O humor continua sendo uma das principais características de Redman, mas agora acompanhado por produções mais limpas e uma abordagem voltada para ampliar seu alcance comercial. A produção contou com DJ Twinz, Erick Sermon e vários outros, que adotaram uma abordagem mais polida para dialogar com o Rap mainstream, ou seja, batidas limpas, com baterias fortes, graves definidos e uma presença maior de sintetizadores, mesmo permanecendo dentro da estética do Boom Bap. Só que tudo soa extremamente reciclado e inchado, e os flows do Redman chegam a parecer bastante repetitivos. O repertório é ruim, embora tenha algumas canções legais, mas o resto é genérico. No final, é um álbum terrível e tedioso.
Melhores Faixas: Enjoy Da Ride, Let's Get Dirty (I Can't Get In Da Club), J.U.M.P. (boa feat do George Clinton), Whut I'ma Do Now, Bricks Two
Piores Faixas: Lick A Shot, Doggz II (DMX decepcionando), Da Bulls**t (Scarface não fez nada), Muh-F***a, Soopaman Luva 5 (Part 1), Real N****z, Uh-Huh
Red Gone Wild: Thee Album – Redman
NOTA: 3/10
Seis anos depois, Redman voltou com mais um disco, o Red Gone Wild: Thee Album. Após o fraquíssimo Malpractice, ele ganhou ainda mais notoriedade pela comédia How High e por diversas turnês e participações especiais. Embora continuasse ativo, muitos fãs aguardavam um novo trabalho solo que mostrasse se Redman ainda conseguiria manter o mesmo nível criativo de seus discos dos anos 90. A produção contou com Timbaland, Pete Rock, E3, Da Mascot e vários outros, que trouxeram uma sonoridade polida, com batidas variadas, baterias marcantes, sintetizadores modernos, graves fortes e muitos samples de Funk, tudo isso dentro da sonoridade moderna do Rap mainstream da segunda metade dos anos 2000. Só que tudo é extremamente previsível, e os flows do rapper acabam sendo bastante repetitivos. O repertório é muito ruim, com canções chatas e poucas realmente interessantes. No geral, é um trabalho péssimo que apenas demonstrava a queda do Redman.
Melhores Faixas: Gimmie One, Walk In Gutta (tem até feat do Biz Markie), Suicide
Piores Faixas: Sumtn 4 Urrbody, Rite Now, Merry Jane (Snoop e Nate Dogg entregaram nada), Bak Inda Buildin, Get 'Em, Blow Teez, Pimp Nutz (Method Man decepcionou), Hold Dis Blaow!
Reggie – Redman
NOTA: 2/10
Melhor Faixa: Lemme Get 2
Piores Faixas: Lift It Up, Def Jammable, Whn The Lights Go Off, Full Nelson, Cheerz
Muddy Waters Too – Redman
NOTA: 8,5/10
Em 2024, Redman lançou seu nono álbum e último até então, o Muddy Waters Too. Após o Reggie, essa continuação foi prometida durante mais de uma década, sendo anunciada diversas vezes e constantemente adiada. Essa longa espera fez com que o álbum adquirisse um status quase lendário entre os fãs. Nele, Redman preserva praticamente toda a sua identidade artística: humor absurdo, referências à maconha, storytelling, personagens e trocadilhos. A produção foi feita pelo próprio rapper em parceria com Erick Sermon, Theory Hazit, Rockwilder, Rick Rock e vários outros, que seguiram uma abordagem clássica do Boom Bap noventista, com batidas cruas e diretas. Há uma forte presença de baterias secas, baixos muito fortes, teclados vintage, guitarras de funk e scratches discretos. Além disso, o flow do Redman está muito técnico e preciso. O repertório, apesar de contar com 32 faixas, é muito bom e divertido. Em suma, é um disco bacana e muito bem amarrado.
Melhores Faixas: Don't U Miss, Lalala (Method Man amassou), Don't Wanna C Me Rich, Soopaman Luva 7
Vale a Pena Ouvir: Aye, Jersey, Looka Here (ótima feat do KRS-One), I'm On Dat Bullshit, Whut's Hot, Lite it Up, Goofy
Então um abraço e flw!!!




















