quarta-feira, 8 de abril de 2026

Analisando Discografias - Ronnie Von: Parte 2

                 

Ronnie Von (1973) – Ronnie Von





















NOTA: 8,2/10


Aí, mais um ano se passou, e Ronnie Von lança mais um álbum seguindo aquela mesma abordagem. Após o álbum de 1972, o cantor estava, naquele momento, tentando se reposicionar dentro de um cenário musical profundamente transformado. O Brasil vivia a consolidação da MPB como linguagem dominante, o fortalecimento de compositores mais engajados e o início de uma estética mais reflexiva. Ronnie decidiu se adaptar a esse momento, só que com sua própria abordagem. A produção, feita novamente por Arnaldo Saccomani, adota uma direção mais direta e contemporânea em relação à MPB daquele período, mas ainda mistura elementos do Pop barroco, Afoxé e do Rock psicodélico, já que é evidente que as harmonias são mais abertas e as atmosferas mais discretas, o que se encaixa com os vocais expressivos do cantor. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e bem cadenciadas. No fim, é um ótimo álbum e que é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Linda Morena, Essas Coisas Acontecem Sempre, Gira-Girou 
Vale a Pena Ouvir: (As Coisas Vão E Voltam) ''Mas Acabam Em Rock And Roll'', Deus Sul-Americano, Amores Perdidos No Ar

Ronnie Von (1977) – Ronnie Von





















NOTA: 4/10


E aí se passaram quatro anos, e Ronnie Von acabou retornando com um novo disco, agora de um jeito diferente. Após o álbum de 1973, o cantor acabou dando uma pausa em lançamentos inéditos, muito porque focou em seu programa de TV e também porque passou por um período delicado, já que teve uma doença rara, inicialmente diagnosticada como polineurite plurirradicular, que depois foi confirmada como Síndrome de Guillain-Barré, e que o teria deixado imóvel durante 60 dias. Depois de se recuperar, ele saiu da Polydor e assinou com a RCA Victor. Produção, conduzida por Marco Antonio Galvão, é bastante polida, com arranjos orquestrais típicos da música romântica dos anos 70 e instrumentação limpa (piano, cordas, guitarras suaves); com isso, ele passou a dialogar bastante com um lado bem mais Brega, o que torna tudo muito repetitivo. O repertório é fraquinho, com canções boas e outras chatinhas. No geral, é um álbum ruim, mas que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Tranquei A Vida, Dia De Folga, Velhos Amigos, Personagem De Um Sonho De Verão 
Piores Faixas: Uno, Assim Numa Avenida, Close To You (They Long To Be), Concreto, Cert E Definido, Risque

Sinal Dos Tempos – Ronnie Von





















NOTA: 3/10


Indo para 1981, Ronnie Von lançava mais um trabalho novo, o Sinal Dos Tempos. Após o álbum de 1977, o cantor entrou nessa nova década em que a música brasileira passou por uma enorme pasteurização, seguindo basicamente a temática romântica que estava dando certo, além de sua forte presença na televisão (especialmente em trilhas, até porque ele era artista da Som Livre). A produção, conduzida por Max Pierre, segue uma abordagem bastante polida e orientada ao Pop brasileiro, mais precisamente a um Adult Contemporary, com certos elementos do Boogie e até Yacht Rock. Com isso, temos arranjos orquestrais suaves, uso de teclados e sintetizadores, guitarras discretas e uma estrutura radiofônica; só que, como dito, tudo é muito pasteurizado e bem repetitivo. O repertório é bem ruim, com canções genéricas e poucas que se salvam. Enfim, é mais um trabalho fraco e cheio de irregularidades. 

Melhores Faixas: Cicatrizes, Como Vai Sua Vida, Sinal Dos Tempos 
Piores Faixas: Bobo Rei, Recaminho, Último Lance, Mulher Ideal

Ronnie Von (1984) – Ronnie Von





















NOTA: 2/10


Se passaram três anos, e Ronnie Von lançava mais um álbum, que trouxe poucas mudanças. Após o Sinal dos Tempos, o cantor continuava tendo bastante visibilidade e decidiu seguir as tendências, já que, naquele período, o Rock brasileiro estava dominando o mainstream; com isso, ele queria fazer algo que pudesse equilibrar toda a sua temática com o contemporâneo. A produção, feita por Arnaldo Saccomani e Luiz Carlos Maluly, é bastante polida e radiofônica, seguindo uma instrumentação bem suave e com uso crescente de sintetizadores na maioria dos arranjos; além disso, a banda de apoio presente é o Roupa Nova, o que evidencia uma orientação forte ao Soft Rock, mas tudo soa bem arrastado e bastante genérico. O repertório é terrível, com canções bem medíocres e poucas que se salvam. No final, é um álbum péssimo e que mostrava sua queda artística. 

Melhores Faixas: Cachoeira, Só Pra Te Guardar 
Piores Faixas: Foi Bom Te Encontrar, Pássaro Raro, Você Faz Bem Pra Mim, Sabor de Rosa, Cacho de Uva

Vida e Volta – Ronnie Von





















NOTA: 2/10


Indo para 1987, foi lançado mais um álbum do Ronnie Von, intitulado Vida e Volta. Após o álbum de 1984, o cantor já não estava mais no centro das atenções, em um momento em que o mainstream dava destaque ao Rock nacional (BRock), à consolidação do Pop nacional moderno e com a música brega sendo deixada de lado. Ronnie não tenta competir com essas tendências; ele decide trazer um trabalho seguindo a temática que já tinha dado certo. A produção é basicamente a mesma, só que mais enxuta e menos grandiosa. Em vez de grandes arranjos orquestrais ou excesso de sintetizadores, o disco aposta em uma instrumentação equilibrada e arranjos discretos que dialogam com o Adult Contemporary da época, mas, ainda assim, tudo é muito sem graça e genérico. O repertório é péssimo, com canções bem melosas e poucas interessantes. No fim, é outro álbum péssimo que repete os mesmos erros. 

Melhores Faixas: Vida E Volta, Rua Ramalhete 
Piores Faixas: Canção Sobre Viver, Minha Dona, Próxima Atração, Mel E Mal

One Night Only – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Foi só em 2019 que Ronnie Von retornou, lançando o álbum One Night Only, que trouxe algo bem diferente. Após o Vida e Volta, o cantor até lançou outros trabalhos, mas mais para cumprir contrato, e acabou se dedicando principalmente à televisão e à vida pessoal. Quando decide retornar, não o faz tentando dialogar com tendências contemporâneas, nem revisitando diretamente suas fases anteriores; opta por lançar um álbum de Standards, influenciado por artistas como Frank Sinatra e Ray Charles. A produção, feita por Rubens Azevedo, Demetre Georguleas e Donny Silva, consegue capturar organicidade e espontaneidade, com tudo sendo gravado em take único e com uma banda de apoio fornecendo a base para os vocais intimistas do cantor. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas e cheias de emoção. Em suma, é um bom projeto e bem coeso. 

Melhores Faixas: For Sentimental Reasons, Because Of You 
Vale a Pena Ouvir: In My Life, When I Fall In Love, The Way You Look Tonight, You Don't Know Me, I Remember You


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!        

terça-feira, 7 de abril de 2026

Review: Distracted do Thundercat

                  

Distracted – Thundercat





















NOTA: 8,7/10


Após seis anos, Thundercat retorna lançando seu 5º álbum de estúdio, o Distracted. Após o It Is What It Is, que foi marcado pelo luto pela morte de Mac Miller, esse trauma não apenas permanece, como se transforma em matéria-prima central aqui. Neste novo trabalho, Stephen Bruner amplia o escopo: não é mais apenas o luto, mas a própria condição contemporânea, marcada por ansiedade, excesso de estímulos, saturação digital e crises existenciais cotidianas. Produção conta com o próprio cantor, junto com Greg Kurstin, Flying Lotus, Kenny Beats e outros, que adotam uma abordagem mais polida, na qual o baixo do Thundercat continua virtuoso, mas menos exibicionista. Ele serve mais às canções do que à demonstração técnica, encaixando-se em arranjos que misturam Soul, Jazz Fusion, Funk e psicodelia com uma fluidez quase invisível. O repertório é muito bom, com canções bem suaves e reflexivas. No fim, é um ótimo álbum, bem enxuto. 

Melhores Faixas: She Knows Too Much (Mac Miller aparecendo aqui bateu uma bad), She Knows Too Much (participação do Tame Impala), Walking on the Moon, A.D.D. Through the Roof, Pozole 
Vale a Pena Ouvir: I Did This To Myself (ótima feat do Lil Yachty), Funny Friends (A$AP Rocky mandou bem), Anakin Learns His Fate
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Ronnie Von: Parte 1

                 

Ronnie Von (1966) – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Em 1966, Ronnie Von lançava seu álbum de estreia, que levava seu nome (algo que se tornaria frequente). O cantor carioca começou sua trajetória no ano anterior, em meio ao boom da Jovem Guarda. Ronnie rapidamente se destacou como uma figura alternativa dentro do mainstream jovem. Diferente de outros ídolos da época, sua imagem foi cuidadosamente moldada: ganhou o apelido de “Pequeno Príncipe”, já que apresentava o programa televisivo O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na Record. Com produção do Fred Jorge, o álbum foi gravado de forma simples e limitada, sendo fortemente baseado em arranjos de Pop orquestrado leve, com guitarras limpas, seções de cordas discretas e uma base rítmica que lembra o que os Beatles faziam na época do Rubber Soul. Os vocais do Ronnie são bem variados, indo do sussurrado ao emocional. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante melódicas. Enfim, é um bom trabalho de estreia, apesar das limitações. 

Melhores Faixas: Meu Pranto A Deslizar (As Tears Go By), Amor, Nada Mais (Here, There And Everywhere) 
Vale a Pena Ouvir: Pequeno Príncipe, Meu Bem (Girl), Minha Crença (For No One)

Ronnie Von (1967) – Ronnie Von





















NOTA: 8/10


Então se passou um ano, e foi lançado seu 2º álbum, que ainda seguia a mesma temática. Após o disco de estreia, Ronnie Von começou a ganhar muita visibilidade, com seu programa de TV funcionando como uma plataforma cultural relevante, inclusive abrindo espaço para nomes que mais tarde seriam centrais na Tropicália. Isso cria um contexto interessante: enquanto o disco ainda pertence à lógica da música jovem comercial, o artista já está em contato com ideias mais avançadas. A produção é mais tematizada, contendo arranjos limpos, gravações diretas, forte presença de guitarras elétricas suaves, baixo marcado e bateria simples. A voz do Ronnie Von continua sendo o centro: controlada, elegante e emocionalmente contida. O repertório é bem legalzinho, com canções divertidas e outras mais introspectivas. Enfim, é um álbum bacana e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Escuta, Meu Amor, O Carpinteiro (If I Were A Carpinter) 
Vale a Pena Ouvir: Vamos Protestar, Menina Flor, A Praça

Ronnie Von Nº 3 – Ronnie Von





















NOTA: 8,2/10


E aí, lá perto do fim daquele ano, foi lançado mais um trabalho, que ficou conhecido como Ronnie Von Nº 3. Após o álbum anterior, Ronnie Von estava sendo bem estratégico, já que seu programa colocava lado a lado artistas da Jovem Guarda e nomes emergentes como Caetano Veloso e Os Mutantes, ajudando a pavimentar o terreno da Tropicália. De um lado, a indústria ainda exigia o formato da Jovem Guarda; do outro, Ronnie já estava cercado por ideias mais ousadas. A produção foi conduzida por Manoel Barenbein, que adicionou uma textura sonora mais extensa ao álbum, trazendo elementos do Pop barroco, Folk e psicodelia embrionária. Apesar de ainda seguir a instrumentação típica da Jovem Guarda, o disco faz ótimo uso dos arranjos de cordas. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até mais imersivas. No fim, é um ótimo álbum, bastante consistente. 

Melhores Faixas: O Último Homem Da Terra, Pra Chatear (participação do Caetano Veloso), O Homem Da Bicicleta 
Vale a Pena Ouvir: Belinha, Jardim De Infância, A Chave

Ronnie Von (1969) – Ronnie Von





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o sensacional 4º álbum de estúdio do Ronnie Von. Após o Nº 3, o cantor passou por mudanças drásticas em sua carreira, já que seu programa de TV na Record acabou se encerrando e, nesse período, ele passou a ficar muito próximo do pessoal do movimento Tropicália. Com isso, ele absorve influências, mas constrói uma linguagem própria, mais próxima do psicodelismo britânico. A produção, feita por Manoel Barenbein e Arnaldo Saccomani, é bem refinada, com os arranjos de Damiano Cozzella sendo centrais, trazendo cordas dramáticas, mudanças bruscas de dinâmica, efeitos sonoros (como vidro quebrando), colagens e estruturas não lineares. Com isso, você tem uma junção do Pop barroco, Rock psicodélico e Tropicália de forma brilhante. O repertório é sensacional, funcionando quase como uma coletânea. No fim, é um álbum maravilhoso e um clássico da música brasileira, apesar de ter sido menosprezado na época. 

Melhores Faixas: Chega de Tudo, Silvia 20 Horas, Domingo, Meu Novo Cantar, Tristeza Num Dia Alegre, Menina De Tranças 
Vale a Pena Ouvir: Anarquia, Canto De Despedida, Espelhos Quebrados

A Misteriosa Luta Do Reino De Parassempre Contra O Império De Nunca Mais – Ronnie Von





















NOTA: 9/10


Meses se passaram, e foi lançado outro álbum dele, A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nunca Mais. Após seu clássico e, ao mesmo tempo, detestado pela mídia álbum anterior, Ronnie Von queria continuar seguindo essa temática, mas buscando organizar melhor suas ideias: menos ruptura caótica, mais coesão estética e maior integração entre experimentação e forma. A produção, feita por Afonso Soares, manteve a base psicodélica, mas com maior clareza estrutural, trazendo arranjos de cordas elaborados, guitarras trabalhadas e menos caóticas, uso de atmosferas melancólicas e uma integração entre MPB, Rock psicodélico e Pop barroco. Os vocais do Ronnie estão bem mais expressivos e cheios de energia. O repertório é incrível, com canções bem imersivas e profundas. No final de tudo, é um belo álbum, e que foi mais híbrido. 

Melhores Faixas: Pare De Sonhar Com Estrelas Distantes, Atlântida (Atlantis), De Como Meu Herói Flash Gordon Irá Levar-Me De Volta À Alpha Do Centauro Meu Verdadeiro Lar, Por Quem Sonha Ana Maria, Foi Bom 
Vale a Pena Ouvir: Mares De Areia, Regina E O Mar, Dindi

Minha Máquina Voadora – Ronnie Von





















NOTA: 9,2/10


E aí, entrando nos anos 70, Ronnie Von lançava mais um álbum, intitulado A Máquina Voadora. Após o álbum anterior, ele se encontrava em uma posição artística única: completamente livre criativamente, mas também deslocado comercialmente, com esse trabalho funciona como a finalização dessa trilogia. O conceito central gira em torno da aviação, não apenas como tema literal, mas como metáfora de fuga, transcendência e deslocamento existencial. A produção, feita por Arnaldo Saccomani, é bem mais refinada e orgânica. A psicodelia ainda está presente, mas agora de forma menos explosiva e mais atmosférica, contendo arranjos sofisticados e detalhistas, uso de efeitos como distorções vocais e uma integração mais natural entre instrumentos elétricos e elementos orquestrais. O repertório é maravilhoso, com canções belíssimas e carregadas de profundidade. No geral, é um álbum sensacional, embora, no conjunto, essa trilogia tenha sido um fiasco comercial. 

Melhores Faixas: Continentes E Civilizações, Viva O Chopp Escuro, Imagens, Baby De Tal, Seu Olhar No Meu, Cidade 
Vale a Pena Ouvir: Você De Azul, Seu Olhar No Meu, Àguas De Sempre

Ronnie Von (1972) – Ronnie Von





















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, Ronnie Von lançava mais um trabalho, que voltaria a levar seu nome. Após A Máquina Voadora e com o fim da trilogia psicodélica, neste novo trabalho há uma tentativa de reconciliação entre experimentação e comunicação. Ele não abandona completamente as ideias da fase anterior, mas reduz o grau de radicalismo, aproxima-se de estruturas mais tradicionais e incorpora elementos de espiritualidade e introspecção. A produção, feita mais uma vez por Arnaldo Saccomani, é bem mais contida, deixando de lado a colagem sonora caótica e trazendo arranjos mais orgânicos e uma instrumentação mais limpa, apesar de continuar seguindo influências do Rock psicodélico. Percebe-se também um diálogo com a MPB e alguns elementos do Afoxé, o que se encaixa bem na temática do cantor. O repertório é muito bom, com canções bastante introspectivas. Enfim, é um disco bacana, mas que também não emplacou. 

Melhores Faixas: Eu Era Humano E Não Sabia, Céu Vermelho, Tereza Christina, Camping
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiro De Aruanda, E Essa Gente Passa Cantando


segunda-feira, 6 de abril de 2026

Analisando Discografias - Pharoahe Monch

                 

Internal Affairs – Pharoahe Monch





















NOTA: 10/10


Em 1999, foi lançado o 1º álbum solo do Pharoahe Monch, intitulado Internal Affairs. Após o lançamento de The Equinox, o Organized Konfusion acabou se encerrando. Vendo que o Rap passava por uma transição, com o mainstream sendo dominado por sons mais comerciais, enquanto o underground mantinha a tradição lírica viva, Monch entra nesse contexto com a missão de provar que sua habilidade não era dependente da dinâmica de grupo. A produção, feita por ele junto com Lee Stone, DJ Scratch e até The Alchemist, traz beats minimalistas, pesados e quase industriais, com samples mais obscuros, criando um contraste perfeito com o flow explosivo do Monch; ao mesmo tempo, outras faixas apresentam arranjos mais orgânicos e sofisticados, mostrando a versatilidade do projeto. Tudo isso segue a temática do Boom Bap tradicional. O repertório é maravilhoso, e as canções são cheias de profundidade. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Simon Says, Behind Closed Doors, Hell, No Here, God Send (ótima feat do Prince Po), Queens, The Light 
Vale a Pena Ouvir: The Truth, Right Here, The Next Shit

Desire – Pharoahe Monch





















NOTA: 8,7/10


Então, se passaram oito anos e foi lançado o 2º álbum solo do Pharoahe Monch, o Desire. Após o Internal Affairs, o rapper acabou saindo da Priority Records; ele chegou a passar pela Geffen, mas ficou pouco tempo, e então foi disputado por outras gravadoras até assinar com a Street Records Corporation (SRC). Esse retorno foi altamente consciente, não apenas de um MC veterano, mas de alguém que precisava se reafirmar em um novo contexto, em que o Rap já não era o mesmo do final dos anos 90. A produção conta com Lee Stone, The Alchemist, Denaun Porter, entre outros, e segue um caminho mais híbrido, incorporando elementos de Neo-Soul, música eletrônica e até influências mais contemporâneas do Hip-Hop/Rap dos anos 2000; além disso, os flows do Monch alternam entre agressividade, melodia e até spoken word. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem profundas e cheias de crítica social. No geral, é um álbum bem bacana e mais variado. 

Melhores Faixas: Desire, Push, Bar Tap, Hold On, Let’s Go 
Vale a Pena Ouvir: When The Gun Draws, So Good, Welcome To The Terrordome

W.A.R. (We Are Renegades) – Pharoahe Monch





















NOTA: 8/10


Indo para 2011, foi lançado mais um álbum do rapper, o W.A.R. (We Are Renegades). Após o Desire, que girava em torno da ideia de “desejo”, aqui Monch amplia o escopo para algo mais ideológico: a figura do “renegado” como símbolo de resistência, inconformismo e luta contra estruturas opressivas. Vindo em um período marcado por tensões políticas globais, guerras no Oriente Médio e crescente insatisfação social, esses elementos permeiam o conteúdo lírico de forma explícita. A produção, feita por ele junto com Diamond D, Marco Polo, Exile, entre outros, mergulha em uma sonoridade híbrida que mistura Rap com Rock, Soul e música eletrônica, com pouquíssimos elementos de Boom Bap; enquanto isso, os seus flows são extremamente técnicos, quase militares, embora em alguns momentos isso fique um pouco confuso. O repertório é bem interessante, com canções profundas e outras mais fracas. Enfim, é um álbum legal, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Evolve, Clap (One Day), The Hitman, W.A.R., Still Standing 
Piores Faixas: Black Hand Side, Haile Selassie Karate, Shine

P.T.S.D. (Post Traumatic Stress Disorder) – Pharoahe Monch





















NOTA: 8,2/10


Três anos depois, foi lançado seu 4º e último álbum até então, o P.T.S.D. (Post Traumatic Stress Disorder). Após o W.A.R. (We Are Renegades), que explorava o “renegado” como figura coletiva de resistência, aqui o foco se volta para dentro: o trauma como elemento central da experiência humana. O álbum é fortemente inspirado no conceito de transtorno de estresse pós-traumático, mas Monch expande essa ideia para além do diagnóstico clínico. A produção, como sempre, é bastante diversificada, contando não só com ele, mas também com Boogie Blind, Jesse West, entre outros, que seguem uma abordagem bastante híbrida; aqui, porém, há muito mais elementos de Boom Bap, com uma atmosfera mais densa, quase sufocante, refletindo o tema do trauma. A abordagem de Pharoahe Monch é mais emocional, sem deixar de lado seu jeito técnico de rimar. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas. Em suma, é um ótimo álbum e muito mais coeso. 

Melhores Faixas: Bad M.F., Rapid Eye Movement (Black Thought amassou), Broken Again
Vale a Pena Ouvir: The Jungle, Time2, D.R.E.A.M., Post Traumatic Stress Disorder

                                                                            Então um abraço e flw!!!                  

Analisando Discografias - Prince Po

                  

The Slickness – Prince Po





















NOTA: 7/10


Em 2004, Prince Po lançava seu 1º álbum solo, intitulado The Slickness, que seguia uma abordagem diferente. Após o fim do Organized Konfusion, o rapper queria reafirmar sua relevância. Esse período era particularmente complexo para artistas da velha guarda do underground nova-iorquino, já que o início dos anos 2000 foi marcado por uma forte transição sonora, com o crescimento do Rap comercial, do sul dos EUA e de uma estética mais polida, o que deixava menos espaço para aquele lirismo denso. A produção é mais diversificada, contando com nomes como Madlib, Danger Mouse e afins, que trouxeram beats mais crus e minimalistas, com drums secos, loops de Jazz e Soul e uma atmosfera mais introspectiva, só que mais modernizada para dialogar com o rap daquele período; com isso, há muita coisa previsível em vários momentos. O repertório é até legalzinho, com canções boas e outras genéricas; no fim, é um bom álbum, mas que apresenta algumas inconsistências. 

Melhores Faixas: Social Distortion (ótima feat do MF DOOM), The Slickness, Love Thang, Bump Bump (Raekwon amassou), Be Easy, Fall Back, Hello 
Piores Faixas: Hold Dat, Grown Ass Man, Meet Me At Tha Bar, It's Goin' Down, Hold Dat (Club Remix)

Animal Serum – Prince Po & Oh No





















NOTA: 8/10


E aí foi só em 2014 que ele ressurge com um trabalho novo, intitulado Animal Serum. Após o The Slickness, Prince Po encontra aqui uma parceria que finalmente oferece a coesão que faltava em trabalhos anteriores. Ao unir forças com Oh No, irmão do Madlib, conhecido por seu estilo cru, psicodélico e profundamente enraizado no sample, o projeto já nasce com uma identidade mais definida. A produção, feita inteiramente por Oh No, segue uma abordagem densa, suja e muitas vezes desconfortável, no melhor sentido possível; os beats são carregados de distorção, loops pouco convencionais e uma sensação constante de desorientação. Os samples utilizados são obscuros e frequentemente manipulados de forma a perder sua origem reconhecível, o que combina com o lirismo fragmentado do Po. O repertório é muito bom, e as canções são cheias de críticas e com muita profundidade. Enfim, é um ótimo álbum e muito coeso. 

Melhores Faixas: Smash (participação do Pharoahe Monch; relembrando os velhos tempos), U 
Vale a Pena Ouvir: Toxic, Where U Eat, Keep Reachin, Wavy

 

Analisando Discografias - Ronnie Von: Parte 2

                  Ronnie Von (1973) – Ronnie Von NOTA: 8,2/10 Aí, mais um ano se passou, e Ronnie Von lança mais um álbum seguindo aquela me...