domingo, 15 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 3

                 

Man In Black – Johnny Cash





















NOTA: 8,4/10


Em 1971, o Johnny Cash retorna com mais um novo disco intitulado Man in Black. Após o Hello, I'm Johnny Cash, Cash passou a assumir de forma mais explícita um papel de comentarista social. O início da década de 70 nos United States era marcado por tensões políticas e sociais intensas. O cantor, que sempre demonstrou empatia por trabalhadores, presos e minorias, decidiu abordar essas questões diretamente em suas músicas. A produção foi feita pelo próprio Cash, que colocou arranjos mais expansivos, ainda sendo acompanhado por sua banda de longa data, o Tennessee Three. O grupo incluía o guitarrista Bob Wootton, que havia assumido o papel anteriormente ocupado pelo falecido Luther Perkins, o baixista Marshall Grant e o baterista W. S. Holland, e aqui seguiram uma temática muito mais puxada para o Outlaw Country e até com influências progressivas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Man In Black, If Not For Love, Look For Me (June Carter aparecendo de novo) 
Vale a Pena Ouvir: Orphan Of The Road, Ned Kelly

A Thing Called Love – Johnny Cash





















NOTA: 8,3/10


Mais um ano se passa e foi lançado outro disco dele, A Thing Called Love, que foi mais comercial. Após o Man in Black, Johnny Cash estava prestando atenção na nova geração de compositores de Country e Folk que começava a transformar a música americana. Cash tinha uma habilidade especial para identificar grandes compositores e reinterpretar suas obras com personalidade própria, e aqui não foi diferente. Produção feita por Larry Butler, cuja base sonora continua centrada no estilo Country music tradicional, com algumas influências mais Pop, com instrumentação relativamente simples, porém extremamente eficaz, tendo a presença de piano, guitarras adicionais e coros ocasionais que enriquecem a textura sonora sem comprometer a simplicidade que sempre caracterizou seu estilo. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada mais envolvente. No fim, é um disco legal e que cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: A Thing Called Love, Mississippi Sand, I Promise You 
Vale a Pena Ouvir: Papa Was A Good Man, The Miracle Man, Kate

Any Old Wind That Blows – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Novamente se passa mais um ano, e foi lançado outro álbum do Johnny Cash, o Any Old Wind That Blows. Após A Thing Called Love, ele continuava compondo e interpretando músicas profundamente ligadas às tradições narrativas da Country music. Decidiu fazer um álbum que reflete bem a diversidade temática que caracterizava sua obra: histórias de personagens marginais, reflexões espirituais, narrativas dramáticas e momentos de humor. Produção feita novamente por Larry Butler, que ficou centrada no som do Country Pop daquele período, sustentado por arranjos relativamente simples, mas extremamente eficazes. Além disso, apresenta arranjos mais amplos em algumas faixas, com presença ocasional de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são todas bem mais melódicas. Enfim, é um disco legal e bem consistente. 

Melhores Faixas: Oney, The Good Earth 
Vale a Pena Ouvir: Kentucky Straight, If I Had A Hammer, Too Little, Too Late

Ragged Old Flag – Johnny Cash





















NOTA: 6/10


Passou-se mais um ano e foi lançado mais um trabalho novo dele, intitulado Ragged Old Flag. Após o Any Old Wind That Blows, Cash prestava atenção no momento que os United States passavam após a longa e controversa Guerra do Vietnã, que ainda estava fresca na memória coletiva, enquanto o escândalo político conhecido como Caso Watergate abalava a confiança do público nas instituições governamentais. Com isso, ele decidiu fazer um álbum que refletisse sobre o significado da identidade americana em um momento de crise nacional. Produção feita pelo cantor junto com Charlie Bragg, onde colocaram arranjos bem simplistas, baseados em guitarras acústicas, baixo e bateria, com eventuais adições de piano e coros. A voz de Cash assume um papel quase teatral em várias faixas, só que, ainda assim, tudo fica muito sem graça e bem repetitivo. O repertório é mediano, tem canções boas e outras bem bobas. No fim, é um álbum irregular e que mostra certa inconsistência. 

Melhores Faixas: King Of The Hill, All I Do Is Drive, Good Morning Friend 
Piores Faixas: Lonesome To The Bone, Don't Go Near The Water, I'm A Worried Man

The Junkie And The Juicehead Minus Me – Johnny Cash





















NOTA: 5/10


Alguns meses se passaram e outro álbum do cantor foi lançado, o The Junkie And The Juicehead Minus Me. Após o Ragged Old Flag, ele quis fazer um trabalho que o titulo já dá uma amostra que pode ser traduzido aproximadamente como “O viciado em drogas e o alcoólatra, menos eu”. A proposta do álbum está justamente ligada a esse conceito. Em vez de cantar diretamente sobre esses personagens, Cash assume o papel de observador ou narrador de histórias que exploram vidas marcadas por excessos, falhas humanas e busca por redenção. Produção foi relativamente a mesma, só que oscilando entre momentos introspectivos, narrativas dramáticas e algumas faixas mais leves. Já que os arranjos são bem mais intimistas e que traz um lado bem mais familiar, só que tudo é muito previsível e parece ter sido feito as pressas. O repertório é bem mediano e so consegue melhorar no final. Enfim, é outro álbum fraco e mostrou uma crescente queda de Cash. 

Melhores Faixas: Keep On The Sunny Side, Billy & Rex & Oral & Bob, Lay Back With My Woman 
Piores Faixas: The Junkie And The Juicehead (Minus Me), Father And Daughter (Father And Son), Crystal Chandeliers And Burgundy

Johnny Cash Sings Precious Memories – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Entrando no comecinho do ano de 1975, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, o Sings Precious Memories. Após o The Junkie and the Juicehead Minus Me, Cash quis fazer um álbum Gospel com um caráter ainda mais íntimo. Diferente de muitos discos comerciais da época, o álbum foi originalmente gravado de maneira bastante informal, em sessões privadas realizadas principalmente para a família de Cash. Produção feita pelo próprio cantor, que apresenta uma abordagem extremamente simples e íntima. A instrumentação é minimalista. Em muitas faixas, Cash canta acompanhado apenas por guitarra acústica ou por arranjos muito discretos. A interpretação vocal de Cash é particularmente suave e reverente ao longo do disco, e por isso tudo soa bem deslocado, já que é bastante arrastado. O repertório, apesar de bom, traz interpretações que são bem chatinhas. Enfim, é um álbum ruim e que foi cagado por pressão de gravadora. 

Melhores Faixas: Old Rugged Cross, Amazing Grace, Softly And Tenderly 
Piores Faixas: Have Thine Own Way Lord, Just As I Am, When The Roll Is Called Up Yonder, At The Cross

John R. Cash – John R. Cash





















NOTA: 2,5/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado com seu nome, John R. Cash. Após o fraquíssimo Sings Precious Memories, o cenário da Country music começou a se transformar rapidamente. Havia uma disputa entre subgêneros como o Outlaw Country, liderado por artistas como Willie Nelson, enquanto a indústria musical se tornava cada vez mais voltada para produções sofisticadas do Country Pop, representadas por artistas como Dolly Parton, algo que nem sempre se alinhava com o estilo direto e tradicional de Cash. A produção foi conduzida por Gary Klein e foi extremamente polida, onde teve mais elementos de guitarras elétricas e vocais de apoio, só que tudo foi gravado à parte, inclusive os vocais do cantor, algo que ele revelou tempos depois que não o agradou, e não é para menos, já que tudo ficou bagunçado. O repertório é péssimo, tendo pouquíssimas canções que conseguem se salvar. No fim, é um álbum terrível e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Reason To Believe, Lonesome To The Bone 
Piores Faixas: The Night They Drove Old Dixie Down, The Lady Came From Baltimore, Smokey Factory Blues, Cocaine Carolina

Look At Them Beans – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


E aí mais uns meses se passaram, e foi lançado outro disco do Johnny Cash, intitulado Look at Them Beans. Após o John R. Cash, Cash continuava lançando vários discos pela Columbia Records. Contudo, o mercado musical começava a mudar. O surgimento do movimento Outlaw Country e a crescente sofisticação das produções de Nashville criavam um novo contexto para artistas veteranos, mas Cash manteve seu estilo característico. A produção foi conduzida por Don Davis e Charlie Bragg, e apresenta arranjos um pouco mais amplos em algumas faixas, refletindo a evolução da produção Country da época. Instrumentos como piano, guitarras elétricas adicionais e coros ocasionais aparecem ao longo do disco, só que novamente tudo é bem previsível, ficando aquele sentimento de que Cash estava completamente perdido. O repertório novamente é ruim, com poucas canções legais. No fim, é um disco péssimo e bem sem graça. 

Melhores Faixas: I Never Met A Man Like You Before, Down At Drippin' Springs, Gone 
Piores Faixas: All Around Cowboy, No Charge, Texas - 1947, Look At Them Beans

One Piece At A Time – Johnny Cash And The Tennessee Three





















NOTA: 3,2/10


Entrando para o ano seguinte, foi lançado mais um álbum dele, o One Piece at a Time. Após o Look at Them Beans, Cash manteve uma rotina intensa de gravações e turnês. Essa fase é marcada por uma mistura de projetos: alguns profundamente conceituais, outros mais simples e diretos, baseados em narrativas e canções tradicionais. Produção feita mais uma vez por Charlie Bragg e Don Davis, que segue aquela base tradicional do cantor, embora a produção também incorpore elementos mais típicos da Country music dos anos 70. Seu estilo vocal profundo e autoritário continua sendo o elemento central da música, especialmente nas faixas narrativas, mas no geral é aquilo bem sem graça e que não consegue te prender. O repertório novamente é fraquíssimo, e as canções são bem genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum muito ruim e que ficou bastante repetitivo. 

Melhores Faixas: Sold Out Of Flagpoles, In A Young Girl's Mind, Mountain Lady 
Piores Faixas: Love Has Lost Again, Michigan City Howdy Do, Committed To Parkview, Daughter Of A Railroad Man

The Last Gunfighter Ballad – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um trabalho que tentou ser mais tradicional, o The Last Gunfighter Ballad. Após o One Piece at a Time, Johnny Cash retoma uma das facetas mais importantes de sua obra: a narrativa dramática inspirada no imaginário do Velho Oeste e nas histórias da fronteira americana. O álbum reúne canções que falam sobre pistoleiros, personagens solitários, memórias do passado e reflexões sobre envelhecimento. A produção foi basicamente a mesma e apresenta arranjos mais amplos, contendo guitarras extras e, ocasionalmente, cordas ou coros que aparecem em algumas faixas, refletindo o estilo de produção de Nashville na época, só que dessa vez dialogando muito mais com o Outlaw Country e o Western music. Ainda assim, novamente é tudo bem previsível e os vocais de Cash ficaram melódicos até demais. O repertório é muito ruim, e as canções são bem fracas, com algumas exceções. No final, é um álbum péssimo e que não deu certo. 

Melhores Faixas: That Silver Haired Daddy Of Mine, Give It Away, I Will Dance With You
Piores Faixas: Ridin' On The Cotton Belt, Far Side Banks Of Jordan, You're So Close To Me, City Jail

The Rambler – Johnny Cash





















NOTA: 3/10


Mais alguns meses se passaram, e foi lançado outro álbum bem ruim do Johnny Cash, o The Rambler. Após o The Last Gunfighter Ballad, Cash, apesar de toda reverência que ainda recebia, enfrentava um período em que sua presença nas paradas de sucesso era menos dominante do que havia sido no final dos anos 60. Esse disco é estruturado como uma narrativa contínua sobre um viajante que percorre diferentes regiões dos United States, encontrando pessoas, ouvindo histórias e refletindo sobre o país. A produção foi aquela mesma de sempre, só que com um caráter mais narrativo, e os arranjos frequentemente assumem um papel de apoio à história. Em vez de buscar complexidade instrumental, a produção privilegia clareza e atmosfera, permitindo que a voz de Cash permaneça no centro da experiência, mas tudo é muito arrastado. O repertório é muito ruim, e as canções são fraquíssimas, com poucas que se salvam. No fim, é um álbum péssimo e bastante exagerado. 

Melhores Faixas: My Cowboy's Last Ride, If It Wasn't For The Wabash River, After The Ball
Piores Faixas: Dialogue #7, Caliou, Hit The Road And Go, No Earthly Good

I Would Like To See You Again – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Indo para mais um ano, foi lançado outro disco intitulado I Would Like to See You Again, e aqui deu bom. Após o The Rambler, Johny Cash quis fazer um trabalho que se destacasse dentro desse período por apresentar um repertório bastante introspectivo. Muitas das músicas do disco possuem um tom reflexivo, lidando com temas como memória, envelhecimento e espiritualidade. A produção, conduzida por Larry Butler, trouxe arranjos mais sofisticados e uma abordagem que misturava tradição e refinamento de estúdio. Seguindo uma sonoridade típica do som de Nashville dos anos 70, com guitarras limpas, pedal steel marcante, piano discreto e uma seção rítmica bastante controlada. Trazendo também uma energia típica do Outlaw Country, que se encaixa bem na voz carregada de Cash, que aqui vai para um lado menos narrado. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um ótimo disco e que foi um acerto após anos de estagnação. 

Melhores Faixas: There Ain't No Good Chain Gang, Who's Gene Autry? 
Vale a Pena Ouvir: I Would Like To See You Again, Hurt So Bad, That's The Way It Is, Abner Brown


                                                                                    É isso, então flw!!!          

sábado, 14 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 2

                 

Bitter Tears - Ballads Of The American Indian – Johnny Cash





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e Johnny Cash lançava mais um disco intitulado Bitter Tears - Ballads of the American Indian. Após o I Walk the Line, seu interesse se volta especificamente para os povos indígenas dos Estados Unidos. Grande parte do repertório do álbum foi escrita pelo cantor e compositor indígena Peter La Farge, cuja obra explorava temas históricos e culturais ligados às experiências dos povos nativos americanos. A produção, feita como sempre por Don Law e Frank Jones, é bem simplista, e aquele estilo rítmico minimalista continua sendo uma base importante para o som do álbum. No entanto, o disco também incorpora alguns elementos adicionais que ajudam a reforçar o caráter narrativo das músicas, indo do Country e Folk até um pouco de Blues, que se encaixam com os vocais graves e, às vezes, falados de Cash. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e suaves. No fim, é um disco bacana e bem subestimado. 

Melhores Faixas: The Ballad Of Ira Hayes, White Girl 
Vale a Pena Ouvir: As Long As The Grass Shall Grow, Custer

Orange Blossom Special – Johnny Cash





















NOTA: 9,3/10


Entrando no ano seguinte, foi lançado mais um álbum do cantor, o Orange Blossom Special. Após o Bitter Tears, o cenário musical estava sendo profundamente impactado pela ascensão do Folk e pelo crescimento da música de protesto, enquanto o Rock também passava por uma rápida evolução. Cash sempre manteve uma postura aberta em relação a diferentes estilos musicais, e com isso decidiu fazer um trabalho que juntasse tudo pelo que ele já tinha passado antes com elementos novos. A produção foi bem mais variada, apresentando um leque instrumental um pouco mais amplo. Algumas faixas incluem elementos típicos do Folk e do Country, além de arranjos mais elaborados que ajudam a diferenciar as músicas entre si. Com isso, os vocais graves de Cash ficam no centro e deixam tudo bastante eficiente. O repertório é incrível, e as canções são bem intimistas e divertidas. No fim, é um belo trabalho e bastante preciso. 

Melhores Faixas: The Long Black Veil, Orange Blossom Special, Don't Think Twice, It's All Right, Danny Boy, It Ain't Me, Babe 
Vale a Pena Ouvir: The Wall, Wildwood Flower, When It's Springtime In Alaska (It's Forty Below)

Johnny Cash Sings The Ballads Of The True West – Johnny Cash





















NOTA: 8,3/10


E aí, alguns meses se passaram e foi lançado um álbum ainda mais ambicioso, Johnny Cash Sings the Ballads of the True West. Após o Orange Blossom Special, ficava claro que ele estava interessado em usar o formato do LP para contar histórias mais amplas. Esse álbum leva essa ideia ainda mais longe, estruturando-se quase como um documentário musical sobre a expansão para o Oeste, reunindo tanto composições originais quanto adaptações de canções tradicionais associadas ao imaginário do Velho Oeste. A produção foi aquela de sempre, trazendo uma sonoridade suave e utilizando arranjos que combinam elementos do Country tradicional com influências do Folk e do Western. Instrumentalmente, o álbum utiliza guitarras acústicas, violões e ocasionalmente instrumentos adicionais que ajudam a construir a ambientação do Velho Oeste. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um ótimo álbum e bem consistente. 

Melhores Faixas: Bury Me Not On The Lone Prairie, The Streets Of Laredo, The Ballad Of Boot Hill, 25 Minutes To Go, The Road To Kaintuck, Green Grow The Lilacs 
Vale a Pena Ouvir: Johnny Reb, Sweet Betsy From Pike, The Blizzard, Hardin Wouldn't Run

From Sea To Shining Sea – Johnny Cash





















NOTA: 5/10


Em 1968, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, o fraquíssimo From Sea to Shining Sea. Após o Sings the Ballads of the True West, o cantor quis fazer um trabalho que funcionasse como uma jornada musical que percorre o país inteiro. Isso acontece em um momento de grande revitalização artística, marcado por gravações históricas, enquanto ao mesmo tempo sua vida pessoal passava por grandes mudanças. A produção foi aquela de sempre, com o foco permanecendo na voz do cantor e nas histórias contadas pelas músicas. Cash continua trabalhando com músicos associados à sua banda tradicional, e aquele estilo rítmico característico permanece presente ao longo do álbum. No entanto, tudo acaba ficando tão repetitivo que quase não dá para aproveitar nada, além de que, na maioria das vezes, há spoken word de Johnny Cash. O repertório é irregular, com algumas canções boas e outras bem chatinhas. Enfim, é um álbum mediano e tedioso. 

Melhores Faixas: Call Daddy From The Mine, You And Tennessee, Shrimpin' Sailin' 
Piores Faixas: The Masterpiece, The Flint Arrowhead, From Sea To Shining Sea (Finale)

At Folsom Prison – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


E aí, alguns meses se passaram e foi lançado o atemporal álbum ao vivo At Folsom Prison (sim, álbum ao vivo eu sei que nem falo, mas esse é essencial). Após o fraquíssimo From Sea to Shining Sea, Johnny Cash demonstrava grande empatia por pessoas encarceradas, em parte por causa da recepção que músicas como “Folsom Prison Blues” tiveram entre detentos. Ele estava em um período em que a Columbia Records estava insegura com seus novos projetos, e ele insistiu muito em gravar esse trabalho ao vivo dentro da penitenciária Folsom State Prison, na Califórnia. A produção foi conduzida por Bob Johnston, que capturou a atmosfera crua e intensa de uma apresentação ao vivo em um ambiente extremamente incomum. O famoso ritmo “boom-chicka-boom” da guitarra continua presente, mas a performance possui uma intensidade especial por conta da plateia. O repertório, nem preciso dizer, é praticamente uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Folsom Prison Blues, Orange Blossom Special, I Still Miss Someone, Jackson, Greystone Chapel 
Vale a Pena Ouvir: Green, Green Grass Of Home, The Wall, 25 Minutes To Go

The Holy Land – Johnny Cash





















NOTA: 2,5/10


E aí no inicio do ano de 1969, foi lançado outro álbum peculiar dele intitulado The Holy Land. Após o clássico At Folsom Prison, Cash manteve uma relação profunda com a espiritualidade cristã. A ideia para esse álbum nasceu quando Cash visitou a região da Terra Santa, particularmente em Israel, durante o final da década de 1960. A viagem teve grande impacto espiritual sobre ele. Caminhar por lugares associados diretamente às histórias bíblicas inspirou Cash a criar um álbum que misturasse música, narração e reflexão religiosa. Produção foi feita por Don Thompson, teve que ser mais variada além de conter a instrumentação Country habitual, o álbum incorpora arranjos mais atmosféricos e harmônicos, e com maior presença de vocais falados de Cash, só que tudo é muito chato e excessivamente arrastado. O repertório é muito ruim, tendo poucas faixas que conseguem se salvar. Enfim, é um álbum horrível e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Daddy Sang Bass, Land Of Israel, He Turned The Water Into Wine (juntar os Startler Brothers e Carter Family) 
Piores Faixas: (Narrative) Church Of The Holy Sepulchre, (Narrative) Beautiful Words, This Is Nazareth, Nazarene, (Narrative) In Bethlehem, Our Guide Jacob At Mount Tabor

Hello, I'm Johnny Cash – Johnny Cash





















NOTA: 8,9/10


Entrando nos anos 70, Johnny Cash lança mais um disco intitulado Hello, I'm Johnny Cash. Após o The Holy Land, nesse meio tempo acontecia o enorme sucesso de seu programa de televisão, The Johnny Cash Show, exibido entre 1969 e 1971. O programa ajudou a expandir ainda mais seu público, aproximando-o não apenas de fãs de Country music, mas também de ouvintes de Folk, Gospel e até Rock. Com isso, ele quis fazer um disco que fosse mais contemporâneo e mostrasse ele renovado em sua nova fase de sucesso. A produção foi feita mais uma vez por Bob Johnston, adotando uma abordagem mais ampla e dialogando com o country daquele período, mais precisamente o Outlaw Country. O estilo instrumental da banda continua baseado no famoso ritmo “boom-chicka-boom”, que soa preciso e constante. O repertório é bem legal, e as canções são bem mais melódicas e cheias de reflexão. No fim, é um ótimo disco e bastante divertido. 

Melhores Faixas: If I Were A Carpenter (dueto com June Carter, sua esposa), Sing A Traveling Song, I've Got A Thing About Trains, Southwind, Wrinkled, Crinkled, Wadded Dollar Bill, 'Cause I Love You 
Vale a Pena Ouvir: Blistered, The Devil To Pay, To Beat The Devil


                                                                            Então um abraço e flw!!!                

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 3

                  Man In Black – Johnny Cash NOTA: 8,4/10 Em 1971, o Johnny Cash retorna com mais um novo disco intitulado Man in Black. Apó...