segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Prince: Parte 2

                   

Chaos And Disorder – Prince





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, o Prince lançava mais um trabalho novo, o Chaos and Disorder. Após o The Gold Experience, a Warner Bros. tinha atrasado o lançamento deste álbum, e Prince, completamente revoltado, começou a fazer aparições públicas com a palavra “escravo” escrita em seu rosto. Então, este projeto seria praticamente o último a sair pela gravadora, além de que ele já tinha mandado outro (só que esse será comentado mais tarde). Aqui, o cantor decidiu fazer um álbum bem mais puxado para o Rock e sendo muito direto. Produzido pelo próprio Prince, traz um som limpo, mas não totalmente polido, dialogando com o Hard Rock e o Funk Rock. As guitarras voltaram a ficar no centro, mostrando a habilidade de Prince, que entregou riffs secos e solos espontâneos. A cozinha rítmica cria um groove sólido, e os teclados servem mais como textura. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. No geral, é um disco bacana e que foi muito injustiçado. 

Melhores Faixas: I Like It There, Into The Light 
Vale a Pena Ouvir: The Same December, I Rock, Therefore I Am, Chaos And Disorder

Emancipation – Prince





















NOTA: 8,7/10


Chegando em 1996, o cantor volta lançando um novo disco, intitulado Emancipation. Após o Chaos and Disorder, Prince finalmente tinha saído das garras da Warner, e agora decidiu fazer um álbum que surgia como uma declaração de independência artística. Fazendo um álbum triplo que contém 36 faixas, mas que é extremamente bem amarrado e mostra ele passando por vários estilos, com alguns deles sendo descritos pela indústria musical como ultrapassados. A produção foi bem organizada e traz um som elegante e refinado; com isso, temos uma junção de R&B contemporâneo com Rap, New Jack Swing, Pop Rock, Funk, Soul, entre outros. A instrumentação é muito bem estabelecida, dando um caráter orgânico à obra, enquanto a programação eletrônica e os sintetizadores deixam uma atmosfera moderna e quase experimental. O repertório é muito bom, e todas as faixas são muito legais. No fim, é um belo disco e muito bem organizado, mesmo sendo difícil. 

Melhores Faixas: Jam Of The Year, Betcha By Golly Wow, The Holy River, White Mansion, My Computer, I Can't Make U Love Me, The Love We Make, Emale 
Vale a Pena Ouvir: Right Back Here In My Arms, Sex In The Summer, White Mansion

Crystal Ball – Prince





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos para Prince lançar mais um álbum, desta vez quádruplo, o Crystal Ball. Após o Emancipation, esse projeto foi uma verdadeira reunião do material que ele havia acumulado durante diferentes fases de sua carreira, principalmente músicas que tinham sido deixadas de fora de projetos anteriores, faixas que permaneceram inéditas por anos e algumas gravações mais recentes. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio Prince, só que é extremamente variada e explora várias facetas, desde R&B, Dance-Pop, New Jack Swing e Funk até alguns momentos de Pop Rock. Contando em sua maioria com programação eletrônica e sintetizadores, colocando aquela sensação mecânica que ajuda a conduzir o groove do baixo e da bateria. Além das guitarras, que conseguem botar um certo peso, seus vocais são bastante variados. O repertório é bem legal, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana, mas não é para qualquer um. 

Melhores Faixas: Crucial, Last Heart, Calhoun Square, So Dark, Welcome 2 the Dawn 
Vale a Pena Ouvir: Sexual Suicide, Fascination, Last Heart, Tell Me How U Wanna B Done

The Vault ... Old Friends 4 Sale – Prince





















NOTA: 8,2/10


Em 1999, Prince lançou aquele álbum que ele havia mandado para sua antiga gravadora, o The Vault... Old Friends 4 Sale. Após o Crystal Ball, o cantor já estava trabalhando de forma independente pela sua gravadora NPG Records, que tinha firmado uma parceria temporária com a EMI. Só que, nesse ano, a Warner Bros. decidiu enfim lançar um álbum que Prince já havia entregado para eles no período de Chaos and Disorder. Esse trabalho em si tem uma atmosfera noturna e elegante. A produção seguiu um caminho mais refinado e orgânico, já que você tem uma junção do R&B, Jazz e Soul. As linhas de baixo são bem melódicas, enquanto a presença de metais e instrumentos de sopro deixa uma atmosfera que lembra Jazz-Funk. As guitarras ficaram mais discretas, e a bateria cria um groove profundo, mantendo os vocais de Prince no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem relaxantes e envolventes. Enfim, é um ótimo álbum e muito subestimado. 

Melhores Faixas: When The Lights Go Down, It's About That Walk 
Vale a Pena Ouvir: There Is Lonely, 5 Women

Rave Un2 The Joy Fantastic – Prince





















NOTA: 3,5/10


Naquele mesmo ano, o Prince lançou mais um trabalho novo, o Rave Un2 The Joy Fantastic. Após o The Vault ... Old Friends 4 Sale, esse novo projeto representa uma tentativa mais direta de voltar ao grande público através de um álbum Pop sofisticado, acessível e cheio de convidados. Só que a indústria havia mudado, o Rap havia se tornado ainda mais dominante e o R&B contemporâneo estava muito mais próximo do Pop, e ele sabia disso muito bem. Produção foi bem mais polida e acessível, colocando um som colorido e muito mais abrangente. Os metais possuem papel importante em determinados momentos, aproximando algumas músicas do Funk tradicional. Em outras, os sintetizadores e a programação dominam completamente o arranjo. Mas, o problema é que muito bagunçado uma hora tem Rap, outra hora um R&B genérico, ficando sem imersão. O repertório é ruim, tem canções legais e outras sem graça. No fim, é um álbum fraco e que não funcionou. 

Melhores Faixas: The Greatest Romance Ever Sold, I Love U, But I Don't Trust U Anymore, Everyday Is A Winding Road, Silly Game 
Piores Faixas: Tangerine, Wherever U Go, Whatever U Do, Strange But True, Man'O'War, Baby Knows, The Sun, The Moon And Stars

Musicology – Prince





















NOTA: 8,5/10


Em 2003, foi lançado mais um trabalho novo de Prince, o Musicology, em um momento estável. Após o Rave Un2 the Joy Fantastic, o cantor tinha formado uma parceria com a Sony Music, e entra nos anos 2000 com uma postura diferente: em vez de tentar provar que podia produzir mais música do que qualquer outro artista, passa a concentrar sua atenção em construir um álbum mais compacto, mais acessível e baseado principalmente em Funk, Soul, R&B, Pop e Rock. A produção segue um som bem mais limpo, só que não excessivamente esterilizado. O baixo possui presença, a bateria tem peso e os metais são utilizados como elementos rítmicos e melódicos. Os vocais também são cuidadosamente empilhados, principalmente nas músicas românticas, criando aquelas harmonias características do cantor, o que dialoga muito com o Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. Enfim, é um ótimo álbum e muito consistente. 

Melhores Faixas: Musicology, Call My Name, What Do U Want Me 2 Do?, Cinnamon Girl 
Vale a Pena Ouvir: On The Couch, Dead Mr. Man, Life 'O' The Party

3121 – Prince





















NOTA: 8,6/10


Dois anos se passaram, e Prince voltou com um novo disco, o 3121, que foi ainda mais exuberante. Após o Musicology, ele estava muito mais confortável dentro dessa nova fase. Esse título está associado à casa que Prince alugava em Los Angeles, chamada “3121”, que também funcionava como espaço de festas e sessões musicais. Aqui, ele decidiu pegar tudo que fez anteriormente e fazer algo mais eletrônico, sensual e futurista. A produção seguiu um caminho limpo e moderno, contando com sintetizadores e baterias eletrônicas que colocam um groove dinâmico; os baixos e as guitarras sustentam a maioria dos ritmos, enquanto a bateria tradicional tem aquele som orgânico, e a presença de metais e instrumentos de sopro deixa um toque refinado, além do uso de vocais processados que deixam uma estética contemporânea. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes e energéticas. Enfim, é outro disco muito legal e consistente. 

Melhores Faixas: Black Sweat, Get On The Boat, The Word, Fury 
Vale a Pena Ouvir: 3121, Incense And Candle, Beautiful, Loved And Blessed

Planet Earth – Prince





















NOTA: 8/10


No ano de 2007, foi lançado outro trabalho do Prince, o Planet Earth, que foi mais orgânico. Após 3121, o cantor decidiu fazer um trabalho que fosse menos preocupado em construir um conceito fechado e mais interessado em mostrar a amplitude de suas composições. Em vez de simplesmente seguir as regras da indústria, ele continuava procurando maneiras próprias de apresentar sua música. A produção foi bastante refinada e eclética, juntando os dois mundos do Funk e do Pop Rock. Além disso, os músicos de apoio, alguns vindos da fase do Revolution e outros do New Power Generation, ajudam a construir o disco; com isso, temos uma bateria que entrega peso e organicidade, as linhas de baixo sustentam os grooves, as guitarras e os teclados servem mais como textura, e os metais também são utilizados com bastante inteligência. O repertório é muito legal, e as canções são todas bem suaves e cadenciadas. Enfim, é um trabalho muito interessante e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Somewhere Here On Earth, Lion Of Judah 
Vale a Pena Ouvir: Guitar, Planet Earth, Chelsea Rodgers, All The Midnights In The World

Art Official Age – Prince





















NOTA: 5/10


Em 2014, Prince voltou lançando, o Art Official Age, que teve um contexto curioso. Após o Planet Earth, esse projeto foi, como sempre, lançado pelo selo da NPG, só que, em vez de ser distribuído por uma Sony ou Columbia, foi pela Warner Bros., já que naquele ano aconteceu um acordo em que o cantor voltou a ser dono de suas gravações master, enquanto a gravadora teria direito de licenciar e lançar o material globalmente. Para esse álbum, ele decidiu juntar a modernidade com seu estilo característico. A produção, feita pelo cantor junto com Joshua Welton, seguiu um caminho limpo, criando uma sonoridade que combina elementos orgânicos com uma quantidade considerável de manipulação eletrônica. O destaque é o uso de cordas, que aumenta a dimensão cinematográfica de determinadas músicas, mas, no geral, é bem mais do mesmo. O repertório é fraquíssimo, tendo canções legais e outras genéricas. No fim, é um álbum mediano, que precisava de algo a mais. 

Melhores Faixas: This Could Be Us, Funknroll, Breakdown 
Piores Faixas: Way Back Home, Art Official Cage, The Gold Standard

HITnRUN Phase One – Prince





















NOTA: 8/10


Indo para o ano de 2015, Prince lançava o HITnRUN Phase One, que foi mais comercial. Após o Art Official Age, o cantor não quis abandonar aquela aproximação com sintetizadores, programação, R&B contemporâneo e estética futurista, mas levou essas características para um terreno muito mais agressivo, acelerado e orientado para a pista. A produção foi mais polida, só que, como dito anteriormente, feita para as pistas de dança, já que temos baterias programadas que possuem impacto seco e bastante compressão, os graves são fortes, os sintetizadores aparecem em camadas densas e os efeitos eletrônicos são utilizados não apenas como decoração, mas como elementos fundamentais da música. Enquanto os vocais de Prince, mesmo com o uso de processamento, conseguem funcionar muito bem em momentos puxados para o Dance-Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e fluidas. No geral, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: FALLINLOVE2NITE, LIKE A MACK 
Vale a Pena Ouvir: THIS COULD B US, JUNE, AIN'T ABOUT 2 STOP

HITnRUN Phase Two – Prince





















NOTA: 8,7/10


E aí, no fim daquele ano, foi lançado HITnRUN Phase Two, que seguiu uma estética mais nostálgica. Após o Phase One, que representou um lado mais eletrônico de sua produção, o segundo representa o lado mais orgânico, funky e tradicional. Isso dá ao conjunto dos dois álbuns uma lógica interessante: primeiro, Prince mergulha na tecnologia; depois, volta aos instrumentos, grooves e estruturas que remetem diretamente a diferentes momentos de sua carreira. A produção foi bem mais orgânica, contando muito mais com um baixo presente, uma bateria sem efeitos excessivos e que conduz o groove, além de teclados ocupando espaços naturais nos arranjos. As guitarras possuem maior definição, e os vocais de Prince são carregados de emoção, com uso de falsetes quando necessário, cruzando, assim, Funk, Pop Soul e R&B contemporâneo. O repertório é muito legal, e as canções são bem envolventes e suaves. No fim, é um belo disco, antes de ele nos deixar no ano seguinte. 

Melhores Faixas: Baltimore, Stare, Look At Me, Look At U, Revelation, Xtralovable 
Vale a Pena Ouvir: Groovy Potential, Rocknroll Loveaffair, Big City

Welcome 2 America – Prince





















NOTA: 8/10


Em 2021, foi lançado o que realmente foi o 1º trabalho póstumo do Prince, o Welcome 2 America. Após o HITnRUN Phase Two, infelizmente, no dia 21 de abril de 2016, o cantor acabou falecendo devido a uma overdose acidental do opioide fentanil. Depois de sua morte, muito de seu material acabou sendo reorganizado, com este surgindo de uma gravação feita no início de 2010. Nela, Prince estava profundamente interessado em discutir os Estados Unidos, a transformação tecnológica da sociedade, a política e o avanço da tecnologia. A produção foi bastante orgânica, sem abandonar completamente os recursos eletrônicos. A base rítmica formada por baixo e bateria é extremamente sólida, contendo um groove que possui movimento e dinâmica. Além disso, as guitarras são nítidas, os teclados são constantes e os vocais do Prince são bem expressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas. No geral, é um disco bacana e intrigante ao mesmo tempo. 

Melhores Faixas: Hot Summer, Born 2 Ride 
Vale a Pena Ouvir: Welcome 2 America, One Day We Will All B Free, 1010 (Rin Tin Tin), Stand Up And B Strong

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

domingo, 16 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Prince: Parte 1

                   

For You – Prince





















NOTA: 8/10


Em 1978, Prince lançava seu álbum de estreia, o For You, que trazia algo promissor. O cantor, natural de Minneapolis, Minnesota, começou sua carreira em 1975 e, desde pequeno, vinha de uma família de músicos. Ele havia tocado guitarra na banda do pai e, após isso, passou a gravar demos dois anos depois com o produtor Chris Moon. Até que, após muita correria, essa fita chegou às mãos do Owen Husney, que decidiu regravá-la, despertando o interesse da Warner Bros., que assinou com essa jovem promessa de 19 anos. A produção foi feita pelo próprio cantor, que já impressionava por tocar todos os instrumentos, como guitarras, sintetizadores, baixo, bateria e afins. Colocando, claro, um som acessível e polido, mais orientado ao Smooth Soul, com pitadas da Disco Music e também de um subgênero que viria a ser chamado do Synth Funk. O repertório é muito bom, trazendo canções divertidas e suaves. No fim, é um disco bacana, mas que foi um fiasco comercial. 


Melhores Faixas: Soft And Wet, Just As Long As We're Together 
Vale a Pena Ouvir: My Love Is Forever, So Blue, In Love

Prince – Prince





















NOTA: 9/10


Pulando para o ano seguinte, Prince lançava seu 2º álbum autointitulado, e aqui as bases começavam a se desenvolver. Após o For You, o cantor precisava se provar que não era mais apenas um cantor de R&B e, com isso, começava a desenvolver uma banda para tocar suas músicas ao vivo. André Cymone e Bobby Z. passaram a ter uma participação mais próxima em sua atividade musical, e isso ajudou a trazer para o álbum uma sensação mais orgânica e rítmica. A produção foi mais sofisticada e teve uma sensação mais imediata, com uma junção do Pop Soul e R&B contemporâneo, com traços do Boogie, Funk e Pop Rock. Com as linhas de baixo e a bateria conduzindo aquele groove elegante, as guitarras têm um tratamento agressivo, os sintetizadores e teclados estabelecem atmosferas e seus vocais têm uso de falsete mais controlado. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e cadenciadas. No fim, é um belo disco e ainda era só o começo. 

Melhores Faixas: I Wanna Be Your Lover, Why You Wanna Treat Me So Bad?, I Feel For You, It's Gonna Be Lonely, Still Waiting 
Vale a Pena Ouvir: Sexy Dancer, When We're Dancing Close And Slow

Dirty Mind – Prince





















NOTA: 9,9/10


Entrando nos anos 80, o Prince lançava seu 3º álbum, o sensacional Dirty Mind. Após o álbum anterior, ele decidiu juntar os elementos que tinham começado a se tornar tendência de uma maneira muito mais agressiva, econômica e estranha. O resultado é um álbum curto, direto e extremamente concentrado, no qual a personalidade do artista passa a ser mais importante do que a demonstração de virtuosismo. Além disso, ele passou a abordar temas como sexo, infidelidade e relacionamentos nem um pouco convencionais. A produção seguiu para um som mais econômico, com linhas de baixo simples, bateria repetitiva, guitarras rudimentares, sintetizadores baratos que conseguem ser brilhantes e uma voz mais provocadora, todos colocados de maneira muito mais seca, deixando bastante espaço entre os elementos e fazendo, assim, as bases do Minneapolis Sound. O repertório é incrível, com canções divertidas. No geral, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: When You Were Mine, Dirty Mind, Uptown, Do It All Night 
Vale a Pena Ouvir: Head, Partyup

Controversy – Prince





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1981, Prince lançava mais um álbum, o Controversy, título meio que já mostra o que seria. Após o Dirty Mind, o cantor, percebendo as controvérsias que algumas faixas causaram, começou a perceber que poderia transformar sua música em um espaço para discutir não apenas sexo e relacionamentos, mas também religião, política, identidade, liberdade e os próprios questionamentos que o público fazia sobre ele. A produção foi para algo mais variado, já que os sintetizadores criam linhas melódicas, efeitos, texturas e, principalmente, uma sensação futurista. As linhas de baixo são bem eficazes, a bateria eletrônica e os ritmos programados criam uma sensação mecânica, e as guitarras são bem mais seletivas, enquanto seus vocais são bem seguros, tendo variações entre falsetes e até momentos secos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e têm, claro, aquela envolvência. No fim, é um baita disco em um momento em que ele estava indo para o seu auge. 

Melhores Faixas: Controversy, Do Me Baby, Jack U Off, Let's Work 
Vale a Pena Ouvir: Swexuality, Annie Christian

1999 – Prince





















NOTA: 10/10


Aí, no maravilhoso ano de 1982, Prince lançava o atemporal e espetacular 1999. Após o Controversy, que havia afirmado uma identidade própria, aqui essa identidade finalmente ganha uma escala muito maior. Prince pega o ano de 1999, que ainda estava distante, e transforma a aproximação do fim do milênio em uma metáfora para um mundo tomado por medo, guerra, crise e incerteza. Mas a sua resposta é dançar, transar, festejar, se divertir e aproveitar o presente. A produção foi para um som acessível, mas muito bem variado, com os sintetizadores criando linhas de baixo, melodias, texturas, efeitos e até personagens sonoros. O baixo e as guitarras mantêm a dimensão física do Funk, enquanto as baterias eletrônicas colocam aquela sensação mecânica e uma camada futurista; já seus vocais são bem expressivos, tendo até gritos. O repertório é sensacional, sendo uma verdadeira coletânea. No fim, é um disco excepcional e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: 1999, Little Red Corvette, Lady Cab Driver, D.M.S.R., Delirious 
Vale a Pena Ouvir: Let's Pretend We're Married, Free, All The Critics Love U In New York

Purple Rain – Prince And The Revolution





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e Prince lança o clássico Purple Rain, mesmo que o contexto não seja dos mais favoráveis. Após o 1999, Prince decide juntar todas suas características em uma obra que funciona simultaneamente como álbum, trilha sonora, espetáculo, manifesto artístico e apresentação definitiva de sua banda, The Revolution. Com esse trabalho sendo uma trilha sonora do filme de mesmo nome, em que o cantor interpreta The Kid, um músico de Minneapolis lidando com rivalidades, conflitos familiares, relacionamentos e a necessidade de provar seu valor artístico. A produção foi extremamente detalhada e com um som orgânico orientado ao Pop Rock. Com as guitarras possuindo solos definidos, os sintetizadores dialogam muito com a seção rítmica, que coloca uma sensação de movimento constante, além dos vocais de Prince, que são bem variados. O repertório é praticamente uma coletânea, do começo ao fim. No fim, é um disco espetacular e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Purple Rain, When Doves Cry, Let's Go Crazy, Take Me With U 
Vale a Pena Ouvir: I Would Die 4 U, Baby I'm A Star

Around The World In A Day – Prince And The Revolution





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, Prince lança seu 7º álbum, o também sensacional Around the World in a Day. Após o Purple Rain, em um ato de sua genialidade, ele entra em um universo psicodélico, colorido, espiritual, estranho e muito mais introspectivo. A ideia do Paisley Park aparece aqui de forma constante, funcionando como um espaço mental e espiritual, um lugar que representa uma espécie de perfeição interior, liberdade e imaginação. A produção foi para um som bem mais colorido e que chega a ser nebuloso, com a junção de elementos do Pop Rock com Soul psicodélico, além de elementos do Funk Rock e Rock psicodélico lá dos anos 60. Com isso, temos guitarras processadas, baixos encorpados, sintetizadores cintilantes, baterias pesadas, além do uso de cordas e pianos. Além disso, os vocais são mais atmosféricos, com muita textura. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Raspberry Beret, Pop Life, Condition Of The Heart, Around The World In A Day, America 
Vale a Pena Ouvir: Temptation, The Ladder

Parade – Prince And The Revolution





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e Prince lançou outro álbum como trilha sonora, o Parade. Após o Around the World in a Day, o cantor estava trabalhando em várias frentes ao mesmo tempo. Ele também atuou no filme para o qual fez essa trilha, Under the Cherry Moon, no qual interpreta Christopher Tracy, e que se passa em uma França estilizada, possuindo uma estética em preto e branco, com as músicas entrando em uma atmosfera de romantismo europeu que consegue ser moderna e retrô. A produção é bem detalhada e sofisticada, possuindo orquestrações, metais, percussão, teclados, guitarras, vocais em camadas e diferentes texturas. As cordas acrescentam uma sofisticação que vai além do Funk e do Pop. A bateria eletrônica é mecânica e seca, as linhas de baixo são mínimas e os vocais do Prince são extremamente variados, definindo, assim, um Art Pop e Soul psicodélico. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas. No geral, é um baita disco e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: Kiss, Girls & Boys, Sometimes It Snows In April, Anotherloverholenyohead, New Position, Mountains 
Vale a Pena Ouvir: Do U Lie?, Life Can Be So Nice, Under The Cherry Moon

Sign "O" The Times – Prince





















NOTA: 10/10


Em 1987, Prince lançava um álbum duplo espetacular, intitulado Sign o' the Times. Após o Parade, seu grupo, The Revolution, havia acabado, e o cantor começou a produzir uma quantidade enorme de material que não caberia em um único álbum convencional. Muitas dessas ideias não chegaram a ser disponibilizadas, mas aqui ele passa a trabalhar muito mais como um artista individual, explorando diferentes alter egos e identidades musicais. A produção, feita como sempre pelo próprio Prince, é bastante variada e cinematográfica, com uso de baterias eletrônicas, sintetizadores, samplers e instrumentos processados. Além do uso de vocais processados, principalmente na parte em que o cantor encarna o alter ego Camille, há uma manipulação vocal que deixa a voz bem aguda, transitando entre R&B e Funk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No fim, é outro disco magnífico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Sign "O" The Times, I Could Never Take The Place Of Your Man, If I Was Your Girlfriend, The Cross, Adore, The Ballad Of Dorothy Parker, Slow Love, It 
Vale a Pena Ouvir: Housequake, Play In The Sunshine, It's Gonna Be A Beautiful Night

The Black Album – Prince





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano, seria lançado o controverso The Black Album, que foi extremamente conturbado. Após o Sign o' the Times, esse projeto teria uma função quase casual: Prince estava desenvolvendo música para uma ocasião festiva e, a partir disso, as gravações começaram a ganhar uma personalidade própria. Só que, com o tempo, percebeu que esse material era muito sombrio e que seus temas chegavam a incomodar, o que o fez pedir para cancelar o lançamento desse álbum. Foi por meio da pirataria que as poucas cópias existentes acabaram sendo lançadas. A produção segue um som bem mais teatral e agressivo, e os arranjos são mais rítmicos. A bateria eletrônica tem aquele groove que parece mecânico, os sintetizadores constroem camadas secas e os vocais de Prince são bem variados, com tudo isso transitando entre New Jack Swing e Funk tradicional. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um disco bacana para algo que era demonizado. 

Melhores Faixas: Le Grind, Rockhard In A Funky Place, Superfunkycalifragisexy 
Vale a Pena Ouvir: Nigs United 4 West Compton, Cindy C.

Lovesexy – Prince





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, Prince lançava mais um trabalho novo intitulado Lovesexy; dessa vez, não foi boicotado. Após o não lançamento do The Black Album, ele decidiu fazer um álbum muito mais luminoso, afirmativo e espiritual, mas que não abandona o erotismo ou a experimentação. O cantor então procura uma linguagem de amor, fé, transcendência e positividade, criando, assim, um trabalho que soa como uma resposta ao álbum que o precedeu. A produção foi para uma abordagem mais colorida e limpa, utilizando sintetizadores brilhantes, guitarras mais abertas, metais, vocais em camadas e arranjos que frequentemente parecem crescer para cima, seguindo a temática do Funk, mas equilibrando com R&B contemporâneo e Pop Rock. Além disso, as baterias e a percussão deixam uma energia orgânica, e os vocais do Prince alternam bem entre falsetes e interpretações teatrais. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. Mas enfim, é um disco legal e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Alphabet St., Anna Stesia, When 2 R In Love, Lovesexy 
Vale a Pena Ouvir: Eye No, Positivity, Dance On

Diamond And Pearls – Prince & The New Power Generation





















NOTA: 8,8/10


No ano de 1991, Prince retorna com um álbum novo, o Diamonds and Pearls, só que totalmente reformulado. Após o Lovesexy, o cantor passa a ter uma nova unidade musical ao seu redor. A NPG traz uma dinâmica diferente: Michael B. na bateria, Tommy Barbarella nos teclados, Sonny T. no baixo, Levi Seacer Jr. na guitarra e baixo, além de Rosie Gaines nos vocais e teclados. Tony M. e outros integrantes também acrescentam uma presença muito mais explícita do Rap. A produção foi feita pelo próprio Prince, que seguiu um som moderno e grandioso. Os sintetizadores e as baterias programadas são bem utilizados e se complementam com a cozinha rítmica, que é bem sólida, e com as guitarras, que ficaram mais econômicas, enquanto os vocais de Prince ficaram bem mais melódicos e seguros, encaixando-se nessa temática do R&B contemporâneo, Funk e Soul. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e muito divertido. 

Melhores Faixas: Diamonds And Pearls, Cream, Insatiable, Money Don't Matter 2 Night, Get Off, Push 
Vale a Pena Ouvir: Thunder, Daddy Pop, Walk Don't Walk

Love Symbol – Prince And The New Power Generation





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passou, e Prince lançou mais um álbum, intitulado Love Symbol. Após o Diamonds and Pearls, que mostrou o cantor se aproximando do R&B noventista e do Rap de maneira relativamente acessível, com esse projeto ele leva essa parceria para uma direção muito mais teatral, conceitual e experimental. A obra gira em torno de uma narrativa que mistura música, personagens, diálogos e uma espécie de melodrama envolvendo Prince, Mayte e uma personagem feminina interpretada nos interlúdios. A produção foi mais variada, mas consegue ser limpa, com o baixo e a bateria sustentando o ritmo, os teclados e sintetizadores colocando ainda mais harmonia nos arranjos, assim como as guitarras, que ficaram mais econômicas, e os vocais do Prince, que são bem mais intimistas e têm aquele toque de teatralidade. O repertório é muito bom, e as canções são bem sentimentais e provocativas. No geral, é um ótimo álbum e consegue ser imersivo. 

Melhores Faixas: Sexy M.F., My Name Is Prince, Sweet Baby, 7, Blue Light, 3 Chains O' Gold
Vale a Pena Ouvir: And God Created Woman, The Max

Come – Prince





















NOTA: 8,4/10


Dois anos depois, Prince lançava um álbum bem mais sombrio, que foi o Come. Após o Love Symbol, esse novo projeto nasceu em um período bastante complicado, já que os conflitos entre o cantor e a Warner Bros. estavam perto de explodir. Fazendo um trabalho que é meio que um encerramento de uma fase e quase uma espécie de arquivo organizado de material que Prince não queria deixar completamente perdido. A produção foi para um som bem cuidadoso e minimalista, no qual o cantor trabalha com espaços vazios, grooves repetitivos, sintetizadores, baterias programadas, baixo forte, vocais processados e arranjos que muitas vezes parecem deliberadamente incompletos. Apesar disso, os trompetes e metais deixam aquela sensação humana, criando um equilíbrio entre o R&B e o New Jack Swing, com traços de Trip-Hop e Soul. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Come, Dark, Space 
Vale a Pena Ouvir: Pheromone, Letitgo, Race

The Gold Experience – Prince





















NOTA: 9,7/10


No ano de 1995, Prince lançava mais um álbum fantástico, o The Gold Experience. Após o Come, o cantor estava completamente esgotado da Warner Bros. e, aí, em um de seus atos de genialidade, passou a utilizar o símbolo O(+> como uma forma de romper com a imagem que havia construído, sendo referido como “o Artista Anteriormente Conhecido como Prince”. Esse projeto seria uma verdadeira junção de todas as suas facetas, fazendo o álbum soar como um renascimento. A produção foi extremamente bem detalhada e elegante, com uma combinação perfeita entre Pop Rock, Funk, R&B contemporâneo e New Jack Swing. Com as linhas de baixo tendo grooves fortes, a bateria sendo precisa, os teclados preenchendo o espaço harmônico, as guitarras tendo riffs fortes, e o uso de metais e a programação eletrônica sendo extremamente eficientes. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas e envolventes. No fim, é um baita disco, praticamente um clássico. 

Melhores Faixas: Gold, Endorphinmachine, The Most Beautiful Girl In The World, Dolphin, P Control, Shhh 
Vale a Pena Ouvir: Eye Hate U, Shy We March, Billy Jack Bitch

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Prince: Parte 2

                    Chaos And Disorder – Prince NOTA: 8/10 No ano seguinte, o Prince lançava mais um trabalho novo, o Chaos and Disorder. Ap...