terça-feira, 1 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 1

                 

Yendo De La Cama Al Living – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Voltando para 1982, Charly Garcia lançava seu sensacional álbum de estreia, o Yendo De La Cama Al Living. Depois do fim do Sui Generis, o cantor criou outras bandas e também acabou sendo exilado pelo governo argentino durante a ditadura, quando inclusive morou em Búzios, no Rio de Janeiro. Mas, quando voltou, já começou a se preparar para um novo momento pelo qual a música argentina viria a passar, fazendo um trabalho que experimenta novas tecnologias e aproxima sua composição de uma linguagem mais direta. A produção, feita pelo próprio cantor, foi bastante grandiosa e com muita clareza, com ele juntando Pop progressivo, Art Pop e traços da New Wave. Com isso, temos uso frequente de sintetizadores, bateria eletrônica, guitarras com tratamento eletrônico e uma utilização mais econômica dos instrumentos. O repertório é maravilhoso, só tendo canções imersivas e profundas. Enfim, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Yendo De La Cama Al Living, Yo No Quiero Volverme Tan Loco, Inconsciente Colectivo, No Bombardeen Buenos Aires 
Vale a Pena Ouvir: Superhéroes, Vos También Estabas Verde

Clics Modernos – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado o atemporal 2º álbum solo do Charly Garcia, o Clics Modernos. Após o Yendo De La Cama Al Living, Charly estava cada vez mais interessado em abandonar a ideia de que seu trabalho precisava estar apoiado na sonoridade tradicional de uma banda de Rock. Como ele estava atento às novas tendências musicais, decidiu gravar esse trabalho lá em Nova York, entrando em contato mais diretamente com uma cena urbana e tecnológica que ajudaria a modificar sua maneira de compor. A produção foi para um som limpo e abrangente, contando com uma estrutura muito mais enxuta, baseada em sintetizadores, baterias eletrônicas, sequenciadores, guitarras texturizadas e baixos melódicos, além dos vocais expressivos do cantor. Com isso, temos um diálogo evidente com a New Wave e um pouco do Synth-pop. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Nos Siguen Pegando Abajo (Pecado Mortal), Los Dinosaurios, Ojos De Videotape, No Soy Un Extraño, Nuevos Trapos 
Vale a Pena Ouvir: Plateado Sobre Plateado (Huellas En El Mar), Plateado Sobre Plateado (Huellas En El Mar)

Piano Bar – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Mais um ano se passou, e Charly Garcia lançava mais um trabalho novo, o Piano Bar. Após o Clics Modernos, o cantor não quis abandonar a modernidade que havia descoberto, mas recupera com mais força o piano, as guitarras e uma estrutura do rock mais tradicional. Com Charly voltando a explorar com intensidade temas como relacionamentos, desejo, solidão, frustração e autodestruição. A produção foi para uma sonoridade mais encorpada e muito bem definida. Com o piano voltando a ter uma presença central, as guitarras continuam bem texturizadas, enquanto o baixo e a bateria sustentam o movimento dos arranjos. Fora, claro, a presença de sintetizadores e elementos eletrônicos que fazem ter esse equilíbrio da New Wave com aquele Pop Rock tradicional. O repertório é excepcional, parecendo também uma coletânea, só tendo canções carregadas de profundidade. No fim, é outro disco fenomenal e que é uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Demoliendo Hoteles, Promesas Sobre El Bidet, Cerca De La Revolución, Raros Peinados Nuevos, Piano Bar 
Vale a Pena Ouvir: Tuve Tu Amor, Total Interferencia, No Se Va A Llamar Mi Amor

Parte De La Religión – Charly Garcia





















NOTA: 9,7/10


No ano de 1987, o cantor lançava seu 4º álbum solo, intitulado Parte De La Religión. Após o Piano Bar, o cantor havia se tornado uma das figuras centrais do rock argentino, mas essa posição vinha acompanhada de conflitos pessoais e profissionais. Isso contribuiu para o caráter mais introspectivo e, em alguns momentos, sombrio do disco. Se os trabalhos anteriores tinham apresentado muita ironia, provocação e energia, aqui existe uma sensação maior de desgaste, reflexão e desilusão. A produção, feita pelo cantor junto com Joe Blaney, foi para uma sonoridade mais sofisticada e atmosférica. O álbum mantém instrumentos eletrônicos e sintetizadores, mas não se torna tão dependente deles, já que são utilizados de maneira mais natural. Teclados, guitarras, baixo, bateria e programações eletrônicas convivem sem se sobrepor umas às outras. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem melódicas e densas. Enfim, é um baita disco e que também é um clássico. 

Melhores Faixas: Rezo Por Vos, No Voy En Tren, Buscando Un Símbolo De Paz (participação da Paula Toller), Necesito Tu Amor, Rap De Las Hormigas (Os Paralamas servindo como banda de apoio, que coisa daora) 
Vale a Pena Ouvir: La Ruta Del Tentempié, Parte De La Religión, El Karma De Vivir Al Sur


                                                                                              Bom é isso e flw!!!           

Analisando Discografias - Luis Alberto Spinetta: Parte 2

                 

Don Lucero – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 8,3/10


Chegando ao final da década de 80, Spinetta lança o sólido álbum Don Lucero. Após o maravilhoso Tester de violencia, o cantor estava cada vez mais distante da necessidade de se encaixar em uma tendência específica. A música argentina do período estava passando por transformações, e o Rock começava a conviver com uma produção mais moderna e diferentes linguagens do Pop. Spinetta absorve parte desse ambiente, mas não tenta simplesmente soar como seus contemporâneos. A produção foi para um caminho mais sofisticado, com uso eficiente de sintetizadores, programações, efeitos e instrumentos elétricos, mas também preserva uma presença muito forte de guitarras e instrumentos acústicos. Conseguindo criar uma atmosfera bem cinematográfica e com os vocais sendo bem delicados, fazendo assim uma espécie de Pop progressivo com Art Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: La Melodía Es En Tu Alma, Es La Medianoche, Un Sitio Es Un Sitio 
Vale a Pena Ouvir: Fina Ropa Blanca, Cielo Invertido, Divino Presagio

Peluson of Milk – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 9,8/10


Em 1991, Luis Alberto Spinetta lançava outro álbum fantástico, o Peluson of Milk. Após o Don Lucero, esse trabalho nasce em uma fase particularmente pessoal da vida de Spinetta, e isso influencia diretamente sua atmosfera. Ele estava vivendo a expectativa do nascimento de sua filha Vera, e esse contexto ajuda a explicar a ternura que atravessa praticamente todo o disco. Não é um álbum infantil, nem simplesmente um álbum sobre paternidade. A produção foi para uma abordagem bem minimalista, com Spinetta tocando a maioria dos instrumentos, só que, claro, com algumas participações. As guitarras, teclados e cordas criam texturas, enquanto o baixo e a bateria são bem sustentáveis, e o uso de sequenciadores e máquinas de ritmo funciona como estrutura, dialogando assim tanto com o Pop Rock e o Art Rock quanto com elementos da New Wave. O repertório é incrível, e as canções são todas belíssimas e bem poéticas. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Seguir Viviendo Sin Tu Amor, Lago De Forma Mía, Cielo De Ti, Domo Tú, Cada Luz, Jilguero, La Montaña 
Vale a Pena Ouvir: Dime La Forma, Hombre De Lata, Ganges, Cruzarás

Silver Sorgo – Spinetta





















NOTA: 8/10


Dez anos se passaram, e Spinetta volta com um trabalho novo, intitulado Silver Sorgo. Após o Peluson of Milk, o cantor passa a procurar novamente uma abordagem mais ampla, incorporando teclados, programações, diferentes baixos, guitarras e texturas. Ele não abandona completamente a força do rock, mas a coloca dentro de uma linguagem muito mais sofisticada e contemplativa. Fora que, nesse período, a Argentina passava por uma grande crise econômica, o que deixa ainda mais evidente uma abordagem de desilusão. A produção foi bastante sofisticada e juntou os mundos do Art Rock e Jazz-Rock. As guitarras servem como textura, enquanto a alternância no baixo de Marcelo Torres e Javier Malosetti consegue sustentar bem os arranjos. Os teclados também são bem variados, e a bateria do Daniel Wirtz coloca um peso moderado. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem melódicas e suaves. No fim, é um disco bacana e que é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Abrazame Inocentemente, Ni Hables 
Vale a Pena Ouvir: Mundo Disperso, Adentro Tuyo, La Verdad De Las Grullas, El Mar Es De Llanto, El Enemigo

Para Los Árboles – Spinetta





















NOTA: 9/10


No ano de 2003, Luis Alberto Spinetta lançava mais um álbum, o Para los árboles. Após o Silver Sorgo, esse trabalho traz uma preocupação que sempre esteve presente na obra de Spinetta: a natureza. Árvores, céu, água, animais, luz e paisagens aparecem como imagens através das quais ele consegue falar sobre o ser humano sem precisar descrevê-lo diretamente. A natureza não funciona simplesmente como cenário; ela é quase uma linguagem paralela. A produção foi ainda mais sofisticada e conseguiu equilibrar perfeitamente instrumentos reais e programação eletrônica. As guitarras continuam fundamentais, mas aparecem muitas vezes como texturas, contrapontos ou pequenas intervenções melódicas, em vez de simplesmente conduzirem riffs. O baixo é bem sustentável, a bateria é bem orgânica e os teclados são bem variados. O repertório é incrível, e as canções são bastante imersivas e noturnas. No fim, é um belo álbum e bem equilibrado. 

Melhores Faixas: Agua De La Miseria, Sin Abandono, Cisne, Ciénaga Dorada, Halo Lunar, El Lenguaje Del Cielo 
Vale a Pena Ouvir: Tu Cuerpo Mediodía, Yo Miro Tu Amor, A Su Amor, Allí

Pan – Spinetta





















NOTA: 8,5/10


Três anos se passaram, e Spinetta lançava mais um álbum novo, intitulado apenas como Pan. Após o Para los Árboles, a sua relação musical construída com músicos como Claudio Cardone, Nerina Nicotra e Sergio Verdinelli permite que ele trabalhe com uma banda muito mais coesa. Esse novo álbum continuava explorando temas como amor, passagem do tempo, fragilidade, existência, relações humanas e a tentativa de encontrar beleza em meio à confusão. A produção foi bastante orgânica e caminhou para um som que dialogava tanto com o Art Rock quanto com o Jazz-Rock. As guitarras de Spinetta continuam servindo como arquitetura sonora, com a bateria tendo várias mudanças de dinâmica, enquanto o baixo ajuda a definir as harmonias e dá às músicas uma profundidade enorme. E os teclados ampliam bastante o espaço harmônico. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem mais melódicas e intimistas. Enfim, é um disco bacana e que foi bem abrangente. 

Melhores Faixas: No Habra Un Destino Incierto, Sinfin, Dale Luz Al Instante, ¡Que Hermosa Estas! 
Vale a Pena Ouvir: Espuma Mistica, Cancion De Noche, Atado A Tu Frontera

Un Mañana – Spinetta























NOTA: 9,5/10


No ano de 2008, foi lançado o último álbum em vida de Luis Alberto Spinetta, o excepcional Un Mañana. Após o Pan, esse trabalho possui uma consciência muito forte da passagem do tempo. Existe uma tensão entre olhar para frente e perceber tudo aquilo que já foi vivido. Ele estava entrando em uma etapa cada vez mais madura de sua existência, e isso aparece em músicas que falam de amor, memória, solidão, passagem do tempo, perda e esperança. A produção foi para uma abordagem limpa, mas mantendo uma sonoridade orgânica, embora existam elementos eletrônicos e de estúdio. A bateria cria bastante movimento, enquanto as linhas de baixo estabelecem melodias próprias. Os teclados de Claudio Cardone criam uma cama harmônica extremamente rica, e as guitarras de Spinetta exploram timbres, acordes e pequenos fraseados. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem melancólicas e cadenciadas. No fim, é um baita disco e que foi uma despedida lindíssima. 

Melhores Faixas: No Quiere Decir, La Mendiga, Hiedra Al Sol, Vacio Sideral, Despierta En La Brisa, Preso Ventanilla 
Vale a Pena Ouvir: Para Soñar, Cancion De Amor Para Olga, Tu Vuelo Al Fin

Los Amigo – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2015, onde foi lançado um álbum póstumo do Spinetta, o Los Amigo. Após o Un Mañana, o cantor estava preparando alguns projeto no inicio da década de 2010, mas no começo do ano de 2012, devido a um cancer de pulmão, Luis Alberto Spinetta veio a falecer. Com isso, esse material acabou sendo resgatado e foi preparado um ano antes junto com Rodolfo García na bateria e Daniel Ferrón no baixo. Produção feita pelo proprio cantor, seguiu uma abordagem bem espontanea. As bases foram gravadas ao vivo, com os três tocando juntos, e não houve overdubs nas tomadas originais. O que temos são guitarras expressivas, baixo melodico e uma bateria sustentavel lembrando muito a sonoridade do A 18’ Del Sol. Só que apesar de eles terem ido de cabeça na improvisação, tudo soa bem confuso e faltando algo mais enxuto. O repertório é curtinho tendo poucas faixas, com algumas legais e outras não. Enfim, é um álbum mediano, mas que trouxe algo interessante. 

Melhores Faixas: Iris, Canción Del Lugar 
Piores Faixas: Bagualerita, El Gaitero

 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Luis Alberto Spinetta: Parte 1

                 

A 18' Del Sol – Spinetta





















NOTA: 10/10


Em 1977, Luis Alberto Spinetta entrava em sua carreira solo com o clássico A 18’ del Sol. Após o fim do Invisible, o cantor passou a ter contato com o tecladista Diego Rapoport, que foi especialmente importante nesse processo, porque colocou Spinetta em contato mais profundo com o Jazz-Rock e com uma concepção musical muito mais aberta à improvisação e à interação entre os instrumentos. Lembrando que, nesse período, a Argentina estava vivendo a ditadura militar iniciada em 1976, enquanto Spinetta atravessava mudanças pessoais. A produção, feita por ele próprio, colocou um som definido e leve, que faz uma junção do Rock progressivo com o Jazz-Rock e o Fusion. As guitarras são muito bem variadas e dialogam com os teclados de Diego, que adicionam uma dimensão quase cósmica, enquanto a seção rítmica trabalha com mudanças e acentos. O repertório é maravilhoso, também parecendo uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Canción Para Los Días De La Vida, A Dieciocho Minutos Del Sol, Toda La Vida Tiene Música Hoy, Viento Del Azur 
Vale a Pena Ouvir: Viejas Mascarillas, ¿Dónde Está El Topacio?

Only Love Can Sustain – Spinetta





















NOTA: 2,5/10


No ano de 1980, Spinetta entra na nova década fazendo o horroroso Only Love Can Sustain. Após o A 18’ del Sol, o cantor decide fazer algo bastante diferente: um álbum voltado para um público internacional, gravado em inglês e construído dentro de uma estética muito mais próxima do Pop sofisticado daquele período. Spinetta estava tentando expandir seus horizontes e levar sua música para fora da Argentina, além de ter o apoio de sua gravadora, Columbia Records. A produção, feita por George Butler, deixou uma abordagem polida e extremamente acessível, que coloca elementos do Jazz Pop e do Pop barroco. Os arranjos são cuidadosamente organizados, com teclados, guitarras, baixo, bateria e elementos orquestrais trabalhando para criar uma sonoridade elegante, mas o problema é que tudo soa bastante sem alma. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções boas e o resto sendo genérico. No geral, essa tentativa de se internacionalizar não deu certo. 

Melhores Faixas: Something Beautiful, George's Surprise 
Piores Faixas: Only Love Can Sustain, Love Once, Love Twice, Then Love Again, Omens Of Love, Light My Eyes

Kamikaze – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e Spinetta, de volta ao seu território, lança o clássico Kamikaze. Após o Only Love Can Sustain, quando o cantor retornou à Argentina, o país estava atravessando um período político e social extremamente turbulento, e a Guerra das Malvinas começaria justamente naquele ano. Não fazendo um disco político no sentido tradicional, mas sua atmosfera de morte, liberdade, espiritualidade, violência e transcendência ganha uma dimensão ainda mais forte nesse ambiente. A produção de Spinetta foi para um som bem intimista, focado no Folk e com o violão possuindo acordes que trazem extensões, tensões e mudanças que dão às músicas uma personalidade muito particular, mas tudo isso aparece de maneira orgânica. A complexidade está escondida dentro de uma aparência simples. O repertório é excepcional, só tendo canções profundas e fazendo parecer uma coletânea. No final de tudo, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Barro Tal Vez, Ella También, Quedándote O Yéndote, La Aventura De La Abeja Reina, Kamikaze, ¡Ah!... Basta De Pensar 
Vale a Pena Ouvir: Y Tu Amor Es Una Vieja Medalla, Casas Marcadas

Mondo Di Cromo – Spinetta





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, Spinetta lança mais um trabalho novo, o Mondo Di Cromo, que trouxe uma abordagem interessante. Após o Kamikaze, o cantor estava vivendo uma fase de enorme produtividade e não queria ficar limitado a uma única formação. Com o apoio da gravadora InterDisc, esse projeto dava a ele liberdade para experimentar com diferentes músicos e combinações instrumentais. A produção foi para um som bastante limpo e moderno, mas que é bem definido. Em vez de partir sempre de uma banda tocando coletivamente e desenvolver as músicas em conjunto, ele trabalhou inicialmente sobre bases próprias, incluindo guitarras, baixos e recursos eletrônicos, para depois chamar diferentes músicos para acrescentar suas partes. O maior destaque fica para as guitarras precisas e os sintetizadores, que colocam uma temática futurista. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e variadas. Enfim, é um ótimo projeto e muito coeso. 

Melhores Faixas: No Te Alejes Tanto De Mí, Herido Por Vivir, Será Que La Canción Llegó Hasta El Sol 
Vale a Pena Ouvir: Lo Siento En Mi Corazón, Días De Silencio, Yo Quiero Ver Un Tren

Privé – Spinetta





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho novo do cantor, o Privé. Após o Mondo Di Cromo, Spinetta começa a olhar novamente para sua própria história e para as diferentes linguagens que havia desenvolvido ao longo dos anos. Já que a década de 80 havia mudado bastante a maneira como a música popular podia ser gravada, ele aproveita essas possibilidades para construir um álbum que mistura instrumentos tradicionais com sintetizadores, baterias eletrônicas e diferentes tratamentos de voz e guitarra. A produção, feita por ele próprio, foi para um caminho moderno, com ele dialogando bastante com a new wave, com elementos também do Synth-pop e do Art Pop. As guitarras são bem variadas, incluindo processamentos que conseguem funcionar; as baterias eletrônicas são bem controladas, e os sintetizadores são bem brilhantes. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um disco bacana e que foi muito subestimado. 

Melhores Faixas: Rezo Por Vos, Alfil, Ella No Cambia Nada 
Vale a Pena Ouvir: No Seas Fanática, Ropa Violeta, La Pelícana Y El Androide

Tester de violencia – Spinetta





















NOTA: 8,7/10


Se passaram dois anos, e Spinetta lança outro trabalho extraordinário, o Tester de violencia. Após o Privé, ele decidiu reunir suas experiências anteriores sem deixar que a tecnologia fosse o centro da música. O título já indica a preocupação fundamental do disco: a violência. Mas Spinetta não trata o tema apenas como violência física ou como uma questão política imediata. O conceito é muito mais amplo, envolvendo agressividade, alienação, relações humanas, destruição e a própria maneira como o indivíduo reage ao mundo. A produção foi para um som bem mais quente e orgânico, juntando Art Rock, Pop sofisticado e New Wave. Machi Rufino traz linhas de baixo profundas, Jota Morelli apresenta uma bateria dinâmica, Guillermo Arrom e Spinetta trabalham com guitarras fortes, e Mono Fontana contribui com teclados harmônicos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem reflexivas e impressionantes. Em suma, é um disco sensacional e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: La Bengala Perdida, Siempre En La Pared, Lejísimo, La Luz De La Manzana, Organismo En El Aire 
Vale a Pena Ouvir: Alcanfor, Tres Llaves, Al Ver Verás

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                        

Analisando Discografias - Sui Generis

                  

Vida – Sui Generis





















NOTA: 9,7/10


Voltando para o ano de 1973, o Sui Generis lançava seu álbum de estreia, o sensacional Vida. Formado em 1969, na capital argentina de Buenos Aires, por Charly García e Nito Mestre, que já tinham passado por diferentes experiências musicais, o duo apresentava uma proposta muito mais acústica e centrada na composição. Com esse álbum de estreia, o grupo fazia um contraponto à maioria dos outros nomes mais pesados do Rock argentino, assinando com a Talent/Microfón. A produção, feita por Jorge Álvarez, seguiu uma abordagem limpa e contou com uma instrumentação mais ampla, que dialogava tanto com o Folk Rock quanto com o Folk Pop. Charly assumia as guitarras e os pianos, enquanto Nito utilizava flautas e guitarras. Além deles, havia a presença de músicos como Claudio Gabis na guitarra, Alejandro Medina no baixo, Francisco Pratti na bateria e Jorge Pinchevsky no violino. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico. 

Melhores Faixas: Canción Para Mi Muerte, Quizás, Porque, Cuando Comenzamos A Nacer, Estación, Amigo Vuelve A Casa Pronto, Dime Quien Me Lo Robó, Natalio Ruiz
Vale a Pena Ouvir: Mariel Y El Capital, Necesito
  

Confesiones De Invierno – Sui Generis





















NOTA: 10/10


Em questão de cinco meses, foi lançado o 2º álbum do Sui Generis, o Confesiones De Invierno. Após o Vida, Charly García e Nito Mestre já tinham conquistado um público muito maior e começavam a ser reconhecidos como uma das duplas mais importantes do Rock argentino. Com esse novo trabalho, apresentando uma visão mais amarga e consciente sobre relacionamentos, solidão, envelhecimento, frustrações e dificuldades da vida cotidiana. A produção seguiu um caminho mais seguro e definido, mantendo a importância do violão, do piano e das vozes, mas apresentando uma instrumentação mais encorpada e melhor organizada. A presença de guitarra elétrica, baixo, bateria e outros instrumentos amplia bastante as possibilidades sonoras. Além disso, os vocais da dupla conseguem ser bem sinceros e melódicos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No final, é um disco excepcional e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Rasguña Las Piedras, Confesiones De Invierno, Cuando Ya Me Empiece A Quedar Solo, Tribulaciones, Lamentos Y Ocaso De Un Tonto Rey Imaginario, O No, Bienvenidos Al Tren 
Vale a Pena Ouvir: Aprendizaje, Lunes Otra Vez

Pequeñas Anécdotas Sobre Las Instituciones – Sui Generis





















NOTA: 10/10


Em 1974, o Sui Generis lançava seu 3º álbum, o Pequeñas Anécdotas Sobre las Instituciones. Após o Confesiones de Invierno, Charly estava cada vez mais interessado em experimentar com teclados, sintetizadores, guitarras elétricas e estruturas menos convencionais, enquanto Nito continuava funcionando como o contraponto vocal mais suave da dupla. Com eles decidindo fazer um álbum conceitual que aborda temas como crítica social e política às “instituições” básicas da sociedade conservadora. A produção, feita como sempre por Jorge Álvarez, deixou um som claro, só que agora implementando uma quantidade muito maior de instrumentos elétricos e eletrônicos, que, junto com as guitarras, a bateria e o baixo, ocupam um espaço muito mais importante, criando uma sonoridade que se aproxima do Rock progressivo e do Folk progressivo. O repertório é maravilhoso, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um disco fenomenal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Instituciones, Las Increíbles Aventuras Del Señor Tijeras, Pequeñas Delicias De La Vida Conyugal, Tango En Segunda, Música De Fondo Para Cualquier Fiesta Animada
Vale a Pena Ouvir: Para Quien Canto Yo Entonces, El Tuerto Y Los Ciegos

Sinfonías Para Adolescentes – Sui Generis





















NOTA: 3/10


No começo dos anos 2000, o Sui Generis retornou com seu 4º e último álbum, o Sinfonías Para Adolescentes. Após o Pequeñas Anécdotas Sobre las Instituciones, Charly García e Nito Mestre haviam seguido caminhos diferentes desde o fim da dupla nos anos 1970, onde se afastaram bastante da sonoridade que tinham desenvolvido juntos. Para esse álbum, eles decidiram juntar composições novas com alguns covers. A produção, feita pelo próprio Charly García, colocou um som moderno e encorpado, com eles dialogando muito com o Rock alternativo e com alguns elementos sinfônicos. O problema é que tudo se torna uma bagunça, já que há arranjos grandiosos, outros mais acústicos e momentos em que os instrumentos são usados para criar uma atmosfera quase teatral, fazendo um trabalho que não tem nada a ver com eles. O repertório é fraquíssimo, com canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum ruim e que não funcionou. 

Melhores Faixas: El Día Que Apagaron La Luz, Cuando Te Vayas, Take Me For A Little While (Úsame Un Poquito Más), Espejos 
Piores Faixas: Her Town Too (Tu Pueblo También), Me Tiré Por Vos, Set You Free This Time (Aguante La Amistad), Monoblock, Mercy, Mercy (Ten Pena), Digo De Vos

 

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 1

                  Yendo De La Cama Al Living – Charly Garcia NOTA: 10/10 Voltando para 1982, Charly Garcia lançava seu sensacional álbum de ...