segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Review: Pendulum do Fuel

                    

Pendulum – Fuel





















NOTA: 3/10


Recentemente, o Fuel lançou seu 7º álbum de estúdio, o Pendulum, que tentou algo diferente. Após o Anomaly, John Consale acabou sendo demitido da banda e, em seu lugar, entrou Aaron Scott, simplesmente porque ele performou Hemorrhage (In My Hands) no The Voice americano (pois é). Esse novo disco procura recuperar uma característica que não recebia a devida atenção durante o ápice comercial deles: o seu peso. A produção, feita pela própria banda, seguiu um caminho um pouco mais cru e agressivo, combinando Post-Grunge e Metal Alternativo. Com isso, as guitarras apresentam muito mais riffs encorpados, distorções e acordes de impacto, enquanto a cozinha rítmica está bem mais firme e consistente. Os vocais do Aaron são bastante intensos, mas tudo parece soar como uma cópia sem graça do Shinedown. O repertório é muito ruim, e as canções são bastante genéricas, com poucas interessantes. No final, é um álbum bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Enemy, For You, Walk Away 
Piores Faixas: Bad at Love, Blame, Hotel California, Innocent
 

                                                                                   Então é isso e flw!!!                      

Analisando Discografias - Joey Valence & Brae

                  

PUNK TACTICS – Joey Valence & Brae





















NOTA: 9,4/10


No ano de 2023, o Joey Valence & Brae lançava seu álbum de estreia, o PUNK TACTICS. Formada dois anos antes, em State College, na Pensilvânia, a dupla é composta por Joseph Bertolino e Braedan Lugue, que se conheceram no primeiro ano da universidade e começaram a lançar singles seguindo o estilo DIY. A proposta deles era unir o Mid-School Hip Hop à música eletrônica, recuperando características de diferentes períodos da música alternativa dos anos 80, além das influencias do Beastie Boys. A produção, feita pela dupla junto com Patrick Nissley, apresenta uma abordagem pesada, com batidas cruas que contam com baterias secas, utilização de Breakbeats, batidas aceleradas, linhas de baixo bastante presentes e sintetizadores que frequentemente assumem uma função central nos arranjos, além dos flows da dupla, que são bem excêntricos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem divertidas. No final, é um baita disco de estreia e muito ousado. 

Melhores Faixas: PUNK TACTICS, HOOLIGANG, STARTAFIGHT, KILL BILL, WATCH YO STEP, DROP!!, DANCE NOW, RN 
Vale a Pena Ouvir: TANAKA 2 (Logic mandou bem), CLUB SANDWICH, GUMDROP
  

NO HANDS – Joey Valence & Brae





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, o Joey Valence & Brae lançou seu 2º álbum, o sensacional NO HANDS. Após o PUNK TACTICS, os dois passaram a trabalhar com uma identidade mais reconhecível, aproveitando o crescimento de sua popularidade para desenvolver um repertório que também abordasse suas experiências pessoais e as mudanças que estavam acontecendo em suas vidas. O próprio conceito está relacionado às ideias de independência, confiança e superação, apresentando a trajetória da dupla como exemplo de que é possível construir uma carreira artística seguindo caminhos próprios. A produção seguiu um caminho mais variado, já que aqui encontramos Boom Bap, Breakbeat, EDM e Jazz Rap. As batidas estão mais amplas, contando com caixas bem definidas, hi-hats que aparecem em diferentes velocidades, elementos eletrônicos e linhas de baixo que ajudam a sustentar os arranjos. O repertório é incrível, e as canções são bem energéticas. No final, é outro disco sensacional da dupla. 

Melhores Faixas: THE BADDEST, BUSSIT, PACKAPUNCH (Danny Brown amassou), NO HANDS, WHAT U NEED, OK 
Vale a Pena Ouvir: WHERE U FROM, DOUGHBOY, JOHN CENA

HYPERYOUTH – Joey Valence & Brae





















NOTA: 9/10


Então chegamos em 2025, quando a dupla lançou seu mais recente álbum, o HYPERYOUTH. Após o NO HANDS, o Joey Valence & Brae procuraram ir além da fórmula que tinha dado certo, incorporando elementos do R&B e música de pista, sem abandonar completamente a energia que caracterizou seus trabalhos anteriores. Um dos aspectos centrais do álbum é justamente a relação entre juventude, amadurecimento e a dificuldade de aceitar as transformações provocadas pela passagem do tempo. Produção feita inteiramente pelo próprio Joey Valence e lançado pela RCA, traz um som mais acessível e diversificada contando com elementos do Miami Bass, EDM e até um pouco de Crank. Contando com graves precisos, baterias eletrônicas aceleradas e sintetizadores distorcidos. Com os vocais da dupla sendo muito expressivos e dinâmicos. O repertório é muito bom, e as canções são todas muito envolventes. Enfim, é mais um trabalho incrível e consistente. 

Melhores Faixas: HYPERYOUTH, LIVE RIGHT, THE PARTY SONG, BUST DOWN, WASSUP (ótima feat do JPEGMAFIA), MYSELF, PARTY'S OVER 
Vale a Pena Ouvir: BILLIE JEAN, GIVE IT TO ME, GO HARD

 

Analisando Discografias - Snoop Dogg: Parte 2

                  

Missionary – Snoop Dogg & Dr. Dre





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram até o Snoop Dogg lançar um álbum colaborativo com Dr. Dre, o Missionary. Após o BODR, os dois tinham anunciado que iriam lançar um álbum, o que levantou muita expectativa entre os fãs. Com eles tentando equilibrar referências do Rap da Costa Oeste com uma produção mais contemporânea, incluindo participações de artistas de diferentes gerações. A produção feita pelo Dre, com a ajuda do BoogzDaBeast, The ICU, FNZ, entre outros, que seguiram uma abordagem limpa. Mesmo mantendo referências do G-Funk, temos elementos do Trap e do Neo-Soul. As beats são amplas, contando com sintetizadores, instrumentos de sopro, pianos e arranjos de cordas para dar personalidade às composições, além de baterias secas e linhas de baixo profundas. O problema é que tudo soa muito monótono e sem variação. O repertório é fraquíssimo, trazendo canções medíocres e poucas faixas interessantes. Enfim, é um álbum muito decepcionante. 

Melhores Faixas: Outta Da Blue, Shangri-La, Now Or Never, Skyscrapers (Method Man mandou bem) 
Piores Faixas: Fire, Gunz N Smoke (Eminem e 50 Cent esquecíveis), Gorgeous, Another Part Of Me (Sting não sabe até hoje, como ele veio parar aqui)
  

Iz It A Crime? – Snoop Dogg





















NOTA: 4/10


No ano seguinte, o Snoop Dogg lançava mais um álbum, intitulado Iz It A Crime?. Após o Missionary, com Dr. Dre, o rapper quis fazer um trabalho catártico, no qual encontrou espaço para abordar assuntos pessoais e colocar algumas questões para fora. Explorando temas como composições dedicadas a familiares falecidos, incluindo sua mãe, Beverly Broadus Green, e seu irmão, Bing Worthington, além de refletir sobre sua trajetória de mais de três décadas no Rap. A produção contou com Pharrell Williams, Rick Rock, Nottz e vários outros, que seguiram aquela abordagem ampla, principalmente nas batidas, que contam com baterias firmes, uso moderado de hi-hats e 808s, sintetizadores melódicos e loops minimalistas. Mas o problema é que, novamente, os mesmos erros voltam a se repetir, deixando o trabalho muito maçante. O repertório é muito ruim, trazendo canções tenebrosas e poucas realmente interessantes. No final, é mais um trabalho esquecível do Snoop. 

Melhores Faixas: Iz It A Crime?, Sophisticated Crippin', Unsung Heroes, Can't Get Enough, Cold Summer, Let Me Love You 
Piores Faixas: Can't Wait, You Want My All, My Friend, West Up, Keep It Moving, ShutYoBitchAssUp, Me N OG Snoop

10 Til' Midnight – Snoop Dogg





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos a 2026, quando o Snoop Dogg lançou seu mais recente álbum, o 10 Til’ Midnight. Após o Iz It A Crime?, o conceito desse trabalho está mais relacionado à ideia de legado e continuidade. Snoop já possui uma trajetória extensa, com uma discografia que atravessa diferentes gerações do Rap, e não precisa mais construir sua identidade artística a partir de tendências passageiras. Com isso, ele assume uma postura de veterano aconselhando uma geração mais jovem. A produção segue aquela abordagem de sempre, juntando elementos do G-Funk, Trap e alguns elementos do R&B. Com isso, as baterias estão mais balanceadas, e o uso de sintetizadores e hi-hats é mais constante. Mas, novamente, tudo soa muito confuso, e os flows do Snoop são muito repetitivos. Até quando ele usa autotune, parece não funcionar. O repertório é terrível, e as canções são tenebrosas, com pouquíssimas exceções. Enfim, é um álbum horrível que não faz jus a toda a sua trajetória. 

Melhores Faixas: OG To BG, 17 Rules 
Piores Faixas: Stop Counting My Poccets, Bread Under The Bed, Pop My Shit, Slid Off, Long Beachin

 

domingo, 1 de novembro de 2026

Analisando Discografias - Snoop Dogg: Parte 1

                 

Doggystyle – Snoop Doggy Dogg





















NOTA: 10/10


No ano de 1993, o Snoop Dogg lançava seu clássico álbum de estreia, o Doggystyle. O rapper, vindo de Long Beach, na Califórnia, começou sua carreira dois anos antes. Vale lembrar que ele ainda era conhecido como Snoop Doggy Dogg e começou a gravar algumas demos. Seu amigo Warren G o apresentou a Dr. Dre, que viu potencial nele, e assim ele assinou com a Death Row Records. Com isso, sua participação no álbum The Chronic deixou todo mundo com uma expectativa altíssima sobre seu primeiro álbum. A produção foi feita inteiramente pelo próprio Dr. Dre, que manteve aquela temática do Gangsta Rap, com beats orientadas para o G-Funk, contando com linhas de baixo bastante encorpadas, sintetizadores de timbres sinuosos, beats cadenciadas e samples de Soul e Funk setentista. Além, claro, dos flows precisos do Snoop. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. Enfim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Gin And Juice, Tha Shiznit, Who Am I (What's My Name)?, Ain't No Fun (If The Homies Can't Have None), Murder Was The Case, Gz And Hustlas 
Vale a Pena Ouvir: For All My Niggaz & Bitches, Lodi Dodi, Serial Killa

Tha Doggfather – Snoop Doggy Dogg





















NOTA: 6/10


Três anos depois, o Snoop Dogg lançava seu 2º álbum, intitulado Tha Doggfather. Após o clássico Doggystyle, o rapper passou a enfrentar uma série de dificuldades relacionadas à sua vida pessoal e à própria indústria musical. Um dos acontecimentos mais importantes foi o assassinato de Tupac Shakur, em setembro de 1996, que abalou profundamente a Death Row Records e modificou o ambiente ao redor da gravadora. Além disso, ele havia passado por um extenso julgamento sobre seu possível envolvimento no assassinato de Philip Woldemariam. A produção, dessa vez, contou com DJ Pooh, Daz Dillinger, entre outros, que mantiveram os sintetizadores melódicos, os graves encorpados, as linhas de baixo cadenciadas e os samples de Soul e Funk. Mas o problema é que tudo parece muito reciclado, com os flows do Snoop sendo bastante repetitivos. O repertório começa bem, mas depois cansa com canções fracas. Enfim, é um álbum irregular e que deu muito errado. 

Melhores Faixas: Doggfather, Up Jump Tha Boogie, Ride 4 Me, Doggyland, Groupie 
Piores Faixas: Gold Rush, Freestyle Conversation, Sixx Minutes, (O.J.) Wake Up, You Thought

Da Game Is To Be Sold, Not To Be Told – Snoop Dogg





















NOTA: 2,5/10


Dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar mais um álbum, o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told. Após o Tha Doggfather, o rapper atravessava um período de transformações profissionais, principalmente por conta de seu afastamento da Death Row Records, devido à quantidade de processos contra Suge Knight, e de sua aproximação com a No Limit Records, gravadora comandada por Master P. Com isso, não preciso dizer que ele entrou de cabeça na sonoridade do Rap sulista. A produção, feita pelo próprio Master P, Craig B, KLC e outros, deixou um som acessível e minimalista, que seguia muito mais a linha do Dirty South. Conta com beats amplas, baterias marcadas, 808s, hi-hats e synths discretos, mas tudo soa extremamente clichê, e o flow do Snoop não consegue se encaixar. O repertório é horrível, e a maioria das canções é medíocre, com poucas faixas interessantes. No final, é um álbum terrível e que parece ter sido feito às pressas. 

Melhores Faixas: Still A G Thang, Doggz Gonna Get Ya 
Piores Faixas: Tru Tank Drogs, Ain't Nut'in Personal, Hoes, Money & Clout, Pay For P..., DP Gangsta

No Limit Top Dogg – Snoop Dogg





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, Snoop voltou com mais um disco, intitulado No Limit Top Dogg. Após o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told, que foi uma tentativa de reafirmação artística seguindo aquela abordagem do Dirty South que não deu muito certo, o rapper procurou estabelecer uma reconciliação entre as duas fases de sua carreira. O projeto mantém sua ligação com a No Limit Records, mas recupera elementos do G-Funk e da sonoridade da Costa Oeste. A produção contou novamente com Dr. Dre, DJ Quik, Meech Wells e outros, que apresentaram beats mais definidas, contando com baterias variadas, 808s constantes e linhas de baixo profundas. Além de sintetizadores com timbres melódicos, frases prolongadas e pequenas sequências repetitivas e atmosféricas, com o flow do Snoop conseguindo se encaixar melhor. O repertório é legalzinho, e as canções conseguem ser bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e que não apresentou os erros de antes. 

Melhores Faixas: Down 4 My N's, Just Dippin' (Dr. Dre mandou bem), Bitch Please, Betta Days 
Vale a Pena Ouvir: Don't Tell (participação do Warren G e Nate Dogg), Buck 'Em, Something Bout Yo Bidness, 20 Minutes

Tha Last Meal – Snoop Dogg





















NOTA: 5/10


Entrando nos anos 2000, o Snoop Dogg lançava seu 5º álbum, o Tha Last Meal. Após o No Limit Top Dogg, o disco surgiu como uma espécie de conclusão de seu período na No Limit Records. O título faz referência justamente à ideia de encerramento dessa parceria, funcionando como uma transição para uma nova etapa, na qual Snoop procurava recuperar definitivamente o controle de sua direção musical. A produção contou com alguns nomes, como Timbaland, Mike Elizondo, entre outros, que trouxeram uma abordagem limpa, com beats secas, graves bem definidos, sintetizadores eletrônicos e elementos percussivos bastante precisos. Mas o grande problema é que tudo fica muito repetitivo e falta algo mais variado, além de que, às vezes, parece que o Snoop está rimando com preguiça. O repertório é mediano, tem canções legais e outras fraquinhas. No geral, é um álbum irregular e cansativo. 

Melhores Faixas: Lay Low, Set It Off (ótimas feats do Ice Cube, MC Ren e Nate Dogg), Leave Me Alone, Go Away 
Piores Faixas: Issues, I Can't Swim, True Lies, Snoop Dogg (What's My Name Pt. 2)

Paid Tha Cost To Be Da Bo$$ - Snoop Dogg





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, Snoop Dogg lançava mais um álbum, o Paid Tha Cost to Be da Bo$$. Após o Tha Last Meal, o rapper começou a desenvolver uma nova identidade artística, procurando se afastar parcialmente da sonoridade que havia acompanhado seus primeiros anos de carreira, além de ter criado um selo que levava o nome de seu álbum de estreia. Com isso, nesse novo trabalho, ele passou a explorar novas sonoridades, mas sem abandonar o Rap. A produção contou com The Neptunes, DJ Premier, Jelly Roll e outros, que seguiram uma abordagem mais acessível, colocando aqueles elementos do Gangsta Rap em diálogo com Pop, R&B e Funk. As beats ficaram mais diretas, contando com baterias controladas, timbres eletrônicos, sequências repetitivas e pequenos efeitos que criam uma atmosfera futurista. Mesmo assim, tudo fica bem arrastado e carregado de excessos. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fraquinhas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Beautiful, The One And Only, From Tha Church To Da Palace, I Believe In You, Batman & Robin 
Piores Faixas: I Miss That Bitch, Bo$$ Playa, Ballin', A Message 2 Fat Cuzz

R & G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece – Snoop Dogg





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais dois anos até o rapper lançar mais um álbum, o R&G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece. Após o Paid Tha Cost to Be da Bo$$, o rapper continuou expandindo sua presença para além do Rap tradicional, aproximando-se cada vez mais do R&B, do Funk e da música Pop. Essa mudança não significava necessariamente abandonar sua identidade, mas adaptar sua abordagem a uma indústria que valorizava produções mais limpas, refrões marcantes e participações de artistas de diferentes estilos. A produção contou com The Neptunes, Hi-Tek, The Alchemist e outros, que seguiram essa abordagem mais acessível, trazendo beats limpas, kicks firmes, caixas bem definidas e hi-hats que ajudam a estabelecer o balanço. Além da presença de baixos encorpados e sintetizadores saltitantes, com os flows sendo bem relaxados e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e envolventes. No fim, é um disco bacana que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Drop It Like It's Hot, Signs (Justin Timberlake ficou só no refrão), Let's Get Blown, No Thang On Me 
Vale a Pena Ouvir: Oh No (50 Cent mandou bem), Pass It Pass It, Can U Control Yo Hoe, Perfect

Tha Blue Carpet Treatment – Snoop Dogg





















NOTA: 9/10


Mais dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar seu 8º álbum, o Tha Blue Carpet Treatment. Após o R&G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece, o rapper decidiu trabalhar em um projeto que retomasse elementos do Gangsta Rap da Costa Oeste, sem abandonar completamente a modernização de sua sonoridade. Portanto, a proposta não era simplesmente reproduzir o som dos anos 90, mas encontrar uma maneira de combinar sua identidade clássica com as tendências de produção daquele período. A produção contou, em parte, com os mesmos nomes, além de nomes como Rick Rock e Nottz, que trouxeram beats pesadas, grooves mais descontraídos, instrumentais minimalistas e produções que recuperam características do G-Funk. As linhas graves variam entre timbres sintetizados e elementos modernos, enquanto os flows do Snoop estão bem variados e precisos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e imersivas. No final, é um baita disco e que deu muito certo. 

Melhores Faixas: That's That Shit (foda-se a feat), Think About It, Vato (B-Real mandou bem), 10 Lil' Crips, LAX (Ice Cube amassou), Imagine (baita feat do Dr. Dre e do D’Angelo), I Wanna Fuck You (grande feat do Akon), Which One Of You, Don't Stop (ótima feat do Kurupt) 
Vale a Pena Ouvir: Candy (Drippin' Like Water) (quase uma cypher: Kurupt, MC Eitht, Daz Dillinger, E-40), Crazy (Nate Dogg marcando presença), Round Here, Get A Light

Ego Trippin – Snoop Dogg





















NOTA: 3,5/10


Em 2008, Snoop Dogg lançava mais um projeto novo, o Ego Trippin', que tentou ser mais sério. Após o Tha Blue Carpet Treatment, o rapper decidiu trabalhar em um projeto com uma proposta mais livre, explorando diferentes estilos musicais e reduzindo a dependência de participações de outros artistas. A intenção era apresentar um álbum mais centrado em sua própria personalidade, tanto na interpretação quanto na variedade de caminhos sonoros. A produção contou com aqueles mesmos nomes, só que agora eles trabalharam dentro de um som variado, que vai do Chipmunk Soul, R&B, Synth Funk e G-Funk. O álbum conta com beats pesadas, baterias secas, 808s constantes e uso mais frequente de hi-hats e synths, que dão ao projeto uma temática mais atmosférica, mas tudo soa bastante confuso, e o uso de Auto-Tune pelo Snoop não funciona. O repertório é muito ruim, e as canções são todas muito genéricas. Enfim, é um disco terrível e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Neva Have 2 Worry, Those Gurlz, Cool, One Chance (Make It Good) 
Piores Faixas: Sexual Eruption, Why Did You Leave Me, Set Up, SD Is Out, Deez Hollywood Nights, Staxxx In My Jeans

Doggumentary – Snoop Dogg





















NOTA: 3/10


Três anos se passaram até Snoop Dogg ressurgir com um novo álbum, o Doggumentary. Após o Ego Trippin', ele quis fazer um álbum que procurasse reunir diferentes fases de sua carreira, misturando referências à sua trajetória com tendências de produção mais recentes. O projeto também surgiu em um período em que o Hip Hop estava passando por mudanças importantes. As produções eletrônicas e as baterias programadas ganhavam cada vez mais espaço, enquanto muitos artistas tentavam se readaptar. A produção contou com DJ Khalil, Battlecat, Mr. Porter, entre outros, que trouxeram uma abordagem acessível e moderna. Os beats continuaram muito variados, contando com baterias secas, 808s constantes, hi-hats discretos e aquele uso de sintetizadores característicos. Mas o problema é que muitos elementos são desnecessários e repetitivos. O repertório é ruim, tendo canções chatinhas e poucas interessantes. Enfim, é um disco horrível e impreciso. 

Melhores Faixas: My Own Way, El Lay 
Piores Faixas: Boom (T-Pain totalmente esquecível), My Fuckin House, Peer Pressure, Platinum, Superman, It's D Only Thang, Wet

Bush – Snoop Dogg





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2015, Snoop Dogg lançava o álbum Bush, que era totalmente diferente. Após o Doggumentary, o rapper passou por um período de experimentações e aproximações com diferentes estilos, incluindo projetos que exploravam o Reggae sob o nome de Snoop Lion. Essa fase demonstrou seu interesse em ultrapassar os limites do Gangsta Rap e trabalhar com outras referências musicais. A produção foi feita inteiramente por Pharrell Williams e Chad Hugo, que seguiram uma temática mais puxada para o Nu-Disco, R&B contemporâneo e Synth Funk. O uso de sintetizadores apresenta timbres brilhantes, melodias simples e camadas de teclado que dão às músicas uma aparência colorida e descontraída. Enquanto isso, as baterias são bem marcadas, deixando os vocais do Snoop alternarem entre cantos melódicos e, às vezes, alguns flows. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Em suma, é um disco bacana e muito ousado. 

Melhores Faixas: California Roll (participação do Stevie Wonder), Peaches N Cream, So Many Pros, I'm Ya Dogg (Kendrick mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: I Knew That, R U A Freak, Edibles (ótima feat do T.I.)

Neva Left – Snoop Dogg





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram até o rapper lançar mais um trabalho novo, o Neva Left. Após o Bush, Snoop Dogg decidiu retornar a uma abordagem mais próxima do Gangsta Rap e a uma atmosfera associada à sua trajetória nos anos 90. O título faz referência à permanência de Snoop dentro da cultura Hip Hop. Mesmo depois de décadas de carreira, mudanças de tendências e experiências em diferentes gêneros musicais, o rapper procura demonstrar que continua conectado às suas origens. A produção voltou a ser diversificada, contando com Rick Rock, DJ Battlecat, Dr. Evo e outros, que trouxeram beats mais orientadas para o G-Funk, mas com momentos que dialogam com Trap e Boom Bap. Com isso, temos 808s precisos, kicks firmes, caixas marcadas e hi-hats discretos, com os flows do Snoop sendo bem precisos e até mais agressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e até envolventes. Enfim, é outro trabalho muito bom e subestimado dele. 

Melhores Faixas: Bacc In Da Dayz, Mount Kushmore (Method Man & Redman e B-Real amassaram), Go On 
Vale a Pena Ouvir: Neva Left, Let Us Begin (ótima feat do KRS-One), Promise You This, I'm Still Here

BODR – Snoop Dogg





















NOTA: 5,5/10


No ano de 2022, Snoop Dogg lançava o álbum BODR, que trazia uma carga histórica. Após o Neva Left, o rapper assumiu o controle da marca Death Row, que estava praticamente obsoleta devido às diversas ações horríveis cometidas por Suge Knight enquanto comandava a gravadora. Com isso, ele utilizou o álbum como uma espécie de declaração de retorno às suas raízes. A produção contou com DJ Battlecat, Hi-Tek, Hit-Boy e outros, que trouxeram beats variados, indo do G-Funk, Boom Bap, Chipmunk Soul e Trap. O álbum conta com baterias secas, linhas de baixo profundas, sintetizadores atmosféricos, hi-hats precisos e até um pequeno uso de pads. Mas, mesmo com toda a proposta eufórica, parece que a maioria das estruturas é bastante clichê e monótona, e até a performance do Snoop acaba sendo prejudicada. O repertório é fraquíssimo, tendo canções boas e outras sem graça. No final de tudo, é só um disco bem mais do mesmo. 

Melhores Faixas: Gun Smoke, Conflicted (Nas amassou), Jerseys In The Rafters (ótima feat do The Game), Outside The Box (Nate Dogg marcando uma presença espiritual) 
Piores Faixas: Get This Dick, Coming Back, Pop Pop, Doggystylin

                                                                                    É isso, então flw!!!           

Review: Pendulum do Fuel

                     Pendulum – Fuel NOTA: 3/10 Recentemente, o Fuel lançou seu 7º álbum de estúdio, o Pendulum, que tentou algo diferente. ...