quarta-feira, 15 de abril de 2026

Analisando Discografias - Crypta

                  

Echoes Of The Soul – Crypta





















NOTA: 8,7/10


Em 2021, foi lançado o álbum de estreia da Crypta, intitulado Echoes Of The Soul. Formada um ano antes pela baixista e vocalista Fernanda Lira e pela baterista Luana Dametto, que havia recém-saído da banda Nervosa, a formação se completou logo depois com a entrada das guitarristas Tainá Bergamaschi e Sonia Anubis, trazendo uma combinação interessante entre experiência no Thrash e inclinações mais técnicas, apesar de a abordagem que decidiram adotar ser o Death Metal, além de terem assinado com a Napalm Records. A produção foi conduzida por Thiago Vakka, resultando em um som cru e pesado, com cada instrumento bem definido, especialmente o baixo da Fernanda, que não fica soterrado como em muitos discos de Death Metal, além, é claro, da dinâmica entre guitarras e bateria, que alterna entre peso e melodia. O repertório é muito bom, com canções bastante agressivas e carregadas de brutalidade. Enfim, é um ótimo álbum de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: From The Ashes, Possessed, Starvation 
Vale a Pena Ouvir: Kali, Blood Stained Heritage, Death Arcana

Shades Of Sorrow – Crypta





















NOTA: 9/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o 2º e, até então, mais recente álbum da Crypta, o Shades Of Sorrow. Após o Echoes Of The Soul, a banda passou por mudanças, com a saída da guitarrista Sonia Anubis e a entrada de Jéssica di Falchi. Este álbum nasce com uma proposta conceitual mais definida, tratando-se de um trabalho semi-conceitual que explora diferentes “tons de dor” e experiências psicológicas, funcionando como uma jornada pelas dificuldades emocionais humanas. A produção, feita por Rafael Augusto Lopes, apresenta um som mais encorpado e detalhado, misturando Death Metal tradicional com elementos mais técnicos e melódicos. Ainda assim, a agressividade está presente em todos os momentos, com guitarras precisas, bateria agressiva e cheia de variações, além de um baixo bem audível e os vocais da Fê mais expressivos. O repertório é incrível, com canções bem pesadas e imersivas. Enfim, é um baita disco, bastante maduro. 

Melhores Faixas: The Outsider, Dark Clouds, Lord Of Ruins, Stronghold, Lift The Blindfold, The Other Side Of Anger 
Vale a Pena Ouvir: Lullaby For The Forsaken, Poisonous Apathy
  

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Chefin

                 

A Nova Era – Chefin





















NOTA: 8/10


Em 2022, o Chefin lançava seu álbum de estreia, intitulado A Nova Era, mostrando algo promissor. A trajetória do rapper carioca começou dois anos antes, ainda na adolescência, quando fazia parte do coletivo Distrito23, lançando alguns singles que mostravam uma abordagem bem interessante: uma junção de lifestyle com um lado mais consciente, algo que despertou o interesse da Mainstreet Records. Com isso, ele assinou com a gravadora, preparando assim um álbum embalado pelo sucesso do hit 212. A produção foi diversificada, contando com Ajaxx, Portugal No Beat, Galdino, entre outros, que entregam beats que seguem fórmulas já consolidadas: graves pesados, hi-hats acelerados e uma estética minimalista focada na repetição e na criação de atmosfera, fazendo uma junção do Trapfunk, além de algumas influências do R&B. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e outras mais pesadas. Enfim, é um ótimo trabalho de estreia, além de ser bem enxuto. 

Melhores Faixas: O Chamado (Poze mandou bem), Skatista 
Vale a Pena Ouvir: Só Basta Crer, Tropa do Mais Novo (boa feat do Vulgo FK), A Nova Era

O Mais Novo Romântico – Chefin




















NOTA: 2/10


No ano seguinte, o rapper retorna lançando seu 2º álbum, O Mais Novo Romântico. Após A Nova Era, o Chefin já havia se consolidado como um nome importante na cena do Trap carioca, além de sua participação no Poesia Acústica 13; agora, ele opta por fazer um trabalho focado em love songs. O próprio rapper afirmou que o projeto foi inspirado em sua vida amorosa. A produção contou novamente com Ajaxx, Portugal No Beat, Tkd, entre outros, mantendo a base do Trapfunk, mas com uma mudança clara de abordagem: há uma suavização dos elementos mais agressivos e uma maior presença de melodias e synths atmosféricos. No entanto, tudo soa muito repetitivo, e isso se estende até aos seus flows cadenciados que são um verdadeiro ‘‘copia e cola’’. O repertório é muito ruim, com canções genéricas e apenas uma que se salva, fora que a maioria das vezes o Chefin é carregado pelas feats. Enfim, é um álbum péssimo e bastante maçante. 

Melhor Faixa: Opções (Veigh e KayBlack levaram o som para eles) 
Piores Faixas: Um Pouco Mais (Caio Luccas não entregando nada), Sentimento, Do Seu Lado (Oruam né)

Nós Era Duro – Chefin





















NOTA: 1/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o álbum mais recente do Chefin, o péssimo Nós Era Duro. Após o fraquíssimo O Mais Novo Romântico, o rapper parecia se redimir com o hit 10 Carros, e seu próximo trabalho parecia ser uma evocação direta do passado e da vivência periférica. Porém, diferente de um álbum conceitual profundamente estruturado, o disco acaba operando mais como uma coleção de registros dessa vivência, além de servir como uma forma de se manter no topo das paradas. A produção, como sempre, foi bastante diversificada, contando com DJ GR, DJ Rafinha, LB Único, entre outros, e se mostra bem mais comercial e limpa, evidenciando uma guinada quase completa para o Funk carioca, com pouquíssima influência até mesmo do Trapfunk. Com isso, as beats são secas, mas tudo soa completamente medíocre, e o uso de autotune é muito malfeito. O repertório é terrível, com canções insuportáveis. No fim, é um álbum péssimo e um tropeço feíssimo. 

Melhores Faixas: (.................................) 
Piores Faixas: NÓS ERA DURO, ADORO ESSA VIDA $$$ (é so mais uma música com feat do MC LUUKY E Mc Joãozinho VT), NEM PINTADA DE OURO (Oruam mal demais), OS MELHORES NISSO (juntou os dinossauros do Funk e ninguém mandou bem), CHEIA DE MARRA (MC Tuto e MC Ryan Sp como sempre estragando qualquer som que estão)


terça-feira, 14 de abril de 2026

Review: Vocês & Deus, Vol. 1 (Ao Vivo no Rio de Janeiro) do Zé Neto & Cristiano

                  

Vocês & Deus, Vol. 1 (Ao Vivo no Rio de Janeiro) – Zé Neto & Cristiano





















NOTA: 1/10


Recentemente, Zé Neto & Cristiano retornaram com mais um álbum ao vivo, o Vocês & Deus, Vol. 1. Após o Intenso, a dupla ficou mais focada em suas turnês, além de ter gravado um álbum ao vivo mais tradicional, reinterpretando suas canções mais conhecidas. Esse trabalho seria mais direto e emocional, quase como um recorte intimista dentro de um show maior, meio que celebrando os 15 anos de carreira. A produção, feita por Dudu Oliveira, com essa apresentação sendo gravada no Espaço Hall, segue para um som mais grandioso, com uma abordagem mais excessiva naquela dor de corno tradicional, além de focar na sensação de proximidade, como se o foco fosse mais a interpretação do que o espetáculo. Uma coisa que se percebe é que a voz do Zé Neto está muito ruim, já que, uma hora ou outra, ele desafina, e Cristiano nem se salva. O repertório, eu nem preciso dizer, é péssimo, com canções ridículas. Enfim, é mais um álbum péssimo da dupla. 

Melhores Faixas: (..................que bosta....................) 
Piores Faixas: Antes do Amor Virar Saudade, Oi Tudo Bem?, Cadeira Cativa, Pai de Menina (podia ser a melhor música deles, mas é tanta breguice que dá até ódio)
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - Saint Raymond

                  

Escapade – Saint Raymond





















NOTA: 7/10


Em 2013, Saint Raymond lançava seu primeiro trabalho solo no formato EP, intitulado Escapade. O cantor, com apenas 18 anos, ainda transitava entre apresentações acústicas em pequenos circuitos de Nottingham e uma rápida ascensão dentro da cena Indie britânica, impulsionada por plataformas como a BBC Introducing e por conexões com nomes como Gabrielle Aplin, cujo selo Never Fade lançou o projeto. A produção, feita por Jacknife Lee, James New e Josef Page, apresenta uma sonoridade polida e leve, apostando em uma instrumentação que mistura guitarras Indie luminosas, bases rítmicas suaves e uma sensibilidade Pop bastante evidente, com a voz do Saint transitando entre um lado mais melódico e outro mais intimista. O repertório contém 4 faixas, todas muito boas e dinâmicas. Enfim, é um ótimo trabalho, que já demonstrava algo promissor. 

Melhores Faixas: Letting Go, Fall At Your Feet 
Vale a Pena Ouvir: The River, Everything She Wants

Ghosts – Saint Raymond





















NOTA: 7/10


No ano seguinte, ele volta lançando seu 2º EP, intitulado Ghosts, que seguia a mesma abordagem. Após o Escapade, o projeto acompanha um momento em que Saint Raymond deixa de ser apenas uma promessa viral e passa a operar dentro de uma engrenagem maior da indústria, com turnês mais estruturadas e maior exposição, além de ter recém-assinado com a Warner. A produção foi basicamente a mesma, mostrando-o indo para um caminho mais pop, brilhante e orientado a hooks, com guitarras cristalinas, sintetizadores discretos e estruturas extremamente acessíveis, colocando, assim, clareza sonora e acabamento radiofônico, com refrões imediatos e altamente memoráveis, além de arranjos sem “atrito”, ou seja, sem grandes riscos ou rupturas, fazendo com que o trabalho dialogue entre Indie Pop e Pop Rock tradicional. O repertório novamente contém 4 faixas, e todas são bem divertidas e aconchegantes. No fim, é um EP interessante antes de virem alguns problemas. 

Melhores Faixas: Brighter Days, Everything She Wants 
Vale a Pena Ouvir: Ghosts, English Rose (Live from Maida Vale for Zane Lowe)

Young Blood – Saint Raymond





















NOTA: 4/10


Entrando em 2015, Saint Raymond lança seu álbum de estreia, intitulado Young Blood. Após o EP Ghosts, esse primeiro projeto vinha com expectativas claras de transformá-lo em um nome relevante do pop britânico. Só que há um detalhe: diversas faixas já haviam sido lançadas anteriormente em trabalhos anteriores, o que cria uma situação curiosa, pois o álbum funciona tanto como estreia quanto como uma compilação refinada de uma fase inicial (o que não seria um bom sinal). A produção, feita por nomes como Edd Holloway, Jacknife Lee, Nick Atkinson, entre outros, adota uma abordagem extremamente polida, radiofônica e imediata, com forte apelo emocional. Há uma ênfase constante em “woah-ohs”, crescendos e estruturas pensadas para multidões, o que faz com que o trabalho se torne um Indie Pop com traços de Stomp and Holler extremamente plastificado. O repertório é ruinzinho: há canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum de estreia fraquíssimo e sem forma. 

Melhores Faixas: Brighter Days, Wild Heart, Everything She Wants, Letting Go, Fall At Your Feet 
Piores Faixas: Come Back To You, Young Blood, I Want You, Great Escape, Carry Her Home, As We Are Now

We Forgot We Were Dreaming – Saint Raymond





















NOTA: 4/10


E aí chegamos a 2021, quando foi lançado o 2º e último álbum até então do cantor, o We Forgot We Were Dreaming. Após o Young Blood, o Saint Raymond não ficou parado: lançou singles e experimentou novas direções sonoras, além de amadurecer pessoal e artisticamente. Decidindo se afastar do Indie Pop britânico feito por uma grande gravadora, aqui temos um artista mais independente, agora pela Cooking Vinyl, e mais consciente de sua identidade. A produção, feita pelo próprio cantor, contou com nomes como Fred Cox, Nick Atkinson, entre outros, que seguiram uma abordagem mais texturizada, atmosférica e emocionalmente modulada, combinando guitarras limpas, sintetizadores mais presentes e ambiência eletrônica, embora ainda dentro do Indie Pop e com certas influências de um Pop sofisticado, mas faltando mais preenchimento. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e poucas interessantes. No geral, é um álbum ruim e esquecível. 

Melhores Faixas: Right Way Round, Alright, Only You, Gone By Morning 
Piores Faixas: Love This Way, We Forgot We Were Dreaming, Killer, Amsterdam, Solid Gold


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Analisando Discografias - Big Boi

                 

Sir Lucious Left Foot: The Son Of Chico Dusty – Big Boi





















NOTA: 8,5/10


Voltando para 2010, Big Boi lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty. Após o fim do OutKast, havia uma expectativa enorme sobre como os dois integrantes se desenvolveriam individualmente, especialmente Big Boi, que historicamente era visto como o contraponto mais “tradicional” ao experimentalismo do André 3000. Esse trabalho era planejado para ser lançado pela Jive Records, mas, por questões contratuais, isso não aconteceu, e o projeto foi lançado pela Purple Ribbon Records. A produção foi bem diversificada, contando com Lil Jon, J Beatzz, Organized Noize, entre outros, deixando um som enraizado no sul dos Estados Unidos, mas que não se limita ao rótulo de “Southern Rap”, com beats secas e precisas. Há uma fusão sofisticada de Funk, R&B e até elementos psicodélicos. O repertório é ótimo, e as canções são bem pesadas e imersivas. No fim, é um álbum bacana e bem consistente. 

Melhores Faixas: Shine Blockas (Gucci Mane amassou), Shutterbugg, Tangerine (ótima feat do T.I.), Fo Yo Sorrows (ótima feat do George Clinton Too $hort), Daddy Fat Sax 
Vale a Pena Ouvir: Be Still, Follow Us, The Train Pt. 2 (Sir Lucious Left Foot Saves The Day)

Vicious Lies And Dangerous Rumors – Big Boi





















NOTA: 3,8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado seu 2º álbum solo, o Vicious Lies and Dangerous Rumors. Após o Sir Lucious Left Foot: The Son of Chico Dusty, Big Boi se encontrava em uma posição curiosa: ele já havia provado sua capacidade como artista solo, mas ainda existia uma expectativa constante de que operasse dentro da sombra estética do OutKast. Com isso, esse álbum não apenas se afasta desse legado, mas tenta expandir radicalmente o seu escopo sonoro. A produção foi feita pelo rapper, mas contou com Chris Carmouche, John Hill, Phantogram, entre outros. Eles seguem uma abordagem polida, com beats orgânicas, grooves marcantes e estruturas rítmicas que sustentam o flow técnico do Big Boi, juntando influências do Rap com Indietronica, R&B, Trip Hop e até Electropop, só que tudo soa muito plastificado, ficando bem sem alma. O repertório é bem ruinzinho, com canções genéricas e poucas interessantes. No fim, é um álbum fraco e bem esquecível. 

Melhores Faixas: In The A (T.I. e Ludacris amassaram), Lines (A$AP Rocky mandou bem), Shoes For Running, She Hates Me (Kid Cudi nem foi tão bem, mas a música é boa) 
Piores Faixas: Raspberries, Thom Pettie, Mama Told Me (Kelly Rowland bem esquecível), CPU, Tremendous Damage

Boomiverse – Big Boi





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2017, quando foi lançado o último trabalho solo até o momento de Big Boi, o Boomiverse. Após o Vicious Lies and Dangerous Rumors, Big Boi parece interessado em reequilibrar sua identidade: recuperar o foco no Rap, nos grooves sulistas e na sua habilidade como performer, sem abandonar completamente o ecletismo. A produção foi feita por ele, mas contou com vários nomes como Organized Noize, DJ Dahi, Mannie Fresh, entre outros, sendo bem mais enxuta e direta, enraizada no Funk e no Bounce do sul dos Estados Unidos, com linhas de baixo marcantes, beats pesados, baterias bem definidas e uso estratégico de sintetizadores. Ao mesmo tempo, há uma atualização estética: influências do Trap aparecem de forma sutil, só que há um excesso de elementos que deixa o som bem massivo. O repertório é mediano, com canções legais e outras bem fraquinhas. No fim, é um álbum mediano ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: In The South (Gucci Mane e Pimp C mandaram bem demais), Kill Jill, Follow Deez, Da Next Day 
Piores Faixas: Order Of Operations, Freakanomics, Get Wit It (Snoop Dogg nem fedeu nem cheirou), Chocolate


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - André 3000

                 

Look Ma No Hands – André 3000





















NOTA: 7/10


No ano de 2018, André 3000 lançava seu 1º trabalho solo no formato EP, intitulado Look Ma No Hands. Após o fim do OutKast, André vinha se tornando uma figura quase mítica: extremamente presente em participações, mas ausente em projetos próprios coesos. Entre 2012 e 2017, ele acumulou feats altamente elogiados, nos quais explorava flows fragmentados, letras introspectivas e uma entrega vocal cada vez mais experimental. A produção, feita por ele próprio, é construída a partir de camadas de instrumentos acústicos e eletrônicos leves, com destaque absoluto para flautas, percussões sutis e texturas ambientes, onde ele segue uma abordagem que dialoga com o Jazz vanguardista e com alguns elementos de Blues e Soul sofisticado. O repertório contém 2 faixas, que são todas bem intimistas e que te fazem prestar atenção. No fim, é um trabalho interessante e mostrou algo promissor. 

Melhor Faixa: Me & My (To Bury Your Parents) 
Vale a Pena Ouvir: Look Ma No Hands

New Blue Sun – André 3000





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao ano de 2023, quando André 3000 lança seu ousadíssimo 1º álbum solo, New Blue Sun. Após o EP Look Ma No Hands, ele já demonstrava sinais de que iria para performances mais livres e de que já não se sentia confortável escrevendo rimas como antes. Ao mesmo tempo, ele desenvolveu um interesse crescente por instrumentos, especialmente a flauta, que passou a tocar de forma quase meditativa, e isso seria o ponto-chave para seu projeto solo. A produção, feita por ele junto com Carlos Niño, é construída como uma experiência orgânica e fluida. André atua em colaboração com músicos ligados ao Jazz espiritual e à música ambiente, criando sessões que são muito mais de improvisação coletiva. Com isso, temos bastantes texturas sonoras, silêncios e ecos, além de uma dinâmica orgânica. O repertório é muito bom, e as canções são bem relaxantes; a única coisa que incomoda são os títulos enormes das faixas. No fim, é um álbum bacana e bem atmosférico. 

Melhores Faixas: I Swear, I Really Wanted To Make A "Rap" Album But This Is Literally The Way The Wind Blew Me This Time, Ants To You, Gods To Who ? 
Vale a Pena Ouvir: Dreams Once Buried Beneath The Dungeon Floor Slowly Sprout Into Undying Gardens, BuyPoloDisorder's Daughter Wears A 3000® Shirt Embroidered, The Slang Word P(*)ssy Rolls Off The Tongue With Far Better Ease Than The Proper Word Vagina . Do You Agree?

Moving Day – André 3000





















NOTA: 7/10


E aí, no ano seguinte, André 3000 liberou outro EP intitulado Moving Day, que trouxe faixas que ficaram de fora. Após o New Blue Sun, o rapper decidiu lançar um material que nasce do “arquivo” do seu primeiro álbum, com composições que orbitavam o processo criativo, mas que ficaram de fora do corte final. Elas meio que mostram um dia de mudança na vida real do artista, refletindo deslocamento físico e, ao mesmo tempo, transformação interna. A produção foi, obviamente, feita por ele mesmo e seguiu a mesma abordagem, mas com um caráter ainda mais conceitual e, em certos momentos, até mais radical. O EP foi desenvolvido com forte presença de improvisação e manipulação sonora, incorporando drones e ambiência contínua, Field Recordings (sons do ambiente real) e processamento digital, incluindo reversão e distorção de áudio. O repertório contém 3 faixas que são bem mais meditativas. Enfim, é um material até que interessante. 

Melhor Faixa: Tunnels Of Egypt 
Vale a Pena Ouvir: Moving Day, Day Moving

7 Piano Sketches – André 3000





















NOTA: 1/10


E aí, no ano passado, foi lançado seu último trabalho, também em formato de EP: 7 Piano Sketches. Após o EP Moving Day, André 3000 decidiu resgatar um material gravado por volta de 2010 e 2013, período em que vivia em uma casa extremamente minimalista no Texas com seu filho, onde praticamente não havia móveis, apenas camas, telas e um piano. Esse vazio físico acabou gerando um tipo específico de criação: ele passou a gravar improvisações ao piano como memórias pessoais, enviando esses áudios para amigos e familiares. A produção foi feita de forma radicalmente Lo-fi e anti-profissional, no sentido tradicional, já que tudo aqui foi gravado em um microfone de iPhone ou laptop, sem tratamento acústico, sem mixagem refinada e com ruídos de ambiente preservados, deixando todo o foco na pura improvisação do André com seu piano. O repertório contém 7 faixas e, assim, elas são todas feitas de forma amadora. Enfim, é um trabalho péssimo e, sei lá, esquecível. 

Melhores Faixas: (..........) 
Piores Faixas: I Spend All Day Waiting For The Night, And Then One Day You'll ..., When You're A Ant And You Wake Up In An Awesome Mood, About To Drive Your Son To School, Only To Discover That You Left The Lights On In The Car Last Night So Your Battery Is Drained


Analisando Discografias - OutKast: Parte 2

                  

Idlewild – OutKast





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos a 2006, quando foi lançado o 6º e último álbum do OutKast, o Idlewild. Após o Speakerboxxx / The Love Below, o distanciamento criativo entre André 3000 e Big Boi se tornava cada vez mais evidente. Com esse trabalho, funcionando como trilha sonora do filme Idlewild, estrelado pela própria dupla que é ambientado nos anos 30, durante a era da Lei Seca nos Estados Unidos, o projeto exigia uma abordagem musical completamente distinta, mais teatral, jazzística e alinhada com a estética da época. A produção foi feita por eles, mas contou com várias colaborações, sendo mais híbrida, incorporando Jazz, Swing, Blues e música de Big Band, combinados com elementos do Rap contemporâneo. Basicamente, eles juntaram beats pesados com instrumentação tradicional, e isso, às vezes, não funciona. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e outras mais fracas. Enfim, é um álbum interessante, que finaliza de forma decente a trajetória do duo. 

Melhores Faixas: Hollywood Divorce (Snoop Dogg e Lil Wayne marcando presença), Dyin' To Live, N2U, In Your Dreams, Peaches, Morris Brown 
Piores Faixas: Chronomentrophobia, Buggface, Greatest Show On Earth, Makes No Sense At All, Mutron Angel

 

Analisando Discografias - Crypta

                   Echoes Of The Soul – Crypta NOTA: 8,7/10 Em 2021, foi lançado o álbum de estreia da Crypta, intitulado Echoes Of The Soul...