sexta-feira, 15 de maio de 2026

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 2

                 

Ghosts I-IV – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Em 2008, o Nine Inch Nails lançava um disco bem diferente com Ghosts I-IV, seguindo uma abordagem peculiar. Após o Year Zero, Trent Reznor parecia interessado em fazer algo mais atmosférico, decidindo lançar esse trabalho de forma independente após problemas com a Interscope Records. Reznor claramente absorve elementos de compositores como Brian Eno, John Carpenter e da música minimalista experimental. A produção, feita por ele junto com Atticus Ross e Alan Moulder, foi repleta de improvisação, com uso de piano, sintetizadores analógicos, guitarras processadas, drones eletrônicos, percussões minimalistas, ruídos ambientes e manipulações digitais aparecendo constantemente. O álbum faz assim uma junção entre música ambiente, elementos da música eletrônica dos anos 70 e aquele toque industrial característico. O repertório possui 36 faixas, e todas elas são muito legais e imersivas. No fim, é um álbum muito bom e consistente. 

Melhores Faixas: 34 Ghosts IV, 4 Ghosts I, 18 Ghosts II, 24 Ghosts III, 28 Ghosts IV, 13 Ghosts II, 25 Ghosts III 
Vale a Pena Ouvir: 9 Ghosts I, 27 Ghosts III, 11 Ghosts II, 3 Ghosts I, 22 Ghosts III

The Slip – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses depois, foi lançado o 7º álbum de estúdio do Nine Inch Nails, The Slip. Após o Ghosts I-IV, Trent Reznor já havia rompido sua dependência tradicional das gravadoras, explorava novos modelos de distribuição digital e operava com uma autonomia criativa muito maior. Diferente dos discos gigantescos e obsessivamente trabalhados do passado, este álbum possui uma energia muito mais imediata e impulsiva. A produção foi mais orgânica e detalhista, possuindo uma forte presença de bateria ao vivo e dinâmica de banda. Muitas músicas parecem construídas em torno de uma energia física imediata, algo que aproxima o disco de certa crueza do Rock alternativo e até do Punk em alguns momentos. As guitarras são bem mais secas, e os sintetizadores dão aquele aspecto industrial característico. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas e, ao mesmo tempo, delicadas. Enfim, é outro disco bacana e com uma crueza maior. 

Melhores Faixas: Discipline, Letting You, Head Down, Demon Seed 
Vale a Pena Ouvir: 1,000,000, The Four Of Us Are Dying

Hesitation Marks – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,5/10


Indo para 2013, o Nine Inch Nails retornava com um novo disco, Hesitation Marks. Após o The Slip, a banda entrou em uma espécie de hiato informal enquanto Trent Reznor mergulhava profundamente em trabalhos de trilha sonora ao lado do Atticus Ross, mostrando que era apenas questão de tempo até ele entrar de forma efetiva no NIN. Esse novo trabalho seria mais introspectivo, consciente e até analítico em relação aos próprios estados emocionais. A produção foi bastante sofisticada, com a dupla utilizando construção cinematográfica gradual, drones sutis, pequenos ruídos eletrônicos e ambientações extremamente cuidadosas. Trabalhando com ritmos hipnóticos, baixos pulsantes, sintetizadores densos e baterias minimalistas, indo na onda do Electro-Industrial, com certos elementos de EBM e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e hipnóticas. No final de tudo, é um ótimo disco e um dos mais sérios deles. 

Melhores Faixas: Copy Of A, Various Methods Of Escape, I Would For You, Came Back Haunted, While I'm Still Here 
Vale a Pena Ouvir: Disappointed, Running, In Two

Bad Witch – Nine Inch Nails





















NOTA: 9/10


Se passaram então cinco anos, e o Nine Inch Nails retornou com um belíssimo disco, o Bad Witch. Após o Hesitation Marks, os trabalhos cinematográficos do Trent Reznor e Atticus Ross influenciaram profundamente a forma como a dupla passou a construir atmosfera, tensão e narrativa sonora. Esse trabalho seria mais abstrato, fragmentado e psicológico, dialogando muito com o momento social e político global, cercado de extremismo político, ansiedade tecnológica e uma sensação de colapso social. A produção foi uma das mais experimentais e agressivas da banda, juntando Rock Experimental, Rock industrial e elementos do Noise Rock, Ambient e Jazz. Os sons frequentemente parecem deteriorados ou deslocados. A mixagem trabalha muito com desconforto espacial, ruídos repentinos e fragmentação estrutural, com o maior destaque sendo o saxofone totalmente caótico. O repertório é ótimo, e as canções são bem variadas. No fim, é um baita álbum e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: God Break Down The Door, Shit Mirror 
Vale a Pena Ouvir: Over And Out, Ahead Of Ourselves

Ghosts V: Together – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Nine Inch Nails, Ghosts V: Together. Após o Bad Witch, Trent Reznor e Atticus Ross decidiram lançar não apenas um, mas dois novos trabalhos instrumentais simultaneamente. Os dois discos funcionam quase como opostos emocionais complementares. Porém, o foco aqui é o “Together”, que procura oferecer calor humano e fragilidade emocional, lembrando que ele foi lançado no começo da pandemia da COVID-19. A produção seguiu uma abordagem delicada e emocional, com o piano possuindo papel central em grande parte do álbum. Muitas composições são construídas ao redor de melodias simples, repetitivas e profundamente emotivas. A abordagem minimalista amplifica o impacto emocional de cada nota, com os drones criando uma sensação contínua de espaço emocional compartilhado. O repertório é muito bom, e as canções são bem melancólicas. No fim, é um ótimo disco e muito bem estruturado. 

Melhores Faixas: Together, Letting Go While Holding On, Still Right Here 
Vale a Pena Ouvir: Hope We Can Again, Out In The Open

Ghosts VI: Locusts – Nine Inch Nails





















NOTA: 7/10


E também no mesmo dia foi lançado Ghosts VI: Locusts, que segue uma atmosfera sombria. Como esse álbum se interliga com Ghosts V: Together, a proposta aqui é criar um ambiente hostil, vazio e profundamente inquietante, absorvendo perfeitamente a atmosfera psicológica daqueles primeiros meses de 2020: medo coletivo, isolamento, sensação de suspensão temporal, potencial colapso social e ansiedade constante diante de um futuro imprevisível. A produção foi baseada em minimalismo sombrio, drones ambientais, texturas industriais discretas e construção constante de tensão psicológica. O silêncio possui papel central, e muitas músicas parecem existir em ambientes vazios gigantescos, criando uma sensação de isolamento profundo e seguindo aquela vibe do Dark Ambient. O repertório é legalzinho, com canções bem tematizadas, embora algumas exceções. Enfim, é um disco interessante, mas com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Run Like Hell, Turn This Off Please, Trust Fades, Almost Dawn
Piores Faixas: Temp Fix, Another Crashed Car, Right Behind You

Quake – Nine Inch Nails





















NOTA: 8/10


Naquele mesmo ano de 2020, foi lançada a trilha sonora do 1º jogo da série Quake. Bom, vamos lá: o que aconteceu foi o seguinte: lá por volta de 1996, o Nine Inch Nails já havia alcançado enorme reconhecimento, e Trent Reznor estava artisticamente em um momento extremamente intenso e experimental. Trent já era entusiasta de jogos de computador, especialmente alguns feitos pela id Software. Inclusive, Doom pegou muitas influências do NIN, então acabou sendo fechada uma parceria para ele produzir a trilha do “jogo irmão” do Doom, Quake. A produção é extremamente minimalista, atmosférica e focada na construção de tensão psicológica. Os drones causam desconforto através de massas sonoras lentas, os sintetizadores são deteriorados e a temática industrial acontece a todo momento. O repertório é bacana, e as canções passam uma atmosfera pesada, assim como o jogo propõe. Enfim, é um ótimo trabalho e muito bem-feito. 

Melhores Faixas: The Hall Of Souls, Damnation, Parallel Dimensions, Focus 
Vale a Pena Ouvir: Quake Theme, The Reaction, Falling

Tron: Ares (Original Motion Picture Soundtrack) – Nine Inch Nails





















NOTA: 7,2/10


Cinco anos se passaram então, para o Nine Inch Nails retornar, só que agora com a trilha sonora do filme Tron: Ares. Após o Ghosts V: Together e Ghosts VI: Locusts, este trabalho marca a primeira vez em que Trent Reznor e Atticus Ross assinam oficialmente uma trilha sonora sob o nome Nine Inch Nails, e não apenas utilizando seus nomes individuais. Agora assinando o terceiro filme da franquia Tron, a abordagem da trilha até condiz com alguns elementos clássicos da banda, embora o filme deixe bastante a desejar. A produção, feita por Trent e Atticus com ajuda de Boys Noize, adota uma abordagem detalhada e cinematográfica que mistura Electro-Industrial, Synthwave, EBM e música ambiente. Os sintetizadores trazem toda aquela tensão, e as baterias são bem funcionais. O grande erro está nos riffs de guitarra, que soam bastante comprimidos. O repertório é bom, com algumas canções interessantes e outras sem graça. Enfim, é uma trilha boa de um filme bem chatinho. 

Melhores Faixas: Who Wants To Live Forever?, As Alive As You Need Me To Be, Echoes, Shadow Over Me, Target Identified, What Have You Done? 
Piores Faixas: A Question Of Trust, I Know You Can Feel It, Permanence

Nine Inch Noize – Nine Inch Noize





















NOTA: 8,9/10


Então chegamos a 2026, ano em que o Nine Inch Nails retornou com o álbum colaborativo Nine Inch Noize. Após o lançamento da trilha sonora do filme Tron: Ares, a turnê Peel It Back fez com que Trent Reznor e Atticus Ross passassem a confiar bastante em Boys Noize, fazendo dele uma peça importante dentro do universo sonoro recente da banda. O que eles decidiram fazer foi pegar músicas antigas e remixá-las em uma estética mais puxada para a vibe de rave. A produção é extremamente dinâmica, pesada e orientada para impacto físico. Boys Noize traz enorme influência do Techno industrial e da música de pista, enquanto Reznor e Atticus preservam o peso emocional e a textura agressiva do Nine Inch Nails. As batidas são secas e violentas, os sintetizadores são densos e os vocais de Trent seguem uma abordagem agressiva. O repertório ficou muito legal, e as canções foram muito bem reimaginadas. Enfim, é um ótimo disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Closer, Heresy, Copy Of A, As Alive As You Need Me To Be, Parasite 
Vale a Pena Ouvir: Vessel, Came Back Haunted, Memorabilia

                                                                                            Bom é isso e flw!!!      

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Review: The Other Side do Seu Jorge

                     

The Other Side – Seu Jorge





















NOTA: 9,2/10


Alguns dias atrás, Seu Jorge retornou lançando mais um álbum, o The Other Side. Após o Baile à la Baiana, o cantor decidiu finalmente lançar um material que começou a ser concebido ainda em 2009 e atravessou praticamente 16 anos de desenvolvimento até finalmente chegar a 2026. Ele já havia terminado as gravações no final da década passada, mas o projeto foi adiado por uma série de motivos pessoais. A produção, feita pelo cantor junto com Mario Caldato Jr., segue uma abordagem extremamente delicada e refinada. Em vez de trabalhar com uma densidade rítmica pesada, o álbum prioriza espaço, ambiência e profundidade sonora. Dialogando tanto com a MPB quanto com a Bossa Nova, além dos arranjos orquestrais do Miguel Atwood-Ferguson, que criam uma paisagem sonora elegante e melancólica. O repertório é incrível, desde os covers muito bem interpretados até as composições inéditas belíssimas. No fim, é um belo disco e que envelhecerá muito bem. 

Melhores Faixas: Quando Chego (participação da Marisa Monte), Flor De Laranjeira, Folia Do Amor, Luz Na Escuridão, River Man (participação do Beck) 
Vale a Pena Ouvir: Caboclo, Vento De Maio, Crença

                                                                                        É isso, então flw!!!       

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 1

                 

Pretty Hate Machine – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


Em 1989, o Nine Inch Nails lançava seu álbum de estreia, o Pretty Hate Machine. Formado no ano anterior em Cleveland, Trent Reznor trabalhava em estúdios de gravação na cidade e passava noites inteiras utilizando os equipamentos do estúdio para gravar suas próprias composições. Reznor pega elementos do Synth-pop sombrio do Depeche Mode, da agressividade industrial do Ministry e da melancolia Post-Punk do The Cure para construir algo extremamente pessoal. A produção foi feita por ele junto do John Fryer, Flood, Keith LeBlanc e Adrian Sherwood, que deixaram o som pesado e claustrofóbico, com sintetizadores servindo como ambientação, batidas mecânicas e texturas frias que reforçam a alienação das letras e os vocais urgentes do Reznor, criando assim um cruzamento entre Rock Industrial e Electro-Industrial. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Head Like A Hole, Sin, Terrible Lie, Kinda I Want To, Ringfinger 
Vale a Pena Ouvir: The Only Time, That's What I Get

The Downward Spiral – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


E aí se passaram cinco anos para o Nine Inch Nails retornar com o clássico The Downward Spiral. Após o Pretty Hate Machine, Trent Reznor se tornou uma figura central do Rock alternativo do início dos anos 90. Mas, ele parecia insatisfeito com sucesso pois para ele não tinha chegado no ápice, decidindo fazer um álbum mais sombrio, destrutivo e conceitualmente ambicioso isso depois de deixar a TVT Records para Interscope. Fazendo uma narrativa psicológica sobre perda de identidade, niilismo, violência, sexualidade destrutiva, alienação e suicídio. Produção do Trent junto com Flood, é bastante tensa e pesada, onde misturaram Rock industrial com Metal, música eletrônica e Noise Rock, com guitarras processadas que fazem parecem serras mecânicas, as baterias vão desde eletrônica a mecânica privilegiando ruídos e distorções. O repertório é simplesmente sensacional parecendo também uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Hurt, Closer, Mr. Self Destruct, March Of The Pigs, Heresy 
Vale a Pena Ouvir: Eraser, Ruiner, I Do Not Want This

The Fragile – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1999, quando foi lançado o 3º álbum da Nine Inch Nails, o The Fragile. Após o clássico The Downward Spiral, que transformou o Nine Inch Nails em uma das forças mais importantes do Rock alternativo dos anos 90, o isolamento pessoal do Trent Reznor aumentou ainda mais. A pressão criativa, os problemas com drogas, a depressão e o desgaste emocional passaram a dominar sua vida, e esse seria um álbum duplo com uma temática muito mais triste, fragmentada e contemplativa. A produção, feita junto com Alan Moulder, foi mais expansiva e atmosférica, criando assim uma junção entre Rock industrial, Art Rock e certos traços de música ambiente e Post-Rock. As guitarras são distorcidas e abrasivas, os sintetizadores são bem mais densos, e as baterias variam constantemente entre o orgânico e o eletrônico, além do uso de loops. O repertório é fantástico, e as canções são belíssimas e imersivas. No fim, é um disco fenomenal e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: We're In This Together, Into The Void, Starfuckers, Inc., Somewhat Damaged, The Day The World Went Away, The Fragile 
Vale a Pena Ouvir: La Mer, Ripe (With Decay), The Mark Has Been Made, Even Deeper

Still – Nine Inch Nails





















NOTA: 9,8/10


Três anos depois, o Nine Inch Nails lançava seu 4º álbum de estúdio intitulado Still. Após o The Fragile, este trabalho seria lançado originalmente como parte da coletânea And All That Could Have Been, funcionando como um complemento de estúdio ao álbum ao vivo principal. Porém, ao longo do tempo, o disco ganhou identidade própria justamente por revelar um lado extremamente íntimo e vulnerável do Trent Reznor. A produção, feita inteiramente por ele mesmo, é baseada em contenção, espaço e vulnerabilidade. Os arranjos são extremamente minimalistas com presença de Piano, violão, texturas ambientais suaves e instrumentação discreta substituem grande parte da violência eletrônica tradicional, dialogando muito mais com um lado Ambient, Art Rock e Rock acústico, com os vocais do Trent sendo mais confessionais. O repertório é incrível, e as canções ficaram belíssimas, todas muito bem interpretadas. No fim, é um disco incrível e bastante profundo. 

Melhores Faixas: And All That Could Have Been, The Fragile, The Day The World Went Away, Something I Can Never Have, The Becoming 
Vale a Pena Ouvir: Leaving Hope, The Persistence Of Loss

With Teeth – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,8/10


Mais três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho da Nine Inch Nails, o With Teeth. Após o Still, Trent Reznor enfrentava vícios severos em drogas e álcool, isolamento criativo e um estado psicológico profundamente deteriorado. Ele havia alcançado enorme reconhecimento artístico, mas sua vida pessoal estava entrando em colapso. Esse trabalho nasce justamente após seu processo de reabilitação e sobriedade. Isso é fundamental para entender o álbum, porque ele possui uma energia muito diferente da dos discos anteriores. A produção foi mais seca, direta, rítmica e controlada. O álbum possui enorme foco em groove, dinâmica e impacto físico. Embora continue profundamente ligado ao Rock Industrial, a sonoridade é mais baseada em uma estrutura de banda do que em paisagens experimentais gigantescas, seguindo muito a vibe do Rock alternativo daquele período. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que é bastante direto. 

Melhores Faixas: The Hand That Feeds, Right Where It Belongs, Every Day Is Exactly The Same, You Know What You Are?, All The Love In The World, Getting Smaller 
Vale a Pena Ouvir: Beside You In Time, Sunspots, With Teeth

Year Zero – Nine Inch Nails




















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, foi lançado outro álbum do Nine Inch Nails, o Year Zero, que foi mais ambicioso. Após With Teeth, Trent Reznor decide expandir novamente a escala do projeto, mas agora direcionando sua atenção para questões políticas, paranoia estatal, manipulação social e colapso civilizacional. O conceito gira em torno de um futuro próximo fictício, no qual os Estados Unidos mergulharam em um regime autoritário teocrático, marcado por censura, militarização e drogas governamentais distribuídas à população. A produção, feita por ele junto com Atticus Ross, foi bastante experimental, já que mergulha em texturas digitais corroídas, ruídos fragmentados e manipulações eletrônicas desconfortáveis, juntando baterias militarizadas, sintetizadores mecânicos e guitarras processadas. Assim, o álbum faz uma junção entre Rock industrial, Electro-Industrial e até um pouco de IDM. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de crítica. No geral, é um ótimo disco e muito ousado. 

Melhores Faixas: Zero-Sum, The Good Soldier, The Great Destroyer, In This Twilight, Capital G 
Vale a Pena Ouvir: Survivalism, My Violent Heart, Meet Your Master, Me, The Greater Good, I'm Not

  

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Analisando Discografias - The Last Shadow Puppets

                  

The Age Of The Understatement – The Last Shadow Puppets





















NOTA: 9/10


Voltando para o ano de 2008, foi lançado o álbum de estreia do The Last Shadow Puppets, o The Age of the Understatement. Esse projeto foi formado em 2007 por Alex Turner e Miles Kane após o The Rascals abrir shows para os Arctic Monkeys. A química criativa ficou evidente rapidamente, principalmente pelo interesse mútuo em composições mais cinematográficas e influenciadas pelo Pop orquestral dos anos 60. A produção, feita por James Ford, trouxe um som bastante cinematográfico, com os arranjos orquestrais feitos por Owen Pallett, que criam uma sensação constante de grandiosidade dramática. Existe uma estética de espionagem, Western europeu e romance decadente atravessando o álbum inteiro. As cordas frequentemente entram de forma agressiva, dramática e expansiva, junto daquela instrumentação típica do Indie Rock cruzando com Chamber Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e sentimentais. No fim, é um belo disco e bastante imersivo. 

Melhores Faixas: My Mistakes Were Made For You, Standing Next To Me, Separate And Ever Deadly, The Meeting Place, Calm Like You, Black Plant 
Vale a Pena Ouvir: I Don't Like You Anymore, Only The Truth

Everything You've Come To Expect – The Last Shadow Puppets





















NOTA: 8/10


No ano de 2016, foi lançado o 2º e possivelmente último álbum do The Last Shadow Puppets, o Everything You've Come to Expect. Após o The Age of the Understatement, Alex Turner se consolidou ainda mais com os Arctic Monkeys, principalmente na fase AM, na qual se tornou uma figura mais confiante. Enquanto isso, Miles Kane desenvolveu uma carreira solo marcada por forte influência Mod, Glam e Britpop. Para esse álbum, decidiram seguir por um lado mais caloroso, com sensualidade decadente e um certo glamour californiano melancólico. A produção, feita como sempre por James Ford, aposta em uma abordagem luxuosa, com o baixo ganhando protagonismo em várias faixas, as guitarras utilizando bastante reverb e efeitos suaves, e a bateria frequentemente mantendo ritmos lentos e hipnóticos, juntando Indie Rock, Chamber Pop e Pop psicodélico. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No fim, é um disco bacana, apesar da pouca inovação. 

Melhores Faixas: Miracle Aligner, Sweet Dreams, TN, Used To Be My Girl 
Vale a Pena Ouvir: Aviation, The Dream Synopsis, Bad Habits

                                                                                   Então é isso e flw!!!             

Analisando Discografias - Miles Kane

                 

Colour Of The Trap – Miles Kane





















NOTA: 9/10


Em 2011, Miles Kane lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Colour of the Trap. O cantor, nascido em Birkenhead, em Merseyside, na Inglaterra, começou sua trajetória por volta de 2004, quando participou de algumas bandas locais, sendo a de maior destaque o The Rascals, que não durou muito tempo, mas foi importante para Alex Turner conhecê-lo e, assim, formar o The Last Shadow Puppets. Com isso, ele decidiu preparar um projeto que mergulhasse ainda mais fundo em referências vintage do que em seus trabalhos com Turner. A produção, feita por Dan Carey, Dan the Automator, Craig Silvey e Gruff Rhys, aposta em uma estética extremamente analógica, valorizando timbres quentes, guitarras vintage, reverbs clássicos e uma instrumentação que remete diretamente aos anos 60 e 70, juntando, assim, Mod, Rock de garagem e Chamber Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Come Closer, Rearrange, Colour Of The Trap, Inhaler 
Vale a Pena Ouvir: Counting Down The Days, Better Left Invisible, Kingcrawler

Don't Forget Who You Are – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum dele, o Don't Forget Who You Are. Após o Colour of the Trap, esse novo trabalho do Miles Kane transmite a sensação de alguém que já encontrou sua estética e agora quer ampliá-la. O álbum é mais confiante, mais barulhento e mais voltado para refrões gigantescos. Se o primeiro trabalho equilibrava Indie e romantismo sessentista, aqui Kane mergulha com mais intensidade no Britpop e no Rock clássico britânico dos anos 70. A produção, feita inteiramente por Ian Broudie, trouxe uma abordagem mais expansiva, ainda seguindo a temática do Mod Revival, com guitarras bem dominantes e riffs amplos, uma seção rítmica que consegue ser elegante e, claro, o vocal do Miles, que ainda faz lembrar Liam Gallagher, só que agora de forma mais emocional. O repertório é legalzinho, e as canções vão de um lado energético a um mais melódico. No fim, é um disco bacana e mais ousado. 

Melhores Faixas: Don't Forget Who You Are, Fire In My Heart 
Vale a Pena Ouvir: Give Up, Tonight, Taking Over

Coup De Grace – Miles Kane





















NOTA: 6/10


Cinco anos se passaram, e ele voltou com mais um álbum novo, o Coup de Grace. Após o Don't Forget Who You Are, Miles Kane parecia cansado de repetir exatamente a fórmula Britpop e Mod dos dois primeiros discos solo. Então, ele quis se renovar, decidindo preservar seu amor pelo Rock britânico clássico, mas agora misturando isso com Post-Punk, Rock garageiro contemporâneo e até elementos mais dançantes. Fora isso, ele saiu da Columbia Records e entrou na Virgin EMI Records. A produção, feita por John Congleton, trouxe uma abordagem mais expansiva, com as guitarras extremamente importantes, mas agora aparecendo de maneira mais nervosa, distorcida e fragmentada. A cozinha rítmica é mais explosiva, além da presença de sintetizadores que colocam certa tensão, mas tudo soa bastante arrastado e repetitivo. O repertório é irregular: tem canções boas e outras fraquíssimas. No geral, é um álbum mediano, e faltou maior direcionamento. 

Melhores Faixas: Killing The Joke, Loaded, Wrong Side Of Life 
Piores Faixas: Coup De Grace, Too Little Too Late, Cry On Me Guitar

Change The Show – Miles Kane





















NOTA: 8,3/10


Em 2022, foi lançado mais um trabalho de Miles Kane, o Change the Show, que seguiu uma proposta mais retrô. Após o Coup de Grace, o cantor acabou saindo da Virgin EMI Records e foi para a BMG, decidindo construir algo mais caloroso, dançante e positivo. Se os trabalhos anteriores frequentemente mergulhavam em guitarras agressivas e no glamour do Rock clássico, agora ele aposta muito mais em Pop Soul, grooves suaves, Indie dançante e arranjos vintage extremamente polidos. A produção, conduzida por Oscar Robertson e David Bardon, segue uma sonoridade extremamente calorosa. Os arranjos são fortemente influenciados pelo Northern Soul e pelo Pop britânico vintage. As guitarras agora aparecem de maneira mais elegante. Em vez de riffs explosivos, muitas músicas priorizam grooves, linhas de baixo dançantes e uma instrumentação sofisticada. O repertório é muito legal, e as canções são bastante aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Tell Me What You're Feeling, See Ya When I See Ya, Adios Ta-Ra Ta-Ra
Vale a Pena Ouvir: Don't Let It Get You Down, Change The Show

One Man Band – Miles Kane





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum novo dele, o One Man Band, que voltou para abordagem de antes. Após o Change the Show, Miles Kane passou a lançar seus trabalhos de forma independente, além de refletir sobre envelhecimento artístico e sobre a dificuldade de equilibrar vida pessoal e persona pública. Apesar disso, o álbum evita mergulhar em uma melancolia pesada. Em vez disso, transforma esses temas em músicas vibrantes, cheias de groove e melodias acessíveis. Produzido por James Skelly, o disco adiciona guitarras mais presentes, refrões mais expansivos e uma atmosfera emocional um pouco mais intensa. Os arranjos continuam extremamente influenciados pelo Pop britânico setentista, Mod Revival e, claro, Indie Rock e Britpop, mas o maior problema é que muitos dos grooves soam comprimidos e parecem faltar mais detalhes. O repertório começa até bem, mas depois dá uma caída forte, com canções mais chatinhas. Enfim, é um álbum irregular e soa genérico. 

Melhores Faixas: Troubled Son, The Wonder, Ransom 
Piores Faixas: Baggio, Heartbreaks The New Sensation, Never Taking Me Alive

Sunlight In The Shadows – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao ano de 2025, quando foi lançado seu 6º e último álbum até o momento, o Sunlight in the Shadows. Após o One Man Band, Miles Kane planejava voltar a trabalhar com seus primos James Skelly e Ian Skelly, mas acabou aceitando o convite de Dan Auerbach para gravar em Nashville, no estúdio Easy Eye Sound. Decidindo mergulhar profundamente em uma estética de Rock setentista cheio de poeira, psicodelia leve, guitarras saturadas e grooves analógicos. A produção, feita por Dan Auerbach, é bastante orgânica e sofisticada, com guitarras constantemente saturadas, cheias de tremolo, fuzz e reverbs naturais. A bateria tem uma textura bem seca, o baixo é profundo, e os teclados são mais discretos, deixando o vocal intimista do Miles no centro, transitando entre Mod, Blue-Eyed Soul e Rock de garagem. O repertório é muito legal, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco interessante e mais variado. 

Melhores Faixas: Coming Down The Road, I Pray 
Vale a Pena Ouvir: Blue Skies, Electric Flower, Sing A Song To Love

 

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 2

                  Ghosts I-IV – Nine Inch Nails NOTA: 8/10 Em 2008, o Nine Inch Nails lançava um disco bem diferente com Ghosts I-IV, seguin...