segunda-feira, 25 de maio de 2026

Analisando Discografias - D'Angelo

                  

Brown Sugar – D’Angelo





















NOTA: 10/10


Voltando ao ano de 2004, o Black Alien lançava seu 1º trabalho solo, o Babylon By Gus - Volume 1 - O Ano Do Macaco. Após o fim do Planet Hemp, o rapper de São Gonçalo já era reconhecido como um dos MCs tecnicamente mais impressionantes do país, dono de um vocabulário incomum, flows elásticos e uma escrita que misturava filosofia de rua, humor ácido, referências espirituais, crônicas urbanas e observações sociais extremamente sofisticadas. Esse trabalho também é carregado de crítica social, além de trazer uma referência a Bob Marley no título. A produção, conduzida por Alexandre Basa, cria um som que mistura o peso do Boom Bap com a fluidez do Reggae jamaicano. Há linhas de baixo extremamente profundas, guitarras dubadas, percussões orgânicas, scratches discretos e baterias que alternam entre agressividade e swing. O repertório é sensacional e parece uma coletânea, já que só tem canções excepcionais. No fim, é um baita disco e um clássico do Rap nacional. 

Melhores Faixas: Babylon By Gus, Como Eu Te Quero, Estilo Do Gueto, Mister Niteroi, From Hell Do Céu, Caminhos Do Destino, Na Segunda Vinda 
Vale a Pena Ouvir: América 21, U-Informe

Voodoo – D’Angelo





















NOTA: 10/10


No começo dos anos 2000, D'Angelo retornava com seu espetacular 2º álbum, o Voodoo. Após o Brown Sugar, o cantor não estava interessado em simplesmente repetir a fórmula. Ele queria criar algo muito mais profundo, orgânico e espiritualmente intenso. Grande parte do álbum nasceu das famosas jam sessions realizadas no Electric Lady Studios, estúdio criado por Jimi Hendrix em New York City, tornando o projeto uma obra muito mais experimental. A produção, feita pelo cantor com ajuda de DJ Premier, Raphael Saadiq e J Dilla, foi extremamente revolucionária, muito por conta da bateria de Questlove e do baixo do Pino Palladino, que seguem um constante arrasto rítmico. D’Angelo canta de forma ainda mais livre, às vezes murmurando, improvisando ou deslizando entre notas. Com isso, temos uma junção do Neo-Soul, Funk e Rap. O repertório é belíssimo e praticamente uma coletânea. No fim, é um disco fenomenal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Untitled (How Does It Feel), Feel Like Makin' Love, Devil's Pie, Send It On, Playa Playa, Spanish Joint, Chicken Grease 
Vale a Pena Ouvir: Left & Right (ótima feat do Method Man & Redman), The Root
  

Black Messiah – D’Angelo





















NOTA: 9,7/10


Então chegamos em 2014, onde D’Angelo lança o que é seu último álbum em vida, o Black Messiah. Após o Voodoo, o sucesso de Untitled (How Does It Feel) acabou transformando sua imagem em algo muito mais sexualizado, gerando um enorme desconforto psicológico. Além disso, problemas com vício, crises de identidade artística e a pressão da indústria fizeram com que ele se afastasse profundamente dos holofotes. Depois de se recuperar, assinou com a RCA Records e decidiu fazer um trabalho mais politizado. Produção foi mais complexa e psicodélica, juntando Neo-Soul com Soul progressivo e Funk. A instrumentação é riquíssima, possuindo múltiplas camadas de guitarras, baixos, teclados, percussões e vocais que frequentemente se misturam de maneira quase nebulosa. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um belo disco, que finalizou a trajetória de uma lenda que infelizmente veio a nos deixar no ano passado. 

Melhores Faixas: Ain't That Easy, Betray My Heart, Another Life, Sugah Daddy, The Charade, Really Love, Till It's Done (Tutu) 
Vale a Pena Ouvir: 1000 Deaths, The Door


                                                                                   Então é só e flw!!!  

Analisando Discografias - J Dilla: Parte 2

                 

The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 2: Vintage – Jay Dee





















NOTA: 9,5/10


Mais um ano se passou, e J Dilla lançou The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 2: Vintage. Após o volume 1, o Rap instrumental começava a ganhar autonomia artística. Antes, os beats eram vistos apenas como base para rappers, mas Dilla ajudou a mudar essa mentalidade. Projetos como essa série mostravam que os instrumentais podiam ser apreciados isoladamente, quase como peças de Jazz ou música eletrônica abstrata. A produção foi extremamente intuitiva e orgânica. Mesmo quando os beats parecem simples, existe uma complexidade absurda na forma como os elementos se movimentam, criando aquela sensação clássica de “drunk rhythm”. Os samples são tratados de maneira particular, com ele frequentemente escolhendo pequenos fragmentos e os deixando hipnóticos através da repetição. O repertório é incrível, e as canções são bem suaves e urbanas. No fim, é um ótimo álbum e mostrou ainda mais da genialidade do Dilla. 

Melhores Faixas: Dreamy, Get Down, On the 1, Earl, Circus, Doo Doo, Trashy 
Vale a Pena Ouvir: The Dee, Grannie, Kamaal

Donuts – J Dilla





















NOTA: 10/10


Em 2006, J Dilla lançava seu último álbum em vida, o atemporal e esplêndido Donuts. Após o Vintage, Dilla já era reverenciado como um dos maiores produtores vivos, mas também atravessava o período mais difícil da própria vida. Sofrendo com complicações graves causadas por lúpus e uma rara doença sanguínea, sendo hospitalizado enquanto sua saúde se deteriorava rapidamente. Basicamente, esse trabalho foi produzido diretamente da cama do hospital, usando uma pequena estação de trabalho portátil. A produção foi extremamente crua. Dilla corta vozes minúsculas e transforma frases em instrumentos rítmicos ou fantasmas emocionais. Além disso, raramente deixa um beat se desenvolver completamente, já que acabam justamente na hora do drop, enquanto os samples de Soul, Funk e Jazz entram numa lógica próxima ao Plunderphonics. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. Enfim, mesmo sendo melancólico, é uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Don't Cry, Time: The Donut Of The Heart, U-Love, Last Donut Of The Night, Workinonit, Lightworks, Welcome To The Show, Anti-American Graffiti, Mash, Gobstopper, Two Can Win, Dilla Says Go, The Diff'rence 
Vale a Pena Ouvir: Hi., One For Ghost, Stepson Of The Clapper, Airworks

The Shining – J Dilla





















NOTA: 9/10


E aí, naquele mesmo ano, foi lançado um trabalho póstumo intitulado The Shining. Após o clássico Donuts, três dias depois do lançamento, J Dilla infelizmente acabou falecendo após sofrer uma parada cardíaca devido às complicações do lúpus e de uma rara doença sanguínea. Então, esse projeto, foi finalizado por colaboradores próximos que ajudaram a concluir e organizar o trabalho. A produção, feita por Dilla com auxílio de Madlib, Karriem Riggins e J. Rocc, foi mais ampla e equilibrada. Os drums continuam sendo o elemento central. O famoso swing torto de Dilla aparece em praticamente todas as faixas: kicks atrasados, snares desalinhados e hi-hats que parecem escapar do grid digital. Os samples de Soul estão sempre presentes, e Dilla volta a rimar aqui em momentos do Neo-Soul, Jazz Rap e Chipmunk Soul. O repertório é muito bom, e as canções vão do atmosférico à reflexão. No fim, é um ótimo disco e um trabalho bastante respeitoso. 

Melhores Faixas: Won't Do, So Far To Go (aparição do D’Angelo), E=MC2, Geek Down, Love Movin' (Black Thought mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Love (ótima feat do Pharoahe Monch), Over The Breaks

Jay Stay Paid – J Dilla





















NOTA: 8/10


Então chegamos em 2009, ano em que foi lançado o verdadeiro último álbum póstumo do J Dilla, o Jay Stay Paid. Após o The Shining, esse trabalho funciona mais como uma compilação cuidadosamente montada a partir de beats, demos, vocais e instrumentais deixados em arquivos. Ele não é necessariamente um disco conceitual, mas sim uma espécie de mosaico da mente musical do Dilla. A produção foi mais crua. O famoso swing deslocado do Dilla aparece constantemente: baterias fora do grid, snares atrasados e grooves que parecem desequilibrados, mas funcionam de forma orgânica. Pequenos fragmentos vocais viram refrões fantasmas, linhas de teclado ganham nova vida e loops mínimos se transformam em atmosferas inteiras, mesmo que alguns deles não tenham saído da forma esperada. O repertório é bom, com canções divertidas e algumas fraquinhas. No fim, é um álbum interessante, mesmo com algumas falhas. 

Melhores Faixas: Reality TV (Black Thought amassando de novo), CaDILLAc, Fire Wood Drumstix (MF DOOM mandando bem), Smoke, King, 24K Rap (Raekwon e Havoc mandaram bem), Coming Back, Digi Dirt (Danny Brown no comecinho), On Stilts 
Piores Faixas: Make It Fast (Unadulterated Mix), 9th Caller, Mythsysizer, Expensive Whip

 

domingo, 24 de maio de 2026

Review: EP Autointitulado do Bleech 9:3

                     

Bleech 9:3 – Bleech 9:3





















NOTA: 7/10


Há quase duas semanas, Bleech 9:3 lançou seu 1º trabalho autointitulado em formato de EP. Formada em 2024 na capital da Irlanda, Dublin, por Barry Quinlan (vocais e guitarra), Sam Duffy (guitarra), James Quinlan (baixo) e Luke O’Neill (bateria), a banda rapidamente ganhou atenção dentro da cena underground por misturar Grunge, Noise Rock e Post-Hardcore com uma abordagem emocional muito direta, assinando posteriormente com a Polydor. A produção, feita por Ken Scott, Dani Bennett-Spragg junto com a própria banda, trouxe uma abordagem crua e pesada, com guitarras possuindo uma textura extremamente saturada, riffs que cria tensão. A bateria do Luke é bem explosiva, e o baixo do James consegue criar densidade, enquanto os vocais do Barry são carregados de vulnerabilidade, lembrando um pouco Alice in Chains. O repertório contém 5 faixas, todas bem pesadas e introspectivas. Em suma, é um trabalho interessante e que mostra algo promissor. 

Melhores Faixas: Ceiling, No Surprise, Jacky 
Vale a Pena Ouvir: Underrated, Cannonball

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!           

Review: À La Carte do Yago Oproprio

                     

À La Carte – Yago Oproprio





















NOTA: 7/10


Recentemente, o Yago Oproprio voltou lançando sua 1ª mixtape com À La Carte. Após o OPROPRIO, o rapper ganhou bastante reconhecimento como um dos nomes da nova geração do Boom Bap brasileiro. Porém, ainda passou por um leve cancelamento após tweetar que não era rapper e que tinha um estilo próprio, algo que não caiu nem um pouco bem, chegando a ser xingado por Dexter, e a coisa foi feia. Claro que, logo depois, ele pediu desculpas, não se envolveu mais em polêmicas e começou a focar mais nesse projeto. A produção, feita por Patricio Sid, mantém o uso de beats de Boom Bap suaves, linhas de baixo discretas, guitarras limpas, teclados ambientais e harmonias influenciadas pela MPB e Soul, com Yago agora adotando um lado mais cadenciado e melódico em seu flow. O repertório é legalzinho, sendo composto por love songs interessantes, embora algumas deixem a desejar. Enfim, é uma mixtape boa, só que soa como aquilo que ficou de fora do álbum de estreia. 

Melhores Faixas: Encruzilhada, O Meu Melhor, O Jeito Que Cê Gosta 
Piores Faixas: O Mais Novo Malandro do Centro, Outro


Analisando Discografias - J Dilla: Parte 1

                  

Welcome 2 Detroit – J Dilla





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2001, J Dilla lançava seu 1º trabalho, o Welcome 2 Detroit, que era bem variado. A trajetória do rapper e produtor de Detroit começou por volta de 1993, quando, depois de se formar no ensino médio, passou a focar no grupo que seus amigos de escola haviam formado, o Slum Village. Ele começou a entrar de cabeça na produção quando Amp Fiddler lhe emprestou sua Akai MPC, equipamento que rapidamente dominou, tornando-se, com o tempo, um dos produtores mais influentes da cena. A produção, feita pelo próprio Dilla com uma participação do Karriem Riggins, funciona em cima do famoso “drunk rhythm”, que consistia basicamente em baterias fora do eixo, com o kick atrasado, o snare entrando torto e os hi-hats tropeçando, deixando um aspecto mais humano e permitindo que ele conseguisse rimar. O repertório é bem legal, e as canções transitam entre um lado atmosférico e momentos mais profundos. No final, é um ótimo disco, apesar de não representar seu ápice. 

Melhores Faixas: Think Twice, Pause, Shake It Down, Rico Suave Bossa Nova 
Vale a Pena Ouvir: It's Like That, Y'all Ain't Ready, Give It Up

The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 1: Unreleased – Jay Dee





















NOTA: 8/10


Em 2002, J Dilla lançava um EP intitulado The Official Jay Dee Instrumental Series Vol. 1: Unreleased. Após o Welcome 2 Detroit, Dilla trabalhava com a Soulquarians, fazia remixes constantemente e acumulava dezenas de beats inéditos em fitas DAT e MPCs. Muito desse material instrumental circulava informalmente entre DJs e colecionadores. Esse EP surge justamente dessa cultura das “beat tapes”, onde o instrumental deixava de ser apenas suporte para MCs e passava a ser apreciado como uma obra própria. A produção foi mais espontânea, e os drums aqui têm aquele swing torto clássico dele: snares atrasados, kicks desalinhados e hi-hats que parecem “escorregar” no tempo. Só que tudo isso cria um groove absurdamente vivo. As batidas não parecem programadas; parecem tocadas por alguém meio sonolento, mas genial. O repertório é muito bom, e as canções são bem leves e relaxantes. No geral, é um EP interessante e bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Substitute, Tomita, Busta 
Vale a Pena Ouvir: Flyyyyyy, Vibeout

 

Review: The Loneliest Punk do Fatlip

                     

The Loneliest Punk – Fatlip





















NOTA: 8/10


Em 2005, Fatlip lançava seu único álbum solo, o The Loneliest Punk, que trazia uma abordagem diferente. Após o lançamento do Labcabincalifornia com o The Pharcyde, o rapper enfrentou problemas pessoais. A dificuldade em manter estabilidade artística e emocional, junto da fama de artista imprevisível, acabou transformando-o em uma figura cult do underground. Então, ele retornava com um álbum que funciona como um retrato autobiográfico tragicômico, onde transformava fracasso, paranoia e humor autodepreciativo em Rap confessional. A produção contou com Edy Crahp, Mike Floss, 45 King e outros nomes, que apostaram em uma abordagem limpa e variada, com elementos de Jazz Rap, Neo-Soul e até P-Funk. Os beats são bem diretos, com linhas de baixo discretas, teclados melancólicos e samples suaves. O repertório é legalzinho, tendo canções profundas, embora algumas soem deslocadas. No fim, é um trabalho muito bom, apesar de faltar mais imersão. 

Melhores Faixas: What’s Up Fatlip?, The Story Of Us, Today’s Your Day (Whachagonedu?), Writer’s Block, Freaky Pumps 
Piores Faixas: Cook, The Bass Line, Walkabout


Analisando Discografias - The Pharcyde

                 

Bizarre Ride II The Pharcyde – The Pharcyde





















NOTA: 10/10


No ano de 1992, o The Pharcyde lançava seu álbum de estreia, o sensacional Bizarre Ride II the Pharcyde. Formado no ano anterior em Los Angeles por Imani, Slimkid3, Bootie Brown e Fatlip, alguns dos integrantes tinham experiência na dança, e a proposta deles era bem diferente, juntando humor absurdo, rimas caóticas, referências ao Jazz e uma abordagem extremamente humana. Após a demo deles circular, despertaram o interesse de Mike Ross, da Delicious Vinyl, que assinou com o grupo. A produção, feita por J-Swift, L.A. Jay e Ter, foi explosiva, juntando elementos do Boom Bap e do Jazz Rap, utilizando samples orgânicos e baterias com swing, criando uma atmosfera relaxada para o flow diferenciado de cada integrante: Fatlip com um tom explosivo, Slimkid3 com um tom melódico, Bootie Brown sendo mais agressivo e Imani o mais técnico. O repertório é incrível, chegando a parecer uma coletânea. No fim, é um baita álbum de estreia e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Passin’ Me By, Oh Shit, I'm That Type Of Nigga, 4 Better Or 4 Worse, On The DL, Return Of The B-Boy 
Vale a Pena Ouvir: Otha Fish, Soul Flower (Remix), Ya Mama, Pack The Pipe

Labcabincalifornia – The Pharcyde





















NOTA: 10/10


Três anos se passaram, e The Pharcyde retornava com seu atemporal 2º disco, o Labcabincalifornia. Após o Bizarre Ride II the Pharcyde, o grupo era visto como irreverente, engraçado, caótico e extremamente criativo. Só que, claro, tanto a cena da Costa Oeste quanto a da Costa Leste acabaram evoluindo, e o The Pharcyde voltou com um humor mais controlado e melancólico. Existe uma sensação constante de desgaste emocional, paranoia urbana e reflexão sobre fama, relacionamentos e identidade artística. A produção, feita por eles junto com Diamond D, M-Walk e Jay Dee (ou melhor: J Dilla), mergulha de cabeça no Jazz Rap e em um Boom Bap mais suave. Os beats possuem graves macios, baterias discretas que soam até desalinhadas e samples extremamente sofisticados. Fora que os integrantes evoluíram muito, apresentando ainda mais sensibilidade melódica. O repertório é espetacular, também chegando a parecer uma coletânea. No final de tudo, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Runnin', Drop, Bullshit, Hey You, She Said, Y?, Moment In Time 
Vale a Pena Ouvir: The Hustle, Groupie Therapy, Devil Music, Splattitorium

Plain Rap – The Pharcyde





















NOTA: 2,5/10


Na virada do século, o The Pharcyde lançava seu 3º álbum intitulado Plain Rap. Após o clássico Labcabincalifornia, o grupo já enfrentava desgaste criativo e conflitos pessoais. Com isso, Fatlip acabou saindo, o que afetou profundamente a dinâmica artística do The Pharcyde. Existe uma tentativa de modernizar o som do grupo para o Rap do começo dos anos 2000, mas, ao mesmo tempo, eles ainda carregam muitos elementos do Jazz Rap noventista. A produção, feita pelo próprio grupo com ajuda de Showbiz, aposta em uma estética mais seca e urbana. Os beats possuem menos camadas e trabalham muito mais a repetição e a atmosfera. Muitas baterias são mais duras, os baixos mais profundos e os samples menos calorosos. O grande problema é que Slimkid3, Imani e Bootie Brown parecem rimar separados uns dos outros, e não em conjunto. O repertório é ruim, com canções fraquíssimas e poucas que se salvam. Enfim, é um álbum terrível e bastante desconexo. 

Melhores Faixas: Guestlist, L.A. 
Piores Faixas: Frontline, Rush, Somethin', Blaze, World

Humboldt Beginnings – The Pharcyde





















NOTA: 3/10


Então chegamos em 2004, ano em que foi lançado, o que é praticamente o último álbum deles, o Humboldt Beginnings. Após o Plain Rap, foi a vez de Slimkid3 também sair do The Pharcyde. Com isso, a perda gradual de relevância comercial durante os anos 2000 deixou marcas profundas na identidade do grupo. Então, esse projeto acabou sendo conduzido apenas por Bootie Brown e Imani. A produção contou com a presença de 88-Keys e Spaceboyboogie X, que apostaram em uma abordagem suave, juntando Boom Bap, Jazz Rap, Electro e até elementos do Rap experimental, tentando dialogar um pouco com a sonoridade do The Roots. Porém, o que salva o disco são os beats, porque quando Brown e Imani vão rimar, eles soam totalmente deslocados, e seus flows não conseguem funcionar. O repertório é fraco, com canções bem ruins e apenas algumas interessantes. No fim, é um disco péssimo e, após isso, eles até voltaram, só que dedicados apenas às turnês. 

Melhores Faixas: Knew U, Choices, Mixedgreens 
Piores Faixas: Dedication, Rules & Regulations, Right B4, Storm, Bongloads II


Analisando Discografias - D'Angelo

                   Brown Sugar – D’Angelo NOTA: 10/10 Voltando ao ano de 2004, o Black Alien lançava seu 1º trabalho solo, o Babylon By Gus ...