all lights fucked on the hairy amp drooling – god speed you black emperor!
NOTA: 3/10
No ano de 1994, o Godspeed You! Black Emperor lançava um trabalho caseiro, o all lights fucked on the hairy amp drooling. Formado naquele mesmo ano em Montreal, no Canadá, por Efrim Menuck (guitarra e vocais), Mike Moya (guitarra) e Mauro Pezzente (baixo), o grupo começou a fazer shows de forma bastante esporádica e logo começou a gravar esse trabalho, que seria muito mais rudimentar, obscuro e experimental, funcionando como um documento de uma fase embrionária do projeto. A produção, feita pelo próprio Efrim, trouxe uma sonoridade extremamente Lo-fi e uma sensação de proximidade física, como se o ouvinte estivesse escutando uma gravação feita em condições bastante precárias. Mesmo com as guitarras servindo como massas sonoras, tudo soa muito inacabado e parece faltar algo mais conciso. O repertório é excessivamente extenso, tendo algumas canções boas e outras ridículas. Enfim, era o começo de tudo, e eles ainda não tinham muito com que trabalhar.
Melhores Faixas: Diminishing Shine, Beep, Son Of A Diplomat, Daughter Of A Politician, All Angels Gone
Piores Faixas: $13.13, Buried Ton, Deterior 23, Dadmomdaddy, Shot Thru Tubes, Drifting Intro Open, Three Three Three, Dress Like Shit
F♯ A♯ ∞ - Godspeed You Black Emperor!
NOTA: 9/10
No ano de 1997, o Godspeed You! Black Emperor lançava seu álbum de estreia, o F♯ A♯ ∞ (F-sharp, A-sharp, Infinity). Após o all lights fucked on the hairy amp drooling, a banda passou a contar com mais um guitarrista (David Bryant), um baixista (Thierry Amar), dois bateristas (Aidan Girt e Bruce Cawdron), dois violinistas (Chris Comte e Norsola Johnson), uma trompetista (Thea Pratt) e um tecladista (Grayson Walker). Com esse trabalho, a banda constrói um mundo apocalíptico marcado por um ciclo de decadência. A produção aposta em uma sonoridade crua e, ao mesmo tempo, atmosférica, combinando Post-Rock com elementos de música ambiente e música de câmara. As guitarras constroem camadas, desenvolvendo crescendos e criando drones, enquanto o uso de sopros e cordas acrescenta uma dimensão emocional, assim como a seção rítmica. O repertório contém 2 faixas bastante densas. Enfim, é um baita disco, muito bem elaborado.
Melhor Faixa: Nervous, Sad, Poor...
Vale a Pena Ouvir: Bleak, Uncertain, Beautiful...
Lift Your Skinny Fists Like Antennas To Heaven – Godspeed You Black Emperor!
NOTA: 9,2/10
Entrando nos anos 2000, o Godspeed You! lançava seu aclamado 2º álbum, o Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven. Após o F♯ A♯ ∞, Thea Pratt e Grayson Walker acabaram saindo, enquanto Christophe Comte também deixou a banda e Sophie Trudeau entrou, além da entrada de mais um guitarrista, Roger Tellier-Craig. Esse novo álbum seria uma experiência instrumental extensa, cinematográfica e profundamente atmosférica, funcionando como um grande manifesto sobre a condição humana, a alienação urbana, o capitalismo tardio e a busca desesperada por esperança. A produção do Daryl Smith apostou em um som mais orgânico e interativo, combinando Post-Rock com aquelas influências de drone, música ambiente e de câmara. As guitarras se alternam, as cordas ampliam a dimensão emocional e a seção rítmica é bastante consistente. O repertório contém 4 faixas belíssimas, divididas em movimentos que te prendem. No fim, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Sleep, Storm
Vale a Pena Ouvir: Static, Antennas To Heaven...
Yanqui U.X.O. – Godspeed You! Black Emperor
NOTA: 9/10
Dois anos se passaram até que eles lançassem seu terceiro álbum, o Yanqui U.X.O.. Após o Lift Your Skinny Fists Like Antennas to Heaven, o GY!BE apresenta aqui uma abordagem que mantém a grandiosidade instrumental, mas enfatiza ainda mais o peso das guitarras, a tensão e o desenvolvimento de longas estruturas musicais. O título combina a imagem de um poder militar com a ideia de consequências que permanecem presentes mesmo depois do fim imediato de um conflito. A produção, conduzida dessa vez pelo lendário Steve Albini, resultou em um som muito mais expansivo e denso. As guitarras apresentam notas prolongadas, distorções e sobreposições que modificam gradualmente a percepção da música, enquanto as cordas criam um contraste com momentos que oscilam entre delicadeza e agressividade, mantendo uma dinâmica consistente. O repertório contém 5 faixas bastante atmosféricas. No final, é outro disco incrível e tenso.
Melhores Faixas: 09-15-00, Rockets Fall On Rocket Falls.
Vale a Pena Ouvir: Motherfucker=Redeemer, 09-15-00 (Cont.), Motherfucker=Redeemer (Cont.)
'Allelujah! Don't Bend Ascend – God’s Pee
NOTA: 8,8/10
Passaram-se dez anos até que o Godspeed You! retornasse com Allelujah! Don't Bend! Ascend!. Após o Yanqui U.X.O., a banda passou por alguns problemas, como o episódio de 2003, quando seus integrantes foram confundidos com terroristas, além de divergências musicais que levaram o grupo a entrar em um hiato. Quando retornou, a formação era praticamente a mesma, mas Bruce Cawdron decidiu sair e, em seu lugar, entrou Timothy Herzog. Com isso, a banda quis reunir o que fazia de melhor, como longas composições instrumentais, gravações de campo e drones. A produção foi realizada em parceria com Howard Bilerman, seguindo uma abordagem crua e analógica. As guitarras funcionam como linhas melódicas repetitivas ou massas de distorção, a seção rítmica contribui para o avanço das composições e as cordas acrescentam dimensão sonora. O repertório possui 4 faixas bastante sombrias e densas. No final, é um disco bacana e que é muito coeso.
Melhores Faixas: Mladic, We Drift Like Worried Fire
Vale a Pena Ouvir: Strung Like Lights At Thee Printemps Erable, Their Helicopters' Sing
Asunder, Sweet And Other Distress – Godspeed You! Black Emperor
NOTA: 2,5/10
Em 2017, o Godspeed You! retornava com mais um trabalho, o Luciferian Towers. Após o Asunder, Sweet and Other Distress, a banda queria fazer um projeto que preservasse sua identidade característica sem recorrer tanto ao drone. Além disso, o título combina o imaginário religioso associado a Lúcifer com a ideia de torres, construções verticais e símbolos de autoridade. Essa combinação cria uma imagem de grandeza que também pode ser interpretada como opressiva ou decadente. A produção seguiu um caminho mais orgânico e um pouco mais organizado. As guitarras voltaram a apresentar riffs repetitivos, com maior foco na distorção, enquanto as cordas acrescentam um lado mais melancólico, criando uma combinação interessante. Mas é aquilo: tudo soa como uma repetição do que a banda já fez anteriormente, só que sem brilho. O repertório é fraco, com poucas faixas realmente interessantes. Enfim, é outro trabalho ruim e monótono.
Melhor Faixa: Bosses Hang
Piores Faixas: Anthem For No State, Undoing A Luciferian Towers, Fam / Famine
Luciferian Towers – Godspeed You! Black Emperor
NOTA: 8,5/10
Melhores Faixas: Catfish Kate, Graveyard Hill, Daniel Boone, Ready For Love, Long Rider
Vale a Pena Ouvir: Silver Bullet, This Is My Fate, St. Nazaire
G_d's Pee At State's End! – Godspeed You! Black Emperor
NOTA: 4/10
Quatro anos se passaram até que eles voltassem com um novo disco, o G_d's Pee at State's End!. Após o Luciferian Towers, a banda quis organizar o álbum em duas composições longas, separadas em movimentos, como no período do Lift Your Skinny, e outras duas peças instrumentais mais curtas, criando uma estrutura que combina desenvolvimento prolongado e mudanças de perspectiva. Produção, feita por Jace Lasek, resultou em uma sonoridade mais orgânica. As guitarras continuam apresentando padrões repetitivos, mas ganham dimensão à medida que são acompanhadas por novos instrumentos e pela intensificação da distorção. A seção rítmica está mais discreta, e as cordas acrescentam aquela sensação de melancolia, mesmo que tudo continue muito arrastado e explore ideias anteriores. O repertório é ruim, com apenas uma faixa interessante. No fim, é um álbum fraco, de uma banda que virou cover de si mesma.
Melhor Faixa: “Government Came” (9980.0 kHz 3617.1 kHz 4521.0 kHz) / Cliffs Gaze / Cliffs’ Gaze At Empty Waters’ Rise / Ashes To Sea Or Nearer To Thee
Piores Faixas: A Military Alphabet (Five Eyes All Blind) (4521.0 kHz 6730.0 kHz 4109.09 kHz) / Job’s Lament / First Of The Last Glaciers / Where We Break How We Shine (Rockets For Mary), Our Side Has To Win (For D.H.), Fire At Static Valley
No Title As Of 13 February 2024 28,340 Dead – Godspeed You! Black Emperor
NOTA: 5/10
Então chegamos a 2024, quando o God’s Pee lançou seu álbum mais recente, o No Title As Of 13 February 2024 28,340 Dead. A banda quis fazer um trabalho temático, já que o título faz referência às 28.340 mortes palestinas contabilizadas até 13 de fevereiro de 2024, segundo o número citado pela própria banda no contexto da guerra em Gaza. Dessa forma, a obra apresenta uma data e uma contagem de mortos, confrontando diretamente o ouvinte com a dimensão humana da violência. A produção, feita mais uma vez por Jace Lasek, resultou em um som mais denso. As guitarras alternam entre melodias claras e acúmulos de ruídos, distorções e reverberação, até perderem parte de sua definição individual. As cordas acabam transmitindo uma sensação de fragilidade e uma possibilidade de alívio, mesmo que tudo soe repetitivo e faltando mais variação. O repertório é mediano, com ótimas canções e outras tediosas. Em suma, é um álbum irregular e mais do mesmo.
Melhores Faixas: Babys In A Thundercloud, Pale Spectator Takes Photographs
Piores Faixas: Grey Rubble — Green Shoots, Broken Spires At Dead Kapitalc
Então é só e flw!!!


























