sábado, 4 de julho de 2026

Review: Um Corpo Preto do Rincon Sapiência

                     

Um Corpo Preto – Rincon Sapiência





















NOTA: 9,2/10


Recentemente, o Rincon Sapiência lançou seu tão aguardado 3º álbum, o Um Corpo Preto. Após o Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps, o rapper seguiu fazendo turnês e amadurecendo o conceito de um trabalho que fosse além da celebração da identidade negra, abordando também as diferentes dimensões da experiência de viver em um corpo negro no Brasil. A produção foi feita por ele próprio, que trouxe uma abordagem variada e direta, com beats bastante orgânicos, presença de percussões orgânicas, linhas de baixo marcantes, sintetizadores discretos e arranjos bastante rítmicos. Aqui, os flows do Rincon conseguem ser precisos, além de haver momentos de canto melódico, dialogando com Dancehall, Afrobeats, Funk, Jazz Rap e até um pouquinho de Samba. O repertório é incrível, e as canções são bem tematizadas e carregadas de mensagem. No geral, é uma obra incrível, bem estruturado e carregado de identidade. 

Melhores Faixas: Eu Vim de Baixo, Cuidar de Mim, Homem Gol (ótima feat do Péricles), Todo Nego, De Onde Cê Vem, Pt. 2, Cassino, Dum Dum, Alarme, Faz a Vibe 
Vale a Pena Ouvir: Diáspora, Porque Eu te Amo, Ke$h

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Review: Nomads do No Wyld

                     

Nomads – No Wyld





















NOTA: 6/10


No ano de 2016, o trio No Wyld lançava seu único álbum de estúdio, intitulado Nomads. Formado em 2010, em Auckland, na Nova Zelândia, pelo rapper Mohamed "Mo" Kheir, Brandon Black e o guitarrista Joseph Pascoe, o grupo já havia chamado atenção com alguns singles e EPs que demonstravam uma identidade bastante particular, baseada na combinação de instrumentação orgânica e uma abordagem cinematográfica, o que despertou o interesse da Columbia Records, que assinou com eles. A produção foi feita pelo próprio trio, que adotou uma abordagem acessível, com beats limpos e presença de sintetizadores que criam paisagens sonoras bastante amplas. As baterias misturam programação eletrônica com percussões orgânicas, e as guitarras são discretas, só que o resultado fica bem monótono, fazendo deste um álbum de Rap com Indie Pop arrastado. O repertório é mediano, com canções legais e outras genéricas. Enfim, é um disco irregular e, após isso, o grupo acabou. 

Melhores Faixas: Let Me Know, Tomorrow, Different 
Piores Faixas: Paranoid, Analogue, Air


Review: Snacks do Jax Jones

                     

Snacks – Jax Jones





















NOTA: 3/10


Em 2019, o Jax Jones lançou seu único álbum até então, o ambicioso Snacks (Supersize). O DJ britânico começou sua trajetória em 2010, produzindo beats e publicando-os no finado MySpace, até que, em 2014, passou a fazer House music. Naquele mesmo ano, participou da música I Got U, do Duke Dumont, além de várias outras faixas. Foi ali que começou a ficar conhecido, embora seu 1º sucesso solo tenha sido Yeah Yeah Yeah. Nesse meio-tempo, passou a preparar esse trabalho, que foi lançado pela Polydor. A produção segue uma abordagem polida e extremamente comercial, com sintetizadores brilhantes, grooves, linhas de baixo marcantes e pequenas melodias eletrônicas que mantêm a pista em movimento. Só que tudo é bem bagunçado, porque, uma hora, é Future House, depois, passa para Electropop ou Dancehall, ficando bastante desconexo. O repertório é ruinzinho: há canções boas, mas a maioria soa esquecível. No fim, é um trabalho péssimo e sem coesão. 

Melhores Faixas: You Don't Know Me, Instruction (Demi Lovato levou o som para ela), Breathe 
Piores Faixas: Jacques, All 4 U, Harder, 100 Times, Cruel


Review: EP do MC Kevinho

                     

MC Kevinho – MC Kevinho





















NOTA: 7/10


No comecinho de 2017, o MC Kevinho lançava um dos vários EPs que levavam seu nome. O funkeiro começou sua carreira em 2012, mas começou a ganhar relativo destaque dois anos depois, ainda adolescente, naquele mesmo período em que surgiam Kevin, Hariel, Pedrinho, Brinquedo, entre outros. No ano anterior, ele assinou com a KondZilla, e foi ali que lançou um certo single, que, na época do lançamento deste EP, havia sido lançado há pouco tempo e ainda não tinha virado hit. A produção segue a estética do Funk ostentação paulista da época, com beats utilizando bases eletrônicas simples e graves constantes. Já os vocais do Kevinho, mesmo imperfeitos, conseguem funcionar. O repertório contém 5 faixas, em sua maioria boas, embora algumas sejam genéricas. No fim, é um EP legalzinho e, após isso, Olha a Explosão virou hit. Além disso, ele emplacou vários outros sucessos e, nunca demonstrou interesse em lançar um álbum, contentando-se apenas com seus sucessos. 

Melhores Faixas: Ela veio se abrindo, Vai sentar 
Piores Faixas: Ficou contente, Trava no pau, Psicóloga

 

Review: MAGIC SHOW do Nagalli

                     

MAGIC SHOW – Nagalli





















NOTA: 8/10


No ano de 2024, o Nagalli lançou seu único álbum até então, intitulado MAGIC SHOW. A carreira do produtor começou por volta de 2016. Filho de um pai multi-instrumentista, ele aprendeu o básico de música com ele e, ainda na adolescência, começou a produzir beats. A partir daí, nunca mais parou, tornando-se um dos principais produtores do Trap nacional. Esse álbum traz a representação de um "mágico", figura que acompanha o artista desde trabalhos anteriores. A produção foi realizada em conjunto com Toledo, Bvga Beatz, Neckklace, entre outros, que construíram beats limpos, utilizando graves profundos, 808s secas, sintetizadores atmosféricos e uma enorme quantidade de pequenas texturas espalhadas pelas músicas, dialogando com Trap, Cloud Rap e Jersey Club de acordo com o estilo de cada rapper participante. O repertório é bem interessante, com canções divertidas. Enfim, é um álbum bacana que cumpre bem a proposta que apresenta. 

Melhores Faixas: CONFISSÕES PT2 (KayBlack e Veigh amassaram), BOUTIQUE (LEALL amassando também), SE ENVOLVE (Veigh bem de novo) 
Vale a Pena Ouvir: DO ZERO (Vino e TZ encaixaram bem), MAL INTENCIONADA (JÁ FOI, JÁ ERA) (até que foram bem esse time: Veigh, BG, Kyan e FK), CÂMERA LENTA (Luccas Carlos e Ryu, The Runner mandaram bem)


sexta-feira, 3 de julho de 2026

Analisando Discografias - Baco Exu do Blues

                 

Esú – Baco Exu do Blues





















NOTA: 9,8/10


No ano de 2017, Baco Exu do Blues lança seu sensacional álbum de estreia, o Esú. O rapper baiano começou sua trajetória por volta de 2015, quando fazia parte do grupo Direto do Hospício. Só que a virada de chave aconteceu em 2016, quando lançou a diss Sulicídio com Diomedes Chinaski, na qual faziam críticas à cena do Rap, que estava concentrada apenas em SP e RJ. Isso foi importante para o que ficou conhecido como "ano lírico", tanto que foi o próprio Baco quem criou essa expressão em sua participação no Poetas no Topo 2. Esse trabalho seria bastante carregado de espiritualidade. Produção, feita por Nansy Silvvs, traz beats pesados, com percussões orgânicas, guitarras discretas, pianos melancólicos e graves constantes, incorporando bastante influência do Trap, o que faz com que Baco adote um flow mais agressivo e técnico. O repertório é sensacional, e as canções são bem reflexivas e cheias de mensagem. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Esú, En Tu Mira, Te Amo Disgraça, Senhor Do Bonfim, En Tu Mira 
Vale a Pena Ouvir: Imortais E Fatais, Capitães De Areia

Bluesman – Baco Exu do Blues





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, Baco Exu do Blues lançou o atemporal e fantástico Bluesman. Após o Esú, que era profundamente influenciado pela literatura, pela filosofia e pelas religiões de matriz africana, esse novo álbum mostra um músico mais seguro de sua identidade artística e disposto a ampliar ainda mais seu alcance. O conceito do álbum parte da ideia de que tudo aquilo que nasceu da cultura negra e que inicialmente foi rejeitado pela sociedade dominante pode ser entendido como "blues". A produção foi feita por Deekapz, JLZ, Portugal no Beat, CESRV e até Tim Bernardes, que seguiram uma abordagem sofisticada e híbrida. Os beats são bem variados, com baixos orgânicos, 808s pesados, corais, sintetizadores discretos e guitarras limpas, dialogando com Trap, R&B alternativo e elementos de Soul. Os flows do Baco são cadenciados e agressivos. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Flamingos, Me Desculpa Jay Z, Girassóis De Van Gogh, Kanye West Da Bahia, Minotauro De Borges 
Vale a Pena Ouvir: Bluesman, Queima Minha Pele (ótima feat do Tim Bernardes)

Não Tem Bacanal na Quarentena – Baco Exu do Blues





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e o Baco lança o curioso EP Não Tem Bacanal na Quarentena. Após o Bluesman, ele se tornou um dos principais nomes da nova geração do Rap nacional. Incialmente, esse EP teria o titulo apenas de Bacanal Com a chegada da quarentena, Baco transformou a ideia em uma brincadeira irônica: se não havia possibilidade de festas, encontros ou excessos, então "não tem bacanal na quarentena". Produção feita por Dactes, Deekapz, JLZ, Nansy Silvvz e Pgiscoming, colocaram uma abordagem mais leve e acessível sendo gravado em três dias com os beats sendo mais amplos, hi-hats constantes, sintetizadores suaves e baterias secas dialogando assim com Trap, R&B e Rap acústico com isso o Baco alterna entre momentos de canto e flows melódicos. O repertório é legalzinho, tem canções divertidas e que foi feita para chocar. Enfim, é um EP bacana e que é muito injustiçado. 

Melhores Faixas: Humanos Não Matam Deuses, Amo Cardi B e Odeio Bozo, Jovem Preto Rico 
Vale a Pena Ouvir: O Sol Mais Quente, Tropa do Babu

QVVJFA? – Baco Exu do Blues





















NOTA: 6/10


Dois anos se passaram, e Baco Exu do Blues lançou seu 3º álbum, Quantas Vezes Você Já Foi Amado? (QVVJFA?). Após o EP Não Tem Bacanal na Quarentena, ele preparava um trabalho mais intimista, construído durante o período de isolamento social. O álbum nasceu de um momento em que Baco refletia não apenas sobre a carreira, mas principalmente sobre seus relacionamentos, suas inseguranças e a dificuldade de demonstrar afeto. Produzido por Dactes, JLZ, Marcelo de Lamare, Nansy Silvvz e Paz, que seguiram uma abordagem mais acessível e suave. Os beats são mais minimalistas, com pianos suaves, guitarras limpas, sintetizadores discretos, linhas de baixo orgânicas e baterias minimalistas. Com isso, Baco adota vocais mais intimistas e próximos, dialogando com R&B e Trap Soul. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções genéricas e sem graça. No geral, é um trabalho mediano que beira o cansativo. 

Melhores Faixas: 20 Ligações, Lágrimas, Imortais e Fatais 2 
Piores Faixas: Inimigos, Samba in Paris (Glooria Grove não entregou nada), Sei Partir

FETICHE – Baco Exu Do Blues





















NOTA: 1/10


Em 2024, Baco Exu do Blues lança o infame EP FETICHE, e aqui as coisas ficam bem piores. Após o QVVJFA?, o rapper decidiu lançar um trabalho que investiga o prazer, os jogos de poder, a fantasia e a hipersexualização dos corpos negros. O projeto foi lançado acompanhado por um curta-metragem que apresenta uma narrativa em que fantasia e realidade se confundem, utilizando imagens de sadomasoquismo e desejo como metáforas para discutir projeções e fetiches. A produção, feita mais uma vez por Dactes, JLZ, Marcelo de Lamare e Marcos Maurício, aposta em instrumentais minimalistas inspirados no R&B contemporâneo, Trap Soul e Afrobeats. Com pianos discretos, guitarras limpas, sintetizadores atmosféricos e baterias econômicas, a sonoridade acaba soando bastante reciclada e voltada para viralizar no TikTok. O repertório é terrível, e as canções beiram a vergonha alheia. Enfim, é um EP péssimo que se tornou uma mancha podre na carreira do Baco. 

Melhores Faixas: (........................................) 
Piores Faixas: piscina vazia, você foi a melhor, fetiche

HASOS – Baco Exu Do Blues





















NOTA: 5/10


Então chegamos ao ano passado, quando Baco lançou seu 4º e, até então, último álbum, o HASOS. Após o EP FETICHE, esse trabalho é estruturado como uma longa sessão de terapia, utilizando interlúdios que simulam conversas entre paciente e terapeuta para conduzir a narrativa emocional do disco. O título faz referência à inscrição "H-AS OS", escondida por Caravaggio na pintura Davi com a Cabeça de Golias, uma abreviação em latim para Humilitas occidit superbiam ("a humildade mata o orgulho"). A produção contou com os mesmos nomes, que seguiram uma abordagem mais variada, com beats orgânicos, presença de pianos, contrabaixos orgânicos, guitarras discretas, sopros ocasionais e baterias secas. A sonoridade dialoga bastante com Neo-Soul e Jazz Rap, mas acaba ficando muito arrastada e com variações de ritmo imprecisas. O repertório é irregular, com canções boas e outras bem sem graça. Em suma, é um álbum mediano que, infelizmente, não funcionou. 

Melhores Faixas: Mar de Guerra, Gladiadores de Areia, Assassinos de Saudade, Caravaggio Com Colar de Gandhy 
Piores Faixas: Que Eu Sofra, Fugindo do Espelho, Um Pouco, Romance Latino (Teto decepcionou)
 

                                                                                    Então é só e flw!!!    

Analisando Discografias - J. Cole: Parte 2

                 

Born Sinner – J. Cole





















NOTA: 8,4/10


Em 2013, o J. Cole lançava seu 2º álbum de estúdio, intitulado Born Sinner, que apresentou mais acertos. Após o Cole World, o rapper decidiu construir um álbum muito mais ambicioso, introspectivo e menos preocupado com a possibilidade de produzir grandes sucessos radiofônicos. O próprio conceito gira em torno das contradições humanas. Em vez de apresentar uma figura perfeita ou moralmente superior, Cole reconhece seus defeitos, desejos, erros, inseguranças e conflitos internos. A produção, feita por ele mesmo junto com Christian Rich, Jake One e Syience, segue uma abordagem mais ampla. Os beats são bem variados, com presença de pianos, baixos encorpados, sintetizadores atmosféricos e baterias marcadas que remetem ao Boom Bap, Jazz Rap e ao Neo-Soul, enquanto os flows do Cole são mais cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e introspectivas. Enfim, é um ótimo disco, e olha que ainda não era o ápice. 

Melhores Faixas: Powertrip, She Knows, Forbidden Fruit (baita feat do Kendrick), Runaway, Let Nas Down, Rich Niggaz 
Vale a Pena Ouvir: Villuminati, Chaining Day, Crooked Smile

2014 Forest Hills Drive – J. Cole





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o sensacional e atemporal 3º álbum dele, o 2014 Forest Hills Drive. Após o Born Sinner, J. Cole sentia que havia algo incompleto em sua trajetória. Embora fosse respeitado, ainda existia a percepção de que ele precisava entregar uma obra definitiva, e, com isso, esse álbum seria uma espécie de revisita à sua própria história, buscando entender como todas as experiências de sua infância, adolescência e início da vida adulta moldaram quem ele havia se tornado. A produção foi feita junto com Illmind, Phonix Beats, Vinylz e Willie B, que construíram uma sonoridade extremamente refinada, com beats orgânicos, linhas de baixo discretas, samples de Soul e R&B e baterias equilibradas com elementos do Jazz Rap e do Boom Bap. Aqui, os flows de Cole são bem alternados, indo de momentos agressivos a outros mais cadenciados. O repertório é praticamente uma coletânea, só tendo canção incrível. Enfim, é um disco fantástico e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: No Role Modelz, 03' Adolescence, Wet Dreamz, Love Yourz, January 28th, G.O.M.D. 
Vale a Pena Ouvir: Fire Squad, St. Tropez

4 Your Eyez Only – J. Cole





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, J. Cole lança o também sensacional 4 Your Eyez Only, que é um projeto conceitual. Após o 2014 Forest Hills Drive, o rapper decidiu fazer um álbum conceitual, silencioso, íntimo e narrativo. Essa ideia surgiu a partir da história de um amigo de infância do Cole que acabou sendo vítima da violência. Em vez de contar essa história de maneira direta desde o início, o rapper constrói uma narrativa em que sua própria perspectiva e a do personagem principal se misturam deliberadamente. A produção é mais diversificada, contando com Boi-1da, Vinylz, Elite, entre outros, que adotam uma abordagem mais emocional, com beats imersivos, presença de pianos suaves, cordas delicadas, baterias econômicas e elementos do Boom Bap, Jazz Rap e Neo-Soul, com os flows do Cole sendo precisos e variados. O repertório é incrível e também parece uma coletânea de canções muito profundas. No geral, é um baita disco e certamente outro clássico. 

Melhores Faixas: 4 Your Eyez Only, Change, Neighbors, Immortal 
Vale a Pena Ouvir: For Whom The Bell Tolls, Deja Vu

KOD – J. Cole





















NOTA: 6/10


Mais um intervalo de dois anos se passou, e foi lançado mais um álbum do J. Cole, o KOD. Após o 4 Your Eyez Only, o rapper já estava consolidado e também mais ativo em seu selo Dreamville. Nesse projeto, ele decidiu criar um álbum conceitual cujo título representa vários significados: “Kids on Drugs” (crianças nas drogas), “King Overdosed” (rei da overdose) e “Kill Our Demons” (mate nossos demônios). Cada uma dessas interpretações corresponde a uma camada diferente da narrativa. A produção foi feita junto com BLVK, Mark Pelli, iRon Gilmore e T-Minus, com uma abordagem variada, em que os beats são mais amplos, com baterias de graves fortes, hi-hats acelerados e sintetizadores suaves, dialogando com Trap e Jazz Rap, mas muita coisa soa deslocada e faltando dinâmica. O repertório é irregular, com canções boas e outras mais medianas. No fim, é um álbum mediano, com conceito mal executado, sendo uma decepção. 

Melhores Faixas: Kevin's Heart, 1985 (Intro To "The Fall Off"), ATM 
Piores Faixas: Friends, Photograph, Motiv8

The Off-Season – J. Cole





















NOTA: 8,7/10


Três anos se passaram, e o rapper voltou com um novo disco intitulado The Off-Season. Após o KOD, J. Cole passou a ampliar sua presença como artista e mentor. Participou de diversos projetos da Dreamville, lançou singles avulsos, colaborou com artistas de diferentes estilos e viveu uma fase extremamente prolífica como convidado. Quando decidiu voltar, ele falou sobre The Fall Off, mas o foco era este projeto, em que fez uma metáfora com o basquete, comparando-o à pré-temporada utilizada por atletas para aperfeiçoar fundamentos antes do retorno. A produção foi diversificada, contando com Boi-1da, Tae Beast, entre outros, que seguiram um caminho mais limpo e variado. Os beats possuem graves impactantes e baterias marcadas, passando por Trap, Chipmunk soul, Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são muito boas e carregadas de mensagem. Enfim, é um trabalho muito bom e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Let Go My Hand, My Life (21 Savage mandou bem), The Climb Back, Applying Pressure 
Vale a Pena Ouvir: Hunger On Hillside, 95 South, Close

The Fall-Off – J. Cole





















NOTA: 9,7/10


Então chegamos em 2026, quando J. Cole lança seu “último” álbum, o The Fall Off. Após o The Off-Season, o rapper havia participado de outros projetos e por pouco não entrou no meio da treta entre Kendrick e Drake com a diss “7 Minute Drill”, que acabou sendo apagada. Fora isso, Cole preparava esse disco, que inicialmente seria uma continuação do KOD, mas depois mudou e decidiu transformar o projeto em uma reflexão sobre envelhecimento, legado, paternidade e sucesso. A produção contou com nomes como The Alchemist, T-Minus, DZL e outros, que seguiram um caminho diverso, com beats variados, presença de baterias marcadas e linhas de baixo discretas, com influência do Boom Bap, Jazz Rap, Trap e R&B. Os flows de Cole são bem variados e técnicos. O repertório é sensacional, com a parte do “Disc 2” sendo mais insegura e o “Disc 3” refletindo todas as vivências. No final, é um belo disco e que consegue ser bem profundo. 

Melhores Faixas: Safety, I Love Her Again, Poor Thang, Two Six, The Fall-Off Is Inevitable, The Villest, 39 Intro, Lonely At The Top, Quik Stop 
Vale a Pena Ouvir: Run A Train (Future ficou legal aqui), and the whole world is the Ville, Life Sentence, Old Dog


Review: Um Corpo Preto do Rincon Sapiência

                      Um Corpo Preto – Rincon Sapiência NOTA: 9,2/10 Recentemente, o Rincon Sapiência lançou seu tão aguardado 3º álbum, o U...