sexta-feira, 24 de abril de 2026

Review: Baggy Pants Music do Medekine

                     

Baggy Pants Music – Medekine





















NOTA: 8/10


No ano passado, o Medekine lançou seu álbum de estreia, intitulado Baggy Pants Music. Gus Clayton, vindo do Gloucester, na Inglaterra, começou sua trajetória um ano antes, lançando alguns singles, e basicamente faz uma reconstrução estética dos anos 2000, especialmente da cultura do Nu Metal, Rap Rock e do imaginário adolescente ligado ao PlayStation 2, CDs físicos e à cultura de pista alternativa. A produção, feita por ele mesmo, e, por sinal, ele toca todos os instrumentos, traz guitarras distorcidas relativamente simples, linhas de baixo diretas e batidas que variam entre o Rap lento e grooves mais pesados, típicos do Nu Metal. Ao mesmo tempo, há forte presença de samples, scratches e manipulação digital, além de seus vocais, que vão do abafado ao mais cadenciado. O repertório é legalzinho, e as canções são bem energéticas e variadas. No geral, é um ótimo álbum de estreia que mostra uma estética que ainda pode ser mais aprofundada. 

Melhores Faixas: Wash Away, Familiar Places 
Vale a Pena Ouvir: Lament Of Innocence, RIU, Like

                                                                           Então é isso e flw!!!             

Analisando Discografias - Porter Robinson

                  

Spitfire – Porter Robinson





















NOTA: 5/10


Em 2011, o Porter Robinson lançava seu primeiro trabalho em formato de EP, intitulado Spitfire. A sua trajetória começou por volta de 2005, quando ele ainda tinha 12 anos, usando o nome de Ekowraith, sob o qual lançou alguns singles, até que, por volta de 2010, passou a usar seu nome próprio e lançou Say My Name, que fez um relativo sucesso e chamou a atenção do Skrillex, que o convidou para fazer parte de sua gravadora, a OWSLA. A produção foi conduzida por ele próprio, que contou com forte presença de sintetizadores distorcidos, basslines serrilhadas e uma estrutura focada em builds explosivos seguidos de drops intensos, o design de som é agressivo, com camadas densas que ocupam todo o espectro sonoro, mostrando o que ele chamava de Complextro, mesmo que tudo aqui seja bem impreciso. O repertório é mediano, com canções legais e outras estranha. Enfim, é um trabalho irregular que funciona mais como uma apresentação. 

Melhores Faixas: Spitfire, Unison 
Piores Faixas: The State, 100% In The Bitch

Worlds – Porter Robinson





















NOTA: 9,2/10


Três anos depois, o Porter Robinson lançava seu álbum de estreia, intitulado Worlds. Após o EP Spitfire, rapidamente se consolidou dentro da cena EDM mais mainstream, especialmente pelo impacto de faixas voltadas para festivais. Mas ele estava evoluindo musicalmente de forma rápida, se afastando da estética agressiva e funcional de pista para construir um álbum conceitual, introspectivo e altamente influenciado por elementos externos à EDM tradicional. A produção, feita por ele mesmo, aposta em camadas atmosféricas, texturas etéreas e uma construção sonora muito mais orgânica. Os sintetizadores continuam sendo o elemento central, mas agora são usados de forma mais delicada e expressiva, frequentemente processados para criar uma sensação de nostalgia e até fragilidade, cruzando, assim, os mundos do Synth-pop, Electropop e EDM atual. O repertório é incrível, e as canções são bem melódicas e imersivas. No fim, é um belo e profundo trabalho de estreia. 

Melhores Faixas: Goodbye To A World, Divinity, Sad Machine, Hear The Bells, Sea Of Voices, Fresh Static Snow, Fellow Feeling 
Vale a Pena Ouvir: Polygon Dust, Years Of War

Nurture – Porter Robinson





















NOTA: 10/10


Foi apenas em 2021 que o Porter Robinson lançou seu tão aguardado segundo álbum, o sensacional Nurture. Após o Worlds, ele passou anos lidando com bloqueio criativo, ansiedade e problemas no processo de composição, período marcado por poucas músicas lançadas e por um silêncio relativamente incomum para um artista que havia acabado de redefinir sua identidade. Nesse contexto, saiu da Astralwerks e assinou com a gravadora independente Mom + Pop Music. A produção segue um caminho mais orgânico, leve e propositalmente imperfeito, com uma estética sonora marcada por texturas suaves e timbres inspirados em instrumentos acústicos, além do uso de sua voz, frequentemente alterada para um timbre mais agudo e andrógino, combinando, assim, elementos de Electropop, Synth-pop e Indietronica. O repertório é maravilhoso, quase como uma coletânea, e as canções são cheias de profundidade. Em suma, é um álbum espetacular e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Musician, Look At The Sky, Something Comforting, Get Your Wish, Mirror, Unfold, Mother 
Vale a Pena Ouvir: Sweet Time, Blossom, Wind Tempos

SMILE! :D – Porter Robinson





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2024, quando o Porter Robinson lançou seu mais recente álbum, o SMILE! :D. Após o Nurture, ele retorna com uma proposta que, à primeira vista, parece mais leve, mas que, na prática, é talvez a mais complexa de sua carreira. Se o álbum anterior foi um processo de reconstrução emocional, este novo trabalho surge como uma reflexão sobre o que vem depois da cura: viver, performar e existir em um mundo hiperconectado, onde identidade e imagem são constantemente mediadas. A produção é mais ampla, com momentos melódicos e outros mais caóticos, nos quais mistura elementos de Indietronica, Electropop e até Pop Rock. Os vocais continuam sendo centrais, mas agora aparecem com uma abordagem ainda mais variada: em alguns momentos, limpos e diretos; em outros, completamente distorcidos, pitch-shifted ou fragmentados. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e até sarcásticas. Enfim, é um ótimo álbum e bastante variado. 

Melhores Faixas: Cheerleader, Russian Roulette, Is There Really No Happiness?, Knock Yourself Out XD 
Vale a Pena Ouvir: Mona Lisa, Year Of The Cup, Easier To Love You

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Analisando Discografias - Tensnake

                 

Glow – Tensnake





















NOTA: 8/10


Em 2014, o Tensnake lançava seu álbum de estreia, intitulado Glow, que carregava toda a sua trajetória. O DJ alemão Marco Niemerski começou sua carreira por volta de 2006, quando lançava alguns EPs que traziam pequenos singles, até que, quatro anos depois, passou a ser conhecido pelo seu maior sucesso: Coma Cat. Com isso, ele assinou com a Virgin Records e começou a preparar esse projeto, testando ideias e descartando versões até chegar ao resultado final. A produção foi feita por ele, com alguns pitacos do Jacques Lu Cont, que mergulharam numa fusão de Deep House, Nu-Disco e R&B alternativo, criando uma sonoridade brilhante, polida e altamente acessível. Há a presença de linhas de baixo inspiradas no Chic (inclusive com a participação do Nile Rodgers em alguns momentos), sintetizadores cintilantes e “aéreos”, além de grooves dançantes. O repertório é bem interessante, e as canções são todas muito divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Pressure, Love Sublime (Nile Rodgers aparece aqui), See Right Through
Vale a Pena Ouvir: No Colour, Good Enough To Keep, Things Left To Say, No Relief

Freundchen – Tensnake





















NOTA: 7/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro EP do Tensnake, intitulado Freundchen. Após o Glow, ele decidiu se afastar parcialmente das ambições Pop do álbum de estreia e retornar a um formato mais direto, focado nas pistas de dança. Além disso, Marco passou a investir fortemente em seu próprio selo, a True Romance, já que havia recém-saído da Virgin Records. A produção foi feita, obviamente, por ele próprio, e tudo aqui gira em torno de groove, repetição e energia de pista. Ele aposta em basslines marcantes e repetitivas, loops filtrados típicos da Disco music, principalmente com aquela percussão 4/4 sólida e constante (122–124 BPM), e, com isso, apresenta uma abordagem mais crua, mas que ainda funciona muito bem. O repertório contém três faixas, todas bem envolventes e com boa variação. No fim, é um ótimo trabalho, e poucos imaginavam que seria o último realmente consistente. 

Melhores Faixas: Freundchen 
Vale a Pena Ouvir: No Fool, Tazaar

L.A. – Tensnake





















NOTA: 6/10


Foi só quatro anos depois que foi lançado um novo álbum do Tensnake, intitulado L.A.. Após o EP Freundchen, o DJ acabou assinando com a gravadora do Armin van Buuren, a Armada Music. Esse projeto funciona como uma espécie de diário de sua experiência quando morou por uma temporada em Los Angeles, capturando desde o fascínio inicial com a cidade até sentimentos mais ambíguos e melancólicos, ligados ao fim de um relacionamento e ao eventual retorno à Alemanha. A produção é mais variada, abandonando quase totalmente o formato Club tradicional e abraçando uma estrutura de Dance-Pop e Nu-Disco. O som é mais compacto e orientado à canção, com presença de sintetizadores que evocam a atmosfera dos anos 80 e grooves setentistas, mas ainda assim há muita coisa reciclada, com ideias que parecem bagunçadas. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. No fim, é um trabalho fraco, ao qual faltou coesão. 

Melhores Faixas: Make You Mine, Antibodies, Somebody Else, Rules 
Piores Faixas: Call Me, Overnight, Automatic, Latching Onto You

Stimulate – Tensnake





















NOTA: 5/10


Três anos se passaram, e foi lançado seu 3º álbum, o também fraquíssimo Stimulate. Após o L.A., o Tensnake passou a preparar esse projeto durante o período da pandemia, buscando equilibrar a sonoridade das pistas de dança com uma identidade autoral, sem as hesitações que marcaram seus trabalhos anteriores. A ideia era fazer um álbum que funcionasse como uma celebração do retorno ao clima das discotecas. A produção é mais polida, e ele tenta abandonar a indecisão estrutural entre Disco e Dance-Pop, passando a trabalhar com uma fusão mais orgânica dos dois estilos. Assim, há uma combinação entre o groove de pista, com basslines contínuas e repetição hipnótica, e a estrutura pop, com vocais claros e refrões definidos, mas, novamente, tudo soa bastante reciclado e carece de elementos que realmente prendam a atenção. O repertório é irregular, com canções divertidas e outras bastante genéricas. Enfim, é um álbum mediano e cheio de clichês. 

Melhores Faixas: Sunshine, Fiesta Mágica, Take Your Time (Do It Right) 
Piores Faixas: It's Easy, Keep It Secret, Brain Food

Free – Tensnake





















NOTA: 3/10


Recentemente, foi lançado o álbum mais recente do Tensnake, intitulado Free (oh, criatividade). Após o Stimulate, depois de focar em suas turnês e lançar alguns singles, ele decidiu capturar a essência da experiência Club de forma direta, imediata e emocional. Com isso, optou por fazer um álbum mais moderno, que refletisse o momento atual do EDM. A produção foi feita, como sempre, por ele mesmo, seguindo por um caminho mais centrado no groove, não apenas como estrutura rítmica, mas também como sensação física. Basslines pulsantes, loops filtrados e batidas 4/4 constantes criam uma base contínua sobre a qual o álbum se desenvolve, configurando uma junção de Dance-Pop com elementos de House, que voltam a ter mais presença. Porém, tudo parece bastante curto e feito para viralizar no TikTok. O repertório é muito ruim, com muitas canções sem graça, salvo algumas exceções. Enfim, é um álbum péssimo e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: Got Me Good, Free, Positive Energy 
Piores Faixas: Never Gonna Dance Again, Everybody, Come Back to Life, Good Vibrations, Push


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!         

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Analisando Discografias - Pedro Sampaio

                 

CHAMA MEU NOME – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


Em 2022, o Pedro Sampaio lançava seu álbum de estreia intitulado CHAMA MEU NOME. A trajetória do DJ carioca começou por volta de 2017, quando estourou com singles virais como Vai Menina e Sentadão, além de colaborações estratégicas, construindo uma imagem muito associada à exposição midiática, ao TikTok e ao consumo imediato, período em que firmou contrato com a Warner Music. A produção foi feita por ele junto com Maikinho DJ, KVSH, entre outros, resultando em uma abordagem extremamente polida e acessível, com batidas comprimidas, graves evidentes, BPMs pensados para a dança e estruturas curtas, principalmente voltadas à viralização no TikTok. As bases transitam entre o Funk e o Pop, além de trazer influências de Reggaeton, Piseiro e Dance-Pop, mas tudo isso soa completamente insuportável e repetitivo. O repertório é horroroso, com canções ridículas e participações genéricas. No fim, esse álbum é um completo desastre. 

Melhores Faixas: (...................................) 
Piores Faixas: DANÇARINA (ressuscitou MC Pedrinho), SURREAL, CHAMA MEU NOME, NO CHÃO NOVINHA (Anitta né), ATENÇÃO (música que é a cara da Luísa Sonza), GALOPA (oh raiva dessa música e ainda vinha coisa pior)

ASTRO – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


E aí, dois anos depois, ele retorna lançando outro álbum terrível intitulado ASTRO (que capa horrorosa, meu Deus!). Após o péssimo CHAMA MEU NOME, e depois de se consolidar como um dos principais produtores do Pop brasileiro, o Pedro Sampaio acabou assumindo sua bissexualidade no Lollapalooza de 2023, e esse projeto associa “astro” à ideia de brilho individual e conexão com o seu público, que é bem amplo (se é que você me entende). A produção é feita mais uma vez por ele junto com MC PR, Rafinha RSQ, DJ Topo e Delano, que seguem aquela abordagem extremamente polida, com batidas recicladas, graves evidentes e BPMs ainda mais equilibrados, mas tudo é uma bagunça: uma hora ele quer ir para o Funk 150 bpm, Mandelão e até para o Funk de BH, com tudo sendo repetitivo e previsível. O repertório, novamente, é horrível, com canções genéricas. No fim de tudo, é outro álbum simplesmente pavoroso. 

Melhores Faixas: (..........QUE TORTURA..........) 
Piores Faixas: MINHA VIDA, ESCADA DO PRÉDIO (pobre Marina Sena), BOTA UM FUNK (Anitta e MC Gw presentes nessa bomba atómica), PERVERSA (não me surpreendi com J Balvin presente aqui), FAMA (Luísa Sonza de novo), QUINA DA CAMA, POCPOC (OH MÚSICA INSUPORTAVÉL)

SEQUÊNCIAS #1 – Pedro Sampaio





















NOTA: 1/10


No ano passado, foi lançado seu trabalho mais recente, um compilado intitulado SEQUÊNCIAS #1. Após o ASTRO, em vez de seguir a lógica tradicional de um álbum Pop, o Pedro Sampaio formaliza um projeto que já existia paralelamente: as “sequências”, formato muito popular dentro do Funk, especialmente em sets de DJs e na cultura de pista. Com isso, ele larga aquele lado cantor, entupido de auto-tune, dos seus dois álbuns e passa a se portar mais como DJ. A produção, feita inteiramente pelo próprio Pedro Sampaio, aposta em beats curtos, entradas e saídas rápidas de vozes de funkeiros, repetição extrema e foco absoluto no groove. Ele segue por um caminho mais ligado ao Funk automotivo, com algumas influências do Eletrofunk e do Miami Bass, mas tudo soa sem forma e beira ao insuportável. O repertório é péssimo, e as faixas são terríveis e repetitivas. Em suma, é um trabalho horrível e que, assim, reforça a ideia de alguém que entra em uma cultura que não é sua. 

Melhores Faixas: (.................................) 
Piores Faixas: SEQUÊNCIA LARISSA AGRESSIVA, SEQUÊNCIA REVOLUCIONÁRIA, SEQUÊNCIA CARAMELO


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!           

Analisando Discografias - Phife Dawg

                  

Ventilation: Da LP – Phife Dawg





















NOTA: 5/10


Entrando nos anos 2000, o Phife Dawg lançava seu 1º trabalho solo, o Ventilation: Da LP. Após o lançamento do The Love Movement com o A Tribe, o rapper assinou com a Groove Attack e queria fazer algo que o reposicionasse na cena, que naquela época havia voltado os olhos para o Rap do sul. Além disso, Phife convivia com sérios problemas de saúde relacionados à diabetes, que o acompanhava desde os anos 90, e isso influenciava seu senso de urgência. A produção, feita por J Dilla, Pete Rock, Rick Rock e Hi-Tek, apresenta uma abordagem orgânica, com beats robustas e rítmicas, frequentemente baseadas em baterias fortes, linhas de grave densas e samples que privilegiam o groove acima da ornamentação, seguindo as bases do boom bap. No entanto, o maior problema é que os flows do Phife parecem não se encaixar nessas beats. O repertório é mediano, com algumas canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum irregular e impreciso. 

Melhores Faixas: Flawless, Beats, Rhymes & Phife, D.R.U.G.S. 
Piores Faixas: Ventilation, The Club Hoppa, Miscellaneous

Forever – Phife Dawg





















NOTA: 8,6/10


No ano de 2022, foi lançado o tão aguardado 2º e último álbum solo do Phife Dawg, o Forever. Após Ventilation: Da LP, esse disco nasceu de sessões que Phife vinha desenvolvendo antes de falecer e foi finalizado com a participação decisiva de colaboradores próximos, especialmente Dion Liverpool (DJ Rasta Root), além do apoio de sua família e de parceiros criativos que procuraram preservar sua visão original. A produção é bastante diversificada, contando não só com Rasta Root, mas também com 9th Wonder, Nottz, entre outros, que trazem batidas orgânicas, cheias de swing, frequentemente mais suaves do que agressivas. Há graves profundos, baterias com balanço, texturas Soul, samples muito bem integrados e arranjos que respiram, dialogando com os flows precisos do Phife, que se encaixam no Jazz Rap, Boom Bap e Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e profundas. No geral, é um ótimo álbum póstumo e bastante respeitoso. 

Melhores Faixas: Nutshell Pt. 2 (Redman e Busta Rhymes mandaram bem), Dear Dilla (Reprise), Wow Factor, Forever 
Vale a Pena Ouvir: God Send, French Kiss Trois (Redman marcando presença mais uma vez), Fallback

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Analisando Discografias - Q-Tip

                 

Amplified – Q-Tip





















NOTA: 8,2/10


Em 1999, Q-Tip lançava seu 1º álbum solo, intitulado Amplified, que seguia uma abordagem contemporânea. Após o lançamento do The Love Movement com A Tribe, o grupo encerrou suas atividades, e o rapper acabou assinando com a Arista Records, optando por dialogar diretamente com a modernidade de seu tempo. Em vez de entregar um trabalho com a vibe dos álbuns de seu antigo grupo, aqui ele segue um caminho mais sensual, futurista, por vezes debochado, bastante focado em grooves e texturas eletrônicas. A produção, feita pelo rapper junto com J Dilla e DJ Scratch, vai por um caminho mais comercial, em que os beats são bem orgânicos e os graves são espessos. Os sintetizadores frequentemente aparecem como névoas líquidas ou linhas elásticas, nunca como ornamentação gratuita, reunindo assim Boom Bap e R&B. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e variadas. Enfim, é um ótimo disco e que é criminosamente menosprezado. 

Melhores Faixas: Let’s Ride, Vivrant Thing, All In 
Vale a Pena Ouvir: N.T., Breathe And Stop, Things U Do

The Renaissance – Q-Tip





















NOTA: 9,6/10


Então se passaram nove anos para que Q-Tip lançasse seu fenomenal 2º álbum, o The Renaissance. Após o Amplified, o rapper havia gravado, no início dos anos 2000, um outro álbum, que foi rejeitado pela gravadora por soar pouco comercial, sendo então engavetado, um episódio que acabou se tornando quase mitológico na trajetória do artista. Com este novo disco, há a sensação de um artista que retorna após anos de fricção institucional e reafirma sua autonomia estética. A produção, conduzida por Tip e ainda contando com a presença do J Dilla, traz beats orgânicos, com linhas de baixo vivas, baterias com swing orgânico, pianos, guitarras sutis, texturas elétricas e referências de Soul, Jazz e Funk, em bases que vão do Boom Bap ao Neo-Soul e dialogam com os flows elegantes do rapper. O repertório é sensacional, e as canções são todas profundas. Enfim, é um disco incrível e um clássico. 

Melhores Faixas: Won’t Trade, Gettin' Up, Johnny Is Dead, Believe (D’Angelo marcando presença), Life Is Better (bela feat da Norah Jones), We Fight/We Love 
Vale a Pena Ouvir: Shaka, Move, You

Kamaal The Abstract – Q-Tip






















NOTA: 7/10


Se passou um ano, e foi lançado o 3º e último álbum até então, o já conhecido Kamaal the Abstract. Após o The Renaissance, esse disco permaneceu oficialmente engavetado por anos, tornando-se quase uma obra fantasma, conhecida, comentada, circulando em lendas e vazamentos, mas ausente do catálogo formal. Mas, quando o contrato de Q-Tip com a Arista Records se encerrou, ele decidiu enfim lançar esse projeto pelo selo da gravadora Battery. A produção, obviamente feita por ele mesmo, trabalha com arranjos vivos, ou seja, baixos sinuosos, teclados elétricos, baterias orgânicas, camadas harmônicas densas e linhas melódicas em movimento. Mostra muitas influências do Jazz Fusion, mas dialoga ainda mais com o Neo-Soul, com Tip alternando entre rimas e cantos, embora muita coisa pareça soar deslocada. O repertório é legal, com canções interessantes e outras mais fraquinhas. No fim, é um trabalho bom, mas apresenta falhas. 

Melhores Faixas: Feelin’, Do You Dig U?, Abstractionisms, Barely In Love 
Piores Faixas: Heels, Caring, Even If It Is So


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - A Tribe Called Quest: Parte 2

                 

Beats, Rhymes And Life – A Tribe Called Quest





















NOTA: 9,4/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do A Tribe, intitulado Beats, Rhymes and Life. Após o Midnight Marauders, este disco nasce em meio a tensões internas, transformações estéticas no Hip-Hop e mudanças profundas no próprio funcionamento do grupo. Além disso, os conflitos internos estavam presentes: Q-Tip e Phife Dawg já não tinham a mesma naturalidade dos discos anteriores, e isso repercute no álbum de forma perceptível. A produção, feita pelo grupo agora com o auxílio da lenda J Dilla e um pequeno pitaco do Rashad Smith, caminha para um som mais pesado e fragmentado, em que os beats são secos e as baterias começam a adquirir um balanço menos previsível. Os grooves são mais oblíquos. Há uma sensação de instabilidade produtiva, no melhor sentido. O repertório é incrível, e as canções ficaram mais imersivas, com uma pegada atmosférica. Enfim, é um belo disco e, de certo modo, bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Phony Rappers, Stressed Out (feat da Faith Evans), Get A Hold, The Hop, 1nce Again, Word Play, The Pressure, Crew 
Vale a Pena Ouvir: Keeping It Moving, Mind Power, Jam

The Love Movement – A Tribe Called Quest





















NOTA: 8,5/10


E em 1998, foi lançado o 5º álbum do A Tribe Called Quest, o derradeiro The Love Movement. Após o Beats, Rhymes and Life, que já carregava sinais de desgaste interno, este disco nasce praticamente sob a sombra da dissolução. A relação entre Q-Tip e Phife Dawg estava tensionada; os integrantes viviam trajetórias criativas e pessoais cada vez menos convergentes, sendo este trabalho concebido, em grande medida, com a percepção de que poderia ser o encerramento da história do grupo. A produção foi feita pelo grupo junto com J Dilla, seguindo um caminho mais refinado e polido, com forte presença de samples de Soul, texturas quentes e grooves discretamente sofisticados. Os beats minimalistas muitas vezes não buscam impacto imediato, mas sim permanência atmosférica. Apesar disso, muitos elementos não conseguem funcionar. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e algumas mais fracas. No fim, é um disco bom, mas o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Find A Way, Busta's Lament, Common Ground (Get It Goin' On), Like It Like That, The Love, Rock Rock Y'all (ótima feat do Mos Def) 
Piores Faixas: Against The World, 4 Moms, His Name Is Mutty Ranks, Hot 4 U

We Got It From Here... Thank You 4 Your Service – A Tribe Called Quest





















NOTA: 9,9/10


Então chegamos a 2016, quando foi lançado o último álbum sensacional do A Tribe, o We Got It from Here... Thank You 4 Your Service. Após o The Love Movement, o grupo acabou se separando, e cada um seguiu trajetória solo, até que, em 2015, retornaram para preparar um trabalho final. Só que, na metade das gravações, Phife Dawg veio a falecer por conta de sua longa batalha contra a diabetes, em março de 2016, transformando essa obra, em uma despedida póstuma e em afirmação coletiva de continuidade. A produção, feita pelo grupo junto com Blair Wells, é bem mais densa, com elementos de grooves orgânicos, baixos marcantes, construção rítmica sofisticada e beats bastante variados, dialogando com o Jazz Rap moderno, mas também com influências do Boom Bap e da psicodelia. O repertório é espetacular, e as canções são cheias de críticas sociais e políticas. No fim de tudo, é um belo disco de despedida, que evoca um forte sentimento nostálgico. 

Melhores Faixas: The Space Program, We The People..., Solid Wall Of Sound (que feat louca com Busta Rhymes, Jack White e Elton John), Dis Generation (outra feat do Busta Rhymes), Conrad Tokyo (baita feat do Kendrick Lamar), The Killing Season (bela feat do Talib Kweli e do Kanye West), Lost Somebody, Whateva Will Be 
Vale a Pena Ouvir: The Donald, Mobius (de novo Busta aqui), Movin Backwards (Anderson .Paak mandou bem), Kids... (ótima feat do André 3000)


Review: Baggy Pants Music do Medekine

                      Baggy Pants Music – Medekine NOTA: 8/10 No ano passado, o Medekine lançou seu álbum de estreia, intitulado Baggy Pants...