quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Analisando Discografias - The Kooks

                 

Inside In / Inside Out – The Kooks





















NOTA: 8,4/10


No começo de 2006, surgia o álbum de estreia do The Kooks, o Inside In / Inside Out. Formado em 2004, na cidade de Brighton, na Inglaterra, por Luke Pritchard (vocais e guitarras), Hugh Harris (guitarras), Max Rafferty (baixo) e Paul Garred (bateria), eles surgem com uma proposta simples: canções curtas, guitarras marcantes, refrões fáceis de memorizar e uma postura mais descontraída, sem tentar parecer uma banda excessivamente sofisticada, o que levou a banda a assinar com a Virgin Records. A produção, feita por Tony Hoffer, colocou um som limpo, mas que consegue preservar aquela energia do ao vivo, com guitarras que possuem momentos agressivos e linhas melódicas, enquanto a cozinha rítmica é bem eficiente. Os vocais do Luke são bem energéticos e possuem aquele caráter juvenil, dialogando com o Indie Rock e um pouco do Britpop. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No geral, é um ótimo disco de estreia de uma banda promissora. 

Melhores Faixas: She Moves In Her Own Way, Naive, Match Box, Sofa Song, Ooh Lah, Jackie Big Tits 
Vale a Pena Ouvir: Seaside, Got No Love, See The World

Konk – The Kooks





















NOTA: 3,5/10


Dois anos se passaram, e foi lançado um novo álbum do The Kooks, intitulado Konk. Após o Inside In / Inside Out, a intenção deles foi ampliar essa sonoridade e fazer algo mais ambicioso, com músicas mais trabalhadas e uma presença maior de elementos pop. Só que foi aí que começaram os problemas internos da banda, já que, por conta dessa guinada em direção a um som mais comercial, eles começaram a entrar em várias brigas. A produção, feita mais uma vez por Tony Hoffer, colocou um som bem mais polido e feito para as rádios, seguindo uma linha que equilibra Indie Rock com Pop Rock. As guitarras ficaram cheias de camadas e com uma sonoridade mais trabalhada. O baixo e a bateria funcionam de maneira simplista, e os vocais do Luke seguiram a mesma abordagem juvenil. Com isso, tudo soa repetitivo e beira o tédio. O repertório é muito ruim; tem canções legais, mas a maioria é muito medíocre. Enfim, é um álbum fraco e muito sem alma. 

Melhores Faixas: Always Where I Need To Be, Do You Wanna, Down To The Market, Shine On 
Piores Faixas: Mr. Maker, Love It All, Sway, Gap, Tick Of Time

Junk Of The Heart – The Kooks





















NOTA: 3/10


Em 2011, eles voltaram lançando seu 3º álbum, o Junk Of The Heart, em um momento de mudanças. Após o Konk, Max Rafferty ficou completamente insatisfeito e acabou saindo, entrando um novo baixista, Peter Denton. Fora que eles já estavam enfrentando desgaste de turnês e dificuldades para encontrar uma direção para as novas composições. A intenção era fazer um álbum que seguisse aquela abordagem Pop, só que experimentando coisas diferentes. A produção foi relativamente a mesma, só que agora dando mais espaço para instrumentos e texturas diferentes. As guitarras ainda têm presença, só que agora elas convivem com sintetizadores brilhantes, arranjos de cordas e percussões. Fora a cozinha rítmica, que continua sustentando tudo. Enfim, eles acabaram dominados pela síndrome dos Strokes, completamente monótonos. O repertório é ruim, tem canções chatinhas e poucas realmente interessantes. No fim, é outro álbum péssimo e tedioso. 

Melhores Faixas: Taking Pictures Of You, Eskimo Kiss, Is It Me 
Piores Faixas: Petulia, Runaway, Junk Of The Heart (Happy), Rosie, Time Above The Earth

Listen – The Kooks





















NOTA: 5/10


Três anos se passaram, e eles voltaram lançando mais um novo álbum, o Listen, que tentou ser mais híbrido. Após o Junk Of The Heart, o baterista Paul Garred acabou saindo da banda e, no seu lugar, entrou Alexis Nunez. Para esse novo trabalho, eles quiseram fazer um som mais aberto, permitindo que batidas, sintetizadores, programação, influências do Gospel, R&B, música eletrônica e elementos do Hip-Hop entrassem na estrutura das canções. A produção, feita dessa vez pelo Inflo, acabou sendo mais ampla, com as guitarras servindo mais como textura e uma predominância maior da bateria, que ganhou mais presença, enquanto os sintetizadores são usados para colocar um toque brilhante nos arranjos. Mas tudo soa como uma cópia da abordagem adotada pelo Arctic Monkeys, só que totalmente sem alma. O repertório é mediano, tem canções legais e outras muito genéricas. No fim, é um álbum irregular e que acabou ficando muito sem forma. 

Melhores Faixas: Sweet Emotion, Around Town, Bad Habit 
Piores Faixas: Are We Electric, See Me Now, Down

Let's Go Sunshine – The Kooks





















NOTA: 3/10


No ano de 2018, eles voltaram lançando seu novo álbum, intitulado Let's Go Sunshine. Após o Listen, eles passaram operar de forma independente e, com isso, tentaram fazer um álbum que fosse uma tentativa de retorno às raízes, com Luke Pritchard buscando escrever material mais forte e mais pessoal, trabalhando bastante com temas como amor, insegurança, amadurecimento, lembranças e a tentativa de encontrar alguma forma de felicidade em meio às dificuldades. A produção, feita pela própria banda, seguiu uma abordagem mais orgânica, só que mantendo aquela sonoridade limpa característica. As guitarras voltaram a ter mais presença, com timbres amplos, o baixo possui linhas melódicas e a bateria ganhou um pouquinho mais de peso, só que, novamente, tudo soa muito monótono e acaba sendo apenas mais um álbum qualquer de Indie Rock. O repertório é muito ruim, tendo canções chatinhas e poucas realmente interessantes. Mas, enfim, é outro disco péssimo da banda. 

Melhores Faixas: Fractured And Dazed, Chicken Bone, Swing Low 
Piores Faixas: All The Time, Believe, Pamela, Kids, Weight Of The World, Honey Bee, Picture Frame

10 Tracks To Echo In The Dark – The Kooks





















NOTA: 1/10


No ano de 2022, eles retornaram lançando mais um trabalho novo, o 10 Tracks To Echo In The Dark (capa à la Imagine Dragons). Após o Let’s Go Sunshine, o baixista Peter Denton acabou saindo da banda e, com isso, The Kooks passou a ser um power trio, com Hugh Harris assumindo também a função de baixista. Nesse novo álbum, eles quiseram fazer algo mais urbano e eletrônico, mas, ao mesmo tempo, existe uma preocupação constante com a conexão humana. A produção, feita por Tobias Kuhn junto com a banda, deixou um som extremamente polido e moderno, com as guitarras voltando a dar espaço para os sintetizadores e as baterias eletrônicas, que colocam aquela abordagem do Synth-pop e Pop Rock oitentista. Os vocais do Luke ficaram cheios de efeitos e harmonizações, só que tudo é extremamente malfeito e reciclado. O repertório é tenebroso, com canções insuportáveis e sem alma. No fim, é um álbum terrível e um dos piores da banda. 

Melhores Faixas: (............) 
Piores Faixas: Oasis, Without A Doubt, Beautiful World, Closer, Cold Heart

Never/Know – The Kooks





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos em 2025, quando foi lançado o 7º e mais recente álbum do The Kooks, o Never/Know. Após o péssimo 10 Tracks To Echo In The Dark, Luke Pritchard e sua trupe decidiram fazer justamente o movimento contrário: parar de perseguir uma sonoridade “atual” e voltar a pensar naquilo que fazia a banda funcionar. Só que, em vez da ansiedade juvenil dos primeiros discos, há uma espécie de gratidão madura. A produção feita pelo próprio Luke, que ainda fez uma junção do Pop Rock com aquela pegada mais Indie Pop. As guitarras voltaram a ter presença, com riffs bem mais secos, o baixo voltou a ter linhas melódicas que sustentam o movimento e a bateria relativamente econômica consegue colocar aquele groove. Mas, de novo, tudo é muito repetitivo, com eles imitando uma abordagem que já fizeram antes. O repertório é muito ruim, tendo canções excessivamente melosas, com poucas realmente legais. Em suma, é um álbum terrível de uma banda que nunca amadureceu. 

Melhores Faixas: All Over The World, Compass Will Fracture 
Piores Faixas: Arrow Through Me, China Town, Let You Go, Tough At The Top

                                                                                        É isso, então flw!!!          

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Cut Copy

                 

Bright Like Neon Love – Cut Copy



















NOTA: 8,8/10


Em 2004, o Cut Copy lançava seu álbum de estreia, o ambicioso Bright Like Neon Love. Formado em 2001, em Melbourne, na Austrália, por Dan Whitford (vocais, guitarras e teclados), Tim Hoey (guitarras e samplers), Mitchell Scott (bateria) e Bennett Foddy (baixo), o grupo decidiu fazer um trabalho que juntasse uma atmosfera mais íntima, juvenil, experimental e até um pouco desajeitada, sendo um equilíbrio entre um álbum feito sozinho e outro de uma banda tradicional. Produzido pelo próprio Dan Whitford e lançado pelo selo Modular, apresenta um som extremamente híbrido: sintetizadores e drum machines formam a base, mas instrumentos tradicionais entram constantemente para impedir que tudo pareça excessivamente eletrônico. O resultado faz uma junção do Electropop e Synth-pop com traços do Indietronica e Dance alternativo. O repertório é belíssimo, e as canções são bem divertidas e imersivas. No fim, é um ótimo disco que mostrou um caminho promissor. 

Melhores Faixas: Future, Time Stands Still, Going Nowhere, Bright Neon Payphone, Autobahn Music Box Vale a Pena Ouvir: The Twilight, That Was Just A Dream
Vale a Pena Ouvir: Heaven & Hell, Can It Be All So Simple (Remix), Ice Water

In Ghosts Colour – Cut /// Copy




















NOTA: 9,2/10


Quatro anos se passaram, e o Cut Copy lançava seu 2º álbum, o In Ghost Colours. Após o Bright Like Neon Love, o grupo já tinha passado pela experiência de tocar ao vivo, viajar e transformar aquelas construções eletrônicas em uma apresentação de banda, e isso ajudou a ampliar bastante sua concepção musical. Com isso, passou a tratar a música eletrônica como uma linguagem que poderia absorver guitarras, psicodelia, música Pop e elementos dançantes sem precisar escolher apenas um desses caminhos. A produção foi feita pela banda junto com Tim Goldsworthy, que colocaram o som bem mais sofisticado. Os sintetizadores possuem diferentes frequências, as guitarras são texturizadas, as linhas de baixo são bem melódicas e a bateria possui batidas firmes, enquanto os vocais do Dan são bem discretos e contam com efeitos bem colocados. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um belo disco e uma verdadeira evolução. 

Melhores Faixas: Lights And Music, Hearts On Fire, Strangers In The Wind, Feel The Love, Nobody Lost, Nobody Found, Out There On The Ice, So Haunted 
Vale a Pena Ouvir: Unforgettable Season, Eternity One Night Only

Zonoscope – Cut/Copy





















NOTA: 8,3/10


Em 2011, o Cut Copy volta com um novo álbum, o Zonoscope, que trouxe algumas mudanças. Após o In Ghost Colours, a banda tinha se estabilizado com a entrada do baixista Ben Browning, que entrou no lugar do Bennett Foddy, que se tornou designer de games. Para esse álbum, eles decidiram manter a capacidade melódica que tornou o grupo tão acessível, mas reduziram bastante a importância das guitarras e daquele componente Indie. A produção do Dan Whitford foi mais expansiva e eletrônica, tendo uma preocupação muito maior com a construção de atmosfera, textura e dinâmica de longo prazo. Os sintetizadores são brilhantes, tendo linhas pulsantes e pads atmosféricos, enquanto a bateria eletrônica possui batidas precisas. As guitarras e os baixos são mais discretos, focando mais na abordagem do Synth-pop tradicional. O repertório é muito legal, e as canções ficaram bem mais envolventes. Enfim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Need You Now, Take Me Over, Hanging Onto Every Heartbeat, Blink And You'll Miss A Revolution 
Vale a Pena Ouvir: Alisa, Strange Nostalgia For The Future, Corner Of The Sky

Free Your Mind – Cut / Copy





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, o Cut Copy lança mais um álbum novo, intitulado Free Your Mind. Após o Zonoscope, eles decidiram fazer um projeto mais voltado para a cultura de pista e para o espírito psicodélico associado ao final dos anos 60 e, principalmente, à segunda onda da chamada “Summer of Love”, no final dos anos 80. Passando a trabalhar com uma ideia de liberdade, euforia, comunidade, dança e escapismo. A produção foi extremamente colorida e expansiva, com eles entrando de cabeça no Electropop e no Dance alternativo, com elementos da House music, do Pop psicodélico e do Baggy. As batidas são fortes, os baixos possuem bastante presença e os sintetizadores aparecem com enorme quantidade de brilho. Os vocais do Dan continuam discretos, mas também há a implementação de vocais adicionais, o que cria uma sensação colaborativa. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e energéticas. No fim, é um belo disco e bem detalhado. 

Melhores Faixas: Free Your Mind, Footsteps, In Memory Capsule, Meet Me In A House Of Love, Take Me Higher, Walking In The Sky 
Vale a Pena Ouvir: Let Me Show You Love, Dark Corners & Mountain Tops

Haiku From Zero – Cut Copy





















NOTA: 8/10


No ano de 2017, foi lançado mais um álbum do Cut Copy, o cintilante Haiku From Zero. Após o Free Your Mind, o grupo tinha saído da Modular Records e assinado com a Astralwerks Records. Para esse novo trabalho, eles não abandonam a pista de dança. A diferença é que a euforia agora aparece acompanhada por uma sensação muito maior de ansiedade, nostalgia e incerteza. O próprio conceito faz parte dessa tentativa de encontrar alguma beleza ou poesia em meio ao excesso de informações do mundo contemporâneo. A produção feita, como sempre, por Dan, junto com Ben H. Allen, foram para um som mais limpo, com os sintetizadores possuindo timbres nervosos, as guitarras trazendo aquele movimento, enquanto o baixo e a bateria possuem grooves marcantes, dialogando mais com o Electropop e com traços do Nu-Disco. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais suaves. Enfim, é um disco bacana e que tem sua coesão. 

Melhores Faixas: Black Rainbows, Memories We Share, No Fixed Destination 
Vale a Pena Ouvir: Living Upside Down, Standing In The Middle Of The Field

Freeze, Melt – Cut Copy





















NOTA: 8,2/10


Em 2020, a banda retorna com seu 6º álbum de estúdio, o aquático Freeze, Melt. Após o Haiku From Zero, o Cut Copy voltou a ser independente e passou a trabalhar com silêncio, espaço e contemplação. Nesse período, Dan Whitford estava vivendo em Copenhague e desenvolvendo ideias durante um período mais introspectivo. Essa mudança não acontece simplesmente porque a banda queria fazer um álbum “calmo”, já que há um conceito que aborda isolamento, passagem do tempo, natureza e a sensação de distanciamento do mundo. A produção foi bem mais minimalista, com os sintetizadores utilizados de maneira muito mais discreta. Eles aparecem como pequenas linhas melódicas, drones e texturas atmosféricas. Enquanto isso, as baterias eletrônicas são mais simples, e as guitarras são econômicas, criando assim um equilíbrio entre o Synth-pop, o Ambient Pop e o Chillwave. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem aconchegantes. No geral, é um disco bacana e muito experimental. 

Melhores Faixas: Cold Water, Running In The Grass, Like Breaking Glass 
Vale a Pena Ouvir: Love Is All We Share, A Perfect Day

Moments – Cut Copy





















NOTA: 7,2/10


Em 2025, foi lançado o mais recente álbum do Cut Copy, o Moments, que foi um pouco mais modernizado. Após o Freeze, Melt, Dan Whitford começou a acumular uma quantidade enorme de demos durante os anos seguintes ao isolamento provocado pela pandemia. O disco preserva a tranquilidade do trabalho anterior, mas recupera algumas das melodias Pop e dos grooves que fizeram parte da identidade da banda. A diferença é que tudo aparece de maneira muito mais suave e adulta. A produção foi bem mais limpa e que tenta ser grandiosa. Os sintetizadores criam verdadeiras paisagens sonoras, a bateria eletrônica é mais econômica, ficando muito monótono, enquanto os baixos e as guitarras conseguem sustentar aquele groove. Além disso, os vocais processados funcionam bem, fazendo um equilíbrio entre o Synth-pop e o Dance alternativo. O repertório é legal, tem canções divertidas e outras sem graça. Em suma, é um trabalho bom, mas que é o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Solid, Belong To You, Gravity, Children Of Fairlight 
Piores Faixas: When This Is Over, Still See Love

                                                                                                Bom é isso e flw!!!        

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Prince: Parte 2

                   

Chaos And Disorder – Prince





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, o Prince lançava mais um trabalho novo, o Chaos and Disorder. Após o The Gold Experience, a Warner Bros. tinha atrasado o lançamento deste álbum, e Prince, completamente revoltado, começou a fazer aparições públicas com a palavra “escravo” escrita em seu rosto. Então, este projeto seria praticamente o último a sair pela gravadora, além de que ele já tinha mandado outro (só que esse será comentado mais tarde). Aqui, o cantor decidiu fazer um álbum bem mais puxado para o Rock e sendo muito direto. Produzido pelo próprio Prince, traz um som limpo, mas não totalmente polido, dialogando com o Hard Rock e o Funk Rock. As guitarras voltaram a ficar no centro, mostrando a habilidade de Prince, que entregou riffs secos e solos espontâneos. A cozinha rítmica cria um groove sólido, e os teclados servem mais como textura. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. No geral, é um disco bacana e que foi muito injustiçado. 

Melhores Faixas: I Like It There, Into The Light 
Vale a Pena Ouvir: The Same December, I Rock, Therefore I Am, Chaos And Disorder

Emancipation – Prince





















NOTA: 8,7/10


Chegando em 1996, o cantor volta lançando um novo disco, intitulado Emancipation. Após o Chaos and Disorder, Prince finalmente tinha saído das garras da Warner, e agora decidiu fazer um álbum que surgia como uma declaração de independência artística. Fazendo um álbum triplo que contém 36 faixas, mas que é extremamente bem amarrado e mostra ele passando por vários estilos, com alguns deles sendo descritos pela indústria musical como ultrapassados. A produção foi bem organizada e traz um som elegante e refinado; com isso, temos uma junção de R&B contemporâneo com Rap, New Jack Swing, Pop Rock, Funk, Soul, entre outros. A instrumentação é muito bem estabelecida, dando um caráter orgânico à obra, enquanto a programação eletrônica e os sintetizadores deixam uma atmosfera moderna e quase experimental. O repertório é muito bom, e todas as faixas são muito legais. No fim, é um belo disco e muito bem organizado, mesmo sendo difícil. 

Melhores Faixas: Jam Of The Year, Betcha By Golly Wow, The Holy River, White Mansion, My Computer, I Can't Make U Love Me, The Love We Make, Emale 
Vale a Pena Ouvir: Right Back Here In My Arms, Sex In The Summer, White Mansion

Crystal Ball – Prince





















NOTA: 8/10


Se passaram dois anos para Prince lançar mais um álbum, desta vez quádruplo, o Crystal Ball. Após o Emancipation, esse projeto foi uma verdadeira reunião do material que ele havia acumulado durante diferentes fases de sua carreira, principalmente músicas que tinham sido deixadas de fora de projetos anteriores, faixas que permaneceram inéditas por anos e algumas gravações mais recentes. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio Prince, só que é extremamente variada e explora várias facetas, desde R&B, Dance-Pop, New Jack Swing e Funk até alguns momentos de Pop Rock. Contando em sua maioria com programação eletrônica e sintetizadores, colocando aquela sensação mecânica que ajuda a conduzir o groove do baixo e da bateria. Além das guitarras, que conseguem botar um certo peso, seus vocais são bastante variados. O repertório é bem legal, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana, mas não é para qualquer um. 

Melhores Faixas: Crucial, Last Heart, Calhoun Square, So Dark, Welcome 2 the Dawn 
Vale a Pena Ouvir: Sexual Suicide, Fascination, Last Heart, Tell Me How U Wanna B Done

The Vault ... Old Friends 4 Sale – Prince





















NOTA: 8,2/10


Em 1999, Prince lançou aquele álbum que ele havia mandado para sua antiga gravadora, o The Vault... Old Friends 4 Sale. Após o Crystal Ball, o cantor já estava trabalhando de forma independente pela sua gravadora NPG Records, que tinha firmado uma parceria temporária com a EMI. Só que, nesse ano, a Warner Bros. decidiu enfim lançar um álbum que Prince já havia entregado para eles no período de Chaos and Disorder. Esse trabalho em si tem uma atmosfera noturna e elegante. A produção seguiu um caminho mais refinado e orgânico, já que você tem uma junção do R&B, Jazz e Soul. As linhas de baixo são bem melódicas, enquanto a presença de metais e instrumentos de sopro deixa uma atmosfera que lembra Jazz-Funk. As guitarras ficaram mais discretas, e a bateria cria um groove profundo, mantendo os vocais de Prince no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem relaxantes e envolventes. Enfim, é um ótimo álbum e muito subestimado. 

Melhores Faixas: When The Lights Go Down, It's About That Walk 
Vale a Pena Ouvir: There Is Lonely, 5 Women

Rave Un2 The Joy Fantastic – Prince





















NOTA: 3,5/10


Naquele mesmo ano, o Prince lançou mais um trabalho novo, o Rave Un2 The Joy Fantastic. Após o The Vault ... Old Friends 4 Sale, esse novo projeto representa uma tentativa mais direta de voltar ao grande público através de um álbum Pop sofisticado, acessível e cheio de convidados. Só que a indústria havia mudado, o Rap havia se tornado ainda mais dominante e o R&B contemporâneo estava muito mais próximo do Pop, e ele sabia disso muito bem. Produção foi bem mais polida e acessível, colocando um som colorido e muito mais abrangente. Os metais possuem papel importante em determinados momentos, aproximando algumas músicas do Funk tradicional. Em outras, os sintetizadores e a programação dominam completamente o arranjo. Mas, o problema é que muito bagunçado uma hora tem Rap, outra hora um R&B genérico, ficando sem imersão. O repertório é ruim, tem canções legais e outras sem graça. No fim, é um álbum fraco e que não funcionou. 

Melhores Faixas: The Greatest Romance Ever Sold, I Love U, But I Don't Trust U Anymore, Everyday Is A Winding Road, Silly Game 
Piores Faixas: Tangerine, Wherever U Go, Whatever U Do, Strange But True, Man'O'War, Baby Knows, The Sun, The Moon And Stars

Musicology – Prince





















NOTA: 8,5/10


Em 2003, foi lançado mais um trabalho novo de Prince, o Musicology, em um momento estável. Após o Rave Un2 the Joy Fantastic, o cantor tinha formado uma parceria com a Sony Music, e entra nos anos 2000 com uma postura diferente: em vez de tentar provar que podia produzir mais música do que qualquer outro artista, passa a concentrar sua atenção em construir um álbum mais compacto, mais acessível e baseado principalmente em Funk, Soul, R&B, Pop e Rock. A produção segue um som bem mais limpo, só que não excessivamente esterilizado. O baixo possui presença, a bateria tem peso e os metais são utilizados como elementos rítmicos e melódicos. Os vocais também são cuidadosamente empilhados, principalmente nas músicas românticas, criando aquelas harmonias características do cantor, o que dialoga muito com o Neo-Soul. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. Enfim, é um ótimo álbum e muito consistente. 

Melhores Faixas: Musicology, Call My Name, What Do U Want Me 2 Do?, Cinnamon Girl 
Vale a Pena Ouvir: On The Couch, Dead Mr. Man, Life 'O' The Party

3121 – Prince





















NOTA: 8,6/10


Dois anos se passaram, e Prince voltou com um novo disco, o 3121, que foi ainda mais exuberante. Após o Musicology, ele estava muito mais confortável dentro dessa nova fase. Esse título está associado à casa que Prince alugava em Los Angeles, chamada “3121”, que também funcionava como espaço de festas e sessões musicais. Aqui, ele decidiu pegar tudo que fez anteriormente e fazer algo mais eletrônico, sensual e futurista. A produção seguiu um caminho limpo e moderno, contando com sintetizadores e baterias eletrônicas que colocam um groove dinâmico; os baixos e as guitarras sustentam a maioria dos ritmos, enquanto a bateria tradicional tem aquele som orgânico, e a presença de metais e instrumentos de sopro deixa um toque refinado, além do uso de vocais processados que deixam uma estética contemporânea. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes e energéticas. Enfim, é outro disco muito legal e consistente. 

Melhores Faixas: Black Sweat, Get On The Boat, The Word, Fury 
Vale a Pena Ouvir: 3121, Incense And Candle, Beautiful, Loved And Blessed

Planet Earth – Prince





















NOTA: 8/10


No ano de 2007, foi lançado outro trabalho do Prince, o Planet Earth, que foi mais orgânico. Após 3121, o cantor decidiu fazer um trabalho que fosse menos preocupado em construir um conceito fechado e mais interessado em mostrar a amplitude de suas composições. Em vez de simplesmente seguir as regras da indústria, ele continuava procurando maneiras próprias de apresentar sua música. A produção foi bastante refinada e eclética, juntando os dois mundos do Funk e do Pop Rock. Além disso, os músicos de apoio, alguns vindos da fase do Revolution e outros do New Power Generation, ajudam a construir o disco; com isso, temos uma bateria que entrega peso e organicidade, as linhas de baixo sustentam os grooves, as guitarras e os teclados servem mais como textura, e os metais também são utilizados com bastante inteligência. O repertório é muito legal, e as canções são todas bem suaves e cadenciadas. Enfim, é um trabalho muito interessante e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Somewhere Here On Earth, Lion Of Judah 
Vale a Pena Ouvir: Guitar, Planet Earth, Chelsea Rodgers, All The Midnights In The World

Art Official Age – Prince





















NOTA: 5/10


Em 2014, Prince voltou lançando, o Art Official Age, que teve um contexto curioso. Após o Planet Earth, esse projeto foi, como sempre, lançado pelo selo da NPG, só que, em vez de ser distribuído por uma Sony ou Columbia, foi pela Warner Bros., já que naquele ano aconteceu um acordo em que o cantor voltou a ser dono de suas gravações master, enquanto a gravadora teria direito de licenciar e lançar o material globalmente. Para esse álbum, ele decidiu juntar a modernidade com seu estilo característico. A produção, feita pelo cantor junto com Joshua Welton, seguiu um caminho limpo, criando uma sonoridade que combina elementos orgânicos com uma quantidade considerável de manipulação eletrônica. O destaque é o uso de cordas, que aumenta a dimensão cinematográfica de determinadas músicas, mas, no geral, é bem mais do mesmo. O repertório é fraquíssimo, tendo canções legais e outras genéricas. No fim, é um álbum mediano, que precisava de algo a mais. 

Melhores Faixas: This Could Be Us, Funknroll, Breakdown 
Piores Faixas: Way Back Home, Art Official Cage, The Gold Standard

HITnRUN Phase One – Prince





















NOTA: 8/10


Indo para o ano de 2015, Prince lançava o HITnRUN Phase One, que foi mais comercial. Após o Art Official Age, o cantor não quis abandonar aquela aproximação com sintetizadores, programação, R&B contemporâneo e estética futurista, mas levou essas características para um terreno muito mais agressivo, acelerado e orientado para a pista. A produção foi mais polida, só que, como dito anteriormente, feita para as pistas de dança, já que temos baterias programadas que possuem impacto seco e bastante compressão, os graves são fortes, os sintetizadores aparecem em camadas densas e os efeitos eletrônicos são utilizados não apenas como decoração, mas como elementos fundamentais da música. Enquanto os vocais de Prince, mesmo com o uso de processamento, conseguem funcionar muito bem em momentos puxados para o Dance-Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e fluidas. No geral, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: FALLINLOVE2NITE, LIKE A MACK 
Vale a Pena Ouvir: THIS COULD B US, JUNE, AIN'T ABOUT 2 STOP

HITnRUN Phase Two – Prince





















NOTA: 8,7/10


E aí, no fim daquele ano, foi lançado HITnRUN Phase Two, que seguiu uma estética mais nostálgica. Após o Phase One, que representou um lado mais eletrônico de sua produção, o segundo representa o lado mais orgânico, funky e tradicional. Isso dá ao conjunto dos dois álbuns uma lógica interessante: primeiro, Prince mergulha na tecnologia; depois, volta aos instrumentos, grooves e estruturas que remetem diretamente a diferentes momentos de sua carreira. A produção foi bem mais orgânica, contando muito mais com um baixo presente, uma bateria sem efeitos excessivos e que conduz o groove, além de teclados ocupando espaços naturais nos arranjos. As guitarras possuem maior definição, e os vocais de Prince são carregados de emoção, com uso de falsetes quando necessário, cruzando, assim, Funk, Pop Soul e R&B contemporâneo. O repertório é muito legal, e as canções são bem envolventes e suaves. No fim, é um belo disco, antes de ele nos deixar no ano seguinte. 

Melhores Faixas: Baltimore, Stare, Look At Me, Look At U, Revelation, Xtralovable 
Vale a Pena Ouvir: Groovy Potential, Rocknroll Loveaffair, Big City

Welcome 2 America – Prince





















NOTA: 8/10


Em 2021, foi lançado o que realmente foi o 1º trabalho póstumo do Prince, o Welcome 2 America. Após o HITnRUN Phase Two, infelizmente, no dia 21 de abril de 2016, o cantor acabou falecendo devido a uma overdose acidental do opioide fentanil. Depois de sua morte, muito de seu material acabou sendo reorganizado, com este surgindo de uma gravação feita no início de 2010. Nela, Prince estava profundamente interessado em discutir os Estados Unidos, a transformação tecnológica da sociedade, a política e o avanço da tecnologia. A produção foi bastante orgânica, sem abandonar completamente os recursos eletrônicos. A base rítmica formada por baixo e bateria é extremamente sólida, contendo um groove que possui movimento e dinâmica. Além disso, as guitarras são nítidas, os teclados são constantes e os vocais do Prince são bem expressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas. No geral, é um disco bacana e intrigante ao mesmo tempo. 

Melhores Faixas: Hot Summer, Born 2 Ride 
Vale a Pena Ouvir: Welcome 2 America, One Day We Will All B Free, 1010 (Rin Tin Tin), Stand Up And B Strong

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Analisando Discografias - The Kooks

                  Inside In / Inside Out – The Kooks NOTA: 8,4/10 No começo de 2006, surgia o álbum de estreia do The Kooks, o Inside In / I...