segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Luis Alberto Spinetta: Parte 1

                 

A 18' Del Sol – Spinetta





















NOTA: 10/10


Em 1977, Luis Alberto Spinetta entrava em sua carreira solo com o clássico A 18’ del Sol. Após o fim do Invisible, o cantor passou a ter contato com o tecladista Diego Rapoport, que foi especialmente importante nesse processo, porque colocou Spinetta em contato mais profundo com o Jazz-Rock e com uma concepção musical muito mais aberta à improvisação e à interação entre os instrumentos. Lembrando que, nesse período, a Argentina estava vivendo a ditadura militar iniciada em 1976, enquanto Spinetta atravessava mudanças pessoais. A produção, feita por ele próprio, colocou um som definido e leve, que faz uma junção do Rock progressivo com o Jazz-Rock e o Fusion. As guitarras são muito bem variadas e dialogam com os teclados de Diego, que adicionam uma dimensão quase cósmica, enquanto a seção rítmica trabalha com mudanças e acentos. O repertório é maravilhoso, também parecendo uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Canción Para Los Días De La Vida, A Dieciocho Minutos Del Sol, Toda La Vida Tiene Música Hoy, Viento Del Azur 
Vale a Pena Ouvir: Viejas Mascarillas, ¿Dónde Está El Topacio?

Only Love Can Sustain – Spinetta





















NOTA: 2,5/10


No ano de 1980, Spinetta entra na nova década fazendo o horroroso Only Love Can Sustain. Após o A 18’ del Sol, o cantor decide fazer algo bastante diferente: um álbum voltado para um público internacional, gravado em inglês e construído dentro de uma estética muito mais próxima do Pop sofisticado daquele período. Spinetta estava tentando expandir seus horizontes e levar sua música para fora da Argentina, além de ter o apoio de sua gravadora, Columbia Records. A produção, feita por George Butler, deixou uma abordagem polida e extremamente acessível, que coloca elementos do Jazz Pop e do Pop barroco. Os arranjos são cuidadosamente organizados, com teclados, guitarras, baixo, bateria e elementos orquestrais trabalhando para criar uma sonoridade elegante, mas o problema é que tudo soa bastante sem alma. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções boas e o resto sendo genérico. No geral, essa tentativa de se internacionalizar não deu certo. 

Melhores Faixas: Something Beautiful, George's Surprise 
Piores Faixas: Only Love Can Sustain, Love Once, Love Twice, Then Love Again, Omens Of Love, Light My Eyes

Kamikaze – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e Spinetta, de volta ao seu território, lança o clássico Kamikaze. Após o Only Love Can Sustain, quando o cantor retornou à Argentina, o país estava atravessando um período político e social extremamente turbulento, e a Guerra das Malvinas começaria justamente naquele ano. Não fazendo um disco político no sentido tradicional, mas sua atmosfera de morte, liberdade, espiritualidade, violência e transcendência ganha uma dimensão ainda mais forte nesse ambiente. A produção de Spinetta foi para um som bem intimista, focado no Folk e com o violão possuindo acordes que trazem extensões, tensões e mudanças que dão às músicas uma personalidade muito particular, mas tudo isso aparece de maneira orgânica. A complexidade está escondida dentro de uma aparência simples. O repertório é excepcional, só tendo canções profundas e fazendo parecer uma coletânea. No final de tudo, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Barro Tal Vez, Ella También, Quedándote O Yéndote, La Aventura De La Abeja Reina, Kamikaze, ¡Ah!... Basta De Pensar 
Vale a Pena Ouvir: Y Tu Amor Es Una Vieja Medalla, Casas Marcadas

Mondo Di Cromo – Spinetta





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, Spinetta lança mais um trabalho novo, o Mondo Di Cromo, que trouxe uma abordagem interessante. Após o Kamikaze, o cantor estava vivendo uma fase de enorme produtividade e não queria ficar limitado a uma única formação. Com o apoio da gravadora InterDisc, esse projeto dava a ele liberdade para experimentar com diferentes músicos e combinações instrumentais. A produção foi para um som bastante limpo e moderno, mas que é bem definido. Em vez de partir sempre de uma banda tocando coletivamente e desenvolver as músicas em conjunto, ele trabalhou inicialmente sobre bases próprias, incluindo guitarras, baixos e recursos eletrônicos, para depois chamar diferentes músicos para acrescentar suas partes. O maior destaque fica para as guitarras precisas e os sintetizadores, que colocam uma temática futurista. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e variadas. Enfim, é um ótimo projeto e muito coeso. 

Melhores Faixas: No Te Alejes Tanto De Mí, Herido Por Vivir, Será Que La Canción Llegó Hasta El Sol 
Vale a Pena Ouvir: Lo Siento En Mi Corazón, Días De Silencio, Yo Quiero Ver Un Tren

Privé – Spinetta





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho novo do cantor, o Privé. Após o Mondo Di Cromo, Spinetta começa a olhar novamente para sua própria história e para as diferentes linguagens que havia desenvolvido ao longo dos anos. Já que a década de 80 havia mudado bastante a maneira como a música popular podia ser gravada, ele aproveita essas possibilidades para construir um álbum que mistura instrumentos tradicionais com sintetizadores, baterias eletrônicas e diferentes tratamentos de voz e guitarra. A produção, feita por ele próprio, foi para um caminho moderno, com ele dialogando bastante com a new wave, com elementos também do Synth-pop e do Art Pop. As guitarras são bem variadas, incluindo processamentos que conseguem funcionar; as baterias eletrônicas são bem controladas, e os sintetizadores são bem brilhantes. O repertório é muito bom, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um disco bacana e que foi muito subestimado. 

Melhores Faixas: Rezo Por Vos, Alfil, Ella No Cambia Nada 
Vale a Pena Ouvir: No Seas Fanática, Ropa Violeta, La Pelícana Y El Androide

Tester de violencia – Spinetta





















NOTA: 8,7/10


Se passaram dois anos, e Spinetta lança outro trabalho extraordinário, o Tester de Violencia. Após o Privé, ele decidiu reunir suas experiências anteriores sem deixar que a tecnologia fosse o centro da música. O título já indica a preocupação fundamental do disco: a violência. Mas Spinetta não trata o tema apenas como violência física ou como uma questão política imediata. O conceito é muito mais amplo, envolvendo agressividade, alienação, relações humanas, destruição e a própria maneira como o indivíduo reage ao mundo. A produção foi para um som bem mais quente e orgânico, juntando Art Rock, Pop sofisticado e New Wave. Machi Rufino traz linhas de baixo profundas, Jota Morelli apresenta uma bateria dinâmica, Guillermo Arrom e Spinetta trabalham com guitarras fortes, e Mono Fontana contribui com teclados harmônicos. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem reflexivas e impressionantes. Em suma, é um disco sensacional e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: La Bengala Perdida, Siempre En La Pared, Lejísimo, La Luz De La Manzana, Organismo En El Aire 
Vale a Pena Ouvir: Alcanfor, Tres Llaves, Al Ver Verás

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                        

Analisando Discografias - Sui Generis

                  

Vida – Sui Generis





















NOTA: 9,7/10


Voltando para o ano de 1973, o Sui Generis lançava seu álbum de estreia, o sensacional Vida. Formado em 1969, na capital argentina de Buenos Aires, por Charly García e Nito Mestre, que já tinham passado por diferentes experiências musicais, o duo apresentava uma proposta muito mais acústica e centrada na composição. Com esse álbum de estreia, o grupo fazia um contraponto à maioria dos outros nomes mais pesados do Rock argentino, assinando com a Talent/Microfón. A produção, feita por Jorge Álvarez, seguiu uma abordagem limpa e contou com uma instrumentação mais ampla, que dialogava tanto com o Folk Rock quanto com o Folk Pop. Charly assumia as guitarras e os pianos, enquanto Nito utilizava flautas e guitarras. Além deles, havia a presença de músicos como Claudio Gabis na guitarra, Alejandro Medina no baixo, Francisco Pratti na bateria e Jorge Pinchevsky no violino. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico. 

Melhores Faixas: Canción Para Mi Muerte, Quizás, Porque, Cuando Comenzamos A Nacer, Estación, Amigo Vuelve A Casa Pronto, Dime Quien Me Lo Robó, Natalio Ruiz
Vale a Pena Ouvir: Mariel Y El Capital, Necesito
  

Confesiones De Invierno – Sui Generis





















NOTA: 10/10


Em questão de cinco meses, foi lançado o 2º álbum do Sui Generis, o Confesiones De Invierno. Após o Vida, Charly García e Nito Mestre já tinham conquistado um público muito maior e começavam a ser reconhecidos como uma das duplas mais importantes do Rock argentino. Com esse novo trabalho, apresentando uma visão mais amarga e consciente sobre relacionamentos, solidão, envelhecimento, frustrações e dificuldades da vida cotidiana. A produção seguiu um caminho mais seguro e definido, mantendo a importância do violão, do piano e das vozes, mas apresentando uma instrumentação mais encorpada e melhor organizada. A presença de guitarra elétrica, baixo, bateria e outros instrumentos amplia bastante as possibilidades sonoras. Além disso, os vocais da dupla conseguem ser bem sinceros e melódicos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No final, é um disco excepcional e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Rasguña Las Piedras, Confesiones De Invierno, Cuando Ya Me Empiece A Quedar Solo, Tribulaciones, Lamentos Y Ocaso De Un Tonto Rey Imaginario, O No, Bienvenidos Al Tren 
Vale a Pena Ouvir: Aprendizaje, Lunes Otra Vez

Pequeñas Anécdotas Sobre Las Instituciones – Sui Generis





















NOTA: 10/10


Em 1974, o Sui Generis lançava seu 3º álbum, o Pequeñas Anécdotas Sobre las Instituciones. Após o Confesiones de Invierno, Charly estava cada vez mais interessado em experimentar com teclados, sintetizadores, guitarras elétricas e estruturas menos convencionais, enquanto Nito continuava funcionando como o contraponto vocal mais suave da dupla. Com eles decidindo fazer um álbum conceitual que aborda temas como crítica social e política às “instituições” básicas da sociedade conservadora. A produção, feita como sempre por Jorge Álvarez, deixou um som claro, só que agora implementando uma quantidade muito maior de instrumentos elétricos e eletrônicos, que, junto com as guitarras, a bateria e o baixo, ocupam um espaço muito mais importante, criando uma sonoridade que se aproxima do Rock progressivo e do Folk progressivo. O repertório é maravilhoso, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um disco fenomenal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Instituciones, Las Increíbles Aventuras Del Señor Tijeras, Pequeñas Delicias De La Vida Conyugal, Tango En Segunda, Música De Fondo Para Cualquier Fiesta Animada
Vale a Pena Ouvir: Para Quien Canto Yo Entonces, El Tuerto Y Los Ciegos

Sinfonías Para Adolescentes – Sui Generis





















NOTA: 3/10


No começo dos anos 2000, o Sui Generis retornou com seu 4º e último álbum, o Sinfonías Para Adolescentes. Após o Pequeñas Anécdotas Sobre las Instituciones, Charly García e Nito Mestre haviam seguido caminhos diferentes desde o fim da dupla nos anos 1970, onde se afastaram bastante da sonoridade que tinham desenvolvido juntos. Para esse álbum, eles decidiram juntar composições novas com alguns covers. A produção, feita pelo próprio Charly García, colocou um som moderno e encorpado, com eles dialogando muito com o Rock alternativo e com alguns elementos sinfônicos. O problema é que tudo se torna uma bagunça, já que há arranjos grandiosos, outros mais acústicos e momentos em que os instrumentos são usados para criar uma atmosfera quase teatral, fazendo um trabalho que não tem nada a ver com eles. O repertório é fraquíssimo, com canções boas e outras esquecíveis. Enfim, é um álbum ruim e que não funcionou. 

Melhores Faixas: El Día Que Apagaron La Luz, Cuando Te Vayas, Take Me For A Little While (Úsame Un Poquito Más), Espejos 
Piores Faixas: Her Town Too (Tu Pueblo También), Me Tiré Por Vos, Set You Free This Time (Aguante La Amistad), Monoblock, Mercy, Mercy (Ten Pena), Digo De Vos

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Invisible

                  

Invisble – Invisible





















NOTA: 9,7/10


Era 1974, e surgiu mais um álbum de estreia de outra banda argentina chamada Invisible. Após o fim do Pescado Rabioso, Spinetta estava cada vez mais interessado em abandonar as estruturas convencionais do Rock e explorar uma linguagem mais pessoal, poética e aberta. Com isso, ele formou um trio com o baixista Carlos Alberto “Machi” Rufino e o baterista Héctor “Pomo” Lorenzo. A proposta era fazer um álbum que soasse simultaneamente pesado, delicado, psicodélico e progressivo. A produção seguiu um caminho ambicioso, contendo uma junção do Rock Progressivo com elementos do Jazz-Rock, Folk e Hard Rock. As guitarras são mais limpas e bem executadas, o baixo é bastante presente e a bateria possui seu peso, enquanto os vocais de Spinetta são carregados de energia e expressão. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem cadenciadas e cheias de complexidade. No fim, é um baita disco de estreia e era só o começo. 

Melhores Faixas: Azafata Del Tren Fastasma, El Diluvio Y La Pasajera, Lo Que Nos Ocupa Es Esa Abuela. La Conciencia Que Regula El Mundo, Jugo De Lúcuma 
Vale a Pena Ouvir: Irregular, Suspensión
  

Durazno Sangrando – Invisible





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum do Invisible, o maravilhoso Durazno Sangrando. Após o álbum de estreia, eles foram para uma direção mais conceitual, introspectiva e espiritual, sem abandonar a complexidade instrumental. Spinetta estava cada vez mais interessado em transformar suas composições em experiências que ultrapassassem o formato tradicional. Sua escrita passava a trabalhar com imagens de natureza, consciência, corpo, sonho e espiritualidade, enquanto a música acompanhava esse universo com estruturas mais fluidas. A produção foi bem mais refinada e atmosférica, contendo uma preocupação maior em criar espaços, contrastes e texturas. As guitarras variam entre momentos delicados e timbres limpos, o baixo de Machi fornece linhas sustentáveis e a bateria de Pomo é bastante tensa. O repertório é curtinho, contendo 5 faixas que são todas sensacionais. Enfim, é um disco incrível e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Durazno Sangrando, Encadenado Al Ánima, En Una Lejana Playa Del Ánimus 
Vale a Pena Ouvir: Pleamar De Águilas, Dios De Adolescencia

El Jardín De Los Presentes – Invisible





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1976, quando o Invisible lançava seu 3º e último álbum, o atemporal El Jardín de los Presentes. Após o Durazno Sangrando, esse trabalho representa uma mudança importante porque, embora o trio continue sendo o núcleo da banda, o som se torna mais amplo. Spinetta passa a trabalhar com outros músicos e acrescenta novas cores aos arranjos. A entrada de músicos como Tomás Gubitsch na guitarra permite que as composições ganhem uma dimensão instrumental muito maior. A produção foi muito bem detalhada, trazendo um som orgânico e juntando Rock Progressivo e Art Rock com elementos do Jazz-Rock, psicodelia e Tango. As guitarras ficaram bem texturizadas e harmônicas, o baixo possui linhas bem melódicas e a bateria é cheia de variações e acentos, enquanto os vocais do Spinetta são muito seguros. O repertório é incrível e parece uma coletânea. No fim, é um disco excepcional e também um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Los Libros De La Buena Memoria, El Anillo Del Capitán Beto, Ruido de Magia 
Vale a Pena Ouvir: Las Golondrinas De Plaza De Mayo, Doscientos Años


                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Pescado Rabioso

                  

Desatormentándonos – Pescado Rabioso





















NOTA: 9,7/10


Em 1972, foi lançado o álbum de estreia do Pescado Rabioso, o Desatormentándonos. Após o fim do Almendra, Luis Alberto Spinetta tinha viajado para a Europa, quando retornou, formou a banda com Black Amaya (bateria) e Osvaldo "Bocón" Frascino (baixo). Trazendo uma proposta mais agressiva, o álbum não abandona completamente o lado delicado e melódico que vinha do Almendra, criando justamente o contraste que o torna tão interessante. A produção foi feita pelo próprio Spinetta e foi relativamente simples, deixando um som cru e pesado. As guitarras possuem riffs pesados, acordes distorcidos, passagens psicodélicas e momentos mais contemplativos. O baixo possui bastante destaque, a bateria do Amaya carrega bastante peso e os vocais do Spinetta são expressivos, dialogando assim com Hard Rock, Blues Rock e Rock Psicodélico. O repertório é maravilhoso, e as 5 canções são todas bem energéticas. No fim, é um baita álbum de estreia e bem variado. 

Melhores Faixas: Blues De Cris, Serpiente (Viaja Por La Sal) 
Vale a Pena Ouvir: El Monstruo De La Laguna, El Jardinero (Temprano Amanecio), Dulce 3 Nocturno
  

Pescado 2 – Pescado Rabioso





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o Pescado Rabioso lançava seu 2º álbum, o sensacional Pescado 2. Após o Desatormentándonos, Spinetta decidiu expandiu consideravelmente suas ambições composicionais, misturando Rock, Blues, psicodelia, Folk e momentos experimentais. Além disso, David Lebón passou a ocupar o baixo e também contribuiu com guitarra e voz, enquanto Carlos Cutaia trouxe teclados, especialmente órgão e piano. Black Amaya continuava na bateria. Produção deixou aquela estética crua só que colocou mais definição, já que as principais influencias são Rock psicodélico e Heavy Psych. As guitarras possuem riffs longos e texturas abrangentes, o baixo é bem melódico, a bateria é muito bem variado e uso de Orgão deixa uma atmosfera ameaçadora, além claro dos vocais do Spinetta que são carregados de sinceridade. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem introspectivas e imersivas. Enfim, é um disco incrível e uma completa obra-prima. 

Melhores Faixas: Como El Viento Voy A Ver, Madre - Selva, Cristálida, Mañana O Pasado, Credulidad, Iniciado Del Alba, Peteribí, Poseído Del Alba, Mi Espíritu Se Fue 
Vale a Pena Ouvir: Sombra De La Noche Negra, Viajero Naciendo, Nena Boba

Artaud – Pescado Rabioso





















NOTA: 10/10


Ainda naquele mesmo ano de 1973, quando foi lançado o atemporal Artaud (com essa capa icônica). Após o Pescado 2, devido às tensões internas, Spinetta decidiu se afastar do formato de banda tradicional e decidiu fazer algo ambicioso, convidando Rodolfo García e Emilio del Guercio para participar das gravações. Esse título é uma referência ao poeta e dramaturgo francês Antonin Artaud, figura ligada ao surrealismo, ao teatro da crueldade e à exploração de estados extremos da consciência. A produção do Spinetta foi para um som mais espaçoso, que juntou os mundos do Folk Rock com elementos da psicodelia e um pouco do Blues Rock. O violão acústico possui acordes pouco convencionais e mudanças harmônicas inesperadas, com seus vocais sempre no centro, com os arranjos sendo complementados por pianos e guitarras limpas. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Bajan, Cantata De Puentes Amarillos, Cementerio Club, Las Habladurías Del Mundo, Todas Las Hojas Son Del Viento 
Vale a Pena Ouvir: Superchería, Por


Analisando Discografias - Almendra

                  

Almendra – Almendra





















NOTA: 10/10


Era o início dos anos 70, e surgiu o álbum de estreia autointitulado de uma banda chamada Almendra. Formada dois anos antes, na capital argentina, Buenos Aires, por quatro jovens promissores, Luis Alberto Spinetta (guitarras e vocais), Edelmiro Molinari (guitarras), Emilio del Guercio (baixo) e Rodolfo García (bateria), a banda trouxe um álbum lançado pela Sony Music, carregado de experimentação, mas que não abria mão da acessibilidade e também tinha um grande diferencial: as letras poéticas de Spinetta. A produção foi feita pela própria banda, que colocou um som orgânico que misturava Rock Psicodélico, Folk, Blues Rock e Pop Barroco. As guitarras são bastante variadas em seus timbres, o baixo é bastante consistente, a bateria acompanha o movimento, inclusive nas mudanças de dinâmica, e os vocais do Spinetta são bem poderosos. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea. No fim, é um disco atemporal e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Muchacha (Ojos De Papel), A Estos Hombres Tristes, Plegaria Para Un Niño Dormido, Ana No Duerme, Color Humano 
Vale a Pena Ouvir: Que El Viento Borró Tus Manos, Laura Va
  

Almendra II – Almendra





















NOTA: 9,2/10


No mesmo ano, o Almendra lançava seu 2º álbum, que é conhecido como Almendra II. Após seu clássico álbum de estreia, a banda havia apresentado uma combinação muito particular, além de ter colocado Luis Alberto Spinetta como um dos principais compositores da música argentina. A banda já não parecia satisfeita em trabalhar apenas com o formato de canções relativamente curtas e acessíveis. Spinetta, Edelmiro Molinari, Emilio del Guercio e Rodolfo García estavam interessados em desenvolver composições mais extensas e com estruturas menos convencionais. A produção foi bem mais expansiva, com eles entrando de cabeça na psicodelia, além de traços do Blues Rock e Rock Progressivo. As guitarras ficaram muito mais intensas, a cozinha rítmica é bastante orgânica e os arranjos conseguem ser bem funcionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem ecléticas e contêm um caráter imersivo. No fim, é um ótimo disco que consegue ser bem coeso. 

Melhores Faixas: Camino Dificil, Toma El Tren Hacia El Sur, Rutas Argentinas, Vete De Mí, Cuervo Negro, Agnus Dei, Para Ir, Carmen, Los Elefantes, Mestizo 
Vale a Pena Ouvir: No Tengo Idea, Florecen Los Nardos, En Las Cúpulas

El Valle Interior – Almendra





















NOTA: 8,7/10


Em 1980, o Almendra lançava seu 3º e último álbum, o El Valle Interior, que teve uma proposta diferente. Após o Almendra II, a banda acabou se separando porque alguns planos não deram certo, como uma tentativa de fazer uma Ópera-Rock, e também os conflitos internos fizeram com que cada um seguisse seu próprio caminho. Até que, no fim dos anos 70, eles se reuniram, e o que começou com apresentações ao vivo posteriormente resultou na ideia de registrar material novo. A produção foi feita por Alberto Ohanian, que colocou um som limpo e definido, só que eles não se desfizeram de seu lado orgânico. As guitarras aparecem de maneira menos agressiva e mais textural, as linhas de baixo são bem melódicas e a bateria é bem sustentável, com eles dialogando com Rock Progressivo e Jazz-Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem atmosféricas e cadenciadas. Enfim, é um ótimo disco que encerrou bem a trajetória da banda. 

Melhores Faixas: Miguelito, Mi Espíritu Ha Partido A Tiempo, Las Cosas Para Hacer, Amidama 
Vale a Pena Ouvir: El Fantasma De La Buena Suerte, Buen Dia, Dia De Sol


Analisando Discografias - Luis Alberto Spinetta: Parte 1

                  A 18' Del Sol – Spinetta NOTA: 10/10 Em 1977, Luis Alberto Spinetta entrava em sua carreira solo com o clássico A 18’ ...