domingo, 1 de novembro de 2026

Analisando Discografias - Snoop Dogg: Parte 1

                 

Doggystyle – Snoop Doggy Dogg





















NOTA: 10/10


No ano de 1993, o Snoop Dogg lançava seu clássico álbum de estreia, o Doggystyle. O rapper, vindo de Long Beach, na Califórnia, começou sua carreira dois anos antes. Vale lembrar que ele ainda era conhecido como Snoop Doggy Dogg e começou a gravar algumas demos. Seu amigo Warren G o apresentou a Dr. Dre, que viu potencial nele, e assim ele assinou com a Death Row Records. Com isso, sua participação no álbum The Chronic deixou todo mundo com uma expectativa altíssima sobre seu primeiro álbum. A produção foi feita inteiramente pelo próprio Dr. Dre, que manteve aquela temática do Gangsta Rap, com beats orientadas para o G-Funk, contando com linhas de baixo bastante encorpadas, sintetizadores de timbres sinuosos, beats cadenciadas e samples de Soul e Funk setentista. Além, claro, dos flows precisos do Snoop. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. Enfim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Gin And Juice, Tha Shiznit, Who Am I (What's My Name)?, Ain't No Fun (If The Homies Can't Have None), Murder Was The Case, Gz And Hustlas 
Vale a Pena Ouvir: For All My Niggaz & Bitches, Lodi Dodi, Serial Killa

Tha Doggfather – Snoop Doggy Dogg





















NOTA: 6/10


Três anos depois, o Snoop Dogg lançava seu 2º álbum, intitulado Tha Doggfather. Após o clássico Doggystyle, o rapper passou a enfrentar uma série de dificuldades relacionadas à sua vida pessoal e à própria indústria musical. Um dos acontecimentos mais importantes foi o assassinato de Tupac Shakur, em setembro de 1996, que abalou profundamente a Death Row Records e modificou o ambiente ao redor da gravadora. Além disso, ele havia passado por um extenso julgamento sobre seu possível envolvimento no assassinato de Philip Woldemariam. A produção, dessa vez, contou com DJ Pooh, Daz Dillinger, entre outros, que mantiveram os sintetizadores melódicos, os graves encorpados, as linhas de baixo cadenciadas e os samples de Soul e Funk. Mas o problema é que tudo parece muito reciclado, com os flows do Snoop sendo bastante repetitivos. O repertório começa bem, mas depois cansa com canções fracas. Enfim, é um álbum irregular e que deu muito errado. 

Melhores Faixas: Doggfather, Up Jump Tha Boogie, Ride 4 Me, Doggyland, Groupie 
Piores Faixas: Gold Rush, Freestyle Conversation, Sixx Minutes, (O.J.) Wake Up, You Thought

Da Game Is To Be Sold, Not To Be Told – Snoop Dogg





















NOTA: 2,5/10


Dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar mais um álbum, o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told. Após o Tha Doggfather, o rapper atravessava um período de transformações profissionais, principalmente por conta de seu afastamento da Death Row Records, devido à quantidade de processos contra Suge Knight, e de sua aproximação com a No Limit Records, gravadora comandada por Master P. Com isso, não preciso dizer que ele entrou de cabeça na sonoridade do Rap sulista. A produção, feita pelo próprio Master P, Craig B, KLC e outros, deixou um som acessível e minimalista, que seguia muito mais a linha do Dirty South. Conta com beats amplas, baterias marcadas, 808s, hi-hats e synths discretos, mas tudo soa extremamente clichê, e o flow do Snoop não consegue se encaixar. O repertório é horrível, e a maioria das canções é medíocre, com poucas faixas interessantes. No final, é um álbum terrível e que parece ter sido feito às pressas. 

Melhores Faixas: Still A G Thang, Doggz Gonna Get Ya 
Piores Faixas: Tru Tank Drogs, Ain't Nut'in Personal, Hoes, Money & Clout, Pay For P..., DP Gangsta

No Limit Top Dogg – Snoop Dogg





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, Snoop voltou com mais um disco, intitulado No Limit Top Dogg. Após o Da Game Is to Be Sold, Not to Be Told, que foi uma tentativa de reafirmação artística seguindo aquela abordagem do Dirty South que não deu muito certo, o rapper procurou estabelecer uma reconciliação entre as duas fases de sua carreira. O projeto mantém sua ligação com a No Limit Records, mas recupera elementos do G-Funk e da sonoridade da Costa Oeste. A produção contou novamente com Dr. Dre, DJ Quik, Meech Wells e outros, que apresentaram beats mais definidas, contando com baterias variadas, 808s constantes e linhas de baixo profundas. Além de sintetizadores com timbres melódicos, frases prolongadas e pequenas sequências repetitivas e atmosféricas, com o flow do Snoop conseguindo se encaixar melhor. O repertório é legalzinho, e as canções conseguem ser bem divertidas. Enfim, é um disco bacana e que não apresentou os erros de antes. 

Melhores Faixas: Down 4 My N's, Just Dippin' (Dr. Dre mandou bem), Bitch Please, Betta Days 
Vale a Pena Ouvir: Don't Tell (participação do Warren G e Nate Dogg), Buck 'Em, Something Bout Yo Bidness, 20 Minutes

Tha Last Meal – Snoop Dogg





















NOTA: 5/10


Entrando nos anos 2000, o Snoop Dogg lançava seu 5º álbum, o Tha Last Meal. Após o No Limit Top Dogg, o disco surgiu como uma espécie de conclusão de seu período na No Limit Records. O título faz referência justamente à ideia de encerramento dessa parceria, funcionando como uma transição para uma nova etapa, na qual Snoop procurava recuperar definitivamente o controle de sua direção musical. A produção contou com alguns nomes, como Timbaland, Mike Elizondo, entre outros, que trouxeram uma abordagem limpa, com beats secas, graves bem definidos, sintetizadores eletrônicos e elementos percussivos bastante precisos. Mas o grande problema é que tudo fica muito repetitivo e falta algo mais variado, além de que, às vezes, parece que o Snoop está rimando com preguiça. O repertório é mediano, tem canções legais e outras fraquinhas. No geral, é um álbum irregular e cansativo. 

Melhores Faixas: Lay Low, Set It Off (ótimas feats do Ice Cube, MC Ren e Nate Dogg), Leave Me Alone, Go Away 
Piores Faixas: Issues, I Can't Swim, True Lies, Snoop Dogg (What's My Name Pt. 2)

Paid Tha Cost To Be Da Bo$$ - Snoop Dogg





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, Snoop Dogg lançava mais um álbum, o Paid Tha Cost to Be da Bo$$. Após o Tha Last Meal, o rapper começou a desenvolver uma nova identidade artística, procurando se afastar parcialmente da sonoridade que havia acompanhado seus primeiros anos de carreira, além de ter criado um selo que levava o nome de seu álbum de estreia. Com isso, nesse novo trabalho, ele passou a explorar novas sonoridades, mas sem abandonar o Rap. A produção contou com The Neptunes, DJ Premier, Jelly Roll e outros, que seguiram uma abordagem mais acessível, colocando aqueles elementos do Gangsta Rap em diálogo com Pop, R&B e Funk. As beats ficaram mais diretas, contando com baterias controladas, timbres eletrônicos, sequências repetitivas e pequenos efeitos que criam uma atmosfera futurista. Mesmo assim, tudo fica bem arrastado e carregado de excessos. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fraquinhas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Beautiful, The One And Only, From Tha Church To Da Palace, I Believe In You, Batman & Robin 
Piores Faixas: I Miss That Bitch, Bo$$ Playa, Ballin', A Message 2 Fat Cuzz

R & G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece – Snoop Dogg





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais dois anos até o rapper lançar mais um álbum, o R&G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece. Após o Paid Tha Cost to Be da Bo$$, o rapper continuou expandindo sua presença para além do Rap tradicional, aproximando-se cada vez mais do R&B, do Funk e da música Pop. Essa mudança não significava necessariamente abandonar sua identidade, mas adaptar sua abordagem a uma indústria que valorizava produções mais limpas, refrões marcantes e participações de artistas de diferentes estilos. A produção contou com The Neptunes, Hi-Tek, The Alchemist e outros, que seguiram essa abordagem mais acessível, trazendo beats limpas, kicks firmes, caixas bem definidas e hi-hats que ajudam a estabelecer o balanço. Além da presença de baixos encorpados e sintetizadores saltitantes, com os flows sendo bem relaxados e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e envolventes. No fim, é um disco bacana que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Drop It Like It's Hot, Signs (Justin Timberlake ficou só no refrão), Let's Get Blown, No Thang On Me 
Vale a Pena Ouvir: Oh No (50 Cent mandou bem), Pass It Pass It, Can U Control Yo Hoe, Perfect

Tha Blue Carpet Treatment – Snoop Dogg





















NOTA: 9/10


Mais dois anos se passaram até Snoop Dogg lançar seu 8º álbum, o Tha Blue Carpet Treatment. Após o R&G (Rhythm & Gangsta): The Masterpiece, o rapper decidiu trabalhar em um projeto que retomasse elementos do Gangsta Rap da Costa Oeste, sem abandonar completamente a modernização de sua sonoridade. Portanto, a proposta não era simplesmente reproduzir o som dos anos 90, mas encontrar uma maneira de combinar sua identidade clássica com as tendências de produção daquele período. A produção contou, em parte, com os mesmos nomes, além de nomes como Rick Rock e Nottz, que trouxeram beats pesadas, grooves mais descontraídos, instrumentais minimalistas e produções que recuperam características do G-Funk. As linhas graves variam entre timbres sintetizados e elementos modernos, enquanto os flows do Snoop estão bem variados e precisos. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e imersivas. No final, é um baita disco e que deu muito certo. 

Melhores Faixas: That's That Shit (foda-se a feat), Think About It, Vato (B-Real mandou bem), 10 Lil' Crips, LAX (Ice Cube amassou), Imagine (baita feat do Dr. Dre e do D’Angelo), I Wanna Fuck You (grande feat do Akon), Which One Of You, Don't Stop (ótima feat do Kurupt) 
Vale a Pena Ouvir: Candy (Drippin' Like Water) (quase uma cypher: Kurupt, MC Eitht, Daz Dillinger, E-40), Crazy (Nate Dogg marcando presença), Round Here, Get A Light

Ego Trippin – Snoop Dogg





















NOTA: 3,5/10


Em 2008, Snoop Dogg lançava mais um projeto novo, o Ego Trippin', que tentou ser mais sério. Após o Tha Blue Carpet Treatment, o rapper decidiu trabalhar em um projeto com uma proposta mais livre, explorando diferentes estilos musicais e reduzindo a dependência de participações de outros artistas. A intenção era apresentar um álbum mais centrado em sua própria personalidade, tanto na interpretação quanto na variedade de caminhos sonoros. A produção contou com aqueles mesmos nomes, só que agora eles trabalharam dentro de um som variado, que vai do Chipmunk Soul, R&B, Synth Funk e G-Funk. O álbum conta com beats pesadas, baterias secas, 808s constantes e uso mais frequente de hi-hats e synths, que dão ao projeto uma temática mais atmosférica, mas tudo soa bastante confuso, e o uso de Auto-Tune pelo Snoop não funciona. O repertório é muito ruim, e as canções são todas muito genéricas. Enfim, é um disco terrível e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: Neva Have 2 Worry, Those Gurlz, Cool, One Chance (Make It Good) 
Piores Faixas: Sexual Eruption, Why Did You Leave Me, Set Up, SD Is Out, Deez Hollywood Nights, Staxxx In My Jeans

Doggumentary – Snoop Dogg





















NOTA: 3/10


Três anos se passaram até Snoop Dogg ressurgir com um novo álbum, o Doggumentary. Após o Ego Trippin', ele quis fazer um álbum que procurasse reunir diferentes fases de sua carreira, misturando referências à sua trajetória com tendências de produção mais recentes. O projeto também surgiu em um período em que o Hip Hop estava passando por mudanças importantes. As produções eletrônicas e as baterias programadas ganhavam cada vez mais espaço, enquanto muitos artistas tentavam se readaptar. A produção contou com DJ Khalil, Battlecat, Mr. Porter, entre outros, que trouxeram uma abordagem acessível e moderna. Os beats continuaram muito variados, contando com baterias secas, 808s constantes, hi-hats discretos e aquele uso de sintetizadores característicos. Mas o problema é que muitos elementos são desnecessários e repetitivos. O repertório é ruim, tendo canções chatinhas e poucas interessantes. Enfim, é um disco horrível e impreciso. 

Melhores Faixas: My Own Way, El Lay 
Piores Faixas: Boom (T-Pain totalmente esquecível), My Fuckin House, Peer Pressure, Platinum, Superman, It's D Only Thang, Wet

Bush – Snoop Dogg





















NOTA: 8,7/10


No ano de 2015, Snoop Dogg lançava o álbum Bush, que era totalmente diferente. Após o Doggumentary, o rapper passou por um período de experimentações e aproximações com diferentes estilos, incluindo projetos que exploravam o Reggae sob o nome de Snoop Lion. Essa fase demonstrou seu interesse em ultrapassar os limites do Gangsta Rap e trabalhar com outras referências musicais. A produção foi feita inteiramente por Pharrell Williams e Chad Hugo, que seguiram uma temática mais puxada para o Nu-Disco, R&B contemporâneo e Synth Funk. O uso de sintetizadores apresenta timbres brilhantes, melodias simples e camadas de teclado que dão às músicas uma aparência colorida e descontraída. Enquanto isso, as baterias são bem marcadas, deixando os vocais do Snoop alternarem entre cantos melódicos e, às vezes, alguns flows. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. Em suma, é um disco bacana e muito ousado. 

Melhores Faixas: California Roll (participação do Stevie Wonder), Peaches N Cream, So Many Pros, I'm Ya Dogg (Kendrick mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: I Knew That, R U A Freak, Edibles (ótima feat do T.I.)

Neva Left – Snoop Dogg





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram até o rapper lançar mais um trabalho novo, o Neva Left. Após o Bush, Snoop Dogg decidiu retornar a uma abordagem mais próxima do Gangsta Rap e a uma atmosfera associada à sua trajetória nos anos 90. O título faz referência à permanência de Snoop dentro da cultura Hip Hop. Mesmo depois de décadas de carreira, mudanças de tendências e experiências em diferentes gêneros musicais, o rapper procura demonstrar que continua conectado às suas origens. A produção voltou a ser diversificada, contando com Rick Rock, DJ Battlecat, Dr. Evo e outros, que trouxeram beats mais orientadas para o G-Funk, mas com momentos que dialogam com Trap e Boom Bap. Com isso, temos 808s precisos, kicks firmes, caixas marcadas e hi-hats discretos, com os flows do Snoop sendo bem precisos e até mais agressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bem profundas e até envolventes. Enfim, é outro trabalho muito bom e subestimado dele. 

Melhores Faixas: Bacc In Da Dayz, Mount Kushmore (Method Man & Redman e B-Real amassaram), Go On 
Vale a Pena Ouvir: Neva Left, Let Us Begin (ótima feat do KRS-One), Promise You This, I'm Still Here

BODR – Snoop Dogg





















NOTA: 5,5/10


No ano de 2022, Snoop Dogg lançava o álbum BODR, que trazia uma carga histórica. Após o Neva Left, o rapper assumiu o controle da marca Death Row, que estava praticamente obsoleta devido às diversas ações horríveis cometidas por Suge Knight enquanto comandava a gravadora. Com isso, ele utilizou o álbum como uma espécie de declaração de retorno às suas raízes. A produção contou com DJ Battlecat, Hi-Tek, Hit-Boy e outros, que trouxeram beats variados, indo do G-Funk, Boom Bap, Chipmunk Soul e Trap. O álbum conta com baterias secas, linhas de baixo profundas, sintetizadores atmosféricos, hi-hats precisos e até um pequeno uso de pads. Mas, mesmo com toda a proposta eufórica, parece que a maioria das estruturas é bastante clichê e monótona, e até a performance do Snoop acaba sendo prejudicada. O repertório é fraquíssimo, tendo canções boas e outras sem graça. No final de tudo, é só um disco bem mais do mesmo. 

Melhores Faixas: Gun Smoke, Conflicted (Nas amassou), Jerseys In The Rafters (ótima feat do The Game), Outside The Box (Nate Dogg marcando uma presença espiritual) 
Piores Faixas: Get This Dick, Coming Back, Pop Pop, Doggystylin

                                                                                    É isso, então flw!!!           

sábado, 31 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Andy Bell

                  

The View From Halfway Down – Andy Bell





















NOTA: 8/10


Em 2020, Andy Bell lançava seu 1º trabalho solo, o The View From Halfway Down. Após o This Is Not a Safe Place com o Ride, o músico quis apresentar um trabalho que explora diferentes aspectos de sua identidade artística, sem ficar necessariamente preso à sonoridade característica do Ride. O álbum possui uma abordagem bastante pessoal, combinando elementos da música psicodélica e eletrônica. A produção, feita pelo próprio Bell, trouxe uma sonoridade orgânica, com elementos da Neo-psicodelia, Dream Pop e Indietronica. As guitarras aparecem com timbres variados, alternando entre passagens mais limpas, efeitos psicodélicos e distorções moderadas. Os sintetizadores e as programações também possuem uma presença importante, acrescentando profundidade aos arranjos e criando diferentes atmosferas, deixando o vocal do Andy sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. Enfim, é um disco bacana e muito coeso. 

Melhores Faixas: Cherry Cola, Skywalker 
Vale a Pena Ouvir: I Was Alone, Love Comes In Waves, Ghost Tones

Pinball Wanderer – Andy Bell





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 2025 que foi lançado o mais recente álbum solo do Andy Bell, o Pinball Wanderer. Após o The View From Halfway Down, ele procurou trabalhar com uma abordagem mais espontânea, desenvolvendo as composições a partir de ideias instrumentais e estruturas rítmicas que foram ganhando forma durante as gravações. Outro aspecto importante está na participação de Gem Archer, antigo companheiro de Andy Bell no Oasis, que colaborou na produção adicional e no desenvolvimento das bases rítmicas. A produção seguiu uma temática mais cinematográfica, juntando Dream Pop e Neo-psicodelia com elementos do Krautrock, Shoegaze e Baggy. As guitarras possuem bastante textura e riffs circulares, os sintetizadores preenchem os espaços e as baterias apresentam uma movimentação constante, enquanto as linhas de baixo ajudam a estabelecer uma sensação hipnótica. O repertório é legalzinho, tendo canções dinâmicas. No geral, é outro ótimo disco e muito variado. 

Melhores Faixas: apple green ufo, i'm in love... (participação da Dot Allison e Michael Rother do NEU!) 
Vale a Pena Ouvir: panic attack, madder lake deep, space station mantra


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!              

Analisando Discografias - Ride: Parte 2

                  

Weather Diaries – Ride





















NOTA: 9/10


Foi só em 2017 que o Ride retornou com um álbum novo, intitulado Weather Diaries. Após o Tarantula, cada um seguiu seu caminho depois do fim conturbado da banda. Foi só no ano de 2014 que eles retornaram de vez, em um momento em que o Shoegaze havia influenciado diversas gerações, e o interesse pela sonoridade das guitarras atmosféricas voltou a crescer. Nesse cenário, o Ride tinha a oportunidade de revisitar suas raízes sem ficar preso a elas, utilizando a experiência acumulada pelos músicos para construir uma nova etapa. A produção, feita por Erol Alkan, deixou o som denso e definido, juntando tanto o Shoegaze quanto o Rock Alternativo tradicional. As guitarras alternam camadas de distorção, linhas melódicas, efeitos e texturas que ajudam a criar profundidade. A seção rítmica é muito bem variada, e os vocais do Andy e Mark estão mais claros. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas. No fim, é um baita disco e um retorno triunfal. 

Melhores Faixas: Lannoy Point, Cali, Weather Diaries, Home Is A Feeling, White Sands 
Vale a Pena Ouvir: All I Want, Impermanence, Lateral Alice
  

This Is Not A Safe Place – Ride





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram para o Ride lançar mais um trabalho novo, o This Is Not a Safe Place. Após o Weather Diaries, a banda dá continuidade a essa nova fase, mas demonstra uma preocupação maior em explorar diferentes possibilidades dentro de sua identidade, procurando ampliar a variedade dos arranjos e alternando composições mais energéticas, momentos de psicodelia, passagens atmosféricas e experimentações eletrônicas. A produção, feita novamente por Erol Alkan, deixou uma abordagem limpa e definida, seguindo mais pelo Rock Alternativo, mas tendo momentos que dialogam com Shoegaze, Jangle Pop e Post-Punk. As guitarras do Andy e Mark são utilizadas tanto em riffs mais agressivos quanto em camadas atmosféricas, além, é claro, de seus vocais, que são bem etéreos. A bateria do Loz é bem firme, e o baixo do Steve sustenta tudo. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. Enfim, é outro ótimo disco da banda e muito imersivo. 

Melhores Faixas: Future Love, Clouds Of Saint Marie, Jump Jet, End Game, Kill Switch 
Vale a Pena Ouvir: Eternal Recurrence, Fifteen Minutes, In This Room

Interplay – Ride





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2024, quando o Ride lançou seu 7º e mais recente álbum, o Interplay. Após o This Is Not a Safe Place, a banda tinha passado por um problema extrajudicial com um ex-empresário, mas isso não afetou a criação desse projeto, que apresenta uma mudança ainda mais evidente em direção à música eletrônica e ao Pop dos anos 80. A influência de artistas como Tears for Fears e Talk Talk, além da fase inicial do U2, ajuda a compreender essa direção. A produção, feita por Richie Kennedy, ainda seguiu aquela abordagem texturizada do Rock Alternativo, só que são perceptíveis elementos do Synth-pop. As guitarras do Andy e Mark continuam alternando entre efeitos e camadas atmosféricas, além de seus vocais estarem mais contidos. O problema é que o uso de sintetizadores não é bem detalhado, ficando escondido na seção rítmica. O repertório é irregular, com canções boas e outras arrastadas. No fim, é um álbum mediano e que não funcionou. 

Melhores Faixas: Portland Rocks, Monaco, Peace Sign 
Piores Faixas: Stay Free, Essaouira, Last Night I Went Somewhere To Dream


Analisando Discografias - Snoop Dogg: Parte 1

                  Doggystyle – Snoop Doggy Dogg NOTA: 10/10 No ano de 1993, o Snoop Dogg lançava seu clássico álbum de estreia, o Doggystyle...