quinta-feira, 14 de maio de 2026

Review: The Other Side do Seu Jorge

                     

The Other Side – Seu Jorge





















NOTA: 9,2/10


Alguns dias atrás, Seu Jorge retornou lançando mais um álbum, o The Other Side. Após o Baile à la Baiana, o cantor decidiu finalmente lançar um material que começou a ser concebido ainda em 2009 e atravessou praticamente 16 anos de desenvolvimento até finalmente chegar a 2026. Ele já havia terminado as gravações no final da década passada, mas o projeto foi adiado por uma série de motivos pessoais. A produção, feita pelo cantor junto com Mario Caldato Jr., segue uma abordagem extremamente delicada e refinada. Em vez de trabalhar com uma densidade rítmica pesada, o álbum prioriza espaço, ambiência e profundidade sonora. Dialogando tanto com a MPB quanto com a Bossa Nova, além dos arranjos orquestrais do Miguel Atwood-Ferguson, que criam uma paisagem sonora elegante e melancólica. O repertório é incrível, desde os covers muito bem interpretados até as composições inéditas belíssimas. No fim, é um belo disco e que envelhecerá muito bem. 

Melhores Faixas: Quando Chego (participação da Marisa Monte), Flor De Laranjeira, Folia Do Amor, Luz Na Escuridão, River Man (participação do Beck) 
Vale a Pena Ouvir: Caboclo, Vento De Maio, Crença

                                                                                        É isso, então flw!!!       

Analisando Discografias - Nine Inch Nails: Parte 1

                 

Pretty Hate Machine – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


Em 1989, o Nine Inch Nails lançava seu álbum de estreia, o Pretty Hate Machine. Formado no ano anterior em Cleveland, Trent Reznor trabalhava em estúdios de gravação na cidade e passava noites inteiras utilizando os equipamentos do estúdio para gravar suas próprias composições. Reznor pega elementos do Synth-pop sombrio do Depeche Mode, da agressividade industrial do Ministry e da melancolia Post-Punk do The Cure para construir algo extremamente pessoal. A produção foi feita por ele junto do John Fryer, Flood, Keith LeBlanc e Adrian Sherwood, que deixaram o som pesado e claustrofóbico, com sintetizadores servindo como ambientação, batidas mecânicas e texturas frias que reforçam a alienação das letras e os vocais urgentes do Reznor, criando assim um cruzamento entre Rock Industrial e Electro-Industrial. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Head Like A Hole, Sin, Terrible Lie, Kinda I Want To, Ringfinger 
Vale a Pena Ouvir: The Only Time, That's What I Get

The Downward Spiral – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


E aí se passaram cinco anos para o Nine Inch Nails retornar com o clássico The Downward Spiral. Após o Pretty Hate Machine, Trent Reznor se tornou uma figura central do Rock alternativo do início dos anos 90. Mas, ele parecia insatisfeito com sucesso pois para ele não tinha chegado no ápice, decidindo fazer um álbum mais sombrio, destrutivo e conceitualmente ambicioso isso depois de deixar a TVT Records para Interscope. Fazendo uma narrativa psicológica sobre perda de identidade, niilismo, violência, sexualidade destrutiva, alienação e suicídio. Produção do Trent junto com Flood, é bastante tensa e pesada, onde misturaram Rock industrial com Metal, música eletrônica e Noise Rock, com guitarras processadas que fazem parecem serras mecânicas, as baterias vão desde eletrônica a mecânica privilegiando ruídos e distorções. O repertório é simplesmente sensacional parecendo também uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Hurt, Closer, Mr. Self Destruct, March Of The Pigs, Heresy 
Vale a Pena Ouvir: Eraser, Ruiner, I Do Not Want This

The Fragile – Nine Inch Nails





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 1999, quando foi lançado o 3º álbum da Nine Inch Nails, o The Fragile. Após o clássico The Downward Spiral, que transformou o Nine Inch Nails em uma das forças mais importantes do Rock alternativo dos anos 90, o isolamento pessoal do Trent Reznor aumentou ainda mais. A pressão criativa, os problemas com drogas, a depressão e o desgaste emocional passaram a dominar sua vida, e esse seria um álbum duplo com uma temática muito mais triste, fragmentada e contemplativa. A produção, feita junto com Alan Moulder, foi mais expansiva e atmosférica, criando assim uma junção entre Rock industrial, Art Rock e certos traços de música ambiente e Post-Rock. As guitarras são distorcidas e abrasivas, os sintetizadores são bem mais densos, e as baterias variam constantemente entre o orgânico e o eletrônico, além do uso de loops. O repertório é fantástico, e as canções são belíssimas e imersivas. No fim, é um disco fenomenal e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: We're In This Together, Into The Void, Starfuckers, Inc., Somewhat Damaged, The Day The World Went Away, The Fragile 
Vale a Pena Ouvir: La Mer, Ripe (With Decay), The Mark Has Been Made, Even Deeper

Still – Nine Inch Nails





















NOTA: 9,8/10


Três anos depois, o Nine Inch Nails lançava seu 4º álbum de estúdio intitulado Still. Após o The Fragile, este trabalho seria lançado originalmente como parte da coletânea And All That Could Have Been, funcionando como um complemento de estúdio ao álbum ao vivo principal. Porém, ao longo do tempo, o disco ganhou identidade própria justamente por revelar um lado extremamente íntimo e vulnerável do Trent Reznor. A produção, feita inteiramente por ele mesmo, é baseada em contenção, espaço e vulnerabilidade. Os arranjos são extremamente minimalistas com presença de Piano, violão, texturas ambientais suaves e instrumentação discreta substituem grande parte da violência eletrônica tradicional, dialogando muito mais com um lado Ambient, Art Rock e Rock acústico, com os vocais do Trent sendo mais confessionais. O repertório é incrível, e as canções ficaram belíssimas, todas muito bem interpretadas. No fim, é um disco incrível e bastante profundo. 

Melhores Faixas: And All That Could Have Been, The Fragile, The Day The World Went Away, Something I Can Never Have, The Becoming 
Vale a Pena Ouvir: Leaving Hope, The Persistence Of Loss

With Teeth – Nine Inch Nails





















NOTA: 8,8/10


Mais três anos se passaram, e foi lançado mais um trabalho da Nine Inch Nails, o With Teeth. Após o Still, Trent Reznor enfrentava vícios severos em drogas e álcool, isolamento criativo e um estado psicológico profundamente deteriorado. Ele havia alcançado enorme reconhecimento artístico, mas sua vida pessoal estava entrando em colapso. Esse trabalho nasce justamente após seu processo de reabilitação e sobriedade. Isso é fundamental para entender o álbum, porque ele possui uma energia muito diferente da dos discos anteriores. A produção foi mais seca, direta, rítmica e controlada. O álbum possui enorme foco em groove, dinâmica e impacto físico. Embora continue profundamente ligado ao Rock Industrial, a sonoridade é mais baseada em uma estrutura de banda do que em paisagens experimentais gigantescas, seguindo muito a vibe do Rock alternativo daquele período. O repertório é muito bom, e as canções são bastante pesadas. Enfim, é um ótimo disco e que é bastante direto. 

Melhores Faixas: The Hand That Feeds, Right Where It Belongs, Every Day Is Exactly The Same, You Know What You Are?, All The Love In The World, Getting Smaller 
Vale a Pena Ouvir: Beside You In Time, Sunspots, With Teeth

Year Zero – Nine Inch Nails




















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, foi lançado outro álbum do Nine Inch Nails, o Year Zero, que foi mais ambicioso. Após With Teeth, Trent Reznor decide expandir novamente a escala do projeto, mas agora direcionando sua atenção para questões políticas, paranoia estatal, manipulação social e colapso civilizacional. O conceito gira em torno de um futuro próximo fictício, no qual os Estados Unidos mergulharam em um regime autoritário teocrático, marcado por censura, militarização e drogas governamentais distribuídas à população. A produção, feita por ele junto com Atticus Ross, foi bastante experimental, já que mergulha em texturas digitais corroídas, ruídos fragmentados e manipulações eletrônicas desconfortáveis, juntando baterias militarizadas, sintetizadores mecânicos e guitarras processadas. Assim, o álbum faz uma junção entre Rock industrial, Electro-Industrial e até um pouco de IDM. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de crítica. No geral, é um ótimo disco e muito ousado. 

Melhores Faixas: Zero-Sum, The Good Soldier, The Great Destroyer, In This Twilight, Capital G 
Vale a Pena Ouvir: Survivalism, My Violent Heart, Meet Your Master, Me, The Greater Good, I'm Not

  

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Analisando Discografias - The Last Shadow Puppets

                  

The Age Of The Understatement – The Last Shadow Puppets





















NOTA: 9/10


Voltando para o ano de 2008, foi lançado o álbum de estreia do The Last Shadow Puppets, o The Age of the Understatement. Esse projeto foi formado em 2007 por Alex Turner e Miles Kane após o The Rascals abrir shows para os Arctic Monkeys. A química criativa ficou evidente rapidamente, principalmente pelo interesse mútuo em composições mais cinematográficas e influenciadas pelo Pop orquestral dos anos 60. A produção, feita por James Ford, trouxe um som bastante cinematográfico, com os arranjos orquestrais feitos por Owen Pallett, que criam uma sensação constante de grandiosidade dramática. Existe uma estética de espionagem, Western europeu e romance decadente atravessando o álbum inteiro. As cordas frequentemente entram de forma agressiva, dramática e expansiva, junto daquela instrumentação típica do Indie Rock cruzando com Chamber Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas e sentimentais. No fim, é um belo disco e bastante imersivo. 

Melhores Faixas: My Mistakes Were Made For You, Standing Next To Me, Separate And Ever Deadly, The Meeting Place, Calm Like You, Black Plant 
Vale a Pena Ouvir: I Don't Like You Anymore, Only The Truth

Everything You've Come To Expect – The Last Shadow Puppets





















NOTA: 8/10


No ano de 2016, foi lançado o 2º e possivelmente último álbum do The Last Shadow Puppets, o Everything You've Come to Expect. Após o The Age of the Understatement, Alex Turner se consolidou ainda mais com os Arctic Monkeys, principalmente na fase AM, na qual se tornou uma figura mais confiante. Enquanto isso, Miles Kane desenvolveu uma carreira solo marcada por forte influência Mod, Glam e Britpop. Para esse álbum, decidiram seguir por um lado mais caloroso, com sensualidade decadente e um certo glamour californiano melancólico. A produção, feita como sempre por James Ford, aposta em uma abordagem luxuosa, com o baixo ganhando protagonismo em várias faixas, as guitarras utilizando bastante reverb e efeitos suaves, e a bateria frequentemente mantendo ritmos lentos e hipnóticos, juntando Indie Rock, Chamber Pop e Pop psicodélico. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. No fim, é um disco bacana, apesar da pouca inovação. 

Melhores Faixas: Miracle Aligner, Sweet Dreams, TN, Used To Be My Girl 
Vale a Pena Ouvir: Aviation, The Dream Synopsis, Bad Habits

                                                                                   Então é isso e flw!!!             

Analisando Discografias - Miles Kane

                 

Colour Of The Trap – Miles Kane





















NOTA: 9/10


Em 2011, Miles Kane lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Colour of the Trap. O cantor, nascido em Birkenhead, em Merseyside, na Inglaterra, começou sua trajetória por volta de 2004, quando participou de algumas bandas locais, sendo a de maior destaque o The Rascals, que não durou muito tempo, mas foi importante para Alex Turner conhecê-lo e, assim, formar o The Last Shadow Puppets. Com isso, ele decidiu preparar um projeto que mergulhasse ainda mais fundo em referências vintage do que em seus trabalhos com Turner. A produção, feita por Dan Carey, Dan the Automator, Craig Silvey e Gruff Rhys, aposta em uma estética extremamente analógica, valorizando timbres quentes, guitarras vintage, reverbs clássicos e uma instrumentação que remete diretamente aos anos 60 e 70, juntando, assim, Mod, Rock de garagem e Chamber Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bem coeso. 

Melhores Faixas: Come Closer, Rearrange, Colour Of The Trap, Inhaler 
Vale a Pena Ouvir: Counting Down The Days, Better Left Invisible, Kingcrawler

Don't Forget Who You Are – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum dele, o Don't Forget Who You Are. Após o Colour of the Trap, esse novo trabalho do Miles Kane transmite a sensação de alguém que já encontrou sua estética e agora quer ampliá-la. O álbum é mais confiante, mais barulhento e mais voltado para refrões gigantescos. Se o primeiro trabalho equilibrava Indie e romantismo sessentista, aqui Kane mergulha com mais intensidade no Britpop e no Rock clássico britânico dos anos 70. A produção, feita inteiramente por Ian Broudie, trouxe uma abordagem mais expansiva, ainda seguindo a temática do Mod Revival, com guitarras bem dominantes e riffs amplos, uma seção rítmica que consegue ser elegante e, claro, o vocal do Miles, que ainda faz lembrar Liam Gallagher, só que agora de forma mais emocional. O repertório é legalzinho, e as canções vão de um lado energético a um mais melódico. No fim, é um disco bacana e mais ousado. 

Melhores Faixas: Don't Forget Who You Are, Fire In My Heart 
Vale a Pena Ouvir: Give Up, Tonight, Taking Over

Coup De Grace – Miles Kane





















NOTA: 6/10


Cinco anos se passaram, e ele voltou com mais um álbum novo, o Coup de Grace. Após o Don't Forget Who You Are, Miles Kane parecia cansado de repetir exatamente a fórmula Britpop e Mod dos dois primeiros discos solo. Então, ele quis se renovar, decidindo preservar seu amor pelo Rock britânico clássico, mas agora misturando isso com Post-Punk, Rock garageiro contemporâneo e até elementos mais dançantes. Fora isso, ele saiu da Columbia Records e entrou na Virgin EMI Records. A produção, feita por John Congleton, trouxe uma abordagem mais expansiva, com as guitarras extremamente importantes, mas agora aparecendo de maneira mais nervosa, distorcida e fragmentada. A cozinha rítmica é mais explosiva, além da presença de sintetizadores que colocam certa tensão, mas tudo soa bastante arrastado e repetitivo. O repertório é irregular: tem canções boas e outras fraquíssimas. No geral, é um álbum mediano, e faltou maior direcionamento. 

Melhores Faixas: Killing The Joke, Loaded, Wrong Side Of Life 
Piores Faixas: Coup De Grace, Too Little Too Late, Cry On Me Guitar

Change The Show – Miles Kane





















NOTA: 8,3/10


Em 2022, foi lançado mais um trabalho de Miles Kane, o Change the Show, que seguiu uma proposta mais retrô. Após o Coup de Grace, o cantor acabou saindo da Virgin EMI Records e foi para a BMG, decidindo construir algo mais caloroso, dançante e positivo. Se os trabalhos anteriores frequentemente mergulhavam em guitarras agressivas e no glamour do Rock clássico, agora ele aposta muito mais em Pop Soul, grooves suaves, Indie dançante e arranjos vintage extremamente polidos. A produção, conduzida por Oscar Robertson e David Bardon, segue uma sonoridade extremamente calorosa. Os arranjos são fortemente influenciados pelo Northern Soul e pelo Pop britânico vintage. As guitarras agora aparecem de maneira mais elegante. Em vez de riffs explosivos, muitas músicas priorizam grooves, linhas de baixo dançantes e uma instrumentação sofisticada. O repertório é muito legal, e as canções são bastante aconchegantes. No fim, é um ótimo disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Tell Me What You're Feeling, See Ya When I See Ya, Adios Ta-Ra Ta-Ra
Vale a Pena Ouvir: Don't Let It Get You Down, Change The Show

One Man Band – Miles Kane





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, foi lançado mais um álbum novo dele, o One Man Band, que voltou para abordagem de antes. Após o Change the Show, Miles Kane passou a lançar seus trabalhos de forma independente, além de refletir sobre envelhecimento artístico e sobre a dificuldade de equilibrar vida pessoal e persona pública. Apesar disso, o álbum evita mergulhar em uma melancolia pesada. Em vez disso, transforma esses temas em músicas vibrantes, cheias de groove e melodias acessíveis. Produzido por James Skelly, o disco adiciona guitarras mais presentes, refrões mais expansivos e uma atmosfera emocional um pouco mais intensa. Os arranjos continuam extremamente influenciados pelo Pop britânico setentista, Mod Revival e, claro, Indie Rock e Britpop, mas o maior problema é que muitos dos grooves soam comprimidos e parecem faltar mais detalhes. O repertório começa até bem, mas depois dá uma caída forte, com canções mais chatinhas. Enfim, é um álbum irregular e soa genérico. 

Melhores Faixas: Troubled Son, The Wonder, Ransom 
Piores Faixas: Baggio, Heartbreaks The New Sensation, Never Taking Me Alive

Sunlight In The Shadows – Miles Kane





















NOTA: 8/10


Então chegamos ao ano de 2025, quando foi lançado seu 6º e último álbum até o momento, o Sunlight in the Shadows. Após o One Man Band, Miles Kane planejava voltar a trabalhar com seus primos James Skelly e Ian Skelly, mas acabou aceitando o convite de Dan Auerbach para gravar em Nashville, no estúdio Easy Eye Sound. Decidindo mergulhar profundamente em uma estética de Rock setentista cheio de poeira, psicodelia leve, guitarras saturadas e grooves analógicos. A produção, feita por Dan Auerbach, é bastante orgânica e sofisticada, com guitarras constantemente saturadas, cheias de tremolo, fuzz e reverbs naturais. A bateria tem uma textura bem seca, o baixo é profundo, e os teclados são mais discretos, deixando o vocal intimista do Miles no centro, transitando entre Mod, Blue-Eyed Soul e Rock de garagem. O repertório é muito legal, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco interessante e mais variado. 

Melhores Faixas: Coming Down The Road, I Pray 
Vale a Pena Ouvir: Blue Skies, Electric Flower, Sing A Song To Love

 

terça-feira, 12 de maio de 2026

Analisando Discografias - Black Alien

                  

Babylon By Gus - Volume 1 - O Ano Do Macaco – Black Alien





















NOTA: 10/10


Voltando ao ano de 2004, o Black Alien lançava seu 1º trabalho solo, o Babylon By Gus - Volume 1 - O Ano Do Macaco. Após o fim do Planet Hemp, o rapper de São Gonçalo já era reconhecido como um dos MCs tecnicamente mais impressionantes do país, dono de um vocabulário incomum, flows elásticos e uma escrita que misturava filosofia de rua, humor ácido, referências espirituais, crônicas urbanas e observações sociais extremamente sofisticadas. Esse trabalho também é carregado de crítica social, além de trazer uma referência a Bob Marley no título. A produção, conduzida por Alexandre Basa, cria um som que mistura o peso do Boom Bap com a fluidez do Reggae jamaicano. Há linhas de baixo extremamente profundas, guitarras dubadas, percussões orgânicas, scratches discretos e baterias que alternam entre agressividade e swing. O repertório é sensacional e parece uma coletânea, já que só tem canções excepcionais. No fim, é um baita disco e um clássico do Rap nacional. 

Melhores Faixas: Babylon By Gus, Como Eu Te Quero, Estilo Do Gueto, Mister Niteroi, From Hell Do Céu, Caminhos Do Destino, Na Segunda Vinda 
Vale a Pena Ouvir: América 21, U-Informe

Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo – Black Alien





















NOTA: 7/10


Foi apenas em 2015 que foi lançado o tão aguardado Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo. Após o Babylon By Gus - Volume 1, o Black Alien atravessou um período extremamente turbulento, marcado por dependência química, internações, isolamento e uma longa reconstrução pessoal. O próprio artista já declarou que o disco representa uma nova fase de vida, quase como um recomeço espiritual. A produção, feita pelo rapper junto com Alexandre Basa, segue por um caminho mais emocional e amplo. As influências do Rap e do Ragga continuam presentes, mas agora aparecem com enorme destaque elementos de Soul, R&B e Rock. As beats são mais orgânicas e permitem que baixos, guitarras, metais, scratches e percussões convivam sem excesso de informação, mesmo que esses elementos não se encaixem. O repertório é até legal, com canções divertidas, só que com algumas fraquinhas. Enfim, é um disco bom, mas que possui muitas falhas. 

Melhores Faixas: Skate No Pé (ótima feat do Parteum e Kamau), Somos O Mundo, Rock 'N' Roll (Edi Rock mandou bem), Identidade, O Estranho Vizinho Da Frente 
Piores Faixas: 1972 (Intro), Rolo Compressor, Quem É Você?
  

Abaixo De Zero: Hello Hell – Black Alien





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 2019, ano em que foi lançado seu excepcional 3º e último álbum até então, o Abaixo De Zero: Hello Hell. Após o Babylon By Gus, Vol. II: No Princípio Era O Verbo, esse novo trabalho se tornou praticamente um retrato da sobrevivência psicológica do Black Alien. Se o segundo Babylon By Gus já era um álbum introspectivo e espiritual, aqui tudo fica ainda mais direto, vulnerável e autobiográfico. A produção, feita inteiramente por Papatinho, é extremamente detalhada, cheia de texturas, graves profundos, baterias pesadas e atmosferas espaciais, sem abandonar a musicalidade orgânica que sempre acompanhou o rapper. O álbum mistura Boom Bap, Trap, Dub, Jazz Rap, Chipmunk Soul e psicodelia de maneira extremamente natural, com os flows técnicos e suaves do Black se encaixando perfeitamente. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo uma coletânea. Em suma, é um disco sensacional e uma obra-prima contemporânea da música brasileira. 

Melhores Faixas: Aniversário De Sobriedade, Vai Baby, Que Nem Meu Cachorro, Carta Pra Amy, Take Ten 
Vale a Pena Ouvir: Área 51, Jamais Serão


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - Sain

                  

Dose de Adrenalina – Sain





















NOTA: 8,5/10


No nosso querido ano de 2017, o Sain lançava seu 1º trabalho solo, o Dose de Adrenalina. Sua trajetória no Rap começou desde pequeno, já que ele era filho da lenda Marcelo D2, e desde cedo participou de alguns projetos do pai, sendo a participação no Acústico MTV a mais notória. Lá por volta do fim dos anos 2000, ele formou o grupo Start, que teve um certo reconhecimento, mas não durou muito tempo. A virada de chave veio quando ele passou a fazer parte do coletivo Pirâmide Perdida, começando a ganhar mais visibilidade naquele período que viria a ser o ano lírico. A produção, feita por ele, contou também com nomes como Coyote Beatz, El Lif Beatz e WC no Beat, entre outros, seguindo uma estética extremamente atmosférica, baseada no Boom Bap, com samples quentes e beats secas. Há uma influência clara do Jazz Rap, mas filtrada por uma estética Lo-fi. O repertório é muito bom, e as canções são carregadas de leveza. Enfim, é um ótimo álbum de estreia e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Doses de Adrenalina (Luccas Carlos mandando bem), Quem é da Área (ótima feat do BK’), Pronto, Eu Sei Bem (Felp Cacife mandando bem) 
Vale a Pena Ouvir: Prato do Dia, Prato do Dia

Slow Flow – Sain





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e o Sain lançou seu 2º álbum solo, intitulado Slow Flow, que foi bem mais amplo. Após o Dose de Adrenalina, esse trabalho soa como um retrato pessoal, fechado e extremamente concentrado na atmosfera. O título do álbum também ajuda a entender sua proposta: veio de uma música do rapper americano Evidence, além de refletir o jeito arrastado e relaxado de rimar que seus amigos já associavam a ele. A produção, feita pelo rapper junto com El Lif Beatz, partiu para uma abordagem mais crua e direta, com beats econômicas, muitas vezes construídas com poucos elementos: bateria seca, samples de Jazz e Soul, baixos profundos e loops hipnóticos, refletindo a estética do Boom Bap, o que faz encaixar perfeitamente seu flow cadenciado. O repertório é legalzinho, e as canções são bem imersivas, mesmo com algumas faixas fracas. No fim, é um álbum bacana, que trouxe um lado bem cinematográfico. 

Melhores Faixas: Rosas e Rimas, Hoodfellas, Faixa 7 
Piores Faixas: Lobbies de Hotéis, Skit KM
  

KTT ZOO – Sain





















NOTA: 9,4/10


Então chegamos a 2023, ano em que foi lançado o maravilhoso 3º álbum do Sain, o KTT ZOO. Após o Slow Flow, o rapper decidiu fazer um álbum mais expansivo, visual e conceitual, mantendo a identidade do Jazz Rap e do Boom Bap, que naquele período passavam por um revival graças ao sucesso do Febre90s, mesmo com o Trap ainda estando no topo. Esse título é uma referência clara ao Catete, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro, onde Sain cresceu e desenvolveu boa parte da sua vivência artística, enquanto “Zoo” simboliza justamente a diversidade humana. A produção, feita inteiramente pelo rapper, traz beats cruas, com samples jazzísticos, baixos profundos, baterias secas e loops hipnóticos, refletindo a vibe do Boom Bap nova-iorquino dos anos 90 com textura Lo-fi e Drumless, encaixando perfeitamente com o seu flow cadenciado. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de profundidade. No fim, é um belo álbum e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Aquelas Coisas Mais Pra Frente, Demanda, Lucro (Felp mandou bem demais), Momentos, Iori Incorporado 
Vale a Pena Ouvir: Relíquia Do Boom Bap, Ebi no Tempura (Febem mandou bem)


Review: The Other Side do Seu Jorge

                      The Other Side – Seu Jorge NOTA: 9,2/10 Alguns dias atrás, Seu Jorge retornou lançando mais um álbum, o The Other Side...