segunda-feira, 8 de junho de 2026

Review: Hum Of Hurt do Converge

                     

Hum Of Hurt – Converge





















NOTA: 9,1/10


Alguns dias atrás, de forma surpreendente, o Converge lançou mais um disco, o Hum Of Hurt. Após o Love Is Not Enough, a banda tinha cerca de 27 ideias de músicas e pelo menos 17 faixas completas. Conforme o material foi tomando forma, os integrantes perceberam que haviam criado dois trabalhos distintos e decidiram separá-los em dois álbuns independentes. A produção, feita pela própria banda, manteve aquela brutalidade característica, mas com uma atenção maior à construção atmosférica e às dinâmicas emocionais. Os riffs do Kurt Ballou continuam abrasivos, só que agora mais dramático. Nate Newton oferece linhas de baixo pesadas, Ben Koller entrega uma bateria devastadora. Já os vocais do Jacob Bannon transmitem exaustão e desespero em medidas praticamente iguais, dialogando com elementos do Post-Hardcore e Metalcore. O repertório é incrível, e as canções são pesadas e urgentes. No fim, é um belo disco que demonstra a versatilidade da banda. 

Melhores Faixas: Doom In Bloom, Dream Debris, Slip The Noose, Detonator 
Vale a Pena Ouvir: I Won't Let You Go, Nothing Is Over

                                                                                        É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Nas: Parte 2

                 

King's Disease II – Nas





















NOTA: 8,9/10


No ano seguinte, Nas lançou o King's Disease II, que seguiu por um caminho ainda mais variado. Após o King's Disease, o rapper encontrava-se em uma posição rara: mais de vinte e cinco anos após sua estreia com Illmatic, ele vivia um dos períodos mais elogiados de sua trajetória artística, estando completamente confortável em seu papel de veterano respeitado e utilizando décadas de experiência para refletir sobre riqueza, legado, sobrevivência, família e crescimento pessoal. A produção do Hit-Boy foi mais expansiva e ambiciosa, com samples bastante variados, indo do Soul, Funk, R&B e Gospel. Tudo isso transita entre Boom Bap, Jazz Rap e alguns momentos de trap, fazendo com que Nas explore um flow mais variado, algo que funciona muito bem. O repertório é ótimo, e as canções são profundas e bem construídas. No fim, é um ótimo disco, bastante elegante e reflexivo. 

Melhores Faixas: Moments (Lauryn Hill amassou), Death Row East, Moments, Store Run, The Pressure, Rare, Nas Is Good 
Vale a Pena Ouvir: 40 Side, Count Me In, My Bible

Magic – Nas





















NOTA: 9,8/10


Chegando ao fim da década de 90, o Aphex Twin lançou outro EP, intitulado Windowlicker. Após o Come to Daddy, o impacto cultural desse trabalho foi amplificado pelo videoclipe dirigido por Chris Cunningham. O vídeo da faixa-título tornou-se instantaneamente icônico graças à mistura de humor grotesco, estética surrealista e desconforto psicológico. Richard aparecia novamente explorando sua imagem pública caricatural, usando seu próprio rosto de maneira exagerada e perturbadora. A produção foi mais sofisticada. Os timbres possuem uma profundidade impressionante, os ritmos são extremamente complexos e a espacialidade sonora é quase cinematográfica, dialogando muito mais com a IDM. Richard continua explorando breakbeats fragmentados e baterias impossivelmente rápidas, mas agora com um acabamento muito mais limpo e elegante. O repertório contém 3 faixas muito legais, que conseguem te envolver. No geral, é um ótimo EP e muito divertido. 

Melhor Faixa: Windowlicker 
Vale a Pena Ouvir: Nannou, Equation (Formula)

King's Disease III – Nas





















NOTA: 10/10


E aí, no fim do ano de 2022, ele enfim retornou com o tão aguardado King's Disease III. Após O Magic, a expectativa para essa continuação era enorme. Muitos fãs se perguntavam se ainda existiam novos caminhos a serem explorados dentro do conceito iniciado em 2020. Em vez de simplesmente repetir fórmulas anteriores, Nas utilizou o álbum como uma oportunidade para fazer um balanço abrangente de sua vida, sua carreira e seu legado. A produção de Hit-Boy foi para um lado mais diversificado, com beats bem orgânicos; pianos elegantes, cordas discretas, baixos profundos e baterias cuidadosamente programadas aparecem constantemente. Os elementos dO Boom Bap, Jazz Rap, Trap e Chipmunk Soul são combinados de forma riquíssima, enquanto os flows do Nas atingem um nível técnico impressionante. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea, só tendo música incrível. Enfim, é um álbum sensacional e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Legit, Thun, Reminisce, Michael & Quincy, Once A Man, Twice A Child, First Time, I'm On Fire, Beef 
Vale a Pena Ouvir: Get Light, Ghetto Reporter, Don't Shoot

Magic 2 – Nas





















NOTA: 8,8/10


Mais um ano se passou, e Nas lançou Magic 2, que seguiu um caminho diferente. Após o fim da trilogia King's Disease, foi decidido voltar para essa outra trilogia, focada em álbuns menos conceituais e mais centrados na química entre Nas e Hit-Boy, na excelência técnica e na capacidade de criar músicas envolventes. O álbum apresenta o rapper confortável com sua posição histórica, mas ainda curioso, criativo e disposto a explorar diferentes atmosferas musicais. A produção seguiu por um aspecto mais diversificado, com beats mais variados, transitando entre Jazz Rap, Boom Bap e Trap. Os samples são mais puxados para Soul, Funk e até Reggae, mostrando que Hit-Boy ampliou seu leque musical. Com isso, temos texturas sonoras variadas e arranjos que mantêm a audição dinâmica. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas, além de bastante profundas. Enfim, é um ótimo disco que consegue ser muito agradável. 

Melhores Faixas: Motion, Office Hours (50 Cent mandou bem), What This All Really Means, One Mic, One Gun (ótima feat do 21 Savage) 
Vale a Pena Ouvir: Bokeem Woodbine, Earvin Magic Johnson, Slow It Down

Magic 3 – Nas





















NOTA: 9/10


Poucos meses depois, essa trilogia foi finalizada com Magic 3, que representou uma junção de tudo o que veio antes. Após o Magic 2, essa conclusão serve como uma síntese de tudo o que Nas e Hit-Boy construíram ao longo daqueles anos. O álbum mistura nostalgia, maturidade, observação social, técnica refinada e celebração artística. Além disso, Nas encontrava-se em uma posição única dentro do Rap. Pouquíssimos artistas de sua geração continuavam lançando música em alto nível. A produção foi bastante equilibrada, reunindo elementos de Boom Bap, Trap, Chipmunk Soul e até um pouco de Cloud Rap, tudo alinhado em beats orgânicos, samples discretos e baterias igualmente discretas. Além disso, o flow do Nas consegue ser bastante técnico e, em alguns momentos, até agressivo. O repertório é ótimo, e as canções são reflexivas, variadas e muito bem construídas. No final de tudo, é um disco bacana que encerra de forma decente essa parceria. 

Melhores Faixas: I Love This Feeling, Never Die (nunca imaginei Lil Wayne num Boom Bap), Based On True Events, Pt. 2, Jodeci Member, Based On True Events, Speechless, Pt. 2 
Vale a Pena Ouvir: Superhero Status, Japanese Soul Bar, Blue Bentley, Pretty Young Girl

Light-Years – Nas & DJ Premier





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos a 2025, quando Nas lançou seu mais recente álbum colaborativo com DJ Premier, o Light Years. Após o Magic 3, ele decidiu revisitar uma parceria histórica que ajudou a definir sua identidade artística desde Illmatic. Porém, em vez de simplesmente recriar o passado, o álbum procura estabelecer uma ponte entre diferentes momentos de sua carreira. Com Nas frequentemente olhando para trás, ele revisita experiências antigas e reflete sobre o tempo, mas sem abandonar completamente o presente. A produção é crua, com beats pesados, baterias secas, scratches, samples de Soul e loops cuidadosamente construídos. O álbum dialoga bastante com o Boom Bap dos anos 90, além de incorporar elementos de Jazz Rap e Turntablism, fazendo com que os flows do Nas sejam precisos e cadenciados. O repertório é bem legal, e as canções são leves e bem profundas. No geral, é um ótimo disco que vai envelhecer muito bem. 

Melhores Faixas: Writers, My Story Your Story (AZ mandou bem), Madman 
Vale a Pena Ouvir: Welcome To The Underground, Sons (Young Kings), Pause Tapes, Bouquet (To The Ladies)


domingo, 7 de junho de 2026

Analisando Discografias - Nas: Parte 1

                   

It Was Written – Nas





















NOTA: 10/10


Em 1996, o Nas lançava seu 2º álbum de estúdio, o It Was Written, que trouxe algumas mudanças. Após o atemporal Illmatic, o Rap tornava-se cada vez mais comercial. Artistas estavam alcançando números de vendas enormes, e as gravadoras buscavam transformar rappers em estrelas de alcance nacional. Nas percebeu essa mudança e decidiu ampliar sua abordagem. Em vez de repetir a estética minimalista e extremamente crua de seu debut, ele procurou criar um álbum mais ambicioso, cinematográfico e acessível. A produção contou com DJ Premier, Trackmasters, Live Squad, entre outros, que fizeram beats mais orgânicos, com samples de Soul, linhas de baixo marcantes e baterias mais limpas. Isso ajudou a tornar o álbum mais acessível sem abandonar completamente suas raízes de rua, juntando Boom Bap, Gangsta Rap e Rap Mafioso. O repertório é novamente sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um álbum espetacular e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: If I Ruled The World (Imagine That) (Lauryn Hill sensacional como sempre), The Message, Street Dreams, Take It In Blood, Nas Is Coming (produção do Dr. Dre), I Gave You Power 
Vale a Pena Ouvir: Shootouts, Watch Dem Niggas, Affirmative Action

I Am... – Nas





















NOTA: 6,4/10


Três anos se passaram, e Nas lançava mais um álbum, o I Am..., que foi bem diferente. Após o It Was Written, esse projeto havia sido concebido como um álbum duplo ambicioso. Ele vinha acumulando uma enorme quantidade de material e pretendia lançar uma obra extensa, explorando temas como espiritualidade, criminalidade, riqueza, fama, política e reflexões existenciais. Porém, uma grande quantidade de músicas vazou antes do lançamento oficial, obrigando mudanças significativas na seleção final das faixas. A produção contou com alguns novos nomes, como Timbaland e Dame Grease, que seguiram por beats mais polidos, com forte presença de pianos melancólicos, cordas dramáticas e linhas de baixo marcantes. Até que o flow do Nas é competente, mas o problema é que tudo fica bem arrastado e com ideias que não funcionam. O repertório começa bem, mas depois decai rapidamente. Enfim, é um disco mediano que mostrou uma queda de qualidade. 

Melhores Faixas: Nas Is Like, Hate Me Now (Puff Daddy até que mandou bem), Life Is What You Make It (DMX bem demais), Favor For A Favor 
Piores Faixas: Ghetto Prisoners, You Won't See Me Tonight, I Want To Talk To You, Dr. Knockboot

Nastradamus – Nas





















NOTA: 1/10


Meses depois, ele voltou com seu 4º álbum, o infame e horroroso Nastradamus. Após o I Am..., que havia sido profundamente afetado por vazamentos de músicas antes de seu lançamento, uma grande quantidade de material precisou ser reorganizada. Parte dessas gravações acabou sendo utilizada nesse projeto, enquanto outras foram retrabalhadas ou substituídas. Ao mesmo tempo, o disco também tenta manter sua relevância comercial através de músicas mais acessíveis voltadas para o rádio. A produção foi basicamente a mesma, com tudo sendo bem polido e acessível, apresentando maior presença de teclados, cordas sintetizadas, refrães melódicos e, claro, beats limpos que dialogam com o Gangsta Rap e até com o R&B. Só que tudo aqui soa como feito às pressas e com escolhas esquisitas. O repertório é terrível, e as canções chegam a ser ridículas e bastante medíocres. No final, é um álbum horroroso e uma das maiores porcarias já lançadas. 

Melhores Faixas: (..................................) 
Piores Faixas: You Owe Me, Last Words (nem Mobb Deep salvou), Some Of Us Have Angels, Nastradamus, New World, Shoot 'Em Up

Stillmatic – Nas





















NOTA: 9,5/10


No final de 2001, Nas retorna com um novo disco, o Stillmatic, e aqui as coisas deram certo. Após o tenebroso Nastradamus, ele havia se afastado da excelência que o transformou em uma lenda. Ao mesmo tempo, surgia um novo desafio. Durante esse período, Jay-Z consolidava sua posição como principal nome do Rap nova-iorquino. Comentários, indiretas e provocações entre os dois artistas acabaram evoluindo para uma das rivalidades mais famosas da história do gênero, com Jay-Z tendo lançado a diss Takeover. A produção contou com DJ Premier, Large Professor, Chucky Thompson, entre outros, que apostaram em beats mais orgânicos que dialogam com o Boom Bap, além da presença de pianos, cordas, samples de soul e atmosferas melancólicas. Fora que os flows do Nas estão bem precisos e afiadíssimos. O repertório é incrível, e as canções são profundas e carregadas de mensagem. No fim, é um baita disco e uma volta por cima. 

Melhores Faixas: One Mic, Ether (devolveu o troco em cima do Jay-Z), 2nd Childhood, Got Ur Self A..., You're Da Man, What Goes Around 
Vale a Pena Ouvir: Every Ghetto, Smokin', Rule (Amerie só no refrão)

The Lost Tapes – Nas





















NOTA: 9,7/10


No ano seguinte, Nas lançou uma coletânea chamada de The Lost Tapes, carregada de material inédito. Após o Stillmatic, a existência desse trabalho está diretamente ligada ao famoso vazamento que afetou o projeto original de I Am... no final dos anos 1990. Diversas músicas planejadas para aquele trabalho circularam ilegalmente antes do lançamento, forçando Nas e sua gravadora a alterarem completamente o material que seria lançado. A produção contou com The Alchemist, Precision, L.E.S. e afins, que adotaram uma estética mais crua, com beats variados que contêm pianos suaves, baixos profundos e um estilo voltado para o Boom Bap e o Jazz Rap. Além disso, o rapper segue por um caminho mais profundo, assumindo a postura de um observador das ruas. O repertório é sensacional, e as canções são reflexivas e introspectivas. Enfim, é um ótimo trabalho e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Purple, Doo Rags, No Idea's Original, My Way, Drunk By Myself, Nothing Lasts Forever 
Vale a Pena Ouvir: Black Zombie, Blaze A 50, Poppa Was A Playa

God's Son – Nasir Jones





















NOTA: 9/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado seu 6º álbum intitulado God's Son, que seria mais profundo. Após o The Lost Tapes, o Nas enfrentou uma perda profundamente pessoal: a morte de sua mãe, Ann Jones, vítima de câncer. Essa tragédia influenciou profundamente a concepção do álbum. Enquanto Stillmatic era marcado por confrontos, afirmação artística e competitividade, esse novo álbum apresenta um artista mais introspectivo e emocionalmente vulnerável. Produção feita pelo rapper junto com The Alchemist, Salaam Remi, Eminem e entre outros, foi mais variada com utilização de pianos suaves, cordas emocionais, vocais sampleados e linhas melódicas que reforçam o caráter introspectivo. Conseguindo até que juntar elementos contemporâneos sem abandonar seu estilo característico. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas, mesmo com algumas fracas. Enfim, é um belo disco e que consegue te prender. 

Melhores Faixas: Get Down, Made You Look, Thugz Mansion (N.Y.) (utilizaram bem uma gravação do 2Pac), Heaven, I Can, Warrior Song (Alicia Keys mandando bem) 
Piores Faixas: Dance, Zone Out

Street's Disciple – Nas





















NOTA: 4/10


Dois anos depois, foi lançado um álbum duplo do Nas, o Street's Disciple, que tentou ser mais conceitual. Após o God’s Son, o rapper vinha acumulando e sua vontade de explorar diferentes aspectos de sua personalidade artística. O período também coincidiu com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu relacionamento com Kelis estava em evidência, sua posição na indústria era mais estável e ele parecia menos preocupado em provar algo aos críticos. Produção contou com Chucky Thompson, Salaam Remi e entre outros, que colocaram beats mais amplos seguindo um pouquinho do Boom Bap com a presença de samples de Soul, Jazz, Funk, R&B e Gospel. Só que o grande problema é que muita coisa soa bem excessiva e faltando um maior detalhe ficando meio que uma encheção de linguiça. Refletindo, num repertório bem ruim, com canções que são bem genéricas e com algumas exceções. No geral, é um álbum fraquíssimo e que é bem arrastado. 

Melhores Faixas: Just A Moment, Message To The Feds, Sincerely, We The People, Reason, Bridging The Gap 
Piores Faixas: Suicide Bounce (Busta Rhymes perdido), You Know My Style, These Are Our Heroes, Rest Of My Life, Me & You (Dedicated To Destiny), Virgo (Ludacris mal aproveitado aqui), U.B.R. (Unauthorized Biography Of Rakim), The Makings Of A Perfect Bitch

Hip Hop Is Dead – Nas





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, ele voltou com mais um álbum novo intitulado Hip Hop Is Dead. Após o Street's Disciple, esse título desse novo projeto gerou enorme controvérsia antes mesmo do lançamento. Ao declarar que "o hip hop está morto", Nas não estava afirmando literalmente o fim da cultura. Sua intenção era provocar debate sobre os rumos do gênero. Na sua visão, o Rap comercial havia se tornado excessivamente dependente de fórmulas repetitivas, ostentação superficial e interesses corporativos. Produção feita por ele junto com Salaam Remi, L.E.S., Kanye West e entre outros, combina elementos clássicos do Boom Bap com influências contemporâneas dos anos 2000, criando uma sonoridade que dialoga simultaneamente com passado e presente. Só que é aquilo com o tempo isso fica bem monótono e faltando algo mais dinâmico. O repertório é irregular, tem canções boas e outras bem sem graça. Enfim, é um álbum mediano e bem impreciso. 

Melhores Faixas: Still Dreaming (Kanye West no auge não preciso dizer nada), Carry On Tradition, Black Republican (Jay-Z mandando bem), Hip Hop Is Dead (produzido pelo will.i.am do Black Eyed Peas) 
Piores Faixas: Can't Forget About You, Hope, Where Are They Now, Who Killed It?

Untitled – Nas





















NOTA: 5/10


Em 2008, Nas volta com seu 9º álbum, que não possuía título, sendo então chamado de Untitled. Após o Hip Hop Is Dead, o álbum tornou-se alvo de intenso debate porque o rapper pretendia inicialmente chamá-lo de Nigger. A escolha tinha como objetivo provocar discussões sobre racismo, identidade negra e a forma como determinadas palavras carregam significados históricos complexos dentro da sociedade americana. Porém, devido à reação pública, esse trabalho ficou sem título, também para evitar problemas para a Def Jam Recordings. A produção foi feita por Jay Electronica, Mark Ronson, entre outros, que seguiram uma temática mais polida e acessível, com beats contemporâneos dos anos 2000 combinados com a tradição que sempre acompanhou os trabalhos do Nas. Mas tudo soa bastante repetitivo, repetindo os mesmos erros. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras genéricas. No fim, é mais um álbum mediano que não funcionou. 

Melhores Faixas: You Can't Stop Us Now, N.I.*.*.E.R. (The Slave And The Master), America
Piores Faixas: Hero, We're Not Alone, Make The World Go Round (Chris Brown mal demais e The Game totalmente apagado)

Life Is Good – Nas





















NOTA: 8,7/10


Foi só em 2012 que Nas lançou seu 10º álbum de estúdio, o Life Is Good, que foi bem mais profundo. Após o Untitled, o rapper enfrentava o fim de seu casamento com Kelis, um divórcio amplamente divulgado pela imprensa e que influenciaria diretamente o conteúdo do álbum. Ao chegar aos quarenta anos, Nas encontrava-se numa posição rara dentro do Hip-Hop/Rap. Muitos rappers de sua geração haviam desaparecido ou repetiam fórmulas antigas. Ele, por outro lado, buscava criar uma obra que refletisse amadurecimento, experiência e autoconhecimento. A produção, feita por Salaam Remi, No I.D. e afins, é sofisticada, elegante e extremamente orgânica, contendo beats variados, arranjos ricos, baixos suaves, pianos melancólicos, cordas discretas e samples cuidadosamente selecionados. Existe uma sensação constante de refinamento musical. O repertório é ótimo, e as canções são reflexivas e sentimentais. No geral, é um álbum bacana e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Loco-Motive, Cherry Wine (participação da Amy Whinehouse), Stay, Daughters 
Vale a Pena Ouvir: You Wouldn't Understand, Accident Murderers (Rick Ross mandando bem), The Don

Nasir – Nas





















NOTA: 8,5/10


Foi só seis anos depois que Nas retornou lançando um novo disco, intitulado Nasir. Após o Life Is Good, o rapper, nesse meio-tempo, fez uma parceria com a Mass Appeal, criando a gravadora independente de mesmo nome. Esse trabalho fez parte daquela série de álbuns que Kanye West produziu integralmente para diversos artistas, incluindo seus próprios lançamentos, conhecida como Wyoming Sessions, cujos discos eram bem curtinhos e refletiam sua visão criativa. A produção foi bastante fragmentada, com Kanye utilizando samples de Soul e Gospel, baterias minimalistas e mudanças abruptas de estrutura. Samples surgem e desaparecem, elementos sonoros entram de maneira inesperada e várias músicas possuem uma construção quase experimental. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e carregadas de crítica política e social. No fim, é um ótimo disco e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Everything, Adam And Eve 
Vale a Pena Ouvir: White Label, Cops Shot The Kid (Kanye e suas maluquices)

King's Disease – Nas





















NOTA: 8,5/10


Entrando em 2020, ele lançou mais um álbum novo, o King's Disease, que trazia uma abordagem diferente. Após o Nasir, ele decidiu se unir ao produtor Hit-Boy, uma parceria que acabaria se tornando uma das mais importantes de sua carreira. O título faz referência a uma expressão associada aos problemas que acompanham riqueza, sucesso e poder. A ideia central do álbum gira em torno das consequências da ascensão social. Nas examina o que acontece quando alguém alcança objetivos que antes pareciam impossíveis. A produção foi bem variada e eficaz, com beats sofisticados, mas raramente excessivamente complexos. Os beats transitam entre Boom Bap, R&B, Drumless e até Trap, enquanto Nas consegue apresentar um flow preciso e cadenciado nos momentos certos. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser profundas e tematicamente interessantes. Em suma, é um ótimo disco e ainda era só o começo. 

Melhores Faixas: The Cure, All Bad (ótima feat do Anderson. Paak), 10 Points 
Vale a Pena Ouvir: Blue Benz, Full Circle, Replace Me (Don Toliver e Big Sean mandaram bem)

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

sábado, 6 de junho de 2026

Analisando Discografias - Lord Infamous

                 

The Man The Myth The Legacy – Lord Infamous





















NOTA: 8/10


No ano de 2007, Lord Infamous lançou seu 1º álbum solo, o The Man, The Myth, The Legacy. Após o Da Unbreakables, o rapper deixou o Three 6 Mafia e passou a desenvolver sua própria trajetória por meio da Black Rain Entertainment, selo criado ao lado de II Tone. O álbum surgiu como seu primeiro grande trabalho solo distribuído nacionalmente, algo que os fãs aguardavam havia muitos anos desde o período das mixtapes dos anos 90. A produção ficou a cargo de D.J. Sounds, Enigma, Jae Bino, Quota e St. Kittz, que utilizaram graves pesados, baterias agressivas, sintetizadores sombrios e uma atmosfera urbana carregada. Os beats alternam entre o Memphis Rap e o Crunk, mantendo a crueza característica e colocando o flow preciso e acelerado de Infamous no centro. O repertório é ótimo, e as canções são agressivas e, ao mesmo tempo, descontraídas. No geral, é um ótimo álbum de estreia que acabou passando despercebido. 

Melhores Faixas: Pussy Stank, Jump, Ism 
Vale a Pena Ouvir: These Hoes, Money, Parking Lot, Club House Click

Scarecrow Tha Terrible – Lord Infamous





















NOTA: 8/10


Quatro anos depois, Lord Infamous lançou seu 2º álbum solo, o Scarecrow Tha Terrible. Após o The Man The Myth The Legacy, esse novo disco demonstra um esforço maior para recuperar elementos que haviam tornado o rapper uma figura cultuada no underground. O resultado é um trabalho mais obscuro, mais agressivo e mais alinhado à imagem que os fãs antigos associavam ao artista. A produção ficou a cargo de Mr. Maceo em parceria com o próprio rapper, seguindo um caminho mais moderno, com baterias mais limpas e graves pesados. Por outro lado, boa parte da atmosfera remete ao Memphis Rap dos anos 1990 e ao Horrorcore. Os sintetizadores sombrios, os efeitos assustadores, os timbres ameaçadores e os climas quase cinematográficos aparecem constantemente ao longo do disco. O repertório é ótimo, e as canções são bastante sombrias e energéticas. No fim, é um ótimo disco e que é bem pesado. 

Melhores Faixas: Come Back To Hell, Not All There 
Vale a Pena Ouvir: Wow, Vengeance, Psycho, Getcha Touched

King Of Horrorcore – Lord Infamous





















NOTA: 8,5/10


No ano seguinte, Lord Infamous lançava mais um álbum solo, o King of Horrorcore. Após o Scarecrow Tha Terrible, ele já estava estabelecido em sua carreira solo, e esse álbum reflete algo que havia construído ao longo dos anos: uma reputação baseada em letras macabras, narrativas violentas, imagens sobrenaturais e um flow que parecia saído diretamente de um pesadelo. Ao adotar esse título, ele praticamente reivindicava sua posição dentro do gênero. A produção ficou a cargo de Mr. Maceo, Psycho Child, Shy One e Vybe Beatz, que utilizam baterias secas, linhas de baixo pesadas, sintetizadores ameaçadores e melodias minimalistas. Em vários momentos, os beats lembram uma atualização moderna da estética que ele ajudou a moldar naquele período. O repertório é ótimo, e as canções alternam entre momentos mais divertidos e outros mais enérgicos. No geral, é um ótimo disco e, certamente, o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Bind Torture Kill, Darkness Of Da Kut, Skitzofrantic, I Just Want To Fuck 
Vale a Pena Ouvir: Make It Bubble, Black Days, 100 Shots

Scarecrow Tha Terrible (Part Two) – Lord Infamous





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2013, ano em que foi lançado o último álbum dO Lord Infamous, o Scarecrow Tha Terrible (Part Two). Após o King of Horrorcore, o rapper decidiu continuar a proposta apresentada naquele álbum de 2011. O personagem Scarecrow continua sendo o centro da narrativa, refletindo um pouco da persona que Infamous construiu ao longo da carreira: um narrador sombrio e quase sobrenatural, que observa o mundo por uma perspectiva marcada pelo crime, pelo horror psicológico e pela sobrevivência nas ruas. A produção ficou mais uma vez a cargo de Mr. Maceo e seguiu essa temática sombria e pesada, com beats inspirados no Horrorcore, graves constantes, baterias impactantes e sintetizadores sombrios. O problema, porém, é a falta de uma maior dinâmica. O repertório é irregular, apresentando algumas canções boas e outras mais fracas. No fim, é um disco mediano e, após isso, Lord Infamous veio a falecer em decorrência de uma parada cardíaca. 

Melhores Faixas: Formaldehyde, 6 Feet Deep, Blocking 
Piores Faixas: Drug Abuse, Bodybag, Blades


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!            

Review: Hum Of Hurt do Converge

                      Hum Of Hurt – Converge NOTA: 9,1/10 Alguns dias atrás, de forma surpreendente, o Converge lançou mais um disco, o Hum ...