segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Review: Fenômeno do SD9 & CESRV

                  

Fenômeno – SD9 & CESRV





















NOTA: 8,2/10


Alguns dias atrás, o SD9 lançou um álbum colaborativo com CESRV intitulado Fenômeno. Após o 40°.40, o rapper participou de alguns projetos esporádicos até voltar fazendo um projeto que não é apenas uma referência ao apelido que ele adotou por causa de Ronaldo Nazário; é uma metáfora para superação, queda, recuperação e transformação. Ronaldo virou uma figura importante para o SD9 desde a Copa do Mundo de 2002, quando o jogador retornou de uma sequência de lesões e terminou o Mundial como campeão e artilheiro. A produção do CESRV consegue ser bem cinematográfica e rígida, seguindo os beats do Grime com certos elementos do Funk carioca e até um pouco do Trap. Com isso, temos graves fortes, batidas eletrônicas e subgraves que se complementam com os flows agressivos e até mais cadenciados do rapper. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas e tocam em suas feridas. No geral, é um disco bacana e que é carregado de profundidade. 

Melhores Faixas: Sonhos e Pesadelos, Gênio, Ser Melhor 
Vale a Pena Ouvir: Automedicação, Noites Mal Dormidas, Fenômeno, Pelada
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                          

Analisando Discografias - Black Thought

                 

Streams Of Thought Vol. 1 – Black Thought





















NOTA: 7/10


Em 2018, o Black Thought decidiu lançar seus projetos solo, começando com o EP Streams of Thought, Vol. 1. Após o lançamento do ...and then you shoot your cousin com o The Roots, o rapper já tinha pensado em lançar um trabalho solo, mas todo o material acabou sendo arquivado. Com isso, ele decidiu fazer algo que transformasse a técnica lírica em protagonista, só que sem precisar dividir o espaço com uma banda inteira ou seguir necessariamente a estrutura de um álbum tradicional. A produção, feita pelo 9th Wonder e Khrysis, deixou uma sonoridade bastante orgânica, que dialoga inteiramente com o Boom Bap, com beats secos, baixos profundos, loops constantes e uma bateria crua. Os flows de Thought alternam entre momentos agressivos e técnicos. O repertório contém 5 faixas muito boas e cheias de profundidade. Enfim, é um ótimo EP que serviu como apresentação. 

Melhores Faixas: Twofifteen, Making A Murderer 
Vale a Pena Ouvir: 9th vs. Thought

Streams Of Thought Vol. 2 – Black Thought & Salaam Remi





















NOTA: 9/10


Alguns meses depois, foi logo lançada a continuação, Streams of Thought, Vol. 2. Após o 1º EP, o Black Thought decidiu fazer mais um trabalho curto, porém com uma ambição maior em termos de produção e variedade. Black Thought deixa de parecer simplesmente um rapper colocado diante de cinco beats e passa a trabalhar de maneira mais integrada com o universo sonoro criado pela colaboração presente. A produção, feita pelo Salaam Remi, trouxe uma sonoridade diversificada, que consegue equilibrar tanto Boom Bap quanto Jazz Rap e Neo-Soul. Os beats conseguem ser bem orgânicos, contando com samples bem integrados, baterias secas e loops minimalistas. Os flows do Thought ficam bem mais cadenciados e mostram ainda mais de sua técnica. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um baita EP e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Soundtrack to Confusion, Conception, Streets Fentanyl, Get Outlined 
Vale a Pena Ouvir: History Unfolds, Long Liveth

Streams Of Thought, Vol. 3: Cane & Able – Black Thought





















NOTA: 8/10


No ano de 2020, o Black Thought realmente lançava um álbum solo com Streams of Thought, Vol. 3: Cane & Able. Após os dois primeiros EPs, o rapper decidiu fazer algo que fosse mais ambicioso. Com o título referenciando Caim e Abel, coloca a ideia de conflito, rivalidade, violência, família e consequências no centro do projeto. Não significa que o álbum conte uma história única sobre os personagens bíblicos, mas a simbologia ajuda a entender a atmosfera do trabalho. A produção foi bem mais diversificada, contando com Sean C, LV, Marvino Beats, Sal Dali, entre outros, que colocaram beats mais amplos, só que ainda seguindo a temática do Boom Bap. Seguindo assim, baterias marcantes, linhas de baixo e texturas que remetem ao Soul e ao Funk. Os flows do Black Thought se tornaram bem mais variados e até mais cadenciados. O repertório é bem legal, e as canções conseguem ser bem melódicas. Enfim, é um ótimo disco e que é muito subestimado. 

Melhores Faixas: Fuel, Good Morning (ótima feat do Pusha T), Steak Um 
Vale a Pena Ouvir: Thought Vs Everybody, We Could Be Good, State Prisoner

Cheat Codes – Danger Mouse & Black Thought





















NOTA: 10/10


No ano de 2022, foi lançado o excepcional álbum colaborativo do Black Thought com Danger Mouse, o Cheat Codes. Após o Streams of Thought, Vol. 3: Cane & Able, o rapper decidiu fazer esse projeto com Danger, que não tenta transformá-lo em um rapper Pop ou colocá-lo sobre uma produção excessivamente moderna. Esse projeto traz uma escrita mais narrativa, reflexiva e, em diversos momentos, bastante cinematográfica. A produção do Danger Mouse é extremamente detalhada e densa, dialogando com Boom Bap, Jazz Rap e Neo-Soul. Os beats têm uma pegada fantasmagórica, com os samples podendo soar antigos, distantes ou levemente distorcidos, enquanto as baterias entram com bastante peso. Os flows do Black Thought são bastante precisos e muito bem cadenciados. O repertório é maravilhoso, parecendo uma verdadeira coletânea. No final de tudo, é um baita álbum e praticamente uma obra-prima moderna. 

Melhores Faixas: Belize (saudoso MF DOOM amassando), Aquamarine (Michael Kiwanuka mandou bem demais), Strangers (juntar A$AP Rocky e Run The Jewels foi papo de gênio), Cheat Codes, Because (baita feat do Joey Bada$$) 
Vale a Pena Ouvir: Saltwater, No Gold Teeth, Violas And Lupitas

 

Analisando Discografias - The Roots: Parte 2

                  

undun – The Roots





















NOTA: 9,7/10


No ano seguinte, o The Roots retornava com outro álbum sensacional, intitulado undun. Após o How I Got Over, o grupo estava seguro com as entradas do sousafonista Tuba Gooding Jr. e dos tecladistas James Poyser e Ray Angry, além de terem se firmado como banda fixa do programa Late Night with Jimmy Fallon. Para esse trabalho, decidiram fazer um álbum conceitual narrando a história de Redford Stephens, um jovem que acaba entrando em uma vida marcada pelo crime e pela violência. A produção, feita como sempre pelo próprio grupo, segue uma abordagem sofisticada e cinematográfica, que consegue equilibrar Boom Bap, Neo-Soul e até influências de música clássica. A bateria do Questlove é usada de forma cuidadosa, deixando espaço para o restante da instrumentação, que conduz a atmosfera e é complementada pelo Black Thought e pelas participações. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem reflexivas. Enfim, é um baita disco e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Make My, One Time, Lighthouse, Sleep, Kool On, I Remember 
Vale a Pena Ouvir: The OtherSide, Tip The Scale

...and then you shoot your cousin – The Roots





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2014, quando o The Roots lançou seu mais recente álbum, o ...and then you shoot your cousin. Após o undun, esse novo trabalho seria bem mais variado, contando com diferentes personagens, arquétipos e situações que representam problemas recorrentes dentro da sociedade. A própria estrutura é pensada quase como uma peça teatral ou um espetáculo de Hip Hop. Existe uma intenção de mostrar como determinados ciclos sociais acabam sendo reproduzidos constantemente. A produção seguiu uma abordagem quase Lo-fi e extremamente minimalista. Os instrumentais frequentemente parecem trilha sonora de uma peça teatral, com mudanças abruptas, vocais, samples, piano, bateria, baixo e diferentes texturas entrando e saindo rapidamente, mas tudo soa muito impreciso, parecendo que foi feito às pressas. O repertório começa bem, mas depois decai, com canções muito sem força. Enfim, é um álbum mediano e que foi um leve tropeço. 

Melhores Faixas: When The People Cheer, The Dark (Trinity), The Unravelling 
Piores Faixas: Black Rock, Understand, The Coming


domingo, 27 de setembro de 2026

Analisando Discografias - The Roots: Parte 1

                 

Organix – The Roots





















NOTA: 8,6/10


No ano de 1993, o The Roots lançava discretamente seu álbum de estreia, o Organix. Formado em 1987 na cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, por Ahmir "Questlove" Thompson e Tariq "Black Thought" Trotter, na época de escola. Após esse período, entraram também o rapper Malik B e também Leonard Hubbard e Joshua Abrams (baixo) e Scott Storch (teclados). Como não conseguiram despertar o interesse de alguma gravadora, decidiram lançá-lo de forma independente. A produção foi feita pelo grupo e seguiu uma abordagem crua e peculiar. Em vez de ter beats, aqui tudo é tocado com instrumentos orgânicos. A bateria do Questlove consegue ser cadenciada e trazer variações dinâmicas. O baixo coloca um groove simples, e os teclados servem como textura, tudo complementado pelos flows precisos de Malik e Thought. Com isso, temos uma base do Jazz Rap. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco de estreia bacana de algo promissor. 

Melhores Faixas: Good Music, Pass The Popcorn, Grits, Common Dust 
Vale a Pena Ouvir: Leonard I-V, I'm Out Deah, The Session (The Longest Posse Cut In History)

Do You Want More?!!!??! – The Roots





















NOTA: 9,7/10


Dois anos se passaram, e o The Roots volta com seu 2º álbum, o sensacional Do You Want More?!!!??!. Após o Organix, depois de realizarem shows na Europa, eles conseguiram despertar o interesse de gravadoras, assinando com a Geffen Records. Além disso, entrou o beatboxer Rahzel, e o tecladista Scott Storch foi efetivado de vez. Eles passaram a pensar mais em atmosfera, dinâmica, textura e sequência. O resultado é um álbum que soa muito mais consciente de sua identidade. A produção foi feita por eles junto com A.J. Shine e Richard Nichols, que partiram para uma abordagem refinada e bem detalhada. A bateria do Questlove consegue ser muito bem acentuada. O baixo possui grooves que têm muito peso, e os teclados, guitarras e demais instrumentos aparecem de maneira muito mais integrada, além, claro, dos flows cadenciados do Thought e Malik B. O repertório é incrível, e as canções passam uma vibe noturna e profunda. No geral, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Mellow My Man, Proceed, Do You Want More?!!!??!, Distortion To Static, What Goes On Pt. 7, Essaywhuman?!!!?!, Silent Treatment 
Vale a Pena Ouvir: You Ain't Fly, Swept Away, Lazy Afternoon, The Lesson Part 1

Illadelph Halflife – The Roots





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, o The Roots retorna com seu excepcional 3º álbum, o Illadelph Halflife. Após o Do You Want More?!!!??!, eles procuraram aprofundar a sua temática e, ao mesmo tempo, torná-la mais sombria, urbana, complexa e emocional. O título já indica uma ligação muito forte com a identidade do grupo e com a ideia de representar um determinado ambiente. Existe uma sensação de cidade, de movimento, de conflito e de dualidade. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e quente, que consegue dialogar não só com Jazz Rap, como também com Boom Bap. A bateria ficou muito mais calculada, e o baixo consegue criar aquela sensação de groove. Os samples estão mais integrados, os teclados mais texturizados e, com isso, os flows do Black Thought e Malik B ficam bem mais cadenciados e técnicos. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No final de tudo, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: What They Do, Respond / React, Section, The Hypnotic (D’Angelo aparece aqui), No Great Pretender, Ital (The Universal Side) (baita feat do Q-Tip), It Just Don't Stop, Push Up Ya Lighter 
Vale a Pena Ouvir: Clones, UNIverse At War, Episodes

Things Fall Apart – The Roots





















NOTA: 10/10


Em 1999, o The Roots lança o atemporal Things Fall Apart, seu 4º álbum de estúdio. Após o Illadelph Halflife, o grupo tinha assinado com a MCA Records e, nesse momento, preparava um projeto que traz uma sensação de tensão, instabilidade e reflexão que atravessa o álbum. Existe uma preocupação maior com as contradições da vida urbana, relações humanas, identidade, indústria musical e amadurecimento. A produção do grupo também contou com J Dilla e Chaos, que deixaram uma abordagem mais densa e equilibrada entre Jazz Rap e Boom Bap. A bateria do Questlove ficou muito mais variada, já que tem uso de espaços, acentos e mudanças sutis para fazer os grooves parecerem vivos, conseguindo dialogar com as linhas de baixo, que ficaram muito encorpadas. Enquanto o Black Thought e Malik B apresentam flows muito técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. No fim, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: You Got Me, The Next Movement, Ain't Sayin' Nothin' New, Adrenaline!, Dynamite!, Double Trouble, Act Too (The Love Of My Life) 
Vale a Pena Ouvir: Table Of Contents (Parts 1 & 2), Don't See Us, Without A Doubt

Phrenology – The Roots





















NOTA: 9,4/10


No ano de 2002, o grupo retorna com outro trabalho incrível, o Phrenology, que foi bem mais experimental. Após o Things Fall Apart, o The Roots passou por uma grande baixa com a saída do Malik B. e, com isso, ficou apenas como principal nome no microfone o Black Thought. Além disso, implementaram o percussionista Frankie Knuckles. Para esse álbum, decidiram desmontar um pouco da própria fórmula e experimentar novas possibilidades. A produção, feita junto com nomes como DJ Scratch e Cody Chesnutt, segue uma abordagem bem mais fragmentada e imprevisível. Com a bateria do Questlove sendo mais seca e agressiva, o baixo ficou mais constante, mas também dando espaço para guitarras, samples e efeitos eletrônicos, deixando os flows do Thought mais técnicos e variados, fazendo quase um Rap progressivo. O repertório é espetacular, e as canções ficaram mais imersivas. Enfim, é um baita álbum, carregado de dinâmica. 

Melhores Faixas: The Seed (2.0), Rock You, Thought @ Work, Pussy Galore, Water, Break You Off 
Vale a Pena Ouvir: Rolling With Heat, Complexity, Quills

The Tipping Point – The Roots





















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, eles voltam com seu 6º álbum de estúdio, o The Tipping Point. Após o Phrenology, esse trabalho surge depois dessa fase de experimentação, funcionando como uma espécie de tentativa de reorganizar algumas das ideias do grupo. O álbum também procura recuperar uma característica que estava muito presente nos trabalhos anteriores: a sensação de música feita por pessoas tocando juntas. A produção seguiu uma abordagem mais limpa e acessível, chegando a seguir muito a vibe do Rap mainstream daquele período. A bateria do Questlove continua sendo um dos principais elementos. O som é preciso, cheio de pequenas variações e extremamente musical, assim como o resto da instrumentação, que complementa bem, e Black Thought consegue variar bem seus flows e até momentos de canto. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um disco bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Star/Pointro, Somebody's Gotta Do It, Why (What's Goin On?), Stay Cool
Vale a Pena Ouvir: Boom!, I Don’t Care, Duck Down!

Game Theory – The Roots





















NOTA: 10/10


Se passaram mais dois anos para o The Roots voltar com um novo álbum, o sensacional Game Theory. Após o The Tipping Point, a banda tinha recém-saído da Geffen Records e da MCA e acabou fechando com a Def Jam Recordings. Para esse trabalho, eles tiveram uma preocupação evidente com estratégia, competição, poder, sobrevivência e as regras de um ambiente social e musical cada vez mais complexo. A produção seguiu um caminho bastante concentrado, com baterias secas e fortes, baixos profundos, samples sombrios, teclados discretos e diferentes texturas eletrônicas, voltando a dialogar muito mais com Rap experimental e certos elementos do Boom Bap. Os vocais do Black Thought estão muito mais variados, com ele alternando entre canto e flows bastante agressivos e afiados. O repertório é excepcional, com canções muito profundas, praticamente uma coletânea. No final, é um disco atemporal e praticamente um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Can't Stop This, Game Theory, Don't Feel Right, Here I Come, In The Music, Long Time 
Vale a Pena Ouvir: Clock With No Hands, False Media, Baby

Rising Down – The Roots





















NOTA: 9/10


Se passou mais um intervalo de dois anos para eles voltarem com seu 8º álbum, o Rising Down. Após o Game Theory, que contou até com um retorno esporádico do Malik B., o grupo decidiu fazer um trabalho construído ao redor de uma sensação constante de tensão, violência, frustração e deterioração social. O próprio título funciona muito bem nesse sentido: existe uma ideia de queda, de agravamento, como se o disco estivesse observando um ambiente que está progressivamente se tornando mais difícil de suportar. A produção acabou seguindo uma abordagem pesada e bem mais quente. A bateria possui aquela característica orgânica, mas agora é utilizada de maneira muito mais seca e agressiva. O baixo tem uma presença forte, os teclados e guitarras aparecem de forma econômica e os samples são utilizados de maneira quase sombria. O repertório é ótimo, e as canções ficaram muito mais sombrias e críticas. No geral, é um belo disco e que é criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Rising Down, Get Busy, The Show, Rising Up, Criminal 
Vale a Pena Ouvir: Lost Desire, I Will Not Apologize, I Can’t Help It

How I Got Over – The Roots





















NOTA: 9,8/10


Indo para 2010, o The Roots lançava mais um projeto novo, o também sensacional How I Got Over. Após o Rising Down, esse novo álbum traz essa ideia de “como eu superei”, colocando uma perspectiva mais pessoal. Em vez de simplesmente observar os problemas do mundo, a maioria das faixas frequentemente pergunta como alguém consegue continuar vivendo, resistindo e encontrando algum tipo de significado diante desses problemas. A produção, feita como sempre pelo próprio grupo, deixa uma sonoridade quente e suave, juntando não só Jazz Rap, como também Boom Bap e Neo-Soul. A bateria continua extremamente precisa, mas agora existem muito mais momentos em que o groove parece respirar. O baixo e o resto da instrumentação têm muita presença, deixando os convidados e Black Thought rimarem de forma bem encaixada. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito reflexivas e cheias de mensagem. Em suma, é um baita disco e muito profundo. 

Melhores Faixas: Now Or Never, Right On, Dear God 2.0, The Fire, Walk Alone, How I Got Over 
Vale a Pena Ouvir: The Day, Doin' It Again


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                         

sábado, 26 de setembro de 2026

Review: Álbum Autointitulado do De Staat

                   

DE STAAT – De Staat





















NOTA: 8/10


Na semana passada, o De Staat lançou seu 8º álbum de estúdio autointitulado, que trazia uma proposta diferente. Após o Red / Yellow / Blue, a banda decidiu transformar questões que já apareciam anteriormente em um conceito muito mais abrangente. A temática de poder, manipulação e autoridade não é novidade na obra do grupo, mas aqui ela se torna praticamente o eixo central do álbum. O próprio conceito foi ampliado para uma instalação artística e para um espetáculo ao vivo chamado De Staat Becomes De Staat. A produção, feita pela própria banda, traz uma sonoridade pesada e sufocante que junta tanto Rock alternativo quanto elementos da música industrial e Post-Punk. Os graves são fortes, a bateria é seca, os grooves são repetitivos de propósito e as guitarras aparecem tanto como riffs propriamente ditos quanto como elementos de textura. O repertório ficou muito bom, e as canções passam uma energia de desilusão. No geral, é um ótimo disco e muito dinâmico. 

Melhores Faixas: THE FIRE, THE MATTER 
Vale a Pena Ouvir: THE NOISE, THE UNDERDOG, GLORY, THE BOY
 

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Review: Act III do Kasabian

                   

Act III – Kasabian





















NOTA: 3,6/10


Recentemente, o Kasabian retornou com mais um trabalho novo, intitulado ACT III. Após o terrível Happenings, o Sergio Pizzorno decidiu tentar juntar várias características que a banda desenvolveu ao longo da carreira: psicodelia, música eletrônica, Hip-Hop, grooves dançantes e momentos mais atmosféricos. Com esse título tentando colocar uma espécie de fase de renascimento e, ao mesmo tempo, juntando todas as experiências desenvolvidas. A produção feita junto com Mark Ralph segue uma abordagem bem mais acessível, só que sem tirar o peso dessa experimentação, que junta tanto Dance alternativo quanto as estruturas do Indie Rock. Mas o problema é que o uso de sintetizadores parece ser massivo demais, a bateria parece não ter variação e os vocais do Sergio ficaram excessivamente processados. O repertório começa bem, mas depois só vêm canções medíocres. Enfim, é mais um trabalho em que repetem os mesmos erros. 

Melhores Faixas: SOULMATE, NOTHING BETTER THAN THIS, Hippie Sunshine, HYPER//RISING 
Piores Faixas: SILVER APPLE EYES, GLIDE, SUPERPOWERS, THE GURU AND THE CRYPTO TIME MACHINE, SAY YOU (CLOSER) 


Review: Fenômeno do SD9 & CESRV

                   Fenômeno – SD9 & CESRV NOTA: 8,2/10 Alguns dias atrás, o SD9 lançou um álbum colaborativo com CESRV intitulado Fenôme...