Debut – Björk
NOTA: 10/10
No ano de 1993, Björk lançava seu álbum de estreia, que ironicamente vinha com o título Debut. A cantora, vinda de Reykjavík, na Islândia, começou sua trajetória por volta de 1977, ainda quando criança. Com a chegada dos anos 80, ela chegou a ser vocalista de uma banda chamada The Sugarcubes, que não durou tanto tempo. Com isso, começou a procurar uma direção musical que permitisse explorar suas próprias referências e interesses sem as limitações de uma banda convencional. A produção, feita por Nellee Hooper junto com a cantora, seguiu uma abordagem muito orgânica, que juntou Art Pop com elementos da House Music, Dance-Pop e Downtempo, contando com batidas programadas, sequências eletrônicas e linhas de baixo que sustentam boa parte das composições, além de sintetizadores que alternam entre timbres delicados e luminosos. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem variadas. No final, é um baita disco de estreia e uma obra-prima.
Melhores Faixas: Venus As A Boy, Human Behaviour, Big Time Sensuality, Come To Me, Crying, Like Someone In Love
Vale a Pena Ouvir: One Day, Violently Happy, There's More To Life Than This (Recorded Live At The Milk Bar Toilets)
Post – Björk
NOTA: 10/10
Dois anos se passaram até que ela voltasse com seu fantástico 2º álbum, o ousado Post. Após Debut, a cantora decidiu explorar contrastes mais acentuados, incorporando elementos de música eletrônica, orquestral, Jazz e até referências à música de cabaré. Essa variedade acompanha a intenção da cantora de apresentar diferentes aspectos de sua personalidade, trabalhando tanto com momentos de euforia quanto com sentimentos mais introspectivos. A produção, feita junto com Nellee Hooper, Graham Massey, Tricky e Howie B, seguiu uma abordagem mais diversificada, mantendo a temática do Art Pop com elementos de Trip Hop, Dance Alternativo e House Music. As batidas eletrônicas aparecem com maior variedade, os sintetizadores assumem diferentes funções dentro dos arranjos e os instrumentos orgânicos são utilizados de maneira mais dramática. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No geral, é um disco impecável e outro clássico da cantora.
Melhores Faixas: Army Of Me, Hyper-Ballad, Isobel, It's Oh So Quiet, Enjoy, Possibly Maybe
Vale a Pena Ouvir: The Modern Things, I Miss You, You've Been Flirting Again
Homogenic – Björk
NOTA: 10/10
Passaram-se mais dois anos até Björk lançar seu 3º álbum, o fantástico Homogenic. Após o Post, esse novo trabalho foi marcado por transformações pessoais e profissionais. A experiência de viver em Londres, o contato com diferentes ambientes culturais e a exposição constante à indústria musical haviam proporcionado novas oportunidades, mas também trouxeram uma sensação de desgaste. Com isso, ela decidiu retornar à Islândia, reconectando-se com suas origens. A produção, feita junto com Mark Bell, Guy Sigsworth, Howie B e Markus Dravs, seguiu uma sonoridade ainda mais diversificada, incorporando um pouco mais de elementos do Trip Hop, IDM e da música de câmara. Agora, com batidas industriais, linhas de baixo profundas, sintetizadores cósmicos, programações rítmicas pesadas e arranjos de cordas muito imersivos. O repertório é sensacional, também parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Jóga, Bachelorette, Unravel, Hunter, Alarm Call Vale a Pena Ouvir: All Neon Like, Pluto, All Is Full Of Love
Vespertine – Björk
NOTA: 10/10
Foi apenas em 2001 que Björk lançou seu clássico e atemporal 4º álbum, o Vespertine. Após o Homogenic, a cantora participou do filme Dancer in the Dark (2000), dirigido por Lars von Trier, interpretando a personagem Selma Ježková. Além de atuar, a cantora também ficou responsável pela música do projeto, algo que influenciou bastante suas composições, passando, assim, a investir em uma abordagem mais intimista, delicada e introspectiva. A produção, feita junto com Thomas Knak, Martin Gretschmann e Marius de Vries, seguiu uma sonoridade extremamente detalhada, que juntou Art Pop, Glitch Pop e música eletrônica, apostando em texturas delicadas, programações discretas e camadas sonoras próximas. Enquanto isso, os vocais da cantora estão, como sempre, bem alternados, mas muito mais expressivos. O repertório é excepcional, sendo uma completa coletânea. No geral, isso é um dos melhores álbuns de todos os tempos.
Melhores Faixas: Pagan Poetry, Unison, Hidden Place, Undo, It's Not Up To You, Cocoon, Sun In My Mouth
Vale a Pena Ouvir: Aurora, Heirloom, Harm Of Will
Medúlla – Björk
NOTA: 9/10
Três anos se passaram até que ela voltasse com um álbum totalmente diferente, o Medúlla. Após o clássico Vespertine, a cantora decidiu abandonar boa parte dos elementos instrumentais tradicionais que haviam caracterizado seus trabalhos anteriores para explorar uma proposta baseada quase inteiramente na voz humana. O resultado é um álbum experimental, bastante peculiar e construído a partir de uma investigação sobre as possibilidades da voz como instrumento musical. A produção, feita dessa vez apenas com Mark Bell, resultou em um som muito mais atmosférico. Björk trabalha com diferentes registros vocais para construir ritmos, linhas de baixo, texturas atmosféricas e acompanhamentos harmônicos, além de apresentar momentos que exploram batidas agressivas e beatboxing. Fora, claro, que seus vocais estão totalmente em A cappella. O repertório é incrível, e as canções são todas muito aconchegantes. No final, é um belo disco e que é injustamente subestimado.
Melhores Faixas: Who Is It (Carry My Joy On The Left, Carry My Pain On The Right), Where Is The Line, Oceania, Desired Constellation, Submarine, Mouth's Cradle
Vale a Pena Ouvir: Pleasure Is All Mine, Triumph Of A Heart, Vökuró
Volta – Björk
NOTA: 8,7/10
Mais três anos se passaram até que ela voltasse com seu 6º álbum de estúdio, o Volta. Após o Medúlla, Björk decidiu retornar a uma sonoridade mais expansiva, rítmica e acessível, recuperando parte da energia eletrônica de seus primeiros trabalhos, mas incorporando novas influências e instrumentações. A cantora demonstrou interesse em trabalhar com instrumentos de sopro, percussões e sonoridades que apresentassem uma dimensão mais orgânica. A produção contou com Timbaland, Danja, Mark Bell e Damian Taylor, que apostaram em uma sonoridade elaborada e mais direta, com batidas que assumem uma posição central e arranjos que frequentemente trabalham com contrastes entre timbres acústicos e digitais. Só que o uso de instrumentos de sopro deixou o trabalho ainda mais marcante. O repertório é legalzinho, tendo canções cadenciadas e outras mais hipnóticas. No fim, é um ótimo trabalho que tentou ser mais expansivo.
Melhores Faixas: Wanderlust, Declare Independence, Earth Intruders, The Dull Flame Of Desire
Vale a Pena Ouvir: Innocence, Hope, My Juvenile
Biophilia – Björk
NOTA: 9,2/10
vIndo para 2011, a cantora voltou com um álbum totalmente conceitual, o Biophilia. Após o Volta, em vez de trabalhar apenas com a ideia tradicional de compor músicas e organizá-las em uma sequência, ela desenvolveu um projeto multimídia no qual cada composição estaria relacionada a um fenômeno natural ou científico. Além disso, durante todo o período de gravação, a Islândia passava por uma crise financeira que abalou toda a população. A produção, feita junto com 16bit, apresentou uma abordagem extremamente moderna e eletrônica, com sintetizadores minimalistas, instrumentos acústicos, percussões criativas, vozes e mecanismos experimentais, criando uma sonoridade que frequentemente parece funcionar de maneira independente das estruturas tradicionais da música Pop. O repertório é sensacional, e as canções são todas carregadas de profundidade. No final de tudo, é um belo disco que consegue ser muito consistente.
Melhores Faixas: Crystalline, Virus, Mutual Core, Cosmogony
Vale a Pena Ouvir: Moon, Sacrifice, Dark Matter
Vulnicura – Björk
NOTA: 9,9/10
Quatro anos se passaram até que Björk lançasse outro álbum fenomenal, o Vulnicura. Após o Biophilia, a cantora decidiu desenvolver uma obra muito mais introspectiva, concentrada em experiências pessoais, especialmente no término de seu relacionamento com o artista Matthew Barney. Criando uma narrativa que acompanha diferentes etapas do processo de separação, desde os primeiros sinais de deterioração da relação até a aceitação da perda e a tentativa de reconstruir a própria identidade. A produção, feita junto com Arca e The Haxan Cloak, resultou em um som extremamente atmosférico, que junta Art Pop com música eletrônica, além de elementos do Ambient Pop. As cordas alternam entre passagens delicadas e momentos de tensão, os sintetizadores são utilizados como texturas e as batidas eletrônicas são muito seletivas. O repertório é excepcional, e as canções são bem melancólicas. Enfim, é um baita disco e muito bem construído.
Melhores Faixas: Black Lake, Stonemilker, Family, Lionsong Vale a Pena Ouvir: Mouth Mantra, Atom Dance, History Of Touches
Utopia – Björk
NOTA: 8,7/10
Dois anos depois, ela voltou lançando mais um disco intitulado Utopia, que foi bem mais etéreo. Após o Vulnicura, a cantora decidiu explorar uma perspectiva mais esperançosa, procurando construir um ambiente artístico relacionado à reconstrução, à liberdade, ao amor e à possibilidade de imaginar uma realidade diferente. Além disso, aqui há uma grande presença de instrumentação concentrada em flautas, sintetizadores, programações e diferentes elementos acústicos. A produção, feita, como sempre, pela própria Björk junto com Arca, seguiu um caminho mais nebuloso e fluido, combinando Art Pop com Glitch Pop, com as flautas desenvolvendo melodias, padrões repetitivos e diferentes texturas que acompanham a voz da cantora. Já os sintetizadores e as programações criam ambientes, mesmo que pudessem ter um pouco mais de presença. O repertório é legalzinho, tendo canções interessantes e algumas sem graça. No fim, é um ótimo álbum, mesmo sendo o mais fraco dela.
Melhores Faixas: Arisen My Senses, Body Memory, Future Forever, Courtship, Utopia, Saint
Piores Faixas: Features Creatures, Losss, Sue Me, Paradisa
Fossora – Björk
NOTA: 8,8/10
Então chegamos a 2022, quando Björk lançou seu 10º e último álbum, o Fossora. Após o Utopia, a concepção deste projeto está profundamente relacionada à morte da mãe da cantora, Hildur Rúna Hauksdóttir, em 2018, acontecimento que influenciou diretamente a abordagem emocional do trabalho. Mas aqui existe uma preocupação em compreender como as relações familiares, as experiências pessoais e as lembranças permanecem presentes mesmo depois da perda de alguém importante. A produção, feita inteiramente pela própria Björk, resultou em um som que segue pelo Art Pop e pela música eletrônica, mas agora com elementos do Post-Industrial. A principal mudança foi o uso frequente de clarinetes baixos e batidas eletrônicas aceleradas que fazem referência ao Gabber, além do uso de sintetizadores que alternam entre passagens contemplativas e experimentais. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um ótimo disco, que é muito sombrio.
Melhores Faixas: Fossora, Ancestress, Allow, Fungal City, Victimhood
Vale a Pena Ouvir: Her Mother's House, Atopos, Ovule
Por hoje é só, então flw!!!



















