sábado, 22 de agosto de 2026

Analisando Discografias - Westside Cowboy

                  

So Much Country ‘Till We Get There – Westside Cowboy





















NOTA: 8,4/10


No começo desse ano, o Westside Cowboy lançou um de seus dois EPs, o So Much Country ‘Till We Get There. A banda foi formada três anos antes, em Manchester, na Inglaterra, por Jimmy Bradbury (vocais e guitarra), Reuben Haycocks (vocais e guitarra), Aoife Anson O'Connell (vocais e baixo) e Paddy Murphy (bateria). Eles surgiram dentro de uma cena de jovens bandas britânicas interessadas em recuperar guitarras, Folk, Country e Rock alternativo, mas sem simplesmente reproduzir o Indie britânico tradicional. A produção foi feita por Loren Humphrey, que deixou um som pesado e que mantém certa clareza. Com isso, temos guitarras ásperas, linhas de baixo bem melódicas e uma bateria extremamente eficiente, além da presença de sintetizadores e violoncelo, que deixam uma sensação dinâmica e são complementados pelos vocais melódicos de cada um. O repertório contém cinco faixas que são muito boas. No fim, é um ótimo EP e muito enxuto. 

Melhores Faixas: Don’t Throw Rocks, Can’t See 
Vale a Pena Ouvir: Strange Taxidermy, The Wahs, In The Morning

It Goes On – Westside Cowboy





















NOTA: 9,7/10


Recentemente, o Westside Cowboy lançou seu álbum de estreia, intitulado It Goes On. Após o EP So Much Country ‘Till We Get There, a banda ganhou bastante popularidade na cena underground britânica, além de ter assinado com a Island Records. Com esse álbum, eles decidiram trazer a sensação de quatro músicos descobrindo até onde conseguem levar uma música. A produção foi feita mais uma vez por Loren Humphrey, que deixou uma sonoridade melódica e que junta elementos do Indie Rock com influências do Power Pop e do Alt-Country. Com isso, temos guitarras ásperas e quase dissonantes, linhas de baixo bem presentes e a bateria do Paddy Murphy frequentemente funcionando como o motor sonoro. Enquanto os vocais divididos entre os integrantes funcionam muito bem, os destaques certamente são Reuben e Aoife. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. No fim, é um belo disco de estreia que traz uma sensação nostálgica. 

Melhores Faixas: Pin Up Boys, Kick Stones (The Boys), Coyote, Dobro, Paperchains, Worried Age 
Vale a Pena Ouvir: Patchwork, Well Done Kid, You Did It

                                                                                        É isso, então flw!!!           

Analisando Discografias - César Camargo Mariano

                  

São Paulo • Brasil – Cesar Mariano & Cia





















NOTA: 10/10


Em 1977, César Camargo Mariano lançava seu sensacional álbum São Paulo • Brasil. O pianista começou sua carreira por volta de 1958, ainda adolescente, quando foi reconhecido como um verdadeiro talento. Com isso, participou de alguns grupos até começar a trabalhar como arranjador para vários nomes da MPB, tendo como principal parceria a cantora Elis Regina, com quem foi casado naquele período. Esse disco nasceu com uma proposta bastante específica: transformar a cidade de São Paulo em matéria musical. A produção foi feita pelo próprio César Camargo Mariano, que colocou um som bastante sofisticado, com um cruzamento perfeito entre Jazz Fusion e Samba-jazz. O baixo elétrico está bastante presente, a bateria é dinâmica, as guitarras são limpas e os sintetizadores são usados como elementos melódicos e atmosféricos. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. No geral, é um baita disco e um dos melhores álbuns da música brasileira. 

Melhores Faixas: Metrópole, Fábrica, Estação Do Norte, Poluição 
Vale a Pena Ouvir: Litoral, Futebol De Bar
  

Cesar Camargo Mariano & Cia. – Cesar Camargo Mariano & Cia.





















NOTA: 8,6/10


Entrando nos anos 80, César lançou outro álbum, dessa vez levando o nome César Camargo Mariano & Cia. Após o clássico São Paulo • Brasil e depois de ter feito apresentações com seu grupo, ele basicamente aproveitou essa experiência como ponto de partida. Mariano entrou em estúdio para fazer um disco que ampliaria consideravelmente a paleta instrumental utilizada anteriormente. A produção foi feita, como sempre, pelo próprio Mariano, que colocou um som mais cheio e moderno, que reúne ainda as influências do Jazz Fusion, mas também apresenta elementos do Jazz-Funk, Disco e um pouco da temática da MPB. Com isso, temos um foco bem maior nos grooves, que são extremamente movimentados pela bateria e pelo baixo, enquanto as guitarras e os acordeões funcionam como complemento. Além, claro, dos sintetizadores e teclados, que estão sempre no centro. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes. No fim, é um ótimo disco e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Pedra Verde, Nabanera, Nove Luas, Reflexo 
Vale a Pena Ouvir: Pesqueiro De São José, Água De Cheiro

A Todas As Amizades – César Camargo Mariano





















NOTA: 4/10


Em 1983, César Camargo Mariano lançava o álbum A Todas As Amizades, e aqui tivemos problemas. Após o César Camargo Mariano & Cia., apesar de seus trabalhos estarem sendo aclamados pela crítica, eles não vendiam muito. Então, a gravadora CBS exigiu que César fizesse um trabalho que tocasse nas rádios. Com isso, temos um trabalho que juntou nomes conhecidos da música brasileira para fazer algo no mínimo ambicioso. A produção foi feita por Max Pierre e Raymundo Bittencourt, que colocaram um som bem mais limpo e refinado, mas que dialoga com elementos do Smooth Jazz, Boogie e Pop sofisticado. Os sintetizadores e teclados ainda estão no centro, só que agora com a presença de vocais tanto em inglês quanto em português, o que deixa tudo muito pasteurizado e semelhante aos projetos dos gigantes da MPB daquele período. O repertório é ruim; apesar de ter canções legais, há outras que são deslocadas. Enfim, é um álbum fraco e que passou despercebido. 

Melhores Faixas: Nos Bailes Da Vida, Aquarela Do Brasil, Blue Moon, Novo Tempo 
Piores Faixas: Aventureiro, Flávia, Avenida Paulista, A Todas As Amizades, História De Amor

  

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Review: AHHCade do PNAU

                  

AHHCade – PNAU





















NOTA: 3/10


Recentemente, o PNAU lançou um trabalho novo, o AHHCade, que tentou ser mais acessível. Após o Hyperbolic, eles decidiram revisitar algumas das raízes eletrônicas de Nick Littlemore. Só que o projeto tomou outro rumo durante o processo de composição. A dupla acabou se voltando para a memória dos fliperamas e das primeiras experiências com máquinas eletrônicas, enxergando esses espaços como lugares de descoberta, surpresa, diversão e uma espécie de proto-rave. Produção feita como sempre, pelo trio, aposta em sintetizadores brilhantes, linhas de baixo pulsantes, batidas compactas, vocais bastante processados e uma enorme quantidade de ganchos melódicos, fazendo aquela junção do Dance-Pop com elementos do Electropop. Mas tudo aqui soa muito previsível e não consegue apresentar variações que façam a audição ser interessante. O repertório é muito ruim, e as canções são muito genéricas, com poucas que sejam realmente boas. Enfim, é outro trabalho fraco do trio. 

Melhores Faixas: Rollin', Chemistry, Change 
Piores Faixas: Tu Corazón (Your Heart) (The Warning estando aqui para nada), Light Me Up, Eternal, Crash
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                            

Review: É o Grelo do Grelo

                  

É o Grelo – Grelo





















NOTA: 3/10


No ano de 2024, o Grelo lançava seu álbum de estreia, o É o Grelo, trazendo uma proposta que não tinha nada de inovador. O cantor de Anápolis, Goiás, já havia começado sua carreira inicialmente em 2013 como compositor para diversas duplas sertanejas que estão no mainstream brasileiro. Foi só onze anos depois que adotou esse nome artístico, com Henrique & Juliano apadrinhando-o e dando a oportunidade para que saísse da posição de compositor e assumisse suas próprias músicas. Produção feita por ele próprio, tem um som acessível e imediato, juntando as abordagens do Arrocha e do Piseiro. Tendo um uso constante de teclados, bases eletrônicas e bateria programada, deixando os vocais do Grelo, que são bem anasalados, no centro. Mas, assim, muita coisa é repetitiva e feita para viralizar no TikTok. O repertório é ruim: tem algumas canções boas e outras ruins (incluindo os covers). Enfim, é um álbum péssimo, de um artista que ainda tem certo potencial. 

Melhores Faixas: Só Fé, Longe e Se Querendo, Perto De Você 
Piores Faixas: Vida Loka (Pt 1) (Racionais MC’s), De Graça Ou Pagando, Palavras Ao Vento (Cássia Eller), Alma De Pipa


Review: Álbum Autointitulado do MC João

                  

MC João – MC João





















NOTA: 3/10


Em 2016, o MC João lançava seu único álbum, que leva seu nome, em um momento inesperado de sua carreira. O funkeiro da Zona Norte da cidade de São Paulo começou sua carreira no ano anterior, em um momento em que conciliava seu trabalho como office boy com a música, tornando-se um dos primeiros nomes a assinar com a GR6. Ganhou certa relevância por conta de uma música, o que lhe deu a oportunidade de lançar um álbum. A produção, feita por DJ R7, DJ Gugga e DJ Buggas, seguiu aquela abordagem do Funk ostentação da década passada: batidas secas, graves fortes, loops minimalistas, efeitos de voz, frases repetidas e estruturas curtas pensadas muito mais para o baile. E o problema é esse: tudo soa muito repetitivo e carregado de clichês que não fazem diferença. O repertório é ruim, tem canções legais e outras que são medíocres. No geral, é um trabalho horrível e, depois disso, o MC João não quis lançar mais nenhum álbum. 

Melhores Faixas: Baile de Favela (seu grande hit), Golpe Fenomenal, Aonde o Coro Come
Piores Faixas: Caçador De Perereca, Tá Duvidando, Vai Tomar, Loucura, Moça de Família 


Review: The Godfather Of Rap do Spoonie Gee

                  

The Godfather Of Rap – Spoonie Gee





















NOTA: 5/10


Em 1987, o Spoonie Gee lançava seu único álbum, intitulado The Godfather Of Rap. O rapper havia começado a se destacar ainda no final dos anos 70, quando o Rap estava deixando de ser apenas uma prática de festas e começava a ganhar espaço como música gravada. Ele gravou vários singles que se tornaram sucessos, consolidando-o como um dos primeiros grandes nomes do Hip-Hop. Só depois de oito anos ele teve a chance de lançar um álbum pelo selo da Tuff City. A produção, feita por Aaron Fuchs, Teddy Riley e Marley Marl, foi bastante enxuta, com os beats seguindo aquela vibe do Rap old-school, baseado em grooves de Funk, Soul e Disco, com baterias marcadas, linhas de baixo fortes, teclados e arranjos que deixam espaço para os flows do Spoonie, que, infelizmente, não conseguem se sustentar. O repertório é mediano: tem canções legais e outras que são só esquecíveis. No fim, é um álbum irregular, mas que não apaga a história do Spoonin. 

Melhores Faixas: The Godfather (Remix), Hit Man, Did You Come To Party 
Piores Faixas: Mighty Mike Tyson, She’s My Girl, Yum Yum


Review: Depois Do Fim do Bacamarte

                   

Depois Do Fim – Bacamarte





















NOTA: 10/10


No ano de 1983, o Bacamarte lançava seu único álbum de estúdio, o Depois Do Fim. Formado em 1974, no Rio de Janeiro, pelo guitarrista Mario Neto, que, ainda na adolescência, já estava compondo, o projeto ganhou forma três anos depois com a entrada do Sérgio Villarim (teclados), Delto Simas (baixo), Mr. Paul (percussão), Marcus Moura (flautas e acordeão) e Marco Veríssimo (bateria). Após anos de luta, eles enviaram sua fita para a Rádio Fluminense, e suas músicas começaram a tocar. Enfim, conseguiram lançar esse álbum. A produção feita pelo próprio Mario Neto, que colocou um som bem definido. As interações entre as guitarras e a cozinha rítmica funcionam muito bem, além dos teclados, que deixam uma ambiência cósmica, enquanto os vocais de Jane Duboc se encaixam perfeitamente, dialogando bastante com o Rock progressivo sinfônico. O repertório é sensacional, soando como uma coletânea. No fim, é um baita disco e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: UFO, Depois Do Fim, Último Entardecer, Smog Alado 
Vale a Pena Ouvir: Controvérsia, Pássaro De Luz


Analisando Discografias - Westside Cowboy

                   So Much Country ‘Till We Get There – Westside Cowboy NOTA: 8,4/10 No começo desse ano, o Westside Cowboy lançou um de seu...