Dreamboat Annie – Heart
NOTA: 10/10
No ano de 1976, o Heart lançava seu clássico álbum de estreia, o Dreamboat Annie. Formado dois anos antes no Pacific Northwest, lá em Seattle, com a maioria dos integrantes vindo de Vancouver, no Canadá, o grupo contava com as irmãs Ann e Nancy Wilson, Roger Fisher (guitarra), Howard Leese (guitarra e teclados), Steve Fossen (baixo) e Mike Derosier (bateria). Surgindo em um momento em que o Hard Rock clássico estava no topo da mídia e com eles assinando com uma gravadora independente, a Mushroom. A produção, feita por Mike Flicker, deixou um som equilibrado que junta elementos do Hard Rock com Folk e até Rock progressivo. As guitarras são bastante variadas, desde momentos melódicos até agressivos, a cozinha rítmica é bastante eficiente e os vocais delicados de Ann Wilson são o coração das canções. Falando nisso, o repertório é sensacional, parecendo uma completa coletânea. No final, é um baita disco de estreia e uma completa obra-prima.
Melhores Faixas: Crazy On You, Magic Man, Love Me Like Music (I'll Be Your Song), Soul Of The Sea
Vale a Pena Ouvir: Dreamboat Annie (Fantasy Child), How Deep It Goes
Little Queen – Heart
NOTA: 9,5/10
No ano seguinte, o Heart lançava seu sensacional 2º álbum, o Little Queen, em meio a uma confusão gigantesca. Após o Dreamboat Annie, a banda tinha conseguido ganhar bastante atenção da mídia e, com isso, assinou com a Portrait Records. Algo que enfureceu os executivos da Mushroom Records, que tinham um contrato firmado com a banda, e isso desencadeou algo que falarei daqui a pouco. Esse projeto seguiu um caminho em que decidiram explorar momentos intimistas com arranjos mais encorpados. A produção, feita mais uma vez por Mike Flicker, seguiu um som pesado e com maior nível de detalhamento, seguindo muito a abordagem do Folk Rock, mas com pitadas de Hard Rock e Pop Rock. As guitarras ficaram ainda mais variadas, transitando entre solos e bases mais abertas. A cozinha rítmica ficou mais cadenciada e os vocais de Ann ficaram mais variados. O repertório é incrível, e as canções são bem imersivas. No geral, é um belo disco e que é muito profundo.
Melhores Faixas: Barracuda, Little Queen, Love Alive, Dream Of The Archer, Cry To Me
Vale a Pena Ouvir: Kick It Out, Treat Me Well
Magazine – Heart
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado de forma oficial o 3º álbum do Heart, o Magazine, que foi uma completa dor de cabeça. Antes de lançarem o Little Queen, o que aconteceu foi que a antiga gravadora da banda, a Mushroom Records, tinha um contrato para eles lançarem mais um álbum sob o selo deles. Mas, como eles assinaram com a Arista, esse material foi gravado em poucos dias e, como eles não conseguiram terminá-lo, foi só com a ajuda da nova gravadora que conseguiriam remixar todo esse disco. A produção de Mike Flicker seguiu uma sonoridade mais variada, com momentos que dialogam entre Pop Rock, Hard Rock, Folk e Pop barroco. As guitarras colocam um devido peso, o baixo é bastante sustentável, a bateria é bastante orgânica e ajuda em momentos de peso, e os vocais de Ann continuam bem delicados. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mesmo com todo o processo intenso.
Melhores Faixas: Heartless, Magazine
Vale a Pena Ouvir: Without You, I've Got The Music In Me, Just The Wine
Dog & Butterfly – Heart
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: Dog And Butterfly, Cook With Fire, Lighter Touch, Straight On
Vale a Pena Ouvir: Mistral Wind, Nada One
Bebe Le Strange – Heart
NOTA: 8,3/10
Entrando nos anos 80, o Heart lançava mais um álbum novo, o Bebe Le Strange. Após o Dog & Butterfly, o guitarrista Roger Fisher acabou sendo demitido da banda, assim como seu irmão Michael, e acabou não tendo substituição. Com isso, a banda entra na nova década tentando se reafirmar em um cenário em que o Hard Rock melódico começaria a dominar o mercado musical daquela época. A produção, feita por Mike Flicker junto com a banda, deixou uma abordagem mais acessível e moderna. Com isso, as guitarras, agora assumidas inteiramente por Nancy Wilson, possuem momentos mais pesados e passagens sonoras. A bateria ficou bem mais firme e o baixo ainda mais controlado, enquanto os vocais de Ann ficaram muito mais energéticos, mostrando que estavam querendo dialogar com o Hard Rock daquele período. O repertório é legalzinho, tendo canções pesadas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mas que não fez sucesso.
Melhores Faixas: Bebe Le Strange, Sweet Darlin, Strange Night
Vale a Pena Ouvir: Rockin Heaven Down, Silver Wheels
Private Audition – Heart
NOTA: 4/10
Dois anos se passaram, e o Heart lançava seu 6º álbum de estúdio, o fraquíssimo Private Audition. Após o Bebe Le Strange, Ann e Nancy Wilson precisavam assumir ainda mais responsabilidade para manter a banda funcionando como uma unidade. O álbum surge, portanto, em um momento de busca por uma nova identidade, com elas ainda buscando encontrar completamente aquela sonoridade mais comercial que marcaria parte importante de sua trajetória posterior. A produção foi basicamente a mesma, só que agora extremamente comercial. As guitarras continuam sendo importantes, aparecendo em momentos pesados e outros mais cadenciados, em que os teclados ocupam mais espaço. Fora isso, a bateria ficou bastante comprimida, muito para deixar uma abordagem Pop Rock oitentista, só que isso ferra muito a imersão do álbum. O repertório é péssimo, e as canções são genéricas, com poucas interessantes. Enfim, é um álbum ruim e que deu muito errado.
Melhores Faixas: Bright Light Girl, City’s Burning, The Situation, Hey Darlin Darlin
Piores Faixas: Angels, The Man Is Mine, America, Fast Times, Perfect Stranger
Passionworks – Heart
NOTA: 5/10
Melhores Faixas: How Can I Refuse, Blue Guitar, Language Of Love
Piores Faixas: Ambush, Together Now, Johnny Moon
Heart – Heart
NOTA: 9/10
Então chegamos ao decisivo ano de 1985, quando o Heart lançava seu 8º álbum autointitulado. Após o Passionworks, a banda passou por mudanças, com a entrada de Mark Andes no baixo e Denny Carmassi na bateria. Além disso, a banda decidiu reconstruir sua identidade e apresentar uma versão mais moderna, acessível e comercial de seu som, algo que também teve pitaco da gravadora Capitol por trás. A produção, feita por Ron Nevison, seguiu um som limpo e extremamente polido, que dialoga tanto com o Hard Rock farofento daquele período quanto com o AOR. As guitarras possuem riffs e bases variadas, enquanto os solos ganham aquele caráter grandioso típico do Rock de arena. A bateria também ganha bastante impacto, as linhas de baixo são bem melódicas e os vocais de Ann ficaram bem mais energéticos e cadenciados. O repertório é muito bom, e as canções são bem vibrantes e imersivas. No fim, é um disco incrível e que finalmente foi um sucesso.
Melhores Faixas: These Dreams, If Looks Could Kill, What About Love, Nothin' At All, Never
Vale a Pena Ouvir: Shell Shock, The Wolf
Bad Animals – Heart
NOTA: 8,5/10
Dois anos se passaram, e o Heart lança seu 9º álbum de estúdio, o Bad Animals. Após o álbum de 1985, que colocou de novo eles como uma das bandas principais do Hard Rock, eles decidiram se manter no topo, já que foi difícil voltar a ocupar uma posição que, há muito tempo, eles estavam completamente longe, abraçando a sua identidade oitentista e procurando fazer um disco ainda mais direto. A produção, feita mais uma vez por Ron Nevison, seguiu aquela abordagem polida e extremamente comercial do AOR e Hard Rock farofa daquele período. As guitarras ficaram bem mais limpas e com riffs e solos poderosos, a bateria tem impacto e o baixo dá sustentação, enquanto os sintetizadores preenchem os espaços. E os vocais de Ann Wilson continuam bastante variados e carregados de energia. O repertório é muito bom, e as canções ficaram ainda mais melódicas e intimistas. No final de tudo, é outro álbum bacana e que teve mais variação.
Melhores Faixas: Alone, Who Will You Run To, Strangers Of The Heart, You Ain't So Tough
Vale a Pena Ouvir: There's The Girl, Bad Animals, I Want You So Bad
Então um abraço e flw!!!



















