Kraftwerk – Kraftwerk
NOTA: 8/10
No ano de 1970, o Kraftwerk lançava seu álbum de estreia autointitulado, com uma proposta diferente. Formado naquele ano na cidade de Düsseldorf por Ralf Hütter e Florian Schneider, que anteriormente faziam parte de uma banda que havia acabado de encerrar suas atividades, o grupo surgiu da vontade da dupla de continuar imersa naquele universo do Krautrock, uma cena em que cada banda alemã possuía seu próprio estilo. Além disso, eles conseguiram um contrato com a Philips Records. A produção foi realizada pela própria banda junto com Conny Plank, adotando uma abordagem crua e caótica. Ralf Hütter assume os teclados e o órgão, enquanto Florian Schneider explora flautas, efeitos e diversas experimentações sonoras. Com isso, há uma grande riqueza de texturas, passagens que parecem surgir espontaneamente e ritmos que reforçam o lado psicodélico da obra. O repertório contém 4 faixas muito boas e imersivas. Enfim, é um disco de estreia estranho, mas coeso.
Melhores Faixas: Vom Himmel Hoch, Ruckzuck
Vale a Pena Ouvir: Stratovariu, Megaherz
Kraftwerk 2 – Kraftwerk
NOTA: 7/10
Dois anos se passaram, e o Kraftwerk lançou seu 2º álbum, intitulado Kraftwerk 2. Após o disco de estreia, que ainda representava um projeto em formação, tanto que isso acarretou a saída do baterista Klaus Dinger, o interesse por estruturas repetitivas tornou-se mais evidente, a exploração de texturas ganhou maior refinamento e a banda demonstrou uma compreensão mais madura da construção de atmosferas. A produção foi mais orgânica e experimental. A instrumentação permanece baseada em órgão, piano elétrico, flauta, guitarra, bateria, percussão e diversos efeitos de estúdio. O foco continua sendo a manipulação de timbres e a criação de ambientes sonoros. Além disso, temos uma presença marcante de ecos, manipulações de fita e sobreposições sonoras que dialogam um pouco com o que viria a ser a música ambiente. O repertório é bom e possui faixas interessantes, só que algumas soam deslocadas. Enfim, é um disco legal, mas com alguns erros.
Melhores Faixas: Klingklang, Wellenlänge, Spule 4
Piores Faixas: Strom, Atem
Ralf & Florian – Kraftwerk
NOTA: 8,6/10
No ano seguinte, foi lançado o 3º álbum do Kraftwerk, o Ralf & Florian, e aqui ocorreram mudanças importantes. Após o Kraftwerk 2, Ralf Hütter e Florian Schneider começaram a se afastar gradualmente do Krautrock para construir algo muito mais próximo da identidade que os tornaria mundialmente famosos. O grupo passa a demonstrar um interesse muito maior por organização estrutural, repetição controlada, melodias cuidadosamente construídas e uma utilização mais sofisticada da tecnologia. A produção, feita pela dupla, seguiu por um caminho bastante contemplativo. Existe uma preocupação muito maior com timbres, texturas e precisão sonora. Os sintetizadores começam a desempenhar um papel mais importante, dialogando com os instrumentos que já utilizavam anteriormente e criando uma imersão puxada para o Prog eletrônico. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves e relaxantes. Enfim, é um ótimo disco e um verdadeiro ponto de virada.
Melhores Faixas: Tanzmusik, Elektrisches Roulette
Vale a Pena Ouvir: Kristallo, Ananas Symphonie
Autobahn – Kraftwerk
NOTA: 9,9/10
E aí chegamos ao ano de 1974, quando o Kraftwerk lançou o sensacional Autobahn, e aqui a coisa ficou séria. Após o Ralf & Florian, eles se tornaram de vez uma banda com a adição do Klaus Röder na guitarra e flauta, além de Wolfgang Flür na percussão. Passaram a abandonar de vez aquele lado mais experimental, seguindo diretamente para estruturas eletrônicas. O trabalho surgiu da experiência de viajar pelas autobahns, as famosas autoestradas alemãs. Para Hütter e Schneider, dirigir não era apenas um meio de transporte, mas uma experiência estética. A produção foi bastante sofisticada, e os sintetizadores tornaram-se protagonistas pela primeira vez. Eles foram utilizados para criar timbres inéditos, simulando sons de motores, buzinas, vento e movimento. Além disso, há a presença de sons mecânicos e efeitos eletrônicos que dialogam com o Prog eletrônico. O repertório contém 5 faixas sensacionais e bastante atmosféricas. No fim, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Autobahn, Morgenspaziergang, Kometenmelodie 2
Vale a Pena Ouvir: Kometenmelodie 1, Mitternacht
Radio-Aktivität – Kraftwerk
NOTA: 9,5/10
No ano de 1975, o Kraftwerk retorna com mais um álbum, intitulado Radio-Aktivität. Após o Autobahn, eles decidiram explorar um conceito mais complexo: o rádio. Esse título, em alemão, "Radio-Aktivität" pode ser interpretado tanto como "atividade radiofônica" quanto como "radioatividade". Essa ambiguidade linguística tornou-se o eixo central de toda a obra, e, se antes eles já mostravam uma pegada futurista, aqui entraram de cabeça. A produção, realizada no Kling Klang Studio, apresentou uma sonoridade econômica e uma clareza impressionante. Os sintetizadores tornaram-se o principal elemento estrutural das composições. Órgãos eletrônicos, sequências repetitivas, vocoders e diversos dispositivos de processamento sonoro dominam praticamente todo o álbum, deixando um caráter cinematográfico. O repertório é incrível, e as canções são bastante frias e abstratas. No geral, é um belo disco, mesmo que não tenha sido um grande sucesso.
Melhores Faixas: Radioaktivität, Radioland, Ätherwellen, Ohm Sweet Ohm, Antenne
Vale a Pena Ouvir: Transistor, Die Stimme Der Energie
Trans Europa Express – Kraftwerk
NOTA: 10/10
Dois anos depois, foi lançado o atemporal e espetacular Trans-Europe Express. Após o Radio-Aktivität, a inspiração para esse disco veio do sistema ferroviário europeu, especialmente do famoso trem Trans Europ Express, que conectava diversas cidades importantes do continente. Para o Kraftwerk, os trens representavam algo maior do que simples meios de transporte. Simbolizavam integração cultural, modernidade, mobilidade e uma identidade europeia compartilhada. A produção foi bem mais avançada tecnologicamente. Os sintetizadores dominam por completo a sonoridade do álbum, e sons aparentemente acústicos surgem com frequência, mas foram processados ou recriados por meio de equipamentos eletrônicos. A precisão rítmica é extremamente disciplinada, e os vocais são econômicos. Tudo isso serviria de base para o Synth-pop. O repertório é maravilhoso e que parece uma coletânea. No fim, é um baita disco e, certamente, uma obra-prima.
Melhores Faixas: Trans Europa Express, Europa Endlos, Schaufensterpuppen, Franz Schubert
Vale a Pena Ouvir: Spiegelsaal, Abzug
Die Mensch•Maschine – Kraftwerk
NOTA: 10/10
Indo para o ano de 1978, foi lançado o excepcional 7º álbum do Kraftwerk, o Die Mensch-Maschine. Após o Trans-Europe Express, a banda tornou-se praticamente uma das mais importantes da nascente cena da música eletrônica, e, nesse álbum, o foco passa a ser a própria relação entre seres humanos e máquinas. O conceito refletia preocupações que se tornariam cada vez mais relevantes nas décadas seguintes: a automação e a presença cada vez maior da tecnologia no cotidiano. A produção foi extremamente limpa. Os sintetizadores apresentam timbres que possuem uma função expressiva. Os padrões de bateria eletrônica e percussão programada exibem uma regularidade quase perfeita, criando a sensação de um sistema mecânico funcionando sem falhas, além da presença do vocoder, reforçando a estética do Synth-pop. O repertório é praticamente uma coletânea. Enfim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Das Model, Die Roboter
Vale a Pena Ouvir: Spacelab, Metropolis
Computerwelt – Kraftwerk
NOTA: 10/10
Entrando no ano de 1981, o Kraftwerk lança mais um álbum novo, o Computerwelt. Após o Die Mensch-Maschine, esse novo projeto direcionava sua atenção para um tema que ainda estava apenas começando a transformar a sociedade: a informatização do cotidiano. Quando o álbum foi lançado, os computadores pessoais ainda eram objetos relativamente raros. Eles só estavam presentes em empresas, e a ideia de computadores nas residências ainda era vista como algo bastante futurista. No entanto, a banda enxergava claramente essa direção. A produção é extremamente precisa e elegante. Tudo gira em torno de sequências eletrônicas, ritmos programados e timbres cuidadosamente construídos. A bateria eletrônica é muito bem definida, algo que seria importante para o Electro, e o vocoder funciona como mais um sintetizador dentro da mixagem. O repertório é maravilhoso, e as canções são belíssimas. Enfim, é outro disco incrível e que também é um clássico.
Melhores Faixas: Computer Love, Computerwelt, Numbers
Vale a Pena Ouvir: Taschenrechner, Heimcomputer
Electric Café – Kraftwerk
NOTA: 9/10
Quatro anos se passaram, e a banda lança mais um disco, o Electric Café, que trouxe uma proposta diferente. Após o sensacional Computerwelt, muitos esperavam que o Kraftwerk continuasse avançando em direção ao futuro. Entretanto, os anos seguintes foram marcados por atrasos, experimentações tecnológicas e mudanças constantes no material. Originalmente, esse álbum se chamaria Techno Pop, mas Ralf Hütter sofreu um acidente de bicicleta em maio de 1982, e isso contribuiu para sucessivos adiamentos do projeto. A produção foi bastante polida e detalhada. Com os avanços tecnológicos, eles já podiam trabalhar com equipamentos digitais. Aqui, os sintetizadores são brilhantes, a bateria eletrônica conduz o groove, os timbres são cristalinos e o uso de vocoder e processamento vocal é muito importante. Com isso, temos uma fusão do Synth-pop com Electro. O repertório é incrível, e as canções são bastante divertidas. Enfim, é um disco maravilhoso e muito subestimado.
Melhores Faixas: Boing Boom Tschak, The Telephone Call / House Phone
Vale a Pena Ouvir: Techno Pop, Sex Objekt
Bom é isso e flw!!!