domingo, 12 de julho de 2026

Review: The Real Me do Future

                     

The Real Me – Future





















NOTA: 2/10


Recentemente, o Future lançou seu mais recente álbum, o The Real Me, e aqui as coisas não deram certo. Após a MIXTAPE PLUTO, o rapper focou em outros projetos nesse meio-tempo, sendo um deles sua participação em uma das músicas da Copa do Mundo; tanto que ele chegou até a se apresentar na cerimônia de abertura. Assim, o anúncio desse projeto veio após uma campanha misteriosa envolvendo as iniciais "T.R.M." em outdoors e plataformas digitais. A produção foi extremamente diversificada, contando com Southside, TM88, ATL Jacob e vários outros, que trouxeram beats amplos, com forte presença de 808s pesados, hi-hats discretos e sintetizadores melancólicos. Só que, no fim, isso parece mais um trabalho genérico do Trap, com Future repetindo o mesmo flow do começo ao fim. O repertório é tenebroso, com canções terríveis e poucas que se salvam. Enfim, é certamente um dos piores álbuns de sua carreira. 

Melhores Faixas: Tank Top Pluto, Radio, Off The Hinge 
Piores Faixas: One Two, Build A Bitch, No Misery, Feeling I Give, Kick, Snow In Skyami, Cast A Spell, Hollywood, 2018

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Mobb Deep

                 

Juvenile Hell – Mobb Deep





















NOTA: 8/10


Em 1993, o Mobb Deep lançava seu injustiçado álbum de estreia, o Juvenile Hell. Formado em 1990 no bairro do Queens, em Nova Iorque, pela dupla Prodigy e Havoc, que se conheceram enquanto estudavam na prestigiada High School of Art and Design, eles começaram a gravar fitas demo e, após muita correria, conseguiram um contrato com a 4th & B'way Records, subsidiária da gravadora Island. A produção, feita pelo Havoc, contou também com DJ Premier, Large Professor, Paul Shabazz, entre outros, seguindo uma linha de beats mais limpas e menos opressivas. Mas, claro, mantendo aquela estética cheia de scratches, samples mais ensolarados de Soul e Funk e estruturas orientadas para o Boom Bap. Os flows do Prodigy conseguem ser bem ameaçadores, enquanto Havoc traz um contraponto com um lado mais técnico. O repertório é muito bom, e as canções conseguem ser bastante divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Peer Pressure, Hit It From The Back 
Vale a Pena Ouvir: Project Hallways, Me & My Crew, Hold Down The Fort

The Infamous – Mobb Deep





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e o Mobb Deep lançou o seu atemporal 2º álbum, o The Infamous. Após o Juvenile Hell, a dupla foi dispensada pela gravadora e se viram em uma situação complicada. Só que, a Loud Records, impactada pelo sucesso do Wu-Tang Clan, queria um grupo que seguisse uma vibe parecida, assinando assim com eles, o que fez a dupla ter liberdade para desenvolver um trabalho mais pessoal. A produção, feita pelo Havoc junto com the Abstract (vulgo Q-Tip), seguiu uma abordagem sombria e sufocante. Os beats pesados, construídos com pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas, samples distorcidos e efeitos que criam uma sensação permanente de perigo. Os flows evoluíram bastante, principalmente os do Prodigy, que adota um lado mais frio e que dialoga com o Gangsta Rap em beats do Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No final, esse disco é um clássico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Shook Ones Pt. II, Survival Of The Fittest, Give Up The Goods (Just Step), Eye For A Eye (Your Beef Is Mines) (ótimas feats do Nas e Raekwon), The Start Of Your Ending (41st Side), Right Back At You (Raekwon junto com Ghostface Killah é quase Wu-Tang inteira), Drink Away The Pain (Situations) (Q-Tip amassando) 
Vale a Pena Ouvir: Cradle To The Grave, Up North Trip, Q.U. - Hectic

Hell On Earth – Mobb Deep





















NOTA: 10/10


No final do ano de 1996, o Mobb Deep lançava o também sensacional 3º álbum deles, o Hell On Earth. Após o clássico The Infamous, o Havoc e Prodigy deixaram de ser apenas uma promessa do Rap de Nova Iorque e passaram a integrar a elite do Rap da Costa Leste. E aqui, eles decidiram fazer um álbum mais frio e agressivo, além de claro ter respostas para os rappers da Costa Oeste muito por conta de eles terem citados por 2Pac na diss track "Hit 'Em Up". Produção conduzida pela dupla, tem presença de beats sombrias com beats mais pesadas, os graves são mais profundos e os samples em sua maioria de Soul possuem uma textura quase fantasmagórica. Fazendo assim um Boom Bap tenso com a temática do Gangsta Rap, colaborado com o flow de cada um que se tornou mais agressivo e direto. O repertório é incrível, e também chega parecer uma coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e que também é uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Hell On Earth (Front Lines), Drop A Gem On 'Em, Bloodsport, G.O.D. Pt. III, Can't Get Enough Of It, Apostle's Warning, Give It Up Fast (ótima feat do Nas), Animal Instinct
Vale a Pena Ouvir: Nighttime Vultures, Extortion (Method Man mandou bem), Still Shinin'

Murda Muzik – Mobb Deep





















NOTA: 8,7/10


Três anos se passaram, e o Mobb Deep lançou seu 4º álbum, o subestimado Murda Muzik. Após o Hell On Earth, o cenário do Rap tinha mudado, já que, com o fim daquela rivalidade entre Costa Leste e Costa Oeste por conta das mortes do Big e do Pac, o gênero passou a ficar cada vez mais comercial, e assim eles queriam seguir um caminho mais acessível. Só que passaram por alguns problemas, como faixas que foram vazadas, e eles tiveram que reorganizar o repertório. A produção, feita pelo Havoc, contou com a ajuda do T-Mix, Epitome e de um jovem The Alchemist, seguindo uma sonoridade bem mais refinada e limpa. Com beats amplos, marcados por baterias pesadas, baixos profundos e teclados mais sofisticados. Os flows do Prodigy continuam bem secos e agressivos, e Havoc consegue apresentar um lado mais seguro. O repertório é ótimo, e as canções são bem consistentes e profundas. No geral, é um ótimo disco e que merecia ser revisitado. 

Melhores Faixas: Quiet Storm, Where Ya Heart At, What's Ya Poison, Where Ya From, Thug Muzik, The Realest (Kool G Rap amassou), Allustrious, It's Mine (Nas mandou bem) 
Vale a Pena Ouvir: Streets Raised Me, U.S.A. (Aiight Then), Can't Fuck Wit (ótima feat do Raekwon), Let A Ho Be A Ho

Infamy – Mobb Deep





















NOTA: 3/10


Indo para 2001, o Mobb Deep lançava um novo álbum intitulado Infamy, e aqui as coisas decaíram. Após o Murda Muzik, o Rap havia se tornado ainda mais comercial. Aquele Gangsta Rap cru dos anos 90 já não dominava a cena, e a dupla já não estava na mesma situação financeira e profissional dos anos anteriores. Havia uma pressão cada vez maior para produzir singles de maior apelo comercial e ampliar o público do grupo. A produção, feita pelo Havoc junto com EZ Elpee, Scott Storch e The Alchemist, seguiu uma sonoridade moderna e polida. Os beats estão mais limpos, com baterias refinadas, graves mais encorpados e uma presença maior de sintetizadores e melodias de R&B. E assim, tudo soa como um Gangsta Rap pasteurizado para tocar nas rádios da época, já que quase tudo aqui é extremamente semelhante as produções do Eminem. O repertório é muito ruim, com poucas canções interessantes. No geral, é um álbum péssimo e sem identidade. 

Melhores Faixas: Get Away, The Learning (Burn) (diss pro Jay-Z), Nothing Like Home 
Piores Faixas: My Gats Spitting, There I Go Again, Bounce, Hey Luv (Anything), I Won't Fall, Handcuffs

Amerikaz Nightmare – Mobb Deep





















NOTA: 3/10


Se passaram três anos, e a dupla lançou seu 6º álbum, intitulado Amerikaz Nightmare. Após o Infamy, que trouxe uma sonoridade mais comercial e experimentações com R&B, muitos fãs sentiram que o Mobb Deep havia se afastado da atmosfera fria e violenta que marcou seus maiores clássicos. Além disso, eles estavam envolvidos naquela diss contra Jay-Z, e foram os que menos convenceram, diferentemente de Nas. Então, precisavam fazer um trabalho sério, visto através da perspectiva de jovens negros das comunidades pobres. A produção do Havoc contou com The Alchemist, Lil Jon e Red Spyda, e aqui seguiram uma abordagem moderna, com beats carregados de baixos fortes, baterias pesadas e melodias obscuras. Porém, existe uma maior presença de sintetizadores, mas tudo soa bastante monótono e como se faltasse algo mais imersivo. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e apenas algumas que se salvam. No fim, é um disco ruim e muito desconexo. 

Melhores Faixas: We Up, Got It Twisted, Dump 
Piores Faixas: Flood The Block, Got It Twisted Remix, Throw Your Hands (In The Air), Shorty Wop, Neva Change, Real N***az

Blood Money – Mobb Deep





















NOTA: 2,5/10


No ano de 2006, o Mobb Deep lançava mais um disco, intitulado Blood Money, e aqui foi o fundo do poço. Após o Amerikaz Nightmare, a dupla tomou uma decisão que causou surpresa: assinar com a G-Unit Records, selo comandado por 50 Cent. A parceria fazia sentido comercialmente, pois 50 Cent era um dos maiores nomes do Rap naquele momento e tinha grande influência sobre uma nova geração de fãs. A produção foi bastante diversificada, contando com Chad Beatz, Sha Money XL, entre outros, que adotaram uma abordagem radiofônica e bastante limpa. Os beats possuem mais sintetizadores, baterias mais fortes e estruturas pensadas para funcionar em clubes e grandes apresentações. Além disso, os flows do Prodigy e Havoc ficaram bem mais agressivos, mas tudo acaba se tornando uma tentativa desesperada de se manterem relevantes. O repertório é horrível, com canções medíocres e poucas exceções. Enfim, é um álbum horrível e que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Click Click, Have a Party (boa feat do 50 Cent e Nate Dogg) 
Piores Faixas: Put Em In Their Place, Capital P, Capital H, It’s Alright, Smoke It, Stole Something, Daydreamin'

The Infamous Mobb Deep – Mobb Deep





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 2014 que o Mobb Deep lançava seu 8º álbum, o The Infamous Mobb Deep (eita, título criativo). Após o Blood Money, em vez de tentar seguir tendências, Havoc e Prodigy decidiram fazer o contrário: revisitar suas raízes e reafirmar sua identidade. Além disso, isso também foi bom para a relação entre os dois, que havia passado por momentos turbulentos. Houve desentendimentos públicos e até especulações sobre o fim definitivo da dupla. Produzido por Havoc, com a presença de nomes como Boi-1da, The Maven Boys, Illmind, entre outros, traz aquelas batidas cruas e pesadas, com baterias secas, pianos melancólicos, linhas de baixo pesadas e uma atmosfera de tensão constante, mas, claro, dialogando com a modernidade. Com isso, temos um retorno àquele Boom Bap raiz que eles sabiam fazer bem. O repertório é bem legal, e as canções são bastante reflexivas e melódicas. No fim, é um disco bacana e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Dirt, Lifetime 
Vale a Pena Ouvir: Get Down, Gimme All That, Murdera

Infinite – Mobb Deep





















NOTA: 8,9/10


Então chegamos a 2025, quando foi lançado o último álbum da dupla, intitulado Infinite. Após o The Infamous Mobb Deep, eles estavam até que fazendo seus shows de forma tranquila, mas, infelizmente, em 2017, Prodigy morreu de asfixia acidental em Las Vegas, Nevada, enquanto estava hospitalizado devido à anemia falciforme. Assim, Havoc preparou esse trabalho a partir de versos inéditos, gravações arquivadas e materiais que Prodigy havia deixado ao longo dos anos, sendo lançado pela Mass Appeal como parte da série "Legend Has It". A produção, feita pelo rapper junto com The Alchemist, trouxe uma sonoridade limpa, com beats pesados, pianos melancólicos, linhas de baixo profundas, baterias secas e uma atmosfera fria e ameaçadora, dialogando tanto com o Boom Bap quanto com o Jazz Rap. O repertório é ótimo, e as canções são bastante reflexivas e beiram um lado sombrio. Em suma, é um ótimo álbum de despedida para uma dupla tão lendária. 

Melhores Faixas: Love The Way (Down For You PT2) (BAITA feat do Nas), Look At Me (baita feat do Clipse), Pour The Henny (Nas amassando de novo), The M. The O. The B. The B., Clear Black Nights (Raekwon e Ghostface Killah mandaram bem), Score Points, Mr. Magik
Vale a Pena Ouvir: Taj Mahal, We The Real Thing, Against The World


sábado, 11 de julho de 2026

Analisando Discografias - Sci-Fi the Mastermind

                  

Armageddon – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 9/10


Também em 2024, o Sci-Fi the Mastermind lançava seu 1º trabalho no formato de EP, o Armageddon. O rapper, vindo de Boston, Massachusetts, começou sua trajetória por volta de 2023 e já vinha construindo uma pequena reputação no underground por meio de uma estética profundamente inspirada pelo rap dos anos 90, especialmente pelos trabalhos de grupos como o Wu-Tang Clan, além da influência evidente de artistas como MF DOOM. A produção, feita por Dr. Misterio on the Beat, apresenta beats pesadas, baterias secas, linhas de baixo simples e samples de Soul e Jazz, elementos que fazem o projeto seguir a sonoridade clássica do Boom Bap nova-iorquino dos anos 90. Os flows do Sci-Fi são bastante agressivos e carregados de técnica. O repertório contém sete faixas muito boas e repletas de metáforas. No fim, é um EP sensacional e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Revolution of Mass Destruction, Armageddon, Greetings Planet Earth 
Vale a Pena Ouvir: The Mightiest Magician, Aftermath of Agony

Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 8,8/10


Aí, no ano passado, ele lançou seu álbum de estreia, o Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence. Após o EP Armageddon, Sci-Fi já começou a preparar um álbum que pretende funcionar como uma espécie de manifesto artístico, misturando ficção científica, filosofia e Hip Hop/Rap underground. O projeto cria um universo mais amplo, no qual conceitos de inteligência superior, dimensões paralelas, entidades sobrenaturais e reflexões existenciais se entrelaçam em uma narrativa relativamente abstrata. A produção, feita por be franky, Dr. Misterio on the Beat, LethalNeedle, entre outros, segue uma abordagem Lo-fi, com beats pesados e densos, baterias secas, linhas de baixo discretas e sintetizadores atmosféricos, incorporando elementos do Boom Bap e do Jazz Rap. Além disso, os flows do Sci-Fi ficaram mais agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante profundas. Em suma, é um ótimo disco e mostra algo promissor. 

Melhores Faixas: Hive Mind, S. C. I. F. I., Trick Dice, Mortal Korruption, Priedlids, We're Surrounded 
Vale a Pena Ouvir: Eternal Recurrence, What World is This, Divine Mastermind

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!               

Review: EP autointitulado do InDharma

                     

InDharma – InDharma





















NOTA: 8/10


Em 2024, o InDharma lançou seu 1º trabalho no formato de EP, um projeto autointitulado que trazia algo promissor. A banda, formada em 2022 em São Paulo, passou por uma série de mudanças de integrantes, mas sua formação se firmou com Nego Max e Rappa Nui (vocais), DropAllien (guitarra), DJ Noé (scratches), Mounir Sobh (baixo) e Gui Figueiredo (bateria). Assim, depois de várias apresentações, eles estavam preparando um álbum, mas, de repente, a banda se separou e decidiu lançar esse material em formato de EP. A produção, feita pelo próprio DropAllien, deixou o som bem cru e direto. As guitarras são pesadas e cheias de groove, alternando riffs agressivos e momentos mais melódicos. A cozinha rítmica é bastante presente, e os vocais alternam entre momentos agressivos e Rap, juntando elementos do Nu Metal e do Metal Alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são energéticas e imersivas. Enfim, é um ótimo EP e, quem sabe, um dia eles voltem. 

Melhores Faixas: Alta Voltagem, Som Das Ruas 
Vale a Pena Ouvir: Pêndulo, Libertar


Analisando Discografias - Wuang Chung

                 

Huang Chung – Huang Chung





















NOTA: 8/10


No ano de 1982, o Wang Chung, ou melhor, Huang Chung, lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formado dois anos antes, em Londres, pelo vocalista e guitarrista Jack Hues, pelo baixista Nick Feldman e pelo baterista Darren Costin, sendo depois complementado pelo saxofonista Dave Burnand, o grupo tinha uma identidade bastante peculiar, misturando elementos de New Wave e Post-Punk, o que despertou o interesse da gravadora Arista. A produção, feita por Rhett Davies e Roger Béchirian, tem uma abordagem até que crua, mas consegue ser bastante acessível, apresentando uma convivência constante entre instrumentos eletrônicos, guitarras limpas, linhas de baixo bastante presentes e uma bateria que frequentemente adota ritmos secos e minimalistas. Os sintetizadores criam atmosferas envolventes, enquanto os vocais do Hues são até que contidos. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas. Enfim, é um ótimo álbum de estreia e injustamente desprezado. 

Melhores Faixas: I Never Want To Love You In A Half Hearted Way, Rising In The East 
Vale a Pena Ouvir: Chinese Girls, Hold Back The Tears, I Can't Sleep

Points On The Curve – Wang Chung





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e agora o Wang Chung lança seu 2º álbum, o Points on the Curve. Após o álbum de estreia, como inicialmente eles passaram bem despercebidos, a Arista Records os transferiu para a gravadora americana Geffen. Além disso, o saxofonista Dave Burnand acabou saindo, e a banda decidiu trocar seu nome para o que conhecemos hoje, a fim de facilitar a pronúncia para os falantes de inglês. A produção contou com Chris Hughes e Ross Cullum e foi bem mais polida, com os sintetizadores ganhando maior importância. As baterias passaram a ter um som mais limpo, dialogando muito mais com a New Wave e o Synth-pop. Além disso, as guitarras ficaram mais complementares, servindo para dar textura, e o baixo é bastante consistente. Os vocais do Jack Hues são bem contidos e elegantes, mas também bastante expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bastante envolventes e imersivas. No fim, é um belo disco e uma joia rara daquela época. 

Melhores Faixas: Dance Hall Days, Don’t Let Go, Even If You Dream, Wait, Look At Me Now
Vale a Pena Ouvir: Don't Be My Enemy, True Love

To Live And Die In L.A. (Music From The Motion Picture) – Wang Chung





















NOTA: 9,6/10


Três anos se passaram, e o Wang Chung lança seu 3º álbum, a trilha sonora do filme Viver e Morrer em Los Angeles. Após o Points on the Curve, a banda recebeu uma oportunidade incomum: compor a trilha sonora do filme dirigido por William Friedkin. O grupo percebeu que a ocasião permitia explorar uma faceta mais cinematográfica e experimental, muito diferente do pop mais direto que começava a definir sua carreira. Produzido pela própria banda, com o auxílio de outros produtores, o álbum segue uma abordagem atmosférica e com aquele nível de suspense típico de um filme policial. Ou seja, os sintetizadores sugerem tensão, solidão e até mesmo um certo romantismo decadente. Além disso, há a presença de sequenciadores, linhas de baixo discretas e baterias eletrônicas, que contribuem para criar um clima de suspense e melancolia. O repertório é sensacional, e as canções são densas e melódicas. No fim, é um baita disco e uma trilha sonora muito bem-feita. 

Melhores Faixas: To Live And Die In L.A., Wait, City Of The Angels, Wake Up, Stop Dreaming
Vale a Pena Ouvir: Lullaby, Every Big City

Mosaic – Wang Chung





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, o Wang Chung lançava mais um álbum novo, intitulado Mosaic. Após a trilha sonora do filme Viver e Morrer em Los Angeles, a banda possuía exatamente as características que o mercado buscava naquele período: músicas dançantes, refrões memoráveis, uma estética moderna e uma sonoridade que conciliava Synth-pop, New Wave e Pop Rock. Então, eles decidiram fazer um trabalho mais comercial, aproveitando o hype que haviam conquistado. A produção, feita por Peter Wolf, é bastante polida, com forte utilização de baterias eletrônicas, sintetizadores brilhantes, efeitos digitais e arranjos extremamente elaborados. Os vocais do Jack Hues também atingem um equilíbrio interessante entre emoção e acessibilidade. Fora isso, temos influências do Pop sofisticado, Synth Funk e da Big Music. O repertório é muito bom, e as canções são exuberantes e divertidas. Enfim, é um ótimo álbum e que apresenta muita consistência. 

Melhores Faixas: Everybody Have Fun Tonight, Let’s Go, Betrayal 
Vale a Pena Ouvir: Eyes Of The Girl, Horizon

The Warmer Side Of Cool – Wang Chung





















NOTA: 3/10


Entrando no fim dos anos 80, o Wang Chung lançava seu 5º álbum, o fraquíssimo The Warmer Side of Cool. Após o Mosaic, a banda decidiu evitar uma simples repetição da fórmula que havia dado certo. Em vez de produzir outro álbum inteiramente baseado em hinos dançantes e refrões gigantescos, o grupo procurou criar um trabalho mais sofisticado, explorando temas mais introspectivos e uma sonoridade menos extravagante. A produção permaneceu relativamente a mesma, só que agora seguindo muito mais um lado puxado para o Pop Rock e com um maior refinamento. Os sintetizadores continuam presentes, mas são utilizados de forma muito mais discreta. As guitarras estão mais presentes e as linhas de baixo mais elaboradas, enquanto os vocais do Hues são mais expressivos. Porém, tudo soa bastante monótono e com pouquíssima imersão. O repertório é bem ruim, trazendo canções genéricas, com algumas exceções. No final, é um álbum fraquíssimo e desconexo. 

Melhores Faixas: The Warmer Side Of Cool, Snakedance, At The Speed Of Life 
Piores Faixas: Logic And Love, When Love Looks Back At You, Big World, Games Of Power

Tazer Up! – Wang Chung





















NOTA: 3/10


Foi apenas em 2012 que o Wang Chung lançou seu mais recente álbum, o Tazer Up!. Após o The Warmer Side of Cool, a banda acabou encerrando suas atividades e, com isso, cada integrante seguiu seu próprio caminho. Nesse período, quem mais se destacou foi certamente Nick Feldman, que construiu uma carreira importante na indústria musical como executivo e empresário. Depois de muita conversa, eles voltaram de vez em 1997 e, de lá para cá, focaram em turnês. Após muita enrolação, decidiram lançar um novo projeto. Produção feita junto com Adam Wren, é limpa e orgânica, com a presença de sintetizadores que possuem timbres menos extravagantes. As guitarras se tornaram mais constantes, e a cozinha rítmica é bem sólida, assim como os vocais do Jack Hues. Só que, no geral, tudo é bastante repetitivo e sem dinâmica. O repertório é bem ruim, com canções chatinhas e poucas interessantes. No fim, é um álbum fraco e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: London Orbital, Rent Free, Abducted By The 80s 
Piores Faixas: Overwhelming Feeling, Stargazing, Driving You, Why?


Review: The Real Me do Future

                      The Real Me – Future NOTA: 2/10 Recentemente, o Future lançou seu mais recente álbum, o The Real Me, e aqui as coisas ...