quinta-feira, 7 de maio de 2026

Analisando Discografias - Guards

                  

Guards EP – Guards





















NOTA: 7/10


Em 2010, o Guards lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Guards EP. Formado naquele mesmo ano em Nova York pelo trio composto por Richie James Follin (vocais e guitarra), Kaylie Church (teclados) e Loren Humphrey (bateria), esse trabalho surge no momento de consolidação da nova geração de bandas de Indie Pop que trazia uma temática nostálgica, com reverbs, referências aos anos 60 e uma estética emocional. Produzido por eles mesmos, o projeto deixa uma abordagem bastante crua, em ambiente caseiro e com poucos recursos, apostando numa sonoridade Lo-fi carregada de reverb, guitarras sujas e vocais levemente distantes, criando uma atmosfera nebulosa que mistura Indie Pop, Indie Surf e Jangle Pop. O repertório contém 7 faixas bem variadas e carregadas de leveza. No geral, é um trabalho bastante consistente que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Don't Wake The Dead, Trophy Queen 
Vale a Pena Ouvir: Crystal Truth, I See It Coming

In Guards We Trust – Guards





















NOTA: 8/10


Três anos depois, eles voltam lançando seu álbum de estreia, o In Guards We Trust. Após o Guards EP, a banda passou por um importante processo de amadurecimento. O Guards deixou o caráter quase improvisado das primeiras gravações e começou a desenvolver uma identidade mais sólida, tanto em termos de composição quanto de produção, além de assinar com o selo independente Black Bell Records. A produção, feita pelo próprio Richie James Follin, deixou tudo mais limpo e estruturado, dialogando com Indie Rock e até Dream Pop. As guitarras continuam centrais, mas agora aparecem mais definidas, com camadas melhor distribuídas e maior presença estéreo. A bateria também ganha mais impacto, com uma mixagem mais encorpada e menos abafada, além de teclados mais delicados, enquanto os vocais do Richie são bastante emocionais. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. Enfim, é um ótimo projeto e bastante concreto. 

Melhores Faixas: I Know It's You, Not Supposed To 
Vale a Pena Ouvir: Heard The News, Home Free, Giving Out
  

Modern Hymns – Guards





















NOTA: 2,8/10


Cinco anos se passaram, e foi lançado o 2º e, até então, último álbum do Guards, o Modern Hymns. Após o In Guards We Trust, eles começaram a se reconfigurar novamente em torno de uma visão mais individual. Há uma espécie de retorno às origens, mas em uma abordagem mais introspectiva, menos preocupada com impacto imediato. A produção é mais minimalista e atmosférica, com as guitarras agora sendo mais texturais do que rítmicas. Muitas vezes, funcionam como camadas de ambiente, sustentando a música em vez de conduzi-la. Em vários momentos, sintetizadores e pads assumem esse papel, criando uma sensação etérea. A bateria também é mais contida e intimista, só que os vocais irritantes do Richie não ajudam, e tudo aqui soa como um trabalho de Indie Pop completamente genérico. O repertório é péssimo, e as canções são medíocres, com poucas faixas interessantes. Em suma, é um álbum terrível que colocou a carreira deles em xeque. 

Melhores Faixas: You Got Me, Beacon, Last Stand 
Piores Faixas: Skyhigh, Fan, Momentary Lapse, Destroyer


                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Grouplove: Parte 2

                  

Healer – Grouplove





















NOTA: 3/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado outro álbum do Grouplove intitulado Healer. Após o Big Mess, a banda passou por mais algumas mudanças com a saída de Ryan Rabin, que acabou cansando das turnês e viagens, dando espaço para Benjamin Homola na bateria. Esse disco nasce em um contexto profundamente pessoal, marcado por questões de saúde mental e física dentro da banda, especialmente envolvendo Hannah Hooper. A produção, feita por Dave Sitek e Malay, junta tudo o que eles haviam feito antes em uma abordagem mais madura. As guitarras continuam presentes, mas frequentemente aparecem de forma mais atmosférica. Os sintetizadores ganham um papel mais importante na construção da ambiência, misturando Indie Pop com Indietronica, mas tudo soa repetitivo e sem dinâmica. O repertório é terrível, e as canções são muito genéricas, com poucas exceções. No fim, é um álbum péssimo que mostra a banda sem disposição. 

Melhores Faixas: Inside Out, Hail To The Queen, Expectations 
Piores Faixas: The Great Unknown, Youth, Promises, Ahead Of Myself

This Is This – Grouplove





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, foi lançado o 5º álbum deles, o This Is This, que tentou ser mais direto. Após o Healer, o Grouplove entra em uma fase curiosa de sua trajetória: um momento de reconstrução que não abandona a vulnerabilidade recém-exposta, mas também não quer permanecer preso a ela. Fazendo um trabalho curto e quase reativo, em que eles resgatam um pouco da essência do início de carreira. A produção, conduzida por Ricardo Acasuso junto com a banda, segue uma temática mais crua e menos elaborada, com guitarras mais secas e objetivas. A seção rítmica é bem equilibrada, e os vocais de Christian Zucconi e Hannah Hooper dialogam bem, além da presença contida de sintetizadores. Com isso, o álbum encontra um equilíbrio entre Indie Rock tradicional e Power Pop, embora em alguns momentos soe reciclado. O repertório é irregular, com canções legais e outras bem sem graça. No fim, é um disco mediano, mas que mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: This Is The End, Shout, Deadline 
Piores Faixas: Shake That Ass, Scratch, Just What You Want
  

I Want It All Right Now – Grouplove





















NOTA: 8,2/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o álbum mais recente do Grouplove, o I Want It All Right Now. Após o This Is This, eles decidiram que esse projeto teria uma espécie de pulsão imediatista, quase ansiosa, que dialoga com o presente: um mundo acelerado, saturado de estímulos e emocionalmente instável. Ao mesmo tempo, a banda parece mais confortável consigo mesma, agora estando na Glassnote (a mesma do CHVRCHES). A produção, feita por John Congleton, é bastante equilibrada e encorpada, conseguindo juntar todas as influências que a banda havia explorado antes. As guitarras são bem precisas e pesadas nos momentos certos. Os sintetizadores aparecem de forma estratégica, ajudando a construir textura e reforçar os refrões. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas, além de possuírem um lado mais atmosférico. No final de tudo, é um disco bacana e o mais consistente da carreira deles. 

Melhores Faixas: Cheese, Climb, Tryin' 
Vale a Pena Ouvir: Wall, Eyes, Francine


quarta-feira, 6 de maio de 2026

Analisando Discografias - Grouplove: Parte 1

                  

Never Trust A Happy Song – Grouplove





















NOTA: 8/10


Em 2011, o Grouplove lançava seu álbum de estreia, o Never Trust a Happy Song. Formado em 2009 por Christian Zucconi (vocais e guitarra) e Hannah Hooper (vocais e teclados), que se conheceram no Lower East Side, em Manhattan, Hannah convidou Christian para uma residência artística na ilha de Creta, na Grécia, e, de forma acidental, eles conheceram os outros integrantes: Andrew Wessen (guitarra), Sean Gadd (baixo) e Ryan Rabin (bateria). Com isso, eles se mudaram para Los Angeles e depois assinaram com a Atlantic Records, por meio de seu subselo Canvasback Music. A produção, conduzida pelo próprio Ryan Rabin, aposta em uma sonoridade vibrante, com forte presença de guitarras saturadas, synths ensolarados e uma abordagem rítmica pulsante, criando um equilíbrio entre Indie Rock e Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas, com os vocais da Hannah e Christian se alternando bem. No fim, é um ótimo disco de estreia, bem consistente. 

Melhores Faixas: Tongue Tied, Colours 
Vale a Pena Ouvir: Itchin' On A Photograph, Betty's A Bombshell, Love Will Save Your Soul, Slow

Spreading Rumours – Grouplove





















NOTA: 8/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum de estúdio deles, o Spreading Rumours. Após o Never Trust A Happy Song, o Grouplove se viu em uma posição delicada já que ficaram conhecidos pelo único hit que foi Tongue Tied, então eles precisavam se provar já que eles precisavam expandir sua paleta sem perder o apelo imediato. A produção, feita novamente pelo Ryan Rabin (e sim, ele é filho do ex-integrante do Yes, Trevor Rabin), deixou uma abordagem bem mais controlada. Com as guitarras sendo presentes, mas muitas vezes dividem espaço com synths mais limpos e arranjos mais organizados. A dinâmica entre Christian e Hannah é explorada com mais intenção, criando contrastes emocionais mais nítidos com isso temos um diálogo entre Indie Pop, Power Pop e uns alguns elementos do Indietronica. O repertório é legalzinho, e as canções são até que bem variadas. No final de tudo, é um disco bacana e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: What I Know, I'm With You 
Vale a Pena Ouvir: Ways To Go, Raspberry, Borderlines And Aliens, News To Me
  

Big Mess – Grouplove





















NOTA: 8/10


Em 2016, foi lançado o terceiro álbum do Grouplove, o Big Mess, em um período conturbado. Após o Spreading Rumors, ocorreu a saída do baixista Sean Gadd, que foi substituído por Daniel Gleason, o que impactou diretamente a dinâmica criativa. Naquele período, a banda também passou a sofrer pressão da gravadora, já que não estava mais buscando a grande mídia, demonstrando maior interesse em abraçar a imperfeição. A produção do Ryan Rabin contou com a presença do Phil Ek e Captain Cuts, que oscilaram entre o polido e o cru. As guitarras continuam sendo centrais, mas agora aparecem de forma mais suja. Os sintetizadores servem mais como textura do que como elemento principal; ainda assim, no geral, tudo soa como um Pop Rock plastificado, com momentos de peso bastante comprimidos. O repertório é fraco, com canções genéricas e poucas realmente interessantes. Em suma, é um álbum fraco, que beira o irritante. 

Melhores Faixas: Good Morning, Don't Stop Making It Happen, Cannonball 
Piores Faixas: Enlighten Me, Hollywood, Remember That Night, Heart Of Mine


                                                                                   Então é só e flw!!!  

Analisando Discografias - Foals

                 

Antidotes – Foals





















NOTA: 9,5/10


No ano de 2008, o Foals lançava seu álbum de estreia intitulado Antidotes, trazendo uma abordagem peculiar. Formada em 2005, em Oxford, na Inglaterra, a partir das cinzas de bandas menores da cena Math Rock e Indie local, a banda contava com a formação do Yannis Philippakis (vocais e guitarra), Jimmy Smith (guitarra), Walter Gervers (baixo), Edwin Congreave (teclados) e Jack Bevan (bateria), e assim assinou com a Transgressive Records. A produção foi feita inicialmente por David Sitek, que acabou deixando o som um pouco mais polido, o que não agradou à banda, que remixou o material, deixando-o bem mais claustrofóbico. As guitarras são trabalhadas com padrões repetitivos e delays, a seção rítmica é bastante precisa, e os vocais do Yannis são mais soterrados, criando essa junção do Dance-Punk com Math Pop. O repertório é incrível, e as canções são todas bem variadas. Enfim, é um baita álbum de estreia, bem consistente. 

Melhores Faixas: Cassius, Red Socks Pugie, Olympic Airways, Ballons, Two Steps Twice 
Vale a Pena Ouvir: The French Open, Tron, Heavy Water

Total Life Forever – Foals





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e foi lançado o 2º álbum de estúdio do Foals, o Total Life Forever. Após o Antidotes, a banda começou a demonstrar certo desconforto com os limites do primeiro álbum, especialmente no que diz respeito à ausência de profundidade emocional e de uma variação dinâmica mais ampla. Entre 2008 e 2010, o grupo passou por um processo de amadurecimento intenso. A produção, feita por Luke Smith, resultou em um som mais aberto e detalhado, focando mais no Indie Rock e no Post-Punk. As guitarras continuam centrais, mas mudam de função: deixam de ser puramente percussivas e passam a criar paisagens sonoras. O baixo ganha ainda mais protagonismo, muitas vezes conduzindo a progressão harmônica, enquanto a bateria se torna mais fluida e expressiva, e os vocais do Yannis ficam mais presentes. O repertório é ótimo, e as canções são bem mais introspectivas e profundas. No fim, é outro belíssimo disco da banda inglesa. 

Melhores Faixas: Spanish Sahara, Black Gold, Blue Blood, After Glow, Miami 
Vale a Pena Ouvir: This Orient, Alabaster

Holy Fire – Foals





















NOTA: 8,2/10


Se passaram então mais três anos, e foi lançado outro disco do Foals, o Holy Fire. Após o Total Life Forever, a banda passou por uma intensa rotina de turnês, o que contribuiu diretamente para o som desse novo projeto, agora com o grupo sob contrato com a Warner Music. Com isso, a banda passou a incorporar uma dimensão mais física e performática, pensando nas músicas também como experiências ao vivo. A produção, feita por Flood e Alan Moulder, é mais polida e expansiva, mas sem perder intensidade. As guitarras continuam sendo fundamentais, mas assumem múltiplas funções: ora criam texturas atmosféricas, ora entregam riffs mais diretos e até pesados. O baixo e a bateria são mais orientados ao groove e à repetição, enquanto os vocais do Yannis ficaram mais confiantes e muito mais versáteis. O repertório é muito bom, e as canções vão de um lado mais melódico a um mais atmosférico. No geral, é um ótimo trabalho, que foi bastante ousado. 

Melhores Faixas: My Number, Milk & Black Spiders, Late Night 
Vale a Pena Ouvir: Everytime, Out Of The Woods

What Went Down – Foals





















NOTA: 8,7/10


Se passaram então mais dois anos para o Foals lançar mais um álbum, o What Went Down. Após o Holy Fire, a banda toma uma decisão deliberada: intensificar o lado mais agressivo e visceral que já havia aparecido anteriormente. O grupo queria um disco mais direto, mais físico e com maior impacto imediato, algo que capturasse a energia caótica dos shows ao vivo. A produção, feita pelo James Ford, é mais crua e agressiva, mas ainda mantém um nível alto de clareza e detalhamento. As guitarras voltam a assumir um papel mais dominante e abrasivo, com riffs mais evidentes. O baixo e a bateria estão bem mais diretos e reforçam todo esse caráter de urgência. Yannis Philippakis entrega talvez sua performance vocal mais extrema até então, alternando entre sussurros e gritos quase desesperados, trazendo uma carga emocional mais crua. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem vibrantes. Enfim, é um trabalho muito interessante e bem intenso. 

Melhores Faixas: Mountain At My Gates, What Went Down, London Thunder, Albatross 
Vale a Pena Ouvir: Birch Tree, A Knife In The Ocean, Night Swimmers

Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1 – Foals





















NOTA: 8/10


Pulando para 2019, o Foals lança seu 5º disco, o Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1. Após o What Went Down, a banda entra em um dos momentos mais delicados de sua trajetória. O período seguinte é marcado por desgaste físico e criativo, além da saída do baixista Walter Gervers, um elemento essencial na construção do groove característico do grupo até então. Esse trabalho seria bem mais moderno e eletrônico. A produção, feita pela banda junto com Brett Shaw, é sofisticada, detalhista e altamente textural, tentando equilibrar o Indie Rock com o Dance alternativo. As guitarras são tratadas como camadas atmosféricas, enquanto sintetizadores, efeitos e loops ganham espaço, criando um som mais contemporâneo e expansivo. O baixo, às vezes assumido por Yannis ou Edwin Congreave, fica mais integrado à textura. O repertório é bem interessante, e as canções têm uma pegada mais leve e envolvente. Enfim, é um disco interessante e mais atmosférico. 

Melhores Faixas: Exits, Sunday 
Vale a Pena Ouvir: On The Luna, In Degrees, I'm Done With The World (& It's Done With Me)

Everything Not Saved Will Be Lost: Part 2 – Foals





















NOTA: 8,5/10


Então se passaram alguns meses, e foi lançado Everything Not Saved Will Be Lost: Part 2, do Foals. Após a primeira parte, que era mais atmosférica, eletrônica e contemplativa, essa continuação surge como seu contraponto mais físico, agressivo e orientado à energia ao vivo. No entanto, a divisão em duas partes permitiu à banda explorar lados distintos de sua identidade sem precisar condensar tudo em um único disco. A produção foi basicamente a mesma, sendo mais crua e orientada à performance do que a do antecessor, mas ainda mantém um alto nível de acabamento. As guitarras voltam ao primeiro plano com força total: riffs mais pesados, distorções mais evidentes e uma presença muito mais dominante na mixagem. A cozinha rítmica é bastante robusta e, ao mesmo tempo, consistente, com isso a principal influência passa a ser o Rock alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e melódicas. No fim, é um disco que superou seu predecessor. 

Melhores Faixas: Like Lightning, Into The Surf, Black Bull, 10,000 Ft. 
Vale a Pena Ouvir: Dreaming Of, The Runner, Wash Off

Life Is Yours – Foals





















NOTA: 7/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o álbum mais recente até então do Foals, o Life Is Yours. Após os Everything Not Saved Will Be Lost: Part 1 & 2, a banda entra em uma nova fase, com a saída do tecladista Edwin Congreave, reduzindo o grupo a um trio central. Isso impacta diretamente a abordagem musical, levando a uma simplificação e a um foco maior na essência rítmica e melódica. A produção contou com A. K. Paul, Dan Carey e John Hill, que optaram por um som limpo, brilhante e altamente focado no ritmo. As guitarras do Jimmy Smith agora assumem um papel mais funkeado, com linhas rítmicas leves, cheias de groove e menos distorção; ele também passou a conduzir os sintetizadores, que aparecem de forma mais sutil e elegante, resultando em uma junção do Dance alternativo, New Wave e até Synth-pop. O repertório é legal, com canções divertidas e algumas mais fracas. No geral, é um disco bom, mas que acaba sendo o mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Wake Me Up, Life Is Yours, The Sound, Crest Of The Wave 
Piores Faixas: Wild Green, Flutter, Looking High


terça-feira, 5 de maio de 2026

Analisando Discografias - PNAU

                 

Sambanova – PNAU





















NOTA: 8,7/10


Em 1999, o duo australiano PNAU lançava seu álbum de estreia, o obscuro Sambanova. Formado em 1996 pelos dois amigos de escola Nick Littlemore e Pedro Mayes, em Sydney, na Austrália, em um momento em que a música eletrônica vivia o auge do Big Beat e do House filtrado europeu, coexistindo com experimentações mais psicodélicas e híbridas. Esse trabalho foi feito de forma independente, e eles não tinham a menor experiência no ramo musical. Ainda assim, o talento deles fez com que criassem algo bem caprichado, mesmo sem autorização. A produção foi feita inteiramente por Nick Littlemore, que seguiu uma abordagem altamente fragmentada, baseada em loops e sobreposição de camadas que parecem desalinhadas. Com isso, o som é cru, com texturas que beiram o Lo-fi em alguns momentos, dialogando com House e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia, que hoje está fora dos streamings. 

Melhores Faixas: Mellotron, Hard Biscuit, Direct Drive, Arthur’s Pizza, Need Your Lovin’ Baby
Vale a Pena Ouvir: Sambanova, Direct Drive, Keep On Truckin'

Again – PNAU





















NOTA: 8/10


Passaram-se então quatro anos até que eles retornassem com seu 2º álbum, o Again. Após o Sambanova, que era mais cru e mostrava uma experimentação inicial, e que acabou sendo retirado das lojas pelo uso ilegal de samples, o duo despertou o interesse da Warner Records, que os contratou. Naquele período, a música eletrônica começava a dar atenção ao Electroclash, ao retorno do Synth-pop e à consolidação de uma vertente mais emocional da Dance music, que passava a ganhar espaço. A produção trouxe uma maior presença de loops, cortes abruptos e vocais fragmentados, mas agora esses elementos são organizados com mais clareza. Os timbres continuam variados: sintetizadores vibrantes, linhas de baixo elásticas, percussões eletrônicas pulsantes e uma presença mais consistente de elementos melódicos, seguindo a linha do Electro House. O repertório é bem legal, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um ótimo trabalho e bastante coeso. 

Melhores Faixas: The Hunted, Fear & Love 
Vale a Pena Ouvir: Super Giants, In The Valley, Donnie Donnie Darko

PNAU – PNAU





















NOTA: 9/10


Em 2007, foi lançado o 3º álbum autointitulado do PNAU, que é bem mais acessível. Após o Again, esse novo disco surge em um momento decisivo. Nick Littlemore já começava a expandir suas ambições artísticas. Se os trabalhos anteriores orbitavam uma eletrônica mais fragmentada, aqui há uma guinada perceptível em direção à canção. O PNAU surge em um contexto em que o Electropop e a Indietronica estavam ganhando força globalmente, e o duo, sem abandonar completamente suas excentricidades, passa a dialogar mais diretamente com esse movimento. A produção, feita pelo duo junto com Sam Littlemore, é mais polida e estruturada, com os sintetizadores ganhando brilho e protagonismo, muitas vezes assumindo linhas melódicas claras. As linhas de baixo são mais limpas e funcionais, além da presença de elementos do Synth-pop e do New Rave. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um belo disco e certamente o melhor deles. 

Melhores Faixas: With You Forever, Come Together, Wild Strawberries, Embrace, Freedom, No More Violence 
Vale a Pena Ouvir: Dancing On The Water, We Have Tomorrow, Lover

Soft Universe – PNAU





















NOTA: 5/10


Cinco anos se passaram até o duo lançar mais um álbum, o fraquíssimo Soft Universe. Após o álbum de 2007, Nick Littlemore havia consolidado, ao lado de Luke Steele, o sucesso global do Empire of the Sun. Essa experiência com um Electropop mais grandioso, melódico e visualmente marcante impacta diretamente a direção artística do PNAU. Com esse trabalho sendo bem mais variado e com eles lançando de forma independente pelo selo Etcetc. A produção foi feita pelo duo junto com Scott Cutler e Anne Preven, ainda tendo sobreposição de elementos e manipulação de samples, mas tudo é conduzido com um senso muito mais claro de direção estética. Os sintetizadores têm camadas brilhantes e texturas que frequentemente evocam um sentimento cósmico, além de uma maior presença de vocais, deixando tudo muito comprimido e plastificado. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e muito sem graça. 

Melhores Faixas: Unite Us, Better Way, Twist Of Fate 
Piores Faixas: Glimpse, Everybody, Epic Fail

Changa – PNAU





















NOTA: 6/10


Passaram-se então seis anos, e foi lançado o 5º álbum do PNAU, intitulado Changa. Após o Soft Universe, eles reaparecem com um trabalho que seria diferente dos anteriores, que muitas vezes partiam do caos em direção à forma; aqui, o processo parece invertido: as músicas já nascem estruturadas, e a experimentação atua mais como ornamentação e expansão. A produção é extremamente polida, vibrante e detalhista. Os sintetizadores são coloridos e dinâmicos, frequentemente assumindo linhas melódicas marcantes. Há uma forte presença de influências do Dance-Pop, Future House e Eurodance, traduzidas em arranjos modernos. As linhas de baixo são mais definidas e dançantes, sustentando grooves que funcionam tanto na pista quanto na escuta casual, mas muita coisa novamente soa repetitiva e sem momentos dinâmicos. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções genéricas. No geral, é um álbum mediano e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Changes (participação do Faul & Wad), Go Bang, Chameleon 
Piores Faixas: La Grenouille, Into The Sky, In My Head

Hyperbolic – PNAU





















NOTA: 5,2/10


Então chegamos ao mais recente álbum do PNAU, lançado em 2024, o Hyperbolic. Após o Changa, o duo atingiu um novo patamar de visibilidade global, especialmente após o sucesso massivo do remix Cold Heart, com Elton John e Dua Lipa. Esse contexto é fundamental, já que esse disco não nasce mais de um grupo tentando equilibrar o underground e a música Pop; ele surge de um projeto já plenamente inserido no mainstream global. A produção, feita por Donnie Sloan, é certamente a mais polida e orientada ao mainstream. Os sintetizadores são brilhantes e expansivos, frequentemente seguindo linhas melódicas simples, mas extremamente eficazes. Há uma clara influência do Dance-Pop, com estruturas enxutas e refrões pensados para fixação rápida, e do Funky House nos momentos de groove, mas tudo soa bastante pasteurizado e sem essência. O repertório é fraco, com canções legais e outras genéricas. Em suma, é um álbum mediano e que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Solid Gold, Nostalgia, River (participação da Ladyhawke) 
Piores Faixas: You Know What I Need, The Hard Way, AEIOU (de novo, aquela música que tá no mais recente álbum do Empire Of The Sun)

                                                                            Então um abraço e flw!!!                   

Analisando Discografias - Guards

                   Guards EP – Guards NOTA: 7/10 Em 2010, o Guards lançava seu primeiro trabalho no formato EP, intitulado Guards EP. Formad...