quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 2

                 

Zabumbê-bum-á – Hermeto Pascoal





















NOTA: 10/10


Chegando ao fim dos anos 70, foi lançado outro álbum fantástico do Hermeto, o Zabumbê-bum-á. Após o Slaves Mass, que o projetou internacionalmente e consolidou sua imagem como um compositor “total”, Hermeto passa a se mover com ainda mais liberdade entre mundos: o Jazz norte-americano, a música brasileira, a experimentação e a dimensão quase ritualística do som. A produção, feita por ele mesmo com auxílio do Guti Carvalho, aposta em uma sonoridade crua e extremamente dinâmica, em que a sensação de performance coletiva é mais importante do que o acabamento técnico tradicional, fazendo um equilíbrio entre Jazz Fusion e elementos vanguardistas. Há uma constante alternância entre momentos de escrita muito precisa e trechos de improvisação aberta, em que os músicos parecem dialogar quase telepaticamente. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e, certamente, uma obra-prima. 

Melhores Faixas: São Jorge, Santo Antonio, Alexandre, Marcelo E Pablo, Suite Norte, Sul, Leste, Oeste 
Vale a Pena Ouvir: Pimenteira, Rede

Cérebro Magnético – Hermeto Pascoal





















NOTA: 9,5/10


No ano seguinte, já na década de 80, foi lançado mais um disco do Hermeto Pascoal, intitulado Cérebro Magnético. Após o Zabumbê-bum-á, Hermeto já não precisava provar absolutamente nada a ninguém. Ele já havia afirmado sua identidade como compositor radical e pensador musical fora de qualquer eixo hegemônico. Nesse contexto, este novo projeto é menos imediatamente festivo e mais abstrato, menos ligado à ideia de “raiz” e mais voltado à investigação do funcionamento interno da música. A produção, feita novamente pelo próprio Hermeto, é marcada por uma abordagem extremamente livre e experimental, mas paradoxalmente muito controlada no nível conceitual, em que se foca na clareza das ideias musicais, mesmo quando elas soam estranhas ou desconcertantes, já que os arranjos são mais densos e evocam ideias anteriores, só que mais latinizadas. O repertório é ótimo, e as composições soam mais vibrantes. Enfim, é um belo disco e que é uma continuação decente 

Melhores Faixas: Diálogo, Voz E Vento, Festa Na Lua, Vou Esperar 
Vale a Pena Ouvir: Correu Tanto Que Sumiu, Arrasta Pé Alagoano, Música Das Nuvens E Do Chão

Hermeto Pascoal & Grupo – Hermeto Pascoal & Grupo





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro disco, intitulado Hermeto Pascoal & Grupo. Após o Cérebro Magnético, o flautista demonstrava uma preocupação cada vez maior em sistematizar sua linguagem. Com isso, decidiu montar um grupo definitivo com o flautista Carlos Malta, o pianista Jovino Santos-Neto, o guitarrista Heraldo do Monte, o baixista Itiberê Zwarg, o baterista Márcio Bahia e o percussionista Pernambuco. Nesse processo, acabou saindo da Warner e ingressando na peculiar gravadora Som da Gente. A produção é mais transparente do que em discos anteriores, sem perder densidade. O som é aberto, com excelente separação entre os instrumentos, o que permite ao ouvinte perceber com clareza as múltiplas camadas rítmicas, harmônicas e melódicas. Trata-se de um trabalho orientado ao Jazz Fusion, com fortes influências nordestinas. O repertório é muito interessante, e as canções são todas bem divertidas. No geral, é um disco interessante e subestimado. 

Melhores Faixas: Novena, Cores, Magimani Sagei, A Taça 
Vale a Pena Ouvir: Série De Arco, Sorrindo, Lá Na Casa Da Madame Eu Vi

Lagoa Da Canoa Município De Arapiraca – Hermeto Pascoal & Grupo





















NOTA: 9,7/10


Mais dois anos se passaram, e foi lançado mais um álbum do Hermeto Pascoal, o Lagoa da Canoa Município de Arapiraca. Após o Hermeto Pascoal & Grupo, o flautista já não estava mais apenas explorando possibilidades: ele organizava um universo musical próprio, com regras internas claras, mas abertas à invenção constante. O título do álbum já carrega um gesto político e poético, ao escolher um pequeno município de Alagoas como emblema do disco, deslocando o centro simbólico do Jazz, historicamente ligado à cultura americana. A produção segue para um som mais aberto, arejado e, em certo sentido, mais “narrativo”, com a complexidade totalmente integrada ao fluxo musical. Com isso, a estética elétrica passa a incorporar ainda mais influências nordestinas, além da presença de trechos de falas de narradores de futebol. O repertório é incrível, e as composições soam mais envolventes. No fim, é um baita disco, coeso e altamente temático. 

Melhores Faixas: Ilza Na Feijoada, Spock Na Escada, Santa Catarina, Frevo Em Macéio 
Vale a Pena Ouvir: Aquela Coisa, Papagaio Alegre

Só Não Toca Quem Não Quer – Hermeto Pascoal & Grupo





















NOTA: 9,2/10


Indo para 1987, Hermeto Pascoal retorna com o ainda mais ambicioso Só Não Toca Quem Não Quer. Após a Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, ele quis fazer um álbum que não se trata de técnica virtuosa no sentido tradicional, mas de disponibilidade sensível. Ao mesmo tempo, o disco desmente qualquer leitura simplista do título, pois apresenta algumas das estruturas rítmicas e harmônicas mais complexas de sua discografia, além de, é claro, homenagear jornalistas e radialistas como reconhecimento pelo apoio ao longo da carreira. A produção é bem mais equilibrada, com um som limpo, definido e, ao mesmo tempo, quente, permitindo que cada instrumento seja ouvido com clareza sem perder a sensação de conjunto. Diferente de discos mais agressivos ou fragmentados, aqui a música flui com uma naturalidade impressionante. O repertório é ótimo, e as canções são mais variadas. Em suma, é um disco bacana e que evidencia sua genialidade. 

Melhores Faixas: Zurich, Meu Barco, Canção Da Tarde, Suíte Mundo Grande, Ilha Das Gaivotas 
Vale a Pena Ouvir: Quiabo, Intocável, Rebuliço
  

                                                                                Então é isso e flw!!!             

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 1

                  

Hermeto – Hermeto





















NOTA: 9/10


Indo agora para 1973, Hermeto Pascoal lançava seu 1º álbum solo, intitulado Hermeto. O alagoano começou sua trajetória por volta de 1950, quando tocava com seu irmão mais velho, chegando a trabalhar na Rádio Jornal do Commercio; nesse meio-tempo, começou a aprender qualquer tipo de instrumento e, ao longo desses onze anos, passou por idas e vindas até o Rio de Janeiro, até que, em 1961, mudou-se para São Paulo, onde participou dos grupos Sambrasa Trio e Quarteto Novo, e, em 1969, mudou-se para os Estados Unidos. Produzido por Airto Moreira e Flora Purim, colocaram uma abordagem aberta e flexível. Os arranjos apresentam variações dinâmicas abruptas, mudanças de clima inesperadas e contrastes tímbricos que reforçam a ideia de música como processo vivo, refletindo a estética do Third Stream e de uma Big Band experimental. O repertório é ótimo, e as canções são bem densas. No fim, é um belíssimo álbum de estreia, ousado e afirmativo. 

Melhores Faixas: Guizos, As Marianas, Hermeto 
Vale a Pena Ouvir: Velório, Flor Do Amor

A Música Livre De Hermeto Paschoal – Hermeto Pascoal





















NOTA: 9/10


Três anos depois, foi lançado seu 2º disco solo, intitulado A Música Livre de Hermeto Paschoal. Após o álbum de 1970, Hermeto acabou conhecendo Miles Davis e chegou a participar do álbum ao vivo Live-Evil, havendo inclusive a história de que Miles o chamou para lutar boxe, e o Bruxo venceu. Depois disso, ele decidiu preparar um álbum cujo conceito não significa ausência de estrutura, mas a libertação das hierarquias tradicionais entre som e ruído, composição e improviso, popular e erudito. Produzido por Rubinho Barsotti, o disco apresenta um som direto, muitas vezes áspero, privilegiando a presença física do instrumento e a interação real entre os músicos. Os arranjos não seguem fórmulas fixas; alguns são cheios de variações, enquanto outros funcionam como verdadeiros exercícios de escuta coletiva, articulando Jazz Fusion com elementos vanguardistas e de Baião. O repertório é muito bom, e as canções são bem técnicas. No fim, é um trabalho bacana e caótico. 

Melhores Faixas: Bebê, Gaio Da Roseira 
Vale a Pena Ouvir: Carinhoso

Slaves Mass – Hermeto Pascoal





















NOTA: 10/10


E aí chegamos a 1977, quando foi lançado o fenomenal Slaves Mass, seu 3º álbum de estúdio. Após A Música Livre de Hermeto Paschoal, Hermeto já não era apenas um compositor experimental: era um pensador musical completo, interessado em sistemas, espiritualidade, política, som ambiental e improvisação como ato coletivo. Gravado durante sua fase mais intensa de circulação internacional, o álbum nasce do contato direto com o Jazz norte-americano, mas não como assimilação passiva, e sim como uma junção de elementos brasileiros. Produzido por Airto Moreira e Flora Purim, trouxe um som denso e cuidadosamente organizado, apesar de sua aparência livre. Desta vez, há a presença de coros, sobreposições vocais, texturas ambientais e uma paleta instrumental ampla, combinando Jazz Fusion com elementos vanguardistas. O repertório é sensacional, contando apenas com canções imersivas e dinâmicas. No fim, é um baita disco e, certamente, um clássico. 

Melhores Faixas: Slaves Mass (Missa Dos Escravos), Mixing Pot (Tacho), That Waltz (Aquela Valsa) 
Vale a Pena Ouvir: Just Listen (Escuta Meu Piano), Cherry Jam (Geleia De Cereja)
  

                                                                           Então um abraço e flw!!!                 

Review: Quarteto Novo do Quarteto Novo

                   

Quarteto Novo – Quarteto Novo





















NOTA: 10/10


Voltando para 1967, foi lançado o único álbum autointitulado do sensacional Quarteto Novo. Com o fim do Sambrasa Trio, Airto Moreira acaba entrnado ao chamado do Trio Novo com Theo de Barros (contrabaixo e violão) e Heraldo do Monte (viola e guitarra); eles passaram a acompanhar Geraldo Vandré em apresentações e gravações, mas, pouco depois, entrou a lenda Hermeto Pascoal, formando-se então um quarteto, com isso, foram gravar um disco pela EMI-Odeon. Produzido pelo próprio grupo, o álbum tem uma abordagem seca, direta e sem ornamentos desnecessários, o que se revela uma escolha estética crucial. Os arranjos são extremamente bem definidos, tendo espaço para improvisação, para variações rítmicas internas e para microdeslocamentos de acento, dialogando fortemente com o Samba-jazz e incorporando influências do Baião e até da música caipira. O repertório é sensacional, e as canções são todas divertidíssimas. No fim, é um baita disco e, certamente, uma obra-prima. 

Melhores Faixas: O Ovo, Vim De Sant'ana, Algodão 
Vale a Pena Ouvir: Canta Maria, Síntese
  

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 4

                   

If You Will – Flora Purim





















NOTA: 8,3/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado seu último trabalho até então, o If You Will. Após o Perpetual Emotion, depois de muito tempo contribuindo para a estética do Jazz Fusion, do Vocal Jazz e da música brasileira de linguagem internacional, Flora já não precisava provar nada artisticamente. Ainda assim, o disco nasce de um impulso muito claro: continuar criando, não como nostalgia, mas como extensão natural de uma vida dedicada à música. Produzido por ela mesma, o álbum é marcado por um caráter orgânico, distribuído e colaborativo. Não há excesso de camadas nem uma busca por grandiosidade técnica. Com isso, surgem até influências da MPB e do Samba. Os arranjos privilegiam formações enxutas, com percussões sutis, guitarras limpas, teclados atmosféricos e linhas harmônicas abertas. Sua voz, apesar de desgastada pelos anos, continua sendo bastante melódica. O repertório é muito bom, e as canções são todas profundas. Enfim, é um ótimo álbum, muito consistente. 

Melhores Faixas: Dandara, 500 Miles High, Newspaper Girl 
Vale a Pena Ouvir: A Flor Da Vida, Dois + Dois = Três 

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Review: COLAPSO GLOBAL do Teto & WIU

                   

COLAPSO GLOBAL – Teto & WIU






















NOTA: 2,5/10


Recentemente, foi lançado o tão aguardado álbum colaborativo do Teto & WIU, COLAPSO GLOBAL. Após o lançamento de seus respectivos projetos em 2025, os dois já cogitavam, há bastante tempo, um trabalho juntos que seria bem diferente do Trap tradicional, explorando mais texturas, ritmos e perspectivas. A produção é diversificada, contando com o próprio WIU, Deekapz, Neckklace, entre outros, que seguiram por um caminho mais variado, indo além das batidas de 808 e hi-hats acelerados; há influências de House, Funk carioca e samples ousados, articulando um universo híbrido que até tenta expandir as possibilidades do Trap, mas que dialoga muito mais com o Pop, claramente voltado para viralizar no TikTok, o que torna o resultado bastante genérico. O repertório é muito ruim, e as canções são insuportáveis, para não dizer medíocres, com pouquíssimas se salvando. No final de tudo, é um álbum horroroso e uma mancha podre na trajetória de ambos. 

Melhores Faixas: À BEIRA (Don L salvou), MEDICINA 
Piores Faixas: ISSO AQUI É BRASIL, REF, O CARA, FACECARD (dois Funks que não tocaria nem no auge do Kondzilla)
 

                                                                    É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 3

                 

The Sun Is Out – Flora Purim & Airto





















NOTA: 2,6/10


Aí, mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho deles, dessa vez o fraquíssimo The Sun Is Out. Após o The Magicians, este novo projeto quis voltar o olhar para a vida cotidiana, a alegria, o amor, a amizade e a imaginação, sem perder a sofisticação harmônica e rítmica que sempre marcou a obra da dupla. Há aqui uma sensação clara de maturidade tranquila: Flora e Airto soam como artistas que já compreenderam profundamente suas próprias linguagens e que agora querem fazer música por prazer. A produção é aquela mesma de sempre, só que deliberadamente mais clara e aberta. Aqui vemos a voz da Flora mais próxima, preservando nuances tímbricas, respirações e inflexões suaves, enquanto a percussão do Airto mostra grooves mais simples. Só que, no geral, os arranjos são previsíveis e tudo soa muito arrastado. O repertório é muito ruim, e as canções, em sua maioria, são chatíssimas. No fim, é um disco péssimo e o mais esquecível da trajetória deles. 

Melhores Faixas: Lua Flora, Forever Friends 
Piores Faixas: Midday Sun, Viver De Amor, The Hope, Asas Da Imaginação

Three-Way Mirror – Airto Moreira, Flora Purim & Joe Farrell





















NOTA: 8/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado um álbum colaborativo do casal junto com Joe Farrell, o Three-Way Mirror. Após o The Sun Is Out, esse trabalho surgiu por volta de 1985 (já que, no seu lançamento, Farrell já havia falecido). O que eles fizeram foi um trabalho que remete ao período do Jazz Fusion, que já não predominava mais, mas sem funcionar como uma tentativa de atualização estética; trata-se, antes, de uma reflexão madura sobre trajetórias cruzadas. A produção, feita por Airto Moreira junto com J. Tamblyn Henderson Jr., é marcada por sobriedade e clareza. Cada instrumento ocupa seu espaço com nitidez, permitindo que as interações sutis sejam plenamente percebidas. A percussão do Airto é tratada menos como espetáculo rítmico e mais como elemento estruturante, os sopros do Joe Farrell são o eixo melódico, e os vocais da Flora assumem um caráter mais narrativo. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves. Enfim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Plane To The Trane, Three-Way Mirror 
Vale a Pena Ouvir: Lilia, Treme Terra, São Francisco River

The Colours Of Life – Airto Moreira / Flora Purim





















NOTA: 8/10


Aí chegamos a 1988, quando foi lançado o álbum que finalizou essa fase, o The Colours Of Life. Após o Three-Way Mirror, este novo disco pode ser entendido como uma síntese estética da trajetória do casal. Aqui, não há mais a urgência de afirmar identidades ou de expandir linguagens. A fusão entre jazz, música brasileira, elementos latinos e um vocabulário pop sofisticado já está completamente assimilada. A produção, feita como sempre pelo próprio Airto, apresenta um som limpo e equilibrado, com uma clara preocupação em preservar a naturalidade das performances, com sua percussão dialogando constantemente com os demais elementos, alternando entre grooves suaves, comentários rítmicos sutis e texturas quase ambientais. Já os vocais da Flora aparecem em poucos momentos e privilegiam nuances, articulações suaves e uma expressividade que lembra o Spoken Word. O repertório é legal, e as canções são bem dinâmicas. No fim, é um álbum interessante e assertivo. 

Melhores Faixas: Anatelio, Bingo 
Vale a Pena Ouvir: Partido Alto, Mistérios, Treme Terra

Flora Purim Sings Milton Nascimento – Flora Purim





















NOTA: 8,4/10


Foi apenas em 2000 que Flora Purim retorna com o álbum Sings Milton Nascimento. Após o The Colours Of Life, Flora focou em outros projetos nesse meio-tempo e volta com um trabalho revisitando o repertório de Milton Nascimento, que sempre representou algo além de um compositor admirado: ele é uma referência ética, estética e emocional dentro da música brasileira, alguém que, assim como ela, construiu uma linguagem profundamente pessoal, na qual é impossível separar técnica, espiritualidade e humanidade. A produção é deliberadamente sóbria, elegante e respeitosa. Os arranjos, feitos por sua filha Diana, são enxutos, mas harmonicamente ricos, permitindo que as melodias de Milton respirem com naturalidade, seguindo a estética da MPB com influências do Jazz-Funk e do Trip Hop, com os vocais da Flora funcionando muito bem. O repertório, não preciso dizer, é ótimo, e as canções são muito bem interpretadas. No fim, é um disco bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: Nuvem Cigana, Tudo Que Você Podia Ser, Cais 
Vale a Pena Ouvir: Canta Latino, Nós Dois

Perpetual Emotion – Flora Purim





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 80, foi lançado o 10º álbum do Wishbone Ash, intitulado Just Testing. Após o No Smoke Without Fire, disco que havia representado uma tentativa relativamente bem-sucedida de recuperar peso e identidade após a fase mais orientada ao AOR, no entanto, em vez de consolidar essa retomada, a banda opta por um caminho completamente diferente. Esse trabalho é deliberadamente fragmentado, já que traz várias influências adquiridas ao longo de seus 10 anos de carreira. A produção foi feita pela própria banda junto com John Sherry, optando por uma sonoridade clara e orgânica, em que as guitarras aparecem ora com timbres limpos e delicados, ora com distorções secas e pouco trabalhadas. A bateria e o baixo muitas vezes soam contidos, quase discretos, compondo essa junção de Hard Rock, Blues Rock e AOR. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Em suma, é um trabalho legal e que marcou o fim de uma fase. 

Melhores Faixas: Living Proof, Lifeline, Master Of Disguise 
Vale a Pena Ouvir: New Rising Star, Haunting Me


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 2

                 

Nothing Will Be As It Was...Tomorrow – Flora Purim





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo da Flora Purim, o Nothing Will Be As It Was… Tomorrow. Após o Open Your Eyes You Can Fly, vendo que o Jazz Fusion se tornava mais grooveado, mais próximo do Funk e do R&B, ao mesmo tempo em que grandes gravadoras buscavam artistas capazes de dialogar com um público mais amplo, Flora entra nesse novo momento já consagrada artisticamente, mas curiosa em explorar outras possibilidades de circulação e linguagem. Com produção feita pelo baterista Leon “Ndugu” Chancler, o disco é deliberadamente mais polido, denso e orientado ao groove. O som se afasta da atmosfera etérea e quase “cósmica” dos álbuns anteriores para se aproximar de uma estética que valoriza o pulso, o baixo elétrico bem definido, baterias secas e arranjos mais fechados. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante intimistas e até divertidas. No fim, é um trabalho bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: Nothing Will Be As It Was (Nada Sera Como Antes), Fairy Tale Song 
Vale a Pena Ouvir: Angels, You Love Me Only

Encounter – Flora Purim





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses depois, foi lançado outro disco da cantora intitulado Encounter, que é mais tradicional. Após o Nothing Will Be As It Was… Tomorrow, depois de uma tentativa que seguiu muitos contemporâneos que se voltaram para o Funk ou o R&B de maneira mais explícita, Flora escolhe outro caminho: o da intimidade, da escuta e do encontro musical propriamente dito. Fazendo, assim, um álbum contemplativo, às vezes até introspectivo, em que Flora parece interessada em explorar o espaço interno da música, e não sua projeção externa. Produção feita mais uma vez por Orrin Keepnews, colocou um som econômico e transparente. Em vez de camadas densas de teclados ou arranjos grandiosos, o álbum aposta em uma instrumentação que valoriza o espaço, a respiração e a interação entre os músicos, que não sobrecarregam os vocais melódicos e suaves da Flora. O repertório é muito bom, e as canções passam aquele clima de leveza. Enfim, é um disco bom e que foi mais intimista. 

Melhores Faixas: Black Narcissus, Above The Rainbow 
Vale a Pena Ouvir: Windows, Encounter

That's What She Said – Flora Purim





















NOTA: 8/10


E então outro ano se passou, e foi lançado mais um disco da Flora Purim, o That’s What She Said. Após o Encounter, Flora já era uma artista plenamente madura, mas inserida em um mercado musical em transformação. O final da década marca um período em que o Jazz Fusion, enquanto movimento de vanguarda, começa a perder centralidade cultural. As grandes gravadoras pressionam artistas a dialogar com formatos mais comerciais; com isso, este trabalho não é um retorno ao experimentalismo radical, nem uma rendição total ao Pop, mas um disco que tenta negociar identidade. A produção é aquela de sempre, mais direta, compacta e orientada à canção. A sonoridade é marcada por arranjos bem definidos, estruturas claras e uma preocupação evidente com acessibilidade, sem abandonar completamente o refinamento harmônico e rítmico do Jazz. O repertório é até legal, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um álbum bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: What Can I Say?, You On My Mind 
Vale a Pena Ouvir: Juicy, You Are My Heart

Humble People – Flora Purim & Airto Moreira





















NOTA: 8,3/10


Foi apenas em 1985 que Flora Purim retorna com um álbum que faria parte de uma série de trabalhos colaborativos com Airto Moreira, o Humble People. Após o That’s What She Said, como o Jazz Fusion já havia sido amplamente assimilado, o mercado estava dominado por produções digitais e uma estética mais limpa e menos aventureira. Ainda assim, o casal buscava um espaço de afirmação identitária, especialmente ligado às raízes brasileiras, à religiosidade difusa e a uma ideia de música como serviço e comunhão. Com produção feita inteiramente por Airto, o disco traz uma sonoridade variada; o som geral é mais suave, contemplativo e uniforme do que nos trabalhos anteriores. As dinâmicas são menos contrastantes, os arranjos evitam excessos e a música flui de forma contínua, quase meditativa, mostrando influências latinas e também do R&B e do Reggae. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um ótimo disco que mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Jogral, New Flora 
Vale a Pena Ouvir: Move It On Up, Bad Jive

The Magicians – Flora Purim & Airto





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum colaborativo deles, intitulado The Magicians. Após o Humble People, que partia da humildade, da coletividade e de uma ética quase devocional, essa continuação desloca o olhar para a dimensão simbólica e ritual da criação musical. O título sugere não truques ou espetáculo, mas a ideia do músico como mediador entre forças invisíveis: ritmo, memória cultural e imaginação. Produção feita mais uma vez inteiramente por Airto Moreira, o disco apresenta uma presença clara de sintetizadores digitais, timbres processados e texturas eletrônicas; porém, esses elementos não são usados para criar impacto comercial. Eles funcionam como camadas atmosféricas, quase como névoa sonora, já que a presença de instrumentos tradicionais mantém o clima contemplativo, sobretudo na percussão e nos vocais contidos da Flora. O repertório é muito bom, e as canções são funcionais. Enfim, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: Bird Of Paradise, Jump 
Vale a Pena Ouvir: The Magicians, Love Reborn, Jennifer
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 2

                  Zabumbê-bum-á – Hermeto Pascoal NOTA: 10 /10 Chegando ao fim dos anos 70, foi lançado outro álbum fantástico do Hermeto, o...