domingo, 8 de março de 2026

Review: GODAMN SELECT do FAB GODAMN

                     

GODAMN SELECT – FAB GODAMN





















NOTA: 8,4/10


Alguns dias atrás, o FAB GODAMN lançou sua 2ª mixtape deste ano, o GODAMN SELECT. Após o FATALFATALFATAL, o rapper continuou focando em seus projetos e decidiu preparar uma tape que remontasse os tempos do início de sua carreira, quando ainda fazia PluggnB, revisitada após ele ter ganhado maior visibilidade. Com isso, decidiu fazer esse trabalho para aqueles que não conheciam essa sua fase. A produção contou com aqueles mesmos nomes e segue uma linha bastante alinhada às vertentes contemporâneas do PluggnB, com traços de Trap tradicional e até um pouco do R&B contemporâneo. Os beats são diretos e atmosféricos, apostando no minimalismo: baterias rápidas, hi-hats agudos, linhas de synth etéreas e melodias simples que encaixam com os flows agora mais cadenciados do FAB. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem aconchegantes. No fim, é um ótimo trabalho e bastante coeso. 

Melhores Faixas: É PRA ELA, Oi (Jé amassou), TANTO FAZ, CASHCASHCASH 
Vale a Pena Ouvir: CÉU, POV

                                                                           Então é isso e flw!!!          

Analisando Discografias - Neil Young: Parte 1

                 

Neil Young – Neil Young





















NOTA: 8/10


Em 1969, Neil Young entrava em sua carreira solo lançando seu disco de estreia autointitulado. A trajetória do cantor canadense começou por volta de 1963, quando começou a tocar em algumas bandas e, nesse meio tempo, conheceu artistas como Joni Mitchell e Rick James. Mas sua grande exposição veio na metade dos 60, quando foi integrante do Buffalo Springfield, banda que acabou durando apenas dois anos devido a imensos conflitos, e com isso ele decidiu fazer trabalhos solo e assinou com a Reprise Records. A produção foi feita por ele junto com David Briggs, Jack Nitzsche e Ry Cooder e apresentou um equilíbrio entre uma abordagem direta de cantor-compositor típica do Folk Rock. Por outro lado, há arranjos orquestrais relativamente elaborados que aparecem em várias faixas, algo que não agradou a Young nem um pouco. O repertório em si é bom, trazendo canções bem melódicas. No fim, é um ótimo disco que mostrou um caminho interessante. 

Melhores Faixas: The Old Laughing Lady, Here We Are In The Years 
Vale a Pena Ouvir: The Last Trip To Tulsa, The Loner, If I Could Have Her Tonight

Everybody Knows This Is Nowhere – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 9,9/10


Em 1970, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o clássico Everybody Knows This Is Nowhere. Após seu disco de estreia, Young sentia que precisava de uma abordagem mais espontânea, baseada na energia do Rock tocado por uma banda. Nesse período, ele passou a trabalhar com um novo grupo de músicos que viria a se tornar fundamental em sua carreira: Crazy Horse. A formação original incluía Danny Whitten na guitarra e vocais, Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria. A produção foi feita junto com David Briggs, e as gravações trouxeram uma abordagem relativamente simples e direta. Em vez de arranjos orquestrais elaborados, a prioridade foi registrar o som cru da banda. Guitarras elétricas distorcidas, baixo pulsante e bateria direta formam a base da maioria das faixas, fazendo assim uma junção de Country Rock, Folk e Hard Rock. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cowgirl In The Sand, Down By The River, Everybody Knows This Is Nowhere 
Vale a Pena Ouvir: Cinnamon Girl, The Losing End (When You're On)

After The Gold Rush – Neil Young





















NOTA: 10/10


Então entramos nos anos 70, e foi lançado seu atemporal 3º álbum, o After the Gold Rush. Após o Everybody Knows This Is Nowhere, Neil Young continuava escrevendo canções mais delicadas e introspectivas. Durante esse período, ele também passou a integrar o supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young, ao lado do David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash, o que ampliou ainda mais seu alcance criativo. Outra coisa é que esse projeto seria originalmente cinematográfico, mas nunca chegou a ser concluído. A produção foi conduzida por ele com a ajuda de David Briggs e Kendall Pacios e foi construída a partir de piano ou violão, com arranjos relativamente simples. A voz de Young ocupa posição central nas gravações, frequentemente acompanhada apenas por poucos instrumentos, formando essa junção de Folk Rock e country. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um belo disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Southern Man, Tell Me Why, After The Goldrush, Don't Let It Bring You Down, Only Love Can Break Your Heart 
Vale a Pena Ouvir: Birds, Till The Morning Comes, Oh Lonesome Me

Harvest – Neil Young





















NOTA: 9,9/10


Dois anos depois, Neil Young retorna com outro disco sensacional intitulado Harvest. Após o clássico After the Gold Rush e também o sucesso do Crosby, Stills, Nash & Young, o cantor passou a enfrentar problemas físicos significativos. Uma lesão nas costas dificultava apresentações mais intensas com guitarra elétrica, o que o levou a compor várias músicas ao piano ou ao violão, instrumentos que exigiam menos esforço físico. Esse fator acabou influenciando diretamente o tom mais calmo e acústico que dominaria o próximo disco. A produção foi feita junto com Elliot Mazer, Henry Lewy e Jack Nitzsche, e contou com músicos experientes da cena Country de Nashville, conhecidos como The Stray Gators. Esses músicos ajudaram a criar o som característico do disco, marcado por arranjos suaves, pedal steel expressivo e uma atmosfera relaxada. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e suaves. Enfim, é outro disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Heart Of Gold, Old Man, The Needle And The Damage Done, Harvest, Out On The Weekend 
Vale a Pena Ouvir: A Man Needs A Maid, Alabama, Words (Between The Lines Of Age)

On The Beach – Neil Young





















NOTA: 10/10


Mais dois anos se passaram, e foi lançado mais um disco do Neil Young, o espetacular On the Beach. Após o enorme sucesso do Harvest, essa popularidade trouxe um tipo de exposição que Young nunca pareceu confortável em assumir. Fora que ele sofreu com perdas importantes, como a morte do guitarrista Danny Whitten, membro fundamental do Crazy Horse, após uma overdose de drogas. Pouco tempo depois, o roadie e amigo próximo Bruce Berry também faleceu devido a problemas relacionados a drogas, e tudo isso influenciou essa era chamada do Ditch Trilogy. A produção, conduzida em sua maioria por ele próprio, apresenta uma abordagem deliberadamente crua e atmosférica, com um som mais denso e introspectivo. Os arranjos são frequentemente minimalistas, permitindo que sua voz fique no centro. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. Enfim, é outro disco sensacional e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Revolution Blues, On The Beach, Walk On, See The Sky About To Rain 
Vale a Pena Ouvir: Ambulance Blues, Motion Pictures

Tonight's The Night – Neil Young





















NOTA: 9,5/10


Depois de mais um intervalo de dois anos, essa fase se encerra com o álbum Tonight’s the Night. Após o On the Beach, Neil Young tinha se afastado deliberadamente da sonoridade acessível que havia conquistado o grande público. Em vez disso, mergulhou em uma fase muito mais sombria e introspectiva de sua carreira. Esse trabalho seria ainda mais cru e emocionalmente devastador de toda a sua trajetória. A produção foi feita junto com David Briggs e Tim Mulligan e teve uma abordagem extremamente espontânea e crua. As sessões ocorreram principalmente em 1973 em um ambiente que muitos participantes descreveram como emocionalmente carregado. Onde gravavam durante longas sessões noturnas marcadas por improvisação, consumo de álcool e um clima de luto coletivo pela morte do Danny Whitten e Bruce Berry. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um disco incrível e bem maduro. 

Melhores Faixas: Tired Eyes, Albuquerque, Mellow My Mind, Tonight's The Night, Borrowed Tune, Roll Another Number (For The Road) 
Vale a Pena Ouvir: Lookout Joe, Come On Baby Let's Go Downtown, Speakin' Out

Zuma – Neil Young





















NOTA: 9,7/10


Já mais para o final de 1975, foi lançado outro álbum do cantor canadense intitulado Zuma. Após o Tonight’s the Night, depois de mais uma turnê cansativa com CSNY e da tentativa de um 2º álbum que não foi adiante, Neil Young voltou a trabalhar intensamente com o Crazy Horse. Com a entrada do guitarrista Frank Sampedro, ao lado do Billy Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria, a banda criou uma energia diferente. A produção foi aquela de sempre, apostando em arranjos simples e na interação entre os músicos. Um elemento essencial da sonoridade do álbum é o diálogo entre as guitarras de Young e Sampedro. Os dois criam camadas de riffs e solos que frequentemente se estendem por vários minutos, especialmente nas faixas mais longas, fazendo com que elementos de Folk Rock, Hard Rock e Country funcionem bem. O repertório é ótimo, e as canções são bem imersivas e melódicas. Enfim, é um trabalho incrível e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Cortez The Killer, Danger Bird, Don't Cry No Tears, Stupid Girl 
Vale a Pena Ouvir: Drive Back, Lookin' For A Love

American Stars 'N Bars – Neil Young





















NOTA: 8,5/10


Pulando para 1977, Neil Young retorna com mais trabalho novo, o American Stars ’N Bars. Após o Zuma, Young começou a entrar em uma fase mais dispersa em termos de produção artística. Em vez de trabalhar em projetos com uma direção conceitual muito definida, ele passou a reunir músicas gravadas em diferentes momentos e contextos. Esse método de montagem passou a refletir a forma de trabalhar do cantor naquele período. A produção foi bastante variada, com a participação de músicos associados ao Crazy Horse, enquanto outras faixas foram registradas com músicos da cena Country de Nashville. Essa diversidade de sessões resulta em um disco sonoramente variado. Algumas músicas apresentam arranjos suaves e acústicos, enquanto outras são dominadas por guitarras elétricas mais pesadas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um disco bacana e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Like A Hurricane, The Old Country Waltz, Star Of Bethlehem, Hold Back The Tears 
Vale a Pena Ouvir: Will To Love, Bite The Bullet

Comes A Time – Neil Young





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um álbum do Neil Young, intitulado Comes a Time. Após o American Stars ’N Bars, o cantor começou a demonstrar interesse em retornar a uma sonoridade mais acústica e tradicional. Ele já havia experimentado esse caminho anteriormente, mas desta vez a abordagem seria um pouco diferente: em vez de um álbum dominado por produção relativamente polida e arranjos orquestrais ocasionais, Young buscava um som ainda mais simples e intimista. A produção foi feita junto com David Briggs, Ben Keith e Tim Mulligan, apresentando arranjos relativamente simples, dominados por violão, piano, pedal steel e harmonias vocais suaves. A atmosfera do disco é extremamente calorosa e contemplativa. A instrumentação raramente busca intensidade, e com isso a sonoridade fica puxada para o Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem caloroso. 

Melhores Faixas: Comes A Time, Four Strong Winds, Already One, Human Highway 
Vale a Pena Ouvir: Piece Of Mind, Goin' Back

Rust Never Sleeps – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 10/10


Chegando ao fim dos anos 70, Neil Young lança outro álbum fenomenal, o Rust Never Sleeps. Após o Comes a Time, ele voltou a trabalhar intensamente com o Crazy Horse. Ao mesmo tempo, o cenário do Rock estava mudando rapidamente. O final da década viu o surgimento do Punk e da New Wave, movimentos que criticavam o Rock estabelecido dos anos anteriores por considerá-lo excessivamente grandioso ou complacente. Neil Young observava essas mudanças com interesse. A produção foi bem peculiar, já que as gravações foram ao vivo, mas ajustadas em estúdio, com um lado acústico apresentando arranjos minimalistas, e um lado elétrico trazendo guitarras distorcidas, ritmos pesados e longos solos improvisados, fazendo uma junção de Folk Rock, Country e Hard Rock, algo que influenciou muito a cena do Grunge. O repertório é maravilhoso, com canções melódicas e outras mais pesadas. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: My My, Hey Hey (Out Of The Blue), Hey Hey, My My (Into The Black), Powderfinger, Pocahontas
Vale a Pena Ouvir: Thrasher, Sedan Delivery, Sail Away

Hawks & Doves – Neil Young





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, Neil Young lançava mais um disco, intitulado Hawks & Doves. Após o Rust Never Sleeps, Young começava a lidar com mudanças importantes em sua vida pessoal. Seu filho Ben, que tinha paralisia cerebral, exigia atenção constante da família, e isso influenciou a maneira como o músico organizava sua rotina e seus projetos. Esse álbum acabou sendo relativamente curto, já que parte do material havia sido gravado anos antes, enquanto outras faixas foram registradas pouco antes do lançamento. A produção foi mais orgânica, apresentando duas abordagens distintas. A primeira metade contém arranjos acústicos simples, com violão e instrumentação minimalista. Já a segunda metade mergulha mais profundamente na estética do Country tradicional, com presença de pedal steel, violino e ritmos típicos do gênero. O repertório é bem legal, e as canções são divertidas e envolventes. No geral, é um disco bacana e meio subestimado. 

Melhores Faixas: Stayin' Power, Hawks & Doves 
Vale a Pena Ouvir: Little Wing, Union Man, Lost In Space

Re·ac·tor – Neil Young & Crazy Horse





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o 12º álbum do Neil Young, intitulado Re·ac·tor, que foi mais ousado. Após o Hawks & Doves, o cantor parecia cada vez menos interessado em repetir fórmulas que haviam funcionado anteriormente. Com isso, decidiu retornar à parceria com o Crazy Horse, mas sem a grandiosidade conceitual de Rust Never Sleeps. Em vez disso, o álbum apresenta um Hard Rock mais direto, por vezes até rudimentar, que muitos interpretam como uma tentativa de capturar a energia espontânea das sessões de estúdio. A produção, conduzida por David Briggs, Tim Mulligan e Jerry Napier, resultou em uma sonoridade crua, valorizando a imperfeição, a espontaneidade e o volume alto das guitarras, privilegiando gravações com pouca ornamentação e arranjos simples, com foco absoluto na interação entre guitarra, baixo e bateria. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem pesadas e dinâmicas. Em suma, é um ótimo álbum, também bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Southern Pacific, Shots 
Vale a Pena Ouvir: T-Bone, Opera Star


sábado, 7 de março de 2026

Analisando Discografias - Chico Buarque: Parte 3

                   

Francisco – Chico Buarque





















NOTA: 8/10


Em 1987, Chico Buarque lança mais um trabalho novo intitulado Francisco, que trouxe algumas mudanças. Após o álbum de 1984, Chico passa a desenvolver um trabalho mais introspectivo e narrativo, menos diretamente ligado a acontecimentos políticos imediatos e mais voltado a personagens, histórias e sentimentos. Em um momento em que os anos 80 trouxeram uma convivência entre a MPB tradicional e novas tendências musicais que ganhavam força, como o Rock nacional. A produção foi feita por Homero Ferreira, que seguiu a linha sofisticada da MPB daquele período, com forte presença de piano, violões, seção rítmica suave e arranjos elegantes que valorizam as letras. Musicalmente, o disco mistura elementos de Samba e Pop barroco. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado bem mais intimista. No fim, é um disco bacana e que é muito injustiçado. 

Melhores Faixas: O Velho Francisco, As Minhas Meninas, Cadê Você (Leila XIV) 
Vale a Pena Ouvir: Todo o Sentimento, Estação Derradeira

Chico Buarque (1989) – Chico Buarque





















NOTA: 8/10


E aí, no fim dos anos 80, foi lançado mais um álbum que levava seu nome, que foi mais raiz. Após o Francisco, Chico Buarque estava num momento explorando narrativas sociais, personagens urbanos e temas políticos ligados à redemocratização do Brasil. Chico entra no final da década com um disco que mistura reflexão urbana, lirismo e certa leveza temática, sem abandonar a densidade poética característica de sua obra. Produção conduzida por Homero Ferreira e Luiz Cláudio Ramos, apresenta uma sonoridade bastante elegante e refinada, com arranjos que combinam violões, piano, percussão brasileira e elementos orquestrais discretos. Em comparação com alguns trabalhos anteriores do Chico, a produção aqui tende a valorizar ainda mais a clareza melódica e a interpretação vocal. O repertório novamente é muito bom, e as canções têm um caráter bem mais melancólico. No fim, é um ótimo disco e que fechou uma fase bem consistente. 

Melhores Faixas: A Permuta Dos Santos, A Mais Bonita 
Vale a Pena Ouvir: Valsa Brasileira, Morro Dois Irmãos

Paratodos – Chico Buarque





















NOTA: 8,2/10


Indo para 1993, Chico Buarque retorna lançando mais um trabalho novo, o Paratodos. Após o álbum de 1989, ele quis fazer um trabalho que fosse uma espécie de homenagem à tradição da música brasileira e aos artistas que ajudaram a formar o universo musical de Chico, incluindo nomes históricos e contemporâneos da MPB. Sua capa foi feita com base em uma mugshot tirada de Chico durante sua adolescência, quando ele roubou um dos carros de luxo em seu período de escola. Produção conduzida por Luiz Cláudio Ramos e Vinicius França, que apresenta um equilíbrio muito característico da MPB sofisticada do período: arranjos elaborados, mas sem exagero, com destaque para violões, piano, percussões brasileiras e instrumentos de sopro, o que valoriza a voz do cantor com toda essa ambiência dinâmica. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e sentimentais. Enfim, é um projeto bacana e que foi bem consistente. 

Melhores Faixas: Futuros Amantes, Romance, Paratodos 
Vale a Pena Ouvir: Piano Na Mangueira (participação do Tom Jobim), A Foto Da Capa, De Volta Ao Samba

Uma Palavra – Chico Buarque





















NOTA: 7,8/10


Dois anos se passam, e Chico Buarque decide lançar um álbum de regravações que comemorava seus 30 anos de carreira. Após o Paratodos, depois de alternar momentos de intensa atividade musical com projetos literários e teatrais, esse álbum acaba refletindo essa amplitude: não é apenas um conjunto de canções, mas uma espécie de panorama estético que passa por sambas, valsas, canções líricas e peças mais narrativas. Produção feita por Luiz Cláudio Ramos, que colocou arranjos que tendem a equilibrar tradição e modernidade: violões, piano e cordas convivem com programação de teclados e texturas mais contemporâneas para a época, criando um ambiente sonoro refinado, mas sem perder a proximidade característica das gravações do Chico. O repertório é muito bom, e as canções ficaram bem reinterpretadas e têm um lado mais pacífico. Enfim, é um projeto muito bom e que funcionou em sua proposta. 

Melhores Faixas: Samba E Amor, Pelas Tambelas 
Vale a Pena Ouvir: Ela É Dançarina, Valsa Brasileira, A Rosa, Quem Te Viu, Quem Te Vê

As Cidades – Chico Buarque





















NOTA: 8,4/10


Chegando em 1998, foi lançado mais um trabalho do Chico Buarque intitulado As Cidades. Após o Uma Palavra, o cantor vinha alternando música com literatura e projetos especiais. Ele também participou de projetos ligados à Mangueira e compôs músicas para cinema e outras iniciativas artísticas. Parte dessas composições acabou sendo incorporada ao álbum, como algumas faixas que já haviam aparecido em contextos paralelos ou projetos anteriores. Produção feita, como sempre, por Luiz Cláudio Ramos e Vinicius França, que traz arranjos elaborados com cuidado especial para destacar a narrativa das letras e a interpretação vocal do Chico. A instrumentação inclui piano, quarteto de cordas, violões e percussões sutis, criando um ambiente musical elegante e intimista. O repertório ficou muito bom, e as canções são todas bem profundas e imersivas. No geral, é um ótimo disco e que foi bem expressivo. 

Melhores Faixas: Xote De Navegação, Chão De Esmeraldas, Cecília 
Vale a Pena Ouvir: Aquela Mulher, Carioca

Carioca – Chico Buarque





















NOTA: 7,8/10


Entrando em 2006, foi lançado o 18º álbum de estúdio do Chico Buarque, intitulado Carioca. Após As Cidades, Chico dedicou grande parte de sua produção à literatura, consolidando-se também como romancista, o que acabou influenciando o caráter mais narrativo e literário das canções desta fase. Além disso, ele havia sido contratado pela gravadora Biscoito Fino. O título é a representação do apelido que Chico recebeu quando passou a viver em São Paulo ainda jovem, por ser nascido no Rio de Janeiro. Produção feita novamente por Luiz Cláudio Ramos, que privilegia uma sonoridade elegante, com forte presença de violões, piano, sopros discretos e uma base rítmica que alterna entre Samba, Bossa Nova e MPB. Um dos aspectos mais interessantes da produção é o equilíbrio entre simplicidade e sofisticação. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem imersivas e coesas. Enfim, é um álbum legal e que mostrou que ele já estava bem repetitivo. 

Melhores Faixas: Porque Era Ela, Porque Era Eu, Subúrbio 
Piores Faixas: Outros Sonhos, As Atrizes, Sempre

Chico – Chico Buarque





















NOTA: 4/10


E aí, em 2011, ele retorna lançando mais um projeto novo intitulado apenas Chico. Após o Carioca, o cantor se dedicou bastante, especialmente ao romance Leite Derramado e a um afastamento temporário do processo de composição musical. O próprio Chico Buarque comentou que levou um tempo até sentir novamente vontade de compor e que o processo de retomada aconteceu gradualmente, começando ao tocar piano e violão e desenvolver novas ideias musicais. A produção foi mais enxuta, com arranjos refinados e uma instrumentação que mistura tradição da MPB com pequenas experimentações rítmicas e estilísticas. Aqui eles juntaram influências de marchinha, passando por Blues, Baião e Bossa Nova, só que tudo é bem bagunçado e os vocais cansados do Chico não ajudam. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções fraquíssimas. No fim, é um projeto ruim e que mostrou que estava bem repetitivo. 

Melhores Faixas: Sem Você 2, Querido Diário, Rubato 
Piores Faixas: Barafunda, Essa Pequena, Tipo Baião, Nina

Caravanas – Chico Buarque





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2017, quando foi lançado o que é praticamente o último álbum do Chico Buarque, o Caravanas. Após o álbum de 2011, o cantor continuava dividido entre a música e a literatura, além de apresentações ao vivo e projetos diversos. Quando voltou ao estúdio, apresentou um conjunto relativamente mais curto de faixas, mas com forte identidade autoral e seguindo um caminho mais moderno. A produção foi mais orgânica, em que os arranjos seguem a linha sofisticada e discreta da MPB contemporânea. Há presença marcante de violões, piano, sopros e cordas em sua maioria, além de variações rítmicas que passam por Samba, Choro e até influências de Blues e do Funk brasileiro, só que tudo é bem repetitivo e ainda fica aquele sentimento de que faltou algo a mais. O repertório é mediano; há canções legais e outras que não funcionam. No final, é um disco irregular e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Dueto, Tua Cantiga, A Moça Do Sonho 
Piores Faixas: Blues Pra Bia, Jogo de Bola, Casualmente

   

                                                                                        Bom é isso e flw!!!        

Review: GODAMN SELECT do FAB GODAMN

                      GODAMN SELECT – FAB GODAMN NOTA: 8,4/10 Alguns dias atrás, o FAB GODAMN lançou sua 2ª mixtape deste ano, o GODAMN SELE...