segunda-feira, 23 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 2

                 

Tour The U.S.A. – James Brown And The Famous Flames





















NOTA: 7/10


Indo para 1962, foi lançado mais um álbum deles, o Tour The U.S.A., que seguiu por um caminho mais variado. Após o The Amazing James Brown, o cantor e sua trupe já haviam conquistado reconhecimento no circuito do Rhythm & Blues com uma sequência consistente de singles de sucesso. No entanto, muitos fãs e críticos acreditavam que suas gravações de estúdio não conseguiam capturar completamente a energia de suas performances ao vivo, que eram famosas por sua intensidade física, teatralidade e forte interação com o público. A produção seguiu por um caminho mais cru e espontâneo, priorizando a liberdade interpretativa que Brown demonstra no palco. Muitas músicas são estendidas em comparação às versões de estúdio, permitindo que o cantor explore improvisações vocais e variações rítmicas, apesar de haver muitas inconsistências. O repertório é bom, com canções interessantes e outras mais genéricas. No fim, é um disco bom, mas com alguns erros. 

Melhores Faixas: I’ve Got Money, Mashed Potatoes U.S.A., In The Wee Wee Hours (Of The Nite), Sticky 
Piores Faixas: Joggin' Along, Every Beat Of My Heart, I Don’t Care

Prisoner Of Love – James Brown





















NOTA: 8,2/10


Mais um ano se passou, e foi lançado um novo trabalho do James Brown, o Prisoner Of Love. Após o Tour The U.S.A., este álbum foi apresentado principalmente como um trabalho solo do Brown. Essa mudança refletia a crescente percepção dentro da indústria musical de que ele era a verdadeira força criativa e comercial por trás do grupo. Para esse trabalho, em vez de focar tanto no R&B, ele passou a interpretar canções românticas americanas já conhecidas. A produção, conduzida pelo próprio cantor, apresenta uma abordagem um pouco mais sofisticada do que alguns de seus discos anteriores. Embora a base rítmica tradicional do R&B continue presente, várias faixas utilizam arranjos mais suaves e orquestrais, refletindo a natureza romântica do repertório escolhido, dialogando com o gênero que ele ajudou a fundar, a Soul music. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e consistente. 

Melhores Faixas: Try Me, Lost Someone, So Long 
Vale a Pena Ouvir: Waiting In Vain, (Can You) Feel It (Part 1), Prisoner Of Love, The Thing In "G"

Grits & Soul – James Brown





















NOTA: 7/10


Então se passou mais um ano, e foi lançado outro disco intitulado Grits & Soul, que foi inteiramente instrumental. Após o Prisoner Of Love, ele acabou fazendo um projeto pela Smash Records, mas aqui decidiu explorar longos trechos instrumentais que mostram o desenvolvimento do groove rítmico que se tornaria fundamental para a música de Brown na década seguinte, mesmo que isso tenha sido feito mais para se esquivar das obrigações de seu contrato com a gravadora King. A produção, feita pelo próprio James Brown, apresenta um som que enfatiza fortemente a banda instrumental. A formação típica inclui piano, guitarra elétrica, baixo e bateria, além de uma seção de sopros que adiciona potência e textura aos arranjos, e aqui eles dialogam bastante com o Soul Jazz nos momentos em que os arranjos são mais energéticos. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um projeto interessante, e assim viriam vários outros desse tipo. 

Melhores Faixas: Who's Afraid Of Virginia Woolf, Grits 
Vale a Pena Ouvir: Mister Hip, There, Devil's Hideaway

Sings Out Of Sight – James Brown





















NOTA: 8/10


Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum tradicional do James Brown, o Out Of Sight. Após o Grits & Soul, isso ocorreu em um momento de tensão contratual entre Brown e sua gravadora tradicional, a King Records, que havia lançado praticamente todo o seu material até então. Por questões contratuais complexas, Brown acabou registrando algumas músicas para o selo Smash, subsidiária da Mercury Records, resultando neste álbum singular. A produção segue uma sonoridade ligeiramente distinta, embora ainda profundamente ligada ao Rhythm & Blues. A instrumentação continua baseada na formação típica da música de Brown, mas coloca maior ênfase na pulsação rítmica da banda, com grooves mais marcados e arranjos que começam a explorar repetições mais insistentes. O repertório é bem interessante, e as canções têm esse lado mais intimista. Enfim, é um ótimo álbum e bem coeso. 

Melhores Faixas: I Got You, Out Of Sight 
Vale a Pena Ouvir: I Love You, Porgy, Good Rockin' Tonight, Till Then

Raw Soul – James Brown





















NOTA: 8,3/10


Três anos se passaram, e James Brown retornava com um material realmente novo, o Raw Soul. Após o Sings Out Of Sight, o cantor via seu impacto crescer desde o enorme sucesso do histórico álbum ao vivo Live at the Apollo, que consolidou sua reputação como um performer extraordinário e redefiniu a importância do disco ao vivo no mercado de R&B. Nesse meio-tempo, ele só lançou álbuns instrumentais, mas já vinha preparando, em seus singles recentes, uma sonoridade que enfatizava cada vez mais o ritmo, a repetição e a força coletiva da banda, tornando-se a base do Funk. A produção, feita por ele próprio, é bastante dinâmica e solidifica a abordagem rítmica que se tornaria central para o gênero, com sua banda criando grooves marcados por repetição e precisão rítmica, que substituem as progressões harmônicas mais tradicionais do R&B. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um disco bacana e que marcou uma mudança. 

Melhores Faixas: Yours And Mine, The Nearness Of You, Let Yourself Go 
Vale a Pena Ouvir: Nobody Knows, Only You, Don't Be A Drop Out

Cold Sweat – James Brown & The Famous Flames





















NOTA: 8,4/10


Alguns meses depois, foi lançado mais um álbum do James Brown, o Cold Sweat. Após o Raw Soul, Brown passou a enfatizar o ritmo, a repetição e a interação entre os instrumentos da banda. Essa transformação atingiu um novo nível em 1967, com o lançamento do single Cold Sweat, considerado por muitos historiadores como uma das primeiras gravações plenamente identificáveis como Funk. A produção, feita pelo cantor, é muito mais ousada, dando ênfase absoluta ao groove. Em vez de arranjos baseados em mudanças harmônicas complexas, as músicas frequentemente se desenvolvem a partir de um único riff, e agora as seções de sopros são mais incisivas, enquanto os vocais do Brown são mais interativos, com ele utilizando gritos, interjeições e frases curtas. Com isso, ele já não dialoga mais tanto com o soul. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem envolventes e suaves. Mas, enfim, é um ótimo projeto e que representou uma virada de chave. 

Melhores Faixas: Cold Sweat (Part 1), Mona Lisa 
Vale a Pena Ouvir: Come Rain Or Come Shine, Cold Sweat (Part 2), Stagger Lee

I Can't Stand Myself When You Touch Me – James Brown & The Famous Flames





















NOTA: 9/10


Em 1968, foi lançado o sensacional I Can't Stand Myself When You Touch Me, que foi o ponto de virada do James Brown. Após o Cold Sweat, o cantor já havia estabelecido definitivamente as bases do Funk e estava expandindo sua influência sobre a música popular americana. Brown passou a estruturar suas músicas em torno de padrões rítmicos insistentes, construídos sobre riffs de guitarra, linhas de baixo marcantes e arranjos de metais extremamente precisos. A produção segue basicamente a mesma linha, com sua banda criando grooves densos e repetitivos. O baixo frequentemente executa linhas simples, porém extremamente eficazes, as guitarras têm riffs curtos e secos, e a bateria assume um papel central, já que é graças à ênfase na primeira batida do compasso que se estabelece uma marca registrada do Funk. O repertório é incrível, e as canções são todas bem energéticas. No fim, é um disco maravilhoso e essencial. 

Melhores Faixas: I Can't Stand Myself (When You Touch Me) (Part 1), Baby, Baby, Baby, Baby, You've Got To Change Your Mind, Get It Together (Part 2), Need Your Love So Bad, I Can't Stand Myself (When You Touch Me) (Part 2) 
Vale a Pena Ouvir: Time After Time, Why Did You Take Your Love Away From Me

I Got The Feelin' – James Brown & The Famous Flames





















NOTA: 8,4/10


Poucos meses depois, foi lançado outro álbum do cantor, intitulado I Got The Feelin'. Após o I Can't Stand Myself When You Touch Me, James Brown mantinha um ritmo de trabalho extraordinário. Ele gravava constantemente novos singles, lançava vários álbuns por ano e realizava turnês intensas pelos Estados Unidos. A estratégia da King Records também contribuía para essa produtividade: a gravadora frequentemente compilava singles recentes e gravações inéditas em álbuns que mantinham o artista continuamente presente no mercado. A produção segue a mesma de sempre, acompanhando plenamente a estética Funk que Brown vinha desenvolvendo, onde cada instrumento da banda funciona como parte de uma engrenagem rítmica maior, contribuindo para a construção de grooves intensos e repetitivos. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem divertidas e variadas. No geral, é um disco interessante, sendo mais uma continuação do anterior. 

Melhores Faixas: I Got The Feelin', If I Ruled The World, Stone Fox 
Vale a Pena Ouvir: You've Got The Power, Here I Go, Just Plain Funk, It Won't Be Me

A Soulful Christmas – James Brown





















NOTA: 8,3/10


E aí, perto do fim daquele mesmo ano, foi lançado o ousado A Soulful Christmas. Após o I Got The Feelin', James Brown decidiu lançar um álbum natalino, algo bastante comum entre artistas de R&B da época. No entanto, como em praticamente tudo em sua carreira, Brown não se limita a seguir fórmulas tradicionais: ele transforma o conceito de um álbum de Natal em algo profundamente enraizado na estética da Soul music e, sobretudo, no Funk emergente. A produção, como sempre, foi conduzida por ele mesmo e é bastante orgânica, já que junta a estética natalina com aquele lado funkeado. Mesmo em músicas tradicionalmente associadas a arranjos orquestrais mais suaves, Brown e sua banda introduzem grooves marcantes, linhas de baixo repetitivas e guitarras percussivas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e variadas. No fim, é um disco bacana, com uma proposta que funcionou. 

Melhores Faixas: Santa Claus Go Straight To The Ghetto, Let's Unite The Whole World At Christmas, Say It Loud (I'm Black And I'm Proud) Part 1 & 2 
Vale a Pena Ouvir: Tit For Tat (Ain't No Taking Back), In The Middle

Thinking About Little Willie John And A Few Nice Things – James Brown





















NOTA: 8/10


E aí, para finalizar esse movimentado ano de 1968, foi lançado o álbum Thinking About Little Willie John And A Few Nice Things. Após A Soulful Christmas, esse trabalho funciona como um tributo ao cantor Little Willie John, uma figura extremamente importante na formação musical do Brown. Little Willie John havia sido um dos principais nomes do Rhythm & Blues nos anos 50, sendo responsável por gravações marcantes como “Fever”, que mais tarde se tornaria um standard amplamente reinterpretado. A produção segue aquela de sempre, mas o direcionamento artístico aqui é bastante específico: em vez de enfatizar o groove repetitivo e minimalista do Funk, o foco recai sobre interpretações vocais e arranjos mais tradicionais. A banda que acompanha Brown ainda mantém sua precisão característica, mas os arranjos são mais contidos. O repertório é ótimo, e as canções são todas muito bem interpretadas. Enfim, é um disco legal e bastante respeitoso. 

Melhores Faixas: I'll Lose My Mind, Talk To Me, Talk To Me 
Vale a Pena Ouvir: Heart Break (It's Hurtin' Me), Cottage For Sale, A Note Or Two (Part 1)

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!         

domingo, 22 de março de 2026

Analisando Discografias - James Brown: Parte 1

                 

Please, Please, Please – James Brown And The Famous Flames





















NOTA: 8/10


Em 1958, foi lançado o álbum de estreia do James Brown, intitulado Please, Please, Please. O cantor, vindo de Barnwell, onde passou uma infância e adolescência conturbadas, mudou-se depois de um tempo para Nova York, onde começou a cantar com um grupo chamado The Gospel Starlighters, que posteriormente evoluiria para os The Famous Flames. A formação inicial incluía cantores como Bobby Byrd, figura essencial na trajetória de Brown, além de Johnny Terry, Sylvester Keels e Nafloyd Scott, e eles despertaram o interesse da King Records. A produção, feita por Ralph Bass, foi realizada de forma precária e com um som direto, seguindo o modelo clássico do R&B e do nascente Soul music: seção rítmica baseada em piano, guitarra elétrica, baixo e bateria, acompanhada ocasionalmente por sopros e reforçada pelos vocais de apoio dos Famous Flames. O repertório é bem interessante, e as canções são todas bem sentimentais. No fim, é um disco interessante e curioso. 

Melhores Faixas: Try Me, I Walked Alone, Just Won't Do Right 
Vale a Pena Ouvir: I Don't Know, Let's Make It, Hold My Baby's Hand

Try Me! – James Brown And The Famous Flames





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum de James Brown and The Famous Flames, o Try Me!. Após o Please, Please, Please, Brown ainda precisava provar que não era apenas um artista de um único sucesso. O mercado do Rhythm and Blues da década de 50 era extremamente competitivo e dominado por singles, e muitos artistas desapareciam rapidamente após um hit isolado. O desafio do cantor naquele momento era transformar o sucesso inicial em uma carreira consistente. A produção é basicamente a mesma, fortemente centrada na performance vocal e com arranjos relativamente simples. A base instrumental segue a fórmula clássica do R&B dos anos 50: piano marcando progressões harmônicas simples, guitarra elétrica oferecendo riffs discretos e uma linha rítmica com grooves constantes. O repertório é legalzinho, com canções bem envolventes. No fim, é um disco bacana que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Try Me, Fine Old Foxy Self, You're Mine, You're Mine 
Vale a Pena Ouvir: Messing With The Blues, I've Got To Change, Why Do You Do Me, Gonna Try

Think! – James Brown And The Famous Flames





















NOTA: 8,3/10


Entrando nos anos 60, James Brown lançava mais um disco, intitulado Think!, que é mais melódico. Após o Try Me!, Brown já havia demonstrado sua capacidade de criar baladas emocionais extremamente populares. Contudo, ele também começava a ampliar seu repertório musical, explorando canções mais rítmicas e dançantes, que refletiam melhor a energia de suas apresentações ao vivo. A produção é bem mais ampla, com piano marcando a base harmônica, guitarra elétrica contribuindo com riffs e acordes rítmicos, baixo sustentando o groove e bateria fornecendo o impulso rítmico, além da voz do James Brown, que combina elementos do Gospel, Blues e Rhythm and Blues, criando um estilo profundamente emocional e teatral. Brown frequentemente utiliza gritos, interjeições e variações melódicas improvisadas, deixando aquela sensação de uma verdadeira experiência. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um ótimo disco e mostra uma evolução. 

Melhores Faixas: I'll Go Crazy, Baby, You're All Right, Good Good Lovin' 
Vale a Pena Ouvir: Wonder When You're Coming Home, Bewildered, If You Want Me

The Amazing James Brown – James Brown And The Famous Flames





















NOTA: 7,2/10


Outro ano se passou e foi lançado mais um trabalho novo do James Brown, o The Amazing James Brown. Após o Think!, o cantor, ainda profundamente enraizado no Rhythm and Blues tradicional, já começava a demonstrar um interesse maior pela construção rítmica das músicas, um elemento que se fundamental no futuro. Vale lembrar que, naquele período, os álbuns frequentemente eram compostos por uma combinação de singles já lançados e novas gravações feitas em sessões curtas, focando mais na exposição midiática desses singles nas rádios. A produção segue a instrumentação típica do R&B do início dos anos 60: a base rítmica é composta por piano, guitarra elétrica, baixo e bateria, enquanto seções de sopros aparecem em várias faixas para reforçar a energia das músicas e dar mais peso aos arranjos. O repertório é até interessante, com canções bem divertidas, embora haja outras mais fraquinhas. Em suma, é um disco bom, mas que fica mais do mesmo. 

Melhores Faixas: So Long, The Bells, I Don't Mind, Love Don't Love Nobody 
Piores Faixas: You Don't Have To Go, Dancin' Little Thing

                                                                                    É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Elton John: Parte 5

                 

Peachtree Road – Elton John





















NOTA: 8/10


Se passaram então três anos e foi lançado um novo trabalho do Elton John, o Peachtree Road. Após o Songs From The West Coast, Elton havia reencontrado um equilíbrio criativo ao retornar a uma abordagem mais orgânica e centrada na composição e na interpretação. Assim, sua parceria com o letrista Bernie Taupin seguiu por um caminho que trouxe um conjunto de letras que exploram temas de memória, maturidade, reflexão e experiências humanas cotidianas. A produção, feita pelo próprio cantor, é relativamente discreta e orgânica, privilegiando os instrumentos acústicos e o calor natural das performances musicais, buscando transmitir uma sensação de intimidade e autenticidade, como se o ouvinte estivesse próximo da performance, principalmente na entrega vocal do Elton John, que é uma das mais expressivas de sua carreira. O repertório é bem interessante, com canções melódicas e profundas. No fim, é um ótimo disco, bastante consistente. 

Melhores Faixas: My Elusive Drug, All That I'm Allowed 
Vale a Pena Ouvir: They Call Her The Cat, Too Many Tears, Porch Swing In Tupelo

The Captain & The Kid – Elton John





















NOTA: 8,3/10


Entra um intervalo de dois anos e é lançado mais um álbum do Elton John, o The Captain & The Kid. Após o Peachtree Road, o cantor, junto com o letrista Bernie Taupin, decidiu fazer uma continuação do clássico Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy (1975). Aqui, os personagens daquela narrativa retornam já mais velhos, refletindo sobre os caminhos que suas vidas tomaram desde então. Dessa forma, o disco funciona quase como um epílogo para a narrativa iniciada trinta anos antes. A produção, conduzida pelo cantor junto com Matt Still e lançada pela Interscope Records, tem uma abordagem bem enxuta: o piano do Elton continua preciso, frequentemente acompanhado por guitarras elétricas, baixo e bateria em arranjos relativamente diretos, misturando assim Piano Rock, Pop Rock e algumas influências da Country music. O repertório é ótimo, com canções envolventes e até imersivas. Enfim, é uma continuação decente de um álbum atemporal. 

Melhores Faixas: Tinderbox, Blues Never Fade Away, The Bridge 
Vale a Pena Ouvir: Postcards From Richard Nixon, The Captain And The Kid

The Diving Board – Elton John





















NOTA: 8/10


Foi só em 2013 que Elton John retornou lançando um novo trabalho, o The Diving Board. Após o The Captain & The Kid, o cantor acabou participando de outros projetos à parte e também encerrou seu vínculo com a Interscope Records, já que sua passagem por lá foi bastante conturbada (na verdade, ele voltaria tempos depois, pois sempre teve esse vai e vem com gravadoras para distribuir seus discos). Nesse projeto, ele decidiu refinar sua abordagem musical, priorizando simplicidade, composição e expressão artística em vez de produções grandiosas. A produção, feita por T Bone Burnett, é bem enxuta e formada por um trio: Elton John no piano, Pino Palladino no baixo e Jay Bellerose na bateria. Essa configuração minimalista lembra a abordagem de muitos discos clássicos de Jazz e Blues e funciona muito bem. O repertório é ótimo, com canções aconchegantes e exuberantes. Enfim, é um álbum legal e bem coeso. 

Melhores Faixas: A Town Called Jubilee, The New Fever Waltz 
Vale a Pena Ouvir: Oceans Away, Voyeur

Wonderful Crazy Night – Elton John





















NOTA: 3/10


Três anos se passam e é lançado mais um novo álbum do Elton John, o Wonderful Crazy Night. Após o The Diving Board, o cantor sentia vontade de fazer algo diferente no projeto seguinte. Em vez de um álbum introspectivo e minimalista, Elton queria um disco mais direto, animado e cheio de vitalidade, que lembrasse o espírito de seus trabalhos mais energéticos. A produção foi feita mais uma vez junto com T Bone Burnett, buscando uma sonoridade mais dinâmica e vibrante, com forte presença de piano, guitarras, baixo e bateria. A proposta busca capturar a sensação de uma banda tocando junta, algo que remete à energia dos álbuns clássicos do Elton John dos anos 70, porém tudo soa muito previsível e parece que ele está tentando repetir algo que já não funciona mais. O repertório é bem fraquinho, com canções medíocres e poucas realmente interessantes. No geral, é um disco ruim e uma tentativa precipitada. 

Melhores Faixas: Looking Up, Claw Hammer, A Good Heart 
Piores Faixas: Blue Wonderful, Tambourine, Guilty Pleasure, I've Got 2 Wings

Regimental Sgt. Zippo – Elton John





















NOTA: 8,5/10


No ano de 2021, foi disponibilizado um material curioso do Elton John, o Regimental Sgt. Zippo. Após o Wonderful Crazy Night, foi resgatado um material gravado por volta de 1967 e 1968, antes mesmo do lançamento do seu primeiro álbum oficial; o projeto permaneceu durante décadas praticamente desconhecido do público. Em um período em que ele trabalhava como músico de estúdio e compositor para a Dick James Music, empresa que buscava desenvolver novos talentos para o mercado musical britânico. A produção, feita por Caleb Quaye, é bem variada e experimental, apresentando elementos como órgãos, guitarras elétricas com efeitos, seções instrumentais inesperadas e mudanças de tonalidade, dialogando com o Pop psicodélico, muito por conta daquele momento pós-Sgt. Pepper’s dos The Beatles. O repertório é muito bom, e as canções têm aquele lado denso e, às vezes, energético. No fim, é um álbum muito legal e que vale a pena conhecer. 

Melhores Faixas: Regimental Sgt. Zippo, Angel Tree, Tartan Coloured Lady, Sitting Doing Nothing 
Vale a Pena Ouvir: Turn To Me, A Dandelion Dies In The Wind, Nina

The Lockdown Sessions – Elton John





















NOTA: 2/10


Meses depois, foi lançado o que é seu último trabalho até então, do Elton John, o The Lockdown Sessions. Após o lançamento do Regimental Sgt. Zippo, Elton John já estava preparando um álbum construído a partir de sessões organizadas em estúdio e com uma visão conceitual relativamente definida; no entanto, este álbum surgiu de forma espontânea durante o período da pandemia do COVID-19, quando grande parte do mundo estava em isolamento, sendo um projeto colaborativo que reuniu músicos de diferentes gerações e estilos musicais. A produção contou com nomes diversos e, no geral, seguiu uma abordagem polida; porém, tudo acaba soando como uma verdadeira bagunça, já que o disco transita entre Rock, Pop, Rap e, às vezes, R&B, resultando em muitas participações que não funcionam. O repertório é muito ruim, e as canções ficaram bastante esquisitas, com raras exceções. No fim, é um disco péssimo e que, sinceramente, merece ser esquecido. 


Melhores Faixas: Finish Line (Stevie Wonder bem demais), The Pink Phantom (música do Gorillaz, que Elton é feat) 
Piores Faixas: E-Ticket (desperdiçou Eddie Vedder, com essa mixagem feita por um jegue), Orbit, One Of Me (música do Lil Nas X), After All, Always Love You (Young Thug e Nicki Minaj indo muito mal)

 

sábado, 21 de março de 2026

Review: Caindo Em Si do Derxan

                    

Caindo Em Si – Derxan





















NOTA: 7/10


Recentemente, Derxan finalmente voltou, lançando o EP Caindo em Si, em um momento de transformações. Após O Lado Bom do Homem Mau, o rapper meio que entrou em uma pausa em sua carreira, já que havia se convertido ao cristianismo. Com isso, preferiu focar em sua fé e melhorar sua saúde mental de certo modo, decidindo então retornar com um trabalho que mostrasse um lado mais pessoal e sensível. A produção, feita por Pedro Apoema e Manel Beats, segue uma abordagem mais minimalista e introspectiva. Diferente de trabalhos mais agressivos ou voltados ao impacto imediato, aqui os instrumentais funcionam como suporte emocional para suas rimas, sendo basicamente uma junção de Rap cristão com elementos do Drill e Jazz Rap. O repertório tem apenas 4 faixas, que são bem profundas e apresentam um lado mais atmosférico. No fim, é um trabalho interessante e que pode ser uma prévia para algo grandioso. 

Melhores Faixas: Nem tudo é sobre Mim, Eu Venço 
Vale a Pena Ouvir: Caindo em si, Passado
 

    Então é só e flw!!! 

Analisando Discografias - James Brown: Parte 2

                  Tour The U.S.A. – James Brown And The Famous Flames NOTA: 7/10 Indo para 1962, foi lançado mais um álbum deles, o Tour The...