sábado, 11 de julho de 2026

Analisando Discografias - Sci-Fi the Mastermind

                  

Armageddon – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 9/10


Também em 2024, o Sci-Fi the Mastermind lançava seu 1º trabalho no formato de EP, o Armageddon. O rapper, vindo de Boston, Massachusetts, começou sua trajetória por volta de 2023 e já vinha construindo uma pequena reputação no underground por meio de uma estética profundamente inspirada pelo rap dos anos 90, especialmente pelos trabalhos de grupos como o Wu-Tang Clan, além da influência evidente de artistas como MF DOOM. A produção, feita por Dr. Misterio on the Beat, apresenta beats pesadas, baterias secas, linhas de baixo simples e samples de Soul e Jazz, elementos que fazem o projeto seguir a sonoridade clássica do Boom Bap nova-iorquino dos anos 90. Os flows do Sci-Fi são bastante agressivos e carregados de técnica. O repertório contém sete faixas muito boas e repletas de metáforas. No fim, é um EP sensacional e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Revolution of Mass Destruction, Armageddon, Greetings Planet Earth 
Vale a Pena Ouvir: The Mightiest Magician, Aftermath of Agony

Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence – Sci-Fi the Mastermind





















NOTA: 8,8/10


Aí, no ano passado, ele lançou seu álbum de estreia, o Superhuman Crystallized Intergalactically-Formed Intelligence. Após o EP Armageddon, Sci-Fi já começou a preparar um álbum que pretende funcionar como uma espécie de manifesto artístico, misturando ficção científica, filosofia e Hip Hop/Rap underground. O projeto cria um universo mais amplo, no qual conceitos de inteligência superior, dimensões paralelas, entidades sobrenaturais e reflexões existenciais se entrelaçam em uma narrativa relativamente abstrata. A produção, feita por be franky, Dr. Misterio on the Beat, LethalNeedle, entre outros, segue uma abordagem Lo-fi, com beats pesados e densos, baterias secas, linhas de baixo discretas e sintetizadores atmosféricos, incorporando elementos do Boom Bap e do Jazz Rap. Além disso, os flows do Sci-Fi ficaram mais agressivos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante profundas. Em suma, é um ótimo disco e mostra algo promissor. 

Melhores Faixas: Hive Mind, S. C. I. F. I., Trick Dice, Mortal Korruption, Priedlids, We're Surrounded 
Vale a Pena Ouvir: Eternal Recurrence, What World is This, Divine Mastermind

                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!               

Review: EP autointitulado do InDharma

                     

InDharma – InDharma





















NOTA: 8/10


Em 2024, o InDharma lançou seu 1º trabalho no formato de EP, um projeto autointitulado que trazia algo promissor. A banda, formada em 2022 em São Paulo, passou por uma série de mudanças de integrantes, mas sua formação se firmou com Nego Max e Rappa Nui (vocais), DropAllien (guitarra), DJ Noé (scratches), Mounir Sobh (baixo) e Gui Figueiredo (bateria). Assim, depois de várias apresentações, eles estavam preparando um álbum, mas, de repente, a banda se separou e decidiu lançar esse material em formato de EP. A produção, feita pelo próprio DropAllien, deixou o som bem cru e direto. As guitarras são pesadas e cheias de groove, alternando riffs agressivos e momentos mais melódicos. A cozinha rítmica é bastante presente, e os vocais alternam entre momentos agressivos e Rap, juntando elementos do Nu Metal e do Metal Alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são energéticas e imersivas. Enfim, é um ótimo EP e, quem sabe, um dia eles voltem. 

Melhores Faixas: Alta Voltagem, Som Das Ruas 
Vale a Pena Ouvir: Pêndulo, Libertar


Analisando Discografias - Wuang Chung

                 

Huang Chung – Huang Chung





















NOTA: 8/10


No ano de 1982, o Wang Chung, ou melhor, Huang Chung, lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formado dois anos antes, em Londres, pelo vocalista e guitarrista Jack Hues, pelo baixista Nick Feldman e pelo baterista Darren Costin, sendo depois complementado pelo saxofonista Dave Burnand, o grupo tinha uma identidade bastante peculiar, misturando elementos de New Wave e Post-Punk, o que despertou o interesse da gravadora Arista. A produção, feita por Rhett Davies e Roger Béchirian, tem uma abordagem até que crua, mas consegue ser bastante acessível, apresentando uma convivência constante entre instrumentos eletrônicos, guitarras limpas, linhas de baixo bastante presentes e uma bateria que frequentemente adota ritmos secos e minimalistas. Os sintetizadores criam atmosferas envolventes, enquanto os vocais do Hues são até que contidos. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas. Enfim, é um ótimo álbum de estreia e injustamente desprezado. 

Melhores Faixas: I Never Want To Love You In A Half Hearted Way, Rising In The East 
Vale a Pena Ouvir: Chinese Girls, Hold Back The Tears, I Can't Sleep

Points On The Curve – Wang Chung





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e agora o Wang Chung lança seu 2º álbum, o Points on the Curve. Após o álbum de estreia, como inicialmente eles passaram bem despercebidos, a Arista Records os transferiu para a gravadora americana Geffen. Além disso, o saxofonista Dave Burnand acabou saindo, e a banda decidiu trocar seu nome para o que conhecemos hoje, a fim de facilitar a pronúncia para os falantes de inglês. A produção contou com Chris Hughes e Ross Cullum e foi bem mais polida, com os sintetizadores ganhando maior importância. As baterias passaram a ter um som mais limpo, dialogando muito mais com a New Wave e o Synth-pop. Além disso, as guitarras ficaram mais complementares, servindo para dar textura, e o baixo é bastante consistente. Os vocais do Jack Hues são bem contidos e elegantes, mas também bastante expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são bastante envolventes e imersivas. No fim, é um belo disco e uma joia rara daquela época. 

Melhores Faixas: Dance Hall Days, Don’t Let Go, Even If You Dream, Wait, Look At Me Now
Vale a Pena Ouvir: Don't Be My Enemy, True Love

To Live And Die In L.A. (Music From The Motion Picture) – Wang Chung





















NOTA: 9,6/10


Três anos se passaram, e o Wang Chung lança seu 3º álbum, a trilha sonora do filme Viver e Morrer em Los Angeles. Após o Points on the Curve, a banda recebeu uma oportunidade incomum: compor a trilha sonora do filme dirigido por William Friedkin. O grupo percebeu que a ocasião permitia explorar uma faceta mais cinematográfica e experimental, muito diferente do pop mais direto que começava a definir sua carreira. Produzido pela própria banda, com o auxílio de outros produtores, o álbum segue uma abordagem atmosférica e com aquele nível de suspense típico de um filme policial. Ou seja, os sintetizadores sugerem tensão, solidão e até mesmo um certo romantismo decadente. Além disso, há a presença de sequenciadores, linhas de baixo discretas e baterias eletrônicas, que contribuem para criar um clima de suspense e melancolia. O repertório é sensacional, e as canções são densas e melódicas. No fim, é um baita disco e uma trilha sonora muito bem-feita. 

Melhores Faixas: To Live And Die In L.A., Wait, City Of The Angels, Wake Up, Stop Dreaming
Vale a Pena Ouvir: Lullaby, Every Big City

Mosaic – Wang Chung





















NOTA: 8,4/10


No ano seguinte, o Wang Chung lançava mais um álbum novo, intitulado Mosaic. Após a trilha sonora do filme Viver e Morrer em Los Angeles, a banda possuía exatamente as características que o mercado buscava naquele período: músicas dançantes, refrões memoráveis, uma estética moderna e uma sonoridade que conciliava Synth-pop, New Wave e Pop Rock. Então, eles decidiram fazer um trabalho mais comercial, aproveitando o hype que haviam conquistado. A produção, feita por Peter Wolf, é bastante polida, com forte utilização de baterias eletrônicas, sintetizadores brilhantes, efeitos digitais e arranjos extremamente elaborados. Os vocais do Jack Hues também atingem um equilíbrio interessante entre emoção e acessibilidade. Fora isso, temos influências do Pop sofisticado, Synth Funk e da Big Music. O repertório é muito bom, e as canções são exuberantes e divertidas. Enfim, é um ótimo álbum e que apresenta muita consistência. 

Melhores Faixas: Everybody Have Fun Tonight, Let’s Go, Betrayal 
Vale a Pena Ouvir: Eyes Of The Girl, Horizon

The Warmer Side Of Cool – Wang Chung





















NOTA: 3/10


Entrando no fim dos anos 80, o Wang Chung lançava seu 5º álbum, o fraquíssimo The Warmer Side of Cool. Após o Mosaic, a banda decidiu evitar uma simples repetição da fórmula que havia dado certo. Em vez de produzir outro álbum inteiramente baseado em hinos dançantes e refrões gigantescos, o grupo procurou criar um trabalho mais sofisticado, explorando temas mais introspectivos e uma sonoridade menos extravagante. A produção permaneceu relativamente a mesma, só que agora seguindo muito mais um lado puxado para o Pop Rock e com um maior refinamento. Os sintetizadores continuam presentes, mas são utilizados de forma muito mais discreta. As guitarras estão mais presentes e as linhas de baixo mais elaboradas, enquanto os vocais do Hues são mais expressivos. Porém, tudo soa bastante monótono e com pouquíssima imersão. O repertório é bem ruim, trazendo canções genéricas, com algumas exceções. No final, é um álbum fraquíssimo e desconexo. 

Melhores Faixas: The Warmer Side Of Cool, Snakedance, At The Speed Of Life 
Piores Faixas: Logic And Love, When Love Looks Back At You, Big World, Games Of Power

Tazer Up! – Wang Chung





















NOTA: 3/10


Foi apenas em 2012 que o Wang Chung lançou seu mais recente álbum, o Tazer Up!. Após o The Warmer Side of Cool, a banda acabou encerrando suas atividades e, com isso, cada integrante seguiu seu próprio caminho. Nesse período, quem mais se destacou foi certamente Nick Feldman, que construiu uma carreira importante na indústria musical como executivo e empresário. Depois de muita conversa, eles voltaram de vez em 1997 e, de lá para cá, focaram em turnês. Após muita enrolação, decidiram lançar um novo projeto. Produção feita junto com Adam Wren, é limpa e orgânica, com a presença de sintetizadores que possuem timbres menos extravagantes. As guitarras se tornaram mais constantes, e a cozinha rítmica é bem sólida, assim como os vocais do Jack Hues. Só que, no geral, tudo é bastante repetitivo e sem dinâmica. O repertório é bem ruim, com canções chatinhas e poucas interessantes. No fim, é um álbum fraco e bastante esquecível. 

Melhores Faixas: London Orbital, Rent Free, Abducted By The 80s 
Piores Faixas: Overwhelming Feeling, Stargazing, Driving You, Why?


sexta-feira, 10 de julho de 2026

Analisando Discografias - Gentle Giant

                   

Gentle Giant – Gentle Giant





















NOTA: 9,5/10


No ano de 1970, o Gentle Giant lançava seu álbum de estreia autointitulado, que trazia uma abordagem ampla. Formado naquele ano em Portsmouth, na Inglaterra, pelos irmãos Phil (vocais e sopros), Derek (vocais) e Ray Shulman (baixo e violino), que anteriormente haviam integrado a banda Simon Dupree and the Big Sound, o grupo entrou no prime do Rock progressivo. A formação foi completada pelo guitarrista Gary Green e pelo baterista Martin Smith, e, com isso, a banda assinou com a Vertigo Records. A produção, feita por Tony Visconti, deixou um som bastante orgânico, com poucos efeitos de estúdio e uma mixagem que privilegia os instrumentos de maneira bastante natural. As guitarras são usadas como textura, enquanto o órgão de Kerry Minnear e os instrumentos de sopro e o violino dos irmãos Shulman estão sempre no centro. O repertório é incrível, e as canções são bem estruturadas e energéticas. No fim, é um baita disco de estreia, além de soar bastante espontâneo. 

Melhores Faixas: Funny Ways, Nothing At All, Giant 
Vale a Pena Ouvir: Alucard, Why Not?

Acquiring The Taste – Gentle Giant





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, o Gentle Giant lançava seu 2º álbum, o Acquiring the Taste (isso é um pêssego na capa). Após o disco de estreia, que havia apresentado uma banda extremamente talentosa e cheia de ideias, esse novo trabalho mostrou um grupo disposto a levar sua proposta artística ao limite. Com isso, começaram a incorporar de maneira mais profunda elementos da música medieval, do contraponto renascentista, do Jazz e da música de câmara em sua sonoridade. A produção do Tony Visconti seguiu por um caminho mais denso e, de certo modo, sofisticado. Aqui, todos os integrantes tocam vários instrumentos, desde saxofone, violino e flauta até diversas percussões, entre outros. Isso confere uma pegada meio vanguardista ao Prog Rock característico deles, algo muito constante na seção rítmica, que é mais livre. O repertório é sensacional, e as canções são bastante melódicas e peculiares. Enfim, é um belíssimo álbum que te consegue prender. 

Melhores Faixas: Pantagruel's Nativity, Wreck, The House, The Street, The Room, Edge Of Twilight 
Vale a Pena Ouvir: Black Cat, Plain Truth

Three Friends – Gentle Giant





















NOTA: 9/10


Passa-se mais um ano, e o Gentle Giant lançava mais um álbum, o Three Friends. Após o Acquiring the Taste, o baterista Martin Smith acabou saindo, sendo substituído provisoriamente por Malcolm Mortimore. Para esse disco, a banda decidiu trazer um conceito que acompanha a trajetória de três amigos de infância que, apesar de crescerem juntos, acabam seguindo caminhos completamente diferentes na vida adulta, e nenhum deles parece satisfeito com o rumo que tomou. A produção, feita pela própria banda, é bastante refinada e apresenta um som mais equilibrado. Os vocais harmônicos dos irmãos Shulman e de Kerry Minnear são extremamente sofisticados. O órgão, o vibrafone, o violoncelo, os instrumentos de sopro e a guitarra aparecem constantemente, criando uma enorme variedade de texturas sonoras. O repertório é incrível, e as canções são bastante imersivas e épicas. No geral, é outro álbum maravilhoso e muito profundo. 

Melhores Faixas: Prologue, Three Friends 
Vale a Pena Ouvir: Peel The Paint, Schooldays

Octopus – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Ainda no mesmo ano, foi lançado o atemporal e sensacional 4º álbum deles, o Octopus. Após o Three Friends, o baterista Malcolm Mortimore acabou saindo, e em seu lugar entrou John Weathers, músico que havia passado por diversas bandas e possuía um estilo mais pesado e versátil. Enquanto muitas bandas apostavam em longas suítes, grandiosidade sinfônica e virtuosismo exibicionista, o sexteto preferia construir músicas relativamente curtas, porém repletas de mudanças de andamento, contrapontos e arranjos extremamente detalhados. A produção apresenta um equilíbrio extraordinário entre sofisticação e clareza. O grande destaque é a técnica do Weathers na bateria, que trouxe um peso adicional e, junto dos teclados de Kerry Minnear e das harmonias vocais inspiradas na música renascentista, resulta em uma obra perfeita do Rock progressivo. O repertório é sensacional, chegando a parecer uma coletânea. Enfim, é um baita álbum e, certamente, uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Think Of Me With Kindness, The Boys In The Band, The Advent Of Panurge, A Cry For Everyone 
Vale a Pena Ouvir: Raconteur, Troubadour, Knots

In A Glass House – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Em 1973, o Gentle Giant lançava outro álbum sensacional e clássico, o In A Glass House. Após o Octopus, a banda sofreu uma baixa com a saída de Phil Shulman devido a questões familiares. Aqui, o grupo decidiu criar um trabalho ainda mais desafiador e conceitualmente denso. O título do disco faz referência ao ditado "Quem mora em casas de vidro não deveria atirar pedras", uma metáfora sobre vulnerabilidade, hipocrisia e julgamento. A produção, realizada junto com Gary Martin, seguiu uma abordagem extremamente rica em detalhes. Uma das grandes qualidades do trabalho é a integração entre os instrumentos, com cada um desempenhando uma função específica. Os instrumentos de sopro e as guitarras entram e saem da mixagem de forma quase coreografada, enquanto a bateria é extremamente precisa e as harmonias vocais são bastante elaboradas. O repertório é praticamente uma coletânea. Enfim, é outro disco perfeito e também uma obra-prima. 

Melhores Faixas: In A Glass House, The Runaway 
Vale a Pena Ouvir: Experience, A Reunion

The Power And The Glory – Gentle Giant





















NOTA: 10/10


Passou-se mais um ano, e a banda lançou outro álbum fantástico, o The Power And The Glory. Após o In a Glass House, o Gentle Giant decidiu fazer um disco conceitual centrado no tema do poder. A obra acompanha a ascensão de um homem comum a uma posição de liderança e a maneira como a autoridade gradualmente o corrompe. A narrativa discute ambição, manipulação, autoritarismo e a sedução exercida pelo poder político, dialogando bastante com o contexto da Guerra Fria. A produção é bastante refinada e extremamente detalhada. As harmonias vocais fazem uso de cânones, sobreposições e contrapontos que remetem à música renascentista; a bateria do Weathers é precisa e dinâmica; as guitarras do Gary Green são bastante pesadas; e os teclados do Minnear alternam constantemente. O repertório é maravilhoso, muito bem amarrado, parecendo também uma coletânea. Enfim, é um disco sensacional e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Proclamation, Playing The Game, The Face, Aspirations 
Vale a Pena Ouvir: No God's A Man, Cogs In Cogs

Free Hand – Gentle Giant





















NOTA: 9,8/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum do Gentle Giant, o Free Hand. Após o clássico The Power and the Glory, o grupo havia conquistado uma base de fãs extremamente fiel, especialmente nos Estados Unidos, onde suas turnês começavam a atrair públicos cada vez maiores. Esse disco é mais focado em abordar temas diversos, como individualidade, relacionamentos, alienação, liberdade, ambição e comunicação humana. A produção seguiu por um caminho mais limpo e impactante, permitindo que os inúmeros elementos dos arranjos sejam percebidos com maior clareza. As harmonias vocais funcionam como peças de um quebra-cabeça musical extremamente elaborado. Os teclados apresentam uma grande variação de timbres, as guitarras passam por passagens delicadas e a cozinha rítmica é bastante precisa. O repertório é sensacional, e as canções são bem dinâmicas. No geral, é outro álbum fenomenal e que marcou o fim do auge da banda. 

Melhores Faixas: Free Hand, Just The Same, His Last Voyage 
Vale a Pena Ouvir: On Reflection, Mobile

Interview – Gentle Giant





















NOTA: 8,8/10


Em 1976, o Gentle Giant lançava seu 8º álbum, intitulado apenas como Interview. Após o Free Hand, o Rock progressivo começou a ser duramente criticado pela mídia por ser bastante pretensioso, e o Punk Rock já começava a surgir com força. Ainda assim, as bandas não se sentiram abaladas por isso, e o Gentle Giant foi uma delas. Aqui, eles decidiram fazer um disco conceitual que gira em torno da relação entre artistas, celebridade e mídia. A produção é a mesma de sempre, mas aqui há um maior aproveitamento dos instrumentos, que ganham mais espaço na mixagem. As harmonias vocais ainda apresentam um grau de sofisticação impressionante. A cozinha rítmica consegue ser bastante precisa, os teclados ficaram bem expansivos e as guitarras são bastante enérgicas, criando um equilíbrio eficiente entre o Prog Rock e traços de Jazz-Rock. O repertório é muito legal, e as canções conseguem ser bastante variadas. Enfim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Interview, Empty City 
Vale a Pena Ouvir: I Lost My Head, Give It Back

The Missing Piece – Gentle Giant





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, a banda lançou o The Missing Piece, mas agora totalmente repaginada. Após o Interview, o Gentle Giant acabou recebendo uma ordem de sua gravadora desde Free Hand, a Chrysalis Records: eles precisavam tocar nas rádios, e a banda acabou cedendo. O resultado foi um álbum que apresenta muitas características típicas do grupo, mas também introduz uma quantidade significativamente maior de composições curtas, refrões mais imediatos e estruturas mais convencionais. A produção tornou-se mais direta e acessível. As harmonias vocais, embora presentes, estão mais contidas; as guitarras ganharam mais protagonismo; os teclados são mais discretos; e o baixo e a bateria aparecem dentro de estruturas menos complexas, fazendo com que o disco dialogue muito mais com o Pop Rock e com pequenos traços progressivos. O repertório é legal, com canções divertidas e outras mais cadenciadas. Enfim, é um disco bacana, mas, a partir daí, viria a queda. 

Melhores Faixas: Two Weeks In Spain, Memories Of Old Days 
Vale a Pena Ouvir: Winning, Who Do You Think You Are?

Giant For A Day! – Gentle Giant





















NOTA: 2,5/10


Passou-se mais um ano, e foi lançado o 10º álbum do Gentle Giant, o infame Giant for a Day!. Após o The Missing Piece, a banda decidiu abandonar quase completamente a complexidade progressiva que havia definido sua identidade. O objetivo era produzir um disco mais direto, mais comercial e mais alinhado ao Pop Rock do final dos anos 70. A produção, novamente feita pela própria banda, é bem mais direta e radiofônica, apresentando arranjos significativamente menos densos, enquanto os instrumentos tradicionais do grupo, como violino, vibrafone e diversos instrumentos de sopro, aparecem de maneira muito mais discreta. Em alguns momentos, o disco dialoga com o Pop progressivo, AOR e o Yacht Rock, mas parece que a banda reuniu uma série de ideias e os implementou sem nenhuma conexão, resultando em algo bagunçado e sem emoção. O repertório é muito ruim, com canções entediantes e poucas exceções. Enfim, é um álbum péssimo e sem alma. 

Melhores Faixas: Rock Climber, Little Brown Bag 
Piores Faixas: Friends, Spooky Boogie, No Stranger, Thank You

Civilian – Gentle Giant





















NOTA: 3/10


Então chegamos à década de 80, e o Gentle Giant se despedia com seu último álbum, o Civilian. Após o Giant for a Day!, os resultados comerciais ficaram aquém das expectativas, e a banda encontrava-se em uma espécie de encruzilhada. Continuar produzindo um Rock progressivo era inviável, então eles decidiram seguir, em parte, a abordagem adotada por várias bandas do Prog Rock naquela virada de década. A produção, como sempre feita pela própria banda, é mais moderna e, de certo modo, mais pesada. A guitarra do Gary Green assume um maior protagonismo, com riffs e solos constantes; Kerry Minnear faz um uso mais intenso de sintetizadores; e os vocais do Derek Shulman tornam-se mais centrais. O disco dialoga muito mais com o Pop Rock e a New Wave, mas o resultado acaba sendo bastante monótono e tedioso. O repertório começa bem, mas depois decai com canções genéricas. Em suma, é um álbum ruim e, após isso, a banda encerrou suas atividades. 

Melhores Faixas: Convenience (Clean And Easy), All Through The Night, Inside Out 
Piores Faixas: Underground, Number One, It's Not Imagination, I Am A Camera

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Analisando Discografias - Breakbot

                  

Baby I'm Yours – Breakbot





















NOTA: 5/10


Em 2010, o Breakbot lançava um EP intitulado Baby I'm Yours, que trazia algo interessante. O produtor francês Thibaut Berland começou sua carreira em 2006. Anteriormente, trabalhava com computação gráfica e foi o responsável pelo design da nave espacial presente no primeiro álbum do Justice. No entanto, ele já lançava algumas músicas e remixes até assinar com a gravadora Ed Banger. A produção, feita por ele próprio, resgata elementos clássicos da Disco Music e do Funk setentista, com uma produção extremamente limpa e detalhada. As baterias possuem caixas suaves, grooves precisos e uma sensação de músicos tocando juntos. Os sintetizadores têm aquelas camadas que dão um ar de nostalgia, e as guitarras possuem timbres limpos e ritmos sincopados. O repertório é legal e conta com canções divertidas; apenas os remixes acabam prejudicando o conjunto. Mas, enfim, mesmo sendo um trabalho mediano, trouxe algo promissor. 

Melhores Faixas: Baby I'm Yours, Make You Mine 
Piores Faixas: Baby I'm Yours (os dois remixes do Siriusmo e La Funk Mob)
  

By Your Side – Breakbot





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passaram, o Breakbot lançava seu álbum de estreia, o By Your Side. Após o EP Baby I'm Yours, ele já havia se tornado um dos nomes mais promissores da nova geração da música eletrônica francesa, mas ainda existia uma dúvida sobre sua capacidade de sustentar um álbum inteiro. Em vez de seguir as tendências do EDM, decidiu aprofundar sua identidade musical baseada na nostalgia da Disco music e do Funk. A produção segue uma proposta mais orgânica e limpa. Os sintetizadores têm timbres que lembram os instrumentos analógicos dos anos 80. As linhas de baixo são profundas, e as guitarras aparecem constantemente, utilizando ritmos sincopados inspirados no Funk clássico e em bandas como o Chic. A bateria também é bastante variada, resultando em uma fusão de Nu-Disco e Funktronica. O repertório é muito bom, e as canções são envolventes e suaves. Enfim, é um disco de estreia muito legal bastante coeso. 

Melhores Faixas: Baby I'm Yours, You Should Know, One Out Of Two, Why, Intersection 
Vale a Pena Ouvir: Programme, By Your Side Part 2, A Mile Away

Still Waters – Breakbot





















NOTA: 8/10


Quatro anos se passaram, e o Breakbot lançou seu último álbum até o momento, o Still Waters. Após o By Your Side, o EDM comercial ainda dominava parte do mercado, mas também havia um crescente interesse pelo retorno das sonoridades da Disco Music. Nesse contexto, o DJ, junto de seu parceiro Irfane, decidiu não realizar uma mudança radical em sua identidade. Em vez disso, procurou amadurecer sua proposta artística, tornando-a mais sofisticada e introspectiva. A produção seguiu um caminho em que se juntam Nu-Disco, Synth Funk e traços do R&B, mas seguindo uma abordagem mais elegante e menos imediata. Os sintetizadores possuem timbres analógicos extremamente suaves, as linhas de baixo ficaram mais controladas, as guitarras são bastante funkeadas e as baterias apresentam grooves discretos e extremamente precisos. O repertório é muito bom, e as canções são bastante divertidas. No geral, é um álbum bem bacana e acessível. 

Melhores Faixas: Get Lost, Arrested 
Vale a Pena Ouvir: Turning Around, All It Takes, The Sweetest Romance, In Return


                                                                                        É isso, então flw!!!          

Analisando Discografias - Sci-Fi the Mastermind

                   Armageddon – Sci-Fi the Mastermind NOTA: 9/10 Também em 2024, o Sci-Fi the Mastermind lançava seu 1º trabalho no formato ...