terça-feira, 5 de maio de 2026

Analisando Discografias - PNAU

                 

Sambanova – PNAU





















NOTA: 8,7/10


Em 1999, o duo australiano PNAU lançava seu álbum de estreia, o obscuro Sambanova. Formado em 1996 pelos dois amigos de escola Nick Littlemore e Pedro Mayes, em Sydney, na Austrália, em um momento em que a música eletrônica vivia o auge do Big Beat e do House filtrado europeu, coexistindo com experimentações mais psicodélicas e híbridas. Esse trabalho foi feito de forma independente, e eles não tinham a menor experiência no ramo musical. Ainda assim, o talento deles fez com que criassem algo bem caprichado, mesmo sem autorização. A produção foi feita inteiramente por Nick Littlemore, que seguiu uma abordagem altamente fragmentada, baseada em loops e sobreposição de camadas que parecem desalinhadas. Com isso, o som é cru, com texturas que beiram o Lo-fi em alguns momentos, dialogando com House e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. Enfim, é um ótimo disco de estreia, que hoje está fora dos streamings. 

Melhores Faixas: Mellotron, Hard Biscuit, Direct Drive, Arthur’s Pizza, Need Your Lovin’ Baby
Vale a Pena Ouvir: Sambanova, Direct Drive, Keep On Truckin'

Again – PNAU





















NOTA: 8/10


Passaram-se então quatro anos até que eles retornassem com seu 2º álbum, o Again. Após o Sambanova, que era mais cru e mostrava uma experimentação inicial, e que acabou sendo retirado das lojas pelo uso ilegal de samples, o duo despertou o interesse da Warner Records, que os contratou. Naquele período, a música eletrônica começava a dar atenção ao Electroclash, ao retorno do Synth-pop e à consolidação de uma vertente mais emocional da Dance music, que passava a ganhar espaço. A produção trouxe uma maior presença de loops, cortes abruptos e vocais fragmentados, mas agora esses elementos são organizados com mais clareza. Os timbres continuam variados: sintetizadores vibrantes, linhas de baixo elásticas, percussões eletrônicas pulsantes e uma presença mais consistente de elementos melódicos, seguindo a linha do Electro House. O repertório é bem legal, e as canções são bem energéticas. Enfim, é um ótimo trabalho e bastante coeso. 

Melhores Faixas: The Hunted, Fear & Love 
Vale a Pena Ouvir: Super Giants, In The Valley, Donnie Donnie Darko

PNAU – PNAU





















NOTA: 9/10


Em 2007, foi lançado o 3º álbum autointitulado do PNAU, que é bem mais acessível. Após o Again, esse novo disco surge em um momento decisivo. Nick Littlemore já começava a expandir suas ambições artísticas. Se os trabalhos anteriores orbitavam uma eletrônica mais fragmentada, aqui há uma guinada perceptível em direção à canção. O PNAU surge em um contexto em que o Electropop e a Indietronica estavam ganhando força globalmente, e o duo, sem abandonar completamente suas excentricidades, passa a dialogar mais diretamente com esse movimento. A produção, feita pelo duo junto com Sam Littlemore, é mais polida e estruturada, com os sintetizadores ganhando brilho e protagonismo, muitas vezes assumindo linhas melódicas claras. As linhas de baixo são mais limpas e funcionais, além da presença de elementos do Synth-pop e do New Rave. O repertório é incrível, e as canções são todas bem divertidas. No fim, é um belo disco e certamente o melhor deles. 

Melhores Faixas: With You Forever, Come Together, Wild Strawberries, Embrace, Freedom, No More Violence 
Vale a Pena Ouvir: Dancing On The Water, We Have Tomorrow, Lover

Soft Universe – PNAU





















NOTA: 5/10


Cinco anos se passaram até o duo lançar mais um álbum, o fraquíssimo Soft Universe. Após o álbum de 2007, Nick Littlemore havia consolidado, ao lado de Luke Steele, o sucesso global do Empire of the Sun. Essa experiência com um Electropop mais grandioso, melódico e visualmente marcante impacta diretamente a direção artística do PNAU. Com esse trabalho sendo bem mais variado e com eles lançando de forma independente pelo selo Etcetc. A produção foi feita pelo duo junto com Scott Cutler e Anne Preven, ainda tendo sobreposição de elementos e manipulação de samples, mas tudo é conduzido com um senso muito mais claro de direção estética. Os sintetizadores têm camadas brilhantes e texturas que frequentemente evocam um sentimento cósmico, além de uma maior presença de vocais, deixando tudo muito comprimido e plastificado. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e muito sem graça. 

Melhores Faixas: Unite Us, Better Way, Twist Of Fate 
Piores Faixas: Glimpse, Everybody, Epic Fail

Changa – PNAU





















NOTA: 6/10


Passaram-se então seis anos, e foi lançado o 5º álbum do PNAU, intitulado Changa. Após o Soft Universe, eles reaparecem com um trabalho que seria diferente dos anteriores, que muitas vezes partiam do caos em direção à forma; aqui, o processo parece invertido: as músicas já nascem estruturadas, e a experimentação atua mais como ornamentação e expansão. A produção é extremamente polida, vibrante e detalhista. Os sintetizadores são coloridos e dinâmicos, frequentemente assumindo linhas melódicas marcantes. Há uma forte presença de influências do Dance-Pop, Future House e Eurodance, traduzidas em arranjos modernos. As linhas de baixo são mais definidas e dançantes, sustentando grooves que funcionam tanto na pista quanto na escuta casual, mas muita coisa novamente soa repetitiva e sem momentos dinâmicos. O repertório até começa bem, mas depois decai com canções genéricas. No geral, é um álbum mediano e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Changes (participação do Faul & Wad), Go Bang, Chameleon 
Piores Faixas: La Grenouille, Into The Sky, In My Head

Hyperbolic – PNAU





















NOTA: 5,2/10


Então chegamos ao mais recente álbum do PNAU, lançado em 2024, o Hyperbolic. Após o Changa, o duo atingiu um novo patamar de visibilidade global, especialmente após o sucesso massivo do remix Cold Heart, com Elton John e Dua Lipa. Esse contexto é fundamental, já que esse disco não nasce mais de um grupo tentando equilibrar o underground e a música Pop; ele surge de um projeto já plenamente inserido no mainstream global. A produção, feita por Donnie Sloan, é certamente a mais polida e orientada ao mainstream. Os sintetizadores são brilhantes e expansivos, frequentemente seguindo linhas melódicas simples, mas extremamente eficazes. Há uma clara influência do Dance-Pop, com estruturas enxutas e refrões pensados para fixação rápida, e do Funky House nos momentos de groove, mas tudo soa bastante pasteurizado e sem essência. O repertório é fraco, com canções legais e outras genéricas. Em suma, é um álbum mediano e que foi um fiasco. 

Melhores Faixas: Solid Gold, Nostalgia, River (participação da Ladyhawke) 
Piores Faixas: You Know What I Need, The Hard Way, AEIOU (de novo, aquela música que tá no mais recente álbum do Empire Of The Sun)

                                                                            Então um abraço e flw!!!                   

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Analisando Discografias - Empire Of The Sun

                 

Walking On A Dream – Empire Of The Sun





















NOTA: 1,4/10


Indo para 2008, o Empire of the Sun lançava seu álbum de estreia, o Walking on a Dream. O projeto é formado pelos australianos Luke Steele (que fazia parte do The Sleepy Jackson) e Nick Littlemore (integrante do PNAU). A dupla construiu uma identidade quase mitológica, com figurinos extravagantes, referências orientais e uma aura futurista, despertando o interesse da Capitol Records. A produção foi feita pela dupla junto com Peter Mayes e Donnie Sloan, seguindo uma abordagem limpa, com base em sintetizadores exuberantes, linhas de baixo pulsantes e batidas eletrônicas polidas, organizadas em camadas amplas e etéreas. Assim, o som mistura influências de Electropop, Synth-pop e Indietronica, com os vocais de Luke soando etéreos, mas, no geral, tudo parece excessivamente comprimido e sem muita imersão. O repertório é péssimo, e as canções são bastante medíocres. Enfim, é um disco de estreia que é bem chatinho. 

Melhores Faixas: (..................................) 
Piores Faixas: Swordfish Hotkiss Night, We Are The People, Standing On The Shore, Delta Bay

Ice On The Dune – Empire Of The Sun





















NOTA: 1/10


Foi só em 2013 que eles retornaram, lançando seu 2º álbum, o Ice on the Dune. Após o Walking on a Dream e depois de a dupla focar em seus respectivos projetos, esse álbum foi mais deliberado, pensado para expandir o universo visual e sonoro da dupla. A mitologia estética da banda é ampliada: se antes havia uma aura misteriosa, aqui ela se torna mais épica e estruturada, com uma narrativa mais clara envolvendo personagens, reinos e uma espécie de fantasia sci-fi. A produção foi visivelmente mais limpa, mais brilhante e mais orientada à música pop. Há uma redução na ambiguidade sonora, com os elementos sendo mais definidos e com maior ênfase na clareza e no impacto imediato. A influência do Synth-pop continua presente, mas com uma abordagem mais alinhada ao Electropop dos anos 2010, só que tudo soa bastante repetitivo. O repertório é terrível, e as canções são bem genéricas e sem variação. No fim, é outro disco péssimo e bastante maçante. 

Melhores Faixas: (.......................) 
Piores Faixas: Old Flavours, Surround Sound, Concert Pitch, DNA, Alive

Two Vines – Empire Of The Sun





















NOTA: 1/10


Se passaram três anos até que eles retornassem com um novo disco, o Two Vines. Após o Ice on the Dune, o Empire of the Sun voltou a entrar em um período de relativo silêncio criativo. O intervalo entre os discos não foi apenas uma pausa operacional, mas também um momento em que o projeto pareceu repensar sua própria direção artística, após assinarem com a Virgin EMI. O conceito do disco parte de uma ideia futurista melancólica: um mundo em que a natureza lentamente retoma o espaço de civilizações tecnológicas decadentes. A produção segue a linha de sempre, mas de forma mais arejada e frequentemente mais minimalista em comparação ao seu antecessor. Os sintetizadores continuam centrais, mas aparecem menos saturados. No entanto, persiste o mesmo problema: tudo soa repetitivo e carece de algo mais dinâmico. O repertório é péssimo, e as canções são bastante tediosas. No final, é um álbum horroroso e sem forma. 

Melhores Faixas: (.......zzz.......) 
Piores Faixas: To Her Door, Way To Go, Friends, ZZZ, High And Low

Ask That God – Empire Of The Sun





















NOTA: 1/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o mais recente álbum do Empire of the Sun, o Ask That God. Após o Two Vines, desde 2017, Luke Steele e Nick Littlemore chegaram a acumular centenas de ideias musicais antes de selecionar o repertório final. Outro ponto essencial é o contexto emocional e conceitual: o álbum nasce após momentos de desgaste interno e até dúvidas sobre a continuidade do projeto. A produção foi feita pelo duo junto com Peter Mayes, seguindo a estética brilhante que os marcou no auge, mas agora com um acabamento técnico muito mais refinado. Os sintetizadores voltam a ocupar o centro da sonoridade, porém com maior variedade de texturas: ora cintilantes e eufóricos, dialogando mais diretamente com o Synth-pop e o Dance-Pop; ainda assim, tudo soa bastante repetitivo, principalmente por essa certa confusão atmosférica. O repertório é terrível, e as canções são bem genéricas. No geral, é mais um trabalho medíocre de um projeto sem graça. 

Melhores Faixas: (..................................) 
Piores Faixas: AEIOU, Cherry Blossom, Music On The Radio, Friends I Know, Rhapsodize


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!          

Analisando Discografias - Disclosure: Parte 2

                 

Moonlight – Disclosure





















NOTA: 7/10


Em 2018, os irmãos voltaram lançando, dessa vez, um EP intitulado Moonlight, que trazia uma temática interessante. Após o Caracal, o Disclosure estava claramente interessado em se reconectar com a funcionalidade da música de pista, mas sem abandonar o refinamento pop adquirido ao longo dos anos. Decidiram, assim, fazer algo mais direto, que relembrasse o começo da trajetória deles. A produção foi voltada a privilegiar grooves, repetição e impacto imediato. Os beats são mais secos e proeminentes, com forte influência da House music. O baixo volta a ocupar um papel central, muitas vezes conduzindo a faixa inteira com linhas elásticas e pulsantes. Os vocais continuam importantes, mas agora são tratados de forma mais funcional. O repertório contém 5 faixas muito boas e bem divertidas. Em suma, é um trabalho bacana que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Where Angels Fear To Tread, Moonlight 
Vale a Pena Ouvir: Love Can Be So Hard, Where You Come From, Funky Sensation

Ecstasy – Disclosure





















NOTA: 7/10


Se passaram dois anos e foi lançado outro EP, intitulado Ecstasy, que serviu como um aquecimento para o disco seguinte. Após o EP Moonlight, os irmãos Lawrence começaram a testar uma nova forma de se reconectar com o público: lançamentos mais espontâneos, frequentemente revelados ou até criados em tempo real via redes sociais e transmissões ao vivo. Com esse trabalho, eles iniciam um planejamento para um álbum que seria bem mais amplo e que teve um processo mais elaborado. A produção foi deliberadamente minimalista e funcional. Os elementos são poucos, mas extremamente bem escolhidos: linhas de baixo pulsantes, batidas secas e precisas, samples vocais recortados e repetidos como elementos rítmicos. O uso de loops é central; muitas faixas giram em torno de uma ideia simples que é progressivamente desenvolvida com pequenas variações. O repertório possui 5 faixas que são bastante variadas. No fim, é um trabalho bom, que gerou aquele hype. 

Melhores Faixas: Tondo, Expressing What Matters 
Vale a Pena Ouvir: Ecstasy, Etran, Get Close

Energy – Disclosure





















NOTA: 8,2/10


E, na metade de 2020, eles enfim lançaram o tão aguardado 3º álbum, o Energy. Após o EP Ecstasy, esse trabalho foi preparado ao longo de todo o ano anterior, no qual eles queriam sintetizar duas fases distintas da dupla: o refinamento Pop e o reencontro com a pista presente em seus EPs mais recentes. Outro fator relevante é a forma como o Disclosure passou a trabalhar: mais colaborativa do que nunca, com artistas de diferentes partes do mundo, sendo esse projeto lançado de forma exclusiva pela Island Records. A produção foi mais expansiva, contendo uma maior variedade de texturas e arranjos, mas sem perder o foco no groove. As batidas são construídas com precisão, muitas vezes inspiradas em padrões africanos, latinos e até do Hip-Hop, criando uma sensação de movimento constante, juntando, assim, House com UK garage. O repertório é muito bom, e as canções são bem tematizadas. Enfim, é um ótimo trabalho e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Douha (Mali Mali), Energy, Ce N'est Pas 
Vale a Pena Ouvir: My High, Reverie, Fractal (Interlude)

Alchemy – Disclosure





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o trabalho mais recente do Disclosure, o Alchemy. Após o Energy, eles optaram por algo mais interno, quase introspectivo. Esse movimento funciona como uma resposta direta à fase anterior, decidindo, então, buscar se reconectar com sua própria identidade criativa, sem depender de vozes externas para estruturar as faixas. Além disso, eles deixaram a Island Records e assinaram com a AWAL. A produção contou com nomes como Cirkut, DonnyBravo e Max Margolis, apresentando uma estética mais consistente e centrada no groove. As batidas são novamente protagonistas, com um forte retorno ao UK Garage e elementos do Funky House, mas filtrados por uma produção moderna e extremamente limpa. Os vocais se tornam mais funcionais, sendo frequentemente fragmentados ou sampleados. O repertório é agradável, com canções mais cadenciadas e envolventes. No fim, é um trabalho bastante consistente. 

Melhores Faixas: Sun Showers, We Were In Love 
Vale a Pena Ouvir: Go The Distance, Higher Than Ever Before, Brown Eyes

    

domingo, 3 de maio de 2026

Review: TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES do FBC

                     

TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES – FBC





















NOTA: 9,2/10


No feriado do dia do trabalhador, o FBC lançou seu 6º álbum, o TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES. Após o ASSALTOS E BATIDAS, esse novo trabalho é dividido em três atos e acompanha um personagem do nascimento à morte, funcionando como metáfora da experiência coletiva brasileira. A produção, feita por BAKA, Daniel Souza, Davi Horta e Pepito, aposta em uma sonoridade áspera, orgânica e, por vezes, caótica, dialogando mais com Rap Rock e Hardcore Punk, com guitarras pesadas, uma seção rítmica bastante precisa e a presença de scratches que complementam essa abordagem densa. Há também uma alternância constante entre momentos hipnóticos e explosões de energia bruta, lembrando muito Planet Hemp e Rage Against the Machine. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de profundidade e críticas políticas. No fim, é um baita disco e certamente um dos melhores do ano. 

Melhores Faixas: Bandido Bom, Guilhotina, Os Porcos Vem Aí, Homo Sacer (ótima feat do Djonga), Ódio Social, Não Vote Em Ninguém 
Vale a Pena Ouvir: Sorriso Capitalista, Tiro De Misericórdia, Lesa Pátria

                                                                           Então é isso e flw!!!             

Review: N0rth4evr do North West

                     

N0rth4evr – North West





















NOTA: 3/10


Recentemente, North West lançou seu 1º trabalho no formato de EP, intitulado N0rth4evr. Filha do Kanye (vulgo Ye), e da Kim Kardashian, ela começou a despontar em sua carreira musical aos 12 anos, após passar por alguns questionamentos por supostamente estar adultizando sua aparência. Depois dessas críticas, passou a idealizar melhor sua estética, indicando que não seguiria exatamente a mesma linha do pai, dialogando mais com tendências contemporâneas da internet. A produção, feita por ela mesma, é bastante caótica, com uma junção de elementos do Rage, Rap metal, Jersey club, Nu Metal entre outros, com forte uso de distorção, baixo pesado e vocais manipulados; a principal falha, no entanto, parece ser a falta de imersão nas bases sonoras e rimas ainda fracas. O repertório é irregular, com canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho que funciona mais como uma apresentação de uma artista com muito potencial. 

Melhores Faixas: #N0rth4evr, D!e 
Piores Faixas: W0ah, Aishite (愛して)


Analisando Discografias - Disclosure: Parte 1

                  

Settle – Disclosure





















NOTA: 9/10


Voltando para 2013, o Disclosure lançava seu álbum de estreia, o Settle, que trazia uma abordagem interessante. O duo, formado em Reigate, Surrey, na Inglaterra, pelos irmãos Guy e Howard Lawrence, começou a trajetória por volta de 2010 com a proposta de seguir um caminho mais contido e sofisticado, resgatando a sensualidade do House e a cadência quebrada do UK Garage, o que lhes rendeu um contrato com o selo independente PMR. A produção, feita pelos próprios artistas, aposta em uma abordagem que combina minimalismo estrutural com riqueza de textura. As batidas são secas e precisas, frequentemente baseadas em padrões do 2-Step, mas com um polimento moderno que evita qualquer sensação de nostalgia pura, incorporando baixos elásticos, stabs de synth curtos e vocais em destaque, evidenciando a base do chamado Deep Tech. O repertório é incrível, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um ótimo disco de estreia e muito variado. 

Melhores Faixas: Latch (um dos poucos momentos que Sam Smith mandou bem), White Noise, F For You, Confess To Me (participação da Jessie Ware), Help Me Lose My Mind, You & Me 
Vale a Pena Ouvir: Defeated No More, January, Voices

Caracal – Disclosure





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram e eles lançaram seu 2º álbum, intitulado Caracal (que capa feia). Após o Settle, o Disclosure se viu em uma posição delicada: eram, ao mesmo tempo, representantes de uma revitalização da música eletrônica britânica e agora um nome consolidado no mainstream global. Esse trabalho teve a intenção clara de expandir o som, torná-lo mais sofisticado e, sobretudo, mais vocal e colaborativo. A produção é mais polida e segue a estética do UK Bass e do House tradicional, investindo em arranjos mais densos, com maior presença de camadas, harmonias vocais e estruturas mais tradicionais da música pop. Os beats continuam limpos e precisos, mas muitas vezes são menos centrais. Além disso, os vocais ficaram bem mais centralizados, mas tudo soa bastante pasteurizado, como se fosse feito apenas para se manter nas paradas. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. No geral, é um álbum bem fraquinho e cansativo. 

Melhores Faixas: Omen (Sam Smith mandou bem de novo, MILAGRE!), Nocturnal (participação do The Weeknd), Magnets 
Piores Faixas: Superego, Jaded, Hourglass

 

Analisando Discografias - De Staat: Parte 2

                 

I_Con – De Staat





















NOTA: 9/10


Se passaram três anos e foi lançado mais um álbum do De Staat intitulado I_Con. Após o Machinery, que ainda carregava um certo caráter de “banda em formação estética”, explorando ideias sem necessariamente consolidar uma linguagem totalmente definida, esse trabalho surge como o momento em que eles começaram a cristalizar sua identidade visual e sonora de forma mais agressiva e conceitualmente coesa. A produção é mais polida e minimalista, apostando fortemente em contrastes: batidas secas e repetitivas convivem com explosões de energia controlada, criando uma sensação de tensão constante. As guitarras seguem padrões rítmicos, muitas vezes funcionando como loops, e os vocais do Torre Florim são mais performáticos, promovendo uma junção do Rock alternativo, Stoner Rock, Blues Rock e industrial. O repertório é sensacional, e as canções são bem divertidas e variadas. Enfim, é um disco bacana e pode ser considerado um clássico deles. 

Melhores Faixas: Witch Doctor, My Bad, Down Town, All Is Dull, Get It Together 
Vale a Pena Ouvir: I'll Take You, Input Source Select, Refugee

O – De Staat





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais três anos e foi lançado um novo álbum do De Staat, intitulado apenas O. Após o I_CON, a banda entra em um período de maior experimentação com identidade visual, estética digital e comunicação direta com o público, com esse título remetendo a algo simples e circular, sugerindo uma ideia de loop, ciclo, repetição e também de completude vazia. A produção é bem mais limpa e acessível. O álbum foi construído com forte foco no contraste entre minimalismo rítmico e explosões de energia. A base continua sendo o groove, mas agora mais polido, com as guitarras mais contidas, funcionando quase como elementos de textura. Os sintetizadores ganham muito mais espaço, criando ambientes sonoros que parecem artificiais e hipnóticos, estabelecendo um equilíbrio entre Rock alternativo e Post-Punk. O repertório é legalzinho, e as canções são bem densas e energéticas. Enfim, é um ótimo álbum e é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Get On Screen, Round, Blue Is Dead 
Vale a Pena Ouvir: Murder Death, Systematic Lover, Help Yourself, Time Will Get Us Too

Bubble Gum – De Staat





















NOTA: 5,6/10


Chegando ao fim da década de 2010, eles voltaram com outro disco, o Bubble Gum. Após O, que já havia expandido a sonoridade do grupo para uma estética mais Pop e direta, o De Staat entra em uma fase em que a identidade visual e musical se torna ainda mais central no processo criativo. O conceito desse trabalho é ambivalente desde o início: algo aparentemente leve, colorido e descartável, mas que esconde uma camada de artificialidade, saturação e crítica ao consumo imediato de cultura. A produção é mais limpa e agressiva, com uma abordagem que abandona parte da complexidade estrutural dos discos anteriores para apostar em blocos sonoros mais diretos e repetitivos, dialogando com Dance-Punk e Art Pop. Só que o maior problema é que muitas das estruturas soam quebradas de forma incompleta, ficando sem algo concreto. O repertório é irregular, com canções divertidas e outras arrastadas. No fim, é um álbum mediano ao qual faltou mais consistência. 

Melhores Faixas: Mona Lisa, Pikachu, Tie Me Down 
Piores Faixas: I Wrote That Code, Level Up, Kitty Kitty

Red, Yellow, Blue – De Staat





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos ao álbum mais recente deles, lançado em 2023, o Red, Yellow, Blue. Após o Bubble Gum, esse projeto surge de um processo incomum: ele reúne três EPs temáticos lançados ao longo do tempo, Red, Yellow e Blue, que posteriormente foram compilados em um único disco. Essa estrutura fragmentada reflete tanto o período da pandemia quanto uma mudança no modo de produção do De Staat, que passou a trabalhar mais com lançamentos episódicos do que com álbuns tradicionais. A produção segue uma abordagem polida, com isso o som é mais direto e “compacto” do que nos trabalhos anteriores, com forte presença de sintetizadores modernos, batidas secas e guitarras tratadas como elementos rítmicos. Os vocais do Torre continuam extremamente performáticos, mostrando que essa era a abordagem que deveriam ter seguido anteriormente. O repertório é bem legal, e as canções são todas bastante divertidas. No fim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Look At Me, Running Backwards Into The Future, Who's Gonna Be The GOAT?, Take Root, One Day 
Vale a Pena Ouvir: Peace, Love & Profit, Some Body, What Goes, Let Go


Analisando Discografias - PNAU

                  Sambanova – PNAU NOTA: 8,7/10 Em 1999, o duo australiano PNAU lançava seu álbum de estreia, o obscuro Sambanova. Formado e...