terça-feira, 2 de junho de 2026

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 1

                  

Mystic Stylez – Three-6 Mafia





















NOTA: 10/10


No ano de 1995, o Three 6 Mafia lançava seu lendário álbum de estreia, o Mystic Stylez. Formado em 1991 na caótica cidade de Memphis, no Tennessee, por DJ Paul, Juicy J e Lord Infamous, o grupo distribuiu diversas mixtapes caseiras através do circuito underground local. Sendo influenciados pelos filmes de terror dos anos 70, combinando elementos do Rap de Memphis com o Horrorcore. Posteriormente, a formação foi completada por Crunchy Black, Koopsta Knicca e Gangsta Boo. A produção, realizada pelo próprio DJ Paul e por Juicy J, utiliza baterias secas, graves distorcidos, teclados simples, sintetizadores fantasmagóricos, sinos, órgãos sombrios e samples manipulados de forma extremamente Lo-fi. O uso de hi-hats rápidos e kicks pesados, que mais tarde se tornariam uma das marcas registradas do Trap, já aparece aqui de maneira bastante evidente. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e simplesmente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Break Da Law "95", Da Summa, Mystic Styles, Now I'm Hi Pt. 3, In Da Game, Fuckin Wit Dis Click, Live By Yo Rep (Bone Dis), Gotta Touch 'em (Pt. 2) 
Vale a Pena Ouvir: Tear Da Club Up, Sweet Robbery (Pt. 2), Back Against Da Wall

The End – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, o Three 6 Mafia lançava seu 2º álbum, intitulado Chapter 1: The End. Após o clássico Mystic Stylez, a intensa circulação de fitas independentes e o crescimento da reputação do grupo como uma das forças no cenário underground, este trabalho surgiu com uma proposta mais cinematográfica. Mesmo com recursos limitados, o grupo conseguiu investir em equipamentos melhores. A produção continuou bastante suja, com linhas de baixo ainda mais pesadas, graves agressivos e estruturas que frequentemente lembram trilhas sonoras de filmes de terror. DJ Paul e Juicy J entregam performances mais orgânicas; Gangsta Boo ganha mais destaque; Crunchy Black adiciona seu caos imprevisível; Koopsta Knicca mantém sua presença espectral; e Lord Infamous continua apresentando flows imprevisíveis e assustadores. O repertório é muito bom, com canções extremamente pesadas. Enfim, é um baita disco que representa uma clara evolução. 

Melhores Faixas: Body Parts, Late Night Tip, Walk Up 2 Yo House, In-2-Deep Stomp, Destruction Terror, Gette'm Crunk, Where Da Killaz Hang 
Vale a Pena Ouvir: Where's Da Bud, Money Flow, Last Man Standing

Chpt. 2: "World Domination" – Three 6 Mafia





















NOTA: 9,8/10


Mais um ano se passou, e o grupo lançou Chpt. 2: "World Domination", e aqui teve mudanças. Após o The End, e depois de conquistar Memphis e consolidar sua reputação no underground, a ideia agora era expandir a influência do grupo para além da cena local. Ainda não se tratava de um álbum comercial no sentido tradicional, mas há uma percepção clara de que o Three 6 Mafia estava começando a enxergar possibilidades maiores. A produção ficou mais limpa e organizada; os instrumentais ainda são sombrios, mas existe uma preocupação maior com dinâmica, textura e impacto. Os graves são gigantescos, os hi-hats aparecem constantemente, enquanto os kicks pesados criam uma sensação física de impacto. Além disso, o flow de cada integrante ficou mais cadenciado e preciso. Com isso, eles continuam dialogando com o Memphis Rap e também demonstram as bases do Crunk. O repertório é incrível, com canções pesadas e até atmosféricas. No fim, é outro baita disco e um verdadeiro clássico. 

Melhores Faixas: Tear Da Club Up '97, Late Nite Tip, Are U Ready 4 Us, Anyone Out There, N 2 Deep, Hit A Muthafucka, I Ain't Cha Friend, Motivated, Who Got Dem 9's, Bodyparts 2 
Vale a Pena Ouvir: Land Of The Lost, 3-6 In The Morning, Weed Is Got Me High, Flashes

When The Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1) – Three 6 Mafia





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 2000, o Three 6 Mafia lançava mais um disco, o When the Smoke Clears (Sixty 6, Sixty 1). Após o World Domination, o grupo havia se transformado em uma das forças mais influentes do Rap sulista. A cena do sul começava a ganhar espaço nacional, com artistas como Outkast, UGK e Cash Money Records expandindo o alcance da região, e DJ Paul e companhia estavam prontos para dar um salto ainda maior. A produção ficou mais limpa e impactante. Os graves permanecem massivos, mas a sonoridade ganha uma dimensão quase cinematográfica. As baterias são enormes, os sintetizadores possuem mais espaço e tudo isso dialoga muito mais com o Crunk, sem abandonar elementos do Memphis Rap e do Horrorcore. Além disso, todos os integrantes entregam performances refinadas. O repertório é muito bom, com canções bastante envolventes, só que algumas sendo pesadas. No geral, é um ótimo disco e, certamente, o ápice deles 

Melhores Faixas: Sippin' On Some Syrup (baita feat do UGK), Weak Azz Bitch, Tongue Ring, Act Like You Know Me (Pump 'Em Out), Barrin' You Bitches, M.E.M.P.H.I.S., Where Da Cheese At 
Vale a Pena Ouvir: Who Run It, From Da Back, Fuck Y'all Hoes, Put Ya Signs
  

                                                                                  É isso, um abraço e flw!!!                       

Analisando Discografias - BeatauCue

                  

Falcon Punch – BeatauCue





















NOTA: 7/10


No ano de 2011, o BeatauCue lançou um de seus EPs, intitulado Falcon Punch, trazendo uma atmosfera variada. Formado um ano antes em Caen, na França, por Alexis Bruaert e Médéric Martin, o duo começou a ganhar notoriedade dentro da cena electro francesa graças aos seus remixes explosivos. Depois de chamar atenção com remixes para nomes como Major Lazer e Brodinski, eles foram acolhidos pela influente Kitsuné, selo que, naquele período, funcionava como uma vitrine para novos talentos da música eletrônica europeia. A produção, feita por eles mesmos, utiliza sintetizadores extremamente distorcidos, linhas de baixo pesadas, baterias comprimidas e uma estética sonora que parece estar sempre à beira do colapso. Embora a maior parte do trabalho seja orientada para o Electro House, também há influências de Breakbeat e Techno. O repertório contém 6 faixas bem divertidas. Enfim, é um ótimo EP e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Close, Cystie 
Vale a Pena Ouvir: Falcon Punch, H.O.W.L

Aeropolis – BeatauCue





















NOTA: 2,5/10


No ano de 2013, foi lançado o último projeto da dupla, intitulado Aeropolis, que não trazia tantas novidades. Após o Falcon Punch, esse trabalho surgiu em um período no qual o Electro House, que dominava o início da década, começava a dividir espaço com tendências mais influenciadas pelo Midtempo Bass, Drum and Bass, Dubstep e outras sonoridades híbridas. A produção tentou ser mais atmosférica; os sintetizadores continuam pesados, mas agora existe uma preocupação maior com texturas, profundidade espacial e dinâmica. Além disso, a dupla utiliza camadas eletrônicas extremamente detalhadas, combinando elementos de Electro e Tech House em um conjunto bastante moderno para a época. O repertório gira em torno apenas da faixa-título e, ainda assim, é bem ruim, pois os remixes são bastante confusos. No fim, é um trabalho fraco e, após isso, a dupla praticamente desapareceu. 

Melhores Faixas: Aeropolis, Sector Alpha 
Piores Faixas: Aeropolis (Slick Shoota Remix), Aeropolis (Neosignal Remix), Aeropolis (The Others Remix)

    

Review: Love + War do Kwabs

                     

Love + War – Kwabs





















NOTA: 7/10


No ano de 2015, Kwabs lançava seu único álbum até então, intitulado Love + War. O cantor, nascido em Londres, começou sua trajetória por volta de 2011, quando foi descoberto pelo programa da BBC Goldie's Band: By Royal Appointment, que buscava jovens músicos talentosos. Ele foi um dos doze artistas escolhidos para compor peças musicais para uma apresentação especial no Palácio de Buckingham. Como se destacou bastante, ganhou a oportunidade de assinar contrato com a Atlantic Records. A produção, feita pelo próprio cantor em parceria com Cass Lowe, Mark Ralph e outros colaboradores, combina Pop Soul, R&B contemporâneo e elementos de música orquestral. Os arranjos frequentemente utilizam pianos dramáticos, cordas cinematográficas, sintetizadores atmosféricos e batidas eletrônicas modernas. O repertório é interessante: há boas canções, embora algumas sejam bem fracas. Enfim, é um ótimo álbum, apesar de sua certa imprecisão. 

Melhores Faixas: Walk, Fight For Love, Perfect Ruin, Wrong Or Right, Cheating On Me 
Piores Faixas: Layback, My Own, Forgiven, Father Figure

 

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Review: Dream Chaser do Willie Nelson

                     

Dream Chaser – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E mais uma vez, o Willie Nelson retornou lançando um novo disco intitulado Dream Chaser. Após o Oh What a Beautiful World, este novo trabalho funciona como uma obra sobre permanência. Em vez de soar como alguém encerrando uma trajetória, Willie parece interessado em continuar observando o mundo, registrando emoções e transformando experiências em canções simples, mas profundamente humanas. Produção feita como sempre por Buddy Cannon, valoriza a voz envelhecida de Nelson. Em vez de esconder suas limitações atuais, Cannon as transforma em parte essencial da experiência. As melodias são simples e diretas fazendo um Country bem tradicional, permitindo que as letras ocupem o centro da narrativa. Dando sempre uma preferencia aos arranjos enxutos que tem uma predominância do violão e pedal steel. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e sentimentais. No fim, é outro ótimo trabalho do velho Willie. 

Melhores Faixas: I Can't Read Your Mind, Love Overdue 
Vale a Pena Ouvir: Wonder What I'm Gonna Do, Fly Away, We'd Make A Good Movie

                                                                                        É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Breakwater

                  

Breakwater – Breakwater





















NOTA: 7,8/10


Em 1978, o Breakwater lançava seu álbum de estreia autointitulado, no auge do Funk americano. Formado em 1971, na cidade da Filadélfia, e composto por Gene Robinson, James Gee Jones, Lincoln 'Zay' Gilmore, Steve Green, Vince 'Garnel' Dutton, Greg Scott, John 'Dutch' Braddock e Kae Williams Jr., o grupo misturava harmonias vocais suaves e grooves complexos, o que despertou o interesse da Arista Records. A produção, feita por Rick Chertoff, trouxe uma sonoridade extremamente limpa e detalhada. Os baixos possuem peso sem sufocar as demais frequências, as guitarras alternam entre riffs funkeados e texturas suaves, enquanto os teclados funcionam tanto como elemento rítmico quanto atmosférico. Os vocais vão de um lado mais animado a momentos mais suaves, dialogando com o Funk e a Soul music. O repertório é legal, tem boas canções e algumas que soam deslocadas. Enfim, é um ótimo disco de estreia e serviu mais como uma apresentação. 

Melhores Faixas: No Limit, Work It Out, Free Yourself 
Piores Faixas: That's Not What We Came Here For, Do It Till The Fluid Gets Hot

Splashdown – Breakwater





















NOTA: 8,2/10


Então, dois anos depois, o Breakwater lança seu 2º e último álbum, o Splashdown. Após o álbum de estreia, o grupo entrou nos anos 80 em um período em que praticamente todo mundo estava sendo pressionado a se adequar a uma mudança sonora para se modernizar e acompanhar as tendências. Só que eles já estavam relativamente bem adaptados; foi só necessário encaixar os sintetizadores e as texturas eletrônicas em seu som. A produção foi quase a mesma, mas continua muito bem detalhada. Os baixos seguem extremamente presentes, mas agora dialogam constantemente com sequências de sintetizadores. As baterias possuem um caráter mais preciso e mecânico em diversos momentos e, com isso, eles seguem a abordagem do Funk, mas também dialogam com Soul, Rock e Boogie. O repertório é ótimo, e as canções conseguem ser bastante divertidas. No fim, é um disco bacana, mas que foi um fracasso comercial e, após isso, eles encerraram as atividades. 

Melhores Faixas: Release The Beast, Say You Love Me Girl, Time 
Vale a Pena Ouvir: You, Love Of My Life

   

Analisando Discografias - Boards Of Canada: Parte 2

                  

Tomorrow's Harvest – Boards Of Canada





















NOTA: 8,5/10


Indo para 2013, o Boards of Canada retorna com mais um disco, o Tomorrow's Harvest. Após o The Campfire Headphase, a dupla praticamente desapareceu da esfera pública. O anúncio do álbum foi feito por meio de campanhas enigmáticas, códigos escondidos e mensagens fragmentadas espalhadas pela internet e por transmissões televisivas, algo que reforçou imediatamente o clima conspiratório do projeto. A produção foi bem cinematográfica, evocando as trilhas sonoras de filmes dos anos 70 e 80. Os sintetizadores analógicos seguem degradados, mas os timbres são muito mais secos e áridos. As baterias ficaram mais mecânicas e lentas, e as batidas parecem funcionar como pulsações distantes dentro de paisagens abandonadas, dialogando muito com a música ambiente e o Prog eletrônico. O repertório é legal, tem boas canções e algumas que parecem meio soltas. Enfim, é um ótimo álbum, que é bastante sombrio, mas que tem algumas falhas. 

Melhores Faixas: Reach For The Dead, Jacquard Causeway, Nothing Is Real, Come To Dust, Cold Earth, White Cyclosa, New Seeds 
Piores Faixas: Transmisiones Ferox, Split Your Infinities

Inferno – Boards Of Canada





















NOTA: 9,9/10


Foi apenas 13 anos depois que o Boards of Canada retornou com um novo disco, o Inferno. Após o Tomorrow's Harvest, o anúncio desse novo álbum veio acompanhado por uma campanha extremamente enigmática, envolvendo fitas VHS misteriosas enviadas para fãs, pôsteres espalhados por cidades ao redor do mundo e códigos escondidos em sites antigos ligados à dupla. E aqui eles decidiram aprofundar ainda mais os elementos esotéricos, religiosos e existenciais que já apareciam discretamente em obras anteriores. A produção foi bem cinematográfica e detalhada, com sintetizadores analógicos degradados carregados de melancolia, além da presença de manipulação de fita, guitarras processadas, drones densos, batidas hipnóticas e samples misteriosos, fundindo IDM, Downtempo, Hauntologia, Prog eletrônico e Synthwave. O repertório é sensacional, e as canções são bastante profundas e espirituais. No fim, é um baita disco e um dos melhores do ano. 

Melhores Faixas: Naraka, Deep Time, You Retreat In Time And Space, Blood In The Labyrinth, Prophecy At 1420 MHz, The Word Becomes Flesh, Into The Magic Land, Father And Son, Age Of Capricorn 
Vale a Pena Ouvir: Arena Americanada, All Reason Departs, Memory Death, The Process

   

domingo, 31 de maio de 2026

Review: Fire Arena da Ana Castela

                     

Fire Arena – Ana Castela





















NOTA: 1/10


(E lá vamos nós, de novo!) Depois de alguns meses, a Ana Castela lançou seu 2º álbum, o Fire Arena. Após o Herança Boiadeira Rodeio, ela passou a fazer uma mudança de estética visual e de direcionamento de carreira. Como a própria cantora afirmou em entrevistas, o disco representa uma versão mais madura de si mesma, explorando temas como vulnerabilidade e liberdade feminina. A produção, feita por Eduardo Godoy e Félix, foi ainda mais orientada para o Country Pop moderno, com as guitarras ganhando mais espaço e os sintetizadores tendo uma presença maior na mixagem. Só que, claro, os clichês do Agronejo e do Sertanejo universitário continuam presentes e, como sempre, os mesmos erros se repetem, ou melhor, o sistema padrão desse estilo permanece, tornando tudo bastante previsível. O repertório é péssimo, e as canções beiram o ridículo. Em suma, é um álbum terrível, que soa como mais do mesmo. 

Melhores Faixas: (..................................................................) 
Piores Faixas: Rodeio Acabou, É Bom Demais, Eu Não Vou Mudar, Hoje Tem Rodeio

                                                                             Então é isso e flw!!!              

Analisando Discografias - Three 6 Mafia: Parte 1

                   Mystic Stylez – Three-6 Mafia NOTA: 10/10 No ano de 1995, o Three 6 Mafia lançava seu lendário álbum de estreia, o Mystic...