segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Michael Kiwanuka

                 

Home Again – Michael Kiwanuka





















NOTA: 8,6/10


Em 2012, o Michael Kiwanuka lançava seu álbum de estreia, intitulado Home Again. A carreira do cantor inglês, descendente de pais ugandenses, começou em 2011, quando atuava como guitarrista de apoio, e seu talento despertou o interesse de várias gravadoras. Mas foi após ter feito parte da banda de apoio da Adele que ele assinou com a Polydor. Esse seu projeto transmite uma sensação de retorno, não necessariamente a um lugar específico, mas a uma espécie de estado emocional. A produção, feita por Paul Butler, aposta em instrumentos orgânicos, arranjos relativamente econômicos e uma sonoridade quente, evitando uma quantidade excessiva de camadas, seguindo uma abordagem da Soul Music, mas com pequenos elementos do Folk e do Country. As linhas de guitarra são bem melódicas, preservando os vocais intimistas do Michael. O repertório é muito bom, e as canções são bem sentimentais. No final, é um ótimo disco de estreia e bem decente. 

Melhores Faixas: Home Again, Rest, I'm Getting Ready, Always Waiting 
Vale a Pena Ouvir: I'll Get Along, Any Day Will Do Fine, Tell Me A Tale

Love & Hate – Michael Kiwanuka





















NOTA: 9,8/10


Quatro anos se passaram, e o Michael Kiwanuka retorna com seu sensacional 2º álbum, o Love & Hate. Após o Home Again, continua trabalhando com Soul e referências da música negra das décadas passadas, mas agora essas influências aparecem dentro de uma proposta muito mais ambiciosa e cinematográfica. O próprio título já resume boa parte da experiência do álbum. Existe uma oposição constante entre sentimentos positivos e negativos, entre esperança e desespero, pertencimento e isolamento, amor e rejeição. A produção, feita por Danger Mouse, Inflo e Paul Butler, deixou uma sonoridade mais orgânica e econômica, dialogando com a Soul progressiva e com a música psicodélica. As guitarras possuem timbres amplos, o baixo e a bateria também ganham maior presença, e as cordas são bem expansivas. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem melancólicas e atmosféricas. No fim, é um trabalho espetacular e que é um clássico. 

Melhores Faixas: Cold Little Heart, Love & Hate, Black Man In A White World, One More Night, Rule The World 
Vale a Pena Ouvir: Falling, The Final Frame, Place I Belong

Kiwanuka – Michael Kiwanuka





















NOTA: 10/10


No ano de 2019, o Michael Kiwanuka lançava seu 3º álbum, o espetacular Kiwanuka. Após o Love & Hate, o cantor chega aqui com uma visão artística mais madura. Em vez de simplesmente tentar repetir a fórmula grandiosa do último álbum, ele amplia a discussão sobre identidade, pertencimento, solidão, racismo, memória e autoconhecimento, fazendo assim um trabalho mais ambicioso, mas que chega a ser bem mais introspectivo. A produção foi feita, como sempre, por Danger Mouse e Inflo, que mantiveram aquela abordagem orgânica, mas com um pouco mais de detalhes. Cordas, guitarras, baixo, bateria, teclados, percussões, corais e efeitos são utilizados para construir uma atmosfera que pode ser simultaneamente quente, psicodélica, melancólica e grandiosa, com os vocais do Michael estando mais variados, embora em sua maioria sejam intimistas. O repertório é sensacional, parecendo uma completa coletânea. No geral, é um disco maravilhoso e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Hero, Rolling, You Ain't The Problem, Solid Ground, I've Been Dazed 
Vale a Pena Ouvir: Light, Piano Joint (This Kind Of Love), Hard To Say Goodbye

Small Changes – Michael Kiwanuka





















NOTA: 9,2/10


Então chegamos ao último álbum lançado até o momento por Michael Kiwanuka, o Small Changes, que saiu no mesmo dia que GNX, do Kendrick Lamar. Após o álbum Kiwanuka, o cantor passou por mudanças significativas em sua vida pessoal, incluindo a paternidade e a mudança para fora de Londres. Essas experiências influenciaram profundamente a direção temática e sonora deste álbum. A produção foi novamente conduzida por Danger Mouse (Brian Burton) e Inflo, que trouxeram uma abordagem mais contida e introspectiva, contrastando com os arranjos orquestrais expansivos de trabalhos anteriores. Elementos de Soul psicodélico dos anos 60 e 70 são evidentes, com ênfase em sintetizadores suaves e ritmos sofisticados que criam uma atmosfera serena e meditativa, distante das tendências da música Pop atual. O repertório é simplesmente incrível, com canções belíssimas. Enfim, é um baita disco de Soul Music de altíssima qualidade. 

Melhores Faixas: Small Changes, Floating Parade, Follow Your Dreams, Lowdown (Part i), The Rest Of Me 
Vale a Pena Ouvir: One And Only, Stay By My Side


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!            

Analisando Discografias - Fugazi: Parte 2

                  

Red Medicine – Fugazi





















NOTA: 9,8/10


Em 1995, o Fugazi lançava mais um trabalho novo, o Red Medicine, que foi um pouco mais barulhento. Após o In On The Kill Taker, a banda tinha recebido uma proposta para assinar com a Atlantic Records, vinda do próprio Ahmet Ertegun pessoalmente, mas recusou. Para esse disco, eles estavam menos interessados em demonstrar que conseguem ser agressivos e mais interessados em descobrir quantas maneiras diferentes existem de construir uma música. O Hardcore continua sendo uma referência, mas está muito mais distante da superfície. A produção deles seguiu uma abordagem mais ampla, mas continua preservando a característica física da banda. As guitarras ficaram bem mais texturizadas, o baixo é bastante preciso e a bateria ficou bem mais física, enquanto os vocais do Ian e do Guy alternam entre agressivos e mais emocionais. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem energéticas e dissonantes. No fim, é outro belo disco, carregado de urgência. 

Melhores Faixas: Bed For The Scraping, By You, Do You Like Me, Forensic Scene, Latest Disgrace, Back To Base, Birthday Pony 
Vale a Pena Ouvir: Fell, Long Distance Runner, Downed City, Destroyed

End Hits – Fugazi





















NOTA: 9,5/10


Três anos se passaram, para a banda lançar seu 5º álbum, o End Hits, que foi para um caminho diferente. Após o Red Medicine, esse novo trabalho funciona mais como uma continuação natural daquele processo de transformação, só que com uma banda ainda mais confortável em explorar diferentes possibilidades dentro de uma mesma composição. O resultado é um disco que pode parecer menos imediatamente explosivo do que os anteriores, mas que recompensa bastante quando se presta atenção à interação entre os quatro integrantes. A produção foi bem mais experimental e cheia de detalhes, juntando Post-Hardcore e Art Punk. As guitarras variam entre momentos abertos e mais agressivos, o baixo possui bastante groove, a bateria ficou mais variadas e os vocais estão mais energéticos e viscerais. O repertório é incrível, e as canções são mais complexas, mas muito agressivas. Enfim, é um baita disco e que consegue ser bem dinâmico. 

Melhores Faixas: Break, Place Position, Five Corporations, No Surprise, Caustic Acrostic 
Vale a Pena Ouvir: Pink Frosty, Floating Boy, Closed Captioned

The Argument – Fugazi





















NOTA: 10/10


Então chegamos em 2001, quando o Fugazi lançava seu 6º álbum, o The Argument. Após o End Hits, a banda parece menos preocupada em demonstrar força e mais interessada em construir músicas com diferentes camadas de tensão e textura. Outro aspecto importante é que existe uma sensação de renovação dentro do próprio grupo, com eles colocando instrumentos e arranjos que ampliam consideravelmente o som, incluindo maior presença de elementos percussivos, piano, metais e outras texturas. A produção, feita junto com Don Zientara, foi muito bem detalhada e ousada, juntando não só o Post-Hardcore, como também elementos do Indie Rock daquele período. As guitarras variam entre momentos ásperos e pesados, o baixo é bastante condutor, a bateria continua dinâmica e os vocais do Ian e do Guy ficaram mais controlados. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. No final, é um dos melhores álbuns de todos os tempos e, após isso, a banda acabou. 

Melhores Faixas: Cashout, Argument, Epic Problem, Full Disclosure, Strangelight, Life And Limb 
Vale a Pena Ouvir: Nightshop, Ex-Spectator, The Kill

    

domingo, 4 de outubro de 2026

Analisando Discografias - Fugazi: Parte 1

                 

13 Songs – Fugazi





















NOTA: 9/10


No ano de 1989, foi lançada uma coletânea de uma banda chamada Fugazi, intitulada 13 Songs. Ian MacKaye, que já tinha sido um nome fundamental para a cultura Straight Edge e para o nascimento do Emo, decidiu formar uma nova banda ao lado de Joe Lally (baixo) e Brendan Canty (bateria), inicialmente com uma formação que ainda passaria por mudanças até a entrada definitiva do Guy Picciotto. Com isso, podemos dizer que o Embrace e o Rites Of Spring se unificaram e se tornaram essa nova banda. A produção do Ted Niceley e John Loder preservou essa abordagem crua e pesada. As guitarras do Ian e Guy dialogam com riffs secos, acordes e pequenas respostas, além de seus vocais, que são muito bem divididos. O baixo coloca muito peso, e a bateria é bastante dinâmica, formando assim as bases do Post-Hardcore. O repertório é sensacional, e as canções são bem energéticas e carregadas de crítica social. No fim, essa unificação dos dois primeiros EPs funcionou bem. 

Melhores Faixas: Waiting Room, Bad Mouth, Suggestion, Give Me The Cure, And The Same, Promises, Bulldog Front 
Vale a Pena Ouvir: Burning Too, Glue Man, Provisional

Repeater – Fugazi





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Fugazi lançava seu clássico álbum de estreia, o Repeater. Após o 13 Songs, a banda já sabia exatamente como utilizar seus instrumentos e, principalmente, já entendia que não precisava acelerar para transmitir peso. A agressividade já estava estabelecida. Agora eles podiam experimentar com ela, podendo deixar um riff se repetir, reduzir a velocidade, criar espaços ou mudar completamente a dinâmica de uma música. A produção, feita junto com Ted Niceley (lembrando que todos esses lançamentos comentados foram lançados pelo selo da Dischord), apresenta uma abordagem bastante pesada e visceral dentro do Post-Hardcore. O baixo é o condutor de tudo, as guitarras são muito bem desenvolvidas, a bateria continua extremamente dinâmica, e os vocais do Ian e do Guy alternam entre confronto e urgência. O repertório é maravilhoso, sendo praticamente uma coletânea. No final, é um disco sensacional e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Turnover, Repeater, Blueprint, Shut The Door, Merchandise, Sieve-Fisted Find 
Vale a Pena Ouvir: Reprovisional, Styrofoam, Greed

Steady Diet Of Nothing – Fugazi





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, o Fugazi lançava seu 2º álbum de estúdio, o Steady Diet Of Nothing. Após o Repeater, eles decidiram fazer um disco mais paciente, mais contido em vários momentos e mais interessado em trabalhar com tensão. A banda parece menos preocupada em apresentar riffs memoráveis e mais interessada em construir atmosferas, padrões rítmicos e estruturas que vão se revelando aos poucos. A produção seguiu um caminho orgânico, mas que não abre mão do peso. O baixo cria linhas independentes que ajudam a determinar o movimento da composição. A bateria tem bastante precisão, principalmente nas mudanças de ritmo. Enquanto as guitarras do Ian e do Guy conseguem criar tensão e contrastes, fora, é claro, seus vocais, que estão mais melódicos, mas não deixam de lado aquela urgência. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais profundas e carregadas de comentários políticos. Enfim, é um ótimo disco, mas que é, de certo modo, o mais fraco. 

Melhores Faixas: Exit Only, Long Division, Reclamation, Nice New Outfit, KYEO 
Vale a Pena Ouvir: Polish, Stacks, Runaway Return

In On The Kill Taker – Fugazi





















NOTA: 9,9/10


Passaram-se então dois anos para o Fugazi lançar seu 3º disco, o In On The Kill Taker. Após o Steady Diet Of Nothing, a banda decidiu buscar um som bem mais áspero, dissonante e, em vários momentos, menos imediatamente acessível. A banda continua utilizando grooves e estruturas relativamente simples, mas passa a explorar muito mais o desconforto produzido pela combinação entre ruído, mudanças bruscas e riffs que parecem deliberadamente tortos. A produção foi feita inicialmente por Steve Albini, mas as gravações não agradaram à banda. Com isso, decidiram regravar junto com Ted Niceley, buscando um som mais agressivo dentro dos padrões do Post-Hardcore, além de incorporar elementos do Noise Rock. As guitarras ficaram mais angulares, a cozinha rítmica é muito precisa, e os vocais do Ian e do Guy continuam muito bem alternados. O repertório é incrível, e as canções são todas bem pesadas. No final de tudo, é um disco sensacional e outro clássico. 

Melhores Faixas: Public Witness Program, Facet Squared, Rend It, Instrument, Smallpox Champion, Returning The Screw 
Vale a Pena Ouvir: Great Cop, Cassavetes, 23 Beats Off, Sweet And Low


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!             

Review: Álbum Autointitulado do Embrace

                  

Embrace – Embrace





















NOTA: 10/10


No ano de 1987, o Embrace lançava também seu único álbum de estúdio autointitulado. Formado dois anos antes, Ian MacKaye vinha de uma experiência fundamental com o Minor Threat, enquanto Mike Hampton (guitarra), Chris Bald (baixo) e Ivor Hanson (bateria) também estavam envolvidos e ligados àquele circuito. Só que a banda não parecia interessada em simplesmente repetir a mesma coisa. A proposta aqui é muito mais introspectiva, tensa e emocional. A produção preservou aquela abordagem completamente crua e com aquela vibe do DIY, seguindo a proposta do Emocore. As guitarras possuem bastante trabalho com acordes, pequenas mudanças de textura e repetições que criam tensão. A cozinha rítmica é bem movimentada, e os vocais do Ian ficaram mais rasgados e bem performáticos. O repertório é sensacional, parecendo também uma verdadeira coletânea. No final de tudo, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Building, Give Me Back, Dance Of Days, Money, No More Pain, Spoke, Past
Vale a Pena Ouvir: I Wish I, Last Song, Do Not Consider Yourself Free

  

Review: Álbum Autointitulado do Rites Of Spring

                  

Rites Of Spring – Rites Of Spring





















NOTA: 10/10


No ano de 1985, foi lançado o único álbum do Rites Of Spring, que trazia uma proposta diferente. A banda foi formada no ano do fim do Minor Threat e também vinha daquela mesma cena Hardcore de Washington. Era composta por Guy Picciotto nas guitarras e vocais, Edward Janney na guitarra, Mike Fellows no baixo e Brendan Canty na bateria. Eles traziam aquela abordagem rápida e veloz, mas havia uma preocupação muito maior com dinâmica e melodia. A produção, feita curiosamente pelo Ian MacKaye, trouxe uma abordagem crua e cheia de contrastes. As guitarras do Guy e do Edward conseguem ser ásperas e agressivas, mas também carregam melodias e progressões que dão identidade própria às músicas. O baixo do Mike é muito direto, e a bateria do Brendan é bem variada, além dos vocais emocionais, que também mostram as bases do Emocore. O repertório é sensacional, é praticamente uma coletânea. Enfim, é um baita disco e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: For Want Of, Spring, Drink Deep, Theme, Remainder, End On End, Deeper Than Inside 
Vale a Pena Ouvir: Al There Is, Nudes, Persistent Vision

  

Analisando Discografias - Minor Threat

                  

Minor Threat – Minor Threat





















NOTA: 9,8/10


Em 1981, o Minor Threat lançava seu 1º EP autointitulado, que trazia uma abordagem diferenciada. Formado um ano antes em Washington, D.C., por Ian MacKaye nos vocais, Lyle Preslar na guitarra, Brian Baker no baixo e Jeff Nelson na bateria, o grupo tinha uma proposta que não era simplesmente tocar Punk mais rápido: havia uma vontade de eliminar tudo aquilo que parecia desnecessário dentro de uma música de Rock e transformar a intensidade em algo quase físico. A produção, feita por eles mesmos, trazia uma sonoridade crua e direta, que seguia a temática do Hardcore Punk. As guitarras do Preslar possuem uma sonoridade áspera, com riffs simples na construção, mas muito eficientes na maneira como são executados. O baixo do Baker possui peso, assim como a bateria do Jeff, e os vocais do Ian são extremamente urgentes. O repertório é maravilhoso, e as canções são reflexivas e muito aceleradas. No final de tudo, é um baita trabalho e um clássico extremamente eficiente. 

Melhores Faixas: Filler, Minor Threat, Straight Edge, I Don't Wanna Hear It 
Vale a Pena Ouvir: Bottled Violence, Seeing Red

In My Eyes – Minor Threat





















NOTA: 8,7/10


Naquele mesmo ano, eles lançaram seu 2º EP, intitulado In My Eyes, que ampliou ainda mais os caminhos. Após o EP de estreia, a banda quis, nessa continuação, mostrar estar mais segura. A identidade já estava estabelecida. O desafio passou a ser fazer músicas igualmente agressivas, mas com riffs e estruturas que tivessem personalidade suficiente para não parecerem apenas uma repetição do primeiro trabalho. A produção seguiu aquela abordagem crua, orientada para o Hardcore Punk. Só que agora as guitarras possuem riffs com distorção suficiente para criar peso, mas continuam muito definidos. O baixo ficou muito mais encorpado, e a bateria possui viradas rápidas, enquanto as batidas principais mantêm as músicas avançando constantemente. Os vocais do Ian MacKaye ficaram mais ásperos e ganharam ainda mais urgência. O repertório contém 4 faixas explosivas e carregadas de peso. No final, é um ótimo trabalho que complementou bem. 

Melhores Faixas: In My Eyes, Steppin' Stone 
Vale a Pena Ouvir: Guilty Of Being White, Out Of Step

Out Of Step – Minor Threat





















NOTA: 9,1/10


Então chega o ano de 1983, quando a banda lança seu último EP, intitulado Out Of Step. Após o In My Eyes, o Minor Threat incluiu Steve Hansgen como baixista, e Brian Baker passou a ser o segundo guitarrista. Para esse trabalho, eles passam a saber como utilizar aquela intensidade para construir músicas que tenham mais personalidade e diferentes atmosferas. Isso faz com que o EP seja menos dependente da velocidade constante do que os primeiros trabalhos. A produção, feita junto com Don Zientara, é mais pesada e relativamente mais encorpada. A guitarra possui uma presença muito forte, e a existência de duas guitarras ajuda a preencher melhor o espaço sonoro. A cozinha rítmica é muito bem movimentada, e os vocais do Ian MacKaye são bem versáteis. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas e, ao mesmo tempo, energéticas. No fim, é um baita EP e, infelizmente, por divergências musicais, a banda acabou. 

Melhores Faixas: Betray, Look Back & Laugh, Cashing In, Think Again, Little Friend 
Vale a Pena Ouvir: Sob Story, It Follows

   

sábado, 3 de outubro de 2026

Review: Álbum Autointitulado do Agridoce

                   

Agridoce – Agridoce





















NOTA: 8/10


Voltando para 2011, a Pitty e Martin Mendonça formaram um projeto chamado Agridoce, lançando o álbum de mesmo nome. Esse projeto surgiu um ano antes, quando os dois passaram a tocar juntos de maneira despretensiosa, sem a intenção inicial de transformar aquelas músicas em um projeto oficial. A própria dupla tratava o projeto inicialmente como uma espécie de brincadeira. Só que, com o tempo, isso passou a ser tratado como algo sério, e decidiram então lançar um disco. A produção foi feita por Rafael Ramos, que deixou um som limpo e que preserva todo esse estilo intimista, que dialoga com Indie Folk e Chamber Folk. Os violões estão sempre no centro e são complementados pelo uso de bandolim, ukulele, arranjos de cordas e claro, os vocais da Pitty conseguindo contribuir para um caráter mais suave. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. No fim, é um ótimo disco, e é uma pena que tenha durado pouco tempo. 

Melhores Faixas: Dançando, Upside Down 
Vale a Pena Ouvir: 20 Passos, Epílogos, 130 Anos
 

                                                                                        É isso, então flw!!!            

Analisando Discografias - Pitty

                 

Admirável Chip Novo – Pitty





















NOTA: 10/10


No ano de 2003, a Pitty lançava seu álbum de estreia, o clássico Admirável Chip Novo. A cantora iniciou sua carreira em 1998, quando se tornou vocalista da banda Ikoma, que acabou não durando muito tempo. Mas, mesmo assim, ela continuou gravando algumas composições e, assim, um produtor chamado Rafael Ramos perguntou se ela ainda tinha gravado algum material. Ela mandou, achando que não ia dar em nada, só que ele gostou e deu aval para que ela pudesse assinar com a Deckdisc. A produção, feita pelo próprio Ramos, deixou um som pesado, mas, ao mesmo tempo, acessível, que dialogava com Post-Grunge, Rock Alternativo e Hard Rock. As guitarras do Peu Sousa são bem marcantes, o baixo do Dunga é bem preciso e a bateria do Duda Machado é muito impactante, enquanto os vocais da Pitty são muito bem alternados. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco de estreia e um clássico da música brasileira. 

Melhores Faixas: Equalize, Admirável Chip Novo, Teto De Vidro, Do Mesmo Lado, Máscara
Vale a Pena Ouvir: Semana Que Vem, Temporal, O Lobo

Anacrônico – Pitty





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, a Pitty lançava seu 2º álbum de estúdio, o também sensacional Anacrônico. Após o Admirável Chip Novo, o guitarrista Peu Sousa acabou saindo e entrou Martin Mendonça. Esse novo trabalho meio que ampliou as características do seu anterior, só que agora a abordagem é menos concentrada na ideia de controle e padronização e passa a incorporar conflitos internos, relacionamentos, violência, guerra e busca por identidade. A produção, feita mais uma vez por Rafael Ramos, deixou uma abordagem ainda mais agressiva e direta, juntando Rock Alternativo e Metal Alternativo com elementos do Post-Hardcore, Post-Grunge, Nu Metal e Stoner Rock. As guitarras ficaram mais agressivas, com riffs secos, o baixo é bastante grosso e a bateria é bastante pesada, fora que os vocais da Pitty estão bem mais agressivos. O repertório é maravilhoso, e as canções são muito profundas e urgentes. Enfim, é um baita disco e também é um clássico. 

Melhores Faixas: Na Sua Estante, Déjà Vu, Brinquedo Torto, Anacrônico, Memórias, No Escuro, De Você 
Vale a Pena Ouvir: A Saideira, Quem Vai Queimar?, Ignorin'U, Guerreiros São Guerreiros

Chiaroscuro – Pitty





















NOTA: 8,6/10


No ano de 2009, a Pitty lançava mais um álbum de estúdio, intitulado Chiaroscuro. Após o Anacrônico, a banda continuava trabalhando e fazendo shows, mas isso também serviu para que Pitty e os músicos chegassem a um momento diferente artisticamente. Ela explicou que o novo disco seria mais experimental e que havia uma vontade explícita de caminhar por outros terrenos musicais. A produção seguiu um som mais dinâmico e que não tira aquela acessibilidade. A guitarra continua sendo extremamente importante, variando entre momentos pesados e outros em que serve como textura. O baixo ficou muito mais sustentável, e a bateria ficou mais encorpada e contando com muita variação. Já os vocais da Pitty alternam entre momentos contidos e outros mais expressivos. O repertório é bom, tendo canções divertidas, mas com algumas esquisitas. Enfim, é um álbum legal, mas que é o mais fraco de sua carreira. 

Melhores Faixas: Me Adora, Medo, Só Agora, Fracasso, Todos Estão Mudos 
Piores Faixas: Rato Na Roda, A Sombra

Setevidas – Pitty





















NOTA: 9/10


Cinco anos depois, a Pitty retornava com outro álbum, o subestimadíssimo Setevidas. Após o Chiaroscuro, a cantora fez alguns trabalhos esporádicos, como o projeto Agridoce, ao lado de Martin Mendonça, explorando uma sonoridade muito mais acústica e psicodélica. Esse novo trabalho foi marcado por perdas e problemas que acabaram influenciando o processo de composição, além da entrada do baixista Guilherme Almeida no lugar de Joe Gomes, que, dois anos antes, tinha processado a cantora. A produção seguiu uma abordagem mais orgânica e visceral, que junta Rock Alternativo com elementos do Stoner Rock e Hard Rock. A guitarra passou a ter mais distorção e a fazer uso de reverbs, o baixo ficou mais conciso e a bateria, mais firme. Fora isso, a Pitty faz uso de teclados que preenchem os espaços, além, é claro, de seu vocal bem expressivo. O repertório é incrível, e as canções são todas bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: Olho Calmo, Deixa Ela Entrar, Boca Aberta, Serpente, Pequena Morte 
Vale a Pena Ouvir: Setevidas, Um Leão, Pouco

Matriz – Pitty





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2019, quando ela lançou seu mais recente álbum, intitulado Matriz. Após o Setevidas, a Pitty, depois de passar por toda aquela confusão com sua dublagem em Mortal Kombat X, decidiu fazer um trabalho um pouco mais diferenciado, já que começou a apresentar músicas e ideias durante a estrada e foi percebendo, através dessa experiência, que havia um conceito maior surgindo. Assim, fez um disco que juntava o som característico dela com a temática da cultura baiana. A produção seguiu uma abordagem moderna e, ao mesmo tempo, ampla, juntando Rock Alternativo com elementos do Dub, Reggae e um pouco de Hard Rock. Com isso, as guitarras ficaram mais econômicas, a cozinha rítmica ficou mais orientada ao groove, muito por conta do uso de percussão, e os vocais da Pitty ficaram mais variados. O repertório é muito bom, e as canções são envolventes e, em alguns momentos, cadenciadas. Enfim, é um disco bacana e que foi muito subestimado. 

Melhores Faixas: Noite Inteira, Roda (participação do BaianaSystem), Sol Quadrado, Redimir
Vale a Pena Ouvir: Bahia Blues, Te Conecta, Motor, Ninguém É De Ninguém

   

Analisando Discografias - Michael Kiwanuka

                  Home Again – Michael Kiwanuka NOTA: 8,6/10 Em 2012, o Michael Kiwanuka lançava seu álbum de estreia, intitulado Home Again...