sábado, 25 de julho de 2026

Analisando Discografias - Turnover

                 

Turnover – Turnover





















NOTA: 7/10


Em 2011, o Turnover lançava seu 1º trabalho no formato de EP, trazendo algo interessante. Formado em 2009, na cidade de Virginia Beach, pelos irmãos Austin Getz (vocais e guitarras) e Casey Getz (bateria), além de Daniel Dempsey (baixo), Alex Dimaiuat (guitarra) e Kyle Kojan (guitarra), eles surgem em meio à cena underground do Pop Punk e do Emo Revival, que estava em ebulição, revisitando temas como angústia adolescente, relacionamentos fracassados e frustrações pessoais. A produção, feita por Michael Bridgett, trouxe um som cru. As guitarras têm uma distorção marcante e riffs pesados, o baixo acompanha a base de maneira eficiente, a bateria é bastante explosiva e consistente, e os vocais de Austin aparecem levemente comprimidos e carregados de emoção, privilegiando a entrega emocional acima da técnica. O repertório é muito bom, contendo cinco faixas bastante imersivas. Enfim, é um ótimo EP e mostrou um caminho promissor para a banda. 

Melhores Faixas: Time, Sasha 
Vale a Pena Ouvir: Solitude, Waiting, Sleepless Night

Magnolia – Turnover





















NOTA: 9,4/10


Dois anos depois, o Turnover lançou seu álbum de estreia, o belíssimo Magnolia. Após o lançamento do EP, a banda passou por algumas mudanças, como a saída do guitarrista Alex Dimaiuat e a mudança para o selo independente Run for Cover. Aqui, eles apresentam um projeto que incorpora momentos mais melódicos, introspectivos e emocionalmente complexos. A produção, feita por Will Yip, trouxe um som mais orgânico, mas sem abrir mão da crueza. As guitarras mantêm aquela distorção característica, só que agora também possuem linhas melódicas. O baixo é bem consistente, a bateria é bastante variada, sendo explosiva em alguns momentos, utilizando viradas discretas e mudanças de intensidade, e os vocais de Austin são bem melódicos e expressivos, dialogando com o Emo, Pop Punk e o Post-Hardcore. O repertório é sensacional, e as canções são bastante profundas e sentimentais. No geral, é um baita disco de estreia e muito consistente. 

Melhores Faixas: Most Of The Time, Seedwong, Shiver, To The Bottom, Hollow, Bloom 
Vale a Pena Ouvir: Like A Whisper, Wither, Daydreaming

Peripheral Vision – Turnover





















NOTA: 10/10


Em 2015, o Turnover surgiu com seu clássico e sensacional 2º álbum, o Peripheral Vision. Após o Magnolia, o guitarrista Kyle Kojan acabou saindo da banda e, em seu lugar, entrou Eric Soucy, que havia segurado as pontas para o grupo durante as turnês. Para esse trabalho, eles decidiram abandonar o universo do Pop Punk e do Emo, partindo para uma sonoridade mais orientada ao Indie, relembrando muito a sonoridade dos anos 80 e 90. A produção, feita novamente pelo painho (Will Yip), trouxe uma sonoridade profundamente imersiva. As guitarras possuem arpejos cristalinos, acordes abertos e inúmeras camadas de efeitos, como chorus, delay, reverb e modulações sutis. O baixo é bem mais melódico, a bateria ficou mais dinâmica e os vocais do Austin são mais suaves, dialogando com o Dream Pop, Indie Rock, além de trazer traços do Jangle Pop e Post-Punk. O repertório é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco incrível e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Cutting My Fingers Off, Dizzy On The Comedown, Humming, New Scream, Like Slow Disappearing, Take My Head, Hello Euphoria 
Vale a Pena Ouvir: I Would Hate You If I Could, Diazepam

Good Nature – Turnover





















NOTA: 8,9/10


Dois anos se passaram, e a banda lançou seu 3º álbum, o Good Nature, que trouxe algumas novidades. Após o clássico Peripheral Vision, o Turnover abandonou parte da tristeza e da introspecção que definiam seu antecessor para apresentar um trabalho muito mais relaxado e otimista. As letras refletem essa mudança de perspectiva. Austin Getz passa a escrever sobre amadurecimento, paz interior, amor, natureza, contemplação e a tentativa de encontrar equilíbrio diante das dificuldades da vida. A produção é bem mais sofisticada, trazendo um som leve. As guitarras têm timbres cristalinos, utilizando chorus, delay e reverb de maneira bastante controlada. A cozinha rítmica é bem mais econômica, sustentando a dinâmica, enquanto os vocais do Austin Getz são mais relaxados. Com isso, temos uma junção do Dream Pop, Indie Pop e traços do Indie Surf. O repertório é ótimo, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um disco bacana e muito aconchegante. 

Melhores Faixas: Sunshine Type, Super Natural, Nightlight Girl, Bonnie (Rhythm & Melody), Breeze 
Vale a Pena Ouvir: Pure Devotion, Curiosity, Living Small

Altogether – Turnover





















NOTA: 8,5/10


Perto do fim da década de 2010, o Turnover lançou o controverso Altogether, que foi mais radical. Após o Good Nature, o guitarrista Eric Soucy acabou sendo demitido da banda, segundo ele, por abuso emocional e, em seu lugar, entrou Nick Rayfield, que, naquele momento, permaneceu apenas como músico de turnê. Para esse projeto, em vez de reforçar as guitarras atmosféricas, eles passaram a privilegiar teclados e grooves mais suaves. A produção ficou bem mais elegante e delicada, com as guitarras servindo muito mais como complemento dos teclados e sintetizadores, que ganharam maior destaque. O baixo tem mais liberdade, com linhas melódicas, a bateria é mais econômica e sofisticada, e os vocais do Austin são suaves, mas agora recebem harmonias ainda mais elaboradas. Com isso, temos elementos mais voltados ao Indie Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais intimistas. Enfim, é um ótimo álbum e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Much After Feeling, Still In Motion, Plant Sugar, Valley Of The Moon 
Vale a Pena Ouvir: No Reply, Number On The Gate, Sending Me Right Back

Myself In The Way – Turnover





















NOTA: 3/10


Indo para 2022, a banda voltou com um novo disco, intitulado Myself In The Way. Após o Altogether, o Turnover assume definitivamente uma postura voltada para a experimentação. O foco deixa de estar apenas nas guitarras atmosféricas e passa a incluir sintetizadores, linhas de baixo mais elaboradas e uma abordagem rítmica muito mais sofisticada. A produção, novamente de Will Yip, ficou bem mais refinada e, de certo modo, mais acessível. Aqui, os sintetizadores são constantes, as guitarras novamente servem como complemento e o baixo ficou mais orientado ao groove. O problema é que eles fizeram um trabalho de Pop sofisticado e psicodelia, com traços do Yacht Rock e Boogie, que não funciona. Isso porque as batidas 4/4 são recicladas e os vocais do Austin são processados de forma esquisita. O repertório é muito ruim, com canções sem graça e poucas que são realmente interessantes. Enfim, é um álbum péssimo e uma mancha podre na trajetória deles. 

Melhores Faixas: Myself In The Way, Mountains Made Of Clouds, Ain't Love Heavy 
Piores Faixas: Fantasy, Wait Too Long, Queen In The River, Pleasures Galore

Down On Earth – Turnover





















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2026, quando o Turnover lança seu mais recente álbum, o Down on Earth. Após o Myself In The Way, a banda acabou deixando a Run for Cover e firmou um contrato com a Community, subsidiária da Vagrant Records. Para esse projeto, volta a colocar as guitarras em evidência, sem abandonar completamente as experiências acumuladas ao longo da segunda metade de sua carreira. A produção, feita agora por Zac Montez, decidiu equilibrar clareza com uma sonoridade atmosférica, juntando Indie Rock com influências claras de Post-Punk e Dream Pop. As guitarras possuem timbres extremamente limpos, utilizando chorus, reverb e delay de forma bastante elegante. A cozinha rítmica ficou mais orgânica, só que soa muito imprecisa em determinados momentos. Agora, os vocais do Austin são irregulares, já que parecem ter sido gravados dentro de um aquário. O repertório é irregular: há canções legais, mas outras são bem fracas. Enfim, é um álbum mediano e inconsistente. 

Melhores Faixas: Nightjar, I See You And Realize, Little Bees Don't Bite 
Piores Faixas: Wheelie For No One, I’m Up, I’m Up, Pieces

                                                                                    Então é só e flw!!!     

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Analisando Discografias - Britney Spears

                 

Oops!...I Did It Again – Britney Spears





















NOTA: 5/10


Voltando para os anos 2000, Britney Spears lançava seu 2º disco, intitulado Oops!... I Did It Again. Após o ...Baby One More Time, a cantora passou a representar uma nova geração de artistas adolescentes no final dos anos 90. A estratégia da Jive Records (ou melhor, da Sony) foi manter a essência Teen Pop de seu debut, mas com uma produção mais sofisticada, interpretações vocais mais confiantes e um repertório ligeiramente mais maduro. A produção, feita por Max Martin, Rami Yacoub, Rodney Jerkins, entre outros, seguiu a estética daquele Pop adolescente da época, combinando melodias extremamente acessíveis, sintetizadores brilhantes, guitarras discretas, linhas de baixo simples e batidas eletrônicas limpas. Só que tudo acaba sendo muito repetitivo, o que prejudica bastante a performance da Britney, que mostrou uma evolução. O repertório começa bem, mas depois decai drasticamente. Enfim, é um álbum mediano que acabou ficando muito comprimido. 

Melhores Faixas: Oops!...I Did It Again, Lucky, Stronger, When Your Eyes Say It 
Piores Faixas: Can't Make You Love Me, (I Can't Get No) Satisfaction, Where Are You Now, Don't Let Me Be The Last To Know

Britney – Britney Spears





















NOTA: 6/10


No ano seguinte, ela voltou lançando seu 3º álbum, intitulado apenas como Britney. Após o Oops!... I Did It Again, Britney e sua equipe perceberam que seria necessário iniciar uma transição para uma fase mais madura, acompanhando tanto o crescimento da artista quanto o de seu público. Embora ainda mantenha elementos do Pop comercial que a tornou famosa, o álbum demonstra maior diversidade sonora. A produção, feita por Max Martin, Rami Yacoub, The Neptunes, entre outros, ainda segue aquela estética do Teen Pop, mas agora implementa elementos do R&B contemporâneo, Dance-Pop e Electropop. Os sintetizadores são mais presentes, as linhas de baixo são mais marcantes, as baterias eletrônicas mais pesadas e os arranjos bastante detalhados. Mas, ainda assim, há muita coisa que soa reciclada e, às vezes, imprecisa. O repertório é mediano: tem canções legais e outras medíocres. No geral, é um álbum irregular, e já estava na hora de uma mudança. 

Melhores Faixas: I'm A Slave 4 U, Overprotected, Let Me Be, Bombastic Love 
Piores Faixas: Lonely, I'm Not A Girl, Not Yet A Woman, I Love Rock 'N' Roll, Boys

In The Zone – Britney Spears





















NOTA: 9,2/10


Dois anos se passaram, e Britney Spears lançou mais um álbum, o interessante In the Zone. Após o álbum de 2001, Britney passou por mudanças pessoais e profissionais importantes. Ela fez uma pausa após anos de trabalho praticamente ininterrupto, aproveitando esse período para participar mais ativamente do desenvolvimento de seu próximo álbum. Com isso, decidiu largar aquela imagem de "princesinha do Teen Pop" e fazer algo mais estruturado. A produção contou com Mark Taylor, Trixster, Bloodshy & Avant, entre outros, que fizeram uma mistura de Dance-Pop e R&B contemporâneo com traços de Trip Hop, Electropop e Hip-Hop/Rap. Com isso, os sintetizadores ocupam praticamente todo o espaço instrumental. As baterias eletrônicas são muito mais detalhadas, enquanto os vocais processados e as texturas eletrônicas aparecem constantemente. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas e dinâmicas. Enfim, é um belo disco, muito coeso. 

Melhores Faixas: Toxic, Breathe On Me, Everytime, Outrageous, Brave New Girl 
Vale a Pena Ouvir: Me Against The Music (participação da Madonna), Shadow

Blackout – Britney Spears





















NOTA: 10/10


Em 2007, Britney Spears lançava seu clássico e atemporal 5º álbum de estúdio, o Blackout. Após o In the Zone, Britney entrou em um dos períodos mais turbulentos de sua vida pessoal, já que sua rotina foi marcada pelo casamento-relâmpago em Las Vegas, pelo relacionamento e posterior divórcio do Kevin Federline, pelo nascimento de seus dois filhos, por disputas judiciais pela guarda das crianças e por uma perseguição incessante da imprensa. Nesse meio-tempo, a cantora preparava um trabalho mais focado nas pistas de dança. A produção, feita por Bloodshy & Avant, The Clutch, entre outros, trouxe uma sonoridade do Electropop muito mais pesada e experimental. Os sintetizadores são constantes, com graves profundos, baterias eletrônicas secas, ruídos processados, linhas de baixo pulsantes e vocais com uso certeiro de vocoder e Auto-Tune. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Gimme More, Break The Ice, Piece Of Me, Get Naked (I Got A Plan), Heaven On Earth 
Vale a Pena Ouvir: Radar, Why Should I Be Sad Freakshow

Circus – Britney Spears





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, Britney Spears lançava outro álbum, intitulado Circus, que tentou ser algo bem mais acessível. Após o clássico Blackout, infelizmente seus problemas pessoais culminaram na perda temporária da guarda dos filhos, em internações psiquiátricas e, no início de 2008, no estabelecimento da tutela judicial que colocaria sua vida pessoal e profissional sob o controle de terceiros. E, para piorar, a gravadora decidiu acelerar a produção de um novo álbum para que a cantora continuasse no topo das paradas. A produção contou novamente com Max Martin, Bloodshy & Avant, além da presença de Dr. Luke, Benny Blanco, Let's Go to War, entre outros, que aproveitaram aqueles sintetizadores pesados, os vocais processados e as batidas eletrônicas, mas agora tudo soa mais limpo, brilhante e radiofônico. Com isso, temos um Electropop que consegue dialogar mais com o R&B. O repertório é legal e tem canções bem divertidas. No fim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: Womanizer, If U Seek Amy, Circus, Unusual You, Blur 
Vale a Pena Ouvir: Radar, Out From Under, Mannequin

Femme Fatale – Britney Spears





















NOTA: 8/10


Indo agora para 2011, Britney decidiu fazer um novo álbum, intitulado Femme Fatale. Após o Circus, a cantora voltou a ocupar o topo das paradas, realizou uma turnê mundial bem-sucedida e demonstrou que sua carreira continuava extremamente forte, mesmo após os acontecimentos turbulentos dos anos anteriores. Ela decidiu fazer um trabalho seguindo as tendências do Electropop e do EDM, que já estavam completamente consolidados no mainstream. A produção contou com nomes como Ammo e Shellback, além, é claro, do Max Martin e Dr. Luke, que utilizaram sintetizadores digitais, baterias eletrônicas, linhas de baixo extremamente pesadas e efeitos característicos do Electropop e do Dance-Pop daquele período. Além disso, há elementos do Electro House, Bubblegum Bass, Brostep e Eurodance. O repertório é legalzinho, tem canções muito boas e envolventes, mas algumas soam imprecisas. No geral, é um ótimo álbum, mas possui falhas. 

Melhores Faixas: Criminal, Hold It Against Me, Till The World Ends, I Wanna Go, How I Roll
Piores Faixas: Trip To Your Heart, Big Fat Bass (tinha que ser will.i.am do Black Eyed Peas)

Britney Jean – Britney Spears





















NOTA: 2/10


Em 2013, Britney Spears nos presenteou com um álbum horroroso, o Britney Jean. Após o Femme Fatale, a cantora participou do programa The X Factor USA como jurada em 2012 e colaborou com will.i.am no hit Scream & Shout, deixando-a no topo das paradas. O problema é que ela precisava entregar um projeto novo o quanto antes e, com isso, sua então nova gravadora, a RCA, vendeu a imagem de que esse seria um álbum mais pessoal. A produção contou com Dr. Luke, will.i.am, Diplo, Anthony Preston, entre outros, que utilizaram sintetizadores modernos, graves fortes e batidas típicas do EDM mainstream daquela época. Só que tudo aqui parece feito às pressas, resultando em um Electropop com House extremamente genérico, e os vocais da Britney são pessimamente processados. Fora que a Myah Marie acaba ofuscando a cantora. O repertório é horrível, com apenas uma canção boa. Enfim, é um álbum terrível, feito para ganhar uns trocados. 

Melhores Faixas: Work B**ch 
Piores Faixas: Body Ache, Tik Tik Boom (T.I. totalmente perdido), Don’t Cry, It Should Be Easy (will.i.am cometeu um crime), Chillin' With You

Glory – Britney Spears





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 2016, quando Britney lançou seu 9º e, até então, último álbum, o Glory. Após o terrível Britney Jean, a cantora, embora continuasse sendo uma das maiores estrelas do Pop, seus últimos trabalhos haviam priorizado tendências comerciais em detrimento de uma identidade artística mais forte. A residência Piece of Me, em Las Vegas, seguia sendo um enorme sucesso, mas existia a expectativa de que seu próximo álbum marcasse uma recuperação artística. A produção foi, como sempre, diversificada, contando com Mattman & Robin, Burns, Cashmere Cat e vários outros, que construíram um som moderno e extremamente polido. Juntando Dance-Pop, R&B contemporâneo e Electropop, além de traços do Tropical House e Alt-Pop, mas tudo soa previsível, e alguns vocais da Britney não funcionam. O repertório é fraquíssimo, com canções genéricas e poucas interessantes. Em suma, é um álbum ruim e, após isso, não tivemos mais nada. 

Melhores Faixas: Slumber Party, Man On The Moon, Just Luv Me 
Piores Faixas: Hard To Forget Ya, Make Me..., What You Need, Private Show, Clumsy


                                                                                 Então um abraço e flw!!!                    

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Review: Quality Trap do Bonde R300

                   

Quality Trap – Bonde R300





















NOTA: 2/10


Em 2020, o Bonde R300 lançou seu único álbum de estúdio, intitulado Quality Trap. O duo, formado em 2015 por Mayklove e Xangue, ganhou muita notoriedade com seu único hit, lançado em 2017, Oh Nanana. Em vez de seguir exclusivamente pelo Funk, que havia consolidado seu nome, eles decidiram utilizar esse primeiro álbum para mergulhar definitivamente na estética do Trap, que estava se consolidando no território nacional. A produção foi feita pela própria dupla, que criou beats variadas, com 808s constantes, hi-hats acelerados, caixas secas e melodias simples feitas por sintetizadores atmosféricos. Porém, o problema é que o flow de ambos é totalmente irregular e não se encaixa nem um pouco nas beats, que, inclusive, são bem genéricas. O repertório é péssimo, com canções medíocres e apenas uma exceção. Enfim, é um álbum horrível e, nem voltaram mais mexer com isso. 

Melhores Faixas: Vários Flash 
Piores Faixas: Alienigena Chave, Fire No Kush, Pisante Nike E Kit Chave
 

                                                                                        É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Unknown Mortal Orchestra

                 

Unknown Mortal Orchestra – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 8,2/10


Em 2011, o Unknown Mortal Orchestra lançava seu álbum de estreia autointitulado. Formado no ano anterior, na cidade de Auckland, na Nova Zelândia, por Ruban Nielson, que anteriormente fazia parte de uma banda garageira The Mint Chicks, o projeto surgiu após um período em que ele passou compondo sozinho, buscando algo diferente. Ruban decidiu criar um projeto em que tocasse todos os instrumentos e adotasse uma abordagem caseira e psicodélica. A produção foi feita por ele próprio, mantendo uma sonoridade crua, com gravações saturadas, guitarras cheias de efeitos, vocais frequentemente enterrados na mixagem e baterias que parecem gravadas em salas pequenas, criando uma sensação de proximidade. O álbum junta elementos de Pop Psicodélico e Slacker Rock, além de traços do Funk e Bedroom Pop. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves. Enfim, é um ótimo disco de estreia e bastante coeso. 

Melhores Faixas: FFunny FFrends, Little Blu House, Never Damage! 
Vale a Pena Ouvir: Boy Witch, Bicycle

II – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, o Unknown Mortal Orchestra lançava seu 2º disco, que foi mais expansivo. Após o álbum de estreia, Ruban manteve a estética caseira e o gosto pelas imperfeições, mas passou a construir músicas mais sofisticadas, tanto harmonicamente quanto melodicamente. A influência do Soul, do R&B e do Funk ficou muito mais evidente, aproximando a banda de um som mais quente e sensual, sem abandonar a psicodelia. A produção apresentou um maior refinamento, mesmo mantendo aquela estética Lo-fi. As guitarras têm uma enorme variedade de timbres, utilizando fuzz, phaser, wah-wah, chorus, vibrato, delays e reverbs bastante profundos. A cozinha rítmica tem um groove bem envolvente e elaborado, e os vocais de Ruban ficaram mais melódicos e cheios de falsetes, ainda seguindo a vibe do Pop Psicodélico e com influência do Soul e do R&B. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas. No geral, é um belo disco e mostrou uma grande evolução. 

Melhores Faixas: So Good At Being In Trouble, Swim And Sleep (Like A Shark), From The Sun, Monki, No Need For A Leader, One At A Time 
Vale a Pena Ouvir: Faded In The Morning, Secret Xtians

Multi-Love – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 9,2/10


Dois anos depois, a banda lançou seu 3º álbum de estúdio, intitulado Multi-Love. Após o II, esse projeto nasceu em um período extremamente conturbado da vida pessoal do Ruban. O álbum foi inspirado por um relacionamento amoroso complexo, envolvendo um triângulo afetivo que afetou profundamente sua vida familiar, levando-o a transformá-lo no principal tema do disco. Fora isso, Kody Nielson (bateria) e Jacob Portrait (baixo), que já acompanhavam o instrumentista, tornaram-se integrantes fixos. A produção foi bem mais sofisticada, mas manteve aquela essência do calor analógico. As guitarras funcionam apenas como complemento para os teclados e sintetizadores. As linhas de baixo são bem elaboradas, e a bateria tem grooves refinados que lembram o Funk setentista. Os vocais do Ruban exploram harmonizações, falsetes e camadas de voz. O repertório é sensacional, e as canções são bem profundas. No fim, é um baita disco e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Multi-Love, Can't Keep Checking My Phone, Necessary Evil, Stage Or Screen, Ur Life One Night 
Vale a Pena Ouvir: Puzzles, Like Acid Rain

Sex & Food – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 8,5/10


Três anos se passaram, e a banda lançou mais um álbum, o Sex & Food, que retomou aquela temática mais suja. Após o Multi-Love, Ruban passou bastante tempo viajando, compondo em diferentes lugares e absorvendo influências muito diversas. Essa mudança de rotina refletiu diretamente no álbum, que não possui uma narrativa tão linear quanto o antecessor. Em vez de girar em torno de um único conceito emocional, o disco funciona como uma coleção de ideias que exploram diferentes estados de espírito. A produção voltou a ser extremamente Lo-fi, mas agora aparece misturada com uma quantidade muito maior de camadas instrumentais. As guitarras utilizam uma enorme variedade de timbres, alternando entre momentos limpos e outros mais saturados. A cozinha rítmica é bem sólida, e a presença de sintetizadores e teclados elétricos deixa o som mais amplo. O repertório é ótimo, e as canções ficaram bem mais reflexivas. No geral, é um álbum muito bom e até subestimado. 

Melhores Faixas: Hunybee, Major League Chemicals, American Guilt, A God Called Hubris, Everyone Acts Crazy Nowadays 
Vale a Pena Ouvir: This Doomsday, Not In Love We're Just High, Ministry Of Alienation

IC-01 Hanoi – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 8,1/10


Naquele mesmo ano de 2018, o Unknown Mortal Orchestra lançou seu 1º álbum instrumental, o IC-01 Hanoi. Após o Sex & Food, durante uma turnê pela Ásia, Ruban Nielson e o restante da banda aproveitaram o tempo livre para entrar em um estúdio local e gravar longas jams sem um objetivo definido. Em vez de compor músicas previamente estruturadas, os integrantes passaram horas improvisando, explorando diferentes grooves, mudanças de andamento, timbres e interações entre os instrumentos. A produção foi totalmente diferente, já que tudo foi gravado na pura improvisação, criando uma sensação constante de espontaneidade. Aqui, as guitarras têm muitas texturas, delays, reverbs e diversos efeitos psicodélicos. O baixo cria um groove constante, a bateria tem muita liberdade e os teclados são bem densos, juntando Rock Psicodélico, Krautrock e Jazz Fusion. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e vale a pena ir atrás. 

Melhores Faixas: Hanoi 6, Hanoi 5, Hanoi 4 
Vale a Pena Ouvir: Hanoi 2, Hanoi 7

V – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 7,2/10


Em 2023, o Unknown Mortal Orchestra lançou seu 5º álbum de estúdio em formato duplo. Após o IC-01 Hanoi, Ruban passou por mudanças familiares, viveu parte da pandemia, mudou de país, tornou-se pai novamente e passou a refletir mais sobre suas raízes. Todas essas experiências acabaram influenciando diretamente o tom do álbum, que seguiu por um caminho mais contemplativo. A produção foi mais revezada, já que há momentos em que o cantor toca todos os instrumentos e outros em que divide com Kody e Portrait. A sonoridade passou a ser bem mais clara, dialogando com o Pop Hipnagógico e o Rock Psicodélico, além de traços de Soul e Funk. As guitarras estão presentes como complemento dos teclados e sintetizadores, a cozinha rítmica teve mais variação e os vocais do Ruban ficaram mais intimistas. O repertório é legalzinho, tem canções imersivas, mas com algumas deslocadas. Enfim, é um álbum bacana, mas que poderia ser melhor em uma seleção única. 

Melhores Faixas: Meshuggah, That Life, In The Rear View, The Garden, Weekend Run 
Piores Faixas: Shin Ramyun, I Killed Captain Cook, Layla

IC-02 Bogota – Unknown Mortal Orchestra





















NOTA: 8/10


Em 2025, o Unknown Mortal Orchestra lançou o que pode ser considerado seu 7º álbum, mas, na verdade, seu 2º álbum instrumental: IC-02 Bogotá. Após o V, Ruban Nielson escolheu Bogotá, na Colômbia, como cenário para gravar uma série de jams instrumentais ao lado dos integrantes da banda e de músicos convidados locais. O projeto foi registrado durante uma estadia na cidade e manteve a proposta de transformar a experiência daquele lugar em música, privilegiando a espontaneidade em vez da composição convencional. A produção privilegiou ao máximo as improvisações feitas em tempo real. Aqui, as guitarras aparecem muito mais preocupadas em construir texturas do que em demonstrar virtuosismo. A cozinha rítmica traz grooves bem variados, e os teclados conduzem as jams. Com isso, temos uma junção interessante entre Jazz-Rock e psicodelia. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas. Em suma, é um álbum bacana e injustamente ignorado. 

Melhores Faixas: Earth 1, Underworld 6
Vale a Pena Ouvir: Earth 3, Earth 2, Heaven 7


Analisando Discografias - Turnover

                  Turnover – Turnover NOTA: 7/10 Em 2011, o Turnover lançava seu 1º trabalho no formato de EP, trazendo algo interessante. F...