domingo, 15 de fevereiro de 2026

Review: INFRAÇÃO - 1º Ato do TOKIODK

                  

INFRAÇÃO - 1º Ato – TOKIODK





















NOTA: 8,5/10


Semana passada, foi lançado mais um trabalho novo do TOKIODK, intitulado INFRAÇÃO - 1º Ato. Após o TESTEMUNHAS DE TOKIODK, ele decidiu fazer um projeto que marca um momento de afirmação artística e de revisão de trajetória, em que o rapper enfrenta contradições pessoais e o ambiente social que o moldou. A temática central gira em torno do confronto com o sistema, fé, identidade e superação de limites pessoais. A produção foi diversificada, contando com LB Único, Manel Beats, TerrorDosBeats, entre outros, que misturaram 808s escuros, batidas sincopadas e ritmos que alternam entre tensão e explosão. Com influências centradas no Drill britânico, traz beats densos, linhas de baixo agressivas e atmosfera cinematográfica e sombria, além de alguns elementos do Boom Bap e do Trap tradicional, com TOKIO colocando flows precisos. O repertório é ótimo, e as canções ficaram bem mais reflexivas e energéticas. Em suma, é um ótimo álbum e o seu melhor até então. 

Melhores Faixas: CORAÇÃO NEGRO, VIDA SIMPLES, IMPERADOR, KEN CARSON 
Vale a Pena Ouvir: NEM ERA PRA EU TÁ AQUI, KIM KARDASHIAN
  

                                                                     É isso, um abraço e flw!!!                    

Review: Álbum final autointitulado do Megadeth

                  

Megadeth – Megadeth





















NOTA: 8,5/10


Recentemente, foi lançado o que é anunciado como o último álbum do Megadeth, sendo este autointitulado. Após o The Sick, The Dying... And The Dead!, ocorreu a saída do Kiko Loureiro, e entrou em seu lugar Teemu Mäntysaari; nesse meio-tempo, eles estavam focados na última turnê quando, de repente, Dave Mustaine anunciou que já estava preparando um novo álbum, mas que este seria o último, pois estava sofrendo de contratura de Dupuytren, o que vinha prejudicando sua capacidade de tocar guitarra. A produção, feita por ele junto com Chris Rakestraw, procurou equilibrar a energia acelerada e a complexidade técnica pelas quais a banda ficou conhecida, com uma cozinha rítmica mais potente e guitarras que trazem aquele lado cortante; o problema é que tudo soa muito previsível, e os riffs ficam com aquele gostinho de que poderiam ser muito mais. O repertório até começa bem, mas depois decai, com canções genéricas. No fim, é um disco mediano e uma despedida bem abaixo. 

Melhores Faixas: Tipping Point, The Last Note, I Don’t Care 
Piores Faixas: Hey, God?!, Obey The Call, Made To Kill
  

Review: The New Sound do Geordie Greep

                  

The New Sound – Geordie Greep





















NOTA: 9/10


Em 2024, foi lançado o 1º trabalho solo de Geordie Greep, o maravilhoso The New Sound. Após o lançamento do Hellfire com o black midi, ele começou a fazer algumas apresentações solo e, com o tempo, acabou anunciando que a banda entraria em hiato indeterminado. Ele decidiu, então, fazer um trabalho que mergulha ainda mais fundo na dramaturgia musical, abraçando influências da música latina e até do Samba e do Pop barroco. A produção, feita por Seth Evans, é luxuosa, expansiva e extremamente detalhada. Há presença marcante de piano, metais, percussões latinas, cordas e arranjos complexos que evocam trilhas de cinema clássico e música de cabaré, além de sua guitarra mais integrada ao conjunto harmônico, enquanto seus vocais assumem postura ainda mais caricatural e dramática, tudo isso se juntando a elementos do Rock progressivo e do Jazz-Rock. O repertório é incrível, e as canções são todas bem variadas. Enfim, é um trabalho bacana e bem temático. 

Melhores Faixas: Holy, Holy, Blues, Terra, The Magician, Motorbike 
Vale a Pena Ouvir: Through A War, As If Waltz, The New Sound

 

Analisando Discografias - black midi

                  

Schlagenheim – black midi





















NOTA: 9,8/10


Em 2019, foi lançado o álbum de estreia da banda black midi, o caótico Schlagenheim. Formada em 2017, na nossa querida Londres, por Geordie Greep (guitarra e voz), Matt Kwasniewski-Kelvin (guitarra e voz), Cameron Picton (baixo e voz) e Morgan Simpson (bateria), a banda rapidamente ganhou reputação por shows imprevisíveis, altamente técnicos e caóticos, em que as músicas pareciam sempre à beira do colapso estrutural, ganhando destaque na chamada cena de Windmill, um pub localizado em Brixton. A produção, feita por Dan Carey, preservou a intensidade quase ao vivo que caracterizava os shows da banda, trazendo uma sonoridade de Noise Rock, Math Rock e alguns elementos experimentais que se encaixam nas guitarras cortantes de Greep e Kwasniewski-Kelvin e na cozinha rítmica impressionante do Picton e Simpson. O repertório é incrível, e as canções são bastante abstratas. No fim, é um baita disco e já pode ser considerado um clássico. 

Melhores Faixas: Western, 953, Near DT,MI, Of Schlagenheim 
Vale a Pena Ouvir: Ducter, Speedway

Cavalcede – black midi





















NOTA: 9/10


Dois anos se passaram, e o black midi retorna com mais um disco, o Cavalcade. Após o Schlagenheim, a banda já havia se consolidado como uma das formações mais imprevisíveis do Rock britânico contemporâneo. Nesse meio-tempo, o guitarrista Matt Kwasniewski-Kelvin se afastou temporariamente da banda por questões de saúde mental, o que impactou diretamente o processo criativo. Assim, eles viraram um trio e assumiram maior centralidade composicional. A produção, feita pela própria banda com auxílio de John “Spud” Murphy e Marta Salogni, mostrou arranjos meticulosos, com camadas adicionais de metais, violinos e texturas que ampliam a paleta sonora, evidenciando que deixaram de lado o Noise Rock e seguiram por um caminho mais voltado ao Jazz-Rock e ao Rock progressivo, mais precisamente ao Avant-Prog. O repertório, novamente, é incrível, e as canções ficaram mais densas e complexas. No fim, é outro disco fantástico e expressivo. 

Melhores Faixas: John L, Slow, Marlene Dietrich, Chondromalacia Patella 
Vale a Pena Ouvir: Ascending Forth, Dethroned

Hellfire – black midi





















NOTA: 10/10


Então chegamos a 2022, quando foi lançado o 3º e último disco deles, o sensacional Hellfire. Após o Cavalcade, a black midi consolidou uma identidade marcada por virtuosismo técnico, tornando-se queridinha da Rough Trade Records, e o grupo aqui parece completamente confortável em sua própria excentricidade. Decidindo fazer um álbum conceitual que gira em torno de personagens grotescos, ambientes decadentes, jogos de poder, tragédias e ironias sombrias. A produção, feita por Marta Salogni, é bem cristalina, permitindo que cada instrumento seja distinguido com nitidez. Com a bateria complexa do Morgan Simpson, o baixo expressivo do Cameron Picton e as guitarras quase flamencas do Geordie Greep, além de seus vocais teatrais que dão vida às composições, o disco abriga uma sonoridade que equilibra Avant-Prog e Brutal Prog. O repertório é maravilhoso, parecendo até uma coletânea. Enfim, é um álbum magnífico e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Sugar / Tzu, Welcome To Hell, 27 Questions, Still, Eat Men Eat 
Vale a Pena Ouvir: The Race Is About To Begin, Dangerous Liaisons

 

Dedicado à memória de Matt Kwasniewski-Kelvin (1999-2026).

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Review: Rebel do EsDeeKid

                 

Rebel – EsDeeKid





















NOTA: 9,2/10


Em 2025, foi lançado o sensacional álbum de estreia do EsDeeKid, intitulado Rebel. Não se sabe muita coisa sobre o rapper, mas o que se sabe é que ele vem de Liverpool, costuma esconder o rosto com uma balaclava e mantém poucos detalhes pessoais públicos. Depois de lançar alguns singles, ele preparou esse projeto agressivo, que seria lançado pelas gravadoras XV Records e Lizzy Records. A produção, feita inteiramente por Wraith9, construiu uma sonoridade distinta para o álbum: batidas carregadas de reverb, sintetizadores densos e atmosféricos e 808s marcantes. O som do disco é marcado por um clima bruto, intenso e experimental, típico da fusão entre Jerk, Trap e alguns elementos do Cloud Rap, com uma vibe que muitas vezes remete a um ambiente noturno e urbano, combinando com seus flows variados. O repertório é maravilhoso, com canções densas que trazem esse lado agressivo. Em suma, é um baita disco de estreia, muito coeso. 

Melhores Faixas: 4 Raws, Phantom, LV Sandal, Cali Man, Panic 
Vale a Pena Ouvir: Rottweiler, 5am, Mist

                                                                            Por hoje é só, então flw!!!     

Analisando Discografias - LPT Zlatan

                  

Nunca Foi Sorte – LPT Zlatan





















NOTA: 8,3/10


Em 2024, foi lançada a primeira mixtape de LPT Zlatan, intitulada Nunca Foi Sorte. O rapper, vindo da zona leste de São Paulo, começou sua trajetória por volta de 2019, período em que lançou alguns singles e, após muita correria, passou a preparar esse projeto, que representa um momento de amadurecimento artístico, consolidando sua linguagem dentro da cena. A produção contou com Anti Ayoa, Fahel, Segway, SHYY BEATS e Wall Hein, que trouxeram batidas inovadoras, arranjos urbanos e variações rítmicas próprias do Trap tradicional, além de apresentarem influências do Drill e do Detroit, todas bem exploradas para que o flow variado do Zlatan brilhe, indo de um lado mais agressivo a um mais constante, ambos bem executados na atmosfera de cada faixa. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções transitam entre um lado envolvente e outro mais reflexivo. No geral, é um trabalho interessante que demonstra algo promissor. 

Melhores Faixas: Sujeito de Sorte, Viva a $afra, Nunca Foi Sorte, Movimentos Ilegais, To de Volta 
Vale a Pena Ouvir: Face a Face (ótima feat do Tchelo), BAMBAMBAM, Não Dava Nada

Nunca Tenha Medo – LPT Zlatan & Wall Hein





















NOTA: 8,5/10


E aí chegamos ao lançamento mais recente do LPT Zlatan, sua mixtape colaborativa com Wall Hein, o Nunca Tenha Medo. Após o Nunca Foi Sorte, que consolidou a identidade musical de Zlatan ao explorar temas de superação e persistência, essa nova mixtape surge como um novo capítulo de afirmação artística, ampliando a sonoridade e as mensagens centrais que marcaram sua trajetória. A produção foi feita inteiramente por Wall Hein, que combinou elementos do Drill, Detroit e Trap tradicional com camadas instrumentais que variam entre linhas de baixo pesadas, sintetizadores urbanos, samples criativos e batidas que acompanham o flow do Zlatan com intensidade e versatilidade, indo de um lado mais agressivo a momentos mais cadenciados. O repertório é bem interessante, com canções reflexivas e outras que são mais suaves. No fim, é uma ótima mix, que segue por um caminho mais profundo. 

Melhores Faixas: Nunca Tenha Medo, Vou Descer Minha Favela de Nave, Olha o Gol, Momento de Se Levantar 
Vale a Pena Ouvir: Onde Nois Passa, 2 Blusas

 

Analisando Discografias - Grupo Medusa

                  

Grupo Medusa – Grupo Medusa





















NOTA: 9,1/10


Em 1981, foi lançado o álbum de estreia autointitulado do virtuoso Grupo Medusa. Formado meses antes por Amilson Godoy (piano), Heraldo do Monte (guitarra, bandolim e violão), Cláudio Bertrami (baixo) e Chico Medori (bateria e percussão), o grupo entrou em um cenário em que a fusão entre Jazz, música brasileira e ritmos africanos encontrava pouca visibilidade fora de nichos especializados. Com isso, assinaram com o selo Som da Gente, do qual Hermeto Pascoal fazia parte. A produção foi feita pela própria banda, austera e naturalista, refletindo a estética do Jazz-Rock e do Fusion daquele período. O disco mostra muita interação orgânica entre piano, guitarra, baixo, bateria e percussão, com timbres quentes, espaços bem captados e dinâmica que favorece tanto a leitura melódica quanto o improviso. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas e trazem um lado envolvente. No fim, é um belo disco de estreia, uma joia raríssima. 

Melhores Faixas: Caminhos, Pé No Chão, Zeby 
Vale a Pena Ouvir: Ponto De Fusão, Baiana

Ferrovias – Grupo Medusa





















NOTA: 7/10


Dois anos depois, foi lançado o 2º e último álbum do Grupo Medusa, o interessante Ferrovias. Após o álbum de 1981, a banda realizou diversas apresentações pelo Brasil, tocando também no 3º Festival de Jazz em Paris, em 1982. Porém, passaram por algumas mudanças de formação, com a entrada do percussionista Theo da Cuíca e a saída de Heraldo do Monte, que foi substituído pelo também guitarrista Olmir Stocker, o Alemão. A produção foi praticamente a mesma, mas com uma captação de som mais refinada, além da ampliação do uso de percussões naturais, efeitos sonoros e texturas, bem como da inclusão de elementos do Funk e da cultura nordestina nesse caldeirão jazzístico, apesar de apresentar algumas falhas em certas variações dos arranjos. O repertório é até legal, com canções divertidas e algumas mais fracas. No fim, é um disco bom, com algumas falhas, e, após isso, a banda realizou algumas apresentações antes de encerrar suas atividades. 

Melhores Faixas: Picadeiro, Lamento, Pouso Em Congonhas, Nordestina 
Piores Faixas: Cheiro Verde, Fantasia, Ferrovias

 

Review: INFRAÇÃO - 1º Ato do TOKIODK

                   INFRAÇÃO - 1º Ato – TOKIODK NOTA: 8,5/10 Semana passada, foi lançado mais um trabalho novo do TOKIODK, intitulado INFRAÇÃ...