Section.80 – Kendrick Lamar
NOTA: 9,7/10
Em 2011, Kendrick Lamar lançava seu aguardado álbum de estreia, intitulado Section.80. O rapper, vindo diretamente do Compton (referência óbvia), começou sua trajetória por volta de 2003, período em que lançou várias mixtapes sob o nome de K-Dot. Para este álbum, em vez de apenas exibir sua habilidade lírica, decidiu construir uma obra conceitual que analisasse os problemas sociais, psicológicos e culturais enfrentados pela geração nascida durante a década de 80. A produção foi diversificada, contando com Sounwave, Dave Free, entre outros, foi lançado pelo selo TDE. Onde juntaram Jazz Rap, Boom Bap, Cloud Rap e até traços de Neo-Soul, em beats pesados e direto, com presença de linhas de baixo profundas, baterias secas e teclados melancólicos. Além disso, o flow do Kendrick é bastante cadenciado e preciso. O repertório é incrível, e as canções são bem reflexivas e melódicas. No fim, é um baita disco de estreia, e era apenas o começo.
Melhores Faixas: HiiiPower, A.D.H.D, Rigamortis, Hol’ Up, Ronald Reagan Era (His Evils), Poe Mans Dream (His Vice), Kush & Corinthians (His Pain), Fuck Your Ethnicity
Vale a Pena Ouvir: Chapter Six, Ab-Soul's Outro, Members Only, Tammy's Song (Her Evils)
good kid, M.A.A.D city – Kendrick Lamar
NOTA: 10/10
No ano seguinte, Kendrick Lamar lançou seu atemporal 2º álbum, o good kid, m.A.A.d city. Após o Section.80 e ganhar relevância com sua participação na XXL Freshman de 2011, o rapper assinou com a Aftermath e Interscope, e decidiu apresentar, uma narrativa extremamente detalhada sobre juventude e sobrevivência nas ruas do Compton. O álbum acompanha um protagonista inspirado em sua própria adolescência. A narrativa mostra um jovem tentando equilibrar sonhos, amizades, tentações, espiritualidade e a pressão constante do ambiente em que vive. A produção contou com Pharrell Williams, Hit-Boy, T-Minus, entre outros, que seguiram uma abordagem limpa e, ao mesmo tempo, pesada, com beats que contêm linhas de baixo profundas, sintetizadores atmosféricos e baterias marcantes, transitando entre Jazz Rap, Trap e G-Funk. O repertório é simplesmente sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Sing About Me, I'm Dying Of Thirst, M.A.A.D City (baita feat do MC Eith), Money Trees, Bitch, Don't Kill My Vibe, Good Kid, Sherane A.K.A Master Splinter's Daughter
Vale a Pena Ouvir: Compton (ótima feat do Dr. Dre),Swimming Pools (Drank) (Extended Version), Poetic Justice (feats que envelheceram mal! Mas, o Drake mandou bem)
To Pimp A Butterfly – Kendrick Lamar
NOTA: 10/10
Três anos se passaram, e foi lançado um dos maiores clássicos do Rap, o To Pimp a Butterfly. Após o clássico good kid, m.A.A.d city, Kendrick Lamar passou por profundas reflexões sobre fama, identidade, responsabilidade social e herança cultural. As viagens internacionais também tiveram influência em sua visão artística. Mesmo com todo o sucesso, o rapper começou a questionar seu papel dentro da indústria musical e sua responsabilidade diante da comunidade que representava. A produção contou com Thundercat, Flying Lotus, Pharrell Williams, entre outros, que construíram beats orgânicos com presença de baixos pulsantes, baterias dinâmicas, teclados psicodélicos e arranjos complexos, dialogando bastante com o Jazz, além de elementos do Funk e Soul. Os flows do Kendrick são bastante variados e emocionais. O repertório é praticamente uma coletânea, e as canções são carregadas de reflexão. No fim, é um álbum sensacional e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Wesley's Theory (presença da lenda George Clinton), The Blacker The Berry, Alright, King Kunta, i, u, Institutionalized (Snoop Doog mandou bem), How Much A Dollar Cost, These Walls
Vale a Pena Ouvir: Mortal Man, Complexion (A Zulu Love), Momma
DAMN. – Kendrick Lamar
NOTA: 10/10
Dois anos depois, foi lançado o 4º álbum do Kendrick, o DAMN., que foi bem mais acessível. Após o espetacular To Pimp a Butterfly, ele já não era apenas um rapper aclamado; havia se tornado uma figura cultural capaz de influenciar debates sobre política, identidade racial, espiritualidade e arte em escala global. Porém, para este trabalho, seguiu por um caminho mais consumível, mas escondendo sob a superfície um álbum que carrega temas como os conflitos entre orgulho e humildade, amor e ódio, fé e pecado, fraqueza e força, disciplina e tentação. A produção contou com Greg Kurstin, The Alchemist, Sounwave, entre outros, que seguiram por beats limpos e modernos, com influência do Trap e do R&B contemporâneo, contendo mudanças bruscas de ritmo e textura. Enquanto isso, os flows do Kendrick alternam entre agressividade e introspecção. O repertório também é maravilhoso, parecendo uma coletânea. Enfim, é outro disco incrível e um clássico absoluto.
Melhores Faixas: PRIDE., DUCKWORTH., DNA., HUMBLE., FEAR., ELEMENT., XXX. (U2 se segurou para não fazer um Nu Metal)
Vale a Pena Ouvir: YAH., LOVE., LOYALTY. (Rihanna mandou bem demais)
Mr Morale & The Big Steppers – Kendrick Lamar
NOTA: 9,9/10
Foi somente em 2022 que Kendrick Lamar enfim retornou com um novo disco, Mr. Morale & The Big Steppers. Após o DAMN., o rapper trabalhou na trilha sonora do filme Pantera Negra e, depois disso, passou por um silêncio prolongado, gerando uma enorme expectativa em torno de seu retorno. E ele voltou com um álbum duplo no qual examina traumas familiares, padrões comportamentais herdados, relacionamentos, culpa e crescimento emocional. A produção contou com os mesmos nomes, e aqui eles seguiram por um caminho mais variado, com beats que utilizam padrões repetitivos, dissonâncias e arranjos incomuns para reforçar o estado emocional das letras. Incorporando elementos do Rap Experimental, Neo-Soul, Trap, Jazz Rap e traços do R&B. Além disso, os flows do Kendrick estão bem mais cadenciados e até exaustos em alguns momentos, acompanhando a proposta do disco. O repertório é espetacular, com a 1ª parte carregado de críticas sociais e a 2ª sendo mais pessoal. Enfim, é um disco incrível e bastante profundo.
Melhores Faixas: United In Grief, N95, Father Time, Mother I Sober (feat da Beth Gibbons do Portishead), Mirror, Count Me Out, Silent Hill (ótima feat do Kodak Black), Rich Spirit, Savior
Vale a Pena Ouvir: Die Hard, Purple Heartsv (ótima feat do Ghostface Killah), We Cry Together
GNX – Kendrick Lamar
NOTA: 9,4/10
Então, em 22 de novembro de 2024, de forma inesperada, Kendrick Lamar lançou seu 6º álbum de estúdio, o GNX. Após o Mr. Morale & the Big Steppers, o rapper encerrou seu vínculo com a Aftermath Entertainment e firmou um acordo de licenciamento direto com sua distribuidora, a Interscope Records. Antes do lançamento, a rivalidade entre Kendrick e Drake estava fortíssima, com ambos lançando diss tracks constantemente, até que o nosso querido King Kendrick deu o xeque-mate com Not Like Us. A produção é basicamente uma fusão de elementos clássicos e contemporâneos do Hip-Hop da Costa Oeste, com influências de G-funk e colaborações de produtores como Sounwave e Jack Antonoff, além de outros, já que, como sempre, o time de produtores foi bem diversificado. O repertório é sensacional, repleto de canções diversificadas, e as feats ficaram muito boas. No fim, esse disco é sensacional e foi um ótimo presente surpresa para seus fãs.
Melhores Faixas: squabble up, tv off, luther, peekaboo
Vale a Pena Ouvir: reincarnated, gloria, wacced out murals