quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Belo

                 

Desafio – Belo





















NOTA: 1/10


Naquele ano de 2000, Belo lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Desafio, que teve algumas controvérsias. Após o lançamento do Farol das Estrelas com o Soweto, o cantor acabou saindo do grupo e, assim, teve aquela polêmica com Denilson, que tinha comprado os direitos do grupo Soweto. Belo acabou saindo sem avisar e, com isso, o jogador então o processou por quebra de contrato. Mas, apesar disso, ele ganhou total aval da EMI para poder gravar seu disco solo. A produção de Prateado seguiu uma abordagem extremamente limpa e sofisticada, equilibrando o pagode, representado pelo cavaquinho, banjo, tantã, pandeiro, ganzá e demais elementos de percussão. Do outro lado, aparecem teclados, bateria eletrônica, cordas, metais e diferentes texturas que aproximam do R&B e do Adult Contemporary, mas tudo é excessivamente plastificado. O repertório é ruim, e as canções são muito genéricas. No final, é um álbum sem graça e muito monótono. 

Melhores Faixas: (...............................) 
Piores Faixas: Aeroporto, Procura-se Um Amor, Desafio, Quem É Você, Voar Com Você, Quem Será

Valeu Esperar – Belo





















NOTA: 1/10


Dois anos depois, Belo lançava seu 2º álbum solo, intitulado Valeu Esperar (tava pique Ronnie Von na capa). Após o Desafio, o cantor já não precisava mais apresentar sua carreira solo ao público. Agora, o desafio era dar continuidade ao sucesso e mostrar que seu último trabalho não tinha sido apenas um golpe de sorte. Ele continuava seguindo o pagode romântico como centro, mas explorava outras possibilidades. A produção seguiu com uma abordagem extremamente limpa e acessível, que colocou bastante influência de arranjos de metais, efeitos eletrônicos e até momentos mais orquestrados, que dialogam com o R&B contemporâneo daquele período. Com isso, os vocais do Belo ficaram bem mais melódicos e suaves. Mas tudo continua bastante repetitivo e sem imersão. O repertório é ruim, e as canções são todas carregadas de clichês e monotonia. No fim, é outro álbum fraco e que não tem nada demais. 

Melhores Faixas: (.........................) 
Piores Faixas: Vício, Segredo De Amor, Fim Da Tristeza, Amante Amor Amiga, Abrigo

Seu Fã – Belo





















NOTA: 1/10


Dois anos se passaram, e o Belo lançava seu 3º trabalho solo, intitulado Seu Fã. Após o Valeu Esperar, o cantor tinha recém-assinado com a Sony Music e começou a demonstrar uma preocupação maior em diversificar a produção dentro do universo do Pagode romântico. Em vez de simplesmente repetir a fórmula do disco anterior, aqui ele decidiu trabalhar com diferentes produtores e compositores. Com isso, a produção contou com Prateado e foi arranjada por Bruno Batista, que deixaram aquele som polido e extremamente radiofônico. Aqui passaram a utilizar um pouco mais de teclados, piano, metais e outros elementos que aproximam o Pagode de uma estética mais Pop, além de deixar o vocal de Belo mais intimista e no centro. Mas é aquilo: tudo continua bastante monótono e previsível. O repertório é ruim, tendo canções chatinhas e muito insuportáveis. No final de tudo, é mais um trabalho terrível e mais do mesmo. 

Melhores Faixas: (......zzz......) 
Piores Faixas: Meu Amor, Sou Seu Anjo, Seu Fã, Ainda É Cedo Pra Dizer Bye-Bye, Luz Das Estrelas

Pra Ver O Sol Brilhar (Ao Vivo) – Belo



















NOTA: 1,2/10


No ano de 2008, Belo lança seu aclamado álbum ao vivo, o Pra Ver o Sol Brilhar. Após o Seu Fã, o cantor decidiu fazer um projeto audiovisual que reunia quase como uma retrospectiva da fase solo do cantor até aquele momento, juntando assim seus sucessos de trabalhos anteriores e material inédito, criando uma espécie de panorama da carreira. Essa apresentação aconteceu no Centro de Convenções de Salvador, na Bahia. A produção de Prateado deixou aquela abordagem limpa e bastante clara, além de preservar a energia do ao vivo. Com isso, temos uma mistura do Pagode romântico, R&B e Samba Soul, com os arranjos ficando mais orquestrados e tendo muito uso de metais, além do vocal de Belo estar sempre no centro. Mas, como sempre, tudo continua a mesma coisa de sempre. O repertório é ruim, e as canções são todas bem genéricas. No fim, é um álbum ruim e que não tem nada demais. 

Melhores Faixas: (.............................) 
Piores Faixas: Desse Jeito É Ruim Pra Mim (coitada da Negra Li), Depois Do Amor, Desse Jeito É Ruim Pra Mim, Vem / Não Dá Mais Pra Segurar (Explode Coração), Pra Ver O Sol Brilhar

Tudo Novo – Belo





















NOTA: 1/10


Indo para 2013, Belo voltava a lançar mais um álbum de estúdio, intitulado Tudo Novo. Após o Pra Ver o Sol Brilhar, o cantor, além de ter mudado seu visual e ter lançado alguns trabalhos esporádicos, decidiu fazer um álbum mais leve, dançante e “para cima”. Ele também explicou que tinha algumas músicas já prontas, mas preferiu deixá-las de lado inicialmente para procurar autores que ainda não havia gravado. A produção, feita agora por Pézinho, seguiu um som limpo e bem mais sofisticado, que ainda segue aquela estética padrão do pagode romântico. O uso de banjo e de arranjos acústicos consegue dialogar com momentos mais orquestrados, mas tudo continua muito previsível e sem qualquer novidade. O repertório é fraquíssimo, e as canções são bastante medíocres e não têm nada de especial. Enfim, é só mais um álbum sem graça do Belo. 

Melhores Faixas: (....................................) 
Piores Faixas: Provocação, A Gente Faz Amor, Fica Mais Relax, Eu Aprendi, Um Herói

Mistério – Belo





















NOTA: 1/10


No ano de 2014, Belo lançava seu mais recente álbum de estúdio, que foi Mistério. Após o Tudo Novo, já existia uma tentativa de renovar sua fórmula, com maior variedade de abordagens e uma postura menos presa ao sofrimento amoroso tradicional. Esse novo trabalho leva essa ideia ainda mais longe, com o cantor falando que pegou muita inspiração nos trabalhos da música brasileira. A produção seguiu a mesma abordagem de sempre, utilizando de forma frequente piano, cordas e uma introdução com clima próximo da Bossa Nova, criando uma atmosfera muito mais elegante do que seria esperado de um disco convencional de Pagode romântico. Com isso, os vocais ficaram mais intimistas e carregados de dor, mas, mesmo assim, tudo soa muito arrastado e com falta de sustentação. O repertório é ruim, e as canções são todas bem genéricas. No final, é outro álbum chato dele e, após isso, ele focou em seus shows e até na carreira como ator. 

Melhores Faixas: (.....................................) 
Piores Faixas: Lembra, Porta Aberta, Voyeur, Feliz, Danço Com O Vento, Até O Sol Não Nascer Mais

                                                                                  Por hoje é só, então flw!!!            

Analisando Discografias - Soweto

                 

Vento Dos Areais – Grupo Soweto





















NOTA: 1/10


No ano de 1994, o Soweto lançava seu álbum de estreia, intitulado Vento dos Areais. Formado três anos antes, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, por Robson Buiú, juntamente com seu amigo Claudinho de Oliveira, o grupo depois foi complementado por Marcinho, Criseverton e Belo. Depois de formado, o grupo batizou seu nome em homenagem a um bar de Claudinho, que era inspirado em uma das músicas de Djavan, e, com isso, conseguiu a chance de lançar um álbum independente pela Five Star Records. A produção de Prateado deixou de lado aquela abordagem do nascente pagode romântico, mas manteve a estrutura percussiva e a identidade do samba, enquanto os teclados e o baixo ajudam a criar uma sonoridade mais melódica e romântica. O cavaquinho e o banjo colocam movimento sem sobrecarregar os arranjos, mas é tudo bastante cheio de clichês. O repertório é ruim, e as canções são todas bem cansativas e medíocres. No fim, é um álbum chato e muito inchado. 

Melhores Faixas: (......................) 
Piores Faixas: Pura Solidão, Abismo, Batuqueiro, Sob a Luz do Sol, A Rolinha / Passarinho

Refém Do Coração – Soweto





















NOTA: 1/10


Três anos se passaram, e o Soweto volta com seu 2º álbum, o Refém do Coração. Após o Vento dos Areais, o grupo acabou saindo da Five Star Records, que já estava em condições precárias, além de tê-los desprezado. Graças ao empresário Jorge Hamilton, que ajudou a colocar o grupo na EMI, abriu-se uma oportunidade completamente diferente para eles. Quando tudo estava pronto para ser lançado, aconteceu o assassinato do Robson Buiú, um dos fundadores do Soweto e amigo de infância de Belo, que foi vítima de um latrocínio. A produção do Bira Hawai seguiu um som limpo e mais polido, colocando elementos do Samba Soul dentro daquela temática padrão do pagode romântico. Os vocais de apoio, o cavaquinho e a percussão continuam essenciais, mas agora Belo está sempre no centro. Só que tudo parece uma cópia do Exaltasamba. O repertório é ruim, e as canções são todas bem insuportáveis. Enfim, é um álbum fraco e que beira o tédio. 

Melhores Faixas: (..........................) 
Piores Faixas: Derê, Desejo, Imaginação, Tô Que Tô, Chuva De Verão

Farol Das Estrelas – Soweto





















NOTA: 1,2/10


No ano de 1999, o Soweto alcança certamente seu auge com o álbum Farol das Estrelas. Após o Refém do Coração, o grupo estava praticamente no seu auge, com Belo se tornando uma figura cada vez mais conhecida fora do próprio Soweto. Em 1998, ele gravou “Ângela” ao lado de Neguinho da Beija-Flor e, posteriormente, foi convidado para puxar o samba-enredo da Beija-Flor no Carnaval de 1999. Fora isso, esse álbum se tornou certamente o ápice criativo deles. A produção, feita mais uma vez por Bira Hawai, deixou uma sonoridade polida e extremamente limpa. A voz de Belo fica no centro da produção. Ele não precisa disputar espaço com a instrumentação. O acompanhamento existe para sustentar a interpretação e fazer as melodias crescerem, mas, assim, é aquela mesma coisa de sempre, cheia de clichês e padrões do pagode daquele período. O repertório é chatíssimo, e as canções são bem fraquinhas. No geral, é um álbum ruim e muito superestimado. 

Melhores Faixas: (..............................) 
Piores Faixas: Preciso Te Amar, Restou Saudade, Entre A Cruz E A Espada, Tempo de Aprender, Tudo Fica Blue, Briga De Paixão

Fotografia – Soweto





















NOTA: 1/10


No começo dos anos 2000, o Soweto lançava o que é praticamente seu álbum final, o Fotografia. Após o Farol das Estrelas, o grupo sofreu com uma perda bastante significativa, já que Belo decidiu sair para seguir carreira solo, sendo substituído por Henrique Santos. A troca não foi pequena. Não se tratava apenas de substituir um integrante. O Soweto precisava provar que poderia continuar existindo comercialmente depois da saída de seu principal vocalista. A produção, feita por Bira Hawai, seguiu aquela abordagem limpa de sempre, fazendo aquela combinação de cavaquinho, violão, pandeiro, percussão, baixo e teclados, mas a produção de estúdio amplia bastante a dimensão melódica. Como os vocais de Henrique eram mais intimistas, percebe-se a influência do samba-joia, mas tudo continua bastante repetitivo. O repertório é ruim, e as canções são bastante genéricas. No final, é um álbum horrível e, após isso, eles preferiram fazer apenas turnês. 

Melhores Faixas: (......................) 
Piores Faixas: Fotografia, Pecado Original, Overdose De Amor, Meu Mundo Fica Mudo, Boa Sorte

  

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Robson Jorge & Lincoln Olivetti

                  

Robson Jorge & Lincoln Olivetti – Robson Jorge & Lincoln Olivetti





















NOTA: 10/10


No ano de 1982, Robson Jorge & Lincoln Olivetti lançavam seu único álbum colaborativo. A dupla já era bem conhecida no cenário nacional quando os dois passaram a trabalhar juntos em gravações ligadas à CBS. Um dos primeiros trabalhos conjuntos foi Neste Inverno, de Tony Bizarro, em 1977, e, depois disso, passaram a arranjar a maioria dos nomes da MPB, tanto que foi esse o motivo pelo qual, nos anos 80, eles passaram a ser demonizados pela crítica por meio da acusação de pasteurizar a música brasileira. Mas, tirando isso, eles já preparavam esse projeto. A produção, feita por Max Pierre, deixa um som limpo, seguindo aquela abordagem do Boogie e Jazz-Funk. A bateria, o baixo e a percussão são bem firmes; as guitarras são muito variadas; os metais são verdadeiras extensões melódicas; e os sintetizadores são muito bem integrados. O repertório é maravilhoso, sendo praticamente uma coletânea. No fim, é um disco fenomenal e uma obra-prima da música brasileira. 

Melhores Faixas: Aleluia, Squash, Ginga, Eva, Jorgeia Corisco 
Vale a Pena Ouvir: Pret-À-Porter, Alegrias, No Bom Sentido

Déjà Vu – Robson Jorge & Lincoln Olivetti





















NOTA: 8/10


Foi apenas em 2023 que resgataram um material inédito, lançado como o EP Déjà Vu. Após o álbum de 1982, infelizmente, com as críticas massivas da grande mídia, eles acabaram se isolando, e havia a possibilidade de um segundo álbum da dupla. Mas Robson Jorge faleceu em 1992 e, com isso, Lincoln Olivetti ficou sozinho, fazendo seus trabalhos até sua morte em 2015. Foi graças à filha de Lincoln, Mary Olivetti, que começou a organizar as fitas e os arquivos do pai e encontrou gravações que estavam esquecidas. A produção, feita por Alexandre Kassin, preservou a qualidade das gravações, que seguem a temática do Boogie oitentista, tendo o uso de sintetizadores brilhantes, uma linha de baixo profunda, uma guitarra limpa e metais que servem como textura. O repertório é muito bom, contendo cinco faixas que são bem divertidas. Enfim, é um ótimo trabalho e que foi mais variado. 

Melhores Faixas: Suspira, Dance Baby 
Vale a Pena Ouvir: Sem Essa, You, Batebca

                                                                                      Então é isso e flw!!!                    

Analisando Discografias - JID

                 

DiCaprio – JID





















NOTA: 2,5/10


Em 2015, o JID lançava um EP intitulado DiCaprio, que trazia algo que seria desenvolvido posteriormente. O rapper, vindo de Atlanta, começou sua trajetória por volta de 2010, quando lançou algumas mixtapes e montou um coletivo. Para esse trabalho, ele ainda estava constantemente tentando provar que merecia atenção, e essa característica dá bastante energia ao projeto. A produção contou com Christo, DJ Fu, Hollywood JB e vários outros, que colocaram beats pesadas que dialogam com Boom Bap e Jazz Rap, atmosferas mais sombrias, passagens mais melódicas e instrumentais que deixam bastante espaço para a voz. Só que o problema é que os flows do JID são bastante imprecisos, tendo momentos em que ele está completamente fora de ritmo. O repertório é muito ruim; até tem canções boas, mas outras são terríveis. No fim, é um trabalho fraco, de alguém que precisava evoluir. 

Melhores Faixas: LeFluGame, LeHooligangs 
Piores Faixas: LeStudMuffin, LeTrow, LeTumbapart1

The Never Story – JID





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, o JID retornava com seu álbum de estreia, intitulado The Never Story. Após o EP DiCaprio, o rapper estava construindo seu espaço e chamando muita atenção, até que conseguiu assinar com a Dreamville, do J. Cole. Para esse trabalho, há uma sensação de ele estar contando uma história de crescimento, ambição, dificuldades e transformação, mas sem transformar o álbum em uma narrativa linear tradicional. A produção contou com Frank Dukes, SMKA, The Imaginary Kids, entre outros, que colocaram beats orgânicas que dialogam com Trap, Boom Bap, R&B e Jazz Rap. Com isso, temos graves enormes, hi-hats precisos, baterias secas e baixos mais ousados. Os flows do JID ficaram mais certeiros, com ele usando a velocidade a seu favor e conseguindo variar. O repertório é incrível, e as canções são todas muito reflexivas. Enfim, é um baita disco e que, de certo modo, é muito subestimado pelos fãs. 

Melhores Faixas: Never, Somebody, Lauder, 8701, D/Vision 
Vale a Pena Ouvir: General, Hoodbooger, EdEddnEddy

DiCaprio 2 – JID





















NOTA: 8,7/10


No ano seguinte, o rapper voltava com seu segundo álbum, o DiCaprio 2, que foi tudo o que o anterior não foi. Após o The Never Story, ele pega aquela persona construída no primeiro DiCaprio e a leva para outro estágio. Existe uma confiança muito maior, tanto na maneira de escrever quanto na maneira de interpretar. Ele parece muito mais confortável em assumir que sua principal arma é justamente sua técnica. A produção foi diversificada, contando com Kenny Beats, Frankie P., WondaGurl e vários outros, que colocaram beats pesadas, contando com baterias secas, loops distorcidos, graves e hi-hats que dão uma sensação de urgência. Os flows do JID continuam bem agressivos e até mais técnicos, com ele utilizando muito bem a velocidade a seu favor, conseguindo se encaixar tanto no Trap quanto, em alguns momentos, no Jazz Rap. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais pessoais e melódicas. Enfim, é um ótimo trabalho e mostrou algo mais estruturado. 

Melhores Faixas: 151 Rum, Off Deez (ótima feat do J. Cole), Westbrook (A$AP Ferg foi bem demais), Hot Box (Method Man e Joey Bada$$ formaram uma boa dupla), Strawberries (For Da Ladies), Workin Out 
Vale a Pena Ouvir: Hasta Luego, Stick Talk, Mounted Up

The Forever Story – JID





















NOTA: 10/10


Então chegamos em 2022, quando o JID lançava o sensacional The Forever Story. Após o DiCaprio 2, ele já havia estabelecido uma reputação como um dos rappers tecnicamente mais impressionantes de sua geração. Mas, para esse álbum, o rapper traz uma preocupação muito grande com legado, família, memória e a maneira como uma pessoa constrói uma história que continua sendo contada mesmo depois dela. JID olha para o passado, para a família, para Atlanta, para sua infância, para seus relacionamentos e para sua ascensão como artista. A produção contou com Christo, DJ Scheme, Pluss, entre outros, que colocaram beats pesadas que dialogam com Trap, Neo-Soul e Jazz Rap. Com isso, temos baterias secas, texturas orgânicas, loops constantes e um uso de corais que se encaixa com seus flows técnicos. O repertório é maravilhoso, parecendo uma completa coletânea. No geral, é um baita álbum e já é um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Kody Blu 31, Raydar, Can’t Punk Me, Stars (grande Mos Def), Sistanem, Surround Sound (baita feat do 21 Savage), Dance Now, Lauder Too 
Vale a Pena Ouvir: Crack Sandwich, Just In Time (Lil Wayne mandou bem), Can't Make U Change

God Does Like Ugly – JID





















NOTA: 9,2/10


Então chegamos em 2025, quando o JID lançou seu mais recente álbum, o God Does Like Ugly. Após o The Forever Story, o rapper se tornou um dos principais nomes comentados da cena, só que, agora, para esse projeto, ele decidiu pegar uma expressão que veio de uma das avós de seus avós e funciona como uma espécie de princípio para o álbum: beleza e feiura podem coexistir, e aquilo que parece imperfeito ou desagradável também pode ter valor, propósito e até uma espécie de graça. A produção contou, como sempre, com vários nomes, como 1da, Buddy Ross, Christo, entre outros, que colocaram beats variados que dialogam tanto com Jazz Rap, Neo-Soul e Trap. Além disso, há texturas psicodélicas e passagens que utilizam instrumentos reais. Com isso, os flows do JID continuam muito precisos e variados. O repertório é maravilhoso, e as canções são carregadas de profundidade. No final, é um baita disco e um pouco mais imersivo. 

Melhores Faixas: Community (baita feat do Clipse), YouUgly (Westside Gunn amassando), Glory, Sk8, VCRs, Of Blue, On McAfee 
Vale a Pena Ouvir: For Keeps, WRK, Gz

  

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Review: Fenômeno do SD9 & CESRV

                  

Fenômeno – SD9 & CESRV





















NOTA: 8,2/10


Alguns dias atrás, o SD9 lançou um álbum colaborativo com CESRV intitulado Fenômeno. Após o 40°.40, o rapper participou de alguns projetos esporádicos até voltar fazendo um projeto que não é apenas uma referência ao apelido que ele adotou por causa de Ronaldo Nazário; é uma metáfora para superação, queda, recuperação e transformação. Ronaldo virou uma figura importante para o SD9 desde a Copa do Mundo de 2002, quando o jogador retornou de uma sequência de lesões e terminou o Mundial como campeão e artilheiro. A produção do CESRV consegue ser bem cinematográfica e rígida, seguindo os beats do Grime com certos elementos do Funk carioca e até um pouco do Trap. Com isso, temos graves fortes, batidas eletrônicas e subgraves que se complementam com os flows agressivos e até mais cadenciados do rapper. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas e tocam em suas feridas. No geral, é um disco bacana e que é carregado de profundidade. 

Melhores Faixas: Sonhos e Pesadelos, Gênio, Ser Melhor 
Vale a Pena Ouvir: Automedicação, Noites Mal Dormidas, Fenômeno, Pelada
  

                                                                                É isso, um abraço e flw!!!                          

Analisando Discografias - Black Thought

                 

Streams Of Thought Vol. 1 – Black Thought





















NOTA: 7/10


Em 2018, o Black Thought decidiu lançar seus projetos solo, começando com o EP Streams of Thought, Vol. 1. Após o lançamento do ...and then you shoot your cousin com o The Roots, o rapper já tinha pensado em lançar um trabalho solo, mas todo o material acabou sendo arquivado. Com isso, ele decidiu fazer algo que transformasse a técnica lírica em protagonista, só que sem precisar dividir o espaço com uma banda inteira ou seguir necessariamente a estrutura de um álbum tradicional. A produção, feita pelo 9th Wonder e Khrysis, deixou uma sonoridade bastante orgânica, que dialoga inteiramente com o Boom Bap, com beats secos, baixos profundos, loops constantes e uma bateria crua. Os flows de Thought alternam entre momentos agressivos e técnicos. O repertório contém 5 faixas muito boas e cheias de profundidade. Enfim, é um ótimo EP que serviu como apresentação. 

Melhores Faixas: Twofifteen, Making A Murderer 
Vale a Pena Ouvir: 9th vs. Thought

Streams Of Thought Vol. 2 – Black Thought & Salaam Remi





















NOTA: 9/10


Alguns meses depois, foi logo lançada a continuação, Streams of Thought, Vol. 2. Após o 1º EP, o Black Thought decidiu fazer mais um trabalho curto, porém com uma ambição maior em termos de produção e variedade. Black Thought deixa de parecer simplesmente um rapper colocado diante de cinco beats e passa a trabalhar de maneira mais integrada com o universo sonoro criado pela colaboração presente. A produção, feita pelo Salaam Remi, trouxe uma sonoridade diversificada, que consegue equilibrar tanto Boom Bap quanto Jazz Rap e Neo-Soul. Os beats conseguem ser bem orgânicos, contando com samples bem integrados, baterias secas e loops minimalistas. Os flows do Thought ficam bem mais cadenciados e mostram ainda mais de sua técnica. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem imersivas. No fim, é um baita EP e muito bem amarrado. 

Melhores Faixas: Soundtrack to Confusion, Conception, Streets Fentanyl, Get Outlined 
Vale a Pena Ouvir: History Unfolds, Long Liveth

Streams Of Thought, Vol. 3: Cane & Able – Black Thought





















NOTA: 8/10


No ano de 2020, o Black Thought realmente lançava um álbum solo com Streams of Thought, Vol. 3: Cane & Able. Após os dois primeiros EPs, o rapper decidiu fazer algo que fosse mais ambicioso. Com o título referenciando Caim e Abel, coloca a ideia de conflito, rivalidade, violência, família e consequências no centro do projeto. Não significa que o álbum conte uma história única sobre os personagens bíblicos, mas a simbologia ajuda a entender a atmosfera do trabalho. A produção foi bem mais diversificada, contando com Sean C, LV, Marvino Beats, Sal Dali, entre outros, que colocaram beats mais amplos, só que ainda seguindo a temática do Boom Bap. Seguindo assim, baterias marcantes, linhas de baixo e texturas que remetem ao Soul e ao Funk. Os flows do Black Thought se tornaram bem mais variados e até mais cadenciados. O repertório é bem legal, e as canções conseguem ser bem melódicas. Enfim, é um ótimo disco e que é muito subestimado. 

Melhores Faixas: Fuel, Good Morning (ótima feat do Pusha T), Steak Um 
Vale a Pena Ouvir: Thought Vs Everybody, We Could Be Good, State Prisoner

Cheat Codes – Danger Mouse & Black Thought





















NOTA: 10/10


No ano de 2022, foi lançado o excepcional álbum colaborativo do Black Thought com Danger Mouse, o Cheat Codes. Após o Streams of Thought, Vol. 3: Cane & Able, o rapper decidiu fazer esse projeto com Danger, que não tenta transformá-lo em um rapper Pop ou colocá-lo sobre uma produção excessivamente moderna. Esse projeto traz uma escrita mais narrativa, reflexiva e, em diversos momentos, bastante cinematográfica. A produção do Danger Mouse é extremamente detalhada e densa, dialogando com Boom Bap, Jazz Rap e Neo-Soul. Os beats têm uma pegada fantasmagórica, com os samples podendo soar antigos, distantes ou levemente distorcidos, enquanto as baterias entram com bastante peso. Os flows do Black Thought são bastante precisos e muito bem cadenciados. O repertório é maravilhoso, parecendo uma verdadeira coletânea. No final de tudo, é um baita álbum e praticamente uma obra-prima moderna. 

Melhores Faixas: Belize (saudoso MF DOOM amassando), Aquamarine (Michael Kiwanuka mandou bem demais), Strangers (juntar A$AP Rocky e Run The Jewels foi papo de gênio), Cheat Codes, Because (baita feat do Joey Bada$$) 
Vale a Pena Ouvir: Saltwater, No Gold Teeth, Violas And Lupitas

 

Analisando Discografias - Belo

                  Desafio – Belo NOTA: 1/10 Naquele ano de 2000, Belo lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Desafio, que teve algumas con...