segunda-feira, 2 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 2

                    

New Morning – Bob Dylan





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses se passaram, e o Bob Dylan volta com mais um disco intitulado New Morning. Após o questionável Self Portrait, Dylan começou a experimentar uma fase curiosa de transição. Nesse momento, ele também estava envolvido em outros projetos, incluindo gravações informais e tentativas de compor material para cinema e teatro. Dylan vinha de um período em que queria simplificar sua música e, ao mesmo tempo, recuperar certa espontaneidade que sentia ter se perdido em projetos mais ambiciosos ou conceituais. A produção, conduzida por Bob Johnston, capturou uma energia mais natural e menos calculada. Musicalmente, o álbum mistura Folk Rock, Country e um pouquinho de Gospel, mantendo a linha sonora que Dylan vinha explorando desde o final dos anos 60, mas com arranjos um pouco mais variados e cheios, além de muito uso de piano. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem relaxantes. Enfim, é um ótimo trabalho e mais intimista. 

Melhores Faixas: If Not For You, Day Of The Locusts, The Man In Me, If Dogs Run Free 
Vale a Pena Ouvir: New Morning, Went To See The Gypsy

Pat Garrett & Billy The Kid (Original Soundtrack Recording) – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Três anos se passaram, e foi lançada a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid. Após o New Morning, Bob Dylan começou a explorar novas possibilidades artísticas fora do formato tradicional de álbum de estúdio. Uma dessas oportunidades surgiu quando ele se envolveu nesse filme com temática de faroeste, dirigido por Sam Peckinpah, onde ele não só compôs a trilha como também participou do filme como ator, interpretando o personagem Alias. A produção, feita por Gordon Carroll, criou uma sonoridade minimalista e evocativa, muito baseada em violões, guitarras elétricas discretas, baixo, bateria suave e alguns elementos de harmônica. A instrumentação é propositalmente econômica, refletindo a paisagem desolada do Velho Oeste retratada no filme, sendo basicamente um álbum de Country tradicional. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e atmosféricas. No geral, é um trabalho bacana e que cumpre bem sua proposta. 

Melhores Faixas: Knockin' On Heaven's Door, Billy 1 
Vale a Pena Ouvir: Billy 4, Turkey Chase, Final Theme

Dylan – Dylan





















NOTA: 5,5/10


Aí no fim daquele mesmo ano foi lançado outro disco do Bob Dylan intitulado apenas Dylan. Após a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid, o cantor havia deixado a gravadora Columbia Records para assinar com a Asylum Records e iniciar uma nova fase artística. Durante essa transição contratual, a Columbia decidiu lançar material que já estava em seus arquivos, composto principalmente por gravações feitas alguns anos antes, durante sessões que originalmente não tinham sido planejadas para formar um álbum oficial. A produção, feita por Bob Johnston, apresenta uma sonoridade bastante simples e direta. Os arranjos são predominantemente acústicos ou levemente elétricos, com a voz do Bob Dylan bem precisa, só que, no geral, percebe-se que não houve todo aquele capricho. O repertório é bom, mas algumas canções são bem interpretadas e outras ficam bem abaixo, fora que a ordem das faixas está errada. Enfim, é um trabalho mediano e que foi desnecessário. 

Melhores Faixas: Can't Help Falling In Love, Big Yellow Taxi (ótimo cover da música da Joni Mitchell), Lily Of The West 
Piores Faixas: Sarah Jane, The Ballad Of Ira Hayes, Mary Ann

Planet Waves – Bob Dylan





















NOTA: 8,7/10


Aí no ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o subestimado Planet Waves. Após o Dylan, o cantor decidiu iniciar uma nova etapa criativa. Esse período marcou também uma mudança importante na dinâmica de sua carreira: ele voltou a trabalhar de forma mais próxima com músicos com quem já tinha uma longa história artística. Esses músicos eram os integrantes do The Band, grupo que havia acompanhado Bob Dylan em momentos decisivos da década de 60, especialmente nas sessões lendárias que aconteceram após o acidente de moto do artista em 1966. A produção, conduzida por Rob Fraboni, foi gravada em apenas dois dias e privilegiou um som orgânico e vivo, apoiando-se mais na interação direta entre os músicos, com arranjos que parecem surgir naturalmente durante as sessões, sendo um Folk Rock bem suave. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem melódicas e sentimentais. Enfim, é um trabalho bacana e bem coeso. 

Melhores Faixas: Forever Young, Something There Is About You, Wedding Song, Hazel 
Vale a Pena Ouvir: Dirge, Going, Going, Gone

Blood On The Tracks – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


E aí chegamos ao começo de 1975, quando foi lançada uma das maiores obras-primas do Bob Dylan, o Blood on the Tracks. Após o Planet Waves, insatisfeito com a Asylum Records, ele decidiu retornar para a Columbia Records, só que nesse período sua vida pessoal também estava atravessando tensões significativas, particularmente em relação ao casamento com Sara Dylan. Embora Dylan nunca tenha confirmado oficialmente que o álbum seja autobiográfico, é basicamente um trabalho em que ele expressa a dor do fim de seu casamento. A produção foi a seguinte: as gravações foram feitas em Nova York com Phil Ramone, que colocou um caráter simples e intimista, só que Bob Dylan decidiu regravar em Minneapolis, o que deixou um caráter mais robusto, equilibrando uma sonoridade delicada com seus vocais carregados de nuances. O repertório é fantástico, é praticamente uma coletânea de grandes canções. No fim, é um álbum clássico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Tangled Up In Blue, Simple Twist Of Fate, Shelter From The Storm, Idiot Wind 
Vale a Pena Ouvir: Buckets Of Rain, You're Gonna Make Me Lonesome When You Go

The Basement Tapes – Bob Dylan & The Band





















NOTA: 9/10


Já no fim do 1º semestre daquele mesmo ano, foi lançado o álbum The Basement Tapes. Após o clássico Blood on the Tracks, decidiram reunir um material gravado entre 1967 e 1968. O contexto era o seguinte: Bob Dylan sofreu um acidente de moto em 1966 que o levou a se afastar da vida pública e reduzir drasticamente suas atividades profissionais, e com o tempo ele passou a morar em Woodstock, convivendo e tocando informalmente com os músicos que ficaram conhecidos como The Band, e aí as gravações aconteciam no porão de uma casa apelidada de Big Pink. A produção, feita por eles mesmos, ocorreu de forma caseira e improvisada, com uma qualidade crua e orgânica, com instrumentos acústicos e elétricos tocados de forma relaxada. Violões, pianos, órgãos, baixo e bateria aparecem de maneira natural, formando um Folk Rock e Country Rock. O repertório é belíssimo, e as canções são todas bem suaves. No fim, é um belo trabalho e extremamente essencial. 

Melhores Faixas: You Ain't Goin' Nowhere, Tears Of Rage, Million Dollar Bash, This Wheel's On Fire, Goin’ To Acapulco, Katie's Been Gone, Don't Ya Tell Henry, Too Much Of Nothing 
Vale a Pena Ouvir: Yazoo Street Scandal, Please, Mrs. Henry, Ain't No More Cane

Desire – Bob Dylan





















NOTA: 9,9/10


Mais um ano se passou e foi lançado o 17º álbum do Bob Dylan, intitulado Desire. Após o The Basement Tapes, Dylan entrou em uma nova fase que combinava composição prolífica, colaboração com outros artistas e um retorno vigoroso aos palcos. Esse período coincidiu com a famosa Rolling Thunder Revue, uma turnê que reuniu vários músicos, artistas e colaboradores em um projeto que misturava espetáculo itinerante, teatro e música, influenciando esse disco, que se caracteriza por histórias amplas, personagens marcantes e temas sociais e políticos mais evidentes. A produção, feita por Don DeVito, apresenta arranjos ricos e dinâmicos, com uma instrumentação que combina Folk Rock, Country e música latina. Um dos aspectos mais marcantes é o papel do violino, que aparece como um elemento central e coloca aquele clima de dramaticidade. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No fim, é um disco fantástico e também um clássico. 

Melhores Faixas: Hurricane, One More Cup Of Coffee, Isis, Sara, Oh, Sister 
Vale a Pena Ouvir: Joey, Romance In Durango

Street-Legal – Bob Dylan





















NOTA: 8,4/10


Dois anos se passaram, e o Bob Dylan lança seu 18º álbum intitulado Street-Legal. Após o Desire, ele estava querendo ampliar seu escopo sonoro, em meio às mudanças pessoais e espirituais que Dylan começava a atravessar. Embora sua conversão religiosa pública acontecesse pouco depois, o período já mostrava sinais de inquietação, questionamento e busca interior nas letras. A produção, feita mais uma vez por Don DeVito, mistura Folk Rock com elementos de Blues, Gospel e Roots Rock. Os arranjos frequentemente apresentam múltiplas camadas instrumentais, o que contribui para um clima dramático e, em alguns momentos, quase épico, além da presença de backing vocals femininos e uma seção de metais precisa. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem envolventes e profundas. Enfim, é um disco bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think
Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Slow Train Coming – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


E aí mais um ano se passou e foi lançado mais um trabalho do Bob Dylan, o Slow Train Coming. Após o Street-Legal, depois de anos explorando temas pessoais, sociais e narrativas complexas, ele passou por uma experiência religiosa que o levou a abraçar o cristianismo de maneira bastante intensa. Com isso, suas letras passaram a tratar explicitamente de fé, redenção, julgamento moral e espiritualidade. A produção, feita por Barry Beckett, colocou uma forte influência do Soul e do Gospel, dentro de padrões próximos do Rock cristão, com arranjos bem estruturados e uma base rítmica sólida, com guitarras marcantes, baixo consistente, bateria firme e teclados que adicionam textura espiritual, criando uma ambiência imersiva. O repertório é bacana e tem canções bem legais. No geral, é um ótimo disco, mas que foi mal recebido, algo que passaria a ser comum. 

Melhores Faixas: Changing of the Guards, Señor (Tales of Yankee Power), No Time to Think Vale a Pena Ouvir: Where Are You Tonight? (Journey Through Dark Heat), Is Your Love in Vain?

Saved – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 80, o Bob Dylan continuava nessa fase, lançando mais um álbum intitulado Saved. Após o Slow Train Coming, Dylan vinha realizando shows intensamente focados em música gospel, muitas vezes recusando tocar clássicos antigos de sua carreira. O material que seria reunido nesse disco nasce diretamente desse momento de transição profunda, em que sua fé se tornou o eixo central de sua arte. A produção, feita por Jerry Wexler, seguiu um som bastante enraizado em Soul, Blues Rock e Rock cristão. O disco possui uma instrumentação rica em piano, órgão, metais e corais femininos, criando um clima de celebração espiritual constante, e os vocais do Dylan estão mais discursivos. Seu timbre áspero contrasta com os corais mais suaves, criando uma dinâmica interessante entre fervor individual e celebração coletiva. O repertório é legal, e as canções são bem divertidas e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e que também foi injustiçado. 

Melhores Faixas: What Can I Do for You?, In The Garden 
Vale a Pena Ouvir: Solid Rock, Saved, A Satisfied Man
 

                                                                               É isso, um abraço e flw!!!                       

domingo, 1 de março de 2026

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 1

                   

Bob Dylan – Bob Dylan





















NOTA: 8/10


Voltando lá para o ano de 1962, Bob Dylan lançava seu álbum de estreia que levava seu nome. O cantor, nascido na cidade de Duluth, em Minnesota, após ter abandonado a faculdade, se mudou para Nova York e começou a se apresentar no circuito de cafés e clubes de Greenwich Village. Impulsionado por uma admiração profunda por Woody Guthrie, figura central do Folk norte-americano. Com isso, acabou sendo contratado pela Columbia Records, onde chamou a atenção de John Hammond, que acabou produzindo esse disco. O trabalho seguiu uma abordagem extremamente simples e direta, quase documental, apresentando Dylan cantando com aquela sua voz áspera e tocando violão acústico e gaita em grande parte das faixas, seguindo a abordagem do Folk tradicional e do Blues. O repertório é legalzinho, com as canções sendo bem interpretadas e animadas. No fim, é um bom álbum de estreia e funciona mais como uma apresentação. 

Melhores Faixas: Song To Woody, Baby, Let Me Follow You Down 
Vale a Pena Ouvir: Highway 51, Pretty Peggy-O, Talkin' New York

The Freewheelin' Bob Dylan – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado o sensacional 2º álbum do Bob Dylan, o The Freewheelin' Bob Dylan. Após seu álbum de estreia, Dylan passou por um processo acelerado de amadurecimento artístico: ele começou a escrever canções com maior densidade poética, comentário social e consciência política, ganhando a confiança da gravadora para permitir que gravasse principalmente material autoral. Isso foi crucial, porque nesse momento ele já tinha desenvolvido uma identidade como compositor capaz de unir a narrativa tradicional do Folk com uma abordagem literária moderna. A produção, feita por John Hammond e Tom Wilson, ficou centrada principalmente em voz, violão e gaita; porém, as gravações demonstram maior confiança artística. Inicialmente, teria participação de músicos de apoio, mas isso foi descartado e Dylan preferiu algo mais direto e puro. O repertório é sensacional, chegando a parecer uma coletânea. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Blowin' In The Wind, Don't Think Twice, It's All Right, A Hard Rain's A-Gonna Fall, Bob Dylan's Dream, Girl From The North Country 
Vale a Pena Ouvir: Talking World War III Blues, Masters Of War, Down The Highway

The Times They Are A-Changin' – Bob Dylan





















NOTA: 9,7/10


No começo de mais um ano foi lançado seu 3º álbum, também sensacional, o The Times They Are A-Changin'. Após o atemporal The Freewheelin' Bob Dylan, o cantor vendo o sucesso e a repercussão de suas composições anteriores, criou grandes expectativas sobre seu próximo passo artístico. Em vez de suavizar seu discurso ou apostar em uma abordagem mais comercial, Dylan decidiu aprofundar ainda mais a dimensão narrativa e política de suas letras, influenciado pelo movimento pelos direitos civis, pelos debates sobre desigualdade social e pelas mudanças culturais que estavam ocorrendo nos Estados Unidos. A produção, feita por Tom Wilson, é ainda mais minimalista do que em alguns trabalhos anteriores. Bob Dylan optou por uma abordagem extremamente simples: voz, violão acústico e, ocasionalmente, gaita. Não há grandes arranjos nem experimentações instrumentais; com isso, passa uma vibe mais severa e até mais sombria. O repertório é incrível, e as canções são todas bem reflexivas. No geral, é um belo disco e bastante profundo. 

Melhores Faixas: The Times They Are A-Changin', Ballad Of Hollis Brown, Boots Of Spanish Leather, When The Ship Comes In 
Vale a Pena Ouvir: One Too Many Mornings, Only A Pawn In Their Game, With God On Our Side

Another Side Of Bob Dylan – Bob Dylan





















NOTA: 9,4/10


Na metade daquele mesmo ano foi lançado mais um disco do Bob Dylan, o Another Side of Bob Dylan. Após o The Times They Are A-Changin', Dylan começou a demonstrar um certo desconforto com o rótulo de “porta-voz de uma geração”. Ele vinha sendo constantemente associado a movimentos políticos e causas sociais, e isso acabou gerando uma expectativa pública sobre o tipo de música que ele deveria continuar fazendo. Com isso, ele decidiu ampliar o escopo de suas composições. A produção, feita por Tom Wilson, e o disco foi gravado rapidamente em uma única sessão, o que contribuiu para um clima espontâneo e natural nas performances. Dylan gravou grande parte do material praticamente ao vivo em estúdio, apenas com violão e gaita, sem grandes arranjos ou instrumentação adicional, mostrando vocais bem mais alternados. O repertório é ótimo, e as canções são bem divertidas e melódicas. Enfim, é um trabalho bacana e mais irônico. 

Melhores Faixas: It Ain't Me Babe, My Back Pages, Chimes Of Freedom, Motorpsycho Nitemare, To Ramona 
Vale a Pena Ouvir: I Don't Believe You, All I Really Want To Do, I Shall Be Free No. 10

Bringing It All Back Home – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


Indo para 1965, foi lançado o fantástico 5º álbum do Bob Dylan, intitulado Bringing It All Back Home. Após o Another Side of Bob Dylan, ele passou a explorar novas formas de expressão, tanto lírica quanto musicalmente. Nesse período, Dylan estava absorvendo diversas influências: poesia moderna, literatura beat, humor surrealista, Blues elétrico e o Rock que começava a ganhar força entre o público jovem. Ele também estava cada vez mais interessado em expandir os limites do Folk tradicional. A produção, feita por Tom Wilson, deixou o som mais dinâmico e também mais próximo do Rock. As sessões de gravação foram rápidas, duraram dois dias, mas foram extremamente produtivas; além disso, ele trouxe uma banda de apoio que colocou uma carga de espontaneidade nas faixas. O repertório é belíssimo, com canções reflexivas que também parecem uma coletânea. No fim, é um baita disco, um clássico, mesmo tendo sido odiado em sua época. 

Melhores Faixas: Subterranean Homesick Blues, Love Minus Zero/No Limit, She Belongs To Me, It's All Over Now, Baby Blue 
Vale a Pena Ouvir: It's Alright, Ma (I'm Only Bleeding), Maggie's Farm, Bob Dylan's 115th Dream

Highway 61 Revisited – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


Cinco meses se passaram e foi lançado outro álbum clássico do Bob Dylan, o Highway 61 Revisited. Após o maravilhoso Bringing It All Back Home, ele continuava sendo criticado, como em sua controversa apresentação eletrificada no Newport Folk Festival em 1965; Dylan passou a ser alvo tanto de críticas quanto de fascínio. Parte do público Folk o acusava de abandonar suas raízes; outra parte enxergava ali uma revolução artística em andamento. Nesse período, Dylan estava compondo em ritmo intenso. A produção, feita por Bob Johnston junto com Tom Wilson, trouxe uma sonoridade vibrante e crua. Dylan gravou com músicos experientes que ajudaram a criar um som robusto, com guitarras marcantes, órgão expressivo, baixo pulsante e bateria dinâmica, além de seus vocais expressivos, juntando assim Folk Rock e Blues. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. No fim, é um disco fantástico e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Like A Rolling Stone, Desolation Row, Ballad Of A Thin Man, Tombstone Blues 
Vale a Pena Ouvir: Queen Jane Approximately, Just Like Tom Thumb's Blues

Blonde On Blonde – Bob Dylan





















NOTA: 10/10


Aí mais um ano se passou, e foi lançado outro álbum sensacional do Bob Dylan, o Blonde on Blonde. Após o atemporal Highway 61 Revisited, Dylan entrou em um período criativo extremamente intenso. Ele estava compondo com enorme produtividade, explorando letras cada vez mais complexas, cheias de imagens surrealistas, humor enigmático e observações sobre relacionamentos, fama, cultura e alienação moderna, decidindo fazer um álbum duplo que tivesse uma atmosfera musical muito particular. A produção, conduzida por Bob Johnston, é mais expansiva e sofisticada, mas mantendo aquela abordagem crua, misturando Folk Rock, Blues e elementos quase barrocamente arranjados em alguns momentos. A voz do Bob Dylan alterna entre ironia, fragilidade, sarcasmo e introspecção com grande naturalidade. O repertório é sensacional e bem estruturado, com canções variadas e intimistas. No final, é um álbum sensacional e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: I Want You, Memphis Blues Again, Sad Eyed Lady Of The Lowlands, Just Like A Woman, Visions Of Johanna, 4th Time Around 
Vale a Pena Ouvir: Most Likely You Go Your Way And I'll Go Mine, Absolutely Sweet Marie, Rainy Day Women #12 & 35, Temporary Like Achilles

John Wesley Harding – Bob Dylan





















NOTA: 9/10


E aí no fim de 1967 foi lançado mais um disco do Bob Dylan, intitulado John Wesley Harding. Após o Blonde on Blonde, o cantor estava em completo auge, só que sofreu um acidente de motocicleta em 1966, o que o levou a se afastar das turnês e da exposição pública por um tempo. Quando ele retornou, viu que as produções da época ficavam mais grandiosas e psicodélicas, Dylan decidiu seguir o oposto, reduzindo drasticamente a complexidade sonora e retornando a uma estética mais simples, inspirada em narrativas tradicionais. A produção, conduzida mais uma vez por Bob Johnston, foi mais contida e econômica, com o uso de instrumentos básicos, deixando assim um som limpo, claro e quase austero. A ausência de camadas sonoras complexas permite que cada palavra e cada narrativa se destaquem, juntando assim Folk Rock, Blues e um pouquinho de Country. O repertório é incrível, e as canções são todas bem melódicas. No geral, é um belo trabalho e bastante consistente. 

Melhores Faixas: All Along The Watchtower, John Wesley Harding, I Pity The Poor Immigrant, As I Went Out One Morning, I'll Be Your Baby Tonight 
Vale a Pena Ouvir: The Wicked Messenger, I Am A Lonesome Hobo, The Ballad Of Frankie Lee And Judas Priest

Nashville Skyline – Bob Dylan





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e Bob Dylan volta com mais um disco novo, o Nashville Skyline. Após o John Wesley Harding, aqui Dylan dá um passo ainda mais claro em direção à Country music e às tradições da música americana do sul dos Estados Unidos. Diferente de outros artistas e bandas que estavam explorando um lado mais experimental e grandioso, ele decidiu gravar um álbum mais acessível, curto e centrado em canções diretas sobre amor, cotidiano e relações humanas. A produção, feita como sempre por Bob Johnston, é bastante polida e focada em criar um ambiente sonoro acolhedor e orgânico. O álbum apresenta arranjos suaves, com destaque para guitarras Country, pedal steel guitar e uma base rítmica delicada. Um dos destaques é a voz do Bob Dylan, que canta com um timbre mais grave e suave, adotando um estilo vocal que se aproxima do genero. O repertório é muito bom, com canções bem suaves. Enfim, é um trabalho bacana e bem subestimado. 

Melhores Faixas: Girl From The North Country (dueto sensacional com Johnny Cash), Lay Lady Lay, Peggy Day, Tonight I'll Be Staying Here With You 
Vale a Pena Ouvir: One More Night, Nashville Skyline Rag

Self Portrait – Bob Dylan





















NOTA: 7/10


Entrando nos anos 70, Bob Dylan lançava mais um trabalho novo, o Self Portrait. Após o Nashville Skyline, o cantor passou a evitar a imagem de porta-voz geracional que havia sido construída ao redor de seu nome. Essa rejeição à figura de líder político ou profeta cultural foi uma das forças centrais que levaram à concepção desse trabalho, que não seria algo grandioso como o público esperava, e sim um projeto em que ele decidiu explorar abertamente um repertório focado na música tradicional americana, incluindo versões e gravações que soavam mais informais. A produção foi, de certo modo, feita como uma colagem musical, distanciando-se bastante do Folk elétrico abrasivo de antes. Aqui predominam elementos de Country tradicional, Folk Rock moderno e até toques de Gospel, com uma instrumentação suave e corais femininos. O repertório é até interessante, tem canções divertidas e outras meio abaixo. Em suma, é um trabalho legal, mas que é fraco. 

Melhores Faixas: Like A Rolling Stone, The Boxer, Let It Be Me, Days Of 49, Take A Message To Mary, Gotta Travel On 
Piores Faixas: Woogie Boogie, The Mighty Quinn (Quinn, The Eskimo), In Search Of Little Sadie, It Hurts Me Too


                                                                                    É isso, então flw!!!         

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Review: HORA DO TRAP do Jurado

                  

HORA DO TRAP – Jurado





















NOTA: 8/10


No final de 2025, foi lançado o álbum de estreia do Jurado, intitulado HORA DO TRAP. Após o EP Caminho do Pódio com teozzin, o rapper santista passou um tempo de pausa e lançou alguns singles nesse meio-tempo enquanto evoluía sua estética. Ele começou a preparar seu primeiro projeto completo, que seria bem mais maduro e que mostrasse atitude, persistência e afirmação dentro da cena. A produção foi diversificada, contando com ProdCasi, DJ FOLH4, Light Prod, Beck beats, entre outros, que colocaram beats orgânicos carregados de 808s pesados, graves marcantes, hi-hats rápidos e melodias sintéticas, com uma sonoridade que transita desde o Trap tradicional ao Rage, Tread e Drill. E tudo se encaixa bem no flow do Jurado, que ficou mais cadenciado e bastante preciso. O repertório é muito bom, e as canções são bem reflexivas, tendo também outras mais envolventes. Enfim, é um ótimo projeto e mostrou que ele tem muito futuro. 

Melhores Faixas: PERSISTÊNCIA, Prazer, C7 (teozzin marcou presença), Pulso Com Joia
Vale a Pena Ouvir: ESSA MESMICE ME CANSA, NEW WAVE, BOLSO COM PALCO, MONTEIRO LOBATO
  

                                                                          É isso, um abraço e flw!!!                     

Analisando Discografias - Kaleo

                 

Kaleo – Kaleo





















NOTA: 8,2/10


Em 2013, foi lançado o álbum de estreia autointitulado da banda islandesa Kaleo. Formada um ano antes, na cidade de Mosfellsbær, no sul da Islândia, pelo vocalista e guitarrista Jökull Júlíusson, pelo baterista Davíð Antonsson, pelo baixista Daniel Kristjánsson e pelo gaitista Þorleifur Gaukur Davíðsson, que se conheciam desde a escola e decidiram montar uma banda, algo que se tornou possível com a entrada de Rubin Pollock. Eles começaram a ganhar destaque após participar do festival Iceland Airwaves e, com isso, assinaram com a gravadora Sena. A produção seguiu uma linha relativamente simples e orgânica. Em vez de apostar em uma produção muito polida, o disco privilegia a sensação de banda tocando junta, com foco em instrumentos tradicionais do Blues Rock, com as guitarras alternando entre momentos mais rasgados e outros mais contidos. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um disco de estreia bacana e que mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Rock 'N' Roller, Pretty Boy Floyd 
Vale a Pena Ouvir: Automobile, Broken Bones, Fool

A/B – Kaleo





















NOTA: 8,7/10


Três anos depois, foi lançado o 2º álbum da banda Kaleo, intitulado A/B, que foi uma explosão. Após o álbum de estreia, a banda se mudou para os Estados Unidos e conseguiu um contrato com a Atlantic Records para tentar expandir seu alcance internacional. O sucesso crescente dos singles acabou criando expectativa para o próximo projeto do grupo, que seria responsável por consolidar a identidade sonora da banda em escala global. A produção, feita pela banda junto com Mike Crossey, Arnar Guðjónsson e Jacquire King, apresenta um som mais cinematográfico, com arranjos maiores e um cuidado maior com a atmosfera e a dinâmica. As guitarras agora têm maior uso de reverberação, e a construção gradual das músicas ajuda a dar ao álbum uma sensação mais ampla e emocional, fazendo um equilíbrio entre Blues Rock e Indie Rock e algumas influências de Folk. O repertório é ótimo, e as canções são bem envolventes. No fim, é um trabalho magnífico e que foi um sucesso. 

Melhores Faixas: Way Down We Go, No Good, I Can't Go On Without You, All The Pretty Girls
Vale a Pena Ouvir: Hot Blood, Vor Í Vaglaskógi, Broken Bones

Surface Sounds – Kaleo





















NOTA: 8/10


Cinco anos depois, foi lançado mais um trabalho novo do Kaleo, o álbum Surface Sounds. Após o sucesso do A/B, principalmente devido aos hits Way Down We Go e All the Pretty Girls, eles queriam fazer um trabalho que não tivesse amarras da grande mídia, só que o processo de criação desse álbum acabou sendo mais longo do que o esperado, com a previsão de sair antes, lá pela metade de 2020, mas a banda decidiu trabalhar com mais calma nas composições e na direção sonora, principalmente devido aos acontecimentos da pandemia. A produção, feita pelo vocalista Jökull Júlíusson, com ajuda de Dave Cobb e Mike Elizondo, apresenta um som mais amplo, detalhado e cinematográfico, com arranjos que exploram diferentes atmosferas. Ainda existe uma base forte de Blues Rock, mas agora ela convive com elementos de Soul, Rock alternativo e Folk. O repertório é muito bom, e as canções são mais intimistas. Enfim, é um disco bacana e que é bem subestimado. 

Melhores Faixas: I Want More, Skinny 
Vale a Pena Ouvir: Backbone, Break My Baby, Hey Gringo

Mixed Emotions – Kaleo





















NOTA: 7,2/10


Então chegamos ao ano de 2025, quando foi lançado o 4º e último álbum até o momento da banda Kaleo, o Mixed Emotions. Após o Surface Sounds, esse trabalho surge em uma fase em que a banda já não precisa mais provar seu valor comercial ou artístico. Em vez disso, o foco passa a ser explorar novas nuances do próprio estilo, com o álbum trazendo a ideia de contrastes internos: músicas que misturam sentimentos, atmosferas e estilos dentro de um mesmo projeto. A produção, feita por Jökull Júlíusson junto com Shawn Everett e Eddie Spear, segue a linha expansiva que começou anteriormente, mas com uma diferença importante: aqui eles parecem ainda mais confortáveis em misturar estilos dentro das mesmas músicas. As guitarras vão desde um lado mais bluesy até um maior foco nas texturas, e a base rítmica é bem mais sustentável. O repertório é legal, tem canções bacanas e outras que ficaram bem abaixo. Enfim, é um disco bom, mas ao qual faltou algo mais coeso. 
Melhores Faixas: Run No More, USA Today, Rock N Roller, Legacy 
Piores Faixas: The Good Die Young, Lonely Cowboy
                                                                 

Analisando Discografias - Bob Dylan: Parte 2

                     New Morning – Bob Dylan NOTA: 8,2/10 Alguns meses se passaram, e o Bob Dylan volta com mais um disco intitulado New Mor...