Boc Maxima – Boards Of Canada
NOTA: 8,7/10
No ano de 1996, o Boards of Canada lançava seu verdadeiro 1º álbum, o Boc Maxima. Formado em 1986 na cidade de Cullen, Moray, na Escócia, pelos irmãos Mike Sandison e Marcus Eoin, ainda na adolescência, eles começaram a experimentar técnicas de sampling e gravadores de fita. Com o tempo, passaram a preparar esse projeto por meio de seu próprio selo, como se fosse uma espécie de demo. Produção assinada pela própria dupla, o álbum possui uma sonoridade extremamente Lo-fi, que parece envelhecida artificialmente. Há chiados constantes, texturas empoeiradas, compressões estranhas e uma enorme quantidade de degradação sonora aplicada às melodias. Além disso, os grooves são lentos e abafados, enquanto as melodias lembram brinquedos infantis quebrados, combinando elementos de IDM e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bastante leves. Enfim, é um ótimo disco, mesmo que tenha sido um teste.
Melhores Faixas: Roygbiv, Everything You Do Is A Balloon, Sixtyniner, Turquoise Hexagon Sun, Skimming Stones, Red Moss, Nlogax
Vale a Pena Ouvir: Chinook, Whitewater, Carcan
Music Has The Right To Children – Boards Of Canada
NOTA: 10/10
Dois anos depois, o Boards of Canada lançou o que é tratado como seu 1º álbum, mas que, na verdade, é o 2º: Music Has the Right to Children. Após o Boc Maxima, a dupla assinou com a Warp Records, que estava em seu auge por estar associada aos principais artistas de IDM. O diferencial do Boards, porém, era justamente caminhar na direção oposta: em vez do futurismo frio, eles exploravam nostalgia, memória e deterioração analógica. A produção é bem mais estruturada; os chiados continuam presentes, mas agora funcionam como parte da estrutura sonora. Os sintetizadores possuem um calor analógico intenso, além de utilizarem a repetição de maneira hipnótica. Enquanto isso, as baterias são lentas e profundamente grooveadas, muitas vezes lembrando breakbeats envelhecidos em fitas VHS, criando uma fusão entre Downtempo e Hauntologia. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e, certamente, um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Roygbiv, Aquarius, Turquoise Hexagon Sun, An Eagle In Your Mind, Sixtyten, Rue The Whirl, Pete Standing Alone, Open The Light
Vale a Pena Ouvir: Olson, Telephasic Workshop, Smokes Quantity
Hi Scores – Boards Of Canada
NOTA: 8/10
No ano de 1999, foi relançado o EP Hi Scores, do Boards of Canada, ainda oriundo da época das demos. Após o clássico Music Has the Right to Children, esse trabalho, lançado originalmente em 1996, foi distribuído por meio de fitas e CDs sob o selo da Skam Records. Aqui, eles já traziam aquela estética de sintetizadores envelhecidos, batidas lentas influenciadas pelo Hip Hop, manipulação de fitas analógicas, samples vocais misteriosos e uma sensação constante de lembranças incompletas. A produção é mais áspera e experimental do que a apresentada posteriormente. Os sintetizadores têm uma textura quente, com distorções e leves desafinações. As baterias, influenciadas pelo IDM e pelo Downtempo, possuem grooves lentos, abafados e cheios de pequenas imperfeições. O repertório contém 6 faixas, algumas já conhecidas e outras inéditas e interessantes. Enfim, é um ótimo EP, que foi decisivo para a carreira deles.
Melhores Faixas: Turquoise Hexagon Sun, Everything You Do Is A Balloon
Vale a Pena Ouvir: Nlogax, Hi Scores
In A Beautiful Place Out In The Country – Boards Of Canada
NOTA: 9/10
Entrando nos anos 2000, os irmãos retornam lançando outro EP, o In a Beautiful Place Out in the Country. Após o Hi Scores, o Boards of Canada mergulhou de maneira mais intensa em uma atmosfera pastoral e meditativa. O trabalho inteiro transmite uma sensação de isolamento natural, como se estivesse desconectado do mundo urbano e tecnológico. A produção foi uma das mais delicadas e atmosféricas da carreira da dupla. O EP inteiro parece envolto em uma névoa analógica suave, como uma memória antiga observada através de uma luz solar desbotada. Os sintetizadores são extremamente calorosos, as baterias são discretas e minimalistas, as vozes parecem distantes, a presença de chiados e distorções funciona como uma camada emocional e as melodias parecem se mover lentamente. O repertório contém 4 faixas bacanas e imersivas. Enfim, é um belo EP que consegue te prender.
Melhores Faixas: In A Beautiful Place Out In The Country, Kid For Today
Vale a Pena Ouvir: Zoetrope, Amo Bishop Roden
Geogaddi – Boards Of Canada
NOTA: 10/10
Dois anos depois, foi lançado o sensacional e clássico Geogaddi, o 3º álbum da dupla. Após o EP In a Beautiful Place Out in the Country, o Boards of Canada decidiu aprofundar o lado mais sombrio, psicológico e desconfortável de sua estética, transformando a nostalgia infantil característica deles em algo muito mais ambíguo e perturbador. Se antes as memórias evocadas pareciam melancólicas e contemplativas, aqui elas frequentemente soam corrompidas, fragmentadas e até ameaçadoras. A produção foi bem mais complexa, já que eles entraram de cabeça no cruzamento entre Hauntologia, IDM e Downtempo. Os timbres soam instáveis, e as melodias aparecem corroídas por filtros e manipulações de fita, criando uma sensação de deterioração psicológica. As baterias possuem uma textura pesada, e os grooves são obscuros. O repertório, novamente, é sensacional, e as canções são bastante profundas. No fim, é outro álbum espetacular e uma verdadeira obra-prima.
Melhores Faixas: Music Is Math, 1969, Dawn Chorus, Julie And Candy, Alpha And Omega, Sunshine Recorder, Gyroscope, You Could Feel The Sky
Vale a Pena Ouvir: The Beach At Redpoint, Corsair, Over The Horizon Radar, The Devil Is In The Details
The Campfire Headphase – Boards Of Canada
NOTA: 9,7/10
Se passaram então três anos para que eles retornassem com um novo álbum, o The Campfire Headphase. Após o espetacular Geogaddi, o duo já possuía enorme influência dentro da música eletrônica experimental. A grande mudança foi a incorporação muito mais forte de instrumentos acústicos, especialmente violões. Embora elementos orgânicos já aparecessem discretamente em trabalhos anteriores, aqui eles assumem um papel central. A produção, feita pelo próprio Boards of Canada, trouxe uma introdução de texturas muito mais orgânicas e naturais. Os violões são fundamentais aqui. Muitas músicas são construídas ao redor de dedilhados suaves e progressões melódicas Folk, que depois recebem camadas de sintetizadores nebulosos, baterias de Downtempo e manipulações de fita. O repertório é sensacional, e as canções são bastante densas, com uma temática fortemente psicodélica. No fim, é um belo disco e criminosamente subestimado.
Melhores Faixas: Dayvan Cowboy, Peacock Tail, Satellite Anthem Icarus, Hey Saturday Sun, Chromakey Dreamcoat, Oscar See Through Red Eye
Vale a Pena Ouvir: '84 Pontiac Dream, Tears From The Compound Eye, Constants Are Changing