domingo, 31 de maio de 2026

Review: Fire Arena da Ana Castela

                     

Fire Arena – Ana Castela





















NOTA: 1/10


(E lá vamos nós, de novo!) Depois de alguns meses, a Ana Castela lançou seu 2º álbum, o Fire Arena. Após o Herança Boiadeira Rodeio, ela passou a fazer uma mudança de estética visual e de direcionamento de carreira. Como a própria cantora afirmou em entrevistas, o disco representa uma versão mais madura de si mesma, explorando temas como vulnerabilidade e liberdade feminina. A produção, feita por Eduardo Godoy e Félix, foi ainda mais orientada para o Country Pop moderno, com as guitarras ganhando mais espaço e os sintetizadores tendo uma presença maior na mixagem. Só que, claro, os clichês do Agronejo e do Sertanejo universitário continuam presentes e, como sempre, os mesmos erros se repetem, ou melhor, o sistema padrão desse estilo permanece, tornando tudo bastante previsível. O repertório é péssimo, e as canções beiram o ridículo. Em suma, é um álbum terrível, que soa como mais do mesmo. 

Melhores Faixas: (..................................................................) 
Piores Faixas: Rodeio Acabou, É Bom Demais, Eu Não Vou Mudar, Hoje Tem Rodeio

                                                                             Então é isso e flw!!!              

Review: The Boys Of Dungeon Lane do Paul McCartney

                     

The Boys Of Dungeon Lane – Paul McCartney





















NOTA: 8,8/10


Depois de seis anos, o Paul McCartney retornou com seu novo álbum, o The Boys of Dungeon Lane. Após o McCartney III, ele decidiu lançar um projeto que gira em torno das memórias de sua infância em Liverpool, especialmente da região de Speke. O título faz referência a Dungeon Lane, uma estrada próxima ao rio Mersey que marcou sua juventude. Paul procurou recuperar lembranças anteriores à fama: passeios com amigos, relações familiares e seus primeiros interesses musicais. A produção, realizada em parceria com Andrew Watt, apresenta uma abordagem refinada, além de contar com Paul tocando a maior parte dos instrumentos. Mesmo sendo um trabalho de Pop Rock, é possível perceber elementos das harmonias vocais dos Beatles, das guitarras abertas do Wings e da sofisticação característica de seus trabalhos mais recentes. O repertório é muito bom, e as canções são bastante profundas. No fim, é um ótimo disco, que é bastante caprichado. 

Melhores Faixas: As You Lie There, Down South, Momma Gets By, Lost Horizon, Life Can Be Hard 
Vale a Pena Ouvir: We Two, Come Inside, First Star of the Night


Analisando Discografias - Boards Of Canada: Parte 1

                 

Boc Maxima – Boards Of Canada





















NOTA: 8,7/10


No ano de 1996, o Boards of Canada lançava seu verdadeiro 1º álbum, o Boc Maxima. Formado em 1986 na cidade de Cullen, Moray, na Escócia, pelos irmãos Mike Sandison e Marcus Eoin, ainda na adolescência, eles começaram a experimentar técnicas de sampling e gravadores de fita. Com o tempo, passaram a preparar esse projeto por meio de seu próprio selo, como se fosse uma espécie de demo. Produção assinada pela própria dupla, o álbum possui uma sonoridade extremamente Lo-fi, que parece envelhecida artificialmente. Há chiados constantes, texturas empoeiradas, compressões estranhas e uma enorme quantidade de degradação sonora aplicada às melodias. Além disso, os grooves são lentos e abafados, enquanto as melodias lembram brinquedos infantis quebrados, combinando elementos de IDM e Downtempo. O repertório é muito bom, e as canções são bastante leves. Enfim, é um ótimo disco, mesmo que tenha sido um teste. 

Melhores Faixas: Roygbiv, Everything You Do Is A Balloon, Sixtyniner, Turquoise Hexagon Sun, Skimming Stones, Red Moss, Nlogax 
Vale a Pena Ouvir: Chinook, Whitewater, Carcan

Music Has The Right To Children – Boards Of Canada





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, o Boards of Canada lançou o que é tratado como seu 1º álbum, mas que, na verdade, é o 2º: Music Has the Right to Children. Após o Boc Maxima, a dupla assinou com a Warp Records, que estava em seu auge por estar associada aos principais artistas de IDM. O diferencial do Boards, porém, era justamente caminhar na direção oposta: em vez do futurismo frio, eles exploravam nostalgia, memória e deterioração analógica. A produção é bem mais estruturada; os chiados continuam presentes, mas agora funcionam como parte da estrutura sonora. Os sintetizadores possuem um calor analógico intenso, além de utilizarem a repetição de maneira hipnótica. Enquanto isso, as baterias são lentas e profundamente grooveadas, muitas vezes lembrando breakbeats envelhecidos em fitas VHS, criando uma fusão entre Downtempo e Hauntologia. O repertório é sensacional, parecendo até uma coletânea. No fim, é um baita disco e, certamente, um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Roygbiv, Aquarius, Turquoise Hexagon Sun, An Eagle In Your Mind, Sixtyten, Rue The Whirl, Pete Standing Alone, Open The Light 
Vale a Pena Ouvir: Olson, Telephasic Workshop, Smokes Quantity

Hi Scores – Boards Of Canada





















NOTA: 8/10


No ano de 1999, foi relançado o EP Hi Scores, do Boards of Canada, ainda oriundo da época das demos. Após o clássico Music Has the Right to Children, esse trabalho, lançado originalmente em 1996, foi distribuído por meio de fitas e CDs sob o selo da Skam Records. Aqui, eles já traziam aquela estética de sintetizadores envelhecidos, batidas lentas influenciadas pelo Hip Hop, manipulação de fitas analógicas, samples vocais misteriosos e uma sensação constante de lembranças incompletas. A produção é mais áspera e experimental do que a apresentada posteriormente. Os sintetizadores têm uma textura quente, com distorções e leves desafinações. As baterias, influenciadas pelo IDM e pelo Downtempo, possuem grooves lentos, abafados e cheios de pequenas imperfeições. O repertório contém 6 faixas, algumas já conhecidas e outras inéditas e interessantes. Enfim, é um ótimo EP, que foi decisivo para a carreira deles. 

Melhores Faixas: Turquoise Hexagon Sun, Everything You Do Is A Balloon 
Vale a Pena Ouvir: Nlogax, Hi Scores

In A Beautiful Place Out In The Country – Boards Of Canada





















NOTA: 9/10


Entrando nos anos 2000, os irmãos retornam lançando outro EP, o In a Beautiful Place Out in the Country. Após o Hi Scores, o Boards of Canada mergulhou de maneira mais intensa em uma atmosfera pastoral e meditativa. O trabalho inteiro transmite uma sensação de isolamento natural, como se estivesse desconectado do mundo urbano e tecnológico. A produção foi uma das mais delicadas e atmosféricas da carreira da dupla. O EP inteiro parece envolto em uma névoa analógica suave, como uma memória antiga observada através de uma luz solar desbotada. Os sintetizadores são extremamente calorosos, as baterias são discretas e minimalistas, as vozes parecem distantes, a presença de chiados e distorções funciona como uma camada emocional e as melodias parecem se mover lentamente. O repertório contém 4 faixas bacanas e imersivas. Enfim, é um belo EP que consegue te prender. 

Melhores Faixas: In A Beautiful Place Out In The Country, Kid For Today 
Vale a Pena Ouvir: Zoetrope, Amo Bishop Roden

Geogaddi – Boards Of Canada





















NOTA: 10/10


Dois anos depois, foi lançado o sensacional e clássico Geogaddi, o 3º álbum da dupla. Após o EP In a Beautiful Place Out in the Country, o Boards of Canada decidiu aprofundar o lado mais sombrio, psicológico e desconfortável de sua estética, transformando a nostalgia infantil característica deles em algo muito mais ambíguo e perturbador. Se antes as memórias evocadas pareciam melancólicas e contemplativas, aqui elas frequentemente soam corrompidas, fragmentadas e até ameaçadoras. A produção foi bem mais complexa, já que eles entraram de cabeça no cruzamento entre Hauntologia, IDM e Downtempo. Os timbres soam instáveis, e as melodias aparecem corroídas por filtros e manipulações de fita, criando uma sensação de deterioração psicológica. As baterias possuem uma textura pesada, e os grooves são obscuros. O repertório, novamente, é sensacional, e as canções são bastante profundas. No fim, é outro álbum espetacular e uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Music Is Math, 1969, Dawn Chorus, Julie And Candy, Alpha And Omega, Sunshine Recorder, Gyroscope, You Could Feel The Sky 
Vale a Pena Ouvir: The Beach At Redpoint, Corsair, Over The Horizon Radar, The Devil Is In The Details

The Campfire Headphase – Boards Of Canada





















NOTA: 9,7/10


Se passaram então três anos para que eles retornassem com um novo álbum, o The Campfire Headphase. Após o espetacular Geogaddi, o duo já possuía enorme influência dentro da música eletrônica experimental. A grande mudança foi a incorporação muito mais forte de instrumentos acústicos, especialmente violões. Embora elementos orgânicos já aparecessem discretamente em trabalhos anteriores, aqui eles assumem um papel central. A produção, feita pelo próprio Boards of Canada, trouxe uma introdução de texturas muito mais orgânicas e naturais. Os violões são fundamentais aqui. Muitas músicas são construídas ao redor de dedilhados suaves e progressões melódicas Folk, que depois recebem camadas de sintetizadores nebulosos, baterias de Downtempo e manipulações de fita. O repertório é sensacional, e as canções são bastante densas, com uma temática fortemente psicodélica. No fim, é um belo disco e criminosamente subestimado. 

Melhores Faixas: Dayvan Cowboy, Peacock Tail, Satellite Anthem Icarus, Hey Saturday Sun, Chromakey Dreamcoat, Oscar See Through Red Eye 
Vale a Pena Ouvir: '84 Pontiac Dream, Tears From The Compound Eye, Constants Are Changing


sábado, 30 de maio de 2026

Analisando Discografias - Aphex Twin: Parte 2

                 

Come To Daddy – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


Indo para 1997, o Aphex Twin lança mais um EP intitulado Come to Daddy, que foi bem interessante. Após o Richard D. James Album, esse EP ajudou a transformar sua imagem em algo próximo de uma figura mítica e perturbadora dentro da cultura alternativa dos anos 90. Grande parte desse impacto veio do videoclipe dirigido por Chris Cunningham para a faixa-título. O vídeo, com crianças usando o rosto distorcido de Richard e cenas urbanas grotescas, virou imediatamente um marco da MTV alternativa. A produção foi bem pesada, densa e profundamente claustrofóbica. Richard trabalha com distorções violentas, baterias hiperfragmentadas, ruídos industriais e sintetizadores deformados para criar um ambiente sonoro sufocante. Além disso, sua voz frequentemente aparece deformada, monstruosa ou caricata, reforçando o caráter grotesco do EP. O repertório é muito bom, e as canções são bastante caóticas. No fim, é um ótimo EP, que o consolidou ainda mais. 

Melhores Faixas: Film, Come To Daddy (Pappy Mix), IZ-US, To Cure a Weakling Child, Contour Regard 
Vale a Pena Ouvir: Come to Daddy, Mummy Mix, Bucephalus Bouncing Ball

Windowlicker – Aphex Twin





















NOTA: 9,2/10


Chegando ao fim da década de 90, o Aphex Twin lançou outro EP, intitulado Windowlicker. Após o Come to Daddy, o impacto cultural desse trabalho foi amplificado pelo videoclipe dirigido por Chris Cunningham. O vídeo da faixa-título tornou-se instantaneamente icônico graças à mistura de humor grotesco, estética surrealista e desconforto psicológico. Richard aparecia novamente explorando sua imagem pública caricatural, usando seu próprio rosto de maneira exagerada e perturbadora. A produção foi mais sofisticada. Os timbres possuem uma profundidade impressionante, os ritmos são extremamente complexos e a espacialidade sonora é quase cinematográfica, dialogando muito mais com a IDM. Richard continua explorando breakbeats fragmentados e baterias impossivelmente rápidas, mas agora com um acabamento muito mais limpo e elegante. O repertório contém 3 faixas muito legais, que conseguem te envolver. No geral, é um ótimo EP e muito divertido. 

Melhor Faixa: Windowlicker 
Vale a Pena Ouvir: Nannou, Equation (Formula)

Drukqs – Aphex Twin





















NOTA: 9,9/10


Em 2001, o Aphex Twin retornava com seu 5º álbum de estúdio, o estranho Drukqs. Após o EP Windowlicker, o que aconteceu foi que parte do material teria sido lançada às pressas depois que um tocador de MP3 contendo faixas inéditas foi perdido durante uma viagem de avião. Isso ajuda a explicar a natureza extremamente fragmentada do disco. Enquanto trabalhos anteriores frequentemente mantinham certa coerência estilística, aqui Richard alterna brutalidade rítmica extrema com composições minimalistas para piano preparado. A produção foi bem complexa, com breakbeats impossivelmente complexos, texturas digitais microscópicas, manipulação espacial detalhista e gravações acústicas íntimas. Com isso, temos uma junção do Drill'n'Bass e IDM com influências do impressionismo, da música ambiente e da música eletroacústica. O repertório é incrível, e as canções são bastante cinematográficas. No fim, é um belo disco, que foi injustamente criticado. 

Melhores Faixas: Avril 14th, Vordhosbn, Cock/Ver10, Mt Saint Michel + Saint Michaels Mount, 54 Cymru Beats, Meltphace 6, Nanou 2, QKThr, Ziggomatic 17, Taking Control, Omgyjya-Switch7, Jynweythek 
Vale a Pena Ouvir: Gwely Mernans, Orban Eq Trx4, Kesson Dalef, Father

Analord – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


Lá para 2005, foi lançada a 10ª edição da série de EPs intitulada Analord, feita por Aphex Twin. Após o Drukqs, a música eletrônica estava cada vez mais dominada por produções digitais limpas e softwares sofisticados. Richard parecia interessado em seguir na direção oposta. Esse trabalho funciona quase como um manifesto analógico: grooves crus, sintetizadores ácidos, drum machines secas e improvisação espontânea. Esses EPs foram distribuídos separadamente, frequentemente em edições limitadas de vinil, o que lhes conferiu um status quase mítico entre os fãs. A produção foi completamente centrada em equipamentos analógicos. As linhas de baixo possuem enorme presença física. Os sintetizadores ácidos frequentemente parecem pulsar organicamente, e as baterias são secas e minimalistas. Com isso, temos um cruzamento entre IDM, Acid Techno e Acid Breaks. O repertório contém 2 faixas muito imersivas. Enfim, é um ótimo EP e vale a pena conhecer. 

Melhor Faixa: Fenix Funk 5 
Vale a Pena Ouvir: Xmd 5a

Rushup Edge – The Tuss



















NOTA: 9,1/10


Dois anos depois, Aphex agora sob o nome de The Tuss, lançava o álbum Rushup Edge. Após o Analord 10, surgiu meio que do nada um suposto duo sob esse nome, composto por Brian Tregaskin e Karen Tregaskin, nomes que mais tarde seriam oficializados como fictícios. Na realidade, era Richard, que voltava a mergulhar em estruturas extremamente complexas, ritmos absurdamente rápidos e manipulações digitais frenéticas, mas agora combinadas com um senso de groove surpreendentemente acessível e até eufórico. A produção foi uma combinação de manipulação digital extrema com grooves acid extremamente fluidos e dançantes. O álbum soa como uma colisão entre IDM, Drill'n'Bass, Acid Techno e electro futurista. Richard utiliza timbres de sintetizadores brilhantes, elásticos e emocionalmente carregados, além do uso de acid lines. O repertório é incrível, e as canções conseguem soar bastante futuristas. No final, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Rushup I Bank 12, Synthacon 9 
Vale a Pena Ouvir: Goodbye Rute, Death Fuck

Syro – Aphex Twin





















NOTA: 8,8/10


Então chegamos a 2014, quando foi lançado o último álbum de Aphex Twin até então, o Syro. Após o Rushup Edge como The Tuss, Richard já era tratado como uma figura quase mítica da música eletrônica. O anúncio foi um tanto estranho: começou com um dirigível estampando o logo clássico do artista e sobrevoando Londres, seguido por símbolos misteriosos surgindo em cidades como Nova York e Tóquio. A campanha rapidamente gerou histeria na internet e consolidou a sensação de "retorno de uma entidade desaparecida". A produção foi bem detalhada. Os sintetizadores possuem um calor extraordinário, cheios de pequenas imperfeições, oscilações e movimentos internos. As baterias continuam extremamente complexas, mas agora de forma mais fluida, e as linhas de baixo possuem enorme presença física. O repertório é muito bom, com canções divertidas, embora algumas sejam mais fracas. Enfim, é um ótimo disco, apesar de ser o mais fraco. 

Melhores Faixas: Aisatsana, Minipops 67 (Source Field Mix), Xmas_Evet10 (Thanaton3 Mix), 180db_, Papat4 (Pineal Mix) 
Piores Faixas: Fz Pseudotimestretch+e+3, Circlont14 (Shrymoming Mix), S950tx16wasr10 (Earth Portal Mix)

                                                                                 Então um abraço e flw!!!                   

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Analisando Discografias - Aphex Twin: Parte 1

                 

Selected Ambient Works 85-92 – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


No ano de 1992, foi lançado o álbum de estreia do Aphex Twin, o Selected Ambient Works 85-92. Richard D. James, nascido em Limerick, na Irlanda, começou a produzir esse material em 1985, durante a adolescência, indo até o início de sua fase adulta, daí o título do projeto. O disco funciona meio como uma coleção de ideias, sonhos, memórias e atmosferas acumuladas ao longo de anos e, após lançar alguns EPs, ele assinou com a R&S Records. A produção foi feita por ele mesmo e lançada pelo selo Apollo, onde fez uso de sintetizadores analógicos, linhas de baixo profundas, batidas simples e loops repetitivos para construir ambientes hipnóticos, mostrando assim traços do IDM e Ambient Techno. Há muito reverb, ecos sutis e timbres levemente desafinados que criam uma estética “viva”, imperfeita e emocional. O repertório é simplesmente sensacional e praticamente funciona como uma coletânea. É um disco fantástico e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Xtal, Tha, Heliosphan, Ageispolis, I, Ptolemy, Pulsewidth, Delphium, Actium
Vale a Pena Ouvir: We Are The Music Makers, Schottkey 7th Path

Surfing On Sine Waves – Polygon Window





















NOTA: 8,8/10


Em 1993, o Aphex Twin, agora sob o pseudônimo Polygon Window, lançou o álbum Surfing on Sine Waves. Após o atemporal Selected Ambient Works 85-92, esse projeto saiu pela Warp Records dentro da série Artificial Intelligence, iniciativa fundamental para transformar a música eletrônica em algo mais contemplativo e voltado à audição doméstica, e não apenas às pistas. Aqui, Polygon Window representava um lado mais Techno, ainda que extremamente experimental. A produção é mais seca, metálica e mecanizada. Richard trabalha com drum machines rígidas, sintetizadores ácidos, linhas de baixo profundas e pads frios que criam uma sensação constante de deslocamento urbano. O disco possui uma estética quase cyberpunk em vários momentos. Existe forte influência do Techno de Detroit aqui, especialmente na maneira como groove e atmosfera coexistem. O repertório é legal, e as canções ficaram mais atmosféricas. No fim, é um álbum bem interessante. 

Melhores Faixas: Audax Powder, Polygon Window, Untitled, UT1 - Dot 
Vale a Pena Ouvir: Quixote, Quoth

Quoth – Polygon Window





















NOTA: 8/10


Pouco depois, foi lançado o EP intitulado Quoth, funcionando meio como um complemento do álbum anterior. Após lançar Surfing on Sine Waves, Richard D. James aprofunda sua abordagem minimalista. O EP possui menos preocupação com melodias calorosas e mais interesse em ritmo, textura e repetição. Existe uma estética extremamente urbana aqui, quase industrial em alguns momentos. A produção é bem mais seca e pesada, com Richard trabalhando com poucos elementos, mas manipulando cada timbre com enorme precisão espacial. As baterias possuem impacto rígido e mecânico, enquanto os sintetizadores surgem em camadas discretas, criando profundidade sem ocupar espaço excessivo, inspirados no Techno industrial. O repertório contém 4 faixas bem mais densas. No geral, é um ótimo EP e já mostrava um caminho para o futuro. 

Melhores Faixas: Quoth, Iketa 
Vale a Pena Ouvir: Bike Pump Meets Bucket, Quoth (Wooden Thump Mix)

Selected Ambient Works Volume II – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


Indo para 1994, o Aphex Twin lançava seu sensacional 2º disco, intitulado Selected Ambient Works Volume II. Após os projetos sob o nome de Polygon Window, Richard D. James praticamente abandona a estrutura tradicional da música eletrônica para mergulhar em uma Ambient abstrata, fantasmagórica e profundamente psicológica. Seu nome já estava associado à explosão criativa da Warp Records e ao crescimento do IDM, embora sua música frequentemente escapasse de qualquer classificação simples. A produção é bem mais minimalista e atmosférica, trabalhando com drones, pads distantes, texturas granuladas, reverbs profundos e harmonias lentas que parecem suspensas no tempo. O aspecto mais impressionante da produção é justamente a espacialidade, dialogando totalmente com a música ambiente. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de uma beleza enorme em sua imersão. No fim, é um baita disco e outra obra-prima. 

Melhores Faixas: Rhubarb (#3), Cliffs (#1), Lichen (#20), Blue Calx (#13), Z Twig (#17), Hexagon (#19), Curtains (#7), Match Sticks (#24), Weathered Stone (#9) 
Vale a Pena Ouvir: Radiator (#2), White Blur 2 (#23), Grass (#5)

Analogue Bubblebath – AFX





















NOTA: 7/10


Em 1994, foi relançado um dos primeiros EPs do Aphex Twin, o Analogue Bubblebath. Após o espetacular Selected Ambient Works Volume II, a gravadora TVT Records conseguiu o material original desse EP e fez uma pequena remasterização nele. Esse trabalho foi basicamente o que levou Richard D. James a assinar com a R&S Records, isso em um período em que ele estava mais ligado às pistas de dança, mas no qual já existia algo estranho e emocional em suas composições. A produção é bem crua e profundamente hipnótica. Richard trabalha principalmente com linhas ácidas inspiradas na Roland TB-303, baterias eletrônicas secas e sintetizadores atmosféricos simples, mas extremamente eficazes. As influências principais são o Acid Techno, mas já mostrando certos elementos de Ambient. O repertório contém quatro faixas que conseguem ser divertidas e imersivas. Enfim, é um ótimo trabalho, e foi graças a ele que Richard acabou sendo descoberto. 

Melhores Faixas: Analogue Bubblebath, Isopropophlex 
Vale a Pena Ouvir: Entrance To Exit, A F X 2

...I Care Because You Do – Aphex Twin





















NOTA: 9/10


No ano de 1995, o Aphex Twin lançou seu 3º álbum, o ...I Care Because You Do (com uma capa quase icônica). Após o Analogue Bubblebath, ele começava a se afastar gradualmente da música ambiente para explorar estruturas rítmicas mais agressivas e composições cada vez mais imprevisíveis. Naquele período, o IDM começava a ganhar forma como um movimento reconhecível através de artistas ligados à Warp Records, enquanto o Jungle e outras vertentes experimentais surgiam no underground britânico. A produção é extremamente variada, já que aqui temos elementos do IDM, Acid Techno, Downtempo e Breakbeat, com Richard manipulando baterias de maneira muito mais agressiva e fragmentada. Os beats frequentemente parecem instáveis, quebrando expectativas de forma imprevisível. Os sintetizadores soam deformados. O repertório é incrível, e as canções são bastante enigmáticas. No geral, é um disco muito bacana e que foi mais complexo. 

Melhores Faixas: Alberto Balsalm, Acrid Avid Jam Shred, Come On You Slags!, Start As You Mean To Go On, Icct Hedral, Mookid 
Vale a Pena Ouvir: Wax The Nip, Wet Tip Hen Ax, Next Heap With

Richard D. James Album – Aphex Twin





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, foi lançado outro álbum sensacional do Aphex Twin, o Richard D. James Album (capa icônica). Após o ...I Care Because You Do, ele mergulhava agora em uma abordagem ainda mais extrema, acelerando baterias e desconstruindo ritmos. A metade dos anos 90 foi marcada pelo crescimento do Jungle e do Drum and Bass no Reino Unido. Muitos produtores experimentavam breaks rápidos e estruturas frenéticas, mas Richard abordava essa linguagem de uma forma completamente diferente. A produção é simplesmente inacreditável, com as baterias sendo frenéticas, quebradas e imprevisíveis, mas ainda mantendo um groove extremamente preciso. O uso de breakbeats é central. Richard fragmenta loops de bateria em microssegundos, reorganizando os sons de maneira quase alienígena, levando o Drill’n’Bass para um lado ainda mais complexo. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. No fim, é outro disco fenomenal e mais um clássico. 

Melhores Faixas: Fingerbib, 4, Girl/Boy Song, To Cure A Weakling Child, Carn Marth 
Vale a Pena Ouvir: Cornish Acid, Yellow Calx, Peek 824545201


                                                                         Então é isso, um abraço e flw!!!            

Review: Fire Arena da Ana Castela

                      Fire Arena – Ana Castela NOTA: 1/10 ( E lá vamos nós, de novo! ) Depois de alguns meses, a Ana Castela lançou seu 2º á...