quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Review: This Mirror Weighs a Ton do Interpol

                     

This Mirror Weighs a Ton – Interpol





















NOTA: 9,6/10


Recentemente, o Interpol retornou com seu mais novo álbum, o This Mirror Weighs A Ton. Após o The Other Side of Make-Believe, a banda acabou saindo da Matador Records e assinou com a Partisan, e, para esse projeto, Brad Truax enfim assume o instrumento que Paul Banks vinha tocando desde a saída de Carlos Dengler. Fora isso, esse álbum parece muito mais interessado em questões relacionadas à idade, responsabilidade, tecnologia, violência e ao estado do mundo. A produção, feita por Andrew Wyatt, colocou um som detalhado, que dialoga com o Post-Punk, com elementos do Trip Hop, Dream Pop e o Post-Rock. As guitarras funcionam como texturas atmosféricas, os sintetizadores são nebulosos, o baixo ganha destaque, a bateria possui loops precisos e os vocais do Paul são muito expressivos, com aquele seu estilo grave e distante. O repertório é incrível, e as canções são bem atmosféricas e densas. No fim, é um baita disco e, dessa vez, acertaram em cheio. 

Melhores Faixas: See Out Loud, This Mirror Weighs A Ton, Iron City, Wings On Fire, Wake Up, Wounded Soldier, Bird And The Serpent 
Vale a Pena Ouvir: So Rides The Reindeer, Ever The Actor, Sudden

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 2

                 

Como Conseguir Chicas – Charly Garcia





















NOTA: 9/10


No final dos anos 80, Charly García lançava mais um álbum novo, o Como Conseguir Chicas. Após o Parte De La Religión, a relação do cantor com o sucesso, a exposição pública e os próprios excessos pessoais começava a pesar cada vez mais sobre sua produção. Esse título passa a brincar mais abertamente com temas de relacionamentos, sexualidade, comportamento e vida cotidiana. Essa leveza, porém, não significa que ele tenha abandonado suas características mais sérias. A produção, feita pelo próprio cantor, segue por um caminho bem mais direto, mas que tem uma certa clareza. Os teclados e os recursos eletrônicos continuam sendo utilizados, mas deixam de ser os principais elementos responsáveis pela identidade sonora. Agora, há uma presença maior de guitarras, com bem mais distorção, enquanto o piano dá mais cor aos arranjos. O repertório é muito bom, e as canções são profundas e, ao mesmo tempo, divertidas. Enfim, é um ótimo disco e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: Fanky, No Toquen, Fantasy, No Me Veras En El Subte, Suicida 
Vale a Pena Ouvir: Ella Es Bailarina, Zocacola (participação do Herbert Vianna)

Filosofía Barata Y Zapatos De Goma – Charly Garcia





















NOTA: 9,5/10


Entrando nos anos 90, foi lançado mais um trabalho novo dele, o Filosofía Barata Y Zapatos De Goma. Após o Como Conseguir Chicas, o relacionamento de Charly Garcia com Zoca, que havia marcado uma parte enorme de sua vida desde o final dos anos 1970, havia terminado pouco antes da criação do álbum. Essa ruptura teve um impacto muito forte sobre ele e acabou se refletindo diretamente no disco. Com isso, esse trabalho faz um equilibrio entre ironia e uma sensação de perda e solidão. A produção foi para um caminho bem variado, juntando elementos do Pop Rock e Art Pop. Os instrumentos não estão ali apenas para acompanhar as melodias; muitas vezes, eles criam ambientes. O piano pode desaparecer em favor de sintetizadores, uma guitarra pode surgir abruptamente, e uma percussão pode transformar completamente uma passagem. O repertório é incrível, e as canções são todas bem melódicas e intimistas. Enfim, é um baita disco e muito coeso. 

Melhores Faixas: Filosofia Barata Y Zapatos De Goma, De Mí, Solo Un Poquito No Mas, No Te Mueras En Mi Casa 
Vale a Pena Ouvir: Siempre Puedes Olvidar, Curitas, La Cancion Del Indeciso

La Hija De La Lágrima – Charly Garcia





















NOTA: 7,1/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado mais um álbum novo, o La Hija De La Lágrima. Após o Filosofía Barata Y Zapatos De Goma, Charly García decide fazer algo muito mais ambicioso: construir uma espécie de Ópera-rock fragmentada, cheia de personagens, situações, interlúdios e mudanças de clima. A ideia do álbum nasceu de uma situação quase absurda que Charly teria presenciado na Espanha, quando ouviu uma discussão entre duas mulheres, e uma delas teria dito a frase que daria nome ao projeto. A produção foi bem diferenciada, já que, em vez de procurar uma sonoridade limpa e uniforme, Charly sobrepõe instrumentos, vozes, efeitos, ruídos, fragmentos e diferentes texturas. Os instrumentos tradicionais convivem com sintetizadores, programações e gravações manipuladas. O repertório é legalzinho, tendo canções divertidas, mas também algumas que parecem estar ali para encher linguiça. Enfim, é um álbum bom, mas que é exageradamente excessivo. 

Melhores Faixas: Chipi Chipi, Víctima, Atlantis, Jaco Y Chofi, Kurosawa, Andan, Waitin 
Piores Faixas: Love Is Love, James Brown, Chiquilín, Lament

Say No More – Charly Garcia





















NOTA: 9,2/10


Se passaram dois anos, e Charly García lançava seu 8º álbum solo, o Say No More. Após o La Hija De La Lágrima, ele abandona praticamente qualquer necessidade de seguir uma estrutura convencional. Como naquele período ele estava vivendo um caos em sua vida pessoal, em vez de se esconder, transforma o próprio caos em método artístico. Esse projeto nasce justamente da ideia de fazer música sem obedecer a uma fórmula preestabelecida, permitindo que diferentes sons, ideias, gravações e fragmentos fossem incorporados ao processo. A produção foi ainda mais experimental, com Charly sobrepondo instrumentos, vozes, efeitos, ruídos, fragmentos e diferentes texturas. A principal característica é justamente a ausência de uma estética de perfeição, fazendo do álbum um trabalho muito interessante de Rock experimental, com traços do Art Pop. O repertório é sensacional, e as canções são bem imersivas. No fim, é um baita disco e representa uma evolução.

Melhores Faixas: Alguien En El Mundo Piensa En Mi, Say No More, Canciones De Jirafas, Necesito Un Gol, Casa Vacía, Plan 9 
Vale a Pena Ouvir: Estaba En Llamas Cuando Me Acosté, Podrías Entender, La Vanguardia Es Así

El Aguante – Charly Garcia






















NOTA: 2,5/10


Em 1998, Charly García volta lançando um álbum bem controverso, o El Aguante. Após o Say No More, que o levou ao experimentalismo, aqui ele decide fazer algo diferente: manter parte daquela liberdade de produção, mas voltar a colocar as canções no centro. Além disso, apresenta uma postura mais desafiadora, quase de sobrevivência, dentro desse trabalho. A produção ficou um pouco mais acessível, com Charly explorando tanto o Pop Rock quanto o Pop barroco. Com isso, houve um uso variado de instrumentos, como guitarras, piano, teclados, cordas, elementos eletrônicos e afins. O que muda é a finalidade: agora, os efeitos, sobreposições e intervenções servem mais frequentemente para reforçar as músicas, mas, assim, tudo soa muito confuso, e os vocais do cantor ficam muito sobrepostos. O repertório é ruim, tendo canções boas e outras que são simplesmente esquecíveis. Enfim, é um disco fraco e que foi um ponto baixíssimo. 

Melhores Faixas: Tu Arma En El Sur, No Estaría Mal (It Won't Be Wrong) 
Piores Faixas: Correte Beethoven (Roll Over Beethoven), El Aguante, Kill My Mother, Uno A Uno (One To One), Lo Que Ves Es Lo Que Hay (Todo El Mundo Quiere Olvidar)

Influencia – Charly Garcia





















NOTA: 8,4/10


Indo para 2002, o Charly García lançava seu 10º álbum de estúdio, o Influencia. Após o El Aguante, surge como uma espécie de reação a esse processo: sem abandonar completamente as experiências anteriores, ele volta a priorizar as canções, as melodias e a interpretação. O próprio título é bastante apropriado, porque o disco trabalha com várias influências musicais. A produção foi para um caminho bem mais limpo e moderno, com o cantor continuando a utilizar teclados, sintetizadores e recursos de estúdio, mas eles estão muito mais subordinados às canções. O piano volta a ocupar uma posição importante, enquanto as guitarras colocam um certo peso, o baixo é bem sustentável e a bateria fica mais orgânica, formando uma base que dialoga com o Pop Rock, com algumas influências do Dance alternativo e do Synth-pop. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem cadenciadas. No fim, é um disco bacana e que foi um verdadeiro alívio. 

Melhores Faixas: Influencia, I'm Not In Love, Mi Nena 
Vale a Pena Ouvir: Influenza, Tu Vicio

Rock And Roll Yo – Charly Garcia





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho novo do Charly García, o Rock and Roll Yo. Após o Influencia, o cantor decidiu fazer um disco que olha para o passado, mas através de um Charly já muito diferente daquele que havia gravado seus clássicos. Existe também uma sensação de urgência. Muitas músicas parecem nascer mais da necessidade de Charly continuar produzindo do que de um projeto conceitual muito definido. A produção foi para um caminho bem mais pesado, mas que mantém uma certa clareza. As guitarras são bem expressivas, a cozinha rítmica consegue ser bem decente e o piano coloca melodias mais limpas, que dão cor aos arranjos, fora os vocais do Charly, que, mesmo já estando envelhecidos, conseguem ser bem funcionais, fazendo um diálogo com o Hard Rock, Soft Rock e até um pouco do Rock alternativo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem energéticas. Enfim, é um ótimo álbum e que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Rehén, V.S.D. 
Vale a Pena Ouvir: Asesíname, Rock And Roll Yo, Linda Bailarina

Kill Gill – Chaly Garcia




















NOTA: 2,2/10


Foi apenas em 2010 que Charly García lançou seu 12º álbum, o horroroso Kill Gill. Após o Rock And Roll Yo, Charly concebeu um trabalho construído em torno de um personagem que vive em Nova York e decide cometer um atentado. A história seria contada através das músicas, que funcionariam como mensagens destinadas às pessoas próximas desse personagem. Só que, apesar do conceito, esse trabalho passou por uma série de mudanças e implementações até chegar ao material final. A produção, feita pelo cantor junto com Andrew Loog Oldham, colocou um som que tenta ser acessível e experimental. Só que o problema é que mexeram tanto nas gravações que algumas músicas perderam espontaneidade. Em determinados momentos, a quantidade de camadas parece esconder a composição em vez de valorizá-la. O repertório é terrível, tem umas canções legais e outras tenebrosas. No fim, é um álbum horrível e que foi uma mancha podre na sua carreira. 

Melhores Faixas: Corazón De Hormigón, Mirando Las Ruedas 
Piores Faixas: King Kong, Break It Up, Happy And Real, Transformación, In The City That Never Sleeps

Random – Charly Garcia





















NOTA: 3/10


Então, se passaram sete anos para ele voltar com um novo álbum intitulado Random. Após o terrível Kill Gill, que havia sido praticamente concluído anos antes de sua publicação, enquanto esse novo álbum foi composto e desenvolvido depois da grave crise pessoal que levou Charly a um período de internação e reabilitação. Por isso, o álbum representa um verdadeiro retorno à atividade criativa. A produção foi, como sempre, bastante limpa e um pouco mais equilibrada, com um grande uso de teclados, pianos, guitarras, baixos, bateria eletrônica, samplers, loops, programações e até iPads. Tudo isso para fazer um som que tivesse um nível de detalhe que lembrasse seus primeiros projetos, mas o problema é que tudo soa muito previsível: os sintetizadores são excessivos e as guitarras, muito comprimidas. O repertório é fraquíssimo, tendo canções bem sem graça, com algumas exceções. No final, é um álbum ruim e que mostrava a queda do cantor. 

Melhores Faixas: Primavera, Rivalidad, Amigos De Dios 
Piores Faixas: Believe, Spector, Ella Es Tan Kubrick, Mundo B

La Lógica Del Escorpión – Charly Garcia





















NOTA: 2,5/10


Então chegamos ao ano de 2024, quando foi lançado o que pode ser o último álbum do Charly García, o La Lógica Del Escorpión. Após o Random, o cantor já estava preparando esse projeto muito antes mesmo da pandemia, trazendo um conceito que vem da conhecida fábula do escorpião e da rã. Na história, o escorpião pede ajuda para atravessar um rio, promete não atacar a rã, mas acaba picando-a no meio do caminho e condenando os dois à morte. A produção foi mais variada e direta, com Charly criando as bases, experimentando com samples e loops, além de ter aquele equilíbrio de usar sintetizadores e baterias eletrônicas para depois acrescentar instrumentação orgânica, mas tudo soa muito mal-nascido, e os vocais do cantor estão bastante fora do tom. O repertório é terrível, tendo canções medíocres e poucas realmente interessantes. Mas, enfim, é um álbum horrível, que só mostra que já passou da hora de parar. 

Melhores Faixas: La Pelicana Y El Androide (vocal envelhecido do Spinetta conseguindo ser melhor do que a do Charly), El Club De Los 27 
Piores Faixas: Autofemicidio, Rock And Roll Star, Yo Ya Sé, Estrellas Al Caer, Rompela


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Analisando Discografias - Charly Garcia: Parte 1

                 

Yendo De La Cama Al Living – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Voltando para 1982, Charly Garcia lançava seu sensacional álbum de estreia, o Yendo De La Cama Al Living. Depois do fim do Sui Generis, o cantor criou outras bandas e também acabou sendo exilado pelo governo argentino durante a ditadura, quando inclusive morou em Búzios, no Rio de Janeiro. Mas, quando voltou, já começou a se preparar para um novo momento pelo qual a música argentina viria a passar, fazendo um trabalho que experimenta novas tecnologias e aproxima sua composição de uma linguagem mais direta. A produção, feita pelo próprio cantor, foi bastante grandiosa e com muita clareza, com ele juntando Pop progressivo, Art Pop e traços da New Wave. Com isso, temos uso frequente de sintetizadores, bateria eletrônica, guitarras com tratamento eletrônico e uma utilização mais econômica dos instrumentos. O repertório é maravilhoso, só tendo canções imersivas e profundas. Enfim, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Yendo De La Cama Al Living, Yo No Quiero Volverme Tan Loco, Inconsciente Colectivo, No Bombardeen Buenos Aires 
Vale a Pena Ouvir: Superhéroes, Vos También Estabas Verde

Clics Modernos – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Aí, no ano seguinte, foi lançado o atemporal 2º álbum solo do Charly Garcia, o Clics Modernos. Após o Yendo De La Cama Al Living, Charly estava cada vez mais interessado em abandonar a ideia de que seu trabalho precisava estar apoiado na sonoridade tradicional de uma banda de Rock. Como ele estava atento às novas tendências musicais, decidiu gravar esse trabalho lá em Nova York, entrando em contato mais diretamente com uma cena urbana e tecnológica que ajudaria a modificar sua maneira de compor. A produção foi para um som limpo e abrangente, contando com uma estrutura muito mais enxuta, baseada em sintetizadores, baterias eletrônicas, sequenciadores, guitarras texturizadas e baixos melódicos, além dos vocais expressivos do cantor. Com isso, temos um diálogo evidente com a New Wave e um pouco do Synth-pop. O repertório é sensacional, parecendo uma verdadeira coletânea. Enfim, é um disco maravilhoso e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Nos Siguen Pegando Abajo (Pecado Mortal), Los Dinosaurios, Ojos De Videotape, No Soy Un Extraño, Nuevos Trapos 
Vale a Pena Ouvir: Plateado Sobre Plateado (Huellas En El Mar), Plateado Sobre Plateado (Huellas En El Mar)

Piano Bar – Charly Garcia





















NOTA: 10/10


Mais um ano se passou, e Charly Garcia lançava mais um trabalho novo, o Piano Bar. Após o Clics Modernos, o cantor não quis abandonar a modernidade que havia descoberto, mas recupera com mais força o piano, as guitarras e uma estrutura do rock mais tradicional. Com Charly voltando a explorar com intensidade temas como relacionamentos, desejo, solidão, frustração e autodestruição. A produção foi para uma sonoridade mais encorpada e muito bem definida. Com o piano voltando a ter uma presença central, as guitarras continuam bem texturizadas, enquanto o baixo e a bateria sustentam o movimento dos arranjos. Fora, claro, a presença de sintetizadores e elementos eletrônicos que fazem ter esse equilíbrio da New Wave com aquele Pop Rock tradicional. O repertório é excepcional, parecendo também uma coletânea, só tendo canções carregadas de profundidade. No fim, é outro disco fenomenal e que é uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Demoliendo Hoteles, Promesas Sobre El Bidet, Cerca De La Revolución, Raros Peinados Nuevos, Piano Bar 
Vale a Pena Ouvir: Tuve Tu Amor, Total Interferencia, No Se Va A Llamar Mi Amor

Parte De La Religión – Charly Garcia





















NOTA: 9,7/10


No ano de 1987, o cantor lançava seu 4º álbum solo, intitulado Parte De La Religión. Após o Piano Bar, o cantor havia se tornado uma das figuras centrais do rock argentino, mas essa posição vinha acompanhada de conflitos pessoais e profissionais. Isso contribuiu para o caráter mais introspectivo e, em alguns momentos, sombrio do disco. Se os trabalhos anteriores tinham apresentado muita ironia, provocação e energia, aqui existe uma sensação maior de desgaste, reflexão e desilusão. A produção, feita pelo cantor junto com Joe Blaney, foi para uma sonoridade mais sofisticada e atmosférica. O álbum mantém instrumentos eletrônicos e sintetizadores, mas não se torna tão dependente deles, já que são utilizados de maneira mais natural. Teclados, guitarras, baixo, bateria e programações eletrônicas convivem sem se sobrepor umas às outras. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem melódicas e densas. Enfim, é um baita disco e que também é um clássico. 

Melhores Faixas: Rezo Por Vos, No Voy En Tren, Buscando Un Símbolo De Paz (participação da Paula Toller), Necesito Tu Amor, Rap De Las Hormigas (Os Paralamas servindo como banda de apoio, que coisa daora) 
Vale a Pena Ouvir: La Ruta Del Tentempié, Parte De La Religión, El Karma De Vivir Al Sur


                                                                                              Bom é isso e flw!!!           

Analisando Discografias - Luis Alberto Spinetta: Parte 2

                 

Don Lucero – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 8,3/10


Chegando ao final da década de 80, Spinetta lança o sólido álbum Don Lucero. Após o maravilhoso Tester de violencia, o cantor estava cada vez mais distante da necessidade de se encaixar em uma tendência específica. A música argentina do período estava passando por transformações, e o Rock começava a conviver com uma produção mais moderna e diferentes linguagens do Pop. Spinetta absorve parte desse ambiente, mas não tenta simplesmente soar como seus contemporâneos. A produção foi para um caminho mais sofisticado, com uso eficiente de sintetizadores, programações, efeitos e instrumentos elétricos, mas também preserva uma presença muito forte de guitarras e instrumentos acústicos. Conseguindo criar uma atmosfera bem cinematográfica e com os vocais sendo bem delicados, fazendo assim uma espécie de Pop progressivo com Art Rock. O repertório é muito bom, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um disco bacana e muito consistente. 

Melhores Faixas: La Melodía Es En Tu Alma, Es La Medianoche, Un Sitio Es Un Sitio 
Vale a Pena Ouvir: Fina Ropa Blanca, Cielo Invertido, Divino Presagio

Peluson of Milk – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 9,8/10


Em 1991, Luis Alberto Spinetta lançava outro álbum fantástico, o Peluson of Milk. Após o Don Lucero, esse trabalho nasce em uma fase particularmente pessoal da vida de Spinetta, e isso influencia diretamente sua atmosfera. Ele estava vivendo a expectativa do nascimento de sua filha Vera, e esse contexto ajuda a explicar a ternura que atravessa praticamente todo o disco. Não é um álbum infantil, nem simplesmente um álbum sobre paternidade. A produção foi para uma abordagem bem minimalista, com Spinetta tocando a maioria dos instrumentos, só que, claro, com algumas participações. As guitarras, teclados e cordas criam texturas, enquanto o baixo e a bateria são bem sustentáveis, e o uso de sequenciadores e máquinas de ritmo funciona como estrutura, dialogando assim tanto com o Pop Rock e o Art Rock quanto com elementos da New Wave. O repertório é incrível, e as canções são todas belíssimas e bem poéticas. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Seguir Viviendo Sin Tu Amor, Lago De Forma Mía, Cielo De Ti, Domo Tú, Cada Luz, Jilguero, La Montaña 
Vale a Pena Ouvir: Dime La Forma, Hombre De Lata, Ganges, Cruzarás

Silver Sorgo – Spinetta





















NOTA: 8/10


Dez anos se passaram, e Spinetta volta com um trabalho novo, intitulado Silver Sorgo. Após o Peluson of Milk, o cantor passa a procurar novamente uma abordagem mais ampla, incorporando teclados, programações, diferentes baixos, guitarras e texturas. Ele não abandona completamente a força do rock, mas a coloca dentro de uma linguagem muito mais sofisticada e contemplativa. Fora que, nesse período, a Argentina passava por uma grande crise econômica, o que deixa ainda mais evidente uma abordagem de desilusão. A produção foi bastante sofisticada e juntou os mundos do Art Rock e Jazz-Rock. As guitarras servem como textura, enquanto a alternância no baixo de Marcelo Torres e Javier Malosetti consegue sustentar bem os arranjos. Os teclados também são bem variados, e a bateria do Daniel Wirtz coloca um peso moderado. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem melódicas e suaves. No fim, é um disco bacana e que é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Abrazame Inocentemente, Ni Hables 
Vale a Pena Ouvir: Mundo Disperso, Adentro Tuyo, La Verdad De Las Grullas, El Mar Es De Llanto, El Enemigo

Para Los Árboles – Spinetta





















NOTA: 9/10


No ano de 2003, Luis Alberto Spinetta lançava mais um álbum, o Para los árboles. Após o Silver Sorgo, esse trabalho traz uma preocupação que sempre esteve presente na obra de Spinetta: a natureza. Árvores, céu, água, animais, luz e paisagens aparecem como imagens através das quais ele consegue falar sobre o ser humano sem precisar descrevê-lo diretamente. A natureza não funciona simplesmente como cenário; ela é quase uma linguagem paralela. A produção foi ainda mais sofisticada e conseguiu equilibrar perfeitamente instrumentos reais e programação eletrônica. As guitarras continuam fundamentais, mas aparecem muitas vezes como texturas, contrapontos ou pequenas intervenções melódicas, em vez de simplesmente conduzirem riffs. O baixo é bem sustentável, a bateria é bem orgânica e os teclados são bem variados. O repertório é incrível, e as canções são bastante imersivas e noturnas. No fim, é um belo álbum e bem equilibrado. 

Melhores Faixas: Agua De La Miseria, Sin Abandono, Cisne, Ciénaga Dorada, Halo Lunar, El Lenguaje Del Cielo 
Vale a Pena Ouvir: Tu Cuerpo Mediodía, Yo Miro Tu Amor, A Su Amor, Allí

Pan – Spinetta





















NOTA: 8,5/10


Três anos se passaram, e Spinetta lançava mais um álbum novo, intitulado apenas como Pan. Após o Para los Árboles, a sua relação musical construída com músicos como Claudio Cardone, Nerina Nicotra e Sergio Verdinelli permite que ele trabalhe com uma banda muito mais coesa. Esse novo álbum continuava explorando temas como amor, passagem do tempo, fragilidade, existência, relações humanas e a tentativa de encontrar beleza em meio à confusão. A produção foi bastante orgânica e caminhou para um som que dialogava tanto com o Art Rock quanto com o Jazz-Rock. As guitarras de Spinetta continuam servindo como arquitetura sonora, com a bateria tendo várias mudanças de dinâmica, enquanto o baixo ajuda a definir as harmonias e dá às músicas uma profundidade enorme. E os teclados ampliam bastante o espaço harmônico. O repertório ficou muito bom, e as canções são bem mais melódicas e intimistas. Enfim, é um disco bacana e que foi bem abrangente. 

Melhores Faixas: No Habra Un Destino Incierto, Sinfin, Dale Luz Al Instante, ¡Que Hermosa Estas! 
Vale a Pena Ouvir: Espuma Mistica, Cancion De Noche, Atado A Tu Frontera

Un Mañana – Spinetta























NOTA: 9,5/10


No ano de 2008, foi lançado o último álbum em vida de Luis Alberto Spinetta, o excepcional Un Mañana. Após o Pan, esse trabalho possui uma consciência muito forte da passagem do tempo. Existe uma tensão entre olhar para frente e perceber tudo aquilo que já foi vivido. Ele estava entrando em uma etapa cada vez mais madura de sua existência, e isso aparece em músicas que falam de amor, memória, solidão, passagem do tempo, perda e esperança. A produção foi para uma abordagem limpa, mas mantendo uma sonoridade orgânica, embora existam elementos eletrônicos e de estúdio. A bateria cria bastante movimento, enquanto as linhas de baixo estabelecem melodias próprias. Os teclados de Claudio Cardone criam uma cama harmônica extremamente rica, e as guitarras de Spinetta exploram timbres, acordes e pequenos fraseados. O repertório é maravilhoso, e as canções são todas bem melancólicas e cadenciadas. No fim, é um baita disco e que foi uma despedida lindíssima. 

Melhores Faixas: No Quiere Decir, La Mendiga, Hiedra Al Sol, Vacio Sideral, Despierta En La Brisa, Preso Ventanilla 
Vale a Pena Ouvir: Para Soñar, Cancion De Amor Para Olga, Tu Vuelo Al Fin

Los Amigo – Luis Alberto Spinetta





















NOTA: 5/10


Então chegamos em 2015, onde foi lançado um álbum póstumo do Spinetta, o Los Amigo. Após o Un Mañana, o cantor estava preparando alguns projeto no inicio da década de 2010, mas no começo do ano de 2012, devido a um cancer de pulmão, Luis Alberto Spinetta veio a falecer. Com isso, esse material acabou sendo resgatado e foi preparado um ano antes junto com Rodolfo García na bateria e Daniel Ferrón no baixo. Produção feita pelo proprio cantor, seguiu uma abordagem bem espontanea. As bases foram gravadas ao vivo, com os três tocando juntos, e não houve overdubs nas tomadas originais. O que temos são guitarras expressivas, baixo melodico e uma bateria sustentavel lembrando muito a sonoridade do A 18’ Del Sol. Só que apesar de eles terem ido de cabeça na improvisação, tudo soa bem confuso e faltando algo mais enxuto. O repertório é curtinho tendo poucas faixas, com algumas legais e outras não. Enfim, é um álbum mediano, mas que trouxe algo interessante. 

Melhores Faixas: Iris, Canción Del Lugar 
Piores Faixas: Bagualerita, El Gaitero

 

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