segunda-feira, 20 de julho de 2026

Analisando Discografias - Natiruts

                 

Nativus – Nativus (Natiruts)





















NOTA: 10/10


No ano de 1997, o então chamado Nativus lançou seu álbum de estreia autointitulado. Formado no ano anterior, na capital Brasília, por Alexandre Carlo (vocais e guitarra), Kiko Peres (guitarra), Luís Maurício (baixo), Juninho (bateria), Izabella Rocha (vocal de apoio) e Bruno Dourado (percussão), surgiu em um período em que o Reggae nacional ganhava destaque por conta de nomes como O Rappa e Edson Gomes, mas o Natiruts tinha uma identidade bem própria. A produção, feita pela banda junto com Rodrigo Vidal e lançada pelo selo Zen Records, apresenta uma sonoridade bem orgânica. A bateria utiliza uma afinação seca e natural, enquanto o baixo ocupa uma posição central na mixagem. As guitarras exploram constantemente o tradicional skank do Roots Reggae, e os vocais de Alexandre são bem expressivos, dialogando bastante com o Pop Reggae. O repertório é sensacional, parecendo quase uma coletânea. No fim, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Presente De Um Beija Flor, Liberdade Pra Dentro Da Cabeça, Deixa O Menino Jogar, Som De Bob, Casulo 
Vale a Pena Ouvir: Surfista Do Lago Paranoá, Cantar, Semente Nativa

Povo Brasileiro – Natiruts





















NOTA: 9,8/10


Dois anos depois, o agora Natiruts lançou seu 2º álbum, o Povo Brasileiro, que foi um trabalho mais ambicioso. Após o Nativus, a banda mudou de nome para o que conhecemos hoje para não ter problemas com outra banda gaúcha de mesmo nome. Além disso, seu disco de estreia foi relançado, já que o grupo assinou com a gravadora EMI. Para esse projeto, decidiram incorporar críticas sociais, referências históricas, identidade nacional e discussões políticas ao universo da banda. A produção, feita por Liminha, trouxe um som bem mais refinado. Há bastante presença de metais e teclados, preenchendo os espaços com timbres discretos. A cozinha rítmica é bem sólida e consegue criar um groove constante, enquanto as guitarras permanecem fiéis ao skank, porém exploram mais camadas. Além disso, os vocais de Alexandre continuam bem expressivos. O repertório é incrível, e as canções são bem profundas. No geral, é um belíssimo álbum e muito coeso. 

Melhores Faixas: O Carcará E A Rosa, Meu Reggae É "Roots", Eu e Ela, Povo Brasileiro, Proteja-se e Lute, Em Paz, Forasteiro 
Vale a Pena Ouvir: Cavaleiros Azuis, Palmares 1999, Una Vez Más

Verbalize – Natiruts





















NOTA: 8,7/10


Em 2001, o Natiruts lançou seu 3º álbum, o Verbalize, que foi um trabalho mais acessível. Após o Povo Brasileiro, Alexandre Carlo decidiu direcionar as composições para uma reflexão mais pessoal e filosófica. O álbum fala sobre crescimento interior, espiritualidade, amor, responsabilidade e liberdade individual, mantendo as raízes do reggae, mas incorporando elementos mais amplos. Produzido por Tom Capone, o disco apresenta um som extremamente limpo e dinâmico. Os arranjos ganham profundidade por meio de instrumentos vintage, especialmente órgãos Hammond, pianos Fender Rhodes e teclados analógicos. Claro, a presença das guitarras com o tradicional skank, do baixo melódico, da bateria bem definida, com bumbo encorpado e caixa seca, e dos vocais precisos do Alexandre se equilibra com essa proposta ainda mais voltada para o Pop Reggae. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e divertidas. Enfim, é um trabalho bacana e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Andei Só, Verbalize, Tenha Os Olhos Sempre Abertos, Homem Do Povo (participação do Rodolfo Abrantes), Flashes E Ambições 
Vale a Pena Ouvir: Eu Luto, Discípulo De Mestre Bimba, Gotas De Vidro

Qu4tro – Natiruts





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, a banda voltou lançando mais um trabalho novo, intitulado simplesmente Qu4tro. Após Verbalize, o Natiruts se consolidou como um dos grupos mais populares do Brasil, levando seu Reggae para um público muito além dos fãs tradicionais do gênero. Para esse projeto, decidiram fazer algo mais sério, tanto que as composições não foram todas feitas por Alexandre Carlo. A produção de Tom Capone é extremamente limpa, porém um pouco menos sofisticada. Isso porque aqui eles voltaram a fazer um Reggae mais tradicional, com Luís Maurício trazendo linhas de baixo melódicas, a bateria de Lucas Pimentel seca e precisa, as guitarras explorando constantemente o tradicional skank e os vocais do Alexandre conseguindo transmitir serenidade sem perder a intensidade emocional. O repertório é ótimo, e as canções são mais reflexivas e muito bem tematizadas. Enfim, é um ótimo álbum e carregado de espiritualidade. 

Melhores Faixas: Bob Falou, Espero Que Um Dia, Aldeia, Jamaica Roots II, Naticongo, Nessa Babilônia 
Vale a Pena Ouvir: Leve Com Você, Andar Pela Ilha, Soul De Bsb

Nossa Missão – Natiruts





















NOTA: 8,7/10


Três anos depois, o Natiruts lançou mais um trabalho novo, o variado Nossa Missão. Após o Qu4tro, o guitarrista Kiko Peres acabou saindo da banda. Além disso, eles encerraram seu vínculo com a EMI e passaram a lançar seus trabalhos de forma independente. Com isso, aproximaram sua música do dub, vertente jamaicana conhecida pelo uso intenso de delays, reverbs, ecos e manipulações de estúdio. A produção, feita pela própria banda, resultou em uma sonoridade mais variada, mas sem abrir mão daquele lado acessível característico do grupo. O som ainda é puxado para o Pop Reggae, mas há muita presença do Dub e do Dancehall. As guitarras skankeadas agora recebem diversos efeitos de delay e phaser. A cozinha rítmica é bem mais orientada ao groove, e os vocais de Alexandre são bastante expressivos. O repertório é ótimo, e as canções são suaves e muito cadenciadas. No geral, é um trabalho muito bom e carregado de ousadia. 

Melhores Faixas: Quem Planta Preconceito, Quero Ser Feliz Também, Au De Cabeça, Iluminar, Caraíva 
Vale a Pena Ouvir: Bossa Nova em Kingston, Eu Eternamente Cantarei a Paz, Toca Fogo

Raçaman – Natiruts





















NOTA: 8/10


Em 2009, o Natiruts lançou seu 6º álbum de estúdio, o Raçaman, que foi um trabalho bem mais modernizado. Após o Nossa Missão, o percussionista Bruno Dourado e Izabella Rocha, que fazia os vocais de apoio, acabaram saindo da banda. Para esse projeto, Alexandre Carlo procurou expandir ainda mais os limites do Reggae praticado pelo grupo, aproximando-o da música brasileira e de elementos da música latina. A produção foi bastante limpa e muito variada, já que reúne elementos do Reggae, Dub, Dancehall, Soul e World music. As guitarras possuem timbres bastante limpos e modernos, as linhas de baixo são extremamente melódicas e profundas, a bateria é extremamente definida, assim como a percussão, e os vocais do Alexandre ficaram mais intimistas e trazem uma sensação de aconchego. O repertório é legalzinho, e as canções são mais envolventes e melódicas. No final de tudo, é um ótimo disco que envelheceu bem. 

Melhores Faixas: Raçaman, Um Céu, Um Sol E Um Mar 
Vale a Pena Ouvir: Vento, Sol, Coração, 1996, Sorri, Sou Rei, Reggae Music (Farol De Santa Marta)

Índigo Cristal – Natiruts





















NOTA: 5/10


Foi apenas em 2017 que o Natiruts voltou, lançando mais um álbum, o Índigo Cristal. Após o Raçaman, a banda lançou alguns projetos ao vivo nesse meio-tempo e também voltou a assinar com uma grande gravadora, a Sony Music. Nesse trabalho, eles procuraram equilibrar a identidade construída ao longo de duas décadas com uma sonoridade mais contemporânea. A produção, feita inteiramente por Alexandre Carlo, foi bastante refinada e dialoga com a modernidade. Eles continuam apostando no Pop Reggae, mas há uma forte presença de metais com linguagem jazzística, pianos elétricos, sintetizadores discretos, violões de MPB e guitarras extremamente limpas. Só que o problema é que tudo soa bastante reciclado, com arranjos que chegam a ser excessivamente arrastados. O repertório é mediano: há canções boas e outras bastante sem graça. Enfim, é um álbum irregular que mostrava que eles estavam perdidos. 

Melhores Faixas: Desculpe, Doutor, Sol Do Meu Amanhecer, Eu Quero Demais 
Piores Faixas: Caminhando Eu Vou, Canção Pro Vento, Que Bom Você De Volta

I Love – Natiruts





















NOTA: 3/10


No final de 2018, o Natiruts lançou outro álbum, intitulado I Love, que foi um trabalho ainda mais sofisticado. Após o Índigo Cristal, Alexandre Carlo decidiu criar um disco inteiramente voltado ao amor em suas diversas formas: amor romântico, amizade, ancestralidade e respeito às diferenças. Além disso, procurou aproveitar o hype que o Natiruts havia adquirido com seu lançamento anterior, em um período marcado pelo domínio do Sertanejo universitário. A produção foi mais variada, com as guitarras skank sempre em destaque, porém cercadas por sintetizadores suaves, efeitos de ambiência e camadas vocais bastante trabalhadas. O baixo possui um groove mais profundo, e a bateria apresenta timbres modernos e secos, dialogando com o Pop Reggae, além de influências da música latina e até do R&B. Mesmo assim, tudo parece um conjunto de ideias sem forma. O repertório é muito ruim, com canções chatinhas e poucas exceções. No final, é um álbum fraquíssimo e sem coesão. 

Melhores Faixas: Bem Pra Longe, Deriram, Verde do Mar de Angola (ótima participação do Gilberto Gil) 
Piores Faixas: Hoje Eu Quero Ouvir, I Love, Xaxado do Amor, O Silêncio Virou Som

Good Vibration – Natiruts





















NOTA: 5/10


Então chegamos a 2021, quando o Natiruts lançou seu último álbum, o Good Vibrations. Após o I Love, a banda planejou um projeto audiovisual chamado América Vibra, gravado na Argentina, mas a pandemia de COVID-19 interrompeu completamente esses planos. Então, Alexandre Carlo decidiu fazer um álbum de forma remota e reunir uma série de convidados. A produção foi bem complicada, já que tudo foi gravado de forma individual, e eles decidiram seguir uma sonoridade polida e acessível, juntando Pop Reggae, Dancehall, R&B e Afrobeats. As guitarras são extremamente limpas, os baixos são sólidos, a bateria é seca e os vocais do Alexandre são bem seguros. O problema é que tudo continua muito repetitivo e carece de algo mais dinâmico. Além disso, os teclados acabam se sobrepondo aos arranjos. O repertório é irregular: há canções boas e outras genéricas. No fim, é um álbum mediano e, após isso, a banda encerrou suas atividades em 2025. 

Melhores Faixas: Dia Perfeito (Planta E Raiz levou som para eles), Reggae Amor (participação do Carlinhos Brown), Good Vibration (IZA mandou bem) 
Piores Faixas: Que Bom Você De Volta II, Ela, Todo Bien, Rosas

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                      

domingo, 19 de julho de 2026

Review: Daughter From Hell da Gracie Abrams

                   

Daughter From Hell – Gracie Abrams





















NOTA: 1/10


Recentemente, a Gracie Abrams voltou com seu 3º álbum, o Daughter From Hell. Após o The Secret of Us, e depois de a cantora conquistar grande relevância na mídia, ela decidiu adotar uma abordagem emocionalmente mais pesada, menos focada em relacionamentos específicos e mais voltada para ansiedade, culpa, amadurecimento, pressão da fama, identidade e autodestruição. A produção, feita por ela em conjunto com Aaron Dessner e Dan Nigro, é extremamente limpa e acessível, com guitarras limpas, piano, sintetizadores discretos e bateria orgânica. Porém, o disco apresenta arranjos mais cinematográficos e climáticos do que seus antecessores. Só que tudo aqui soa como um álbum de Folk e Alt-Pop extremamente sem graça, repleto dos clichês mais previsíveis, e os vocais sussurrados da Gracie não empolgam. O repertório é simplesmente terrível, com canções repetitivas e genéricas. Em suma, é outro álbum péssimo e sem ambição. 

Melhores Faixas: (..................................................) 
Piores Faixas: What If It’s Right?, Sober, Men Like You, The Knife, Hit The Wall, Look At My Life
 

                                                                                   É isso, então flw!!!                 

Analisando Discografias - Cocteau Twins

                 

Garlands – Cocteau Twins





















NOTA: 9/10


Em 1982, o Cocteau Twins lançava seu álbum de estreia, intitulado Garlands, trazendo algo inovador. Formado em 1979, na cidade de Grangemouth, Stirlingshire, na Escócia, por Robin Guthrie (guitarra e bateria eletrônica) e Will Heggie (baixo), o grupo acabou conhecendo a jovem Elizabeth Fraser, que se tornou a vocalista da banda. Eles chamaram a atenção da gravadora 4AD, que viu neles exatamente o que buscava: uma sonoridade atmosférica, melancólica e pouco convencional. A produção foi feita pela banda junto com Ivo Watts-Russell, criando um som cinematográfico e denso. As guitarras são distorcidas, cheias de eco e feedback. As linhas de baixo são repetitivas, hipnóticas e ameaçadoras, e a bateria é seca e minimalista. Os vocais da Elizabeth são usados como uma textura, resultando em um Post-Punk com Ethereal Wave. O repertório é ótimo, e as canções são bastante imersivas. Enfim, é um excelente álbum de estreia que mostrava um caminho promissor. 

Melhores Faixas: Wax And Wane, Shallow Then Halo, The Hollow Men 
Vale a Pena Ouvir: Blood Bitch, Garlands

Head Over Heels – Cocteau Twins





















NOTA: 9,8/10


No ano seguinte, o Cocteau Twins lançava seu sensacional 2º álbum, o Head Over Heels. Após o Garlands, Elizabeth Fraser e Robin Guthrie começaram a abandonar aquelas referências do Post-Punk tradicional para construir uma identidade completamente própria. No entanto, eles passaram a atuar como uma dupla devido à saída do baixista Will Heggie, com Guthrie assumindo o baixo de forma temporária. A produção ficou mais sofisticada e seguiu por um caminho mais cinematográfico. As guitarras possuem verdadeiras camadas de timbres. Chorus, delay, reverb e diversas formas de processamento transformam a guitarra em algo próximo de sintetizadores. As baterias ficaram mais variadas, e Elizabeth Fraser agora apresenta vocais que trabalham sílabas, registros extremamente agudos e melodias imprevisíveis, juntando Rock gótico com Ethereal Wave. O repertório é sensacional, e as canções são bastante atmosféricas. No geral, é um baita disco e um clássico absoluto. 

Melhores Faixas: Sugar Hiccup, Musette And Drums, Five Ten Fiftyfold, In Our Angelhood, The Tinderbox (Of A Heart) 
Vale a Pena Ouvir: My Love Paramour, Glass Candle Grenades

Treasure – Cocteau Twins





















NOTA: 10/10


Em 1984, o Cocteau Twins lançava seu atemporal e clássico 3º álbum, o Treasure. Após o Head Over Heels, Elizabeth Fraser e Robin Guthrie já haviam encontrado uma identidade artística praticamente única. A entrada definitiva de Simon Raymonde, que assumiu o baixo e os teclados após a saída de Will Heggie, completou a formação clássica da banda e trouxe uma nova dimensão harmônica às composições. A produção foi bem refinada e bastante cinematográfica. As guitarras utilizam efeitos como chorus, delay, reverberação e modulações para transformar o instrumento em uma fonte praticamente inesgotável de texturas. O baixo é extremamente elegante, a bateria é bastante sutil, e os vocais da Elizabeth abandonam qualquer compromisso com uma dicção convencional. Com isso, temos as bases do Ethereal Wave e do Dream Pop. O repertório é sensacional, sendo praticamente uma coletânea de grandes canções. No fim, é um álbum fantástico e uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Lorelei, Donimo, Ivo, Pandora (For Cindy), Persephone 
Vale a Pena Ouvir: Amelia, Aloysius, Beatrix

Aikea-Guinea – Cocteau Twins





















NOTA: 8,4/10


Mais um ano se passou, e o Cocteau Twins lançava um de seus vários EPs, o Aikea-Guinea. Após o Treasure, a banda voltou a lançar um EP, formato que sempre serviu como um laboratório de ideias para lançamentos futuros, e aqui revela uma faceta um pouco mais leve, espontânea e até acessível. A atmosfera continua profundamente etérea, mas existe uma sensação maior de movimento e luminosidade. A produção foi bem mais limpa, mas seguiu aquela estética característica. Robin Guthrie continua utilizando inúmeras camadas de guitarra processadas com chorus, delay e reverberação, só que de forma mais fluida. A bateria ficou bem mais simples, enquanto Simon Raymonde desenvolve melodias próprias com seu baixo, dialogando constantemente com as guitarras. Os vocais da Elizabeth Fraser alternam registros agudos, médios e graves com enorme naturalidade. O repertório contém 4 faixas muito boas e etéreas. Enfim, é um belo EP e mostrava o caminho para o futuro.

Melhores Faixas: Aikea-Guinea, Quisquose 
Vale a Pena Ouvir: Kookaburra, Rococo

Victorialand – Cocteau Twins





















NOTA: 9,2/10


No começo de mais um ano, a banda lançou seu 4º álbum de estúdio, o Victorialand. Após o Aikea-Guinea, Elizabeth Fraser e Robin Guthrie optaram por reduzir drasticamente os elementos musicais. O resultado foi o álbum mais minimalista, contemplativo e silencioso de toda a carreira do grupo. Outro fator importante é que Simon Raymonde não participou das gravações por estar envolvido em outros projetos naquele período. A produção foi extremamente atmosférica em todos os sentidos. O som dialoga com o Dream Pop, mas tem muita influência do que viria a ser o Ambient Pop. As guitarras seguem aquele padrão, só que agora são muito mais leves. A ausência quase completa da bateria modifica profundamente o ritmo do álbum, assim como a falta do baixo deixa um espaço maior para que os vocais da Elizabeth sirvam como um instrumento. O repertório é incrível, e as canções são bem aconchegantes e suaves. Enfim, é um belo disco e muito ousado. 

Melhores Faixas: Lazy Calm, Oomingmak, Little Spacey, Whales Tails, The Thinner The Air Vale a Pena Ouvir: Feet-Like Fins, How To Bring A Blush To The Snow

The Moon And The Melodies – Harold Budd ▪ Elizabeth Fraser ▪ Robin Guthrie ▪ Simon Raymonde





















NOTA: 9/10


Meses depois, o Cocteau Twins lançou um álbum colaborativo com Harold Budd, o The Moon and the Melodies. Após o Victorialand, o trio vinha de uma sequência criativa impressionante. Os EPs de 1985 mostravam uma banda completamente segura de sua linguagem, mas agora a presença de Harold Budd traz uma concepção musical baseada na repetição, no silêncio e na valorização do espaço entre as notas. A produção, feita por ambos, resultou em um som extremamente elaborado. A guitarra do Robin Guthrie continua repleta de chorus, delay e reverberação, mas agora cada nota recebe muito mais espaço para respirar. O piano do Budd aposta em pequenas frases repetidas, acordes espaçados e notas sustentadas por longos períodos. Os vocais da Elizabeth Fraser tornam-se ainda mais suaves, quase transparentes. O repertório é incrível, e as canções são melódicas e mais cadenciadas. No fim, é um trabalho muito bacana e que deve ser ouvido com atenção. 

Melhores Faixas: Sea, Swallow Me, Bloody And Blunt, Memory Gongs 
Vale a Pena Ouvir: The Ghost Has No Home, Why Do You Love Me?

Blue Bell Knoll – Cocteau Twins





















NOTA: 9,9/10


Se passaram então dois anos para o Cocteau Twins lançar mais um disco, o Blue Bell Knoll. Após o The Moon and the Melodies, com Harold Budd, a banda decidiu fazer um trabalho muito mais luminoso, fluido e colorido. Há uma sensação constante de movimento, como se cada música estivesse em permanente transformação, mas sem perder a delicadeza que sempre caracterizou o grupo. A produção foi bem mais ampla e seguiu por um caminho mais dinâmico. Nas guitarras, existe uma clareza muito maior entre as diversas camadas, principalmente no uso de efeitos como chorus, delay e reverberação, que ficaram mais precisos. A bateria ficou bem definida, e o baixo do Simon Raymonde constrói linhas extremamente melódicas. Os vocais da Elizabeth Fraser têm um controle absoluto sobre dinâmica, timbre e articulação. O repertório é excepcional, e as canções são brilhantes e surrealistas. No geral, é um trabalho maravilhoso e que parecia representar o auge da banda. 

Melhores Faixas: Carolyn's Fingers, Athol-Brose, Blue Bell Knoll, The Itchy Glowbo Blow, Cico Buff, For Phoebe Still A Baby 
Vale a Pena Ouvir: Ella Megalast Burls Forever, Suckling The Mender

Heaven Or Las Vegas – Cocteau Twins





















NOTA: 10/10


Entrando nos anos 90, o Cocteau Twins nos presenteava com outro álbum atemporal, o Heaven or Las Vegas. Após o Blue Bell Knoll, os integrantes passavam por dificuldades, enquanto lidavam com mudanças profundas em suas vidas particulares. Ao mesmo tempo, Elizabeth Fraser experimentava a maternidade, fator que influenciou o tom emocional de várias composições. A produção é extremamente sofisticada e clara. As guitarras continuam etéreas, mas parecem mais luminosas, com o uso de delay e reverb de forma precisa. As linhas de baixo do Simon Raymonde continuam bem elegantes, a bateria é bastante definida, e os vocais da Elizabeth são muito expressivos e apresentam uma clareza ainda maior. Temos, assim, uma obra definitiva do Dream Pop, com pequenos traços do Shoegaze que a própria banda ajudou a influenciar. O repertório é espetacular; é praticamente uma coletânea. No final de tudo, é um clássico e um dos melhores álbuns de todos os tempos. 

Melhores Faixas: Heaven Or Las Vegas, Cherry-Coloured Funk, Frou-Frou Foxes In Midsummer Fires, Pitch The Baby, Fotzepolitic, Fifty-fifty Clown 
Vale a Pena Ouvir: Iceblink Luck, I Wear Your Ring

Four-Calendar Café – Cocteau Twins





















NOTA: 9,4/10


Três anos se passaram, e foi lançado o 7º álbum do Cocteau Twins, o Four-Calendar Café. Após o Heaven or Las Vegas, a banda deixou a 4AD Records, e passou a trabalhar com uma grande gravadora, a Fontana. Essa mudança coincidiu com um período extremamente turbulento na vida pessoal dos integrantes. A relação entre Elizabeth Fraser e Robin Guthrie, que já vinha se desgastando durante os anos anteriores, estava praticamente chegando ao fim. A produção seguiu por um caminho mais equilibrado, com um som mais sofisticado. As guitarras passaram a ter timbres mais limpos e discretos. A bateria é mais seca e definida, o baixo é extremamente melódico, e os vocais da Elizabeth Fraser ficaram mais claros e transmitem vulnerabilidade. Com isso, o som segue no Dream Pop, mas também apresenta influências do Jangle Pop. O repertório é sensacional, e as canções são bastante imersivas. No fim, é um belo disco e muito subestimado. 

Melhores Faixas: Bluebeard, Know Who You Are At Every Age, Evangeline, Summerhead, Squeeze-Wax 
Vale a Pena Ouvir: Oil Of Angels, My Truth

Milk & Kisses – Cocteau Twins





















NOTA: 8,7/10


Três anos se passaram, e o Cocteau Twins lançava seu último álbum, Milk & Kisses. Após o Four-Calendar Café, a banda tentou recuperar parte da magia sonora dos trabalhos anteriores, mas sem simplesmente repetir o passado. A banda estava trabalhando com uma linguagem que dominava completamente, buscando uma espécie de síntese de tudo aquilo que havia desenvolvido ao longo dos anos. A produção foi, como sempre, bastante refinada, contando com guitarras cheias de camadas, efeitos e texturas, mas aqui existe uma abordagem um pouco mais controlada. A cozinha rítmica ficou bem mais discreta, com o baixo ainda sendo bastante melódico e os vocais da Elizabeth cheios de vocalizações incompreensíveis, mas agora existe uma maior sensação de intenção emocional. O repertório é muito bom, e as canções são bastante melódicas e imersivas, mesmo com algumas faixas ruins. Enfim, é um ótimo trabalho de despedida, apesar de ser o álbum mais fraco deles. 

Melhores Faixas: Serpentskirt, Violaine, Seekers Who Are Lovers, Treasure Hiding 
Piores Faixas: Half-Gifts, Calfskin Smack


Analisando Discografias - Natiruts

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