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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Freddie Gibbs: Parte 2

                 

You Only Live 2wice – Freddie Gibbs





















NOTA: 8,3/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um disco do Freddie Gibbs, o You Only Live 2wice. Após o Shadow Of A Doubt, o rapper viveu o período mais difícil de sua carreira e de sua vida. Em 2016, durante uma turnê na Europa, ele foi preso na Áustria acusado de agressão sexual, caso que foi amplamente noticiado e que poderia ter destruído sua imagem para sempre. Depois de meses encarcerado e aguardando julgamento, Gibbs provou sua inocência e foi absolvido das acusações. Com esse período de solidão, ele decidiu fazer um álbum que mostrasse um recomeço. A produção, feita por ele junto com Speakerbomb, Aaron Bow e outros, combina synths oníricos, coros celestiais e graves pesados, sendo a maioria das faixas voltadas para Trap e Cloud Rap. Gibbs utiliza um fluxo mais cadenciado e emocional, mantendo sua agressividade lírica, mas com dores expostas. O repertório é bem legal, e as canções são todas bem profundas. Enfim, é um ótimo álbum e bastante sólido. 

Melhores Faixas: Alexys, Amnesia 
Vale a Pena Ouvir: Homesick, 20 Karat Jesus, Crushed Glass

Bandana – Freddie Gibbs & Madlib





















NOTA: 9,7/10


Chegando em 2019, foi lançado o 2º álbum colaborativo de Freddie Gibbs e Madlib, o Bandana. Após o You Only Live 2wice, Gibbs estava se recuperando do período traumático que passou em 2016, enquanto Madlib deu entrevistas dizendo que estava produzindo beats inteiros no iPad, reafirmando seu status de alquimista sonoro. Esse reencontro depois do inferno mostra o rapper mais letal do que nunca, Madlib ainda mais ousado e esquisito, e uma narrativa que combina vingança, fé, paranoia, redenção e arrogância de campeão. A produção é mais sombria, torta e frenética, com samples de funk, soul, trilhas obscuras, psicodelia africana, rádio pirata… tudo truncado, acelerado, cortado fora do compasso, e com Gibbs respondendo com um flow militar, preciso, glaciar e assassino, transitando isso entre Jazz Rap, Boom Bap, Drumless e alguns momentos de Trap. O repertório é incrível, e as canções são bem reflexivas e dinâmicas. No fim, é um belo álbum e certamente um clássico. 

Melhores Faixas: Crime Pays, Cataracts, Fake Names, Education (feat sensacional do Mos Def e Black Thought), Palmolive (Pusha T amassando), Flat Tummy Tea, Giannis (ótima feat do Anderson .Paak) Vale a Pena Ouvir: Half Manne Half Cocaine, Situations, Practice

Alfredo – Freddie Gibbs & The Alchemist





















NOTA: 10/10


Entrando em 2020, foi lançado um álbum colaborativo de Freddie Gibbs e The Alchemist, o Alfredo. Após o Bandana, Gibbs estava no auge da forma técnica e criativa. Ele já tinha provado que podia rimar sobre qualquer paisagem musical, então decidiu se unir novamente a outro alquimista sonoro do Rap: The Alchemist. Essa parceria já vinha sendo construída ao longo de anos, com colaborações pontuais desde 2011. A produção, feita obviamente por ele, cria aqui um filme de crime em 10 capítulos, com trilhas que soam como rolos de fita encontrados em um porão de máfia italiana. Samples precisos, cordas dramáticas e beats cuidadosamente montados, junto com os flows afiados de Gibbs, formam basicamente uma junção de Gangsta Rap, Rap mafioso, Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é simplesmente sensacional, fazendo parecer uma coletânea, só tendo canção incrível. No fim, é mais um álbum excepcional e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Something To Rap About (bela feat do Tyler, The Creator), God Is Perfect, 1985, Babies & Fools (Conway the Machine amassando) 
Vale a Pena Ouvir: Skinny Suge, Scottie Beam (ótima feat do Rick Ross), Baby $hit

$oul $old $eparately – Freddie Gibbs





















NOTA: 9,5/10


Dois anos depois, foi lançado mais um álbum de Freddie Gibbs, o $oul $old $eparately. Após o Alfredo, ele continuava lidando com tensões intensas: brigas públicas com Jeezy, polêmicas com DJ Akademiks, acusações da mídia, o peso de ter se provado inocente após ser preso injustamente na Europa, e conflitos emocionais com relacionamentos e paternidade. Para esse álbum, ele trouxe um conceito que gira em torno de um cassino fictício no deserto, o $$$ Resort, onde artistas apostam a alma pela fama. Além disso, esse trabalho foi lançado pela Warner. A produção foi diversificada, contando com DJ Paul, Madlib, The Alchemist, Jake One, Boi-1da, entre outros, trazendo uma sonoridade polida, porém densa, no estilo Gangsta Rap característico de Gibbs, com beats variados e grandiosos, que mergulham no Trap, Boom Bap e Jazz Rap. O repertório é maravilhoso, e as canções são bem profundas e cheias de mensagem. No final, é um belo álbum e com muito conceito. 

Melhores Faixas: Space Rabbit, Feel No Pain (Anderson .Paak e Raekwon marcando presença), Dark Hearted, Lobster Omelette, Gold Rings (ótima feat do Pusha T), Rabbit Vision, CIA 
Vale a Pena Ouvir: Couldn't Be Done, Decode (ótima feat do Scarface), PYS, Too Much

You Only Die 1nce – Freddie Gibbs





















NOTA: 8,8/10


Mais dois anos se passaram e foi lançado seu 5º álbum de estúdio, o You Only Die 1nce. Após o $oul $old $eparately, Freddie Gibbs estava no auge de sua técnica, porém ainda carregando bagagem intensa, reafirmando-se no topo e chamando atenção para o fato de que agora a mira é maior: ele não apenas sobreviveu, mas quer deixar legado. Para esse trabalho, ele quis fazer uma continuação ainda mais profunda do You Only Live 2wice. A produção foi diversificada, contando com DJ Harrison, YG! Beats, entre outros, que colocaram um clima mais sombrio, denso e introspectivo, além de incluir baixos pesados, atmosferas de meia-luz, samples que evocam tensão e coros ou vozes sobrenaturais, muito a ver com aquela junção de Jazz Rap, Boom Bap e Trap, junto com seu Gangsta Rap característico. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem profundas e intimistas. No geral, é um ótimo álbum e uma continuação bem interessante. 

Melhores Faixas: On The Set, Wolverine, Cosmo Freestyle, Steel Doors 
Vale a Pena Ouvir: Rabbit Island, Origami, Yeah Yeah, Ruthless

Alfredo 2 – Freddie Gibbs & The Alchemist





















NOTA: 9,8/10


Então chegamos em 2025, quando enfim Freddie Gibbs e The Alchemist retornaram com Alfredo 2. Após o You Only Die 1nce, Gibbs chega mais maduro, com a carreira consolidada; o produtor Alchemist também atua com mais liberdade artística. Esse trabalho foi anunciado com um curta-metragem no Japão, mostrando uma base que funciona como indicação de continuidade temática (consciência de legado, reflexões sobre ascensão, sobrevivência), bem como de estilo. A produção foi mais variada, com Alchemist mesclando samples de Soul e Jazz, loops atmosféricos e beats que oscilam entre o minimalismo e o estudo detalhado. Há novas sutilezas: momentos melódicos e momentos mais agressivos, que se complementam com os flows variados de Gibbs, fazendo um cruzamento dos mundos do Gangsta Rap e do Rap mafioso. O repertório novamente é incrível, e as canções são bem imersivas e reflexivas. No final, é um baita disco e um dos melhores do ano. 

Melhores Faixas: Ensalada (Anderson .Paak mandando bem demais), 1995, I Still Love H.E.R., Gold Feet (ótima feat do JID), Shangri La, Mar-A-Lago 
Vale a Pena Ouvir: Gas Station Sushi, Lavish Habits, Empanadas


                   Bom é isso e flw!!!       

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Freddie Gibbs: Parte 1

                 

Thuggin' – Freddie Gibbs & Madlib





















NOTA: 7/10


Indo para 2011, foi lançado o 1º trabalho colaborativo do Freddie Gibbs com Madlib, o EP Thuggin'. Gibbs começou sua trajetória por volta de 2004 e, até 2011, lançou várias mixtapes, chegando a ser contratado pela gravadora CTE World. Nesse meio tempo, acabou conhecendo Madlib e eles formaram um duo também chamado MadGibbs. Para esse EP, foi pensado quase como um cartão de visitas desse projeto: uma cápsula densa com duas faixas principais, alguns instrumentais e remixes dependendo da versão. A produção tem samples de soul e funk raros que se chocam com beats esmerilados, sujos na medida certa, sem soar artificiais. Ele não tenta acompanhar Gibbs: ele o provoca. A produção tem muita textura, muita respiração e, ao mesmo tempo, deixa espaço para as histórias pesadas do rapper, tudo puxado para o Gangsta Rap. O repertório contém 6 faixas bem interessantes, entre instrumentais e cantadas. No geral, é um trabalho legal e que serviu como uma base. 

Melhores Faixas: Deep (Vocal), Thuggin (Vocal) 
Vale a Pena Ouvir: Cold On The Blvd

ESGN - Evil Seeds Grow Naturally – Freddie Gibbs





















NOTA: 5,9/10


Então se passam dois anos e é lançado o álbum de estreia do Freddie Gibbs, o ESGN – Evil Seeds Grow Naturally. Após o EP Thuggin’, ele acabou saindo da CTE World, cansado de promessas vazias da indústria e disposto a mostrar que conseguiria crescer sem depender de grandes selos. O título deixa isso claro: “sementes do mal crescem naturalmente”, como se a realidade dura de Gary, Indiana, cidade marcada por pobreza, crime e abandono, fosse o solo que o formou. A produção foi diversificada, contando com IDL Labs, Cardo, Tone Mason, entre outros, que entregaram um som sujo, carregado em bateria seca e samples que lembram trilhas de rua, sendo basicamente um Gangsta Rap, mas com influências de Trap que, de certo modo, combinam com a versatilidade vocal do Gibbs: ora cortante e rápida, ora pesada e cadenciada. Apesar disso, acontecem várias repetições. O repertório é bem irregular: tem canções legais e outras genéricas. No fim, é um álbum bastante mediano. 

Melhores Faixas: Eastside Moonwalker, I Seen A Man Die, Came Up, Paper, F.A.M.E., Hundred Thousand 
Piores Faixas: 9mm, Dope In My Styrofoam, The Real G Money, Certified Live, Lay It Down, D.O.A.

Deeper – Freddie Gibbs & Madlib





















NOTA: 7,2/10


Foi questão de dois meses para que fosse lançado outro EP do Freddie Gibbs & Madlib, o Deeper. Após o lançamento do ESGN, a dupla já preparava mais um EP que serviria de base para o futuro álbum colaborativo e, aqui, mostra um drama humano por trás do Gangsta Rap de Gibbs. Ele não fala apenas da rua como negócio e sobrevivência, mas das marcas emocionais que ela deixa quando se ama alguém nesse cenário. A produção foi aquela de sempre: recortes de Soul e R&B que parecem tirados de fitas antigas, ásperas, com ruídos e cortes abruptos que dão a sensação de lembrança machucada. Os beats aqui têm um sentimento melancólico intenso, mais do que nos EPs anteriores. Madlib cria um ambiente emocional e Gibbs mostra um liricismo frio e factual. O repertório novamente conta com 6 faixas bacanas e imersivas. No final, é um trabalho bem legal e que preparou terreno para algo gigantesco. 

Melhores Faixas: Deeper, Harold’s 
Vale a Pena Ouvir: Ups & Downs (Bonus Beat)

Piñata – Freddie Gibbs & Madlib





















NOTA: 10/10


Então chega 2014, quando foi lançado o atemporal álbum colaborativo do MadGibbs, o Piñata. Após o lançamento dos EPs, Gibbs mostrava uma trajetória de independência e endurecimento e estava no momento mais técnico e narrativo de sua carreira. Madlib, por sua vez, já era reconhecido como um dos maiores produtores da história do Hip-Hop/Rap, herdeiro de J Dilla, mestre do sample, do Jazz e da estética Lo-fi. A produção, conduzida por ele, mergulha numa junção de Soul, Funk, samples psicodélicos, trilhas italianas de crime e arranjos cinematográficos. Cada faixa é praticamente uma cena: ruídos de fita, vinil estalando, vozes recortadas, cortes bruscos que lembram colagens visuais, tudo se complementando com os flows variados de Gibbs, que se encaixa em alguns momentos no Jazz Rap, Boom Bap, Drumless e Chipmunk Soul. O repertório é simplesmente fantástico, parece até uma coletânea. No fim, é um álbum incrível e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Shitsville, Deeper, Bomb (baita feat do Raekwon), High (feat sensacional do Danny Brown), Piñata (basicamente uma cypher, e o melhor verso é do Mac Miller), Harold’s, Real 
Vale a Pena Ouvir: Thuggin', Robes (Domo Genesis e Earl Sweatshirt indo bem), Scarface

Shadow Of A Doubt – Freddie Gibbs





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, Freddie Gibbs lançava seu 2º álbum de estúdio, o Shadow of a Doubt. Após o excepcional Piñata, ele havia conquistado o respeito do underground e se tornado um nome fundamental no Rap contemporâneo, mas ainda vivia sob a sombra de ser visto como “o rapper do Madlib”. Com esse álbum, Gibbs mostra que não depende de nenhuma parceria consagrada para entregar um grande trabalho e que pode navegar por sonoridades mais atuais, com forte presença de Trap, Cloud Rap e elementos do Gangsta Rap moderno. A produção foi mais diversificada, contando com Speakerbomb, Boi-1da, Blair Norf, Murda Beatz, entre outros, que adicionaram uma sonoridade crua. O clima geral permanece sombrio: baixos grossos, baterias pesadas, ambiente tenso, mas com espaço para melodias mais suaves, enquanto o flow dele permanece bem cirúrgico. O repertório é muito bom, com canções pesadas e densas. No fim, é um trabalho incrível e subestimado. 

Melhores Faixas: Fuckin' Up The Count, Extradite (baita feat do Black Thought), Rearview, Careless, Insecurities 
Vale a Pena Ouvir: Forever And A Day, Narcos, 10 Times (ótima feat do Gucci Mane e E-40), Basketball Wives

                                                    Então é isso, um abraço e flw!!!              

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