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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Analisando Discografias - Eminem e N.W.A (RA: LVI)

                   

Recovery – Eminem





















NOTA: 9/10


No ano seguinte, Eminem lança seu 7º álbum, intitulado Recovery, que é quase uma continuação do seu antecessor. Após o lançamento do Relapse, que não foi lá grande coisa, apesar de ter explorado sua dependência em drogas e mergulhado em temas perturbadores e humor sombrio, este trabalho é mais introspectivo e honesto. Eminem reconheceu as falhas do disco anterior e declarou que queria fazer algo diferente e mais acessível para o público. Com esse álbum, ele reflete sobre suas falhas, sobre a indústria musical e sobre a redenção. Além disso, aborda novamente sua luta com o luto pela perda de seu amigo de longa data, Proof, que continuou a afetá-lo profundamente. A produção foi totalmente diversificada, trazendo nomes que, além do Dr. Dre, incluíam Boi-1da, DJ Khalil, Just Blaze, entre outros. Isso resulta em uma sonoridade variada, que mescla elementos do Hip-Hop/Rap clássico com influências contemporâneas e até toques de Rock e Pop. Em vez de depender exclusivamente das batidas minimalistas e sombrias do Dre, este trabalho abraça melodias mais expansivas, pianos emocionais e batidas grandiosas, refletindo esse tom emocional. O repertório é excelente, com muitas canções maravilhosas, como W.T.P., Space Bound e as brilhantes participações do Lil Wayne em No Love e da Rihanna em Love The Way You Lie. Além dessas, há outras músicas boas, como On Fire e 25 to Life. Em suma, é um disco maravilhoso e que tem uma ótima concepção.

The Marshall Mathers LP2 – Eminem 





















NOTA: 8,5/10


Em 2013, Eminem lança mais um álbum novo, The Marshall Mathers LP 2, que é uma sequência daquele mesmo disco de 13 anos antes. Depois do Recovery, que marcou o retorno às suas raízes e à sua batalha contra o vício das drogas, Eminem anunciou a sequência como um projeto que traria de volta a agressividade e honestidade brutal que o tornaram um fenômeno. Entretanto, ao contrário do The Marshall Mathers LP, que focava em sua ascensão meteórica à fama, suas controvérsias públicas e seus demônios pessoais, MMLP2 reflete sobre os quase 15 anos de carreira que se passaram. Embora tivesse superado seus problemas de vício, ele ainda se sentia pressionado pelo legado de seu trabalho passado. Mais uma vez, a produção contou com Dr. Dre, que é um dos principais produtores do álbum, junto com Rick Rubin, além de outros nomes como Alex da Kid, Emile Haynie, entre outros. A sonoridade do álbum é uma mistura de batidas pesadas, samples nostálgicos e instrumentação moderna, trazendo novamente influências do Hip-Hop tradicional com o Rap Rock. Os arranjos são bem elaborados, servindo de pano de fundo para as letras emocionais e agressivas do rapper. O repertório é muito bom e conta com muitas canções interessantes, como Bad Guy, So Much Better e Brainless, mas as faixas que mais se destacam são as poderosas Legacy, Berzerk e Headlights, e as complexas Survival e Rap God. Enfim, embora este trabalho não supere o original, ele é um ótimo disco.

Revival – Eminem 





















NOTA: 2/10


Após um tempo sem lançar nada, Eminem retorna com mais um álbum novo, o irrelevante Revival. Depois do The Marshall Mathers LP 2, que chegou em um período no qual o rapper enfrentava críticas à sua relevância no cenário musical, ele quis, mais uma vez, fazer deste novo trabalho uma resposta, tentando equilibrar sua evolução artística, enfrentar crises pessoais e discutir questões sociais e políticas. Um dos pontos mais marcantes do álbum foi o ativismo político, com críticas diretas ao governo de Donald Trump e ao estado da América contemporânea. A produção novamente contou com várias pessoas, com Dr. Dre supervisionando a produção executiva. No entanto, o álbum também teve a contribuição de nomes como Rick Rubin, Alex da Kid, entre outros. Rick Rubin, em particular, trouxe um som mais orientado para o Rock em várias faixas, fazendo a mesma mistura de gêneros que já esteve presente em álbuns anteriores. Porém, esses diversos produtores acabaram criando uma bagunça nesse disco, trazendo um repertório muito fraco, cheio de canções esquecíveis como Believe, Untouchable e Framed. Além disso, as feats são muito sem graça, como a do Ed Sheeran em River e Beyoncé em Walk on Water. A única feat realmente boa foi a da Pink em Need Me. Outra música boa foi Remind Me, e o pior é que o interlúdio que vem logo depois consegue ser melhor do que a maioria das faixas deste álbum. Enfim, este trabalho é muito ruim, sendo 1 hora e 20 minutos de pura perda de tempo.

Kamikaze – Eminem





















NOTA: 2,6/10


Logo no ano seguinte, Eminem lança seu 10º álbum de estúdio, o Kamikaze, que novamente está cheio de erros. Após o Revival, que foi um trabalho muito fraco por ter sido excessivamente Pop e desorganizado, houvendo uma repulsa entre seus fãs. Logicamente, nosso querido Slim Shady sentiu-se atacado, e este álbum surgiu como uma resposta a essas reações. Refletindo o desejo dele de reconquistar seu status como um dos melhores rappers, com ataques direcionados à crítica, outros rappers e à indústria musical em geral. Este disco foi totalmente produzido pelo próprio Eminem, com auxílio de outros produtores como Fred Ball, Mike Will Made-It, Boi-1da, entre outros. A sonoridade é predominantemente inspirada pelo Boom bap clássico, mas com influências modernas, trazendo batidas secas, sintetizadores distorcidos e baixos pesados, mantendo uma energia agressiva e pulsante ao longo de todo o disco. Por mais que o conceito seja interessante, eles falharam bastante na conexão das batidas com as letras, além de, novamente, tudo estar bem bagunçado. O repertório, no início, é até interessante, com as canções The Ringer, Greatest e Lucky You com Joyner Lucas, mas as faixas que vêm depois são muito arrastadas, como Stepping Stone e as músicas com as participações da pavorosa Jessie Reyez. As únicas canções boas foram Fall e Venom. No fim, apesar de ser um pouco melhor que seu antecessor, esse disco também é horroroso.

Music To Be Murdered By – Eminem 





















NOTA: 7,8/10


Logo no início de 2020, Eminem lança mais um trabalho novo, o Music To Be Murdered By, novamente sem aviso prévio, como no caso do torturante Kamikaze. Este projeto foi inspirado por Alfred Hitchcock, especificamente seu álbum de mesmo nome lançado em 1958, onde o mestre do suspense narrava músicas sobre assassinatos. Eminem utilizou essa referência para estruturar o trabalho, criando uma obra carregada de temas sombrios, violência e introspecção. Além disso, o álbum reflete o estado emocional e artístico do rapper naquele momento, quando ele estava tentando se reinventar. Não preciso dizer que a produção é totalmente diversificada, com Eminem trabalhando com uma série de produtores de renome, incluindo Dr. Dre, The Alchemist, D.A. Got That Dope e Luis Resto. O álbum incorpora uma vasta gama de estilos: desde beats de Trap e instrumentais com o uso de pianos melódicos até samples que remetem à era do Rap clássico. A sonoridade tem uma ênfase em batidas pesadas e atmosferas sombrias, trazendo um pouco do Horrorcore. O repertório dessa vez é bem melhor, com músicas interessantes como Marsh, Unaccommodating com Young M.A e as espetaculares Lock It Up com Anderson .Paak, Never Love Again e Godzilla com o finado Juice WRLD. Contudo, há algumas canções medianas como Stepdad e Yah Yah. Enfim, apesar das controvérsias de algumas faixas, este é um bom disco que amenizou um pouco os erros de seus antecessores.

The Death of Slim Shady (Coup de Grâce) – Eminem 





















NOTA: 8/10


Chegando agora no último álbum recém-lançado do Eminem, intitulado The Death of Slim Shady (Coup de Grâce). Depois do lançamento do Music To Be Murdered By, Eminem, de certo modo, gostou de trabalhar com álbuns conceituais. Dessa vez, ele quis dar um fim ao seu alter ego "Slim Shady", que foi um personagem controverso, usado para expressar críticas sociais e violência satírica. Como vivemos em uma época em que a geração atual critica tudo sem qualquer fundamento, além de temos a cultura do cancelamento. Todo o conceito desse disco gira em torno de uma batalha entre o rapper e seu alter ego. A produção, como sempre, foi diversificada e envolveu nomes como Dr. Dre (que, dessa vez, não trabalhou como produtor executivo), Luis Resto, Benny Blanco, entre outros. Aqui há um retorno ao som pesado de Detroit, que caracteriza o auge do rapper, com batidas sombrias, samples melódicos e arranjos instrumentais densos. Tudo isso se enquadra em influências variadas, como Hip Hop Consciente, Cômico e Hardcore. O repertório é muito interessante: todas as canções contêm ataques a outros rappers como Kanye West, Ja Rule, Machine Gun Kelly e, principalmente, Diddy, que aparece nas faixas Bad Ones, Fuel e Antichrist. As canções que mais se destacam são Brand New Dance, Evil, e as emocionais Temporary que envolve sua filha Hailie e traz uma sensibilidade semelhante à de Somebody Save Me. No geral, esse álbum é muito bom e apresenta uma concepção interessante.

100 Miles And Runnin’ – N.W.A 





















NOTA: 8/10


Em 1990, o N.W.A lançou o EP intitulado 100 Miles And Runnin', que servia como uma espécie de preparação para o segundo álbum. Antes do lançamento, uma grande tensão afetava o grupo, pois no final do ano anterior, Ice Cube anunciou sua saída. Ele foi um dos principais letristas do álbum de estreia, e sua saída criou um vácuo no conteúdo lírico, que foi assumido principalmente por MC Ren. Além disso, Arabian Prince também havia saído. Muitos dizem que foi ele quem alertou Cube sobre o empresário do grupo, Jerry Heller, que supostamente os pagava de forma injusta. Como Heller era apoiado por Eazy-E, este também foi tratado como culpado. A produção do EP é assinada principalmente por Dr. Dre e DJ Yella, refletindo a crescente sofisticação de Dre como produtor. Ele começou a explorar batidas mais polidas e samples intricados, afastando-se do som mais cru e pesado do álbum anterior. Dre passou a refinar o som do Gangsta rap, utilizando técnicas de produção mais meticulosas, que incluíam samples complexos e a introdução de sintetizadores. O repertório contém 5 faixas, com duas delas atacando Ice Cube: Real Niggaz e, claro, a faixa-título, que também contém indiretas ao FBI, algo que é replicado na parte 2 de Fuck Tha Police, intitulada Sa Prize. Já Just Don’t Bite It apresenta um conteúdo explicitamente sexual, embora tenha uma ótima batida; a única coisa interessante nela é o interlúdio Kamurshol. No fim, é um trabalho legal, apesar de ser bastante minimalista.

Niggaz4Life – N.W.A 





















NOTA: 8,8/10


Então, no ano seguinte, chegou o 2º e último álbum de estúdio do N.W.A, Niggaz4Life, também conhecido como Efil4zaggin, como está na capa do disco. Após o lançamento do 100 Miles and Runnin', que já havia respondido diretamente à saída de Ice Cube e dado continuidade à narrativa anti-policial e gangsta do N.W.A, o grupo se preparou para expandir seu som. A relação entre os membros naquela época não estava boa, principalmente devido ao ambiente conturbado envolvendo a saída do Cube e os problemas com Jerry Heller. Além disso, o período era marcado pelo aumento da popularidade do Gangsta Rap e pelo crescente escrutínio que o N.W.A enfrentava por conta de seu conteúdo explícito. A produção de Dr. Dre é um dos aspectos mais notáveis do álbum. Após impressionar nos trabalhos anteriores, neste álbum ele elevou seu estilo a um novo nível, com beats mais complexos, camadas de samples e uma produção que, de muitas maneiras, antecipou o surgimento do G-Funk, onde ele deixou a sonoridade mais refinada e polida. O repertório, de certo modo, é muito bom e traz muitas canções interessantes, como Niggaz 4 Life, One Less Bitch e The Dayz of Wayback. No entanto, as melhores faixas são certamente Appetite For Destruction, Alwayz Into Somethin’, She Swallowed It e I’d Rather Fuck You. Claro, houve um ataque a Cube em Real Niggaz, incluída tanto aqui quanto em Niggaz 4 Life. Enfim, este trabalho é muito bom, embora poucos meses depois o grupo tenha chegado ao fim.
 

                                     Então é isso, tudo agora tá certinho então flw!!! 

Analisando Discografias - MC Cabelinho e Eminem (RA: LV)

                   

Minha Raiz – MC Cabelinho





















NOTA: 8,6/10


Em 2018, um certo garoto muito sonhador, vindo da favela Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, em Copacabana, lança seu álbum de estreia, o Minha Raiz. Vindo de uma infância muito difícil, devido à separação de seus pais, além de conviver com as várias mudanças, a única coisa que nunca saiu dele foi a favela, pois era um lugar que ele sempre gostou. Com o tempo, seu gosto musical foi se formando, até que ele decidiu que queria se tornar funkeiro, inspirando-se em outros artistas como MC Max, MC Smith e seu grande ídolo MC Orelha. Apesar de ter largado a escola no primeiro ano do ensino médio, ele foi com tudo para focar em seu sonho, e inicialmente seu apelido era MC Vitinho, mas só depois ele se tornou o MC Cabelinho, por sempre usar o cabelo arrepiado e descolorido. Após participar de várias rodas de funk e finalmente gravar seu primeiro clipe com a KondZilla, ele foi gravar seu primeiro trabalho. O álbum foi produzido por várias pessoas, como Batutinha, DJ Huguinho, entre outros. O resultado foi uma fusão de sonoridades, trazendo elementos de funk carioca com R&B, e tudo isso numa pegada de Funk Consciente. O repertório é muito bom e traz várias canções interessantes, como Ppg Tá Lindo, Se Eles Brotar e Pronto pra Guerra. Há outras músicas muito envolventes, como a faixa-título que tem a participação de MC Orelha, Vida Serena, Nós É Cria Não É Criado e o quase hit Zona Sul. Enfim, essa estreia do Cabelinho foi muito boa, mostrando o quão promissor ele era.

Ainda – MC Cabelinho 





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, na época da pandemia, MC Cabelinho lançou seu segundo trabalho, o Ainda. Após o sucesso moderado do seu álbum de estreia, Cabelinho continuou participando de diversos projetos, como sua aparição no sensacional Poesia Acústica 6. Além disso, ele lançou singles que tiveram bom desempenho, especialmente uma colaboração uma cantora flopada (É Anitta...). Além da música, Cabelinho também começou a se aventurar na atuação, participando da novela Amor de Mãe, exibida pela Globo, onde interpretou o personagem Diogo Barreto, o MC Farula. Esse papel marcou o início de sua jornada na dramaturgia. Com isso, seu novo trabalho foi aguardado com expectativa, já que prometia ser mais introspectivo e maduro. A produção foi diversificada, com nomes como DJ Juninho e Portugal no Beat. A sonoridade do álbum é marcada por beats densos, sintetizadores atmosféricos e loops melódicos que criam um ambiente introspectivo, condizente com o tom mais pessoal das letras. Embora seja um álbum de Funk Consciente, ele é ainda mais introspectivo do que o anterior, e esse foi o grande erro. O repertório tem faixas interessantes, como Reflexo, com BK, Favela Venceu, com MC Hariel, Liberdade e a brilhante Maré. No entanto, há faixas que são genéricas, como Saudade, Agradecer e Verdade de Perto, que conta com a participação do MC Orelha, mas que não funcionou tão bem. No final, é um álbum mediano, que fica à sombra de sua estreia.

Little Hair – MC Cabelinho 





















NOTA: 9,4/10


Em 2021, MC Cabelinho passou por um momento-chave em sua carreira, lançando seu 3º álbum, o Little Hair. Após o Ainda, Cabelinho foi conquistando reconhecimento não apenas por seu talento musical, mas também por sua versatilidade, então ele decidiu dar um passo adiante. Antes do lançamento, ele já havia lançado outros projetos que exploravam sua vivência nas favelas cariocas, seu amor pela música e suas perspectivas sobre a sociedade, mas esse álbum marca um ponto de maturidade e profundidade. Ele reflete tanto seu crescimento pessoal quanto profissional, decidindo seguir as tendências do cenário do Trap nacional. A produção contou com muitos nomes, como Ajaxx, NeoBeats, Dallass e, novamente, Ariel Donato, que ajudaram a criar um som coeso, cheio de camadas. A escolha dos beats, com batidas graves e densas, complementa a abordagem lírica do rapper, onde ele alterna entre flows rápidos e momentos mais introspectivos. Além disso, ele decidiu deixar de lado seu lado de Funk consciente para mergulhar de vez no Trap. O repertório é maravilhoso e traz muitas canções interessantes, como GOTHAM, OUTRO PATAMAR e a parte 2 de SAUDADE, que carregam vivências. No entanto, as melhores faixas são os hits X1, ESSÊNCIA DE CRIA (que conta com MC Poze do Rodo, TZ da Coronel e Bielzin), além das reflexivas EU TE AVISEI, EU SOU TREM e, claro, a faixa-título. No final de tudo, é um trabalho excelente, que mostra a evolução do Cabelinho.

Little Love – MC Cabelinho





















NOTA: 9/10


No final de 2022, Cabelinho lança mais um trabalho novo, o Little Love, que é bem mais conceitual que seus últimos álbuns. Após o sucesso do Little Hair, MC Cabelinho começou a se destacar no cenário do Trap nacional, além de estar presente em trabalhos de outros rappers. Só que, nesse novo álbum, ele se afasta um pouco da crueza das ruas e adota uma abordagem mais suave e reflexiva, voltando seu foco para um lado mais romântico. O projeto também reflete o crescimento pessoal dele, trazendo uma nova camada de profundidade às suas composições. A produção novamente contou com os mesmos produtores e alguns novos, como MATHINVOKER e Galdino, que garantiram uma sonoridade polida, mas mantendo a autenticidade das batidas pesadas e melódicas que caracterizam seu estilo. Trazendo beats mais suaves, que ajudam a criar uma atmosfera envolvente que reflete as emoções das letras. Uma curiosidade é que todas as faixas foram escritas durante as sessões do Little Hair, mas ele as deixou separadas para este novo trabalho. O repertório é muito legal, e todas as faixas são love songs, mas muitas delas são sensacionais, como QUEM SOU EU?, INTENÇÃO com Baco Exu do Blues e Delacruz e os hits FOGO E GASOLINA e MINHA CURA (que, como sabemos, envelheceu muito mal). Já as canções com participação de Ludmilla e Gloria Groove são apenas genéricas e sem graça. Enfim, esse álbum é muito bom e tem um conceito muito bem trabalhado.

Little Love (Deluxe) – MC Cabelinho 





















NOTA: 8/10


Indo para o último trabalho do MC Cabelinho, a versão deluxe do Little Love, que não traz muitas mudanças. Depois do último projeto ter dado espaço para ele abordar temas mais sentimentais e românticos, com o lançamento da versão deluxe, ele aprofunda ainda mais essa abordagem, expandindo a visão já apresentada no álbum original. Além disso, naquele mesmo ano de 2023, ele voltou a participar de novelas, interpretando o personagem Hugo em Vai na Fé. Foi aí que ele conheceu a bendita Bella Campos, e todas as faixas tiveram ela como inspiração, nem preciso dizer o que aconteceu depois. A produção foi praticamente a mesma, com poucos produtores como Dallass, Palma, Mousik e DJDAVIDOB13, que conseguiram criar uma base sonora que reflete tanto o lirismo emocional quanto o peso das vivências do Cabelinho. Os instrumentais continuam sendo atmosféricos, com aquele toque melódico, criando uma imersão interessante. O repertório é bem curtinho, trazendo apenas 5 faixas, como TE ENCONTREI que, mesmo com a participação da Anitta, é uma boa música, além da introspectiva PRETA RARA. No entanto, as melhores canções são VOCÊ&EU e BEM MELHOR mesmo tendo Oruam. Já a versão pagodeira de MINHA CURA, com a participação do Belo, não tem nada a ver e é até desnecessária. No fim, apesar da versão deluxe ser mais simples que a original, não deixa de ser um ótimo trabalho.

The Slim Shady LP – Eminem 





















NOTA: 9,6/10


Três anos se passaram na vida do Marshall Bruce Mathers III, e ele retorna lançando seu segundo álbum, o The Slim Shady LP. Antes de lançar esse disco, Eminem havia lançado seu primeiro álbum independente, o Infinite, em 1996. No entanto, Infinite foi um fracasso comercial, e Eminem enfrentou dificuldades em sua carreira musical. Ao criar o personagem Slim Shady, ele encontrou uma nova abordagem para expressar suas frustrações, raiva e senso de humor macabro. Logo após ser despejado de sua casa, ele, junto com sua namorada Kim Scott e sua filha recém-nascida Hailie, se mudou para Los Angeles. Após participar de uma batalha de rap em que terminou em segundo lugar, acabou chamando a atenção de Jimmy Iovine e Dr. Dre. No final, ele assinou com a Aftermath e a Interscope. A produção foi feita não só por Eminem, mas também por Dr. Dre, Bass Brothers e Mel-Man, que trouxeram suas habilidades de produção, criando batidas simples, mas impactantes. Eles misturaram sons clássicos do Rap com experimentações sonoras mais ousadas, criando uma atmosfera caótica que combina perfeitamente com o lirismo provocativo do rapper. O repertório traz várias canções muito boas, todas bem ordenadas e com bons interlúdios. Algumas das faixas que se destacam são My Name Is, Brain Damage e as caóticas Role Model e Just Don’t Give A Fuck, além das introspectivas If I Had e Rock Bottom. Em suma, é uma obra espetacular que impulsionou sua ascensão.

The Marshall Mathers LP – Eminem 





















NOTA: 10/10


Era começo dos anos 2000, e Eminem lança seu clássico álbum The Marshall Mathers LP, que veio em uma época de transição em sua carreira. Depois do sucesso do The Slim Shady LP, o rapper se viu no centro das atenções, cercado por controvérsias. Seu lirismo chocante e as acusações de influenciar negativamente os jovens trouxeram atenção indesejada, enquanto ele também lidava com questões pessoais, como conflitos familiares e a pressão de ser uma celebridade recém-descoberta. Com esse disco, ele responde a essas críticas, explora a fama repentina e mergulha ainda mais fundo em sua raiva e vulnerabilidade. A produção é predominantemente assinada por Dr. Dre e Mel-Man, com participação de outros produtores como Bass Brothers e, claro, o próprio Eminem. A sonoridade do álbum mantém uma atmosfera sombria, em parte reminiscente de seu antecessor, mas com um tom ainda mais sombrio e agressivo. Os beats são densos e pesados, repletos de sintetizadores graves e samples certeiros. Em alguns momentos, o som minimalista e repetitivo realça a intensidade das letras dele, dando ao ouvinte foco total em suas palavras. O repertório é espetacular, parecendo uma coletânea, e está cheio de clássicos como as melancólicas Marshall Mathers e Stan com a participação do Dido, além das divertidas The Real Slim Shady e Bitch Please II, e das pesadas Kill You, The Way I Am e Criminal. Enfim, esse trabalho é, sem dúvida, um dos melhores álbuns de todos os tempos.

The Eminem Show – Eminem 





















NOTA: 10/10


Dois anos se passaram, e Eminem lança mais um trabalho fantástico intitulado The Eminem Show. Após o sucesso avassalador do The Marshall Mathers LP, o rapper se firmou como um mestre lírico, mas também se tornou um alvo frequente de críticas devido ao conteúdo violento e ofensivo de suas canções. Em resposta a essas críticas, esse novo trabalho foi marcado por um tom mais maduro e reflexivo, com ele abordando temas pessoais como a fama, a paternidade, sua relação complicada com sua mãe e suas lutas com o governo e os críticos, com letras críticas ao governo de George W. Bush, à censura e ao estado da liberdade de expressão. Nesse álbum, Eminem assumiu um papel maior na produção, colaborando de forma mais ativa com Dr. Dre, que tinha sido importante nos álbuns anteriores. Enquanto seus últimos discos contavam com batidas mais agressivas e instrumentais eletrônicos característicos da produção do Dre, neste ele introduziu um som mais orgânico, incorporando guitarras e bateria reais, trazendo uma sonoridade de Rap Rock, mas ainda com o Hip-Hop tradicional. O repertório é perfeito, e novamente traz uma série de canções sensacionais, como as críticas sociais em White America e Sing for the Moment, com a participação de Steven Tyler, do Aerosmith, as introspectivas Cleanin' Out My Closet e Superman, e os clássicos hits Without Me e Till I Collapse, com Nate Dogg. Tudo aqui é impecável. No fim, esse disco é maravilhoso e segue os passos de seu antecessor.

Encore – Eminem  





















NOTA: 8,2/10


Mais dois anos se passaram, e o rapper lança seu 5º álbum, o Encore, que era para ser o último disco do Eminem (só que não foi o que aconteceu). Após o The Eminem Show, nosso querido Marshall Mathers estava no auge, com seu alter ego Slim Shady estabelecido como uma força no Rap e na cultura Pop, mas também lidava com críticas constantes. Esse disco representa uma fase mais turbulenta em sua vida, marcada pelo cansaço, esgotamento criativo e pelas consequências de seus vícios em drogas, que começaram a afetá-lo bastante. A produção continuou a ser dominada por Eminem, que mais uma vez trabalhou com seu mentor Dr. Dre e outros produtores de confiança. O álbum segue a linha de seus lançamentos anteriores, com batidas pesadas e samples marcantes, só que sendo mais caótico e menos coeso, refletindo o estado mental dele na época. Ele deixou de lado as influências do Rock e adotou uma abordagem mais experimental em alguns momentos, com elementos de paródia, humor ácido e melodias menos convencionais. O repertório é muito legal e traz muitas canções interessantes, como Never Enough com 50 Cent e Nate Dogg, Puke e Just Lose It, que satirizava Michael Jackson. Mas há outras canções incríveis, como Big Weenie e as reflexivas Like Toy Soldiers e Mockingbird. Mesmo assim, tem algumas faixas que são bem arrastadas, como Yellow Brick Road e My 1st Single. Enfim, esse álbum é muito interessante, apesar de ser problemático.

Relapse – Eminem 





















NOTA: 5/10


Após um intervalo de cinco anos, o Eminem retorna lançando mais um disco novo, o Relapse, que até trazia um conceito nele. Depois do Encore, que refletia um período caótico na vida do rapper, especialmente devido ao abuso de substâncias e problemas pessoais, ele decidiu mergulhar em um período sombrio de sua vida, lutando contra a dependência de drogas, especialmente pílulas prescritas, e enfrentando a morte de seu amigo e parceiro de longa data, Proof (integrante do D12), que foi assassinado em 2006. Durante o hiato, muitos questionaram se Eminem continuaria no mesmo nível. A produção foi amplamente controlada por Dr. Dre, que fez todas as beats desse disco. Com uma sonoridade sombria, refletindo as temáticas perturbadoras presentes nas letras, as batidas do Dre são esparsas, sombrias e muitas vezes estranhas, o que combina com a natureza macabra do conteúdo lírico do Eminem. Com bastante influência do Horrorcore, o álbum cria uma atmosfera inquietante, acompanhada da narrativa sobre sua luta contra a dependência de drogas, suas fantasias violentas e o renascimento de seu alter ego, Slim Shady. O repertório é até interessante, mas tem muitas canções que soam como frases de autoajuda genéricas, como em 3 a.m., Deja Vu, Beautiful e a chatíssima diss We Made You. No entanto, há algumas faixas boas, como My Mom, Insane, Old Time’s Sake e Crack a Bottle com Dr. Dre e 50 Cent. No final de tudo, é um trabalho bem mediano e que poderia ter sido melhor trabalhado.
 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Reviews Antigas IV

   

A Alguns Quilômetros de Lugar Nenhum – CPM 22





















NOTA: 7/10


É um álbum interessante, com bons arranjos e a maioria das músicas são boas. No entanto, o maior problema é que, por ser um álbum independente, algumas músicas deixam a desejar. Mesmo com a inexperiência que tinham, eles conseguiram lançar um bom disco, mostrando que o CPM 22 tinha bastante futuro pela frente.


The Red Hot Chili Peppers – Red Hot Chili Peppers 





















NOTA: 5/10


O álbum de estreia do Red Hot fez com que a banda começasse com o pé esquerdo. A sonoridade, mesmo sendo crua e às vezes tentando ser limpa, mostrou que esse disco é bem sem graça. E, mesmo tendo algumas músicas boas, as outras são bem tediosas e chatas. Ao mesmo tempo, mostrou que a banda não tinha um gênero definido. O fato é que, se eles quisessem um dia sair do underground, teriam que melhorar bastante em futuros álbuns.

Cowboys from Hell – Pantera 





















NOTA: 9,8/10


Esse álbum realmente fez com que o Pantera encontrasse seu estilo perfeito, que é o Groove Metal. Diferente dos discos anteriores, ele é uma verdadeira pedrada do início ao fim e também faz com que as músicas grudem na sua cabeça. Um álbum brilhante!

Infinite - Eminem






















NOTA: 7,1/10


O álbum de estreia do Eminem é bem conceitual e interessante, mas ainda faltava uma produção melhor e que ele encontrasse sua característica perfeita em suas músicas. É uma pena que esse disco flopou na época do seu lançamento e que a mídia não deu importância, deixando assim o Eminem no underground.

Homework – Daft Punk 





















NOTA: 10/10


Sério, que álbum de estreia sensacional! Do começo ao fim, é espetacular, com músicas bem produzidas e bem mixadas. Mesmo não sendo melódico como nos álbuns posteriores, ele cumpre muito bem a sua proposta. Um discaço que consolidou os parisienses.

Boston - Boston 





















NOTA: 10/10


O 1º álbum do Boston é sensacional, maravilhoso e espetacular. Sem contar que todas as músicas têm uma sonoridade perfeita; ele praticamente não tem defeito algum. Não é à toa que esse disco é um clássico!

Numa Margem Distante - Filipe Ret





















NOTA: 8,6/10


Um álbum de estreia sensacional, com letras de crítica absurda e uma parte lírica espetacular do Ret. É uma pena que, infelizmente, esse álbum não bombou e não alavancou o Ret de uma vez. Era provável que o próximo álbum fosse arrasador.

Iron Maiden - Iron Maiden 





















NOTA: 9,6/10


Um álbum de estreia impecável, completamente cru e pesado, com um repertório sensacional. Fica aquela sensação de que as músicas ficam na sua cabeça e a vontade é de reouvir. No entanto, com os lançamentos posteriores, esse disco acabou não sendo muito lembrado, algo que ele não merece, até porque é um clássico.

L.D. 50 - Mudvayne





















NOTA: 9/10


Um álbum de estreia sensacional, com sonoridade pesada e bem agressiva. Mesmo que esse 1º disco do Mudvayne retrate assuntos muito sensíveis como abuso, suicídio e drogas, é bastante pesado! Além disso, sendo um álbum um pouco longo para o gênero Nu Metal, ainda é um baita disco.

Face Value - Phil Collins  





















NOTA: 10/10


Esse álbum de estreia da carreira solo do Phil Collins é algo épico. Mesmo ele estando bastante triste por conta dos problemas pessoais que enfrentava, ainda há muitas faixas com um som progressivo mais voltado para o Pop, e até influências de R&B e Soul. Realmente, um bom disco de estreia.

Então é só e flw!!! 

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...