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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Adrian Belew: Parte 4

                   

Elevator – Adrian Belew





















NOTA: 8,1/10


Então, em 2022, chega o mais recente álbum do Adrian Belew, o Elevator, que marca um retorno ao seu lado mais característico. Após o Pop Sided, ele passou por um período de intensa atividade ao vivo, projetos paralelos, desenvolvimento de software musical (como seu app FLUX) e trabalhos ocasionais como colaborador. Desde o álbum anterior, Belew vinha equilibrando sua vocação Pop inventiva com sua faceta mais experimental, tentando encontrar uma síntese mais fluida entre acessibilidade, estranheza e a marca registrada de suas guitarras elásticas. A produção, feita como sempre por ele mesmo, o coloca assumindo virtualmente todas as funções do disco. O álbum reflete bem o approach “faça tudo você mesmo”, não apenas por economia ou independência, mas porque Belew tem prazer em manipular cada aspecto do som. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem técnicas. Enfim, é um ótimo trabalho e ainda mais ousado. 

Melhores Faixas: You Can't Lie To Yourself, A13 
Vale a Pena Ouvir: Backwards And Upside Down, Beauty
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Adrian Belew: Parte 3

                 

Side One – Adrian Belew





















NOTA: 8,2/10


Pulando lá para 2005, Adrian Belew lançava mais um álbum, o Side One, que formaria o começo de uma trilogia. Após o Op Zop Too Wah, ele acabou lançando outros projetos colaborativos, só que seu maior foco foi no King Crimson, onde se expandiu artisticamente. Para esse novo trabalho, em vez de fazer um disco longo, ele concebeu a trilogia Side One / Side Two / Side Three, cada um com personalidade própria. O primeiro deles seria o mais “Rock”, o mais vigoroso e com um lado mais variado. A produção foi bem mais orgânica e visceral, com ele tocando todos os instrumentos, manipulando timbres de guitarra, loops, overdubs, efeitos digitais, ruídos e todo tipo de excêntrica manipulação sonora, fazendo uma mistura de Prog Rock com Math Rock e um lado funkeado. O repertório é muito bom, e as canções são bem dinâmicas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem profundo. 

Melhores Faixas: Writing On The Wall, Walk Around The World 
Vale a Pena Ouvir: Beat Box Guitar, Matchless Man

Side Two – Adrian Belew





















NOTA: 8,5/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado o Side Two, que seguiu por um caminho mais eletrônico. Após o Side One, Adrian Belew precisava que a continuação fosse o oposto: mais introspectiva, mais experimental, mais fragmentada e mais solitária. Belew queria explorar um território mais eletrônico, baseado em loops, texturas e vozes múltiplas, e menos orientado pela instrumentação tradicional de rock. A produção foi mais ambiciosa e buscou o detalhe microscópico: ruídos processados, guitarras que soam como máquinas, vocais distorcidos intencionalmente, ritmos quebrados, efeitos de reversão, delay fragmentado, glitch e colagens que evocam tanto o Art Rock dos anos 80 quanto o que era chamado de Indietronica nos anos 2000. O repertório é muito bom, e as canções são divertidas e cada uma tem sua peculiaridade. Enfim, é um ótimo disco e bem surpreendente. 

Melhores Faixas: Then What, Sunlight, I Wish I Knew 
Vale a Pena Ouvir: Dead Dog On Asphalt, I Know Now

Side Three – Adrian Belew





















NOTA: 8/10


Então, no ano seguinte, essa trilogia é finalizada com Side Three, que dá um contexto final. Após o Side Two, Adrian Belew decidiu unir as forças dos dois discos anteriores, mas adicionando um elemento novo: colaborações pontuais com músicos que têm estética própria forte, como Robert Fripp, Mel Collins e outros parceiros. Isso dá ao disco um caráter mais expansivo, mais “de banda”, mas sem abandonar seu laboratório particular. A produção foi bem estruturada, com moldes sonoros complexos e, depois, o encaixe de participações externas em pontos muito específicos, quase como pinceladas dentro de um quadro já pronto. A sonoridade é nítida, agressiva quando precisa, melódica quando quer e constantemente surpreendente, fazendo essa junção de Rock progressivo, Art Rock e música eletrônica num lado mais futurista. O repertório é muito legal, e as canções são bem variadas. Enfim, é um ótimo trabalho e fecha essa trilogia de forma decente. 

Melhores Faixas: Incompetence Indifference, Men In Helicopters V4.0 
Vale a Pena Ouvir: Beat Box Car, Drive, &

E – Adrian Belew





















NOTA: 8,6/10


Três anos se passam, e é lançado mais um trabalho dele, intitulado apenas como E. Após aquela trilogia, Adrian Belew criou um trio formado por ele nos vocais e na guitarra, Julie Slick no baixo e Eric Slick na bateria. Os irmãos Slick, então muito jovens, impressionaram-no por sua musicalidade avançada, disciplina rítmica e afinidade natural com tempos complexos, uma rara combinação que permitia a Belew trabalhar composições intrincadas, fractais, cheias de polirritmos e texturas que exigiam precisão absoluta. A produção foi bem mais precisa e gravada de forma orgânica, cuidadosamente planejada para capturar a potência bruta do trio, sem exagerar em overdubs: guitarra carregada de efeitos, baixo articulado de Julie e bateria frenética e técnica de Eric. Porém, tudo é bem repetitivo e parece ter sido feito de forma excessivamente simplista, refletindo em um repertório mediano, com poucas canções interessantes. Enfim, é um trabalho irregular que não funcionou. 

Melhores Faixas: D2, B, C 
Piores Faixas: B3, B2, E2

Pop Sided – Adrian Belew





















NOTA: 8,5/10


Dez anos se passaram, e Adrian Belew lançava mais um disco, o Pop Sided, que foi mais consistente. Após o E, Belew passou boa parte da década de 2010 concentrado em turnês, colaborações e experimentos com tecnologia musical, especialmente seus notórios “Belewtronics”, o método particular de transformar a guitarra em uma máquina de texturas mutantes. O álbum marca um retorno ao formato de canção, mas sob o filtro de um compositor que já atravessou fases experimentais, sinfônicas, pop, tecnológicas e improvisadas. A produção é bem expansiva, com timbres limpos convivendo com distorções digitais; guitarras surgem como se fossem sintetizadores; baterias são nítidas e diretas; e o ambiente geral é brilhante, alegre e energético, mostrando sua melhor versão dentro do Art Rock. O repertório é muito bom, e as canções são melódicas e divertidas. Em suma, é um trabalho bacana e que foi um acerto. 

Melhores Faixas: Although, Road Rage 
Vale a Pena Ouvir: Everybody's Sitting, Obsession


         Por hoje é só, então flw!!!      

terça-feira, 18 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Adrian Belew: Parte 2

                 

Mr. Music Head – Adrian Belew





















NOTA: 8,2/10


Chegando no final dos anos 80, foi lançado mais um disco do Adrian Belew, o Mr. Music Head. Após o Desire Caught By The Tail, o cenário musical já era outro: a New Wave perdia força e o Rock passava por uma transição entre a estética oitentista e a chegada iminente do Rock alternativo dos anos 90. Belew, sempre um outsider, decide fazer um disco mais direto e melódico, mas sem abandonar sua marca registrada: guitarras estranhas, inventivas, texturas pouco convencionais e humor musical. Com produção conduzida, como era de se esperar, por ele mesmo e com ele novamente tocando todos os instrumentos, temos aqui uma abordagem singular, fazendo deste um trabalho claramente artesanal, em que cada arranjo, cada barulho de guitarra e cada textura sintética parece ter uma intenção muito clara, trazendo influências de Art Rock, psicodelia e Zolo. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. Enfim, é um trabalho bacana e bem visual. 

Melhores Faixas: Oh Daddy, Hot Zoo 
Vale a Pena Ouvir: Bad Days, 1967, Motor Bungalow

Young Lions – Adrian Belew





















NOTA: 8/10


Entrando nos anos 90, Adrian Belew lançava mais um novo trabalho, o Young Lions. Após o Mr. Music Head, Belew estava em uma ótima fase: sua carreira solo ia bem e ele continuava envolvido com múltiplas colaborações. Um nome importante retorna nesse período: David Bowie. Belew havia sido guitarrista de Bowie no início dos anos 70, e essa parceria é retomada justamente no final dos anos 80, quando Bowie convida Belew para trabalharem novamente juntos, agora numa fase em que buscava um equilíbrio entre o Pop acessível e a vanguarda. A produção foi aquela de sempre: ele mesmo toca a maior parte dos instrumentos, escreve os arranjos, cuida da produção e controla quase todos os detalhes musicais. Isso cria uma identidade sonora muito coesa. O disco soa como uma extensão natural do anterior, mas com uma abordagem mais elétrica. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. Enfim, é um trabalho interessante e bem consistente. 

Melhores Faixas: Pretty Pink Rose (dueto com David Bowie), Men In Helicopters 
Vale a Pena Ouvir: Gunman (Bowie aparece de novo), Heartbeat

Inner Revolution – Adrian Belew





















NOTA: 6/10


Se passaram dois anos, e foi lançado mais um disco do Adrian Belew, o irregular Inner Revolution. Após o Young Lions, que o mostrou em uma fase mais Pop, mais acessível e mais focada em canções, sem perder a inventividade sonora, Belew estava cada vez mais imerso em um período de transformação pessoal: paternidade, estabilidade familiar e uma visão mais otimista da vida começavam a aparecer como temas recorrentes em sua escrita, que podia dialogar com temas de algumas bandas daquele período. A produção foi mais leve e com uma sonoridade extremamente clara: guitarras cristalinas, baterias precisas, baixos cantantes e teclados usados com moderação, sempre para complementar. Certamente a maioria das influências vem do Rock dos anos 60, então muita coisa tem uma vibe retrô porém faltando mais precisão. O repertório é mediano, com canções boas e outras genéricas. Enfim, é um álbum fraco e que foi um tropeço. 

Melhores Faixas: I'd Rather Be Right Here, Inner Revolution, This Is What I Believe In 
Piores Faixas: The War In The Gulf Between Us, Birds, I Walk Alone

Here – Adrian Belew





















NOTA: 2,6/10


Em 1994, mais um trabalho dele foi lançado, intitulado Here, e aqui tivemos muitas precipitações. Após o fraquíssimo Inner Revolution, o King Crimson tinha recém voltado, só que Adrian Belew já preparava um novo trabalho solo que fosse mais introspectivo, apostando numa sonoridade que mistura art rock, minimalismo, arranjos flutuantes e ambientações densas, enquanto mantém melodias claras e letras emocionais. A produção foi bem mais experimental; aqui ele opta por um clima mais etéreo, quase “flutuante”. Tudo é construído em camadas: guitarras limpas e cheias de delay, texturas sintetizadas e pequenos detalhes sonoros que se entrelaçam sem nunca saturar o espaço. Os arranjos vocais são mais simples, porém tudo é excessivamente arrastado e falta mais complemento no som, que cai drasticamente. O repertório é péssimo, e as canções são tediosas, com poucas se salvando. Enfim, é um álbum ruim e bem esquecível. 

Melhores Faixas: Never Enough, Here 
Piores Faixas: Fly, Brave New World, Futurevision

Op Zop Too Wah – Adrian Belew





















NOTA: 4/10


Dois anos se passam, e foi lançado mais um álbum, intitulado Op Zop Too Wah. Após o Here, Adrian Belew decidiu expandir o espectro experimental mais uma vez. Esse período coincide também com seu envolvimento contínuo com o King Crimson dos anos 90, especialmente a formação “double trio”, cuja estética de camadas, loops e texturas complexas inspiraria diretamente o álbum. A produção foi mais liberal, já que ele toca todos os instrumentos, programa loops, cria passagens eletrônicas, grava vocais múltiplos e constrói interlúdios que costuram as faixas como se o álbum fosse um grande mosaico sonoro. A estética é deliberadamente caseira no melhor sentido: orgânica e espontânea. O problema é que tudo é muito desalinhado, o que faz o álbum parecer bastante repetitivo e com um lado experimental que às vezes não funciona. O repertório é bem fraco, com poucas canções interessantes e outras chatíssimas. No geral, é um trabalho muito ruim e cansativo. 

Melhores Faixas: Six String, Time Waits, Op Zop Too Wah, All Her Love Is Mine 
Piores Faixas: The Ruin After The Rain, Conversation Piece, A Plate Of Guitar, Modern Man Hurricane Blues


          Então é isso, um abraço e flw!!!                

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Analisando Discografias - Adrian Belew: Parte 1

                 

Lone Rhino – Adrian Belew





















NOTA: 8,5/10


Indo para 1982, foi lançado o 1º trabalho solo do Adrian Belew intitulado Lone Rhino. Antes do lançamento do Discipline com King Crimson, o Belew já havia tocado com artistas como Frank Zappa, David Bowie, Talking Heads e Tom Tom Club. E para esse trabalho representa tanto a sua vontade de se afirmar como artista solo quanto a acumulação de experiências tocando nos palcos e estúdios de nomes grandes. Produção conduzida por ele mesmo, onde ele gravou todos os instrumentos, que colocou um som Pop com pitadas experimentais, mas sem deixar de lado a acessibilidade. Com melodias bem trabalhadas, mas também texturas “estranhas” de guitarra, com ele usando distorções, pedais e efeitos para emular sons de animais que seria característico de sua obra. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas e vão para um lado mais imersivo. Enfim, é um ótimo trabalho e que mostrou um conceito interessante. 

Melhores Faixas: The Man In The Moon, The Momur, Adidas In Heat 
Vale a Pena Ouvir: Big Electric Cat, Hot Sun

Twang Bar King – Adrian Belew





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, ele retorna lançando seu segundo disco solo, intitulado Twang Bar King. Após o Lone Rhino, Adrian Belew decidiu fazer um disco menos “surpresa absoluta” que o anterior, mas muito mais refinado, coeso e maduro na escrita. Aqui, Belew assume o papel de cantor-compositor que sabe usar a experimentação como tempero, não como objetivo. A produção foi praticamente a mesma, só que desta vez ele não tocou todos os instrumentos, já que contou com uma banda de apoio. A sonoridade está mais polida, com baterias mais firmes e baixo mais presente, e o foco continua sendo a guitarra “mutante”. Ele insere influências de New Wave, Art Rock e até de Rockabilly, em um trabalho bem construído e com camadas vocais precisas. O repertório é muito bom, e as canções são mais energéticas, mas com um lado mais melódico e vibrante. No final, é um ótimo álbum, apesar das poucas inovações. 

Melhores Faixas: Another Time, I Wonder 
Vale a Pena Ouvir: Fish Head, Sexy Rhino, Paint The Road

Desire Caught By The Tail – Adrian Belew





















NOTA: 8,1/10


Se passam três anos e é lançado seu 3º álbum solo, intitulado Desire Caught By The Tail. Após o Twang Bar King, Adrian Belew decidiu fazer um trabalho quase totalmente instrumental e muito mais experimental. O título vem da peça de teatro surreal de Pablo Picasso, Le Désir attrapé par la queue, o que já indica que Belew tinha intenções artísticas mais abstratas e conceituais para essa obra, já que ele admirava a abordagem de pintores como Picasso e Miró. A produção foi feita novamente por ele próprio, usando guitarras tratadas, sintetizador de guitarra (especificamente o Roland GR-700), pedais e uma variedade de instrumentos de percussão. Ele também fez uso de sons não convencionais: microfonar portas de madeira, panelas, tampas e brinquedos para buscar texturas acústicas únicas, que lembram as convicções do Rock experimental. O repertório é muito legal, e as composições são bem diversificadas. Enfim, é um trabalho interessante e profundo. 

Melhores Faixas: Beach Creatures Dancing Like Cranes, "Z" 
Vale a Pena Ouvir: Guernica, The Gypsy Zurna

           É isso, um abraço e flw!!!                   

Analisando Discografias - Imagine Dragons

                  Night Visions – Imagine Dragons NOTA: 1/10 (É... partiu). No ano de 2012, o Imagine Dragons lançava seu álbum de estreia, ...