Introducing Wayne Shorter – Wayne Shorter
NOTA: 8/10
Agora, indo lá para o ano de 1960, foi lançado o álbum de estreia do Wayne Shorter, o Introducing Wayne Shorter. Sua trajetória começou dois anos antes, após estudar música na Universidade de Nova York e servir no exército. Ele rapidamente ganhou notoriedade como saxofonista pela combinação entre domínio técnico, imaginação melódica e forte personalidade composicional. Entrando no grupo Jazz Messengers, banda de Art Blakey que funcionava como uma verdadeira escola para jovens talentos do Jazz, ganhando assim a chance de gravar seu álbum pela pequena gravadora Vee-Jay. Produção feita por Sid McCoy, o disco apresenta uma sonoridade típica da época, com gravação relativamente direta, priorizando a interação entre os músicos e a espontaneidade das performances, resultando em um Hard Bop bem tematizado. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem melódicas e suaves. No fim, é um ótimo disco de estreia e muito coeso.
Melhores Faixas: Down In The Depths, Pug Nose
Vale a Pena Ouvir: Black Diamond
Wayning Moments – Wayne Shorter
NOTA: 8/10
Dois anos depois, foi lançado o 2º disco do Wayne Shorter, intitulado Wayning Moments. Após o Introducing, Shorter já era uma figura central nos Jazz Messengers de Art Blakey, grupo que funcionava como um laboratório musical para jovens compositores e improvisadores. A convivência com Blakey foi fundamental para o desenvolvimento da escrita musical de Shorter, incentivando-o a criar composições com estruturas mais narrativas e maior liberdade harmônica. Com produção feita novamente por Sid McCoy e com uma formação diferente, contando com a presença do energético trompetista Freddie Hubbard, a sonoridade foi direta, orgânica e focada na interação coletiva. Entretanto, já se percebe uma preocupação maior com a construção de climas e com a distribuição dos arranjos entre os instrumentos, mostrando a maturidade do saxofonista. O repertório é muito legal, e as canções ficaram todas bem intimistas. Enfim, é um disco bacana que mostrou uma evolução.
Melhores Faixas: Devil's Island, Callaway Went That-A-Way
Vale a Pena Ouvir: Wayning Moments, Black Orpheus
Night Dreamer – Wayne Shorter
NOTA: 9,8/10
Mais dois anos se passam, e foi lançado mais um disco de Wayne Shorter, o sensacional Night Dreamer. Após o Wayning Moments, o saxofonista acabou assinando com a Blue Note, selo que lhe daria liberdade criativa para desenvolver algumas das obras mais influentes do Jazz da década de 60. Além disso, Shorter estava bem próximo de ingressar no segundo grande quinteto de Miles Davis, formação que redefiniria os rumos do gênero nos anos seguintes. Produção conduzida pela lenda Alfred Lion, que priorizou clareza sonora e valorização da interação entre os músicos, o trabalho de gravação destaca o equilíbrio entre arranjos estruturados e improvisação espontânea, permitindo que as composições de Shorter sejam exploradas com profundidade, mostrando-o abandonando o Hard Bop e seguindo um caminho do Post-Bop, indo assim para estruturas mais abstratas. O repertório é incrível, e as canções são bem técnicas. No fim, é um belíssimo disco que é um clássico.
Melhores Faixas: Virgo, Black Nile Vale a Pena Ouvir: Night Dreamer, Oriental Folk Song
Juju – Wayne Shorter
NOTA: 10/10
Aí, no ano seguinte, foi lançado o atemporal Juju, o 4º álbum do Wayne Shorter. Após o Night Dreamer, Shorter ingressou no segundo quinteto de Miles Davis, um dos grupos mais revolucionários da história do Jazz, o que coloca esse projeto dentro de um período de intensa transformação artística na carreira do saxofonista. Se ele estava expandindo sua estética além do Hard Bop, aqui ele aprofunda esse caminho e apresenta uma linguagem ainda mais modal, atmosférica e estruturalmente aberta. Produção feita por Alfred Lion, mantém excelente equilíbrio sonoro, permitindo que cada instrumento tenha presença clara sem comprometer a coesão do grupo, composto por McCoy Tyner no piano, Reggie Workman no contrabaixo e Elvin Jones na bateria, que formam uma base rítmica extremamente poderosa e marcada por um forte senso do Modal Jazz. O repertório é sensacional, parecendo uma coletânea. Enfim, é um trabalho maravilhoso e uma obra-prima.
Melhores Faixas: Juju, Mahjong
Vale a Pena Ouvir: Deluge
Speak No Evil – Wayne Shorter
NOTA: 10/10
Mais um ano se passou, e foi lançado outro álbum clássico, o estrondoso Speak No Evil. Após o excepcional Juju, ele já era membro do lendário segundo quinteto do Miles Davis e vinha desenvolvendo uma linguagem composicional cada vez mais sofisticada e ambígua, decidindo fazer um álbum que apresenta composições que funcionam quase como contos musicais, com temas evocativos, desenvolvimento dramático e forte ênfase na interação coletiva. Com produção feita novamente por Alfred Lion, a gravação é clara e equilibrada, valorizando a profundidade dos arranjos e a interação dinâmica entre os músicos, sendo eles Freddie Hubbard no trompete, Herbie Hancock no piano, Ron Carter no contrabaixo e Elvin Jones na bateria. O álbum apresenta arranjos relativamente enxutos, mas extremamente sofisticados, seguindo a estética do post-bop. O repertório é sensacional e também parece uma coletânea. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos.
Melhores Faixas: Speak No Evil, Witch Hunt
Vale a Pena Ouvir: Infant Eyes
The All Seeing Eye – Wayne Shorter
NOTA: 9,2/10
Meses depois, foi lançado outro disco de Wayne Shorter, intitulado The All Seeing Eye. Após o Speak No Evil, o saxofonista decidiu mergulhar em uma proposta quase filosófica e espiritual. O álbum foi concebido como uma espécie de suíte conceitual que reflete ideias sobre criação, existência e consciência. Shorter passa a tratar a música como narrativa abstrata e simbólica, utilizando composições interligadas que funcionam como capítulos de uma mesma obra. A produção foi praticamente a mesma, mas, neste caso, com maior ênfase na espacialidade sonora e na interação entre timbres, já que a formação apresenta mais músicos de sopro, permitindo arranjos densos e altamente texturizados, reforçando o caráter quase orquestral do álbum, fazendo assim um trabalho mais orientado para o Jazz vanguardista, que tinha ganhado visibilidade com John Coltrane. O repertório é ótimo, contendo 5 faixas bem variadas. No fim, é um disco bacana e mais complexo.
Melhores Faixas: The All Seeing Eye, Face Of The Deep
Vale a Pena Ouvir: Mephistopheles, Chaos, Genesis
Adam's Apple – Wayne Shorter
NOTA: 9,9/10
Pulando para o ano de 1967, foi lançado mais um álbum do saxofonista, o Adam's Apple. Após o The All Seeing Eye, Wayne Shorter estava profundamente envolvido com o segundo quinteto de Miles Davis, grupo que, naquele momento, já caminhava para a dissolução das estruturas tradicionais do Jazz. Com isso, esse trabalho é bem mais um equilíbrio entre sofisticação composicional e clareza estrutural. A produção foi aquela de sempre, priorizando clareza instrumental e equilíbrio entre os músicos dessa formação, que é praticamente a base da formação com Miles, só que com nomes já conhecidos. Diferente da densidade orquestral do álbum anterior, aqui os arranjos são mais enxutos, permitindo que as composições se desenvolvam com maior fluidez e espontaneidade, retomando a temática do Post-Bop. O repertório é incrível, e as canções são bem cadenciadas e relaxantes. No geral, é um disco sensacional e que foi bem retrospectivo.
Melhores Faixas: Footprints, Adam's Apple
Vale a Pena Ouvir: 502 Blues (Drinkin' And Drivin')
Schizophrenia – Wayne Shorter
NOTA: 8,7/10
Então, chegando ao fim dos anos 60, foi lançado mais um trabalho do Wayne Shorter, o Schizophrenia. Após o Adam’s Apple, esse novo projeto funciona como uma espécie de síntese e transição dentro de sua trajetória artística. O disco surge em um momento crucial: Shorter ainda era integrante do segundo quinteto de Miles Davis, que já caminhava para a fusão elétrica que redefiniria o jazz no final da década. Assim, esse álbum é meio que um reencontro dos elementos do Post-Bop com o Hard Bop, mas reinterpretados através de uma linguagem composicional madura. Com produção feita desta vez por Francis Wolff, o disco apresenta arranjos cuidadosamente estruturados, mas que ainda deixam amplo espaço para improvisação e desenvolvimento espontâneo. Há forte ênfase na interação entre os músicos, refletindo a filosofia musical que Shorter vinha desenvolvendo ao longo da década. O repertório é muito bom, e as canções são mais suaves. Enfim, é um disco legal e consistente.
Melhores Faixas: Tom Thumb, Miyako Vale a Pena Ouvir: Schizophrenia
Super Nova – Wayne Shorter
NOTA: 8,5/10
Entrando nos anos 70, foi lançado um novo disco, o Super Nova, que trazia novidades. Após o Schizophrenia, Wayne Shorter presenciava o surgimento do Jazz Fusion, marcado pela expansão das estruturas modais e pela crescente liberdade rítmica e harmônica. Paralelamente, Miles Davis começava a mergulhar na eletrificação que culminaria em In a Silent Way e Bitches Brew, e Shorter absorvia essa nova mentalidade estética. Produção conduzida por Duke Pearson, valoriza a experimentação tímbrica e a interação coletiva, permitindo que a música respire e se desenvolva de forma orgânica, muitas vezes priorizando atmosferas sobre estruturas rígidas. Com uma formação que contava com nomes como John McLaughlin, Chick Corea, Miroslav Vitouš, entre outros que elevaram o gênero e mostraram uma sonoridade multifacetada. O repertório é muito bom, e as canções passam um lado mais técnico. Mas, enfim, é um disco bacana e que mostrou algo promissor.
Melhores Faixas: Didi, Capricorn
Vale a Pena Ouvir: Swee-Pea
Odyssey Of Iska – Wayne Shorter
NOTA: 9,6/10
No ano seguinte, foi lançado outro trabalho fenomenal de Wayne Shorter, o Odyssey of Iska. Após o Super Nova, esse novo álbum surge em um momento de intensa transformação no Jazz, quando a fusão com elementos elétricos, texturais e estruturas mais livres começava a dominar o cenário musical. Shorter estava profundamente envolvido nesse processo, já consolidado como um dos principais arquitetos dessa revolução estética. Produção feita mais uma vez por Duke Pearson, o disco é extremamente voltado para ambiência, textura e liberdade estrutural. A presença de múltiplos baixistas e bateristas reforça a ideia de uma música baseada em camadas rítmicas e timbres sobrepostos. Shorter utiliza o saxofone soprano e tenor de maneira extremamente expressiva, integrando-se ao tecido sonoro. O repertório é incrível, contendo 5 faixas que são bem atmosféricas e imersivas. No fim, é um baita disco e certamente um clássico.
Melhores Faixas: Storm, De Pois Do Amor, O Vazio (After Love, Emptiness)
Vale a Pena Ouvir: Calm, Wind, Joy
Então é isso, um abraço e flw!!!









