quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Alphonze Mouzon

                 

The Essence Of Mystery – Alphonze Mouzon





















NOTA: 8,6/10


Voltando para o ano de 1973, foi lançado o 1º trabalho solo do Alphonse Mouzon, o The Essence Of Mystery. Após sua saída do Weather Report, vivia-se a era de ouro do jazz fusion, quando o Jazz absorvia definitivamente a eletricidade, o groove do Funk e as estruturas abertas herdadas do Free Jazz e da música modal. Diferente de muitos bateristas-líderes da época, Mouzon não constrói o disco como um exercício de poder rítmico ou virtuosismo percussivo, mas sim como um trabalho conceitual que dialoga com um lado espiritual. A produção, feita por George Butler, é extremamente cuidadosa e equilibrada. Embora a bateria de Mouzon seja central, ela nunca domina o espaço de forma gratuita. O som é orgânico, amplo e respirado, com excelente definição de cada instrumento. Os teclados elétricos, guitarras e sopros criam uma paleta sonora rica e com muita alternância. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um ótimo disco e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Sunflower, The Essence Of Mystery, Funky Finger 
Vale a Pena Ouvir: Spring Water, Antonia, Crying Angels

Mind Transplant – Alphonse Mouzon





















NOTA: 9/10


Dois anos depois, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon, o Mind Transplant. Após o The Essence Of Mystery, ele decidiu mergulhar de cabeça no lado mais agressivo, elétrico e visceral do Jazz Fusion. Esse período marca o auge do Fusion como linguagem dominante para muitos músicos de Jazz. O Rock já havia sido completamente assimilado, o Funk estava cada vez mais presente, e a virtuosidade instrumental se tornara um elemento central. A produção, feita por Skip Drinkwater, é crua e extremamente focada no impacto físico da música. O som é alto, denso e agressivo para os padrões do Jazz da época, aproximando-se claramente do Hard Rock e do Funk Rock. A bateria de Mouzon ocupa um lugar central, mas não de forma desbalanceada. Ela funciona como motor permanente, empurrando a música para frente com precisão absurda, força e clareza. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas. No fim, é um belo álbum e muito ousado. 

Melhores Faixas: Golden Rainbows, Carbon Dioxide, Some Of The Things People Do 
Vale a Pena Ouvir: Mind Transplant, Nitroglycerin

The Man Incognito – Alphonse Mouzon





















NOTA: 8,2/10


Avaliação: 8,2/10 Mais um ano se passa, e outro trabalho do baterista é lançado, intitulado The Man Incognito. Após o Mind Transplant, Alphonse Mouzon havia apostado tudo na fisicalidade, no ataque elétrico e na energia quase violenta do Fusion; aqui, ele faz um movimento de recuo estratégico, não para enfraquecer, mas para complexificar sua linguagem. O que ele quis fazer foi um álbum que mantém a eletricidade, mas reintroduz elegância, ironia, Swing tradicional e referências explícitas ao Jazz clássico. A produção é praticamente a mesma, só que agora mais polida e equilibrada, com mais espaço entre os instrumentos, mais ar e mais dinâmica. A bateria segue muito presente, porém menos esmagadora: ela dialoga, comenta, ironiza. Surgem agora influências que caminham em direção ao Smooth Jazz e à nascente Disco music. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais envolventes e melódicas. No final de tudo, é um disco interessante e um contraste coeso. 

Melhores Faixas: You Are My Dream, Before You Leave 
Vale a Pena Ouvir: Take Your Troubles Away, Without A Reason

Virtue – Alphonse Mouzon





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon intitulado Virtue. Após o The Man Incognito, ele acabou saindo da Blue Note, passando a lançar seus trabalhos por selos menores. Além disso, ele percebia que o Jazz Fusion já começava a perder o status de “vanguarda absoluta”, enquanto o Funk e o Soul ganhavam ainda mais espaço. Mouzon percebe isso e responde com um álbum que dialoga diretamente com o groove, mas sem abandonar a complexidade rítmica e o refinamento harmônico. A produção, conduzida por Joachim-Ernst Berendt, é a mais limpa e acessível em relação aos trabalhos anteriores. O som é claramente pensado para a fluidez: os instrumentos respiram, os grooves se assentam com naturalidade e a bateria, embora central, nunca domina de forma autoritária, além da inclusão de sintetizadores e guitarras menos distorcidas. O repertório ficou muito bom, e as canções são mais atmosféricas. No geral, é um trabalho legal e injustamente menosprezado. 

Melhores Faixas: Master Funk, Baker's Daughter 
Vale a Pena Ouvir: Poobli, Come Into My Life

By All Means – Alphonse Mouzon





















NOTA: 6/10


Indo para 1981, foi lançado mais um trabalho de Alphonse Mouzon, o fraquíssimo By All Means. Após o Virtue, ao perceber que, nessa nova década, os grooves se tornavam mais lineares, os timbres mais limpos, os sintetizadores ganhavam protagonismo e a música instrumental passava a dialogar mais com o Funk moderno e o Jazz radiofônico, ele decidiu seguir essas tendências, ainda que sem abandonar totalmente suas características marcantes. A produção, conduzida por ele próprio, foi para um som bem mais limpo e controlado, com sintetizadores digitais e elétricos assumindo papel central, guitarras mais contidas e a bateria, embora ainda muito presente e mais econômica. Porém, ao deixar os arranjos enxutos, ele passa a recorrer a clichês previsíveis do Smooth Jazz, o que torna tudo bastante tedioso. O repertório é curtíssimo e, ao mesmo tempo, mediano, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um trabalho irregular e esquecível. 

Melhores Faixas: The Jogger, Do I Have To? 
Piores Faixas: By All Means, Space Invadors, The Next Time We Love

The Survivor – Alphonse Mouzon





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 1992, quando foi lançado seu último álbum, intitulado The Survivor. Após o By All Means, o cenário musical era ainda mais desafiador para músicos ligados ao Jazz Fusion: o gênero já não ocupava espaço central, o mercado havia se fragmentado e a música instrumental lutava por visibilidade. Aqui, Mouzon não tenta reinventar o Fusion nem competir com tendências contemporâneas, fazendo uma espécie de balanço de sua vida artística. A produção, feita por ele próprio, é limpa e extremamente cuidadosa. O som reflete os padrões do início dos anos 90, com timbres digitais mais suaves, menos agressividade, maior controle dinâmico e uma estética que privilegia clareza e definição, porém o maior problema é que tudo soa muito arrastado e bastante repetitivo. O repertório é muito ruim, e as canções, em sua maioria, são bem chatas. Enfim, é um disco de despedida fraquíssimo, e após isso ele focou em outros projetos até seu falecimento em 2016. 

Melhores Faixas: Feeling Good, Soft And Gentle, The Survivor 
Piores Faixas: After The Rain, Bedtime Stories, All That Jazz, It's Not Over Yet


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