The Essence Of Mystery – Alphonze Mouzon
NOTA: 8,6/10
Voltando para o ano de 1973, foi lançado o 1º trabalho solo do Alphonse Mouzon, o The Essence Of Mystery. Após sua saída do Weather Report, vivia-se a era de ouro do jazz fusion, quando o Jazz absorvia definitivamente a eletricidade, o groove do Funk e as estruturas abertas herdadas do Free Jazz e da música modal. Diferente de muitos bateristas-líderes da época, Mouzon não constrói o disco como um exercício de poder rítmico ou virtuosismo percussivo, mas sim como um trabalho conceitual que dialoga com um lado espiritual. A produção, feita por George Butler, é extremamente cuidadosa e equilibrada. Embora a bateria de Mouzon seja central, ela nunca domina o espaço de forma gratuita. O som é orgânico, amplo e respirado, com excelente definição de cada instrumento. Os teclados elétricos, guitarras e sopros criam uma paleta sonora rica e com muita alternância. O repertório é muito bom, e as canções são bem envolventes. No fim, é um ótimo disco e bastante coeso.
Melhores Faixas: Sunflower, The Essence Of Mystery, Funky Finger
Vale a Pena Ouvir: Spring Water, Antonia, Crying Angels
Mind Transplant – Alphonse Mouzon
NOTA: 9/10
Dois anos depois, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon, o Mind Transplant. Após o The Essence Of Mystery, ele decidiu mergulhar de cabeça no lado mais agressivo, elétrico e visceral do Jazz Fusion. Esse período marca o auge do Fusion como linguagem dominante para muitos músicos de Jazz. O Rock já havia sido completamente assimilado, o Funk estava cada vez mais presente, e a virtuosidade instrumental se tornara um elemento central. A produção, feita por Skip Drinkwater, é crua e extremamente focada no impacto físico da música. O som é alto, denso e agressivo para os padrões do Jazz da época, aproximando-se claramente do Hard Rock e do Funk Rock. A bateria de Mouzon ocupa um lugar central, mas não de forma desbalanceada. Ela funciona como motor permanente, empurrando a música para frente com precisão absurda, força e clareza. O repertório é incrível, e as canções são bem divertidas. No fim, é um belo álbum e muito ousado.
Melhores Faixas: Golden Rainbows, Carbon Dioxide, Some Of The Things People Do
Vale a Pena Ouvir: Mind Transplant, Nitroglycerin
The Man Incognito – Alphonse Mouzon
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: You Are My Dream, Before You Leave
Vale a Pena Ouvir: Take Your Troubles Away, Without A Reason
Virtue – Alphonse Mouzon
NOTA: 8/10
No ano seguinte, foi lançado mais um disco de Alphonse Mouzon intitulado Virtue. Após o The Man Incognito, ele acabou saindo da Blue Note, passando a lançar seus trabalhos por selos menores. Além disso, ele percebia que o Jazz Fusion já começava a perder o status de “vanguarda absoluta”, enquanto o Funk e o Soul ganhavam ainda mais espaço. Mouzon percebe isso e responde com um álbum que dialoga diretamente com o groove, mas sem abandonar a complexidade rítmica e o refinamento harmônico. A produção, conduzida por Joachim-Ernst Berendt, é a mais limpa e acessível em relação aos trabalhos anteriores. O som é claramente pensado para a fluidez: os instrumentos respiram, os grooves se assentam com naturalidade e a bateria, embora central, nunca domina de forma autoritária, além da inclusão de sintetizadores e guitarras menos distorcidas. O repertório ficou muito bom, e as canções são mais atmosféricas. No geral, é um trabalho legal e injustamente menosprezado.
Melhores Faixas: Master Funk, Baker's Daughter
Vale a Pena Ouvir: Poobli, Come Into My Life
By All Means – Alphonse Mouzon
NOTA: 6/10
Indo para 1981, foi lançado mais um trabalho de Alphonse Mouzon, o fraquíssimo By All Means. Após o Virtue, ao perceber que, nessa nova década, os grooves se tornavam mais lineares, os timbres mais limpos, os sintetizadores ganhavam protagonismo e a música instrumental passava a dialogar mais com o Funk moderno e o Jazz radiofônico, ele decidiu seguir essas tendências, ainda que sem abandonar totalmente suas características marcantes. A produção, conduzida por ele próprio, foi para um som bem mais limpo e controlado, com sintetizadores digitais e elétricos assumindo papel central, guitarras mais contidas e a bateria, embora ainda muito presente e mais econômica. Porém, ao deixar os arranjos enxutos, ele passa a recorrer a clichês previsíveis do Smooth Jazz, o que torna tudo bastante tedioso. O repertório é curtíssimo e, ao mesmo tempo, mediano, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um trabalho irregular e esquecível.
Melhores Faixas: The Jogger, Do I Have To?
Piores Faixas: By All Means, Space Invadors, The Next Time We Love





