To You With Love – Joe Zawinul Trio
NOTA: 8/10
No ano de 1961, foi lançado o álbum de estreia de Joe Zawinul, intitulado To You With Love. O tecladista, nascido na capital da Áustria, Viena, começou sua trajetória por volta de 1949, quando tocou com alguns músicos da região. Dez anos depois, mudou-se para os Estados Unidos, onde iria estudar música na Faculdade Berklee de Música. No entanto, após apenas uma semana, largou os estudos, pois recebeu uma proposta para sair em turnê com Maynard Ferguson, e com isso começou a gravar álbuns pelo selo Strand. A produção é bem simplista e direta, e o trio, composto por Zawinul (teclados), George Tucker (baixo) e Frankie Dunlop (bateria), favorece a interação orgânica entre os músicos e coloca o piano do Zawinul no centro da experiência sonora, pensado para soar natural, íntimo e elegante, como uma sessão de clube registrada em fita. O repertório é muito bom, e as canções passam um clima de leveza. Enfim, é um disco até que interessante.
Melhores Faixas: Please Send Me Someone To Love, Greensleeves
Vale a Pena Ouvir: My One And Only Love, Easy Living, Love For Sale
Money In The Pocket – Joe Zawinul
NOTA: 8/10
Cinco anos se passam, e é lançado seu segundo disco, intitulado Money In The Pocket. Após o To You With Love, Zawinul já estava plenamente integrado ao Jazz americano, com identidade autoral clara e em plena atividade criativa. Além disso, naquele período ele estava trabalhando ao lado de Cannonball Adderley, experiência que o colocou em contato direto com o Soul Jazz, o Hard Bop mais grooveado e uma relação cada vez mais orgânica com o público negro americano. A produção, conduzida por Joel Dorn, tem um som mais encorpado e direto, com foco na seção rítmica e na clareza das linhas melódicas. O piano do Zawinul ocupa um lugar central, mas nunca sufoca o conjunto: tudo gira em torno do balanço coletivo. O baixo é firme, a bateria tem swing e peso, e os sopros, quando presentes, funcionam como extensão melódica do pensamento do pianista. O repertório é muito bom, e as canções são mais envolventes. No fim, é um disco bacana e com maior adesão.
Melhores Faixas: Sharon's Waltz, Money In The Pocket
Vale a Pena Ouvir: If, Midnight Mood, Some More Of Dat
The Rise & Fall Of The Third Stream – Joe Zawinul
NOTA: 8,2/10
Melhores Faixas: The Fifth Canto, From Vienna, With Love
Vale a Pena Ouvir: Lord, Lord, Lord, Baptismal
Zawinul – Zawinul
NOTA: 9/10
Entrando em 1971, foi lançado um trabalho simplesmente magnífico do Joe Zawinul, seu álbum meio que autointitulado. Após o The Rise & Fall Of The Third Stream, ele parou de colaborar com Cannonball Adderley e teve uma experiência transformadora ao lado do Miles Davis em In a Silent Way e Bitches Brew. Essas participações foram decisivas para mudar sua percepção sobre forma, tempo, textura e eletricidade. Assim, ele buscava uma linguagem própria que unisse improvisação, groove, atmosfera e composição, sem depender de estruturas tradicionais do Jazz. A produção, conduzida por Joel Dorn, mostrou um uso de teclados elétricos por parte de Zawinul que cria paisagens sonoras contínuas, mais atmosféricas do que virtuosísticas, explorando texturas, drones e grooves repetitivos, além de uma seção rítmica angular. O repertório contém cinco faixas muito legais e com muita variação. No final de tudo, é um baita disco e um divisor de águas.
Melhores Faixas: Double Image, Doctor Honoris Causa
Vale a Pena Ouvir: His Last Journey, In A Silent Way, Arrival In New York
Dialects – Zawinul
NOTA: 8,4/10
Quinze anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho solo do Joe Zawinul, o Dialects. Após o Zawinul, o pianista acabou focando mais seu tempo no Weather Report, mas, com o fim da banda, decidiu fazer um trabalho muito mais amplo: uma música baseada em ritmos do mundo, identidade cultural, timbre, textura e groove contínuo. Não se trata apenas de um disco de Jazz, mas de um manifesto pessoal, algo que não era muito explorado com sua antiga banda. A produção foi conduzida por ele próprio e é extremamente sofisticada, totalmente centrada nos teclados eletrônicos. Zawinul já dominava como poucos o uso de sintetizadores, samplers e controladores MIDI, mas aqui os utiliza não para o virtuosismo, e sim para criar paisagens sonoras orgânicas, quase físicas. O repertório é bem legal, e as canções são dinâmicas e envolventes. No fim, é um disco muito bom e com uma proposta que funcionou.
Melhores Faixas: Waiting For The Rain, Carnavalito
Vale a Pena Ouvir: The Great Empire, Peace






