segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 2

                 

Nothing Will Be As It Was...Tomorrow – Flora Purim





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo da Flora Purim, o Nothing Will Be As It Was… Tomorrow. Após o Open Your Eyes You Can Fly, vendo que o Jazz Fusion se tornava mais grooveado, mais próximo do Funk e do R&B, ao mesmo tempo em que grandes gravadoras buscavam artistas capazes de dialogar com um público mais amplo, Flora entra nesse novo momento já consagrada artisticamente, mas curiosa em explorar outras possibilidades de circulação e linguagem. Com produção feita pelo baterista Leon “Ndugu” Chancler, o disco é deliberadamente mais polido, denso e orientado ao groove. O som se afasta da atmosfera etérea e quase “cósmica” dos álbuns anteriores para se aproximar de uma estética que valoriza o pulso, o baixo elétrico bem definido, baterias secas e arranjos mais fechados. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante intimistas e até divertidas. No fim, é um trabalho bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: Nothing Will Be As It Was (Nada Sera Como Antes), Fairy Tale Song 
Vale a Pena Ouvir: Angels, You Love Me Only

Encounter – Flora Purim





















NOTA: 8,2/10


Alguns meses depois, foi lançado outro disco da cantora intitulado Encounter, que é mais tradicional. Após o Nothing Will Be As It Was… Tomorrow, depois de uma tentativa que seguiu muitos contemporâneos que se voltaram para o Funk ou o R&B de maneira mais explícita, Flora escolhe outro caminho: o da intimidade, da escuta e do encontro musical propriamente dito. Fazendo, assim, um álbum contemplativo, às vezes até introspectivo, em que Flora parece interessada em explorar o espaço interno da música, e não sua projeção externa. Produção feita mais uma vez por Orrin Keepnews, colocou um som econômico e transparente. Em vez de camadas densas de teclados ou arranjos grandiosos, o álbum aposta em uma instrumentação que valoriza o espaço, a respiração e a interação entre os músicos, que não sobrecarregam os vocais melódicos e suaves da Flora. O repertório é muito bom, e as canções passam aquele clima de leveza. Enfim, é um disco bom e que foi mais intimista. 

Melhores Faixas: Black Narcissus, Above The Rainbow 
Vale a Pena Ouvir: Windows, Encounter

That's What She Said – Flora Purim





















NOTA: 8/10


E então outro ano se passou, e foi lançado mais um disco da Flora Purim, o That’s What She Said. Após o Encounter, Flora já era uma artista plenamente madura, mas inserida em um mercado musical em transformação. O final da década marca um período em que o Jazz Fusion, enquanto movimento de vanguarda, começa a perder centralidade cultural. As grandes gravadoras pressionam artistas a dialogar com formatos mais comerciais; com isso, este trabalho não é um retorno ao experimentalismo radical, nem uma rendição total ao Pop, mas um disco que tenta negociar identidade. A produção é aquela de sempre, mais direta, compacta e orientada à canção. A sonoridade é marcada por arranjos bem definidos, estruturas claras e uma preocupação evidente com acessibilidade, sem abandonar completamente o refinamento harmônico e rítmico do Jazz. O repertório é até legal, e as canções são bem imersivas. Enfim, é um álbum bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: What Can I Say?, You On My Mind 
Vale a Pena Ouvir: Juicy, You Are My Heart

Humble People – Flora Purim & Airto Moreira





















NOTA: 8,3/10


Foi apenas em 1985 que Flora Purim retorna com um álbum que faria parte de uma série de trabalhos colaborativos com Airto Moreira, o Humble People. Após o That’s What She Said, como o Jazz Fusion já havia sido amplamente assimilado, o mercado estava dominado por produções digitais e uma estética mais limpa e menos aventureira. Ainda assim, o casal buscava um espaço de afirmação identitária, especialmente ligado às raízes brasileiras, à religiosidade difusa e a uma ideia de música como serviço e comunhão. Com produção feita inteiramente por Airto, o disco traz uma sonoridade variada; o som geral é mais suave, contemplativo e uniforme do que nos trabalhos anteriores. As dinâmicas são menos contrastantes, os arranjos evitam excessos e a música flui de forma contínua, quase meditativa, mostrando influências latinas e também do R&B e do Reggae. O repertório é muito bom, e as canções são bem divertidas. No fim, é um ótimo disco que mostrou algo interessante. 

Melhores Faixas: Jogral, New Flora 
Vale a Pena Ouvir: Move It On Up, Bad Jive

The Magicians – Flora Purim & Airto





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado o 2º álbum colaborativo deles, intitulado The Magicians. Após o Humble People, que partia da humildade, da coletividade e de uma ética quase devocional, essa continuação desloca o olhar para a dimensão simbólica e ritual da criação musical. O título sugere não truques ou espetáculo, mas a ideia do músico como mediador entre forças invisíveis: ritmo, memória cultural e imaginação. Produção feita mais uma vez inteiramente por Airto Moreira, o disco apresenta uma presença clara de sintetizadores digitais, timbres processados e texturas eletrônicas; porém, esses elementos não são usados para criar impacto comercial. Eles funcionam como camadas atmosféricas, quase como névoa sonora, já que a presença de instrumentos tradicionais mantém o clima contemplativo, sobretudo na percussão e nos vocais contidos da Flora. O repertório é muito bom, e as canções são funcionais. Enfim, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: Bird Of Paradise, Jump 
Vale a Pena Ouvir: The Magicians, Love Reborn, Jennifer
  

                                                                                   Então é isso e flw!!!              

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 2

                  Nothing Will Be As It Was...Tomorrow – Flora Purim NOTA: 8 /10 No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho novo da Flora...