Flora É M.P.M. – Flora Purim
NOTA: 8/10
Voltando para 1964, foi lançado o álbum de estreia de Flora Purim, o Flora É M.P.M.. A cantora carioca começou sua trajetória no início daquela década; vinda de um berço de pais músicos eruditos, ao entrar na fase adulta assinou com a RCA sob a sigla M.P.M. (Música Popular Moderna), que na época indicava um repertório inovador dentro da música popular brasileira, aproximando Bossa Nova, Samba e arranjos com nuances de Jazz. A produção, feita por Paulo Rocco e Roberto Jorge, é bastante representativa do cenário musical brasileiro do início dos anos 60, misturando arranjos sofisticados com elementos típicos da Bossa Nova, além de contar com um time de músicos extremamente requisitados, entre eles o baterista Dom Um Romão, que trouxe uma abordagem rítmica robusta ao projeto. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas. No fim, é um ótimo disco, apesar de não ser exatamente o caminho que ela seguiria posteriormente.
Melhores Faixas: Samba Do Carioca, A Morte De Um Deus De Sal, Se Fosse Com Você, Reza
Vale a Pena Ouvir: Maria Moita, Borandá, Definitivamente
Butterfly Dreams – Flora Purim
NOTA: 9/10
Melhores Faixas: Dindi, Love Reborn, Butterfly Dreams
Vale a Pena Ouvir: Light As A Feather, Moon Dreams
Stories To Tell – Flora Purim
NOTA: 9,4/10
No fim daquele mesmo ano, foi lançado outro trabalho fenomenal dela, o Stories to Tell. Após o Butterfly Dreams, que explorava a voz como um instrumento abstrato, frequentemente sem palavras, aqui Flora começa a organizar essa liberdade em “histórias”, como o próprio título sugere. É um disco que nasce do amadurecimento artístico e pessoal, quando ela já estava plenamente integrada à cena do Jazz Fusion internacional, mas começava a refletir sobre como estruturar essa linguagem sem perder profundidade. A produção, feita novamente por Orrin Keepnews, é mais polida e estruturada, mas ainda preserva uma sensação orgânica e respirada. O som é limpo, equilibrado e cuidadosamente espaçado, permitindo que cada instrumento tenha função clara dentro do arranjo, trazendo aquele clima intimista. O repertório é incrível, e as canções são suaves e aconchegantes. No geral, é um baita disco e um clássico.
Melhores Faixas: Insensatez, Search For Peace, Casa Forte, Vera Cruz
Vale a Pena Ouvir: To Say Goodbye, Stories To Tell
Open Your Eyes You Can Fly – Flora Purim
NOTA: 8,3/10
Dois anos depois, foi lançado mais um trabalho da Flora Purim, o Open Your Eyes You Can Fly. Após o Stories to Tell, que buscava uma organização narrativa mais clara, este projeto representa a consolidação definitiva de sua identidade dentro do Jazz Fusion. Aqui, Flora não está mais explorando possibilidades ou testando limites: ela já domina completamente a linguagem que ajudou a criar, fazendo um álbum tecnicamente sofisticado, mas profundamente musical, que coloca a expressividade, o lirismo e o groove acima da demonstração pura de habilidade. A produção é relativamente a mesma, mas agora com um som mais polido, definido e, ao mesmo tempo, quente, permitindo que cada elemento do arranjo seja ouvido com clareza. Os arranjos são mais rítmicos e estruturados, mas ainda preservam espaços para respiração e improvisação. O repertório é muito bom, e as canções são mais sofisticadas. Em suma, é um ótimo álbum e mais amplo.
Melhores Faixas: Open Your Eyes You Can Fly, Ina's Song (Trip To Bahia) / Transition
Vale a Pena Ouvir: Medley: White Wing / Black Wing, Sometime Ago
É isso, então flw!!!



