domingo, 8 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 1

                 

Flora É M.P.M. – Flora Purim





















NOTA: 8/10


Voltando para 1964, foi lançado o álbum de estreia de Flora Purim, o Flora É M.P.M.. A cantora carioca começou sua trajetória no início daquela década; vinda de um berço de pais músicos eruditos, ao entrar na fase adulta assinou com a RCA sob a sigla M.P.M. (Música Popular Moderna), que na época indicava um repertório inovador dentro da música popular brasileira, aproximando Bossa Nova, Samba e arranjos com nuances de Jazz. A produção, feita por Paulo Rocco e Roberto Jorge, é bastante representativa do cenário musical brasileiro do início dos anos 60, misturando arranjos sofisticados com elementos típicos da Bossa Nova, além de contar com um time de músicos extremamente requisitados, entre eles o baterista Dom Um Romão, que trouxe uma abordagem rítmica robusta ao projeto. O repertório é muito bom, e as canções são bem profundas. No fim, é um ótimo disco, apesar de não ser exatamente o caminho que ela seguiria posteriormente. 

Melhores Faixas: Samba Do Carioca, A Morte De Um Deus De Sal, Se Fosse Com Você, Reza 
Vale a Pena Ouvir: Maria Moita, Borandá, Definitivamente

Butterfly Dreams – Flora Purim





















NOTA: 9/10


Pulando para 1974, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, intitulado Butterfly Dreams. Após Flora É M.P.M., ela deixou o Brasil em 1967 e foi morar nos Estados Unidos junto com seu marido, Airto Moreira, onde se inseriram na cena jazzística norte-americana e passaram pela primeira formação do Return to Forever. Com isso, este trabalho, lançado pela Milestone Records, apresenta uma cantora com bagagem musical já consolidada, seguindo referências que a acompanhavam desde a infância. A produção, feita por Orrin Keepnews, é refinada, cuidadosa e extremamente sensível às nuances sonoras. O álbum conta com um núcleo de músicos de altíssimo nível, muitos deles ligados ao Return to Forever e à vanguarda do Jazz da época, que fornecem uma base orgânica e permitem que os vocais variados de Flora brilhem, estabelecendo um equilíbrio entre Jazz Fusion e Vocal Jazz. O repertório é belíssimo, e as canções são bem imersivas. No fim, é um baita disco e bem tematizado. 

Melhores Faixas: Dindi, Love Reborn, Butterfly Dreams 
Vale a Pena Ouvir: Light As A Feather, Moon Dreams

Stories To Tell – Flora Purim





















NOTA: 9,4/10


No fim daquele mesmo ano, foi lançado outro trabalho fenomenal dela, o Stories to Tell. Após o Butterfly Dreams, que explorava a voz como um instrumento abstrato, frequentemente sem palavras, aqui Flora começa a organizar essa liberdade em “histórias”, como o próprio título sugere. É um disco que nasce do amadurecimento artístico e pessoal, quando ela já estava plenamente integrada à cena do Jazz Fusion internacional, mas começava a refletir sobre como estruturar essa linguagem sem perder profundidade. A produção, feita novamente por Orrin Keepnews, é mais polida e estruturada, mas ainda preserva uma sensação orgânica e respirada. O som é limpo, equilibrado e cuidadosamente espaçado, permitindo que cada instrumento tenha função clara dentro do arranjo, trazendo aquele clima intimista. O repertório é incrível, e as canções são suaves e aconchegantes. No geral, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: Insensatez, Search For Peace, Casa Forte, Vera Cruz 
Vale a Pena Ouvir: To Say Goodbye, Stories To Tell

Open Your Eyes You Can Fly – Flora Purim





















NOTA: 8,3/10


Dois anos depois, foi lançado mais um trabalho da Flora Purim, o Open Your Eyes You Can Fly. Após o Stories to Tell, que buscava uma organização narrativa mais clara, este projeto representa a consolidação definitiva de sua identidade dentro do Jazz Fusion. Aqui, Flora não está mais explorando possibilidades ou testando limites: ela já domina completamente a linguagem que ajudou a criar, fazendo um álbum tecnicamente sofisticado, mas profundamente musical, que coloca a expressividade, o lirismo e o groove acima da demonstração pura de habilidade. A produção é relativamente a mesma, mas agora com um som mais polido, definido e, ao mesmo tempo, quente, permitindo que cada elemento do arranjo seja ouvido com clareza. Os arranjos são mais rítmicos e estruturados, mas ainda preservam espaços para respiração e improvisação. O repertório é muito bom, e as canções são mais sofisticadas. Em suma, é um ótimo álbum e mais amplo. 

Melhores Faixas: Open Your Eyes You Can Fly, Ina's Song (Trip To Bahia) / Transition 
Vale a Pena Ouvir: Medley: White Wing / Black Wing, Sometime Ago

                                                                               É isso, então flw!!!         

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 2

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