terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 3

                 

The Sun Is Out – Flora Purim & Airto





















NOTA: 2,6/10


Aí, mais um ano se passou, e foi lançado mais um trabalho deles, dessa vez o fraquíssimo The Sun Is Out. Após o The Magicians, este novo projeto quis voltar o olhar para a vida cotidiana, a alegria, o amor, a amizade e a imaginação, sem perder a sofisticação harmônica e rítmica que sempre marcou a obra da dupla. Há aqui uma sensação clara de maturidade tranquila: Flora e Airto soam como artistas que já compreenderam profundamente suas próprias linguagens e que agora querem fazer música por prazer. A produção é aquela mesma de sempre, só que deliberadamente mais clara e aberta. Aqui vemos a voz da Flora mais próxima, preservando nuances tímbricas, respirações e inflexões suaves, enquanto a percussão do Airto mostra grooves mais simples. Só que, no geral, os arranjos são previsíveis e tudo soa muito arrastado. O repertório é muito ruim, e as canções, em sua maioria, são chatíssimas. No fim, é um disco péssimo e o mais esquecível da trajetória deles. 

Melhores Faixas: Lua Flora, Forever Friends 
Piores Faixas: Midday Sun, Viver De Amor, The Hope, Asas Da Imaginação

Three-Way Mirror – Airto Moreira, Flora Purim & Joe Farrell





















NOTA: 8/10


Ainda naquele mesmo ano, foi lançado um álbum colaborativo do casal junto com Joe Farrell, o Three-Way Mirror. Após o The Sun Is Out, esse trabalho surgiu por volta de 1985 (já que, no seu lançamento, Farrell já havia falecido). O que eles fizeram foi um trabalho que remete ao período do Jazz Fusion, que já não predominava mais, mas sem funcionar como uma tentativa de atualização estética; trata-se, antes, de uma reflexão madura sobre trajetórias cruzadas. A produção, feita por Airto Moreira junto com J. Tamblyn Henderson Jr., é marcada por sobriedade e clareza. Cada instrumento ocupa seu espaço com nitidez, permitindo que as interações sutis sejam plenamente percebidas. A percussão do Airto é tratada menos como espetáculo rítmico e mais como elemento estruturante, os sopros do Joe Farrell são o eixo melódico, e os vocais da Flora assumem um caráter mais narrativo. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves. Enfim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Plane To The Trane, Three-Way Mirror 
Vale a Pena Ouvir: Lilia, Treme Terra, São Francisco River

The Colours Of Life – Airto Moreira / Flora Purim





















NOTA: 8/10


Aí chegamos a 1988, quando foi lançado o álbum que finalizou essa fase, o The Colours Of Life. Após o Three-Way Mirror, este novo disco pode ser entendido como uma síntese estética da trajetória do casal. Aqui, não há mais a urgência de afirmar identidades ou de expandir linguagens. A fusão entre jazz, música brasileira, elementos latinos e um vocabulário pop sofisticado já está completamente assimilada. A produção, feita como sempre pelo próprio Airto, apresenta um som limpo e equilibrado, com uma clara preocupação em preservar a naturalidade das performances, com sua percussão dialogando constantemente com os demais elementos, alternando entre grooves suaves, comentários rítmicos sutis e texturas quase ambientais. Já os vocais da Flora aparecem em poucos momentos e privilegiam nuances, articulações suaves e uma expressividade que lembra o Spoken Word. O repertório é legal, e as canções são bem dinâmicas. No fim, é um álbum interessante e assertivo. 

Melhores Faixas: Anatelio, Bingo 
Vale a Pena Ouvir: Partido Alto, Mistérios, Treme Terra

Flora Purim Sings Milton Nascimento – Flora Purim





















NOTA: 8,4/10


Foi apenas em 2000 que Flora Purim retorna com o álbum Sings Milton Nascimento. Após o The Colours Of Life, Flora focou em outros projetos nesse meio-tempo e volta com um trabalho revisitando o repertório de Milton Nascimento, que sempre representou algo além de um compositor admirado: ele é uma referência ética, estética e emocional dentro da música brasileira, alguém que, assim como ela, construiu uma linguagem profundamente pessoal, na qual é impossível separar técnica, espiritualidade e humanidade. A produção é deliberadamente sóbria, elegante e respeitosa. Os arranjos, feitos por sua filha Diana, são enxutos, mas harmonicamente ricos, permitindo que as melodias de Milton respirem com naturalidade, seguindo a estética da MPB com influências do Jazz-Funk e do Trip Hop, com os vocais da Flora funcionando muito bem. O repertório, não preciso dizer, é ótimo, e as canções são muito bem interpretadas. No fim, é um disco bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: Nuvem Cigana, Tudo Que Você Podia Ser, Cais 
Vale a Pena Ouvir: Canta Latino, Nós Dois

Perpetual Emotion – Flora Purim





















NOTA: 8,5/10


Entrando nos anos 80, foi lançado o 10º álbum do Wishbone Ash, intitulado Just Testing. Após o No Smoke Without Fire, disco que havia representado uma tentativa relativamente bem-sucedida de recuperar peso e identidade após a fase mais orientada ao AOR, no entanto, em vez de consolidar essa retomada, a banda opta por um caminho completamente diferente. Esse trabalho é deliberadamente fragmentado, já que traz várias influências adquiridas ao longo de seus 10 anos de carreira. A produção foi feita pela própria banda junto com John Sherry, optando por uma sonoridade clara e orgânica, em que as guitarras aparecem ora com timbres limpos e delicados, ora com distorções secas e pouco trabalhadas. A bateria e o baixo muitas vezes soam contidos, quase discretos, compondo essa junção de Hard Rock, Blues Rock e AOR. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem divertidas. Em suma, é um trabalho legal e que marcou o fim de uma fase. 

Melhores Faixas: Living Proof, Lifeline, Master Of Disguise 
Vale a Pena Ouvir: New Rising Star, Haunting Me


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