quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 1

                  

Hermeto – Hermeto





















NOTA: 9/10


Indo agora para 1973, Hermeto Pascoal lançava seu 1º álbum solo, intitulado Hermeto. O alagoano começou sua trajetória por volta de 1950, quando tocava com seu irmão mais velho, chegando a trabalhar na Rádio Jornal do Commercio; nesse meio-tempo, começou a aprender qualquer tipo de instrumento e, ao longo desses onze anos, passou por idas e vindas até o Rio de Janeiro, até que, em 1961, mudou-se para São Paulo, onde participou dos grupos Sambrasa Trio e Quarteto Novo, e, em 1969, mudou-se para os Estados Unidos. Produzido por Airto Moreira e Flora Purim, colocaram uma abordagem aberta e flexível. Os arranjos apresentam variações dinâmicas abruptas, mudanças de clima inesperadas e contrastes tímbricos que reforçam a ideia de música como processo vivo, refletindo a estética do Third Stream e de uma Big Band experimental. O repertório é ótimo, e as canções são bem densas. No fim, é um belíssimo álbum de estreia, ousado e afirmativo. 

Melhores Faixas: Guizos, As Marianas, Hermeto 
Vale a Pena Ouvir: Velório, Flor Do Amor

A Música Livre De Hermeto Paschoal – Hermeto Pascoal





















NOTA: 9/10


Três anos depois, foi lançado seu 2º disco solo, intitulado A Música Livre de Hermeto Paschoal. Após o álbum de 1970, Hermeto acabou conhecendo Miles Davis e chegou a participar do álbum ao vivo Live-Evil, havendo inclusive a história de que Miles o chamou para lutar boxe, e o Bruxo venceu. Depois disso, ele decidiu preparar um álbum cujo conceito não significa ausência de estrutura, mas a libertação das hierarquias tradicionais entre som e ruído, composição e improviso, popular e erudito. Produzido por Rubinho Barsotti, o disco apresenta um som direto, muitas vezes áspero, privilegiando a presença física do instrumento e a interação real entre os músicos. Os arranjos não seguem fórmulas fixas; alguns são cheios de variações, enquanto outros funcionam como verdadeiros exercícios de escuta coletiva, articulando Jazz Fusion com elementos vanguardistas e de Baião. O repertório é muito bom, e as canções são bem técnicas. No fim, é um trabalho bacana e caótico. 

Melhores Faixas: Bebê, Gaio Da Roseira 
Vale a Pena Ouvir: Carinhoso

Slaves Mass – Hermeto Pascoal





















NOTA: 10/10


E aí chegamos a 1977, quando foi lançado o fenomenal Slaves Mass, seu 3º álbum de estúdio. Após A Música Livre de Hermeto Paschoal, Hermeto já não era apenas um compositor experimental: era um pensador musical completo, interessado em sistemas, espiritualidade, política, som ambiental e improvisação como ato coletivo. Gravado durante sua fase mais intensa de circulação internacional, o álbum nasce do contato direto com o Jazz norte-americano, mas não como assimilação passiva, e sim como uma junção de elementos brasileiros. Produzido por Airto Moreira e Flora Purim, trouxe um som denso e cuidadosamente organizado, apesar de sua aparência livre. Desta vez, há a presença de coros, sobreposições vocais, texturas ambientais e uma paleta instrumental ampla, combinando Jazz Fusion com elementos vanguardistas. O repertório é sensacional, contando apenas com canções imersivas e dinâmicas. No fim, é um baita disco e, certamente, um clássico. 

Melhores Faixas: Slaves Mass (Missa Dos Escravos), Mixing Pot (Tacho), That Waltz (Aquela Valsa) 
Vale a Pena Ouvir: Just Listen (Escuta Meu Piano), Cherry Jam (Geleia De Cereja)
  

                                                                           Então um abraço e flw!!!                 

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 2

                  Zabumbê-bum-á – Hermeto Pascoal NOTA: 10 /10 Chegando ao fim dos anos 70, foi lançado outro álbum fantástico do Hermeto, o...