sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Hermeto Pascoal: Parte 3

                  

Eu E Eles – Hermeto Pascoal





















NOTA: 9/10


Indo agora para 1973, Hermeto Pascoal lançava seu 1º álbum solo, intitulado Hermeto. O alagoano começou sua trajetória por volta de 1950, quando tocava com seu irmão mais velho, chegando a trabalhar na Rádio Jornal do Commercio; nesse meio-tempo, começou a aprender qualquer tipo de instrumento e, ao longo desses onze anos, passou por idas e vindas até o Rio de Janeiro, até que, em 1961, mudou-se para São Paulo, onde participou dos grupos Sambrasa Trio e Quarteto Novo, e, em 1969, mudou-se para os Estados Unidos. Produzido por Airto Moreira e Flora Purim, colocaram uma abordagem aberta e flexível. Os arranjos apresentam variações dinâmicas abruptas, mudanças de clima inesperadas e contrastes tímbricos que reforçam a ideia de música como processo vivo, refletindo a estética do Third Stream e de uma Big Band experimental. O repertório é ótimo, e as canções são bem densas. No fim, é um belíssimo álbum de estreia, ousado e afirmativo. 

Melhores Faixas: Guizos, As Marianas, Hermeto 
Vale a Pena Ouvir: Velório, Flor Do Amor

The Monash Sessions – Hermeto Pascoal





















NOTA: 9,5/10


Depois de muito tempo, veríamos um retorno triunfal do Hermeto Pascoal com o sensacional The Monash Sessions. Após o Eu E Eles, este projeto nasce de uma residência artística na Sir Zelman Cowen School of Music, da Monash University, em Melbourne, Austrália, em março de 2012. Hermeto já vinha de uma carreira extensa e, naquele meio-tempo, lançou poucos projetos, além de participações peculiares em programas de TV. Com produção feita pelo próprio Hermeto, o disco é menos um “estúdio tradicional” e mais um documento de um processo criativo compartilhado, no qual contou com participações de músicos australianos requisitados e alguns estudantes. Com isso, temos um som bastante orgânico, por vezes mais acústico e “conversacional”, com elementos de Jazz Fusion, além de traços vanguardistas, de Baião, Forró e Samba. O repertório é incrível, e as canções ficaram bem interpretadas e envolventes. No fim, é um belo disco, bem harmônico. 

Melhores Faixas: Bebe, Musica Das Nuvens E Do Chao 
Vale a Pena Ouvir: Chorinho Pra Ele, Sounds Of Hermeto

No Mundo Dos Sons – Hermeto Pascoal & Grupo





















NOTA: 8,6/10


Em 2017, foi lançado outro trabalho de Hermeto Pascoal, o No Mundo Dos Sons. Após o The Monash Sessions, chegou a um momento em que Hermeto já era reconhecido internacionalmente como um dos maiores inovadores da música contemporânea, sendo considerado um gênio, e ainda continuava ativo em apresentações e composições, sempre expandindo sua linguagem sonora sem se restringir a gêneros convencionais; com isso, decidiu fazer um projeto que fosse mais uma celebração das amizades, dos companheiros músicos e das influências que moldaram sua trajetória. A produção seguiu um caminho bem mais amplo, contando com músicos já conhecidos de sua formação, e trouxe uma abordagem vanguardista, com arranjos meticulosos, além de uma improvisação criativa. O repertório é ótimo, e as canções são bem variadas e, de certo modo, divertidas. No fim, é um disco bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Vinícius Dorin Em Búzios, Forró Da Gota Para Sivuca, De Fabio Para Jovino Santos, Ilza Nova, Carlos Malta Tupizando 
Vale a Pena Ouvir: Mazinho Tocando No Coreto, Para Tom Jobim, Salve, Pernambuco Percussão!, Para Miles Davis
  

Natureza Universal – Hermeto Pascoal Big Band





















NOTA: 8,4/10


Meses se passaram, e foi lançado outro trabalho de Hermeto Pascoal intitulado Natureza Universal. Após o No Mundo Dos Sons, ele decidiu criar um disco voltado especificamente para Big Band; era, portanto, uma expansão natural de sua linguagem composicional e de arranjo, reunindo peças compostas ao longo de mais de 30 anos, refletindo tanto a experiência acumulada com grandes formações instrumentais quanto ideias novas desenvolvidas nesse período. A produção foi bem mais complexa, com uma formação que inclui trompetes, trombones, saxofones e seção rítmica completa, e, na gravação, Hermeto ainda aparece tocando instrumentos adicionais e participando diretamente de alguns solos e detalhes de timbre; com isso, combinaram-se passagens elaboradas de arranjos com momentos fortemente jazzísticos e espaços para solos. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais profundas e com muita variação. No geral, é um disco interessante e coeso. 

Melhores Faixas: Pulando A Cerca, O Som Do Sol, Pirâmide 
Vale a Pena Ouvir: Brasil Universo, Choro Árabe, Jegue E Meu Jumento Mimoso

Pra Você, Ilza – Hermeto Pascoal & Grupo





















NOTA: 9/10


Então chegamos ao ano de 2024, que viria a ser o último álbum, o Pra Você, Ilza. Após o Natureza Universal, Hermeto decidiu fazer um trabalho em homenagem à sua esposa, Ilza da Silva, com quem foi casado por mais de 46 anos, até sua morte em 2000. Ele compôs centenas de peças dedicadas a ela, cerca de 198 partituras escritas entre 1999 e 2000, e selecionou 13 para este álbum, que celebram memórias, lugares e momentos compartilhados ao longo da vida em comum. A produção foi feita por ele junto com seu filho, Fábio, contando com improvisações e criação de arranjos no momento, com Hermeto ditando e moldando as partes ao tocar e interagir com seus músicos em estúdio, além, claro, de tocar instrumentos inusitados, criando um equilíbrio entre Post-Bop, Big Band experimental e Jazz Fusion. O repertório é ótimo, e as canções são bem intimistas. Deixando, assim, um último trabalho digno. Infelizmente, perdemos um dos maiores gênios da música brasileira em 2025. 

Melhores Faixas: Do Rio Para Recife, Voltando Para Casa, Pra Você, Ilza, Na Feira Do Jabour, Inspirando Fundo 
Vale a Pena Ouvir: Seus Lindos Olhos, Sol De Recife, Recordações De Recife


Analisando Discografias - Converge: Parte 1

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