sábado, 7 de fevereiro de 2026

Analisando Discografias - Airto Moreira: Parte 1

                  

Natural Feelings – Airto





















NOTA: 9,3/10


No fim de 1970, Airto Moreira lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Natural Feelings. O percussionista, natural de Itaiópolis, Santa Catarina, já mostrava que tinha muito talento desde os 13 anos e foi só quando se tornou adulto, nos anos 60, que montou vários grupos importantes para o nascimento do Samba-jazz. Quando chegou ao fim dessa década, ele se mudou para os Estados Unidos e passou a integrar a cena de Nova York, e, por ser um músico muito fora da curva, acabou assinando com a Buddah Records. A produção, conduzida por Bob Small e Gary McFarland, é crua, orgânica e profundamente sensorial. O som privilegia textura, ressonância e dinâmica, deixando a música respirar, e as participações de alguns músicos de confiança dão essa sensação de aconchego. As influências do Jazz Fusion estão presentes, só que misturadas com Samba. O repertório é incrível, e as canções são bem envolventes e dinâmicas. No geral, é um belo disco e mostrou algo promissor. 

Melhores Faixas: Alue, Frevo, Mixing, Bebe 
Vale a Pena Ouvir: Terror, The Tunnel

Seeds On The Ground - The Natural Sounds Of Airto – Airto





















NOTA: 9,6/10


No ano seguinte, foi lançado seu 2º álbum de estúdio, o sensacional Seeds On The Ground. Após o Natural Feelings, Airto já estava completamente inserido na vanguarda do Jazz Fusion. Ele havia participado de alguns projetos do Miles Davis, tocava com Chick Corea e Herbie Hancock e absorvia intensamente o clima de liberdade estética do início dos anos 70. Ao mesmo tempo, aprofundava sua conexão com as raízes brasileiras, não como referência estilística direta, mas como cosmovisão rítmica. A produção, feita por ele próprio junto com Tony May, é minimalista, crua e deliberadamente não polida. O som é aberto, com muito espaço para ressonância, silêncio e imperfeição. Aqui, Airto usa uma vasta gama de instrumentos de percussão, além de vocalizações livres, respirações, murmúrios e cantos sem palavras, o mesmo ocorrendo com Flora Purim. O repertório é incrível, e as canções são mais melódicas e atmosféricas. No fim, é um baita disco e um clássico. 

Melhores Faixas: O Sonho (Moon Dreams), O Galho Da Roseira (The Branches Of The Rose Tree), Andei (I Walked) 
Vale a Pena Ouvir: Papo Furado (Jive Talking), Uri (Wind)

Free – Airto





















NOTA: 8,5/10


Outro ano se passou, e foi lançado mais um álbum seu, intitulado Free, que buscou ser mais variado. Após o Seeds On The Ground, Airto já era um músico absolutamente central na cena do Jazz contemporâneo. Ele havia tocado com Miles Davis, integrava o universo do Return to Forever e já tinha passado pelo Weather Report. Ao mesmo tempo, o Jazz Fusion avançava rapidamente, e a CTI Records se consolidava como um selo que conciliava liberdade criativa com uma produção mais acessível. Nesse sentido, a produção, feita por Creed Taylor, é mais definida e encorpada do que nos trabalhos anteriores. O som continua orgânico, mas agora há um cuidado maior com balanço, presença e clareza dos instrumentos. A percussão segue central, porém integrada de forma mais explícita ao conjunto, desempenhando um papel duplo, textural e rítmico-funcional. O repertório contém cinco faixas mais cadenciadas. Em suma, é um ótimo disco, com uma proposta interessante. 

Melhores Faixas: Free, Return To Forever 
Vale a Pena Ouvir: Lucky Southern, Flora’s Song, Creek (Arroio)
  

                                                                             Então um abraço e flw!!!                

Analisando Discografias - Flora Purim: Parte 2

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