segunda-feira, 27 de abril de 2026

Analisando Discografias - Bloc Party

                 

Silent Alarm – Bloc Party





















NOTA: 10/10


Em 2005, o Bloc Party lançava seu álbum de estreia intitulado Silent Alarm, que trazia uma temática interessante. Formada em 1999, em Londres, pelo vocalista e guitarrista Kele Okereke e pelo também guitarrista Russell Lissack, a banda contou, posteriormente, com a entrada do baixista Gordon Moakes e do baterista Matt Tong. Sendo mais uma banda Indie inserida na cena do revival do Post-Punk, após lançar uma série de singles, assinou com a Wichita Recordings. A produção, feita pela banda junto com Paul Epworth, adota uma abordagem crua, com o som firmado no Post-Punk, Dance-Punk e com traços de Math Pop. As guitarras do Russell servem como camadas atmosféricas e percussivas, dialogando com a bateria precisa do Matt, enquanto o baixo do Moakes mantém tudo ancorado, além dos vocais expressivos do Kele. O repertório é simplesmente sensacional, chegando a parecer uma coletânea. No fim, é um baita disco de estreia e, certamente, um clássico. 

Melhores Faixas: Helicopter, Banquet, Like Eating Glass, Luno, This Modern Love, The Pioneers 
Vale a Pena Ouvir: Positive Tension, Plans, Blue Light

A Weekend In The City – Bloc Party





















NOTA: 8,7/10


Dois anos se passaram, e o Bloc Party retornava lançando seu 2º álbum, A Weekend in the City. Após o clássico Silent Alarm, a banda não quis recriar o som anterior, mas sim fazer um trabalho que fosse uma necessidade de expansão temática e emocional. O contexto pós-atentados de Londres, além de discussões sobre identidade, religião, violência urbana e alienação social, permeia o disco de forma evidente. Há uma tentativa clara de transformar o álbum em algo mais conceitual, quase como um retrato fragmentado da vida em uma grande metrópole. A produção, feita por Jacknife Lee, aposta em uma abordagem mais expansiva e detalhista. Há um uso muito mais evidente de camadas sonoras, texturas eletrônicas e ambientações. As guitarras, por exemplo, muitas vezes aparecem mais processadas e atmosféricas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem melódicas e profundas. Enfim, é um ótimo disco, que foi bastante cinematográfico. 

Melhores Faixas: Hunting For Witches, I Still Remember, Uniform, Kreuzberg 
Vale a Pena Ouvir: The Prayer, On, Sunday

Intimacy – Bloc Party





















NOTA: 5,4/10


Aí no ano seguinte, o Bloc Party lançou mais um álbum novo intitulado Intimacy. Após A Weekend in the City, a banda se encontrava em um momento de incerteza criativa. A tentativa de expandir seu som havia sido bem recebida por parte da crítica, mas também gerou críticas de fãs que esperavam algo mais próximo da energia do debut. Assim, decidiram que esse projeto tivesse um foco em relações pessoais, sexualidade, vulnerabilidade e conflitos internos. A produção, feita por Paul Epworth e Jacknife Lee, traz uma forte presença de elementos eletrônicos: batidas programadas, sintetizadores, loops e manipulação vocal aparecem de forma muito mais evidente. Com isso, as guitarras passam a ser tratadas como textura, e a seção rítmica ficou muito mais híbrida, dialogando mais com o New Rave e a Indietronica, o que deixa tudo excessivamente claustrofóbico. O repertório é mediano, com canções legais e outras genéricas. No fim, é um álbum irregular e bastante impreciso. 

Melhores Faixas: Ares, Ion Square, Halo 
Piores Faixas: Sings, Mercury, Zephyrus

Four – Bloc Party





















NOTA: 6/10


Foi so em 2012, que Block Party retornava lançado um álbum novo intitulado Four. Após o Intimacy, a banda entrou em um hiato e os membros se envolveram em projetos paralelos, e houve uma sensação geral de que a banda precisava se redefinir. E agora estando em uma nova gravadora a Frenchkiss, eles decidiram fazer um álbum que reconectasse com a energia visceral que marcou o início da banda, mas agora com uma bagagem emocional mais pesada. Produção conduzida por Alex Newport, que deixou uma abordagem crua e direta. Com as guitarras voltando ao centro do som, agora mais distorcidas e pesadas do que nunca e a secção rítmica que ficou mais precisa, fora os vocais do Kele que voltaram para aquele lado expressivo. Porém, mesmo que eles tentaram juntar Rock alternativo com Indie, tem muita coisa que ficou repetitivo. O repertório é irregular, tendo canções boas e outras fraquinhas. Em suma, é um álbum mediano e que faltou algo mais. 

Melhores Faixas: Octopus, Kettling, V.A.L.I.S. 
Piores Faixas: We Are Not Good People, Real Talk, Coliseum

The Nextwave Sessions – Bloc Party





















NOTA: 5/10


Em 2013, o Bloc Party lançou um EP intitulado The Nextwave Sessions, que trazia poucas novidades. Após o Four, eles decidiram lançar esse material como uma extensão, mantendo a energia do último álbum, além de apontar para possíveis direções futuras, especialmente no equilíbrio entre peso e melodia. A produção, conduzida por Dan Carey, mantém uma abordagem mais crua, direta e centrada em guitarras, embora haja uma leve abertura para maior clareza melódica. O som continua orgânico, com menos ênfase em elementos eletrônicos, mas também sem o mesmo nível de abrasividade constante do álbum anterior, focando muito mais no Indie Rock tradicional. Porém, há muita coisa previsível, e novamente fica aquele sentimento de que faltou algo a mais. O repertório contém 5 faixas, com algumas boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho mediano que serve como uma demonstração de ideias. 

Melhores Faixas: Ratchet, Montreal 
Piores Faixas: French Exit, Obscene

Hymns – Bloc Party





















NOTA: 2/10


Em 2016, o Bloc Party retornou lançando seu 5º álbum, a atrocidade intitulada Hymns. Após o EP The Nextwave Sessions, a banda passou por mudanças, com a saída do baixista Gordon Moakes e do baterista Matt Tong, sendo substituídos por Justin Harris e Louise Bartle (embora quem tenha gravado as baterias no disco tenha sido Alex Thomas), além de assinarem com a BMG. A produção, feita por Tim Bran e Roy Kerr, aposta em uma estética limpa e, muitas vezes, minimalista. As guitarras ficaram menos angulares, mais atmosféricas e discretas; em muitos momentos, servem apenas como pano de fundo, enquanto sintetizadores suaves e arranjos vocais ganham protagonismo, misturando Indietronica, Pop alternativo e Synth-pop. Porém, tudo soa muito deslocado e beira o ridículo. O repertório é simplesmente terrível, com apenas uma canção se salvando. No fim, é um álbum horrível e que está mais para um projeto solo do Kele. 

Melhor Faixa: So Real 
Piores Faixas: My True Name, Different Drugs, The Love Within, Living Lux, Fortress

Alpha Games – Bloc Party





















NOTA: 4/10


Então chegamos em 2022, quando o Bloc Party lançou seu mais recente álbum, o Alpha Games. Após o terrível Hymns, eles decidiram retornar com uma proposta mais direta, energética e centrada em guitarras, lembrando, em parte, o espírito de Silent Alarm. No entanto, não se trata de um simples revival: há também uma tentativa de atualizar o som, incorporando elementos contemporâneos de produção e mantendo certa flexibilidade estilística. A produção, feita por Nick Launay e Adam Greenspan, é mais polida e acessível, mas sem abrir mão da energia. O som é limpo, com bastante clareza entre os instrumentos, como, por exemplo, as guitarras, que voltam a ser angulares, mas de forma mais controlada; além disso, quando tentam seguir por um caminho mais caótico, acabam não se sustentando, resultando em um Post-Punk genérico. O repertório é bem ruim, com canções pouco interessantes, sendo que poucas se salvam. No fim, é um trabalho muito ruim e tedioso. 

Melhores Faixas: Traps, If We Get Caught, You Should Know The Truth, In Situ 
Piores Faixas: Callum Is A Snake, Sex Magik, By Any Means Necessary, The Girls Are Fighting, Of Things Yet To Come


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