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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Analisando Discografias - Kele: Parte 2

                  

The Flames, Pt. 2 – Kele





















NOTA: 3/10


Se passaram dois anos, e foi lançado um trabalho novo do Kele intitulado The Flames, Pt. 2. Após o The Waves Pt. 1, que representava um estado de deriva, contemplação e introspecção quase meditativa, este segundo capítulo surge como um “despertar brusco”, mais intenso, mais ruidoso e mais confrontador. O próprio Kele enxerga os dois trabalhos como uma relação de yin e yang, duas forças opostas que se completam. A produção, feita por Gethin Pearson, deixa de lado aquela abordagem minimalista e focada na guitarra do cantor, mas ainda a utiliza como fonte de textura, ritmo e até percussão. Enquanto isso, seu vocal aparece em diferentes registros: às vezes suave e melódico, outras vezes mais falado ou fragmentado, mostrando que eles seguiram por um caminho mais próximo do Art Rock, só que faltou bastante imersão. O repertório é bem fraquinho, e as canções são bem sem graça, com poucas que sejam legais. Enfim, é outro álbum ruim e sem forma. 

Melhores Faixas: True Love Knows No Death, Vandal, Kerosene 
Piores Faixas: Acting On A Hunch, Her Darkest Hour, No Risk No Reward, I’m In Love With An Outline, And He Never Was The Same Again

The Singing Winds Pt. 3 – Kele





















NOTA: 3/10


No ano de 2025, foi lançado o álbum que finalizou essa trilogia, o The Singing Winds Pt. 3. Após The Flames, Pt. 2, a ideia central dessa trilogia era simbolizar água, fogo e, agora, ar, e esse disco assume esse papel com uma consciência da respiração após o caos. Funcionado como uma síntese, articulando os dois extremos em uma linguagem mais acessível, ainda que igualmente minimalista. A produção, feita novamente por Gethin Pearson, apresenta uma sonoridade mais fluida; os loops são utilizados de forma mais musical e menos experimental por si só. Há grooves mais definidos, texturas mais calorosas e uma tentativa mais clara de transformar essas ideias em canções propriamente ditas dialogando com Indie Pop e Indietronica, mas é aquilo: é tudo sem forma e completamente arrastado. O repertório é ruim, com canções genéricas e poucas interessantes. Enfim, é outro álbum péssimo e mostra que, na carreira solo, ele não funciona sem o pessoal do Bloc Party. 

Melhores Faixas: Breathless, Born Under a Lightning Sky, Money Trouble 
Piores Faixas: Holy Work, The Legend of Archie and Lilibet, The Arrangement, Day and Night

  

terça-feira, 28 de abril de 2026

Analisando Discografias - Kele: Parte 1

                 

The Boxer – Kele





















NOTA: 3/10


No ano de 2010, foi lançado o 1º trabalho solo do Kele Okereke, intitulado The Boxer. Após o lançamento do Intimacy com o Bloc Party, a banda entrou em um pequeno hiato, e o cantor aproveitou esse intervalo não apenas como uma pausa, mas como uma oportunidade de redefinir sua própria voz artística. Ao invés de seguir qualquer expectativa ligada ao som da banda, ele opta por um caminho mais voltado à música eletrônica. A produção, conduzida por XXXChange, apresenta uma abordagem polida, em que a temática é construída sobre bases eletrônicas densas e batidas de EDM. Os sintetizadores são protagonistas absolutos, criando atmosferas que variam entre o melancólico e o eufórico. Há uma forte presença de kicks marcados e texturas digitais que remetem ao Electropop do final dos anos 2000, só que há muita coisa que soa bastante repetitiva. O repertório é ruinzinho, com algumas canções legais e outras genéricas. Enfim, é um disco péssimo e esquecível. 

Melhores Faixas: Everything You Wanted, Unholy Thoughts, All The Things I Could Never Say
Piores Faixas: On The Lam, Rise, Walk Tall, The New Rules

Trick – Kele





















NOTA: 3/10


Quatro anos se passaram, e Kele Okereke lançou seu 2º disco, intitulado Trick, que foi ainda mais sem graça. Após o The Boxer, esse novo trabalho nasce de um momento mais estável e, de certa forma, mais confortável na trajetória do artista. Ele parece menos interessado em provar algo e mais disposto a simplesmente explorar sonoridades que o agradam. Querendo abordar temas como identidade, desejo e sexualidade, muito disso porque o cantor havia assumido sua homossexualidade no início da década. A produção, feita pelo cantor junto com XXXChange e Tom Belton, é ainda mais polida e acessível, em que abraçam com mais clareza as convenções da música eletrônica contemporânea, especialmente do Deep House e do UK Garage. Só que tudo ficou bastante genérico, e fica aquele sentimento de não haver quase nenhuma variação. O repertório é muito ruim, e as canções são bem chatas, com poucas se salvando. Enfim, é um disco péssimo e mais do mesmo. 

Melhores Faixas: Doubt, Stay The Night, Year Zero 
Piores Faixas: Humour Me, Closer, My Hotel Room, Like We Used To

Fatherland – Kele Okereke





















NOTA: 2,5/10


Pulando para 2017, Kele Okereke lançou mais um álbum solo, o Fatherland, que tentou ser mais intimista. Após o Trick, esse trabalho surge em um momento de transformação pessoal profunda: Kele havia se tornado pai, estava em um relacionamento estável e atravessava uma fase de maior maturidade emocional. Decidindo que, nesse projeto, ele abandonaria as batidas eletrônicas para abraçar uma sonoridade acústica e fortemente ligada ao Folk. A produção, feita por Justin Harris, é deliberadamente minimalista. Com bastante uso de violões, pianos discretos e arranjos sutis de cordas, os arranjos são econômicos, muitas vezes deixando espaços vazios que reforçam a sensação de intimidade. Mas o grande problema é que o vocal do Kele é muito forçado e, com essa abordagem, soa bem monótono. O repertório é muito ruim, e as canções são bem insípidas, com poucas interessantes. Enfim, é outro álbum péssimo e com escolhas erradas. 

Melhores Faixas: Capers, Do U Right 
Piores Faixas: Road To Ibadan, Versions Of Us, Grounds For Resentment, Savannah, Yemaya

2042 – Kele





















NOTA: 2,5/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro trabalho bem ruim do Kele Okereke, intitulado 2042. Após o Fatherland, o cantor decidiu seguir por um caminho mais orientado à Black music, agora com uma bagagem emocional e temática muito mais madura, colocando um comentário social mais direto, sem abandonar a introspecção que se tornou mais forte depois de seu último trabalho. A produção, feita por Gethin Pearson, segue um caminho mais variado, reunindo elementos que transitam entre o R&B e o Neo-Soul, com pequenos toques de Funk e Rock psicodélico; com isso, temos guitarras “glitchadas”, batidas quebradas, grooves dançantes e momentos contemplativos coexistindo dentro da mesma obra. Mas é aquilo: tudo é bastante arrastado e soa muito deslocado, já que sua voz não combina com essa abordagem. O repertório é péssimo, com poucas canções interessantes. No geral, é outro álbum terrível e chatíssimo. 

Melhores Faixas: Ceiling Games, Catching Feelings 
Piores Faixas: Cyril's Blood, My Business, Ocean View, St Kaepernick Wept, Natural Hair

The Waves Pt. 1 – Kele





















NOTA: 4/10


Pulando para 2021, Kele Okereke começou a lançar o 1º álbum de uma trilogia, iniciada com The Waves Pt. 1. Após o 2042, o projeto foi concebido durante o isolamento, em um período em que o cantor estava em casa como pai de família, lidando com o cotidiano doméstico, reflexões pessoais e um ritmo de vida completamente diferente do habitual. Assim, esse trabalho consiste em gravações feitas a partir de ideias desenvolvidas em casa, muitas delas derivadas de exercícios com guitarra e composições espontâneas. A produção, feita pelo próprio Kele, é bastante minimalista e experimental, com as guitarras sendo manipuladas com loops, efeitos e camadas, criando texturas que se aproximam da música ambiente, enquanto seus vocais variam entre o canto e o spoken word; ainda assim, há muitos equívocos e falta maior imersão. O repertório é fraquinho, com algumas canções legais e outras bem sem graça. No fim, é outro álbum ruim e bastante tedioso. 

Melhores Faixas: The Way We Live Now, The Patriots, How To Beat The Lie Detector, From A Place Of Love 
Piores Faixas: They Didn't See It Coming, Cradle You, Intention, Message From The Spirit World, The One Who Held You Up

  

Analisando Discografias - John Squire

                   Time Changes Everything – John Squire NOTA: 8/10 No ano de 2002, John Squire lançava seu 1º álbum solo, o Time Changes Ev...