terça-feira, 31 de março de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 4

                 

Born For Trouble – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Já estando nos anos 90, foi lançado mais um álbum novo do Willie Nelson, o Born For Trouble. Após A Horse Called Music, o cantor enfrentava sérios problemas com o Internal Revenue Service (IRS), devido a dívidas fiscais que culminariam, pouco depois, na apreensão de bens e em uma das crises mais conhecidas de sua carreira. E esse disco mostra Willie em um momento mais desgastado, fazendo todo o esforço para entregar algo bem sólido. A produção foi feita por Fred Foster, que trouxe uma sonoridade limpa e claramente orientada para o rádio. Os arranjos utilizam uma base sólida de bateria, baixo elétrico, guitarras limpas e teclados discretos, além de elementos tradicionais como a steel guitar. E os vocais do Willie são mais melódicos, seguindo a estética do Country Pop. O repertório é bem interessante, e as canções ficaram muito mais cadenciadas. No fim, é um disco interessante e bastante subestimado. 

Melhores Faixas: It'll Come To Me, The Piper Came Today 
Vale a Pena Ouvir: Ten With A Two, This Is How Without You Goes, You Decide

Across The Borderline – Willie Nelson





















NOTA: 9,2/10


Se passaram três anos, e foi lançado um novo disco do cantor, o Across The Borderline. Após o Born For Trouble, e depois de enfrentar sérios problemas financeiros no início dos anos 90, incluindo a famosa dívida com o Internal Revenue Service, Willie Nelson passou por um período de instabilidade que impactou diretamente sua produção musical, resultando em um trabalho que surge como uma tentativa clara de recuperar relevância artística. A produção foi conduzida por Don Was, Roy Halee e, por incrível que pareça, Paul Simon, que trouxeram uma abordagem mais orgânica, rica e diversificada. Os arranjos variam significativamente, refletindo a variedade de estilos presentes no álbum. Há momentos mais próximos do Country tradicional, outros com forte influência de Folk, além de incursões em Rock e sonoridades latinas. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco bacana e que representa um renascimento de um artista em baixa. 

Melhores Faixas: Heartland (participação do Bob Dylan) Don't Give Up (participação da Sinéad O'Connor), Across The Borderline, Still Is Still Moving To Me, I Love The Life I Live, Getting Over You, What Was It You Wanted 
Vale a Pena Ouvir: American Tune (participação do Paul Simon), If I Were The Man You Wanted, Graceland

Moonlight Becomes You – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, no ano seguinte, foi lançado mais um álbum do Willie Nelson, o Moonlight Becomes You. Após o Across The Borderline, o cantor volta a um território que já havia explorado com enorme sucesso em Stardust: o da interpretação de Standards clássicos, fazendo esse projeto em um momento em que essa abordagem já fazia parte consolidada de sua identidade artística. Ou seja, o álbum não busca reinventar sua linguagem, mas sim reafirmá-la com maturidade. A produção foi feita pelo próprio cantor, junto com Paul Buskirk e Randall Hage Jamail, marcada por uma abordagem minimalista e intimista, diferenciando-se de outros trabalhos mais orquestrais dentro desse mesmo universo. Os arranjos são discretos, centrados principalmente em piano, guitarra, baixo e leves intervenções de sopros ou cordas, e com os vocais do Willie sendo mais intimistas e calmos. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem interpretadas. Enfim, é um disco interessante e até coeso. 

Melhores Faixas: Afraid, You Always Hurt The One You Love 
Vale a Pena Ouvir: Everywhere You Go, Sentimental Journey, December Day

Healing Hands Of Time – Willie Nelson





















NOTA: 3/10


Meses depois, foi lançado outro álbum, só que dessa vez o confuso Healing Hands Of Time. Após o Moonlight Becomes You, o Willie Nelson passou a olhar para sua própria história com mais intenção. Nesse sentido, esse álbum funciona como um exercício de retrospectiva autoral, reunindo algumas de suas composições mais importantes reinterpretadas sob uma nova perspectiva que não era tão nova assim. A produção, feita por Jimmy Bowen, aposta em uma abordagem minimalista e orgânica. Os arranjos são predominantemente acústicos, com discretos acompanhamentos de cordas, além de um uso predominante de orquestração, refletindo a estética do Countrypolitan; com isso, os vocais envelhecidos do Willie ficaram bastante calmos. Só que muitos dos arranjos são bem repetitivos e fogem da proposta original. O repertório, apesar de bom, é mal executado, e algumas interpretações deixam a desejar. No fim, é um disco ruim e que foi um tropeço bem feio. 

Melhores Faixas: Crazy, Night Life, I'll Be Seeing You 
Piores Faixas: Healing Hands Of Time, Funny How Time Slips Away, Oh, What It Seemed To Be

Just One Love – Willie Nelson





















NOTA: 8,5/10


Mais um ano se passou, e novamente Willie Nelson retorna com um disco novo, o Just One Love. Após o Healing Hands Of Time, o cantor continua explorando diferentes caminhos dentro de sua maturidade artística, fazendo um álbum que não é conceitual rígido, mas apresenta uma unidade temática bastante clara: o amor em suas diversas formas, como o romântico, o melancólico, o idealizado e até o resignado. A produção, conduzida por Grady Martin, segue uma linha tradicional e elegante, bastante alinhada com o Country clássico, com alguns elementos contemporâneos dos anos 90. Os arranjos são suaves e bem estruturados, com presença de violão, piano, steel guitar, baixo e bateria discreta. Há também momentos em que cordas e elementos adicionais aparecem para reforçar a atmosfera romântica. O repertório é bem legal, com canções mais divertidas e outras mais aconchegantes. No final, é um álbum muito bom e mais consistente. 

Melhores Faixas: Smoke, Smoke, Smoke That Cigarette, Bonaparte's Retreat, It’s A Sin 
Vale a Pena Ouvir: Eight More Miles To Louisville, I Just Drove By, Each Night At Nine

Spirit – Willie Nelson





















NOTA: 9,8/10


E aí, em 1996, foi lançado um trabalho magnífico do Willie Nelson intitulado Spirit. Após Just One Love, Willie dá aqui um passo em direção a algo mais pessoal e despojado, fazendo um álbum essencialmente acústico, gravado com instrumentação mínima e forte sensação de proximidade. Em um período em que a produção musical frequentemente privilegiava polimento e camadas sonoras, o cantor opta pelo oposto, indo para a simplicidade, o espaço e a introspecção. A produção, conduzida pelo próprio cantor, segue uma sonoridade crua e direta, com arranjos extremamente minimalistas, centrados principalmente em seu violão, o famoso “Trigger”, com intervenções discretas de outros instrumentos. O uso do silêncio é fundamental: pausas, respiros e espaços entre as notas ganham tanto peso quanto os próprios sons. O repertório é belíssimo, e as canções são bem intimistas e cheias de profundidade. No fim, é um disco brilhante e um clássico. 

Melhores Faixas: She Is Gone, We Don't Run, It's A Dream Come True, Spirit Of E9, Matador
Vale a Pena Ouvir: Mariachi, Your Memory Won't Die In My Grave

Teatro – Willie Nelson





















NOTA: 9,5/10


Dois anos se passaram, e foi lançado outro álbum incrível do Willie Nelson, intitulado Teatro. Após o Spirit, o cantor dá um passo em uma direção completamente diferente, buscando uma sonoridade mais atmosférica, internacional e cinematográfica. Decidindo gravar um álbum com essa proposta, Nelson segue por um caminho distinto dentro de sua discografia. A produção foi feita por Daniel Lanois, que abandona completamente a abordagem tradicional do Country e mergulha em um universo sonoro denso e texturizado. Os arranjos são construídos em camadas, com guitarras carregadas de reverb, percussões sutis, baixo profundo e uso expressivo do espaço acústico, encaixando o Outlaw Country com certas influências do Tex-Mex. O repertório é incrível, e as canções são bem diversificadas e cheias de variação. No fim, é um disco sensacional e um dos mais ousados de sua carreira. 

Melhores Faixas: The Maker, I Never Cared For You, Everywhere I Go, I Just Can't Let You Say Good-Bye, My Own Peculiar Way, Ou Es-Tu, Home Motel, Mon Amour? (Where Are You, My Love?) 
Vale a Pena Ouvir: I've Loved You All Over The World, Somebody Pick Up My Pieces, These Lonely Nights

Night And Day – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


E aí, já no fim dos anos 90, o Willie Nelson decidiu fazer um trabalho diferente, o Night And Day. Após o Teatro, o cantor dá um passo ainda mais inesperado: grava um álbum inteiramente instrumental. Esse movimento é particularmente significativo, considerando que sua identidade sempre esteve profundamente ligada à sua voz, agora com ele deslocando completamente o foco para outro elemento central de sua musicalidade: seu violão, especialmente sua icônica guitarra “Trigger”. A produção, feita por ele próprio, é sofisticada e cuidadosamente elaborada, alinhada com o universo do Jazz contemporâneo. Os arranjos são construídos com base em uma instrumentação rica. Há uma clara influência de formações jazzísticas, com espaço para interação entre os instrumentos, dialogando bastante com o Western Swing. O repertório é bem interessante, e as faixas são todas bem trabalhadas. Enfim, é um projeto muito interessante, porém injustamente ignorado. 

Melhores Faixas: Sweet Georgia Brown, Over The Waves 
Vale a Pena Ouvir: September In The Rain, Vous et Moi

Tales Out Of Luck (Me And The Drummer) – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Começa uma nova década, e o Willie Nelson retorna com mais um álbum novo, o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer). Após o Night And Day, ele parecia deliberadamente se afastar das convenções do country tradicional para explorar novas formas de expressão. Com isso, decidiu reviver músicas antigas de sua autoria com a banda The Offenders, grupo com o qual tocava na época original dessas canções. A produção tem uma abordagem essencialmente “ao vivo em estúdio”, com poucos overdubs e foco na interação entre os músicos. O som aqui é cru, direto e profundamente enraizado no Honky Tonk e no Country tradicional, mas com aquela elasticidade rítmica típica do cantor, com seu fraseado fora do tempo, quase jazzístico, que permanece intacto. O repertório é bem legal, e as canções são mais variadas e energéticas. No fim, é um álbum bem consistente. 

Melhores Faixas: No Tomorrow In Sight, A Moment Isn't Very Long 
Vale a Pena Ouvir: Me And The Drummer, Something To Think About, I I Guess I've Come To Live Here In Your Eyes

Milk Cow Blues – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Meses se passaram, e foi lançado um novo álbum do Willie Nelson, o Milk Cow Blues. Após o Tales Out Of Luck (Me And The Drummer), o cantor decide aqui revisitar uma de suas influências mais fundamentais: o Blues. Esse retorno não é apenas estético, mas também conceitual. O Blues sempre esteve presente na base do Country, e Willie, desde o início de sua carreira, incorporou elementos do gênero em sua forma de cantar e tocar. A produção, feita por Derek O'Brien e Freddy Fletcher, segue uma sonoridade crua e vigorosa, em que os arranjos são baseados em guitarras elétricas mais presentes, linhas de baixo marcantes, bateria sólida e uma pegada rítmica claramente influenciada pelo Blues Rock, valorizando assim a interação dos músicos. A voz do Willie Nelson se encaixa naturalmente nesse contexto. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem interpretadas, e os duetos funcionam bem. No fim, é um disco legal e bem amarrado. 

Melhores Faixas: Rainy Day Blues, The Thrill Is Gone (dueto com B.B. King – só lendas), Sittin' On Top Of The World 
Vale a Pena Ouvir: Black Night, Texas Flood, Night Life

                                                                                            Bom é isso e flw!!!     

segunda-feira, 30 de março de 2026

Analisando Discografias - Willie Nelson: Parte 3

                   

Stardust – Willie Nelson





















NOTA: 9,9/10


Em 1978, foi lançado outro álbum espetacular do Willie Nelson, intitulado Stardust. Após o To Lefty From Willie, Nelson se encontrava em uma posição rara: sucesso comercial, prestígio crítico e total liberdade criativa dentro da Columbia Records, e com isso ele preparou um dos projetos mais inesperados e, ao mesmo tempo, mais bem-sucedidos de sua carreira. Diferente de seus trabalhos anteriores, o disco é inteiramente dedicado a standards da música americana, especialmente canções associadas ao Great American Songbook. Produção conduzida por Booker T. Jones, adota uma abordagem sofisticada, mas ao mesmo tempo contida e elegante, com arranjos que incorporam elementos do Vocal Jazz e Standards. Instrumentos como piano, saxofone, guitarra suave e discretas cordas criam uma atmosfera calorosa, somados aos vocais intimistas do cantor. O repertório é magnífico, e as canções são bastante aconchegantes. Enfim, é um belo disco, que se tornou um clássico. 

Melhores Faixas: Blue Skies, Georgia On My Mind, Unchained Melody, Moonlight In Vermont, Stardust 
Vale a Pena Ouvir: On The Sunny Side Of The Street, All Of Me

Willie Nelson Sings Kristofferson – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Chegando ao fim dos anos 70, o Willie Nelson lança o álbum Sings Kristofferson. Após o Stardust, o cantor decidiu reinterpretar as canções de Kris Kristofferson, um dos maiores nomes do songwriting americano e também contemporâneo do Nelson dentro do cenário Country. A escolha de Kristofferson como foco não é casual, pois ambos compartilhavam uma abordagem mais literária e introspectiva na composição, além de fazerem parte do Outlaw Country. Produção feita pelo próprio cantor, colocou um som limpo, direto e centrado na interpretação, sem excessos de ornamentação. Os arranjos são relativamente simples, com presença da instrumentação típica do gênero e ocasionais elementos de apoio, como a steel guitar. Enquanto isso, os vocais de Willie Nelson são bem expressivos, encaixando-se perfeitamente nas faixas. Falando nisso, o repertório é muito bom, e as canções são todas bem escolhidas. Enfim, é um ótimo disco, que antecipa uma futura parceria. 

Melhores Faixas: For The Good Times, Sunday Mornin' Comin' Down 
Vale a Pena Ouvir: Why Me, Help Me Make It Through The Night, The Pilgrim: Chapter 33

Pretty Paper – Willie Nelson





















NOTA: 7/10


Então, perto do fim do ano de 1979, foi lançado o álbum natalino do cantor, o Pretty Paper. Após o Sings Kristofferson, Willie Nelson decidiu gravar um disco totalmente dedicado ao repertório natalino. No entanto, como é característico do Willie, o projeto vai além de um simples álbum temático: ele combina canções tradicionais de Natal com composições próprias, criando uma abordagem mais pessoal. Produção feita mais uma vez por Booker T. Jones, onde seguiu uma abordagem mais acessível e polida, os arranjos incorporam elementos típicos de álbuns natalinos, como cordas suaves, corais discretos, piano e uma atmosfera calorosa. No entanto, tudo é feito com moderação, evitando o excesso de grandiosidade que poderia descaracterizar o estilo do cantor. O repertório é legalzinho, e as canções são divertidas e bem interpretadas. No fim, é um disco bom e que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Here Comes Santa Claus, Frosty The Snowman 
Vale a Pena Ouvir: Rudolph The Red-Nosed Reindeer, Christmas Blues, Winter Wonderland

Somewhere Over The Rainbow – Willie Nelson





















NOTA: 8,2/10


Indo agora para 1981, Willie Nelson retornava lançando o disco Somewhere Over The Rainbow. Após o Pretty Paper, ele decidiu mergulhar novamente no universo dos Standards da música americana, mas com um foco ainda mais claro na tradição do Pop clássico e do Vocal Jazz. O álbum também reforça a estratégia artística de Nelson naquele momento: explorar repertórios consagrados e reinterpretá-los à sua maneira, ampliando seu alcance para além do público Country. Produção feita pelo cantor, junto com Freddy Powers e Paul Buskirk, seguindo uma linha mais sofisticada e tradicional, aproximando-se ainda mais do Vocal Jazz, com elementos do Country. Com isso, evitaram excessos, mantendo um equilíbrio que permite à voz do Willie Nelson permanecer no centro. O repertório é ótimo, e as canções são bem melódicas e sentimentais. No fim, é um disco bacana e que representa uma expansão. 

Melhores Faixas: I'm Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter, I'm Confessin' (That I Love You)
Vale a Pena Ouvir: Over The Rainbow, It Wouldn't Be The Same (Without You), Mona Lisa

Always On My Mind – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


Então, se passou mais um ano, e foi lançado um novo trabalho do Willie Nelson, o Always On My Mind. Após o Somewhere Over The Rainbow, naquele período a Country music tinha ido para um caminho mais Pop, e, com isso, o Nashville Sound e o Outlaw Country tinham se tornado obsoletos, e Willie quis fazer um álbum que gira em torno de temas como arrependimento, amor perdido, memória e reconciliação, elementos que dialogam diretamente com a maturidade artística e pessoal de Nelson naquele momento. Produção feita por Chips Moman, indo para uma sonoridade polida e elegante, com maior presença de arranjos elaborados, incluindo cordas, piano e uma base instrumental mais rica. Com a voz do cantor, marcada por fraseado livre, leve atraso rítmico e uma entrega emocional contida, encaixa-se muito bem. O repertório é muito legal, e as canções são bem melódicas e suaves. No geral, é um ótimo disco e que foi um grande sucesso. 

Melhores Faixas: Always On My Mind, Last Thing I Needed First Thing This Morning, Permanently Lonely, Staring Each Other Down 
Vale a Pena Ouvir: Let It Be Me, Do Right Woman, Do Right Man

Tougher Than Leather – Willie Nelson





















NOTA: 8,7/10


Em 1983, Willie Nelson volta com mais um trabalho novo, o Tougher Than Leather. Após o Always On My Mind, que o aproximou ainda mais do mainstream, ele se encontrava em uma posição confortável dentro da Columbia Records, com liberdade total para escolher seus próximos caminhos artísticos. Com isso, decidiu retornar às raízes do Country e ao estilo Outlaw que ajudou a definir sua identidade na década anterior. Produção feita pelo cantor, junto com Bee Spears, indo para uma abordagem mais enxuta e tradicional, aproximando-se da estética do Outlaw Country, mas com um acabamento ligeiramente mais polido, refletindo a evolução técnica e comercial da época, além de uma sensação de coesão sonora, com menos experimentação e mais foco em consistência. O repertório é ótimo, e as canções são bem ordenadas e com um toque reflexivo. No fim, é um disco muito interessante e bastante imersivo. 

Melhores Faixas: Tougher Than Leather, Summer Of Roses, Little Old Fashioned Karma, Changing Skies 
Vale a Pena Ouvir: I Am The Forest, My Love For The Rose, The Convict And The Rose

Without A Song – Willie Nelson





















NOTA: 6/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado outro álbum do cantor, o Without a Song. Após o Tougher Than Leather, Willie quis voltar a mergulhar no cancioneiro clássico americano, reunindo Standards associados ao Jazz, Pop tradicional e ao Great American Songbook. Diferente de Stardust, que teve um impacto revolucionário e inesperado, Without a Song surge em um momento em que essa abordagem já estava consolidada dentro da carreira do Nelson. Produção conduzida por Booker T. Jones, seguindo aquela linha sofisticada e elegante, próxima da estética estabelecida em Stardust, mas com um caráter ainda mais tradicional em alguns momentos. Os arranjos até que são bem elegantes, deixando aquela atmosfera refinada e nostálgica, o problema é que há muita coisa repetitiva e com aquele sentimento de que faltou algo mais. O repertório é até bom e consegue ser bem interpretado, mas é muito mais do mesmo. Enfim, é um álbum mediano e chega a ser cansativo. 

Melhores Faixas: Harbor Lights, A Dreamer's Holiday, Once In A While 
Piores Faixas: You'll Never Know, Autumn Leaves, As Time Goes By (participação nada especial do Julio Iglesias)

Angel Eyes – Willie Nelson





















NOTA: 6/10


Se passou mais um ano, e outro álbum do Willie Nelson foi lançado, o Angel Eyes. Após o Without a Song, o cantor quis continuar com o universo do Jazz e do Great American Songbook. Decidindo mergulhar em um repertório mais associado ao Jazz tradicional, indo em artistas que foram esquecidos com o passar dos anos, o que dá ao disco um caráter mais específico e sofisticado. Produção feita pelo próprio Willie Nelson, aqui os arranjos são mais contidos, com ênfase na atmosfera e na nuance. A instrumentação é dominada por piano, guitarra suave, baixo acústico e discretos elementos de sopro. Em vez de grandes orquestrações, o álbum opta por uma abordagem mais enxuta, criando uma sensação de proximidade, só que, novamente, tudo é bastante repetitivo, ficando bem cansativo. O repertório, apesar de ser bem interpretado, não consegue te prender. No fim, é um disco irregular e bem sem graça. 

Melhores Faixas: Angel Eyes, Samba For Charlie 
Piores Faixas: The Gypsy, There Will Never Be Another You

City Of New Orleans – Willie Nelson





















NOTA: 6/10


Alguns meses se passaram, e foi lançado mais um trabalho novo do Willie Nelson, o City Of New Orleans. Após o Angel Eyes, o cantor decidiu retornar ao Country, reunindo canções que dialogam com a tradição americana, especialmente no que diz respeito à narrativa e à simplicidade melódica. Reforçando seu interesse por canções com forte carga narrativa e identidade cultural. Produção conduzida por Chips Moman, segue uma linha mais tradicional e direta, aproximando-se novamente do Country, mas com um acabamento limpo e acessível que o gênero explorava nos anos 80, por isso muito dos elementos acabam não funcionando já que os vocais do Willie não acompanham o acompanhamento rítmico e as bases sonoras. O repertório é mediano, tem canções legais e outras bem fraquinhas. No fim, é outro álbum irregular e que mostrava que ele precisava se reinventar. 

Melhores Faixas: City Of New Orleans, Please Come To Boston, Cry 
Piores Faixas: Until It's Time For You To Go, It Turns Me Inside Out, Why Are You Pickin' On Me

Me & Paul – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Se passou mais um intervalo de um ano, e foi lançado um novo álbum do cantor, o Me & Paul. Após o City Of New Orleans, este novo álbum não representa um projeto totalmente novo, mas sim uma espécie de revisitação de sua própria trajetória. O disco funciona, em grande parte, como uma regravação de material anterior, especialmente de músicas ligadas à fase inicial de Nelson e à sua relação com Paul English, seu baterista de longa data e figura central em sua carreira. Produção indo para um caminho mais direto e tradicional, em que os arranjos são simples e eficientes, com foco em violão, guitarra, baixo, bateria e steel guitar, além dos vocais expressivos do cantor, que carregam não apenas emoção, mas também o peso do tempo. O repertório é muito legal, com canções interessantes e outras bem reinterpretadas. Enfim, é um projeto muito bom e que tem mais coesão. 

Melhores Faixas: You Wouldn't Cross The Street (To Say Goodbye), Me And Paul, I Let My Mind Wander 
Vale a Pena Ouvir: Pretend I Never Happened, She's Gone, Black Rose

Partners – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Agora, indo para o ano de 1986, foi lançado outro álbum do Willie Nelson,o intitulado Partners. Após o Me & Paul, o cantor participou nesse meio tempo do supergrupo Highwaymen, junto com Waylon Jennings, Johnny Cash e Kris Kristofferson. Com isso, ele se encontra mais consolidado, confortável e, de certa forma, menos experimental, decidindo fazer um disco que não busca ruptura, mas continuidade, quase como um exercício de estilo dentro de uma zona segura. Produção feita por Chips Moman, deixando uma abordagem orgânica e mais acessível, com os arranjos sendo relativamente densos: guitarras limpas, presença constante de teclados, seções de cordas e uma base rítmica extremamente estável. O repertório é muito bom, e as canções são bem suaves, com aquele toque mais cadenciado. No final de tudo, é um disco bacana e muito imersivo. 

Melhores Faixas: Heart Of Gold, My Own Peculiar Way 
Vale a Pena Ouvir: Something, Remember Me, Hello Love, Goodbye

The Promiseland – Willie Nelson





















NOTA: 8,1/10


Meses se passaram, e foi lançado um novo trabalho do Willie Nelson, o The Promiseland. Após o Partners, o cantor começava a enfrentar um cenário musical em mudança, com o Country se tornando cada vez mais orientado para o mercado e para uma sonoridade mais polida. Ainda assim, continuava produzindo com consistência e explorando diferentes facetas de sua identidade musical. Produção feita pelo próprio cantor, seguindo um caminho intermediário: acessível, profissional e voltado para o mercado, mas ainda com traços da sua identidade característica, com arranjos estruturados e uma temática que, às vezes, consegue dialogar com o Western, mesmo que não seja algo tão ousado. O repertório é legalzinho, e as canções são todas bem envolventes e com um toque de leveza. No fim, é um disco divertido e que foi mais consistente. 

Melhores Faixas: Pass It On, I've Got The Craziest Feeling 
Vale a Pena Ouvir: You're Only In My Arms (To Cry On My Shoulder), Do You Ever Think Of Me, Basin Street Blues

Island In The Sea – Willie Nelson





















NOTA: 8/10


Outro ano se passou, e foi lançado um álbum que se tornou meio oculto com os anos, o Island In The Sea. Após o The Promiseland, ele ainda mantinha sua liberdade artística, mas seus lançamentos já não carregavam o mesmo impacto revolucionário dos anos 70. Ainda assim, continuava produzindo com consistência e decidiu fazer um álbum mais variado, que colocasse o country em outras facetas. Produção conduzida por ele, junto com Grady Martin e Booker T. Jones, trouxe uma abordagem polida, com uso mais evidente de bateria marcada, guitarras limpas e arranjos mais estruturados. Percebe-se um equilíbrio entre o Country tradicional e as influências modernas, misturando isso com Folk, Yodeling e até música havaiana. O repertório é bem interessante, e as canções são todas mais melódicas e cadenciadas. Enfim, é um álbum muito bom e que acabou sendo ignorado e esquecido com o passar dos anos. 

Melhores Faixas: Nobody There But Me, Women Who Love Too Much 
Vale a Pena Ouvir: Cold November Wind, Wake Me When It's Over

What A Wonderful World – Willie Nelson





















NOTA: 7/10


Chegando já no fim dos anos 80, Willie Nelson decidiu voltar com aquele lado delicado em What A Wonderful World. Após o Island In The Sea, o cantor retorna a um território mais seguro e já consagrado em sua carreira: o cancioneiro clássico americano, fazendo um trabalho que revisita clássicos associados a grandes intérpretes do passado, como Louis Armstrong. Produção feita mais uma vez por Chips Moman, seguindo uma linha elegante e acessível, bastante alinhada com o Pop tradicional e os Standards, apostando em um formato mais intimista do Jazz, mas com uma inclinação maior para um som mais amplo e polido. A atmosfera geral do álbum é leve e calorosa, além de trazer alguns elementos do Country, mesmo que distorça um pouco os arranjos originais. O repertório é muito bom, e as canções, de certo modo, são bem interpretadas. Enfim, é um disco legal, mas que apresenta falhas. 

Melhores Faixas: South Of The Border, Moon River, To Each His Own, Twilight Time 
Piores Faixas: The Song From Moulin Rouge (Where Is Your Heart), Ac-Cent-Tchu-Ate The Positive

A Horse Called Music – Willie Nelson





















NOTA: 8,4/10


E aí, alguns meses se passaram, e foi lançado outro disco do cantor Willie Nelson, o A Horse Called Music. Após o What A Wonderful World, Willie Nelson buscava reafirmar sua identidade dentro de um cenário Country cada vez mais dominado por uma estética comercial e padronizada. Então, esse trabalho surge como uma tentativa de síntese: um álbum que retorna mais diretamente ao Country, mas sem abrir mão de sua sensibilidade como intérprete e compositor. Produção feita dessa vez por Fred Foster, seguindo uma sonoridade limpa, bem definida e levemente polida, mas ainda enraizada na tradição. Os arranjos combinam instrumentos clássicos do gênero com uma base rítmica mais presente, incluindo bateria marcada e linhas de baixo mais evidentes, além dos vocais do Willie, que são bem expressivos e articulados. O repertório é muito bom, e as canções são bem cadenciadas e reflexivas. Em suma, é um ótimo álbum e merece ser redescoberto. 

Melhores Faixas: Nothing I Can Do About It Now, A Horse Called Music, There You Are 
Vale a Pena Ouvir: The Highway, If My World Didn't Have You

                                                                                 É isso, um abraço e flw!!!                    

Analisando Discografias - Legião Urbana

                  Dois – Legião Urbana NOTA: 10/10 Em 1986, o Legião Urbana lançava seu clássico 2º álbum de estúdio, intitulado Dois. Após ...