terça-feira, 17 de março de 2026

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 5

                 

Water From The Wells Of Home – Johnny Cash





















NOTA: 7,1/10


Indo para 1988, foi lançado mais um álbum do Johnny Cash, intitulado Water From The Wells Of Home. Após o Is Coming to Town, Cash decidiu fazer um álbum que inclui diversas colaborações com artistas importantes da Country music. Apresenta uma seleção de faixas que reforça muitos dos temas tradicionais de sua obra: espiritualidade, identidade rural, histórias de pessoas comuns e reflexões sobre o tempo e a vida. Produção feita por Jack Clement, o disco segue a estética predominante do Country Pop do final dos anos 80, apresentando arranjos mais elaborados e uma instrumentação mais ampla, com maior presença de piano, guitarras adicionais e vocais de apoio, que se encaixam bem tanto com as linhas vocais de Cash quanto com as dos convidados. O repertório é bem interessante, trazendo canções bem interpretadas e outras em que as participações deixam a desejar. Enfim, é um álbum interessante, apesar de soar como mais do mesmo. 

Melhores Faixas: New Moon Over Jamaica (Paul McCartney mandou bem), That Old Wheel (Hank Williams Jr. bem demais), Ballad Of A Teenage Queen (Rosanne Cash arrebentando)
Piores Faixas: Call Me The Breeze (filho do Johnny Cash bem apagado), A Croft In Clachan (The Ballad Of Rob MacDunn) (Glen Campbell não agregou em nada)

Boom Chicka Boom – Johnny Cash





















NOTA: 8,1/10


Entrando nos anos 90, Johnny Cash decide revisitar suas raízes com o álbum Boom Chicka Boom. Após o Water From The Wells Of Home, ele continuava extremamente ativo musicalmente. Durante esse período, também participava do supergrupo The Highwaymen. O sucesso desse projeto demonstrava que o prestígio de Cash dentro da Country music permanecia enorme, mesmo que sua carreira solo estivesse passando por um momento comercial mais modesto. A produção foi feita por Bob Moore, que opta por uma abordagem deliberadamente enxuta e orgânica, apostando em arranjos mais crus, com foco no ritmo, na voz grave e narrativa de Cash e na instrumentação tradicional, dialogando tanto com o Country quanto com um pouco de Rockabilly. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem divertidas e envolventes. No fim, é um disco legal e bem consistente. 

Melhores Faixas: Monteagle Mountain, Harley, Hidden Shame 
Vale a Pena Ouvir: Don't Go Near The Water, Cat's In The Cradle

The Mystery Of Life – Johnny Cash





















NOTA: 8/10


Se passou mais um ano e foi lançado outro disco de Johnny Cash, o The Mystery Of Life. Após o Boom Chicka Boom, Cash já era amplamente reconhecido como uma das figuras mais importantes da história da música americana, só que o cenário da Country music havia mudado drasticamente, com novos artistas dominando o mercado e com uma estética sonora mais moderna, voltada para o público jovem, e o cantor também estava perto de não renovar com a Mercury Records. A produção, conduzida por Jack Clement, seguia aquela abordagem temática do cantor, com presença de teclados, guitarras adicionais e vocais de apoio. Além, claro, de trazer o estilo clássico do Tennessee Two, juntando assim o Country com um pouco de Rock. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado mais melódico e até mais envolvente. No geral, é um disco legal antes de um momento decisivo. 

Melhores Faixas: The Mystery Of Life, The Hobo Song 
Vale a Pena Ouvir: Hey Porter, Angel And The Badman, The Greatest Cowboy Of Them All

American Recordings – Johnny Cash





















NOTA: 9,5/10


Em 1994, foi lançado o 1º álbum da série American Recordings do Johnny Cash. Após o The Mystery Of Life, Cash se encontrava sem um contrato significativo e enfrentava uma fase em que muitos na indústria o consideravam um artista do passado. Até que surge Rick Rubin, que havia fundado a gravadora de mesmo nome e demonstrava grande admiração pela obra de Cash. A ideia do Rubin era radicalmente simples: remover praticamente todos os elementos de produção moderna e apresentar Cash apenas com sua voz e um violão. Com isso, a produção é extremamente minimalista. Essa abordagem cria uma atmosfera intensa, colocando toda a atenção na interpretação vocal e nas letras das músicas, dialogando não só com o Country tradicional, mas também com o Folk e a Americana. O repertório é belíssimo, e as canções têm interpretações bem intimistas. No final de tudo, é um baita disco, marcando o retorno de um gigante. 

Melhores Faixas: Thirteen, Bird On A Wire (Leonard Cohen), Tennessee Stud, The Beast In Me, Down There By The Train (Tom Waits), Why Me Lord 
Vale a Pena Ouvir: Redemption, The Man Who Couldn't Cry, Delia's Gone, Like A Soldier

Unchained – Johnny Cash





















NOTA: 9,6/10


Dois anos se passaram e foi lançado American Recordings II: Unchained, que se mostrou mais amplo. Após o 1º álbum dessa fase, que apresentava Johnny Cash quase sozinho com seu violão, o projeto seguinte buscava expandir essa ideia, trazendo novamente uma banda completa para acompanhá-lo. Para isso, Rick Rubin convidou os integrantes da banda Tom Petty and the Heartbreakers para tocar com Cash no álbum. Essa decisão foi bem significativa, pois aproximava ainda mais o cantor de um público ligado ao Rock contemporâneo. A produção segue uma abordagem mais dinâmica, e a escolha dessa banda foi extremamente eficaz, pois os Heartbreakers possuíam grande sensibilidade musical e sabiam como apoiar a voz de Cash sem dominá-la; com isso, vemos muito mais influências da Americana e do Country Rock. O repertório é incrível, e a forma como as canções são interpretadas transmite um lado mais envolvente. No fim, é um baita disco e representa uma evolução. 

Melhores Faixas: Rusty Cage (Soundgarden), I've Been Everywhere, Rowboat (Beck), Country Boy, Southern Accents (Tom Petty), Sea Of Heartbreak, Unchained, Memories Are Made Of This 
Vale a Pena Ouvir: Spiritual, Mean Eyed Cat, Meet Me In Heaven

American III: Solitary Man – Johnny Cash





















NOTA: 10/10


Quatro anos se passaram e, já nos anos 2000, foi lançado American III: Solitary Man. Após o Unchained, Johnny Cash e Rick Rubin decidiram retornar a uma abordagem mais minimalista, centrada novamente na voz do cantor e em arranjos bastante contidos. No final dos anos 90, Cash enfrentava problemas de saúde cada vez mais sérios. Ele havia sido diagnosticado com uma doença neurológica rara chamada síndrome de Shy-Drager (posteriormente revisada para neuropatia autonômica associada ao diabetes), o que reduziu o número de suas turnês. A produção é bem mais intimista: Cash canta acompanhado apenas de violão ou de arranjos muito discretos de guitarra, piano ou órgão; com isso, as texturas dialogam com a voz envelhecida do cantor, aproximando-se do Country Folk. O repertório é maravilhoso e chega a parecer uma coletânea, de tão brilhantemente interpretado. No fim, é um disco sensacional, uma verdadeira obra-prima. 

Melhores Faixas: Solitary Man (Tom Petty), The Mercy Seat (Nick Cave And The Bad Seeds), Wayfaring Stranger, I See A Darkness (Will Oldham), I'm Leavin' Now (participação do Merle Haggard), One (U2), Field Of Diamonds, I Won't Back Down 
Vale a Pena Ouvir: Would You Lay With Me (In A Field Of Stone), Nobody, Before My Time


                                                                            Por hoje é só, então flw!!!       

Analisando Discografias - Johnny Cash: Parte 5

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