sábado, 31 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Al Di Meola: Parte 1

                    

Land Of The Midnight Sun – Al Di Meola





















NOTA: 9,2/10


No ano de 1976, foi lançado o 1º trabalho solo do Al Di Meola intitulado Land Of The Midnight Sun. Após o lançamento do Romantic Warrior com Return To Forever, como outros guitarristas como John McLaughlin haviam elevado o instrumento a um patamar quase atlético, e Di Meola entra nesse cenário não como seguidor, mas como radicalizador da linguagem. Seu disco solo não tenta se distanciar do Return to Forever; pelo contrário, ele assume essa herança e a leva ainda mais longe. Produção feita por ele próprio, é agressiva, densa e claramente pensada para destacar a guitarra como força central. O som é elétrico, comprimido e intenso, com timbres cortantes e presença constante de overdrive. Além de ter presença de outros músicos já mencionados que cada um traz uma contribuição diferente para imersão. O repertório é ótimo, e as canções são todas bem vibrantes. No fim, é um disco bacana e que mostrou algo ousado. 

Melhores Faixas: Golden Dawn, Land Of The Midnight Sun 
Vale a Pena Ouvir: The Wizard
     

                                                                               Então é isso e flw!!!         

Analisando Discografias - Lenny White

                 

Venusian Summer – Lenny White





















NOTA: 8,4/10


Retornando novamente a 1975, Lenny White lançava seu 1º álbum solo, oi Venusian Summer. Após o lançamento do No Mystery com o Return to Forever, o baterista decidiu criar um álbum altamente composicional, com identidade sonora própria e um forte senso estético. Surgindo no mesmo período em que Billy Cobham consolidava o modelo do baterista como líder no fusion, White segue um caminho mais melódico, futurista e textural, menos baseado em virtuosismo bruto e mais em arquitetura sonora. A produção, feita pelo próprio White, é extremamente polida para os padrões de 1975, com forte presença de sintetizadores analógicos, Rhodes, guitarras com chorus e efeitos espaciais, além de uma bateria extremamente bem captada. O baixo elétrico tem papel fundamental, muitas vezes assumindo funções melódicas, seguindo uma influência do Jazz-Funk. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e dinâmicas. No fim, é um ótimo disco, bem captado. 

Melhores Faixas: The Venusian Summer Suite, Mating Drive 
Vale a Pena Ouvir: Prince Of The Seab

Big City – Lenny White





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram, e foi lançado seu 2º álbum solo, intitulado Big City, que se mostrou mais variado. Após o Venusian Summer, no qual havia encontrado um equilíbrio sofisticado entre atmosfera, groove e composição, Lenny White encara aqui um novo desafio: dialogar de forma mais direta com o ambiente urbano da segunda metade dos anos 70, período em que o Jazz Fusion se cruzava cada vez mais com o Funk e o R&B. A produção é mais polida e assertiva do que nos discos anteriores. O som é encorpado, com baixo elétrico e bateria ocupando papel central, criando grooves sólidos e repetitivos que remetem diretamente ao Funk urbano dos anos 70. Os teclados aparecem com timbres mais modernos para a época, frequentemente elétricos e com uso mais evidente de efeitos, enquanto as guitarras assumem funções rítmicas claras, além de solos pontuais. O repertório é bom, com canções mais vibrantes. No geral, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: Dreams Come And Go Away, Sweet Dreamer 
Vale a Pena Ouvir: Enchanted Pool Suite, Rapid Transit, Big City

Presents The Adventures Of Astral Pirates – Lenny White





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do baterista, o Presents The Adventures of Astral Pirates. Após o Big City, Lenny White decide aqui fundir narrativa, ficção científica e Jazz Fusion em um projeto que flerta abertamente com o espírito dos álbuns conceituais progressivos da década. É também um reflexo direto do fim dos anos 70, período em que o Fusion buscava novas formas de se reinventar, dialogando com o Rock progressivo. A produção é bem mais rica, densa e deliberadamente cinematográfica. A bateria continua central, mas agora privilegia textura e atmosfera, não apenas groove. Os sintetizadores assumem papel dominante, refletindo tanto o imaginário sci-fi quanto a estética sonora do final dos anos 70. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais energéticas e atmosféricas. No fim, é um ótimo álbum, muito bem construído. 

Melhores Faixas: Stew, Cabbage And Galactic Beans, Mandarin Warlords 
Vale a Pena Ouvir: Heavy Metal Monster, The Great Pyramid

Streamline – Lenny White





















NOTA: 8/10


E então alguns meses se passaram, e foi lançado outro disco de Lenny White, o Streamline. Após o Presents The Adventures of Astral Pirates, White parece reagir ao próprio maximalismo anterior, buscando algo mais direto, funcional e conectado ao mercado musical da época. O final dos anos 70 marca um período em que muitos músicos do Jazz Fusion começam a se aproximar de formas mais acessíveis; nesse contexto, a gravadora Elektra pressionou o baterista a produzir material com potencial radiofônico. A produção, feita por ele em parceria com Larry Dunn, é polida, com um som limpo e organizado, menos camadas narrativas e mais foco em clareza rítmica e equilíbrio entre os instrumentos. Os teclados elétricos dominam a paisagem sonora, enquanto as guitarras cumprem funções rítmicas e melódicas bem definidas, e a bateria soa mais precisa. O repertório é bem interessante, e as canções se tornam mais envolventes. No fim, é um álbum bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: 12 Bars From Mars, Pooh Bear 
Vale a Pena Ouvir: Lady Madonna (cover da música dos Beatles), I'll See You Soon, Time

Attitude – Lenny White





















NOTA: 2/10


Indo para 1981, foi lançado o álbum Attitude, que mostrou um Lenny White completamente perdido. Após o Streamline, ao perceber que o mercado musical exigia maior aderência a formatos radiofônicos e estruturas mais simples, Lenny White, como muitos de seus contemporâneos, se vê diante da necessidade de tomar uma decisão difícil. Ele opta por um caminho mais comercial, chegando a montar um grupo mais voltado ao R&B, mas que acabou não dando muito certo; ainda assim, para esse projeto, decidiu insistir nessa direção. A produção, conduzida por ele próprio, é claramente marcada por seu tempo. Os timbres são mais frios, limpos e digitais, com forte presença de sintetizadores, baixo elétrico processado, bateria mecânica e guitarras com chorus, além da presença de vocais variados, mas tudo soa bastante pasteurizado e sem identidade. O repertório é muito ruim, com pouquíssimas canções interessantes. No fim, é um disco péssimo e um grande tropeço. 

Melhores Faixas: The Ride, Fascination 
Piores Faixas: Tell Him (Fala Para Ele), Attitude, My Turn To Love You

Anomaly – Lenny White





















NOTA: 8/10


Então foi só em 2010 que ele retornou, lançando Anomaly, que tentou ser, de certa forma, um retorno às suas raízes. Após o Attitude, Lenny White acabou focando em outros projetos e, só depois de quase 30 anos, decidiu fazer um álbum que assume sua condição de objeto fora do tempo, criado por um músico veterano que revisita a própria linguagem com distanciamento crítico. A produção, obviamente feita por ele próprio, resulta em uma sonoridade limpa, com timbres bem definidos e uso criterioso de tecnologia contemporânea. A bateria soa precisa, articulada e profundamente consciente do espaço, mas o maior problema é que tudo parece muito repetitivo, faltando algo mais imersivo e coeso. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções interessantes, já que o restante é esquecível. No fim, é um trabalho ruim e, após isso, não tivemos mais nada. 

Melhores Faixas: Catlett Out Of The Bag, Gazelle 
Piores Faixas: If U Dare, Dark Moon, Water Changes Everything, Coming Down


Analisando Discografias - Bill Connors: Parte 2

                    

Return – Bill Connors



















NOTA: 6/10


Então chegamos a 2004, quando foi lançado o último álbum até então do Bill Connors, o Return. Após o Assembler, Connors reaparece aqui como um músico claramente reconciliado com sua própria linguagem. Não há tentativa de se reposicionar no mercado, nem de dialogar com tendências contemporâneas do Jazz moderno dos anos 2000. Connors surge menos preocupado em afirmar identidade ou romper paradigmas e mais interessado em tocar com clareza, maturidade e controle. A produção, feita por Pat Thrall e Kim Plainfield, opta por uma sonoridade discreta e limpa. A guitarra de Connors aparece com timbre controlado, geralmente limpo ou levemente aquecido, privilegiando articulação, ataque e dinâmica natural, além de uma seção rítmica sólida, porém bastante sem graça e arrastada. O repertório é mediano: há canções boas e outras genéricas. No fim, é um disco irregular e, após isso, ele preferiu se concentrar em outros projetos. 

Melhores Faixas: Nobody Yet To, On The Edge, Mind Over Matter 
Piores Faixas: It Be FM, Mr. Cool, Terrabill Blues

    

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Bill Connors: Parte 1

                 

Theme To The Gaurdian – Bill Connors





















NOTA: 8,5/10


Voltando para 1975, Bill Connors lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Theme to the Guardian. Após sair do Return to Forever, Connors passa por um processo profundo de reavaliação artística e espiritual. Ele se afasta da guitarra elétrica, do volume alto e da lógica do virtuosismo competitivo, buscando uma música mais introspectiva, acústica e meditativa. Além disso, havia assinado com a gravadora ECM, o que contribuiu para um som fortemente atmosférico. A produção, feita por Manfred Eicher, é deliberadamente minimalista e transparente. O som é cru, íntimo e profundamente humano. A guitarra acústica de Connors está sempre em primeiro plano, captada de forma a valorizar o ataque das cordas, o sustain natural e até pequenos ruídos; tudo contribui para a sensação de proximidade. O repertório é muito bom, e as canções transmitem um lado aconchegante. No geral, é um ótimo disco e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Song For A Crow, Folk Song, Sea Song 
Vale a Pena Ouvir: Childs Eyes, The Highest Mountain

Of Mist And Melting – Bill Connors





















NOTA: 8,2/10


Três anos se passaram, e foi lançado seu 2º disco solo, intitulado Of Mist and Melting. Após o Theme to the Guardian, Bill Connors se encontra artisticamente mais estável. A necessidade de se afastar do volume, da agressividade elétrica e da competição instrumental já não é uma reação, mas uma escolha consciente, resultando no trabalho de um músico que aceitou definitivamente o silêncio, a lentidão e a introspecção como elementos centrais de sua expressão. A produção, feita mais uma vez por Manfred Eicher, é ainda mais delicada e refinada. O som é extremamente claro, íntimo e equilibrado, com atenção especial à dinâmica e à respiração natural dos instrumentos, que agora, em uma formação de quarteto com Jan Garbarek (saxofone), Gary Peacock (baixo) e Jack DeJohnette (bateria), conseguem criar uma base sonora sólida. O repertório ficou muito bom, e as canções transmitem um lado mais intimista. No geral, é um disco bacana e profundo. 

Melhores Faixas: Aubade, Cafe Vue 
Vale a Pena Ouvir: Face In The Water

Swimming With A Hole In My Body – Bill Connors





















NOTA: 8/10


Entrando agora nos anos 80, Bill Connors lançava seu 3º álbum, intitulado Swimming with a Hole in My Body. Após o Of Mist and Melting, Connors chega a 1980 carregando não apenas maturidade artística, mas também um peso emocional perceptível. O contexto do início dos anos 80 era pouco favorável a propostas contemplativas: o Jazz caminhava para produções mais limpas, comerciais ou tecnicamente exibicionistas, enquanto Connors permanecia fiel a uma estética antiespetacular, voltada para o silêncio, a nuance e a introspecção. A produção foi relativamente a mesma, mas com um som mais próximo, quase claustrofóbico em alguns momentos, como se o ouvinte estivesse sentado a poucos metros do guitarrista. Não há tentativa de embelezamento ou suavização excessiva; trata-se basicamente de Connors tocando seu instrumento sozinho. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas. No fim, é um trabalho interessante e coeso. 

Melhores Faixas: Wade, Surrender To The Water 
Vale a Pena Ouvir: Sing And Swim, Breath

Step It – Bill Connors, Tom Kennedy & Dave Weckl





















NOTA: 8/10


Quatro anos depois, foi lançado mais um álbum do Bill Connors, intitulado Step It. Após o Swimming with a Hole in My Body, e depois de quase uma década dedicada a uma estética acústica, introspectiva, meditativa e espiritualmente carregada, Connors reaparece em 1984 empunhando novamente a guitarra elétrica, retornando assim ao Jazz Fusion. Agora com um trio composto por Tom Kennedy no baixo e Dave Weckl na bateria, ele prepara um álbum que remete um pouco ao seu passado. A produção, feita por Doug Epstein e Steve Khan, opta por um som seco e agressivo, refletindo uma estética quase antirrefinamento. A guitarra elétrica domina completamente o espectro sonoro, com timbres distorcidos, sustain prolongado e um ataque incisivo. A seção rítmica é pesada e funcional, criando uma base sólida, quase obstinada, sobre a qual Connors constrói seus ataques. O repertório é muito bom, e as canções são bem vibrantes. No fim, é um trabalho interessante e expressivo. 

Melhores Faixas: Brody, Titan 
Vale a Pena Ouvir: A Pedal, Lydia, Flickering Lights

Double Up – Bill Connors





















NOTA: 6/10


Dois anos depois, foi lançado mais um trabalho do Bill Connors, o Double Up, e aqui as coisas decaíram. Após o Step It, para esse novo projeto ele já não carrega o choque da ruptura. Aqui, Connors parece plenamente instalado nessa linguagem agressiva, densa e física, tratando-a não mais como reação, mas como território próprio. E, como desde o álbum anterior ele começou a lançar seus projetos por gravadoras pequenas, tentou fazer algo mais diversificado. A produção, feita por ele mesmo, é mais robusta, com a guitarra elétrica permanecendo como eixo absoluto, com timbres distorcidos, sustain longo e ataques ríspidos. O som é menos caótico e mais controlado, como se Connors tivesse aprendido a domesticar a violência sonora sem suavizá-la; ainda assim, a seção rítmica soa contida e, no geral, tudo é bem arrastado e carece de maior variedade. O repertório é mediano, com canções boas e outras mais fracas. No fim, é um álbum muito irregular. 

Melhores Faixas: Crunchy Cuts Up, Subtracks 
Piores Faixas: Tud, Out By Twelve

Assembler – Bill Connors





















NOTA: 5/10


No ano seguinte, foi lançado outro trabalho dele, o também fraquíssimo Assembler. Após o Double Up, Bill Connors havia atravessado o Jazz acústico, o Fusion de alto impacto com o Return to Forever e agora habitava um território híbrido, pessoal e até anticomercial. Com este álbum, não busca choque nem catarse, mas tenta fazer algo mais pessoal. A produção, conduzida novamente por ele próprio, é muito mais controlada. A distorção continua presente, porém mais definida, e cada camada sonora parece ocupar um espaço específico, como peças de um mecanismo. A guitarra soa ainda mais dominante, puxada para texturas rítmicas, enquanto a seção rítmica fica mais clínica, sustentando toda a base; ainda assim, os mesmos problemas persistem, com o material soando excessivamente arrastado. O repertório é mediano, e as canções, em sua maioria, são cansativas. No geral, trata-se de um trabalho bastante irregular, comparado ao antecessor. 

Melhores Faixas: Tell It To The Boss, Get It To Go 
Piores Faixas: Add Eleven, It Be FM

                                                            Então é isso, um abraço e flw!!!                  

Analisando Discografias - Joe Farrell: Parte 2

                 

Penny Arcade – Joe Farrell





















NOTA: 9/10


Mais um ano se passa, e foi lançado mais um álbum novo do Joe Farrell, o Penny Arcade. Após o Moon Germs, Farrell já não estava mais apenas orbitando o Post-Bop moderno: ele se encontrava totalmente inserido no ambiente do Jazz Fusion, convivendo com músicos que estavam redefinindo a linguagem do Jazz nos anos 70. Sua experiência com o Return to Forever e com sessões para outros artistas ampliou sua noção de groove, textura e forma coletiva. A produção foi aquela de sempre: o som é limpo e espaçoso, com cada instrumento ocupando um lugar bem definido no campo estéreo. Não há excesso de overdubs nem camadas artificiais; tudo soa orgânico, direto e equilibrado. Além disso, a presença do piano provoca respostas criativas de Herbie Hancock, assim como dos outros instrumentistas, que adicionam uma pegada latina ou Funk. O repertório contém 5 faixas, todas muito dinâmicas. No fim, é um ótimo disco, mais amplo e expansivo. 

Melhores Faixas: Too High, Cloud Cream 
Vale a Pena Ouvir: Geo Blue, Penny Arcade, Hurricane Jane

Upon This Rock – Joe Farrell





















NOTA: 8,9/10


Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum de Joe Farrell, o Upon This Rock. Após o Penny Arcade, Farrell já era um músico completamente formado: sua linguagem no sax soprano, tenor e na flauta estava plenamente desenvolvida, assim como sua identidade composicional, que equilibrava sofisticação harmônica, lirismo e um senso rítmico cada vez mais apurado. Com isso, ele decidiu manter o que estava dando certo, mas agora investindo em algo mais puxado para a exploração melódica. A produção, feita mais uma vez por Creed Taylor, deixou um som aberto, com uma sensação quase tridimensional, permitindo que cada instrumento respire. Não há a busca por texturas excessivamente densas nem por efeitos chamativos; o foco está na interação do grupo, com mais influências do Jazz-Funk, mas ainda com um pé no Fusion. O repertório contém 4 faixas, que são bem divertidas. No final, é um ótimo disco e um dos mais ousados. 

Melhores Faixas: Upon This Rock, I Won't Be Back 
Vale a Pena Ouvir: Weathervane, Seven Seas

Canned Funk – Joe Farrell





















NOTA: 8/10


Mais um ano se passou, e foi lançado mais um álbum novo do Joe Farrell, o Canned Funk. Após o Upon This Rock, Farrell decide assumir sem rodeios o vocabulário do Jazz-Funk e do Fusion rítmico, dialogando diretamente com a estética urbana e elétrica que dominava a metade final dos anos 70. Não se trata mais de equilibrar tradição e modernidade, mas de explorar o groove como eixo central da composição e da improvisação. A produção, feita pelo mesmo produtor de sempre, é seca, objetiva e focada no impacto rítmico. O som privilegia baixo e bateria, criando uma base sólida e insistente sobre a qual os demais instrumentos se organizam. Os teclados e a guitarra elétrica cumprem um papel essencial de preenchimento harmônico e rítmico, muitas vezes funcionando quase como instrumentos percussivos, além do sax, que funciona como extensão do groove. O repertório contém 4 faixas, que são bem mais melódicas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem coeso. 

Melhores Faixas: Spoken Silence, Animal 
Vale a Pena Ouvir: Suite Martinique, Canned Funk

Sonic Text – Joe Farrell





















NOTA: 7/10


Então chegamos aos anos 80, quando foi lançado seu último álbum de estúdio, o Sonic Text. Após o Canned Funk, Joe Farrell acabou participando de outros projetos nesse meio-tempo e, quando decidiu retornar, percebeu que o Jazz Fusion havia passado: o mercado estava mais fragmentado, e muitos músicos que haviam explorado linguagens híbridas nos anos 70 agora buscavam adaptação estética. Ainda assim, ele preferiu fazer algo mais contido, que relembrasse suas raízes. A produção, feita por John Koenig e lançada sob o selo Contemporary, resultou em um som limpo, controlado e altamente definido, com grande atenção à textura e ao acabamento. Tudo soa planejado: os grooves são estáveis, os timbres cuidadosamente escolhidos, e há uma clara preocupação em evitar excessos. O repertório é até interessante, com canções boas e outras mais fracas. No fim, é um disco bom, e após isso ele viria a falecer em 1986. 

Melhores Faixas: Malibu, Sonic Text, When You're Awake 
Piores Faixas: Sweet Rita Suite (Part 1): Her Spirit, If I Knew Where You're At

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Joe Farrell: Parte 1

                 

Joe Farrell Quartet – Joe Farrell Quartet





















NOTA: 8,7/10


Voltando para 1970, foi lançado o álbum de estreia de Joe Farrell, intitulado Joe Farrell Quartet. Antes de entrar para o Return to Forever, ele iniciou sua carreira após se formar na universidade, quando se mudou para Nova York e começou a trabalhar como freelancer. Com o tempo, passou a colaborar com alguns músicos de Jazz da cena local e, a partir disso, assinou com a CTI Records. A produção, feita por Creed Taylor, é direta, orgânica e sem artifícios. O som privilegia a naturalidade da performance, com captação clara dos instrumentos e mínima interferência estética. A formação conta com Chick Corea (piano), Dave Holland (contrabaixo), Jack DeJohnette (bateria) e, às vezes, John McLaughlin (guitarra). Os instrumentos ficaram bem separados, permitindo que cada nuance da improvisação seja percebida, nessa junção de Post-Bop e Jazz Fusion. O repertório é ótimo, e as canções são todas belíssimas. Enfim, é um bom disco de estreia e bem enxuto. 

Melhores Faixas: Circle In The Square, Follow Your Heart 
Vale a Pena Ouvir: Motion, Song Of The Wind

Outback – Joe Farrell



















NOTA: 8,5/10


Dois anos depois, foi lançado mais um álbum de Joe Farrell, intitulado Outback, que é mais simplista. Após o Joe Farrell Quartet, o saxofonista começa a expandir sua linguagem de forma mais ousada, incorporando elementos modais, influências extraocidentais e uma liberdade estrutural maior. Mesmo com o Jazz Fusion começando a se consolidar, ele opta por realizar um trabalho que segue a estética clássica do Post-Bop. A produção, mais uma vez feita por Creed Taylor, é crua, aberta e extremamente orgânica, reforçando a sensação de espaço e liberdade. O som do agora quinteto, com as entradas de Airto Moreira (percussão), Buster Williams (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria), é captado de forma direta, sem compressões excessivas ou polimentos artificiais, permitindo que cada nuance da interação entre os músicos seja claramente percebida. O repertório contém 4 faixas, todas bastante melódicas. No fim, é um álbum belíssimo e mais abstrato. 

Melhores Faixas: Sound Down, November 68th 
Vale a Pena Ouvir: Bleeding Orchid, Outback

Moon Germs – Joe Farrell





















NOTA: 9,2/10


No ano seguinte, foi lançado seu 3º álbum, o sensacional Moon Germs, que é mais ambicioso. Após o Outback, Joe Farrell se encontra em um ponto de convergência raro: sua linguagem Post-Bop já estava plenamente desenvolvida, ao mesmo tempo em que o Jazz Fusion começava a se estruturar como uma força dominante. Naquele período, ele já fazia parte do Return to Forever, então chamou Sonny Clarke, o baterista Jack DeJohnette e a lenda Herbie Hancock. A produção, feita por Creed Taylor, é orgânica e extremamente eficaz, capturando o quarteto com clareza e impacto. O som privilegia a interação em tempo real, com pouca interferência estética, permitindo que a intensidade da performance seja o elemento central. Com o baixo expansivo do Clarke, a bateria variada do DeJohnette, o piano dinâmico do Hancock e o sax centralizado do Farrell. O repertório contém 4 faixas, todas incríveis. No fim, é um belo disco e o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Great Gorge, Bass Folk Song 
Vale a Pena Ouvir: Times Lie, Moon Germs

                                                                            Então um abraço e flw!!!                

Review: Caindo Em Si do Derxan

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