Penny Arcade – Joe Farrell
NOTA: 9/10
Mais um ano se passa, e foi lançado mais um álbum novo do Joe Farrell, o Penny Arcade. Após o Moon Germs, Farrell já não estava mais apenas orbitando o Post-Bop moderno: ele se encontrava totalmente inserido no ambiente do Jazz Fusion, convivendo com músicos que estavam redefinindo a linguagem do Jazz nos anos 70. Sua experiência com o Return to Forever e com sessões para outros artistas ampliou sua noção de groove, textura e forma coletiva. A produção foi aquela de sempre: o som é limpo e espaçoso, com cada instrumento ocupando um lugar bem definido no campo estéreo. Não há excesso de overdubs nem camadas artificiais; tudo soa orgânico, direto e equilibrado. Além disso, a presença do piano provoca respostas criativas de Herbie Hancock, assim como dos outros instrumentistas, que adicionam uma pegada latina ou Funk. O repertório contém 5 faixas, todas muito dinâmicas. No fim, é um ótimo disco, mais amplo e expansivo.
Melhores Faixas: Too High, Cloud Cream
Vale a Pena Ouvir: Geo Blue, Penny Arcade, Hurricane Jane
Upon This Rock – Joe Farrell
NOTA: 8,9/10
Meses se passaram, e foi lançado mais um álbum de Joe Farrell, o Upon This Rock. Após o Penny Arcade, Farrell já era um músico completamente formado: sua linguagem no sax soprano, tenor e na flauta estava plenamente desenvolvida, assim como sua identidade composicional, que equilibrava sofisticação harmônica, lirismo e um senso rítmico cada vez mais apurado. Com isso, ele decidiu manter o que estava dando certo, mas agora investindo em algo mais puxado para a exploração melódica. A produção, feita mais uma vez por Creed Taylor, deixou um som aberto, com uma sensação quase tridimensional, permitindo que cada instrumento respire. Não há a busca por texturas excessivamente densas nem por efeitos chamativos; o foco está na interação do grupo, com mais influências do Jazz-Funk, mas ainda com um pé no Fusion. O repertório contém 4 faixas, que são bem divertidas. No final, é um ótimo disco e um dos mais ousados.
Melhores Faixas: Upon This Rock, I Won't Be Back
Vale a Pena Ouvir: Weathervane, Seven Seas
Canned Funk – Joe Farrell
NOTA: 8/10
Mais um ano se passou, e foi lançado mais um álbum novo do Joe Farrell, o Canned Funk. Após o Upon This Rock, Farrell decide assumir sem rodeios o vocabulário do Jazz-Funk e do Fusion rítmico, dialogando diretamente com a estética urbana e elétrica que dominava a metade final dos anos 70. Não se trata mais de equilibrar tradição e modernidade, mas de explorar o groove como eixo central da composição e da improvisação. A produção, feita pelo mesmo produtor de sempre, é seca, objetiva e focada no impacto rítmico. O som privilegia baixo e bateria, criando uma base sólida e insistente sobre a qual os demais instrumentos se organizam. Os teclados e a guitarra elétrica cumprem um papel essencial de preenchimento harmônico e rítmico, muitas vezes funcionando quase como instrumentos percussivos, além do sax, que funciona como extensão do groove. O repertório contém 4 faixas, que são bem mais melódicas. Enfim, é um ótimo trabalho e bem coeso.
Melhores Faixas: Spoken Silence, Animal
Vale a Pena Ouvir: Suite Martinique, Canned Funk
Sonic Text – Joe Farrell
NOTA: 7/10
Então chegamos aos anos 80, quando foi lançado seu último álbum de estúdio, o Sonic Text. Após o Canned Funk, Joe Farrell acabou participando de outros projetos nesse meio-tempo e, quando decidiu retornar, percebeu que o Jazz Fusion havia passado: o mercado estava mais fragmentado, e muitos músicos que haviam explorado linguagens híbridas nos anos 70 agora buscavam adaptação estética. Ainda assim, ele preferiu fazer algo mais contido, que relembrasse suas raízes. A produção, feita por John Koenig e lançada sob o selo Contemporary, resultou em um som limpo, controlado e altamente definido, com grande atenção à textura e ao acabamento. Tudo soa planejado: os grooves são estáveis, os timbres cuidadosamente escolhidos, e há uma clara preocupação em evitar excessos. O repertório é até interessante, com canções boas e outras mais fracas. No fim, é um disco bom, e após isso ele viria a falecer em 1986.
Melhores Faixas: Malibu, Sonic Text, When You're Awake
Piores Faixas: Sweet Rita Suite (Part 1): Her Spirit, If I Knew Where You're At