sábado, 31 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Lenny White

                 

Venusian Summer – Lenny White





















NOTA: 8,4/10


Retornando novamente a 1975, Lenny White lançava seu 1º álbum solo, oi Venusian Summer. Após o lançamento do No Mystery com o Return to Forever, o baterista decidiu criar um álbum altamente composicional, com identidade sonora própria e um forte senso estético. Surgindo no mesmo período em que Billy Cobham consolidava o modelo do baterista como líder no fusion, White segue um caminho mais melódico, futurista e textural, menos baseado em virtuosismo bruto e mais em arquitetura sonora. A produção, feita pelo próprio White, é extremamente polida para os padrões de 1975, com forte presença de sintetizadores analógicos, Rhodes, guitarras com chorus e efeitos espaciais, além de uma bateria extremamente bem captada. O baixo elétrico tem papel fundamental, muitas vezes assumindo funções melódicas, seguindo uma influência do Jazz-Funk. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e dinâmicas. No fim, é um ótimo disco, bem captado. 

Melhores Faixas: The Venusian Summer Suite, Mating Drive 
Vale a Pena Ouvir: Prince Of The Seab

Big City – Lenny White





















NOTA: 8,2/10


Dois anos se passaram, e foi lançado seu 2º álbum solo, intitulado Big City, que se mostrou mais variado. Após o Venusian Summer, no qual havia encontrado um equilíbrio sofisticado entre atmosfera, groove e composição, Lenny White encara aqui um novo desafio: dialogar de forma mais direta com o ambiente urbano da segunda metade dos anos 70, período em que o Jazz Fusion se cruzava cada vez mais com o Funk e o R&B. A produção é mais polida e assertiva do que nos discos anteriores. O som é encorpado, com baixo elétrico e bateria ocupando papel central, criando grooves sólidos e repetitivos que remetem diretamente ao Funk urbano dos anos 70. Os teclados aparecem com timbres mais modernos para a época, frequentemente elétricos e com uso mais evidente de efeitos, enquanto as guitarras assumem funções rítmicas claras, além de solos pontuais. O repertório é bom, com canções mais vibrantes. No geral, é um disco interessante e consistente. 

Melhores Faixas: Dreams Come And Go Away, Sweet Dreamer 
Vale a Pena Ouvir: Enchanted Pool Suite, Rapid Transit, Big City

Presents The Adventures Of Astral Pirates – Lenny White





















NOTA: 8/10


No ano seguinte, foi lançado mais um trabalho do baterista, o Presents The Adventures of Astral Pirates. Após o Big City, Lenny White decide aqui fundir narrativa, ficção científica e Jazz Fusion em um projeto que flerta abertamente com o espírito dos álbuns conceituais progressivos da década. É também um reflexo direto do fim dos anos 70, período em que o Fusion buscava novas formas de se reinventar, dialogando com o Rock progressivo. A produção é bem mais rica, densa e deliberadamente cinematográfica. A bateria continua central, mas agora privilegia textura e atmosfera, não apenas groove. Os sintetizadores assumem papel dominante, refletindo tanto o imaginário sci-fi quanto a estética sonora do final dos anos 70. O repertório é muito bom, e as canções são bem mais energéticas e atmosféricas. No fim, é um ótimo álbum, muito bem construído. 

Melhores Faixas: Stew, Cabbage And Galactic Beans, Mandarin Warlords 
Vale a Pena Ouvir: Heavy Metal Monster, The Great Pyramid

Streamline – Lenny White





















NOTA: 8/10


E então alguns meses se passaram, e foi lançado outro disco de Lenny White, o Streamline. Após o Presents The Adventures of Astral Pirates, White parece reagir ao próprio maximalismo anterior, buscando algo mais direto, funcional e conectado ao mercado musical da época. O final dos anos 70 marca um período em que muitos músicos do Jazz Fusion começam a se aproximar de formas mais acessíveis; nesse contexto, a gravadora Elektra pressionou o baterista a produzir material com potencial radiofônico. A produção, feita por ele em parceria com Larry Dunn, é polida, com um som limpo e organizado, menos camadas narrativas e mais foco em clareza rítmica e equilíbrio entre os instrumentos. Os teclados elétricos dominam a paisagem sonora, enquanto as guitarras cumprem funções rítmicas e melódicas bem definidas, e a bateria soa mais precisa. O repertório é bem interessante, e as canções se tornam mais envolventes. No fim, é um álbum bacana e subestimado. 

Melhores Faixas: 12 Bars From Mars, Pooh Bear 
Vale a Pena Ouvir: Lady Madonna (cover da música dos Beatles), I'll See You Soon, Time

Attitude – Lenny White





















NOTA: 2/10


Indo para 1981, foi lançado o álbum Attitude, que mostrou um Lenny White completamente perdido. Após o Streamline, ao perceber que o mercado musical exigia maior aderência a formatos radiofônicos e estruturas mais simples, Lenny White, como muitos de seus contemporâneos, se vê diante da necessidade de tomar uma decisão difícil. Ele opta por um caminho mais comercial, chegando a montar um grupo mais voltado ao R&B, mas que acabou não dando muito certo; ainda assim, para esse projeto, decidiu insistir nessa direção. A produção, conduzida por ele próprio, é claramente marcada por seu tempo. Os timbres são mais frios, limpos e digitais, com forte presença de sintetizadores, baixo elétrico processado, bateria mecânica e guitarras com chorus, além da presença de vocais variados, mas tudo soa bastante pasteurizado e sem identidade. O repertório é muito ruim, com pouquíssimas canções interessantes. No fim, é um disco péssimo e um grande tropeço. 

Melhores Faixas: The Ride, Fascination 
Piores Faixas: Tell Him (Fala Para Ele), Attitude, My Turn To Love You

Anomaly – Lenny White





















NOTA: 8/10


Então foi só em 2010 que ele retornou, lançando Anomaly, que tentou ser, de certa forma, um retorno às suas raízes. Após o Attitude, Lenny White acabou focando em outros projetos e, só depois de quase 30 anos, decidiu fazer um álbum que assume sua condição de objeto fora do tempo, criado por um músico veterano que revisita a própria linguagem com distanciamento crítico. A produção, obviamente feita por ele próprio, resulta em uma sonoridade limpa, com timbres bem definidos e uso criterioso de tecnologia contemporânea. A bateria soa precisa, articulada e profundamente consciente do espaço, mas o maior problema é que tudo parece muito repetitivo, faltando algo mais imersivo e coeso. O repertório é fraquíssimo, com poucas canções interessantes, já que o restante é esquecível. No fim, é um trabalho ruim e, após isso, não tivemos mais nada. 

Melhores Faixas: Catlett Out Of The Bag, Gazelle 
Piores Faixas: If U Dare, Dark Moon, Water Changes Everything, Coming Down


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