Theme To The Gaurdian – Bill Connors
NOTA: 8,5/10
Voltando para 1975, Bill Connors lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Theme to the Guardian. Após sair do Return to Forever, Connors passa por um processo profundo de reavaliação artística e espiritual. Ele se afasta da guitarra elétrica, do volume alto e da lógica do virtuosismo competitivo, buscando uma música mais introspectiva, acústica e meditativa. Além disso, havia assinado com a gravadora ECM, o que contribuiu para um som fortemente atmosférico. A produção, feita por Manfred Eicher, é deliberadamente minimalista e transparente. O som é cru, íntimo e profundamente humano. A guitarra acústica de Connors está sempre em primeiro plano, captada de forma a valorizar o ataque das cordas, o sustain natural e até pequenos ruídos; tudo contribui para a sensação de proximidade. O repertório é muito bom, e as canções transmitem um lado aconchegante. No geral, é um ótimo disco e bastante consistente.
Melhores Faixas: Song For A Crow, Folk Song, Sea Song
Vale a Pena Ouvir: Childs Eyes, The Highest Mountain
Of Mist And Melting – Bill Connors
NOTA: 8,2/10
Três anos se passaram, e foi lançado seu 2º disco solo, intitulado Of Mist and Melting. Após o Theme to the Guardian, Bill Connors se encontra artisticamente mais estável. A necessidade de se afastar do volume, da agressividade elétrica e da competição instrumental já não é uma reação, mas uma escolha consciente, resultando no trabalho de um músico que aceitou definitivamente o silêncio, a lentidão e a introspecção como elementos centrais de sua expressão. A produção, feita mais uma vez por Manfred Eicher, é ainda mais delicada e refinada. O som é extremamente claro, íntimo e equilibrado, com atenção especial à dinâmica e à respiração natural dos instrumentos, que agora, em uma formação de quarteto com Jan Garbarek (saxofone), Gary Peacock (baixo) e Jack DeJohnette (bateria), conseguem criar uma base sonora sólida. O repertório ficou muito bom, e as canções transmitem um lado mais intimista. No geral, é um disco bacana e profundo.
Melhores Faixas: Aubade, Cafe Vue
Vale a Pena Ouvir: Face In The Water
Swimming With A Hole In My Body – Bill Connors
NOTA: 8/10
Melhores Faixas: Wade, Surrender To The Water
Vale a Pena Ouvir: Sing And Swim, Breath
Step It – Bill Connors, Tom Kennedy & Dave Weckl
NOTA: 8/10
Quatro anos depois, foi lançado mais um álbum do Bill Connors, intitulado Step It. Após o Swimming with a Hole in My Body, e depois de quase uma década dedicada a uma estética acústica, introspectiva, meditativa e espiritualmente carregada, Connors reaparece em 1984 empunhando novamente a guitarra elétrica, retornando assim ao Jazz Fusion. Agora com um trio composto por Tom Kennedy no baixo e Dave Weckl na bateria, ele prepara um álbum que remete um pouco ao seu passado. A produção, feita por Doug Epstein e Steve Khan, opta por um som seco e agressivo, refletindo uma estética quase antirrefinamento. A guitarra elétrica domina completamente o espectro sonoro, com timbres distorcidos, sustain prolongado e um ataque incisivo. A seção rítmica é pesada e funcional, criando uma base sólida, quase obstinada, sobre a qual Connors constrói seus ataques. O repertório é muito bom, e as canções são bem vibrantes. No fim, é um trabalho interessante e expressivo.
Melhores Faixas: Brody, Titan
Vale a Pena Ouvir: A Pedal, Lydia, Flickering Lights
Double Up – Bill Connors
NOTA: 6/10
Dois anos depois, foi lançado mais um trabalho do Bill Connors, o Double Up, e aqui as coisas decaíram. Após o Step It, para esse novo projeto ele já não carrega o choque da ruptura. Aqui, Connors parece plenamente instalado nessa linguagem agressiva, densa e física, tratando-a não mais como reação, mas como território próprio. E, como desde o álbum anterior ele começou a lançar seus projetos por gravadoras pequenas, tentou fazer algo mais diversificado. A produção, feita por ele mesmo, é mais robusta, com a guitarra elétrica permanecendo como eixo absoluto, com timbres distorcidos, sustain longo e ataques ríspidos. O som é menos caótico e mais controlado, como se Connors tivesse aprendido a domesticar a violência sonora sem suavizá-la; ainda assim, a seção rítmica soa contida e, no geral, tudo é bem arrastado e carece de maior variedade. O repertório é mediano, com canções boas e outras mais fracas. No fim, é um álbum muito irregular.
Melhores Faixas: Crunchy Cuts Up, Subtracks
Piores Faixas: Tud, Out By Twelve
Assembler – Bill Connors
NOTA: 5/10
No ano seguinte, foi lançado outro trabalho dele, o também fraquíssimo Assembler. Após o Double Up, Bill Connors havia atravessado o Jazz acústico, o Fusion de alto impacto com o Return to Forever e agora habitava um território híbrido, pessoal e até anticomercial. Com este álbum, não busca choque nem catarse, mas tenta fazer algo mais pessoal. A produção, conduzida novamente por ele próprio, é muito mais controlada. A distorção continua presente, porém mais definida, e cada camada sonora parece ocupar um espaço específico, como peças de um mecanismo. A guitarra soa ainda mais dominante, puxada para texturas rítmicas, enquanto a seção rítmica fica mais clínica, sustentando toda a base; ainda assim, os mesmos problemas persistem, com o material soando excessivamente arrastado. O repertório é mediano, e as canções, em sua maioria, são cansativas. No geral, trata-se de um trabalho bastante irregular, comparado ao antecessor.
Melhores Faixas: Tell It To The Boss, Get It To Go
Piores Faixas: Add Eleven, It Be FM
Então é isso, um abraço e flw!!!





