segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Analisando Discografias - Brian Eno: Parte 1

                 

(No Pussyfooting) – Fripp & Eno





















NOTA: 9,8/10


No ano de 1973, foi lançado o 1º álbum colaborativo do Robert Fripp com Brian Eno, o (No Pussyfooting). Fripp, já estabelecido como o cérebro musical do King Crimson; Eno, recém-saído do Roxy Music, interessado em processos, texturas e na desconstrução da ideia tradicional de composição. O projeto surge de experimentações informais em estúdio, impulsionadas pela curiosidade de ambos em explorar sistemas de repetição e sobreposição sonora. A produção foi feita por ambos, que utilizaram um sistema de tape delay em loop, no qual o som tocado é gravado em uma fita, reproduzido com atraso e realimentado continuamente, criando camadas que se acumulam e se transformam ao longo do tempo. Basicamente, você vê Eno controlando as estruturas, e Fripp com sua guitarra sendo tratado com sutileza. O repertório é incrível, e as composições são densas e, de certo modo, hipnotizantes. No fim, é um belo disco, e aqui víamos a base do que viria a ser a música ambiente. 

Melhor Faixa: The Heavenly Music Corporation 
Vale a Pena Ouvir: Swastika Girls

Here Come The Warm Jets – Eno





















NOTA: 10/10


No ano seguinte, Brian Eno lançava seu 1º trabalho solo, intitulado Here Come The Warm Jets. Após o lançamento do (No Pussyfooting) com Robert Fripp, ele havia recém-saído do Roxy Music, encontrando-se diante da necessidade de redefinir sua identidade artística. O disco nasce também de uma curiosidade intensa em relação ao estúdio como instrumento. Influenciado por ideias de música processual, arte conceitual e pelo acaso como ferramenta criativa, Eno começa aqui a desenvolver sua filosofia de “não-músico”, na qual limitações técnicas são usadas como estímulo inventivo. A produção, feita por ele mesmo, é deliberadamente crua, vibrante e, por vezes, caótica. O som do álbum é marcado por guitarras saturadas, sintetizadores analógicos, tratamentos vocais pouco ortodoxos e uma abordagem quase pictórica da mixagem. O repertório é sensacional, e as canções são todas bem energéticas e abstratas. No fim, é um baita disco e certamente uma obra-prima. 

Melhores Faixas: Here Come The Warm Jets, Baby's On Fire, On Some Faraway Beach, Needles In The Camel's Eye 
Vale a Pena Ouvir: Cindy Tells Me, Dead Finks Don't Talk

Taking Tiger Mountain (By Strategy) – Eno





















NOTA: 9,9/10


Meses depois, foi lançado seu 2º álbum solo, o Taking Tiger Mountain (By Strategy). Após o Here Come the Warm Jets, Eno estava mais interessado em estrutura, controle e concepção formal. O disco não abandona a excentricidade, mas a organiza dentro de um universo mais coerente e conceitual. Nesse momento da carreira, ele aprofunda seu interesse pela música como sistema e pelo uso de restrições criativas. O artista assume de vez o papel de “não-músico”, explorando limitações técnicas e processos colaborativos como meios de alcançar resultados inesperados. A produção é mais contida, organizada e atmosférica do que a de seu antecessor. As guitarras estão menos saturadas, os arranjos são mais econômicos e o espaço entre os sons passa a ter papel central, seguindo influências do Art Rock, do Glam Rock e do experimentalismo. O repertório é maravilhoso, e as canções ficaram bem mais variadas. Enfim, é um belo trabalho, ainda mais maluco. 

Melhores Faixas: Third Uncle, Burning Airlines Give You So Much More, The Great Pretender, Put A Straw Under Baby, Back In Judy's Jungle 
Vale a Pena Ouvir: Taking Tiger Mountain, Mother Whale Eyeless

Another Green World – Eno





















NOTA: 10/10


Em 1975, foi lançado o sensacional e atemporal 3º álbum do Brian Eno, o Another Green World. Após o Taking Tiger Mountain (By Strategy), ele decide abandonar a ideia de um álbum dominado por músicas convencionais e passa a tratar o disco como um espaço sonoro contínuo. O álbum funciona como uma ponte clara entre o Eno das canções e o Eno ambient que surgiria logo em seguida, mas sem romper totalmente com a forma Pop. A produção, feita como sempre por ele próprio, adota uma abordagem minimalista, em que cada som tem função clara e nenhum elemento parece excessivo. O estúdio deixa de ser um lugar de experimentação caótica e passa a funcionar como um instrumento de precisão atmosférica. Tudo soa arejado, transparente, com muito espaço entre as notas, além de ter elementos de Art Rock. O repertório é excepcional, e as canções são bem atmosféricas e aconchegantes. No fim, é um baita disco e um dos melhores de todos os tempos. 

Melhores Faixas: The Big Ship, St. Elmo's Fire, Sky Saw, The Big Ship, Becalmed, Another Green World 
Vale a Pena Ouvir: Over Fire Island, Zawinul / Lava, Sombre Reptiles
  

               Então é isso e flw!!!           

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