domingo, 3 de maio de 2026

Review: TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARNÁS E OUTRAS BRASILIDADES do FBC

                     

TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARNÁS E OUTRAS BRASILIDADES – FBC





















NOTA: 9,2/10


No feriado do dia do trabalhador, o FBC lançou seu 6º álbum, o TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARNÁS E OUTRAS BRASILIDADES. Após o ASSALTOS E BATIDAS, esse novo trabalho é dividido em três atos e acompanha um personagem do nascimento à morte, funcionando como metáfora da experiência coletiva brasileira. A produção, feita por BAKA, Daniel Souza, Davi Horta e Pepito, aposta em uma sonoridade áspera, orgânica e, por vezes, caótica, dialogando mais com Rap Rock e Hardcore Punk, com guitarras pesadas, uma seção rítmica bastante precisa e a presença de scratches que complementam essa abordagem densa. Há também uma alternância constante entre momentos hipnóticos e explosões de energia bruta, lembrando muito Planet Hemp e Rage Against the Machine. O repertório é sensacional, e as canções são carregadas de profundidade e críticas políticas. No fim, é um baita disco e certamente um dos melhores do ano. 

Melhores Faixas: Bandido Bom, Guilhotina, Os Porcos Vem Aí, Homo Sacer (ótima feat do Djonga), Ódio Social, Não Vote Em Ninguém 
Vale a Pena Ouvir: Sorriso Capitalista, Tiro De Misericórdia, Lesa Pátria

                                                                           Então é isso e flw!!!             

Review: N0rth4evr do North West

                     

N0rth4evr – North West





















NOTA: 3/10


Recentemente, North West lançou seu 1º trabalho no formato de EP, intitulado N0rth4evr. Filha do Kanye (vulgo Ye), e da Kim Kardashian, ela começou a despontar em sua carreira musical aos 12 anos, após passar por alguns questionamentos por supostamente estar adultizando sua aparência. Depois dessas críticas, passou a idealizar melhor sua estética, indicando que não seguiria exatamente a mesma linha do pai, dialogando mais com tendências contemporâneas da internet. A produção, feita por ela mesma, é bastante caótica, com uma junção de elementos do Rage, Rap metal, Jersey club, Nu Metal entre outros, com forte uso de distorção, baixo pesado e vocais manipulados; a principal falha, no entanto, parece ser a falta de imersão nas bases sonoras e rimas ainda fracas. O repertório é irregular, com canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho que funciona mais como uma apresentação de uma artista com muito potencial. 

Melhores Faixas: #N0rth4evr, D!e 
Piores Faixas: W0ah, Aishite (愛して)


Analisando Discografias - Disclosure: Parte 1

                  

Settle – Disclosure





















NOTA: 9/10


Voltando para 2013, o Disclosure lançava seu álbum de estreia, o Settle, que trazia uma abordagem interessante. O duo, formado em Reigate, Surrey, na Inglaterra, pelos irmãos Guy e Howard Lawrence, começou a trajetória por volta de 2010 com a proposta de seguir um caminho mais contido e sofisticado, resgatando a sensualidade do House e a cadência quebrada do UK Garage, o que lhes rendeu um contrato com o selo independente PMR. A produção, feita pelos próprios artistas, aposta em uma abordagem que combina minimalismo estrutural com riqueza de textura. As batidas são secas e precisas, frequentemente baseadas em padrões do 2-Step, mas com um polimento moderno que evita qualquer sensação de nostalgia pura, incorporando baixos elásticos, stabs de synth curtos e vocais em destaque, evidenciando a base do chamado Deep Tech. O repertório é incrível, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um ótimo disco de estreia e muito variado. 

Melhores Faixas: Latch (um dos poucos momentos que Sam Smith mandou bem), White Noise, F For You, Confess To Me (participação da Jessie Ware), Help Me Lose My Mind, You & Me 
Vale a Pena Ouvir: Defeated No More, January, Voices

Caracal – Disclosure





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram e eles lançaram seu 2º álbum, intitulado Caracal (que capa feia). Após o Settle, o Disclosure se viu em uma posição delicada: eram, ao mesmo tempo, representantes de uma revitalização da música eletrônica britânica e agora um nome consolidado no mainstream global. Esse trabalho teve a intenção clara de expandir o som, torná-lo mais sofisticado e, sobretudo, mais vocal e colaborativo. A produção é mais polida e segue a estética do UK Bass e do House tradicional, investindo em arranjos mais densos, com maior presença de camadas, harmonias vocais e estruturas mais tradicionais da música pop. Os beats continuam limpos e precisos, mas muitas vezes são menos centrais. Além disso, os vocais ficaram bem mais centralizados, mas tudo soa bastante pasteurizado, como se fosse feito apenas para se manter nas paradas. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. No geral, é um álbum bem fraquinho e cansativo. 

Melhores Faixas: Omen (Sam Smith mandou bem de novo, MILAGRE!), Nocturnal (participação do The Weeknd), Magnets 
Piores Faixas: Superego, Jaded, Hourglass

 

Analisando Discografias - De Staat: Parte 2

                 

I_Con – De Staat





















NOTA: 9/10


Se passaram três anos e foi lançado mais um álbum do De Staat intitulado I_Con. Após o Machinery, que ainda carregava um certo caráter de “banda em formação estética”, explorando ideias sem necessariamente consolidar uma linguagem totalmente definida, esse trabalho surge como o momento em que eles começaram a cristalizar sua identidade visual e sonora de forma mais agressiva e conceitualmente coesa. A produção é mais polida e minimalista, apostando fortemente em contrastes: batidas secas e repetitivas convivem com explosões de energia controlada, criando uma sensação de tensão constante. As guitarras seguem padrões rítmicos, muitas vezes funcionando como loops, e os vocais do Torre Florim são mais performáticos, promovendo uma junção do Rock alternativo, Stoner Rock, Blues Rock e industrial. O repertório é sensacional, e as canções são bem divertidas e variadas. Enfim, é um disco bacana e pode ser considerado um clássico deles. 

Melhores Faixas: Witch Doctor, My Bad, Down Town, All Is Dull, Get It Together 
Vale a Pena Ouvir: I'll Take You, Input Source Select, Refugee

O – De Staat





















NOTA: 8,2/10


Se passaram mais três anos e foi lançado um novo álbum do De Staat, intitulado apenas O. Após o I_CON, a banda entra em um período de maior experimentação com identidade visual, estética digital e comunicação direta com o público, com esse título remetendo a algo simples e circular, sugerindo uma ideia de loop, ciclo, repetição e também de completude vazia. A produção é bem mais limpa e acessível. O álbum foi construído com forte foco no contraste entre minimalismo rítmico e explosões de energia. A base continua sendo o groove, mas agora mais polido, com as guitarras mais contidas, funcionando quase como elementos de textura. Os sintetizadores ganham muito mais espaço, criando ambientes sonoros que parecem artificiais e hipnóticos, estabelecendo um equilíbrio entre Rock alternativo e Post-Punk. O repertório é legalzinho, e as canções são bem densas e energéticas. Enfim, é um ótimo álbum e é bem subestimado. 

Melhores Faixas: Get On Screen, Round, Blue Is Dead 
Vale a Pena Ouvir: Murder Death, Systematic Lover, Help Yourself, Time Will Get Us Too

Bubble Gum – De Staat





















NOTA: 5,6/10


Chegando ao fim da década de 2010, eles voltaram com outro disco, o Bubble Gum. Após O, que já havia expandido a sonoridade do grupo para uma estética mais Pop e direta, o De Staat entra em uma fase em que a identidade visual e musical se torna ainda mais central no processo criativo. O conceito desse trabalho é ambivalente desde o início: algo aparentemente leve, colorido e descartável, mas que esconde uma camada de artificialidade, saturação e crítica ao consumo imediato de cultura. A produção é mais limpa e agressiva, com uma abordagem que abandona parte da complexidade estrutural dos discos anteriores para apostar em blocos sonoros mais diretos e repetitivos, dialogando com Dance-Punk e Art Pop. Só que o maior problema é que muitas das estruturas soam quebradas de forma incompleta, ficando sem algo concreto. O repertório é irregular, com canções divertidas e outras arrastadas. No fim, é um álbum mediano ao qual faltou mais consistência. 

Melhores Faixas: Mona Lisa, Pikachu, Tie Me Down 
Piores Faixas: I Wrote That Code, Level Up, Kitty Kitty

Red, Yellow, Blue – De Staat





















NOTA: 8,4/10


Então chegamos ao álbum mais recente deles, lançado em 2023, o Red, Yellow, Blue. Após o Bubble Gum, esse projeto surge de um processo incomum: ele reúne três EPs temáticos lançados ao longo do tempo, Red, Yellow e Blue, que posteriormente foram compilados em um único disco. Essa estrutura fragmentada reflete tanto o período da pandemia quanto uma mudança no modo de produção do De Staat, que passou a trabalhar mais com lançamentos episódicos do que com álbuns tradicionais. A produção segue uma abordagem polida, com isso o som é mais direto e “compacto” do que nos trabalhos anteriores, com forte presença de sintetizadores modernos, batidas secas e guitarras tratadas como elementos rítmicos. Os vocais do Torre continuam extremamente performáticos, mostrando que essa era a abordagem que deveriam ter seguido anteriormente. O repertório é bem legal, e as canções são todas bastante divertidas. No fim, é um disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Look At Me, Running Backwards Into The Future, Who's Gonna Be The GOAT?, Take Root, One Day 
Vale a Pena Ouvir: Peace, Love & Profit, Some Body, What Goes, Let Go


sábado, 2 de maio de 2026

Analisando Discografias - De Staat: Parte 1

                  

Wait For Evolution – De Staat





















NOTA: 8/10


Em 2009, foi lançado o álbum de estreia do De Staat, intitulado Wait For Evolution. Formado em 2007, na cidade de Nijmegen, Gelderland, na Holanda, por Torre Florim, o projeto inicialmente era praticamente solo, no qual ele gravou uma demo que ganhou notoriedade no cenário underground e acabou se transformando em uma banda, com Vedran Mirčetić (guitarra), Jop van Summeren (baixo), Rocco Hueting (teclados) e Tim van Delft (bateria). Com isso, eles assinaram com a Excelsior Recordings. A produção, feita por Torre Florim, é bastante crua e direta, com baixos marcantes e cheios de groove, guitarras cortantes e repetitivas, muitas vezes hipnóticas, além do uso de camadas rítmicas quebradas. Além disso, seus vocais vão do falado ao quase performático, juntando elementos do Rock alternativo com Stoner Rock. O repertório é bem legal, e as canções são bastante atmosféricas e densas. Enfim, é um disco de estreia bem interessante. 

Melhores Faixas: Habibi, Meet The Devil 
Vale a Pena Ouvir: Sleep Tight, You'll Be The Leader, My Blind Baby

Machinery – De Staat





















NOTA: 8/10


Passaram-se então dois anos, e foi lançado o 2º álbum do De Staat, intitulado Machinery. Após o Wait For Evolution, que foi praticamente uma afirmação inicial da identidade de Torre Florim como principal força criativa do grupo, esse novo disco surge como o momento em que a banda deixa de ser um projeto mais centrado em uma visão individual e passa a funcionar de forma mais orgânica como um coletivo. A produção é mais refinada e ampla, mas sem perder o caráter sujo e físico do som da banda. Seguindo aquelas influências do Rock alternativo, e também incorporando elementos de Rock industrial, experimental e psicodelia, com guitarras mais hipnóticas funcionando como engrenagens sonoras, batidas mecânicas e um uso mais evidente de camadas eletrônicas e texturas industriais. O repertório é muito bom, e as canções ficaram mais tensas e pesadas. No fim, é um ótimo disco que mostrou uma certa evolução. 

Melhores Faixas: I'll Never Marry You, Psycho Disco 
Vale a Pena Ouvir: Rooster-Man, Keep Me Home, Sweatshop
  

                                                                                   Então é só e flw!!! 

Analisando Discografias - David Dallas

                 

Something Awesome – David Dallas





















NOTA: 6/10


Em 2009, foi lançado o álbum de estreia do rapper David Dallas, o Something Awesome. Sua trajetória começou por volta de 2001; vindo de Auckland, na Nova Zelândia, ele fez parte do coletivo Frontline, que não durou muito tempo, decidindo então focar na carreira solo e tentando se firmar como uma voz própria dentro do cenário nacional. O disco nasce em um contexto em que o rap neozelandês ainda buscava maior projeção internacional, frequentemente ofuscado pelas cenas americana e australiana. A produção, feita por P-Money, 41 e Fire & Ice, adota uma abordagem orgânica, com beats limpos, refrões melódicos e uma estética que flerta com o Dirty South, Boom Bap e até certas influências de Jazz Rap; apesar de os flows de David serem eficientes, parece que nem sempre conseguem se encaixar perfeitamente. O repertório é mediano, com canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um disco de estreia que acaba sendo bem impreciso. 

Melhores Faixas: Runaway, Ain't None Left, Indulge M 
Piores Faixas: Your Thing, Big Time, Front To Back

The Rose Tint – David Dallas





















NOTA: 8/10


Em 2011, foi lançado o 2º álbum do David Dallas, intitulado The Rose Tint, e aqui tivemos um acerto. Após o Something Awesome, o rapper havia assinado com a Duck Down Music, de Nova York; este projeto foi originalmente concebido como uma mixtape, o que explica sua natureza mais livre, menos comercial e mais experimental em comparação ao álbum anterior. A produção é mais diversificada, contando com P-Money, M-Phazes, entre outros, que adotam uma abordagem mais crua e menos polida do que em seus trabalhos posteriores. Há uma mistura de beats do Boom Bap moderno com elementos mais melódicos do Jazz Rap e até do Trap. O projeto não busca uma unidade sonora rígida, e aqui os flows de David funcionam bem, sendo bastante variados. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem imersivas e energéticas. Enfim, é um disco bacana e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Caught In A Daze (baita feat do Freddie Gibbs), Postcard, Ain't Perfect 
Vale a Pena Ouvir: Til Tomorrow, Say No More, Make Up For It, Dream

Falling Into Place – David Dallas





















NOTA: 6/10


Dois anos se passam, e foi lançado seu 3º álbum, o Falling Into Place, e aqui houve uma queda de qualidade. Após o The Rose Tint, David Dallas começou a receber atenção fora da Nova Zelândia, impulsionado por singles fortes e pela circulação digital de seu trabalho. O título Falling Into Place reflete exatamente essa fase: a sensação de que a carreira, o som e a identidade artística finalmente estão se alinhando de forma mais clara e madura. A produção, feita por Fire & Ice e 41, é muito mais refinada, com beats mais limpos, graves bem definidos e estruturas voltadas para refrões memoráveis. Há uma clara tentativa de equilibrar acessibilidade radiofônica com credibilidade lírica, juntando influências do Chipmunk Soul com Cloud Rap. Só que os flows são bem repetitivos, assim como as estruturas rítmicas, que são bastante previsíveis. O repertório até começa bem, mas depois decai, com canções bem genéricas. Enfim, é um álbum mediano e bastante saturado. 

Melhores Faixas: Runnin', The Wire, Southside 
Piores Faixas: My Mentality (Freddie Gibbs bem abaixo aqui), Gotta Know, How Long

Hood Country Club – David Dallas





















NOTA: 3/10


Quatro anos se passaram, e foi lançado um novo trabalho do David Dallas, o Hood Country Club. Após o Falling Into Place, ele já não estava mais em fase de “provar valor”, mas sim de redefinir seu posicionamento artístico. Esse projeto surge após um período de relativa mudança no cenário do rap global e também na trajetória do rapper, que passa a explorar uma estética mais madura. A produção, feita por Burnley, Nic Martin, SmokeyGotBeatz e Styalz Fuego, adota uma estética mais moderna e refinada, mas também mais contida e atmosférica. O disco entra em uma abordagem mais minimalista, com batidas espaçadas, graves mais profundos e forte uso de ambiência, dialogando com o Cloud Rap e com traços do Trap; porém, há muitas falhas, principalmente no flow impreciso de David, que, na maioria das vezes, não funciona. O repertório é ruinzinho, com canções bem medíocres e poucas interessantes. No fim, é um álbum fraquíssimo e esquecível. 

Melhores Faixas: Get Off, Don’t Flitch, Can't Get Enough 
Piores Faixas: Probably, This Is It, R U, Fit In, Made A Name

Vita – David Dallas





















NOTA: 3/10


Então chegamos a 2024, quando foi lançado o trabalho mais recente do David Dallas no formato de EP: Vita. Após o fraquíssimo Hood Country Club, este projeto nasce de um lugar mais íntimo e vulnerável. O próprio conceito do EP está ligado ao nome “Vita”, apelido familiar derivado de seu nome samoano, Tavita. Segundo registros e descrições do projeto, o trabalho foi criado como uma espécie de retorno às origens, escrito em sua antiga casa em South Auckland, enquanto lidava com o luto pela morte do irmão. A produção, feita por Nick Maclaren, é mais contida, orgânica e direta. O som privilegia atmosferas suaves, beats econômicos e uma construção que deixa espaço para a voz e a narrativa pessoal, seguindo bases do Trap com influências evidentes do Jazz Rap, mesmo que muitos elementos não consigam se combinar. O repertório é fraquinho, com canções boas e outras bem medianas. Enfim, é um trabalho que acaba sendo um tanto excessivo. 

Melhores Faixas: All Gas, Manoeuvring 
Piores Faixas: First Love, Bourdain, Better in Real Life

    

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Analisando Discografias - Dan Croll

                 

Sweet Disarray – Dan Croll





















NOTA: 8/10


Em 2014, o Dan Croll lançava seu álbum de estreia, intitulado Sweet Disarray, que trazia uma abordagem interessante. Sua carreira começou por volta de 2010, quando se mudou de sua cidade natal, Newcastle-under-Lyme, Staffordshire, para Liverpool, a fim de estudar no Liverpool Institute for Performing Arts, fundado pelo eterno ex-Beatle Paul McCartney; Croll se destacou bastante, recebeu elogios de Paul e, com o tempo, assinou com a Deram Records, subsidiária da Decca. A produção, feita pelo cantor em conjunto com Joe Wills, é marcada por uma combinação de elementos acústicos e eletrônicos sutis, criando uma sonoridade leve, mas rica em camadas. O disco aposta em arranjos que equilibram guitarras limpas, piano, percussões detalhadas e pequenos adornos eletrônicos, fazendo um cruzamento entre Indie Pop e Folk. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e envolventes. Enfim, é um disco de estreia bem consistente. 

Melhores Faixas: Compliment Your Soul, Maway 
Vale a Pena Ouvir: Wanna Know, Always Like This, From Nowhere

Emerging Adulthood – Dan Croll





















NOTA: 7/10


Passaram-se três anos até Dan Croll retornar com seu 2º disco, o Emerging Adulthood. Após o Sweet Disarray, o cantor já havia conseguido consolidar um nome dentro do Indie Pop britânico, mas ainda buscava expandir e refinar sua identidade artística, testando novas direções sonoras e emocionais. Este trabalho remete a um estado de transição, em que as experiências da juventude ainda estão se consolidando em uma identidade mais madura, período em que passou a integrar a Communion Records. Produção conduzida por Ben H. Allen, adota uma abordagem ligeiramente mais contida. Em vez da exuberância mais colorida do debut, há aqui uma preferência por arranjos mais diretos, com foco na clareza da composição e na atmosfera emocional de cada faixa, o que funciona em alguns momentos, mas em outros acaba soando repetitivo. O repertório é legalzinho, com canções divertidas e algumas mais fracas. No fim, é um álbum bom, mas que apresenta algumas falhas. 

Melhores Faixas: 24, Away From Today, Tokyo, Bad Boy 
Piores Faixas: Do You Have To?, Sometimes When I'm Lonely, Swin

Grand Plan – Dan Croll





















NOTA: 8,5/10


Entrando em 2020, foi lançado seu 3º álbum de estúdio, o Grand Plan, que é mais profundo. Após o Emerging Adulthood, Dan Croll retorna com um trabalho que reflete não apenas maturidade artística, mas também um período de reorganização pessoal e criativa. O disco nasce após mudanças significativas em sua vida, incluindo deslocamentos, reconstrução de rotina e uma necessidade clara de reencontrar motivação dentro da música. A produção, feita por Matthew E. White, decide unir elementos do Indie Pop com influências mais psicodélicas, com forte presença de elementos acústicos, mas também com arranjos mais expansivos e bem estruturados. O uso de sintetizadores é mais controlado, servindo como apoio atmosférico, enquanto guitarras, pianos e percussões assumem o centro da construção musical. O repertório é muito bom, e as canções são bem melancólicas, mas imersivas. No fim, é um disco interessante e o melhor de sua carreira. 

Melhores Faixas: Actor With A Loaded Gun, Surreal, So Dark 
Vale a Pena Ouvir: Grand Plan, Yesterday, Rain

Fools – Dan Croll





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o álbum mais recente até então de Dan Croll, o Fools. Após o Grand Plan, esse projeto demonstra o cantor ainda mais confortável com sua identidade, disposto a explorar vulnerabilidades emocionais com maior clareza e menos necessidade de mascará-las sob estruturas excessivamente polidas. O contexto de criação do álbum também sugere um Dan Croll mais interessado em examinar falhas humanas, padrões emocionais repetitivos e contradições afetivas. A produção é mais limpa, calorosa e orgânica. O álbum aposta bastante em texturas suaves, guitarras discretas, linhas de baixo bem definidas, baterias secas e teclados atmosféricos, criando um som que soa moderno sem depender fortemente de tendências eletrônicas passageiras, com os vocais delicados do Croll funcionando bem. O repertório é muito bom, e as canções são bem variadas. Em suma, é um disco interessante e bem elegante. 

Melhores Faixas: Second Guess, Stephen 
Vale a Pena Ouvir: Talk To You, How Close We Came, Fools


                                                                          Então é isso, um abraço e flw!!!           

Analisando Discografias - Crystal Fighters

                 

Star Of Love – Crystal Fighters





















NOTA: 8/10


Em 2011, o Crystal Fighters lançava seu álbum de estreia, intitulado Star Of Love. Formado em 2007, em Londres, por Sebastian Pringle (vocal e guitarra), Gilbert Vierich (teclados), Graham Dickson (guitarra), Laure Stockley e Mimi Borrelli (backing vocals), o grupo é profundamente inspirado pela cultura basca, especialmente por uma espécie de manifesto artístico deixado pela avó de um dos integrantes. Após a entrada de Andrea Marongiu (bateria), eles partiram para a preparação desse projeto. A produção, feita pela própria banda, é bastante orgânica, conseguindo equilibrar camadas eletrônicas vibrantes com instrumentação acústica de forte influência Folk. O disco trabalha com uma paleta sonora bastante rica: sintetizadores pulsantes, batidas dançantes, guitarras com textura Indie e vocais em coros, dialogando muito com o New Rave e a Indietronica. O repertório é muito bom, e as canções são variadas. No fim, é um disco bacana e bastante coeso. 

Melhores Faixas: Plage, Follow 
Vale a Pena Ouvir: At Home, Xtatic Truth, Swallow

Cave Rave – Crystal Fighters





















NOTA: 6/10


Três anos se passaram, e eles lançaram seu 2º trabalho, o Cave Rave, que é mais amplo. Após o Star Of Love, o Crystal Fighters passa a investir em uma sonoridade mais direta, com maior foco em acessibilidade e impacto imediato, sem abandonar completamente suas raízes Folk e espirituais. Além disso, esse trabalho foi desenvolvido em ambientes mais isolados, reforçando essa conexão com a natureza e com uma ideia de comunidade quase ritualística. A produção, feita pela banda em conjunto com Justin Meldal-Johnsen, segue uma abordagem mais controlada, em que os elementos eletrônicos ganham ainda mais protagonismo, com sintetizadores mais limpos e graves mais presentes. Indo para um caminho mais puxado para o Indie pop, só que muita coisa soa comprimida demais e sem dinâmica. O repertório é mediano, com canções boas e outras mais fracas. Enfim, é um trabalho irregular que já mostrava uma mudança de rota. 

Melhores Faixas: L.A. Calling, Love Natural, You & I 
Piores Faixas: Separator, No Man, Wave

Everything Is My Family – Crystal Fighters





















NOTA: 1/10


Mais três anos se passaram, e o Crystal Fighters volta com um disco terrível, o Everything Is My Family. Após o Cave Rave, a banda enfrentou a morte do baterista Andrea Marongiu, em 2014, o que inevitavelmente influencia o tom do projeto, decidindo transformar a perda em celebração e continuidade. Ao mesmo tempo, o grupo já estava plenamente integrado ao circuito internacional de festivais, o que reforça ainda mais a tendência iniciada no álbum anterior de criar músicas com forte apelo coletivo. A produção, feita pela banda, buscou um equilíbrio mais refinado entre o eletrônico e o orgânico, tentando reintegrar elementos Folk de forma mais natural, mas o que vemos são lampejos de Electropop com traços de Stomp and Holler; com isso, os vocais ficam mais centrados nas vozes femininas, e o resultado soa plastificado e sem alma. O repertório é terrível, e as canções são bem chatas e beiram o insuportável. No fim, é um disco péssimo que acabou sendo um fiasco. 

Melhores Faixas: (....................................) 
Piores Faixas: In Your Arms, The Moondog, Good Girls, Fly East, All Night

Gaia & Friends – Crystal Fighters





















NOTA: 2,5/10


Chegando ao fim da década de 2010, o Crystal Fighters volta com um novo álbum, o Gaia & Friends. Após o péssimo Everything Is My Family, eles decidiram fazer um projeto mais colaborativo, quase uma extensão do universo da banda em direção a outros artistas, refletindo tanto a integração do grupo na cena global quanto o desejo de expandir suas possibilidades criativas. A produção é mais heterogênea do que a de seus antecessores. Em vez de uma identidade sonora rígida, o disco aposta na flexibilidade, permitindo que cada faixa explore diferentes nuances dentro do espectro Electropop. Os sintetizadores continuam brilhantes, mas muitas vezes são moldados para se encaixar nos estilos dos artistas convidados, além de uma percussão puxada mais para o groove, só que, novamente, tudo é excessivamente plastificado. O repertório é bem ruinzinho, com canções sem graça, interlúdios exagerados e poucos momentos interessantes. Enfim, é um disco ruim e sem forma. 

Melhores Faixas: Runnin', Goin' Harder (Bomba Estéreo salvou) 
Piores Faixas: Reborn, Remolino Icarito, The Get Down, Wild Ones, All Of It

Light+ - Crystal Fighters





















NOTA: 2/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o álbum mais recente do Crystal Fighters até então, o Light+. Após o Gaia & Friends, a banda, que havia voltado a ser o trio do início, passou pela experiência da pandemia, que teve um impacto direto na forma como o disco foi concebido: os membros ficaram separados geograficamente, o que os levou a um processo mais introspectivo e, ao mesmo tempo, a uma reavaliação do que realmente define o som do grupo. A produção segue aquela de sempre, tentando equilibrar a mistura entre o eletrônico e as tendências Pop, mas agora com uma execução mais variada, na qual se percebem influências evidentes do Pop alternativo e do Dance-Pop; porém, como de costume, as falhas aparecem: o ritmo soa bastante bagunçado, e a temática psicodélica acaba sendo muito contida. O repertório é terrível, com apenas uma canção que consegue se salvar. Enfim, é um disco horroroso que não trouxe nenhuma renovação. 

Melhores Faixas: Tranquilo 
Piores Faixas: Manifest, Carolina, Let Me Go, We Got Hope

   

Review: TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARNÁS E OUTRAS BRASILIDADES do FBC

                      TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARNÁS E OUTRAS BRASILIDADES – FBC NOTA: 9,2/10 No feriado do dia do trabalhador, o FBC la...