Discreet Music – Brian Eno
NOTA: 8,3/10
E aí, perto do fim do ano, Brian Eno lança mais um disco intitulado Discreet Music. Após o Another Green World, ele estava fascinado por sistemas e pela teoria cibernética e começou a explorar a noção de música como ambiente e textura, em vez de narrativa dramática ou groove rítmico. Influências vindas de compositores minimalistas como Steve Reich, junto a filosofias budistas e à ideia de que a música poderia “ocupar uma sala tão suavemente quanto a luz do sol”, delinearam um novo território criativo. A produção foi bem mais minimalista, mas fundamental: teclados sintetizados, tape delay (repetição elétrica de som) e processamento de fita criam texturas flutuantes, além de ser possível perceber influências da música barroca e do clássico contemporâneo nesse seu caldeirão orientado para a Ambient music que ele moldou. O repertório é muito bom, contendo 4 faixas interessantes e bastante meditativas. No fim, é um trabalho interessante e que não é para qualquer ouvido.
Melhores Faixas: Fullness Of Wind, Discreet Music
Vale a Pena Ouvir: French Catalogues, Brutal Ardour
Evening Star – Fripp & Eno
NOTA: 9,5/10
Aí na mesma época foi lançado o 2º álbum do Fripp & Eno, o Evening Star. Após o Discreet Music, Eno avançou de forma decisiva em sua concepção de música ambiental, enquanto Fripp atravessava um período de crise artística e espiritual, especialmente após dissolver uma encarnação do King Crimson. Com isso, a produção feita por eles aprofunda e refina as técnicas introduzidas em (No Pussyfooting), especialmente o uso do sistema conhecido como Frippertronics. O papel de Eno na produção foi mais o de arquiteto sonoro, atuando na escolha de timbres, no controle de níveis e na manipulação de delays, enquanto Fripp executa frases mínimas na guitarra elétrica, muitas vezes reduzidas a poucas notas sustentadas e tocadas com extrema contenção. O repertório desta vez contém 5 faixas que seguem por um caminho mais pacífico. Enfim, é um belo disco e que foi uma continuação decente.
Melhores Faixas: Evening Star, Wind On Water
Vale a Pena Ouvir: An Index Of Metals, Wind On Wind, Evensong
Before And After Science – Brian Eno
NOTA: 10/10
Melhores Faixas: By This River, King's Lead Hat, No One Receiving, Julie With..., Spider And I
Vale a Pena Ouvir: Backwater, Here He Comes
After The Heat – Eno, Moebius, Roedelius
NOTA: 8/10
Outro ano se passou, e foi lançado o álbum colaborativo de Brian Eno com Moebius e Hans-Joachim Roedelius, o After the Heat. Após o clássico Before and After Science, Eno já havia trabalhado com ambos anteriormente, já que eles faziam parte da cena do Krautrock, ligada à chamada Escola de Düsseldorf, que fundiu Rock, eletrônica e psicodelia, criando um som único com batidas hipnóticas (motorik) e paisagens sonoras eletrônicas. Assim, este trabalho é mais introspectivo, frio e rarefeito. A produção soa como resultado de convivência e troca: Eno atua como organizador de estruturas e refinador de timbres, enquanto Moebius e Roedelius contribuem com sua sensibilidade melódica simples, quase infantil, e sua relação orgânica com os sintetizadores. O repertório é muito bom, e as canções têm uma pegada meditativa, com um lado até futurista. Em suma, é um ótimo disco e que mostrou a maturidade do trio.
Melhores Faixas: The Belldog, Old Land
Vale a Pena Ouvir: Foreign Affairs, Tzima N'Arki, Oil



