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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Analisando Discografias - Disclosure: Parte 2

                 

Moonlight – Disclosure





















NOTA: 7/10


Em 2018, os irmãos voltaram lançando, dessa vez, um EP intitulado Moonlight, que trazia uma temática interessante. Após o Caracal, o Disclosure estava claramente interessado em se reconectar com a funcionalidade da música de pista, mas sem abandonar o refinamento pop adquirido ao longo dos anos. Decidiram, assim, fazer algo mais direto, que relembrasse o começo da trajetória deles. A produção foi voltada a privilegiar grooves, repetição e impacto imediato. Os beats são mais secos e proeminentes, com forte influência da House music. O baixo volta a ocupar um papel central, muitas vezes conduzindo a faixa inteira com linhas elásticas e pulsantes. Os vocais continuam importantes, mas agora são tratados de forma mais funcional. O repertório contém 5 faixas muito boas e bem divertidas. Em suma, é um trabalho bacana que cumpre sua proposta. 

Melhores Faixas: Where Angels Fear To Tread, Moonlight 
Vale a Pena Ouvir: Love Can Be So Hard, Where You Come From, Funky Sensation

Ecstasy – Disclosure





















NOTA: 7/10


Se passaram dois anos e foi lançado outro EP, intitulado Ecstasy, que serviu como um aquecimento para o disco seguinte. Após o EP Moonlight, os irmãos Lawrence começaram a testar uma nova forma de se reconectar com o público: lançamentos mais espontâneos, frequentemente revelados ou até criados em tempo real via redes sociais e transmissões ao vivo. Com esse trabalho, eles iniciam um planejamento para um álbum que seria bem mais amplo e que teve um processo mais elaborado. A produção foi deliberadamente minimalista e funcional. Os elementos são poucos, mas extremamente bem escolhidos: linhas de baixo pulsantes, batidas secas e precisas, samples vocais recortados e repetidos como elementos rítmicos. O uso de loops é central; muitas faixas giram em torno de uma ideia simples que é progressivamente desenvolvida com pequenas variações. O repertório possui 5 faixas que são bastante variadas. No fim, é um trabalho bom, que gerou aquele hype. 

Melhores Faixas: Tondo, Expressing What Matters 
Vale a Pena Ouvir: Ecstasy, Etran, Get Close

Energy – Disclosure





















NOTA: 8,2/10


E, na metade de 2020, eles enfim lançaram o tão aguardado 3º álbum, o Energy. Após o EP Ecstasy, esse trabalho foi preparado ao longo de todo o ano anterior, no qual eles queriam sintetizar duas fases distintas da dupla: o refinamento Pop e o reencontro com a pista presente em seus EPs mais recentes. Outro fator relevante é a forma como o Disclosure passou a trabalhar: mais colaborativa do que nunca, com artistas de diferentes partes do mundo, sendo esse projeto lançado de forma exclusiva pela Island Records. A produção foi mais expansiva, contendo uma maior variedade de texturas e arranjos, mas sem perder o foco no groove. As batidas são construídas com precisão, muitas vezes inspiradas em padrões africanos, latinos e até do Hip-Hop, criando uma sensação de movimento constante, juntando, assim, House com UK garage. O repertório é muito bom, e as canções são bem tematizadas. Enfim, é um ótimo trabalho e bastante consistente. 

Melhores Faixas: Douha (Mali Mali), Energy, Ce N'est Pas 
Vale a Pena Ouvir: My High, Reverie, Fractal (Interlude)

Alchemy – Disclosure





















NOTA: 8/10


Então chegamos a 2023, quando foi lançado o trabalho mais recente do Disclosure, o Alchemy. Após o Energy, eles optaram por algo mais interno, quase introspectivo. Esse movimento funciona como uma resposta direta à fase anterior, decidindo, então, buscar se reconectar com sua própria identidade criativa, sem depender de vozes externas para estruturar as faixas. Além disso, eles deixaram a Island Records e assinaram com a AWAL. A produção contou com nomes como Cirkut, DonnyBravo e Max Margolis, apresentando uma estética mais consistente e centrada no groove. As batidas são novamente protagonistas, com um forte retorno ao UK Garage e elementos do Funky House, mas filtrados por uma produção moderna e extremamente limpa. Os vocais se tornam mais funcionais, sendo frequentemente fragmentados ou sampleados. O repertório é agradável, com canções mais cadenciadas e envolventes. No fim, é um trabalho bastante consistente. 

Melhores Faixas: Sun Showers, We Were In Love 
Vale a Pena Ouvir: Go The Distance, Higher Than Ever Before, Brown Eyes

    

domingo, 3 de maio de 2026

Analisando Discografias - Disclosure: Parte 1

                  

Settle – Disclosure





















NOTA: 9/10


Voltando para 2013, o Disclosure lançava seu álbum de estreia, o Settle, que trazia uma abordagem interessante. O duo, formado em Reigate, Surrey, na Inglaterra, pelos irmãos Guy e Howard Lawrence, começou a trajetória por volta de 2010 com a proposta de seguir um caminho mais contido e sofisticado, resgatando a sensualidade do House e a cadência quebrada do UK Garage, o que lhes rendeu um contrato com o selo independente PMR. A produção, feita pelos próprios artistas, aposta em uma abordagem que combina minimalismo estrutural com riqueza de textura. As batidas são secas e precisas, frequentemente baseadas em padrões do 2-Step, mas com um polimento moderno que evita qualquer sensação de nostalgia pura, incorporando baixos elásticos, stabs de synth curtos e vocais em destaque, evidenciando a base do chamado Deep Tech. O repertório é incrível, e as canções são todas bem envolventes. No fim, é um ótimo disco de estreia e muito variado. 

Melhores Faixas: Latch (um dos poucos momentos que Sam Smith mandou bem), White Noise, F For You, Confess To Me (participação da Jessie Ware), Help Me Lose My Mind, You & Me 
Vale a Pena Ouvir: Defeated No More, January, Voices

Caracal – Disclosure





















NOTA: 5/10


Dois anos se passaram e eles lançaram seu 2º álbum, intitulado Caracal (que capa feia). Após o Settle, o Disclosure se viu em uma posição delicada: eram, ao mesmo tempo, representantes de uma revitalização da música eletrônica britânica e agora um nome consolidado no mainstream global. Esse trabalho teve a intenção clara de expandir o som, torná-lo mais sofisticado e, sobretudo, mais vocal e colaborativo. A produção é mais polida e segue a estética do UK Bass e do House tradicional, investindo em arranjos mais densos, com maior presença de camadas, harmonias vocais e estruturas mais tradicionais da música pop. Os beats continuam limpos e precisos, mas muitas vezes são menos centrais. Além disso, os vocais ficaram bem mais centralizados, mas tudo soa bastante pasteurizado, como se fosse feito apenas para se manter nas paradas. O repertório até começa bem, mas depois decai drasticamente. No geral, é um álbum bem fraquinho e cansativo. 

Melhores Faixas: Omen (Sam Smith mandou bem de novo, MILAGRE!), Nocturnal (participação do The Weeknd), Magnets 
Piores Faixas: Superego, Jaded, Hourglass

 

Analisando Discografias - Def Leppard: Parte 1

                   On Through The Night – Def Leppard NOTA: 9/10 No comecinho dos anos 80, era lançado o álbum de estreia do Def Leppard, o ...