terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Steve Hackett: Parte 4

                 

Wolflight – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Em 2015, foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, intitulado Wolflight, que marcou um retorno a um caminho mais épico. Após o Genesis Revisited II, como seus trabalhos anteriores já apontavam, Hackett alcança aqui uma síntese madura entre o Rock progressivo, influências de world music e uma abordagem narrativa mais clara. Esse projeto aprofunda esse caminho, assumindo desde o início uma atmosfera de jornada, deslocamento e observação histórica. A produção, conduzida como sempre em parceria com Roger King, é refinada e equilibrada, priorizando a organicidade sem abrir mão de um acabamento moderno. As guitarras são o eixo central, mas nunca monopolizam o espaço, dialogando constantemente com teclados atmosféricos, baixo melódico e uma bateria precisa, porém contida, além de termos influências de Hard Rock e Folk. O repertório é muito bom, e as canções são bastante densas. Enfim, é um trabalho muito legal e coeso. 

Melhores Faixas: Black Thunder, Corycian Fire 
Vale a Pena Ouvir: Out Of The Body, Loving Sea, Dust And Dreams

The Night Siren – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Passam-se dois anos e é lançado mais um trabalho do Steve Hackett, o The Night Siren. Após o Wolflight, disco marcado pela ideia de viagem e observação cultural, Hackett amplia o foco: se antes a jornada tinha um caráter mais espiritual, aqui ela passa a dialogar diretamente com o mundo contemporâneo, suas tensões, deslocamentos humanos, conflitos e crises ambientais. A produção foi bem diferente, já que foi feita de forma mais improvisada, sendo gravada em computador. Suas guitarras continuam no centro, mas dividem o protagonismo com teclados envolventes, percussões de inspiração étnica e uma base rítmica flexível, capaz de alternar sutileza e contundência. Além disso, houve a presença de músicos convidados vindos de Israel e até do Peru, com cada um incorporando sua tradição a esse caldeirão progressivo. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante imersivas. No geral, é um ótimo disco, bastante preciso. 

Melhores Faixas: Fifty Miles From The North Pole, Anything But Love 
Vale a Pena Ouvir: Martian Sea, In Another Life, West To East

At The Edge Of Light – Steve Hackett





















NOTA: 8,1/10


No ano de 2019, foi lançado mais um trabalho de Steve Hackett, intitulado At The Edge Of Light. Após o The Night Siren, ele decide fazer um projeto cujo foco se desloca para a ideia de limite entre luz e sombra, passado e presente, razão e intuição. O disco reflete um artista em plena maturidade criativa, menos interessado em afirmações técnicas explícitas e mais preocupado com atmosfera, storytelling e coesão emocional. A produção foi feita de forma caseira e, não sendo gravada apenas em computador, desta vez soa mais orgânica, com arranjos que valorizam tanto o detalhe quanto o impacto emocional do conjunto. As guitarras do Hackett continuam sendo o eixo central da narrativa musical, mas surgem integradas a uma paleta rica de teclados, percussões étnicas e uma base rítmica versátil, capaz de sustentar mudanças de clima e dinâmica com fluidez. O repertório é muito bom, e as canções são mais vibrantes. Enfim, é outro disco muito interessante. 

Melhores Faixas: Underground Railroad, Hungry Years 
Vale a Pena Ouvir: Those Golden Wings, Peace, Beasts In Our Time

Under A Mediterranean Sky – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Indo para 2021, Steve Hackett retorna com mais um disco, intitulado Under A Mediterranean Sky. Após o At The Edge Of Light, ele opta por um gesto quase contemplativo: desacelerar, reduzir o volume e concentrar-se na essência melódica de sua escrita. O álbum nasce também de um desejo antigo de homenagear as paisagens, culturas e atmosferas do Mediterrâneo, região que sempre exerceu forte fascínio sobre o guitarrista. A produção foi conduzida em parceria com Roger King e, aqui, ambos seguem um direcionamento fora do Rock progressivo, aproximando-se mais da música erudita; as guitarras acústicas são o centro absoluto do álbum. Os arranjos são econômicos, mas nunca pobres: pequenos detalhes de percussão, cordas ou teclados surgem apenas quando necessários, sempre em função da atmosfera. O repertório é muito bom, e as canções transmitem um lado mais aconchegante. No geral, é um disco interessante, mas muito subestimado. 

Melhores Faixas: Casa Del Fauno, Andalusian Heart 
Vale a Pena Ouvir:  Joie De Vivre, Adriatic Blue, The Dervish And The Djin

Surrender Of Silence – Steve Hackett





















NOTA: 8,3/10


Então, alguns meses se passam e é lançado Surrender Of Silence, que marca um retorno a um lado mais tradicional. Após o Under A Mediterranean Sky, este trabalho nasce como uma resposta direta a um período de isolamento, introspecção e suspensão do tempo. É um álbum profundamente moldado pela experiência do silêncio, não como ausência, mas como espaço criativo. Hackett, impedido de seguir a rotina normal de turnês e grandes produções, volta-se para composições mais intimistas. A produção é bem mais esparsa, contida e elegante. Tudo aqui gira em torno do detalhe e da atmosfera. Guitarras acústicas e elétricas, tratadas com extrema delicadeza, convivem com piano, teclados suaves e discretos elementos orquestrais, retomando aquela estética do rock progressivo sinfônico que remete aos tempos de auge do Genesis nos anos 70. O repertório é muito bom, e as canções são todas bem tematizadas. No fim, é outro disco bacana e coeso. 

Melhores Faixas: Held In The Shadows, Shanghai To Samarkand, Natalia 
Vale a Pena Ouvir: Wingbeats, Scorched Earth

The Circus And The Nightwhale – Steve Hackett





















NOTA: 8,5/10


Então chegamos ao último álbum de Steve Hackett até o momento, lançado em 2024: The Circus And The Nightwhale (e que capa feia). Após o Surrender Of Silence, ele decide retomar aquela dinâmica clássica do Rock progressivo. Com isso, opta por fazer um álbum conceitual que gira em torno do jovem personagem Travla, cuja estrutura das músicas espelha um rito de passagem autobiográfico e metafórico. A produção, feita por ele em parceria com Roger King, é rica e dinâmica, criando uma sensação de tapeçaria sonora em que cada trecho e cada som dialogam com a narrativa maior. Hackett se envolve não só nas guitarras, mas também em vocais, percussão e baixo em alguns momentos; além disso, o álbum equilibra passagens mais intensas e cheias de energia com momentos atmosféricos, oferecendo profundidade emocional e variedade de texturas. O repertório é muito bom, e as canções são todas bastante imersivas. Em suma, é um ótimo disco e vale a pena conferir. 

Melhores Faixas: Enter The Ring, Ghost Moon And Living Love, Wherever You Are, Taking You Down, Circo Inferno 
Vale a Pena Ouvir: White Dove, These Passing Clouds, People Of The Smoke


Analisando Discografias - Grouplove: Parte 1

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