segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Analisando Discografias - Steve Hackett: Parte 3

                 

To Watch The Storms – Steve Hackett





















NOTA: 8/10


Indo para o ano de 2003, foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o To Watch The Storms. Após o Darktown, Hackett entra nos anos 2000 buscando uma reafirmação clara de sua identidade dentro do Rock progressivo. Diferente de outros trabalhos da época, este álbum nasce de um desejo consciente de retomar um formato bem mais cru, algo que remete tanto às origens do Rock quanto a uma abordagem mais direta e menos ornamentada. A produção, feita como sempre por ele próprio, adota uma abordagem enxuta que privilegia a dinâmica, com a guitarra soando robusta, as linhas de baixo ocupando espaços melódicos, enquanto a bateria aposta em levadas firmes e precisas, sustentando a tensão rítmica sem recorrer a virtuosismo exibicionista. Os teclados, por sua vez, conseguem preencher alguns espaços de forma funcional. O repertório é muito bom, e as canções são bastante dinâmicas. No fim, é um trabalho interessante e que cumpre bem a sua proposta. 

Melhores Faixas: Brand New, Come Away 
Vale a Pena Ouvir: Mechanical Bride, Serpentine Song, Circus Of Becoming

Metamorpheus – Steve Hackett & The Underworld Orchestra





















NOTA: 7,9/10


Dois anos se passam, e é lançado mais um trabalho do Steve Hackett, o Metamorpheus. Após o To Watch The Storms, o álbum nasce de um desejo antigo do músico de criar uma obra narrativa baseada na mitologia clássica, especificamente no mito de Orfeu e Eurídice, conforme relatado por Ovídio em As Metamorfoses. Ao contrário de projetos anteriores ligados à música clássica, este não é apenas um exercício de estilo, mas uma tentativa clara de contar uma história musical contínua, estruturada como uma suíte moderna. A produção, feita por ele próprio e com a participação da Underworld Orchestra, segue por um caminho mais acústico, privilegiando cordas, sopros e percussões diversas, mas incorporando guitarras elétricas, teclados e elementos de Rock de maneira orgânica, nunca gratuita. O repertório é bem interessante, com as composições apresentando um lado mais sentimental. Enfim, é um trabalho interessante, apesar de apresentar algumas limitações. 

Melhores Faixas: That Vast Life, Elegy 
Vale a Pena Ouvir: Song To Nature, Charon's Call, Under The World - Orpheus Looks Back

Wild Orchids – Steve Hackett





















NOTA: 5,4/10


No ano seguinte, foi lançado mais um disco intitulado Wild Orchids, e aqui surgem alguns problemas. Após o Metamorpheus, Hackett decide lançar um trabalho que deliberadamente se afasta tanto do formato de banda quanto da grandiosidade sinfônica. O disco nasce de um impulso íntimo e doméstico, concebido como uma coletânea de peças breves, majoritariamente instrumentais, muitas delas compostas e gravadas de maneira quase privada. A produção, como de costume, é minimalista e deliberadamente despojada. Hackett assume praticamente todo o controle do processo, gravando múltiplos instrumentos e optando por uma sonoridade limpa, intimista e pouco processada, com guitarras acústicas em primeiro plano e teclados suaves, mas tudo acaba soando com pouca dinâmica e excessivamente uniforme. O repertório é mediano, com canções bastante cansativas e outras mais interessantes. No geral, é um trabalho irregular, ao qual faltou algo mais. 

Melhores Faixas: Man In The Long Black Coat, The Fundamentals Of Brainwashing, Set Your Compass 
Piores Faixas: Why, Ego And Id, Down Street

Tribute – Steve Hackett





















NOTA: 6/10


Passando para 2008, foi lançado o álbum intitulado Tribute, que faz uma homenagem a compositores eruditos. Após o mediano Wild Orchids, esse trabalho nasce como um gesto de reconhecimento, mas também como uma forma de diálogo entre linguagens musicais. Ao escolher interpretar essas peças de maneira majoritariamente instrumental, Steve Hackett não busca reproduzir versões definitivas, mas sim traduzi-las para o seu próprio vocabulário expressivo. A produção, conduzida por ele junto com Roger King, é elegante e deliberadamente contida. O foco absoluto está na interpretação, especialmente na guitarra, que assume o papel de “voz” principal ao longo do álbum. Hackett opta por arranjos refinados, muitas vezes acústicos, mas muita coisa não consegue funcionar, e falta variação de timbres. O repertório, apesar de bom, acaba apresentando apenas algumas interpretações realmente bem-sucedidas. Em suma, é um álbum mediano e bastante inconsistente. 

Melhores Faixas: El Noy del la Mare, Sapphires, Cello Suite No. 3 in C Major, BWV 1009: III. Courante 
Piores Faixas: Prelude in C Minor, BWV 999, The Fountain Suite, Through the Trees

Out Of The Tunnel's Mouth – Steve Hackett





















NOTA: 8,2/10


Mais um ano se passou e foi lançado mais um álbum do Steve Hackett, o Out Of The Tunnel’s Mouth. Após o também fraco Tribute, ele decide voltar àquela identidade do Rock progressivo moderno, mas sem nostalgia excessiva. O contexto é o de um artista plenamente reconciliado com seu passado no Genesis, mas não mais definido por ele. Hackett já havia retomado o repertório clássico em turnês e projetos paralelos, o que lhe permitiu, paradoxalmente, voltar ao estúdio com mais liberdade criativa. A produção, feita mais uma vez em parceria com Roger King, é rica, detalhada e cuidadosamente equilibrada, apostando em arranjos mais elaborados, com presença marcante de teclados, guitarras sobrepostas e participações vocais que ampliam o espectro emocional do álbum. O repertório é muito bom, e as canções apresentam um lado mais introspectivo, com poucos momentos vibrantes. Enfim, é um álbum bacana e bastante sincero. 

Melhores Faixas: Fire On The Moon, Still Waters 
Vale a Pena Ouvir: Sleepers, Last Train To Istanbul, Emerald And Ash

Beyond The Shrouded Horizon – Steve Hackett





















NOTA: 8,4/10


Entrando em 2011, foi lançado mais um trabalho dele, intitulado Beyond The Shrouded Horizon. Após o Out of the Tunnel’s Mouth, Steve Hackett já havia reassumido publicamente sua ligação com o Genesis sem que isso o aprisionasse criativamente, o que lhe permite olhar para frente com mais liberdade. O título sugere expansão e transcendência, ir além de limites visíveis ou imaginados, e essa ideia permeia o disco tanto em termos musicais quanto temáticos. A produção é praticamente a mesma do trabalho anterior, só que com camadas bem definidas de guitarras, teclados e vozes. A guitarra de Hackett continua sendo o eixo central, mas divide espaço com arranjos elaborados e uma seção rítmica sólida. O resultado equilibra bem momentos de peso e passagens etéreas, evitando tanto a crueza excessiva quanto o excesso sinfônico. O repertório é muito bom, e as canções são bem melódicas e profundas. No final de tudo, é um ótimo álbum e bastante dinâmico. 

Melhores Faixas: Til These Eyes, Between The Sunset An The Coconut Palms, Catwalk 
Vale a Pena Ouvir: Two Faces Of Cairo, The Phoenix Flown, Looking For Fantasy

Genesis Revisited II – Steve Hackett





















NOTA: 8,5/10


Então, depois de 15 anos, foi lançado Genesis Revisited II, que se mostra bem mais extenso que seu antecessor. Após o lançamento do Beyond The Shrouded Horizon, para que essa continuação acontecesse, Steve Hackett havia retomado com sucesso o repertório do Genesis em turnês, recebendo uma resposta extremamente positiva do público e da crítica, o que o encorajou a registrar essas releituras em estúdio de forma definitiva. A produção, feita por ele próprio junto como sempre, com Roger King, é grandiosa, detalhada e claramente pensada como um projeto de celebração definitiva. A guitarra de Hackett ocupa um papel central e frequentemente mais destacado do que nas versões originais, enquanto os arranjos preservam a estrutura essencial das composições, mas são reforçados por timbres modernos, teclados mais densos e uma seção rítmica poderosa. O repertório, como era de se esperar, é ótimo e muito bem interpretado. No final, é um trabalho muito bom e respeitoso. 

Melhores Faixas: Dancing With The Moonlit Knight, Entangled, Afterglow, Can-utility And The Coastliners, A Tower Struck Down 
Vale a Pena Ouvir: Supper's Ready, Broadway Melody Of 1974, Shadow Of The Hierophant, ...In That Quiet Earth

        Então é isso, um abraço e flw!!!                

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